Coletiva - Butantan pede à Anvisa registro de mais 4,8 milhões de doses da vacina contra COVID-19 20211801

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Coletiva - Butantan pede à Anvisa registro de mais 4,8 milhões de doses da vacina contra COVID-19 20211801

Local: [[Capital] - Data: Janeiro 18/01/2021

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JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Boa tarde a todos, obrigado pela presença, jornalistas, cinegrafistas, fotógrafos, os que estão presencialmente e os que estão virtualmente nos acompanhando agora, ao vivo, pela transmissão da TV Cultura e outras emissoras, muito obrigado também. Obrigado pela presença aqui do Dimas Covas, presidente do Instituto Butantan, Jean Gorinchteyn, secretário da Saúde do Estado de São Paulo, Marco Vinholi, secretário do Desenvolvimento Regional, também hoje com a presença especial da Regiane de Paula, que é a coordenadora de Controle de Doenças da Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo, João Gabbardo, coordenador executivo do Centro de Contingência do Covid-19, Paulo Menezes, coordenador geral do Centro de Contingência do Covid-19, e também como nosso convidado especial o coordenador do Gabinete de Crise, Santiago Falcão, que aqui comparece. Nas informações de hoje, duas informações. A primeira: O Governo do Estado de São Paulo solicitou nesta manhã à Anvisa autorização para o uso emergencial de um novo lote de 4,8 milhões de vacinas do Butantan. Repetindo: O Governo do Estado de São Paulo, através do Butantan, solicitou hoje à Anvisa autorização para o uso emergencial de um segundo lote, de 4,8 milhões de vacinas, para os brasileiros. A autorização para o uso emergencial, que a Anvisa concedeu ontem, era exclusivamente válida para o lote de seis milhões de doses da vacina, todos eles já distribuídos ao Ministério da Saúde e a cota que cabe a São Paulo, em São Paulo. Uma nova autorização, portanto, é necessária, pela Anvisa, para liberação deste novo lote, de 4,8 milhões de doses da vacina do Butantan. Nós estamos seguros de que a análise será feita pela Anvisa, com o mesmo critério, o mesmo cuidado e a mesma agilidade com que ontem liberaram as seis milhões de doses da vacina do Butantan, a vacina do Brasil. A segunda informação: O Governo do Estado de São Paulo iniciou ontem a vacinação dos profissionais de saúde, no Hospital das Clínicas, e hoje inicia a vacinação no interior do Estado de São Paulo, igualmente, para os profissionais de saúde. São cinco grandes hospitais do interior de São Paulo que começam hoje à tarde a imunização dos profissionais de saúde. Respectivamente: os Hospitais das Clínicas, de Campinas, Botucatu, Ribeirão Preto e Marília, além do Hospital de Base de São José do Rio Preto, todos no interior do Estado de São Paulo. As doses da vacina do Butantan já foram encaminhadas em caminhões refrigerados, na estrutura de logística montada pela Secretaria de Saúde, que aliás a estrutura montada desde o início de outubro deste ano, que nós temos o programa estadual de imunização pronto, preparado, e logística articulada, o que nos permitiu agilidade nos procedimentos para a chegada da vacina até esses grandes centros no interior de São Paulo. Quero mencionar também que a logística da Secretaria de Saúde vai enviar para Ribeirão Preto, Marília e São José do Rio Preto, hoje, a partir das 14h, vacinas para a vacinação dos profissionais de saúde que, nestes locais, nestes Hospitais das Clínicas, começará amanhã. Estamos distribuindo, além das vacinas do Butantan, seringas, agulhas, equipamentos de proteção individual, com toda a agilidade necessária, graças a um planejamento que foi elaborado no início do mês de outubro e revalidado em inúmeras reuniões. Eu mesmo participei de sete destas reuniões, uma extraordinária equipe, comandada pela Dra. Regiane de Paula, que aqui está, que é a coordenadora do Controle de Doenças da Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo. Com planejamento, com estrutura e com equipe responsável, sem nenhuma visão ideológica, partidária, política, mas sim a visão técnica de obediência à ciência é que nós estamos realizando esse programa de vacinação em São Paulo. Regiane, a você e toda a sua equipe, o sincero agradecimento pelo suporte, pelo apoio, e à Secretaria da Saúde, Jean Gorinchteyn, sob a sua liderança, e do Eduardo Ribeiro, também os nossos cumprimentos e o reconhecimento ao trabalho altamente profissional. São estas as informações de hoje, de forma objetiva. Vou pedir a manifestação do Dr. Dimas Covas, diretor-presidente do Instituto Butantan. Na sequência, do Dr. Jean Gorinchtey, secretário de Saúde do Estado de São Paulo, e da Dra. Regiane de Paula, coordenadora do Centro de Controle de Doenças da Secretaria da Saúde, para falar um pouco dessa logística que eu acabo de mencionar. Dimas Covas.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: Obrigado, governador. Então hoje nós damos sequência ao trabalho de distribuição das vacinas, das doses de vacina que estavam no Butantan, para a Secretaria de Estado da Saúde. Para o Ministério da Saúde, isso foi feito, essa disponibilização foi feita no dia de ontem e a notícia que temos é de que essas vacinas já estão chegando aos estados. Ainda na manhã de hoje, governador, entramos com o pedido de uso emergencial, agora para todas as doses que serão produzidas no Butantan. A primeira partida é de quatro milhões, quatro milhões e pouco, chegando possivelmente a 4,8 milhões, já em disponibilidade, à medida em que for feita essa segunda autorização. Uma vez aprovada, aí a produção do Butantan será feita já de acordo com essa autorização, quer dizer, não haverá necessidade de todo lote ser requisitado, mas aí sim é o processo, aí poderemos chegar aí aos... No caso, produção adicional de 35 milhões, 35 milhões e um pouquinho, porque já descontando essas quatro milhões e, eventualmente, no acréscimo que já inclusive foi mencionado ao Ministério, de 56 milhões de doses adicionais. Então, nós esperamos que essa autorização aconteça o mais rapidamente possível. Por que entramos hoje? Entramos hoje a pedido da própria Anvisa, que nós poderíamos ter entrado lá atrás com os dois pedidos. Então, a Anvisa nos solicitou que primeiro terminasse o primeiro processo, que terminou ontem, e na sequência aplicasse o segundo, exatamente porque a documentação é muito similar. Isso foi feito e agora esperamos que, dessa vez, dessa feita, a decisão seja emitida no mais curto espaço de tempo, visto que, do ponto de vista de documentação, todos os documentos para o processo de ontem serão majoritariamente os mesmos documentos analisados nesse segundo pedido. Então, eu acredito que isso vai dar aí uma celeridade muito grande a esse processo e que podemos ter essa segunda autorização para já começar a disponibilizar esse lote, nesse momento já quatro milhões de doses prontas, para aguardar aí essa autorização, aguardando essa autorização. Então, são essas as informações, governador, e o Butantan está se esforçando para inclusive ampliar a quantidade de matéria prima. Nós temos aqui um carregamento de matéria prima pronta, lá na China, para ser despachado. Estamos aguardando apenas a autorização do governo chinês, para poder trazer, e aí sim iniciar a segunda etapa de produção. A capacidade de produção do Butantan, eu já mencionei, é de um milhão de doses por dia. Nessa etapa de produção, essa capacidade foi atingida, mas nós dependemos ainda agora da matéria prima, para poder continuar esse processo e fazer essas doses, o mais rapidamente possível.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito obrigado, Dimas Covas. Antes de passar ao Dr. Jean Gorinchteyn, secretário de Saúde do Estado de São Paulo, informar aos meus colegas jornalistas que a imagem da vacinação, ontem, aqui em São Paulo, com a enfermeira Monica Calazans foi matéria de capa, pelo menos com a fotografia, de 16 grandes jornais em todo o mundo: nos Estados Unidos, no Canadá, na França, na Ásia... Perdão, na Europa e na Ásia. Dezesseis dos mais importantes veículos de comunicação do mundo apresentaram o início da vacinação em São Paulo, com a vacina do Butantan, Dr. Dimas Covas, e com uma enfermeira negra, na fotografia, sendo a primeira brasileira a receber a vacina contra a Covid-19 em nosso país. Jean Gorinchteyn.

JEAN GORINCHTEYN, SECRETÁRIO ESTADUAL DE SAÚDE DE SÃO PAULO: Boa tarde, governador, boa tarde a todos. Estamos na 3ª semana epidemiológica, na 18ª reclassificação do Plano São Paulo. Medidas que são tomadas pelo Plano São Paulo têm como objetivo não apenas a restrição de horários e serviços, mas a circulação de pessoas. À medida em que diminuímos a circulação das pessoas, com elas diminuímos também o vírus, e fazemos com que menos pessoas adoeçam e sejam necessárias as suas internações e intervenções em ambientes hospitalares. Então, o objetivo do Plano São Paulo é a garantia de vidas. O que nós vimos? Que adultos e jovens foram os maiores transmissores e disseminadores de doenças, e infelizmente, de forma irresponsável, se expuseram e levaram para suas casas, para os seus pais, tios e avós, fazendo com que essas pessoas acabassem sendo internadas e, infelizmente, muitos morressem. Os números dessa semana refletem a necessidade de sermos muito mais atentos, mas, além de uma atenção, atuantes. Mas precisamos o apoio da população. Nós não podemos deixar que haja um comprometimento à assistência à vida, nós não podemos deixar, de forma compartilhada na sua responsabilidade com a população, uma sobrecarga no sistema de saúde, a ponto de nós não termos como dar assistência a todos. Já ampliamos, desde o início do ano, mais de 250 leitos de UTI, estamos ampliando ainda mais, distribuindo suportes ventilatórios, de emergência, como aqueles que foram vistos na semana passada, para todos os municípios e regiões que assim o necessitarem. Mas é necessário que tenhamos essa divisão de responsabilidade com a população. Estamos com taxa de ocupação nos nossos leitos de unidade de terapia intensiva, no estado, em 69,1%, na Grande São Paulo, 70,1%. A impressão que se dá, fala: Não, mas eu ainda tenho mais 30%, 31% de sobra. Nós temos que entender que algumas das regiões já tiveram os seus hospitais atingindo a marca de 100%. É que nós conseguimos redimensionar esses pacientes para outros hospitais da região. Agora, até quando conseguiremos isso? Nós não podemos só ampliar leitos, leitos. Precisamos também diminuir a circulação de doença na nossa população. Em relação à semana epidemiológica anterior, a segunda, em relação à primeira, nós tivemos um aumento de 9% no número de casos, 12% no número de internações. Vocês se recordam que, na semana passada, nós dissemos: 10% do número de internações, e aquilo já era algo preocupante. Hoje nós estamos com 12% em relação à semana epidemiológica anterior. Isso mostra algo atual, mostra o quanto o vírus circula, o quanto as pessoas estão adoecendo e sendo internadas, em relação às semanas anteriores. E tivemos 7% do número de óbitos. Portanto, essa foi a pior semana epidemiológica na história da pandemia no Estado de São Paulo. Agora, eu quero que vocês atentem aos números que eu vou passar, comparando a semana epidemiológica anterior, a segunda semana, com a última semana epidemiológica do ano de 2020. Tivemos um aumento de 77% no número de casos, 59% no número de óbitos, e tivemos 28%, portanto, quase 30% no número de internações. Hoje, governador, seria o dia que nós deveríamos estar festejando a vinda das vacinas. Nós sabemos que ainda temos muito poucas vacinas para imunizar o quanto precisaríamos, para diminuir a história da pandemia no nosso estado, aliás, no nosso país. Eu me lembro perfeitamente, estou fazendo exatamente sete meses nesse cargo, e logo quando entrei, primeira coisa que o governador me colocou: Vá a Brasília, converse pra que nós estejamos implementando o programa de vacinação nacional de imunização com a vacina do Butantan, se nós tivéssemos isso, assim como outras vacinas estivessem sido implementadas, hoje estaríamos fazendo como a Índia, como outros países, vacinando em massa a nossa população, vamos vacinar a população muito mais vulnerável, idosos e pessoas com problema na sua saúde, as comorbidades, de forma muito tardia, infelizmente, estamos todos do mesmo lado, precisamos todos e juntos lutar contra a pandemia. Primeiro slide, por favor. Hoje temos, como disse, uma taxa de ocupação na grande São Paulo que superou 70,1%, mas eu quero que vocês observem quantos pacientes temos internados nas nossas unidades de terapia intensiva, 6.004 pessoas, na semana passada nós tínhamos pouco mais de cinco mil, incremento das unidades de terapia intensiva mostra o quanto as pessoas estão ocupando de forma muito rápida, quase mil pessoas ocupando a mais da semana passada para essa semana, mostrando o quanto isso é algo atual. No número de casos, 1.628.272 pessoas e quase, quase, muito próximo a 50 mil pessoas, infelizmente, perderam as suas vidas. Próximo. No número de casos, como disse, foi a nossa pior semana, tivemos uma elevação dos 9% em relação a semana anterior, mas, mesmo naquele momento que testávamos mais, e que chegamos ao nosso pico, que aconteceu na 32ª, desculpa, 33ª semana epidemiológica, já superamos este montante, já superamos o número de casos no pico que nós tivemos naquela semana, 33ª, portanto, hoje, elevamos em 45 dias mais casos do que aquilo que conseguimos durante cinco meses a partir de março até agosto. Próximo, por favor. Os números de internação, como disse, 12% numa cifra de 1.747, muito próximo daquilo que atingimos no nosso auge na 28ª semana epidemiológica. Próximo. Número de óbitos, uma elevação de 7% em relação a semana anterior. Muito obrigado, governador. JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Jean Gorinchteyn, razão de preocupação e atenção de todos nós, os números que acabam de ser apresentados. Agora, vamos falar sobre o programa de vacinação, aqui no Estado de São Paulo, com a Dra. Regiane de Paula, que é a coordenadora de controle de doenças infecciosas da Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo, e uma das coordenadoras deste comitê de trabalho de vacinação do PEI, o Plano Estadual de Imunização. Dra. Regiane.

REGIANE DE PAULA, COORDENADORA DE CONTROLE DE DOENÇAS INFECCIOSAS DA SECRETARIA DA SAÚDE DE SÃO PAULO: Obrigada, governador. Eu vou falar um pouquinho não da logística, que todos já temos falado sobre transporte de carga, vacina, roteiros e tudo mais, mas sobre uma inovação que São Paulo também traz em sistemas de informação para vigilância em saúde. O Governo de São Paulo lança o site Vacina Já para o pré-cadastro da campanha de imunização contra o Covid-19, essa ferramenta irá agilizar o atendimento nos locais de vacinação, profissionais de saúde e indígenas são o público alvo nesta primeira fase do momento. O Governo de São Paulo lançou neste domingo, dia 17, o site www.vacinaja.sp.gov.br, para agilizar a campanha de vacinação contra o Covid-19 no estado, nele todas as pessoas aptas a receber a vacina do Butantan podem fazer o pré-cadastro. Nessa primeira etapa, o grupo prioritário é formado por profissionais de saúde e indígenas, o pré-cadastro, ele não é um agendamento, mas vai garantir um atendimento mais rápido nos locais de vacinação e evitar a formação de aglomerações, portanto, é muito importante que a população fique atenta a esse site e possa fazer o seu cadastro. O fornecimento das informações é opcional, mas a participação de cada um vai ajudar toda a sociedade. Quem não conseguir fazer o pré-cadastro, não há problema algum, não precisa se preocupar, pois a vacinação também será feita sem ele, apenas será necessário fazer o cadastro completo na unidade de vacinação, a maior parte dos profissionais de saúde vai receber a vacina nos seus locais de trabalho, e uma informação que eu gostaria de compartilhar com todos, inclusive com o senhor, governador, é que ontem às 21 horas o sistema já tinha 500 mil pessoas que acessaram e se pré-cadastraram no sistema vacina já. Muito obrigada.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito obrigado, Dra. Regiane, isso é mais um testemunho, pro nosso orgulho, de eficiência no programa de imunização em São Paulo, e por quê? Volto a mencionar aqui aos jornalistas que estão presentes, aos que nos acompanham online e a você também, que nos assiste na sua casa ou no seu escritório, planejamento, trabalho e dedicação, visão profissional em relação ao programa de imunização, para agilizar e melhorar a qualidade e a velocidade na imunização dos brasileiros aqui de São Paulo e o cuidado também na logística e no transporte, cada vacina salva uma vida, nós não podemos perder nenhuma vacina, e o cuidado no manuseio, no transporte, representa esta redução sensível, de possível a zero de inutilização de uma vacina, que salva uma vida. Bem, vamos às perguntas, pela ordem, nós teremos hoje TV Globo, Globo News, Correio Braziliense, a Revista China Hoje, China Now, a Folha de São Paulo, a CNN Brasil, o SBT, a TV Cultura e o Portal Uol. Começando, então, com TV Globo, Globo News, com o jornalista William Cury, Will, boa tarde, bem-vindo mais uma vez.

WILLIAM CURY, REPÓRTER: Boa tarde, obrigado.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Sua pergunta, por favor.

WILLIAM CURY, REPÓRTER: Eu vou perguntar sobre vacina, porque foi feito hoje o pedido de uso emergencial, só que nós temos quatro milhões e 800 mil doses, né, e ainda tá a espera de chegar insumos da China e aí acaba não dependendo apenas do Governo de São Paulo, e nem do Butantan, eu queria saber qual é a orientação, se é que foi passada pelo Ministério da Saúde, às prefeituras, pra essa vacinação, porque chegou a ser discutido ampliar o prazo entre a primeira e segunda dose, pra tentar utilizar uma segunda remessa, após esse pedido de uso emergencial, pra aplicar a segunda dose, e aí começar a vacinar mais gente nessa primeira parte já que for possível, só que sem prazo certo pra chegar matéria prima da China, como que vai ser a postura dos governos e das prefeituras? Essas doses disponíveis serão já contendo primeira e segundas doses? Essa pergunta é sobre vacina, e uma outra que eu queria fazer também, sobre os, só...

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Uma, uma, uma só.

WILLIAM CURY, REPÓRTER: Uma só?

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Por favor.

WILLIAM CURY, REPÓRTER: Eu vou fazer e, se não quiser, não precisa responder, nós tivemos a montagem dos hospitais de campanha, na primeira onda, com taxas de ocupação de leitos de UTI mais baixa do que estamos vendo hoje, eu queria saber se o governo tem no horizonte reativar hospitais de campanha. Obrigado.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Bom, Will, vou pedir ao Dimas Covas e ao Jean Gorinchteyn, e antes do Dr. Dimas responder, eu queria lembrar aos jornalistas que aqui estão e de novo os que estão virtualmente nos acompanhando, e também as pessoas que estão nos assistindo, independentemente de serem jornalistas, que nós estamos torcendo pra que o Brasil tenha vacinas, e é curioso que o governo que defendia explicitamente, enfaticamente a vacina de Oxford, que nós somos a favor, e defendemos que ela seja colocada o mais rápido possível à disposição da população, hoje silencia, e curioso também que aquela aeronave que foi adesivada com o slogan do Governo Federal, como parte do marketing do Governo Federal, continue parada no aeroporto, não se sabe onde, se em Recife ou em São Paulo, para buscar uma vacina que não existe, e é importante que os jornalistas também cobrem do Ministério da Saúde uma postura responsável em relação às demais vacinas, pois até agora, a única vacina que está disponível no Brasil e que começou ontem a ser vacinados, começaram ontem a receber a vacina é a vacina do Butantan, desenvolvida aqui, é hora de cobrar também do Governo Federal e do Ministério da Saúde onde estão as outras vacinas. Dimas Covas.

DIMAS COVAS, DIRETOR DO INSTITUTO BUTANTAN: William, basta fazer algumas contas pra você responder essa pergunta, embora a orientação do Ministério tenha sido de reservar já 50% das doses para a segunda aplicação, mas, veja, nós distribuímos seis milhões de doses, a segunda dose, né, ela começará a ser dada daqui 28 dias, né, portanto, nós temos um intervalo de quase um mês pra iniciar a segunda dose, já temos, nesse momento, como eu mencionei, quatro milhões de doses prontas, então nós dependemos ainda de uma chegada de matéria prima pra totalizar essas seis milhões, né, ou seja, nesse momento, né, nós já poderíamos estar avançando mais além desses 50%, né, pelo menos na totalidade desses quatro milhões, então nós estamos fazendo esse cálculo pra inclusive oferecer como sugestão, né, ao governo, né, que não precisa reservar 50% em vista do que já existe, obviamente que isso depende da autorização emergencial da Anvisa, mas isso pode ocorrer brevemente e aí já pode se definir o cenário, né, de utilização dessa parcela inicial de seis milhões, ok?

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Dimas. Will, depois, cadê o Will? Depois, na saída, pague a multa, tá? Jean Gorinchteyn vai responder a sua segunda pergunta.

JEAN GORINCHTEYN, SECRETÁRIO DA SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Sua pergunta é muito importante, prerrogativa do Governo do Estado de São Paulo e da Secretaria de Estado da Saúde é garantir assistência à população, nós já estamos ampliando leitos, esses leitos já dentro de hospitais, né, também contratações de hospitais privados, assim como fizemos em outras ocasiões, assim serão feitas, e nós não tiramos do radar a possibilidade dos hospitais de campanha, lembramos que os hospitais de campanha, eles serviram muito mais pra nós acolhermos aqueles pacientes em enfermaria, pra que nós pudéssemos desafogar os hospitais, nós temos que estar atentos a uma questão, que nós não tínhamos no passado, que é recursos humanos, quando a gente fala, eu vou abrir um leito de unidade de terapia intensiva, eu tenho que lembrar que não é só uma cama com um colchonete, eu estou ali dizendo que eu tenho uma cama, um colchão, monitor, respirador, mas, atrás disso, profissionais da saúde que vão fazer assistência, médico, enfermeiro, técnico de enfermagem, fisioterapeuta, e hoje nós temos a concorrência de outras doenças, nós não temos mais só Covid, nós temos um grupo de doenças, sejam os acidentes, por acidentes automobilísticos, atropelamentos, derrames, que são os AVCs ou enfartos, que hoje dividem não só os espaços, o número de leitos, mas também dividem esses recursos humanos. Então, nós estamos atentos a tudo, tanto essa questão de número de leitos, que serão muito bem conduzidos, como também de recursos humanos na assistência da nossa população, por isso que nós conclamamos, hoje, fiquem em casa, mas se vocês não puderem ficar em casa, que saiam com responsabilidade, usam máscaras, evitem as aglomerações, higienizem com frequência as mãos com álcool gel.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Jean. Will, obrigado mais uma vez. Vamos agora, online, temos três intervenções online, começando pelo Jornal Correio Braziliense, no Distrito Federal, com a jornalista Eduarda Cardin, Eduarda, vamos coloca-la já em tela, boa tarde, sua pergunta, por favor.

EDUARDA CARDIN, REPÓRTER: Oi, boa tarde, governador. Bom, sobre esse novo pedido, eu gostaria de saber se essa decisão, né, do Butantan, foi motivada por esse atraso das vacinas de Oxford, que vinham da China, da Índia, aliás, bom, o Ministério entrou em contato com vocês, pediu pra agilizar esse novo pedido ou não, foi uma decisão só de vocês, e queria saber se vocês esperam essa aprovação mais rápido da Anvisa, o diretor Dimas Covas falou um pouco disso, que espera essa celeridade, já que os documentos são, né, baseados também nessa primeira entrega que já foi feita e aprovada, então vocês esperam, tem algum prazo até pra, enfim, quantos dias aí pra essa aprovação sair, tem alguma conversa assim já?

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Eduarda, obrigado, responde Dimas Covas, presidente do Instituto Butantan.

DIMAS COVAS, DIRETOR DO INSTITUTO BUTANTAN: Eduarda, o pedido de uso emergencial das doses produzidas no Butantan já estava previsto e foi iniciado hoje exatamente em acordo com a Anvisa, né, pelos motivos que você mencionou, quer dizer, no primeiro pedido, a grande maioria dos documentos já analisadas, né, e, portanto, facilitando a análise desse segundo pedido, né, então isso é uma facilidade, vamos dizer assim, que a Anvisa terá agora para expedir rapidamente essa autorização. Então, esse é o motivo, não existe nenhuma outra preocupação relacionada a pedido do Ministério ou não, isso já estava programado, né, desde o início.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Dimas. Eduarda, muito obrigado por sua participação, continue conosco aqui, acompanhando online a nossa coletiva de imprensa, vamos agora com a Revista China Hoje, China Now, com o Alfredo Nastari, vamos coloca-lo em tela, Alfredo, prazer em revê-lo, ainda que virtualmente, sua pergunta, por favor.

ALFREDO NASTARI, REPÓRTER: Muito prazer, governador, prazer é todo meu. Bom, essa questão já foi de certa forma abordada aqui, mas eu gostaria de informações mais precisas, uma vez que não está clara a situação para produção de novas doses, o Dr. Dimas Covas se referiu a problemas de importação de insumos da China, eu gostaria que o senhor confirmasse, afinal, qual é a situação e a capacidade de produção atual do Instituto Butantan, o que está previsto de fornecimento no contrato com a Sinovac e quais as dificuldades para o Butantan atingir a anunciada capacidade de produção de um milhão de doses, que foi colocado já logo no início do contrato. Obrigado.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Alfredo. Vou pedir, obviamente, ao Dr. Dimas Covas a resposta.

DIMAS COVAS, DIRETOR DO INSTITUTO BUTANTAN: Alfredo, então, vamos lá, por partes, capacidade de produção do Butantan, um milhão de doses por dia, na dependência da matéria prima, essa capacidade foi atingida nesse momento, com a matéria prima disponível, e precisamos agora do adicional. O contrato, nesse momento, é de 46 milhões de doses com a Sinovac, seis milhões entregues ontem, portanto, nós temos ainda que cumprir 40 milhões, e as dificuldades, do ponto de vista da autorização, nesse momento, é da autorização do governo chinês, que precisa autorizar a exportação da Sinovac dessa matéria prima, matéria prima já está produzida, já está disponível na Sinovac desde meados desse mês e aguardamos agora essa autorização, que, na minha percepção, após autorização da Anvisa, inclusive facilitará essa decisão do governo.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Dimas Covas, obrigado. Alfredo Nastari, muito obrigado pela sua participação, continue nos acompanhando ainda que virtualmente. Vamos agora a uma terceira pergunta, igualmente virtual, que é da jornalista Ana Botallo, da Folha de São Paulo, Ana, boa tarde, bem-vinda, sua pergunta, por favor.

ANA BOTALLO, REPÓRTER: Boa tarde, governador, boa tarde a todos, a minha pergunta inicial foi em certa forma feita pelo meu colega William Cury, então eu vou fazer a pergunta um pouco reformulada, será que o governo agora pretende, então, fazer um novo esquema de doses, sem um intervalo de 28 dias entre elas, mas sim com 14 dias, que foi um dos estudos feitos pela Sinovac, né, comparando com [ininteligível], intervalo de 14 dias, as duas doses, ou de 28 dias, pra tentar vacinar mais pessoas agora, e será que o Dimas Covas, ele tem alguma informação a cerca de qual é o prazo que o governo chinês pode dar pra essa chegada da matéria prima? Obrigada.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Ana. Vou pedir ao infectologista e também secretário da saúde do Estado de São Paulo, Jean Gorinchteyn pra responder a primeira parte da sua pergunta, a segunda parte será respondida pelo Dimas Covas.

JEAN GORINCHTEYN, SECRETÁRIO DA SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Os estudos científicos, eles mostraram para definir a eficácia e a segurança das vacinas, um período de duas doses, consagrado entre, o intervalo entre eles, que pode ser de 14 a 28 dias, o que se definiu que os estudos mostraram e que, inclusive, foi ontem revelado pela própria Anvisa, que ao invés de 21, 28 dias, eu aumento mais a minha eficácia, passando a atingir níveis próximos a 70%, e é exatamente baseado nisso, nós vamos continuar consagrando a ciência também na aplicação das vacinas, as vacinas, pelos estudos, mostram a necessidade de duas doses, duas doses essas que serão intervaladas em 28 dias para permitir uma maior eficácia na proteção, é assim que conseguiremos proteger a nossa população.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Jean. Dimas.

DIMAS COVAS, DIRETOR DO INSTITUTO BUTANTAN: Bem, a resposta é [ininteligível], quer dizer, quanto mais rapidamente essa matéria estiver liberada, melhor pra todos, inclusive pra China, né, que tem nesse momento um protagonismo mundial em relação a esse anúncio, que foi feito ontem aqui pelo Brasil.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Dimas, obrigado, Jean. Ana, muito obrigado pela sua participação, continue aqui acompanhando a coletiva, vamos agora pra CNN Brasil, com a jornalista Bruna Macedo. Bruna, bem-vinda, boa tarde, sua pergunta, por favor.

BRUNA MACEDO, REPÓRTER: Boa tarde, governador, boa tarde a todos, a minha pergunta é com relação aos pedidos, anteriormente, lá no início, quando se falava em pedido pra Anvisa, a gente falava em dois pedidos, o do uso emergencial e do registro definitivo da CoronaVac, o emergencial conseguimos, eu queria saber o que falta pra gente passar pra essa segunda etapa, que é do pedido do registro formal da CoronaVac. Obrigada.

DIMAS COVAS, DIRETOR DO INSTITUTO BUTANTAN: Bruna, quem faz o pedido e registro é a Sinovac, quer dizer, nós acompanhamos o pedido da Sinovac, porque a medida que ele é feito na agência chinesa, imediatamente ele é feito aqui também, na Anvisa, então, isso depende da Sinovac, ela já recebeu os resultados dos estudos clínicos, e imagino que ela tenha todo interesse em fazer isso o mais rapidamente possível.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Dimas. Bruna Macedo, da CNN, muito obrigado. Vamos agora para o SBT, com a jornalista Flávia Travassos, Flávia, bem-vinda mais uma vez, ela vai ajustar o microfone pra você. Vai higienizar também. Pronto.

FLÁVIA TRAVASSOS, REPÓRTER: Boa tarde ao senhor, boa tarde a todos. Em relação a esse segundo lote de quatro milhões e 800 mil doses, essas doses serão produzidas aqui em São Paulo ou alguma coisa vem pronta, porque preocupa a informação de que o governo chinês tá demorando um pouco pra liberar esses insumos, existe o risco de haver um atraso na produção e, consequentemente, um atraso na imunização do povo brasileiro? E, outra pergunta, governador, em relação a eficácia da vacina, a gente ainda ouve na rua muita gente preocupada aí com esses 50%, enfim, já foi especificado que não há problema, mas a Astrazeneca, por exemplo, apresentou 70%, o que dizer pra essas pessoas que ainda estão preocupadas? A aprovação da Anvisa é claramente a liberação dessa eficácia?

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Flávia, Dr. Dimas Covas responderá as duas, mas percebi que você quer ser colega do nosso William Cury, no pagamento da multa por mais uma pergunta, mas não tem problema, o Dr. Dimas vai responder, mas eu quero só antecipar do ponto de vista, como jornalista que sou, ontem a transmissão ao vivo, por vários canais de televisão, durante toda a manifestação da Anvisa, deu um grau de audiência jamais visto no país, naquela faixa horário, no horário vespertino, num programa como este, aliás, nenhum programa, porque foram cinco emissoras de televisão transmitindo ao vivo, isso ajudou, evidentemente, mesmo apartando a linguagem técnica, ficou muito clara a eficácia da vacina do Butantan, da CoronaVac, a segurança da vacina, e na sequência também o número de entrevistas feitas com médicos independentes, cientistas independentes, atestando a eficácia e a segurança da vacina do Butantan, assim como da vacina Astrazeneca, a vacina de Oxford também, mas, mesmo assim, cabe na resposta do Dr. Dimas Covas. A produção e eficácia.

DIMAS COVAS, DIRETOR DO INSTITUTO BUTANTAN: Começando pela eficácia, Flávia, quer dizer, ontem nós fomos brindados, né, pelos técnicos da Anvisa, estatísticos da Anvisa, que acabaram dando uma aula, né, sobre cálculo da eficácia, né, então, eu acho que foi muito didático a apresentação, e ele mesmo mencionou que a eficácia é um dado relativo, né, e que deu vários exemplos, inclusive de possíveis cálculos, né, inclusive apresentou a forma de você fazer isso por estudos clínicos, né, então, por exemplo, no caso da vacina Fiocruz, né, um conjunto de quatro estudos clínicos, né, com eficácias diferentes, no nosso caso, nós apresentamos um estudo clínico, né, que foi feito no Brasil, mas a vacina, ela tem mais pelo menos três estudos clínicos em andamento, um estudo clínico na Turquia apresentou uma eficácia na população geral de 91%, ou seja, então é um pouco diferente, né, do que foi encontrado aqui como eficácia geral de 50.4%. Ontem mesmo, a Sinovac deu uma notícia, já usando os nossos dados, os dados do nosso estudo, que o esquema de 0 a 28 dias leva a uma eficácia de 70%. Ou seja, é o mesmo estudo, quer dizer, 0 a 14 dias, eficácia geral de 50.4%. No mesmo estudo, de 0 a 28%, 70% de eficácia. Isso só pra mostrar que não existe um número mágico e que carimba uma vacina com uma eficácia. Então, tem que se considerar todos esses fatores, e o importante de todas as vacinas é a eficácia clínica, quer dizer: a eficácia clínica de 78% dos casos leves e 100% dos casos graves e moderados é o que importa nesse momento. Com relação aos quantitativos, quer dizer, esses quatro milhões que eu anunciei já estão prontos. Nós ainda temos em andamento mais um lote, que pode ser terminado na quarta-feira, totalizando os 4,8 milhões. E o registro, o pedido de uso emergencial, para esses lotes e para os que serão produzidos a partir da matéria prima. Preocupa, sim, a chegada da matéria prima, essa matéria prima precisa chegar para não parar o processo de produção, e esperamos que isso aconteça muito rapidamente, porque, se chegar antes do fim desse mês, nós manteremos o cronograma de entrega de vacinas. Ok?

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Dr. Dimas. E Flávia, o Dr. Jean Gorinchteyn, como infectologista que é, vai se manifestar também em relação à sua segunda pergunta. Jean.

JEAN GORINCHTEYN, SECRETÁRIO ESTADUAL DE SAÚDE DE SÃO PAULO: É preciso reforçar com relação à eficácia dessa vacina. No grupo que foi estudado, ninguém teve forma grave, nem moderada. Não precisou internar e não morreu. Isso é maravilhoso. Olha que nós estamos vendo o número de pessoas internando e morrendo, então isso, no ponto de vista de saúde pública, é fundamental. Aquelas pessoas que tomaram a vacina e sentiram sintomas muito leves, uma dorzinha de garganta, um nariz entupido, e que não precisaram tomar medicação, foi 50%, 50% não sentiu nada, os outros 50% falaram: uma dorzinha de garganta, um nariz escorrendo, e não precisaram tomar medicação. Quando nós vimos casos leves, que precisaram de medicação, é aquele que tomou, a dorzinha... Acho que eu vou tomar uma medicação. Esse, teve 78% de proteção, portanto 22% precisaram tomar alguma medicação sem precisar internar. Então, é isso que nós precisamos: transformar uma doença que mata em sintomas levíssimos, que eventualmente possam precisar tomar medicação em casa, e não no hospital.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Jean, obrigado. Flávia, muito obrigado pelas perguntas. Vamos à penúltima intervenção de hoje, que é da TV Cultura, jornalista Adriana Cimino (F). Adriana, mais uma vez, boa tarde, sua pergunta, por favor.

REPÓRTER: Boa tarde a todos. A minha pergunta também é referente às autorizações da Anvisa. Ontem então nós tivemos a autorização para uso emergencial, dessas seis milhões de doses, que vieram prontas da China. Hoje, vocês deram entrada para o pedido de uso emergencial de mais quatro milhões de doses, que foram feitas aqui, mas com insumos chineses. Eu gostaria de saber se existe mais alguma autorização que precisará ser feita, a partir do momento em que o Instituto Butantan estiver apto a produzir toda a matéria prima aqui no Brasil.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Adriana. Dimas.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: Adriana, não. Esse pedido já permite então a produção sequencial das doses aqui no Butantan, e por isso que nós precisamos disso o mais rapidamente possível. Com a autorização, já estaríamos colocando à disposição quatro milhões de doses.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Dimas. Adriana, obrigado pela pergunta. Vamos agora à última intervenção de hoje, que é do Portal UOL, com o jornalista Leonardo Martins. Leo, obrigado pela sua presença mais uma vez, pode ajustar o microfone. Pronto, sua pergunta, por favor.

REPÓRTER: Obrigado, governador, boa tarde.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Boa tarde.

REPÓRTER: Boa tarde a todos. Governador, o meu primeiro é um pedido, logo não conta como uma primeira pergunta, note. Eu queria que o senhor atualizasse todo o Estado de São Paulo sobre o calendário de vacinação, com as mudanças impostas pelas vacinas que o Ministério da Saúde acabou solicitando. Quais são essas mudanças? E a minha pergunta é ao Dr. Dimas Covas. Doutor, esses insumos que a China vai mandar pra gente, o que são esses insumos? São litros de vacina? De que forma eles vêm? Quantas vacinas eles geram? E também o Governo Federal, na figura do presidente Jair Bolsonaro e seus filhos, do 01 ao 04, tratam a China de uma maneira pouco cortês, pouco aprazível, digamos assim. Isso atrapalha a autorização do governo chinês pra nós?

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Nós vamos começar... São duas perguntas. Com o Dr. Dimas e, na sequência, a Regiane de Paula, sobre o programa de imunização aqui em São Paulo. Dimas.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: Bem, essa segunda pergunta, última pergunta sua, as duas vacinas aprovadas ontem... Quer dizer, elas precisam de insumos importados. No nosso caso, nós fizemos as seis milhões prontas e hoje entramos com os pedidos suplementares para o que for produzido no Butantan. A outra vacina, que é a vacina da Astrazenica, Fiocruz, o pedido ontem foi de dois milhões de vacinas produzidos na Índia, e eles dependem também de chegada de matéria prima da China para iniciar o processo de produção. Quer dizer, a Fiocruz ainda não iniciou o seu processo de produção, então depende dessa matéria prima, que também tem que vir da China. As duas matérias primas virão da China e, portanto, precisam de ter a autorização do governo chinês. Acho que, nesse momento, isso iguala, porque as duas vacinas é que serão o suporte do programa nacional de imunização. Então o governo, sem dúvida nenhuma, tem que se preocupar com essa relação com a China, para poder avaliar ou avalizar a chegada dessa matéria prima, ok?

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: E Leo, antes de passar à Regiane... A de insumos... Eu não tinha entendido essa primeira--

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: Ah, sim, desculpa, faltou uma. Quer dizer, o que é que vem? São litros, litros de vacina, concentradas, e aí aqui elas são transformadas em doses, em frascos, ok? Mil litros dão origem a aproximadamente um milhão de doses, ok?

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Ok, agora completado e respondido. E antes de passar à Regiane, sobre o programa de imunização, eu queria dizer a você, Leonardo, e aos que nos assistem, aos jornalistas aqui também, por óbvio, que se o presidente Jair Bolsonaro parar de falar mal da China, e os seus filhos pararem de falar mal da China, isso já ajuda bastante, pois os insumos da vacina da Astrazenica são produzidos na China, os insumos da vacina do Butantan são produzidos na China, e são as duas únicas vacinas aprovadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a Anvisa. Pelo menos, se não atrapalhar, já é uma ajuda. Regiane.

REGIANE DE PAULA, COORDENADORA DO CONTROLE DE DOENÇAS: Obrigada, governador. O programa nacional de imunização incorporou a Coronavac em seu programa. Portanto, nós, no Estado de São Paulo, seguimos com o programa nacional de imunização. Era isso que o governador gostaria que acontecesse, e aconteceu. O calendário então será o calendário de acordo com aquele que está preconizado pelo programa nacional de imunização, que não muda muito o que nós estávamos fazendo, porque nós já tínhamos, sempre olhando o que estava possível de ser feito pelo programa nacional. Então, neste momento, profissionais da saúde, principalmente aqueles que estão na linha de frente, as pessoas institucionalizadas em instituições de longa permanência, idosos com mais de 60 anos e indígenas. Nós estamos trabalhando nessa mesma frente, junto ao programa nacional de imunização. O que mudou pra nós? Foi, claro, a esperança que veio ontem, com o início do programa, ao invés do dia 25, no dia 17, proporcionando que a gente vacine muito mais rapidamente aqui no Estado de São Paulo. Mas continuamos trabalhando junto ao programa nacional de imunização e ao Ministério da Saúde. Sempre foi uma prerrogativa do Estado de São Paulo.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Regiane, muito obrigado. Leonardo, obrigado pela sua intervenção. Ao término da coletiva de hoje, lembramos que, na próxima quarta-feira, estaremos aqui, no mesmo horário, 12h45. Hoje é um dia de esperança. Espero que um dia de paz, já que temos vacina, finalmente, no Brasil, a vacina do Butantan, a vacina do Brasil, e nós esperamos que isso sirva de lição aos negacionistas, aos terraplanistas e àqueles que preferem fazer o terrorismo na internet ao invés de compreender a importância do Brasil finalmente ter uma vacina. As pessoas de bem, que representam a maioria desse país, compreendem a importância de termos uma vacina, uma vacina que salva. Uma boa tarde a todos, por favor, continuem usando máscaras, façam distanciamento, utilizem álcool em gel e não aceitem e não participem de aglomerações. Obrigado, boa tarde a todos.