Coletiva - Governo anuncia Coronel Fernando Alencar como novo Comandante-Geral da PM 2020 20200903

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Coletiva - Governo anuncia Coronel Fernando Alencar como novo Comandante-Geral da PM

Local: Capital - Data: Março 09/03/2020

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JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Pessoal, boa tarde. Obrigado pela presença. Hoje nessa coletiva de imprensa, o tema é segurança pública, mas antes de anunciar aquilo que muitos já ouviram agora pouco na cerimônia do Policial Nota 10, da décima quarta cerimônia do Policial Nota 10, queria registrar a presença aqui à mesa do Rodrigo Garcia, secretário de governo e vice-governador do estado de São Paulo; General Campos, secretário de Segurança Pública do estado de São Paulo; Coronel Salles, Comandante Geral da Polícia Militar, que agora transfere o comando para o Coronel Alencar, até então, neste momento ainda subcomandante geral da Polícia Militar, a partir de amanhã comandante geral da Polícia Militar do estado de São Paulo. Coronel Camilo, secretário executivo da Polícia Militar, que também nos honra aqui com a sua presença. Eu acredito que uma boa parte saudar também os demais oficiais que estão aqui, o Nyakas, nosso secretário da Casa Militar, e também coordenador da Defesa Civil, Cleber Mata, secretário de Comunicação. E o Maurício Costa, que é o superintendente da Polícia Científica do estado de São Paulo. Obrigado, Maurício, e a todos os demais que estão aqui. Coronel Engel, muito obrigado também, eu não tinha lhe visto ali na cerimônia, o seu trabalho à frente da Defesa Civil, juntamente com o Coronel Nyakas, exemplar, uma hora e um orgulho para todos nós, ainda que no momento de muita tristeza, como das vítimas que lamentavelmente contabilizamos na Baixada Santista, eu sei que o seu trabalho continua, da sua equipe também, assim como Defesa Civil das prefeituras de Santos, Guarujá e São Vicente. Mas muito obrigado pela sua forma diligente, corajosa e sensível também, em uma situação tão triste como essa. Eu queria aqui registrar, eu acho que todos os jornalistas que aqui estão, independentemente da coletiva que hora esse realizando, acompanharam os nossos discursos do Policial Nota 10. Aproveitamos a oportunidade, essa cerimônia do Policial Nota 10 ela já estava programada, ela é realizada mensalmente, essa foi a décima quarta premiação do Policial Nota 10, para saudar o Coronel Salles, que ao longo desses 15 meses foi leal, correto, dedicado, um grande Comandante da Polícia Militar, nós renovamos o convite para que ele prosseguisse à frente do Comando da Polícia Militar do estado de São Paulo, não é um fato normal ao longo da história da Polícia Militar, pouquíssimos casos, de um governo para outro, um Comandante da Polícia Militar prosseguir no seu cargo, foram menos de três casos em 30 anos, e um deles foi exatamente do Coronel Salles. E foi reconduzido para a mesma função e a mesma missão, exatamente pela sua competência, pelo seu histórico, é prerrogativa do governador fazer essa nomeação, e nós fizemos conscientemente de que ele vinha realizando um excelente trabalho à frente da Polícia Militar do estado de São Paulo, como realizou ao longo desses 15 meses, e o nosso convite foi transmitido pelo General Campos, e ele reassumiu as funções que já tinha de Comandante da Polícia Militar do estado de São Paulo. Ao longo desses 15 meses com o General Campos, e com a estrutura da Polícia Militar sob o comando do Coronel Salles, nós reduzimos os índices de violência no estado de São Paulo aos menores índices da história, desde que os índices são apurados, os indicadores são os menores da história, hoje temos 6,2 homicídios por 100 mil habitantes, que é o índice reconhecido pela ONU - Organização das Nações Unidas, para o gerenciamento do nível de violência, e é considerado o nível verde, ou seja, um padrão de primeiro mundo em nível de violência. Por óbvio, seguimos no nosso trabalho, a nossa responsabilidade é melhorar também a sensação de segurança, e colocar os índices ainda abaixo deste, que é o melhor do país, e é o melhor do histórico no país, e em São Paulo também. O que aumenta a responsabilidade do Coronel Alencar, que hora sucede o Coronel Salles, ele era o subcomandante, portanto, respondia diretamente, era o imediato na resposta ao Coronel Salles, e a partir desta semana assume o comando, haverá uma cerimônia para isso, evidentemente, seguindo os preceitos e o protocolo da Polícia Militar do estado de São Paulo. Nós ao longo desses 15 meses com o Coronel Salles, fizemos o maior investimento em equipamentos para a polícia, o próprio Coronel Salles pode dar o seu tenho, e ele fará o uso da palavra, evidentemente, com 36 anos de Polícia Militar ele assistiu e acompanhou toda a evolução da PM ao longo desses períodos, dos governos sucessivos até chegar no governo atual, nós fizemos o maior investimento em equipamentos para a Polícia Militar, o maior volume de armas, maior volume de viaturas, de equipamentos balísticos, equipamentos de defesa, softwares, equipamentos de inteligência da polícia, junto à Polícia Civil igualmente. A maior contratação e a arregimentação de policiais militares em treinamento na história de São Paulo, são 20 mil policiais entre civis e militares, que estão em treinamento, os militares na academia do Barro Branco, a Polícia Civil na Academia de Polícia, ao completarem o seu período de treinamento, gradualmente vão às ruas, cumprir as suas missões, mas é o maior volume de policiais também contratados de uma só vez na história do governo do estado de São Paulo. E quero finalmente, para não alongar, registrar que com o Coronel Salles, e com o General Campos, nós com 36 dias de governo colocamos 22 líderes do PCC dentro de um Hercules da FAB, com o apoio do Governo Federal, do ministro Sérgio Moro, e do Exército Brasileiro, e mandamos 22 líderes para prisões federais. Algo que há seis anos se discutia aqui em São Paulo, e uma iniciativa que por circunstâncias que não dependeram do Coronel Salles, não foi efetivado, e nós efetivamos com 36 dias de governo. Hoje são 35 líderes do PCC em prisões federais, sob a custódia do Governo Federal, e que hoje cumprem as suas penas em regime de isolamento completo. E vamos seguir dentro dessa mesma linha, dessa mesma boa política de respeitando os protocolos da polícia, o uso progressivo da força, combater a criminalidade, e colocar os bandidos aonde eles merecem estar, na cadeia, com isso garantindo paz, tranquilidade, para a população dos brasileiros de São Paulo. Eu nesse momento, antes das entrevistas, e de perguntas e respostas, vou passar a palavra ao General Campos, e na sequência ao Coronel Salles. General.

GENERAL CAMPOS, SECRETÁRIO DE SEGURANÇA PÚBLICA DO ESTADO DE SÃO PAULO: Integrantes da mesa, senhoras e senhores, boa tarde. Minhas palavras, senhor governador, são de cumprimentos ao Coronel Salles, e de agradecimento pelo trabalho incansável que fez nesses 15 meses que nós estamos nessa gestão, e que eu estou à testa da Secretaria de Segurança Pública, um trabalho excepcional, proficiente, maravilhoso, em prol da população brasileira. E também gostaria de desejar felicidade ao Coronel Alencar, o Coronel Alencar é o subcomandante hoje, tenho a convicção que haverá um prosseguimento no cumprimento das missões, com a mesma energia, com a mesma dedicação, e com o mesmo profissionalismo que nós vimos até agora. Então ambos estão de parabéns, aquele que deixa a função em algo assim tão importante, de maneira tão brilhante, e tenho a convicção que o Coronel Alencar fará um belíssimo trabalho. Muito obrigado.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, General. Antes das perguntas, já que temos cinco veículos de comunicação, eu quero passar a palavra ao Coronel Salles, para que ele possa se pronunciar, e tomei a liberdade, General, de pedir ao próprio Coronel Salles, que destaque alguns aspectos do currículo brilhante do seu subcomandante, futuro comandante da Polícia Militar do estado de São Paulo, Coronel Alencar. Coronel Salles.

CORONEL SALLES, COMANDANTE GERAL DA POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Senhor governador, senhor vice-governador, senhor General Campos, meu Comandante Camilo. Meu Comandante Alencar. Muito obrigado, governador, pela oportunidade até de participar, e de poder me despedir até das pessoas que trabalham conosco, servidores, a nossa tropa, amigos, a nossa imprensa, tive sempre uma relação maravilhosa com a imprensa, aproveito aqui e agradeço, sempre nos ajudaram tanto, como na greve dos caminhoneiros, a imprensa me ajudou, eu pedi o apoio da imprensa, e a imprensa me ajudou levando a melhor informação. A imprensa nos ajudou na escola Raul Brasil, quando nós pedimos, nós estávamos juntos lá, quando nós pedimos que se afastassem, porque o cenário era muito difícil, quando o prédio do Largo do Paysandu caiu, que levassem as melhores informações. Agora nas enchentes, e eu falei com os jornalistas e pedi que vocalizassem para que não saíssem de carro. Então eu quero agradecer a todos, agradecer ao senhor, as palavras que eu falei lá são de gratidão. As relações entre àquelas pessoas que trabalham juntas, não aquelas almas frias e tímidas, ela, por vezes, tem momentos tensos, é natural, todo mundo quer acertar, quer fazer o melhor, então, eu... Isso é natural que aconteça, mas eu deixo o comando, entrego o comando a uma pessoa excepcional, que é o Coronel Alencar, homem com uma experiência profissional invejável, eu já falei isso em público, se alguém quiser resgatar, eu já tinha falado isso que, se há algum sucesso no nosso comando a ser comemorado, eu devo muito ao Coronel Alencar, porque é uma pessoa muito discreta, é extremamente profissional, tem uma experiência muito grande, comandou a Rota, comandou o 16º batalhão, comandou a zona sul, foi subcomandante da Polícia Militar, foi professor de muitos cadetes, os majores e capitães foram todos alunos do Alencar, isso vai facilitar demais, e essa transição, essa tradição, a tradição, se nós fôssemos olhar a origem etimológica de tradição, é passagem, então, quando a gente fala em passar, é nessa tradição que nós vamos fazer essa passagem em altíssimo nível, como a segurança pública merece e requer, então, eu estou muito feliz, saio realizado, saio, alguns sabiam já que eu estava um pouco cansado, essa função não é fácil, Coronel Camilo tá aqui pra dizer, no ritmo que a gente leva, dormindo com dois telefones ao lado da cama, o tempo todo, eu e o Alencar, e dormindo pouco, eu e o Alencar não saímos, nós temos um grupo na Polícia Militar, que é o grupo do COPOM, o general também faz parte, da sala de situação, ele passa as notícias 24 horas por dia, e quando nós assumimos comando, tiraram a gente desse grupo, isso eu posso falar, e na ocasião falamos, ué, nós não estamos mais recebendo, porque nós éramos comandantes de área, aí falou, ué, acho que houve algum engano, né, nós falamos. Falou, não, é porque senão os senhores vão ficar loucos, falei, não, agora que nós temos que estar no grupo, é agora que nós temos que saber, mas isso tem um preço, um preço pra família, há resultados, há, mas, realmente, é difícil, vou dar um exemplo, nas chuvas tava tudo bem, a semana tinha sido uma semana difícil, e aí no domingo tava eu, minha mulher, meu filho, fomos almoçar fora, eu falei: Puxa, essa semana não tem grandes eventos, vai ser tranquilo, quando é duas horas da manhã, o Alencar me liga e fala: Meu, você não tá vendo a chuva? Eu falei: Eu estou. Aí eu acordei, né, quando ele ligou, falou: Meu, vamos ter que tomar as medidas, já falamos com o Coronel Max Mena, que é o comandante, isso duas horas da manhã de domingo pra segunda, e aí falando, quando eu falei com a imprensa, pedindo pros jornalistas que a gente conhece pra que orientasse as pessoas pra não sair de carro, então é isso, e aí eu agradeço, as palavras são de gratidão mesmo, eu, que era office boy da [ininteligível] indústria têxtil e chegar a Coronel da Polícia Militar, e a graça divina de ter sido nomeado, primeira vez pelo governador Márcio França, a quem eu também sou muito grato, eu não sou ingrato, eu agradeço, tive oportunidade de trabalhar com pessoas do quilate de Mário Covas, outra experiência maravilhosa, e hoje, saindo daqui, eu vou passar na casa do meu pai, que ele já tem 87 anos, quero cuidar um pouquinho dele, quero... Agradeço, agradeço a todos que estão aqui, e pela oportunidade, se não fiz melhor é porque energias faltaram, fizemos tudo que a gente podia, né, Alencar? E agora, com o Alencar, olha, senhores, o Alencar é muito melhor do que eu, mas muito, parabéns, governador, hoje eu fiquei sabendo que seria o Coronel Alencar, e parabéns, vocês, os senhores acertaram, é um dos homens públicos com uma renúncia pessoal maravilhosa, te desejo, meu irmão, felicidades e a nossa tropa tá em festa, está tranquila, como sempre esteve, muito obrigado, meu irmão, parabéns, parabéns, governador. Só isso. Muito obrigado. Falei demais, como sempre.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Não, falou com o coração, isso é importante, também é importante. Evidente que na Polícia Militar determinação, treinamento, sob certos aspectos também frieza nos momentos mais difíceis, mas sempre com o coração no seu bom batimento e o Coronel Sales é um homem de bom coração. Obrigado pelas referências a todos nós, a mim em especial, também falo em nome do Camilo e do General Campos, e também do nosso Rodrigo Garcia. Nós vamos, então, agora, temos cinco veículos de comunicação, vamos a Rádio Jovem Pan, Leonardo Martins, Leo, sua pergunta, por favor. Boa tarde, obrigado pela presença.

LEONARDO MARTINS, REPÓRTER: Boa tarde, governador. Boa tarde a todos. A minha primeira pergunta, eu tenho duas, uma é pro Coronel Alencar, outra pro Coronel Sales. Coronel Alencar, o Sales a gente já conheceu de antemão, que ele tem um perfil agregador, foi falado em conversa com os oficiais, ele tem um perfil de respaldo aos direitos humanos, e a minha pergunta é quem é o Coronel Alencar, que assume o comando da PM paulista? Coronel Sales, muito tem se falado agora sobre a sua vida futura, se o senhor teria interesse em uma carreira política, [ininteligível] uma chapa com a prefeitura com Márcio França, como você trata? Você foi procurado? Você tem interesse na política? São essas duas. Obrigado.

CORONEL ALENCAR: Boa tarde. Boa tarde. Com relação a quem é o Coronel Alencar, ele é um policial militar, filho de um policial militar, que tem por objetivo, agora, cuidar da Polícia Militar. Muito obrigado.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Objetivo direto, né? É. Então, agora, vamos ao Coronel Sales, a segunda pergunta.

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Governador, o senhor permite?

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: É claro.

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Uma característica do Coronel Alencar é modesto, o Coronel Alencar é um dos poucos oficiais da Polícia Militar do Estado de São Paulo com curso em direitos humanos, pra fazer [ininteligível]. E instrutor de direitos humanos, pra fazer um enlace com aquilo que você colocou.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, General. Salles.

CORONEL SALLES: Agradecer, você também... Não existe... Isso é interessante, né, a gente sempre via a polícia, às vezes não concordam com uma coisa ou outra que, às vezes, a imprensa fale, mas a gente tem que defender o direito e a liberdade da imprensa, eu já o conheço também, então... Especulações há, eu estou... Estou muito tranquilo, mas eu sou candidato a voltar a ser Marcelo, entendeu? Minha família precisa, eu deixo a Polícia Militar, e até em respeito a função que exerço, como Comandante Geral, estou deixando, por estar fardado, por ser oficial da ativa, em respeito a função, a nobre função que exerci, eu não gostaria de me manifestar, eu sou candidato a voltar pra casa e olhar um pouquinho pra minha família, mas estou muito feliz, estou muito contente, estou realizado.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Leonardo. Obrigado, Coronel Sales. O segundo veículo é o Jornal O Globo, jornalista Suzana Correia. Suzana, boa tarde. Sua pergunta, por favor.

SUZANA CORREIA, REPÓRTER: Boa tarde. A gente ouviu o ex-ouvidor Benedito Mariano e ele fez diversas críticas em relação, bom, basicamente ele avaliou que o Estado é responsável pelas mortes que aconteceram em Paraisópolis e também ele disse que o fato de que a investigação de Paraisópolis e a escolha do novo ouvidor, na visão dele, foram muito mais políticas do que técnicas, o ex-ouvidor também criticou um pouquinho o distanciamento do governador, da ouvidoria, ele disse que nunca foi recebido, ao contrário de governos anteriores, e ele criticou o fato do inquérito de Paraisópolis ter ficado sob responsabilidade do sub comando da PM e não da ouvidoria. A minha pergunta pro governador é se a gente sente uma mudança na condição da ouvidoria, né, com o ouvidor agindo muito mais como um porta-voz, seria esse o momento, governador, da gente, dessa mudança, considerando a alta nas mortes, por policiais em 2019? E pro Coronel Alencar, que foi responsável pelo inquérito em Paraisópolis, que teve uma conclusão que diverge da conclusão do ex-ouvidor Benedito Mariano, se você pretende manter no seu comando essa prática de conduzir o inquérito sobre a atuação da sua polícia feito por você.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Suzana, vou dividir a resposta com o Coronel Alencar, mas primeiro pra dizer, ouvidor não é investigador, principalmente esse ouvidor, a investigação é feita por quem deve fazer investigação, a Polícia Civil que faz investigação, é assim que está na lei, o ouvidor não é investigador, nem concluidor, ele não concluir sem um inquérito, então considero precipitada as observações feitas por ele, não quero desrespeitá-lo, até porque ele é ex-ouvidor, mas não compete a ele fazer juízo sobre a Polícia Militar, sobre a Polícia Civil, sobre a polícia de forma geral, sobre os fatos que estão ainda sob inquérito da Polícia Civil do Estado de São Paulo. E sobre o novo ouvidor, ele veio de uma lista tríplice, eu não tenho relação com ele, não o conhecia, não tinha nenhuma relação, nem pessoal, nem institucional, veio dentro de uma lista tríplice, como é a tradição, e o governador fez a sua escolha, simples assim, é um homem correto, fiz questão de convidá-lo pra vir aqui, ele veio, cumprimentei, teve um encontro conosco, e o cumprimentei desejando sucesso na sua condição de novo ouvidor, poderia ter sido com o Dr. Benedito Mariano, mas não, ele não foi nomeado por mim, não tinha nenhuma razão pra convidá-lo pra vir aqui, o Dr. Eliseu sim, foi nomeado nessa gestão, na conclusão do mandato do ex-ouvidor, e eu tenho certeza que ele realizará um trabalho competente, sério, isento, como cabe a um ouvidor. Coronel Alencar.

CORONEL ALENCAR: Com relação a sua pergunta, o inquérito foi avocado pelo subcomando, dada a complexidade da ocorrência. Quem conduziu toda a investigação foi a Corregedoria da Polícia Militar. Posteriormente será remetida à Justiça. E com relação ao inquérito eu não posso traçar nenhum tipo de comentário porque isso está sob... agora está sob responsabilidade da Justiça.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, coronel. Próximo veículo de comunicação é o jornal Folha de São Paulo. Jornalista Rogério Pagnan. Rogério, boa tarde. Sua pergunta, por favor.

ROGÉRIO PAGNAN, REPÓRTER: Boa tarde. Minha pergunta é para o governador. Antes de mais nada parabenizar o coronel Alencar pela nomeação, né, deve ser uma honra pro senhor, ainda mais filho de policial militar, né? O seu sucesso é sucesso de todo mundo. E parabéns também para o coronel Salles pela relação de respeito que o senhor teve com a gente da imprensa. Eu acho que é muito importante essa relação saudável, mesmo que a gente não goste de algumas críticas, né, mas ela é saudável para a democracia. Governador, o coronel Salles, no discurso dele ele fez até uma autocrítica se alguma vez ele errou. O senhor acha que no caso de Paraisópolis, afastando os 31 policiais o senhor acertou, agora passado esse tempo o senhor tomaria essa decisão de novo, né? Até depois da conclusão do inquérito da Corregedoria. E outra coisa, se o senhor chegou a convidar o coronel Salles a desistir dessa decisão de se afastar do comando, se o senhor fez esse convite pra ele.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Rogério, primeiro reafirmar o meu respeito pela imprensa, aliás, todos vocês sabem disso, eu sou um jornalista, mas independentemente da minha condição de jornalista, sou um democrata. Portanto, respeito a imprensa, no contraditório e nas críticas. Não há nada que substitua na democracia a liberdade de expressão, e quem conduz a liberdade de expressão é fundamentalmente... são os jornalistas, são os veículos de comunicação. Então o meu respeito, ratifico, aliás, as colocações que você fez, aliás, feitas também pelo coronel Salles e pelo coronel Alencar. Sim, eu repetiria exatamente aquilo que fiz, dado as circunstâncias, e fiz isso diante da presença do general Campos, do coronel Salles, numa reunião muito sensível, e eu diria bastante emotiva com as mães de oito dos jovens que perderam a sua vida e dos familiares, ou do familiar do nono, já que sua mãe já é falecida. Dada a circunstância julguei, até pra preservar a imagem e preservar a Polícia Militar de que era melhor que os 30 e... um, né, os 31 policiais militares envolvidos pudessem não ser julgados por mim, a função de juízo não é do ouvidor e também não é do governador, é do inquérito policial. Mas para que não houvesse nenhuma situação mais em Paraisópolis de confrontação entre Polícia Militar e a comunidade de Paraisópolis, a comunidade precisa da Polícia Militar, precisa da Polícia Civil, e eu entendi pela minha sensibilidade que não atenderam ao apelo dos familiares era colocar em risco a própria vida dos policiais militares, ou em risco uma situação de paz e de equilíbrio que é o que nós desejamos para Paraisópolis. Então foi uma decisão consciente, uma decisão acertada, ela não é juízo sobre os policiais, eles continuam trabalhando, apenas não atuam nas ruas e especialmente em Paraisópolis. Tão logo seja concluído o inquérito civil e apurado, e não havendo nenhum questionamento em relação a eles voltarão as suas funções normalmente. Não houve nenhum prejuízo a eles exceto de pacificar e serenar uma situação bastante aguda e que naquele momento a decisão exigia que fosse tomada imediatamente. E eu não fujo das decisões, eu sou um governador que fui eleito pra tomar decisões e não para adiar decisões. Em relação ao coronel Salles, é meu amigo e continuará meu amigo, ele tomou uma decisão bem pensada e bem fundamentada, dialogou muito com a sua família, dialogou com o general Campos pra que pudesse materializar essa decisão dentro do tempo que ele julgou adequado tomar. Há razões pra isso e eu respeito. E dado essas circunstâncias, uma decisão fundamentada... e bem fundamentada, às vezes uma decisão pessoal, um amigo pode dizer: olha, vale a pena você rever. Mas nessas circunstâncias, dada a sua expectativa e o seu bom sentimento eu julguei que era melhor atender e não demovê-lo de uma decisão bem fundamentada, repito, bem sedimentada ao longo de vários meses aonde ele tomou essa decisão. Mas, repito, ela não foi, repetindo aquilo que ele mesmo disse, não foi tomada, fundamentada nenhuma contrariedade dentro da Polícia Militar, nem na relação com o governador, muito menos na relação com o general Campos, uma decisão de ordem pessoal que há tempos ele vem alimentando. E é muito justo que alguém até no ápice da sua carreira possa ter o olhar com relação ao futuro, e sobre o futuro ele mesmo já disse, oportunamente ele anunciará. Então, obrigado pela pergunta, Rogério. Vamos ao quarto veículo de comunicação que é a Rádio CBN, Leandro Gouveia. Leandro, boa tarde. Sua pergunta, por favor.

LEANDRO GOUVEIA, REPÓRTER: Tudo bem? Boa tarde, governador. Boa tarde a todos. Ainda sobre a motivação da saída, eu queria saber se a gente pode considerar que foi o cansaço o motivo da saída, como o senhor mesmo citou no seu, na sua, nas suas palavras. E sobre a possível candidatura eu queria saber se é um desejo participar da política de alguma forma como vereador ou outro cargo. O senhor falou que agora é candidato a cuidar da família, né, mas queria saber se haverá uma decisão posterior nesse sentido. Queria saber também se houve, se outras pessoas da cúpula da PM, coronéis de outras patentes também vão para a reserva agora em razão da saída do comandante ou não, se isso não vai acontecer. E um outro tema que também tem a ver com segurança pública, em última análise, o senhor, governador, se encontrou hoje com o prefeito Bruno Covas sobre o programa Redenção. Queria saber se há alguma novidade nesse sentido.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Leandro, vai pedir música no Fantástico, hein?! Fez três perguntas. Era uma, já pulou pra... seguiu o Leonardo aí da PAN, já pulou na frente, ficam três. Eu vou responder essa parte, vou pedir ao coronel Salles depois as duas primeiras perguntas que você fez. Sim, o Bruno Covas esteve aqui, uma longa reunião, nós realizamos essa reunião a cada dois meses, o projeto Redenção, foi a quinta reunião que fizemos conjuntamente com os secretários municipais, os secretários estaduais, Polícia Militar, Polícia Civil, Guarda Civil Metropolitana, setor de saúde, educação, de políticas urbanas de habitação, e outros setores, desenvolvimento social para... e direitos humanos, mais a Promotoria Pública do estado de São Paulo com o objetivo de avançar o projeto. A reunião foi boa, positiva, evoluiu, a promotoria participa de todas as reuniões e o trabalho conjunto evoluiu. Nós tivemos, aliás, a grata satisfação de ver gráficos, houve uma redução no número de dependentes, na região central da cidade, e também de dependentes químicos que hoje estão sendo tratados pela saúde pública, estadual e municipal, mais estadual do que municipal, e que isso permitiu uma redução do número de dependentes nas ruas do nosso estado, mais especificamente na região da Luz em São Paulo. Não fizemos coletivas nem anúncios porque temos ainda uma trajetória até o final desse ano pra poder anunciar os resultados finais e concretos. E a outra boa notícia é o tratamento adequado e positivo que vem tendo o prefeito Bruno Covas, se recuperando, ele mesmo disse, testemunhou isso a todos os participantes, aliás, muito aplaudido, inclusive, na reunião, e assim será. Candidato que é a reeleição, eu desejo que ele possa fazer uma boa campanha, ao fazer uma boa gestão e pessoalmente desejo que ele seja reeleito prefeito da cidade de São Paulo. Coronel Salles.

CORONEL SALLES, COMANDANTE GERAL DA POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Ô, Leandro. Boa tarde, Leandro. Também é outro amigo estimado, sempre conosco aí. Quando a gente... eu acho que renovar é bom, eu nunca tive apego a cargo, eu tenho também uma origem muito modesta, e a Polícia Militar é uma instituição que ela privilegia a meritocracia. Pra você ascender na carreira, então você tem vestibulares muito pesados, o nosso hoje pra ingressar na academia é da Unesp, e depois pra concluir a academia do Barro Branco é outro esforço, as promoções eu tive a graça divina de ter sido promovido, todas as minhas promoções foram por merecimento, eu nunca tive nenhum tipo de reparo na minha folha de serviços, nenhum, absolutamente nenhum. Mas isso... e vivi intensamente o comando, como eu disse, foi uma graça de Deus eu poder dirigir a força pública de São Paulo, uma instituição que teve... que a história dela ela se mistura com a história do estado de São Paulo, nas revoluções de 24, de 30, 32. Então, um estado que se levantou contra o governo central, à época, com a força pública. Então eu sou muito feliz, então eu tinha que devolver isso a São Paulo. Agora, isso cobre o preço de você dormir com dois telefones durante dois anos. E não tem como, o Alencar também faz isso, ele vai ficar mais tempo que eu. Porque... nós somos pagos pra isso e eu sou muito grato. Eu tenho um apartamento e dois carros, e eu devo à Polícia Militar, eu sou filho de Polícia Militar como o Alencar, eu nasci no Hospital da Polícia Militar, eu tinha que devolver. E outra coisa, a tropa tem uma coisa que o general sabe, o tribunal do pátio, é o soldado que te olha. Então eu não tenho qual horário que eu tenho que chegar? O horário é às 9h, mas eu devo chegar às 7h. Meu horário de sair é às 18h, mas eu devo sair 9h, devo sair 10h, porque eu tenho que dar exemplo. Eu, jamais eu posso cobrar alguma coisa. Mas isso, em algum momento, eu pago o preço, ele cobra o preço. E eu acho que eu preciso, eu volto a ser Marcelo, mas com a gratidão de uma instituição do Estado de São Paulo, que tudo fez por mim. Com relação à candidatura, foi o que eu falei para o Leonardo há pouco: eu não acho conveniente, na função... Em homenagem ao cargo que exerço, por estar fardado, estar na ativa, em falar sobre isso. Mas as pessoas que, via de regra, se candidatam são as pessoas que têm algum sucesso, seja na vida privada, mas principalmente motivação de fazer alguma coisa boa. Então, mas não é hora de falar isso, tudo tem a sua hora. E com relação à oficialidade, a oficialidade está extremamente serena, nós somos militares. O nosso lema é hierarquia e disciplina. Os nossos comandantes, ontem eu fiz um pequeno texto, porque eu me senti, eu fui impelido, porque começou um disse-me-disse, e não há nada disso, pelo contrário. Nos conhecemos há 35 anos. O coronel com menos tempo de serviço tem 32 anos, gente madura, gente vocacionada. Então, e a nossa tropa, a nossa tropa é uma tropa que trabalha diuturnamente. Está lá o Coronel Nyakas, coronel da Polícia Militar, está indo todo dia, nossos bombeiros estão lá. Não há o menor problema, nossa tropa continua altiva e trabalhando muito. Não há nenhum problema, nenhum, está tudo caminhando. E com o Coronel Alencar, será melhor ainda, porque ele é muito melhor que eu, muito, mil vezes melhor.

[Aplausos]

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Coronel Salles. Bem, Leandro, obrigado pelas perguntas, depois você pede a música no Fantástico. Queria agradecer a todos. O Maurílio, da TV Record, que está aqui presente, agradeceu. Você quer ainda fazer? Porque eu tinha tido notícia que estava pleno, mas se quiser, faça. Você tinha direito, você pediu, por favor.

REPÓRTER: São duas perguntas rápidas, governador. Obrigado. Uma para o Coronel Alencar, rápida, a respeito dos bailes funk, porque se falou muito sobre isso e sobre novas regras pra realização desses bailes funk. Aparentemente, eles continuam acontecendo e quero saber qual é a opinião do senhor e como a Polícia vai agir daqui pra frente. E uma outra é uma lembrança do meu colega, direcionada ao governador, que lembrou que, em setembro do ano passado, o senhor disse aqui que a redução da letalidade poderia acontecer, mas que não seria uma obrigatoriedade. E aí, cinco, seis meses depois, a gente vê novos índices em alta, sobre letalidade policial. Queria saber se isso estava previsto e se o senhor mantém essa posição ainda.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Então, eu começo a responder pela segunda questão, Maurício, e, na sequência... Maurílio. E na sequência vamos ao Coronel Alencar. Eu não defendo a letalidade, eu defendo uma polícia competente, uma polícia que segue o protocolo da polícia. E a polícia de São Paulo, seja civil, seja militar, cumpre o protocolo, ela é bem treinada para praticar o seu dever e a sua obrigação. Tem comando firme do General Campos, tanto na civil quanto na militar. E orientação clara do governador do Estado de São Paulo para que a segurança pública seja benfeita. A mesma determinação que eu tive para colocar 22 líderes do PCC, a começar do seu dito líder máximo, Marco Marcola, numa Polícia Federal, eu tenho para orientar o trabalho da segurança pública, equipar a segurança pública, melhorar as condições dos policiais, sejam eles policiais militares ou civis. Aqui não há indecisão por parte do governador do Estado de São Paulo, diferentemente de outros, que postergaram, adiaram e ficaram com medo de tomar decisões, eu não tenho medo de tomar decisões que são importantes para a segurança pública no Estado de São Paulo. Hoje, nós temos mais de 230 mil presos no sistema prisional de São Paulo, é o maior sistema prisional da América Latina, um dos maiores do mundo. E o volume de presos nesses últimos 15 meses foi o maior da história também. Por quê? A polícia está fazendo aquilo que deve fazer: agir, seguindo o protocolo, no uso proporcional e um uso escalado de força, respeitando rigorosamente o seu protocolo, e prendendo mais. E por isso também estamos fazendo mais prisões para atender o aumento no sistema prisional. Isso responde a sua pergunta, Maurílio? E que eu não defendo a letalidade, eu defendo uma polícia competente. E a polícia de São Paulo é competente. Sobre o outro tema... Não, eram esses, né? Ah, dos pancadões, perdão. Coronel Alencar, para o Maurílio, da TV Record.

CORONEL ALENCAR: Boa tarde, Maurílio. Com relação à Polícia Militar, nós temos protocolos pra tudo. Todas as nossas ações, todas as nossas ações. O policial entra na viatura, ele sai, ele tem protocolo pronto a respeito disso. A maior orientação que a gente passa aos policiais é serenidade e tranquilidade. Nós cuidamos de pessoas, isso é muito complexo, é muito sério. A nossa obrigação, como policiais, basicamente é uma: é cuidar das pessoas. Então, independente de qualquer ação que nós façamos, nós temos protocolos e ações pré-estabelecidas pra que isso ocorra. Eu acho que responde. Independente de qualquer ação, ação no pancadão, no patrulhamento de rua, na abordagem, na reintegração de posse. Pra cada ação nossa, nós temos um protocolo, que nós devemos seguir. E isso nós fazemos questão de passar aos nossos policiais, para que eles tenham serenidade e tranquilidade de trabalhar na rua e dar maior paz e sossego para as pessoas. Acredito que...

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Coronel Alencar. Muito obrigado a todos, obrigado aos que fazem parte aqui da mesa, aos jornalistas também pela presença. Estaremos juntos na próxima sexta-feira, na coletiva de imprensa. Muito grato, bom almoço a todos os oficiais que aqui nos honram com a presença, os demais secretários também. Muito obrigado, uma boa tarde, boa semana a todos. Obrigado.