Coletiva - Governo de São Paulo dá início aos testes da vacina contra o coronavírus 20202007

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Coletiva - Governo de São Paulo dá início aos testes da vacina contra o coronavírus

Local: Capital - Data: Julho 20/07/2020

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JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Boa tarde, muito obrigado pela presença de todos, jornalistas, cientistas, fotógrafos, técnicos, as equipes que estão aqui no Palácio dos Bandeirantes nesta tarde, dia 20 de julho, segunda-feira, e os que estão remotamente acompanhando e participando da coletiva, e também os qu e estão nos assistindo ao vivo direto pela TV Cultura em todo o estado de São Paulo. Aqui ao meu lado, Dimas Covas, presidente do Instituto Butantan; Esper Kallás, integrante do nosso comitê de contingência, do COVID-19, nosso comitê de saúde; Paulo Meneses, coordenador do comitê de saúde, do centro de contingência do COVID-19; João Gabbardo, coordenador executivo do comitê de saúde; Eduardo Ribeiro, secretário executivo da saúde, um abraço ao doutor José Henrique Germann, que nos assiste da sua casa, se recuperando de saúde. E Marco Vinholi, secretário de Desenvolvimento Regional. Muito obrigado a todos que aqui estão, e os que estão nos acompanhando também neste coletiva de imprensa. Hoje um momento histórico para a ciência brasileira, chegaram em São Paulo nessa madrugada 20 mil doses da vacina Coronavac, e agora as vacinas seguem para a sede do Instituto Butantan, e a partir de amanhã começam a ser testadas. Os testes da Coronavac, uma das vacinas em fase mais avançada do planeta começam no Hospital de Clínicas em São Paulo, amanhã. Um dos maiores centros de tratamento do Coronavírus do mundo, o maior centro de saúde da América Latina. Um total de 890 voluntários aqui em São Paulo, no Hospital de Clínicas, todos médicos e paramédicos receberão a vacina. Detalhes sobre isso serão fornecidos aqui pelos médicos, o doutor Dimas Covas, e o doutor Esper Kallas. Os pesquisadores do Hospital de Clínicas vão analisar os voluntários em consultas agendadas a cada duas semanas, a estimativa é de concluir todo o estudo da fase três de testes da Coronavac, a vacina contra o Coronavírus em até 90 dias. Procedimentos sim ilares a esse que iniciamos amanhã aqui no Hospital de Clínicas em São Paulo, será feito também em outros centros de pesquisas em estados brasileiros, Brasília, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraná. Os testes serão acompanhados por uma comissão de pesquisadores internacionais, eles terão acesso à plataforma científica para observar todo o andamento, e garantir transparência absoluta no processo dessa pesquisa. Vamos informar aqui a opinião pública brasileira e internacional, sobre a evolução de cada resultado, respeitando os critérios éticos, científicos e contratuais da pesquisa. É um grande dia para a ciência brasileira, um dia de esperança para milhões de brasileiros, e também de habitantes de outros países onde essa vacina, a Coronavac poderá também ser aplicad a. Quero fazer um agradecimento muito especial aos pesquisadores voluntários, aos que aceitaram, são 9 mil voluntários, todos médicos e paramédicos que aceitaram participar dessa pesquisa. E quero agradecer também o Instituto Butantan, toda a direção, pesquisadores, técnicos que atuam no Instituto Butantan, e em especial ao doutor Dimas Covas, presidente do Instituto Butantan. E uma referência internacional. É um orgulho para São Paulo, e orgulho para o Brasil. Quero lembrar que se tivermos sucesso, como esperamos ter, a vacina será produzida aqui no Brasil no Instituto Butantan já no início do próximo ano. Com mais de 120 milhões de doses da Coronavac. Evidentemente que a vacina será destinada a todos os brasileiros, não apenas aqueles que são de São Paulo, e isso será feito através do SUS - Sistema Único de S aúde, universal e gratuito a todos os brasileiros. O Butantan, vale destacar, terá todo o domínio da tecnologia, é isso que prevê o acordo com os chineses do laboratório Sinovac Biotec. A transferência integral de tecnologia para o Butantan está assinalada no contrato que foi assinado ainda no primeiro semestre deste ano. E os detalhes serão oferecidos agora a vocês, pelo presidente do Instituto Butantan, Dimas Covas. Dimas.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: Obrigado, governador. Boa tarde. Governador, tem momentos na nossa vida que são superlativos, esse é um dos momentos na minha vida, governador, muito agradecido pelas suas referências elogiosas ao Instituto Butantan. O Instituto Butantan que tem 119 anos, completará 120 anos no começo do próximo ano, e são 120 anos de dedicação à saúde pública do estado e do Brasil. Já participou ativamente em outras epidemias, já lutou contra essa questão dos acidentes por animais pe&ccedi l;onhentos, luta contra essa questão até hoje. E mais recentemente se empenha fortemente nessa questão da vacina para o Coronavírus. Nesse final de semana ainda um órgão de imprensa me perguntou qual que era o meu grau de otimismo entre 0 e 10, em relação à essa vacina. Eu respondi sem pestanejar, 11. Quer dizer, acredito eu que nós estamos, o Brasil, está em uma posição de expectativa não só para os brasileiros, para o mundo, podemos ter aqui no Brasil a primeira vacina a ser usada em massa, e essa perspectiva em tempos temporais é muito, muito favorável. Nós estamos no meio de uma epidemia, nós temos muitos casos, e é um ambiente ideal, o cenário ideal, Esper, para testarmos essa vacina. Mais do que isso, governador, essa nossa parceria com a empresa privada chinesa Sinovac, e eu destaco uma empresa privada, sim, da mesma forma que a Apple produz seus telefones lá na China, essa indústria tem as suas instalações lá na China, mas é uma indústria que tem ações em Nova York. E, portanto, ela está respaldada, ela está sendo até vigiada por organismos internacionais. E isso é importante, importante porque muitas vezes, correm: "Não, mas uma vacina chinesa?". Sim, uma vacina chinesa com alto padrão de qualidade, feita por uma empresa chinesa privada, e que já tem outras vacinas. E mais do que isso, governador, a vacina que hoje é a mais avançada em termos de histórico, porque uma tecnologia já conhecida, já usada para a produção de outras vacinas, o que nos dá uma vantagem competitiva. Não que estejamos aqui em uma competição, a competição é contra a epidemia, e essa vantagem nos d&aacute ; uma esperança grande, como eu disse, de chegarmos rapidamente a vacinar a nossa população. Então é uma alegria muito grande, vacinas nesse contexto são importantes na estratégia de combate à epidemia. Nós temos aí lutado nos cinco pilares, identificação de casos, isolamento, testes, sistema hospitalar, e agora prevenção, vacina. Então governador, a ação do estado de São Paulo no combate à essa epidemia contempla todos os cinco pilares, sob à sua liderança. E isso nos coloca em uma situação muito privilegiada em termos desse enfrentamento. Então eu agradeço, vou apresentar aqui o material que vamos usar, o material que os voluntários receberão. Caderno de acompanhamento de sintomas, diário, de sintomas, o doutor Esper vai explicar como isso funciona. E todo o material de informa&cc edil;ão. O nosso site do governo, que fez a pré-inscrição, recebeu até sábado mais de 1 milhão de acessos, mais de 1 milhão de pessoas interessadas. Então isso mostra a importância desse projeto, a importância do estado de São Paulo, a importância do Butantã, e a importância dos centros de pesquisas que participam. O Esper vai falar a esse respeito, não quero dar um spoiler aqui. Mas agradeço, e estou muito esperançoso. Obrigado.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Dimas Covas. Antes de passar ao Esper Kallás, vamos mostrar mais uma vez para a fotografia e para a imagem o material que foi entregue, está sendo entregue a esses 9 mil voluntários com as informações completas. Pode mostrar esse aqui que está mais fácil, e é maior, fica mais fácil como imagem. Este portfólio entregue a cada um dos voluntários aprovados, desses 9 mil, contém no conteúdo, vamos mostrar o outro ali, tira a fichinha, todo o passo-a-pas so que cada médico e paramédico terá diariamente a preencher para o atendimento a esses centros de referência no Brasil, são seis centros de referência, em São Paulo é o Hospital de Clínicas, além dos outros estados já mencionados. E exatamente para falar do início amanhã, terça-feira, 21 de julho, das primeiras pessoas que serão vacinadas, as 890 pessoas, todos médicos e paramédicos, peço a palavra ao doutor Esper Kallás. O Doutor Esper é médico infectologista do Hospital de Clínicas, e desde o primeiro dia da constituição do nosso centro de contingência do COVID-19, a convite do doutor David, ele íntegra este comitê, eu sei que o David também está feliz, celebrando da sua casa, nos acompanhando aqui este fato histórico. Então ao David Uip também o nosso afe tuoso abraço. E feito isso, passo a palavra ao doutor Esper Kallás.

ESPER KALLÁS, INTEGRANTE DO NOSSO COMITÊ DE CONTINGÊNCIA, DO COVID-19: Governador, muito obrigado. Obrigado, Dimas, demais colegas aqui presentes, e todos que estão nos assistindo. Meu nome é Esper Kallas, eu sou do Hospital de Clínicas de faculdade de medicina da USP, a quem eu represento. Nós temos lá um histórico de enfrentamento da pandemia do COVID-19 desde o seu primeiro dia que chegou aqui no Brasil. E como o governador salientou, temos atuado com o apoio da Secretaria de Saúde e do governo do estado de São Paulo, na constituiç&atilde ;o de um número significativo de leitos para acolher especialmente os pacientes mais graves que desenvolveram a doença. O Hospital de Clínicas tem um histórico de muitos anos de pesquisa em diversas áreas do conhecimento, no campo médico, e aqui com a COVID-19 não seria diferente. Mas especificamente no desenvolvimento de vacinas nós temos uma parceria com o Instituto Butantan que data de muito tempo, nós estamos trabalhando com o Butantã historicamente já em vacinas contra a gripe. Fizemos juntos o estudo, e junto com outros centros fase dois, e estamos fazendo fases três da vacina contra a dengue, que ainda está em fase de desenvolvimento. E também contra outros agentes, potenciais causadores de pandemia, como por exemplo, a Gripe H7N9, que felizmente não foi transmitida ainda entre pessoas, mas o Butantan já se preocupou em preparar uma vacina protótipo pa ra uma situação como essa, que se algum acontecer a gente já estaria preparado. Isso mostra a capacidade que o Butantan tem em desenvolvimento de novos produtos, e essa interface com os centros de pesquisa, tanto no Estado de São Paulo quanto no Brasil, é o que dá todo o substrato pra gente vir trabalhando junto durante todos esses anos, porque nós temos que dar as respostas científicas na hora que aparece uma vacina candidata como essa. O estudo fase 3 vai incluir aproximadamente 9.000 voluntários, e ele foi concebido pela unidade de pesquisa clínica do Instituto Butantan, a quem eu mando meu abraço também. É uma equipe extremamente dedicada, abnegada, chefiada agora pelo Dr. Ricardo Palacios, que trabalhou fins de semana, ao longo da noite, para preparar toda a documentação, todos os protocolos pra gente realizar este estudo. Domingo, por exemplo, nosso centro se prepar ou para esse estudo, numa reunião que durou mais de quatro horas, pra gente deixar tudo pronto pra amanhã. O estudo fase 3 vai ser conduzido em 12 centros, e como eu, 11 colegas meus vão atuar em diferentes locais, como o governador mencionou, tanto aqui na cidade de São Paulo tem outros centros, no Estado de São Paulo e outros estados, para colher os voluntários interessados em participar desse estudo. A gente vai acompanhá-los por um período de até um ano, e quanto mais cedo a resposta que esse estudo puder nos dar, se a vacina é eficaz, essas avaliações interinas que vão acontecendo vão se adiantar e dar essa resposta, tão logo ela esteja disponível. Queria mais uma vez agradecer todo o apoio do Estado de São Paulo, da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, e a parceria fraterna, colaborativa, construtiva que o Hospital das Clíni cas e a Faculdade de Medicina da USP têm, historicamente, no Instituto Butantan, em encontrar soluções para melhorar a saúde das pessoas e aliviar o sofrimento provocado por doenças, inclusive doenças infecciosas. Muito obrigado

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Dr. Esper Kallás. Quero aproveitar pra fazer um agradecimento em nome do Governo de São Paulo ao Dr. Esper, ao seu conhecimento à sua capacitação oferecida ao Centro de Contingência do Covid-19 ao longo desses quatro meses, em reuniões periódicas, presenciais e virtuais, assim como aos demais 18 membros desse comitê científico de saúde, formado já no dia 26 de fevereiro, sob liderança do Dr. David Uip. São Paulo deu um exemplo ao país, no primeiro dia em que a primeira pessoa foi constatada com o Corona Vírus em São Paulo, no Hospital Albert Einstein, este comitê foi constituído e passou a ser uma referência para outros estados brasileiros também. E desde então, todas as iniciativas do Governo do Estado de São Paulo passam pela referência, pela orientação deste Comitê de Sáude. Nós não damos aqui um único passo sem ter o aval do Comitê de Saúde em São Paulo. Com diálogo, com entendimento com todos os setores da sociedade civil, da área econômica, Conselho Municipalista, com respeito a todos, mas nenhum passo foge à orientação da ciência e da medicina em São Paulo. Então, Dr. Esper, muito obrigado, ao longo desses quatro meses ter emprestado o seu prestígio, o seu conhecimento, a sua biografia e a sua orientação par a o Centro de Contingência do Covid-19. Passo agora ao Dr. Paulo Menezes, que é o coordenador deste comitê e também do complexo do Hospital das Clínicas, da Universidade de São Paulo, e é o coordenador desse comitê, igualmente participando conosco desde o início para a orientação de todo o nosso trabalho, em especial nos últimos dois meses, o trabalho que orienta o Plano São Paulo. Dr. Paulo.

PAULO MENEZES, COORDENADOR DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: Muito obrigado, governador, boa tarde a todos. Como atual coordenador do Centro de Contingência, em primeiro lugar eu quero dizer que é realmente com muita satisfação e com muito otimismo que nós vemos o anúncio e a perspectiva colocados hoje de início, a partir de amanhã, da fase 3 do estudo da vacina contra o Corona Vírus, que realmente vai trazer uma nova perspectiva para o enfrentamento da pandemia. Eu quero dizer que tem sido, foi realmente um orgulho até participar desse grupo de colegas, de altíssimo nível, pensando, discutindo, propondo as ações, estratégias e ações para o governo, em todas as áreas, em todos os eixos, que o meu colega Dimas já colocou aqui, tanto de identificação e vigilância e saúde, assistência em saúde. O Centro de Contingência, outro dia mesmo nós discutimos aqui como nós temos nos debruçado sobre as evidências sobre o que é efetivo ou não, em termos de tratamento, e agora com essa perspectiva da vacina. Semana passada também nós discutimos a possibilidade de realização de grandes eventos e de massa, e com a vacina agora colocada, quem sabe num futuro não muito distante nós tenhamos a possibilidade desse tipo de celebração, de festividade. Então, nós vamos continuar acompanhando, até porque, Dr. Dimas , Dr. Esper são membros do Centro de Contingência, nós nos conversamos todos os dias, e vamos acompanhar a cada passo o desenvolvimento dessa nova fase, para que possamos ter uma vacina que proteja a nossa população dessa terrível pandemia. Muito obrigado, governador.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Dr. Paulo Menezes, coordenador do Grupo de Contingência do Covid-19. Vamos agora ao Dr. João Gabardo. Eu queria também aproveitar pra fazer um agradecimento a você, Gabardo. Eu conheci o Gabardo pela televisão, assistindo as coletivas de imprensa que ele, ao longo de várias semanas sucessivas, ofereceu, ao lado do então ministro da Saúde, Luís Henrique Mandetta, me tornei admirador dele e expressei isso quando tive o prazer de conhecê-lo, já como ex-secretário geral do Min istério da Saúde. E desde os últimos 75 dias, ou aproximadamente isso, nós temos o privilégio em São Paulo de ter o Dr. João Gabbardo como coordenador executivo deste Comitê de Saúde do Estado de São Paulo. João Gabbardo.

JOÃO GABBARDO, COORDENADOR EXECUTIVO DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: Boa tarde, governador, boa tarde, imprensa, todos que acompanham essa coletiva. Primeiro, governador, eu agradeço suas palavras. Eu tenho tido muito prazer também de fazer parte dessa equipe, com essas pessoas do Centro de Contingência e com a equipe da Secretaria de Saúde. Governador, a chegada dessa vacina, ela abre uma perspectiva muito importante para toda a sociedade, abre uma perspectiva de que nós paremos de contar casos, paremos de contar óbitos, e a gente possa monitorar cobertura vaci nal. Essa vacina abre a perspectiva de que nós paremos de impor distanciamento social, isolamento, e a gente passe a trabalhar no planejamento da volta à normalidade. E torço muito, governador, para que essa vacina possa nos ajudar a unificar o país novamente. Acho que esse é o recado que eu gostaria de deixar. Muito obrigado.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Dr. João Gabbardo. Agora os números da saúde, com o secretário executivo do Governo do Estado de São Paulo, na área da Saúde, Eduardo Ribeiro.

EDUARDO RIBEIRO, SECRETÁRIO EXECUTIVO ESTADUAL DE SAÚDE DE SÃO PAULO: Obrigado, governador, bom dia a todas e a todos. Na consolidação dos dados, no Brasil, totalizamos, em número de casos, 2.098.389, e em número de óbitos, 79.488. O Estado de São Paulo totaliza hoje 416.434 casos, e 19.788 óbitos. Em relação à taxa de ocupação de leitos, no estado, 66,8% de ocupação em leitos de UTI, na Grande São Paulo, 64,9% de ocupação de leitos de UTI. Temos internados em leitos de UTI 5.852 paci entes e, em leitos de enfermaria, 8.746 pacientes. Em relação ao número de casos recuperados, totalizamos 282.391, tendo tido em altas hospitalares 59.210. Próximo. Em relação aos casos confirmados, segundo o tipo de teste. Do total do dia, de 1.384 casos confirmados, 43% foram confirmados por testes rápidos, 55% por RT-PCR e 2% por outros métodos diagnósticos. Em relação ao total de casos, 69% dos 416.434 casos foram confirmados por RT-PCR, 29% por testes rápidos e 2% por outras metodologias. Segundo a projeção de casos para a segunda quinzena de julho, os 416.434 casos estão dentro do espectro estimado para a segunda quinzena do mês de julho. Da mesma forma, próximo, que a projeção de óbitos, são 19.788, dentro da expectativa projetada para o período. Muito obrigado, governador.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito obrigado, Eduardo Ribeiro, secretário executivo da Secretaria da Saúde. Vamos à última intervenção, que é do Marco Vinholi, secretário de Desenvolvimento Regional, lembrando que a Patrícia Ellen esta semana não estará conosco. Ela está usufruindo de uma semana de férias, já que, desde o início da sua gestão aqui como secretária de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia, não havia ainda disfrutado das suas f&eacu te;rias com seus filhos. Marco Vinholi.

MARCO VINHOLI, SECRETÁRIO ESTADUAL DE DESENVOLVIMENTO REGIONAL DE SÃO PAULO: Boa tarde, governador, boa tarde a todos. Iniciando aqui, divulgando os números de isolamento social no último domingo. O Estado de São Paulo atinge o número de 50% de isolamento e a capital 52%, índice de isolamento deste domingo, portanto a manutenção dos números de isolamento no estado, e também na capital de São Paulo. Eu quero aqui falar rapidamente sobre a fotografia da semana, em que o interior do estado alcança o número de casos da capital. S ão 40% de casos no interior hoje e 40% de casos na capital, hoje aqui no Estado de São Paulo. Cento e sessenta e seis mil casos em cada uma dessas duas regiões. Essa evolução veio se dando ao longo do último período, nós viemos alertando e trazendo essas informações, e com os dados de hoje elas se consolidam, chegando nos números da capital, revelando, portanto, a sequência da projeção dos casos no interior do Estado de São Paulo. Além disso, em número de óbitos, o interior do estado também ultrapassa a Grande São Paulo em números absolutos. Portanto, 5.612 no interior do estado, versus 5.318, números na Grande São Paulo. Esse crescimento se dá em diversas regiões do estado. Nós temos uma melhora significativa nas regiões de Sorocaba, Campinas, duas regiões que há algum tempo atrás nós viemos aqui, adicionamos novos leitos, trouxemos a necessidade de endurecimento nas restrições, e esse endurecimento deu resultado. A região de Araçatuba, Baixada Santista, Barretos e Marília. No alerta, as regiões do Vale do Ribeira, Ribeirão Preto, Vale do Paraíba, Franca e Piracicaba. As outras regiões seguem com estabilidade dos seus números, portanto seguimos avançando com o Plano São Paulo. Finalizando aqui, queria registrar a queda de 17% no número de casos na última semana, o que representa também uma evolução dada no Plano São Paulo e nos indicadores aqui do Estado de São Paulo, durante esse último período.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, secretário Marco Vinholi. Agora vamos já às questões, hoje excepcionalmente todas presenciais. Pela ordem, teremos TV Record, Rádio Jovem Pan, TV Bandeirantes e TV Cultura, inicialmente. Pela TV Record, sempre a jornalista Daniela Salerno. Daniela, boa tarde, sua pergunta, por favor.

REPÓRTER: Boa tarde a todos. Eu gostaria de fazer uma pergunta a respeito das vacinas. Primeiro, eu gostaria de entender. A gente sabe que, pelo menos no HC, são 890 voluntários. Se a gente tem um perfil desses voluntários, se já nessa fase é importante a gente testar mulheres, homens, em condições de saúde diferentes, ou se ainda não é momento de ter essa resposta, de como que a vacina atua em cada organismo. E uma segunda pergunta também dentro disso, Dr. Kallás, o senhor disse que por um ano eles serão acompanhados, mas qu e antes, talvez, possa ter aí, algum indicativo? Qual a previsão de pelo menos já ter uma sinalização para a gente de que a vacina realmente pode dar certo?

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado Daniela. Vamos dividir a resposta com o Dr. Dimas Covas e o Dr. Esper Kallás. Começo com o Dimas, na sequência com o Dr. Kallás.

DIMAS COVAS, DIRETOR DO INSTITUTO BUTANTAN: Bom, eu vou deixar a primeira parte para o Dr. Esper e vou para a segunda parte, então, que é a expectativa de nós termos essa vacina. Esse estudo clínico, ele deverá ser concluído o mais rapidamente possível, então, nós estamos trabalhando intensamente com esses 12 centros, são centros que estão abertos a partir dessa semana e recrutando ativamente. O fato de existir uma grande procura, isso vai ajudar a incluir esses voluntários muito rapidamente. Isso é importante nesse momento, porque a partir do fechamento do estudo que deverá acontecer em setembro, aí nós entramos na fase de acompanhamento e essa fase de acompanhamento, ela é muito contínua, ela é muito próxima aos números que vão sendo produzidos. Então, a qualquer momento a partir daí, nós poderemos ter a abertura parcial do estudo que indique a sua eficácia da vacina. Então, isso é importante, quer dizer, se esse estudo, de fato, for concluído antes do final desse ano e é uma expectativa real, nós poderemos ter essa vacina disponível para a população brasileira já no início do próximo ano. E quando eu falo disponível, isso significa que nesse nosso acordo com a Sinovac, nós temos acesso já a 120 milhões de doses vacinais, que seriam o suficiente para vacinarmos 60 milhões de brasileiros, né? Um número mais do que suficiente para enfrentarmos essa fase da epidemia.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DE SÃO PAULO: Obrigado Dimas. Esper.

ESPER KALLÁS, MÉDICO DO COMITÊ DE CONTINGÊNCIA DE SÃO PAULO: Bom, Daniela, o estudo é feito da seguinte maneira: nós temos quase nove mil voluntários que metade vão receber vacina, metade vão receber placebo. E a nossa tarefa, depois delas concluírem, as pessoas concluírem as duas doses de vacinação, como o Dimas disse, a gente vai seguindo durante um período que programamos inicialmente para um ano. E a nossa ideia é capturar qualquer pessoa que, porventura entre em contato com o vírus, desenvolva sintomas de Covid-19, a gente analisa esses sintomas, vê se confirma o diagnóstico. As pessoas, por tanto, para participar desse estudo, deveriam ser aquelas que estão sob risco de contrair Covid-19. E para isso, a gente selecionou profissionais de saúde, médicos, enfermeiras, fisioterapeutas, auxiliares de enfermagem, são todas as pessoas que estão no cuidado do dia a dia aos pacientes. E por que isso? É claro que essas pessoas, por terem contato frequentes com pessoas que tenham o vírus, acabam tendo um risco maior de pegar a infecção, e é nelas que a gente tem uma condição mais rápido de responder se a vacina está conseguindo proteger ou não contra a infecção, mas principalmente contra o desenvolvimento da Covid-19.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito bem. Obrigado Dr. Esper. Daniela Salerno, muito obrigado. Vamos agora, pela ordem, Rádio Jovem Pan, depois TV Bandeirantes, TV Cultura e SBT. Pela Jovem Pan, Beatriz Manfredini. Beatriz, boa tarde, sua pergunta, por favor.

BEATRIZ MANFREDINI, JORNALISTA DA RÁDIO JOVEM PAN: Boa tarde, boa tarde a todos. Eu queria fazer duas perguntas em relação a vacina. A gente teve hoje, mais cedo, uma notícia boa em relação a vacina de Oxford que se apresenta segura nos primeiros resultados, eu queria saber: se ela ficar pronta, digamos, antes, primeiro, o Instituto Butantã continua esse estudo da Coronavac ou a gente para e começa a ajudar na produção dessa de Oxford, ou o que seria mais correto, ter duas vacinas ou não? E falando sobre uma vacina ficando pronta, a gente j&aacut e; tem alguma diretriz de quem receberia primeiro, são idosos, profissionais da saúde com comorbidades, de repente, alunos por causa de volta às aulas? É isso, obrigada.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado Beatriz. Começa a responde o Dr. Dimas Covas com comentário do Dr. Esper Kallás. Dimas.

DIMAS COVAS, DIRETOR DO INSTITUTO BUTANTAN: Bem, nós estamos aprendendo com essa epidemia e estamos aprendendo importantes lições. Primeiro, nós já tivemos, no passado, outras epidemias com o Coronavírus, tivemos o Mers, tivemos o Sars. E naquele momento, principalmente com relação a Sars, na própria China começou-se o desenvolvimento de vacina. Ela chegou até um determinado ponto e aí, como a epidemia arrefeceu e acabou desaparecendo, o desenvolvimento da vacina parou, não é? Quando veio a do Coronavírus, começ ou pela China e aí a importância da ciência, a importância do desenvolvimento de vacinas. Quer dizer, a China tinha já experiência com o desenvolvimento anterior da vacina para a Sars. Se tivesse completado o desenvolvimento lá, possivelmente hoje nós já estaríamos com a vacina em uso, né? Então, isso responde a primeira parte da sua pesquisa, nós temos que completar o desenvolvimento dessa vacina, porque ela poderá ser útil para essa epidemia e par outras epidemias que poderão vir. Então, é fundamental que a gente complete o ciclo de desenvolvimento e isso não tem interferência de outras vacinas que possam estar disponíveis ao mercado.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Temos a pergunta da Beatriz Manfredini, Esper, sobre quem seria priorizado na vacina.

ESPER KALLÁS, MÉDICO DO COMITÊ DE CONTINGÊNCIA DE SÃO PAULO: A gente adoraria estar nesse momento para discutir quem que deveria receber a vacina primeiro, isso significa que a gente teria já demonstrado que a vacina é eficaz. Eu queria só fazer um complemento aqui ao que o Dimas falou, qualquer vacina que seja provada eficaz, quanto mais cedo possível melhor, porque muito provavelmente a gente teria duas, três vacinas disponíveis para poder escolher e achar melhores formas ou, talvez, se as informações irem nesse sentido, fazerem comb inações de vacinas que melhoraria, talvez, o desempenho. A gente não sabe, isso só o tempo que vai responder. Sobre quem receberia primeiro, é natural da gente imaginar que tem dois grupos principais, são aqueles que estão sob risco de desenvolvimento de doença mais grave e o segundo, aquele núcleo de pessoas que é mais responsável pela manutenção da transmissão do vírus na comunidade. Esse segundo grupo, a gente não sabe... ainda precisa de mais informações, a gente precisa de mais detalhes. E o andamento da epidemia está conseguindo destrinchar quais são as pessoas que são mais responsáveis pela transmissibilidade do vírus. Mas essa informação a gente não domina completamente, mas volto a dizer, tomara que a gente tenha todos esses problemas não muito distante, que a gente tenha que disc utir exatamente quais são as pessoas que devam receber a vacina, porque isso significa que ela já estaria disponível.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito obrigado. Beatriz, obrigado pelas perguntas. Vamos agora para a TV Bandeirantes com o Juliano e na sequência ao Juliano, a TV Cultura, SBT e a CNN. Juliano, boa tarde, a sua pergunta, por favor.

JULIANO DIP, JORNALISTA DA TV BANDEIRANTES: Boa tarde governador. A vacina está em São Paulo no Instituto Butantã, tendo todas as aprovações, como é que fica o uso dela para todo o país? Isso é o segundo momento ainda a ser conversado, negociações comerciais ou não, como é que fica essa aplicação? Porque nesse primeiro momento, a gente está debatendo se vai ser quem tem comorbidade ou não, mas é no estado de São Paulo, né? Quando é que ela se expande havendo a aprovação da vacina?

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito bem. Vai responder o Dr. Dimas Covas, mas eu lembro que a vacina desenvolvida pelo Instituto Butantã juntamente com o Laboratório Sinovac, é uma vacina para todo o Brasil e não apenas para os brasileiros de São Paulo. Mas quem complementa com conhecimento de causa é o presidente do Instituto Butantã, Dr. Dimas Covas.

DIMAS COVAS, DIRETOR DO INSTITUTO BUTANTAN: Juliano, em relação a ampliação do estudo clínico que começa amanhã aqui no HC para os outros centros, deve acontecer já na próxima semana, ok? Veja bem, nós estamos discutindo com os nossos parceiros chineses, fornecimento de vacinas para o Brasil com a produção no Butantã, mas estamos discutindo também o papel do Brasil no cenário mundial. Estamos conversando junto com os nossos parceiros chineses com a Organização Pan-Americana de Saúde. Estamos conver sando em parceria com os nosso amigos e colaboradores chineses, com o Chile, com a Argentina, com outros países que necessitam de vacinas. Então, esse esforço, como eu disse já algumas vezes, é um esforço mundial de combate a uma epidemia e nós temos que participar desse esforço, o Brasil numa posição muito boa neste momento, e esperamos poder contribuir para o Brasil, para os nossos vizinhos da América através da Opas e através desses acordos com os nossos vizinhos mais próximos.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado Dimas Covas. Portanto, Juliano, além da vacina, a Coronavac ser desenvolvida em São Paulo para os brasileiros de São Paulo e para os brasileiros de todo o país, quando eu falo brasileiros, eu me refiro a todos os que vivem aqui tendo ou não nascido aqui, obviamente. Mas também para o continente latino americano, essa será a capacitação do Instituto Butantã com a Coronavac para os países aqui do nosso continente na América Latina. Vamos agora a Maria Manso d a TV Cultura, na sequência à Maria, SBT, CNN, Rádio Capital e TV Globo/Globonews. Maria Manso, boa tarde, bem-vinda, a sua pergunta, por favor.

MARIA MANSO, JORNALISTA DA TV CULTURA: Boa tarde a todos. Estamos todos participando de um momento histórico, mas para a gente acompanhar as próximas etapas ainda com o pé no chão, eu queria traçar um paralelo da Coronavac com a vacina de Oxford que também está sendo testada aqui no Brasil e que hoje teve um detalhamento maior da fase 2, da anterior que está acontecendo agora, publicado na revista The Lancet. E eles dizem que a vacina de Oxford ainda precisa ser comprovadamente testada em diferentes raças para realmente provar que ela pode ser usada no mundo t odo. O Brasil, como a gente sabe, é o cenário ideal para esse tipo de teste e eu acredito, então, que a Coronavac também vai ter que passar por essa prova de fogo aqui no Brasil. Eu queria saber como é que vocês veem isso? E aproveitando, se vocês pudessem, aproveitando, claro, todo o conhecimento de vocês, traçar um paralelo da diferença entre essas duas vacinas aqui no Brasil, por favor.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Maria Manso, as duas perguntas serão respondidas pelos dois especialistas que estão aqui presentes, o Dr. Dimas Covas e o Dr. Esper Kallás. Dimas e Esper.

DIMAS COVAS, DIRETOR DO INSTITUTO BUTANTAN: Bem, obviamente que são vacinas baseadas em tecnologias diferentes. A tecnologia da vacina que nós estamos desenvolvimento é uma tecnologia tradicional, ela já foi usada para a produção de outras vacinas aqui no Butantã, então, a vacina contra a Raiva Humana que nós produzimos e contra a Dengue, usa essa tecnologia, quer dizer, uma tecnologia usada tradicionalmente em produção de vacinas. Então, isso mostra que as vacinas produzidas para outras doenças infecciosas com essa tecnologia t&eci rc;m já um perfil de segurança testado, aprovado por organismos internacionais e em uso, essas vacinas estão em uso. Então, essa é uma primeira diferença. A vacina de Oxford é uma tecnologia nova que não foi ainda utilizada em outras vacinas e que poderá ser até uma evolução, vamos dizer assim, nas tecnologias de produção de vacina, mas ela precisará ser, além da demonstração da eficácia, precisará ter também o seu processo produtivo validado por esses estudos. Então, é importante entender que existem muitas vacinas com tecnologias diferentes, com histórico anterior diferente e isso tem algum impacto inclusive na velocidade com que os estudos clínicos e a aprovação dessas vacinas são feitos. Por isso o meu otimismo, né, quando eu digo que a vacina que nós estamos desen volvendo tem grandes perspectivas de ser aprovada muito rapidamente é exatamente por esse passado, por essa tecnologia, por esse conhecimento já existente, né? E as outras podem, também poderão acontecer, mas, enfim, são históricos um pouco diferentes que explicam aí já, inicialmente, essas diferenças. O Brasil, obviamente, nesse momento, é o lugar ideal, porque a epidemia aqui está aumentando, mas não só por isso. O Brasil tem grande experiência em vacinas. O Butantã é um dos maiores produtores de vacina da gripe do mundo. Nós produzimos esse ano 80 milhões de doses de vacina da gripe, o maior programa de imunização público para a gripe do mundo. Então, isso atrai também essas parcerias. Quer dizer, não só a fase da epidemia, mas a experiência que nós temos, a tradição que nós temos, ok?

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: ... muito bem. Esper Kallás

ESPER KALLÁS, INTEGRANTE DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: Sobre a diversidade da população, é claro que isso também é uma vantagem de se fazer pesquisa aqui no Brasil. Além de termos vários centros distribuídos pelo país, que já têm experiência em fazer pesquisas clínicas com novas vacinas candidatas, nós temos uma diversidade étnica populacional bastante grande, e isso facilita a interpretação dos resultados. A gente... Aliás, a transposição dos resultados, quer dize r, o que a gente vê aqui muito provavelmente pode ser aplicado em várias regiões do mundo. A gente tem a captura de todas essas informações, no momento do acolhimento do voluntário, mas, só pra dar um exemplo disso, a população que nós escolhemos para participar desse estudo, que são profissionais de saúde, tem uma distribuição, que aliás tem um contingente maior de mulheres, o que é muito bom pra gente fazer o projeto. A segunda coisa, tem uma diversidade étnica bastante grande, que também ajuda a gente a interpretar os resultados e transpor os seus achados pra população em geral, inclusive fora do Brasil.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Esper. Maria Manso, obrigado pelas perguntas. Vamos agora, pela ordem, com Fábio Diamante, do SBT. Na sequência, uma pequena mudança, a Rádio Capital, TV Globo, GloboNews, e aí sim a Bruna Macedo, da CNN. Fábio, boa tarde, sua pergunta, por favor.

REPÓRTER: Boa tarde, boa tarde a todos. Eu queria fazer uma pergunta sobre os números da semana. Me corrijam se eu estiver enganado, por favor, mas acho que tivemos um aumento do número de mortos, em comparação com a semana anterior. A gente vinha caminhando numa queda gradual e essa semana isso mudou, e um aumento expressivo. Eu queria saber o que houve, como é que os senhores entendem esse aumento, se isso está ligado ao interior, à capital, se houve aumento na capital também e se isso é um reflexo, pode ser um reflexo da abertura de volta das ativida des no estado. Obrigado.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Fábio Diamante. Quem procederá à resposta é João Gabbardo, coordenador executivo do Comitê de Saúde.

JOÃO GABBARDO, COORDENADOR EXECUTIVO DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: Pode projetar, por favor... Obrigada. Fábio, realmente, nessa semana passada a gente teve um número de óbitos maior do que nas semanas anteriores. Nós estávamos há três semanas com redução no número total de óbitos, mas isso não altera o que nós imaginávamos desde o início do plano, em que a capital tinha uma tendência de queda, manutenção dos seus números de casos confirmados e óbitos, e uma prov&a acute;vel expansão no interior. Por que isso? Porque a epidemia tem curvas diferentes, no interior do estado começou depois da capital. Então a capital começou antes, vai terminar antes, essa é a expectativa que nós temos. De qualquer maneira, só queria passar o primeiro, esse aí é o último. Aí. O dado de São Paulo, o Estado de São Paulo, analisando a média móvel dos últimos sete dias, mostra uma estabilidade no número de óbitos, que é onde eu destaquei ali com aquele círculo azul, e houve nos últimos quatro dias um pequeno aumento, que pode ser considerado 14%, foi o aumento que nós tivemos no estado como um todo. Até 15%, a gente considera como uma estabilidade, o aumento que nós tivemos no estado foi de 14%. O próximo. Na região metropolitana, o número de óbitos aumentou de uma f orma muito pequena. Nós tivemos um aumento na região metropolitana que foi de 7%. Na capital, o aumento... A capital, não, o estado todo aumentou 14%, nós tivemos na região metropolitana um aumento que foi muito pequeno. Próximo. Na capital, o aumento foi ainda menor, o aumento na capital no número de óbitos foi 2,6%, e o próximo, sim, o próximo que é o mais significativo, que foi o aumento no interior. Então, vocês podem ver que, desde o dia 7, 8 de julho, houve um aumento no número de óbitos bastante considerável. Nesta última semana, o aumento no interior foi na ordem de 24%. Então, são números que, no total, mantêm o estado numa situação de estabilidade, dentro da nossa previsão. O Eduardo mostrou pra vocês aquele gráfico da nossa previsão de casos e previsão de óbitos, e os nossos números estão absolutamente dentro daquele intervalo de confiança que foi planejado no início do mês, para a primeira quinzena, e agora para a segunda quinzena. Então, todos os números estão dentro das nossas previsões, aquilo que foi calculado pelo Centro de Contingência.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Gabbardo, obrigado, Fábio Diamante. Vamos agora então à Carla Mota, da Rádio Capital. Carla, boa tarde, sua pergunta, por favor.

REPÓRTER: Boa tarde, boa tarde a todos. A gente sabe que aqui no Brasil tem se tornado muito comum um movimento contra vacinas. Agora, nesse momento que a gente está vivendo aí, praticamente dependendo de uma vacina, eu gostaria de saber se vocês acreditam que agora vai ter, vá ocorrer uma mudança de comportamento das pessoas. Será que esse surto serviu para que as pessoas se conscientizassem aí da importância da prevenção? Obrigada.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Interessante a sua pergunta, Carla Mota. Vou pedir ao Dr. Dimas e também ao Dr. Esper. E se, evidentemente, os demais médicos aqui presentes desejarem comentar também. Então, por favor, Dimas.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: Esse movimento antivacinas, ele tem sido muito importante nos Estados Unidos e na Europa, e aqui no Brasil ele tem começado de uma forma pequena, mas consistente. E veja, isso é uma questão até de fundo ideológico, de fundo de crença em estilos de vida, quer dizer... E tem sido responsável por algumas... Pelo retorno de algumas doenças que já eram consideradas sob controle. Por exemplo, o sarampo. Quer dizer, nós tivemos, nesses últimos anos, a volta do sarampo, com óbitos em pacientes adultos . Veja, sarampo, ele está disponível há muitos e muitos anos, há mais de três, quatro décadas, a vacinação. E nós tivemos adultos não vacinados pelo sarampo. Não pelo movimento antivacina, mas absolutamente por até desleixo em procurar a vacina, que, no Brasil, é gratuita, ela está no centro de saúde. As pessoas têm acesso a isso de forma gratuita, o que não acontece em outros países do mundo. Então veja, eu acho que a informação em relação à vacina, hoje, é muito mais fácil de ser entendida, diante dessa epidemia. E espero que essa procura de mais de 1 bilhão de informações para uma vacina, se repita para outras vacinas. Os nossos centros de saúde, os nossos centros de vacinação estão abertos. Nós tivemos a adesão da vacina da gripe, a umentou muito em relação ao ano passado, mas ainda não completamos a meta de vacinação para esse ano. Então, é importante, sim, a sua pergunta, e nós temos que chamar a população. Vacina é importante, porque vacina protege a vida, protege a vida das crianças, mas protege também a de adultos, como é o caso do sarampo, que eu acabei de mencionar.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito bem. Esper.

ESPER KALLÁS, INTEGRANTE DE CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: Esses grupos e pessoas que são contra vacinas sempre existiram na história. Se a gente olhar lá pra trás, quando começou a primeira vacina disponível, que era contra a varíola, haviam chacotas e desenhos na imprensa da época, ironizando esses programas de vacinação. A gente sempre vai conviver com pessoas de opiniões diversas, e felizmente, no caso das vacinas, é uma pequena minoria. Especificamente aqui no Brasil, essa minoria é bem diminuta e isso gra&cce dil;as a um sistema que o Brasil conseguiu adotar ao longo das décadas, que é considerado o melhor sistema de vacinação pública no mundo. A gente tem que responder para a população em geral, dar sempre as evidências que vacinas são substância seguras, eficazes, reduziram, como poucas outras intervenções na história da humanidade, a mortalidade e prolongou a vida da população. Eu acho que, com esses exemplos, e garantindo os critérios que a gente sempre utiliza de rigor científico no desenvolvimento e aprovação dessas vacinas, a melhor resposta que a gente poderia dar para as pessoas que, porventura, duvidarem da eficácia dessas intervenções.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito bem. As respostas foram completas, Carla Mota, muito obrigado. Vamos agora para Bruna Macedo, da CNN. Bruna, boa tarde, sua pergunta, por favor.

REPÓRTER: Boa tarde, governador e a todos. Minha pergunta é com relação aos testes mesmo. Eu queria saber se a gente consegue ter um pouco mais de detalhe do que vai acontecer dentro desse período de três meses. É uma aplicação e algumas consultas depois, a gente consegue ter um pouco mais de detalhe com relação a isso? E eu queria saber também se a gente já sabe quantas doses devem ser distribuídas ao HC e aos demais centros que também receberão esses testes. Obrigada.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Bruna. Agora invertemos, começamos com Esper Kallás, e depois se necessário, com o Dimas Covas.

ESPER KALLÁS, MEMBRO DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: Muito bem, Bruna, o estudo é desenhado da seguinte maneira: uma pessoa que quer participar... Aliás, deixa eu aproveitar e falar o seguinte, a gente teve um número de pessoas interessadas, que já é maior do número de lugares que a gente tem para voluntários participarem do estudo, então, aqueles que infelizmente não preencherem, a gente não conseguir chamar, eu peço já desculpas. Aproveitar esse momento para fazer isso. Mas uma pessoa interessada em participar que pre encha os critérios, ele é acolhido em todos os doze centros. Primeiro, sendo apresentado um termo, que nós chamamos Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Qualquer pesquisa clínica no Brasil tem que seguir esse protocolo porque é uma forma de a gente explicar o que é o estudo, dar todos os detalhes do estudo, mostrar todos os procedimentos que a gente faz, abordar a importância da utilização, de realização dessa pesquisa, trazer todos os riscos potenciais de qualquer produto que se esteja testando. Então, isso faz parte. Esse Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, bem como todo o protocolo e todos os detalhes da vacina foram apreciados pela Agência de Vigilância Sanitária, que é a Anvisa, e foram aprovados, e foram apreciados pelo Comitê de Ética de cada uma das 11... da s 12 instituições e pelo Comitê Nacional de Ética em Pesquisa, que é chamada Conep, no Ministério da Saúde, que também deu a sua aprovação depois de lido, entendido todos os detalhes do estudo, tirando todas as suas dúvidas esse tema é assinado, uma cópia fica com o voluntário, uma cópia fica com a equipe de pesquisa, aí o participante vai fazer um teste rápido para saber se ele tem anticorpos tipo IGG ou tipo IGM, que denotaria que essa pessoa já teria sido exposta anteriormente ao novo coronavírus. Para essas pessoas não vai ser possível participar, porque eles já provavelmente desenvolveram uma defesa, então, a gente concentra nas pessoas que potencialmente não viram o vírus ainda para receber a vacina ou o placebo. Depois disso é feita uma avaliação clínica, uma avalia&cce dil;ão em exame clínico de entrevista, preenchidos todos os critérios, recebe-se a dose. São duas doses da vacina, uma dose de meio ml feita naquele momento, uma segunda dose feita 14 dias depois, e aí as pessoas vão ser seguidas depois disso com aqueles detalhes que eu mencionei. Como são 11 centros, quase nove... 12 centros, quase 9 mil voluntários, não é um processo que se faz em um período tão curto. Então, a gente colocou esses noventa dias que seria mais ou menos o período onde todos os 11 iam acolher todos esses quase 9 mil voluntários, fazer essas duas doses de vacinação, checar a segurança das duas doses, a tolerabilidade, e é por isso que se dá esse intervalo de três meses. Completado esse período, todos esses nove mil voluntários, m etade recebeu vacina, metade recebeu placebo, serão acompanhados ao longo dos meses para ver como é que eles estão indo, e se eles entram em contato com o vírus ou desenvolvem Covid-19.

DIMAS COVAS, DIRETOR DO INSTITUTO BUTANTAN: Governador, eu só queria manifestar aqui, de público, que eu fui o primeiro a me candidatar ao estudo, tá? Falei várias vezes aqui. E o professor Esper me deu a notícia ontem de que eu não fui... não entrei nos critérios, então, eu não estou... não vou participar, porque eu não... não reúne todos os critérios, então, não serei o primeiro a ser vacinado. Mas... E só para aproveitar, governador. Nós assinamos o acordo em junho, tá? A vacina es tá aqui, o estudo clínico se inicia, eu gostaria de... [ininteligível] não comentar, não é? Não cometer nenhuma injustiça. O professor Esper mencionou o Ricardo Palacios e eu gostaria de anunciar mais algumas pessoas: Dr. Alex, e a equipe de Farmacovigilância que é fundamental para esse estudo. O pessoal de compras e de negócios que conseguiram trazer, e importação, que conseguiram trazer essa vacina em tempo recorde. E o nosso departamento jurídico que trabalha intensamente na confecção desses acordos, não é? Gostaria de agradecer a essas pessoas de público.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Dr. Dimas. Obrigado, Dr. Esper. Vamos agora a última pergunta, que é do jornalista William Kury, da GloboNews. Will, eu queria agradecer também à Sabina Simonato, da TV Globo, que fez várias intervenções aqui direto para o jornalismo da TV Globo. E agora, você, Will, fala pela GloboNews, por favor.

WILLIAM KURY, REPÓRTER: Boa tarde a todos! Hoje teve a publicação do resultado preliminar da vacina de Oxford, dizendo que ela, nas fases iniciais, ela foi segura, e induz à resposta imune. Teve um outro grupo de estudos de uma vacina, de uma outra vacina chinesa produzida por militares na China, não é essa mesma que vai ser testada aqui em São Paulo, que também disse que é uma vacina que nas fases 1 e 2 se mostrou segura e que induz à resposta imune. Eu queria saber da vacina CoronaVac, se já houve uma análise das fases 1 e 2? E se &eacut e; possível dizer também, pelos dados, que ela é segura e que também reduz (sic) à resposta imune da mesma forma que a vacina de Oxford e a outra vacina chinesa. Obrigado.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Will. Responde Dimas Covas.

DIMAS COVAS, DIRETOR DO INSTITUTO BUTANTAN: Bem, Will, para o estudo clínico de fase 3 ser aprovado, toda a documentação que vai desde a fase inicial de estudos laboratoriais, estudos em animais, fase 1, fase 2, foi apresentada a nossa Anvisa, não é? Então todos esses resultados eles foram analisados e levaram a autorização para prosseguir para a fase 3. Então, essa vacina, CoronaVac, ela apresentou estudos de eficiência em macacos que foram desafiadores. Quer dizer, os macacos, além de terem sido vacinados, eles receberam o coronavírus dir etamente nas suas vias respiratórias, e foram protegidos. Na fase 1, 144 chineses foram testados, em termos de efeitos colaterais, segurança, não é? Então, a fase 1 concluiu que a vacina poderia prosseguir para a fase 2. Seiscentos chineses na fase 2 do estudo, mostrando o desenvolvimento de anticorpos neutralizantes e, portanto, protetores, em mais de 90% desses indivíduos vacinados. E, portanto, agora entramos na fase 3, como consequência dos resultados dessas fases anteriores. Então, isso é o que se espera do desenvolvimento clínico de uma vacina, então, a obediência a essas fases diferentes, ok?

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito bem. Obrigado, Dimas Covas. William Kury, muito obrigado também pela pergunta. Com isso, nós concluímos a coletiva de hoje. Quero convidar os jornalistas e informá-los também que amanhã nós teremos uma... duas coletivas de imprensa, uma breve no Hospital das Clínicas, às 11 horas da manhã, onde estarão os voluntários recebendo a vacina neste centro de excelência que é o complexo do Hospital das Clínicas, e às 11h45 a coletiva de impr ensa da Saúde, aqui no Palácio dos Bandeirantes, com o informe especial, e dado a um informe especial, eu, amanhã, também estarei participando excepcionalmente. Muito obrigado a todos, se protejam, usem máscaras, distanciamento social, um metro e meio em relação a outras pessoas, usem álcool gel, lavem suas mãos com constância. Muito obrigado, boa tarde e até amanhã.