Coletiva - Após reforma, Escola Estadual Raul Brasil está totalmente revitalizada 20202605

De Infogov São Paulo
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Coletiva - Após reforma, Escola Estadual Raul Brasil está totalmente revitalizada

Local: Capital - Data: Maio 26/05/2020

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JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Nós temos alguns veículos de comunicação aqui, que farão perguntas. O tema hoje é o tema da educação, o tema da Escola Raul Brasil. Amanhã, volto a mencionar, teremos uma coletiva de imprensa longa, vamos começar inclusive mais cedo, às 12h, no Palácio dos Bandeirantes, para atender certamente a expectativa de vocês, nos temas relativos à quarentena em São Paulo. Então hoje aqui o nosso tema é a Escola Raul Brasil, a recuperação dessa escola e o que ela representa para a comunidade aqui de Suzano e a comunidade em volt de Suzano também. Vamos começar exatamente com o Jornal Gazeta Regional, Will Siqueira, e depois nós vamos à TV Diário, que é daqui também, e o Mogi News, depois dois outros veículos de comunicação, exatamente para homenagear a imprensa local, que vocês também sofreram mais, muito mais do que nós, que estávamos mais afastados daqui. Então, Will, sua pergunta, por favor.

REPÓRTER: Boa tarde, governador, boa tarde a todos. Governador, mais de um ano após a tragédia, infelizmente, que ocorreu aqui na Raul Brasil, qual a lição que fica para o Governo Estadual de uma ação à segurança nas escolas do estado como um todo?

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Bem, são lições... Eu vou compartilhar com o secretário Rossieli, mas posso antecipar que foram lições muito duras. Essa era uma das escolas com os melhores indicadores de educação e dos melhores indicadores de segurança. Ela não estava nas escolas, incluídas entre aquelas que exigiam maior atenção, por parte da Secretaria da Educação. Há um 'score' pra isso, o secretário vai se referir nesse sentido, que exige um acompanhamento mais pr& oacute;ximo da Secretaria e das autoridades de segurança no Estado de São Paulo. A Raul Brasil não estava dentro desse 'score', não fazia parte, porque sempre foi uma escola pacífica, uma escola de bons índices na qualidade do ensino e absolutamente serena no comportamento entre alunos e professores, e também no respeito dos pais dos alunos pela escola. Não havia nenhum indicador no início de março, ou em fevereiro, que pudesse... Ou no ano anterior, que pudesse vislumbrar qualquer risco de agressão ou de conflito nessa escola, o que remete, sem fugir à complementação da resposta, que será feita pelo Rossieli, de que nós não podemos estimular agressividade, o armamento da população, ou qualquer atividade que possa permitir que cenas como aquela voltem a se repetir, por dois jovens fortemente armados, completamente debilitados e que tive ram a atitude homicida de matar pessoas e se suicidarem, na sequência. Rossieli.

ROSSIELI SOARES, SECRETÁRIO ESTADUAL DE EDUCAÇÃO DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, governador. Nós tivemos uma série de lições aprendidas, mas eu acho que é importante destacar isso que o governador trouxe bem: nunca poderíamos imaginar, esperar uma tragédia dessas. Eu acho que foge a qualquer razoabilidade, qualquer possibilidade. Temos muitos desafios, muitos problemas a serem enfrentados, mas a gente aprendeu muito. Algumas coisas foram criadas a partir das experiências da Escola Raul Brasil, pra toda a rede. Por exemplo, um programa mui to importante hoje dentro da Secretaria é que a gente criou um método de melhoria de convivência, o chamado MMC. Nós temos um método de melhoria de resultado, onde a gente acompanha escola por escola, cada escola faz o seu planejamento, cada diretoria acompanha e a Secretaria gerando indicadores, que vão da ponta até a Secretaria, mas era olhando a aprendizagem. Aí nós, com essa experiência, olhando pro que a gente fazia lá e com o que aconteceu aqui, fizemos uma grande pesquisa, por exemplo, recentemente, com mais de um milhão de estudantes, entre estudantes e professores que responderam, a maior pesquisa realizada no Brasil sobre convivência, bullying e outros temas do gênero, para entender inclusive melhor. Mas o que fazer com isso? Então, o método de melhoria, por exemplo, da convivência, faz com que a escola pare, pense, olhe para os seus problemas, quais s& atilde;o as questões de clima de dentro da escola que precisam ser enfrentados, para que um pequeno bullying não se transforme, no futuro, numa coisa muito mais complexa. Olhamos para aspectos de segurança, estamos trabalhando muito mais, por exemplo, próximo com a chamada linha vermelha, que a gente criou, entre polícia e as diretorias de ensino. A cada 45 dias, em média, nós temos uma reunião que pegam os comandos regionais da polícia, as coordenadorias da Secretaria de Educação, Will, e elas fazem reuniões para fazer a integração absoluta disso. Criamos o Gabinete de Segurança Escolar, dentro da Secretaria. Estamos integrando todas as câmeras. Então, na parte de tecnologia, avançamos muito. Mas tudo isso precisa ser observado a partir da convivência com as pessoas. Por isso que o Conviva é um dos pilares hoje mais importantes, e tem sid o uma experiência grandiosa. Contratamos agora os psicólogos para as diretorias de ensino, que vão estar ajudando a acompanhar, estamos fazendo cada vez mais um processo pela cultura de paz. Além disso, tivemos a implementação do Inova, que traz um olhar de desenvolvimento socioemocional para os nossos estudantes, que é fundamental, porque não adianta a gente falar de tudo isso e não dar também mais ouvidos aos nossos estudantes, dentro do próprio currículo. São mudanças importantes, todas elas após o acontecido da Raul Brasil.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Rossieli. Will, obrigado pela pergunta. Vamos então agora à TV Diário, Miriele de Castro, da TV Diário, que é afiliada da TV Globo. Miriele, onde você está?

REPÓRTER: Governador, aqui.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Aqui. Por favor.

REPÓRTER: Como foi essa questão estado, parceria com as empresas privadas, como foi a parte de investimento aqui na escola? E quais são as ações práticas relacionadas à segurança aqui do prédio?

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Vou dividir, já que você fez duas perguntas em uma, em duas respostas. Primeiro, houve uma mobilização, que eu mesmo liderei, junto ao setor privado, começando por empresas aqui, sediadas aqui em Suzano e na região. Entendi que elas poderiam ser mais solidárias, pelo fato de estarem também mais impactadas, e terem muitos dos seus funcionários com filhos estudando aqui ou com parentes mais próximos estudando aqui. A começar da Suzano, cujo nome inclusive é em homenagem à cid ade, a Suzano [ininteligível], que é a maior indústria de papel e celulose do país, uma das maiores do mundo, foi a primeira delas, e as demais, que eu já nominei, muitas das quais têm a sua sede aqui em Suzano, ou próximo aqui a Suzano, Mogi das Cruzes, por exemplo. E deu certo. Tivemos a participação dessas empresas, houve a concordância, houve adesão também de empresas de grande porte, como a MRV, com o Rubens Menin, a quem eu pedi e ele colaborou de maneira decisiva no processo construtivo. Devo destacar, não para tornar mais importante do que outras, mas também o trabalho do Ivo [ininteligível] que está aqui, e a sua equipe da [ininteligível], e a soma desses esforços e desses investimentos é que permitiu que pudéssemos hoje ter aqui uma escola de primeiro mundo. É uma escola no padrão de escolas privadas, aqui de S&atil de;o Paulo, em Suzano, como era a nossa ideia, como era a ideia do Rodrigo, o prefeito, do Rossieli, e nossa. E deu certo. Apenas 10% do investimento, um pouco mais de R$ 300 mil, foram feitos com recursos públicos aqui do Governo do Estado de São Paulo. Todo o restante foram investimentos privados, não só no investimento direto, como também em doações, de móveis, equipamentos, produtos e serviços que foram incorporados nesta escola. Em relação ao legado, do ponto de vista de segurança, eu vou pedir para compartilhar a resposta, o Rossieli, e também o próprio prefeito. Eu queria destacar o trabalho realizado pelo prefeito, e repito: aqui não houve em nenhum momento nenhum questionamento de ordem política. Eu nem sei qual é o partido do prefeito, se me perguntar, eu não sei qual é. Também não é importante. Importante &eacute ; a atitude, e a atitude que ele teve com seus secretários foi absolutamente correta e humanitária, como será agora também, no funcionamento e na manutenção da escola. Rossieli.

ROSSIELI SOARES, SECRETÁRIO ESTADUAL DE EDUCAÇÃO DE SÃO PAULO: Bom, nós tivemos uma série de legados. Falando aqui da própria escola primeiro, no âmbito da Raul Brasil, a inversão inclusive do local de entrada, a mudança do piso, o piso original está preservado, mas todas essas mudanças foram pensadas inclusive a partir da escuta, do acolhimento dos estudantes. E o perfil de entrada, vocês vão poder visitar depois, vocês vão ver que tem uma entrada exclusiva pra visitantes, com controle de acesso totalmente diferen ciado. Agora, as experiências daqui, mesmo antes da reforma, coisas simples, como colocar portão eletrônico, colocar câmera, fazer ligação das câmeras com a central da Secretaria de Educação, e fazer a ligação da Central da Secretaria de Educação com o sistema de segurança pública ligado à Polícia. Então hoje nós estamos integrados, por exemplo, um dos grandes legados, a todo o Centro de Comando e Controle, por exemplo, do estado. Nós temos equipe da Secretaria de Educação. Rapidamente, quando se identificar qualquer coisa de dentro das escolas, nós estamos absolutamente integrados. Então, mudou absolutamente a nossa relação em todos os nossos processos, seja aqui dentro desta escola, Raul Brasil, mas muito mais como parâmetro inclusive para modelagem, que a gente ainda está implementand o, logicamente a gente tem um desafio ainda muito grande. Mas essa, por exemplo, é uma das nossas diretrizes: cuidar do modelo da entrada da escola, com o dinheiro direto na escola, que nós enviamos R$ 630 milhões, no início do ano, para todas as escolas. Esse é um dos itens que estão lá, que as escolas devem, por exemplo, fazer a correção e melhorar, além dos novos procedimentos já adotados e que ainda serão aprimorados.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Rodrigo... Vamos trocar de posição então, Rodrigo. Apenas para complementar a pergunta da TV Diário.

RODRIGO ASHIUCHI, PREFEITO MUNICIPAL DE SUZANO: Tá bom. Miriele, a gente... Aqui você acompanha bem a cidade. Lógico que o que ocorreu aqui no Raul Brasil desencadeou outras ações pelo município, muitos deles em parceria com o próprio Governo do Estado. Destacar alguns: nós, naquele momento ocorreu, infelizmente, a tragédia, em março. Em maio, Suzano inaugurou a Central de Monitoramento, nosso CSI, 80 câmeras e todas as escolas municipais com alarmes ligados a essa Central, da mesma forma que o secretário Rossieli falou que as escolas do est ado estão ligadas diretamente à nossa Polícia Militar. Outra coisa importante, nós tivemos uma grande parceria com o Governo do Estado, com a própria Secretaria de Saúde, naquele momento, uma parceria onde foram contratados 40 profissionais da saúde mental, onde a gente pôde fazer todo o atendimento, não só daqueles do Raul Brasil, como da cidade como um todo, que acabou desencadeando uma grande quantidade de casos, por conta, de forma específica, de repente a gota d'água foi essa questão do Raul Brasil. Então, nós zeramos a fila aqui na cidade de Suzano, de saúde mental. Tivemos também uma parceria com o Instituto Cultiva, onde a gente consegue fazer a mesma identificação que é feita nos alunos do estado, na Rede Municipal, nos anos iniciais, e a gente já encaminha para algum tipo de tratamento, algum tipo de acompanhamento. E também, para finalizar, nós tivemos uma grande parceria com o estado também, que foi o Cravi. Hoje a cidade de Suzano tem um Cravi, é a única unidade aqui do Alto Tietê, acaba atendendo não só Suzano, como toda a região, e vários casos, não só do Raul Brasil, outros e outros casos acabam passando lá pelo Cravi. Dessa forma, não só esse caso que foi ocasionado por essa tragédia, outros, que infelizmente acontecem nas casas, não só de Suzano, como do nosso estado e do país, são atendidos hoje pelo Cravi de forma muito rápida. Então, acho que esse é um legado que todas essas ações, voltadas principalmente para a questão da vida, das famílias. Esse é o legado que eu acho que o Raul Brasil trouxe, esse despertar de outras iniciativas. Lógico, umas delas emergenciais, com rela&cced il;ão à segurança propriamente dita, de alarmes policiais, GCM, Polícia Militar, mas tem um outro legado que é tão mais importante, que é essa questão proativa, preventiva, que o Governo do Estado, a Prefeitura Municipal, a partir do caso do Raul Brasil, implementou aqui no território suzanense e nas demais escolas do Estado de São Paulo.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Rodrigo. Bem, Miriele, obrigado pelas perguntas. Vamos agora ao Nicolas Takada, que é do Mogi News. Depois temos TV Record e o SBT. Nicolas, boa tarde.

REPÓRTER: Boa tarde, governador, boa tarde, [ininteligível]. Aqui no Alto Tietê, até o momento, a gente teve 5 mil inscritos no Enem, das redes municipais, estaduais [ininteligível]. E alguns alunos, eles falam que estão sendo prejudicados, por causa das aulas, conforme o Covid, e eu queria ver o que o Estado vê, como vê esses alunos que estão sendo prejudicados neste momento, que ano passado tiveram 38 mil inscritos no Alto Tietê, e agora são 25 mil inscritos.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Ok, Nicolas, eu vou... Evidentemente, é uma pergunta totalmente dedicada ao tema da educação. Aliás, obrigado por fazê-la. Vou pedir ao secretário da Educação, Rossieli Soares, para responder.

ROSSIELI SOARES, SECRETÁRIO ESTADUAL DA EDUCAÇÃO DE SÃO PAULO: Bom, obrigado, Nicolas, pela pergunta. Bom, primeiro, nós temos a preocupação muito grande em tentar dar acesso em inúmeras maneiras, trabalhando com multiplataforma, para que os alunos possam acessar conteúdos. Então, nós temos a estratégia da televisão, que é uma estratégia importante, porque a conexão é muito mais complexa, mas a televisão, com o sinal da TV Cultura, chega a todos os nossos municípios. Então, nós temos um canal sempre no ponto dois da TV Cultura e no ponto três, sempre esses dois canais, são ligados à educação. Aqui tem uma parte importante. O outro é a criação de um aplicativo, onde o aluno pode interagir, receber e enviar materiais, conversar. Inclusive agora a gente atualizou, tem novas coisas, e especialmente para o segundo bimestre. Redes sociais, porque tem muito aluno acostumado a utilizar. Hoje já temos mais de 800 mil alunos aí trabalhando já diretamente nas redes sociais. E temos todo o trabalho que está sendo feito pelas escolas, onde eles também criaram plataformas e formas de comunicação. E temos um plano gigante de recuperação para dar oportunidade para todo mundo, quando voltar. Isso é importante pra dizer o seguinte: nós estamos tentando fazer o máximo possível e ninguém vai ficar pra trás. Sa bemos das limitações, então a gente vai ter que dar oportunidade pra todos. Em relação ao Enem, nós estamos trabalhando muito para dizer aos jovens: se inscrevam no Enem, porque quando estava-se discutindo o adiamento, eu fui favorável, sempre, ao adiamento do Enem, até pra dar mais oportunidade para que os estudantes tenham mais tempo de preparação. Se Deus quiser, quando pudermos retornar, fazer uma preparação ainda mais ideal, especialmente para o aluno da escola pública. Mas a minha preocupação sempre foi com a inscrição, porque uma coisa é lá, no aplicativo, a gente patrocina a internet, na inscrição do Enem, nem sempre. Por isso que hoje a gente está com escolas abertas, se for necessário, para o aluno que precisa fazer a inscrição e ele não consegue, se ele falar com a escola, a escola vai ter de ajudar, vai ajudar, vai fazer o esforço para que esse aluno se inscreva. Nossos números melhoraram nesses últimos dias, a inscrição ainda vai até amanhã. Só para se entender o número geral no estado, nós temos um milhão... Tivemos no ano passado 1.085.000, o número pode estar um pouco errado, mas 1.085.000 inscritos no ano passado e nós já estamos aqui nesse ano próximos aí de 850 mil estudantes. Ainda tem um gap em relação ao mesmo número do ano passado, algumas regiões mais concentradas, e a gente está fazendo uma supercampanha, e peço inclusive ajuda da imprensa, tanto daqui do Alto Tietê como de todo o estado, para que faça um chamamento, para que os alunos se inscrevam, porque se ele nem se inscrever, ele não vai poder sonhar. E eu agradeço a pergunta, porque ela é superimporta nte pra gente. Obrigado.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Rossieli. Nicolas, obrigado mais uma vez pela sua pergunta. Agora a Daysa Belini, da TV Record. Daysa, boa tarde.

REPÓRTER: Boa tarde. Sou do Jornal da Record. Eu gostaria que o senhor comentasse sobre a operação no Rio de Janeiro hoje. O governador acusa o presidente Jair Bolsonaro de usar a Polícia Federal para perseguição política.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Daysa, apesar da sua pergunta não ser sobre educação e não ser sobre escola, eu vou responder.

REPÓRTER: Obrigada.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Eu já fiz uma resposta ao jornal Folha de São Paulo, foi publicada na página eletrônica da Folha. Entendo que a investigação deve acontecer, deve prosseguir, por parte do Ministério Público e também de outros órgãos e instituições verificadoras, incluindo o Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro. Mas também me manifestei que me surpreendeu o fato de uma deputada federal, vinculada ao presidente da República, e literalmente falando em nome do presidente da República, um dia antes anunciava a existência de ações da Polícia Federal. Isso confronta, evidentemente, com iniciativas da Polícia Federal, onde toda e qualquer medida deve ser decidida, deliberada sob sigilo e ser praticada pela Polícia Federal sem nenhuma vinculação de ordem política. Ora, o que faz com que uma deputada federal, vinculada ao Palácio do Planalto, ao presidente da República, a deputada Carla Zambelli, tivesse a informação 24 horas antes, e ainda a disposição de declarar isso à Rádio Gaúcha de Porto Alegre? Isso já reflete uma disfunção e uma desvirtuação daquilo que deve ser a independência da Polícia Federal, e revela também, pela postagem e pela manifestação do próprio presidente Bolsonaro, cumprimentando a Polícia Federal, e sorrindo dia nte da informação, uma atitude, ao nosso ver, autoritária e dispensável, numa circunstância como essa. A investigação está em curso, não há crime configurado e nem o governador do Estado do Rio de Janeiro... Eu não sou o seu procurador, nem preciso ser, mas não há transitado em julgado para estabelecer qualquer tipo de juízo, de comemorar ou de condenar. Então, coloquei e reafirmo aqui que atitudes como essa indicam o crescimento desse espírito autoritário e de uma vinculação política, num órgão que deveria ser absolutamente técnico e independente.

REPÓRTER: Obrigada.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Daysa. Vamos agora à última pergunta, é da Flávia Travassos, do SBT. Flávia, boa tarde.

REPÓRTER: Governador, boa tarde. Te peço licença porque minha pergunta também não é sobre educação. A gente queria só saber um pouquinho mais sobre essa quarentena inteligente, governador. Como é que ela vai funcionar? E se o 'lockdown', neste momento, ainda é uma opção ou se já está fora de cogitação.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Flávia, por dever de justiça, assim como respondi à Daysa, não vou deixar de responder a você também. Embora as informações completas serão oferecidas amanhã, na coletiva de imprensa, ao meio-dia - eu já fiz essa menção - por todos aqueles que estão envolvidos: o comitê médico do Covid-19, o comitê econômico e pelas autoridades do Governo de São Paulo e da Prefeitura de São Paulo, também. O que eu posso antecipar é que nós não teremos o protocolo do 'lockdown' sendo aplicado neste momento, seja na capital de São Paulo, seja em qualquer outra cidade. Isso eu posso antecipar, até para tranquilizar as pessoas. E temos também o que nós chamamos de previsibilidade. Amanhã, teremos uma apresentação completa e dedicada sobre a quarentena, o final desta quarentena, que se encerra no dia 31 de maio, e o que vai ocorrer a partir do dia 1 de junho. O protocolo, é preciso também deixar claro, peço que registrem, o protocolo do 'lockdown' existe, ele está pronto, mas ele não será aplicado neste momento. Ou seja, se a população do Estado de São Paulo continuar mantendo a boa disposição, como ocorreu neste final de semana prolongado, nós melhoramos os índices de isolamento na capital e no Estado de São Paulo, inclusive ontem, este foi um dado positivo, assim como melhoramos também a disponibilidade de leitos de UTI nos hospitais públicos estaduais e municipais, por quê? Porque recebemos mais respiradores, esta contribuição, seja do Ministério da Saúde, seja da compra de respiradores pelo Governo de São Paulo, no exterior e aqui no Brasil, na Magnamed, permitiram uma melhora no percentual de disponibilidade de leitos de UTI. E também do nível de pessoas que foram salvas e deixaram as UTIs, eu aliás postei isso nas redes sociais, com quase 16 mil pessoas que foram salvas pelo sistema de saúde pública, aqui em São Paulo, e obviamente deixaram de utilizar os leitos de UTI nas últimas três semanas. Então, os demais detalhes serão informados amanhã, ao meio-dia. Mas uma informação que é precisa e é importante para telespectadores, ouvintes, assi nantes ou leituras é de que amanhã nós não vamos anunciar nenhum 'lockdown', seja na capital de São Paulo ou em qualquer outra cidade. São 645 municípios, nem na capital, prefeito Rodrigo, nem em nenhuma outra cidade do estado. Mas volto, volto a repetir que o protocolo existe. Havendo necessidade, ele poderá ser colocado em prática, mas, de novo, eu tenho certeza que a população de São Paulo tem sido solidária, continuará solidária. Mais da metade desta população tem tido cuidado e zelo de ficar em casa, de respeitar a orientação médica e da saúde, de utilizar máscaras, de permanecer em casa e só sair em caso de extrema necessidade. E também cabe mencionar aqui, Flávia, um cumprimento à rede pública de saúde, e à rede privada também. O esforço destes m& eacute;dicos, enfermeiros, paramédicos, profissionais que atuam em hospitais públicos e privados, tem sido um exemplo de cidadania. Muitos, cumprindo horas além do seu limite, para salvar vidas e proteger pessoas. Este é um exemplo de dignidade e um exemplo de cidadania, que o serviço de saúde, seja ele público, municipal, estadual, ou no âmbito privado, vem tendo aqui em São Paulo. Outras perguntas, Pedro Duran, amanhã ao meio-dia--

REPÓRTER: O senhor não vai endurecer as regras dos locais mais críticos [ininteligível] Baixada Santista...

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Amanhã, ao meio-dia, a sua tradicional ansiedade jornalística será devidamente atendida, amanhã ao meio-dia, assim como de todos os demais jornalistas.

[Falas sobrepostas]

ORADORA NÃO IDENTIFICADA: [ininteligível] aproveitando a sua presença. Mogi aguarda vinte respiradores para o Hospital Municipal, e outras cidades da região também já esperam esses equipamentos. Tem prazos já pra região do Alto Tietê, para a chegada desses respiradores?

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Agora, Mariele, com a chegada dos respiradores, essa madrugada nós recebemos mais 133 respiradores, até postamos também nas redes sociais, que vieram da China, num voo fretado da Azul. O avião foi totalmente modificado, no seu interior, não tinham assentos, totalmente liberado para os respiradores, e também o seu compartimento de carga. Os respiradores são grandes, são os respiradores profissionais de última geração. Há vários tipos de respiradores. Então, nó s já temos mais 133, além dos 300 respiradores que o Ministério da Saúde se comprometeu, e eu quero registrar aqui, fez a entrega prometida. Agora, tem mais 300 pra próxima semana. O ministro interino da Saúde, Eduardo, foi correto, ele se comprometeu comigo e cumpriu a sua palavra, republicanamente, além de mais 50 respiradores, que nós compramos de uma indústria nacional, por força de uma decisão judicial, que rompeu aquela decisão anterior de confisco de respiradores por parte do Ministério da Saúde. Então, muito provavelmente, José Henrique Germann, que é o nosso secretário da Saúde, deve estar dando a boa notícia ao prefeito Rodrigo e à região, com a disponibilidade desses respiradores. E com maior precisão, amanhã, nós podemos ter a indicação de quantos são. Mas a chegada dess es respiradores, nessa madrugada, somado aos 300 e mais aos 50, nos deu um alívio necessário, sendo que nós ainda temos mais respiradores para serem entregues essa semana, até domingo, e na outra semana, até o dia 15 de junho. Pessoal, eu vou pedir desculpas a vocês. Aos que desejarem, amanhã ao meio-dia, amanhã ao meio-dia, terei prazer em atendê-los, todos, no Palácio...

[Falas sobrepostas]

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: ... dois anos para ser entregue. O senhor consegue prever se vai ter [ininteligível]?

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Amanhã você é nosso convidado para estar no Palácio dos Bandeirantes e perguntar diretamente ao secretário José Henrique Germann e ao nosso coordenador do Comitê de Saúde. Eles estarão lá. Pessoal, obrigado, boa tarde pra vocês.

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Pessoal, pessoal, só vou pedir uma atenção, para aqueles que desejarem fazer uma visita à escola, fazer imagens, a gente vai organizar. Só peço alguns minutos, caso queiram conhecer os outros espaços das escolas.