Coletiva - Governo de São Paulo cria mais seis centros de pesquisa da CoronaVac 20202310

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Coletiva - Governo de São Paulo cria mais seis centros de pesquisa da CoronaVac 20202310

Local: Capital - Data: Outubro 23/10/2020

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JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Boa tarde, a todos. Muito obrigado, pela presença neste coletiva de imprensa aqui, no Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo. Hoje estamos muito honrados com a presença do deputado Rodrigo Maia, Presidente da Câmara Federal. Que nos honra com a presença e sua participação, nesta coletiva de imprensa que estamos iniciando nesse momento. Também participam hoje, Dimas Covas, presidente do Instituto Butantã. Jean Gorinchteyn, secretário da saúde do Estado de São Paulo. Patrícia Ellen, Secretária Desenvolvimento Econômico. Marco Vinholi, Secretário Desenvolvimento Regional. Lia Porto, Secretária e Procuradora Geral do Estado de São Paulo. Camila Pintarelli, Sub Procuradora Geral do Estado de São Paulo. E participam também, João Gabbardo, Coordenador Executivo do Centro de Contingência do Covid-19. E José Osmar Medina, coordenador do centro de contingência do Covid-19, ambos médicos assim como o Dr. Jean Gorinchteyn. E o cientista, Dimas Covas. Duas mensagens de hoje e uma informação. A mensagem é que todos sabem que eu sou um liberal, que defendo a economia de mercado, as liberdades individuais e sou um grande defensor da democracia. Aprendi com meu pai, que foi deputado federal, que frequentou o congresso e teve seu mandato cassado com a ditadura militar. Todos os países liberais do mundo, possuem agencias que ajudam a regular o mercado e a defender o cidadão. As agências regulatórias aqui no Brasil, foram criadas no governo Fernando Henrique Cardoso. As agências atuam de forma autônoma e tem diretores com mandato e estabilidade, justamente para manterem a independência em relação aos governos. E isso acontece em várias áreas estratégicas, como: energia, telecomunicações, transportes e entre outros. E também na saúde, com a vigilância sanitária. E nesse caso, ainda mais sensível pois se trata de um tema de suma importância, pois afeta a vida da população. Esta semana tivemos uma visita na Anvisa - Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Fiz questão e pela primeira vez fui a Anvisa, visitar e conhecer o Almirante Antônio Barra, Presidente da Anvisa. Que nos recebeu e muito bem ao lado de dois outros diretores da Agência Nacional de Vigilância Sanitária. O corpo técnico e o presidente da Anvisa, afirmaram a mim, a dois parlamentares da câmara federal, a dois parlamentares do senado federal, a secretários de Estado de São Paulo e ao Dimas Covas, que a Anvisa não vai se submeter a nenhum tipo de pressão ou orientação do palácio do planalto ou qualquer tipo de pressão de ordem ideológica, politica, partidária ou eleitoral. E nós temos certeza de que a Anvisa continuará nesse caminho de autonomia e independência. No momento que tivermos uma Agência de Vigilância Sanitária, rompendo seus compromisso com a ciência, com a vida e com a sua independência, isso pode representar o caos para um país vivendo uma pandemia, como o Brasil. Portanto, acredito e espero que a Anvisa continue cumprindo o papel que me foi dito pelo seu Presidente, Antônio Barra. A vacina, que é um tema do momento é a proteção a vida e é um direito de todos os brasileiros. No caso da pandemia, a vacina é o único caminho para a retomada total da economia, do ensino presencial, dos eventos de grande público, do turismo, e da volta a normalidade Deputado Rodrigo Maia. É a vacina que nos trará o novo. E uma nova situação de vida, para milhões de brasileiros. Quero mais uma vez, agradecer aqui a presença do Deputado Rodrigo Maia, que com altivez, firmeza, coragem e determinação tem defendido esses mesmos princípios que aqui colocamos. E tem sido um baluarte da democracia, na função de Presidente da Câmara Federal. E antes de encerrar, quero desejar também pronto restabelecimento ao General Eduardo Pazuello, Ministro da Saúde, diagnosticado com Covid. E que ele se recupere rapidamente e logo possa voltar as duas funções. Mas quero me solidarizar também com o Ministro da Saúde, pela posição que teve em defesa da vacina e do Butantã. Prefiro guardar a lembrança de Eduardo Pazuello, da última terça-feira, perante 24 governadores de estado, e de 3 líderes do congresso nacional, como ministro da saúde, do que a cena que assisti ontem, ao lado do Presidente Bolsonaro. E finalizo nas mensagens de hoje, um abraço a um grande e querido amigo de muitos anos, Edson Arantes do Nascimento, o Pelé. Que hoje completa 80 anos, o Rei do futebol. O maior jogador de futebol de todos os tempos. Mineiro, mas que muito jovem veio para Bauru e depois pra Santos, todos sabem que é o meu time do meu coração. E hoje, nós homenagearemos o Pelé no museus do futebol, onde através da sua filha, receberá a medalha ordem do Ipiranga. Sua filha, Flávia Cristina, receberá e entregará a seu pai, a maior comenda, que é a ordem do Ipiranga, ao maior jogador do Brasil, de todos os tempos. E agora, a informação de hoje, sendo breve e objetivo. O Governo de São Paulo, cria 6 novos centros de testagem da CoronaVac. Sob a supervisão do Hospital Emílio Ribas, que pertence ao complexo do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo, 4 novos centros serão criados em Hospitais da periferia da capital, onde a taxa de contaminação tem se mostrado maior do que nos bairros centrais da capital de São Paulo. Em São Caetano do Sul, que já tem a universidade municipal como local de testagem, vamos criar mais 2 centros. Qual é o objetivo? Aumentar o número de centros, é aumentar a quantidade de voluntários, para que possamos chegar mais rapidamente ao número de 61 contaminados e assim fazer a análise da eficiência da vacina, da vacina do Butantã, o mais rapidamente possível. Esse é o procedimento científico e integra o protocolo da Anvisa. Sob a supervisão do Butantã hoje, a vacina do Butantã, a CoronaVac está sendo testada em médicos e profissionais de saúde, em 16 centros, em 7 estado brasileiros, incluindo Rio de Janeiro, terra natal do Deputado Rodrigo Maia, e também no Distrito federal. Com a criação de 6 novos locais chegaremos a 22 centros de pesquisa. Já alcançamos o número de 9 mil e 39 voluntários testados até o momento. Com a criação desses novos centros, o objetivo é chegar a 13 mil voluntários o mais rapidamente possível, voluntários testados. E assim, finalizar o estudo de eficácia da vacina para que possamos imunizar os brasileiros de São Paulo e a população do Brasil, o mais rapidamente possível. Vou tomar a liberdade de inverter um pouco a ordem que estava prevista aqui nas apresentações e que foi encaminhada aos jornalistas que aqui estão. E abrir a palavra ao Deputado Rodrigo Maia, Presidente da Câmara Federal, que volto a mencionar a honra e a satisfação de tê-lo aqui em São Paulo, ao nosso lado. Defendendo a vida, a existência, a saúde dos brasileiros, a democracia e o bom senso. Deputado, Rodrigo Maia.

RODRIGO MAIA, DEPUTADO E PRESIDENTE DA CÂMARA FEDERAL: Bem, boa tarde a todos. Agradeço o convite para estar aqui na coletiva do Governador João Doria, cumprimento a todos os presentes, a imprensa. Fiz questão de estar aqui hoje, Governador porque na quarta quando estaríamos juntos, tivemos algumas notícias que eu deixei de recebê-lo por algum motivo, pra atender alguma sinalização pra alguém e de fato, eu fiquei indisposto. Peguei uma virose dos meus filhos. Então, eu tô pegando uma virose a cada 2 semanas, estou emagrecendo bem. Já foram 11kg com as viroses. Se for uma a cada 15 dias, eu chego nos meus 86kg rapidamente. Então vim aqui dizer que de forma nenhuma deixaria de recebê-lo, nós somos amigos, o senhor sempre me apoiou. Partidos aliados desde do presidente governo do Presidente Fernando Henrique, que governamos juntos o Brasil, com Fernando Henrique. Governamos São Paulo juntos agora com o senhor e com nosso vice-governador Rodrigo Garcia. Não podia nunca deixar que passasse alguma informação que eu estaria simulando alguma indisposição para não estar com o senhor, para tá apoiando o seu governo, parabenizando pelo trabalho e torcendo. Governador, eu sou daqueles que torço para que a gente possa construir pelos caminhos do diálogo as nossas soluções. Eu espero que o entreveiro dessa semana, ela possa constituir uma solução nas próximas semanas. Eu tenho certeza que com a vacina, com os testes da vacina do Butantã, que não é um instituto qualquer, não foi criado ontem, tem uma história de respeito, de admiração por todos os Brasileiros. Quando ela estiver aprovada e autorizada pela Anvisa, que a gente consiga sim, com diálogo com o Presidente da República, com o ministro da saúde, que esse diálogo já existe. Com congresso nacional, que a gente possa autorizar não apensas essa vacina, mas todas as vacinas que forem aprovadas. Porque de fato, como o senhor falou, é fundamental para que o Brasil e o próprio resto do mundo, a gente volte a normalidade. A gente está vendo o que está acontecendo na Europa, a retomada da segunda onda, eu acho que a situação do Brasil é diferente. Mas, de fato, a vacina pra muitos brasileiros é importante. Eu tive Covid, eu sei pra quem tem sintomas, o que é ter o Covid. Ela, infelizmente não é um vírus qualquer. Pra quem tem, sintoma como eu tive, com pulmão, com aumento do [ininteligível] que eu aprendi ao longo do meu processo, com risco de trombose. Muito medicamento! Perder 10 kg em 7 dias, não parece um vírus tranquilo. Então, eu acho que a vacina, acho não. Tenho certeza que a vacina é fundamental, o senhor pode contar com a câmara, pra que a gente possa com diálogo, com governo, termos 2 medidas provisórias que precisam ser votadas. A gente restabeleceu o bom diálogo que o senhor tem com o ministro também com o presidente, o presidente nos últimos meses tem tido um ótimo diálogo comigo, tenho que falar a verdade. E eu espero que a gente consiga construir através do diálogo a solução não apenas para São Paulo, mas pra todos os brasileiros que precisam dessa vacina e das outras, da Oxford, as vacinas que estiverem prontas para que a gente possa garantir proteção, principalmente ao grupo de risco. A gente sabe que no grupo de risco, aqueles que estão acima do peso como eu, os mais velhos, a situação sem a vacina ela vai ficar muito complexa, muito difícil para que eles possam restabelecer a normalidade das suas vidas. Então, governador eu vim aqui lhe desejar sorte, o apoio de sempre. Pra que juntos, a gente possa construir o diálogo. Eu tenho certeza que o Presidente da República vai ouvir os nossos apelos. E nós não vamos precisar de outro caminho que não seja o bom diálogo, que o presidente tem tido com o parlamento ao longo dos últimos meses e que tem sido muito positivo. Eu acho que, o bom diálogo como o senhor tem é melhor caminho pra que a gente possa avançar e eu acredito muito que o bom diálogo que o Presidente tem estabelecido com o parlamento, pode ser um bom instrumento para que a gente possa organizar aquilo que tá desorganizado, infelizmente. E que precisa ser organizado. Os brasileiros, sem dúvida nenhuma, precisam ter o direito a vacina, a essa ou qualquer outra vacina que esteja pronta para a sociedade brasileira.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Presidente Rodrigo Maia. Nós vamos agora as informações da saúde e na sequência, as perguntas. E sobre a saúde, começamos com Dimas Covas, presidente do Instituto Butantã. Na sequência, serão intervenções breves, João Gabbardo, Medina e Jean Gorinchteyn. Portanto, Dimas Covas.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTÃ: Boa tarde, Governador. Boa tarde, a todos e todas. Terminamos essa semana, uma semana de lances dramáticos mas nós terminamos com uma boa notícia. Tenho a satisfação de anunciar aqui, primeiro a presença do Dr. Luís Carlos Pereira, que é diretor do Hospital Emílio Ribas. Hospital Emílio Ribas, que amplia o seu centro de teste clínico incluindo 4 sub centros, sub centros localizados em Osasco, em Guaianazes, no Hospital Regional Sul e no Mandaqui. E também, a faculdade de Medicina de São Caetano do Sul, também ampliará as suas atividades para mais 2 centros da região do ABC. Então, com isso nós pretendemos ampliar a base de captação de voluntários para dar velocidade a essa fase final de testes. A outra boa notícia é que no dia de ontem nós atingimos 15 mil vacinações e, portanto, atingimos o primeiro marco em relação ao próprio FDA, que é a Anvisa americana, quer dizer, a Anvisa americana exige que pelo menos 3 mil vacinações de uma vacina candidata não se acompanhe de efeitos adversos graves. Nós atingimos esse número e estamos já elaborando o relatório para ser enviado à nossa Anvisa, portanto fechando aí a questão da segurança. Quer dizer, a vacina do Butantan, como eu já tenho mencionado anteriormente, é a vacina mais segura em teste nesse momento, e agora esses dados serão remetidos à Anvisa para já dar início à segunda fase, que aí sim, é aguardar os resultados de eficácia. Com a inauguração, com a abertura desses centros, nós vamos ganhar velocidade para que essa demonstração da eficácia possa aparecer o mais rapidamente possível, e esperamos que isso aconteça em novembro, meados de dezembro. Juntamente com a área de produção, que também está pronta, a nossa linha de produção está pronta, aguardando a matéria prima, que vem da China. Matéria prima para a vacina, que será produzida no Butantan, vem da China. Tivemos aí um certo delay, um certo atraso em relação à autorização da Anvisa, mas ontem houve uma manifestação de que, em cinco dias úteis ela emitirá o certificado para que nós possamos fazer essa importação. Com isso, nós iniciamos a produção da vacina de fato, inicialmente de 40 milhões de doses, que deverão estar prontas... Dentro desse cronograma, cinco dias, daqui cinco dias, começamos a fazer a importação, vamos gastar aí mais uns três dias e portanto teremos aí a possibilidade de manter o cronograma original: 40 milhões de vacinas feitas aqui no Butantan, mais 6 milhões de vacinas que virão já formuladas da China, totalizando os 46 milhões de doses, que inicialmente estavam destinados ao PNI. Então, são essas atualizações, governador. Agradecido.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito obrigado ao nosso presidente do Instituto Butantan, Dimas Covas. Vamos agora a João Gabbardo, coordenador executivo do Comitê de Saúde do Estado de São Paulo e ex-secretário executivo do Ministério da Saúde do atual governo, com Luís Henrique Mandetta, lembrando que Gabbardo também foi secretário de Saúde do seu estado natal, Rio Grande do Sul. Gabbardo.

JOÃO GABBARDO, COORDENADOR EXECUTIVO DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: Boa tarde, governador, boa tarde, deputado Rodrigo Maia, presidente da Câmara Federal, demais participantes dessa entrevista coletiva. Governador, todos nós estamos acompanhando, temos pressa pelo retorno à normalidade. O país, depois de ficar vários meses num platô de casos, de óbitos, de internação, tem os dados caindo de forma bastante positiva, mas a volta à normalidade, ela dependeria de três fatores que eu considero fundamentais. O primeiro deles, se nós tivéssemos algum medicamento, um antiviral que fosse capaz de ser efetivo, a ponto de ser utilizado por pessoas sintomáticas, pudesse impedir a transmissibilidade da doença. Isto não aconteceu e não deve acontecer em curto prazo de tempo. Segunda possibilidade seria que nós tivéssemos uma queda consistente do número de casos e que nós pudéssemos, através de uma imunização coletiva, que esperávamos, chegássemos aí em torno de 20%, 25% da população, isso pudesse ocorrer. Não ocorreu, a história desse vírus nos mostrou uma realidade muito diferente e nós estamos aprendendo isso com o que está acontecendo na Europa hoje, em que passaram por uma primeira fase, com 20%, 25% das pessoas já com anticorpos, e a transmissibilidade da doença agora cresce novamente. A outra possibilidade é a que nós estamos mais próximos, seria a imunização induzida por uma vacina. É isso que pode nos permitir o retorno à normalidade, todos nós queremos voltar, visitar os nossos pais, visitar os nossos avós, poder participar de alguma, de comemorações, e a vacina é fundamental. Eu não posso deixar de registrar que eu fiquei muito impressionado com o depoimento do deputado Rodrigo Maia, quando, primeiro episódio após o seu retorno da Covid, a manifestação emocionada que ele fez do que significa as pessoas que tiveram os sintomas e que passaram por isso. Acho que todos deviam ouvir com muita atenção o depoimento que o deputado Rodrigo Maia fez naquela ocasião. Então, acho que não é razoável, nesse momento, nós criarmos qualquer tipo de polêmica que possa induzir crescimento de movimentos antivacina, seja ela de que país de origem for. Não é razoável que a gente tente desmoralizar o processo da imunização. Não é razoável que a gente tente retardar importações de insumos necessários para produção das vacinas, neste momento. Eu acho que aí o Congresso Nacional tem um papel fundamental, pode nos ajudar muito na garantia dessa velocidade que a pandemia nos exige. Muito obrigado.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito obrigado, Gabbardo. Vamos agora a José Medina, coordenador do Centro de Contingência do Covid-19, aqui no Governo do Estado de São Paulo. Medina.

JOSÉ MEDINA, COORDENADOR DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: Muito obrigado, governador. Boa tarde a todos. Só duas informações, assim, sobre a situação das vacinas. Hoje, nós temos 57 vacinas que estão em pesquisa clínica no mundo, em estudo clínico, 31 na fase 1, 15 vacinas na fase 2 e 11 vacinas na fase 3. Tem seis dessas 11 vacinas que já estão aprovadas para uso limitado, uma delas, que já vem sendo utilizada na China, é a Coronavac, que é a vacina que está sendo estudada aqui no Estado de São Paulo. Não tem nenhuma dessas vacinas que está ainda totalmente aprovada, porque elas dependem do estudo clínico, que é um estudo clínico muitas vezes difícil de obter o resultado de eficácia, porque precisa de um número muito grande de pessoas incluídas no estudo, em função da dinâmica da pandemia. Então por isso que torna isso um pouco mais difícil de obter, esses resultados. A segunda informação importante é que a resistência à vacinação, no Brasil, qualquer tipo de vacina, é muito baixa, e tem uma publicação dessa semana na revista Nature Medicine, que é uma revista muito importante de circulação de informação médica no mundo todo, que mostra que, no Brasil, 85% das pessoas tomaria a vacina para Covid. Para comparar com outros países, tem países que têm uma resistência à vacinação muito maior, na França só 60% das pessoas aceitariam a vacinação, enquanto, como eu disse, no Brasil, 85%, e nos Estados Unidos, só pra citar mais um dos países, desses 19 que fazem parte do estudo, 75% das pessoas aceitariam. Então, no Brasil, existe a expectativa da disponibilidade dessa vacina, para que nós podemos contornar essa pandemia e voltar à vida normal.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Medina. Vamos agora, Jean Gorinchteyn, é a última intervenção antes das perguntas, secretário da Saúde do Estado de São Paulo.

JEAN GORINCHTEYN, SECRETÁRIO ESTADUAL DE SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Boa tarde, governador, boa tarde, deputado Rodrigo Maia, uma honra tê-lo aqui junto conosco. Estamos na 43ª semana epidemiológica. Continuamos, felizmente, continuamos em queda nos índices da saúde, com diminuição do número de casos, de óbitos e de internações, por 11 semanas, a despeito da progressão do faseamento do Plano São Paulo. Em relação à semana epidemiológica anterior, tivemos uma redução de 6% no número de casos, 5% no número de óbitos e 4% no número de internações. Estamos na melhor e na menor taxa de ocupação das unidades de terapia intensiva em todo o estado, em toda a nossa história da pandemia aqui no país. Estamos com 39,9% da taxa de ocupação dos leitos de UTI, o que significa o controle da pandemia, o que significa nós estarmos testando mais e, de forma muito mais precoce, impedindo as pessoas de adoecerem, evoluírem de forma grave e inclusive fatal. Nós, infelizmente, temos que continuar atentos. Estamos, ainda, na pandemia, estamos no meio da nossa história, e a única forma que nós teremos a condição de voltar ao normal é através da vacina. Aliás, a vacina é a única forma de nós garantirmos a vida. Nós sabemos, Dr. Luís, muito bem o que o Corona Vírus é capaz. Somos médicos do Hospital Emílio Ribas, o primeiro grande instituto a albergar os pacientes graves de Corona Vírus. Nós sabemos o sofrimento desses pacientes, o sofrimento das suas famílias e o sofrimento das equipes, muitas das quais tiveram baixas, porque também morreram no acolhimento desses pacientes e familiares. Temos que ressaltar, governador, e deputado Rodrigo Maia, o quanto nós temos no país um programa nacional de imunização, que é o melhor do mundo, não só por disponibilizar as vacinas em grande número, garantindo e preservando vidas, mas também por fazê-la de forma unificada, socializada, distribuindo de forma gratuita através do Sistema Único de Saúde. Então, foram exatamente essas vacinas que garantiram a vida, diminuíram a mortalidade infantil, diminuíram o número de doenças e mortes em adultos e idosos, e tenho certeza, deputado Rodrigo Maia, que não será diferente para as vacinas do Corona Vírus. Eu disse as vacinas do Corona Vírus, e eu não disse a vacina. O Brasil precisa de vacinas, nós temos que impedir a mortalidade, nós temos que fazer o Brasil voltar a ter uma vida normal. Muito obrigado.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito obrigado, Jean Gorinchteyn, secretário da Saúde do Estado de São Paulo. Já temos aqui os jornalistas inscritos nesta coletiva, eu vou ler pela ordem: Nós teremos Rádio Jovem Pan, The Wall Street Journal, Agência Reuters, Rádio BandNews e a TV Band, Jornal O Globo, TV Cultura, Portal G1, CNN e TV Globo, GloboNews. Começando, portanto, com a Rádio Jovem Pan, Beatriz Manfredini, Beatriz, boa tarde, prazer tê-la aqui novamente. Sua pergunta, por favor.

REPÓRTER: Boa tarde a todos, obrigada. São duas perguntas. A primeira para o deputado Rodrigo Maia: Deputado, na sua fala inicial, o senhor citou que a gente pode esperar a aprovação da Anvisa, e se tudo der certo mesmo, para a Coronavac, para iniciar, tentar reiniciar esse diálogo com o Governo Federal. A gente não deveria já começar esse diálogo? A gente esperar a aprovação não é atrasar, retardar a aplicação da vacina em São Paulo, no Brasil? Queria saber também sua opinião sobre a obrigatoriedade ou não da vacina. E para o governador João Doria, governador, o senhor já citou aqui em coletivas anteriores que tem um plano alternativo de vacinação para o Estado de São Paulo, caso a gente não consiga colocá-la no Ministério da Saúde, no SUS. Até quando o senhor pretende esperar para iniciar esse plano? E se tem algum detalhe dele. Muito obrigada.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Beatriz. Vamos então a suas duas primeiras perguntas ao deputado Rodrigo Maia. Rodrigo.

RODRIGO MAIA, DEPUTADO FEDERAL: Não, eu acho que diálogo, na política, é permanente. Acho que nós devemos fazê-lo sempre. Ontem, estive com o presidente da República, conversei. Não diretamente sobre esse assunto, mas para mostrar que o diálogo é o caminho onde nós construímos um futuro melhor para todos os brasileiros. Eu, do ponto de vista técnico, eu não tenho como lhe dizer se tem que ser obrigatório ou não. Eu acho que o Estado Brasileiro tem que garantir vacina a todos os brasileiros. A partir daí é uma questão técnica do Ministério da Saúde, dos secretários de Saúde. Eu acho que não cabe a mim discutir se tem que ser obrigatório ou não, agora, todos os brasileiros, com uma vacina aprovada, têm que ter o direito a ter acesso a essa vacina.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, deputado Rodrigo Maia. Beatriz, nós vamos seguir dentro da nossa trajetória de aprovação da vacina na Anvisa e seguir dentro dos trâmites que temos feito e temos seguido esse protocolo, que é da Anvisa, e também um protocolo internacional. A vacina do Butantan, a vacina do Brasil, que é o Butantan e a Sinovac, a vacina chama-se Coronavac, como todos sabem, é a mais avançada de todas as vacinas neste momento, em testagem aqui no Brasil. Portanto, estamos convictos de que, primeiro, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária procederá de forma científica, isenta, correta, como me disse o Almirante Antônio Barra, sem nenhuma influência, nenhuma pressão do presidente Jair Bolsonaro, ou do Governo, ou de quem quer que seja. Agência autônoma, cumprindo autonomamente o seu papel. E dentro da frase que eu ouvi do presidente da Anvisa, e também da sua diretora, no menor tempo e no melhor tempo. Agora, se diante de uma circunstância negacionista, como infelizmente afirmou o presidente Jair Bolsonaro ontem pela manhã, que mesmo com aprovação da Anvisa o Ministério da Saúde não distribuiria e não permitiria o acesso dos brasileiros à vacina do Butantan, São Paulo tem um plano alternativo e eu garanto que aqui em São Paulo, os brasileiros de São Paulo, serão imunizados, serão vacinados com a vacina do Butantan, com toda a segurança que ela oferece e a aprovação da Anvisa. Vamos agora... Obrigado, Beatriz. Vamos agora à próxima pergunta, ela é online, é do The Wall Street Journal, a jornalista Samantha Pierson (F), que é a sua correspondente no Brasil. Samantha, boa tarde, prazer em reencontrá-la, ainda que virtualmente. Boa tarde, sua pergunta, por favor.

REPÓRTER: Boa tarde, governador, boa tarde, deputado também. Eu tenho duas perguntas também. Primeiro, eu queria perguntar para o deputado Maia se tem muita resistência à vacina dentro do Congresso também, por ser chinesa, ou realmente isso é só opinião do presidente Bolsonaro e um ponto de vista bastante isolado? E por favor, para o governador, eu queria saber se o senhor teme que essa polêmica toda, se vai fazer com que muitas pessoas em São Paulo fiquem com medo de tomar a vacina, por ser chinesa, e se não é melhor, talvez, encorajar eles para tomar em vez de deixar obrigatório. Obrigada.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Samantha, vamos então à sua primeira pergunta, com o deputado Rodrigo Maia.

RODRIGO MAIA, DEPUTADO FEDERAL: Olha, um país que tem um superávit estrutural com China, Macau e Hong Kong, na ordem de US$ 29 bilhões não é um país que possa ter problemas com a China. A China é um parceiro fundamental do nosso país. Eu entendo que, nessa questão das relações internacionais, o importante é que a gente aproveite, nas relações com os outros países, aquilo que melhor interessa ao nosso país e, sem dúvida nenhuma, a China, com os Estados Unidos, são parceiros estratégicos. Respeitando a posição de cada um, eu entendo que a relação e a parceria com a China é muito importante para o Brasil em várias áreas, começando pelo agronegócio, que tem uma bancada enorme no Congresso Nacional, na Câmara de Deputados, principalmente, e que certamente tem uma ótima relação com a China. Caminhando para a tecnologia, para esse debate sobre 5G, que o Brasil deve abrir esse mercado para todos, uma maior concorrência, melhor preço, melhor qualidade para todos os brasileiros. Então, não vejo problemas no Congresso na relação com a China, respeitando, claro, a posição do presidente da República. Acho que cada um tem direito de ter a sua posição. Eu tenho deixado há muitos meses a minha clara, que o Brasil tem uma boa parceria e uma parceria que tem sido muito importante, nesse momento de pandemia então... A importância que foi a relação do Brasil com a China no setor do agronegócio.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, deputado Rodrigo Maia. Samantha, quero começar dizendo a você, São Paulo não tem preconceito com ninguém, com nenhum país, com nenhuma nação, com nenhum povo, essa é a posição do Governo do Estado de São Paulo. Lembro também que 84% da importação de todos os medicamentos do Brasil vem da China, talvez o presidente Bolsonaro não saiba, mas se ele acompanhar os resultados dessa coletiva ou se informar com o Ministério da Saúde, ele saberá que 84% de todos os medicamentos que são distribuídos no Brasil provêm da China. Deve saber também ou poderá ser informado pelo Ministério da Saúde que todos os... Ou melhor, a maior parte dos insumos da vacina inglesa é chinesa, a maior parte dos insumos da vacina de Oxford será produzida, aliás, está sendo produzida na China. Portanto, a discriminação em relação aos produtos chineses, à vacina chinesa, aos chineses de forma geral, que, infelizmente, o presidente Bolsonaro insiste em pontuar, não é a posição do Estado de São Paulo, pelas mesmas razões também colocadas aqui pelo deputado Rodrigo Maia: a China é o principal parceiro econômico de São Paulo, como o é do país, e tem ampliado os seus investimentos aqui e continuará a fazê-lo, em vários programas de polos econômicos, o que é importante para gerar empregos, gerar desenvolvimento e gerar renda para os brasileiros de São Paulo. E nós defendemos as vacinas, a vacina do Butantan e as demais vacinas que seguirem o protocolo da Anvisa. Entendemos que mais vacinas vão permitir a imunização de mais brasileiros, mais rapidamente. E com isso nós teremos o novo normal, a normalidade, a recomposição da economia do Brasil, a retomada da geração do emprego e a tranquilidade dos brasileiros. Todos os dias, Samantha, você acompanha as notícias, nós perdemos 600 irmãos, 600 brasileiros morrem todos os dias pela Covid, e já temos mais de 5,2 milhões de brasileiros que foram infectados. Precisamos das vacinas. Não é justo, não é razoável que ninguém, em sã consciência e com um posicionamento humanitário, seja contra vacina. Não importa de onde ela provém, importa é a sua eficácia, e não se ela é chinesa, japonesa, inglesa ou portuguesa. O que importa que ela seja eficaz. Aliás, é assim que pensa a ciência, é assim que pensam as pessoas que corretamente agem em nome da medicina, da ciência e principalmente da proteção do seu povo. Samantha, muito obrigado. Nós vamos agora retirá-la aqui de tela e vamos para a próxima pergunta, que também é online. E Samantha também de um correspondente, desta feita de uma agência noticiosa, Agência Reuters, com Eduardo Simões, que já está em tela. Eduardo, boa tarde, prazer também em reencontrá-lo, ainda que virtualmente, e sua pergunta, por favor.

REPÓRTER: Boa tarde, governador, prazer em reencontrá-lo também, boa tarde, presidente Rodrigo Maia, boa tarde a todos. Governador, eu gostaria de saber se o senhor tomará alguma medida judicial caso haja um atraso por parte da Anvisa. O senhor, o Estado, Governo do Estado, né? Tomará uma medida judicial caso haja algum atraso por parte da Anvisa na autorização da importação? No caso também de haver algum problema no processo de registro, e se há a possibilidade ainda de alguma medida judicial ou de outra origem, caso a decisão do Governo Federal de não incluir a Coronavac no programa de imunização seja mantida. E pra aproveitar a presença do presidente Rodrigo Maia, gostaria de saber como é que o presidente ouviu, como é que avaliou as declarações do presidente Bolsonaro no dia de ontem, de que a vacina chinesa, a vacina da Sinovac, não transmite segurança por conta de sua origem e também de que a China tem um descrédito com a população. Como é que o senhor avalia um presidente da República fazer esse tipo de declaração em relação a um país que, como os senhores já mencionaram, é o maior parceiro comercial do Brasil? Obrigado.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Eduardo, muito obrigado pelas perguntas. Por gentileza e delicadeza, eu passo ao deputado Rodrigo Maia a pergunta dirigida a ele e na sequência responderei à sua pergunta.

RODRIGO MAIA, DEPUTADO FEDERAL: Olha, eu acho que o importante é que a gente consiga rapidamente uma, duas, três, quantas vacinas sejam, para que a gente possa vacinar a população brasileira. Eu ficar aqui criticando ou elogiando o presidente da República não vai resolver o nosso problema. Eu disse no início que eu e toda a Câmara de Deputados, alguns deputados me ligaram ontem, nós estamos à disposição para construir um entendimento, para que a gente possa ter, assim que a Anvisa autorizar, e só pode ser depois da autorização da Anvisa, e com a Anvisa autorizada não é mais uma questão de ser da China ou ser dos Estados Unidos ou qualquer país, é uma vacina autorizada pela Agência Brasileira, construir os caminhos para que a gente possa ter essa autorização e essa condição de vacinar todos os brasileiros. Eu prefiro ficar mais na linha de que nós precisamos ampliar o diálogo, continuar com o diálogo. Os últimos meses no Congresso, com mais diálogo com o presidente, principalmente o meu com ele, acho que foram muito importantes. A gente tem que fazer um esforço grande para que a gente possa retomar esse diálogo. São Paulo tem feito um enorme esforço, o Instituto Butantan tem feito um enorme esforço, como a Fiocruz tem feito enorme esforço para conseguir salvar vidas e fazer que o Brasil possa retomar a sua normalidade. Então, eu acho que é isso que a gente precisa. Sabendo da importância que a China tem para o nosso país, para as nossas relações... Aliás, não só com o Brasil. A China hoje tem uma importância relevante para quase todos os países no mundo.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, deputado Rodrigo Maia. Eduardo, antes de responder à sua pergunta, eu queria fazer uma correção aqui aos jornalistas que estão presencialmente e aos que estão, como você, Eduardo, virtualmente nos acompanhando. Eu me referi a 84% de importação de medicamentos chineses para o Brasil, houve um aumento de 84% de medicamentos chineses importados pelo Brasil, ou seja, cresceu em quase 100% o número de medicamentos de diferentes tipos que o Brasil importou e disponibiliza à sua população. Então, feita essa correção, respondendo à sua pergunta, especificamente em relação à Anvisa e, na sequência, em relação ao Governo Federal. O diálogo com a Anvisa, repito, Eduardo, foi muito bom, na visita que fizemos, na última quarta-feira, ao presidente da Anvisa, o Almirante Antônio Barra, e também com a presença de dois diretores da Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Até aqui, temos razões para confiar que a Anvisa continuará sendo independente, autônoma, fundamentando na ciência todo o seu campo de atuação e levando em conta também a frase que foi dita pela diretora da Anvisa: "no menor tempo, no melhor tempo", ou seja, compreendendo a emergência da situação que temos, para agilizar procedimentos, mas fazer os procedimentos de forma correta, que aliás é o que tem feito São Paulo, procedimentos de forma ágil, mas de forma correta, e assim vamos seguir. Em relação ao Governo Federal, nós sempre mantivemos um bom diálogo, principalmente com o ministro Eduardo Pazuello. Ficamos, evidentemente, surpresos, frustrados e entristecidos, aliás, não só São Paulo. Tinham 24 governadores presentes virtualmente e presencialmente nesta reunião, na última quarta-feira... Perdão, na última terça-feira, em Brasília, promovida pelo ministro da Saúde, com base, deputado, no diálogo e no entendimento, que foi isso que nós construímos. Infelizmente, em menos de 12 horas, o presidente da República desautorizou o seu ministro da Saúde, publicamente, aliás submeteu o ministro a uma humilhação. Desautorizar um ministro publicamente, depois de ter promovido uma reunião com 24 governadores, três líderes do Congresso, vários secretários do próprio Ministério, foi um procedimento surpreendente. Não tão surpreendente, vindo de quem veio, do presidente Jair Bolsonaro, mas surpreendente para 24 governadores de estado e para o próprio ministro da Saúde, que construiu, Eduardo, todo esse procedimento dialogando com o presidente da República. Ele não tomou essa iniciativa sem conversar previamente com o presidente da República. Mas como bom brasileiro que sou, um democrata, estou sempre aberto ao diálogo e ao entendimento, desde que este entendimento seja pela vida dos brasileiros, pela saúde dos brasileiros, pela condição de proteção à democracia, ao diálogo e àquilo que nós desejamos de melhor para os brasileiros. Nós aqui não misturamos ideologia, partidarismo, vontades eleitorais antes da preservação da vida e do interesse das pessoas. Eduardo, muito obrigado, nós vamos agora tirá-lo de tela, mas peço que você, por favor, continue nos acompanhando, juntamente com a Samantha, e agora vamos presencialmente à Maira [ininteligível]. Falei correto hoje, Maira? A Maira é da Rádio Bandeirantes, Rádio BandNews e também da TV Bandeirantes. Maira, boa tarde, obrigado pela sua presença mais uma vez. Sua pergunta, por favor.

REPÓRTER: Obrigada, só uma correção, é Rádio Bandeirantes.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Rádio Bandeirantes.

REPÓRTER: Bom, vamos lá. Eu queria entender um pouco melhor o investimento do Governo de São Paulo na Coronavac. Aqui foi assinado o acordo para compra das 46 milhões de doses e foi informado um investimento de US$ 90 milhões, então seria US$ 2 por dose. Eu queria entender se isso é investimento total, se é uma parcela, enfim. Além disso, eu queria perguntar quais os impactos no atraso da aprovação da importação dos insumos para produção da vacina, em relação ali à Anvisa, o que isso impacta. E por último, aproveitando a presença do deputado Rodrigo Maia, perguntar se há chance de prorrogar o estado de calamidade pública para o ano que vem, que foi tema de uma live recentemente, então queria saber se isso já está definido. Obrigada.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Maira, obrigado. Também em deferência e respeito ao presidente da Câmara, começamos com o deputado Rodrigo Maia, na sequência, Dimas Covas responderá às duas primeiras questões. Rodrigo.

RODRIGO MAIA, DEPUTADO FEDERAL: O grande mérito do enfrentamento a essa crise, a crise do Covid, em relação a outras crises, foi a aprovação da emenda constitucional que foi chamada emenda constitucional da guerra. E por de um simples motivo, diferente de 2008, 2009 que foram construídos pelo Presidente Lula, bons programas para o enfrentamento daquela crise, como não existia prazo, os programas foram mantidos e as despesas que eram extraordinárias viraram despesas permanentes. Então, o grande mérito desse momento e que sinalizamos para os investidores foi o prazo de encerramento d PEC da guerra no dia 31 de dezembro. Então, não há possibilidade da Câmara dos Deputados votar o estado de calamidade, a prorrogação do estado de calamidade, porque o que tinha que ser investido, do nosso ponto de vista, foi investido, os volumes foram altíssimos, talvez, certamente, o país que proporcionalmente mais gastou, a nossa dívida já está num volume muito alto, nós precisamos voltar à normalidade do nosso orçamento primário e dos desafios que nós temos que enfrentar. Quanto mais tempo nós atrasarmos, mais para frente ficarão as reformas estruturais que essas, sim, vão garantir um crescimento futuro para o Brasil. Então, há possibilidade dessa prorrogação não se faz necessária porque os programas que foram pensados para o enfrentamento da pandemia já foram todos implementados e estão sendo executados até o final do ano de 2020.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado deputado Rodrigo Maia. Agora sim, Dimas Covas, presidente do Instituto Butantan atende e responde as duas questões formuladas pela Maira da Rádio Bandnews, Rádio Bandeirantes e Bandnews.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: Maria, em primeiro lugar é necessário dizer que o Butantan fez um acordo com uma empresa chinesa para o desenvolvimento de uma vacina e a vacina será produzida aqui no Butantan, portanto, a vacina que será disponibilizada ao ministério é uma vacina Butantan, é uma vacina brasileira feita com matéria-prima vinda da China. Isso é importante. Então, quando nós falarmos, não, não vai adquirir uma vacina chinesa, na realidade, nós estamos falando de uma vacina Butantan. O Butantan é o maior fornecedor de vacina para o Ministério da Saúde, 75% de todas as vacinas entregues ao ministério é responsabilidade do Butantan, então, esse é um ponto importante. Esse acordo de desenvolvimento, ele envolve a matéria-prima, a tecnologia e o estudo clínico. O estudo clínico, ele é fundamental para o registro da vacina, que a vacina será registrada no Brasil. A vacina Butantan que será feita com a matéria-prima da China, será registrada no Brasil e esse registro será reconhecido por todas as agências do mundo, americana, europeia, asiáticas. Quer dizer, isso coloca essa vacina e isso é importante frisar, como uma das possivelmente primeiras a ser usada no mundo. Então, esse é um ponto importante. Essa transferência de recurso faz parte desse negócio, dessa associação para o desenvolvimento dessa vacina. Obviamente que o ponto chave nesse momento é o início da produção, quer dizer, o Butantan está com a sua linha de produção já pronta, já fez os testes iniciar essa produção e agora nós necessitamos exatamente da matéria-prima. Quer dizer, a matéria-prima deve vir da China assim que autorizada pela Anvisa e nós iniciamos a produçao logo na sequência. Então, esse é o panorama. Obrigado.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado Dimas Covas. Maira, obrigado pelas perguntas. Vamos agora para o jornal O Globo, jornalista Silvia Amorim. Silvia, boa tarde, obrigado pela sua presença, sua pergunta por favor.

SILVIA AMORIAM, JORNALISTA DO JORNAL O GLOBO: Boa tarde a todos. Governador, muito se falou aqui, até por conta da presença do deputado Rodrigo Maia, da participação do Congresso na busca de um acordo, de uma solução para essa questão que está colocada da vacina. O Gabbardo falou em papel do Congresso como algo importante, o deputado falou em buscar construir entendimento e caminhos, eu queria entender, primeiro com o deputado, se esses caminhos, deputado, é exclusivamente a busca do diálogo e, enfim, a construção de algo via governo ou se existe algum caminho em termos de matéria legislativa? Eu queria um comentário do Gabbardo porque o Gabbardo falou especificamente no papel do Congresso. Gabbardo, eu queria entender exatamente o que é que você vislumbra que o Congresso pode ajuda, se é algo exclusivamente, se é algo que extrapola a questão do diálogo que é importante, mas que ele pode não dar em nada. Porque a discussão hoje não é só a aprovação da Anvisa, mas temos uma segunda etapa que é a compra pelo Ministério da Saúde das vacinas, se eu não tiver correta.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DE SÃO PAULO: Obrigado Silvia. Rodrigo.

RODRIGO MAIA, PRESIDENTE DA CÂMARA FEDERAL: Da nossa parte, só diálogo. Não há outro caminho numa divergência como essa, impor algo a presidência da república, é diálogo, diálogo, diálogo. Escolhendo os bons interlocutores, as soluções, elas sempre aparecem.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DE SÃO PAULO: Obrigado Rodrigo. Gabbardo.

JOÃO GABBARDO, SECRETÁRIO EXECUTIVO DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: Bem, reforçando o posicionamento do presidente de diálogo, eu acho que diálogo sim, mas vai ser um diálogo que caso haja um registro da vacina na Anvisa e uma impossibilidade da utilização da vacina pelo programa nacional de imunizações, nós vamos ter que dialogar em cima de um cenário em que as pessoas vão estar aguardando a vacina, a vacina pode estar pronta no estado de São Paulo e não utilizada a sua utilização pelos brasileiros, então, o diálogo pode ser precipitado e ampliado em função desse cenário que é possível que ocorra, caso haja alguma dificuldade na inclusão da vacina no programa nacional.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado Gabbardo. Silvia, apenas para acrescentar, nós sempre aqui praticamos o diálogo. Aliás, fizemos isso durante meses com o Ministro da Saúde que é o interlocutor certo para tratar de uma vacina de um programa de imunização. Isso não se trata com o Chefe da Casa Civil, com ministro do governo, nem sequer com o Presidente da República, fala-se com o Ministro da Saúde que foi o interlocutor indicado pelo Presidente, primeiro temporariamente, depois, definitivamente, para dialogar com todos os governadores, inclusive com o governo de São Paulo. Nós vamos até o limite do possível, esgotando pelo entendimento e pelo diálogo, mas se pelo diálogo nós não tivermos o alcance daquilo que é necessário para salvar a vida de brasileiros, sejam os brasileiros de São Paulo, sejam os brasileiros de outros estados, você não tem a menor dúvida, adotaremos todas as medidas que forem necessárias. Nós não vamos, eu sei que eu não estou aqui fazendo nenhum antagonismo ao deputado Rodrigo Maia por quem tenho enorme estima e profunda admiração. Para que não confundam esta observação como um antagonismo, mas é meu dever como governador de São Paulo proteger vidas, pelo menos a vida dos que estão aqui no estado de São Paulo e eu o farei. Próxima é Maria Manso, TV Cultura. Boa tarde Maria.

MARIA MANSO, JORNALISTA DA TV CULTURA: Boa tarde. Eu tenho três questões. A primeira, o Dr. Dimas Covas repete desde o início para a gente que a Coronavac usa uma metodologia já conhecida de vacinas, inclusive já usada pelo Instituto Butantan. Seria possível o Instituto Butantan fazer aqui a Coronavac sem receber os insumos da China, se esse entrave para a importação se estender por muito tempo? E eu queria entender um pouquinho melhor também, esses novos seis centros de pesquisa que vão recrutar novos voluntários, como é que eles vão funcionar e por que nas periferias? Continua sendo só o pessoal médico recrutado? E para o governador e para o Presidente Rodrigo Maia, claro que vocês têm que reforçar o caráter isento da Anvisa, profissional da Anvisa, mas todos nós sabemos que o atual presidente da Anvisa já participou de uma manifestação pública contra o próprio Congresso Nacional, ele participou dessa manifestação ao lado do Presidente Jair Bolsonaro, os dois sem máscaras, já durante a pandemia. Esse apoio explícito, essa proximidade do presidente da Anvisa com o Presidente Jair Bolsonaro preocupa vocês em alguma medida? Por favor.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DE SÃO PAULO: Maria Manso, então, de novo, sempre em deferência ao presidente da Câmara Federal, deputado Rodrigo Maia, meu amigo, passo a ele a palavra para responder a sua pergunta, na sequência responderei, como você fez a mesma pergunta aos dois e aí sim, ao Dimas Covas. Rodrigo.

RODRIGO MAIA, PRESIDENTE DA CÂMARA FEDERAL: Não, eu não tenho nenhuma preocupação. Ele foi, mesmo depois das manifestações, ele foi aprovado pelo Senado, n[e, e foi nomeado presidente da Anvisa e tem responsabilidade na função que ocupa. Todos nós que ocupamos cargos públicos, sejam servidores nomeados ou cargos eletivos, todos nós temos responsabilidade. E se nós não cumprirmos a nossa responsabilidade, no que diz a Constituição e as leis, nós respondemos por isso. E principalmente, que certamente que o escolhido e aprovado pelo Senado, certamente se o Senado aprovou, tem um bom currículo e saberá cumprir como vem cumprindo até agora, a sua missão de ser presidente de uma agência que, como todas as outras, tem autonomia em relação ao poder executivo. Claro que sempre se trabalha em conjunto, mas ele tem as funções dele e certamente ele sabe quais são.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Maria, eu renovo o que eu já mencionei logo na abertura aqui da nossa coletiva. Eu não tenho razões, até aqui, para duvidar da postura isenta da Anvisa e do almirante Antonio Barra. Ele foi muito explícito a mim, aos secretários, nós tínhamos dois secretários de estado presentes, o Dr. Dimas Covas, dois senadores da república e dois deputados de diferentes partidos, inclusive. Ele foi explícito que a agência não aceitará nenhum tipo de pressão, orientação, seja da onde for, seja do governo, seja do Presidente Bolsonaro, sempre de forma respeitosa, ninguém falou de maneira incisiva, assim como de ninguém, então, a independência de uma agência de vigilância sanitária é fundamental para garantir a sua credibilidade. No dia que uma agência se submeter aos desejos e as imposições de um governante, ela deixa de ter validade, ela deixa de ser responsável por aquilo que representa a razão da sua criação. Portanto, repito, até aqui, não tenho nenhuma razão para duvidar de que a Anvisa procederá no melhor tempo, num menor tempo, ou seja, procederá com agilidade e com eficiência. Dimas.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: Maria, o Butantan não só é um grande produtor mundial de vacinas, o Butantan é um grande desenvolvedor de vacinas. Nessa tecnologia de cultivo em células Vero, o Butantan tem duas vacinas de forma inédita no mundo, uma vacina contra a Raiva Humana e segunda contra a Dengue que está na sua fase final de desenvolvimento. Então, a tecnologia, desenvolver pesquisas que levem a uma vacina é a atividade do Butantan. Nós temos, nesse momento, três vacinas em desenvolvimento. Quer dizer, essa associação com a China foi para dar velocidade ao processo de desenvolvimento, é o que nos leva mais rapidamente a uma vacina, não para o Brasil, como eu tenho mencionado, para o mundo. Então, foi uma associação pensada, uma associação que foi olhada o panorama mundial das vacinas e foi feita uma associação com uma empresa chinesa exatamente para dar velocidade para o Butantan e para a Sinovac. Então, isso não é fortuito, quer dizer, isso não caiu no colo do Butantan, o Butantan foi atrás disso. Então, seguramente nós chegaríamos a uma vacina porque nós já estamos com mais duas vacinas na sequência, uma, inclusive, entrando em estudos pré-clínicos, não tenho a menor dúvida disso. Obviamente que a entrada de uma vacina já iniciada no seu desenvolvimento, como é o caso, e nesse momento tendo a possibilidade de trazer a matéria-prima, nós aceleramos todo o processo. A Sinovac, hoje, é a vacina mais promissora exatamente por essa associação. Quer dizer, não fosse o Butantan essa vacina não estaria na posição de ser a primeira vacina, possivelmente, a ser introduzida no mundo num programa de vacinação. O segundo aspecto disposição respeito ao estudo clínico, quer dizer, o estudo clínico, esses centros nesse momento, vão incluir, quer dizer, já estão incluídos, todos os 16 que já em funcionamento, pessoas de 18 anos acima, sem limite, da área de saúde ainda, aqueles que entram ainda em contato com pacientes com Covid. Exatamente para permitir a avaliação da eficácia mais rapidamente. Então, os critérios são os mesmos com essa ampliação da idade.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado Dimas. Maria Manso, muito obrigado pelas perguntas. Vamos agora para o Portal G 1 com Patrícia Figueiredo. Patrícia, obrigado pela sua presença, boa tarde, sua pergunta, por favor.

PATRÍCIA FIGUEIREDO, JORNALISTA DO PORTAL G 1: Boa tarde. Na verdade, são duas perguntas, a primeira pergunta para o governador, é a respeito das verbas para a aquisição das vacinas, eu queria saber qual a estimativa de custo para 55 milhões de doses adicionais para o ano que vem, como essa verba vai ser obtida? E por que é que há uma diferença tão grande entre os US $ 90 milhões pagos a Sinovac e o valor pedido ao governo federal na MP? E para o Dr. Dimas Covas, eu gostaria de entender, porque ontem houve uma questão com a Anvisa em relação a liberação da importação, na quarta-feira como uma reunião com Anvisa, vocês disseram que saíram confiante, o que mudou desde aquela reunião, algo mudou, algo mudou e se o cronograma para dezembro está mantido ou poder ser alterado. É isso, obrigada.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Patrícia, as duas perguntas serão respondida pela Dimas Covas, a primeira sobre valor e a segunda sobre a Anvisa, Dimas.

DIMAS COVAS, DIRETOR DO INSTITUTO BUTANTÃ: Bom, com relação ao valor, ao valor de investimento são investimentos feitos pela Sinovac e pelo Butantã, então o conjunto de investimento é que vão determinar depois a composição do custo da vacina. Quer dizer, nesse momento as vacinas foram oferecidas ao PNI e isso já é público, elas foram oferecidas ao preço de U$ 10, 30 a dose, que é o preço mais barato de todas as vacinas até agora anunciados, quer dizer, a vacina da Astazenica, ela teve um grande subsídio mundial, então, ela não serve muito de comparativo, mas as vacinas demais estão girando em torno de U$ 15, U$16, com a recomendação da Organização Mundial de Saúde que esse valor se ao redator de U$ 10, portanto essa vacina está absolutamente dentro do padrão. Segunda pergunta?

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Segundo é sobre a Anvisa.

DIMAS COVAS, DIRETOR DO INSTITUTO BUTANTÃ: Anvisa. Vejo, o procedimento habitual da Anvisa, diante de um pedido de expecionalidade é a liberação em dez dias, quer dizer, nós entramos com documentação da Anvisa no dia 23 de setembro e portanto já estamos complementando hoje um mês, um mês de submissão, foram feitos alguns questionamentos técnicos que foram todos respondidos e agora, diante aí da urgência nós solicitamos então, as medidas para que ela pudesse ser liberado mais rapidamente possível e houve o compromisso de liberação em até cinco dias, o cronograma original era começar a produção na segunda quinzena de outubro, portanto vamos ter aí, dependendo dessa decisão, algum atraso de dez a quinze dias e vamos recuperar esse atraso, quer dizer, vamos colocar aí a nossa linha de produção recebendo a matéria-prima para recuperar o cronograma, é o que nós pretendemos desde que haja essa liberação.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DOE ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Dimas. Patrícia, obrigado pelas perguntas. Vamos agora à penúltima intervenção, é da CNN, jornalista, Renan Fiusa. Renan, boa tarde. Cadê o Renan? Então, vamos com o Willian Cury, o Will, o Will está aqui porque eu o vi. Ah, está aqui. Willian Cury, da TV Globo, Globo News. Boa tarde, Will, obrigado pela sua presença. Sua pergunta, por favor.

WILLIAN CURY, REPÓRTER GLOBO NEWS: Boa tarde. A presença do presidente Rodrigo Maia aqui uma sinalização importante de apoio do Congresso ao Governo Federal e ao governo estadual e a vacina Coronavac, sobretudo depois de uma semana bastante tumultuada e a defesa do diálogo, que fica complicado de acreditar que vá ter um diálogo depois de uma semana como essa, envolvendo troca de críticas de um lado para outro e inclusive o presidente Jair Bolsonaro disse em entrevista, ele que estava aqui em São Paulo, que tem zero diálogo com o governador João Doria, o presidente Jair Bolsonaro depende muito do Congresso, e tanto que ele se aproximou muito do Centrão nos últimos tempos eu queria saber se esse diálogo passa por uma conversa do Centrão, uma pressão dos parlamentares da base alinhada do presidente Jair Bolsonaro para tentar convencê-lo a mudar o tom em relação à vacina aqui de São Paulo, e para o estado de São Paulo eu queria saber o que pode ser feito, porque nós já estamos no fim do mês de outubro, faltam dois meses para terminar o ano, a expectativa do governo era iniciar a vacinação em dezembro ou então em janeiro ou fevereiro, e tem pouquíssimo tempo para conquistar esse diálogo e começar essa vacinação pelo sistema nacional. Eu queria saber se o estado pode lançar um programa estadual de imunização para vacinar a população de São Paulo e vender a vacina também se for o caso para outros países, para outros estados do Brasil e tentar com isso captar recurso e como o governo se já há uma movimentação também para captação de recursos para tentar iniciar essa imunização aqui no estado de São Paulo. Obrigado.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Will. Vamos então ao deputado Rodrigo Maia, na sua primeira pergunta, Rodrigo.

RODRIGO MAIA, DEPUTADO: Bem, eu sempre sou otimista se você lembrar no ano passado, e de quatro, cinco meses atrás, você talvez fizesse a mesma pergunta que você está fazendo agora em relação à relação do Bolsonaro com o Supremo, com o Parlamento, as coisas mudam a gente pode amadurecer, e a gente pode refletir e mudar de posição eu acho que isso é muito importante, ninguém é dono de nenhuma verdade absoluta, então, a gente chegar à conclusão que pode dar um passo atrás para atender a população brasileira isso pode acontecer, então eu sou um otimista, eu acho que a posição de ontem pode não ser a posição de daqui há 15, 30 dias eu e eu aposto nisso como sendo a principal vítima do ano passado, das redes bolsonaristas eu sempre acreditei nisso que a gente chegaria no momento atual onde o diálogo prevaleça em relação ao radicalismo e às agressões nas redes sociais.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DE SÃO PAULO: Will, o Deputado Rodrigo Maia está vendendo paciência em doses elevadas que é uma bela demonstração de alguém que precisa manter a paciência e equilíbrio à frente da presidência da Câmara Federal. Em relação à sua pergunta da vacinação, a resposta é sim, se de todo esgotado nesses próximos dias porque obviamente é uma corrida contra o tempo, você está certo, nós temos a condição de termos a melhor vacina, a mais avançada nesse momento e isso não tira a posição do governo de São Paulo de que devemos ter outras vacinas também, aliás, elas serão necessárias, não é nem por um gesto é porque eles serão necessárias para imunizar mais brasileiros mais rapidamente a vacina de Butantã, a vacina de Oxford, a, e a vacina que são as quatro que estão em fase final de testagem aqui no Brasil, todas elas serão úteis, agora eu quero esclarecer que o Governo Federal assinou as medida provisórias no valor de R$ 4.5 bilhões para aquisição de duas vacinas, a Novax que é um de vacina e a vacina de Oxford e não pediu autorização da Anvisa para fazê-lo e nem pediu a comprovação dessas vacinas. Eu não o condene, mas condene sim ao fato de ter excluído o Instituto Butantã pela mesma razão que fez a compra da Covax e pela vacina da Astrazenica, a chamada vacina de Oxford, não há razão diante de uma circunstância de pandemia em estabelecer discriminação, nós precisamos de vacinação, é essa a nossa defesa é a defesa para os brasileiros e se houver discriminação em relação a São Paulo, saberemos como agir e vamos sim vender a vacina para outros estados para outros governadores, para outros municípios, portanto prefeitos e para outros países também, o Butantã completa, Will, no próximo mês de fevereiro, 120 anos de existência é uma instituição de renome internacional, de respeitabilidade internacional e que até hoje foi a maior fornecedora de vacinas para o Ministério da Saúde, e não há no histórico do Butantã, nos últimos 50 anos para não ir mais atrás nenhuma situação como essa, nenhuma, Butantã passou pela ditadura, Butantã passou pelo governo Lula, passou pelo governo Dilma, pelo governo Fernando Henrique, pelo governo Fernando Collor, pelo governo Michel Temer sem nunca vivenciar como essa que está vivendo nesse momento, nunca, isso não há registro no Instituto Butantã de algo semelhante, o que mostra o tamanho do equívoco do governo nesse momento se não corrigir e se não corrigir, volto a repetir aqui, São Paulo saberá defender o interesse dos brasileiros de São Paulo e a vacina que salva, nós precisamos salvar os brasileiros com a vacina e nesse momento a vacina mais promissora é a vacina do Butantã, e ela por ela faremos toda a defesa necessária, e seremos apoiadores das outras vacinas também. Vamos agora, localizamos o Renan que está aqui de volta, Renan, boa tarde. Obrigado pela sua presença. O Renan é da CNN, sua pergunta, por favor.

RENAN FIUSA, REPÓRTER CNN: Obrigado, governador, uma boa tarde a todos, desculpa aí, tivemos que entrar ao vivo, a primeira pergunta vai para o deputado Rodrigo Maia, eu queria saber, deputado, qual é o impacto desse, digamos, apoio do senhor ao Coronavac, ao governo do estado de São Paulo, dentro do Congresso, a gente sabe que o senhor disponibilizou a Câmara dos Deputados, disse que fornece esse apoio total, mas nem todos deputados é claro, podem estar à favor se isso não poderia gerar um clima a partir dessa declaração um pouco constrangedora alguma coisa desse tipo. E a segunda pergunta para o governador João Doria, eu estive com o presidente da República ao longo dessa semana em Iperó, quando ele acabou dizendo que ia cancelar o protocolo, de compras que ele era o presidente e enfim, um dia após todo o anúncio aí do Pazuello, né? Eu queria saber se o senhor não teme, a princípio, um prejuízo ao estado de São Paulo, uma vez que algum tipo de retaliação ao estado de São Paulo, o senhor mesmo acabou de mencionar que existe um plano B, eu queria entender um pouquinho que plano B é esse para a população? Acho que está todo mundo se perguntando com relação à vacina, se existe, de fato esse plano B, queria que o senhor explicasse. Muito obrigado.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito obrigado, Renan. Então vamos ao deputado Rodrigo Maia, e na sequência responderei. Rodrigo.

RODRIGO MAIA, PRESIDENTE DA CÂMARA FEDERAL: Não, eu quando cheguei aqui expliquei que tinham tentando fazer uma intriga minha com o governador, que eu não podia aceitar de forma nenhuma que isso prevalecesse, porque não era um dado da realidade. Eu, de fato, fiquei indisposto, não pude recebê-lo, e fim aqui pessoalmente me desculpar e dizer que o governador é meu aliado, é meu amigo, sempre estivemos juntos, principalmente no PSDB. Isso não é uma sinalização que estou contra o Governo Federal, que vou enfrentar o Governo Federal. Nessa questão da pandemia nós não devemos ter colocado para a sociedade as nossas divergências, nós devíamos ter organizado o nosso diálogo e as nossas convergências e ter ido a público sempre falar aquilo que nos une. Infelizmente não foi assim, seria bom que fosse assim daqui para frente. Então a minha posição é apenas de dizer que a vacina do Butantã, a vacina que a Fiocruz, ou qualquer outra vacina, ela vai ser muito importante para principalmente aqueles que estão acima de 60 anos, que representam 75% dos mortos, aqueles com obesidade, acima do peso, como foi o meu caso. Eu sei o que eu passei, eu sei o que eu sofri, eu sei o que muita gente sofreu. Eu sei que muita gente precisa dessa vacina. Eu não estou aqui defendendo o governador, o Presidente, A, B ou C, eu estou dizendo para quem sofreu com essa doença, que a vacina é muito importante. E que o Brasil não tem que ter nenhum problema com a China, muito menos com o Instituto Butantã, que nos representa nos orgulha há quase 120 anos.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Rodrigo. Renan, o prejuízo não é para São Paulo, o prejuízo é para a população, quem é prejudicado por essa medida é a população, é o povo brasileiro, que, aliás, na sua maioria, atônito com a posição dessa do Presidente da República. Pesquisa apresentada recentemente nos veículos de comunicação indica que 70% da população quer a vacina, e quer tomar a vacina, seja a vacina do Butantã, seja a vacina de Oxford, a vacina que for validade e for classificada como uma vacina eficaz. Então o prejuízo não é de São Paulo. Eu nunca quis politizar nem a pandemia, e muito menos a vacina, quem o fez foi o Presidente Jair Bolsonaro, lamentavelmente, várias vezes eu disse aqui, você até acompanhou algumas dessas entrevistas, eu fiz apelos ao Presidente da República, para que tivesse grandeza e liderasse o país contra o Coronavírus, liderasse o país pela ciência, pela defesa inicialmente do isolamento social, na sequência, pelas medidas protetivas, uso de máscara, distanciamento social, os hábitos sanitários o uso do álcool em gel, e que as pessoas se protegessem. Lamentavelmente, quem adotou o discurso negacionista, politizado e ideologicamente manifestado foi o Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro. Me entristece como brasileiro, que ele tenha adotado este caminho. E a opinião pública brasileira, e a opinião pública internacional sabe avaliar exatamente quem adotou a postura correta, e quem adotou a postura errada. Portanto, a manutenção desta indisposição em relação à vacina do Butantã, o prejuízo não é do governo de São Paulo, é do povo brasileiro, e é lamentável que esteja acontecendo dentro deste patamar. Agora, volto a repetir a você, Renan, aos jornalistas que aqui estão, aos colegas e companheiros que aqui nos acompanham, e ao meu bom e querido amigo, Rodrigo Maia, amigo de longa data, e que cumpre o seu papel como Presidente da Câmara Federal, ele é o Presidente da Câmara de vários partidos e de várias tendências, essa é, aliás, a postura correta, e com a qual eu concordo. Mas a minha posição como governador de São Paulo, e não faço isso agora, venho fazendo isso há nove meses, é defender a vida, e defenderei a vida e a saúde dos brasileiros de São Paulo com todas as minhas forças, nós não tomamos aqui, Renan, jornalistas que aqui estão, nenhum passo sem ouvir previamente o conselho, o comitê de saúde do estado de São Paulo, não demos nenhum passo sem antes ouvir e atender explicitamente a recomendação de um comitê composto por 20 médicos infectologistas e epidemiologistas. São Paulo respeita a ciência e medicina. Nós nunca oferecemos Cloroquina para ninguém, nunca recomendamos e nem importamos doses de Cloroquina, e nunca distribuímos isso na rede pública dizendo que era a salvação contra a pandemia, contra a COVID-19. Sempre estimulamos e tornamos obrigatório o uso de máscara, inclusive como lei em São Paulo. Foi o primeiro estado a dotar a legislação para obrigatoriedade do uso de máscara, e com medidas para que a população pudesse utilizar as máscaras, tornando obrigatório, por exemplo, o acesso no transporte público em São Paulo, obrigatoriamente apenas aos que estivessem usando e usando corretamente a máscara. O plano São Paulo, o plano de quarentena já está na sua décima sexta versão, e é um exemplo do Brasil, um exemplo construído aqui em São Paulo. Por quem? Pelos médicos, pelos especialistas, e também por economistas. A conjugação perfeita e adequada, respeitosamente à ciência, mas também integradamente à economia. Nunca desautorizei nenhum secretário de estado publicamente, jamais, não fiz, não faço e não farei. Nunca xinguei ninguém, nunca nas reuniões aqui de secretariado alguém ouviu algum xingamento, algum impropério a quem quer que seja. E sempre defendi a ciência. E volto a dizer, não se pode fazer política com pandemia, não se pode fazer política diante de uma vacina, nós temos que defender a vacina, e defender os brasileiros. E volto, e aí finalizo, a fazer um apelo ao Presidente da República, se ele está nos assistindo, nos vendo, ou vai certamente nos ler, estamos abertos ao diálogo, estamos abertos a dialogar e a construir um programa que permita que os brasileiros sejam salvos, salvos pelas vacinas, salvos pela orientação correta, salvos pela compaixão, salvos pelo distanciamento de posições ideológicas, colocando o povo brasileiro como prioridade. Basta o Presidente me convidar e eu estarei em Brasília para o diálogo, na mesma hora, a minha resposta será sim, estou disposto ao diálogo, disposto ao entendimento, disposto a salvar vidas. E convidar o senhor, Presidente, para fazer o mesmo. Muito obrigado, Renan. Obrigado a todos pela presença, voltaremos a nos encontrar na próxima segunda-feira. Bom final de semana a todos. Por favor, os que estão nos assistindo em especial, lembrem de usar as suas máscaras ao saírem de casa, ou saírem do seu ambiente de trabalho. Façam distanciamento social de 1,5 metros para uma, ou mais pessoas. Lavem as mãos, e levem o seu tubinho de álcool em gel. Fiquem com Deus, façam também as suas orações, nos veremos na próxima segunda-feira. Muito obrigado, a todos.