Coletiva - Estudo clínico da CoronaVac, do Instituto Butantan, chega à fase final 20202311

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Coletiva - Estudo clínico da CoronaVac, do Instituto Butantan, chega à fase final 20202311

Local: Capital - Data: Novembro 23/11/2020

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JEAN GORINCHTEYN, SECRETÁRIO ESTADUAL DE SAÚDE DE SÃO PAULO: Boa tarde a todos e a todas. Muito obrigado por estarem todos aqui presentes na 146ª coletiva de imprensa, que vem acontecendo aqui no Instituto Butantan. Estamos na 48ª semana epidemiológica e, a pedido do governador do Estado de São Paulo, João Doria, esta coletiva está acontecendo no Instituto Butantan, instituto de 120 anos de existência, que sempre se projetou com a sua credibilidade e respeitabilidade para todo mundo, baseado na ciência, na inovação e na formulação de vacinas, com qualidade e segurança, que conferem, na maior parte das vacinas disponíveis no nosso Programa Nacional de Imunização, e 100% daquelas ofertadas para o programa de gripe do nosso país. Na presença hoje somente de médicos e de cientistas, reitera o quanto o governador mantém-se afastado do segmento do Plano São Paulo, deixando a cargo da ciência essa condução, sem que ocorra, algum momento, alguma interferência ou politização, tanto à vacina quanto às medidas de proteção à vida, definidas pelas projeções e restrições do Plano São Paulo. Hoje integram esta coletiva o diretor-presidente do Instituto Butantan, Dimas Covas, Dr. David Everson Uip, médico infectologista, idealizador e membro do Centro de Contingência do Covid-19 de São Paulo, João Gabbardo, coordenador executivo do Centro de Contingência, Patrícia Ellen, secretária de Desenvolvimento Econômico, e José Osmar Medina, coordenador do Centro de Contingência do Covid-19. Importante que hoje traremos algumas informações bastante significativas. Uma delas é a questão relacionada aos dados epidemiológicos, o quanto nós temos hoje de dados que vão ou não nos basear nas nossas discussões e prerrogativas de análise assistencial ao Covid-19 no Estado de São Paulo. Os dados resgatados pelo Ministério da Saúde estão sendo avaliados, de uma forma muito cautelosa e individualizada, para cada um dos municípios, uma vez que estes dados podem representar dados que, até então, foram represados na instabilidade do sistema Sivep-Gripe do Ministério da Saúde e, dessa maneira, poder estar sendo documentado agora, e isso poder refletir na eventual modificação ou elevação de alguns dos dados apresentados. Nesses dados em questão, ocorreu uma queda de número de casos da semana epidemiológica anterior em relação às semanas também subsequentes, ou seja, mostrando claramente uma divergência dos dados que encontramos nesse momento, em que as internações revelam um aumento de 17% do número de pacientes internados. Mas mesmo com essa cifra de 17%, que hoje atingimos 1.180 pacientes internados, ela está bastante distante daquilo que nós encontramos, a internação de mais de 2.000 pacientes, que foram deflagradas em julho, especialmente na 29ª semana epidemiológica. Dessa maneira, os dados dessa semana não permitirão uma análise de forma mais robusta sobre a dinâmica da pandemia no nosso estado. Portanto, precisamos aguardar esses dados, que ainda estão sendo inseridos no sistema, para que essa análise seja muito mais clara, efetiva e segura, para que medidas possam ser instituídas de maneira adequada. A boa notícia, e é um dos motivos pelos quais estamos aqui no Instituto Butantan, é que o Instituto Butantan detalha a fase final da aprovação para a Coronavac, tendo atingido o número mínimo de infectados. E isso é a possibilidade de permitir a abertura do estudo clínico e a análise destes resultados. Dessa forma, teremos a divulgação, logo na primeira semana de dezembro, pelo comitê internacional independente, sobre a eficácia da vacina, do quanto ela é capaz de proteger, na vida real, contra o Corona Vírus. Assim que divulgados estes resultados, eles serão então encaminhados para a Agência Nacional de Vigilância, a Anvisa, para o seu reconhecimento e chancela. A expectativa é que já no mês de janeiro próximo a Anvisa tenha aprovado a Coronavac, e com os 46 milhões de doses disponíveis no Instituto Butantan, em conjunto com o Programa Nacional de Imunização, terá a possibilidade de vacinar brasileiros, brasileiros de todo o país. A celeridade no processo da Coronavac e Instituto Butantan, e também por essa expertise, por essa experiência na produção consagrada de vacinas, vai permitir que a Coronavac seja a primeira vacina disponível para a nossa população. E, como sempre, reforçamos: só a vacina e só com ela viveremos o nosso normal. Até então, precisamos lembrar que estamos em quarentena e que todo comportamento que tomamos deve ser responsável, sendo e mantendo todas as regras e ritos sanitários, evitando as aglomerações, mantendo-se o distanciamento entre as pessoas, a utilização do uso das máscaras. Diferente do que nós temos visto, infelizmente, em várias cidades, não só do Estado de São Paulo, mas do próprio país. Nós precisamos que a mesma população que nós conclamamos para colaborar com as medidas voltadas ao controle e combate da pandemia, seja a mesma população que esteja colaborando. Não é justo e não será justo que aquele indivíduo que tem o seu pequeno comércio, aquele indivíduo prestador de serviço, que tanto aguardou para que esse momento fosse um momento precioso, e que, com cautela, vem fazendo e exercendo seu trabalho, seja acometido pela irresponsabilidade daqueles que vão para as baladas, para os encontros, e prejudicam aqueles que querem e precisam trabalhar. Nós não podemos admitir que isso venha a acontecer no nosso meio. Vamos dar seguimento então agora às colocações. O próximo a falar, Dimas Covas, diretor-presidente do Instituto Butantan. Por favor.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: Boa tarde, obrigado, secretário. Hoje é um dia de boas notícias para a nossa vacina. Eu já tenho repetido em outras entrevistas, em outras coletivas, que o estudo clínico estava muito próximo de chegar ao número mínimo de pessoas com Covid, para permitir a sua abertura. Pois bem, esse número mínimo de 61 aconteceu semana passada. Nós autorizamos a abertura do estudo clínico. Hoje, nós já estamos com 74 casos. A análise dos casos, como eu mencionei, já se iniciou e, portanto, rapidamente, na primeira semana de dezembro, teremos o resultado dessas análises, que serão remetidas ao comitê internacional controlador do estudo, que deverá validar esses resultados, e aí produzir o relatório que será encaminhado à nossa Anvisa e, ao mesmo tempo, para a Anvisa da China, a correspondente à Anvisa na China. A partir desse momento, ficamos aguardando, isso deve acontecer na primeira quinzena de dezembro. A partir desse momento, nós ficamos aguardando a manifestação da Anvisa. Na realidade, das duas Anvisas, e eventualmente pode acontecer de uma Anvisa ser mais ágil que a outra, ser mais rápida na sua avaliação, e poderemos ter aí a aprovação ou da China ou no Brasil, ainda no mês de dezembro. Isso é uma notícia importantíssima, dado que isso se associa a dois outros pontos que nós já anunciamos: primeiro a disponibilidade da vacina, quer dizer, ninguém pede o registro de uma vacina que não existe. A vacina já começou a chegar aqui ao Brasil. Semana passada, chegaram aí as 120 mil, já na próxima semana inicia-se o processo de importação da matéria prima e também no início de dezembro começamos a produção de 40 milhões de doses, que se somarão às 6 milhões já prontas, que virão da China também em dezembro. Portanto, no final de dezembro, começo de janeiro, teremos 46 milhões de doses de vacinas, aguardando, aí sim, a autorização da Anvisa. Portanto, senhoras e senhores, nós estamos muito próximos de ter uma vacina disponível para o Programa Nacional de Imunização poder iniciar um programa de vacinação, um programa nacional. E aí nós temos o nosso Ministério da Saúde, que já demonstrou anteriormente interesse nessa vacina, à medida que ela fosse registrada, e brevemente, isso acontecendo, vamos novamente instar o nosso Ministério em relação à incorporação ao Programa Nacional de Imunização. Isso é importante, porque o Programa Nacional de Imunização, o maior programa de imunização da área pública do mundo, que usa 75% de suas vacinas, que são produzidas aqui, é um modelo, é um modelo dentro do nosso SUS. E esperamos que esse modelo continue, esperamos que haja incorporação dessa vacina, que é mais uma vacina do Butantan, que se soma às demais que nós produzimos aqui. Então, não faria sentido nenhum a não incorporação dessa vacina ao Programa Nacional de Imunização. No conjunto, quer dizer, essas notícias que eu menciono aqui, e eu volto a dizer, colocam essa vacina como a vacina mais próxima de utilização aqui no Brasil. Considerando todas as demais, é a que está muito próxima de estar disponível para a nossa população. E como eu mencionei, tomara que em janeiro essa vacina esteja pronta, porque cada dia com vacina faz diferença. E é a nossa luta aqui, nós estamos aqui exatamente para dar celeridade a esse processo, e esperamos a cooperação, tanto da Anvisa quanto do Ministério da Saúde, porque aqui se trata de uma situação emergencial, como todos nós sabemos, se trata de salvar vidas. Então essa é a boa notícia do dia. Obrigado, Sr. Secretário.

JEAN GORINCHTEYN, SECRETÁRIO ESTADUAL DE SAÚDE DE SÃO PAULO: Obrigado, Dimas covas, obrigado pelas colocações. Agora, eu gostaria de convidar o professor Dr. David Everson Uip, como disse, médico infectologista, idealizador e membro do Centro de Contingência do Covid-19 de São Paulo, para pronunciar algumas palavras. Por favor, Dr. David.

DAVID UIP, COORDENADOR DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DA COVID-19: Boa é a vacina que dá certo. Então o professor Dimas falou e é assim que funciona. Nós chegamos a primeira linha de corte, bom ser auditados e nós vamos ter os resultados muito brevemente da competência e da eficácia dessa vacina entendendo que é uma vacina segura, isso foi provado na fase um e dois, e a nossa expectativa é que a fase três repita os achados de eficácia encontrado na fase um e dois. O Brasil precisa de todas as vacinas. Nós somos 213 milhões de brasileiros e nós precisamos de todas as vacinas aprovadas pela Anvisa. Lembrando que algumas das vacinas, inclusive esta que está sendo pesquisada no Butantan, é uma vacina de duas doses, então quando nós nos referimos de doses ofertadas são múltiplos de dois. É importantíssimo que nós tenhamos todas as vacinas disponíveis desde que efetivas, seguras e aprovadas pela Anvisa. Eu concordo plenamente com as palavras do secretário e do Dr. Dimas, o Programa Nacional de Vacinas é um programa exitoso, é um programa que sempre deu certo. Ele é tradicional, ele é bem quisto e bem-visto no mundo inteiro, seguramente será sim. Também eu sempre me refiro a políticas públicas. Como é a política pública? A política pública é claríssima. Cabe ao Ministério da Saúde a política do programa de vacinas. E o financiamento? Cabe ao... cabe aos estados a governança. O que é que é governança? A governança é você fazer a logística em cima das decisões do ministério, entregar as vacinas aos municípios, treinar as pessoas e acompanhar a vacinação. E cabe aos municípios que é a atenção primária, aplicação da vacina. Isto é secular, nós não estamos inventando coisa alguma. Então nós esperamos que esta política pública, que é a política pública bem-feita, a política pública nacional seja efetiva o mais rápido possível. Prevenção se faz com vacinas, é a forma mais segura, mais efetiva e de melhores resultados. O mundo espera as vacinas, e elas são necessárias. Nós estamos vendo um aumento do número de casos na maioria dos países do mundo. Nós estamos vendo, infelizmente, o aumento do número de mortes no mundo inteiro. Então, a vacina é absolutamente fundamental, desejada, e nós esperamos que os resultados que nós imaginamos sejam aqueles que serão obtidos pelo projeto do Butantan como de todos os outros projetos de vacina. Uma boa produção de anticorpos, isso faz a eficácia e uma vacina segura. Muito obrigado.

JEAN CARLO GORINCHTEYN, SECRETÁRIO DE ESTADO DA SAÚDE DE SÃO PAULO: Obrigado, Dr. David Uip. E é importante nós reforçarmos que um país desenvolvido é aquele que tem como pilar a saúde. E a proteção à saúde das pessoas também é conferida pelo plano de vacinação a qual ele promove para todos os seus habitantes. Então se nós temos um dos melhores. Senão o melhor programa nacional de imunização do mundo com vacinas gratuitas que protegem por mais de 20 doenças, agora também nós precisamos consagrar vacinas como o próprio Dr. David disse, vacinas para que nós possamos dessa maneira também proteger a nossa população contra um vírus que ainda assola o nosso país. Próximo a explanar seus comentários, João Gabbardo, coordenador executivo do Centro de Contingência Covid-19 de São Paulo. Por favor, João.

JOÃO GABBARDO, COORDENADOR EXECUTIVO DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: Boa tarde, secretário Jean. Boa tarde a todos que acompanham essa coletiva. Eu quero destacar um ponto que o Dr. Dimas falou que, talvez, necessite de um reforço. O fato de nós termos concluído, tendo um número de casos mínimos pra que já se possa fazer análise preliminar dos dados, e encaminhar isso ao Comitê Internacional que, por consequência, e após a aprovação do Comitê Internacional será encaminhado pra Anvisa. E aí nós ficamos aguardando os prazos da Anvisa. Mas o que o Dr. Dimas também falou é que paralelamente a essa avaliação da Anvisa brasileira, também está em curso o processo de análise do órgão responsável por isso na China, e que existe a possibilidade de que a Anvisa chinesa possa ainda no mês de dezembro ter a aprovação, ter o registro desse produto. O que é que isso significa? E esse é o ponto que eu gostaria de destacar. O que é que significa isso? Existe um colegiado chamado de Conselho Internacional de Harmonização, CIH, onde os principais países do mundo, são nove países que fazem parte do CIH, quatro países são titulares: Estados Unidos, toda a União Europeia, o Japão, o Canadá e a Suíça. Existem mais quatro membros que são eleitos, são eles a Coreia do Sul, a China, Singapura. E em novembro do ano passado ingressou ao Brasil, a Anvisa também agora faz parte do CIH. Isso significa que esse Conselho Internacional de Harmonização harmoniza o quê? Harmoniza exatamente os requisitos técnicos que são necessários pra registro de medicamentos e que vão ser utilizados por todos esses países. Os membros do CIH eles têm uma padronização nesse processo de registro. O que significa que quando tem um registro num desses países não há necessidade de repetir toda a análise, toda a avaliação que é realizada nos outros países. Isso pode, Dr. Dimas e secretário Jean, acelerar o processo de registro da Anvisa. Se efetivamente nós tivermos o registro na China e a China fazendo parte do CIH como agora recentemente o Brasil também faz, nós teremos um padrão de análise, e se for aprovado lá, com certeza a Anvisa não necessitará fazer, ter duplicidade em todas as avaliações. Isso pode diminuir esse tempo tão necessário pra que a gente possa iniciar o mais rápido possível a vacinação. Esse é um ponto que eu gostaria de destacar. Obrigado.

JEAN CARLO GORINCHTEYN, SECRETÁRIO DE ESTADO DA SAÚDE DE SÃO PAULO: Obrigado, Gabbardo. Lembrando que a secretária Patrícia Ellen e o professor Dr. José Osmar Medina estarão no púlpito para receberem questões oriundas dos jornalistas. Quero aproveitar também, agradecer a participação, o pessoal do general Campos, secretário de segurança pública do estado de São Paulo, bem como do secretário Cleber Mata, secretário de comunicação de São Paulo. Vamos hoje passar a tabulação do número de casos. Por favor. Próximo slide. Hoje nós temos no estado de São Paulo, 1.210.625 casos. Contabilizando óbitos: 41.276 pessoas que, infelizmente, perderam as suas vidas em decorrência ao Covid. A taxa de ocupação de UTI do estado esteve em 47% e na grande São Paulo, 55%. Nós já tivemos mais de um milhão de recuperados, estamos atualmente com 1.084.660 casos, felizmente recuperados com 130 mil altas hospitalares especialmente daqueles pacientes graves que estiveram em unidades de terapia intensiva. Vamos começar então na sequência dos jornalistas, a fim de tirarmos esclarecimentos ao longo da nossa coletiva. A primeira que vem é Tainá Falcão da CNN Brasil. Por favor, Tainá.

TAINÁ FALCÃO, REPÓRTER: Oi. Olá. Boa tarde. Eu começo a minha pergunta pro Dr. Dimas, em relação ao documento do Ministério da Saúde, o senhor já se posicionou até pra CNN pelo site, né, mas eu queria saber se o senhor mantém, né, a afirmação que o senhor fez em relação a não inclusão do Sinovac, da Coronavac, né, do documento não mencional, laboratório ontem, né? O senhor acha que houve, de fato, componente político nisso? E eu queria também fazer uma pergunta pro secretário de saúde, o Dr. Jean, em relação a testes que estariam vencendo, né, o prazo de validade. São testes comprados pelo Ministério da Saúde, armazenados aqui em Guarulhos. O ministério disse que... se posiciona dizendo que tem apenas essa função de comprar. E alguns secretários se posicionaram dizendo que não, que veio teste incompleto, enfim, ficou esse jogo de empurra. Como é que fica a situação de São Paulo nisso?

JEAN CARLO GORINCHTEYN, SECRETÁRIO DE ESTADO DA SAÚDE DE SÃO PAULO: Muito bem, Tainá. Primeira pergunta quem responder é Dimas Covas, e a segunda eu pessoalmente responderei. Por favor, Dimas.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: Tainá, quero crer que não há aí, né, ou que não haja um motivo político, por uma questão muito simples, quer dizer, nesse comunicado ficaram de fora a vacina Butantan e a vacina Astrazenica, não foram mencionados, as duas iniciativas que estão mais avançadas aqui no Brasil. E tem um dado adicional, nós apresentamos oficialmente a proposta ao ministério no mês de setembro, proposta de fornecimento, proposta de preços, e as informações técnicas, né? Então, o que o ministério está realizando com essas empresas, nós já havíamos entregue isso no mês de setembro. Portanto, o ministério tem todas as informações necessárias pra se decidir em relação a essa vacina. Quer dizer, obviamente que o registro é um ponto fundamental, né, mas como eu mencionei esperamos que no final desse ano, começo do próximo ano essa vacina esteja registrada, e aí sim o ministério implemente a introdução dessa vacina no programa nacional como foi, inclusive, oficiada ao Butantan. O Butantan recebeu um ofício do ministério exatamente dizendo dessas possibilidades. Ou seja, a incorporação da vacina a partir do momento do seu registro. Não recebi nenhum ofício em contrário a isso e, portanto, no meu entendimento esse ofício prevalece. Estamos, simplesmente, aguardando então o registro porque as vacinas já estarão disponíveis e a incorporação dessa vacina ao Programa Nacional de Imunização que é o que todos nós desejamos.

JEAN CARLO GORINCHTEYN, SECRETÁRIO DE ESTADO DA SAÚDE DE SÃO PAULO: Obrigado, Dimas. E com referência a segunda questão, Tainá, o Ministério da Saúde ele adquiriu 15 milhões de testes junto a OPAS, e dessa maneira, 8 milhões desses testes foram utilizados em todo o país pra testagem dos pacientes, bem como nas pessoas do seu entorno que eram tão suspeitas. Dessa maneira acabaram ficando 7 milhões de testes, alguns deles com uma validade próxima no qual a própria OPAS junto ao Ministério da Saúde já estão trazendo uma empresa que fará uma análise de extensão da validade desses testes e dessa maneira serão adequadamente utilizados na testagem em todo o país. Muito obrigado, Tainá. Próxima questão serão veiculada de maneira on-line por Juliana de Paula da VTV, do SBT Campinas. Por favor. Acho que nós estamos com problema aqui na nossa tela, então a Letícia Batalha estará fazendo, portanto, a leitura desta questão da jornalista Juliana de Paula da VTV, do SBT de Campinas. Por favor.

LETÍCIA BATALHA: Boa tarde. A pergunta da Juliana é: Existe um plano para a vacinação? Todos receberiam a vacina ou apenas grupos com maior risco? E como vai ser a distribuição de doses, pelo tamanho da cidade ou pelo número da doença?

JEAN CARLO GORINCHTEYN, SECRETÁRIO DE ESTADO DA SAÚDE DE SÃO PAULO: Muito bem, agradeço. Juliana, obrigado pela sua pergunta. Vou passar para o presidente do Instituto Butantan, Dimas Covas pra que proceda esta resposta.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: ... de ter internação, ao grupo dos que são mais expostos, como os profissionais de saúde, os profissionais de segurança, os profissionais da educação, as pessoas que têm situações especiais, doenças, comorbidades. E progressivamente, a partir desses grupos, ir se estendendo até a população geral, para atingir aí o índice de imunidade de rebanho, ou seja, teríamos que vacinar mais de 80% da população para ter essa imunidade de rebanho. Então essa é a minha visão de como isso deveria acontecer. Esse plano ainda não foi anunciado, mas já foi prometido, está na iminência, segundo os dados do Ministério, de ser anunciado brevemente.

JEAN GORINCHTEYN, SECRETÁRIO ESTADUAL DE SAÚDE DE SÃO PAULO: Muito bem, Dimas. A complementação de João Gabardo, por favor. Não? Então, eu gostaria de complementar que, muito possivelmente, por se tratar de um vírus respiratório, ele siga exatamente os mesmos ritos e pleitos que é dado para a vacina da gripe, que é muito bem elencada, sabendo-se muito quais são os grupos de maior risco realmente de evoluir de forma grave e fatal e, dessa forma, possamos impedir um grande número de mortes no nosso meio. A próxima pergunta também seria online, se nós não tivéssemos apresentado um problema técnico, mas será feita por Letícia Batalha, agora. A pergunta é de Eduardo Simões, da Agência Reuters.

LETÍCIA BATALHA: O Governo do Estado pretende propor a criação de uma autorização para uso emergencial de vacinas pela Anvisa, como já existe em outros países?

JEAN GORINCHTEYN, SECRETÁRIO ESTADUAL DE SAÚDE DE SÃO PAULO: Muito bem. A pergunta, eu vou passar agora também para Dimas Covas, para trazer essa resposta, por favor.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: Olha, no Brasil não é previsto autorização para uso emergencial, quer dizer, essa é uma novidade que veio no curso dessa epidemia. Nos Estados Unidos, nós estamos já com um pedido de uso emergencial, em outros países a vacina já está sendo usada de forma emergencial, mas não existe essa figura aqui no ordenamento sanitário do Brasil. Obviamente que, com os resultados da eficácia, como eu mencionei, e a disponibilidade da vacina, o processo normal poderá ser acelerado, ou seja, o que se chamaria aí de um uso emergencial pode, na realidade, ser um processo normal acelerado. É isso que nós esperamos, que haja sensibilidade aí das nossas autoridades, para que isso aconteça muito rapidamente.

JEAN GORINCHTEYN, SECRETÁRIO ESTADUAL DE SAÚDE DE SÃO PAULO: Obrigado, Dimas, obrigado Eduardo Simões, da Agência Reuters, também pela pergunta. Próxima pergunta, que também seria feita online, volto a dizer, por problemas técnicos não será, por Maria Eduarda Cardim (F), do Correio Brasiliense. Por favor, Letícia.

LETÍCIA BATALHA: A 47ª semana epidemiológica acabou no último sábado e mostrou uma pequena queda em relação ao número de novos casos da semana anterior, o que configura praticamente estabilidade. Como o Governo enxerga isso? São Paulo já trata isso como uma segunda onda?

JEAN GORINCHTEYN, SECRETÁRIO ESTADUAL DE SAÚDE DE SÃO PAULO: Vou fazer uma parte da resposta, e daí eu passo para o Dr. Medina, que é coordenador do Centro de Contingência, para fazê-lo. O que mostrou na relação de casos, como disse, uma diminuição relativa em relação às semanas anteriores. Por outro lado, nós vimos um incremento de 17% no número de internações, possivelmente essas informações ainda não tenham sido totalmente inseridas pelos municípios no programa Sivep-Gripe, o que não nos permite fazer qualquer consideração sobre um repique, uma onda mais robusta. Nós precisamos consagrar os dados, e os próximos dias serão fundamentais para assim o fazê-lo. Passo agora para o Dr. José Medina.

JOSÉ MEDINA, COORDENADOR DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: Acho que o secretário já respondeu, a Patrícia podia complementar.

PATRÍCIA ELLEN, SECRETÁRIA ESTADUAL DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO DE SÃO PAULO: Muito obrigada, Dr. Medina. Eu acho que o que ficou comprovado, e para termos cuidado desde o início, quando nós anunciamos na semana passada o desafio que nós estávamos tendo com dados, é que há uma instabilidade muito grande nos dados do Governo Federal, para casos e para óbitos. Internações, nós temos o nosso próprio sistema, do Estado de São Paulo, que é o Censo Covid, que foi criado para acompanhamento da pandemia. Nos dados de casos, o que nós percebemos ali é uma variação, entre a semana 45, 46 e 47, não faz sentido a variação que foi verificada. Nós saímos de um patamar de 3.839 casos, descemos para um patamar de 1.401, subimos novamente para 5.927, e agora teve essa leve redução. Ou seja, mesmo pra cada um de nós, a gente não precisa ser especialista em epidemiologia e matemática para ver que os dados, como estão, estão muito instáveis, e que foi o que criou esse desafio de acompanhamento para todos nós. O dado de internação, que é confiável, que é o dado do estado, nós tivemos na semana passada aumento de 18% nas internações, agora de 17%, muito longe do número de segunda onda. Nós tivemos aqui o número mais alto, 1.180 internações, o pico que nós tivemos chegamos a passar de mais de 2.000 internações. Então, com os dados, não há segunda onda nesse momento, mas há, sim, uma preocupação, uma necessidade de acompanhamento, para entender qual é a realidade dos dados, sobretudo de casos e óbitos, para que possamos fazer um acompanhamento e a aplicação de medidas da forma correta, com os números estáveis.

JEAN GORINCHTEYN, SECRETÁRIO ESTADUAL DE SAÚDE DE SÃO PAULO: Obrigado, Patrícia Ellen, obrigado, professor José Medina, e agradeço, Maria Eduarda Cardim (F), por sua pergunta. Próxima repórter, Maria Manso, da TV Cultura.

REPÓRTER: Boa tarde a todos. Eu queria entender melhor um pouco o papel legal desse comitê internacional de harmonização, citado pelo Dr. João Gabbardo. Legalmente, o Governo Brasileiro, ele é obrigado a acatar a opinião e a posição desse comitê internacional? Quer dizer, se eles disserem que a Coronavac já está pronta para ser aplicada na população, o Governo Brasileiro tem que acatar isso? E uma segunda questão para o Dr. David Uip: O senhor tem observado alguma mudança nesses novos pacientes, que estão chegando agora, nessas internações de Covid, doutor? Por favor.

JEAN GORINCHTEYN, SECRETÁRIO ESTADUAL DE SAÚD DE SÃO PAULO: Muito bem, Maria Manso, muito obrigado. A primeira pergunta eu vou dividir entre João Gabbardo e Dimas Covas, iniciando-se por Dimas Covas, e a segunda com o professor Dr. David Uip. Por favor, Dimas.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: Maria, esse comitê, ele harmoniza as normas entre diversas agências no mundo. E portanto, ele faz uma auditoria prévia para aceitar os membros. Quando um membro entra, ele acata as decisões dos membros afiliados. Ou seja, a Anvisa do Brasil, a Anvisa dos Estados Unidos, o FDA, a Anvisa da China, participando dessa instituição, existe já por norma a aceitação de que o que está sendo feito lá é feito de forma compatível. Ou seja, o que a agência chinesa faz é compatível com o que a Anvisa faz. E portanto, há que haver aí uma cooperação, no sentido dos reconhecimentos, seja do Brasil lá, da Anvisa do Brasil lá, seja da Anvisa correspondente da China aqui. Então esse é o princípio, isso explica por que há essa possibilidade. Então, ocorrendo um registro na China, aqui o Brasil, ele vai ter que se manifestar, tem um prazo pra isso, para reconhecer esse registro. Então é por isso que nós colocamos, e o Gabardo colocou muito bem, que isso pode ocorrer, quer dizer, pode ocorrer o registro lá, e com esse registro se solicitar aqui a velocidade da nossa Anvisa. Nós sabemos que, nesse momento, um dia faz diferença, um dia faz diferença, porque são centenas de pessoas que estão morrendo. Então, um dia com vacina conta. E nós estamos particularmente, assim, muito otimistas com relação à abertura desses dados, ou seja, com a análise, que vai ocorrer muito brevemente, e com essa possibilidade do registro ser muito rápido e acontecer antes do final desse ano.

JEAN GORINCHTEYN, SECRETÁRIO ESTADUAL DE SAÚDE DE SÃO PAULO: Obrigado, Dr. Dimas Covas. João Gabbardo, uma complementação?

JOÃO GABBARDO, COORDENADOR EXECUTIVO DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: Não, não existe nenhuma obrigatoriedade. O que existe é uma padronização, para que não haja duplicidade de atividades, quer dizer, aquilo que já for feito pela Anvisa da China não precisa ser repetido. Agora, tem situações que a Anvisa do Brasil vai ter que estar presente, por exemplo, o Butantan vai ser um produtor da vacina. Vai haver necessidade que a Anvisa faça inspeção da fábrica do Butantan, para fazer a inspeção das boas práticas do Instituto Butantan. Então, coisas como essa, a Anvisa brasileira vai fazer, com certeza. Não precisará é repetir todo o protocolo, todos os processos que já terão sido examinados pela correspondente, órgão de fiscalização, controle da China.

JEAN GORINCHTEYN, SECRETÁRIO ESTADUAL DE SAÚDE DE SÃO PAULO: Obrigado, Gabbardo. E para responder a segunda pergunta de Maria Manso, David Uip.

DAVID UIP, MEMBRO DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: Especialmente nos hospitais privados que eu trabalho, há um aumento da pressão de internação, eu não tenho dúvida de afirmar isso. E o que ocorre? Populações que estavam escondidas, estavam em quarentena, voltaram e estão, essas populações, estão se contaminando, especialmente os jovens. Os jovens foram às festas, festas grandes, eu tenho notícias de festas de 500 pessoas, e o jovem tem uma doença, habitualmente, leve. Ele fica doente, pode ficar grave, mas a maioria fica leve. Infelizmente, ele acaba contaminando pais e avós. Então, esses hospitais privados estão pressionados com o aumento do número de casos. Uma outra coisa que eu acho que é conceitual é estabelecer o que está acontecendo. Neste momento, são essas populações que estão mais afetadas, e nós não sabemos o que ocorrerá na sequência, se vai ser, por exemplo, à semelhança do primeiro momento. Todos lembram que os primeiros casos brasileiros foram importados de brasileiros que foram passar férias em outros países. Naquele primeiro momento, também os hospitais privados foram pressionados, depois houve uma participação de toda a sociedade, de todos os hospitais. A segunda definição é que eu ouço muito falar de primeira onda, segunda onda... Não há essa definição neste momento. O que há, caíram, caiu o número de casos em todo o Estado de São Paulo, isso é visível, e nós estamos vendo agora um aumento nessas populações. Então, nós vamos ter que esperar fundamentalmente consolidar os dados que não estão consolidados, para ter uma visão maior. Agora, eu não tenho dúvidas de afirmar que o problema não está, por exemplo, aquilo que foi dito, no que foi aberto. Eu estou vendo shoppings bem protocolados, restaurantes bem protocolados, as escolas que abriram, bem protocoladas, as academias de ginástica, bem protocoladas. Na minha opinião, o que está acontecendo é o aumento do número de casos porque as pessoas abriram a guarda e foram a eventos, a festas privadas, sem qualquer proteção. Então, recomendando que a pandemia não acabou. Muito pelo contrário, nós estamos muito atentos e, claro, sempre preocupados. Uso de máscara, distanciamento social, lavagem de mãos, álcool em gel, continuam sendo, ainda, até que surja a vacina, o que nós temos.

JEAN GORINCHTEYN, SECRETÁRIO ESTADUAL DE SAÚDE DE SÃO PAULO: Obrigado, Dr. David. Só quero lembrar que o serviço de Vigilância Sanitária, que está ligado à Secretaria de Estado da Saúde, continua não só fazendo as inspeções como autuando. Esse final de semana, nós tivemos o Parque Villa Lobos e Ibirapuera, que foram autuados por aglomerações, assim como várias festas, como essa que, de forma aberrante, já compunha mais de mil integrantes, foram simplesmente finalizadas, fechadas. Todos os organizadores do evento foram autuados e foi aberto um Boletim de Ocorrência, porque as pessoas não vão mais responder só de forma cível, mas criminal, porque quando ocorrem festas como essa, existe a dissipação de vírus, e colocando em risco a nossa população. Muito obrigado, Maria Manso, a próxima pergunta por Maira [ininteligível], da Rádio Bandeirantes. Por favor, Maira.

REPÓRTER: Boa tarde, secretário, boa tarde a todos. Antes das minhas perguntas, eu só queria confirmar dois dados: A queda do número de casos da semana passada, em relação à semana anterior foi de quanto, percentualmente? E quantos voluntários que já receberam as doses? Eu teria que.. foram 10.800. Queria só confirmar esses números. Eu queria voltar na questão da minha colega sobre os testes estocados do Ministério da Saúde. O governo federal está responsabilizando os estados que não teriam solicitado esses testes. Eu queria saber qual o posicionamento do estado de São Paulo em relação a isso. Sobre a vacina, a questão da eficácia, queria saber se a eficácia que vai ser divulgada na semana que vem vai valer igualmente para os idosos? Como é que funcionam os testes com essa categoria especial que, inclusive, está nas prioridades das imunizações. Obrigada.

JEAN GORINCHTEYN, SECRETÁRIO DE SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito bem, Maira. A primeira questão eu vou passar aqui para Patricia Ellen, mas já antecipo uma queda de 8,4% no número de casos, mas eu gostaria dos números passados pela Patricia Ellen. A segunda questão, a segunda pergunta, em relação aos testes eu mesmo a responderei e a terceira sobre eficácia, vamos passar para o doutor Dimas Covas.

PATRICIA ELLEN, SECRETÁRIA DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO DO ESTADO DE SÃO PAULO: Então, eu vou passar os números da semana 45, 46 e 47 para a gente ter o cenário completo. Na semana 45 nós ficamos 6 dias sem acesso ao banco de dados e o dado oficial consolidado é de 1.401 casos naquela semana. Na semana seguinte, que é a 46, o numero foi de 5.927 e agora, nessa última semana, 47, 5.430. A queda da 46 para a 47 é de 8.4%

JEAN GORINCHTEYN, SECRETÁRIO DE SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito bem, muito obrigado, Patricia. Em relação aos testes, nós, do estado de São Paulo temos mais de 10 mil testes realizados diariamente. Nós fazemos a testagem muito próxima de países da Europa com mais de 100 testes para cada 100 mil habitantes. Quer dizer, nós temos um índice de testagem, o maior da América Latina e como disse, próximos aqueles que são realizados na Europa e muito distantes até mesmo daqueles que são feitos nos Estados Unidos e Reino Unido. Portando, testamos e testamos muito. Tanto aqueles que são sintomáticos leves como todas as pessoas no entorno. Independentemente disso nós temos 7 milhões de testes que acabamos por ter conhecimento pela imprensa. Nós precisamos ter acesso a estes testes porque dessa forma, sim, poderemos otimizar ainda mais. Nós temos estrutura, para sim, fazê-lo. Aliás, o nosso grande apoiador é o Instituto Butantan que tantos testes faz para que nós possamos, então, trazer à luz os dados diários para podermos instituir e traçar medidas estratégicas. Próxima pergunta, eficácia, com Dimas, por favor.

DIMAS COVAS, DIRETOR DO INSTITUTO BUTANTAN: Maira, vamos tentar entender essa questão da eficácia. Nós temos mais já de 10 mil voluntários vacinados e dentre esses, na realidade mais de 10 mil pessoas voluntárias. Metade recebeu o placebo e metade recebeu a vacina. Quer dizer, nós não sabemos quem recebeu o placebo e quem recebeu a vacina. Então, nesse conjunto de pessoas é que apareceram 74 casos de Covid. Então, quando eu falo, olha, iniciou-se o processo de abertura, então, agora o que as equipes estão realizando é identificar se os casos de Covid apareceram em quem recebeu o placebo ou em quem recebeu a vacina. Se todos os casos apareceram em quem recebeu o placebo a eficácia é 100%. Então, isso, de uma forma muito simples, é isso que nós estamos aguardando e isso deve acontecer -

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: [ininteligível].

DIMAS COVAS, DIRETOR DO INSTITUTO BUTANTAN: Sim. Sim. Nesse grupo, nesse grupo foi acima de 18 anos, incluindo idosos. E foram profissionais de saúde, então, ou seja, aquele grupo que está mais exposto. Então, a eficácia vai valer para esse grupo e vai valer para a população geral. Quer dizer, isso não tem relação com a segurança da vacina, isso não tem relação com as faixas etárias que serão depois acrescidas para efeito de dose, de estudo de doses. Então, tem proximadamente um estudo com idosos que está para começar para definir para idosos qual é a melhor dose. Se é uma dose, duas doses, qual a concentração de doses. Ou seja, já é uma outra parte do estudo, mas para a eficácia nós já temos os números definidos e isso já será o suficiente.

JEAN GORINCHTEYN, SECRETÁRIO DE SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito obrigado, Dimas. Muito obrigado, Maira, pela pergunta. E a próxima pergunta agora, Leandro Gouveia da CBN.

LEANDRO GOUVEIA, JORNALISTA: Boa tarde a todos. Boa tarde, secretário. A respeito das internações, queria saber se existe uma projeção por parte das autoridades de saúde do quanto essas internações podem resultar em mortes visto que o perfil desses internados é diferente dos internados do começo da pandemia, em termos de porcentagem que são mais jovens pelo que vocês falaram e a respeito do Plano São Paulo, se houver reclassificação de regiões no dia 30, como é que o governo vai se comportar a respeito de restrições, por exemplo, jogos de futebol? Se alguma região for para a fase laranja já no dia 30 essas restrições já vão ser imediatas? Como no inicio do Plano São Paulo? Obrigado.

JEAN GORINCHTEYN, SECRETÁRIO DE SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito bem. Para a primeira pergunta eu vou dividir a resposta com o doutor David Uip e na segunda do Plano São Paulo a divisão será entre João Gabardo e também José Osmar Medina. Na verdade, o que nós vemos das internações hospitalares é importante que hoje nós não estamos falando só de unidades de terapia intensiva, nós também estamos falando de internações hospitalares. Cada vez mais aprendemos na pandemia que nós temos que internar pacientes muitas vezes em condições clinicas muito mais leves, mas que tenham a possibilidade de evoluir de uma forma muito mais desfavorável, além do que algumas condições sociais em pessoas que podem estar em seu domicílio muitas vezes sem um cuidador ou sem uma assistência necessária e que serão melhor seguidas, acompanhadas por uma equipe clinica e médica garantindo dessa forma essa internação. Então, hoje o que nós temos visto é que a despeito da gravidade da doença muitos são internados de uma forma muito mais precoce, mas de toda forma nós estamos acompanhando muito proximamente esses números de casos. Tanto nas enfermarias quanto nas unidades de terapia intensiva e desde a quinta-feira da semana passada identificando regiões de todo estado de São Paulo que possam eventualmente merecer uma assistência tanto de ampliação de numero de leitos, ampliação, que eu digo, uma reativação daqueles que haviam sido alocados para outras doenças, para que dessa forma nós estejamos garantindo que a nossa população que nunca deixou de ter assistência para um respirador, uma unidade leito de terapia intensiva venha a ser ou sofrer com a falta dela. Então, obrigatoriamente nos antecipamos nesse sentido até a leitura final desses dados dando a segurança, a garantia de assistência a todos os brasileiros do estado de São Paulo. Pedir agora para que o doutor David Uip faça alguma consideração a mais.

DAVID UIP, MÉDICO INFECTOLOGISTA: A pandemia não mudou e nem a gravidade dos doentes. Então, lembrando, 80% dos pacientes são assintomáticos, 20% precisam de internação e 5% de unidade de terapia intensiva. Qualquer um pode pegar a doença a despeito de idade, qualquer um pode ser uma forma mais grave. Agora, a letalidade está mais focada nos pacientes com mais idade e com comorbidade. O que mudou? O que mudou é que nós aprendemos a manusear o doente grave. Nós aprendemos a suportar a vida desses pacientes. Então, é a sustentação de vida. O que você precisa para isso? Não são medicamentos mirabulosos que não existem. Hoje, o único medicamento aprovado é o corticóide, a dexametasona. Ainda, os antivirais estão em estudo, os anticoagulantes que nós usamos, mas o que existe? Os hospitais estão organizados, as unidades de terapia intensiva estão protocoladas, os profissionais de diversas áreas, e não é só medico, é fisioterapeuta, farmacêutico, enfermagem, sabem trabalhar juntos e com isso caiu a letalidade. Então, é isso que o mundo faz, sustentação através de hospitais equipados, terapias intensivas com padrão ouro de atendimento, e equipes protocoladas e treinadas.

JEAN GORINCHTEYN, SECRETÁRIO DA SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Lembrando que essa assistência qualificada ela não se resume aos hospitais privados, ela é extensiva à toda a rede pública, que mesmo em áreas mais remotas, eventualmente com uma dificuldade técnica operacional, tem a tele UTI, que é feita por um convênio da Secretaria de estado da Saúde, com o INCOR aqui de São Paulo, dando assistência eventual a aqueles pacientes que precisariam ter um caso melhor diagnosticado ou seguido. Então é essa prevalência que nós temos que fazer, é dar uma assistência qualificada a todos, essa é a marca do Sistema Único de Saúde, dando assistência igualitária a todos os cidadãos. Última pergunta agora dessa tarde, William Cury, da TV Globo, Globo News.

JOÃO GABBARDO, COORDENADOR EXECUTIVO DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: Falou uma parte aí, secretário.

JEAN GORINCHTEYN, SECRETÁRIO DA SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Desculpa?

JOÃO GABBARDO, COORDENADOR EXECUTIVO DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: Faltou a segunda parte da pergunta aí.

JEAN GORINCHTEYN, SECRETÁRIO DA SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Por favor.

JOÃO GABBARDO, COORDENADOR EXECUTIVO DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: Não, em relação ao plano São Paulo, que o Leandro perguntou, bem, os dados são examinados diariamente pelo centro de contingência, e o centro de contingência não faz antecipação das medidas que devem ser tomadas. Essa análise vai continuar sendo feita diariamente, e em um momento adequado as medidas serão anunciadas. Mas eu vou deixar para a secretária Patrícia falar sobre essas questões mais específicas relacionadas ao plano São Paulo.

PATRÍCIA ELLEN, SECRETÁRIA DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO: Bom, acho que complementando o Gabbardo já trouxe a visão importante, que a classificação do dia 30 será feita com os dados encerrados no sábado. E exatamente por toda essa instabilidade que foi trazida aqui, seria uma irresponsabilidade nossa tecer conclusões com dados que variaram tanto. Nós precisamos dos próximos dias exatamente para termos uma figura mais estável das informações, e evitando sempre essa nossa tendência de tentar fazer futurologia, é muito importante mesmo ter acesso à informação real. Eu mostrei aqui para vocês com exemplos concretos, como os dados variavam para casos e óbitos nas últimas semanas, os de internações, que são os nossos dados, estão mais estáveis, estamos trabalhando muito com eles agora, mas faltam as outras informações também. Muito obrigada.

JEAN GORINCHTEYN, SECRETÁRIO DA SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Leandro, pela pergunta. E a próxima pergunta, por William Cury, da TV Globo, Globo News.

WILLIAM CURY, REPÓRTER: Boa tarde. Boa tarde, a todos. Queria voltar na pergunta dos testes que estão parados, guardados, o senhor disse que o estado de São Paulo não estava sabendo desses testes. Eu queria entender então a responsabilidade por eles. Nós temos desde o início da pandemia um embate entre estados e o Governo Federal, eu queria saber qual que é a influência do Governo Federal para quantidade de testes que são realizados hoje nos estados, e incluindo aqui no estado de São Paulo. Então se tem algum interesse em deixar testes guardados por parte de alguma esfera, nesse caso do Governo Federal, para evitar ter mais confirmações, o novo Coronavírus, queria entender melhor como é que está essa relação. Outra pergunta é em relação às festas clandestinas que nós vimos aqui no final de semana, qual é o impacto que elas têm no combate à pandemia aqui no estado de São Paulo? E como que a fiscalização pode ser feita com uma inteligência das polícias, porque festas que reuniram grande quantidade de pessoas. Então um trabalho prévio poderia até ter evitado que ela acontecesse. Sobre a vacina Coronavac, eu queria saber qual é o preço que o estado de São Paulo paga pela dose da Coronavac ao Laboratório Sinovac. Obrigado.

JEAN GORINCHTEYN, SECRETÁRIO DA SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito bem, William Cury, TV Globo, Globo News, as primeiras duas perguntas vão ser respondidas por mim, e a terceira, sobre vacina, com Dimas Covas, presidente do Instituto Butantã. Com relação aos testes, nós sabemos perfeitamente que todo o apoio que o Ministério da Saúde deu em relação às testagens foram implementadas, prova disso que dos 15 milhões de testes adquiridos, 8 milhões de testes foram distribuídos para todos os estados. Evidentemente, 7 milhões desses testes, ainda retesados, muitos estados consagram a sua incapacidade, impossibilidade de realizá-los. Então talvez uma resposta mais robusta, engajada, possa ser feita diretamente pelo Ministério da Saúde nesse sentido. Nós, do estado de São Paulo, estamos testando, como disse, testando muito, mais de 100 testes para cada 100 mil habitantes, nenhum país da América Latina faz essa testagem como fazemos. E dessa maneira, o fato de testarmos mais, ajuda a entendermos melhor a dinâmica da pandemia no nosso meio, e é isso que realmente continuaremos a fazer, testar, testar e testar, só assim, de uma forma precoce, para sintomáticos leves, aqueles indivíduos que só tem uma dorzinha de garganta, um nariz entupido, no meio de uma pandemia, devemos lembrar da possibilidade do Coronavírus. Em relação às festas clandestinas, nós vamos das grandes festas, as grandes festas elas têm uma característica muito interessante, elas rodam pela internet, e uma, duas horas antes do evento o local é definido. Portanto, dessa maneira, nós também precisamos nos utilizar de pessoas inseridas nesses grupos para que fomentem essa informação, e é assim que fazemos, foi exatamente dessa forma que conseguimos debelar a ocorrência de festas irresponsáveis do ponto de vista de saúde pública, no meio de uma crise sanitária que mata pessoas. Então dessa forma já estamos fazendo isso, com a integração plena da Polícia Militar, das polícias civil e também das guardas civis de várias municipalidades, são dessa forma que essas festas podem realmente serem banidas. Mas nós temos que lembrar que pequenas festas acontecem com pessoas comuns convidando quatro, cinco, seis outras pessoas e fazendo pequenos encontros. Esses pequenos encontros não respeitando todas as normas e ritos sanitários, são capazes de levar a disseminação do vírus. Então nós estamos olhando no macro, muito bem, mas esses pequenos encontros, essas pequenas festas são capazes de colocar as pessoas em risco. E é muito natural: "Ah, eu tô chamando mais dois, três casais de amigos aqui, porque eles também se preocupam, assim como nós, e estão se protegendo". Nem sempre isso é uma verdade, e é exatamente nesses encontros que acaba havendo a disseminação de doença. E o pior, leva-se para casa para pessoas que ali estão resguardadas, seguindo de forma plena a quarentena, e são pessoas que tem ou idade, ou problemas na sua saúde, que podem agravar, e infelizmente podem morrer. Então dessa forma a gente pede a compreensão das pessoas, para que se saírem o façam com responsabilidade, sempre evitando as aglomerações, sempre fazendo o distanciamento pessoal, sempre se utilizando das máscaras. Próxima pergunta, sobre vacina, com Dimas Covas.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: Wil, o Butantan ele não tem preço, ele tem custo, quer dizer, como instituição pública nós sempre trabalhamos com ressarcimento. Então essa vacina ela foi ofertada ao nosso Ministério da Saúde ao custo de US$ 10,30. Quer dizer, isso está colocado claramente, isso já foi inclusive objeto aí de divulgação. Dentro desses custos, tem o custo da matéria-prima, tem o custo da tecnologia, e tem o custo da chamada propriedade intelectual. Então a Sinovac ela é remunerada dentro desses custos, e aí varia muito de volumes, varia muito da forma como a vacina é entregue aqui. De qualquer maneira, isso é um entendimento entre Sinovac, Fundação Butantã, e essa planilha de custos ela no momento adequado, deve ser analisada pelo nosso Ministério da Saúde, se ocorrera a incorporação da vacina. Então tudo isso é planilhado, é mostrado, e é solicitado esse ressarcimento. Ou seja, nós não falamos em preço, nós falamos em custos.

JEAN GORINCHTEYN, SECRETÁRIO DA SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito obrigado, Dimas. Quero dizer a todos que a única forma de voltarmos ao normal é através da vacina, esse é o momento histórico, esse é o momento de esperança, mas enquanto ainda não disponibilizamos a vacina ainda, temos que manter o distanciamento, temos que ter a responsabilidade. Nós sempre falávamos para as pessoas: "Fiquem em casa enquanto arrumamos a saúde, ampliamos o número de leitos, criamos as Unidades de Terapia Intensiva em áreas que muitas vezes, eram faltosas". Mas nesse momento nós estamos pedindo às pessoas que tenham responsabilidade, cada um de nós é responsável, todos aqueles que pedimos para ficar em casa, nos respeitaram, agora nós estamos pedindo, por favor, saiam com respeito e responsabilidade, nós não podemos prejudicar tanto os nossos comerciantes, os prestadores de serviços, que estão fazendo o seu papel, na maioria das vezes, de forma adequada, em detrimento aqueles que não seguem as normas de violência. Portanto, evitem aglomeração, fiquem em casa, quando possível, se saírem usem as máscaras, se utilizem do álcool em gel. Muito obrigado, a todos.