Coletiva - Estado de São Paulo inicia produção brasileira de vacina do Butantan 20201012

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Coletiva - Estado de São Paulo inicia produção brasileira de vacina do Butantan 20201012

Local: Capital - Data: Dezembro 10/12/2020

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JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Pessoal, boa tarde. Muito obrigado a todos pela presença. Vou tomar a liberdade para pedir um pouquinho de silêncio, em respeito aos jornalistas que aqui estão. Essa é a coletiva de imprensa de nº 151, que desta feita, mais uma vez aqui na sede do Instituto Butantan, em São Paulo. E a notícia e a informação que eu desejo oferecer a vocês nesta coletiva, é que o Instituto Butantan iniciou ontem a produção da vacina do Butantan, a Coronavac, aqui na sede do Butantan em São Paulo. Esta é a produção brasileira do Butantan, que está produzindo aqui com insumos que vieram da Sinovac, a vacina do Brasil, a vacina do Butantan. Um momento histórico que orgulha todos nós brasileiros. O Butantan mais uma vez sai à frente e começa a produzir no Brasil uma vacina que vai salvar milhões de brasileiros. Para produzir a quantidade de vacinas que a urgência nos impõe, a fábrica do Butantan, que funcionava em escalas passará a partir de agora a funcionar 24 horas por dia, sete dias por semana. Já autorizamos o Instituto Butantan a contratação de mais 120 técnicos para reforçar a produção da vacina, os novos profissionais vão se juntar aos 245 que já estão diretamente envolvidos na produção da vacina do Butantan. Com isso a capacidade de produção da vacina chegará a 1 milhão de doses por dia. Não é só São Paulo que tem pressa, é o povo brasileiro, que quer voltar à normalidade, o novo normal depende da vacina, uma vacina segura, eficaz, com credibilidade e quer permita a imunização de milhões de brasileiros, em São Paulo e em outros estados do país. Repito, o anseio pela vacina é nacional, hoje 12 estados do país, incluindo São Paulo, já formalizaram a solicitação para a vacina do Butantan, e 912 municípios de todo o Brasil já manifestaram interesse também na mesma forma, formalmente, para obter a vacina do Instituto Butantã, para a imunização dos seus trabalhadores de saúde. Reafirmo aqui, como governador do estado de São Paulo, que o Instituto Butantan vai disponibilizar 4 milhões de doses da vacina para atender os trabalhadores de saúde, médicos, paramédicos, aqueles que estão no fronte envolvidos diretamente salvando vidas dos brasileiros, para que possam ser imunizados e protegidos nessa primeira etapa. Além de iniciarmos, repito, dia 25 de janeiro, a imunização conforme o PEI - Plano Estadual de Imunização, que já foi apresentado aqui a vocês há dois dias. O Brasil não pode ficar assistindo o mundo iniciar a vacinação e aqui prosseguirmos em uma discussão e em um debate interminável e inconclusivo, o que nos coloca de braços cruzados. São Paulo não cruza os braços, São Paulo vai ajudar todos os estados brasileiros que solicitarem, assim como seus municípios, para juntos salvarmos vidas. Somos uma República Federativa, e devemos atuar em sintonia, sobretudo, em um momento tão grave como esse, para vencer a insensibilidade, a falta de compaixão, e o dever e a obrigação de iniciarmos imediatamente a vacinação dos brasileiros. O Reino Unido, a Grã-Bretanha, aprovou em tempo recorde uma vacina e já começou a imunizar a sua população. Por que aqui no Brasil, se já temos uma vacina, a vacina do Butantan, temos que aguardar mais tempo? Por que iniciar a vacinação em março, como foi mencionado pelo Ministério da Saúde, se podemos iniciar agora em janeiro, de forma segura eficiente? Precisamos ter humildade, reconhecer experiências bem-sucedidas, no Brasil e no exterior, eliminar qualquer viés político, ideológico e eleitoral, não era, não é e não será o tema ideológico partidário e político a comandar uma decisão desta ordem, para salvar a vida de milhões de brasileiros, milhões que já foram infectados pela COVID-19, milhares que já perderam sua vida, e outros tantos que poderão ser infectados e perderem sua vida também. A cada dia que passa mais de 800 brasileiros estão perdendo a sua vida. E nós aqui no Brasil, no Governo Federal, relutando, hesitando, fazendo discussão política ideológica, quando devíamos estar todos de mãos dadas, trabalhando em conjunto para vacinar a população do Brasil? Esta é a pergunta que não foi respondida pelo Ministério da Saúde. O SUS é uma conquista do Brasil, o Sistema Único de Saúde em ação conjunta de estados, municípios e Governo Federal, sempre foi assim. Programas de imunização existem no Brasil há mais de 50 anos, e o SUS há cerca de 35 anos. Todos os governos, independentemente das suas posições, das suas ideologias, dos seus posicionamentos, souberam agir de forma integrada, com os estados, para proceder a imunização dos brasileiros em outras situações, com outras vacinas em outros momentos. Por que exatamente agora, diante de uma pandemia, a mais grave dos últimos 100 anos, não trabalhamos de mãos dadas? São Paulo está dando as mãos a todos os estados os municípios, e a todos os brasileiros que desejam a vacina do Butantan. Faremos todos os esforços, todo o sacrifício para garantir a vacina para todos que pedirem. Hoje li um manifesto de cientistas em alguns jornais brasileiros, cientistas das mais importantes instituições da ciência no Brasil. Fiquei muito sensibilizado ao ler o texto assinado por homens e mulheres que dedicam a sua vida, a sua existência à saúde, dizendo que a imunização no Brasil precisa começar o mais rápido possível. E que imunizar é ato de solidariedade, é dever, é obrigação de um governo responsável, de um governo que tem, repito, compaixão, e que leva em conta cada vida. Hoje ao anunciarmos a produção da vacina aqui no Instituto Butantan, onde estamos, ajudamos a construir uma parte dessa boa história de um instituto que agora em fevereiro completa 120 anos de existência. De renome internacional, e que nos permite confiança, eficiência e produtividade. Vital Brasil, que atuou aqui, no Instituto Butantan, disse uma vez: "A única felicidade da vida está na consciência de ter realizado algo útil em benefício da comunidade". E em benefício da comunidade, da ciência, da saúde e da vida nós aqui temos a vacina. Viva, portanto, à vacina do Butantã! Viva à essa instituição de 120 anos de existência! Viva à vida! E viva ao Brasil! Vamos ouvir agora o doutor Dimas Covas, presidente do Instituto Butantan.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: Boa tarde, governador. É indiscutível a minha emoção neste momento, governador. Agradeço imensamente pelas suas palavras, os nossos funcionários que estão aqui, certamente estão todos emocionados. Porque alguma centena de metros daqui, governador, nós estamos produzindo essa vacina. Primeira vacina contra o Coronavírus produzida em solo nacional. Primeira vacina no Brasil, já brevemente disponível para a vacinação. É um orgulho de todos nós, fruto do esforço que realizamos desde o começo desse ano, fruto de todas essas batalhas que temos travado durante todo esse tempo, algumas batalhas muito doloridas, governador, muito doloridas porque inclusive atingem a credibilidade desse instituto. Um instituto, governador, que surgiu para combater epidemias. O senhor mencionou Vital Brasil, mas eu tenho que mencionar os fundadores, esse instituto foi fundado por Emílio Ribas, Adolo Lutz, e Vital Brasil foi o seu primeiro diretor. Na sua história grandes cientistas, como Afrânio do Amaral, e tantos outros, que tiveram na sua vida profissional, na sua vida científica, a possibilidade e a disposição de enfrentar outras epidemias. Foi assim com a Peste Bubônica, foi assim com a Febre Amarela, foi assim com a Poliomielite. Mais recentemente com a Meningite, com a epidemia de H1N1. Em todas essas epidemias o Butantan, na linha de frente, trazendo e produzindo vacinas. Não poderia ser diferente, governador, nessa ocasião, nesse momento tão difícil da nossa vida, da vida desse país. Então essa vacina, que começa a ser produzida, é, sem dúvida nenhuma, um atestado aos nossos funcionários, à dedicação dos nossos funcionários, e uma mensagem de otimismo ao nosso povo. O Butantan trabalha em favor da vida, o Butantan tem cumprido a sua missão, está no seu slogan, a serviço da vida, e nós estamos aqui muito orgulhosos de apresentar essa vacina produzida aqui no Butantan, já a partir dessa semana. Vou apresentar brevemente alguns dados, visto que não é possível aos jornalistas visitarem a fábrica, a fábrica é considerada um local de segurança máxima, e, portanto, não é possível adentrar nesse momento na fábrica. Vou apresentar alguns dados gerais, e na sequência um vídeo obtido recentemente essa semana dessa fábrica em funcionamento. Então essa é a característica geral, uma fábrica, uma unidade produtiva já certificada pela ANVISA, já em operação. Em uma área de 1.880m². Isso são os equipamentos que estão lá funcionando, duas máquinas de envaze, dois inspetores, enfim, essas são as características técnicas. E atualmente nós produzimos sete vacinas, incluindo a Influenza, e 13 soros. Isso representa, essas são as vacinas, Raiva, HPV, Hepatite A, Hepatite B, Influenza, Trivalente, H1N1, DTPA, e 13 soros. Nós produzimos anualmente 120 milhões de doses, ou seja, 20 produtos entregues nesse quantitativo ao Ministério da Saúde, integralmente. Toda essa produção vai direto ao Ministério da Saúde. E aqui, governador, é importante lembrar, todas as demandas que o Ministério da Saúde nos tem feito nós temos atendido. O ano passado nos solicitou o adiantamento da vacinação da gripe, adiantamos em mais de um mês. O ministério nos pediu a produção de H1N1, produzimos 2,5 milhões de doses a pedido do ministério. Então nós somos um grande parceiro do Ministério da Saúde, talvez o mais importante nesse momento. E nos colocamos à disposição para ser também para essa vacina. E esperamos, governador, que ainda isso aconteça, que o nosso Ministério da Saúde, atendendo os princípios do nosso SUS, isso é importante, o senhor mencionou o SUS, que foi consolidado na Constituição de 1988, e que diz lá: A saúde é direito de todos e dever do estado. Então, governador, hoje, nós temos aqui prefeitos do Rio Grande do Sul, prefeitos de Santa Catarina, prefeitos de Goiás, prefeitos do Rio de Janeiro, e eu saúdo aqui o prefeito Rodrigo Neves, que é prefeito de Niterói, em nome dos demais. Esses prefeitos, juntamente com os 11 governadores que já manifestaram a sua intenção, na minha opinião, eles querem que o nosso SUS seja apenas respeitado, eles querem que os princípios do SUS sejam respeitados, e que o programa nacional de imunização, o maior programa de vacinação público do mundo, seja respeitado, incorporando essa vacina, é o que nós queremos, governador, é o que nós queremos, queremos essa vacina para todos os brasileiros, para todos os municípios, né, com o financiamento do nosso Ministério da Saúde, não tem sentido qualquer outra alternativa, e estamos prontos pra começar a fazer isso junto ao Ministério, se assim o nosso ministro, que ontem mencionou a disposição de incorporar qualquer vacina, se o ministro se dispuser, basta me telefonar, basta me ligar e eu prontamente, né, colocarei as vacinas à disposição daquele órgão. Próximo. O governador anunciou, nós estamos com 245 colaboradores, vamos aumentar pra 120 e um esquema de trabalho sete dias, sete por 24, tudo pra fazer com que essa vacina seja produzida muito rapidamente, próximo. Esse é o que nós já estamos produzindo, recebemos 600 litros de matéria prima, um milhão de doses por dia, né, vamos chegar progressivamente esse quantitativo, próximo. Esses são passos envolvidos na produção, não vou detalhar, né, mas ela fica à disposição dos senhores jornalistas, próximo. E esses são estados, né, que já manifestaram interesse, aqui já formalizado, né, e 276 municípios já formalizados, 912 municípios já manifestaram intenção e devemos formalizar nos próximos dias. Próximo. Na sequência, governador, vamos ver o vídeo da fábrica. Essa é a fase já de dispensação da vacina. São detalhes da operação, que é tudo automatizado. Aí já os frascos selados, né? Enfim, são as imagens, né, que foram obtidas dessa produção, e volto, então, a encerrar a minha fala, governador, essa é a vacina que estamos produzindo a algumas centenas de metros daqui. Agradeço aos nossos funcionários pelo empenho, agradeço ao nosso governador, né, pelo apoio inestimável a todo Butantan, a todo Estado de São Paulo, e a todo Brasil, governador, o SUS é uma construção coletiva, e o senhor está exatamente reforçando o espírito federativo do nosso SUS, ao abrir a possibilidade da vacinação para todos os estados e municípios, eu agradeço, governador, muito obrigado.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Dimas Covas, eu vejo aqui vários profissionais aqui do Instituto Butantan, acompanhando a coletiva, eu queria renovar o agradecimento, como governador de São Paulo, a cada um de vocês e aos que não estão aqui também, pelo esforço, pela dedicação, pelo tempo, pelo comprometimento pela vida, o Instituto é Butantan, mas é um instituto da vida. Vamos agora às perguntas, sempre pedindo a colaboração dos jornalistas pra que tenhamos uma pergunta por cada veículo, a ordem é CNN Brasil, TV Cultura, a CGTN, a televisão da China, Agência Reuters, a Rádio CBN, o Portal UOL, a Rádio Bandeirantes, Rádio Band News, e a TV Globo, Globo News. Começando com você, Tainá Falcão, da CNN Brasil. Onde estamos? Estamos num ambiente novo aqui, eu estou um pouco perdido aqui, aqui, tá deste lado, sempre foi do lado direito, agora tá desse lado aqui.

TAINÁ FALCÃO, REPÓRTER: É, eu também me perdi, mas cheguei.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Tainá.

TAINÁ FALCÃO, REPÓRTER: Vamos lá. Boa tarde. Governador, eu queria saber o que aconteceu nessas conversas, de terça-feira, daquela reunião, né, ali com um pouco de conflito com o Governo Federal, e depois acabou acarretando numa fala mais harmoniosa do ministro da saúde, citando, inclusive, pela primeira vez, a Coronavac, o que se sucedeu dali pra agora, e também como é que tá sendo articulada a questão da logística, acho que o Dr. Dimas pode falar, com os estados que foram citados aqui, caso parta, né, de São Paulo, se mantenha aí o plano estadual, caso a vacina não vá pra um plano federal. E do contrário também, como é que tá sendo articulado junto com o Ministério da Saúde, caso o Ministério aceite incorporar a vacina Coronavac no plano federal.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Tainá, obrigado pela pergunta, embora dividida em duas partes, obviamente, vamos responder as duas. Com o Ministério da Saúde, quero primeiro esclarecer que eu não recebi nenhuma ligação do ministro da saúde, houve consultas de jornalistas que me perguntaram se o ministro teria ligado pra falar comigo, não falou, se ligar, responderei e atenderei com toda educação como sempre o fiz, seja com ele, seja com qualquer outro ministro, e o que nós desejamos do Ministério da Saúde é uma manifestação clara, objetiva, escrita, divulgada nos meios de comunicação de que a vacina do Butantan, a Coronavac, fará parte do programa nacional de imunização, é isso que nós esperamos, é isso que a comunidade científica do Brasil espera, é isso que as pessoas de bom senso desejam, é isso que a população brasileira espera sob responsabilidade do Governo Federal, através do seu Ministério da Saúde, que vai adotar, sim, a vacina do Butantan, a Coronavac, assim como todas as demais que igualmente a vacina do Butantan, forem aprovadas pela Anvisa, eu até o presente momento não li, não tomei conhecimento, não assisti e não ouvi esta manifestação, portanto, fica aqui a mensagem ao Ministério da Saúde, sejam claros, diante de uma pandemia, que leva quase 850 vidas todos os dias, por favor, sejam claros na informação para opinião pública brasileira, adotem a vacina do Butantan, que vocês sabem que é uma vacina eficaz, que vocês sabem que é uma vacina que vai ajudar a salvar vidas de milhões de brasileiros, que a Anvisa também sabe, que ainda que tenha que proceder os seus protocolos ao longo de 30 dias, e nós vamos aguardar este protocolo de 15 de dezembro até 15 de janeiro, todos vocês sabem que esta é uma vacina que poderá imunizar milhões de brasileiros, por que não adotá-la? Por que aguardar até março, ou até fevereiro? Se podemos fazer isso já em janeiro. Eu convido aqui o presidente Jair Bolsonaro, presidente Jair Bolsonaro, salve vidas dos brasileiros do seu país, dos brasileiros que o elegeram, e os que não elegeram também, somos todos brasileiros e, presidente Bolsonaro, cada vida importa, cada dia perdido, são mais pessoas mortas no Brasil. Dimas.

DIMAS COVAS, DIRETOR DO INSTITUTO BUTANTAN: A logística de todo plano nacional de imunização, né, é feita uma central de distribuição do Ministério da Saúde, localizado aqui em Guarulhos, então, para o Butantan, isso era natural, quer dizer, remetemos as vacinas para esse centro de logística, esse centro de logística faz a distribuição nacional. E não havendo essa possibilidade, o Butantan vai se articular com os estados e municípios para assumir essa logística, né, nós vamos organizar de forma que não haja nenhum empecilho do ponto de vista de transporte, conservação dessas vacinas. Tenha visto aí pela imprensa que as empresas aéreas já estão se colocando à disposição, né, para o transporte dessa vacina, né, nem todo transporte das vacinas é feito por via aérea, muitos é por via terrestre, né, enfim, uma logística complexa, mas que nós poderemos, junto com os estados e municípios, planejar no tempo certo e executar no tempo certo.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Dimas Covas. Tainá Falcão, da CNN, mais uma vez, muito obrigado. Vamos agora a Maria Manso, da TV Cultura. Maria, boa tarde, sua pergunta, por favor.

MARIA MANSO, REPÓRTER: Boa tarde. Eu queria saber se o Instituto Butantan vai usar a legislação da Covid que obrigada a Anvisa a liberar uma vacina já autorizada por outras agências, aí incluindo a agência da China, caso até 25 de janeiro essa liberação não saia. E se vocês quiserem comentar a declaração que o presidente da República acabou de fazer, ele disse lá no Sul, que nós estamos no finzinho da pandemia. O que a nossa equipe acha dessa, de mais essa declaração, por favor.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Bem, Maria Manso, sobre essa declaração, eu vou pedir que os médicos, que aqui estão, se manifestem, e sobre a sua primeira pergunta, primeira parte da sua pergunta, será Dimas Covas. Dimas, respondendo a primeira questão da Maria Manso, depois, na sequência, João Gabardo e Jean Gorinchteyn.

DIMAS COVAS, DIRETOR DO INSTITUTO BUTANTAN: Maria, são vários--

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: E o Medina também, perdão, hoje mudou um pouco aqui o perfil, eu estou tão acostumado lá no Palácio dos Bandeirantes, com a apresentação, perdão. Dimas Covas, na sequência Jean, Medina e terminando com Gabardo.

DIMAS COVAS, DIRETOR DO INSTITUTO BUTANTAN: Maria, são vários os mecanismos que existem para o uso de uma vacina, o mecanismo tradicional é a submissão à nossa Anvisa, pelo chamado rito habitual, né, que era o que estava em vigor até algum tempo atrás. A Anvisa colocou, além do rito normal, o que se chama de autorização pra uso emergencial, né, então, essa é uma novidade, isso não acontecia anteriormente, né, então é possível pelos dois caminhos. Nós vamos submeter aos dois caminhos, né, brevemente teremos os resultados da fase três, da eficácia, e vamos submeter ao rito normal e a solicitação de uso emergencial. Paralelamente a isso, esses dados também serão avaliados, remetidos a agência chinesa de vigilância sanitária, portanto, vamos ter três processos em andamento, dois aqui na Anvisa e um na China. É possível que o registro na China saia muito rapidamente, muito rapidamente significa antes do final desse ano, isso acontecendo, né, nos remete a uma outra legislação, inclusive uma legislação, né, uma lei que foi promulgada no início desse ano, especificamente pra questão do enfrentamento da pandemia, e que diz lá, num determinado artigo, que é possível a importação e uso de equipamentos, medicamentos para a Covid, tá, desde que registrado nas agências de vigilância de cinco países, incluindo a China. Isto acontecendo, a Anvisa terá que se manifestar, quer dizer, nós não podemos usar, mesmo existindo essa disponibilidade, sem ter um aval da Anvisa, mas aí ela tem um prazo expedido pra se manifestar, obviamente que isso não significa que ela tem que endossar integralmente, ela pode rejeitar ou aceitar, mas ela terá que fazer isso em 72 horas. Em 72 horas ela terá que dizer sim ou não. Quer dizer, esse é o caminho, vamos dizer, o caminho alternativo, porque o ideal seria pelo rito normal, ou pelo uso emergencial.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Dimas. Conforme prometido, Jean Gorinchteyn, José Medina e João Gabbardo. Quem vai responder à mais essa infeliz colocação do Presidente Jair Bolsonaro é a ciência, é a medicina, são os médicos que estão no fronte, ao lado de enfermeiros, médicos de todo o país, sacrificando as suas vidas para salvar brasileiros, em uma pandemia que não está no finalzinho. Jean.

JEAN GORINCHTEYN, SECRETÁRIO DA SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: O Brasil contabiliza hoje 6.728.452 milhões de casos, já com 178.995 casos. Mostrando que infelizmente nós ainda estamos vivenciando uma pandemia, e uma pandemia que vem mostrado nos últimos dias, nas últimas três semanas, o aumento das médias móveis de mortes, de internações, e de casos. Portanto, não só nós não estamos no final da epidemia, mas temos que estar vigilantes com a velocidade da instalação de novos casos, mortes e internações. Qualquer fala diferente dessa pode erroneamente fazer com que a nossa população não siga as nossas orientações, como médicos e gestores da saúde, de seguirem os preceitos sanitários, de não se aglomerarem, de usarem máscaras, de procurarem ficar em casa, e quando necessário, saírem com responsabilidade. É fruto dessas falas que nós vemos as pessoas livres, circulando como se nada tivesse acontecendo, e não só são em festas, são encontros, são em bares, são nos comércios de rua, de forma a colocar todos em risco, inclusive o nosso sistema de saúde.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Jean. José Medina, doutor José Medina.

JOSÉ MEDINA, COORDENADOR DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: Obrigado, governador. Então do ponto de vista médico, cada um de nós tem observado um número crescente de pessoas com COVID-19 ao seu redor. Então a chance de contágio é muito maior do que quando teve o primeiro pico. Se nós observarmos a curva de crescimento do número de casos no Brasil, para chegar de 20 a 40... Então mais uma vez, para alcançar de 20 a 40 mil, dobrar o número de casos no primeiro pico no Brasil, isso demorou quase três meses. Nesse segundo pico que começou a acontecer em novembro, até dezembro, demorou um mês para chegar de 20 a 40 mil casos. Então o crescimento desse segundo pico ele é muito mais acentuado, porque a base de infectantes é muito maior. Todos nós lembramos que no começo tinha uma região que tinha um determinado número de casos, enquanto outros estados, outras regiões do estado de São Paulo não tinha nenhum caso. Hoje todas as cidades brasileiras tem, pelo menos, um paciente, tem muito mais do que um paciente, que está contagiado e que é um paciente infectante. Então isso requer um cuidado muito grande no mês de dezembro. Então primeiro nós temos que retomar a questão do fique em casa. E aquela saudação que normalmente nós fazemos: "Boas festas", nós temos que abolir, nós temos que trocar boas festas por fique em casa. Temos que utilizar aquele Feliz Natal, aquele Feliz Ano Novo, como nós utilizávamos no passado, sem muita festa, sem muita troca de presente, e sem aglomeração de pessoas. Isso não significa que nós não podemos visitar nossos avós, nossos pais durante esse período. Desde que seja feita essa visita, com um determinado protocolo, como o comércio em geral segue, utilizam máscara, mantenham o distanciamento, e um tempo de exposição curto, que faz com que a chance de contágio seja menor. E é evidente que o Natal e dia de ano não dá para transferir para outra data. Também não dá para transferir o Carnaval para uma outra data, mas os organizadores do Carnaval tiveram bastante juízo, o Carnaval continua, não sei se esse ano é fevereiro, ou qual é a data do Carnaval, eles transferiram a festa de Carnaval para o mês de junho. Então essa foi uma medida prudente, e nós devemos fazer a mesma coisa no nosso seio familiar, ou com os nossos amigos, porque o número de casos é bastante crescente. Eu volto a repetir, para mudar, para dobrar de 20 para 40 mil no primeiro pico demorou quase três meses, para crescer de 20 para 40 mil nesse segundo pico, ele demorou menos de um mês. Muito obrigado.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito obrigado, doutor José Medina. E terminando com outro médico, que foi secretário executivo do Ministério da Saúde, na gestão Mandetta, e foi secretário da Saúde no seu estado, no Rio Grande do Sul, doutor João Gabbardo.

JOÃO GABBARDO, COORDENADOR EXECUTIVO DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: Boa tarde, governador. Boa tarde, a todos que acompanham a coletiva. Infelizmente essa é mais uma projeção, mais uma previsão totalmente equivocada que se faz a respeito do enfrentamento dessa epidemia. O Brasil, nos últimos dois dias, apresentou, como há muitos dias não tinha esse número, mais de 50 mil casos confirmados, mas especificamente teve ontem, há dois dias atrás, 51.517 mil casos, ontem, 53.504 mil casos confirmados. Uma série de dois dias com mais de 50 mil. Nós não víamos isso há muito tempo. O Brasil apresentou nos últimos dois dias 844 óbitos, e depois 839 óbitos, estamos chegando novamente próximos de mil óbitos diários. Essas previsões equivocadas, elas terminam propiciando comportamentos inadequados da população, que a população fica muito mais resistente a aderir às orientações e distanciamento social, a necessidade de evitar aglomerações. Isso tudo atrapalha muito os gestores que de uma forma responsável tentam passar para a população que as coisas não estão boas, os números, toda a epidemia, são os piores, nunca teve tanta gente internada em UTI no Rio Grande do Sul, como tem nessa última semana. Então é absolutamente inapropriado, inadequado esse tipo de previsão.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Vamos agora, Maria Manso, obrigado. Vamos agora a para a televisão chinesa, a CGTN, com o Tiago Gabriel. Vamos colocá-lo aqui em tela, para a sua pergunta. Bem-vindo à coletiva.

TIAGO GABRIEL, REPÓRTER: Boa tarde, governador. Boa tarde, a todos. Gostaria de saber se já existem planos de exportar a Coronavac para outros países aqui da América Latina, levando em conta inclusive o histórico do Brasil, com relação à imunização? E a capacidade de produção prevista para o Butantã já anunciada? Se existe essa previsão. E para quando ela seria possível? Se já tem alguma tratativa, algum acordo com as nações da América Latina nesse sentido? Obrigado.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Tiago, obrigado pela pergunta. Passo ao presidente do Instituto Butantã, Dimas Covas. Dimas.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: Tiago, existem sim planos, não apenas planos, mas inclusive já negociações em curso. O Butantã junto com a Sinovac, e isso é público aqui no Brasil, nós oferecemos ao Ministério da Saúde 100 milhões de doses até maio. E ao mesmo tempo foi anunciado 40 milhões adicionais, para toda a América Latina. Semana passada estive na Argentina, aonde já adiantamos um protocolo inicial de intenções, de fornecimento inicial de 10 milhões de doses, não assinamos ainda, apenas adiantamos esse entendimento. Com o fornecimento a partir também de janeiro. Da mesma forma temos pleito semelhante no Peru, do Uruguai, de Honduras, do Paraguai e da Organização Pan-americana de Saúde, que abriu uma concorrência, ou seja, solicitou propostas de fornecimento de vacinas com um preço definido. E nós estamos também preparando a documentação para oferecer à Organização Pan-americana de Saúde que nessa empreitada está em associação com a UNICEF, das Nações Unidas. Então sim, temos essa possibilidade, muito próxima também de acontecer.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Dimas Covas. Tiago Gabriel, muito obrigado. Vamos agora à próxima pergunta, que é a da Agência Roiters, com o seu correspondente no Brasil, Eduardo Simões. Obrigado mais uma vez ao Tiago, da televisão chinesa. Vamos agora à agência internacional Roiters. Agora sim, Eduardo Simões, boa tarde, obrigado por estar participando. Sua pergunta, por favor.

EDUARDO SIMÕES, REPÓRTER: Obrigado, governador. Boa tarde. Boa tarde, a todos. Eu gostaria de saber, esses acordos que o Butantã firmou com outros estados, ou que está negociando com outros estados e municípios, qual o preço unitário por dose? SE já tem essa definição dentro desses acordos. E caso o Ministério da Saúde decida incluir a Coronavac, se esses acordos acabam ficando descartados, já que a vacina vai ser fornecida completamente para o ministério, nesse caso? Obrigado.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Eduardo. Logicamente, também tenho que passar à resposta do presidente do Instituto Butantan, que tem sido responsável por esses entendimentos e essas negociações. Dimas Covas.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: Eduardo, na realidade, nós não usamos a palavra preço para essa vacina, nós usamos a palavra custo. Quer dizer, o Butantan é um instituto público de saúde, e ele opera na base de custos, e tem um pequeno ressarcimento. Nesse caso aqui, além desse ressarcimento nós temos a nossa parceria com a empresa chinesa, e isso envolve um percentual destinado ao ressarcimento da própria Sinovac, e principalmente na questão que envolve os royalties e a transferência de tecnologia. O custo ofertado ao Ministério da Saúde, e isso foi ofertado mediante abertura de planilha, é importante, porque em algum determinado momento alguém mencionou que gostaria de ver as planilhas. Isso foi ofertado em setembro, em uma reunião com toda a equipe do ministério, nós levamos a planilha desses custos. E naquele momento o custo era de US$ 10,30. Então essa proposta continua na mão do nosso Ministério da Saúde, da mesma forma que tem ainda, em validade, acredito eu, uma correspondência assinada pelo ministro, dizendo que sim, havia interesse de aquisição dessa vacina, de incorporação ao Programa Nacional de Imunização, desde que a vacina fosse autorizada pela ANVISA. Acredito que isso está ainda em curso, ou seja, não recebi nenhum ofício desdizendo o primeiro ofício, embora todas essas tratativas do ponto de vista da documentação esse ofício existe. Com relação aos municípios e estados, esse custo é público, ele foi publicado. Então nós operamos com base nesse custo, US$ 10,30 a dose. Se o ministério incorporar, essas vacinas serão destinadas ao Programa Nacional de Imunização, como são as demais vacinas. E isso sempre aconteceu e esperamos que isso possa continuar acontecendo.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito obrigado, Dimas. Eduardo, muito obrigado. Mas eu gostaria de complementar dizendo que em uma pandemia, vida não tem preço. Ontem eu assisti uma entrevista do ministro da Saúde dizendo que depende de preço. Quer dizer, que para salvar uma vida há a análise do preço de uma vacina? Quando no mundo inteiro os países que estão comprando vacina de diferentes preços para salvar a sua população. E aqui o Ministério da Saúde diz que depende do preço? Em que país nós estamos? Que país é esse que não dá valor à vida, à existência? Vai barganhar agora com a vacina que salva? Seja a vacina do Butantã, seja a vacina de Oxford, seja a AstraZeneca, sejam a Moderna, seja a vacina de Janssem, ao custo que tiver, pela necessidade que há. Ainda assim, ministro, sai mais barato do que o custo da internação no Sistema Único de Saúde, nos estados e nos municípios, com as UTIs, os médicos, os fisioterapeutas, aqueles que se envolvem e se arriscam pela vida. E ministro, e presidente Bolsonaro, uma vida não tem preço. Próxima pergunta é da jornalista Vitória Abel, da Rádio CBN. Vitória, sua pergunta, por favor.

REPÓRTER: Boa tarde, governador, boa tarde a todos. Eu queria começar perguntando sobre a autorização que a Anvisa divulgou agora há pouco, decidindo conceder autorização temporária de uso emergencial. Ao que nos parece, já é uma pré-decisão da Anvisa. Queria saber o que isso muda para o Instituto Butantan, se vocês vão manter essa data de 15 de dezembro para fazer os dois pedidos para a Anvisa. E vocês tinham, alguns integrantes do governo tinham a previsão de que essa eficácia da vacina poderia sair já ontem. Já existe uma previsão de sair esse índice de eficácia da vacina? Qual é essa expectativa de eficácia? Aproveitando também, governador, vocês divulgaram aí dos estados que estão interessados, outros países que estão interessados na vacina. Essas quatro milhões de doses, que iriam para outros locais, vão ser suficientes? Vocês pretendem comprar ou produzir mais para esses estados? Tenho uma outra pergunta, o senhor me permite mais uma?

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DO ESTADO DE SÃO PAULO: Vitória, vamos respeitar. Você sabe que eu gosto de você, respeito muito você, como os demais jornalistas também, e o seu veículo, mas duas perguntas, a combinação era uma. Eu vou pedir ao Dimas para fazer a resposta, mas em relação às quatro milhões, eu posso antecipar. São quatro milhões de doses que nós disponibilizamos para os estados que solicitarem. Onze estados, além, evidentemente, de São Paulo, que não faz parte dessa conta de quatro milhões, já terão a vacina para os trabalhadores da saúde, os profissionais da saúde. Clara e objetivamente, nós estamos falando da disponibilização de vacinas para o atendimento àqueles que estão no front, que são os mais vulneráveis neste momento, diante da pandemia. Portanto, nós temos quatro milhões. Onze estados já se credenciaram, formalizaram a solicitação, formalizaram também com o número e a quantidade. Agora, passamos a um rápido entendimento com todos eles, para chegar a qual o volume de vacinas. Foram rápidos, foram objetivos, foram governadores que não ficaram discutindo questão política, ideológica, nem se Bolsonaro vai gostar ou vai deixar de gostar. Se preocuparam, clara e objetivamente, em salvar vidas dos seus estados. Dimas.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: Bem. Vitória, esse procedimento, embora hoje tenha sido publicado o extrato da decisão, é a autorização para uso emergencial. Ele vale para todos os fabricantes, para todas as vacinas, não é específico para a vacina do Butantan. O Butantan vai, sim, se utilizar desse expediente. Ele é um expediente diferente do registro habitual, porque ele prevê a utilização para grupos específicos, ele autoriza para grupos específicos a cada momento, mas nós vamos submeter a esse procedimento. Com relação a volumes, o plano estadual, juntamente com essas quatro milhões de doses, totalizam, de janeiro a março, 23 milhões de doses. Nós temos 46 milhões, então nós estamos trabalhando nessa primeira fase, já prevendo a segunda fase e, eventualmente, a terceira fase. Temos já em negociação, por autorização do nosso governador, mais 15 milhões de doses, que devemos formalizar muito brevemente. Então, do ponto de vista de quantitativo e de capacidade de produção, nós estamos plenamente aptos a atender essa primeira fase da vacinação.

REPÓRTER: Sobre a eficácia.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, obrigado--

REPÓRTER: Sobre a eficácia só, que o Dr. Dimas não respondeu.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Ah, sim, pra complementar, sobre a eficácia. Desculpa.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: A eficácia, como nós anunciamos, ela deve ser divulgada até dia 15 desse mês, até semana que vem. E, com base nos resultados da eficácia, iniciar aí todos esses procedimentos de pedido de registro e de uso emergencial.

REPÓRTER: Obrigado, Dimas, Vitória Abel, obrigado. Amanhã, nós teremos, Vitória e demais jornalistas que aqui estão, uma nova coletiva de imprensa, aqui mesmo no Instituto Butantan, às 12h45. É uma coletiva de imprensa adicional, extra, que vai tratar especificamente do tema de saúde e medidas adotadas aqui no Estado de São Paulo. Aproveito para convidar a todos para que estejam aqui novamente, às 12h45, inclusive você, Vitória. E amanhã, se ainda estiver válida a sua pergunta, por favor, fique à vontade para formular. Eu queria também, antes de convidar a Adriana Perrone, eu tive que fazer uma pequena inversão aqui, para que a Adriana não perdesse o seu link, depois vamos ao Lucas e à Maira. Mas queria lembrar também quais são os estados, embora já tenhamos informado ontem. Os estados que solicitaram a vacina ao Butantan, através dos seus governadores, foram: Acre, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul, Ceará, Espírito Santo, Paraíba, Pará, Roraima, Piauí e Rio Grande do Norte, 11 estados, com São Paulo, 12 estados. Vamos agora então à Adriana Perrone. Boa tarde, sua pergunta, por favor.

REPÓRTER: Olá, boa tarde. Muito obrigada pela inversão, obrigada, colegas. Secretário Jean disse recentemente que há insumos suficientes para vacinação. No entanto, a gente tem um pregão marcado para hoje, empresas interessadas já manifestaram uma certa preocupação com os prazos. Gostaria que os senhores explicassem se, de fato, há insumos suficientes para a vacinação, que está prevista agora já com datas aí para o começo do ano, e, se sim, o porquê do pregão. Por favor, obrigada.

JEAN GORINCHTEYN, SECRETÁRIO ESTADUAL DE SAÚDE DE SÃO PAULO: Muito bem, Adriana. Nós, nessa primeira etapa do Plano Estadual de Imunização, imunizaremos nove milhões de pessoas. Para isso, nós precisaríamos 18 milhões de doses da vacina Coronavac, do Butantan, bem como o mesmo número de agulhas e de seringas, bem como de materiais. Nós já temos nos nossos estoques 27 milhões de agulhas e seringas. Dessa maneira, é natural que precisemos, para as fases subsequentes, que acontecerão no final de março, abril, a aquisição desses materiais, para podermos fazê-lo. Portanto, está garantida a realização dessa primeira fase, tanto com o número de doses de vacina, bem como de todo o material necessário, como a logística que já está sendo estipulada.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Quer complementar alguma coisa?

JEAN GORINCHTEYN, SECRETÁRIO ESTADUAL DE SAÚDE DE SÃO PAULO: [ininteligível] comentou, lembrando que seis milhões das doses de Coronavac, elas já vieram prontas, [ininteligível], com agulhas e seringas.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Gabardo, obrigado, Jean. Adriana, apenas para complementar, de novo, a prova da ineficiência, da incapacidade, da falta de planejamento do Governo Federal e do Ministério da Saúde. Quem deveria prover insumos, agulhas, seringas, EPIs, equipamentos de proteção individual, aos estados brasileiros, é o Ministério da Saúde do Brasil, sempre foi assim nas vacinações. É inacreditável que nós tenhamos um Ministério da Saúde que não se preocupa com a saúde. Já foi assim com os respiradores, o drama dos respiradores no Brasil, que vocês aqui, todos, acompanharam, em todos os estados brasileiros. Saindo loucamente em busca de respiradores, mundo afora, com uma demanda enorme, de 216 países em busca de respiradores e de insumos também para o sistema de intubação, quando isto seria uma responsabilidade centralizada, e depois distribuída, do Ministério da Saúde. O mesmo em relação às seringas. Há outros estados que não têm a situação de São Paulo. Nós temos um estoque de seringas, temos um estoque de agulhas, temos um estoque de EPIs. E os estados que não têm? Vão sair agora à cata disso no mercado internacional, pagando o preço que os fabricantes, os fornecedores desejam? Mais um desastre do Ministério da Saúde no Brasil. Parece que nós não estamos diante de uma pandemia.

Lucas Teixeira, do UOL. Lucas, boa tarde, obrigado.

REPÓRTER: Boa tarde. Dr. Dimas, queria entender tecnicamente um pouco mais essa questão da eficácia e da aprovação da vacina. A produção começou. É possível que tanto aqui ou na China seja pedida alguma revisão, seja pedida alguma alteração? E se sim, isso poderia atrapalhar o que já está sendo produzido? Obrigado.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: Eu entendo revisão no estudo de eficácia?

REPÓRTER: Isso, é, se no caso poderiam pedir alguma alteração sobre a produção. Para entender tecnicamente, porque às vezes a gente fica em dúvida, fala que, ah, o estudo da eficácia, e tal. Daí, se não vier o resultado esperado, é possível que isso aconteça? É possível... Entende? Agora, que a vacina já está sendo produzida aqui.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: Perfeito. O estudo e eficácia é baseado, eu já mencionei algumas vezes, no número de casos que ocorrem entre as pessoas do estudo. O número mínimo para fazer a primeira análise era 61, nós acabamos terminando com 98 casos. Então, essa fase de análise de eficácia está ocorrendo com 98 casos. Pode ser absolutamente conclusivo, quer dizer, pode concluir pela eficácia, é o que nós acreditamos e esperamos. Se houver uma situação que não é habitual, dado esse número, é possível que se espere a 151 casos. Mas nós não consideramos essa possibilidade no momento, dado o número elevado de casos. Outras vacinas tiveram a sua eficácia demonstrada com um número assemelhado, então algumas até com um número inferior, 94 casos, e a cada dia vão aparecendo mais casos. Então é possível que, muito proximamente, nós já tenhamos os 151 casos. Portanto, eu não vejo nenhuma dificuldade nesse sentido.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito bem. Obrigado, Dimas, Lucas, obrigado pela pergunta. Vamos agora... Agora sim à última pergunta de hoje, que é da Rádio Bandeirantes e BandNews, com a Maira. Maira, obrigado. Sua pergunta, por favor.

REPÓRTER: Obrigada. Bom, boa tarde, governador, boa tarde a todos. Eu ia falar justamente sobre os indicadores da pandemia, porque nessa semana, por causa do tema vacina, nas coletivas, acabou não sendo divulgado. Mas parece que vai ter uma coletiva amanhã sobre isso? Então queria saber o que pode ser adiantado em relação à possibilidade de reabrir hospitais de campanha, estender horários, por questão de aglomeração, e aos bares, que é o que tem sido aí recomendado pelo Centro de Contingência. Obrigada.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Maira, eu posso responder, até porque amanhã nós teremos uma coletiva integralmente dedicada a isso. São vários temas, várias preocupações, algumas das quais você corretamente colocou na sua pergunta. Mas amanhã teremos uma coletiva aqui completa e exclusivamente dedicada a isso. Eu, inclusive, não estarei, aqui estarão os médicos responsáveis pelo Centro de Contingência do Covid-19, Dr. Dimas estará aqui, logicamente, ele é o nosso anfitrião, o Jean Gorinchteyn também. O nosso Medina, amanhã, ele não sabia dessa coletiva, porque ela foi determinada hoje pela manhã, e ele já tinha um compromisso, mas estará bem representado aqui. E amanhã então, Maira, nós, às 12h45, vamos ter uma panorâmica completa. Estamos, sim, preocupados. Queria antecipar que há uma preocupação do Governo do Estado de São Paulo em relação ao país, mas há, obviamente, a nossa responsabilidade em São Paulo, em relação ao aumento de infecções, de ocupação dos leitos de UTI e também de óbitos. E tudo isso será apresentado amanhã, como operacionalizar, mas sobretudo, quero aproveitar a oportunidade aqui para pedir a solidariedade das pessoas, das famílias, pais, mães, avós. Também os que são empreendedores, empresários. Por favor, nos ajudem, nos ajudem a salvar vidas. Não promovam aglomerações, estimulem o uso de máscara. A máscara é obrigatória no Estado de São Paulo, em qualquer situação. É obrigatório o uso de máscara, se você estiver fora da sua casa, e mesmo no seu ambiente de trabalho, nós temos recomendado que as pessoas usem máscara, façam distanciamento social, usem álcool em gel. E quero também deixar aqui uma mensagem para as pessoas que estão na esperança da vacina. E a vacina, de fato, é a esperança. Mas até termos a imunização de todos os brasileiros no país, nós ainda teremos que usar a máscara, ainda teremos que utilizar o álcool em gel, ainda teremos que fazer o distanciamento e nos proteger, porque só com a imunização de todos é que nós estaremos livres da Covid. Não será o início da vacina, Dimas, que dará o livre conduto para que você abandone a máscara, abandone os cuidados, o zelo para a proteção da sua vida, da vida da sua família e das pessoas que estão mais próximas. Então, deixo também esta mensagem. O Dimas quer fazer uma observação, por favor.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: Governador, gostaria de, ao final, agradecer à Federação Catarinense de Municípios, através do seu presidente, Paulo [ininteligível], que está aqui conosco. São 290 municípios--

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Cadê você, Paulo? Estou vendo tanta gente aqui... Está aqui. Trouxe vários prefeitos aqui de Santa Catarina, aliás, temos prefeitos de Santa Catarina, Goiás, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. Quatro estados com prefeitos que estão aqui, e que já formalizaram suas solicitações para a vacina. Perdão, Dimas.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: E agradecer ao nosso secretário Vinícius Lummertz, que trouxe pessoalmente esses prefeitos e, na tarde de hoje, nós vamos assinar o protocolo de intenções e vamos fazer uma videoconferência com os demais prefeitos. Então, agradeço, Vinicius, agradeço, Paulo, pela especial deferência.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito obrigado, Dimas Covas, obrigado a todos que estão aqui participando dessa coletiva, aos jornalistas, técnicos, cinegrafistas, fotógrafos, aos que estão remotamente nos acompanhando, sejam jornalistas, sejam cidadãos. Por favor, use máscara, oriente o uso da máscara, oriente, se você é pai, se você é avô, oriente os mais jovens para, por favor, não participarem de festas e eventos, até termos a plena vacinação do Brasil. Falta pouco. Se tivermos a capacidade do Governo Federal de vacinar mais brasileiros, mais rapidamente. Até lá, cuidado, zelo, uso de máscara e vacina já. Obrigado, uma boa tarde a todos. Pessoal, os cinegrafistas e fotógrafos estavam pedindo uma fotografia. Desculpa, eu não tinha lido aqui no meu celular. Vamos fazer então a foto pra vocês, com a vacina.