Coletiva - Governo de São Paulo vai testar e produzir vacina contra coronavírus 20201106

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Coletiva - Governo de São Paulo vai testar e produzir vacina contra coronavírus

Local: Capital - Data: Junho 11/06/2020

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JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Boa tarde. Hoje, 11 de junho, quinta-feira, vamos iniciar mais uma coletiva de imprensa no Palácio dos Bandeirantes, sede do Governo do Estado de São Paulo. Quero agradecer aos jornalistas que aqui estão, aos cinegrafistas, fotógrafos, técnicos dos veículos de comunicação e os que estão também remotamente acompanhando e transmitindo esta coletiva de imprensa. Hoje, por se tratar de um dia histórico p ara a ciência, a medicina e a saúde do Brasil, de São Paulo, e também com repercussão internacional, estamos tendo transmissão ao vivo, neste momento, da TV Cultura, TV RecordNews, TV BandNews, CNN, TV Bandeirantes, GloboNews, Rede TV, Rede Vida, Rede Brasil, TV Uol, TV Jovem Pan, da Rádio Bandeirantes, da TV Alesp, da Rádio Capital, da TV Vanguarda e da TV Gazeta. Agradeço também os flashes da TV Globo, TV Record, SBT e a todos os demais veículos de mídia impressa, eletrônica, sites que estão aqui participando e os que estão remotamente acompanhando esta coletiva de imprensa. Aqui ao meu lado, Dr. Dimas Covas, integrante do Comitê de Saúde do Estado de São Paulo, presidente do Instituto Butantan, Dr. Carlos Carvalho, coordenador do Comitê de Saúde, também denominado Centro de Contingência do Covid-19, Dr. João Gabardo, c oordenador executivo deste Comitê de Saúde e ex-secretário executivo do Ministério da Saúde, Dr. Sérgio Cimerman, nosso convidado especial de hoje, diretor científico da Sociedade Brasileira de Infectologia e médico do Instituto Infectologia do Emílio Ribas. E, como sempre, Dr. José Henrique Germann, secretário de Saúde do Estado de São Paulo, Marco Vinholi, secretário de Desenvolvimento Regional, e Patrícia Ellen, secretária de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia. Hoje é um dia histórico para São Paulo e para o Brasil, assim como para a ciência mundial. O Instituto Butantan fechou acordo de tecnologia com a gigante farmacêutica Sinovac Biotech para a produção da vacina contra o Corona Vírus. Eu ontem fui ao Instit uto Butantan pessoalmente e, ao lado do Dr. Dimas Covas, assinei o contrato, formalizando o acordo com a Sinovac Biotech. O mundo contabiliza hoje mais de cem vacinas em desenvolvimento, vacinas contra o Corona Vírus, mas apenas dez atingiram a fase final de testes em humanos. A vacina do Instituto Butantan é das mais avançadas contra o Corona Vírus e os estudos indicam que ela estará disponível no primeiro semestre de 2021, ou seja, até junho do próximo ano. E com esta vacina, nós poderemos imunizar milhões de brasileiros. A Sinovac Biotech é um gigante chinês da biotecnologia e um dos dez laboratórios em todo o mundo que, segundo a Organização Mundial de Saúde, lidera a corrida pela vacina. E o centenário Instituto Butantan de São Paulo, centro de excelência de desenvolvimento de vacinas, respeitado mundialmente, é o parceiro da Sinovac para a vacina contra o vírus. O acordo prevê a participação de São Paulo na realização de testes clínicos dessa vacina, com o acompanhamento de 9.000 voluntários brasileiros, a partir do próximo mês de julho. Dentro, portanto, de três semanas, 9.000 voluntários já estarão sendo testados aqui no Brasil. Comprovada a eficácia e a segurança da vacina, o Instituto Butantan terá o domínio da tecnologia e a vacina poderá ser produzida em larga escala no Brasil, pelo próprio Butantan, para fornecimento ao SUS, de forma gratuita, até junho de 2021. Estamos falando da vacina contra o vírus que abalou o mundo, 216 países do mundo enfrentam hoje o Corona Vírus. Milhares de pessoas perderam suas vidas, milhões foram infectadas. Agora, temos uma janela da ciência para evitar o Corona Vírus, e o dom& iacute;nio dessa tecnologia é brasileiro e chinês nesta vacina. Ela foi batizada de Coronavac. A vacina da Sinovac já foi administrada em mil pessoas, nas fases 1 e 2, na China, e agora a fase 3, que é a última, aqui em 9.000 voluntários brasileiros. O acordo de transferência de tecnologia com o Instituto Butantan permite que São Paulo participe dos principais avanços do mundo na luta contra o Corona Vírus. Essa parceria entre o Instituto Butantan, de São Paulo, e a Sinovac, da China, é prova do apoio e investimento do Governo de São Paulo em ciência e tecnologia, e também na cooperação internacional e na boa relação com as nações. O acordo assinado com a Sinovac teve início em agosto do ano passado, quando da nossa visita à China e a inauguração do escritório comercial de São Paulo em Xangai . E os detalhes desta operação e de todas as demais serão fornecidos daqui a pouco pelo presidente do Instituto Butantan, Dr. Dimas Covas. Por isso, digo que temos que superar desavenças do Brasil com relação à China, ou com qualquer outro país, e também com organismos de cooperação internacional, como é a OMS. Dividir, brigar, separar não contribui para a ciência, não contribui para resultados. É melhor somar, compreender, dialogar, empreender para salvar. A politização do vírus não salvou nenhuma vida, nem no Brasil nem fora dele. Não resolveu nenhum problema, ao contrário, acentuou, piorou e vitimou. A posição do Governo de São Paulo é ao contrário da politização, nós queremos soluções, essa é a busca. E em São Paulo, volto a repetir o que tenho dito desde 26 de fevereiro: respeitamos e obedecemos a ciência. O Governo de São Paulo também incentiva o desenvolvimento de pesquisas próprias, através das universidades do Estado de São Paulo. A USP, Universidade de São Paulo, considerada em avaliação internacional a melhor universidade da América Latina, tem trabalhos relevantes e muito importantes em andamento no tema do Corona Vírus. Como governador de São Paulo, estou confiante que, ao final destes trabalhos, trabalhos coordenados pelo Instituto Butantan e o Dr. Dimas Covas aqui ao meu lado, teremos as certificações de eficácia e segurança da vacina contra o Corona Vírus. O maior benefício do acordo anunciado hoje, dia 11 de junho de 2020 em São Paulo, é a transferência de tecnologia para a produção nacional em larga escala. É isso que vai atender, de fato, a população e salvar milhões de vidas de brasileiros. São Paulo já é o estado que produz a vacina da gripe e distribui para todo o Brasil. Já distribuímos 80 milhões de vacinas contra a gripe, o que corresponde a 10% da produção nacional. O Instituto Butantan é respeitado em todo o mundo, por organizações de saúde, laboratórios e os maiores detentores de tecnologia do planeta. Ao longo da sua centenária história, e sobre isso também vai falar Dimas Covas, o Butantan já ajudou a salvar milhões de vidas. A esperança é o sonho do homem que trabalha e acredita que todos os problemas têm solução. É a esperança que nos dá força, que nos dá força para lutar por um futuro melhor. Esta vacina é a nossa esperança e a nossa fé. Obrigado a todos, obrigado ao Instituto Butantan e toda a sua equipe, Dimas Covas. Obrigado aos cientistas, professores, técnicos, médicos, paramédicos, aqueles que, no Brasil, têm ajudado a salvar vidas. Nossos agradecimentos também aos nossos parceiros chineses, que acreditaram no Instituto Butantan, que acreditaram no Governo de São Paulo, quando abrimos, em agosto do ano passado, o nosso escritório em Xangai. E muito obrigado à ciência, é ela, é a ciência que vai salvar vidas. Eu agora passo a palavra ao presidente do Instituto Butantan, Dr. Dimas Covas.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: Obrigado, governador, boa tarde. Um dia importante, governador, um dia de esperança, um dia em que, nessa situação periclitante que nós vivemos, possamos olhar para uma luz, para uma iluminação nos próximos meses. A ciência mostra a sua face, quer dizer, todos os países têm seus heróis, suas heroínas, homens e mulheres abnegados, que se revelam em momentos de crise. Eu gostaria de lembrar aqui que as epidemias, as grandes epidemias são momentos de crise, profunda crise. E um episód io, se o senhor me permite, eu gostaria de mencionar. No final do século XIX, em 1988, 1989, nós tínhamos, em Santos, uma doença muito grave se alastrando, começou pelo Porto de Santos. O chefe do serviço sanitário aqui do Estado de São Paulo era o paulista, de Pindamonhangaba, Emílio Ribas, e que tinha convidado um outro jovem médico, carioca, mas que trabalhava em Limeira, para dirigir o Instituto Bacteriológico, hoje Instituto Adolfo Lutz. Adolfo Lutz chamou também um outro médico na época, agora um mineiro, um mineiro que nós falamos constantemente: Vital Brasil Mineiro da Campanha. Ele incorporou no seu próprio nome o nome do município de onde ele nasceu. E Vital Brasil foi para Santos, foi para Santos entender o que era a epidemia, a grave epidemia que lá acontecia. E começou examinando os mortos, começou fazendo o que nós c hamamos de autópsia, de necrópsia, não é? Quer dizer, examinava os mortos. E concluiu rapidamente que era a peste bubônica, uma doença gravíssima, muitas vezes cujo desfecho é a morte. Após a realização da sua sétima necrópsia, Vital Brasil adquiriu a peste bubônica e ficou muito ruim de saúde. E quem veio tratar de Vital Brasil? Osvaldo Cruz, o carioca Osvaldo Cruz veio e usou em Vital Brasil um soro antipestoso, produzido por Pasteur, o francês Pasteur. Isso salvou a vida de Vital Brasil. Terminada a epidemia, Adolfo Lutz convidou Vital Brasil para dirigir o Instituto Serunterápico do Estado de São Paulo, que se tornou, em 1901, o Instituto Butantan. Vital Brasil foi o seu primeiro diretor, até 1921, e ele introduziu toda essa produção de soros, que se mantém até hoje. A Vital Brasil se sucederam inúmeros outro s cientistas, inúmeros outros pesquisadores, que trouxeram grandes conquistas para a ciência do Estado de São Paulo e para o Brasil, se traduzindo em vacinas, em medicamentos. Recentemente, governador, nós fizemos acordos internacionais, não só para a produção dessa vacina, que eu vou mostrar os detalhes, mas para outras vacinas. Recentemente, concluímos um acordo com uma austríaca chamada Valneva para a produção da vacina contra o Chikungunya. Temos um acordo com a outra, chinesa, chamada BraboVax, que também foi feito o primeiro contato durante aquela missão, para transferência de tecnologia do Butantan para a BraboVax, para a produção de uma vacina contra o rotavírus. Então, o Butantan, ele faz parte dessa comunidade internacional de vacinas, ele é o produtor, um dos maiores produtores da vacina da gripe, 10% da produção m undial, governador, 10%, 80 milhões de doses foram produzidas e entregues ao Ministério esse ano. Portanto, está no DNA do Butantã essa sua atividade, os seus pesquisadores, os seus funcionários, os seus técnicos, que desde o aparecimento desta epidemia estavam negociando e vendo quais seriam as melhores oportunidades, não só com a Sinovac, mas com outras também, e continuamos em conversa. A Sinovac se concretizou ontem e eu vou mostrar aqui alguns detalhes. Por favor. Esse é um slide, um [Ininteligível] positivo, que mostra de ontem um compilado feito pela Organização Mundial de Saúde, que existem 133 vacinas para o Coronavírus em desenvolvimento, dez em estudos clínicos. E ali o número de vacinas de acordo com o componente, vírus, vetores, ácidos nucleicos, proteínas, a vacina que eu vou mencionar ela pertence ali à vacina que c ontém vírus, especificamente vírus inativado. Próximo. Então essas são as dez vacinas que estão em estudo clínico, a nossa parceria é com a empresa Sinovac, que é uma vacina de vírus inativado, já teve fase um e fase dois concluídas, na China e vamos fazer agora aqui no Brasil a fase três, como mencionado, com 9 mil voluntários. Próximo. Esse é o esquema da vacina, quer dizer, um vírus, um Coronavírus é introduzido em uma célula, especificamente aqui uma célula do tipo vero, essa célula é cultivada em laboratório, o vírus se multiplica, no final o vírus é inativado e incorporado na vacina que é aplicada na população. Próximo. Então uma das vacinas em desenvolvimento em estágio mais avançado do mundo, possui uma característica es pecial, olha, ele produz junto com a vacina, é colocado junto com a vacina o que se chama de adjuvante, para melhorar a resposta imunológica. O vírus é um vírus desenvolvido lá na China que é desativado no final, ou seja, a vacina não contém vírus vivos, contém apenas fragmentos desse vírus, e essa tecnologia é feita como mencionado também, em célula vero. Que é uma tecnologia que o Butantan domina. Essa é a grande vantagem, o Butantan já produz a sua vacina da dengue nessa tecnologia. Então nós já conhecemos e temos a capacidade produtiva, daí a oportunidade deste acordo. Próximo. Essa é a vacina, na fase inicial foram feitos estudos em macacos, os resultados foram publicados na Science, uma revista científica das mais prestigiadas no mundo. A fase um, contou com 144 voluntários, a fase dois, co m 600 voluntários lá na China, e a fase três agora no Brasil, com 9 mil voluntários. Próximo. Então esses são as fases desse acordo, começando pelo estudo clínico, depois uma fase de preparação de fármaco vigilância, de registro desses estudos, de acompanhamento dos casos. A transferência de tecnologia, ou seja, vamos incorporar isso para a produção em escala industrial no Butantan, registro, uma vez a vacina sendo eficaz, sendo segura, será feito o registro na ANVISA, e aí nós vamos fornecer a vacina. Em um primeiro momento a vacina poderá vir da China, que já tem a produção em grande escala, e em um segundo momento será produzida no Butantan e em grande escala. Então essa é a essência do acordo, o governador ontem teve a oportunidade de assinar esse acordo, e é um dia de muita alegria para todos nós do Butantan e do estado de São Paulo, e do Brasil. Obrigado, governador.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, doutor Dimas Covas, presidente do Instituto Butantan. Eu vou passa a palavra agora para a saúde, hoje é uma coletiva da saúde, como sempre fazemos, com toda a transparência, essa é a sexagésima nona coletiva de imprensa que realizamos aqui no Palácio dos Bandeirantes. Passo a palavra ao doutor Carlos Carvalho, coordenador do nosso centro de contingência do COVID-19, denominado comitê de saúde. Doutor Carlos.

CARLOS CARVALHO, COORDENADOR DO NOSSO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: Obrigado, governador. Boa tarde, a todos. É um enorme prazer estar justamente na frente do comitê de saúde do centro de contingência do Coronavírus, criado pelo governo do estado de São Paulo, junto com a Secretaria de Saúde, e estar aqui nesse dia tão importante dessa apresentação. Eu tenho certeza que todos os colegas membros que fazem parte desse comitê, estão comemorando essa informação que foi passada agora pelo Dimas. Durante muito tempo discut imos aqui uma série de ações que foram feitas no sentido tanto de entender essa doença, entender a resposta que o corpo humano faz a esse vírus, e uma série de pesquisas que estão sendo realizadas, mais uma centena de pesquisas que estão realizadas nas nossas universidades, na Universidade de São Paulo, na Universidade Federal de São Paulo, na Unicamp, na UNESP, todas as universidades do nosso país, nas universidades federais, tentando entender como esse vírus se comporta, como esse vírus se réplica, tentando discutir algumas possibilidades de tratamentos, alguns medicamentos. E também pesquisas no sentido de técnicas de atendimento no ambiente da tecnologia intensiva, testes de avaliação desses pacientes quando ele vão ao pronto-socorro. E que são todas medidas curativas. E agora várias vezes aqui eu, os outros secretários aqui presentes, tanto da saúde quanto o secretário Vinholi, que ficava comentando aqui na distribuição de ventiladores para criar novos leitos de UTI, até agora mais de 1.460 ventiladores foram distribuídos nesses últimos dias, de novo, por uma fase de tratamento mais à frente onde a doença já se instalou, e a gravidade já é evidente. Então pela primeira vez estamos apresentando aqui uma forma de prevenção dessa doença, justamente essa é a maneira correta de no futuro nós podermos atuar no sentido de proteger a população e no sentido de definitivamente resolver essa pandemia. Muito obrigado, governador, por essa oportunidade.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, doutor Carlos Carvalho, médico e coordenador do nosso comitê de saúde, vamos agora ao doutor João Gabbardo, que é o coordenador executivo do centro de contingência do COVID-19, o comitê de saúde do estado de São Paulo. Doutor Gabbardo.

JOÃO GABBARDO, COORDENADOR EXECUTIVO DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: Boa tarde, governador. Boa tarde, a todos presentes. Eu quero manifestar minha opinião em relação a esse tema, porque com a experiência de desde o início da pandemia, eu acho que eu participei de umas 70 entrevistas coletivas como essa, primeiro no Ministério da Saúde, e aqui no estado de São Paulo, e eu não tenho nenhuma dúvida que a pergunta que mais me constrangia, e que foi feita tantas vezes nessas entrevistas coletivas, era que quando nós defendía mos que as pessoas deveriam ficar isoladas, que as pessoas deveriam reduzir a sua exposição, o contato com outras pessoas, para impedir a transmissibilidade da doença, a pergunta era até quando? E nós falávamos e tínhamos no nosso horizonte o desenvolvimento de uma vacina, mas era alguma coisa muito distante, nós não éramos capazes de definir prazo, tempo, até para que pudéssemos tranquilizar e dar uma posição mais concreta a todos que nos ouviu. Então eu tenho muito prazer de estar hoje aqui, coincidentemente no momento desse anúncio, e que o Instituto Butantan com a sua experiência, e com essa parceria, poderá desenvolver essa fase três, a última fase, da pesquisa clínica, a partir daí fica faltando apenas o registro na ANVISA, para que possa ser disponibilizado para a população. E isso nos deixa já com prazo, doutor Dimas prevê que já no primeiro semestre do próximo ano, nós teremos a disponibilização da vacina para a população brasileira. O Instituto Butantan, com essa parceria coloca o país, coloca o estado de São Paulo, coloca o Brasil, na vanguarda da possibilidade de nós protegermos a população com a vacina. Eu só espero que dentro desse processo de polarização que a gente convive diariamente, não se crie agora um movimento contra a vacina, eu espero que a gente tenha nesse aspecto união do país, para o desenvolvimento, para a conclusão desse processo, e que nós tenhamos possibilidade de proteger a nossa população. Muito obrigado, governador.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito obrigado. Obrigado, João Gabbardo, coordenador executivo do comitê de saúde, ex-secretário geral do Ministério da Saúde, na gestão do ministro Luiz Henrique Mandetta. E hoje nós convidamos um médico, doutor Sérgio Zimmermann, renomado, diretor científico da Sociedade Brasileira de Infectologia, médico do Instituto Emílio Ribas, e articulista do Jornal O Estado de São Paulo, para que pudesse estar presente hoje aqui, e por feliz coincidência, doutor Zimmermann, em uma data histórica para São Paulo, para o Brasil e para a ciência. Doutor Sérgio Zimmermann.

SÉRGIO ZIMMERMANN, DIRETOR CIENTÍFICO DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE INFECTOLOGIA: Bom dia, governador. Bom dia, a todos e a todas. É um prazer para mim estar em um momento tão único para a ciência brasileira. A questão da vacina, em breve nós vamos ter a resposta que toda comunidade científica queria ter em relação ao COVID-19. As fake news, os achismos, os empirismos de drogas até o presente momento divulgadas, isso tem que acabar, e imperar, o quê? Justamente a questão que o doutor Dimas Covas colocou muito bem, a realiza&ccedil ;ão de uma vacina que pode nos livrar dessa pandemia, visto que existem possibilidades na literatura de uma segunda onda, e uma terceira onda, como nós já estamos observando em alguns países ao longo do mundo. É muito importante que as pessoas não parem de tomar as medidas preventivas, esse é um dado importante, a vacina ela vai chegar entre nós, a partir do ano que vem, mas as medidas de prevenção tem que ser cada vez mais intensificadas, como distanciamento social, e uso de máscaras e higienização das mãos. E isso é o que nós temos até o presente momento, e é o que tem de solução na prática, que nós tivemos resposta no mundo todo, inclusive com vários trabalhos científicos. A Sociedade Brasileira de Infectologia, governador, fica muito honrada em fazer parte hoje dessa coletiva, com esse anúncio da va cina, e nós gostaríamos, como o doutor Gabbardo colocou, que não se propague fake news contra as vacinas, as campanhas antivacinas que já existem no mundo todo, e aí vale para a vacina da gripe, a Influenza, vacina de febre amarela, como nós vivenciamos até um pouco tempo atrás. Essa vacina deve ter uma eficácia importante, e uma vacina para ser eficaz em seres humanos, nós devemos alcançar pelo menos, 85% dessa eficácia, e se demonstrou na fase um e na fase dois essa superioridade. Claro que na fase três em humanos sempre é diferente, quando a gente faz em humanos e faz em macacos, por exemplo. Nós temos que ver como é que vai ser, como é que vai se comportar esses voluntários. E existem critérios de inclusão e de exclusão, isso é muito importante passar para os senhores aqui presentes. E nesses critérios de inclus&a tilde;o, por exemplo, na fase um e na fase dois, entraram pacientes entre 18 e 59 anos de idade, na fase três vai ter que se avaliar como é que vai se fazer. E como critério de inclusão algumas pessoas ficaram excluídas por razões óbvias, ou seja, pacientes que tiveram diagnóstico de SARS COV2 positivo, tanta para o RTPCR, como por sorologia, pacientes com imunodepressão severa. Então tem várias características que vocês têm que entender e acompanhar ao longo, quando começarem esses 9 mil voluntários a fazerem parte desse estudo clínico. E com toda a certeza, a eficácia chegando, o benefício mundial e o Brasil com um marco, o estado de São Paulo aí trilhando mais uma vez a sua pujança em relação à ciência. Eu queria reiterar, governador, a importância que o senhor tem dado à medicina e & agrave; ciência, sempre nos dando apoio, inclusive no Instituto de Infectologia Emílio Ribas, fazer um comentário pra imprensa, que nós quintuplicamos o número de leitos de UTI. Nós nunca tínhamos tido tantos leitos de UTI, com efetividade, contratação emergencial de vários profissionais da área da saúde, e hoje eu posso afirmar pros senhores aqui presentes que a UTI do Hospital Emílio Ribas, sem dúvida nenhuma, é uma grande referência para o Governo do Estado de São Paulo. De cada cinco pacientes que nós temos na UTI, quatro deles saem de nossa UTI, para as nossas enfermarias. Nós temos em torno de quase 80 leitos de enfermaria. Hoje, o hospital está voltado à Covid-19 para atender a população de modo adequado. Então, eu gostaria de deixar meus parabéns ao Dr. Germann, ao governador João Doria, a todos, e que a Sociedade de Infectologia, os médicos, estão cada vez mais aliados a esses planos de ação, planos de ação que envolvem ciência, saúde, com seriedade para a população. Esse é o mais importante que nós queremos. E nós sempre, como aqui o governador Doria sempre fala, não deixaremos propagar as 'fake news'. Por favor, antes que vocês vejam alguma informação errônea, procurem dados com organizações sérias ou médicos especialistas que podem elucidar melhor, antes de publicar alguma coisa não verdadeira. Muito obrigado, governador.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muitíssimo obrigado, Dr. Sérgio Cimerman, diretor científico da Sociedade Brasileira de Infectologia e médico integrante do Instituto Emílio Ribas. Obrigado pela sua participação, obrigado pelas suas considerações, pela sua generosidade e obrigado por ajudar a esclarecer, como tem feito nos últimos 85 dias, a opinião pública, sempre de forma muito precisa e muito correta. Eu sou um leitor dos seus artigos e acompanho muito das suas entrevistas também. Vamos agora ao Dr. José Henrique Germann, secretário da Saúde do Estado de São Paulo, com os números de hoje do Corona Vírus em São Paulo e no Brasil.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO ESTADUAL DE SAÚDE DE SÃO PAULO: Muito obrigado, governador, boa tarde a todos. Antes de colocar os números da saúde, eu só gostaria de fazer um pequeno comentário, que é da satisfação, como secretário da Saúde, de estar aqui nesse dia histórico para nós, e desde o início do nosso mandato nós temos perseguido todas essas questões, que são a melhoria da assistência para a população. Aqui, no caso desta epidemia, todos os dias, desde mar&cce dil;o, estamos aqui falando no fique em casa, use máscara, como uma arma única que nós temos para prevenir a doença. E do lado do tratamento, a melhora da estrutura do sistema hospitalar, no sentido de dar assistência àqueles que ficarem doentes. Agora, nós temos uma nova perspectiva, dada pelo Instituto Butantan, e por isso que eu gostaria de, pela honra de ser o secretário da Saúde, agradecer a oportunidade ao governador e justamente também parabenizar o Instituto Butantan e o Covas, na sua direção. Muito obrigado por esta oportunidade. Falando com relação aos números de hoje, nós temos, no Brasil, 772.416 casos, 39.680 óbitos. Em São Paulo, nós estamos com 162.520 casos e com 10.145 óbitos. De ontem pra hoje, os novos casos cresceram 3,8% e os óbitos 2,8 %. O que eu venho colocando pra vocês todos os dias, que nós estamos sempre nessa faixa de crescimento, de velocidade de crescimento. As nossas taxas de ocupação para UTI, leitos de UTI, no Estado de São Paulo está em 69,4% e na Grande São Paulo, 77%. Internados em UTI, nós temos 5.211 pacientes, e enfermaria, 8.085 pacientes. Esses pacientes internados são já confirmados ou em como casos suspeitos. E daqueles tratados, nós, no nosso sistema de atenção à saúde, 30.383 altas hospitalares. Obrigado, governador.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito obrigado ao nosso secretário da Saúde, obrigado, Germann, obrigado pelas considerações também. É um orgulho ter você como parte dessa nossa equipe, Dr. Germann, que já dirigiu os dois maiores hospitais privados do país, o Hospital Sírio-Libanês e o Hospital Albert Einstein, e hoje fazendo a sua experiência pública, com enorme distinção, à frente da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo. Nós vamos, de imediato, para as perguntas, são 13h05. Este é o grande tema da nossa coletiva de hoje. A Patrícia Ellen e o Marco Vinholi estarão aqui à disposição também para participar, respondendo ou complementando respostas às perguntas dos jornalistas. O primeiro veículo de comunicação é a TV Globo, GloboNews, com o jornalista Willian Cury. Will, boa tarde, obrigado pela sua presença, sua pergunta, por favor.

REPÓRTER: Eu tenho algumas perguntas aqui, principalmente sobre a vacina, claro. Eu queria saber em relação às fases da vacina. Ela teve a fase 1, fase 2, na China. Por qual razão que a fase 3 vai ocorrer aqui no Brasil e não também lá na China, onde ela começou a ser testada? E ainda sobre isso, nós temos essa vacina, por enquanto, em fase 2, porque ela vai começar a fase 3 aqui no Brasil. E já tem outras vacinas, a da Oxford, principalmente, que já está na fase 3. Por que foi feito o acordo com a empresa chinesa em uma vaci na que, teoricamente, deve demorar mais pra ficar pronta, do que outras que estariam ou estão em fase mais avançada? Uma outra pergunta, sobre uma declaração do Dr. Dimas Covas ontem, numa 'live'. Ele disse que São Paulo teria reaberto para a economia cedo demais, porque aqui nós temos ainda uma curva em crescimento, não em descenso, né? E isso teria ocorrido por causa da pressão dos prefeitos. Eu queria também uma opinião sobre isso do governador e do próprio Dr. Dimas Covas. E também, só em relação ao que foi dito aqui na coletiva, pelo Dr. Gabardo, quando que o isolamento poderia acabar, e ainda não tinha uma vacina no horizonte. Com a vacina prevista para chegar no primeiro semestre do ano que vem, eu queria saber se a quarentena aqui em São Paulo, ela vai ser mantida até a vacina ficar disponível, até o primeiro semes tre do ano que vem. Obrigado.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Willian Cury, antes de passar para o Dr. Dimas Covas, Will, eu vou mandar um pouquinho de chocolate bem docinho pra sua casa, pra você experimentar um pouco de chocolate, assim diminuir um pouquinho a sua amargura. Acho que isso vai te fazer bem. Você sabe que eu respeito muito você como jornalista, de muitos anos, antes de você ser profissional da TV Globo, mas nós estamos diante de um anúncio tão importante, tão significativo... Não se pode duvidar do anúncio, da importância da tecnologia, da ciência e do acordo feito com os chineses, e obviamente não é cabível imaginar que nós vamos manter uma quarentena no Brasil, ou em qualquer outro país do mundo, até que se tenha a vacina, Will. Com todo o respeito que você merece e como bom jornalista que é. Dr. Dimas Covas.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: Bem, Will, em relação à primeira pergunta, quer dizer, o Butantan, ele tem parcerias com muitas empresas. Na área do Corona Vírus, do desenvolvimento do Corona Vírus, nós queremos ganhar. Então, as empresas com as quais nós nos relacionamos têm as suas demandas e nós temos as nossas demandas. Quer dizer, essa parceria com a China, ela já é de uma longa data, como eu mencionei, foi fruto dessa visita que nós fizemos à China. Nós pessoalmente fomos conhecer a Sinovac. A Sinovac tem interesses, é uma empresa privada, diga-se, pra começar, ela tem interesses em codesenvolvimento de outras vacinas com o Butantan. Então, essa é uma parceria já estabelecida. E veja, as condições que a Sinovac nos oferece nessa parceria são as melhores nesse momento, quer dizer, outras estão oferecendo? Sim. A AstraZenica está, nós estamos conversando com a AstraZenica. É uma tecnologia diferente, uma tecnologia que o Butantan não domina, então teria que incorporar essa tecnologia. Aqui não, nós estamos falando de uma tecnologia que é o nosso dia a dia. O Butantan já produz vacinas, já tem experiência, já desenvolveu vacinas com esta tecnologia. Essa vacina da Dengue, que é essa tecnologia, foi desenvolvida pelo Butantan. E foi, é comercializada, vamos dizer assim, a transferência de tecnologia des sa vacina, para uma multinacional americana. Então veja, esse acordo, ele é do interesse do Instituto Butantan, é do interesse da Sinovac, é do interesse do Governo do Estado e é do interesse do Brasil e do mundo, por que não dizer assim? Porque essa vacina, ela será distribuída, na medida que ela for produzida em massa, para quem necessitar. Então esse é o primeiro ponto. Segundo ponto: ontem, eu participei de uma conferência científica no Instituto de Estudos Avançados da USP, e lá foi discutido. Tinha lá o Dráuzio Varella, tinha outros professores, outros epidemiologistas, então veja, o contexto que eu mencionei não foi esse contexto que você mencionou. Quer dizer, assista integralmente a minha participação, que você poderá ter uma ideia do contexto. Não era esse contexto, desculpa, viu, Will.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, obrigado, Willian Cury, pelas perguntas. Obrigado, Dr. Dimas Covas. O segundo veículo é a CNN, com a jornalista Marcela Rahal. Marcela, boa tarde.

REPÓRTER: Governador, ficou faltando a terceira parte.

REPÓRTER: Olá, boa tarde. Boa tarde a todos. Bom, em relação à vacina, claro, estamos todos esperançosos para que dê certo. Eu queria saber o que falta para dar certo, o que... Está na terceira fase, o que isso significa, essa terceira fase? Depois de concluídos esses testes, a produção já inicia imediatamente? E aí vocês deram a data também do dia... De junho de 2021, se tudo der certo. Junho de 2021 começa a produção ou já teria no mercado brasileiro a disponibilidade dessa vacina contra o C orona Vírus? Obrigada.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Marcela. Dr. Dimas Covas.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: Bem, os estudos pra aprovação de uma vacina, eles são em fases. Quer dizer, a primeira fase é o pré-clínico, é quando você usa essa vacina em animais. No caso aqui, eles foram testados em macacos. Então, eu mostrei a referência, que foi publicada na Science. Depois disso, vem a fase 1, que é uma fase inicial, um número menor de voluntários, que é pra você testar se a vacina tem segurança, quer dizer, se você não vai causar um grande problema pra quem receb er a vacina. Passada a fase 1, vai para a fase 2, que aí já é um estudo um pouco mais amplo, com um número maior de pacientes, mas ainda é um estudo intermediário. Aí você avalia já alguns aspectos da eficácia: produção de anticorpos, capacidade de neutralizar o vírus. E finalmente a fase 3, aí já é um estudo populacional. Você vai aplicar a vacina num grande número de voluntários, em situação real, quer dizer, pessoas expostas à infecção, e vai ver se a vacina tem eficiência, se ela protege ou não. É sempre feito com um grupo controle e o grupo de vacinados, não é? De uma forma cega. E você vai abrindo o estudo para analisar exatamente esses parâmetros. Se a vacina se mostra segura e eficaz, ela vai pra fase de registro. Você registra na Anvisa, registra nos & oacute;rgãos competentes. A partir do registro, você produz, então, você entra com a vacina em escala industrial. Quer dizer, nós já temos a planta, nós já temos a capacidade de produção. Agora, nós precisamos ter essa fase de estudos clínicos, pra saber se a vacina é segura e eficaz. Se ela for, nós já podemos iniciar a produção muito rapidamente. Por isso, essa previsão de termos a vacina no primeiro semestre do próximo ano.

REPÓRTER: [ininteligível] que poderia, que o laboratório chinês começaria nessa produção, depois o Instituto Butantan? Mas já teria essa disponibilidade aqui no Brasil nesse mesmo momento que o laboratório chinês?

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: Não sei se eu entendi bem a sua pergunta, mas veja bem: no nosso acordo, a China já produz essa vacina. Ela já está produzindo, ela já está sendo produzida lá no laboratório chinês. Enquanto nós não tivermos essa capacidade de produção, a vacina virá da China. Se os estudos clínicos forem concluídos antes da nossa produção estar andando, nós podemos trazer essa vacina de lá, sem dúvida nenhuma.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado. Marcela, foi importante o repique para esclarecer isso. Eu mesmo também estava com um pouco de dúvida. Obrigado, Dr. Dimas. E antes de pedir ao Fábio Diamante, do SBT, Fábio, se você quiser pode ficar ali na posição, apenas um esclarecimento a você, Willian Cury. Cadê o Will? Está por aqui? Ah, o Will está ali. Ficou faltando uma das perguntas que você fez? É que você fez quatro perguntas, tem direito a pedir música no Fantástico, e eu vou pedir a o Dr. João Gabbardo para responder. Desculpa te interromper um pouquinho e perdão por ter pulado uma das perguntas que você fez sem resposta. Mas o Dr. João Gabbardo vai responder, como coordenador executivo do Comitê de Saúde.

JOÃO GABBARDO, COORDENADOR EXECUTIVO DO COMITÊ DE SAÚDE: A sua pergunta é em relação às medidas de distanciamento social e o que isso muda com o fato de no próximo semestre nós termos uma vacina. A vacina em si, ela não vai mudar nada do que a gente está preconizando no Plano São Paulo. O que a gente não sabe é quando é que nós chegaremos naquela última fase, na fase azul, onde a gente vai poder voltar a ter as pessoas aglomeradas, nós podemos ter espetáculos, nós poderíamos ter shows, nós poderíamos ter uma série de atividades em que não existe uma previsão temporal para que isso aconteça. Com certeza, nós poderemos acelerar um pouco esse processo de normalidade que o país e o mundo possa ter. Mas o mais importante não é isso, o mais importante é que todas as pesquisas, os inquéritos sorológicos que são feitos no país hoje, apontam que 5%, 6%, 4% da população já teve contato com o vírus e já apresenta anticorpos. Em alguns locais onde a transmissão da doença foi muito mais intensa, como foi o caso de Manaus, Belém do Pará, nós chegamos a 20%, 20% e poucos. Nova Iorque tem 21% das pessoas com anticorpos. Isso significa que nós temos uma população de 80% ou mais de 80% que ainda é susceptível a adquirir o vírus. Essas pessoas, elas esta rão normalmente voltando à normalidade, mas com esse risco. Então, elas precisarão ainda usar máscaras, elas ainda precisarão ter algumas medidas de distanciamento, principalmente os mais idosos. E quando nós tivermos a disponibilidade para a vacinação, pelo menos nesses grupos de maior susceptibilidade, de maior risco, como é o caso dos idosos, isso vai nos dar uma tranquilidade muito maior para o retorno à normalidade. É isso que muda com a vacina.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado pelo esclarecimento e pela resposta, Dr. João Gabbardo. Will, obrigado, desculpe ter interrompido, você estava entrando no ar agora. Vamos ao Fábio Diamante, do SBT. Fábio, obrigado pela paciência, boa tarde. Sua pergunta, por favor.

REPÓRTER: Boa tarde, governador, boa tarde a todos. Sobre a vacina, eu queria saber qual é o... Existe um investimento do Governo do Estado? Quanto que o Governo investe pra essa fase de testes? Queria também, pra gente deixar muito claro pras pessoas, depende ainda de uma terceira fase de testes, queria saber, pela experiência do senhor, Dr. Dimas, se a gente pode falar em porcentagem, quando se chega na terceira fase, a grande maioria dá certo? OU 50%, 50%? Até pra gente não dar uma notícia que pareça que está resolvido o problema e ainda ele nã o está, efetivamente. Por último, como é que é essa seleção dos voluntários? Será feita pelo Butantan ou isso vem um pacote encomendado da China? Obrigado.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: Bem, obrigado pela pergunta. Essa fase de estudo clínico, fase 3, ela vai custar R$ 85 milhões. Nesse momento, ela vai custar R$ 85 milhões, que é investimento do Estado de São Paulo. Quer dizer, obviamente que uma fase de estudo 3, ela não é certeza de que a vacina vai funcionar, mas você não entra numa fase 3 se você não tem as evidências de que ela funcione. Daí, a necessidade dos estudos pré-clínicos, fase 1 e fase 2. Quer dizer, até então, até na fas e 2, ela se mostrou muito efetiva, ela realmente protegeu, em todas essas fases, contra a infecção. Então ela chega numa fase agora que é um desafio de campo, vamos dizer assim, agora é pra valer. Quer dizer, 9.000 voluntários, vamos ver se protege, qual é o grau de proteção, se ela é efetiva e, se isso acontece, nós vamos estar com a vacina na mão. Então é uma grande evolução, sem dúvida nenhuma, e quando as vacinas chegam nessa fase, isso significa que já foi feito um grande investimento nas fases anteriores. Então, ela é promissora, sem dúvida nenhuma, e é por isso que nós estamos realizando esse grande estudo.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Dr. Dimas. Fábio Diamante, obrigado. Quer complementar, por favor.

REPÓRTER: Sobre os voluntários, que eu perguntei para o senhor como é que...

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: Ah, sim, sobre os voluntários. O Butantan, ele já utilizou 16 centros de estudos clínicos pelo Brasil todo, para fazer a vacina da Dengue. Então, a ideia é acionar os mesmos centros, que o Butantan já tem experiência. E os critérios são critérios internacionais, quer dizer, esses estudos, eles são controlados internacionalmente, existe uma autoridade que controla o estudo, tá certo? Existe quem realiza, quem aplica e quem controla, tá certo? Então isso é padrão inter nacional. Os critérios de inclusão, os critérios de exclusão, são definidos em conjunto com o pessoal da China, e o Butantan é o líder do estudo, quer dizer, o estudo é do Butantan.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Dr. Dimas. Fábio, antes de concluir, vou passar a palavra para um comentário do Dr. Sérgio Cimerman. Dr. Sérgio, por favor.

SÉRGIO CIMERMAN, DIRETOR CIENTÍFICO DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE INFECTOLOGIA: Eu queria só dar, fazer um comentário, para que vocês tenham a compreensão que, pra você ter uma vacina, na média, a gente leva em torno de dez anos. É claro que não vai acontecer isso em relação à Covid-19. Então, o tempo urge, a pandemia tem mostrado a necessidade, como nós tivemos na época de Influenza, do H1N1, em 2009, nós também pensávamos que estaríamos com 10 anos para aguardar uma vacina. E pelo contr& aacute;rio, nós tivemos também em prazo recorde, foi efetiva, acima de 85% da população teve eficácia, e essa é uma tentativa que tem que ser colocada como uma possibilidade de sucesso, visto que nós não temos drogas até o presente momento terapêuticas. Então, essa vacina, ela tendo esse sucesso, para o primeiro semestre de 2021, seria uma coisa muito rica pra nós como população mundial receber a possibilidade de você se proteger, de uma maneira efetiva, além das medidas preventivas que eu havia comentado. Então, isso tem que ficar um pouco claro na cabeça de todas as pessoas, o tempo de demora de uma vacina pra ser confeccionada. Nós estamos correndo contra o tempo e isso é a ciência que está se envolvendo, e nunca se publicou tanto sobre Covid-19, sobre um tema, em tantas revistas médicas. Hoje, parou-se a literatura médica para se focar realmente numa patologia única. Então, [ininteligível] complementação, governador.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Dr. Sérgio, pela intervenção. Dr. Dimas, para complementação ao Fábio Diamante.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: Foi um bom exemplo, H1N1. Foi um grande desafio, e naquele momento o Butantan participou desse grande desafio, foi o que produziu aquela vacina naquele momento, também numa situação de muita crise, do ponto de vista epidemiológico, de muita crise no sentido de número de pessoas infectadas. Então, nós temos essa experiência anterior.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Dr. Dimas Covas. Fábio Diamante, do SBT, obrigado, mais uma vez. Próxima pergunta é da Rádio Jovem Pan, e também TV Jovem Pan, jornalista Nicole Fusco. Nicole, boa tarde, obrigado pela presença, sua pergunta, por favor.

REPÓRTER: Boa tarde a todos. Eu gostaria de saber, quando a gente fala em escala de produção da vacina, de quanto que a gente está falando? Eu não sei se se contabiliza por dia, por mês, por semana, mas de quanto que a gente está valando de número de vacinas? E quais grupos seriam vacinados primeiro, e se as pessoas que tiveram já contato com esse vírus também receberiam a vacina em algum momento dessa campanha. Obrigada.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: Bem, a capacidade de produção, nós estamos falando de milhões, para atender a população. Quer dizer, na nossa fábrica de gripe, nós produzimos um milhão de vacinas por dia. Então, nós estamos tratando de produção em larga escala, ou seja, é para atender de fato a população do Brasil. O segundo aspecto, que diz... Ah, sim, o estudo clínico, ele tem que atender aos critérios de estudar as faixas da população, as faixas, crianças, jov ens, ou seja, ela tem que ter uma representatividade para ser incluído nesse estudo clínico. Então, o estudo clínico, ele não seleciona previamente quais pessoas, mas sim grupos populacionais e principalmente os grupos que são expostos, tá certo? Quer dizer, vai ter velho, vai ter jovem, ok?

REPÓRTER: ... tenha falado, não tenha sido clara. Mas em relação... Depois, se a vacina de fato for eficaz, e tiver essa produção, tiver essa campanha de vacinação, quais grupos seriam prioritários nessa campanha?

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: Olha, uma vez chegada nessa fase, os grupos de maior risco, como é hoje na vacina da gripe, quer dizer, ela sempre começa pelos grupos de maior risco, aqueles que estão mais expostos e que têm problemas em termos da infecção em si. Então, os idosos, os pacientes com comorbidades e assim por diante, os riscos que são identificados hoje.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Dr. Dimas Covas. Obrigado, Nicole Fusco. Agora vamos a uma pergunta não presencial, online, da jornalista Vitória Abel, da CBN. Saudade de você, Vitória, há tempos que não vejo você. Bem-vinda, boa tarde, sua pergunta, por favor.

REPÓRTER: Boa tarde, governador. Suas coletivas são muito cedo, eu trabalho à tarde, então só eventualmente que eu participo. Bom, governador, a minha pergunta é um complemento já do que os colegas disseram. Primeiro, uma dúvida com relação a isso: essa vacina, ela estar na fase 3 coloca ela então portanto na mesma fase de outras dez vacinas, e também inclusive na vacina que é desenvolvida pela Unifesp, pela Oxford? O que torna essa vacina então tão especial e o que deixa vocês são otimistas? Queria entend er se é justamente o fato do Butantan já ter essa tecnologia pronta? É isso que diferencia? O que deixa essa vacina tão especial com relação às outras que já estão aí em desenvolvimento? Com relação ao investimento público que o Dr. Dimas Covas mencionou, de R$ 80 milhões, queria saber exatamente de onde que vai sair, se são recursos já separados para o Corona Vírus ou se isso vem do Tesouro Estadual. E uma pergunta também com relação à negociação com o Governo Federal. Caso dê tudo certo, essa vacina fique pronta, como que funcionaria essa distribuição via Governo Federal? Como que isso voltaria para o Ministério da Saúde? Essa negociação, essa via de negociação está aberta? Isso é possível? Já foi pensado pelo Governo Estadual ? E se me permite, governador, queria aproveitar a oportunidade de estar aqui e uma última pergunta: Com relação à verbas, insumos que vocês têm negociado com o Governo Federal, de tudo que vocês pediram aí pro Corona Vírus, o que realmente foi recebido pelo estado, o que ainda não foi recebido pelo estado? E se não foi recebido, de que forma que o estado tem se virado para conseguir essa verba que não vem do Governo Federal? Obrigada.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Vitória Abel, da Rádio CBN. Ficou um tempo sem estar aqui conosco, veio também, já mandou... Vai ganhar também música no Fantástico. A última pergunta será respondida pelo Dr. Germann, sobre os insumos e equipamentos destinados pelo Governo Federal. As duas primeiras perguntas, obviamente o Dr. Dimas está habilitado para a resposta. Dr. Dimas.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: Bem, todas as vacinas que o Butantan produz são destinadas ao Programa Nacional de Imunização, do Governo Federal, que é o maior programa de vacinação pública do mundo. Nós temos que frisar isso, o Brasil é exemplo em termos de vacinação, ele tem uma cobertura universal gratuita de vacinas, o maior portifólio de vacinas. Então veja, essas vacinas, elas são destinadas ao SUS do Brasil, através do Ministério da Saúde, ao seu Programa Nacional de Imunizaç ão. Agora, a contribuição do Estado de São Paulo nesse programa é a maior, quer dizer, somente com essa questão da vacina da gripe hoje, é o maior volume de vacinas entregue ao Ministério. E essa vacina, uma vez passadas as fases de desenvolvimento, entrando em produção, essa negociação para introdução da vacina no Programa Nacional de Imunização terá que ser feita com o Governo Federal, quer dizer, o estado, ele não detém o programa em si. É um programa nacional, para todos os brasileiros. A outra questão é qual a relação dessa vacina, em relação ao estado de outras vacinas. É uma das vacinas que está mais desenvolvida, mais próxima de chegar às pessoas. Quer dizer, existem outras vacinas, como foi mencionado aqui a vacina da Oxford, existe uma nos Estados Unidos, de uma empresa chamada Moderna. Então, são três vacinas que estão numa fase muito adiantada de desenvolvimento. Então agora nós vamos ver qual vacina será mais eficaz e mais eficiente. Então, nós estamos, vamos dizer assim, numa corrida, é uma corrida do bem. Quer dizer, qualquer uma dessas vacinas será útil, e o Butantan mantém essas conversações abertas.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Dr. Dimas Covas. Vitória, vamos agora à última das suas perguntas, que será respondida pelo secretário de Saúde do Estado de São Paulo, José Henrique Germann.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO ESTADUAL DE SAÚDE DE SÃO PAULO: Obrigado, governador. Esta participação, digamos assim, do Governo Federal durante o combate à epidemia, aqui no Estado de São Paulo, tem várias facetas, vamos dizer desta maneira. Primeiro, ele nos enviou um recurso financeiro, da ordem de R$ 330 milhões, que era equivalente ao [ininteligível] que nós temos aqui no estado, alta complexidade. A segunda questão foi de R$ 1,1 bilhão, que também foi distribuído diretamente, uma parte às prefei turas, sem a participação efetiva do estado, mas de qualquer forma dentro do estado de São Paulo. Foram 600 respiradores, ventiladores/respiradores, 80 leitos dentro do Hospital de Clínicas, que foram alugados e colocados dentro do Hospital de Clínicas, leitos de UTI, com respirador, monitor leito completo. E existe a habilitação do leito que passa a ser de UTI, normalmente isso é feito e demora um certo tempo, às vezes, um ano. No caso da epidemia isso foi feito de imediato. Então foram habilitadas, e esse um ano que às vezes, pode demorar, fica por conta do tesouro do estado de São Paulo, até que essa habilitação ocorra. No caso agora da epidemia, foram habilitados 2.500 leitos, e ainda estão para ser habilitados 1.441 leitos, que dá a receita referente aquilo que é gasto dentro uma média, para as instituições filantrópic as e associadas ao SUS. Obrigado.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, doutor Germann. Vitória, apenas complementando, a nossa relação, embora você não tenha perguntando, mas é apenas para complementar, porque julguei bastante oportuna todas as perguntas, e essa em especial, com o atual ministro interino da saúde, é muito boa e muito positiva, ele tem sido correto com São Paulo, e eu tenho elogiado isso inclusive publicamente, ele tem sido republicano nas suas atitudes. Temos ainda essa pendência de habilitação de leitos, que f altam serem complementados. E hoje eu dirigi uma mensagem ao ministro licitando mais 60 respiradores, que serão destinados ao interior do estado de São Paulo, tão logo possam chegar aqui. E até o presente momento as relações seguem boas, fluidas, positivas, e o ministro tem atendido as demandas tecnicamente, dentro daquilo que compete à ciência. Vitória, muito obrigado pelas suas perguntas. Pois não. Precisa ligar o áudio dela. Só um minutinho, Vitória. Aperta o seu botãozinho de áudio. Agora sim.

VITÓRIA, REPÓRTER: Só com relação aos R$ 80 milhões, governador, de onde que vai sair esses R$ 80 milhões para os testes?

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTATAN: O recurso de R$ 85 milhões nesse momento são recursos do próprio Butantã, e que são gerados dos seus ressarcimentos das demais vacinas. Obviamente que o estado ele é o mantenedor do Instituto Butantã, e no fundo no fundo, o dinheiro é do estado de São Paulo.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, doutor Dimas. Obrigado, Vitória Abel, da Rádio CBN, nós vamos desplugar você nesse momento, e vamos para a Rádio Capital, jornalista Carla Mota. Obrigado por estar aqui mais uma vez conosco, na coletiva. Boa tarde, sua pergunta, por favor.

CARLA MOTA, REPÓRTER: Boa tarde, governador. Boa tarde, a todos. O doutor falava agora pouco sobre o tempo, a gente sabe que no passado algumas vacinas, para determinadas doenças demorava muito, anos até, para serem descobertas, como no caso da pólio, com o passar do tempo veio o H1N1 que foi mais rápido, só que agora não havia tempo, a corrida era muito grande, devido a gravidade do problema. Eu queria saber que dificuldades que vocês vão ter? Que dificuldade com o Instituto? Quem está produzindo essa vacina vai ter a partir de agora? Já que o v& iacute;rus vinha apresentando algumas características novas, ele se desenvolveu de uma forma diferente no país aqui, em outros países, e aqui de uma outra forma. Se isso é uma dificuldade no caso da vacina? Muito obrigada.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTATAN: Bem, essa questão da variabilidade viral, da mutação viral não é um problema para o Coronavírus. Quer dizer, as mutações que tem sido descritas para o Coronavírus, e existe hoje um consórcio internacional que faz o acompanhamento do genoma desse vírus, em nível mundial, inclusive aqui no Brasil tem um consórcio que faz isso, mostra que as mutações que ocorrem não ocorrem nas partes do vírus que são fundamentais para que ocorra a resposta imunológ ica. Então do ponto de vista de variabilidade ele não é um vírus que se comporta como o vírus da gripe, por exemplo, que muda muito rapidamente, e todo ano nós temos necessidade de uma nova vacina. Isso é um ponto importante. As dificuldades que nós enfrentamos pela frente, agora é na condução desse estudo clínico, quer dizer, nós precisamos acelerar esse estudo clínico, fazer com que o número de voluntários seja atingido rapidamente para a gente ter a resposta da efetividade da vacina. Então essa é a nossa prioridade a partir desse momento.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, doutor Dimas. Carla Mota, da Rádio Capital, obrigado pela sua pergunta e a sua presença aqui. Antes de seguirmos nós temos mais duas perguntas, dois veículos de comunicação, a Patrícia Ellen já tem os índices de isolamento, saíram agora, do sistema de monitoramento inteligente do governo do estado de São Paulo, tanto para a capital, região da grande São Paulo, e interior de São Paulo. Patrícia

PATRÍCIA ELLEN, SECRETÁRIA DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigada, governador. Os índices de isolamento de ontem foram 48% na capital, 46% no estado, lembrando aqui o pedido adicional para o interior, nós já colocamos ontem no plano São Paulo, a importância da atenção, esse reforço especial para que as pessoas aproveitem esse feriado para respeitar ainda mais o isolamento. E só queria agradecer, governador, e Dimas, como cidadã do estado de São Paulo, esse anúncio me enche de orgulho. Esse & eacute; um trabalho pioneiro, não só para São Paulo, mas para todo mundo, e que reconfirma o compromisso com a ciência, com a tecnologia e com a inovação. Muito obrigada.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Patrícia Ellen. Antes da próxima pergunta, que é da TV Record, jornalista Catarina Hong. Apenas para um esclarecimento, que São Paulo não está entrando em uma competição internacional de vacinas, não é uma corrida pela vacina, é uma corrida pela vida, isso é importante deixar claro. O Butantan, que é uma instituição centenária, respeitada internacionalmente, vem conduzindo de forma eficiente, com base na ciência para const ruir através dessa parceria, e oferecer a milhões de brasileiros, todos eles, de São Paulo e do Brasil, a vacina contra o vírus. É um privilégio para São Paulo, um privilégio para o Brasil, nós temos hoje aqui acompanhando essa coletiva vários correspondentes de veículos internacionais, da Europa, dos Estados Unidos, da China, do Japão, e do Médio Oriente, exatamente pela importância científica deste trabalho e do anúncio de hoje. Agora sim, Catarina Hong, TV Record. Boa tarde, obrigado pela sua presença.

CATARINA HONG, REPÓRTER: Boa tarde. A minha pergunta é sobre os voluntários mais uma vez, na verdade, tem muita gente querendo saber se pode se candidatar a ser um desses voluntários, afinal de contas são 9 mil, é bastante gente. A Universidade de Oxford vai fazer um teste com 2 mil, então um número mais de quatro vezes maior. E aí também queria se serão só voluntários do estado de São Paulo? Se serão profissionais de saúde? Como é que vai ser isso?

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTATAN: Bem, os voluntários serão do Brasil, nós vamos iniciar pelo estado de São Paulo pelas próprias facilidades que já existem aqui nas universidades, os centros de pesquisa clínica que já estão em funcionamento. Mas isso deve ser estendido a todo o Brasil, e por isso que eu mencionei a rede de centros de estudo clínico, e que o Butantan já usa regularmente para desenvolvimento de outras vacinas. Eu sou o primeiro voluntário para essa vacina, precisa ver se eu me incluo nos critérios do estud o clínico, eu espero que sim. O estudo clínico ele tem critérios, esses critérios são tornados públicos, e cada centro faz o seu recrutamento, quer dizer, cada centro tem a sua meta de recrutamento. Então são colocados boletins, são colocadas informações públicas que está recrutando, e aí os critérios para participação. Ok?

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, doutor Dimas. Ela fez uma pergunta, só para complementar, a Catarina perguntou se os profissionais de saúde estarão, vamos dizer, entre esses 9 mil. Confere, Catarina? Então se puder concluir.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTATAN: Os profissionais em princípio podem, não é só para profissionais de saúde, são populações, subpopulações que são definidas para ter uma amostragem que seja significativa, para poder demonstrar a eficiência, a eficácia da vacina.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, doutor Dimas. Catarina Hong, da TV Record, mais uma vez, muito obrigado. Vamos à última pergunta de hoje, é do jornalista Marcelo Barségio, da TV Gazeta. Marcelo, obrigado por estar mais uma vez aqui conosco. Boa tarde, sua pergunta, por favor.

MARCELO BARSÉRGIO, REPÓRTER: Boa tarde, a todos. Os próximos passos que foram expostos aqui no telão, incluem o ensaio clínico, a farmacovigilância, a transferência de tecnologia, o processo regulatório por parte da ANVISA, e por fim o fornecimento dessa vacina. Eu gostaria de saber se o ensaio clínico é o processo mais demorado? Quanto tempo demoraria para ser definido esse estudo clínico de que de fato a vacina é eficaz e segura? E também uma pergunta que a nossa colega fez há pouco, duas, na verdade, quando que começa , de fato, essa testagem? O governador citou que dentro de três semanas seria feito essa vacinação. Quando ela começa? E se as pessoas que já adquiriram o Coronavírus também serão vacinadas? Muito obrigado.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTATAN: Pelo final, quer dizer, não tem muito sentido você aplicar a vacina em quem já foi naturalmente vacinado, ok? Esse é o primeiro ponto. Segundo, é o seguinte, nós assinamos o acordo com a Sinovac ontem à tarde. Então os detalhes desse acordo agora eles começam a ser abertos para os dois lados. Então o estudo clínico é um dos elementos desse acordo, esse estudo clínico ele tem que ser registrado aqui no Brasil na ANVISA, tem que ser aprovado pelos comitês de época aí par a iniciar a vacinação. Os centros clínicos já existem, são centros já ligados ao Butantã. Então nós já temos a experiência, agora é colocar essa experiência em prática. Ok?

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO : Muito bem. Obrigado, doutor Dimas. Marcelo Barsérgio, da TV Gazeta, muito obrigado. Antes de fechar a nossa coletiva de hoje, lembre-se que amanhã não terá mais coletiva, volte na próxima segunda-feira, aqui mesmo no Pal&aac ute;cio dos Bandeirantes. Queria transmitir um abraço carinhoso para William Curi, ao Will, que eu conheço há tantos anos, para que ele não me queira mal com uma observação que eu fiz carinhosamente para você como bom jornalista que é. Sempre ressaltei que você é um jornalista excepcional, já era antes de estar na TV Globo, e com uma biografia, ainda jovem, uma biografia brilhante no jornalismo, no radiojornalismo e agora na televisão. Por favor, Will.

WILLIAM CURI, REPÓRTER : Você já teve uma réplica, agora tenho uma réplica agora. Estava conversando com Bruna, meu endereço está com ela.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Ok, vamos providenciar, Bruna, chocolates não amargos, por favor, doces, vamos providenciar. Você receberá ainda hoje, Will. Obrigado pela sua presença. Obrigado também a Sabina Simonato, é a primeira vez que aqui, veja nossa coletiva, acompanhe-o à distância na Globo News, na TV Globo, especialmente no Bom dia São Paulo, obrigado por estar aqui também. Quero agradecer a presença de todos os jornalistas mais uma vez, cientistas, fotógrafos, técnicos, que também ouviram, acompanhar, escrever, gravar, reproduzir. Desejo a todos que tenham um bom feriado. Se possível, fiquem em casa, se tiverem que sair, usem máscaras, não usem álcool em gel. Se protejam. E segunda-feira estaremos novamente aqui juntos na coletiva de imprensa. Muito obrigado. Boa tarde, a todos.