Coletiva - Atualização do Plano SP é adiada para dia 30 por instabilidade no sistema federal 20201611

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Coletiva - Atualização do Plano SP é adiada para dia 30 por instabilidade no sistema federal 20201611

Local: Capital - Data: Novembro 16/11/2020

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JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Boa tarde a todos. Vamos dar início a mais uma coletiva de imprensa, aqui no Palácio dos Bandeirantes. O tema prioritário da coletiva, logicamente, é a saúde e o combate à Covid-19. Participam da coletiva de hoje, Jean Gorinchteyn, secretário de Saúde do Estado de São Paulo, Patrícia Ellen, secretária de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia, Marco Vinholi, secretário de Desenvolvimento Regional, e também José Osmar Medina, coordenador do Centro de Contingência do Covid-19, e João Gabardo, coordenador executivo do Centro de Contingência do Covid-19. Na mensagem de hoje, antes de falarmos sobre saúde, quero cumprimentar prefeitos e prefeitas, assim como vereadores e vereadoras eleitos no Estado de São Paulo. Em São Paulo, temos uma gestão municipalista, que respeita prefeitos e prefeitas, independentemente do partido a que estão filiados, e essa política não será alterada. Portanto, os cumprimentos são para todos, independentemente de partidos, ideologia, que tenham sido democraticamente eleitos ontem aqui no Estado de São Paulo. A nossa democracia, tantas vezes atacada nos últimos meses, por extremistas, mostrou ontem a sua vitalidade. A democracia venceu os conspiradores. Quero reafirmar aqui a minha confiança na Justiça Eleitoral, seja no Estado de São Paulo, seja no âmbito nacional. Os problemas técnicos na totalização dos votos foram superados e o Brasil tem um sistema eleitoral, reafirmo, seguro, moderno e eficiente, e um exemplo mundial de tecnologia. Não há razões até aqui para duvidar da eficiência e da inviolabilidade do sistema eleitoral eletrônico no Brasil. Os propagadores de fake news são os mesmos que procuram falsear a verdade e formular acusações contra a legitimidade da eleição e dos seus eleitos. Volto a reafirmar aqui: a democracia venceu e o extremismo perdeu. Viva a democracia. Agora na saúde, atualização do Plano São Paulo. A atualização do Plano São Paulo, em virtude da pane no sistema de dados do Ministério da Saúde, será feita no dia 30 de novembro, e nós teremos aqui as explicações que amparam essa decisão sensata e equilibrada do Governo do Estado de São Paulo. A falta de informações sobre casos e óbitos durante seis dias da semana passada, causada por uma pane no sistema do Ministério da Saúde e que agora, a partir dessa semana, aparentemente estará já solucionado, mas esta pane afetou a normalização das informações dos dados em todo o Brasil, e aqui em São Paulo em especial. Por esta razão, estamos adiando a atualização do Plano São Paulo para dia 30 de novembro. É uma medida de cautela e que demonstra a nossa responsabilidade em não alterar a qualificação das regiões do estado sem ter todos os indicadores disponíveis. Pelos indicadores disponíveis, a maioria da população do estado hoje já seria promovida para a fase verde do Plano São Paulo, porém indicadores de ocupação de leitos de UTI e internações, sob responsabilidade do Governo do Estado de São Paulo, cresceram nesta última semana em relação à semana anterior. O momento requer, portanto, precaução para uma análise mais completa para a proteção da população. Cautela e cuidado, por favor, continuem usando máscaras e evitando aglomerações. Nós só venceremos a Covid-19 após a plena vacinação de todos os brasileiros que precisam ser vacinados. Enquanto não tivermos a vacina, é preciso ter cuidado, usar a máscara e evitar aglomerações, além dos hábitos de higiene pessoal, sobretudo na lavagem das mãos e uso de álcool em gel. Sobre o tema da saúde, nós vamos começar ouvindo Jean Gorinchteyn, secretário da Saúde do Estado de São Paulo. Jean.

JEAN GORINCHTEYN, SECRETÁRIO ESTADUAL DE SAÚDE DE SÃO PAULO: Boa tarde, governador, boa tarde a todos. Estamos na 47ª semana epidemiológica, e nos reforçamos: ainda estamos em quarentena. O Censo Covid São Paulo revelou o aumento de 18% no número de internações, tanto na rede pública quanto também na rede do sistema privado. Esses números ocorreram após o feriado e repercutem sobre a questão relacionada à aglomeração e também intimamente relacionada à não vigilância daquelas normas de segurança, como distanciamento, evitando-se aglomerações e uso de máscaras. Esses dados, porém, ainda não estão consolidados, frente à instabilidade do sistema Sivep-Gripe do Ministério da Saúde, que vem sendo atualizado. E lembramos que ele ainda pode sofrer novas variações desses dados, uma vez que ainda ele encontra-se inoperante. Lembro que a média diária dos casos nos últimos 14 dias se manteve estabilizada. Por precaução e responsabilidade, Governo do Estado de São Paulo optou por não realizar a reclassificação do Plano São Paulo na data de hoje, mantendo a atual classificação, por mais duas semanas. É importante lembrar que essa medida, ela visa não só a transparência como principalmente a segurança da população, para que haja uma melhor análise dos índices da saúde, análises essas que estarão sendo feitas de uma forma muito cautelosa, especialmente em relação a dois números: tanto o número de óbitos quanto o número de casos para cada 100 mil habitantes, de uma forma muito mais consistente. É ela que vai permitir que estratégias possam vir a ser tomadas. Lembrando que os dados da saúde sempre nortearam e sempre nortearão as equipes técnicas na tomada de decisões e condução do Plano São Paulo. A circulação de pessoas com menor restrição no faseamento verde passaria então a trazer problemas, caso esses índices tendessem a uma elevação já nesse momento. Nós, governador, sempre pedimos o apoio da população para que nós tivéssemos o sucesso do Plano São Paulo. E o sucesso do Plano São Paulo não é pelos governantes, é pela população, que ficou na sua casa, se restringiu da sua circulação, do contato entre aqueles que mais amava, para que, dessa forma, se protegesse do vírus. Nós não podemos fazer com que o cansaço que temos hoje frente às medidas sanitárias de distanciamento possam ser maiores do que o medo e o risco do próprio vírus. Nós temos que manter todas as regras sanitárias, evitando as aglomerações. Governador, se nós tivermos índices aumentados, seguramente medidas muito mais austeras e restritivas serão realizadas, no sentido de continuarmos a garantir vidas. É assim que o faremos. Por favor, o primeiro slide. Aqui, nós temos esses dados, que são compilados exatamente do sistema da Secretaria de Estado de Saúde, junto com a Coordenação do Controle de Doenças, que é coordenado pela Dra. Regiane de Paula, que mostra que a média diária de novos casos se manteve estável em relação às últimas semanas epidemiológicas, na verdade em relação à última semana epidemiológica, e já esboçando queda em relação à 44ª semana. Próximo, por favor. Número de óbitos se manteve estabilizado em relação à 45ª e 46ª semana e, por favor o próximo, o número de internações, como dissemos, sofreu esse incremento, e ele impacta exatamente dois aspectos: um relacionado ao próprio feriado, como disse, em que todas as aglomerações passaram a acontecer, festas aconteciam sem a menor proteção e risco e, dessa maneira, esse já é um pequeno esboço daquilo que virá se nós não tivermos responsabilidade. Muito obrigado.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito obrigado, Jean Gorinchteyn. Ainda no tema do Plano São Paulo, vamos ouvir agora Patrícia Ellen, secretária de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia. Patrícia.

PATRÍCIA ELLEN, SECRETÁRIA ESTADUAL DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO DE SÃO PAULO: Muito obrigada, governador. Bom, vamos trazer aqui alguns pontos bem importantes sobre a metodologia do Plano São Paulo. Primeiro, na própria página aqui do Plano São Paulo, no site do Governo Federal, quando nós apresentamos o Plano São Paulo, nós relembramos que existem cinco indicadores que compõem a avaliação do plano. De um lado, nós estamos sempre acompanhando a capacidade do sistema de saúde, para garantir que todos e todas sejam atendidos, de outro a evolução da pandemia. Nós avaliamos taxa de ocupação de leitos, quantidade de leitos disponíveis a cada 100 mil habitantes, também avaliamos casos, internações e óbitos. Tivemos um ajuste importante no Plano São Paulo há alguns meses atrás, onde também passamos a olhar não somente a variação percentual de casos, internações e óbitos, mas também o número absoluto a cada 100 mil habitantes. É um indicador muito recomendado por especialistas, que nós colocamos ali metas para verificarmos o avanço e a redução da pandemia. Então, esses indicadores são utilizados com total transparência, acompanhados com vocês aqui, e existe um ponto importante nos indicadores que é esse acompanhamento a cada 14 dias. Então, variações de um dia para o outro, elas criam uma instabilidade no sistema e por isso que essa variação de acesso à informação da última semana, do site do Governo Federal, nos trouxe um desafio para ter uma análise completamente precisa da pandemia. Na próxima página, nós trazemos os dados que o secretário Jean trouxe. Esses dados são precisos, e eu queria lembrar que são dados do Governo Estadual, do Censo Covid, que foi criado para acompanhamento da pandemia, com trabalho exemplar aqui da Dra. Regiane, com membros da Secretaria de Saúde, médicos dedicados também do sistema Proasa, que viabilizaram essa informação, porque essa informação não depende desse link federal. Então com isso nós estamos acompanhando a pandemia no que diz respeito a internações. E o que nós verificamos? Esse slide o secretário Jean já apresentou, eu só queria destacar um ponto aqui, com a avaliação pelo ângulo do Plano São Paulo, nas últimas semanas, desde a semana 42, ali em meados de outubro, nós estamos verificando internações abaixo de 30 internações a cada 100 mil habitantes. O patamar para termos estabilidade na fase verde é de 40 internações a cada 100 mil habitantes. Lembrando que no pico da pandemia, os nossos números eram acima de 50 internações a cada 100 mil habitantes, aí nessas médias de 14 dias, chegando, em alguns lugares, a 60, 70 internações a cada 100 mil habitantes. Então, estamos numa fase controlada, mas estamos sendo extremamente cautelosos, porque registramos, sim, nessa última semana, com dados que fechamos no fim de semana, esse aumento de internações de 18% na última semana, que, apesar de não mudar a avaliação do Plano São Paulo, se tivéssemos classificação hoje, estaríamos colocando quase 90% da população da fase verde. Então, por essa variação estamos aguardando aqui mais duas semanas, e além dessa variação nós temos um desafio adicional, que aí sim são os dados que nós dependemos do Governo Federal. Na próxima página, concretamente, esses são os dados que nós temos aqui para capacidade hospitalar, para evolução da pandemia no Estado de São Paulo e em cada região. Os dados que estão em verde ali em cima, ocupação e leitos, nós temos total clareza, estabilidade dos números, com acompanhamento direto que é feito pelo Estado. Os dados de internações, que estão em amarelo, são os que eu mencionei agora, nós estamos monitorando esses dados diariamente através dos bancos de dados do Governo Estadual, mas, por causa dessa variação da última semana, nós acreditamos ser melhor sermos mais cautelosos para fazer a atualização daqui a duas semanas. Mas ó último ponto que nos restringe de fato a termos daqui a duas semanas é que os dados de casos e de óbitos somente se estabilizarão, de acordo com pronunciamento do Governo Federal, hoje. Então, se contarmos de hoje até a próxima atualização, para que façamos de uma forma segura, nós precisamos de 14 dias, e por isso a recomendação de realizarmos a próxima atualização no dia 30 de novembro. Lembrando que é uma decisão cautelosa, mas que a variação de internações fica como sinal de alerta para todos nós, para reforçarmos os protocolos de controle, higiene, distanciamento e isolamento social para os grupos de risco. Pra finalizar, governador, eu queria passar a palavra para o Dr. Medina, que vai falar um pouco sobre a questão de como os nossos dados se comparam com o resto do mundo, porque às vezes a gente vê, como estamos comparando aqui, e algumas conclusões precipitadas de onde estamos versus o resto do mundo também confundem um pouco a população. Eu volto a dizer: o Plano São Paulo é um plano de gestão e convivência com a pandemia. Vamos voltar aqui, sim, se for necessário endurecer as medidas e levar alguma região pro vermelho, independente de aguardarmos a reclassificação, e esses 14 dias são o mínimo necessário sabendo que, a partir de hoje, estamos contando com a confirmação do Governo Federal, que garantiu que os dados estariam estabilizados a partir de hoje. Muito obrigada.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Patrícia. Vamos então ao José Osmar Medina, o nosso coordenador do Centro de Contingência do Covid-19.

JOSÉ MEDINA, COORDENADOR DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: Obrigado, governador, obrigado, Patrícia. Aqui nós fazemos uma comparação, mostrando a nossa preocupação com o que está acontecendo nos outros países e o que pode vir a acontecer também no nosso país, uma comparação de novos casos por dia por 100 mil habitantes, que está no eixo vertical, em função dos meses onde ele aconteceu, que está no eixo horizontal. Então, no primeiro nós observamos dados do Estado de São Paulo, que mostra uma subida, depois alcançou um platô e uma redução, depois de alcançar o platô, no mês de julho, de 40% no número de novos casos por dia. Quando nós comparamos esse mesmo achado com as outras regiões que têm perfil demográfico distinto, que estão submetidos a uma redução da temperatura, nós observamos que o comportamento é mais ou menos semelhante, nos Estados Unidos, na Europa, na Rússia, no Canadá e na Suécia, com aumento de casos, constituindo um segundo pico, e a dimensão desse segundo pico, ele varia de país para país, em função do perfil demográfico do país e também do comportamento do país. Então, nos Estados Unidos, depois de um primeiro platô, dobrou o número de casos de março, no primeiro platô, que foi estabelecido, no mês de março, em julho ele multiplicou por dois, e agora, um pouco em função da redução da temperatura, do outono, que vem no outono e inverno, ele multiplicou por dois. Na semana passada, teve 140 mil casos por dia, mais de 140 mil casos por dia nos Estados Unidos, mais de mil óbitos por dia, e nos Estados Unidos 1 em cada 400 americanos testaram positivo durante a semana passada. Então, nesse segundo pico, ele está relacionado à temperatura e também está relacionado a esses conflitos, relacionados à eleição americana, que um grupo é bem aderente às recomendações, como uso de máscara e distanciamento social, e outro não. Na Europa também aconteceu a mesma coisa, nós tivemos um pico que foi muito menor do que esse pico atual. Tomaram uma série de medidas, vários países tiveram lockdown no primeiro pico, houve uma redução importante do número de casos, mas ficou uma base grande de casos, e a hora que flexibilizou os cuidados e a temperatura caiu o número, multiplicou por dez o número de novos casos diários na Europa. Na Rússia, o número de novos casos multiplicou por dois, e no Canadá, que está na mesma região dos Estados Unidos, ele multiplicou por 2,5 vezes o número de casos entre um pico e outro, lembrando que existe uma diferença muito grande entre a densidade demográfica no Canadá e nos Estados Unidos, e também a adesão do canadense aos cuidados e recomendações, do uso de máscara e isolamento social, é muito maior do que nos Estados Unidos. E na Suécia, que é bastante curioso, a pandemia tem uma série de mistérios, uma série de situações inesperadas. A Suécia, ela não colocou restrições quando aconteceu a primeira onda, a primeira onda na Suécia foi semelhante àquilo que aconteceu nos outros países da Europa, até um pouco mais intensa, e agora na Suécia tem 50 novos casos por 100 mil habitantes por dia, o que é, comparando com as outras regiões que eu mostrei aqui, o maior índice. Então nós estamos chamando bastante a atenção para essa situação, que no Estado de São Paulo, graças ao Plano São Paulo, o número de casos está decrescendo, ou decresceu e tem um platô agora, mas nós temos que tomar muito, muito cuidado, entender que aqui nós não temos essa variável ou esse fator inverno, como uma causa de aumento dos indicadores da pandemia, mas nós temos que tomar muito cuidado, porque as pessoas estão flexibilizando muito. O movimento de pessoas na rua, o movimento de pessoas sem máscara, até o movimento relacionado à campanha eleitoral, ele pode trazer algum prejuízo e ter uma estabilidade ou então um aumento do número de casos no Estado de São Paulo. Então, nós estamos analisando e ligados no que está acontecendo no mundo, o que está acontecendo no Estado de São Paulo e também o que está acontecendo no Brasil, que é semelhante ao que está acontecendo no Estado de São Paulo, em alguns estados até com uma intensidade maior.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Medina. Antes de seguirmos para as perguntas, queria agradecer a presença do General João Campos, secretário de Segurança Pública do Estado de São Paulo, e cumprimentá-lo, General. Tivemos eleições em clima de normalidade em todo o Estado de São Paulo, com a presença de mais de 70 mil policiais militares, além da mobilização da Polícia Civil, drones e tudo correu em paz e harmonia. Parabéns, General. Quero destacar aqui aos jornalistas, antes de iniciarmos as perguntas, o gráfico, os gráficos, aliás, que foram apresentados aqui pelo Dr. Medina, uma demonstração clara do efeito e do equilíbrio do Plano São Paulo no âmbito do controle da Covid-19. Observem ali... Vamos colocar, dá pra colocar de novo ali o mapa, o anterior? Foi o último slide apresentado pelo Dr. Medina, vamos colocar aqui na tela. Vocês observem que o desempenho do Estado de São Paulo foi muito superior ao desempenho da Suécia, do ponto de vista de controle da pandemia. Apenas para utilizar uma referência que, aliás, foi utilizado por muitos como uma excepcional qualidade no controle da pandemia na Europa. Os números de São Paulo foram números substancialmente melhores, melhores inclusive que a média dos casos na Europa, uma demonstração clara que de nós aqui acertamos ao realizar o programa de quarentena denominado Plano São Paulo, com as ações regionalizadas, e não uniformizadas, e também as medidas acautelatórias, recomendando a obrigatoriedade do uso de máscara, foi o primeiro estado do Brasil a tornar obrigatório o uso de máscara. Para que vocês, que estão nos assistindo agora, tenham como referência, a Inglaterra só adotou o uso obrigatório de máscaras quatro semanas depois de termos adotado aqui em São Paulo, no Brasil. Também, ao lado do Rio de Janeiro, fomos o primeiro estado a decretar quarentena. Mesmo diante de todos os protestos e incompreensões, fizemos o que o Centro de Contingência do Covid-19 nos determinou, e acertamos ao seguir a voz e a determinação da ciência. E ficamos felizes também, e aí eu concluo, de ler no discurso do presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden, feito na quarta-feira da semana passada, onde ele classificou que, nas suas primeiras medidas, ao tomar posse como presidente dos Estados Unidos da América, será a constituição de um grupo científico de médicos, infectologistas, epidemiologistas, para orientação do governo americano com relação ao controle da pandemia. Bem, vamos agora à relação das perguntas, começando com Rádio Bandeirantes, na sequência TV Cultura, Agência F, espanhola, a Rádio Jovem Pan, o SBT, a Rádio Capital e finalmente a TV Globo, GloboNews. A todos, mais uma vez, muito obrigado por estarem aqui presentes, os que estão fazendo perguntas, os que não estão e os que virtualmente acompanham esta coletiva. Maira, boa tarde, muito obrigado pela sua presença, mais uma vez. Sua pergunta, por favor.

REPÓRTER: Bom, boa tarde, governador, boa tarde a todos. Se esse aumento de internações realmente se confirmar, eu queria saber se o Governo de São Paulo está preparado para lidar aí com uma possível alta, mesmo com os hospitais de campanha fechados. E sobre as eleições, governador, eu queria um comentário do senhor sobre o resultado do primeiro turno aqui na capital, e também sobre a declaração do candidato Guilherme Boulos, que ontem disse que competiria com o senhor no segundo turno. Obrigada.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Maira. No primeiro tema, da saúde, responde Jean Gorinchteyn, secretário da Saúde, na sequência responderei à segunda pergunta. Jean.

JEAN GORINCHTEYN, SECRETÁRIO ESTADUAL DE SAÚDE DE SÃO PAULO: Maira, nós, no Estado de São Paulo, mais do que duplicamos o número de unidades de terapia intensiva, disseminamos quase 3.000 respiradores para todos os 645 municípios e, quando os hospitais de campanha foram desmontados, e os seus instrumentos foram recolocados em outros hospitais da rede pública, nós fizemos essa estratégia sempre baseada em dados de saúde. Mas, de toda forma, nós não fizemos uma desmobilização muito mais rápida, conforme os próprios números nos permitiam, exatamente imaginando que, se nós tivéssemos qualquer movimentação mais abrupta, isso poderia impactar numa eventual desassistência. Isso não aconteceu, nenhuma pessoa deixou de ser qualificadamente atendida na rede hospitalar. E não será, mesmo que nós tenhamos um incremento do número de casos. Lembrando que nós estamos testando de forma muito mais precoce, o número de síndromes gripais está sendo absolutamente monitorado, para que nós não deixemos as pessoas agravarem a sua condição clínica, necessitando internação, ou venham, infelizmente, a falecer, e assim como já instituindo, de forma muito mais precoce, as medidas de isolamento em todos aqueles que estão ao seu entorno.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Maira, em relação à colocação feita ontem, eu assisti, pelo candidato Boulos à prefeitura de São Paulo, eu recomendo que ele se concentre naquilo que ele deve, ou seja, a prefeitura de São Paulo. Ele não está disputando o Governo do Estado de São Paulo, e sim a prefeitura do Estado de São Paulo. Se alguém entra numa eleição para disputar a prefeitura de São Paulo pensando no Governo de São Paulo tem mais chances de perder do que de ganhar. Vamos agora à segunda pergunta, da Maria Manso, da TV Cultura. Maria, chegou ao microfone, boa tarde, sua pergunta, por favor.

REPÓRTER: Boa tarde. Eu tenho ouvido muito as pessoas falarem, comentarem, escreverem nas redes: eu estou ficando com medo. É isso mesmo? As pessoas têm que voltar a ter medo da Covid? E se a gente já tem confirmado esse número de aumento de internações de 18%, e os hospitais particulares também confirmam uma maior realização de exames e de resultados positivos da Covid, por que não desde já tomar medidas, adotar medidas mais restritivas contra a quarentena? E uma outra questão, Dr. Gonzalo Vecina (F) também fez um comentário hoje cedo, no jornal O Estado de São Paulo, sobre uma nova tentativa do Governo de São Paulo de reduzir os recursos da Fapesp. Como é que o senhor responde a isso, por favor?

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Bem, no conjunto, sobre a última questão responderá a Patrícia Ellen, e sobre o tema do medo da Covid, eu vou pedir ao João Gabardo, com comentários ou do Jean Gorinchteyn ou do Medina. Mas Maria Manso, eu queria dizer que as pessoas devem ter medo da Covid. Como é que alguém pode, diante de uma pandemia, não temer aquilo que pode levá-la à morte? Eu desconheço esse sentimento, de alguém que não tema um vírus que possa levá-lo à morte. Portanto, as pessoas devem continuar temendo. E como evitar a Covid? Usando máscara, fazendo distanciamento social, não participando de aglomerações, nem bares, nem festas, nem clubes, nem em calçadões, nem na praia. Até a chegada da vacina as pessoas precisam se proteger, porque estão sujeitas a contrair o vírus e, ao contrair o vírus, correm o risco de morte. Portanto, mantenha o seu medo e transforme o medo em precaução. Use a precaução para se proteger e proteger os seus familiares, e garantir a sua vida, a vida das pessoas que você mais gosta. Gabbardo.

JOÃO GABBARDO, COORDENADOR EXECUTIVO DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: Boa tarde, governador, boa tarde aos que acompanham essa coletiva. Os indicadores que foram mostrados aqui pelo secretário, pelo Dr. Medina, apontam simplesmente para que, nesta última semana, nós tivemos um aumento no número de internações, é real esse aumento do número de internações, foi de 18%, pequenas variações, se nós compararmos o incremento na rede pública, comparando com a rede filantrópica e comparando com a rede privada, isso significa o quê? Do ponto de vista epidemiológico, uma alteração numa semana, quando nós comparamos com a semana passada, em que teve feriado, e que foi a melhor semana de todas, desde o início da campanha, desde o início do programa de São Paulo, nós não devemos considerar isso como uma, tem um significado definitivo nesse aumento, ele serve como precaução, ele serve pra que nós reforcemos as orientações à população de distanciamento social, significa que nós ainda não dominamos esse vírus, nós ainda não temos o controle absoluto sobre essa epidemia, e que até o final do ano, as recomendações se mantém, as pessoas devem evitar aglomerações, as pessoas devem evitar festas, todos aqui em São Paulo me telefonam, dizem, comunicam, escrevem nas redes sociais que parece que a temporada de festa de casamento tá liberada, todo mundo tá fazendo festa de casamento, fazendo convite, isto não está previsto, essas recomendações de solenidades, festividades, elas ainda não são possíveis de serem realizadas, então, nós estamos juntando aqui um conjunto de situações, nós tivemos um sistema em que as pessoas aumentam a sua mobilidade em função das eleições, nós temos um aumento em função da temperatura, nós temos um aumento da mobilidade, agora, no final do ano, nos preocupa muito essas festividades de Natal e de Ano Novo, essas recomendações devem ser reforçadas, que as pessoas devem evitar esse tipo de aglomeração, então, vamos ficar analisando os dados nas próximas duas semanas, a decisão de segurança de nós não passarmos algumas regiões pra fase verde, como seria possível hoje com os números, vamos aguardar ter uma definição melhor desses números por parte do Ministério da Saúde, e a partir daí a gente vai ter uma posição muito mais segura pras próximas semanas.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Antes de ouvir o comentário ou do Medina, ou do Jean, eu queria fazer aqui a você, Maria Manso, uma observação, estamos adotando medidas restritivas, sim, e continuamos tendo um empenho do Governo do Estado, sempre seguindo orientação do centro de contingência do Covid-19, a decisão de não anunciar hoje uma nova etapa de classificação do Plano São Paulo é exatamente nesse sentido, cautela, cuidado e zelo. Jean.

JEAN GORINCHTEYN, SECRETÁRIO DA SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Gostaria de fazer uma consideração, isso é fundamental, todas as minhas falas nas coletivas, eu começo: Ainda estamos em quarentena, e me perguntaram, mas por que o senhor faz isso? Eu faço isso pra lembrar que ainda estamos em quarentena, reforço sempre que nós não estamos no nosso normal, e sequer no nosso novo normal, nosso novo normal virá ainda mais adiante, teremos uma vacina em breve, que vai mostrar uma eficácia e nos proteger, mas por enquanto nós temos que nos basear de todos os dados de proteção que nós podemos ter. Hoje, quando eu digo medo, eu diria respeito, nós temos que respeitar o vírus e saber o impacto que ele pode trazer na vida de cada um de nós, nós não podemos permitir com que tantas mortes que tiveram e que houveram no nosso país fiquem simplesmente caladas e esquecidas, nós temos, por respeito a elas, e pelo risco de termos mais mortes, temos que manter a vigilância, temos que manter todos os preceitos de distanciamento, uso de máscaras, evitando aglomeração, basta ver nas redes sociais, as pessoas fazem festas, fazem encontros sem máscaras e de uma forma muito próxima, nenhum governo vai ditar quais são as regras, mas vai orientá-las, mas as pessoas vão ter que ter responsabilidade pra atacar, isso é ser responsável a si e a todos no seu entorno.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito bem. Obrigado, Jean. Maria Manso, obrigado pelas perguntas. Vamos agora a uma pergunta online, da Agência F espanhola, ah, não, desculpe, perdão, perdão, Maria Manso, tinha uma segunda pergunta sua, sobre Fapesp, e eu já havia pedido a Patrícia Ellen pra responder. Desculpe. Patrícia.

PATRÍCIA ELLEN, SECRETÁRIA DO DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigada, governador. Bom, sobre a pergunta do artigo 627, em especificamente da matéria que saiu hoje, Maria, nós estamos num trabalho desde o início do governo, de termos um compromisso inegociável com investimentos em ciência e tecnologia, nós tivemos, no início de 2019 já, eu fui testemunha disso, um dos primeiros atos do governador, até antes de assumir, na véspera ali entre o Natal e o Ano Novo, foi deixar pronto um primeiro decreto, que já saiu no dia primeiro de janeiro, dia dois de janeiro, desculpe, exatamente pra devolver à Fapesp um recurso que havia sido retirado no final de 2018, tá, no valor ali de mais de 100 milhões de reais. Então, isso foi um dos primeiros atos. Outro ato muito importante, com relação à Fapesp, ao IPT, foi buscar uma complementação de investimentos e recursos privados também, no IPT, hoje, nós estamos aumentando o orçamento, porque não tínhamos como aumentar com recursos públicos, mantivemos com recursos públicos, estamos trabalhando com recursos privados, semana que vem haverá um anúncio importante nesse sentido também, de confirmação de investimentos privados, em ciência e tecnologia, com impacto direto no estado. Mas nós tivemos um desafio também muito grande fiscal, e o Estado de São Paulo honra o seu compromisso com o fiscal, com o balanço, né, quem assina aqui a responsabilidade pelo balanço é o governador João Doria, e há sempre prioridades a serem trabalhadas, o que houve foi um grande debate, com relação tanto ao PL 529, quanto o 627, de como nós podemos trabalhar com esse cobertor, que está curto, honrando o compromisso com a ciência e a tecnologia, esse compromisso foi mantido, a Fapesp e as universidades foram retiradas do PL 529 por decisão do governador, não foi uma decisão iniciativa de outras partes, foi do governador João Doria, ao escutar a todas as partes, e buscar uma solução que, ao mesmo tempo, mantivesse a responsabilidade fiscal, agora, nessa última etapa, nós estamos num diálogo bastante intenso nas últimas semanas, queria agradecer, em especial, a liderança do professor Zago, de todo o conselho da Fapesp também, que compreendeu o desafio do governo, e nós estamos atuando juntos pra entender quais são as linhas de desafio orçamentário do governo, que envolve investimento em ciência e tecnologia, que poderíamos ter maior contribuição da Fapesp e de outros setores também, estamos na fase final dessa discussão, e vamos ter, sim, mais uma solução que busca esse equilíbrio entre o investimento na ciência e na tecnologia, e a nossa responsabilidade fiscal. O caminho do meio é o caminho mais certo, mas ele toma esforço, ele toma muito trabalho, muito diálogo e um respeito muito grande à democracia, onde nós temos, sim, que ouvir opiniões diferentes, mas nós não vamos nos esquivar da nossa responsabilidade, de honrar o compromisso com a ciência e tecnologia, e termos, sim, responsabilidade fiscal, e principalmente ajudar as pessoas que mais precisam. Muito obrigada.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Patrícia, obrigado, Maria Manso. Agora, vamos a uma pergunta, agora sim, online, do correspondente da Agência F espanhola, Antonio Torres. Torres, muito obrigado pela sua participação, aliás, mais uma vez, nessa coletiva, você já está em tela, passo a palavra a você pra sua pergunta.

ANTONIO TORRES, REPÓRTER: Muito boa tarde, senhor governador, muito boa tarde a todos. Há dois meses que [ininteligível] Agência F ao senhor governador sobre a possibilidade de haver um interesse de países da América Latina na coronavac, junto com a Organização Pan-americana de Saúde, eu questiono se tem havido algum avanço, se tem havido algum país que se tenha mostrado interessado na coronavac, que será produzida em São Paulo. E uma segunda pergunta sobre a vacinação obrigatória, vocês, no Governo de São Paulo, pretendem instaurar a vacinação obrigatória, mas não há um consenso científico sobre essa questão, eu gostaria de saber também a sua opinião a respeito. Obrigado.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado a você, Antonio Torres, eu vou pedir ao nosso secretário da saúde, Jean Gorinchteyn, para responder as duas questões, mas já na primeira, antecipo que sim, a resposta é positiva, o Instituto Butantan já recebeu consultas oficiais de países vizinhos aqui da América do Sul, para aquisição da vacina coronavac, a vacina do Butantan, com o laboratório privado chinês, Sinovac. Jean.

JEAN GORINCHTEYN, SECRETÁRIO DA SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Antonio, obrigado pela pergunta, realmente, nós já recebemos alguns países com tratativas, inclusive, mais avançadas, tanto com relação à Argentina e [ininteligível], mas lembrando que tanto o Instituto Butantan, como a Sinovac, estarão participando de uma concorrência, de uma licitação, junto a um dos braços da Organização Mundial de Saúde, [ininteligível], no sentido de também poder fazer aquisição dessas vacinas para outros países da América Latina, isso é importante. E reforço também que o próprio Instituto Butantan tem sido procurado por vários estados brasileiros, no interesse de aquisição da vacina. Com relação à obrigatoriedade da vacina, nós entendemos que o mundo, ele não está livre do Covid, que o Covid, ele traz, além de todos os impactos econômicos, e de destruição de sonhos, ele destrói vidas, e o governo, que zela pela sua população, que preserva a sua população, ele tem que entender que ele tem que garantir a vida, a obrigatoriedade da vacinação, ela é uma dessas medidas, que garante a proteção, tanto de crianças, quanto de adultos, e idosos, e aqui com relação ao Covid, não seria e não será diferente.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Jean Gorinchteyn. Antonio Torres, muito obrigado, continue aqui, acompanhando a nossa coletiva, e obrigado também a Agência F, de acompanhar com tanta atenção o desenvolvimento e o combate à Covid-19 aqui no Brasil. Nós vamos agora à TV Globo, Globo News, com a Daniela Geminiani, que já está no microfone. Daniela, boa tarde, bem-vinda, mais uma vez, sua pergunta, por favor.

DANIELA GEMINIANI, REPÓRTER: Boa tarde, governador, boa tarde a todos. Sobre as internações, eu gostaria de saber se nós temos o tamanho da amostra, quantos hospitais privados e públicos já foram consultados, e se isso pode representar, se não foram todos, se esse número pode aumentar ainda mais, esse aumento. Também se nós teremos, vocês vão passar os números absolutos, né, quanto estamos em número de mortes, número de casos, e se por conta desses aumentos, há previsão de uma fiscalização ainda mais intensa por conta das festas do final do ano. Obrigada.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Daniela. Vou pedir à Patrícia Ellen pra abrir a resposta às suas perguntas, com comentário, se algum dos médicos aqui desejar, o comentário de um deles, Patrícia.

PATRÍCIA ELLEN, SECRETÁRIA DO DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigada. A resposta, o censo Covid, ele é censitário, mas nós temos um esforço coordenado pela Dra. Regiane, que faz a cobertura completa dos hospitais, então a amostra é bem ampla, e nós temos separado por hospitais privados, municipais, estaduais, toda parte de organizações sociais e em todos eles a avaliação é bem parecida, é entre 14 e 19%, nenhum aumentou mais que 19%, as internações, e nem menos de 14, então esse foi o intervalo que a gente oscilou. Eu só queria lembrar também que essa oscilação, nós estamos sendo ultra conservadores com uma medida restritiva de não avançar mais pra fase verde, porque a semana anterior foi uma semana muito baixa, foi a semana mais baixa que nós tivemos desde o início, lembrando que teve um feriado nela, então, como esse delta aqui, esse aumento é com base numa semana muito baixa anterior, não é um aumento tão expressivo, mas independente disso, nós acreditamos que é o suficiente pra aplicarmos uma maior restrição, uma maior cautela, junto com o desafio de ter acesso aos dados, nós tomamos essa decisão de, primeiro, não avançar mais em fases verdes e, segundo, aguardar duas semanas pra estabilização de todos os dados.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Patrícia. Jean Gorinchteyn.

JEAN GORINCHTEYN, SECRETÁRIO DA SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Importante a gente sempre lembrar que pelos números de leitos de unidade de terapia intensiva, do maior número de hospitais, qualquer variação nesse momento de 10% ou de 20%, continua sendo uma variação pequena, mas, mesmo ela sendo pequena, ela é merecedora de uma atenção, e é por isso que nós temos que ter essa vigilância de forma muito responsável, e clara, transparente, tanto para a imprensa, quanto para a população. Com relação à fiscalização das festas do final do ano, seguramente isso vai acontecer, isso é uma medida de exigência do governador João Doria, que acabou de fazer uma colocação exatamente nesse contexto, que nós precisamos estar mais vigilantes, e não só ser, mas estar mais presentes e multar levar a penalização, se nós estamos falando que máscara é lei e lei é custo, então as pessoas vão ser multadas. Então esse é o objetivo, talvez assim nós traríamos mais claridade na percepção que as pessoas devam estar tendo.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Jean. [ininteligível], obrigado pelas suas perguntas. Vamos agora a Nanny Cox da Rádio Jovem Pan. Ajustar o microfone ali. Ajusta mais um pouquinho. Aí, Nanny, bem-vinda. A sua pergunta, por favor.

NANNY COX, REPÓRTER: Boa tarde, governador. Boa tarde pra todo mundo. Governador, eu queria entender, vocês apresentaram o número de internações que aumentou, mas o de óbitos e os novos casos não. queria entender, de fato, se é o aumento de circulação e entender direitinho o que é que isso significa. Tem uma segunda questão em relação às eleições, acho que pode ser até direcionada pro Medina ou pro Gabbardo. Teve muita aglomeração nesse domingo principalmente na zona... nos locais que os candidatos que estavam à frente das pesquisas votaram. Então, Boulos, Márcio França, Russomano e Bruno Covas. O Medina chegou até a comentar que poderia ocorrer um aumento por causa dessa movimentação da eleição. Então queria perguntar se existe uma expectativa de qual seria esse aumento? Se o Centro de Contingência monitorou essa situação, essa movimentação desse domingo? Se tem algum plano pro segundo, pro segundo turno? E uma última pergunta pro governador sobre as eleições também. O candidato Guilherme Boulos, ele tem se colocado muito como o oposto do senhor e do Bruno Covas, então caso ele ganhe, eu acho que é muito cedo pra dizer isso, mas caso ele ganhe vai ter algum problema no diálogo entre o Governo do Estado e o Governo Municipal? É isso. Obrigada.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigada. Nanny veio acelerada, né, Nanny? Vamos então com a primeira pergunta sobre as internações com a Patrícia Ellen. Na sequência, o João Gabbardo e o Zé Medina respondem sobre aglomerações nas eleições e a previsão para o dia 29 de novembro. E eu responderei a sua terceira e última pergunta. Patrícia.

PATRÍCIA ELLEN, SECRETÁRIA DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO DO ESTADO DE SÃO PAULO: Se puder colocar de volta a página dos indicadores do Plano São Paulo... só pra gente esclarecer. Hoje nós temos o patamar limite de internações no Plano São Paulo pra fase verde é de 40 internações a cada cem mil habitantes. Nós estamos com a média no estado de São Paulo de 29.8 internações a cada cem mil habitantes. Então nós temos uma sobra bastante grande aqui no que diz respeito a crescimento de internações. Mas como houve essa instabilidade nos dados de casos e óbitos que também são indicadores que pesam, nós exatamente estamos aguardando as próximas duas semanas. Com o que nós conseguimos extrair nessa semana de dados, nós vimos uma estabilidade em casos e óbitos. Mas como foi essa extração? Teve vários dias sem dado nenhum, e aí teve dias que vieram todos os dados de uma vez. A gente vê aqueles picos ali na quantidade de casos e óbitos, isso é o que nós recebemos do Governo Federal. Não veio por dia retroativo, veio tudo acumulado, então nós fizemos o cálculo da média diária para aquela semana. Nós precisamos de duas semanas com dados normais novamente pra podermos responder sua pergunta com relação a casos e óbitos, mas a princípio há um cenário de estabilidade. Na página anterior a essa, nós mostramos, inclusive, que o patamar de internações está em torno de mil internações, né, a média diária que é muito melhor, a gente já chegou a ter o dobro disso, né? No nosso pico a gente estava ali com quase 2 mil internações por dia. O que é que nós não sabemos? Se esse aumento que nós tivemos essa semana se ele permanecer, vamos supor aqui, tivermos mais duas semanas assim, isso é muito ruim, então por isso que nós estamos tomando essa medida cautelar número um de não avançar mais com mais regiões na fase verde. Número dois, reforçar com a população a importância de seguir os protocolos. Número três, dar duas semanas pra acompanharmos os dados estáveis.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Patrícia. Vamos então, Medina, José Medina.

JOSÉ OSMAR MEDINA, COORDENADOR DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: Muito obrigado pela pergunta. Em relação ao dia da eleição eles vão fazer um procedimento muito bem estruturado, bem organizado e mais de cem milhões de brasileiros foram às urnas de maneira bem organizada. O que preocupa são as atividades que aconteceram no entorno, principalmente durante a campanha eleitoral onde uma boa parte da campanha é feito com eventos, com atividades corpo a corpo, principalmente que envolveu a eleição municipal que envolve um número grande de candidatos a vereadores. Então essa que é a preocupação nossa quando nós falamos da preocupação com a eleição. Eu estou falando todo o processo eleitoral não só nesse dia. Mas é importante, mais uma vez salientar que nós estamos em quarentena, enquanto estivermos em quarentena é pra ter medo. Quarentena significa medo, e não é medo de você adquirir a doença só, é o medo de você... do conceito de cidadania adquirir a doença e transmitir pra outras pessoas, principalmente dentro da sua família. E para os jovens que estão circulando bastante, transmitir isso pra idosos ou pra pessoas que têm comorbidades, e aí sim o risco é muito maior de internação e o risco de um desfecho bastante desfavorável é muito maior. Você perder o pai, a mãe, o tio, o avô por causa de um descuido seu.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Medina. Em relação à sua terceira e última pergunta sobre Guilherme Boulos, ainda bem que somos bem diferentes. Nós não invadimos propriedades, nós protegemos propriedades. E por último, quero dizer a você, que eu confio na vitória de Bruno Covas, e Bruno será reeleito prefeito da cidade de São Paulo. Vamos agora... Obrigado, Nanny. Vamos agora, José Luiz Filho, do SBT. É a penúltima intervenção de hoje, na sequência Rádio Capital. Zé Luiz, obrigado pela sua presença mais uma vez. Boa tarde. Sua pergunta, por favor.

JOSÉ LUIZ FILHO, REPÓRTER: Boa tarde, governador, secretária Ellen, a todos os secretários e os médicos presentes. Eu gostaria de saber da secretária Ellen se mesmo esperando essas duas semanas confirmar que é possível ficar na fase verde, é possível ter mesmo com essa confirmação, por precaução, alguma restrição dentro da fase verde e algumas regiões ainda que ficaram no amarelo e avançaram com extensão de horários, se é possível mesmo dentro da fase amarela ainda restringir um pouco mais pra garantir um pouco mais de segurança? Nós estamos vendo aqui também falar muito de medo, as pessoas estão com medo, todos estão com medo. Se há medo, não parece que há, porque os bares estão lotados, há festas como o João Gabbardo disse que estão ocorrendo. Eu gostaria de saber se há possibilidade de haver uma articulação com as prefeituras de todas as regiões de São Paulo pra haver maior fiscalização de bares, restaurantes, festas, aglomerações. É isso.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Zé Luiz. Importante sua pergunta. Patrícia Ellen. No final eu faço um comentário. Patrícia.

PATRÍCIA ELLEN, SECRETÁRIA DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO DO ESTADO DE SÃO PAULO: Bom, um ponto importante primeiro é que desde o início da gestão da pandemia, uma coisa que nós sempre realizamos é tomar decisões com base nos dados do dia com total transparência pra todos vocês. Nós precisamos evitar essa vontade às vezes de fazer futurologia. Nós estamos falando de vidas e há muita responsabilidade nas decisões que estão sendo tomadas aqui. Então nós vamos continuar acompanhando o dia a dia. Um outro ponto que foi tomado de decisão no Centro de Contingência, Dr. Medina inclusive está elaborando, nós estamos fazendo aqui o programa de verão, né, o governador hoje já ressaltou a preocupação dele, por exemplo, com o réveillon, a população não pode achar que a pandemia acabou, então nós vamos fazendo um trabalho de reforço dos protocolos setoriais com as organizações privadas, a saúde aqui, a vigilância também com trabalho de protocolos, o esforço de comunicação com a população, o secretário Marco Vinholi com os prefeitos através do conselho municipalista, mas sempre avaliando tudo, dia a dia e trazendo com total transparência pra todos vocês.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: É isso. Zé Luiz, a nossa recomendação, nós temos o segundo turno das eleições agora no próximo dia 29, é razoável compreender que prefeitas e prefeitos de todos os municípios, em todo o Brasil estejam obviamente focados no processo eleitoral. Mas nós vamos chamar atenção de todos os prefeitos e prefeitas aqui do estado de São Paulo, logo após o término desse segundo turno com um conjunto de recomendações da Secretaria de Saúde do estado de São Paulo e do Centro de Contingência do Covid-19. E obrigado pelas suas perguntas. Vamos agora a Carla Mota. Carla, hoje você faz a última pergunta da coletiva. Obrigado por estar aqui conosco mais uma vez. Sua pergunta, por favor.

CARLA MOTA, REPÓRTER: Obrigada. Boa tarde a todos. Bom, eu queria entender melhor essa questão dos dados que não estão sendo disponibilizados pelo Governo Federal. As prefeituras paulistas mandam pro Ministério da Saúde que repassam pro Governo do Estado? Queria que vocês explicassem. Sobre a vacina a gente sabe aí que algumas vacinas contra a Covid que estão aí em estudo têm anunciado aí suas capacidades de eficácia nos últimos dias, daí eu pergunto se existe alguma previsão nesse sentido no que se refere a Coronavac. Pra fechar, eu gostaria de saber como é que tá essa questão da testagem aqui no estado de São Paulo? Obrigada.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado. Carla também veio acelerada hoje, hein, Carla?! Então vamos... Eu vou pedir ao Jean Gorinchteyn pra responder as três questões, dos dados da vacina e da testagem. Se eventualmente Gabbardo... Gabbardo quer fazer uma complementação, e Medina também, fiquem à vontade. Jean.

JEAN GORINCHTEYN, SECRETÁRIO DE ESTADO DA SAÚDE DE SÃO PAULO: Muito bem. Carla, todos os dados que são fornecidos pelos municípios vão diretamente através do Sivep Gripe que é uma plataforma de dados para o Ministério da Saúde que acaba então centralizando essas informações. Em paralelo, o próprio sistema de São Paulo acabou então formulando um sistema de compilação de dados que é esse que permitiu hoje com que nós pudéssemos ter especialmente o número de internações e número de casos. Infelizmente número de óbitos não estariam sendo processados por essa plataforma. Então a análise não poderia então ser feita dessa maneira. Com relação à eficácia da vacina Coronavac, nós precisamos fazer... atingir 154 pacientes positivados para Covid, numa primeira fase são 61, numa segunda fase são 154 dos efetivados para a Covid pra que os trabalhos possam ser abertos. Esses resultados em sendo abertos vão permitir que se avalie uma coisa chamada eficácia e se consagrem aquilo que já se viu na fase dois que vem se mantendo na fase três que é a questão da segurança e a produção dos anticorpos. Quando a gente fala de eficácia é o quanto essa vacina protege a quem tomou de adquirir a doença. Então, muito brevemente nós teremos isso no nosso meio, mas os próprios epidemiologistas que fizeram o desenho desse estudo preconizam essas informações que se mantêm sob sigilo até que alguém levante e fale: "Olha, já pode abrir o estudo para uma melhor análise". E a terceira questão é em relação à testagem. O estado de São Paulo é um estado que mais testa na América Latina, testa mais do que vários estados americanos, inclusive com vários países da Europa. Nós chegamos a ter uma testagem aproximadamente de 10 mil testes, tivemos um leve descenso pra 8 mil testes, mas sempre com pelo menos cem testes para cada cem mil habitantes. Quer dizer, não se testa tanto quanto São Paulo. E dessa maneira o faremos. E intensificaremos nessa medida porque essa é uma medida que nós temos de fazer diagnóstico precoce antes que as pessoas realmente adoeçam de forma grave e estejamos bloqueando e cerceando o direito das pessoas no entorno de estarem saindo com risco delas também serem portadoras do próprio vírus mesmo que assintomáticas.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Jean. Vamos ouvir agora o João Gabbardo, secretário executivo do comitê de gestão da Covid-19.

JOÃO GABBARDO, COORDENADOR EXECUTIVO DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: Eu queria só reforçar, Carla, em relação a essa questão dos dados. O que é que significa essa instabilidade que o sistema do Ministério da Saúde teve? Não é só uma dificuldade pra que a gente obtenha a informação pra saber o que aconteceu no âmbito da notificação de casos e no caso das notificações dos óbitos. Com a estabilidade, os municípios tiveram dificuldade de colocar os seus dados no sistema. Então ficou um passivo muito grande de informações que ainda podem estar sendo colocado pelos municípios, nós não temos certeza absoluta se todo passivo já foi regularizado ou se algum município ainda tem informações que estão represadas e que precisam entrar no sistema. E por isso que o estado de São Paulo não consegue a informação, porque está dependendo ainda de uma alimentação de dado que é feita em cada município, diferente da questão das internações. As internações, o estado de São Paulo tem um censo que vem diretamente dos hospitais, então nós sabemos com bastante segurança essa... o número de internações que está ocorrendo. Fica pendente casos e óbitos de termos certeza de que todos os municípios já alimentaram o sistema do Ministério da Saúde.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Gabbardo. Carla Mota, obrigado pelas perguntas. Nós vamos aqui encerrando a coletiva de hoje, lembrando que estaremos juntos novamente na próxima quinta-feira, no mesmo horário, às 12h45min, direto aqui do Palácio dos Bandeirantes em São Paulo. Peço que todos que estão nos acompanhando ao vivo pela TV Cultura, por outras emissoras, por favor, usem máscara, se protejam, ao saírem de suas casas façam o distanciamento social de 1,5 metro no mínimo pra uma ou mais pessoas e não façam aglomerações. E um alerta as mães principalmente, por favor, orientem suas filhas e seus filhos, seus jovens filhos para não participarem de festas, aglomerações e encontros. Não é hora de participar de festa. Nas festas, as pessoas bebem, as pessoas se divertem, tiram a máscara e ficam mais vulneráveis a contrair a Covid-19. Deixem para festejar quando tivermos a vacina, aí sim teremos a oportunidade de festejar, celebrar, abraçar, beijar e conviver como sempre convivemos, mas agora não. Muito obrigado. Uma boa tarde. Fiquem com Deus.