Coletiva - Governo de São Paulo lança plano hospitalar para enfrentar novo coronavírus 20202802

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Coletiva - Governo de São Paulo lança plano hospitalar para enfrentar novo coronavírus

Local: Capital - Data: Fevereiro 28/02/2020

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JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Pessoal, bom dia, e boa tarde. Esta coletiva de imprensa vai tratar de um único tema, que é o tema da saúde, Coronavírus, conforme tínhamos anunciado ontem no mesmo encontro que fizemos aqui com a presença do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta. Aqui à mesa: Rodrigo Garcia, secretário de governo e vice-governador do estado de São Paulo; José Germann, secretário da Saúde; Cleber Mata, secretário da comunicação; David Uip, coordenador do Centro de Contingência do COVID, médico infectologista, e ex-secretário da Saúde do estado de São Paulo; Helena Sato, diretora do Centro de Vigilância Epidemiológica da Secretaria da Saúde do estado de São Paulo; Dimas Covas, diretor do Instituto Butantã; Paulo Meneses, coordenador do Centro de Operações Emergenciais e Controle de Doenças, da Secretaria de Saúde do estado; e Esper Kallas, infectologista do Hospital de Clínicas, e também integrante do Centro de Contingência do COVID, que tem o doutor David Uip como coordenador no estado de São Paulo, sempre sob a liderança do secretário José Henrique Germann. Também presentes aqui, não à mesa, por falta de espaço apenas: Henrique Meirelles, secretário da Fazenda; Rossieli Soares, secretário da Educação; General Campos, secretário de Segurança Pública do estado de São Paulo, a quem agradeço igualmente pela presença. Quero no início desse briefing, dizer que o governo do estado está liberando R$ 30 milhões para o programa de combate ao Coronavírus, tanto na informação, como na ação efetiva, para a informação a liberação de R$ 14 milhões para uma campanha, que começa na próxima semana, sobre a qual vamos falar hoje aqui, destinada a orientar as pessoas, aos brasileiros de São Paulo, em relação ao tema da pandemia, como se comportar, o que evitar, o que não é problema, orientações que serão apresentadas sob a liderança deste centro de contingência, e sob a orientação direta do doutor David Uip. Um dos fatores mais importantes, esse é um aprendizado, inclusive de outros países, é a comunicação, é a informação, para que a população possa ter tranquilidade, não ter pânico, principalmente mães, eu percebi nesses últimos três dias um certo temor generalizado de mães, de crianças e adolescentes, em relação ao Coronavírus, a informação ajuda a serenar, equilibrar e informar corretamente sobre a doença, e como evitá-la. E aí faço o mesmo apelo que fiz ontem, aliás, quero cumprimentar todas as matérias, aqui está falando mais o jornalista do que o governador, todas as matérias que foram veiculadas ontem em televisão e rádios, e que foram veiculadas também em jornais, tanto na versão eletrônica, digital, quanto na versão impressa, todas muito corretas da coletiva de ontem. Eu queria agradecer. A informação correta neste momento é fundamental, uma informação incompleta, e que por ser incompleta pode dar a interpretação de uma incorreção, pode provocar temor, pânico, uma busca desenfreada por assistência técnica em Postos de Saúde municipais e estaduais, desnecessariamente. Então renovo o apelo para que possamos ter informações completas, como ocorreu ontem, portanto, estão de parabéns os veículos que aqui estiveram, vários estão novamente aqui, e por favor, se tiverem dúvidas, nós estávamos aqui exatamente para atender, elucidar, para que a gente informação seja absolutamente completa. Além desses R$ 30 milhões, dos quais, R$ 14, repito, são para comunicação, R$ 16, para apoio operacional à secretaria da saúde, ao que for necessário, e sempre sob a coordenação deste núcleo que nós denominamos centro de contingência para o COVID, sob a coordenação do doutor David Uip, para que ele tenha também entre cursos e condições operativas para agir, não só na informação, como agir também na ação. Foi o primeiro estado a estabelecer um grupo de trabalho que é composto por vários médicos, dois dos quais estão aqui à mesa, o seu coordenador, doutor David Uip, e o doutor Esper, que é infectologista do Hospital de Clínicas, e isso nos ajuda a manter a informação correta, e interpretação bem administrada, que foi objeto de elogio ontem do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta. Também vocês terão a informação do doutor David Uip na sequência, sobre o Hospital de Clínicas, um plano de ação contra pandemias para pacientes que possam estar sob análise, ou eventualmente com o Coronavírus, só temos um neste momento, esperamos não ter novos casos, mas estamos absolutamente preparados para isso. Quero também destacar o que foi mencionado e exaltado ontem pelo ministro Luiz Henrique Mandetta, o Instituto Adolfo Lutz de São Paulo, em menos de quatro horas fez a confirmação do Coronavírus, com o tempo recorde, mas com ciência absoluta para a confirmação do caso, e lembro que hoje os jornais brasileiros, os principais jornais brasileiros reproduziram um tema de uma constatação feita na Califórnia, onde levaram quatro dias para terem a confirmação de um paciente norte-americano na Califórnia, portador do Coronavírus, foram quatro dias, nós fizemos aqui em quatro horas, pelo Instituto Adolfo Lutz. Também estamos lançando a cartilha de orientação e prevenção do Coronavírus, em cinco idiomas, português, inglês, espanhol, italiano e chinês, na versão impressa e eletrônica, essa cartilha estará sendo distribuída já na próxima semana, e acessível por qualquer cidadão via internet para reprodução, multiplicação ou uso ilimitado com orientações e informações escritas e visuais para as pessoas, a população de forma geral, e também passageiros de voos internacionais para São Paulo, nós vamos disponibilizar através da ABEAR - Associação Brasileira das Empresas Aéreas, tanto as companhias brasileiras, quanto as internacionais que tem voos para São Paulo. Lembrando que o Aeroporto Internacional de Guarulhos é o maior aeroporto do país, maior aeroporto da América Latina, e igualmente a disponibilização dessa cartilha eletrônica e impressa para o Porto de Santos, no terminal de passageiros, e no terminal de cargas também, do Porto de Santos, que também é o maior porto do país e da América Latina. E por último, lembrar o que já anunciamos ontem que definimos na reunião tida aqui no Palácio dos Bandeirantes, a antecipação da produção de vacinas, e isso se deve fundamentalmente a um esforço do Instituto Butantã, o Dimas Covas, que é o presidente do Instituto, disponibilizou em tempo recorde também, a produção de vacinas contra a gripe, isso ajuda e ela vai ser ampliada para 75 milhões de doses em 2020, e foi objeto do anúncio feito ontem pelo ministro. Mas foi uma decisão extraída da reunião que antecedeu a coletiva de imprensa ontem aqui em São Paulo. Essas eram as informações iniciais, de briefing para vocês. E nesse momento passo a palavra ao doutor David Uip, que é o coordenador deste núcleo que nós denominamos Centro de Contingência para o Coronavírus. Doutor David Uip, por favor.

DAVID UIP, MÉDICO INFECTOLOGISTA: Muito bom dia, muito obrigado, governador. Eu acho que essa entrevista coletiva é fundamental para que nós consigamos transmitir para vocês, e vocês para a sociedade, as informações atualizadas do Coronavírus. É muito importante que essa informação tenha a qualidade e a exatidão do que nós estamos falando. Eu ontem talvez não tenha me explicado da forma mais adequada, mas eu vou reiterar isso, porque é muito importante, nós vamos começar o estudo de vacinas a partir daqui dois, três meses nos Estados Unidos, liderado pelo [Ininteligível], não é o estado de São Paulo que vai promover esse estudo científico. O Butantã faz parte de um esforço mundial da busca da nova vacina. Mas o ensaio inicial é através do [Ininteligível], é um órgão de ponta americano, em Washington, liderado pelo doutor Antony Falce. Então um dado importante, para os senhores, por favor, reiterarem. Porque ontem chegou a informação, e foi muito difícil nós corrigirmos que a iniciativa era da Secretaria de Estado da Saúde, não é isso. Então a iniciativa é americana, e nós vamos estar associados ao esforço. Esse é um ponto muito importante. O segundo, governador, é que é fundamental a participação da imprensa em termos de diminuir expectativas. Não é possível que nós consigamos evitar a transmissão de uma doença viral, nós fazemos o melhor, da melhor forma, do melhor jeito, com a qualidade técnica, esse grupo que o governador e o secretário me deram a honra de liderar, são profissionais muito gabaritados, muito experientes, que vão estar voltados não só para o embate com o coronavírus mas nós vamos dar um tom, governador, científico para isso. Nas grandes crises o cientista aproveita e evolui, aprende. Então esse grupo tem um perfil, e o professor Esper Kallás ele vai fazer parte disso, é um grande pesquisador, nós vamos dar o tom de pesquisa científica. Por dois motivos, primeiro que você avança na ciência, e o segundo, porque você participa dos ensaios clínicos mundiais. A semelhança do que nós fizemos na terapêutica antirretroviral para AIDS, o Brasil foi o país que mais incluiu voluntários nos estudos dos novos medicamentos, liderado pelo estado de São Paulo. Para você ter uma ideia, em um protocolo competitivo os Estados Unidos incluíram 170 pacientes, novos no estado de São Paulo, quase mil pacientes, isso foi determinante para a descoberta dos antirretrovirais. A semelhança do que nós fizemos no passado nós vamos fazer agora com grande ensaio científico em busca de soluções, tanto do ponto de vista terapêutico, como também de prevenção por vacina. E o entendimento da imunofisiopatogenia desta nova virose, ou de um novo vírus, a virose é conhecida. Então do ponto de vista inicial, quero também anunciar, governador, o secretário convocou uma reunião para terça-feira com todos os integrantes deste centro recém-criado. Então na terça-feira às 11h, na secretaria nós estaremos fazendo uma reunião formal, nós já estamos conversando pessoalmente com cada um, mas terça-feira às 11h uma reunião formal, já uma reunião de trabalho e deliberativa. Muito obrigado. Depois talvez o Flávio possa passar os nomes, para eu anunciar os nomes de todos os integrantes do centro.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Para que possamos nominá-los e qualificá-los. Pois não, Germann, antes de abrir para perguntas.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DE SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Eu só queria dar um informe aqui, que me parece significativo, ontem a informação a respeito das pessoas suspeitas existia três membros da família do empresário que deu confirmado, hoje essas três pessoas foram excluídas laboratorialmente. Acho que esse é um dado bastante importante aí dentro desta conotação que estamos colocando a respeito de isolamento. Obrigado.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito bem, feito o briefing, e também dado ao volume de perguntas, hoje obviamente nós não estabelecemos a média de cinco perguntas, nós abrimos à mais. E vamos começar com a Globo News, Guilherme Balza. Obrigado pela sua presença. Boa tarde, sua pergunta, por favor.

GUILHERME BALZA, REPÓRTER: Boa tarde, governador. Boa tarde, a todos. Eu queria mais detalhamento de como que vai ser essa campanha, o material que vai ser produzido. Esses R$ 16 milhões de gastos operacionais, como que ele vai ser utilizado, e também os números atualizados de casos suspeitos etc.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito bem, são três perguntas em uma. Do ponto de vista de comunicação, os R$ 14 milhões serão investidos na produção, na veiculação, e impressão de material. Veiculação a utilização de rádio e televisão, que são veículos massivos importantes para permear à toda população, a campanha começa na semana que vem, provavelmente na terça-feira, o secretário Cleber pode confirmar, sexta-feira à noite ela já estará sendo veiculada, estamos considerando duas semanas, 14 dias de veiculação, que dá uma cobertura plena, potencial, mais de 40 milhões de pessoas, em um estado que tem 46 milhões de habitantes. E complementada por rádio, que é um veículo que permeia muito bem, atende a população, principalmente a população de baixa renda, ou a população de desempregados, que tem o acesso ao rádio de forma mais democrática também. Então com isso nós estaremos atendendo potencialmente, quase que a totalidade da população do estado. E os materiais impressos e digitais que foram aqui anunciados, que são as cartilhas de orientação que já estão formuladas, fisicamente, revisadas por este centro de contingência, especificamente pelo doutor David Uip. Aliás, nós não fazemos nenhum movimento aqui sem a orientação e aprovação prévia desse centro de contingência, por isso é que temos os melhores especialistas, Guilherme, pró-bono, evidentemente, todos estão trabalhando gratuitamente para oferecer condições adequadas e iniciativas inclusive na área de comunicação. Do ponto de vista dos R$ 16 milhões, as decisões serão feitas de acordo com as necessidades, a contingência é contingência, a necessidade que este núcleo denominado centro de contingência do COVID-19, ele demandará ao secretário da Saúde, o doutor Germann, que tem um recurso disponível pela secretaria de governo, para fazer uso dele, e dada a circunstância emergencial. Então aquilo que a necessidade empreender, a resposta será dada do ponto de vista de recurso. Cleber, quer fazer alguma observação complementar? Antes de passarmos para a próxima pergunta.

CLEBER MATA, SECRETÁRIO DE COMUNICAÇÃO DO ESTADO DE SÃO PAULO: Só para dizer que nós colocamos no portal do governo, que é o saopaulo.sp.gov.br, tem uma cartilha digital, e agora a ideia é que a gente faça uma reunião semana que vem com os prefeitos, para que as prefeituras também comecem a disseminar esse conteúdo. O secretário da Educação que está aqui em conjunto conosco, decidiu fazer uma semana da conscientização sobre os cuidados para se evitar o Coronavírus na rede estadual. Nós conversamos ontem com a ABEAR, que é Associação Brasileira de Empresas Aéreas, que vai nos ajudar a potencializar e disseminar esse material nos voos que chegam em São Paulo. Para vocês terem uma ideia, são 150 voos por semana, só que ligam São Paulo à Europa. E a campanha começa na terça-feira, como o governador falou, em todas as plataformas, rede de televisão, de forma massiva, e até para orientar. Dizer que comunicação nesse momento é a principal aliada para evitar a fake news. E no portal do governo, se vocês depois podem acessar, nós tomamos um cuidado de criar um central de combate à fake news, com informações, aliás, agradecer de público à doutora Elisabeth Helena Sato, que hoje 5h30min estava revisando esse material junto conosco, e quanto mais informação menos poluição aí na vida das pessoas. É isso.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Germann.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DE SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Ok. Ontem eram 85, hoje são 66 casos suspeitos, que eu só enfatizei a saída daqueles três da família.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Ok. Espera um minutinho só, vamos parte a parte. Pois não.

REPÓRTER: [Ininteligível]?

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DE SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Exato.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Excluídos. E complementando, para passarmos para a próxima pergunta, a ação de comunicação envolve também o metrô, o metroviário, e os trens da CPTM, que também serão atingidos nos seus canais de comunicação, são canais de vídeo, não é material impresso, para os usuários do metrô, e do sistema de Transporte Metropolitano, isso a quarta-feira da próxima semana, a partir do dia 4 de março. Vamos à próxima pergunta, é do jornalista Giba Bergamim, da TV Globo. Obrigado pela presença, sua pergunta, por favor.

GIBA BERGAMIM, REPÓRTER: Muito boa tarde, a todos. Obrigado. Eu sei que isso deve ser divulgado provavelmente na cartilha, e nesse programa de divulgação que deve começar. Até queria saber exatamente quando começa esse programa de divulgação, que esses R$ 14 milhões vão ser utilizados? Talvez o Cleber possa responder isso. Mas já aproveitando, aquela dúvida que as pessoas vão ter já desde já, e eu acho que vão ser esclarecidas na campanha, qual deve ser a porta de entrada? Especialmente nos casos de sintomas leves, e aqueles com ou sem relação com os países que a gente sabe que tem a maior quantidade de casos. Aquela coisa, vai para a Unidade Básica de Saúde, vai para a UPA, vai para o hospital. Em casos de pessoas com sintomas aí fora do grupo, eventualmente de risco, idoso, doença prévia, problemas pulmonares, essas pessoas procuram os hospitais também, até dentro dessa lógica de ter ou não pânico, para evitar o pânico. E a gente leu recentemente que na Tailândia para combater o Coronavírus usou-se, por exemplo, coquetéis antivirais, do combate à AIDS, são exames caros, não sei se isso vai entrar dentro desses R$ 16 milhões do programa de combate, se esse método vai ser utilizado. Enfim, eu não sei se isso está exatamente na campanha que está sendo divulgada agora. Mas são perguntas pertinentes que nos fazem. Muito obrigado a todos.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Giba. Eu vou dividir as respostas com o secretário Cleber Mata, e com o doutor David Uip. Cleber, do ponto de vista de comunicação, a resposta ao jornalista Giba Bergamim, sobre o início da campanha, que na verdade, já teve início, mas eu vou deixar você a informação completa. Por favor.

CLEBER MATA, SECRETÁRIO DE COMUNICAÇÃO DO ESTADO DE SÃO PAULO: Exato. Giba, primeiro obrigado pela pergunta. A campanha em si ela já teve início, hoje a gente começa a disseminar essa cartilha virtual, que já está no portal do governo. Nossos secretários hoje, boa parte deles passaram a manhã gravando vídeos para no caso específico da Secretaria da Educação, esses vídeos serão disseminados para a rede, o secretário, por exemplo, de Turismo, também, ele gravou um vídeo explicando. Enfim, quanto mais porta-vozes a gente tiver para disseminar a informação do bem, menor a confusão do ponto de vista aí para a população. Na prática, a campanha já está no ar, se vocês entrarem no portal do governo, vai ter lá uma aba do Coronavírus, tem toda a cartilha lá. O que é importante, a nossa ideia agora é que a sociedade civil que nos procurou e tudo o mais, pegue esse material e espalhe isso, porque quanto mais informação, volto a reiterar, menos confusão na vida [ininteligível] que ele vive em São Paulo.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: E do ponto de vista da campanha, Giba, aproveitando para complementar também a pergunta do seu colega Guilherme [ininteligível], nós, na terça-feira, estaremos já no ar na televisão, canais abertos, canais fechados e também nas emissoras de rádio. E o porta-voz da campanha, a voz e o porta-voz da campanha será o Dr. David Uip. É preciso ter uma pessoa com credibilidade, confiança, um infectologista de renome internacional que será o nosso porta-voz e faremos tantas comunicações quanto necessárias. A velocidade e a qualidade da informação serão priorizadas nesta campanha. Então, de fato, já hoje, no acesso no [ininteligível], a partir de terça-feira nos veículos de comunicação de rádio e televisão. E aproveitar para fazer uma menção, apenas complementando a intervenção feita pelo secretário Cleber, onde nós vamos combater o fake news e o [ininteligível] news. São os dois... não é apenas o fake que é a notícia produzida, às vezes, deliberadamente com má intenção ou com objetivo de criar conturbação na população, mas também a notícia errada, a informação equivocada, que não é exatamente fake, mas ela é errada. Então, a comunicação do governo de São Paulo vai dar uma demonstração clara de como essa informação correta deve ser absorvida pela população. E ninguém melhor do que o próprio Dr. David Uip para fazer essa comunicação nos meios de midia que vamos utilizar. E falando em David Uip, passo a palavra a ele para a segunda parte das perguntas do jornalista Giba Bergamim.

DAVID UIP, MÉDICO INFECTOLOGISTA: Vou começar respondendo a [ininteligível] do atendimento. Paciente com poucos sintomas deve ficar em casa, não tem que procurar serviço de saúde, tossiu, espirrou, teve febrinha, fica em casa. Quando é que ele deve procurar o serviço de saúde? Quando ele estiver um desconforto maior. A febre voltou, se prolongou mais de 48 horas, ele deve procurar, talvez tenha um processo bacteriano. Atenção especial para os grupos mais vulneráveis. Os grupos mais vulneráveis são as pessoas com mais de 60 anos, especificamente com mais de 80 anos e aqueles pacientes com comorbidades: cardíaco crônico ou pulmonar, o nefropata, o diabético, paciente em tratamento oncológico. Esses precisam ser mais cuidadosos e buscar o serviço de saúde se entenderem que há o agravamento desta infecção inicial. Esta hierarquização de atendimento é absolutamente fundamental. O que está acontecendo na China? A China fez um hospital, todos ficaram maravilhados, internalizaram os doentes e o sistema de saúde ruiu. O mundo continua, nós vamos ter as outras doenças que precisam ser atendidas. Então, a hierarquização, a ida e a vinda, são absolutamente fundamentais. Hospital é para doente grave. Eu quero reiterar que o Hospital Albert Einstein fez um atendimento primoroso nesse primeiro caso. Rápido diagnóstico, confirmado no Adolfo Lutz em tempo recorde, como o governador falou. E, na sequência, deu a orientação e encaminhamento que deveria dar. Para [ininteligível], isolamento em casa, é assim que tem que funcionar. Então, esse dado é absolutamente fundamental. O professor [ininteligível] acabou de adicionar uma informação que nesse momento existem 80 estudos em andamento do ponto de vista de medicamento no tratamento do Corona vírus. Alguns desses estudos envolvem drogas antirretrovirais que são utilizadas no tratamento da infecção pelo HIV, outros são drogas anti-inflamatórias. Esse grupo, por determinação do governador, vai ter toda essa parte de pesquisa científica, porque nós queremos nos envolver nesses protocolos internacionais. Por vários motivos, primeiro porque você vai ter acesso ao que há de mais moderno no mundo, segundo que você vai participar do esforço da solução do problema. Mas vou dar uma boa notícia ao governador e ao Dr. Meirelles e ao secretário, nós vamos buscar os recursos no Ministério da Ciência e Tecnologia que, na minha opinião, é quem cabe financiar essas pesquisas que vão ter o tom de São Paulo, mas vão repercutir para o Brasil inteiro.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado secretário, obrigado Giba. A próxima pergunta é da jornalista Ana Carla Bermudes do UOL. Ana Carla, boa tarde. Sua pergunta por favor.

ANA CARLA BERMUDES, JORNALISTA DO UOL: Boa tarde. São duas perguntas, na verdade. Desses 66 suspeitos, eu queria saber se houve apenas redução da lista, ou seja, se houve uma redução maior e entrou algum novo suspeito? Se essas pessoas elas tinham sintomas ou se elas são consideradas suspeitas por terem tido contato com aquele empresário? E a minha outra pergunta é o que é que vai acontecer com quem chegar de avião da Itália na semana que vem? O UOL fez um levantamento, então, está previsto chegar mais de 8 mil pessoas de lá de fora em São Paulo, na próxima semana. Essas pessoas vão ser controladas de alguma forma? Vai ter uma inspeção mais rígida nos aeroportos? Elas vão receber recomendações de ficar em casa? Enfim, o que é que vai ser feito com relação a esse tratamento? Obrigada.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado Ana Carla. Eu vou pedir ao secretário José Henrique Germann que responda, com comentários do Dr. David Uip. Mas lembrando que nós temos uma ação federal, o governo federal, através do Ministério da Saúde e da Anvisa têm uma responsabilidade expressiva nesse processo. Aliás, na presença ontem do ministro foi prova disso, de uma ação bem articulada entre o governo federal e governo estadual. Embora não tivéssemos aqui a presença do diretor geral da Anvisa, mas estou seguro de que a Anvisa cumprirá o seu papel, principalmente no campo aeroportuário, que é responsabilidade específica da Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Dr. José Henrique Germann, com comentários do Dr. David Uip.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO ESTADUAL DA SAÚDE DE SÃO PAULO: De fato, não é só uma diminuição de casos. Então, a Dra. Helena Sato vai especificar o que é que aconteceu com cada segmento aqui.

HELENA SATO, DIRETORA DE IMUNIZAÇÃO DA SECRETARIA DA SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Olá, bom dia a todos. Então, vamos lá. Até ontem nós tínhamos 85 casos suspeitos, tá? Só que isso tudo é muito dinâmico, entram os suspeitos, mas aí temos os casos que estão em acompanhamento, temos os casos descartados, então, resumindo, dos 85 casos suspeitos notificados, neste momento, nós estamos com 66. Qual é a conta que é feita? Quinze casos, 15 pacientes já foram descartados laboratorialmente, né, porque nós já temos, realizados pelo Lutz, os exames laboratoriais. Vinte de dois foram excluídos porque não preenchiam o critério da OMS. Você se lembra? Quem tem febre, tosse ou coriza nasal e que tenha passado por um dos países elencados pela OMS. E no dia 28 foram incluídos mais 18 suspeitos. Então, resumidamente, neste momento nós estamos acompanhando 66 casos suspeitos, ok?

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito bem. Dr. David.

DAVID UIP, MÉDICO INFECTOLOGISTA: Ontem, a responsável [ininteligível] esteve presente na reunião que o senhor estava presente junto com o ministro, então, a Luísa está acompanhando junto conosco. Tem o mundo ideal e tem o mundo possível. Eu tenho dificuldades em imaginar que possa haver um controle absoluto sobre chegada de todos os voos e de todos os navios, especialmente nessa fase do ano. E também nós temos que discutir um pouquinho a pertinência de tudo isso. Quer dizer, como é que você faz um controle? É por temperatura? Por quanto tempo vale? Se tira uma temperatura, ela reflete aquele segundo. O indivíduo pode estar incubando esse vírus há 14 dias. Ele já era transmissor, continua transmissor e sem sintomas. Então, nós temos que ter um pouco de cuidado, entendendo o que é possível e o que é real. Eu tenho um pouco de dúvidas da efetividade dessas possibilidades, como eu tenho total dúvida a respeito de quarentena. Eu acho que são momentos. Enquanto nós estamos falando de um caso, 10 casos, é uma história. Se... tomara que não aconteça nada disso, mas centenas de milhares, você não tem como controlar isso. A outra coisa que eu quero expressar também a minha preocupação é que não há a possibilidade de você evitar a entrada de um vírus desse, você minimiza o que vai acontecer, você se prepara, você contingencia. É isso que o governo do estado está fazendo. Inclusive, ontem, eu quero ressaltar a importância da decisão que foi tomada aqui junto do governo, do governo do estado e o governo federal, da antecipação da vacina da gripe. Isto é absolutamente fundamental. Mérito do Instituto Butantã que está produzindo o recorde de produção e num tempo que nunca fez antes, com entrega nos primeiros dias de março. Então, nós temos que colocar bem as coisas para diminuir a expectativas. É impossível controlar a chegada de brasileiros que voltam e de turistas que chegam ao Brasil. É o que é o melhor, o que é possível e assim vai ser feito.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado Dr. David Uip. Antes da próxima pergunta que será do Leandro Amaral, do Repórter Diário, eu queria dar o nome dos integrantes do centro de contingência. São nove membros sob a coordenação do Dr. Davi Uip, infectologista. Os seus membros são: Dimas Covas que está aqui a Mesa, que é presidente do instituto Butantã; Marcos Boulos do Hospital das Clínicas, Dr. Esper Kallás que está aqui presente, do Hospital das Clínicas, Dr. Luiz Fernando Aranha do Hospital Albert Einstein, Dr. Carlos Fortaleza, do Hospital de Clínicas de Botucatu; Doutor Benedito Maciel, do Hospital de Clínicas de Ribeirão Preto; Doutora Beatriz Tess, da Universidade de São Paulo; E doutor Luiz Carlos Pereira, do hospital Emílio Ribas. Portanto, doutor David Uip e oito membros, Dimas Covas, presidente do Instituto Butantã, Marcos Boulos, do Hospital de Clínicas, Esper Kallás, do Hospital de Clínicas, Luiz Fernando Aranha, Hospital Albert Einstein, todos são médicos, Carlos Fortaleza, Hospital de Clínicas de Botucatu, Benedito Maciel, do Hospital de Clínicas de Ribeirão Preto, Beatriz Tess, da Universidade de São Paulo, e Luiz Carlos Pereira, do Emílio Ribas. Vamos agora à quarta pergunta, o quarto veículo de comunicação, jornalista Leandro Amaral, repórter do Diário. Boa tarde, sua pergunta, por favor.

LEANDRO AMARAL, REPÓRTER: Boa tarde, governador. Boa tarde, a todos os secretários. Governador, são três, mas bem rapidamente. Primeiro, dentro desses R$ 16 milhões que o senhor acaba de anunciar, tem verba prevista para auxiliar os municípios a adquirirem a fazer a compra de insumos para atendimento e coleta dos exames no dia a dia? Segundo o secretário Cleber Mata, falou de uma reunião com os prefeitos. Todos os prefeitos estarão presentes? Qual que vai ser a dinâmica dessa reunião? O objetivo dessa reunião? E especificamente ao doutor David Uip, que ele explicasse mais tecnicamente esse olhar cético em relação à quarentena. Obrigado.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Ok. Obrigado, Leandro. Eu vou passar ao Cleber Mata, para responder em relação aos prefeitos, discutimos agora há pouco na reunião de secretariado este tema com o secretário de Desenvolvimento Regional, Marco Antônio Vinholi, as ações que serão feitas em apoio aos prefeitos, até porque, em todas as reuniões de secretariado nós temos a presença de três prefeitos convidados, representando o municipalismo, são sempre prefeitos que não são os mesmos, nós trocamos, para exatamente permitir uma ação mais eficiente e capilarizada com os prefeitos. E aí voltamos para complementariedade da resposta com o doutor David Uip. Cleber, por favor. Quer fazer o uso da palavra o secretário José Henrique Germann.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DE SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Então, nós vamos fazer uma ação junto aos prefeitos de todos os municípios, eles devem vir aqui à São Paulo, nós estamos marcando a data, devem achá-los o secretário ou a secretária de Saúde e o pessoal de comunicação. Para que a gente possa passar essas orientações e tirar dúvidas. Este é a principal finalidade desta reunião. E se for preciso faremos mais de uma, de acordo como ocorrera a primeira reunião. Para a semana que vem agora nós devemos estar marcando.

LEANDRO AMARAL, REPÓRTER: Aqui no Palácio mesmo?

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DE SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Exato.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Posso até fazer uma sugestão, doutor Germann? Já fixar a data de quarta-feira, dia 4 de março, é tão importante que qualquer prefeito que tem agenda ele vai ter que modificar a sua agenda para estar presente aqui. Então eu vou sugerir fazer a reunião na quarta-feira às 11h da manhã, é tempo suficiente para viagem, de quem está a 600 ou 700 quilômetros, ou mais próximo de São Paulo. Então na quarta-feira, dia 4 de março, às 11h.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DE SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Está marcada da reunião.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: E aproveitar a oportunidade, estamos com os veículos de comunicação aqui, ajudam a difundir, e é tempo suficiente para que todos possam se preparar e se organizar, e já teremos o início da campanha inclusive na terça-feira anterior, o dia 3 de março. Cleber.

CLEBER MATA, SECRETÁRIO DE COMUNICAÇÃO DO ESTADO DE SÃO PAULO: Só um adendo, governador, nós montamos uma rede, então nós temos hoje um banco de dados com a comunicação de todos os municípios. Então eu dou um play aqui, todo mundo, lá em Prudente o cara recebe toda a informação. Esse pessoal também vai ser convidado para que disseminem esse nosso material.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Ok. E a Regina e a equipe já preparem também aqui no auditório Ulisses Guimarães o receptivo para essa reunião. David Uip.

DAVID UIP, MÉDICO INFECTOLOGISTA: Eu vou começar com a macro quarentena. A China ficou isolada, o que aconteceu, os chineses foram para os Estados Unidos. Então hoje nós sabemos que o vírus na Califórnia está circulando desde novembro graças à ida de chineses para os Estados Unidos. A mesma coisa na Itália, fechou-se um setor, os italianos foram para outros locais, e deu no que deu. Terceiro exemplo, navio japonês, tinha um contaminado positivo, o navio ficou isolado, fechado, com 700 contaminados. Então precisa ter cuidado com a quarentena. Como é que você vai fazer quarentena para um indivíduo que está encubando o vírus? Agora essa chegada desse brasileiro, a COVISA e a Secretaria de Saúde do estado fizeram a lição de casa perfeita, mas este brasileiro ele foi muito perspicaz, porque ele chegou sem sintomas, teve um almoço de 30 pessoas, ele foi procurar o hospital nos primeiros sintomas. Normalmente ninguém iria ao hospital com tosse e febre baixa, e o hospital deu o atendimento que deveria. Agora, como é que você recupera os 30 indivíduos que tiveram contato com ele no primeiro momento, e na sequência tiveram contato com mais dezenas e centenas de pessoas? Então, tem uma característica especial nesse indivíduo, que é um período de encubação de 14 dias, aonde o indivíduo não manifesta sintomas e transmite a doença. Então quarentena com cuidado. Nós vamos fazer o possível, na hora que isso virar centenas, como é que você faz quarentena? Então eu estou preocupado, governador, porque ontem, eu tenho certeza que todos nós estamos respondendo perguntas de diretores de escolas de São Paulo, será prudente que todos os alunos que voltassem da Europa ficarem de quarentena. Primeiro, o governador falou isso, e eu acho que tem que ficar muito claro, política pública, decisão, é Federal, é Ministério da Saúde, se cada um começar a fazer o que quer, isso acaba mal. Então tem o ministro, tem o ministério que é responsável por essa decisão política e de ação pública. Então essa é a orientação. O ministério está muito bem organizado, e está muito bem associado aos estados e aos municípios, a decisão tem que ser pública, não é individual. Então por isso que eu acho que nós temos que ter muito cuidado. E o ministro ontem mostrou isso com toda clareza, ele tem uma percepção exata do que está acontecendo, e o que tem que ser demandado...

REPÓRTER: [Ininteligível]?

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Sim, e se necessário for aumentaremos os recursos, a resposta é sim. Leandro, obrigado pelas perguntas. Dado o adiantado da hora, nós temos mais quatro veículos de comunicação, se puderem formularem uma pergunta, considerando o conjunto de perguntas que já foram feitas aqui, agilizamos um pouquinho. Próximo veículo é o portal G1, Patrícia Figueiredo. Boa tarde, obrigado pela presença, sua pergunta, por favor.

PATRÍCIA FIGUEIREDO, REPÓRTER: Vou tentar fazer uma só, mas são duas, na verdade. Gostaria de entender, ontem foi dito que eram dois familiares que estavam entre os casos suspeitos, agora vocês disseram que eram três, e os casos foram descartados. Queria entender essa divergência de informações. E a minha pergunta para o David Uip e para a Helena Sato, qual que é o quadro clínico atual do caso confirmado, tem sintomas ainda? Uma vez que ele não tenha mais sintomas ele vai ser liberado da quarentena, ou vai ficar mais alguns dias? Quais sintomas ele tem? O que vocês podem contar para a gente.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Patrícia. Vou dividir a resposta com o secretário José Henrique Germann e com a doutra Helena Sato. Germann.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DE SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: A informação que foi dada ontem é que eram três, em nenhum momento tivemos esses dois casos, que de repente passou para três. Talvez quando você ficou sabendo, ainda não era informação oficial, ela sempre sai às 16h. Isso que nós fizemos aqui hoje foi um certo adiantamento do estado de São Paulo, mas o ministério só o teste de informação, às 16h para o Brasil inteiro. Então hoje vão dizer que tem X do Brasil, sendo os 40 e poucos que aqui do estado de São Paulo. Isso, ok, exatamente. Tá bom? É assim que é feito.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Helena, quer complementar? Tá ok? Então tá bom. Pois não, doutor David Uip.

DAVID UIP, MÉDICO INFECTOLOGISTA: A última informação que nós temos é que o paciente está muito bem, e ele sairá da quarentena assim que terminar os sintomas clínicos.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Patrícia, obrigado. O próximo veículo é a TV Record, jornalista Cláudia Reis. Boa tarde, sua pergunta, por favor.

CLÁUDIA REIS, REPÓRTER: Olá, boa tarde. Obrigada. Eram três, mas enfim... A gente queria esclarecer ao público da Record, principalmente, a gente queria saber em relação, vocês falaram agora pouco das escolas, que é Federal, né? Enfim, eu queria que vocês me dissessem recomendações que podem ser dadas para os pais que tem filhos, como você falou agora no início, as mães estão muito preocupadas. Que recomendações podem ser feitas para as crianças que estão frequentando as escolas? Gostaríamos de saber também em relação a transporte público, que recomendações essas pessoas podem ter? E, doutor David, eu queria que o senhor explicasse para onde as pessoas devem se encaminhar, é UBS? Obrigada.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Cláudia, obrigado pelas... São três perguntas, mas elas são elucidativas, são importantes. A recomendação para mães e escolas, isso o doutor David Uip, aliás, as três perguntas ele vai responder. Também transporte público, e igualmente onde as pessoas, quando e onde devem acessar. Doutor David Uip.

DAVID UIP, MÉDICO INFECTOLOGISTA: Primeiro, que não há qualquer recomendação de recessão de ida e vinda, muito menos de permanência, de assistência de aulas, insisto que se isso houver é uma decisão Federal para atingir todos os estados. Segundo ponto, metrô, ônibus, boas medidas higiênicas, vai espirar, vai tossir, lenço e papel descartável, se não tiver, não põe a mão, o braço. Lavar as mãos com frequência, álcool em gel é importante tanto quanto água e sabão, o efeito é o mesmo. Para falar a verdade, são boas medidas de etiqueta de educação, agora nós estamos inventando, governador, etiqueta Coronavírus, que é uma etiqueta especial, mas na verdade, reflete o que nós devemos fazer no dia a dia, são medidas que são preventivas. Lembrando que nesse momento nós temos um caso no Brasil, se isso tomar uma dimensão maior é uma nova conversa, mas o aprendizado é dia a dia com toda cautela. Uma coisa que há muito tempo nós discutimos inclusive com o secretário, nós temos um problema no Brasil que é a nomenclatura, você tem UBS, você tem UPA, você tem AMA, você tem AME, as pessoas elas não conseguem identificar para onde vão. Então eu também tenho dificuldade de explicar o nome, é atenção primária, é o Posto de Saúde, é o programa da saúde da família, é aí que entra no sistema, não é pronto socorro. Pronto socorro é para doente grave. Eu vou insistir em um número, 80% dos pacientes que estão em pronto socorro hoje, em hospitais públicos e privados, não deveriam estar lá, e quem deve estar lá acaba pegando fila porque concorre com paciente que deveria estar em outras unidades.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, doutor David Uip. Cláudia, obrigado pelas perguntas. Próximo veículo e o penúltimo, é a Rádio Bandeirantes, e Band News, Lucas Josino. Lucas, boa tarde, e sua pergunta, por favor.

LUCAS JOSINO, REPÓRTER: Boa tarde, governador. Boa tarde, a todos. Eu insisto nessa questão de aglomerações, que a colega perguntou, sobre metrô, estações, o governo planeja fazer algum plano também, álcool em gel nas estações, alguma coisa assim nesse tipo, em pontos de grande aglomeração na cidade de São Paulo, claro, no estado também?

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Eu respondo, e compartilho com o doutor David Uip. Primeiro, os pontos de aglomeração e transporte público, estações, por exemplo, terminais, embarque e desembarque, nós devemos utilizar os mecanismos de comunicação, informação, elucidação, este é o papel que o governo já definiu e que fará já a partir desta terça-feira, inclusive CPTM e metrô, e vamos também junto com a Prefeitura de São Paulo atender às estações do sistema de ônibus aqui na capital de São Paulo. Em relação a álcool e gel e outros instrumentos, eu passo a palavra a quem conhece, o infectologista, doutor David Uip.

DAVID UIP, MÉDICO INFECTOLOGISTA: A pedido do governador, nós estamos entrando em contato com as indústrias que produzem máscaras e álcool em gel. Para você entender a capacidade de produção, por conta que seguramente vai ser inferior à essa demanda, imagina se nós colocarmos álcool em gel em todos os lugares de aglomeração, não tem produção. Lembrando que muitos desses insumos quem produz é a China, que não está produzindo e não está enviando. Então nós temos que ter o cuidado com as armadilhas de prever algumas coisas que nós não vamos cumprir na frente. Eu insisto, que tão eficiente como álcool em gel é água e sabão, é o hábito de lavar as mãos antes de sair do veículo público, não mais do que isso, não adianta você tentar aqui parar o estado, parar a cidade por conta do que nós temos hoje, nós temos hoje um caso de Coronavírus, e temos milhares de casos de Influenza, nós temos milhares de casos de Dengue. Então cada coisa ao seu momento, agora não há qualquer recomendação de mudança de ida e vinda de pessoas ou transporte público ou privado.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, doutor David Uip. Lucas, eu aprendi com o doutor David Uip, já há muitos anos que o hábito de lavar as mãos, 20 segundos lavando as mãos, esfregando as mãos com sabão líquido ou sabonete, e com água corrente, são suficientes para manter a higiene das mãos, que também aprendi com o doutor David, é o maior condutor de doenças também, são as mãos. Portanto, é a forma mais rápida e mais eficiente, até porque, banheiros públicos ou privados você encontra em toda parte, álcool em gel não. E nós fizemos uma solicitação especificamente à 3M do Brasil, cuja a sede é aqui em São Paulo, e a fábrica também, na região metropolitana de Campinas, para que pudesse ampliar a produção de máscaras, até porque, há demanda internacional para isso, não só no Brasil, como também de álcool em gel. Mas a melhor forma, mais rápida, mais eficiente, mais democrática e gratuita é lavar as mãos e lavar frequentemente, 20 segundos com água corrente e sabonete líquido ou em pedra. E sobre máscara, aproveitando, Lucas, o doutor David Uip vai comentar.

DAVID UIP, MÉDICO INFECTOLOGISTA: Não tem a menor indicação de as pessoas saírem comprando máscara para o uso do dia a dia, não há essa indicação, a máscara ela dura algumas poucas horas, você põe a máscara, você tem o suor, a respiração, a transpiração e a secreção, ela umidifica e perde valor. Então imagine se o indivíduo quiser usar uma máscara durante 12 horas por dia, são três a quatro máscaras, vezes 45 milhões de paulistas, é um número incontável. Não há indicação. A indicação do uso de máscara é para indivíduo sintomático, com tosse, espirrando, com coriza, quando ele busca um serviço de saúde, o dia a dia não está indicado o uso de máscaras.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Importante esclarecimento. Lucas, mais uma vez muito obrigado pelas perguntas. A última intervenção, Jornal O Globo, jornalista Ana Leão. Boa tarde, sua pergunta, por favor.

ANA LEÃO, REPÓRTER: Boa tarde. São duas, na verdade. A primeira é só para entender um pouquinho melhor a questão dos R$ 30 milhões, se é um dinheiro todo do governo do estado, se tem aporte Federal? E a segunda é para saber se São Paulo pensa em mudar um pouco a questão das internações, porque a justiça do Rio internou compulsoriamente um casal de turistas. E aí no caso como aqui a gente está na linha de não procure o hospital, não entre em pânico, não lote o sistema de saúde, no caso se não seria melhor manter pessoas com sintomas claros, com o histórico de viagem à Itália nos hospitais, principalmente turistas que não teriam para onde voltar, que pegaria transporte público, essas coisas?

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Eu vou dividir a resposta com o doutor José Henrique Germann e a doutra Helena Sato, e se necessário com comentários do doutor David Uip. Na parte inicial, o valor de R$ 30 milhões é do governo do estado de São Paulo, não há nenhum aporte do Governo Federal, nem solicitamos nesse caso específico, foi uma decisão rápida, e de orçamento próprio do governo do estado de São Paulo. Se tivermos alguma circunstância que exija recursos do Governo Federal, do ponto de vista financeiro, recorreremos, e a relação com o ministro Luiz Henrique Mandetta, é a melhor possível, como, aliás, já foi lembrado pelo doutor David Uip, o gesto inclusive do ministro vir à São Paulo, é um gesto não só de cordialidade, mas também de responsabilidade, vamos dizer, republicana, do ministro, compreendendo a importância do fato de que aqui tivemos o primeiro caso. Aqui temos também a estrutura hospitalar pública e privada, assim como os institutos de análise, em alta performance para atender à população. Mas se houver necessidade de complementação de recursos, faremos a solicitação. E agora eu peço então ao doutor Germann, e se a doutora Helena também, precisar, e se houver necessidade, o doutor David Uip.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DE SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Nós estamos seguindo uma política internacional, e uma orientação aqui do Ministério da Saúde, que adotou esses procedimentos. Então nessa situação, você usou uma palavra de não sobrecarregar o sistema de saúde. Mas não é exatamente em função disso, é em função, eu vou citar uma frase que eu falei ontem inclusive, o que coloca a pessoa em um tratamento intra-hospitalar, ou em um atendimento intra-hospitalar, não é a presença do vírus, é a condição clínica que ele está passando naquele momento. Então se ele tiver necessidade, ele deve procurar o serviço de saúde, e se for o caso ele vai ser internado. Agora, mantê-lo internado porque ele não tem onde ficar, é uma questão social, não é uma questão de saúde. Então não vamos seguir esta política. Se outros locais fizerem isso aqui no Brasil, aí é um problema que o ministério tem que resolver.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, secretário. Doutora Helena.

HELENA SATO, DIRETORA DE VIGILÂNCIA: Só complementando aqui o secretário, mais uma vez reforçando que essa é uma ação compartilhada com os municípios, ou seja, quem está acompanhando o isolamento domiciliar, isso que é importante, né? Depois o doutor David me complementa, no hospital nós vamos internar os pacientes que tiverem complicação, nós não estamos falando apenas do Corona, tem outros pacientes que tem outros tipos de complicação, outros tipos de doença. Então o hospital está sendo focado para essa situação. Reforçando, internação de pessoas infectados pelo Corona, apenas aqueles que apresentarem complicação. Os outros comunicantes serão acompanhados no seu domicílio, quem está acompanhando no seu domicílio? É por telefone, dependendo do município, que é menor, o número de casos a serem acompanhados forem menor, a equipe do município vai no seu domicílio e pergunta, e vai avaliar diariamente, gente, veja só, 14 dias, cada um destes comunicantes. Tá bom?

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Ana, muito obrigado pelas perguntas, mais uma vez. A partir de agora, ou seja, a partir de amanhã as comunicações sobre o Coronavírus serão de responsabilidade do Centro de Contingencia do COVID-19, sob à coordenação do doutor David Uip, com a participação de todos questão foram mencionados, e obviamente o comando geral do secretário da Saúde do estado de São Paulo, o doutor José Henrique Germann. Um boletim será emitido todos os dias às 11h da manhã, para a imprensa, e de forma eletrônica também, ao acesso livre à população, e se necessário haverá uma coletiva de imprensa na sequência, ou seja, a partir das 11h da manhã. Mas isso sempre com informação, pelo menos, com duas horas de antecedência, para que os jornalistas possam se deslocar para o encontro com os médicos. Fora disso, a comunicação será diária, às 11h da manhã de forma eletrônica para os jornalistas, e também para a população. Queria agradecer a presença de todos, desejar um bom final de semana. Muito obrigado, e até breve.