Coletiva - Butantan desenvolve a primeira vacina 100% nacional contra COVID-19 20212603

De Infogov São Paulo
Ir para navegação Ir para pesquisar

Coletiva - Butantan desenvolve a primeira vacina 100% nacional contra COVID-19 20212603

Local: Capital – Data: Março 26/03/2021

Soundcloud

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Pessoal, muito bom dia a todos, muito obrigado aos jornalistas que estão aqui presentes. Nós estamos na sede do Instituto Butantan, em São Paulo, queria cumprimentar também cinegrafistas, fotógrafos, técnicos, todos que aqui comparecem, os que estão em casa nos acompanhando, nos assistindo ao vivo. Aqui ao meu lado, Dimas Covas, presidente, médico, professor, presidente do Instituto Butantan. Ao seu lado, Ricardo Oliveira, pesquisador. Aqui à minha esquerda, Jean Gorinchteyn, secretário da Saúde do estado de São Paulo, e a Sandra Coccuzzo também, pesquisadora. Os dois, representam aqui vários cientistas que desenvolveram o que nós vamos anunciar neste momento, é um anúncio histórico para o Brasil e, sem hesitação em dizer, para o mundo. Nós vamos apresentar hoje aqui a Butanvac, a primeira vacina 100% nacional, integralmente desenvolvida e produzida no Brasil pelo Instituto Butantan, instituto que é um orgulho do Brasil, 120 anos de existência, o maior produtor de vacinas do Hemisfério Sul, maior produtor de vacinas do Brasil e da América Latina, e agora se colocando internacionalmente como um produtor de vacina contra a Covid-19.

Essa vacina foi desenvolvida integralmente por cientistas do Instituto Butantan, e o Dr. Dimas Covas explicará em detalhes o insumo, as características, as vantagens, a segurança e as perspectivas dessa vacina. É um momento de profunda esperança pra todos nós. Eu tenho, como brasileiro, como pai de família, a tristeza de, a cada dia, verificar que estamos contabilizando mais 3.000, 3.500, 4.000 mortos no Brasil. Uma tragédia, uma tristeza profunda. Mas hoje, hoje, dia 26 de março, é o dia da esperança, é o dia desta nova vacina. E eu fico, mesmo diante de uma tragédia tão forte, tão aguda, Dimas, feliz de poder estar aqui ao seu lado e com os cientistas do Butantan, Jean Gorinchteyn, para este anúncio, fruto do trabalho, da luta, da perseverança. Nós fizemos todos os enfrentamentos aqui, desde abril do ano passado, para termos a vacina do Brasil, junto com o laboratório Sinovac, colocarmos a vacina no braço dos brasileiros, começando pela Mônica Calazans, enfermeira, mulher, negra, que recebeu, no dia 17 de janeiro, a primeira dose da vacina do Butantan, e agora nós temos, de cada dez brasileiros, nove estão recebendo a vacina do Butantan, a vacina do Brasil, a vacina que São Paulo desenvolveu para ajudar milhões de brasileiros. E hoje nós temos a oportunidade de apresentar a vacina, a nova vacina, a Butanvac. Queria pedir que pudessem abrir aqui, pra vocês conhecerem essa nova marca da vacina, que chama-se Butanvac.

Os resultados dos testes pré-clínicos se mostraram extremamente promissores, o que nos permite evoluir para os testes em voluntários já agora no próximo mês de abril, desde que a Anvisa, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, assim autorize. E eu tenho certeza, Dimas, que a Anvisa assim o fará. Estamos diante de uma tragédia, de uma pandemia. Nós temos que superar a burocracia, em nome da vacina, da saúde, da vida, com todos os cuidados, evidentemente, com a proteção aos protocolos, mas numa velocidade que exige uma medida de autorização para o início dos testes em voluntários, já a partir do próximo mês de abril. E o Dimas Covas vai dar estas informações a vocês e a vacina virá aqui, nesta caixinha da Butanvac que vocês estão vendo aqui, a marca, nesse backdrop aqui atrás. E esta já é a embalagem da vacina, da nova vacina nacional, a Butanvac.

Repito: Um orgulho pra todos nós, uma dose de esperança pra os brasileiros e de homenagem também, Dimas, a tantos que se foram, a tantas famílias que estão dilaceradas por terem perdido seus parentes e a tantos amigos que se foram, inclusive médicos, enfermeiros, jornalistas, tantas e tantas pessoas que gostariam de estar vivendo e perderam a sua vida. Viva, viva a ciência nacional, viva o Brasil, viva a vida.

Vou passar a palavra a você, Dimas Covas.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: Bom dia, governador, bom dia a todos. É uma satisfação enorme estar mais uma vez aqui recebendo a imprensa no Butantan, num dia especialmente importante, que é o dia que nós começamos essa nova jornada de uma vacina integralmente produzida aqui no Butantan. Este movimento, governador, começou exatamente há um ano atrás, me lembrava aqui o Dr. Ricardo, exatamente no dia 27 de março do ano passado, no laboratório da área bioindustrial, se inoculava pela primeira vez o Coronavírus no ovo embrionado. Foi a primeira tentativa de produção desse tipo de vacina. De lá pra cá, uma luta intensa, um esforço intenso de toda equipe, tanto do ponto de vista da produção como do ponto de vista das negociações internacionais, das negociações internas aqui no Brasil, relacionadas ao ambiente da Anvisa, ao ambiente regulatório, e preparar todo o Butantan para exatamente produzir os primeiros lotes dessa vacina, para poder iniciar o estudo clínico.

Então, isso aconteceu, hoje nós já temos lotes suficientes para iniciar um estudo clínico, deverá ser muito rápido. E no dia de hoje, nós pretendemos ingressar na Anvisa com o pedido que nós chamamos de dossiê de desenvolvimento clínico, DDCL. Então, nós faremos essa... Protocolaremos esse material ainda hoje, e aí vamos dialogar intensamente com a Anvisa para que ela perceba a importância da autorização pelo início desse estudo clínico, o mais rapidamente possível, para que nós possamos, em um mês e meio, dois meses, dois meses e meio, terminar essa fase de avaliação clínica e aí iniciar, de fato, a produção.

Eu tenho alguns slides, por favor, o primeiro. Então, essa vacina será integralmente produzida aqui e não dependeremos de nenhum insumo, da importação de nenhum insumo, uma tecnologia que já existe. Quer dizer, essa tecnologia é a mesma que é usada para produção da vacina da gripe. O Butantan é o maior produtor de vacina da gripe do Hemisfério Sul, nós produzimos anualmente de 80 milhões a 85 milhões de doses, que são entregues ao programa nacional de imunização, e temos capacidade de produzir mais. Nossa capacidade, da fábrica, é de 140 milhões, 150 milhões de doses por ano. Então, além de produzir a vacina da gripe, nós também podemos produzir a Butanvac. E esse é inédito, não existe nenhuma vacina no mundo nesse momento que é produzida em ovo. Por que é importante produzir em ovo? Primeiro, existem muitas fábricas do mundo que usam essa tecnologia para produção da vacina da gripe, e que, portanto, essa é uma saída para uma situação epidêmica. Segundo, é muito barato, é muito mais barato essa vacina, esse tipo de produção, do que essas vacinas que são produzidas em tecnologias modernas, mais modernas, porque essa é uma tecnologia tradicional. E um outro aspecto: é seguro. Quer dizer, a vacina da gripe é a vacina que é mais utilizada no mundo. Como eu disse, 80 milhões de pessoas todos os anos estão sendo vacinadas, aqui no Brasil. Ou seja, o perfil de segurança é excelente. Mais uma característica: o fato de os conhecimentos terem evoluído, nós já estamos falando de uma segunda geração de vacinas, já não é mais a geração inicial, já é a vacina 2.0. Por quê? Porque nós aprendemos com as vacinas anteriores e agora nós sabemos o que é uma boa vacina para o Covid. Então, essa já incorpora algumas dessas modificações, é uma vacina que será mais imunogênica, os estudos clínicos em animais já demonstraram isso, e que, portanto, nós poderemos usar menores doses da vacina por pessoa. Por isso, o quantitativo de doses pode ser aumentado, podemos ter mais vacinas para a população.

Então, os testes clínicos estão previstos, como eu mencionei, pra começar, em abril, tão logo ocorra essa autorização da Anvisa. Próximo. É uma vacina que, como eu mencionei, produzida em ovo, em ovo embrionário, mas ele se utiliza da estrutura básica de um vírus, um vírus que infecta aves, um vírus chamado Newcastle. Então, esse vírus, ele foi modificado geneticamente, e ele expressa a proteína S. Só que essa proteína S é uma superproteína S, ela desenvolve a imunidade de uma forma muito mais efetiva do que essas outras vacinas que usam a proteína S. Daí a importância do desenvolvimento.

Então, como eu mencionei, ela já foi produzida em escala piloto, nós produzimos já a vacina, está pronta para início dos testes clínicos, foram feitos os testes pré-clínicos, inclusive por laboratórios internacionais, nós mandamos essa vacina para ser testada em animais em outro país, mandamos pra China... Desculpa, pra Índia. E os testes foram excelentes. Então, ela usa, como eu mencionei, a proteína S, íntegra do Coronavírus, que foi introduzida nesse vírus, que vai ser introduzido no ovo. Próximo. O instituto participa de um consórcio nesse momento, quer dizer, ele produzirá aqui no Brasil um grande quantitativo, mas ele já tem um compromisso, que é fornecer essa vacina... Aqui tem um detalhe importante: Nosso compromisso é fornecer essa vacina para países de renda baixa e média. Quer dizer, nós queremos que essa vacina chegue nos países de renda baixa e média, porque é lá que nós precisamos combater a pandemia. Se o mundo rico combate, porque tem recursos, ele vai ficar livre ou vai ficar relativamente livre do vírus, os países de renda baixa ou média, que têm dificuldade para ter a vacina, poderão manter a pandemia. Quer dizer, a pandemia pode ficar sob controle na Europa, na América do Norte, mas ele vai estar lá na África, vai estar nos países da América Latina, vai estar lá nos países pobres da Ásia. Então, nós temos que ter vacina para esses países, porque é lá que nós vamos ter que combater a epidemia, para globalmente sermos bem-sucedidos. Nesse momento, tem dois outros parceiros no consórcio, como o Vietnã e a Tailândia, que também estão se preparando para fazer testes clínicos. Próximo.

O que isso nos dará de vantagem? Quer dizer, seremos totalmente independentes, já temos uma capacidade de produção, nesse momento, de 100 milhões de doses por ano, poderemos produzir 40 milhões já a partir de maio desse ano. Terminando a campanha da gripe, já iniciamos a produção de 40 milhões dessa vacina. A tecnologia eu já expliquei, é a mesma tecnologia da vacina da gripe. E agora aguardamos a aprovação da Anvisa para iniciar o estudo clínico. Isso será feito, acredito eu, muito rapidamente, e poderemos, se tudo correr bem, começar a usar essa vacina ainda no segundo semestre desse ano. São essas as informações.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito obrigado, Dimas Covas, presidente do Instituto Butantan. Eu queria reforçar a informação que o Dr. Dimas já ofereceu, que hoje, dia de hoje, dia 26 de março, a Anvisa receberá já as informações necessárias para iniciar a avaliação, para permitir que a fase 1 de testes seja iniciada imediatamente, imediatamente. O senso de urgência é o senso de respeito aos que perderam seus parentes, seus amigos, seus vizinhos, senso de respeito por milhões de brasileiros que precisam ser salvos, com mais vacinas, senso de respeito à ciência e à medicina.

Também, o Instituto Butantan, em reunião da qual participei agora pela manhã, estará protocolando já hoje à tarde [ininteligível] do Brasil, junto à Organização Mundial de Saúde, a OMS, esta vacina, Butanvac, para que a Organização Mundial de Saúde possa acompanhar a par e passo todo o desenvolvimento da testagem, das fases 1, 2 e 3, dentro da velocidade, do cuidado e do zelo que a Organização Mundial de Saúde vem tendo, ao tratar do combate à pandemia. Portanto, a OMS receberá ainda hoje também todos os certificados de protocolo desta vacina, Butanvac.

Reforçando também a informação de que essa é uma vacina para o Brasil, prioritariamente para o Brasil e para os brasileiros. Depois de atender o Brasil, obviamente, atenderemos outras nações também irmãs, amigas, que também sofrem com a Covid-19. Por isso, o Butantan vai iniciar agora em maio a produção desta vacina, sob sua responsabilidade e com autorização do governo do estado de São Paulo, e com investimento do governo do estado de São Paulo e do Instituto Butantan. Ao iniciar a produção em maio, o Butantan terá condições de disponibilizar 40 milhões de doses da Butanvac, para iniciar a vacinação, se possível já no próximo mês de julho. Vencidas essas etapas com a rapidez necessária e o senso de urgência da Anvisa. E o Dr. Dimas Covas, diante das perguntas, poderá justificar a sua confiança de que, diante das circunstâncias, e principalmente das aprovações já feitas pela Anvisa, de outras vacinas, inclusive da Coronavac, de que é perfeitamente possível ter essa aprovação em tempo mais curto e em senso de urgência. E já 40 milhões de doses poderão ser disponibilizadas a partir de julho deste ano para a imunização dos brasileiros.

Vou pedir uma palavra do Jean Gorinchteyn, que é o nosso secretário de Saúde do estado de São Paulo. Todos sabem, o Jean Gorinchteyn integra o Instituto Emílio Ribas, é médico, infectologista. Ele trabalha 10 horas por dia como secretário e ainda coloca mais três, quatro horas como médico, diariamente, no atendimento às pessoas infectadas pela Covid. Ele sabe dizer, por experiência própria, pela opção que fez por esta profissão, de médico infectologista, a dor e o sentimento das pessoas que estão sendo tratadas por estarem com Covid-19 e também de parentes que perderam seus entes queridos nos últimos meses. Jean.

JEAN GORINCHTEYN, SECRETÁRIO ESTADUAL DE SAÚDE: Governador, bom dia. Hoje é um bom dia. Um bom dia, de esperança, esperança que nós temos que agradecer ao senhor, pela sua liderança, temos que agradecer ao Instituto Butantan, que tanto tem desenvolvido formas de poder ajudar, não só o Brasil, como o mundo. Nós, infelizmente, temos uma pandemia que já perdura por mais de um ano, no nosso país, mostrou sinais de melhora, com a impressão de que nós sairíamos dessa história, que viveríamos um novo ano de 2021, mas, infelizmente, a pandemia se impôs, e é isso que nós precisamos hoje ter, a esperança de ter uma forma de nós sairmos e continuarmos a viver, e retomarmos a nossa vida. A vacina é a nossa esperança, e o fato, governador, de nós termos a possibilidade de não depender dos insumos que vêm de fora, dará celeridade ao processo de produção, mais vacinas estarão disponibilizadas, aquilo que sempre falamos aqui: vacinas, vacinas e vacinas. Quanto mais vacinas, mais brasileiros de todo o país, seja pobre, seja rico, sejam aqueles que moram em grandes centros, mas também aqueles que têm o mesmo direito, pleiteado pelo SUS, que estão lá naqueles rincões das florestas, e que também merecem ser protegidos. Parabéns, governador, parabéns, Dimas Covas.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Jean. Eu queria pedir à Dra. Sandra Coccuzzo, que é diretora da divisão científica do Butantan, que, em nome de dezenas de cientistas, que ao longo dos últimos meses trabalharam 12, 14 horas por dia para chegar a esta vacina, a Butanvac. Que ela possa fazer aqui sua manifestação, em nome de tantos cientistas que doaram seu tempo e doaram seu talento para a produção de uma vacina 100% brasileira, e dizer, Sandra, o orgulho que eu tenho, como brasileiro, como alguém que nasceu aqui, filho de baiano, de ter aqui uma vacina brasileira, integralmente. Obrigado a você e a todos os cientistas do Butantan que você representa nesse momento. Sandra.

SANDRA COCCUZZO, PESQUISADORA: Obrigada, governador, bom dia, bom dia, secretário, professor Ricardo e a todos os que estão aqui, que estão nos assistindo. Eu sou diretora do Centro de Desenvolvimento Científico, porque, antes de tudo, eu sou uma pesquisadora científica. Estou nessa casa como cientista há 16 anos e, de fato, assim como eu, vários dos meus colegas estão absolutamente engajados na proposta do Instituto Butantan, à frente do Professor Dimas. E aí estamos, com toda a parte científica engajada. E, a partir da Covid-19, estabelecemos uma área diagnóstica de ponta e, desde então, damos subsídio a todas as áreas do instituto, para que todos os testes sejam viabilizados, para que nós possamos entregar a vocês, com celeridade, todos os dados fundamentais para que todas as vacinas aconteçam. Então, neste momento, eu gostaria de agradecer demais aos meus colegas pesquisadores, que, incansavelmente, vêm trabalhando conosco, desenvolvendo os projetos, atrás de soluções para que consigamos chegar a esse propósito. Muito obrigada, governador, por essa oportunidade.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Sandra, nós todos, brasileiros, é que temos que agradecer a você, aos seus colegas pesquisadores e ao Instituto Butantan. Vou pedir também uma manifestação do Ricardo Oliveira. O Ricardo é o diretor de produção do Instituto Butantan. Ele que comanda toda a equipe, são centenas de pessoas, eu já estive aqui, inclusive no início de uma manhã, às 6h da manhã, visitando a produção da vacina do Brasil, da Coronavac, e ele também vai coordenar a produção da Butanvac, na estrutura fabril do Butantan, onde nós estamos nesse momento aqui na cidade de São Paulo. Ricardo.

RICARDO OLIVEIRA, DIRETOR DE PRODUÇÃO DO INSTITUTO BUTANTAN: Bom dia a todos. É um imenso prazer estar aqui, governador, Sr. Dimas, secretário da Saúde, Sandra também. Há um ano, a gente começou esse projeto, assim como outros. São várias frentes. E continuamos também produzindo os produtos normais do Butantan, os demais soros e as vacinas. E hoje é um prazer estar aqui anunciando que a gente superou várias etapas, a gente tem um bom produto, bem promissor, tem algumas etapas ainda pra superar, das fases clínicas, mas nós estamos bem confiantes. Vale aqui o agradecimento a todas as equipes que participaram desse projeto também, e o engajamento de todo o instituto.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito obrigado, Ricardo. Vale, sim, a menção, eu vi aqui centenas de jovens, naquela manhã, na semana passada, cerca de 400 jovens cientistas trabalhando na fábrica do Butantan, que, aliás, trabalha 24 horas por dia, são quatro turnos de trabalho, praticamente mil pessoas produzindo a vacina que, nesse momento, está indo no braço dos brasileiros. E 46 milhões de doses estarão entregues até o dia 30 de abril e 100 milhões de doses até 30 de agosto.

Antes de começar as perguntas dos jornalistas que já fizeram aqui a sua inscrição, fazer um apelo também aos que estão nos assistindo nesse momento, para que se vacinem, recomendem a vacina, evidentemente obedecendo os critérios e as faixas etárias. E também feliz, Dimas, de verificar uma pesquisa ontem, onde 86% dos brasileiros declaram que vão se vacinar, 10% têm dúvidas, apenas 4% declararam que não pretendem se vacinar, uma mudança de comportamento transformador, de um país onde quase 30%, meses atrás, dizia que não tomaria vacina. E hoje, nós temos praticamente 96% dessa população com a decisão de tomar a vacina, a vacina que salva, a vacina que pode garantir um momento melhor, de um futuro para o Brasil dos nossos filhos, dos nossos netos, mas com vida, com existência. E esperando também, Dimas e Jean, que possamos cuidar da alimentação das pessoas mais pobres. Uma enorme preocupação com a falta do alimento no prato. Precisamos, sim, da vacina no braço, mas também do alimento no prato. Quero aproveitar para agradecer aqui as dezenas de empresas com as quais tenho falado nos últimos 15 dias em especial, para doação de cestas básicas para a população empobrecida do nosso estado, e espero que isso se reproduza também em outros estados do país. O alimento também padece e a falta de alimento padece... A falta do alimento também pode levar à morte. Mas vamos falar aqui da vacina, da vacina que nos traz esperança, que é a Butanvac, a vacina 100% nacional.

Eu vou pedir, pela ordem de inscriçãoL A TV Globo, GloboNews, depois a Agência Reuters, TV Cultura, Rádio e TV Bandeirantes e BandNews, a CNN Brasil e a TV Record. Vamos começar com a Isabela Leite, da TV Globo, GloboNews. Cadê você, Isabela? Localizando. Isabela, um bom dia, bem-vinda, sua pergunta, por favor.

ISABELA LEITE, REPÓRTER: Bom dia, governador, bom dia a todos. Eu queria entender como que foi essa articulação com o consórcio internacional, e envolvendo a Tailândia e o Vietnã. Tinha uma informação que, na Tailândia, os testes até da fase 1 haviam começado. E também eu queria entender essa questão da vacina ser mais imunogênica. Dr. Dimas Covas falou que seria possível termos menos doses, isso na prática significa o quê? Que ela é possível ser dose única, como da Janssen, por exemplo?

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: Essa é uma possibilidade, o fato de você ter uma melhor resposta imunológica pode eventualmente usar uma dose. No estudo clínico previsto, serão avaliados agora doses diferentes, intervalos de doses também. Então, todas essas respostas nós teremos, após essa fase inicial de estudos em humanos. No consórcio internacional, quer dizer, cada país desenvolve a sua vacina, e de fato estão, já alguns, também iniciando fase clínica de fase 1. Nós vamos já progredir fase 1, 2, é o que nós vamos já solicitar, e na sequência a fase 3, de uma forma muito acelerada, e isso deve ser feito em comparação com o que já está aí, com as vacinas que já estão aí. No nosso caso aqui, essa comparação possível com a Coronavac, que também ajuda nesse processo de entendimento e autorização da Anvisa. Por isso que nós esperamos que esse estudo seja muito rápido, e que nós possamos fazer isso em dois meses, dois meses e meio, no máximo em três meses, para, de fato, podermos usar a vacina a partir do segundo semestre.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Dimas, Isabela, muito obrigado. Vamos agora a uma pergunta online do Eduardo Simões, que é o correspondente da Agência Reuters aqui no Brasil. Eduardo, vamos conectá-lo, já conectados. Bom dia, sua pergunta, por favor, Eduardo.

EDUARDO SIMÕES, REPÓRTER: Bom dia, governador, bom dia a todos e a todas. Eu queria entender um pouco mais desse prazo que o senhor falou, governador, da possibilidade de aplicar a vacina em julho. Sobre os testes, os profissionais de saúde já estão, já foram praticamente todos vacinados. Não sei se há previsão de alguma dificuldade de recrutamento de voluntários... E teste da Coronavac, em fase 3, no Brasil, começou, se eu não me engano, em junho, e o resultado acabou vindo em dezembro. O que leva o Butantan a imaginar que é possível encurtar tanto esse prazo, já que agora vai ser necessário fazer as três fases, 1 e 2? E quando é esperado o pedido para a fase 3, se possível? Obrigado.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: Bem, o que leva a nós termos esse cronograma é a experiência adquirida, inclusive com o estudo clínico da vacina Coronavac. E só lembrar: Nós estamos fazendo um estudo clínico na cidade de Serrana, que chama Projeto Serrana, Projeto S, onde nós estamos vacinando até esse momento já mais de 27 mil pessoas, que são os adultos da cidade, 97% dos adultos da cidade estão sendo vacinados. Então, nós ganhamos muita experiência nesse período e o estudo para essa vacina, ele é um estudo que pode ser encurtado, ele não é um estudo de uma nova vacina, de que não se conhece nada a respeito do assunto. Não, pode ser feito de forma, inclusive, comparativa, com as demais vacinas que estão sendo usadas, do ponto de vista de resposta imunológica, e, óbvio, nós vamos usar como voluntários as pessoas que não estão incluídas no programa de vacinação, no PNI, na previsão do PNI. Então, nós vamos recrutar pessoas, e isso deve ser feito de uma forma muito rápida, para participar do estudo, mas que não estejam sendo nesse momento vacinadas pelo PNI.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Eduardo, obrigado pela pergunta. Obrigado, Dimas. Antes de termos a pergunta da Maria Manso, da TV Cultura, aproveitar para fazer um esclarecimento a todos que estão aqui, e os que estão nos acompanhando também, ao vivo, por várias emissoras que estão transmitindo, aliás, eu queria agradecer à TV Cultura, à BandNews, à GloboNews, à CNN Brasil e à RecordNews, por estarem transmitindo ao vivo, aqui do Instituto Butantan, em São Paulo, e mencionar que a Butanvac, a nova vacina, a vacina nacional, em nada interfere em todos os procedimentos da Coronavac, da vacina do Brasil, seja na distribuição, seja na produção, seja na nova fábrica do Butantan, que está sendo construída aqui, há poucos metros, onde estamos nesse momento, fábrica que estará pronta em 30 de setembro. Em outubro e novembro, a instalação dos equipamentos que já foram adquiridos e, em dezembro, já estaremos também iniciando a produção em escala gradual da vacina do Brasil, da Coronavac, que hoje, repito, nove em cada dez brasileiros estão recebendo no braço essa vacina. Nada se altera, portanto, temos duas vacinas, é uma dupla informação, de um instituto de projeção internacional, como é o Butantan, produzindo duas vacinas contra a Covid-19. É um caso único no mundo, um orgulho, repito, para todos aqui de São Paulo, Jean, e para todos os brasileiros, todas as pessoas que amam a vida e que querem o bem dessas pessoas. E, obviamente, para o mundo da ciência, os cientistas hoje no Brasil, Sandra, estão felizes. Eu já recebi várias mensagens aqui de cientistas e de médicos, no meu celular, exultantes com isso. Essa é a resposta da ciência aos que negam a ciência e aos que negam a vida. Maria Manso.

REPÓRTER: Bom dia a todos. Obrigada ao Instituto Butantan, desde já. Dr. Dimas, só acabando de esclarecer a dúvida do colega, qual seria o perfil desses novos voluntários e como é que eles serão selecionados? E quais foram os resultados das fases 1 e 2, em animais, que deixaram vocês tão otimistas, que o senhor possa nos contar? Por favor.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: Maria, esses resultados estão sendo feitos, como você mesma mencionou, em animais que são usados para testar as vacinas de uma forma geral. Então você sabe, inclusive, com o que já foi feito com o Coronavírus, qual que é o limiar de respostas desses animais. Então esse já é o primeiro dado que chamou atenção, que essa vacina tem essa capacidade de imunização, dado o tipo de construção, que é muito, muito poderoso, muito importante em termos comparativos, com outros imunizantes utilizados. Com relação aos voluntários, se nós iniciarmos brevemente, e é o que nós esperamos agora em abril, quer dizer, nós temos pela frente todo um campo ainda de pessoas a serem vacinadas, serão adultos em um primeiro momento, quer dizer, com idade acima de 18 anos. De poderemos vacinar ou abrir o voluntariado para aqueles que não estão sendo vacinados pelo Programa Nacional. Quer dizer, o Programa Nacional já tem o seu cronograma, então, quer dizer, esses já estão em andamento, os que não estiverem contemplados no andamento do Programa Nacional, poderão se candidatar como voluntários para esse estudo.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Dimas. Maria, obrigado pela pergunta. Vamos agora à Bruna Barbosa, da Rádio e TV Bandeirantes, TV Band News, Rádio Band News. Aliás, ambas transmitindo ao vivo direto aqui do Butantan. E, Bruna, obviamente você está ao vivo nas suas emissoras também.

BRUNA BARBOSA, REPÓRTER: Governador, bom dia. Bom dia, a todos. A vacina, eu queria saber se ela se mostrou eficaz com as novas variantes do Coronavírus, especialmente a de Manaus, e caso surjam outras cepas daqui para frente, se é fácil, se ela pode ser facilmente modificada para ser uma vacina sempre eficaz. Se me permitem só mais uma outra pergunta, qual que é o custo previsto por dose da Butanvac, há, governador, recursos do Ministério da Saúde nesse desenvolvimento? Obrigada.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: Bom, começando pela última parte, quer dizer, nós estamos começando esse processo, nós não temos o custo definido ainda, a hora que nós tivermos a vacina, de fato, sendo produzida para uso, aí vamos ter condições de definir o custo. Em princípio, as vacinas do tipo Influenza, essa que usa essa tecnologia, são vacinas muito baratas, são, entre todas as vacinas, as vacinas mais baratas no mundo, são vacinas que tem um custo de produção muito baixo. E nós esperamos que aconteça aqui também com essa vacina, que seja um custo bem inferior à essas vacinas que estão sendo usadas nesse momento. Não há nenhum recurso do ministério nesse momento, porque, na realidade, o ministério está tomando o conhecimento dessa iniciativa exatamente como vocês nesse momento, quer dizer, eles não têm conhecimento, não foi feita nenhuma aproximação nesse sentido. Então não há nenhum tipo de recurso do ministério.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Apenas para complementar, Bruna, os recursos são do Instituto Butantan e do governo do estado de São Paulo, como já foi, aliás, para a Coronavac também, o financiamento de todos os estudos, meses e meses de trabalho, desde que o primeiro acordo operacional, muito antes da pandemia, foi assinado em agosto de 2019, em Pequim, na China, nós estávamos lá, aliás, alguns jornalistas que estão aqui estavam lá presentes também. O que facilitou muito quando do início da pandemia aqui no Brasil, em março, já no início de abril o novo acordo e novo contrato foi assinado pelo Instituto Butantan, com o Laboratório Sinovac. E graças a esse acordo, graças ao prestígio e a representatividade que tem o Instituto Butantan, e a perseverança do governo de São Paulo, é que nós temos hoje uma vacina que atende a milhões de brasileiros, cada mil brasileiros, 900 estão recebendo a vacina do Butantan. De fato, é a única vacina que nós temos hoje no país, nós desejamos que mais vacinas cheguem, é muito importante termos mais vacinas, e mais rapidamente possível, para imunização dos brasileiros, e agora temos essa boa notícia da Butanvac, que já no segundo semestre, a partir de julho já poderá estar ajudando e contribuindo nesse Programa Nacional de Imunizações. E como disse o doutor Dimas, será uma vacina de menor custo do que as vacinas atuais, até porque, não há importação de insumos, não há custo de logística, a vacina é totalmente desenvolvida aqui, o que vai permitir um acesso ainda mais amplo da população, seja pelo sistema nacional de imunização, seja também por compras circunstanciais que possam complementar o Programa Nacional de Imunizações. Bruna, muito obrigado.

BRUNA BARBOSA, REPÓRTER: Só sobre as novas cepas, doutor Dimas, por gentileza.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Ah, desculpe, perdão.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: Na realidade, nós já estamos trabalhando na versão P1 dessa vacina, então esperamos que quando ela entre em produção, já seja possível entrar com a versão P1.

BRUNA BARBOSA, REPÓRTER: E aí se tiver uma nova variante ela é facilmente modificada também, com a da Gripe, por exemplo?

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: Se for necessário, quer dizer, se isso acontecer, sim.

BRUNA BARBOSA, REPÓRTER: Obrigada.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Bruna. Queria mencionar que além das rádios Band News, Rádio Bandeirantes, a Rádio CNN, também a Rádio CBN, está ao vivo direto aqui do Instituto Butantan, onde estamos falando nesse momento. Muito obrigado a todos por estarem prestigiando uma informação tão importante, tão significativa de esperança para o Brasil. E falando em CNN, CNN Brasil, a pergunta agora o Renan Fiuza, da CNN Brasil. Renan, bem-vindo, obrigado por estar aqui em um dia tão especial, tão importante. Sua pergunta, por favor.

RENAN FIUZA, REPÓRTER: Obrigado, governador. Bom dia, para o senhor. Bom dia, para todo mundo. Governador, a minha pergunta é com relação à produção e à compra, acima de tudo, de outras vacinas que o senhor já havia mencionado, até mesmo 30 milhões de doses da Coronavac, ou de outras vacinas aqui para o Brasil. Eu queria saber se diante da Butanvac o senhor acaba deixando um pouco de lado esse projeto, ou não muda? O senhor continua com a ideia de comprar outras vacinas? E com relação também à produção da Butanvac, se ela será produzida, de fato, na mesma fábrica da Coronavac ou não? Se outra estrutura está sendo planejada? Obrigado.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Renan. Vou começar respondendo a segunda, você fez duas perguntas, mas absolutamente anexadas, e eu vou pedir, sobre a fábrica, que o doutor Dimas possa responder, e aí a primeira parte responderei com prazer.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: Bom, essa vacina ela será produzida em uma outra fábrica, não é a fábrica que está sendo reformada para a Coronavac. É uma fábrica que já existe, que produz atualmente a vacina da Gripe. Quer dizer, a tecnologia é exatamente a mesma, uma fábrica com a capacidade de produção de 160 milhões de doses por ano. Então a fábrica já existe, e ela vai começar a operar com essa vacina, agora em maio, após o término da campanha da Gripe, nós produziríamos aí os primeiros lotes dessa vacina.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Dimas. Renan, sobre produção, primeiro, a decisão, ontem mesmo tivemos uma reunião do comitê Butantan, como nós chamamos, que toma todas as decisões relativamente à vacina, aliás, ela precede a reunião do PEI - Programa Estadual de Imunização, são duas reuniões consecutivas que fazemos todas as quintas-feiras, isso já tem três meses que realizamos. Então vamos sim comprar 30 milhões de doses adicionais da vacina do Butantan, a Coronavac, para imunização dos brasileiros de São Paulo, tão logo terminemos a entrega das 100 milhões de doses para Sistema Nacional de Imunização, para o Ministério da Saúde, em 30 de agosto. A partir de setembro, 30 milhões de doses serão disponibilizadas para vacinar todos os brasileiros aqui em São Paulo. Ou seja, até o final desse ano eu garanto, asseguro e afirmo, todos os brasileiros residentes em São Paulo estarão imunizados, todos que precisam ser imunizados estarão imunizados. E também mantivemos a opção de compra de uma outra vacina internacional, ainda não temos a resposta. Eu prefiro trabalhar com mais vacinas do que com menos vacinas. Então essa é a opção do governo de São Paulo. Obrigado, Renan. Antes de passar para a Daniela Salerno, mas já convidando a Daniela para chegar ao microfone, queria agradecer à Agência Reuters, a Agência Reuters está com a Reuters TV, em transmissão internacional nesse momento, muito obrigado à Reuters, pelo prestígio, por estar transmitindo com tradução simultânea para vários países esse importante anúncio que estamos fazendo aqui na sede do Instituto Butantan, da nova vacina, a Butanvac. Daniela Salerno, TV Record.

DANIELA SALERNO, REPÓRTER: Bom dia, a todos. São três perguntas bem curtas, bem diretas. Eu gostaria de entender o valor do projeto, se já tem isso? Vocês começaram há um ano a pesquisar, se vocês já têm uma ideia de quanto isso vai custar para o governo do estado, para o Instituto Butantan? Se o governo de São Paulo já negocia essa vacina, compra de um lote exclusivo para o estado de São Paulo? E por último, para o doutor Ricardo, ele falou brevemente na sua fala agora de início, que vocês têm outros projetos paralelos à essa vacina, em relação à COVID-19, o que mais a gente pode esperar de vocês de pesquisa? Obrigada.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Daniela. Duas perguntas eu vou deixar obviamente para o Dimas Covas, sobre valor. E também a do doutor Ricardo. Em relação à negociação da vacina, faremos tão logo possamos atender o Sistema Nacional de Imunização. Nós fazemos parte do Brasil, integramos o Brasil, e queremos proteger todo o Brasil, essa é a nossa intenção, por isso oferecemos a vacina do Butantan, em agosto do ano passado, para o Governo Federal, para o Ministério da Saúde. Várias e várias vezes, vários e vários contatos, até àquela inesquecível reunião, onde o então ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, anunciou a compra de 46 milhões de doses da vacina, isso foi no dia 20 de outubro, em menos de 12 horas, no dia seguinte pela manhã, o Presidente da República desautorizou o Ministério da Saúde, e disse que não compraria essa vacina: "A vachina, a vacina do Doria, a vacina de São Paulo, a vacina perigosa, a vacina que não imunizava, a vacina que não tinha segurança". Enfim, fora os impropérios que disse nas redes sociais e em algumas entrevistas. E agora da mesma amara, a opção é atender o Brasil, os brasileiros que precisam de vacina para garantirem as suas vidas e garantirem essa operação desse triste momento do Brasil. Cumprida essa etapa, aí sim, com estamos fazendo com a Coronavac, teremos no excedente, se necessário, mais vacinas para São Paulo, e poderemos iniciar também o programa de exportação de vacinas para o continente latino-americano. A prioridade é o Brasil, e o Brasil sendo atendido, apenas depois disso vamos para a exportação. Não só para países da América Latina, como os dois parceiros tecnológicos que temos, o Vietnã e a Tailândia, também para o fornecimento da Butanvac a esses países e todos que desejarem. Nós vamos conviver com vacinação durante muitos anos, todos os anos 6,5 bilhões de pessoas precisarão de vacinas contra a COVID-19. Um dos fornecedores de vacinas para esses 6,5 bilhões de pessoas será o Instituto Butantan de São Paulo, e do Brasil. Bem, então vamos agora com o Dimas Covas, e depois com o doutor Ricardo. Ou começamos com o Doutor Ricardo, depois o Dimas.

RICARDO OLIVEIRA, DIRETOR DE PRODUÇÃO DO INSTITUTO BUTANTAN: Bom, com a área da produção, o centro bioindustrial, tem a iniciativa da Coronavac, que a gente está tocando, fazendo a produção. Estamos também trabalhando no projeto da reforma do novo prédio de produção. E na absorção dessa tecnologia. Tem uma iniciativa de produção de vacina de COVID-19 em células também, que nós estamos tocando. E tem uma outra alternativa de produção em ovos, que seria aí com a base não o vírus de The Newcastle, mas o vírus de Influenza, seguindo mais ou menos a lógica dessa vacina que a gente está falando. Tem a frente do soro, que também a gente tem trabalhado bastante. E eu sei que tem outras iniciativas no departamento da pesquisa. Não sei se a Sandra pode falar brevemente? Mas tem outros projetos ainda acontecendo no Butantan sim.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Dimas. Ou se a Sandra quiser fazer algum comentário. Vamos então ouvir a Sandra, e na sequência, Dimas Covas.

SANDRA COCCUZZO, PESQUISADORA: Na parte da pesquisa, tanto a parte científica, quanto de inovação, esses grupos vem estabelecendo plataformas que vão em curto prazo de tempo ser fundamentais para que a gente avalie todos esses testes que são fundamentais para entender como é que a vacina está se comportando. Então em uma paralela, a área científica ela vai estabelecendo essas plataformas, e isso é extremamente importante para dar celeridade ao processo mesmo.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: Bem, só para complementar, existem inúmeros acordos, inclusive internacionais, de desenvolvimento de vacinas relacionadas ao COVID-19, com novas plataformas, e isso é a atividade quase que diária do Butantan, prospectar, fazer parcerias, trocar informações. Então são vários projetos que são avaliados, e aqueles que são mais promissores nós estabelecemos os primeiros acordos. Então existem vários projetos. Esse projeto é o projeto que está mais adiantado, mas existem outros projetos que estão caminhando também, e que poderão chegar em uma fase de estudos pré-clínicos e clínicos. Com relação ao custo de investimento, quer dizer, o custo de investimento nesse momento é desse desenvolvimento, é um custo relativamente pequeno, porque não foi criado nada de novo, não foi feito um laboratório novo, quer dizer, usou o que já existia. O maior custo nesse momento será o custo do estudo clínico, que esse sim, esse vai exigir um investimento, e o investimento será feito pelo Butantan, o Butantan já tem recursos reservados para isso, e faremos os investimentos necessários.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Dimas. Daniela, obrigado pelas perguntas. Eu recebi aqui duas solicitações dos jornalistas que aqui estão, dentre os jornalistas, dois nos mandaram mensagem pedindo para fazer uma foto com a vacina, Dimas, Ricardo, Sandra e Jean. Mas antes de nos dirigirmos aqui à frente para fazer essa foto, preciso fazer um agradecimento, Dimas, à FAPESP, que é do governo do estado de São Paulo, ela apoia 50 projetos de pesquisa aqui no Instituto Butantan. A FAPESP teve todos os seus recursos de investimento mantidos pelo governo do estado, ao longo dos anos de 2020 e 2021, não obstante à pandemia, porque São Paulo acredita na ciência, aposta na ciência, confia na ciência, e sabe que a ciência ajuda a salvar vidas e a proteger vidas, e garantir também um futuro melhor para o nosso país. Repito, a Butanvac é uma lição aos negacionistas, aos que negam a ciência, aos que desprezam a medicina, aos que se colocaram distantes da vida, para vocês, Butanvac, coloquem nos seus braços para que vocês possam ser salvos também. Vamos lá para atender a solicitação da fotografia. Obrigado, pessoal, mais uma vez, bom dia. Até daqui a pouco.