Coletiva - Em Serrana, vacina do Butantan faz cair em 95% as mortes e em 80% os casos de COVID-19 20213105

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Coletiva - Em Serrana, vacina do Butantan faz cair em 95% as mortes e em 80% os casos de COVID-19 20213105

Local: Capital – Data: Maio 31/05/2021

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JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Pessoal, muito bom dia, bom dia e boa tarde ao mesmo tempo. Muito obrigado pela presença de todos. Quero registrar, aqui ao nosso lado, nessa coletiva de imprensa, direto do Instituto Butantan, em São Paulo, com Dimas Covas, presidente do Instituto Butantan, aqui ao nosso lado. Igualmente, Marcos Borges, diretor do Hospital Estadual de Serrana, Ricardo Palacios, diretor médico e de pesquisas clínicas do Instituto Butantan, Leonardo Capitelli, prefeito de Serrana, Dr. Sérgio Cimerman, médico infectologista e coordenador científico da Sociedade Brasileira de Infectologia, Esper Kallas, médico infectologista e professor titular da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, Dra. Rosana Richtmann, médica infectologista do Instituto Emílio Ribas, em São Paulo, Jean Gorinchteyn, médico infectologista no Instituto Emílio Ribas e secretário de Saúde do Estado de São Paulo, Patrícia Ellen, secretária de Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo, e Regiane de Paula, coordenadora-geral do Programa Estadual de Imunização, todos aqui presentes a esta coletiva. Obrigado também aos nossos convidados especiais que aqui estão, eu destaco o Dr. José Medina, Medina, muito grato por estar aqui também presente nesta tarde.

Estamos ao vivo pela TV Cultura, BandNews, RecordNews e CNNNews, e também quero agradecer a presença dos jornalistas do jornal O Estado de São Paulo, Folha de São Paulo, O Globo, Portal G1, Portal UOL, TV SBT, TV Record, TV Globo, TV GloboNews, TV Gazeta, Rede TV, Rádio Jovem Pan, Portal IG, Rádio CBN, Rádio Bandeirantes, Rádio Jovem Pan, Rádio BandNews, Rádio Metrópolis... Perdão, Portal Metrópolis e o Jornal Agora, todos aqui presentes ou virtualmente. Também temos os seguintes veículos internacionais, que estão aqui, alguns presencialmente, outros virtualmente, nesse momento. Quero agradecer aos jornalistas correspondentes da ABC News, da Al Jazeera News, da Arabian TV News, da agência Associated Press, da agênia Reuters, da agência chinesa [ininteligível], da agência espanhola F, da agência turca Telan (F), da agência japonesa Kyodo News, da agência Bloomberg, da CGTM International, da China, do [ininteligível], da Alemanha, o jornal El País, da Espanha, [ininteligível] da Alemanha, o jornal Libération, o jornal [ininteligível], ambos da França, NHK, a TV NHK, do Japão, a TBS também, de Tóquio, no Japão, o The Wallstreet Journal e o The Economist, que são os veículos que estão aqui representados, alguns pessoalmente, outros estão virtualmente. A todos, muitíssimo obrigado. Sei que estamos também com transmissão internacional de parte desta coletiva, e eu queria agradecer também aos que, de outros idiomas, aqui nos acompanham.

[Pronunciamento em outro idioma]

O Governo do Estado de São Paulo, através do Instituto Butantan, nos seus 120 anos de prestação de serviços à vida e a ciência, anuncia o resultado da imunização da população de Serrana, no interior do Estado de São Paulo, região de Ribeirão Preto, com a vacina do Butantan. As mortes caíram 95%, as internações recuaram 86% e os casos sintomáticos foram reduzidos em 80%. Estes são os principais resultados do estudo clínico de efetividade, inédito no mundo, batizado de Projeto S, com a coordenação do Instituto Butantan. O Butantan vacinou toda a população adulta da cidade de Serrana, na região de Ribeirão Preto, interior do Estado de São Paulo. O estudo indica também que, com 75% da população-alvo imunizada, com as duas doses da vacina Coronavac, a pandemia foi controlada em Serrana, e isto pode se reproduzir em todo o Brasil. A vacina do Butantan criou um cinturão imunológico de proteção em toda a população da cidade de Serrana, protegendo tanto os adultos que foram vacinados, como também as crianças e adolescentes, que não foram vacinados. Os resultados demonstram, de maneira categórica, o que poderia estar acontecendo no Brasil inteiro, não fosse o atraso na vacinação no Brasil. Demonstra também que só existe um caminho para controlar a pandemia: vacina, vacina e vacina, pra todos os brasileiros. Sobre este estudo, começamos a ouvir pelo Instituto Butantan, a palavra do seu presidente, Dimas Covas. Dimas.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: Boa tarde, governador, boa tarde a todos, boa tarde a todas. Governador, mais um dia na história do Butantan, um dia de muita alegria, um dia que nós anunciamos este importante estudo chamado de Projeto S. E, se o senhor me permite, vou fazer aqui umas pequenas considerações, em relação a esse tipo de estudo. Esse estudo começou a ser planejado em agosto do ano passado, quando a própria literatura mundial questionava se o melhor tipo de estudo durante uma epidemia seriam os estudos clássicos de eficácia, estudos relacionados a vacina. E obviamente que não são, ou não são capazes de dar as respostas que nós esperamos. Quer dizer, os estudos clássicos de fase 3, quando se compara pessoas vacinadas com pessoas que recebem placebo, eles vão determinar, sim, o efeito em relação à doença, em relação à internação, mas eles não determinam qual é o efeito da vacinação em termos da própria pandemia e da própria política de combate à pandemia. Quer dizer, são estudos limitados nesse sentido. Quer dizer, do ponto de vista do combate a uma pandemia, nós queremos saber fundamentalmente qual será o efeito da vacina, se ela vai ter um impacto direto sobre a epidemia, se ela vai diminuir de fato a transmissibilidade, enfim, uma série de perguntas que não seriam respondidas pelo estudo de eficácia. Então, por isso que nós começamos a imaginar se não haveria uma outra forma de abordar e permitir que os resultados de eficiência, aí sim, que é exatamente isso que eu estou dizendo, medir de forma controlada o efeito da vacinação... Isso não havia sido feito até então. Então, é um estudo que nós propusemos, o nome do estudo é um estudo que chama estudo por escalonamento de conglomerados. Vou explicar. Quer dizer, a cidade foi dividida em quatro grandes grupos, e a vacinação foi feita por etapas, em cada um desses grupos, e os resultados foram comparados entre eles. Nós vamos apresentar os detalhes. Com isso, gerou-se um enorme conjunto de dados, que nos permitem hoje entender perfeitamente a dinâmica da pandemia e as formas efetivas de seu controle.

Então, nós começamos lá em agosto, isso demandou aí muito estudo, muito trabalho, muito planejamento. Tivemos que montar um sistema de acompanhamento epidemiológico, foi feito o censo da cidade, foi feito o georreferenciamento de todos os casos, de todos os exames, um acompanhamento através de um aplicativo chamado Tainá, que desenvolvemos. Enfim, Serrana se transformou em um laboratório de estudos epidemiológicos. E isso deve ser um exemplo para o mundo, o mundo não fez nenhum estudo dessa natureza. Os dados que nós temos hoje são dados secundários, quer dizer, sai aí frequentemente dados de Israel, dados do Chile, dados aqui do Brasil, mas são baseados em dados secundários, não são dados primários, não são dados controlados. Essa é a grande diferença, aqui os dados são primários, são dados controlados. Por isso, a coletiva se torna internacional, quer dizer, o Projeto S em si já circulou o mundo inteiro, já foi notícia, e hoje nós temos aqui a grande presença da imprensa internacional, porque eles querem exatamente saber o resultado. Nós envolvemos nesse projeto 600 pessoas. Criamos um centro de monitoramento, estamos acompanhando o município... Quer dizer, o fato de ter terminado essa fase não significa que o projeto terminou, o município será acompanhado durante um ano. Outros projetos poderão inclusive serem realizados lá no município, em função da estrutura que foi montada.

Então, governador, é uma satisfação imensa estar aqui anunciando, satisfação enquanto cientista, porque pessoalmente eu me envolvi em montar esse tipo de estudo, junto com toda a equipe, trouxe a ideia, que era num primeiro momento até... Não, mas como, como? Isso foi feito num curto espaço de tempo. Tivemos dificuldades para que a própria comunidade entendesse a natureza do estudo, mas hoje vai ficar muito claro do que se trata. Estivemos lá na Anvisa, foi levado o estudo na Anvisa, foi aprovado, e espero que agora seja prática. Durante uma epidemia, esse tipo de estudo, ele é fundamental para o desenho e políticas públicas, e é isso que nós vamos ver hoje, com detalhes, aqui, a partir da apresentação dos pesquisadores diretamente envolvidos no projeto. Então, uma alegria imensa, governador, uma alegria imensa, como pesquisador, como cientista e como presidente do Butantan. Obrigado.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito obrigado, Dimas Covas. Antes de passar ao Marcos Borges, que é o diretor do Hospital Estadual de Serrana, que teve um papel preponderante na coordenação local, na cidade de Serrana, quero dizer que também o Portal Terra e o Portal Cidade ON estão ao vivo aqui, do Instituto Butantan. Muito obrigado. E quero também, Dimas, cumprimentar a sua equipe. Eu vejo aqui vários profissionais, cientistas, técnicos, colaboradores do Butantan, que acompanham esta coletiva também. Muito obrigado a todos vocês, cada um de vocês teve um papel muito importante também nessa pesquisa, assim como na pesquisa para o desenvolvimento local da nova fábrica da Coronavac, e especialmente da Butanvac. O Butantan não é só um orgulho de São Paulo, é um orgulho do Brasil. Marcos Borges, diretor do Hospital Estadual de Serrana.

MARCOS BORGES, DIRETOR DO HOSPITAL ESTADUAL DE SERRANA: Alô. Bom, boa tarde a todos, boa tarde, Sr. Governador, boa tarde, Professor Dimas. Eu queria inicialmente agradecer a oportunidade que eu tive de participar desse projeto. Ele foi, como o professor Dimas falou, um projeto único no mundo. Nós tivemos inúmeros desafios, mas a gente conseguiu gerar uma série de dados, que vão ajudar no entendimento e no combate da pandemia. E além disso, fizemos inúmeras amizades, inúmeros amigos, que eu posso cumprimentar a todos aqui. Foi um prazer trabalhar com todos vocês, gente. Obrigado.

Eu vou pedir para apresentar o primeiro slide, por favor. A primeira coisa que eu gostaria de ressaltar, que o professor Dimas falou, para a gente começar o estudo a gente precisou fazer um censo, para saber quantas pessoas moravam em Serrana. Em 2020, a gente tinha uma população estimada em Serrana de 45.644 moradores. Desses, 62,2%, ou seja, 28.380, eram adultos, e é essa nossa população-alvo. Então, é importante que vocês memorizem esse número, porque todos os resultados vão ser baseados nessa população-alvo, que é a população estimada de adultos. Pra desenvolver o projeto nós dividimos a cidade em 25 pequenas áreas, são os clusters, os conglomerados. Essas áreas foram agrupadas em quatro cores: amarelo, verde, cinza e azul. Pra gente começar de uma forma aleatória, o início da vacinação foi sorteada entre essas cores, então nós não escolhemos qual cor ia começar primeiro, nós sorteamos pra que não tivesse nenhum viés. Próximo, por favor. Esse é o período do estudo. Na coluna à esquerda, nós temos as semanas epidemiológica em que o estudo foi feito. Começou na sexta semana epidemiológica e a gente finalizou essa análise parcial na décima nona semana epidemiológica. O primeiro grupo vacinado é o grupo verde, começou na sétima semana epidemiológica no dia 14 de fevereiro. Uma semana após o grupo amarelo, uma semana após o grupo cinza, uma semana após o grupo azul. Daí a gente volta a fazer a segunda dose nos grupos nessa mesma sequência: verde, amarelo, cinza e azul. Como todos sabem, a vacina ela começa a ter um efeito protetor mais significativo a partir da segunda semana da segunda dose. E isso está realçado nas cores, então onde tem a cor verde, amarela, cinza e azul, então a gente espera que os resultados sejam melhores. E aquela linha que a gente tem realçado na décima quarta semana mostra o ponto de corte. Então a comparação da efetividade foi feita antes da décima quarta semana e após a décima quarta semana. E por que nós escolhemos essa data? Porque quando a gente encerrou a vacinação do grupo azul, ou seja, a segunda dose do grupo azul, esse é o nosso ponto de corte. Próximo, por favor. Antes da gente começar o estudo, nós colhemos sorologia, nós fizemos a avaliação imunológica pra saber o percentual dos moradores de Serrana que tinham sido expostos ao vírus, e aí estão os resultados. Então nós temos 25,7% das pessoas, dos moradores de Serrana tinham tido contato por [ininteligível] vírus. Esse percentual variou naqueles clusters que eu comentei, sendo que o menor foi 20% e o maior 32%. E a variabilidade nas cores. Então o grupo verde tinha uma exposição prévia de 22%; grupo amarelo, 24%; grupo cinza, 28% e o grupo azul, 27%. Próximo, por favor. Aí estão os dados da primeira dose da vacinação que a gente chamou de aceitabilidade da primeira vacinação. A gente percebeu que 27.722 pessoas foram vacinadas com a primeira dose. Isso representa 97,7%. Teve uma variação entre os grupos também, o grupo que menor tomou a primeira dose recebeu 71% das pessoas, e o maior 108%. Entre as cores: 95% no verde, 96% no amarelo, 96% no cinza e 101% no azul. Como a gente interpreta esse dado? Que as pessoas aderiram o protocolo, elas quiseram tomar a vacinação, elas não tiveram medo, elas confiaram na instituição Butantan, Hospital Estadual, Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP, e aceitaram participar do projeto de pesquisa. Próximo, por favor. Esses são os dados da segunda vacinação, da segunda dose: 27.160 pessoas receberam a segunda dose. Isso representa 97,9% daqueles que receberam a primeira dose. Por que esse dado é importante? A gente tinha preocupação que as pessoas que tomassem a primeira dose não fossem tomar a segunda, achasse que fosse estar imunizadas e fossem... não seguir o protocolo corretamente. A gente percebeu que isso não aconteceu. Quase 98% das pessoas que tomaram a primeira dose voltaram pra tomar a segunda dose. Mais uma vez, entenderam a importância de duas doses pra imunização, entenderam o papel importante do projeto de pesquisa. E [ininteligível] entre os grupos: 98% do verde, 98% do amarelo, 97% do cinza, 97% do azul. Próximo, por favor. E aqui a cobertura vacinal. Então aqui são aqueles indivíduos que receberam a primeira e a segunda dose. Então, encerrando, 27.160 pessoas receberam as duas doses, ou seja, estavam imunizados. Isso representa uma cobertura vacinal de 95,7%, variando de 69% a 105% entre clusters. Esse resultado ele é muito expressivo. Poucos programas de vacinação do mundo têm um valor tão expressivo quanto esse. Mostra mais uma vez a população quer ser vacinada, a população precisa ser vacinada e tendo vacina disponível ela vai ser vacinada que eles confiam, eles entenderam que essa é a melhor estratégia. De cobertura vacinal entre os grupos, no grupo verde, 94%; amarelo, 94%; cinza, 93%; e o grupo azul, 99%. Próximo, por favor. Vou falar um pouquinho do desfecho de segurança agora. Nós aplicamos 54.882 doses da vacina e nós tivemos 67 eventos adversos graves. Nenhum evento adverso grave relacionado à vacina. O que é evento adverso grave? Qualquer coisa grave que aconteça com a pessoa após que tomou a vacina. Por exemplo, a pessoa tomou a vacina, duas semanas depois bateu o carro, isso é um evento adverso grave, mas não tem nenhuma relação causal com a vacina. Então nenhum evento adverso grave que nós tivemos no estudo foi relacionado com a vacinação. Após a primeira dose, 4,4% de relatos de reações adversas, sendo só 0,02% eventos considerados graus três. Ou seja, podendo interferir alguma coisa com a atividade do dia a dia. Após a segunda dose, 0,2% de relatos de reações adversas e nenhum evento grau três ou superior. Acho que reforça, sem nenhuma dúvida, que a vacina é muito segura. Essa vacina tem muito pouco evento adverso, ela é extremamente segura. Próximo, por favor. Esse dado ele é um dado de segurança ainda, tá? Os dados de efetividade o Dr. Ricardo Palacios vai apresentar um pouco mais pra frente. O que é que esse dado a gente observa? A gente olha os casos de internação e óbitos por Covid entre as pessoas que tomaram a vacina. A gente observa que entre a primeira e a segunda dose nas pessoas acima de 60 anos, nós tivemos 15 internações ou óbitos, ou seja, tínhamos dez internações e cinco óbitos. Nas pessoas abaixo de 60 anos, nós tivemos 26 internações e dois óbitos. Entre a segunda dose e 14 dias após ela, que é aquele período que a pessoa não está totalmente imunizada, as pessoas acima dos 60 anos, tivemos uma internação e um óbito apenas. As pessoas abaixo de 60 anos, só três internações. A partir de 14 dias da segunda dose, nos indivíduos acima de 60 anos, nós não tivemos nenhuma internação e nenhuma mortalidade. E nos abaixo de 60 anos tivemos só duas internações, não tivemos nenhum óbito. Então, mesmo não sendo um dado de efetividade, acho que mostra claramente a importância da vacinação na redução de internação e mortalidade. Acho que eram esses os dados que eu iria apresentar. Eu agradeço novamente a oportunidade de participar desse estudo. Nós vamos seguir aí por mais... até um ano no final do estudo, então provavelmente a gente vai divulgar mais dados no futuro. Muito obrigado.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito obrigado, Marcos Borges, diretor do Hospital Estadual de Serrana e um dos coordenadores desse projeto S, o Projeto Serrana na cidade de Serrana aqui no interior do estado de São Paulo. Vamos ouvir agora, Ricardo Palacios que foi o diretor médico dessa pesquisa clínica, ele que é diretor aqui do Instituto Butantan. Palacios.

RICARDO PALACIOS, DIRETOR DO INSTITUTO BUTANTAN: Bom, muito obrigado a todos. Antes de começar eu quero expressar o meu enorme agradecimento à comunidade de Serrana. Somente porque eles aceitaram ser parte desse estudo e nós estamos gerando esses dados tão importantes para o mundo. Então todos nós estamos em dívida com a população de Serrana que nos estão oferecendo hoje esses resultados. Agora vamos à parte de efetividade. Nesse gráfico nós observamos na barra azul encontramos os números de casos sintomáticos por cem mil habitantes, e na linha vermelha encontramos os casos de hospitalização e óbito nessa mesma proporção. A diferença nessa escala, se vocês veem aqui numa escala até 70, no caso hospitalizações e óbitos, e outra escala é a de 700, entre uma relação de dez a um. Nós também vemos que tem um pico de casos sintomáticos antes da vacinação entre as pessoas... e nesse momento não podiam tomar a vacina e, portanto, eles tinham um aumento desses casos. E na parte debaixo nós vemos o momento que fabrica tanto a vacina um, assinalada pelo V1, ou a vacina dois assinalada pelo V2, em cada um essas semanas epidemiológicas. Quando comparado o período até terminarmos intervenção na semana 14 quando no período posterior, nós encontramos uma redução de casos sintomáticos geral em toda a cidade de Serrana, independentemente das pessoas tomarem ou não tomarem vacina de 80%. O dado de redução de hospitalizações foi de 86% em toda a população e a redução de óbitos foi de 95% em toda a hospitalização. Isto reflete a somatória de efeito direto e indireto da vacina. Eu só quero dizer o efeito direto que as pessoas que recebem a vacina e que, portanto, estão se protegendo, e o efeito indireto que é a redução da transmissão no vírus por causa de que temos pessoas vacinadas na comunidade. Seguinte, por favor. Quando comparados os grupos de vacinados e não vacinados nós temos aqui em verde o grupo vacinado, o grupo vermelho os não vacinados, esse pico inicial como assinalei antes são pessoas não vacinadas que não foram vacinadas justamente por ter apresentado casos de Covid agudo o qual é uma contraindicação relativa da vacinação. Então por isso se vê esse pico diferente, e depois vocês vão vendo uma sincronização dessa epidemia entre grupo de vacinados e não vacinados. O que indica um marcador do efeito indireto. Então o fato de que as pessoas da linha verde que estejam vacinadas reduz também o número de casos entre aqueles que não foram vacinados. E essa é a evidência dessa proteção indireta que tem sido também chamada de imunidade de rebanho, mas eu prefiro utilizar o termo imunidade indireta porque uma forma em que quem recebe a vacina também ajudando a proteger o outro. E por isso a importância de que quem tem a oportunidade de se vacinar o faça, porque não faça só por você, faz pelo outro. Isso mesmo também se vê em relação à hospitalização. Seguinte. E aqui vemos em relação a faixas etárias. As crianças e adolescentes, menor de 18 anos não podia tomar a vacina porque ainda não está aprovada para essa indicação por parte da Agência Regulatória, mas aqui vemos claramente que a redução dos casos entre adultos também é acompanhada de uma redução dos casos entre crianças. Esse dado é extremamente importante porque em outras vacinações quando se implementa por faixa etária, um dos efeitos que pode acontecer é que você vai empurrando a infecção aquelas faixas etárias que não foram vacinadas. Não vimos esse efeito, muito pelo contrário, nós vimos um efeito protetor. Então vacinar os adultos vai criando uma espécie de barreira de proteção, um casulo sobre as crianças. E esse dado é extremamente importante para umas discussões que se está tendo atualmente e é a retomada das aulas, a retomada [ininteligível] escolares. E nós vemos que não será necessário a partir desses dados vacinar as crianças para poder retomar [ininteligível] escolares que são tão importantes, não só quanto à educação, mas também da socialização de nossas crianças e adolescentes. Então é um dado extremamente relevante, aqui vemos também hospitalizações, são muito escassas as hospitalizações nessa faixa etária e também não tiveram nenhum aumento. Seguinte. Para falar em particular, dos mais idosos que nos preocupa enormemente e o que nós vemos aqui o grupo de barras que está em vermelho são pessoas não vacinadas, e o grupo verde pessoas vacinadas, vocês veem também essa diminuição de número de casos. Essa diminuição de número de casos é tão grande que a gente apresenta até o número absoluto, porque são muito pouco casos. E quando a gente vai, inclusive, os mais idosos, maiores de 80 anos, você vê que é ainda mais importante. Então o que a gente está vendo é que nesses casos se reduzem, inclusive, naqueles idosos que por alguma circunstância não puderam ser vacinados. Então o efeito da vacina é tão forte que ele consegue proteger até aqueles que não foram vacinados mesmo nas faixas etárias mais avançadas. E quando a gente avança para ver hospitalizações e óbitos, que de fato, é parâmetro mais importante, não adianta fazer estudos sobre simplesmente casos sintomáticos. Nós temos que falar de casos de hospitalização e óbito. E aqui é feito realmente, não cabe nenhuma dúvida da importância da vacinação nessas faixas etárias, das pessoas mais idosas. Aqui está representado no verde, quando acabamos a vacinação, acaba nesses casos de hospitalizações e óbitos entre aqueles vacinados. E ainda nós conseguimos controlar também entre aqueles não vacinados, não importa que a gente faça o corte com maior de 70 anos, ou com maiores de 80 anos. Isso nos traz uma grande esperança, uma grande alegria, porque é justamente aquelas populações que são mais idosas, mais frágeis com mais comorbidades, recebendo a vacina, que nesse momento é a mais segura. E recebe também esse grande benefício, que é multiplicado através dessa vacinação em larga escala, que dá o efeito indireto, um efeito aditivo. Então no lugar de estar propondo medidas irracionais, não fundamentadas, como acrescentar doces, ou que teremos que aumentar a escala de vacinação para ofertar para nossos idosos, também nos benefícios do efeito indireto da vacinação. E esse, talvez, é um dos resultados mais importantes, eu sei que é um pouco complicado, mas vamos tentar ver esse mapa de calor juntos. Neste mapa de calor o que a gente padroniza para cada um dos grupos que a gente vacinou, verde, amarelo, cinza e azul, na sua ordem, em qual é a incidência, densidade da incidência de casos sintomáticos. Então vemos que entre mais vermelho, a situação é pior, e entre mais branco, azul, a situação é melhor. E nós temos assinalados, como D1 e D2, os momentos de vacinação, e com a seta está assinalado o momento em que a gente esperaria ver o efeito que após duas semanas da última dose. O que a gente vê desde o primeiro grupo, é que o efeito aparece antes. E esse aparecimento anterior, em uma semana, que uma semana é extremamente importante quando a gente tem uma epidemia dessa magnitude, em curso, isso é uma demonstração novamente, o efeito indireto, estarmos todos protegidos em uma comunidade faz que o benefício da vacina chegue antes. Quando isso vemos no grupo amarelo, esse evento se repete. Novamente vemos esse efeito. Quando já completamos a metade da população-alvo vacinada, isso quer dizer se a gente lembra que tínhamos 62%, a população eram adultos, então, mais ou menos estamos falando em 30% de pessoas vacinadas, a gente antes se [Ininteligível] muito maior. Antes [Ininteligível] uma grande resposta de anticorpos, o grupo cinza já recebe esse benefício. Então já temos na semana seguinte já começa a se evidenciar a diminuição de casos. Mas o mais surpreendente foi quando a gente viu o último grupo, o grupo azul. O grupo azul, que já tínhamos vacinado 75% dos adultos, entenda-se 40% da população de Serrana, nós conseguimos que o efeito da vacinação acontecesse uma semana antes da segunda dose. Eu só quero dizer que ele mesmo completando o esquema vacinal, está tendo um benefício, e esse benefício é dado por aquela proteção oferecida pelos outros grupos vacinados. Então essa evidência [Ininteligível] de como o efeito indireto da vacinação, a diminuição da transmissibilidade do vírus está beneficiando, mesmo aqueles que nem sequer completaram o esquema vacinal. Isso confirma resultados que já víamos anteriormente, e nos fazem aproximar para qual será a quantidade de pessoas que temos que vacinar dentro da população-alvo. Esse é um dado preliminar, a gente vai fazer um modelo que vai ser muito mais preciso, mas nesse dado preliminar já estamos falando que [Ininteligível] de 70% a 75% das pessoas. Isso tem que ser ajustado, obviamente, para diferentes circunstâncias, e que isso representa a imensa população de Serrana, ao redor de 40% dos habitantes de Serrana, tendo consideração que 38% dos habitantes de Serrana são menores de idade. Aqui reconfirmamos esse efeito, então outra fez um mapa de calor, com a mesma metodologia, e aqui a gente está vendo hospitalização e óbito, o desfecho mais importante de uma vacinação. E aqui nós vemos que no grupo verde, o efeito aparece quando a gente esperava, com essa antecipação já no grupo amarelo, no grupo cinza se confirma antecipação de forma muito forte, mais azul ainda. E no grupo azul, no último grupo, já esse efeito coincide com a própria semana em que acontece a vacinação, não seria mesmo antes de receber a dose já estava se beneficiando em termo de hospitalização e óbito. Então um efeito extremamente importante, e reconfirmado em diferentes formas, o que dá uma validade interna ao estudo. Mas parte da pergunta é, bom, isso põe ser o acaso, isso pode ser simplesmente evolução natural da epidemia. É nessa circunstância. E por isso ele é importante comparar o que acontecia entre Serrana e outras populações. Esse mapa de calor já utiliza os dados de hospitalização e óbito desses seis municípios da microrregião de Serrana. O que vemos aqui, e vocês novamente, o trem mais vermelho é o aumento de casos entre mais azul uma diminuição, porque nós vemos aqui o que primeiro é o reflexo de uma epidemia descontrolada na região. Então há uma perda do controle de epidemia, com uma diferença entre os casos, nas cidades que assinalam aí. E esse é um dado interessante, porque isso também chama atenção de importância de planejamento local, na medida de controle da epidemia. Mas entre esses municípios, o município que tinha um padrão mais semelhante com Serrana, é o município vizinho de Bradowski. O município de Bradowski, que vocês veem assinalado, logo abaixo daquele que está em vermelho, que é Serrana, vocês veem que acompanhando a evolução de Serrana, e de um momento ou outro Serrana muda a história. Esse destino de Serrana começa a mudar. Hoje Bradowski, infelizmente, essa é uma situação dramática, uma situação da beira de colapso do sistema de saúde. Em geral, a microrregião de Ribeirão Preto está sofrendo enormemente. E isso não está acontecendo em Serrana. E entre Serrana e Ribeirão Preto, há um trânsito contínuo de pessoas, quase um quarto da população de Serrana, ao redor de 10 mil habitantes, derivam seu sustento de trabalhos que acontecem em Ribeirão Preto. Então isso implica em um [Ininteligível] contínuo. Serrana não é uma ilha, é um lugar que está exposto constantemente a lugares aonde o vírus está circulando de forma muito importante, e mesmo assim controla a epidemia. E nós podemos ver, em comparação com os municípios dessa microrregião, que tem uma população parecida, Serrana é a linha preta, e vocês veem que há uma diminuição muito importante dos casos, a qual é evidência de novo do controle dessa epidemia. Essa é uma animação, mais escuro e mais crítico, então vocês veem que chega o momento que Serrana fica na situação mais crítica, já assinalada pela seta. E depois vocês veem como Serrana começa a ficar claro, e os outros municípios à sua volta não. Então aqui nós vemos de uma forma representada graficamente, como nessa animação vemos essa evolução como mudou o destino em Serrana. Talvez na vacinação Serrana hoje estaria no colapso. Mas hoje o hospital estadual de Serrana está ajudando os municípios vizinhos a cuidar dos seus pacientes. E na situação inversa, ao invés de estar Serrana pedindo auxílio, é Serrana que está auxiliando, porque controlou a epidemia através dessa intervenção. E aqui destacamos o que aconteceu em relação às variantes, que tem causado tanta preocupação ultimamente. E vemos que quando acontece a vacinação em Serrana, coincide com a introdução, nessa região de Serrana, em geral, em Ribeirão Preto, essa variante que causa tanta dor, tantas perdas, que é a variante P1, e vemos que ela se torna uma variante predominante. Então todos esses resultados que estamos mostrando para vocês, de efetividade, são resultados que são na vigência de uma epidemia predominantemente pela variante P1. Então isso é uma reconfirmação de algo que já sabíamos, e aqui a vacina é efetiva em relação à essa variante P1. Mas há um outro dado muito interessante, e é nessas análises que foram feitas, em que esses vírus foram sequenciados pela equipe do hemocentro, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, que monitora também em outros municípios da região, nós não vimos o surgimento de novas variantes. Esse era um dos receios de que se introduzisse um programa de vacinação, se poderia fazer uma pressão genética de seleção de vírus, que poderiam virar resistentes. Nós não vimos essa situação, então nós podemos falar tranquilamente que até o momento não foi a vacinação o que gerou uma mudança, uma emergência de uma nova variante, é a mesma variante que está circulando na região. Assim, para concluir, nós podemos de novo confirmar, às vezes, a gente é repetitivo, mas sempre vale a pena insistir, a Coronavac é, talvez, uma das vacinas mais seguras sim, a mais segura nesse momento, que está sendo utilizada no mundo, para o controle da Covid-19. E nós evidenciamos, a força do efeito indireto é tão grande, que conseguimos ver ela desde o primeiro grupo, mas quando a gente avança nos grupos, o terceiro grupo já começa a reduzir, começa a antecipar o efeito, e o quarto grupo foi absolutamente evidente. E aí que vem de que talvez quando a gente tenha 50% da população vacinada, a gente comece a dar a volta, comece a realmente poder dominar esse vírus com 75% da população-alvo vacinada, vamos poder controlar. E novamente, quando falo da população-alvo, estou falando população de adultos. E esse efeito foi evidenciado também de outra forma, e é ver como pessoas não vacinadas, como por exemplo, as crianças também se beneficiam do fato de ter as pessoas adultas ao seu redor vacinadas. E assim nesse município que tem esse fluxo constante de pessoas, conseguimos afirmar, já não é uma expectativa, já não é um desejo, é uma afirmação, é possível controlar a epidemia através da vacinação. Não precisamos isolar, não precisamos ilhar, não precisamos impedir o trânsito de pessoas, para controlar a epidemia. É a vacinação a chave. E assim também verificamos, de novo, a efetividade com a variante P1, e confirmamos que a vacinação não gera uma seleção de novas variantes. No contexto geral, dentro do desenvolvimento clínico desse produto, que é a Coronavac, nós fizemos dois grandes estudos. E cada um desses estudos ele dá uma informação que é extremamente valiosa. Temos o [Ininteligível], estudo de fase três, estudo pivô, que permite aprovação da vacina aqui no Brasil, e em muitos outros países do mundo já temos possivelmente [Ininteligível] 300 milhões de doses distribuídas no mundo. Pessoas se beneficiando graças a esse estudo feito e liderado pelo Butantan, feito aqui no Brasil, e que demonstrou esse efeito direto da vacinação. O benefício que recebe a pessoa quando tem a vacinação. E esse benefício foi demonstrado com a diminuição de casos, e na saúde pública a gente vê como essas populações vacinadas reduziram de forma importantíssima a quantidade de casos de hospitalização e morte, que é realmente o que mais interessa em termos de saúde pública. E agora temos, para complementar essas informações, esse projeto, que nos demonstra como a somatória de efeito direto e indireto da vacinação se complementa. Dessa forma, a gente pode sonhar com o controle da pandemia. As pessoas têm que parar de pensarem na pandemia como um problema individual, não é como estar, por exemplo, que vou ter um [Ininteligível] e vou pegar mais um colete, e mais um colete, tentando revacinar, fazendo anticorpos, isso é inútil. O controle da pandemia se dá quando todos possamos sair sem colete, quando todos podemos estar vacinados, aí que estamos controlando, isso que nos vai dar a segurança. Então não vai ser defender meu pedaço, ou defender a mim mesmo, é defender a todo mundo, é a comunidade que vai me proteger não sou só eu, é a somatória do efeito da minha vacinação com a vacinação do outro que vai proteger a todos. Então, isso nos ajuda a definir a estratégia vacinal para a pandemia. É isso que vai nos poder dizer quando vamos poder superar esta etapa, tentar reduzir a Covid-19 a uma doença controlável por vacinação, como temos muitas outras, e deixar isso já, esta história da pandemia, este sofrimento enorme que estamos tendo, para os livros de história. Muito obrigado.

[Aplausos]

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Antes de passar ao Dimas Covas, a intervenção do Ricardo Palacios, que foi o coordenador, como diretor médico e de pesquisa clínica aqui do Instituto Butantan, foi longa, obviamente, porque ela precisava ser completa. Isso é um estudo científico, e repito: Nós temos 21 veículos de comunicação internacionais, cobrindo aqui, os mais importantes meios de comunicação do mundo e as suas agências noticiosas estão cobrindo aqui, do Instituto Butantan, esta coletiva de imprensa, razão pela qual o estudo precisava ser apresentado de forma completa, detalhada, como fez o Dr. Palacios. E queria cumprimentar mais uma vez, Palacios, pela precisão das informações e por trazer a São Paulo, ao Brasil e ao mundo tanta esperança, diante de um estudo clínico tão preciso quanto esse. Essa é uma informação de relevância internacional, eu tenho certeza que os jornalistas que aqui estão, e os que estão virtualmente nos assistindo, e mais as outras pessoas, que não são cientistas e estão, pelas emissoras que estão transmitindo aqui ao vivo, e os portais, compreendem esta importância, o que isso se reflete na perspectiva futura, e eu espero que não tão longínqua, da volta à normalidade, ao Brasil, a São Paulo, ao Brasil e ao mundo. Dimas.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: Governador, alguns pontos precisam ser mencionados. Esse estudo teve apoio da Fapesp, tá certo? Parte dos recursos usados lá vieram de apoio da Fapesp. E o ponto importante, esse eu vou frisar mais uma vez: É o primeiro estudo no mundo que está sendo feito nessa proporção e com esse controle. Não existe outro estudo nesse momento. É um estudo que mostra exatamente esses valores que foram apresentados, esses resultados excepcionais, qual é o caminho, qual é o caminho para a saúde pública do mundo, para lidar com essa pandemia. E aqui eu faço um outro destaque: Recentemente, têm aparecido aí notícias baseadas em estudos de qualidade secundária, vou dizer assim, falando: Olha, precisa revacinar os idosos. Não, os dados que nós temos não indicam isso, e esses resultados são resultados muito, muito preliminares, são resultados de dados pegos em banco de dados. Aqui não, aqui é a realidade, a realidade que foi estudada. As pessoas foram acompanhadas. Então, fiquem tranquilos. Essa é uma das melhores vacinas que estão disponíveis no mundo, e que agora tem, efetivamente, demonstrado o seu papel na vacinação, sobre a epidemia, sobre a epidemia, e isso que é um ponto importante. Então, isso tem que ficar frisado. Acho que nós devemos repetir isso e ter orgulho de realizar um estudo dessa magnitude. Acho que orgulha a todos nós, Brasil não precisa copiar nada, governador. Brasil sai na frente, pode sair na frente, sua ciência é competente, e aqui está a prova. Obrigado.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito bem, muito obrigado, Dimas. Nós, antes de seguirmos, temos um brevíssimo vídeo aqui para mostrar a vocês, que também reproduz o agradecimento a todos os profissionais do Butantan que têm cooperado, ao longo desses meses, não apenas para este estudo de relevância internacional, como para as vacinas, a Coronavac e a Butanvac. Vamos ver.

[Exibição de vídeo]

[Aplausos]

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Vejam a diferença. Há alguns que brincam com a vida, e outros que trabalham pela vida. Vamos agora ao Léo Capitelli, Leonardo Capitelli. Leonardo Capitelli é prefeito de Serrana, nos ajudou muitíssimo. Léo, muito obrigado também a você, toda a sua equipe, o seu time. Eu estive lá com você na abertura deste programa de imunização, do Projeto S. Em breve, estaremos lá novamente, com o novo anúncio. Muitíssimo obrigado, passando a palavra a você.

LEONARDO CAPITELLI, PREFEITO DA CIDADE DE SERRANA: Boa tarde a todos, a todas, a todos que acompanham de casa. Eu queria agradecer em nome do governador João Doria, em nome do Dr. Dimas Covas, a todos os presentes aqui. E agradecer, agradecer primeiramente a Deus, por nos proporcionar essa oportunidade de estar aqui hoje, representando o nosso povo de Serrana. Queria também agradecer à ciência, que nos mostra que, contra números, contra fatos, não tem argumentos. E, diante de algumas situações que nós vimos, de negacionismo, de desinformação, de desserviço à saúde, onde, naquele momento, alguma nuvem negra ainda pairava sobre: Será que eu vou vacinar? Será que eu não vou? E nós iniciamos um trabalho de orientação, junto a lideranças religiosas, junto a comércios locais, junto aos empresários locais, e enfrentamos realmente, e abraçamos, e acolhemos um projeto único no mundo, que tinha um único objetivo, governador. E aí, eu te parabenizo por estar sempre enfrentando, liderando esse processo. Porque, se não fosse o teu trabalho, o trabalho do Butantan, muito provavelmente nós não estaríamos vacinando ninguém no Brasil. E Serrana hoje é exemplo para o mundo, referência no mundo, graças ao trabalho seu, no Governo do Estado, a toda a equipe, graças ao trabalho do Dr. Dimas Covas, com o Butantan.

E eu fico muito feliz de poder aqui representar o povo serranense, que acolheu e que entendeu a importância de um projeto de tanta magnitude como esse, do Projeto S, que não era apenas a oportunidade de poder se proteger e de se imunizar, mas de contribuir com a ciência do Brasil e do mundo, na maior pandemia do século, na maior crise sanitária do mundo. E o nosso povo foi bastante ordeiro, hospitaleiro, acolhedor e acolheu a todos esses profissionais do Butantan, que, diga-se de passagem, merecem todo o respeito. E como brasileiro agora eu falo, eu tenho muito orgulho de dizer: a vacina é do Butantan, pode confiar. Porque a logística que se montou e que se fez em Serrana, durante oito semanas, foi de primeiro mundo. Então, nós temos, sim, que colocar a bandeira do nosso país no lugar mais alto, saber que nós temos, aqui no Brasil, profissionais de altíssima qualidade. Queria também agradecer aqui ao Gilberto, ao Ricardo Haddad, pela logística que montaram em Serrana, que foi fantástica, junto com todos os profissionais do Butantan.

Queria também agradecer aqui, em nome da Leila Gusmão, nossa vice-prefeita, nossa secretária de Saúde, agradecer também à Glenda e ao Guilherme Montanari, em nome dos três eu queria parabenizar e agradecer a todos os funcionários, colaboradores da Saúde de Serrana, a todos os colaboradores da Secretaria de Educação, que, nas oito escolas do município, durante oito semanas, também se envolveram e se dedicaram com o Projeto S, ao Hospital Estadual, através do Professor Marcos, que eu falo que o Hospital Estadual foi o maior presente que Serrana ganhou nos últimos 20 anos, entregue também pelo governador João Doria, em 2018. Agradecer mais uma vez ao Butantan, à Vigilância Sanitária Epidemiológica, à Guarda Municipal de Serrana, que desde o início da pandemia se envolveu, foi para as ruas de Serrana e enfrentou realmente na linha de frente, como tinha que fazer, com o único objetivo, que era o de salvar vidas. Esse era o nosso objetivo em Serrana, e nós fomos... Naquele momento, eu era presidente do Comitê de Contingência, e começamos um trabalho ali com o nosso comitê, ao qual também o [ininteligível] fazia parte. E ali foi gerando credibilidade no trabalho, foi gerando uma certa confiança e aí veio essa oportunidade única de poder fazer parte de um estudo clínico, único no mundo, que eu tenho certeza que agora vai levar esperança a toda a população brasileira e mundial, de que é através da vacinação, somada com protocolos sanitários, que nós vamos vencer essa guerra contra a Covid-19.

Então, mais uma vez, eu parabenizo a todo o povo serranense, pela participação, pela adesão. Dizer que eu estou muito lisonjeado de poder aqui, nesse momento, representar a todo o povo serranense, na condição de gestor. Agradecer mais uma vez ao Governo do Estado, ao Butantan, ao Hospital Estadual, e dizer que Serrana não vai ser conhecida apenas pela cidade da vacinação em massa. Nós queremos agora, com protocolos seguros, planejados, fazer uma retomada econômica, social e educacional, junto com o Butantan, junto com o Governo do Estado, para que isso depois possa ser replicado em todo o Brasil, em todo o mundo. Eu deixo aqui então a minha gratidão, governador João Doria, Dr. Dimas Covas, e dizer pra vocês que só tem um jeito da gente vencer essa guerra contra a Covid: vacina, vacina, vacina. Valeu, Estado de São Paulo, valeu, Butantan, obrigado, gratidão!

[Aplausos]

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito obrigado, Léo. Agora, entrando na fase final aqui das nossas intervenções, para depois começarmos as perguntas, são três depoimentos, de três cientistas, três infectologistas, que foram convidados pelo Instituto Butantan para estarem aqui hoje, oferecendo a sua experiência e o seu depoimento sobre este estudo, inédito, realizado em Serrana. Vamos começar com o Sérgio Cimerman, que é médico infectologista e coordenador científico da Sociedade Brasileira de Infectologia. Sérgio.

SÉRGIO CIMERMAN, INFECTOLOGISTA: Boa tarde, governador, boa tarde a todos que compõem aqui o palanque. Eu queria começar, Projeto S, Projeto Serrana... Mas prefeito, muito provavelmente esse S é de sucesso. Eu acho que o Dr. Dimas Covas, quando deu o nome, ele já pensou no sucesso, e aí a gente está evidenciando hoje na apresentação do Dr. Dimas, do Dr. Ricardo, Dr. Marcos, que mostraram dados substanciais e que mostram um vigor científico, que isso depois vai passar por uma publicação. Lembrar que esses dados são importantes para os negacionistas, para os antivacinas, e mostra esse estudo a adesão da população: 95% da população tomou duas doses. E no caminho que nós vamos no Brasil, um caminho muito lento da vacinação, e pessoas não voltando para a segunda dose, com informações equivocadas, que vacina não é bom, esse trabalho de vocês, de Serrana, mostra o contrário, evidencia a importância de se tomar a vacina, tomar a vacina até o final, completar o seu esquema vacinal. No caso aqui da Coronavac, que são duas doses, no intervalo preconizado adequado. E aí, você vai começar a colher os frutos. Um estudo extremamente bem-monitorado, que avaliou o impacto dessa vacina como um todo. E lembrar também a questão de confiança em se vacinar. O estudo mostra essa confiança. Então, cada vez mais, quando esses dados vierem fortemente, amanhã, divulgados por toda a imprensa, eu tenho certeza que a população que é contra as vacinas vai repensar a sua forma de ser e todos os grupos prioritários, as pessoas começarem a reprocurar a tomar a vacina, independentemente de qual seja. Vacina boa é aquela que é vacina no braço. E, como o Ricardo colocou, é muito importante pra gente não pensar em si, pensar na comunidade. Então, se vacinar é você pensar num todo, e para que a gente pare de olhar no umbigo de cada um.

Lembrar mais um dado importante dessa vacina, que ela se mostrou novamente segura, a despeito de que algumas pessoas falavam o contrário. Aí estão os dados, ela mostra novamente, no ProfisCOV, e agora nesse, a segurança da vacina, baixíssimos efeitos adversos, 0,02%, a gente praticamente não tem efeito adverso da vacina. Esse é um outro dado também importante, que dá substância para que a gente possa, cada vez mais, colocar na cabeça da população a necessidade de se vacinar e lembrar outro ponto importante, a variante P1 que circula no Brasil, mais de 70% que circula hoje no Brasil é a P1, e a Coronavac vem mostrar nesse projeto Serrana, como foi evidenciado aqui, a sua efetividade. Então, do ponto de vista científico, agora só aguardamos essa publicação, os dados são robustos, os dados são expressivos e nos deixa muito felizes, que podemos seguir em prol da vacinação no Brasil com maior efetividade. Quanto mais gente se vacinar mais nós vamos chegar nessa situação de Serrana, como na apresentação do Ricardo Palazzos, é muito importante, é importantíssimo que a imprensa leve a cabo isso aos seus leitores, a importância de se vacinar a todo momento. E tomar as duas doses de uma vacina não exime de fazer as medidas preventivas, nós temos que continuar fazendo as medidas preventivas até nós podermos voltar em algum momento ao novo normal, que é pelo menos retirar as máscaras como alguns países já estão fazendo, nós estamos perto. Eu sempre tenho esperança e eu tenho certeza que o estado de São Paulo é um grande precursor nisso e está dando a nossa linha na frente de todo o Brasil. Muito obrigado.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Dr. Sérgio Cimerman, médico infectologista e coordenador científico da sociedade brasileira de infectologia. É a penúltima intervenção, vamos ouvir Esper Kallás, também infectologista, professor titular da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Mais uma vez muito obrigado, Kallás, estar aqui conosco.

ESPER KALLÁS, INFECTOLOGISTA: Obrigado, governador, obrigado aos demais presentes, eu queria começar agradecendo todos os que se debruçaram nesse projeto para torna-lo realidade. Esse é um esforço coletivo enorme, quem lida com pesquisa todos os dias sabe a dificuldade que é colocar um estudo desses adiante. Eu queria agradecer cada um, mas um destaque especial para a equipe de pesquisa clínica do Butantan, Ricardo, e o resto da equipe que vem trabalhando, conheço eles há muito tempo, sou testemunha da competência sobre a direção do Dimas que colocou esse projeto adiante, e a participação dos colegas e a população de Serrana. Eu acho que isso, governador, é um testemunho de que quando nós conseguimos alinhar a ciência, políticos como o senhor e o prefeito de Serrana no acolhimento das perguntas científicas, na condução rigorosa desses projetos, as respostas vêm. E com o apoio da sociedade e da população da cidade. Esse resultado de 98% mais de participação da população é extraordinário. E ele reconhece, atesta, como é importante a comunicação de uma forma clara científica e responsável para a população. O que o governo do estado, a prefeitura de Serrana e o Instituto Butantan conseguiu na cidade pode ser replicado para o país. E só essa maneira que nós vamos conseguir enfrentar a pandemia. Do contrário, a gente vai simplesmente claudicar nas ondas pandêmicas que virão. Eu acho que alguns podem questionar se o que nós estamos vendo é somente uma onda que está acontecendo em Serrana, mas olhar o seu entorno é testemunho de que o efeito da vacina é irrefutável. Isso mostra a eficácia, como já foi mencionado aqui, e a segurança da vacina e o desempenho dela mediante as variantes. Aqui, a principal que era a preocupação no Brasil, a P1, era responsável por praticamente 100% dos casos que estavam circulando na região. Isso é fundamental e atesta como que esse estudo vai informar e consolidar a informação de estudo fase 3 que a gente teve a honra e oportunidade de participar junto com os outros centros e o Instituto Butantan para gerar os resultados. E só para concluir dizer que ações como essa mostram e são testemunhos de como ações de combate a pandemia tem que ser uma adoção de medidas coletivas. Não basta as pessoas adotarem uma medica pensando em si próprio, a gente só vai vencer a pandemia se todo mundo pensar na coletividade, o uso da vacina em larga escala que não foi para 100% da população, mas atingiu um controle muito significativo no município, é uma ação coletiva. É uma ação onde todo mundo dá a mão, todo mundo participa de um esforço juntos para enfrentamento da pandemia e eu queria mais uma vez parabenizar o efeito conseguido por esse estudo e a demonstração que ele traz para nós. Muito obrigado.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito obrigado. Mais um importante testemunho do infectologista Esper Kallás. Kallás, muitíssimo obrigado. E vamos agora ouvir e finalizando a Dra. Rosana Richtmann, médica infectologista do Instituto Emílio

Ribas. Rosana.

ROSANA RICHTMANN, INFECTOLOGISTA: Boa tarde a todos, boa tarde, govenador. Agradeço o convite de estar aqui. Só lembrando que a última vez que eu estive aqui foi um dia que a gente teve a esperança de ter uma vacina que foi a aprovação e apresentação do estudo dos profissionais da saúde, Proscov. E hoje é a esperança do controle da pandemia. Então são dois momentos muito importantes, que primeiro foi a esperança de ter uma vacina e hoje a esperança de poder controlar de alguma maneira com este exemplo a pandemia. Então, agradeço muito de estar aqui. Segunda coisa importante é dar os parabéns, sem dúvida, lógico, o governo de São Paulo, o Instituto Butantan, mas em especial a população de Serrana que soube e entendeu a importância de a gente ter esses dados em tão curto espaço de tempo para poder , de novo vou falar a palavra esperança, e já sugiro, prefeito Leonardo, Serrana, a cidade da esperança. Porque vocês estão mostrando para o mundo que isso é possível se a gente se organizar e tiver um serviço bem feito. Ponto de vista científico, acho que os principais pontos, e eu vou ser breve, mas os principais pontos, é primeiro a proteção indireta. A gente toda vez que fala de vacina e eficácia nós estamos pensando na proteção individual, aqui não, aqui nesse estudo a gente vê a proteção do cidadão que foi vacinado, mas também a população indireta, e daí eu ressalto as crianças. Eu acho que nesse aspecto para nós que estamos sempre preocupados com a saúde das crianças e principalmente com a volta, por exemplo, das crianças para as escolas e etc., eu acho que o exemplo muito importante para dar essa luz para nós. Segundo ponto que eu julgo muito importante e daí eu enfatizo para a população toda a importância da segunda dose. Uma dose de vacina não é suficiente, e quando a gente vê os números e vê um gap muito grande em alguns locais de pessoas que tomaram a primeira dose e não voltaram para a segunda é muito preocupante para nós como infectologistas, como cientistas. Outro ponto que o Dr. Esper já colocou é a variante, é uma das coisas que a gente está sempre se perguntando, afinal se eu tiver uma variante de preocupação, uma [...], a P1, no caso, será que do ponto de vista de vida real nós podemos ficar sossegados e vamos ter os resultados? Então acho que tudo isso são pontos extremamente importantes que isso mostra e, lógico, precisa ter o segmento, certo, Ricardo? Agora nós precisamos ver se esses resultados se solidificam, eles são sustentados então por isso que o estudo segue exatamente para responder mais perguntas ainda que virão pela frente. Muito obrigada pela oportunidade.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Dra. Rosana, que batizou Serrana, a cidade da esperança. Muito obrigado. Bom, vamos agora às perguntas, começando, são seis perguntas de seis veículos de comunicação. Peço aos meus colegas que, por favor, mantenham uma pergunta, que é o combinado por cada veículo de comunicação. E começando pela Rádio e TV Bandeirantes e Band News, que é a Maira Giaimo. Maira, onde você está? Aqui. Boa tarde. Sua pergunta, por favor.

MAIRA GIAIMO, REPÓRTER: Boa tarde, governador, boa tarde a todos. Bom, é um estudo complexo, então eu queria pedir uns esclarecimentos mais para a gente ter uma facilidade para passar essas informações. Bom, a gente teve uma redução de 95% nas mortes, 80% nos casos e 86% nas internações. Eu queria os dados brutos, exatamente em que data quantos casos a gente tinha, para quantos a gente foi, enfim, só para a gente conseguir explicar melhor essas porcentagens. Também se há entre os idosos alguma porcentagem de efetividade, deu pra ver ali que reduziu, mas para ajudar a gente a passar essa informação alguma porcentagem. E, Dr. Dimas, só uma atualização, por favor, em relação a variante indiana se tem previsão dos testes, se o Butantan já tem a cepa. Obrigada.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Maira. Responderá Dimas Covas, presidente do Instituto Butantan. Dimas

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: Maira, você quer o estudo científico, você quer os dados, as tabelas, quer dizer, oportunamente será apresentado, sem dúvida nenhuma. Quer dizer, fundamentalmente hoje os detalhes que foram apresentados já são suficientes para qualquer escrutínio que seja feito aí. Quer dizer, diferentemente de outras coletivas quando alguns repórteres ou algumas autoridades científicas falando que tinham poucos dados, hoje os dados estão aí muito claramente apresentados. Obviamente que isso será publicado, essa é uma publicação que é esperada, esperada pelo mundo inteiro, e ela, de fato, vai dar uma enorme contribuição. Então esses dados todos serão obviamente publicados, não é um trabalho, seguramente mais de um trabalho porque a quantidade de experiências que foram absorvidas aqui são numerosas, numerosas. Então, de fato, é um novo paradigma em estudos de vacinas, principalmente vacinas durante uma epidemia. Com relação a variante indiana nós ainda não temos nenhum estudo em andamento, isso vai ser feito na China inicialmente, mas nós também vamos progredir aqui se for necessário. Quer dizer, a variante é uma ameaça, uma ameaça ao mundo e já vários locais no mundo demonstrando inclusive efetividade de anticorpos neutralizantes produzidos por algumas vacinas em relação a elas. Então são dados ainda que nós precisamos ter para poder inclusive subsidiar esses estudos.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito obrigado, então, obrigado, Dimas Covas. Obrigado, Maira. Vamos a próxima pergunta, aliás, ela é online, é o correspondente da BBC News de Londres, André Biernath, vamos colocá-lo aqui em tela. André, muito obrigado por estar participando, boa tarde. Sua pergunta, por favor.

ANDRÉ BIERNATH, REPÓRTER: Boa tarde, governador, boa tarde a todo mundo que está participando. A minha pergunta é sobre o tempo, porque pelo que eu pude acompanhar, toda população de Serrana foi vacinada muito rápido, em questão de oito semanas. E, claro, quando a gente escala isso para um país continental como o Brasil, com milhões de pessoas que precisam ser vacinadas, esse ritmo da vacinação é mais lento, nós não temos uma perspectiva de chegar a 75% dos brasileiros vacinados nas próximas semanas ou nos próximos meses. A minha pergunta é se esse maior tempo que vai levar para chegar a esse limiar de uma eventual imunidade coletiva no país pode também influenciar nesse resultado de efetividade, ou seja, se mais tempo para vacinar as pessoas também pode impactar nesses números que vocês observaram em Serrana.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: André, vou pedir ao Dr. Dimas Covas para responder, mas quero aproveitar sua boa pergunta para reafirmar que em São Paulo, eu volto a afirmar com toda ênfase, com toda segurança, até dezembro 100% da população vacinável no estado de São Paulo estará imunizada, 100% da população no estado de São Paulo até dezembro estará imunizada. Todos que puderem receber vacina estarão recebendo a vacina aqui em São Paulo. Eu não posso responder pelo Brasil, mas por São Paulo respondo e reafirmo este compromisso. Dimas.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: André, essa é uma pergunta difícil de responder, quer dizer, as previsões, se continuar no ritmo atual, quer dizer, nós temos uma previsão de ter aí a vacinação de 50 milhões de brasileiros, o que corresponderia a uma fase inicial dos grupos de risco lá pra setembro, final de setembro. E, portanto, volumes de vacina adicionais que estão previstos para chegar pode mudar, inclusive, essa previsão, mas nesse momento é o que está previsto, baseado no que vem acontecendo você pode mais ou menos estimar para o final de setembro, começo de outubro, a vacinação de 50 milhões, um pouco mais de brasileiros, mas ainda vamos estar longe desses números que foram feitos em Serrana. Possivelmente nós vamos demorar mais tempo, mas é muito difícil, quer dizer, isso é uma previsão com base no ritmo atual e no que tá previsto de vacinas até esse momento.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Dimas Covas. André Biernath, da BBC News, muito obrigado pela sua participação. Vamos agora presencialmente com Nanny Cox da Rádio Jovem Pan. Nani, boa tarde, sua pergunta, por favor.

NANNY COX, RÁDIO JOVEM PAM: Boa tarde, governador, boa tarde a todos. Eu queria saber se com esses dados que foram apresentados hoje se a gente já pode levar em consideração que há eficácia da vacina é maior, o Dr. Dimas tinha explicado quando foram apresentados aqueles dados que tinha sido uma situação em que a vacina foi colocada sob muita pressão, porque era com uma população mais exposta. Se então agora a gente pode levar em consideração que a eficácia da vacina é maior como era previsão que vocês tinham dado. Obrigada.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Nanny, obrigado. Eu vou pedir ao Dr. Dimas com comentário do Jean Gorinchteyn, médico infectologista que está aqui ao nosso lado. Dimas.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE INSTITUTO BUTANTAN: Nanny, o mais importante que eficácia é a eficiência, a eficiência é muito elevada como foi demonstrado aí. Quer dizer, eficácia foi para aquele estudo naquela situação de profissionais de saúde, naquele esquema do estudo. Agora, não, agora é mundo real, é mundo real, quer dizer, é um experimento, sem dúvida, foi um estudo, mas no mundo real. Então, esse é o dado que manda, é o dado que conclui aí pelo efeito da vacina, em termos não só de proteção das pessoas, como também de proteção da própria comunidade.

JEAN GORINCHTEYN, SECRETÁRIO ESTADUAL DE SAÚDE: O fato de nós podermos ter a visão direta, em campo, das pessoas, mesmo que se protegendo, saindo, e com isso estarem devidamente protegidas pela vacina, traz, sim, um dado que nós chamamos de eficiência. É o quanto, na prática, ela é capaz de proteger. E é importante exatamente essa relação de que, naquela cidade em que a maioria das pessoas recebeu a vacina, e que continuou indo para outras regiões, onde há prevalência, a quantidade de vírus ainda circulante era muito grande. Ou seja, elas estavam devidamente protegidas.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Dimas, obrigado, Jean. Obrigado, Nanny. Agora, vamos para a quarta pergunta, são seis no total. Agora, também online, a correspondente da revista The Economist, uma das mais respeitadas publicações do mundo, a Carolina Unzelte, que vamos colocá-la agora aqui em tela, na coletiva. Já em tela. Carolina, boa tarde, bem-vinda, sua pergunta, por favor.

CAROLINA UNZELTE, REPÓRTER: Boa tarde, governador, boa tarde a todos. Eu gostaria de saber como os resultados de Serrana, apresentados agora, podem influenciar no aval da OMS para a Coronavac. Quais são as perspectivas em relação a esse andamento desse processo?

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Ótima pergunta. Vou pedir ao Dr. Dimas Covas também que possa respondê-la. Dimas.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: Olha, a primeira vacina chinesa que foi autorizada, de uso emergencial, pela organização, foi a vacina da estatal chinesa, chamada Sinopharm. E logo na sequência, a Sinovac. A vacina Coronavac está para ser avaliada e ter o seu resultado divulgado ainda essa semana, quer dizer, houve uma manifestação inclusive de calendário, e seria possivelmente nessa terça ou quarta-feira. Então, esses dados, obviamente que ajudam, mas os dados que estão lá já são muito sólidos e eu tenho certeza de que a vacina será autorizada e poderá ser distribuída ao mundo inteiro, inclusive pelo mecanismo Covax, que essa é a finalidade maior dessa autorização de uso emergencial pela Organização Mundial de Saúde. Esperamos para essa semana.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Bem, boa perspectiva, Carolina. Muito obrigado, continue aqui nos acompanhando. Vamos agora presencialmente, com a TV Cultura, com a jornalista Maria Manso. Maria, boa tarde, sua pergunta, por favor.

MARIA MANSO, REPÓRTER: Boa tarde. Eu queria saber o que acontece a partir de agora no laboratório de Serrana. Eu imagino que vocês vão usar a cidade para projetar o que a gente deseja que aconteça em todo o estado. Então, o comércio vai ter uma ocupação maior? Vão ser realizados eventos em Serrana? As pessoas vão poder começar a diminuir os cuidados sanitários? Quer dizer, a gente vai ver em Serrana o que a gente viu nos Estados Unidos, pessoas sem máscara? E, governador, não há como não perguntar, desculpa, vou ter que sair um pouquinho do assunto, mas Copa América vai vir para o Brasil. Vão ser realizados jogos aqui em São Paulo também? Por favor.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Vamos pela primeira pergunta, com o Ricardo Palacios e, se necessário, com comentários do Dimas Covas. Palacios. Para Maria Manso, da TV Cultura, que formulou a pergunta.

RICARDO PALACIOS, DIRETOR DO INSTITUTO BUTANTAN: Muito obrigado, Maria. De fato, o acompanhamento em Serrana vai ir ao longo de um ano. Nesse ano, o que a gente espera é que vão se reincorporando atividades sociais, como esperamos em todos os lugares que retomam a vacinação. Mas a gente tem que pensar que isso se faz entre um marco maior, uma coordenação maior, que é o Plano São Paulo. Então, Serrana não é uma cidade que vai ficar isolada do Plano São Paulo. Mas, dentro do Plano São Paulo, vai poder servir como um indicador de como será nas seguintes fases. Então, essa vai ser uma das projeções para Serrana, há muitas ideias que a gente está já trabalhando, há uma coordenação entre a Prefeitura Municipal e as autoridades de saúde, a nível estadual e municipal, e a partir disso estaremos divulgando, as diferentes autoridades, quais serão as atividades e como será feito isso. Mas, em princípio, o que a gente tem que reforçar é: o Plano São Paulo continua, ele continua vigente também em Serrana, e que todas as medidas que serão feitas serão em coordenação, em forma oportuna.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Palacios. Dimas.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: Maria, Serrana está dentro de um conjunto, de uma região, que, nesse momento, está com elevação de casos, casos, internações... Algumas cidades até já com decreto de lockdown. Então, é importantíssimo que os munícipes, os moradores de Serrana, entendam isso. O prefeito tem aqui a sua parte, ele tem o compromisso de manter as regras do Plano São Paulo, quer dizer, ela não pode dar um passaporte verde só porque ela participou do estudo e as pessoas foram vacinadas. Não, as pessoas lá têm responsabilidade, elas circulam, vão para Ribeirão, voltam de Ribeirão. Então, é preciso tomar os mesmos cuidados que estão vigentes, até agora, e que tem que obedecer às medidas que serão propostas pelo Plano São Paulo. O fato de ter esse resultado de vacinação vai ajudar a cidade lá na frente, quando começarem os movimentos de flexibilização, mas nesse momento é importante que todos os cidadãos de Serrana façam aí a obediência ao que pede o Plano São Paulo.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Dimas. E ainda nessa questão, Maria, sempre o uso de máscara será recomendado, ainda por um longo tempo. A máscara passou a ser uma indumentária, algo que nós vamos ter que conviver ainda por um longo tempo. E nós já estamos acostumados também, então faz parte. As pessoas já entenderam a dinâmica e a importância, os não negacionistas, evidentemente. Os negacionistas acham que a Terra é plana, que não há pandemia e preferem andar a cavalo sobre o asfalto ou brincar de jet-ski. Nós aqui preferimos trabalhar pela vida e pela saúde das pessoas, e recomendar sempre o uso de máscara.

Em relação à Copa América, a CBF, com a qual falamos hoje, Walter Feldman, que aliás é médico e secretário-geral da CBF, informa que a Copa América virá para o Brasil, mas não especificamente para São Paulo, até porque os estádios aqui já estão ocupados pelos jogos programados para a Copa do Brasil e o Brasileirão. De qualquer maneira, eu quero deixar registrado aqui que a Federação Paulista de Futebol tem cumprido rigorosamente os protocolos do Plano São Paulo, e os jogos que foram realizados aqui, no Campeonato Paulista, foram dentro deste protocolo, e nós não tivemos nenhum tipo de problema, nem durante a realização do campeonato, nem nos jogos finais do campeonato. E também, de forma geral, salvo uma ou outra exceção, os dirigentes das equipes aqui de São Paulo também agiram de maneira muito prudente e muito responsável. Vamos aguardar as próximas etapas advindas disso, mas a nossa preocupação prioritária em São Paulo é preservar vidas.

Vamos agora... Obrigado, Maria. Vamos agora com Willian Cury, da TV Globo, GloboNews, que conclui, e encerramos com ele esta coletiva de hoje. Will, muito obrigado pela sua presença aqui, boa tarde, sua pergunta, por favor.

WILLIAN CURY, REPÓRTER: Boa tarde a todos. Dr. Dimas disse que, pelos resultados preliminares em Serrana, e são preliminares porque terminou a vacinação completa faz um mês e 20 dias, mais ou menos, não há necessidade de uma dose de reforço, incluindo na faixa etária dos idosos. Mas eu queria saber qual é a segurança de fazer essa afirmação, tendo passado tão pouco tempo em relação a completar ali o programa vacinal. Em quanto tempo que não precisaria de dose de reforço? Ou se nunca precisará de uma dose de reforço? E uma outra também em relação aos testes da Coronavac em crianças. Há uma estimativa de fazer esses testes, estudos clínicos, na faixa etária abaixo de 18 anos? Obrigado.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: Bem, Willian, primeiro... Acho que são três perguntas, né? Primeiro, em relação a idosos, na realidade existe ausência de dados que falam ao contrário, tá certo? Esse é o ponto. Não é que tem dados que falam que nós precisamos pensar numa dose extra, pelo contrário, não existem dados que afirmem isso. Esse é o ponto que eu ressaltei aqui. Quer dizer, essas notícias que causaram alarme aí nesses últimos dias, elas não procedem, os estudos não têm poder suficiente para chegar a essa conclusão, muito longe disso, muito longe disso. Então, os dados que existem nesse momento é que não há absolutamente necessidade disso. E os dados de Serrana vêm comprovar esse ponto. A outra pergunta, se esses dados são... Por que são preliminares? Na realidade, nós estamos apresentando aqui parte dos dados, o estudo, como eu mencionei, é extremamente complexo, existem muitas variáveis, que ainda vão ser objeto de apresentação, ou seja, como eu mencionei, é um laboratório epidemiológico. Nós criamos, lá em Serrana, um laboratório epidemiológico, que é coisas, assim, não existe no mundo, não é o habitual. Então, ali vai gerar, não só pra essa vacina, mas pra outras vacinas, e a experiência de Serrana, ela pode ser transportada para outros municípios. Então, isso é importante, quer dizer, quando eu falo inédito, é inédito, é uma coisa, uma quebra de paradigma, uma quebra de paradigma. Daí a importância que nós estamos dando hoje aqui nessa coletiva.

Antes de terminar, governador, o pessoal que está ali atrás, estão com a camiseta do Projeto S. Foram os que trabalharam lá, e eu agradeço a essa turma...

[Aplausos]

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: Obrigado, pessoal. Vocês fizeram a diferença, obrigado.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Maria Manso, esse é o melhor jogo, é o jogo pela vida. São pessoas que vão lutar pela vida e ajudar outras pessoas. Esse é o melhor campeonato, essa é a melhor copa, é a copa da vida. Muito obrigado a todos que aqui compareceram. Eu queria agradecer em especial a Rosana Richtmann, o Esper Kallas, o Sérgio Cimerman, três cientistas que nos honraram com a presença hoje à tarde aqui, aliás, mais uma vez. E a Rosana inclusive lembrou, são dois momentos históricos que você viveu na sua vida, como médica. Leonardo Capitelli, prefeito de Serrana, obrigado, Léo, pela sua presença, pelo seu depoimento também. Ricardo Palacios, o nosso chileno tão querido, muito obrigado pelo seu trabalho, pela sua coordenação e agradecendo também à toda a sua brilhante equipe. Marcos Borges, diretor do Hospital Estadual de Serrana, Marcos, muito obrigado também pela sua participação, pelo seu trabalho ao longo desses meses. Quero agradecer muito também à Patrícia Ellen, embora ela não tenha feito intervenções hoje, seu trabalho pela ciência, e lembrando inclusive, Dimas, que a Fapesp, que ajudou a financiar esse programa, recebeu, na última quinta-feira, R$ 582 milhões de investimento do Governo do Estado de São Paulo. É o governo que mais investe em ciência, pesquisa, em todo o Brasil. São Paulo investe mais em pesquisa e ciência do que o Governo Federal, são R$ 10 bilhões, com esses R$ 582 milhões, Esper Kallas, em ciência e pesquisa. E o resultado aí está, a Fapesp, sob o comando de Marco Antonio Zago, ex-reitor da Universidade de São Paulo, ajudou a financiar este Projeto S em Serrana, sem contar vários outros, a serviço da ciência e da vida. Regiane de Paula, nossa coordenadora-geral do Programa Estadual de Imunização, muito obrigado também pela sua presença. Quarta-feira teremos novidades sobre a vacinação. Jean Gorinchteyn também, secretário da Saúde, estará conosco na quarta-feira, na coletiva. E a você, Dimas Covas, em nome de quem eu cumprimento todos os seus diretores, que aqui estão, do conselho, direção executiva, os profissionais, os cientistas, os jovens que aqui estão acompanhando esta coletiva. Um privilégio termos o Instituto Butantan em São Paulo e no Brasil. Aos meus colegas jornalistas, cinegrafistas, fotógrafos, obrigado pela presença. Os que virtualmente também nos acompanham neste momento, muito obrigado. Por favor, continuem se protegendo, usando máscaras, fazendo o distanciamento social, respeitando as orientações, em São Paulo, do que nós qualificamos do Plano São Paulo. Na quarta-feira teremos uma nova coletiva, muito obrigado, fiquem em paz, fiquem com Deus, fiquem protegidos.