Coletiva - Entrega do Fórum de Peruíbe 20161506

De Infogov São Paulo
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Coletiva - Entrega do Fórum de Peruíbe

Local: [[]] - Data:Junho 15/06/2016

GERALDO ALCKMIN, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Estamos entregando o segundo fórum novo aqui na Baixada Santista. Entregamos há 90 dias atrás, o fórum novo de Mongaguá, e agora estamos entregando o fórum novo aqui de Peruíbe. Uma obra de 3.500 metros quadrados, com salão de júri, gabinetes, duas varas da Justiça aqui funcionarão, o prédio antigo é de 1981, ele tem 35 anos, é pequeno, inadequado, é até cedido pela Prefeitura Municipal. Então a Justiça passa a ter agora amplas instalações, modernas, um prédio com sustentabilidade, ponto de vista de água, de luz, pra atender bem a população e melhorar o acesso ao Poder Judiciário. Também vamos agora em seguida entregar o Viaduto do Sol na Imigrantes e em Praia Grande, também uma obra importante para a mobilidade urbana e para a região metropolitana. E, finalmente, entregaremos um CCO, o Centro de Controle de Operações do VLT, três andares de prédio lá em Santos que vai concentrar toda a parte de controle de operação do veículo leve sobre trilhos. E também vamos vistoriar lá a obra do pátio e do estacionamento.

REPÓRTER: Governador, queria entregar em mãos para o senhor uma carta das nossas mães de Peruíbe, que hoje sofrem com ausência de uma maternidade. Governo do Estado pode ajudar aqui o nosso município, principalmente por essa questão da nossa saúde que está caótica. E vira um joga pra lá, joga pra cá. Prefeitura de Peruíbe coloca a culpa no Governo do Estado; Governo do Estado já respondeu o contrário, e o povo que perde sem saúde, né, governador?

GERALDO ALCKMIN, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Olha, o hospital estadual nós temos aqui na baixada o hospital Guilherme Álvaro em Santos, que aliás está em obra, estamos ampliando lá o atendimento, o hospital Emilio Ribas, no Guarujá é também do estado e o hospital de Itanhaém que nós estamos triplicando de tamanho, passando de 80 para 240 leitos aqui na região. Todas as demais obras a gente apoia, ajuda. Por exemplo, o novo hospital de Santos, dos Estivadores, pusemos R$ 25 milhões no novo hospital e já liberamos agora o recurso para também custeio a partir agora do mês de julho, as demais obras são obras municipais, não é o estado que faz a gestão da obra, a gente apoia e ajuda. Então eu vou verificar direitinho como é que está o pé da obra.

REPÓRTER: Por gentileza, governador, porque nós estamos sofrendo.

REPÓRTER: Governador, pegando o gancho da saúde nós... a cidade de Cubatão enfrenta uma grande crise aí no hospital municipal da cidade, hospital que é custeado aí por 83% da prefeitura, 16% do governo federal e 0,13% do governo estadual. A prefeitura, ela pede o apoio maior do estado, isso é possível? E também em relação ao hospital dos Estivadores em Santos, porque a obra está quase concluída, só não pode ser finalizada porque faltam algumas verbas, né, do governo estadual e do governo federal. Sobre o governo estadual, será possível o repasse dessas verbas para agilizar a inauguração?

GERALDO ALCKMIN, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Olha, o que está havendo no Brasil inteiro? A tabela do SUS, hoje, ela não cobre 50% dos gastos, então você tem um primeiro problema que é a não correção da tabela do SUS, e o governo federal já avisou que não vai corrigir. Então nós vamos ter mais um ano com inflação de 10% na área de saúde ela dolarizada, então a inflação ela é muito mais alta sem correção, você imagine 12 anos sem correção na tabela, evidente que no Brasil inteiro as Santas Casas estão fechando, nosso problema não é falta de leito, nosso problema é falta de custeio. No Brasil inteiro você deve ter mais de 20 mil leitos fechados, porque não tem como operar porque não tem dinheiro para manter. Então é preciso verificar a causa do problema, a causa do problema é o subfinanciamento da saúde, tem prédio, tem equipamento, mas não consegue funcionar porque não tem recurso para custeio. Então vai ser um primeiro problema que é importante. Em relação a rede filantrópica ou municipal, o estado de São Paulo é o único do Brasil que apoia...

GERALDO ALCKMIN, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Por exemplo, eu estou indo agora à Praia Grande. Nós colocamos no hospital Irmã Dulce R$ 62 milhões por ano. Um hospital que não é nosso, só de custeio. Não é nenhuma obra. Então nós estamos colocando em torno de R$ 700 milhões no estado inteiro só para suprir o déficit da tabela do SUS. O hospital dos Estivadores, que é municipal, nós pusemos na obra R$ 25 milhões. O que disse o prefeito? “Eu não preciso mais de dinheiro no prédio, eu preciso de custeio”. Foi no Ministério da Saúde, o que o Ministério da Saúde falou? Não vou credenciar, eu não credencio nada novo. Então vai entrar em operação sem um centavo do SUS. Então nós vamos dividir, a prefeitura e o estado. Então estou colocando R$ 11,5 milhões até dezembro, começa já no mês que vem com R$ 500 mil, só pra custeio. Agora é preciso avaliar, eu vejo, às vezes, muitas vezes crítica à saúde. E a crítica é feita ou ao prefeito ou ao governador, que são os únicos dois que estão trabalhando pra saúde e estão investindo na saúde. E o grande ausente, que é o Governo Federal, que está indo embora do financiamento do SUS, ninguém fala nada. Ou vai acabar o SUS, que não tem jeito, ou precisa colocar recurso. Porque quando iniciou... Eu fui relator da lei orgânica de saúde, quando era deputado federal, dois terços do financiamento era o governo federal, hoje é menos que 40%, é um terço. Então você pega Diadema. A prefeitura investe 36% na saúde. Mais de um terço de tudo que ela arrecada é pra saúde, e é o dia inteiro pau, pau, pau, crítica, crítica, crítica. É preciso avaliar a questão. A população envelheceu, o Brasil não é mais um país jovem, é um país maduro que caminha pra ser um país idoso. A medicina muito sofisticada, então caríssima, né? Ressonância magnética, tomografia, muitos médicos mal preparados, eles têm medo de processo. Não assumem nada, só empurra pra frente. Pedi exame, pedi exame, pedi exame, pedi exame, e medo de ter problema. Muita iatrogenia. O que é iatrogenia? É doença ocasionada pela intervenção, pela cirurgia, pelo exame, pelo hospital. Em Campinas no ano passado morreram três pacientes fazendo ressonância magnética, eles não tinham nada, justamente nada, morreram três jovens. Só perceberam o erro na terceira morte, isso chama iatrogenia. É também ocasionada pelo excesso de intervenção que hoje existe. Então a gente precisa repensar um pouco essas coisas. Agora, o governo do estado é o que mais investe em saúde. Tanto é que os casos graves do Brasil inteiro acabam vindo pra cá. E a gente estoura o teto. Nós estouramos o teto perto de um bilhão por ano, e não recebemos nem esse pouquinho do SUS a gente não recebe. Nós temos serviço de câncer funcionando há seis anos sem credenciamento. O hospital dos Estivadores, quando vai ser credenciado? Ninguém sabe. Vai começar operar daqui a pouquinho, zero do SUS, nenhum credenciamento. Então é preciso analisar um pouco esse conjunto de situações. A parte do estado são os chamados hospitais de referência. Então nossa parte... Nós não temos como ter hospital em todas as cidades, então você tem referências, né? Câncer, UTI, as nossas referências são Guilherme Álvaro, moléstias infecciosas Guarujá, e Itanhaém que nós vamos... E Registro que vai ter agora também o novo hospital para o Vale do Ribeira. Então boas referências pra região.

REPÓRTER: O senhor falou que o estado não aguenta mais um ano assim, mais um ano de crise pela frente. Na visão do senhor, o SUS corre risco de ser extinto?

GERALDO ALCKMIN, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Não, não é que corre risco de ser extinto, precisa rediscutir o financiamento. Por exemplo: eu fiz uma proposta que o custo é quase zero pro Governo Federal. Se você pegar em média, por exemplo, o Instituto do Câncer em São Paulo, ou o serviço de câncer do Guilherme Álvaro. O Instituto do Coração ou os serviços nossos do estado, em média 20% dos pacientes têm seguro saúde, e nós não recebemos nada, nem um centavo, zero, zero, zero. Então quem ganha com isso? É a seguradora, porque a seguradora recebe do paciente e na hora de prestar serviço o governo presta. Quem tá ganhando é a seguradora. Então, o que é que tem que ser o correto? Nós atendemos, não perguntamos quem é, se tiver seguro, depois mandamos a conta. Para isso o Governo Federal tem que nos autorizar. Eu... Um amigo agora no começo do ano, foi à Itália e quebrou a perna, fratura grave de perna. Foi atendido, ninguém perguntou pra ele se ele tinha seguro ou não tinha. Foi atendido, foi operado, pôs aquela espécie de gaiola, né, aqueles ferros na perna, depois que foi atendido aí perguntaram: “O senhor tem seguro saúde?”. Ele falou: “Eu tenho um seguro de acidente, de viagem”. Dá aqui. Aí recebe do seguro. É isso o que nós temos que fazer. Então tem que ter uma lei federal delegando quem que atendeu. Foi a prefeitura. Se tiver convênio ela cobra da seguradora, e com esse dinheiro reinveste no SUS. O estado ele atendeu, o Incor, Dante Pazzanese, Hospital das Clínicas, nós temos cem hospitais, nós recebemos e reinvestimos na saúde. Isso é um pleito que está na área federal, nós estamos até tentando apressar lá, isso vai ajudar. Porque o problema é financiamento. Medicina mais cara, população mais idosa, precisa colocar mais dinheiro. Então a gente sabe que tá todo mundo sem dinheiro, né? Mas o mais rico é o federal, é preciso colocar mais recurso. Tá bom?

REPÓRTER: O seu partido faz parte da base de apoio do governo interino. Isso não dá uma perspectiva melhor para o senhor de que a coisa possa mudar?

GERALDO ALCKMIN, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: É, o governo acabou de assumir e nós estamos insistindo. Eu fui relator da lei orgânica de saúde, a lei 8.080. O SUS ele é um modelo interessante, a Constituição brasileira estabeleceu conceito de seguridade social. O que é a seguridade social, chamado Welfare State, o estado de bem-estar social? É um tripé, previdência, assistência e saúde. A previdência é contributiva, se você não pagar, não aposenta, assistência social não precisa pagar, mas é um salário e é para aquele que a lei determina, idosos sem renda ou pessoa com deficiência e a saúde é para todos, todo mundo, vai desde a vacina até o transplante de órgãos, não precisa nem ser brasileiro, se o estrangeiro estiver andando aqui no Brasil, caiu, quebrou o braço, vai ser atendido de graça. Então ela é universal e gratuita integral. Universalidade, gratuidade, integralidade. Bom, então quem paga? O governo. Qual governo? Os três governos. Então o que acontecia lá atrás? Toda a assistência médica é do Inamps. Eu sou médico, lembro bem disso, então aposentadoria e INPS, hoje INSS, assistência médica e Inamps, tudo federal. E os postos de saúde, centro de saúde do estado. Veio o SUS, o estado passou para a prefeitura os postos de saúde, nós não temos mais posto de saúde, é tudo municipal, e o governo federal passou todos os hospitais. Eles não têm mais nenhum hospital. Não tem médico, não tem hospital, não tem enfermeira, não tem nada. Transferiu para os estados, e depois que transferiu e não tem mais nada vai indo embora, vai saindo do financiamento. Então você tem que, olha, ou esse modelo para se sustentar ele vai ter que ter recurso. Estou dizendo tudo isso pra gente ter o pé no chão porque o nosso problema não é prédio novo. Tem 20 mil leitos vazios no Brasil, 20 mil leitos sem ocupar, o problema é custeio, como é que você põe para funcionar? Como é que você faz custeio. Tá bom. A última aí.

REPÓRTER: A respeito da duplicação da Rodovia Padre Manoel da Nóbrega, o senhor vê como uma importante obra pra região, e ela acontece essa obra?

GERALDO ALCKMIN, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Olha, nós discutimos com os prefeitos da região e qual a preocupação, e é uma preocupação correta da região? Se você vai fazer a concessão desse trecho e também a duplicação até a Régis Bitencourt, você precisa ter pedágio. Aí o morador da região ele tem um trânsito local, tem um trânsito metropolitano. Então falou: Não dá pra fazer isso sem ter as marginais. Então você faria as marginais pra ninguém precisar andar na autoestrada. O trânsito local das cidades andam nas marginais, fora, não paga pedágio, nada. E aí você tem uma rodovia fechada, maior velocidade, mais segura, e o trânsito local. Isso é o que nós estamos estudando e desenvolvendo, porque você tem muita interferência, aqui tá tudo conturbado, né, uma cidade emendou na outra. Isso vai ter que ser feito, nós estamos estudando a melhor maneira de fazer.

REPÓRTER: Governador, o senhor falou da questão da...

REPÓRTER: Governador, espera aí, deixa eu fazer que é importante. É importante aqui.

REPÓRTER: O senhor falou da questão do problema da atual crise, da omissão do Governo Federal. O senhor acredita que diante da atual realidade há possibilidade de se aumentar parcerias dos estados e municípios em projetos de médio e grande porte? O senhor acredita que essa pode ser uma alternativa para a crise?

GERALDO ALCKMIN, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Olha, os recursos disponíveis são muito poucos, né? Enquanto a economia brasileira não recuperar, a arrecadação não vai melhorar. Então há uma expectativa de que no segundo semestre possa dar uma melhorada. Por que é que pode melhorar? A inflação tá caindo. Caindo a inflação, cai os juros e incentiva investimento. O câmbio se mantiver aí em R$ 3,50, ou daí pra cima, ele vai ajudar nas exportações, então a indústria começa a exportar. Então você tem alguns sinais de que o segundo semestre possa melhorar.

REPÓRTER: Governador...

GERALDO ALCKMIN, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: A última.

REPÓRTER: A última. É importante. Eu sou delegada estadual da saúde, eu tenho participado das conferências do estado, nós fomos em Águas de Lindoia, ficamos cinco dias discutindo a saúde a nível estadual, todas as cidades do estado de São Paulo, e a gente vê o empenho do Governo do Estado. Mas assim, eu gostaria só rapidinho de falar sobre a maternidade Itanhaém. Porque assim, a gente tem um problema muito sério aqui em Peruíbe que a maternidade fechou, né? E assim, é muito ruim esse jogo de empurra. Hoje nós tivemos um enterro na hora que estava sendo inaugurado o fórum, nós tivemos o enterro de uma moça de 26 anos que morreu de parto, foi pra Itanhaém, mandou pra casa, foi pra Praia Grande, mandou pra casa. Então assim, a prioridade em inaugurar essa maternidade em Itanhaém. Se o senhor tem uma previsão. Porque assim, a deficiência tá muito grande, já é o terceiro caso aqui...

GERALDO ALCKMIN, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Mas em Itanhaém a maternidade tá aberta, né?

REPÓRTER: Não, mas a demanda não tá atendida.

GERALDO ALCKMIN, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Ah, Peruíbe.

REPÓRTER: Peruíbe tá fechada.

GERALDO ALCKMIN, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Vou verificar. Ok.

REPÓRTER: Quando vai inaugurar Itanhaém?

REPÓRTER: Inclusive, governador...

GERALDO ALCKMIN, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Não, Itanhaém, Itanhaém já tá funcionando.

REPÓRTER: Já tá funcionando. Mas a ampliação?

GERALDO ALCKMIN, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: É, o hospital inteiro vão ter 240 leitos, a obra tá indo bem, depois eu passo pra você as datas direitinho. Esse vai ser um dos maiores hospitais do estado, 240 leitos que é Itanhaém. Tá bom?

REPÓRTER: Obrigada. Categoria 15 de junho de 2016 [[]]