Coletiva - Estado de SP terá restrição de circulação entre 23h e 5h até 14 de março 20212402

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Coletiva - Estado de SP terá restrição de circulação entre 23h e 5h até 14 de março 20212402

Local: Capital - Data: Fevereiro 24/02/2021

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JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Bem, boa tarde, muito obrigado a todos pela presença, vamos dar início a mais uma coletiva de imprensa, aqui no Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo. Participam da coletiva de imprensa de hoje: Paulo Menezes, coordenador geral do centro de contingência do Covid-19, João Gabardo, coordenador executivo do centro de contingência do Covid-19, Fernando Capez, presidente do Procon, Cristina Megide, chefe do centro de vigilância sanitária do Estado de São Paulo. General João Campos, secretário de segurança pública do Estado de São Paulo. Jean Gorinchteyn, secretário de saúde do Estado de São Paulo. Patrícia Ellen, secretária de desenvolvimento econômico. Marco Vinholi, secretário de desenvolvimento regional. E a Dra. Regiane de Paula, coordenadora geral do programa estadual de imunização. Toque de restrições. Com recorde de internações por Covid, o Governo do Estado de São Paulo decreta, a partir desta sexta-feira, um toque de restrição de circulação na faixa horária entre 23 horas e cinco horas da manhã, válido em todo Estado de São Paulo, de 26 de fevereiro até o dia 14 de março, repito, dado ao fato de que chegamos a um recorde de internações de Covid-19 no sistema hospitalar do Estado de São Paulo, o Governo do Estado de São Paulo, atendendo expressa recomendação do centro de contingência do Covid-19, decreta restrição de circulação das pessoas, das 23 horas, das 11 horas da noite, até às cinco horas da manhã, em todo Estado de São Paulo, de 26 de fevereiro a 14 de março. Esclareço que atendendo a recomendação dos médicos e cientistas, que compõem o centro de contingência do Covid-19, temos que adotar essa medida para proteger vidas, proteger vidas de brasileiros em São Paulo, nós não temos nenhuma satisfação em adotar uma medida como essa, mas temos a necessidade de aplicar essa medida para proteger vidas, e proteger vidas significa garantir a existência, sem vidas não há consumo, mortos não consomem, mortos penalizam famílias, entristecem cidades, regiões, o Estado de São Paulo e o país, o Estado de São Paulo chegou a 6.500 pessoas internadas em leitos de UTI, é um recorde histórico desde fevereiro do ano passado, quando tivemos o primeiro caso de Covid no Brasil, e aqui no Estado de São Paulo. Diante dessa situação bastante preocupante, repito, a partir de 26 de fevereiro, sexta-feira dessa semana, até o dia 14 de março, o Governo do Estado de São Paulo decreta restrição de circulação na faixa horária entre 11 da noite e cinco horas da manhã. Lembro que várias cidades europeias, regiões e países também adotaram medidas restritivas de circulação, e o mesmo já vem ocorrendo aqui no Brasil, e em São Paulo, algumas cidades, em alguns estados. A pandemia não acabou, o vírus continua circulando, sim, temos a vacina, e a vacina do Butantan, principalmente, de cada dez vacinados, no Brasil, nove recebem a vacina do Butantan, mas eu volto a repetir aqui o que tem sido um mantra praticamente dos últimos dois meses, Governo Federal, Ministério da Saúde, precisamos de mais vacinas, o Brasil precisa de mais vacinas, por favor, comprem mais vacinas. Outras vacinas também são necessárias, além da Astrazeneca e a vacina do Butantan, que são as duas únicas vacinas que temos no momento, sendo que a do Butantan representa a expressiva maioria das vacinas disponíveis no Brasil, precisamos das vacinas, da Sputnik, da Pfizer, da Jehnsen, da Moderna, e toda e qualquer vacina que aprovada pela Anvisa ou por entidade internacional equivalente, possa ser adquirida pelo Ministério da Saúde e disponibilizada aos brasileiros, não é razoável a relutância na compra de vacinas, ou excesso de exigências para compra de vacinas, precisamos de mais vacinas, o Instituto Butantan foi autorizado por mim, como governador de São Paulo, a negociar com o laboratório Sinovac a entrega de mais insumos para a produção de mais vacinas, vamos atender ao pedido do Governo Federal para mais 30 milhões de doses da vacina do Butantan, desde que não seja exigida mais a exclusividade para venda ao Ministério da Saúde, desta maneira, outros estados, outros governos estaduais e governos municipais poderão adquirir a vacina do Butantan, de acordo com as suas conveniências, e o próprio Governo do Estado de São Paulo o fará, conforme já anunciei aqui, compraremos mais 20 milhões de doses da vacina do Butantan para complementar a imunização, se necessário for, aqui no Estado de São Paulo, é mandatório que todos os brasileiros sejam vacinados até 30 de dezembro deste ano, até que tenhamos a vacinação majoritária dos brasileiros, temos que manter as medidas restritivas, como uso de máscara, evitar aglomerações, fazer o distanciamento social, manter higiene das mãos e os mecanismos protetivos para a saúde e a vida. Segunda informação de hoje se dá exatamente sobre as vacinas, no dia de hoje estamos entregando ao Ministério da Saúde, hoje, dia 24 de fevereiro, mais 900 mil doses da vacina do Butantan, essas vacinas vão para o programa nacional de imunização, repito, hoje estamos entregando mais 900 mil doses prontas da vacina do Butantan para o Ministério da Saúde, para o programa nacional de imunização, até o dia cinco de março, portanto, até a semana que vem, chegaremos a marca de 15 milhões e 400 mil doses distribuídas da vacina do Butantan, e até 30 de abril, confirmo, estaremos entregando 46 milhões de doses da vacina do Butantan para o sistema nacional de imunização do Ministério da Saúde. Sobre este tema, o secretário estadual de saúde, Jean Gorinchteyn, detalhará o programa. Agora, pra falar sobre as medidas restritivas que, infelizmente, somos obrigados a atender a recomendação de médicos e cientistas que compõem o centro de contingência do Covid-19, passo a palavra ao Dr. Paulo Menezes, que é o coordenador geral do centro de contingência do Covid-19. Na sequência, com comentário do Dr. João Gabardo, e com as intervenções, na sequência, da Dra. Cristina Megide, que coordena a vigilância sanitária do Estado de São Paulo, o presidente do Procon, Dr. Fernando Capez, e o secretário de segurança pública do Estado de São Paulo, General João Campos. Então, passo a palavra agora ao Paulo Menezes.

PAULO MENEZES, COORDENADOR GERAL DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19 DE SÃO PAULO: Muito obrigado, governador, boa tarde a todos. Eu queria projetar o primeiro slide, por favor. Nós já estamos acompanhando e tínhamos uma preocupação com o período chamado de Carnaval, no meio do mês de fevereiro, e tomamos uma série de medidas pra que não houvessem aglomerações naquele período, acho que grande parte da população respondeu a esse apelo e as medidas colocadas pelo governo, a partir das recomendações do centro de contingência, mas, infelizmente, particularmente na última semana, nós estamos observando aqui um aumento importante no número de novas internações no Estado de São Paulo. Então, da semana epidemiológica seis pra sete, um aumento de mais de 5%, e da sete pra oito um aumento de quase 10% no número de novas internações. Próximo. Esse aumento, ele é ainda mais evidente e dramático quando nós olhamos a ocupação de leitos de UTI, então, nos últimos dez dias, nós tivemos um aumento progressivo, batendo sucessivos recordes, se a gente pode chamar assim, no sentido de que, nos últimos dez dias, tivemos um aumento de 660 pessoas internadas a mais em leitos de UTI no Estado de São Paulo. Dessa forma, nós estamos extremamente preocupados, o Estado de São Paulo ainda tem um número bastante considerável de leitos disponíveis, mas, se nós olhamos pro futuro, nós temos uma previsão bastante preocupante, que é de poder esgotar os recursos de leitos de UTI em aproximadamente três semanas. Isso é consequência, provavelmente, das aglomerações que ocorreram há cerca de dez dias atrás, mas também pode haver outros fatores, nós temos discutido bastante a questão da introdução de variantes de preocupação do SarsCov2 no Estado de São Paulo, especialmente aquela variante vinda, identificada primeiramente em Manaus, que já está circulando em alguns municípios, já foi identificada em alguns municípios do Estado de São Paulo, e também temos visto situações de mudança muito rápida de situação, regiões ou municípios que estavam relativamente, se eu posso dizer, confortáveis, em termos de índice, de indicadores da pandemia e de disponibilidade de leitos e que, rapidamente, em uma, duas semanas, viram a situação mudar, e hoje passam por uma situação bastante dramática. Então, nesse sentido, nós propusemos, e o governo está aqui implementando essa medida chamada de toque de restrição, próximo, por favor, que é uma complementação ao que o Plano São Paulo já coloca. Então, o Plano São Paulo limita o horário de funcionamento de atividades não essenciais, agora, aqui o que nós queremos é reduzir as aglomerações e encontros que possam ocorrer principalmente no período noturno. Então, é uma restrição de circulação entre 23 horas e cinco horas da manhã do dia seguinte. Isso evita tanto grandes aglomerações, festas clandestinas, por exemplo, como também aquelas reuniões que parecem inofensivas, reuniões, dez, 15, 20 pessoas, que vão até mais tarde, mas onde ocorre grande transmissão do vírus em muitas situações. As aglomerações continuam sempre proibidas em qualquer horário, de dia ou de noite. E a multa por descumprimento do Plano São Paulo também é algo que já existe pra diferentes infrações, e aqui também para o não seguimento da restrição de circulação. Essas medidas são válidas, como o governador falou, a partir do dia 26 de fevereiro, até 14 de março. Próximo, por favor. E há uma força tarefa de fiscalização para que essas medidas sejam seguidas por todos, nós sabemos que a grande maioria da população segue as recomendações que são apresentadas aqui, mas, infelizmente, também é preciso haver a implementação de fiscalização pra aquela parcela que não segue essas recomendações, isso vai ser feito em conjunto, pelas vigilâncias sanitárias municipais e do estado, pela polícia militar e pelo Procon, conforme vai ser detalhado aqui pelos meus colegas que se seguem. Próximo, por favor. E aqui a gente tem o telefone 0800, que é um disque-denúncia para qualquer tipo de infração ao Plano São Paulo e eu convoco a população a utilizar, também participar dessa fiscalização, que deve ser de todos nós, no sentido de nós podermos, enquanto aguardamos a disponibilidade, a ampliação da vacinação que, realmente, vai poder nos levar a um outro momento, que nós continuemos com as ações pra redução da transmissão dos vírus através do distanciamento social, do uso de máscara, e de todas as medidas que nós temos aqui colocadas pelo Plano São Paulo. Muito obrigado, governador.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Dr. Paulo Menezes. Agora vamos a uma complementação, feita por João Gabardo, coordenador executivo do Centro de Contingência, sobre o mesmo tema.

JOÃO GABARDO, COORDENADOR EXECUTIVO DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: Boa tarde, governador, boa tarde a todos. Tem pouca coisa para acrescentar à apresentação do Dr. Paulo, mas o Centro de Contingência, vendo o que ocorreu em alguns países, o que ocorreu em algumas regiões do Brasil, na Região Norte, fundamentalmente, preocupado com a situação de determinadas regiões e municípios, no Estado de São Paulo, analisando o que vem acontecendo na Região Sul do país, que em uma semana derrubou o sistema de saúde do Paraná, de Santa Catarina, do Rio Grande do Sul... Porto Alegre hoje já atinge a sua capacidade máxima de atendimento, já tem pessoas na fila de espera, em postos de unidades de urgência, aguardando leito para poder internar. O Centro de Contingência não pode assistir passivamente ao que está acontecendo ao nosso redor e achar que, no Estado de São Paulo, isso não vai ocorrer. Então, essas medidas, que foram sugeridas pelo Centro de Contingência, têm o objetivo não só de ampliar a oferta de serviço, que é necessário, mas fundamentalmente de poder agir na redução da transmissibilidade da doença, de diminuir o número de pessoas. Essa variante que tem acontecido já com alguma incidência, elevada em algumas regiões, pode se expandir para outra regiões. Então, o governo acolheu essas medidas do Centro de Contingência, com essa... Tentando ser um pouco mais... Se antecipando ao que pode ocorrer. E obviamente que todos nós ficaremos com muita atenção aos números, aos indicadores, para os próximos dias, para a próxima semana. É muito preocupante o que vem ocorrendo e as medidas que são tomadas são absolutamente recomendáveis, necessárias para o enfrentamento da epidemia. Obrigado, governador.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, João Gabardo. Antes de seguirmos, estou olhando aqui alguns sites já com informação errada, então eu queria chamar a atenção dos jornalistas, que talvez, por um descuido... O horário de restrição é das 11h da noite, 23h, e não 22h. Acabei de ver aqui o site O Antagonista, pelo qual tenho enorme respeito, com informação equivocada, informando as 22h às 5h da manhã. É das 23h, 11h da noite, às 5h da manhã, por prazo determinado, de 26 de fevereiro a 16 de março. Peço, portanto, que, por favor, corrijam e fotografem a imagem que está aqui, com a indicação correta. Agora, vamos para Fernando Capez, presidente do Procon, dentro dessa força-tarefa que o Governo do Estado de São Paulo instituiu para a vigilância e obediência a este programa de restrições e de proteção à vida. Capez.

FERNANDO CAPEZ, PRESIDENTE DO PROCON: Boa tarde. O Procon, como fundação pública, cumpre rigorosamente a lei. O Código Penal, no art. 268, prevê uma infração de menor potencial ofensivo, consistente na conduta de quem infringe determinação do poder público, destinada a evitar a propagação de epidemia ou germes patogênicos. Está previsto no Código Penal. Estando previsto no Código Penal, evidentemente, na forma como o General Campos irá detalhar, provavelmente serão realizados termos circunstanciados, para que tenha início a persecução penal de infrações de menor potencial ofensivo. Quem estiver infringindo esta determinação, nos termos do art. 268 do Código Penal, estará praticando infração penal de menor potencial ofensivo, que levará à lavratura de termo circunstanciado. A partir do termo circunstanciado, sendo o fornecedor aquele que está realizando um evento, remunerado direta ou indiretamente, ele será submetido a um processo administrativo no Procon, que levará à aplicação de multas, que podem chegar a até R$ 10.260.000. A multa consistiria na prática abusiva, prevista no art. 39, inciso VIII, que é prestar serviço perigoso, potencialmente perigoso à saúde, violando normas regulamentares. Então, o Procon irá fazer isso, juntamente com a Secretaria de Segurança Pública. Em alguns casos, acompanharemos, iremos juntamente, inclusive, com as forças policiais, provavelmente Polícia Militar, para o flagrante, para [ininteligível] o flagrante, sob o ponto de vista administrativo. Lembrando que é uma infração pluriofensiva, ela viola o Código Penal, viola o Código do Consumidor, viola normas da prefeitura e normas sanitárias também. Então, é assim que agirá o Procon.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Fernando Capez, presidente do Procon, que integra esta força-tarefa, força-tarefa que é também integrada pelo Centro de Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo, com Cristina Megid, que faz uso da palavra neste momento. Cristina.

CRISTINA MEGID, DIRETORA DO CENTRO DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA DO ESTADO DE SÃO PAULO: Boa tarde, governador, boa tarde a todos. Governador, a gente está aqui hoje para reiterar o nosso compromisso, o compromisso da Vigilância Sanitária, com a proteção à saúde da população. Há sete meses, estamos tendo fiscalizações, sete dias por semana. Já fizemos cerca de 190 mil fiscalizações no estado. Recebemos denúncias dos usuários, da população, que isso é um veículo extremamente importante pra gente, a comunicação com a população, a conversa com a população. Dessas denúncias, 40% das nossas autuações são devidas a essa denúncia da população. Eu acho que é um dado extremamente importante, porque é a população acreditando no nosso trabalho, e a população também se cuidando, fazendo a denúncia. Essa força-tarefa, com certeza, vai, eu acho que fortalecer mesmo, já diz o termo, fortalecimento das nossas ações, em conjunto com o Procon, em conjunto com a Segurança Pública. Quero também aqui reiterar que a gente tem trabalhado muito com a Secretaria de Segurança Pública, temos tido bastante apoio, uma parceria bastante forte. Então, eu quero reiterar que a Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo, em parceria... Tanto a estadual como em relação aos municípios, a pactuação com os municípios, está bastante comprometida frente a essa nossa situação crítica, essa situação caótica. Muitas vezes, a gente encontra nas próprias fiscalizações relatos de pessoas dizendo que perderam ou alguém conhecido, ou algum parente, algum amigo. Então, ela fortalece as nossas ações. E o que a gente quer colocar é isso: as 190 mil fiscalizações também são fiscalizações de orientação, não só punitivas, mas a gente também orienta e a gente faz esse diálogo, tanto com a população em si como com os estabelecimentos, com os responsáveis por esses estabelecimentos. Temos tido um bom retorno da população. Lógico, as reclamações, principalmente das pessoas que são autuadas, dos empresários, mas nunca tivemos um problema grave, todos admitem que extrapolaram os seus limites. Uma outra coisa que a gente tem é que o próprio estabelecimento muitas vezes relata que não entendeu o Plano São Paulo. Por isso a nossa fala educativa, junto a esses estabelecimentos. Então, eu queria só reiterar a importância da parceria com a população, que ela continue acreditando na gente, na nossa fiscalização. Utilize o 0800, 24 horas por dia, sete dias por semana, e estamos devolvendo a resposta do nosso trabalho a todos vocês. Obrigada.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Dra. Cristina Megid. Antes de passar ao General João Campos, evidentemente que a cooperação das prefeituras municipais, em São Paulo, as 645 prefeituras municipais, e as suas vigilâncias sanitárias, são essenciais para que possamos ter o cumprimento desta orientação e deste período de restrição. E a compreensão também das pessoas, que têm que se proteger. E eu aqui quero me dirigir principalmente aos mais jovens, aos jovens, que... Eu compreendo a necessidade e o ímpeto que possuem, eu tenho filhos, em se reunirem, em festejarem, em saírem. Mas são esses jovens que, infelizmente, acabam se contaminando e, ao se contaminarem, contaminam também os seus pais, seus avós e seus demais parentes, que têm muito menos proteção do que os jovens e, consequentemente, estão muito mais vulneráveis à circunstância da Covid-19. Eu aprendi isso com os médicos, infectologistas, entre os quais o Dr. Jean Gorinchteyn, que está aqui ao meu lado. Então, é importante que todos tenham compreensão de que não apenas o Estado de São Paulo, mas outros estados, outros municípios e outros países também, isso não é um fato apenas de São Paulo, estão tomando medidas restritivas, para proteger vidas e não para prejudicar as pessoas, mas sim para garantir que possam continuar vivendo e desfrutando o convívio dos seus familiares, dos seus amigos e da sua própria existência.

General João Campos, secretário de Segurança Pública do Estado de São Paulo.

GENERAL JOÃO CAMPOS, SECRETÁRIO ESTADUAL DE SEGURANÇA PÚBLICA: Sr. Governador, boa tarde, senhoras e senhores, boa tarde. Governador, excelente a sua observação, porque para a segurança pública também a participação dos municípios, ela é fundamental. Nós continuamos firmes na nossa missão de proteger pessoas, governador. Ou seja, o 190 continua atendendo, de 40 a 60 mil ligações por dia. Como já disse aqui algumas vezes, o crime não faz quarentena. Mas mesmo assim, estaremos com muito vigor, com muita atenção a esse incremento em ações para a restrição de circulação, que está sendo anunciado hoje. Estaremos muito firmes nesse sentido. E como já foi dito pelo Dr. Capez e pela Dra. Megid, o nosso papel de fortalecer ainda mais, com equipes dedicadas para isso, as equipes de vigilância sanitária e as equipes da proteção do consumidor. Também estaremos incrementando as nossas próprias ações para cooperar cada vez mais em combater esse vírus. A Polícia Militar e a Polícia Civil, por intermédio do Dope, aqui na capital, estarão atentos às nossas ações. Estaremos também realizando blitz em algumas vias, para exatamente orientar e para exatamente verificar. Isso ajuda muito. E também, as nossas viaturas estarão orientando a população, por intermédio daqueles áudios que cada uma das viaturas pode transmitir. Juntos, Sr. Governador, somos mais fortes, e juntos combateremos esse vírus, e juntos, venceremos. Uma boa tarde a todos.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, General Campos, secretário de Segurança Pública do Estado de São Paulo, e faço aqui, antes de passar a palavra ao Jean Gorinchteyn, um apelo também à população do Estado de São Paulo: que denuncie festas clandestinas, aglomerações inadequadas, impróprias, para que os municípios, com suas vigilâncias sanitárias, a Vigilância Sanitária do estado e a Polícia Militar possam agir. São essas aglomerações, essas festividades, mais nocivas nesse momento, e que colocam em risco a saúde de milhares de pessoas. Quero fazer aqui um registro, por dever de justiça, que a maioria expressiva de restaurantes, estabelecimentos de alimentos e bebidas, no Estado de São Paulo, incluindo padarias, bares, cafés, tem procurado seguir a orientação correta do Governo do Estado de São Paulo, a maioria expressiva desses estabelecimentos age de forma correta, medem a temperatura, obedecem os horários de funcionamento, mantêm regras sanitárias, não só para os seus clientes como também para os seus funcionários, seus profissionais e seus fornecedores. O mais grave, neste momento, como já disseram aqui, é controlar festas clandestinas, que promovem aglomerações de pessoas sem máscaras, sem nenhuma restrição, sem nenhum controle sanitário, e ainda auferem lucro, colocando em risco a vida das pessoas, principalmente dos nossos filhos e dos mais jovens. Se você tem consciência e se você quer nos ajudar, denuncie, 190, telefone da Polícia Militar do Estado de São Paulo. Qualquer visualização, faça um vídeo e mande para a Polícia Militar, através do 190. Você receberá orientação nesse sentido. Para que possamos agir imediatamente. Não é justo que alguns ainda queiram lucrar promovendo eventos, promovendo festas, em detrimento à saúde pública e à vida de jovens, dos seus pais, dos seus parentes e da própria existência das demais pessoas, seja no Estado de São Paulo ou outros estados do país. Com a palavra, Jean Gorinchteyn.

JEAN GORINCHTEYN, SECRETÁRIO ESTADUAL DE SAÚDE: Boa tarde, governador, boa tarde a todos. Estamos na 8ª semana epidemiológica agora do ano de 2021, e São Paulo merece uma atenção redobrada, baseado nos índices da saúde. Tivemos um aumento, como vimos, expressivo no número de internações em Unidades de Terapia Intensiva em todo o estado. Atingimos hoje a nossa marca recorde, 6.657 pacientes que se encontram nas Unidades de Terapia Intensiva, esse para nós é o terceiro dia consecutivo de aumento desses números. A marca histórica que aconteceu em julho de 2020, tinha o número de 6.257 pessoas. Nesses últimos três dias 100 pessoas diariamente foram admitidas nas UTIs, como foi dito, mais de 660 pessoas foram internadas nas UTIs nos últimos dez dias. As médias de internação, seja em Unidade de Terapia Intensiva, seja também em enfermarias, tiveram cerca de 1.574 casos de internação, isso reflete um aumento de 9,1% em relação à semana anterior. Para piorar tudo isso, nós ainda temos que enfrentar um grande dilema das habilitações dos leitos das Unidades de Terapia Intensiva, são aproximadamente 11% apenas, do número total de leitos disponíveis, que estão habilitados. O que quer dizer que mensalmente o estado deixa de receber para o acolhimento dos pacientes, recursos para o COVID-19 nas Unidades de Terapia Intensiva, no valor de R$ 210 milhões. Sem contar R$ 1,400 bilhão que não foram aportados no ano passado. Isso impacta estado, isso impacta município, e isso esgota também não só UTI, como recursos de assistência. Precisamos realmente desses valores para continuar progredindo nessas ampliações. Precisamos maior rigor, intensidade das medidas sanitárias, especialmente das cobranças a serem realizadas, e é esse momento que se conjuga o esforço entre a população, as secretarias municipais da saúde, as prefeituras, o Procon, a Secretaria de Saúde, e a secretaria também de Segurança, através da Polícia Militar e da Polícia Civil. Nós vimos que esses dados impactaram exatamente da mesma forma que nós tivemos no final do ano as festas de final de ano, tivemos agora o próprio Carnaval elevando essas taxas, e comprometendo o nosso sistema de saúde. Não adianta só nós ampliarmos leitos, ampliar leito, distribuir respiradores, se essas medidas restritivas não forem feitas, teremos um impacto na saúde em 22 dias, em 22 dias deixaremos de acolher da forma que sempre estivemos fazendo, a saúde, preservando a vida. Então é uma forma sim preventiva. Hoje nós temos na taxa de ocupação em UTIs no estado, 69%, na grande São Paulo, 69,3%. Lembrem-se, que nas uras semanas a grande São Paulo tinha até uma margem até maior de distanciamento do interior, hoje a grande São Paulo supera as taxas e ocupação em leitos de Unidades de Terapia Intensiva. Os casos já são superiores a 2 milhões, nós temos 2,264 milhões de casos, e infelizmente, 58.528 mil pessoas perderam as suas vidas. Próximo, por favor. Aqui nós temos de forma seguida, foram três semanas seguidas que nós tivemos uma queda do número de casos, mas isso, volto a dizer, tivemos uma questão relacionada a um feriado, que em algumas municipalidades não aconteceram, muito possivelmente nós tenhamos esse aporte desses dados, tanto para casos, quanto para óbitos, nos próximos dias. Próximo. Mas sequencialmente, da mesma forma que nós tivemos inversamente proporcional, a queda aqui nós tivemos sequencialmente nas três últimas semanas uma elevação do número de internações. Como eu disse, nós tínhamos na semana passada 5,5%, essa semana, 9,1%. Portanto, um aumento considerável. Próximo. Número de óbitos, tivemos uma queda também sequenciada, volto a dizer, com relação aos aportes que não foram realizados. Portanto, retesados nos municípios, em 12% dos novos óbitos. Próximo. Eu vou passar agora todas as programações de entrega das vacinas que serão efetuadas ao longo dos próximos dias. Nós temos de 5 de fevereiro até 5 de março, um período que nós faremos a oferta de 6,7 milhões de doses da vacina do Butantã, para todo o país, através, portanto, do Programa Nacional de Imunizações. Importante lembrar que hoje, de cada dez vacinas que são administradas, nove são vacinas do Butantã. Próximo, por favor. As entregas agora programadas, como nós já tivemos janeiro, 8,7 milhões de doses foram entregues, fevereiro, 5 milhões de doses, e em março estaremos ofertando para o Programa Nacional de Imunizações, 1,7 milhões de doses, o que dá um quantitativo de 15,400 milhões de doses da vacina a ser distribuída pelo Butantã. Próximo, por favor. E teremos até abril, até 30 de abril, a entrega de 46 milhões de doses de vacina. E até 30 de agosto, um quantitativo de 54 milhões de doses adicionais, que darão o quantitativo de 100 milhões de doses ofertadas pelo Instituto Butantã, para o Programa Nacional de Imunizações. É óbvio que nós dependemos aí da chegada dos insumos que vem e são oriundos da China, mas eles estão absolutamente normalizados, portanto, a fabricação está acontecendo, nós temos hoje a produção de 600 mil doses/dia. Para as próximas semanas, 1 milhão de doses de vacinas diárias, para garantir que o programa nacional possa dar continuidade. Obrigado, governador.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito obrigado, Jean Gorinchteyn. Com isso terminamos aqui as nossas apresentações. Vamos às perguntas, começando, eu vou dar a relação de todos, para facilitar um pouquinho a orientação, e agilizar os procedimentos da coletiva. Começando com a CNN Brasil, depois TV Cultura, SBT, Rádio CBN, Rede TV, Portal IG, TV Globo, Globo News. Começando então com a CNN Brasil, com você, Tainá Falcão. Boa tarde, bem-vinda. Sua pergunta, por favor.

TAINÁ FALCÃO, REPÓRTER: Boa tarde, a todos. A minha pergunta é também já representando um questionamento que muita gente está fazendo, inclusive nas redes sociais, de nós jornalistas, que é sobre o porquê de não terem adotado medidas durante o dia, quando há maior circulação de pessoas e os serviços estão funcionando?

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Tainá, a resposta será feita pelo doutor Paulo Meneses, coordenador do centro de contingência de COVID-19, e com a intervenção de qualquer um dos que estão aqui. Mas eu posso lhe assegurar, o plano São Paulo existe de dia e de noite, não procede a informação de que não há restrições durante o dia. O plano São Paulo, que é um programa de quarentena, que está em prática desde março, ele estabelece sim restrições, e por isso as fases e os horários, não é verdade que durante o dia não há restrição, ou seja, face o que se desejar durante o dia, e não se pode fazer durante à noite. Vamos dar...

TAINÁ FALCÃO, REPÓRTER: Eu me refiro, governador, às medidas mais restritivas, por que não adotar medidas mais restritivas durante o dia? Esse é o questionamento que a população se faz.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Há uma razão para isso e a ciência vai explicar, mas eu antecipo a você, as pessoas não costumam beber durante o dia, bebem durante à noite. Doutor Paulo Meneses.

PAULO MENESES, COORDENADOR DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DE COVID-19: Obrigado, governador. Tainá, durante o dia, especialmente ao longo da semana, as atividades predominantes são atividades de trabalho, que seguem todos os protocolos de acordo com o faseamento do plano São Paulo. Então durante o dia existe, por exemplo, a limitação de ocupação de estabelecimentos comerciais, de shoppings, restaurantes, para manter o distanciamento social necessário. Também durante o dia a grande maioria das pessoas utiliza a proteção individual, as pessoas andam de máscara o tempo todo, quando estão fora de casa, e mantém os seus hábitos de higiene. Então as decisões sobre quanto restringir e como restringir, elas não são simples, porque elas têm implicações muito grande para a vida de cada cidadão, e para todos os negócios, toda a economia. De forma que o plano São Paulo faz isso, quando a situação epidemiológica está melhor, há a possibilidade de atividades até o horário permitido por aquele faseamento. Quando a situação epidemiológica piora de forma significativa, a gente tem a fase vermelha, e diversas regiões do interior do estado hoje estão já nessa fase. Então isso continua. A medida apresentada hoje é uma complementação que busca evitar o encontro que tem ocorrido, que não é necessário para a sociedade, muito pelo contrário, eles são encontros extremamente prejudiciais, não só para cada indivíduo, mas para a sociedade como um todo, porque são encontros que produzem alta transmissão de vírus. Então é nesse sentido que a medida cobre o estado todo, independentemente do faseamento de cada região, para que as pessoas não aumentem a transmissão a partir de evitar tanto as grandes aglomerações, como festas clandestinas, como também reuniões que parecem inofensivas, e eu acho importante frisar isso, os jovens, às vezes, fazem reuniões com 10, 15, 20 pessoas, que parece que é alguma coisa inofensiva, e ali ocorre a transmissão, eles voltam para as suas casas e acabam contaminando outras pessoas. É isso que a gente busca, com essa medida.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, doutor Paulo Meneses. Tainá Falcão, muito obrigado. Vamos agora à próxima, que é a TV Cultura, com a jornalista Maria Manso, na sequência, o SBT. Maria, boa tarde, bem-vinda. Sua pergunta, por favor.

MARIA MANSO, REPÓRTER: Boa tarde. Eu queria entender um pouquinho na prática essa nova medida de restrição, porque o estado todo, pelo plano São Paulo, já está da fase amarela para a vermelha. Então todos os serviços não essenciais fecham às 22h. O que vai acontecer a partir de agora às 23h? E se alguém tiver voltando do trabalho? Por exemplo, trabalha em um restaurante, que aí tem o processo de limpeza, saiu do trabalho às 23h da noite, ele já vai ser abordado pela Polícia Militar, por alguém na rua? Vai ter que explicar, apresentar alguma justificativa por estar na rua às 23h da noite trabalhando? E em paralelo a isso vocês também continuam controlando as novas cepas que estão circulando pelo estado? Por favor.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Maria Manso, você fez duas perguntas. Vamos à primeira, depois não deixaremos de responder. Vou pedir à Patrícia Ellen que responda à primeira parte, a segunda, o nosso médico infectologista e secretário de Saúde, Jean Gorinchteyn. Patrícia.

PATRÍCIA ELLEN, SECRETÁRIA DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO: Obrigada, governador. Essa é uma pergunta muito importante, porque nós estávamos sim operando com modelo de serviços não essenciais, na fase amarela, até às 22h, e na fase laranja até às 20h. E isso não muda, o funcionamento dos serviços continuam o mesmo, o que nós estamos fazendo com esse toque de restrição é exatamente também pedindo a colaboração da população, Maria, nós tínhamos a circulação de pessoas, há, de certa forma, o entendimento que, por exemplo, festas e aglomerações em casa, [Ininteligível] clandestinas estão proibidas desde o início. Então o trabalho que está sendo realizado agora é um reforço, por isso que é um toque de restrição, os serviços essenciais continuam podendo funcionar nesse período da noite também. Então, por exemplo, pessoas que trabalham em farmácias vão se locomover, pessoas que trabalham em hospitais vão se locomover, mas haverá uma fiscalização mais dura, principalmente quando as pessoas estão aglomeradas, em grupos. E hoje houve, e nas últimas semanas, um grande desafio, exatamente nesse trabalho conjunto entre a vigilância sanitária estadual, municipal, o Procon, e também a Secretaria de Segurança Pública porque a abordagem que será feita é obviamente pra entender qual que é o contexto que a pessoa está na rua. Agora, festas, aglomerações, grupos após o horário das 23h estão proibidos, e agora também há uma penalização pelo descumprimento do Plano São Paulo para além do uso de máscara e dos protocolos dentro dos estabelecimentos. O descumprimento à circulação fora de um contexto necessário após esse horário também será penalizado. Essa é uma mudança importante, junto com o que a Dra. Megid trouxe que eu gostaria de destacar que é esse pedido de colaboração da população. Nós recebemos especialmente nas nossas redes uma série de pessoas que, olha, eu vi uma aglomeração aqui. Então o Disque Denúncia ele passa a ter um papel ainda mais importante, o papel de todos nós como cidadãos de fiscalizar, porque nós vimos duas vezes agora, no Natal e no carnaval, que as pessoas que estão cumprindo os protocolos estão sendo penalizadas pelas pessoas que não estão cumprindo os protocolos. Então esse é um momento de muita colaboração, de muita solidariedade e a fiscalização vai apoiar nesse processo com a penalização desses poucos que estão descumprindo.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Patrícia. Antes de passar ao Dr. Jean Gorinchteyn, Maria, respondendo a você e aos demais jornalistas também, nós não iremos, evidentemente, punir ninguém que estiver retornando para sua casa. O transporte público não será interrompido, ele será restringido, limitado, mas não interrompido. E nem vamos penalizar alguém que trabalhou até as 10h da noite, por circunstâncias pega dois transportes pra chegar até a sua casa e excede o horário de restrição. Ele chegará a sua casa e não será multado. É preciso bom senso e nós estamos trabalhando dentro do bom senso. Essa não é a pessoa que está ferindo e está rompendo o Plano São Paulo, esse é um trabalhador ou uma trabalhadora retornando para a sua casa. E eu quero lembrar que é um toque de restrições, não é lockdown. Também estou lendo aqui várias notícias já publicadas em sites de respeito, inclusive de um grande jornal aqui de São Paulo, que é a Folha de São Paulo que fala em lockdown. Não é lockdown. E se tiverem dúvidas acessem no Google o que quer dizer lockdown e o que é um toque de restrições. Então também peço aos jornalistas e aqui especificamente, perdão por citar, mas por respeito a Folha de São Paulo não estamos decretando lockdown em São Paulo. Então é preciso ter também compreensão e a capacidade de informar corretamente a população. Restrição é uma coisa, lockdown é proibição total. Se tiverem dúvidas acessem o Google. Não é lockdown, é restrição, e restrição não é lockdown. Jean Gorinchteyn.

JEAN CARLO GORINCHTEYN, SECRETÁRIO DA SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito bem. Vamos só atualizar os dados que nós temos aqui recentes. Nós temos ao todo 39 cepas de Manaus no estado de São Paulo, essas cepas, 16 delas são autóctones, e quando nós dizemos cepas autóctones nós estamos falando que elas foram encontradas em pessoas que não tiveram história nenhuma de viagem para a região do Amazonas, ou não tiveram contato com pessoas que lá estiveram. Portanto, elas adquiriram essa variante aqui na sua cidade, seja no município, seja na capital, e dessa maneira aí se infectaram. É importante também reforçar que a identificação dessas cepas elas têm como importância nós sabermos exatamente qual é a cepa que está circulando numa determinada região até pra entender a dinâmica da pandemia naquela região. Ou seja, se eu tenho a variante circulante, nós já vimos, não existe trabalho que reforce isso, mas o que nós temos visto que tanto no Amazonas como em municípios como Jaú, como Araraquara que identificaram essa variante de cepa, o aumento do número de casos foi maior sugerindo o que nós chamamos de infectividade maior, uma transmissão maior de pessoa a pessoa, por isso a elevação do número de casos. Então estamos com uma cepa do Amazonas aqui na capital como autóctone já na capital, três em Jaú, 12 em Araraquara. As demais que nós temos são todas cepas que nós chamamos importadas, vieram com pessoas que estiveram viajando ou que entraram em contato com aqueles que lá estiveram. Então em relação a cepas britânicas nós temos já confirmadas, oito cepas britânicas confirmadas, sequenciadas, mais três ainda serão identificadas e confirmadas ou não, sendo que seis dessas cepas na capital como casos que nós chamamos... cinco deles são importados, um deles autóctone e dois em Sorocaba que são também casos importados. Portanto, nós já temos uma variante do Reino Unido aqui na capital autóctone. Portanto, identificando já a circulação dessa cepa na cidade de São Paulo.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Jean Gorinchteyn. Obrigado, Maria Manso. Vamos agora para o SBT com Flávia Travassos. Flávia, boa tarde. Obrigado mais uma vez por estar presente. Sua pergunta, por favor.

FLÁVIA TRAVASSOS, REPÓRTER: Boa tarde, governador. Boa tarde a todos. Queria saber do centro de contingência com essa restrição agora de circulação, em quanto tempo se espera que esses números de internação possam cair e em quanto isso pode cair, né? Dez, 15%, 50%? E em quanto tempo isso vai acontecer? Obrigada.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado. Boa colocação, tanto quanto as demais. Mas ela permite um esclarecimento claro, causa/efeito. Vou pedir aos nossos coordenadores do centro de contingência, começando pelo Paulo Menezes, e se João Gabardo desejar, complementado por ele. Paulo Menezes.

PAULO MENEZES: Obrigado, governador. Boa tarde, Flávia. A história da infecção, desenvolvimento dos sintomas, e aí o indicador que nós temos que é o de internação de casos... novas internações, ela leva em média duas semanas. Então nós esperamos que ao longo dessas duas semanas nós possamos ver já algum reflexo tanto no número de casos novos quanto no número de novas internações. Se não houver daqui a duas semanas evidência, o governo vai avaliar se essa medida deve ser ou não estendida. Mas acho que o mínimo é de duas semanas e por isso essa duração.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Jean. Gabardo, entendi que a resposta está completa. Flávia, muito obrigado. Vamos agora pra Victoria Abel. Victoria, bem-vinda. Victoria Abel da Rádio CBN. Na sequência, Carolina Riguengo da Rede TV. Com você, Victoria.

VICTORIA ABEL, REPÓRTER: Olá, governador. Boa tarde. Boa tarde a todos. Bom, minha dúvida na verdade são várias, mas eu quero entender exatamente como vai acontecer. O transporte público não será interrompido, serviços e comércios já fecham hoje às 22h ou às 20h, dependendo da fase. Pelo que eu entendi, o que muda é o trabalho de polícia pra restringir a circulação nas cidades. Quero confirmar se é isso. Se é isso mesmo, como vai ser exatamente essa fiscalização por parte da polícia? Vai ter blitz em determinados perímetros? Serão em grandes avenidas? Como vai ser esse planejamento? E a polícia vai poder autuar ou multar as pessoas físicas que estejam circulando sem justificativa? Porque pelo que eu entendi o que está mudando é essa restrição e o trabalho de polícia, porque o resto já era fechado. Obrigada.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Victoria, também sua pergunta permite esclarecimentos ainda mais completas. Essa é a função de uma coletiva, essa é a função dos jornalistas indagarem e a nossa de responder com toda clareza. Vou dividir em duas partes a resposta a sua pergunta. Primeiro com a Patrícia Ellen em relação à questão de transporte, horário de funcionamento de comércios e serviços. E na restrição estabelecida aqui que eu quero antecipar, ela é fundamentalmente para evitar eventos, aglomerações, situações onde pessoas desavisadas ou motivadas participam de aglomerações desnecessárias. Bebem, perdem o controle, perdem a capacidade de usarem as suas máscaras, expelem o próprio vírus, multiplicam a contaminação e ampliam a possibilidade, infelizmente, de óbitos. Então, fundamentalmente o programa que foi denominado aqui toque de restrições é pra evitar que isto aconteça. Hoje nós estamos pagando um preço caro. Qual é o preço caro? Vidas. Vidas se perderam e vidas estão sendo perdidas em função das aglomerações no período do carnaval, seja em São Paulo, seja em outras regiões do país. Nós queremos exatamente evitar que isso volte a acontecer. Então começamos com a Patrícia Ellen. Na sequência com rápidas intervenções, Dra. Megid, Dr. Fernando Capaz, Gen. Campos. Patrícia.

PATRÍCIA ELLEN, SECRETÁRIA DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO: Obrigada, governador. Queria até reforçar aqui, o direito de ir e vir é constitucional e nós não vamos penalizar de forma nenhuma quem está trabalhando e cumprindo protocolos. Durante o dia, inclusive, a maior parte da população está circulando pra trabalhar ou pra procurar emprego, todos de máscara, respeitando os seus protocolos e sempre muito preocupados com isso. À noite, após o horário de funcionamento de serviços não essenciais, o comportamento da população muda. Quem está na rua está crescendo, inclusive, o comportamento de descumprimento dos protocolos do Plano São Paulo num momento que nós estamos tendo o pico, o maior número de internados em UTI, nós atingimos hoje. Então essa é uma mensagem, inclusive pedagógica e simbólica pra população porque até hoje as multas eram restritas ao uso de máscaras e não a descumprimento do Plano São Paulo. Isso muda e isso é muito importante, porque nós todos precisamos colaborar nesse momento. Essa é a mudança, nós vamos ter uma fiscalização que inclusive vai estar muito mais concentrada em verificar aglomerações, em verificar agrupamento de pessoas descumprindo as regras, não somente em estabelecimentos comerciais, mas em todas as regiões. Então por isso que é um trabalho coletivo de todas as pastas que estão aqui presentes e basicamente quase todo o governo juntamente com a população.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Patrícia. Antes das três breves intervenções, começando pela Dra. Megid, aproveitando também a sua boa pergunta, Victoria, quero esclarecer também, estou lendo aqui, eu recebo todas as notícias aqui simultaneamente. Outro veículo de comunicação pelo qual tenho enorme respeito é a revista Veja, a revista Veja coloca no seu título: "São Paulo terá toque de recolher". Não é toque de recolher, é um toque de restrições. O toque de recolher estabelece a proibição, é muito próximo do lockdown. Nós não estamos fazendo isso. Por isso a explicação, por isso tantas pessoas aqui à frente procurando esclarecer com precisão, com transparência quais são as restrições e aonde não há restrições também. Então, se fosse toque de recolher nós não teríamos transporte coletivo depois das 23h. aplicativos não poderiam funcionar depois de 23h, táxis não poderiam funcionar depois de 23h. Postos de combustíveis não poderiam operar depois de 23h. Supermercados não poderiam operar depois das 23h. Não há restrição... não há proibição para esse funcionamento, há restrições. O objetivo é evitar aglomerações. Este é o grande sentido do esforço que nós estamos fazendo. Então eu faço aqui um apelo também a revista Veja, da importância da revista Veja, uma das maiores revistas semanais do mundo, não só do Brasil, pra que se por favor puder fazer a correção ao seu título para o toque de restrição. Isso ajuda a passar uma informação completa e correta aos leitores, assim como aos ouvintes, aos telespectadores e internautas. Dra. Megid.

CRISTINA MEGID, DIRETORA TÉCNICA DO CENTRO DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA: Obrigada. Victoria, eu acho que uma das premissas da fiscalização é o bom senso, né? Nós fiscalizamos o Plano São Paulo diuturnamente, mas o que está sendo colocado agora são os abusos realmente como já foi colocado pelo governador, pela secretária Patricia, né? O que nós vamos estar atentos são a essas aglomerações que juntam centenas de pessoas e que está levando risco a grande maioria que está cumprindo o seu papel na sociedade de proteção, de respeito, de cidadania. Então nós vamos atuar realmente com relação a quem está agredindo a nossa população.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Dra. Megid. Pela ordem, Fernando Capez e depois Gen. João Campos. Capez.

FERNANDO CAPEZ: Muito bem. Na impossibilidade da administração pública estar em todos os locais ao mesmo tempo, o governador já adiantou que será feito uma força-tarefa. A força-tarefa trabalha, claro, com um sistema de inteligência, com informações. E depende muito das denúncias que vierem a ser feitas pela população, principal interessada na preservação da saúde. Então, claro, o general vai detalhar, o 190 é o meio pelo qual se comunica, em regra, com a Polícia Militar. No Procon, eletronicamente pelo site Procon SP. Nós manteremos um sistema de plantão durante esse período de restrição.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Capez. General João Campos.

GENERAL JOÃO CAMPOS, SECRETÁRIO ESTADUAL DE SEGURANÇA PÚBLICA: Como a nossa secretária Patrícia Ellen disse, o foco está naquele grupo de pessoas que pode comprometer um grupo muito maior de pessoas, que não tem nada com aquela reunião. Nós estamos agora, vejam que reforçados por muitos agentes do Procon, ou seja, nós estaremos com agentes da Vigilância Sanitária, com agentes do Procon atuando, e nós estamos lhes dando as condições para essa atuação. Isso vai ajudar muito o plano, é uma fase boa, esperamos que ela dê resultado, particularmente pela conscientização das pessoas e pelas soluções ainda administrativas, antes que as penais. Agora, faremos blitz sim, como disse anteriormente, faremos blitz, com o objetivo de orientar e quem sabe, mais à frente, também de controlar. Mas faremos blitz. Muito obrigado.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, General Campos. Muito obrigado, Vitória Abel, pela oportunidade que nos deu de esclarecer ainda mais e melhor este tema. Antes de convidar Carolina Riguengo, mas a Carolina pode já ficar ali ao microfone, ela que é da Rede TV, eu queria ressaltar aqui também as colocações perfeitas e corretíssimas feitas por vários veículos de imprensa. Eu queria destacar um deles aqui, que é o jornal A Tribuna de Santos, aqui da nossa Baixada Santista, que colocou já na sua página de abertura, sua página eletrônica: "Doria decreta toque de restrição, das 23h às 5h da manhã, em todo o estado, a partir de sexta-feira". E a matéria absolutamente correta, reproduzindo de forma plena as informações que aqui estão. Parabéns, A Tribuna de Santos, e aos seus editores.

Vamos agora com você, Carolina Riguengo, da Rede TV. Boa tarde, bem-vinda. Sua pergunta, por favor.

REPÓRTER: Boa tarde a todos. A minha pergunta é sobre vacinas. Até a semana passada, nós tínhamos sete cidades aqui no estado sem vacinas. Gostaria de saber se, desses lotes entregues, ou até entre essas que estão sendo feitas pelo Butantan, quantas irão para essas cidades aqui do nosso estado? Muito obrigada.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Carolina. Vacina é um dos nossos temas de hoje, inclusive. Eu vou pedir ao Dr. Jean Gorinchteyn e, complementarmente, à Dra. Regiane, para responder à sua pergunta. Jean.

JEAN GORINCHTEYN, SECRETÁRIO ESTADUAL DE SAÚDE: Todas as vacinas continuam sendo distribuídas. Ontem, o Butantan disponibilizou para todo o programa nacional de imunização 1,2 milhão de doses da vacina, sendo que o quantitativo de 23% é do Estado de São Paulo. Então, dessa maneira, de forma frequente, e eu digo, pelo menos duas vezes na semana, a nossa logística distribui para todos os municípios a vacina, no sentido de poderem ter o seu estoque renovado. E é assim que é feito. Então, nós fazemos um repositório dessas doses de vacina, dando continuidade ao programa de vacinação para cada um dos municípios.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Jean. Dra. Regiane de Paula.

REGIANE DE PAULA, COORDENADORA DO PROGRAMA ESTADUAL DE IMUNIZAÇÃO: Eu só queria complementar o que o Dr. Jean já colocou. Estamos sim fazendo essa entrega de vacinas. Nós recebemos uma grade ontem, outra hoje. Hoje à noite, inclusive, governador, nós devemos receber o quantitativo às 18h, está previsto chegar o quantitativo das doses da Astrazenica no nosso Centro de Distribuição e Logística, e imediatamente faremos a distribuição dessas grades. E o que eu gostaria também de salientar, porque eu recebi várias mensagens, é lembrar que quando a gente fala da vacina do Butantan, nós temos o intervalo de 28 dias para que essas vacinas possam ser aplicadas. Então é muito importante que a D2, a segunda dose, seja aplicada até 28 dias. E a nossa programação está toda focada para que isso aconteça, sem nenhum prejuízo. Muito obrigada, governador.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Dra. Regiane. Enquanto eu peço a próxima pergunta, que será a penúltima, se puder consultar aí no seu vacinômetro, o número atualizado de vacinas... Enquanto isso eu vou convidar a Natália Fonseca, do Portal Ig, para fazer a sua pergunta, e na sequência a Daniela Gemniani, da TV Globo e GloboNews. E já temos o número, já temos aqui?

REGIANE DE PAULA, COORDENADORA DO PROGRAMA ESTADUAL DE IMUNIZAÇÃO: Agora, governador.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Atualizado às 13h40, desculpe, Natália, apenas para dar a informação: 2.157.578 vacinados em São Paulo, sendo 1.712.570 na primeira dose e 445.008 na segunda dose. Seguimos em velocidade fazendo a imunização dos brasileiros de São Paulo. Obrigado, doutora. Vamos agora, Natália Fonseca. Mais uma vez, boa tarde, bem-vinda. Sua pergunta, por favor.

REPÓRTER: Boa tarde a todos. Boa tarde, governador. Ainda ficaram algumas dúvidas pra mim sobre como essa fiscalização vai funcionar. Pelo que eu entendi, vocês falaram algumas vezes que o foco são os pequenos grupos, as aglomerações que não chegam a ser festas, mas considerando as restrições dos serviços, eu imagino que essas aglomerações, elas aconteçam também em ambiente doméstico. Eu quero saber se existe a possibilidade de denúncia, se sim, como isso vai acontecer, e também sobre o momento em que essas infrações acontecem. Vocês falaram que existe uma possibilidade de uma justificativa, caso a pessoa esteja voltando ou indo para o trabalho. Como essa justificativa é, por exemplo, comprovada? E também, se existe multa, qual exatamente é o valor dessa multa, para os casos mais comum. Obrigada.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Natália, sempre no melhor sentido, compreendendo a sua pergunta, de esclarecer corretamente à população, e quanto mais perguntas nessa linha, nesse vértice, melhor. Apenas uma correção na sua introdução: não se trata de fiscalizar pequenos grupos, fiscalizar grupos, sobretudo grandes grupos, grandes agrupamentos de pessoas. Os pequenos e médios também, mas a maior preocupação são os agrupamentos que reúnem 100, 200, 300, 400, 500 pessoas, como nós vimos na televisão em denúncias feitas por veículos de comunicação, por pessoas que gravaram dos seus celulares, numa demonstração de que são solidários ao controle da Covid-19 e entendem que festas clandestinas, e entendem corretamente, afrontam a lei e afrontam a vida, colocam em risco as pessoas que estão nestas festas, os seus familiares e outras pessoas também. Eu vou pedir aqui a manifestação exatamente da Dra. Megid sobre este tema e quero esclarecer também, nós não faremos e nem multaremos, nem faremos nem multaremos pessoas que estão seguindo para suas casas, retornando a suas casas ou seguindo para o seu emprego. Tem muita gente que trabalha de noite, há operações 24 horas em todo o Estado de São Paulo. Não tem cabimento imaginar multar alguém que está se dirigindo ao trabalho, por força da sua natureza, um trabalho noturno, ou que esteja retornando para sua casa. Esse não é o objetivo. O objetivo do programa que nós denominamos aqui Toque de Restrição é evitar aglomerações, médias e grandes, principalmente. As pequenas, com mais de 25, 30 pessoas, mas sobretudo aquelas que envolvem festividades. São essas as que estão comprometendo e colocando em risco a vida dessas pessoas e de outras pessoas, inclusive familiares dos que participam desses encontros. Então, eu vou pedir à Dra. Megid que se manifeste, em resposta à Natália Fonseca do Portal Ig.

CRISTINA MEGID, DIRETORA DO CENTRO DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA DO ESTADO DE SÃO PAULO: Natália, eu acho que como... Deve ter ficado bem claro. Um trabalhador é facilmente identificável. Ele está voltando, ele está circulando, eu acho que isso, tendo bom senso, a gente consegue perceber que ele não é uma pessoa que está criando tumulto, nada, no seu trânsito. Mas com relação, você diz, a condomínios, residências, nós recebemos no nosso disque-denúncia mais de 600 reclamações de condomínios, de festas em áreas de lazer, em salões de festa, piscinas, que são locais passíveis de fiscalização da Vigilância Sanitária, passíveis de autuação, e a gente tem feito isso. Porque eu acho que assim, o que a gente não pode invadir é a casa, a residência da pessoa, mas uma área que é comum, que está afetando as outras, a gente tem essa prerrogativa de ir e fiscalizar. Então, a gente também está disponível para isso. Agora, a fiscalização, realmente, vai ser de grandes volumes de pessoas, grandes eventos, a partir de 25, 30, 50. Mas por exemplo, na frente de um bar que está aglomerado, pode ser 20, 30 pessoas, podem ser 10 pessoas, a gente autua, porque ele não pode ter pessoas em pé, ele não pode ter fila, ele não pode estar bebendo na calçada. Então, ele vai ser penalizado.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito bem. E o grande objetivo, volto a dizer, Natália, antes de pedir a pergunta da Daniela, que já está... Onde está a Daniela Gemniani? Está aqui. Perdão, eu não tinha visto você, Daniela. Não é penalizar bares, restaurantes, padarias e similares. Eu volto a repetir aqui que estes setores da economia, da economia criativa em São Paulo, têm sido, na sua expressiva maioria, obedientes e seguidores das orientações do Plano São Paulo, na capital, na região metropolitana, no litoral e no interior. Há poucos que, infelizmente, infringem a legislação, mas há muitos que estão obedecendo, de forma conscienciosa, até porque respeitam os seus clientes, como respeitam os seus funcionários, os seus prestadores de serviço. O que nós queremos evitar é aglomerações inadequadas, inoportunas e atentatórias à vida. Este é o grande objetivo que o governo do Estado de São Paulo empreende a partir de agora, e espera contar com a colaboração da própria população, denunciando essas aglomerações, para que possamos agir rápida e eficientemente.

Vamos agora à última intervenção de hoje disponível, que é da Daniela Gemniani, da TV Globo, GloboNews. Daniela, obrigado pela paciência, boa tarde, sua pergunta, por favor.

REPÓRTER: Boa tarde, governador, boa tarde a todos. A minha pergunta é sobre a nova orientação do Ministério da Saúde. Na última semana, eles tinham dado a orientação de vacinar com todas as doses, logo na primeira dose, não guardar a segunda. Hoje, eles alteraram essa orientação, voltando a dizer para as prefeituras, os governos estaduais guardarem a segunda dose. Eu queria que vocês se posicionassem sobre isso e também se muda alguma coisa no cronograma de entrega. Enfim, é isso, obrigada.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Daniela, antes de passar ao Dr. Jean Gorinchteyn, secretário de Saúde do Estado de São Paulo, eu não resisto a fazer um comentário bem-humorado: é o samba do ministério louco. Que um ministério que num dia informa, pelo seu ministro da Saúde, de que vai privilegiar a primeira dose, em detrimento da segunda dose, e o mesmo ministério, 72 horas depois, volta atrás na posição... Nós vamos acreditar em quem? No ministro ou no ministério? É um verdadeiro samba do ministério louco, um dia tem uma posição, no dia seguinte tem outra posição, um dia tem vacina, o outro dia não tem vacina, um dia não tem seringa, não tem agulha, aí quer interditar os estados que têm. É difícil administrar assim, com muita sinceridade, é difícil. Agradeço a sua pergunta e passo ao Jean Gorinchteyn.

JEAN GORINCHTEYN, SECRETÁRIO ESTADUAL DE SAÚDE: É muito importante nós entendermos que o programa nacional de imunização já tinha deixado muito claro o condicionamento das duas doses da vacina, que poderiam ser intervaladas de 14 a 28 dias para as vacinas do Butantan, e três meses, na vacina da Astrazenica, entre a primeira e a segunda dose. Era assim que foi estabelecido. A própria Anvisa, quando fez a liberação da vacina do Butantan, fez esse condicionamento de uso, seguindo exatamente a bula do fabricante, que é o Butantan. Quando nós recebemos essa informação, nós tínhamos, por responsabilidade, garantir que quem recebeu a primeira dose receberia, no prazo correto, a segunda. Por isso fizemos a contenção das doses, para garantir que isso fosse seguido de uma forma absolutamente legal. E hoje, com a atualização do fornecimento dos insumos, da produção da fábrica do Butantan, das doses que estarão sendo disponibilizadas semanalmente para o Ministério da Saúde, e dessa forma promovendo o repositório no programa nacional de imunização a todos os estados, vamos ter vacina, sim. Então, seguiremos os ritos, conforme definido, e teremos vacinas para o país. Mas precisamos mais vacinas, precisamos avançar principalmente naquele grupo etário como os idosos, que correspondem a 77% das pessoas que, infelizmente, morrem. Então, precisamos mais vacinas, para garantir a celeridade no programa nacional de imunização.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Jean Gorinchteyn. Daniela, muito obrigado pela pergunta. Eu queria, antes de encerrar... A jornalista Luciana Coelho, da Folha de São Paulo, faz aqui uma demanda pelo meu celular, e como eu citei a Folha de São Paulo, inclusive, Luciana, eu me sinto também no dever de atender a sua pergunta. Luciana nos indaga sobre se indivíduos que estiverem em festas serão multados. A resposta é não. Os indivíduos não serão multados, serão multados aqueles que promoverem festas, aqueles que estiverem promovendo festas e contrariando a orientação sanitária e a orientação de lei e de determinação para não promoverem festas. Os que estiverem nas festas não serão multados. Obviamente, serão advertidos. Além da advertência, aquela mais grave é que eles poderão ser contaminados e, se contaminados forem, poderão ser hospitalizados, e as pessoas nessa circunstância também poderão ir a óbito. Então, repito: indivíduos não serão multados, os que participarem de festas. Serão advertidos. Os promotores vão cumprir o que a lei determina, que pode ir de multa a prisão. Com isso fica o esclarecimento a todos.

Bem, concluímos agora, às 14h01, a nossa coletiva de hoje. Sexta-feira teremos uma nova coletiva, no mesmo horário. Muito obrigado a todos, aos que nos acompanham aqui pela TV Cultura, também por outras emissoras, aos que vieram presencialmente. Por favor, se protejam, usem máscara, lavem as mãos, evitem aglomerações. Boa tarde, muito obrigado.