Coletiva - Doria sobrevoa áreas atingidas por chuva na Baixada Santista e determina força-tarefa 20200303

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Coletiva - Doria sobrevoa áreas atingidas por chuva na Baixada Santista e determina força-tarefa

Local: Capital - Data: Março 03/03/2020

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JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Pessoal, boa tarde. Eu queria antes de tudo, me solidarizar com a população da Baixada Santista, com os prefeitos da Baixada, nós temos três prefeitos aqui presentes, começando pelo Paulo Barbosa, que nos anfitriona, prefeito de Santos. Alberto Mourão, prefeito de Praia Grande. O Ademário Silva, prefeito de Cubatão. Mas a nossa solidariedade é à todas as cidades da Baixada. Eu queria citar especificamente São Vicente e Guarujá. Eu sobrevoei com o helicóptero da Polícia Militar toda essa região, todas as áreas que foram afetadas, fotografamos, filmamos, fiquei bastante chocado com o volume dos desabamentos de terra, e os riscos ainda iminentes em várias das áreas. Orientamos a Defesa Civil, a Polícia Militar, o Corpo de Bombeiros do estado, e também as forças da Defesa Civil aqui da Baixada, para que atuem junto com a Polícia Militar, a Guarda Metropolitana para a imediata retirada e o abrigamento dessas pessoas que ainda estão sob risco. Me impressiona muito, porque teremos ainda chuvas até quinta-feira, de acordo com a metodologia, e o risco de novos desabamentos existe. Então as pessoas têm que aceitar a orientação da Defesa Civil, da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros, e saírem imediatamente das suas casas para, ou se tiverem outra residência, outro ponto provisoriamente, senão aos abrigos fornecidos pelas prefeituras municipais, de Santos, de São Vicente e do Guarujá. Também juntamente com o secretário de Habitação, Flávio Amary, disponibilizamos recursos para o aluguel social, juntamente com as prefeituras, o governo do estado participa com 50% do valor, as prefeituras que tem destinação dos recursos com outro 50%, para tantos quantos forem necessários para terem acolhimento e abrigo enquanto recuperam as suas casas, ou terão um outro destino, muitas dessas casas são irrecuperáveis, ou não são recomendadas que sejam ocupadas. Enquanto isso, enquanto for necessário, nós faremos o aluguel social compartilhadamente com as prefeituras. Tivemos um volume de chuvas nas últimas 12 horas até às 6h da manhã de hoje, equivalente praticamente à expectativa de um mês todo, algo fora do comum. Aliás, eu quero registrar que fenômenos climáticos estão se abatendo sobre toda essa região Sudeste do país em volumes nunca antes atingidos. São Paulo, a região metropolitana, a Baixada Santista, o estado do Espírito Santo, o Rio de Janeiro e Minas Gerais são os estados mais afetados, isso demonstra claramente que a mudança climática ela é aguda e exige atenção de governos, e respeito pelas necessárias medidas restritivas que se impõe, dado as mudanças climáticas. Então não é uma questão pontual, circunstancial de uma ou duas cidades, é um problema muito maior que precisa ser enfrentado, e o Brasil precisa ter atenção a isso. Não estou aqui classificando, culpando, ou desejando aqui estigmatizar quem quer que seja, mas a questão climática é grave, a capital de São Paulo recebeu chuvas, as maiores chuvas e o maior volume pluviométrico dos últimos 77 anos. Isso não é normal. Meio o Rio de Janeiro, ontem e anteontem vocês viram, a cidade do Rio de Janeiro, e outras cidades da Baixada Fluminense, também sobre o sofrimento de chuvas intensas. Já ocorreu também no Espírito Santo em várias cidades. Minas Gerais igualmente. E aqui no estado de São Paulo infelizmente vem ocorrendo. Medidas preventivas estão sendo adotadas com a Defesa Civil, a Defesa Civil está bem preparada no estado de São Paulo, quero registrar também a Defesa Civil das cidades aqui da Baixada, ela está treinada, preparada e bem articulada com a Defesa Civil estadual. Isso vale também para os Bombeiros, Polícia Militar, e as Guardas Municipais. Nós tivemos até o presente momento confirmado 11 óbitos, sendo um bombeiro, me solidarizo também com o Corpo de Bombeiro, da Polícia Militar do estado de São Paulo, é um herói que perdeu a sua vida tentando salvar vidas, e com as famílias das dez pessoas que perderam os seus entes queridos nesses desabamentos nas chuvas desta madrugada. Temos dois desaparecidos, um cidadão no Guarujá, e um bombeiro, que não foram ainda encontrados, as buscas ainda prosseguem pela Defesa Civil e pelo Corpo de Bombeiro. Destinamos quatro toneladas de alimentos que serão distribuídas pela Defesa Civil, assim como água mineral em abundância, para atender essa população que sofreu consequências dos desabamentos no Guarujá, em São Vicente e aqui em Santos. E quero também fazer um apelo para a comunidade, aqueles que puderem e quiserem se solidarizar com os seus entes, com os seus amigos, ou a solidariedade a quem mais precisa, podem fazer doação de água mineral, colchoes novos, e itens de higiene pessoal. A forma de fornecer e entregar é através do Fundo Social, ou da Defesa Civil de Santos, do Guarujá, e da Praia Grande. Repito, a solidariedade daqueles que puderem cooperar, empresários, comerciantes, pessoas físicas que queiram ajudar, toda ajuda é bem-vinda, e fundamentalmente classificada para água mineral, colchoes novos, e também itens de higiene pessoal. E o destino é ou Fundo Social de Santos, Guarujá, e São Vicente, ou a Defesa Civil de cada uma dessas cidades. Eram essas as informações que eu tinha a prestar a vocês, ficaremos à disposição para algumas perguntas, nós vamos considerar cindo perguntas que queiram fazer, basta levantar a mão, dizer qual é o seu veículo de comunicação, a quem dirige a pergunta e a pergunta. Eu estou acompanhado aqui, do João Octaviano, o nosso secretário de Transportes e Logística. Eu vou pedir até ao João que fale sobre o tema das estradas, que não há a gravidade do desaparecimento de pessoas, mas também uma informação sobre a acessibilidade à região aqui da Baixada Santista. João, se puder dar uma palavra, agradeço.

JOÃO OCTAVIANO, SECRETÁRIO DE TRANSPORTES E LOGÍSTICA DO ESTADO DE SÃO PAULO: Governador, bom dia. Bom dia, a todos. Tivemos aí como vocês viram na parte da manhã, duas interdições na Anchieta, logo na entrada, e depois na pista de subida. Tivemos uma interdição também na Cônigo Domênico Rangoni, e lá uma questão de alagamento, e depois mais à frente, no 254, tivemos lá também um escorregamento que foi bastante crítico. Aqui na região entre Bertioga e o Guarujá, na SP-061, fizemos uma interdição por conta de árvore que caiu e levou a fiação elétrica, e demandou ali o desligamento da rede. No trecho de Bertioga tivemos três interdições, todas já estão superadas. Temos em Bertioga três áreas parciais, e o 254, na Domênico Rangoni está com o acostamento liberado, e a 061 está sendo liberada nesse momento. Então não há mais nenhuma limitação, e segundo orientação do governador, nós reforçamos as balsas aqui para que a gente pudesse ter o Santos/Guarujá garantido aqui, sem precisar do contorno pela Domênico Rangoni.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado. Sobre abastecimento de água, o abastecimento de água segue regularizado, normal, apenas uma interrupção momentânea no Guarujá, está aqui o Borsari da Sabesp, vou pedir a você vir aqui. Especificamente em uma área do Guarujá, em todas as demais áreas, o funcionamento, o abastecimento de água, assim como serviço de saneamento, vêm funcionando regularmente. A área afeta é?

RICARDO DARUIZ BORSARI, DIRETOR DE SISTEMAS REGIONAIS: Nós estivemos lá na [Ininteligível] de Ubatuba a inundação da nossa casa de bombas, queimou quatro motores importantes, nós estamos fazendo a substituição. Mas estamos conseguindo trabalhar com os outros reservatórios no sentido de manter um certo abastecimento, a regularização completa virá para o início desta noite, e no máximo mais tardar na manhã de amanhã. Mas em todos os demais municípios estão sob situação controlada, retomando à normalidade do abastecimento.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Ok, muito obrigado. Então às perguntas.

LUCAS, REPÓRTER: Governador, por gentileza, Lucas [Ininteligível]. Eu queria saber o que pode ser feito, assim, em termos de prevenção para que não se repita uma tragédia dessa?

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Lucas, é difícil você prevenir tragédias dessa natureza, com a quantidade de população que hoje habita nas encostas, eu vi hoje de helicóptero, são centenas de habitações colocadas nas encostas, todas elas irregulares, eu tenho certeza absoluta que não há nenhuma moradia em uma encosta regular. Ou seja, é um trabalho de longo prazo, não é um trabalho de curto prazo, há que se providenciar moradias populares, retirar essas pessoas das encostas e colocá-las em áreas seguras. O fenômeno da natureza, a intensidade de chuvas vem se ampliando, ano a ano as tragédias com a intensidade de chuvas ocorrem, aliás, não é só no Brasil, em outras áreas do mundo também, até no mundo civilizado nos Estados Unidos da América, o sofrimento advindo disso. Então o controle climático vai exigir solidariedade mundial, para que o número de emissões se reduza, e haja compreensão de que a mudança climática afeta diretamente a vida e a existência das pessoas também. Em outras áreas, estou aqui me referindo mais à região da Baixada, já que você dirige dois veículos daqui, ou edita dois veículos daqui, aqui é a retirada gradual das pessoas que estão nas encostas, medidas preventivas e orientativas por parte da Defesa Civil, das guardas municipais, da Polícia Militar e dos Bombeiros. E em outras áreas, que não é o caso específico aqui da Baixada, são os piscinões, que é uma obra estruturante, mas isso não é o tema específico aqui da Baixada. Vamos à próxima.

REPÓRTER: Governador, a gente está ao vivo na TV Baixada Santista. O senhor falou em aluguel, e também de tirar as pessoas. Não existe um levantamento de quantas pessoas devem ser desalojadas? Para onde essas pessoas vão ser levadas, como vai ser feito esse recondicionamento dessas pessoas?

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Bem, o levantamento está sendo feito gradualmente, porque há pessoas que estão se apresentando agora nesta manhã, e que estão desalojadas. E eu quero repetir, há riscos de mais desabamentos ao longo dos dois próximos dias, não vamos aqui disfarçar a realidade, teremos chuvas intensas nos próximos dois dias, e a Defesa Civil está orientada a determinar que as pessoas saiam das casas onde há risco de desabamento, a pessoa tem que compreender que entre a opção de viver e a opção de ficar na sua casa e correr o risco de padecer, é melhor seguir a orientação da Defesa Civil, que tem também o apoio do IPT, o Instituto de Pesquisas Tecnológicas, e o Instituto de Geologia do estado de São Paulo, porque eles identificam com clareza as áreas de risco. E eu vou pedir ao Walter Nyakas, que é o secretário da Casa Militar, e o secretário da Defesa Civil, para responder a segunda parte da sua pergunta. Coronel Nyakas.

REPÓRTER: Queria quantidade, já existe um número previsto? Eu sei que ainda é cedo, [Ininteligível], mas já existe um número?

WALTER NYAKAS, SECRETÁRIO DA CASA MILITAR E O SECRETÁRIO DA DEFESA CIVIL: Então, como o governador falou, a ocorrência está sendo atendida, nós estamos em pleno atendimento emergencial. Então a Defesa Civil do município está no local desses deslizamentos fazendo esses levantamentos. A Defesa Civil do município está catalogando essas pessoas junto com a Secretaria de Assistência social, para removê-la para os abrigos que a prefeitura está estabelecendo para essa movimentação.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Os abrigos já existem, são abrigos aí, o prefeito de Santos pode falar a respeito, Paulo Barbosa, que está aqui ao meu lado. Também no Guarujá já existem abrigos, eu não tenho notícia especificamente de São Vicente, mas imagino que sim, porque são coisas temporárias, o abrigo é temporário, não é definitivo. O que será definitivo é o aluguel social, onde o estado junto com o município, paga o aluguel de uma casa ou de um apartamento, chamado aluguel social, para que as pessoas e os seus familiares possam se alojar pelo tempo que for necessário, até que tenha uma possibilidade de reestabelecimento das suas casas, ou na área atingida, ou se isso não for possível, em uma nova propriedade. Até que isso aconteça elas serão amparadas pelo aluguel social. Paulo.

REPÓRTER: Governador, é que tem um problema com os números aqui, o número dos Bombeiros não tá batendo com o número que o senhor falou.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Qual deles?

REPÓRTER: Eles estão dizendo agora, 12h40min, [Ininteligível], 12 mortes, 46 desaparecidos, eles continuam com o número de 46 desaparecidos.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Pedro, eu falei até o meio dia, os números que eu tinha era até o meio dia. Prevalece o número dos Bombeiros, evidentemente, um número atualizado prevalece ao número que eu estou dizendo aqui, por óbvio. É isso?

REPÓRTER: Mas esse número, a Defesa Civil também tem esse número?

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Não, o número é comum, apenas a minha atualização era até o meio dia, agora nós já estamos dez para 13h.

ORADORA NÃO IDENTIFICADO: O governo de São Paulo vai atualizar de hora em hora, então eu acredito que vocês daqui a 20 minutos tenham o número atualizado.

WALTER NYAKAS, SECRETÁRIO DA CASA MILITAR E O SECRETÁRIO DA DEFESA CIVIL: A ocorrência está em andamento, acho que nós temos duas prioridades nesse momento, primeiro o acolhimento das famílias vitimizadas que estão desalojadas, acolhê-las nos abrigos da prefeitura, contando com o apoio da Defesa Civil disponibilizando mantimentos, suprindo a necessidade dessas famílias, esse é o objetivo nesse momento. E contando também com os técnicos do IG, da Defesa Civil, vistoriando os locais para evitar novas ocorrências. Acho que a ênfase aqui, o importante aqui, as famílias possam respeitar as orientações da Defesa Civil, tem técnicos preparados e qualificados para identificar área de risco, para que nós possamos evitar novas ocorrências. Esse é o objetivo, preservar vidas, acolher quem foi vitimizado, e preservar vidas com as medidas que estão sendo adotadas pelos técnicos que estão no atendimento das ocorrências. Acho que esses são os dois focos principais da atuação da prefeitura junto com o estado.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Paulo. Só um minutinho, eu já pedi do Coronel Nyakas para confirmar o número atualizado agora às 12h50min, o número de vítimas e de desaparecidos, em mais dois minutos nós teremos essa informação. Enquanto isso nós vamos a mais três perguntas.

MATEUS MEIRELLES, REPÓRTER: Mateus Meirelles, da Rádio CBN. A pergunta para o senhor e para os prefeitos. A questão das moradias irregulares em encostas é muito antiga, por que há tanta dificuldade para retirada dessas pessoas em período de seca, períodos anteriores aos períodos de chuva, aos quais a sabe que normalmente esse tipo de tragédia acontece?

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Mateus, esse é um tema iminentemente municipal, evidentemente que o governo do estado de São Paulo não se ausenta e não se exime de responsabilidade, e nem de atitude, sobretudo, eu. Mas é um tema, como eu já fui prefeito, eu posso lhe afirmar, é um tema de ordem municipal, vou pedir ao Paulo Barbosa, prefeito de Santos que possa responder.

PAULO BARBOSA, PREFEITO DE SANTOS: Nós temos um plano da Defesa Civil, mapeamento, inclusive com as áreas de risco. E quando há esse mapeamento de situação de risco, a recomendação da Defesa Civil, da prefeitura, dos técnicos, é que essas pessoas possam sair desses locais. Infelizmente nem sempre as orientações são atendidas, e as pessoas permanecem. Agora o que está em jogo é a vida das pessoas. Então o importante é reforçar isso no sentido de que as famílias possam sair obedecendo a orientação da Defesa Civil. Quanto à novas habitações, evidente que há a necessidade e fortalecer políticas habitacionais, nós temos limitação de área no município de Santos, temos parcerias em andamento, nós estamos construindo nesse momento o maior conjunto habitacional da história da cidade de Santos, Tancredo Neves, 3.120 unidades habitacionais, parceria do estado, e também do Governo Federal. Estamos construindo o conjunto Santos R, lá no Moro da Nova Cintra, investimento do governo do estado e do CDHU, que é o primeiro conjunto feito para as famílias em área de risco no Morro de Santos. Primeiro empreendimento que está sendo feito destinado à essas famílias, inclusive que foram vitimizadas. Então nós temos vários projetos em curso, e obviamente que mais investimentos, mais projetos, e mais recursos são bem-vindos e necessários. Também recebi o telefonema do ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, que está encaminhando aqui ao secretário nacional da Defesa Civil, para que nós possamos aí juntos dentro de uma boa parceria republicana avançar nas demandas que são necessárias imediatas, e também nas de médio e longo prazo, que são esses projetos habitacionais necessários.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, prefeito. Obrigado, Mateus. Vamos mais a duas perguntas.

REPÓRTER: O fato de durante essas buscas ter morrido um Bombeiro, ter um Bombeiro desaparecido, isso preocupa o senhor, governador? Quer dizer, isso mostra alguma dificuldade mais significativa na hora dos Bombeiros executarem o trabalho deles, que pode inclusive ser o termômetro dos próximos dias de chuva? Quer dizer, o fato desses Bombeiros terem sido vítimas dessa própria tragédia, quem deveria resgatar as pessoas, não é uma informação bastante alarmante?

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: É, eu não diria alarmante, preocupante, obviamente são profissionais treinados, o Corpo de Bombeiro do estado de São Paulo é a melhor corporação de Bombeiros do país, a mais bem treinada, a mais bem qualificada, os oficiais do Corpo de Bombeiros do estado de São Paulo recebem treinamento no exterior, inclusive, na Inglaterra, nos Estados Unidos, especialmente no Japão, que é um país mais, eu diria, afetado por tragédias, incêndios, situações de terremotos. E o mesmo a Defesa Civil. Mas em uma circunstância, esses que já são heróis no dia a dia, muitas vezes, pagam com as suas vidas, não é a primeira vez, eu gostaria que nunca tivesse ocorrido, que nenhuma vida se perdesse, nem de oficiais, nem de Bombeiros, e muito menos das pessoas, mas são circunstâncias que acontecem, nós lamentamos bastante, e nos solidarizamos com os familiares do Bombeiro que já está em óbito, do outro que ainda não se confirma o óbito, obviamente, assim como temos uma pessoa desaparecida, sempre há esperança. Mais uma última pergunta?

REPÓRTER: As pessoas têm reclamado bastante que no momento...

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Qual é o seu veículo? Você não falou.

REPÓRTER: Santa Cecília TV. No momento desses alagamentos tem acontecido alguns crimes, arrastões, principalmente perto da Alemoa. Já que está prevista chuva para os próximos dias, tem algum esquema de segurança montado para evitar que isso ocorra novamente?

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Coronel Rogério, sim, o governo do estado de São Paulo tem pela Polícia Militar, Coronel, programas de contingenciamento para circunstâncias como essa que exigem um policiamento redobrado, inclusive com os Águias da Polícia Militar, com a DronePol, e a presença também da polícia. O que é lamentável é que em circunstâncias como essa de tragédia tenham pessoas com a maldade colocada no limite para assaltar aqueles que são vítimas de uma circunstância como essa. Já perderam quase tudo e o pouco que tem, ainda são vítimas de assaltantes e criminosos. Mas para isso nós temos a Polícia Militar, o Coronel Rogério pode complementar a pergunta da repórter da TV Santa Cecília.

CORONEL ROGÉRIO, POLÍCIA MILITAR: Nós estamos com o Batalhão de Ações Especiais de Polícia já reforçando as áreas em que pode haver alagamento. Temos ponto de estacionamento, tanto no Batalhão de São Vicente, quanto em Santos, e Guarujá, inclusive com botes do 2º Batalhão de Ações Especiais de Polícia pronto para atuação, caso o nível de água fique muito alto. Nós temos um caso confirmado de roubo ontem, em Alemoa, apenas um caso, ocorreram alguns casos de moradores colocarem lixeiras, objetos nas ruas, isso foi confundido com o asfalto, as pessoas colocaram esses objetos para evitar que os carros fizessem marola jogando água em suas casas. Então isso foi confirmado ontem, nós temos um caso de roubo confirmado nessa circunstância apenas.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Olha, nós vamos então para a última pergunta, de fato, peço desculpas. Seu veículo, e a quem você dirige a sua pergunta.

ARIANE, REPÓRTER: [Ininteligível] do Grupo Tribuna. Ontem a gente sabe que foi uma situação atípica pelo volume de água que caiu, principalmente na praia, foi uma situação que a gente não está acostumado a ver. Mas a gente sabe que diante das chuvas que vem acontecendo nos últimos meses, mesmo com as obras na entrada da cidade, a situação tem sido bem caótica tanto na via Anchieta, na chegada a Santos, como na Avenida Martins Fontes, e também na Nossa Senhora de Fátima que hoje mais uma vez ficou inacessível. A gente sabe que o trabalho está sendo feito, mesmo assim ontem muitos moradores ficaram por muitas horas, e isso vem acontecendo sempre quando chove. Existe algum plano de ação imediato para que por conta dessas chuvas que estão por vir nos próximos dias, para evitar que novas tragédias aconteçam como aconteceu ontem?

PAULO BARBOSA, PREFEITO DE SANTOS: Sim, é muito importante que você mesmo está reconhecendo o trabalho que está sendo feito, porque nós estamos fazendo o maior programa de macrodrenagem da história da cidade de Santos, obras estão em andamento para resolver esse problema, obra, execução. É o que a gente está fazendo na entrada da cidade, Martins Pontes, Nossa Senhora de Fátima, são obras importantes, nós temos uma rede de drenagem de 80 a 90 anos que nunca foi trocada, nunca foi mexida, estamos trocando por galerias. E quando vai funcionar isso? Quando o conjunto de obras estiverem concluídos. Essas obras envolvem troca das galerias. Iniciamos uma interdição na segunda-feira, dia 2 de março, justamente para seguir com as obras de drenagem para conectar com a rodovia. E tem uma segunda etapa, o estado também está fazendo a sua parte, e o estado deve aí nesse semestre ainda começar também essa outra etapa, que é justamente o piscinão, estação elevatória, que vai complementar esse conjunto, e solucionar naquele trecho a questão dos alagamentos e das enchentes. Então isso está sendo objeto de prioridade absoluta, que é um programa histórico da cidade, que nós estamos enfrentando e resolvendo com obras importantes. Eu queria só também fazer um registro aqui, aproveitar para concluir, agradecer o empenho, a dedicação dos profissionais, que desde a noite de ontem estão ininterruptamente atuando, acho que não é o momento de ter questionamento nenhum dos profissionais que estão atuando, é o momento de agradecer e de reconhecer o esforço da Defesa Civil, dos Bombeiros, dos policiais que estão colocando a sua própria vida em risco, em áreas delicadas, para salvar vidas, e tem feito isso com bastante êxito. Se não fosse essa atuação, as consequências dessa chuva seriam ainda piores para Santos e para toda a região. Então eu queria fazer esse registro aqui de agradecimento a todos esses profissionais.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, prefeito. Obrigado, Ariane. E aí a última informação, temos agora o boletim atualizado da situação aqui na baixada, infelizmente 12 óbitos, e transmitimos aqui a nossa solidariedade aos familiares dessas 12 pessoas que perderam as suas vidas, inclusive com um Bombeiro da Polícia Militar do estado de São Paulo. Quarenta e seis desaparecidos que estão sendo procurados, oito locais atingidos, sendo quatro em Santos, dois em São Vicente, e dois no Guarujá, são os locais de busca desses desaparecidos. Nós temos nesse exato momento 100 Bombeiros da Polícia Militar trabalhando, mais aqueles da Defesa Civil, mais a Defesa Civil dos municípios, provavelmente com um número superior a 100 pessoas atuando. Portanto, mais de 200 pessoas atuando diretamente. Vinte e nove viaturas e dois helicópteros Águia dando apoio, e dois drones também. De hora em hora haverá aqui mesmo na Prefeitura de Santos, a atualização de informações aos jornalistas, sob a coordenação e o comando do prefeito Paulo Barbosa. Muito obrigado a todos.