Coletiva-Audiência com sindicalistas-20121903

De Infogov São Paulo
Ir para navegação Ir para pesquisar

Transcrição da coletiva da Audiência com sindicalistas

Local: Capital - Data: 19/03/2012

GOVERNADOR GERALDO ALCKMIN: Olha, destacar a importância aqui desse encontro reunindo os trabalhadores, aos principais centrais sindicais do Brasil lideranças das federações de trabalhadores, a federação das indústrias do Estado de São Paulo, setor produtivo, o Governo do Estado no sentido de trabalharmos, para evitar a desindustrialização, que hoje é nítida. Aqui em São Paulo nós tivemos em janeiro deste ano comparado com janeiro do ano passado, um crescimento 15,8% dos ICMS de importação; e uma queda de 0,9% do ICMS da indústria. Quando a gente pega o bimestre em janeiro e fevereiro, a queda é de 2% dos ICMS da indústria. Isso é muito preocupante porque é a indústria que agrega valor, oferece muitos postos de trabalho, manufatura, salários melhores, está na base do desenvolvimento do país. Então, há uma luta para se aprovar a Resolução 72 para evitar o absurdo das importações estimuladas que nós vemos, por alguns portos em alguns estados, contra o emprego no Brasil. E, de outro lado, só se pegarmos o setor eletroeletrônico, ano passado foi R$ 31 bilhões o déficit. Se pegarmos o setor de máquinas, R$ 35 bilhões o déficit, o ano passado. Brasil perdendo competitividade e o encontro dia 4 de abril, onde se pretende fazer uma grande manifestação em São Paulo, mas que já começa pelo Rio Grande do Sul, ainda agora no mês de março. Então, o Paulo Pereira da Silva pode até detalhar um pouco mais esse movimento.


REPÓRTER: Agora, governador, o que pode ser feito para amenizar esses números? Eu queria que o senhor explicasse o benefício na pratica dessa resolução.


GOVERNADOR GERALDO ALCKMIN: Olha, primeiro, o que é que pode ser feito? Qual o problema da perda de competitividade, não é? Um dos jornais deste fim de semana ainda trouxe que nos Estados Unidos é mais barato produzir do que no Brasil. É juro para cima, juros para cima, juros altos, imposto alto e câmbio baixo. Então, você tem uma... E custo Brasil, além de burocracia, logística, enfim, um conjunto de fatores. Isso é uma questão macroeconômica. A outra é a questão dos portos. O que é que acontece? Quando você importa um produto, você paga 12% normalmente de ICMS de importação. Então, alguns estados dizem: “Ó, importe por aqui, eu te devolvo 9%, eu fico com 3%”. Então, você estimula. Então, o imposto de importação que era 12%, vira 2%, vira 3%. Essa é uma concorrência contra a indústria brasileira. Você tá dando um estimulo para importar e para gerar emprego lá fora, para gerar emprego fora do país. O que é que propõe a Resolução 72? Que quando você faz uma importação que não é para a indústria do seu estado, é apenas passagem; esse imposto de importação é zero ou é 1%, 2%. Então, tira essa possibilidade de você dá um estimulo artificial. Ela elimina essa hipótese, não é? Então, essa é a Resolução 72. que é do senador Romero Jucá...


ORADOR NÃO IDENTIFICADO: E quando ele entrar aqui, ele vai pagar, né?


GOVERNADOR GERALDO ALCKMIN: Exatamente. Quando houver a importação vai pagar os 12%, que é o que tem que pagar.


REPÓRTER: Seria universal sem esse valor?


GOVERNADOR GERALDO ALCKMIN: Seria para todas as importações pelos portos de estados quando não se destina ao próprio estado o produto importado. Porque que é 12? Porque a alíquota interestadual é 12. Ao invés dele receber o 12, fala: "venha por aqui eu cobro dois". Você está estimulando a importação. Você está reduzindo a carga tributária, não para indústria brasileira, mas você está reduzindo a carga tributária por produto importado, o que é um contrassenso.


REPÓRTER: O governo de São Paulo pode fazer alguma coisa? Tem empresário pedindo mais prazo para recolhimento de imposto...


GOVERNADOR GERALDO ALCKMIN: Nós já temos feito e fizemos o ano passado, o chamado outono tributário. Nossa meta é sempre reduzindo aqui o imposto da indústria para 12%. Já fizemos para indústria do calçado, couro, álcool, têxtil é 7%, estamos... Indústria de... Naval. Enfim, sempre nós... Estamos estudando inclusive outras reduções. Mas é preciso verificar um problema que é nacional, ele não é só de São Paulo, ele é...


REPÓRTER: Quais as outras reduções?


GOVERNADOR GERALDO ALCKMIN: Nós já tínhamos feito inúmeras reduções. Posso citar aqui setor industrial: indústria naval, petróleo, ferrovia, Aeronáutica, sapato e coureiro calçadista, têxtil, brinquedo, instrumento musical. Estamos estudamos agora para indústria de papel e celulose. Então, já tivemos uma redução importante.


REPÓRTER: E é uma redução de quantos por cento, o senhor avalia?


GOVERNADOR GERALDO ALCKMIN: Geralmente nós reduzimos as alíquotas da indústria, de 18% para 12%.


REPÓRTER: Vai reduzir mais para...


GOVERNADOR GERALDO ALCKMIN: Sendo que, no caso do têxtil, já reduzimos para 7%. Já é hoje 7%.


REPÓRTER: Governador, o senhor pode dar palavrinha sobre política, sobre as prévias do PSDB? Essa é a última semana, o senhor deve se envolver em alguma atividade de campanha do ex-governador José Serra?


GOVERNADOR GERALDO ALCKMIN: Olha, a nossa prévia é no domingo. Temos três pré-candidatos: o Serra, o José Aníbal, o Trípoli. Tenho absoluta confiança de que este vai ser um processo exemplar no PSDB; de democracia interna, de respeito à militância, de ouvir as bases do partido. Nós esperamos mais de 5 mil filiados, militantes aqui na capital. Então, a democracia começa dentro de casa e acho que é um bom exemplo.


REPÓRTER: É, o senhor já declarou o seu voto, não é, governador?


GOVERNADOR GERALDO ALCKMIN: Declarei o meu voto.


REPÓRTER: Está confiante no seu candidato?


GOVERNADOR GERALDO ALCKMIN: Acho que está indo bem. E o importante é aquele que for escolhido, o partido está unido para apresentar um bom programa.


REPÓRTER: Governador, sobre essa declaração do senhor, os outros pré-candidatos chegaram a falar com o senhor, se sentiram desprestigiados em função dessa declaração?


GOVERNADOR GERALDO ALCKMIN: Não. O que eu declarei? Que o governo de São Paulo, o governador do estado, não tem candidato. O governo trabalha para o povo, suprapartidariamente, trabalha em benefício da coletividade. Como filiado ao partido, eu vou votar no domingo, e o meu voto vai ser para o Serra. Respeitando todos os candidatos que estão contribuindo para o fortalecimento do partido, para o debate no partido. E aquele que for escolhido vai estar todo mundo unido para trabalhar por ele.


REPÓRTER: E o senhor participa ou não, de alguma atividade ao lado do Serra essa semana, assim, nas horas de folga do senhor? Não...


GOVERNADOR GERALDO ALCKMIN: Não vejo... Não vejo necessidade. Eu acho que são reuniões que já estão ocorrendo. Está bom?


REPÓRTER: E senhor acha que o Serra está bem, é possível que ele ganhe?