Coletiva - Governo de SP anuncia investimento recorde de R$ 200 milhões em projetos culturais 20211105

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Coletiva - Governo de SP anuncia investimento recorde de R$ 200 milhões em projetos culturais 20211105

Local: Capital – Data: Maio 11/05/2021

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JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Pessoal, boa tarde. Muito obrigado pela presença de todos. Vou começar fazendo aqui alguns agradecimentos, à presença do deputado Carlão Pignatari, presidente da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo; do Sérgio Sá Leitão, já super-recuperado da Covid, já está turbinado, bem, felizmente aqui entre nós, nosso secretário de Cultura e Economia Criativa; Vinicius Lummertz, secretário de Turismo do Estado de São Paulo, obrigado, Vinicius; Eduardo Saron, presidente do nosso Conselho Estadual de Cultura, Saron está chegando, mas já deixo aqui a homenagem a ele; ao Vinícius Camarinha, nosso líder do Governo na Assembleia Legislativa, deputado, obrigado, Camarinha, você estar aqui conosco nessa tarde; Jorge Damião, presidente do Memorial da América Latina, obrigado, Jorginho; Marcos Mendonça, diretor-geral do MIS, Museu da Imagem e do Som, e também do nosso MIS Experience, ex-secretário de Cultura do Estado de São Paulo, muito obrigado, Marcão; e agradecer também aos membros do Conselho de Cultura do Estado de São Paulo: José Gregori, Carlos Meceni, Caio Carvalho, Amilson Godoy, Odilon Wagner, Manuel Costa; e cumprimentar também a Patrícia Ellen, que está chegando, nossa secretária de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia; e o Fábio Resende, da nossa PGE.

Bem, hoje é um evento muito importante, porque trata de cultura. O Sérgio Sá Leitão vai dar uma palavra aqui a vocês, eu queria cumprimentar os jornalistas que aceitaram o convite para estarem aqui nesta tarde, cinegrafistas e fotógrafos. Hoje, o tema não é Covid, não é saúde, é cultura. Mas um país que não respeita a cultura é um país doente, é um país doentio, quando não respeita a cultura, a história e a sua memória. E São Paulo respeita a cultura, São Paulo respeita a memória do seu povo e respeita a memória do povo brasileiro. Aqui, cultura não parou, aqui a cultura não foi prejudicada, em investimentos, ao contrário, ampliamos. O Sérgio Sá Leitão falará exatamente sobre isso, aliás, é o que nos motiva estarmos aqui hoje, nesta tarde, é exatamente para anunciar o maior investimento já realizado por um estado brasileiro para a Cultura. É a razão que nos move para estarmos aqui nesta tarde. A atividade da cultura aqui, e a economia criativa, no Estado de São Paulo, representa, na média, 4% de todo o movimento econômico do Estado de São Paulo. Obviamente que, durante o período da pandemia, dadas as restrições, as limitações, para aglomerações, para organização e a promoção de espetáculos e eventos, houve uma queda substancial neste movimento. E nós reconhecemos o sacrifício daqueles que, pela cultura, compreenderam com o seu sacrifício a importância de salvarem vidas e protegerem pessoas. Eu, até hoje, Sérgio, não vi, não assisti, não li nenhum membro da cultura brasileira, em qualquer nível, que tivesse criticado as ações da saúde, da medicina, para proteger vidas, mesmo diante do prejuízo pessoal, e mesmo diante de situações extremamente duras e difíceis de alguns profissionais da cultura brasileira em São Paulo. E como você lembrou, ao contrário, apoiando, protegendo e se manifestando. E faço aqui também, Marcos Mendonça, uma pequena homenagem, mas uma grande lembrança, ao Paulo Gustavo, que tanto você quanto eu conhecemos em vida, um dos mais completos artistas brasileiros das últimas duas décadas, e que se foi, exatamente pela Covid. Sem antes deixar o legado de várias manifestações que fez, solitariamente e coletivamente, com outros artistas, em defesa da vida, da ciência, do distanciamento, do uso de máscara e outras medidas, mas que, infelizmente, não foram suficientes para salvar a vida do Paulo Gustavo, assim como vários outros artistas também, técnicos, produtores, cenógrafos, câmeras, profissionais do mundo do cinema, dos documentários, das artes plásticas, das artes cênicas, do teatro, da dança, do circo, perderam suas vidas pra Covid-19.

No dia de hoje, nós estamos destinando um volume substancial de recursos, sobre o qual o Sérgio vai expor na sequência. São quase R$ 200 milhões, são R$ 198 milhões, dos quais R$ 180 milhões em três programas de fomento, articulados e complementares: o Proac Expresso Editais, o Proac Expresso Direto e Juntos Pela Cultura. São R$ 200 milhões apenas este ano de 2021. O Marcos Mendonça, que já foi secretário municipal e estadual, sabe o que representam R$ 200 milhões para a cultura no Estado de São Paulo. Quantas vezes você lutou para ter um orçamento melhor, e teve dificuldades? Não por má vontade dos que ocuparam aqui o Governo de São Paulo. Por dificuldade e por limitações. E por que nós pudemos fazer isso, Camarinha? Porque você e outros deputados estaduais, assim como o Carlão Pignatari, aqui ao meu lado, votaram na Assembleia Legislativa, há dois anos, a reforma da previdência. Só 14 estados do país fizeram reforma da previdência, e a mais completa foi aqui, em São Paulo. E no ano passado, os deputados estaduais também debateram profundamente e votaram a reforma administrativa, na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. Foi o único estado do país que fez reforma administrativa. E graças a essas duas reformas, nós hoje temos condição de 'saldibilidade' financeira para fazer o investimento de R$ 200 milhões em cultura; fazer investimentos em estradas vicinais; em recuperação das estradas estaduais; na recuperação de hospitais; na implementação de mais 120 creches, até o final do ano que vem, por todo o Estado de São Paulo; programas ambientais, de proteção ambiental e recuperação de mananciais; reequipamento de todo o setor de segurança pública do Estado de São Paulo, incluindo com tecnologia moderna e eficiente, preventiva, para evitar a criminalidade; investimentos na área do esporte, fizemos aqui anteontem um grande evento com o maior movimento de investimento em quadras poliesportivas, ao ar livre e fechadas, também da história do Governo do Estado de São Paulo, com o nosso secretário... Ontem, aliás, não anteontem, nosso secretário Aíldo Rodrigues, um evento vibrante, diga-se de passagem, com a presença representativa, pelo [ininteligível], de vários prefeitos, mais de 200, que participaram remotamente dessa inauguração; R$ 1 bilhão de investimentos em tecnologia, ciência e pesquisa. Enquanto o Governo Federal corta o investimento na pesquisa, corta o investimento em universidades, corta o investimento na ciência, São Paulo coloca R$ 1 bilhão na Fapesp, para o desenvolvimento desses programas. E não é só. Também na Assembleia Legislativa, com vocês, Camarinha, mais uma vez, com você, Carlão, aprovaram na semana passada a Bolsa do Povo, o maior programa de amparo e apoio social já realizado aqui em São Paulo, investimento superior a R$ 5 bilhões, ao longo dos próximos dois anos, deste ano e do ano que vem, que ainda estaremos muito machucados pela pandemia, e a Bolsa do Povo vai permitir a destinação de até R$ 500 por família, e a contrapartida é o trabalho, seis horas de trabalho. Programas na educação, a ampliação de programas educacionais, um investimento que nós já fizemos de R$ 2 bilhões, autorizados por Rossieli Soares, para compra de tablets, tecnologia, inovação, sem contar, no início do ano, que aprovamos R$ 800 milhões para reforma das escolas, no programa Escola Mais Bonita. Tudo isso porque temos um estado com saúde financeira. Eu não vou me referir aqui ao Governo Federal, prefiro esquecer a situação financeira do Governo Federal. Aqui, o foco é onde nós estamos, é São Paulo.

Então, Sérgio, são 9.300 projetos de artistas, produtores, promotores culturais, que, em São Paulo, serão beneficiados com esses R$ 200 milhões, que nós estamos colocando agora nos projetos do Proac, sob a sua liderança. Viva a cultura, viva a arte. Sou casado com uma artista, amo a arte, aprendi a conhecer, a desfrutar e a me envolver com a arte, ainda pequeno, com meu pai, vindo da Bahia, que aprendeu no som do berimbau os primeiros momentos de admiração pela música, como ele era apaixonado pela música, e depois pelas artes plásticas. Ele, que se tornou amigo de Portinari, amigo de Emiliano Di Cavalcanti e de outros grandes artistas, e foi diretor do Masp, que, aliás, fundou o Masp, sob a liderança de Assis Chateaubriand. Rua Sete de Abril, 230, foi a primeira sede do Museu de Arte de são Paulo, aqui. Então, tenho razões também de família para respeitar a cultura e amar as artes. Sérgio Sá Leitão.

SÉRGIO SÁ LEITÃO, SECRETÁRIO ESTADUAL DE CULTURA: Muito obrigado, governador João Doria, muito obrigado a todos que estão aqui presentes, jornalistas, também membros do Conselho Estadual de Cultura, enfim, todos que o governador já nominou. O que vocês vão ver agora resulta diretamente do que o governador mencionou. Primeiro, este ajuste fiscal e esta reforma administrativa, que o governo teve coragem de fazer na hora certa, e que agora permite que nós tenhamos recursos para todos esses investimentos, e resulta também do compromisso que o governador João Doria tem, que o vice-governador Rodrigo Garcia tem, com o setor cultural e criativo de São Paulo, que todos nós aqui do governo encaramos como um front de desenvolvimento, de geração de renda, de geração de emprego, de geração de alegria, de felicidade, algo que nós precisamos cada vez mais.

Eu vou apresentar aqui pra vocês então, em primeiro lugar, o nosso programa de celebração dos 100 anos da Semana de Arte Moderna de 1922. Todas as instituições culturais do Governo do Estado de São Paulo estão engajadas e envolvidas, estão vestindo a camisa desta celebração, que é muito importante, não apenas pelo sentido, pelo significado, pela relevância da Semana de 1922 para a cultura brasileira, mas sobretudo por representar justamente isso, quer dizer, a valorização e a priorização da cultura em São Paulo. Então, nós fizemos esta logomarca, que está sendo apresentada agora pela primeira vez, e ela estará presente em todos esses eventos, em todas essas ações. Bom, esse programa, ele se chama Modernismo Hoje - São Paulo celebra o centenário da Semana de Arte Moderna de 1922. Nós estamos trabalhando aqui com a ideia de realização de uma grande agenda, com mais de cem iniciativas, para celebrar o legado dos modernistas. Essa programação vai acontecer de julho deste ano, de 2021, a dezembro de 2022, portanto nós estamos falando aí de 18 meses, em todas as regiões do Estado de São Paulo, e será uma programação online e, claro, presencial, com a adoção de todas as medidas de proteção, de todos os protocolos. A coordenação é da Secretaria de Cultura e Economia Criativa, e temos uma parceria direta com a Secretaria de Turismo, não é, Vinicius? Turismo e Cultura estão caminhando juntos aqui em São Paulo, e precisam caminhar cada vez mais, também, no Brasil. E nós temos a participação das 60 instituições, corpos artísticos, espaços culturais e programas culturais do Governo do Estado de São Paulo.

Pois bem, são quatro eixos integrados nesse programa Modernismo Hoje. O primeiro é a realização desta programação cultural a que eu me referi, programação cultural esta realizada pelas instituições culturais do Governo do Estado de São Paulo. Nós teremos também o segundo eixo, é a criação de uma agenda, de um calendário integrado de atividades, que vai reunir tanto as atividades que nós vamos realizar, mas também as atividades que a sociedade civil realizará, que a Prefeitura de São Paulo realizará, que outras instâncias do poder público realizarão até o final de 2022. Nós estamos chamando esse calendário de Tarsila, é uma homenagem à grande artista Tarsila do Amaral. Além disso, tem o eixo de fomento, vocês vão ver quando eu apesentar os programas de fomento que nós temos linhas dedicadas a esse assunto, também ao bicentenário da independência. Então é apoio financeiro institucional a projetos da sociedade civil, relacionados a esse assunto. E finalmente ao eixo de articulação com o setor de turismo, já fizemos algumas reuniões, né, Vinícius? Para que o setor de turismo possa capitalizar essa programação atraindo turismo, sobretudo, de outros estados, e também do interior para essas atividades. E articulação com o poder público em outras instâncias. O objetivo aqui é gerar uma oferta cultural de grande relevância e alta qualidade. Valorizar a semana de 22, e seu impacto na cultura brasileira. Estimular a reflexão sobre o modernismo e o legado dos artistas modernistas, e claro, destacar o papel de São Paulo e dos artistas paulistas no modernismo. Eu trouxe aqui para compartilhar com vocês alguns dos eventos, algumas das iniciativas que já integram esse calendário, e que irão acontecer, e que nós estamos anunciando agora com exclusividade pela primeira vez. Então são destaques, nós já temos, como eu falei, mais de 100 atividades, nesse calendário, e aqui temos alguns destaques, a exposição imersiva e interativa Portinari por Todos, no MIS Exeprience, de janeiro a junho de 22. Está aqui o Marcos Mendonça, que dirige o MIS o MIS Experience. A exposição 100 anos Modernos, também no MIS, em parceria com a bienal do Mercosul, de fevereiro a maio de 2022. A temporada Pau Brasil, inspirações modernistas, da São Paulo Companhia de Dança, e da orquestra do Teatro São Pedro, com coreografias inspiradas em Vila Lobos, no Teatro São Pedro, de maio a junho de 2022, o ciclo de concertos clássicos modernistas, com a OSESP, na Sala São Paulo. 100 obras de compositores influenciados pelo modernismo, serão apresentadas de março a dezembro de 2022. O espetáculo Brasil 1922 a 2022, com projeção de imagens e repertório musical tocado ao vivo pela São Paulo Big Band, no Memorial da América Latina, temos aqui o Jorge, diretor do memorial. E também seis cidades do interior de São Paulo, isso de agosto a dezembro agora de 2021. Além disso, outros destaques, a exposição A Máquina do Mundo, na Pinacoteca de São Paulo, com obras artistas modernistas, e também contemporâneos influenciados pelo modernismo, de 6 de novembro a 7 de fevereiro. O seminário 100 anos da semana de 22, no Teatro Sérgio Cardoso, realizado em parceria com a Academia Paulista de Letras, e exibição na plataforma cultura em casa, começa agora em julho e vai até fevereiro de 2022. A ocupação, a semana que durou um século, no Memorial de América Latina, com artes visuais, música, teatro, gastronomia, design etc., de janeiro a março de 2022. A exposição de 1822 a 1922, Brasilidades em Campo, no Museu de Futebol, de janeiro a junho de 2022. E finalmente ainda entre os destaques, eu falo de mais quatro programações especiais, a exposição SP 22 no Museu da Língua Portuguesa, de 11 de junho a final de setembro de 2022. A exposição A Arte sacra dos modernistas, é um lado menos conhecido da produção dos artistas plásticos modernistas, mas muitos deles se dedicaram à arte sacra, também no Museu de Arte Sacra de São Paulo, de janeiro a março de 2022. A série documental inédita, a semana que ninguém viu, mas o Brasil jamais esqueceu, com cinco episódios de 26 minutos, é uma série produzida pela TV Cultura, será exibida pela TV Cultura em fevereiro de 2022. E finalmente a estreia nacional do filme infantil Tarsilinha, também na TV Cultura, é uma produção da produtora premiadíssima, TV Pinguim. Esse filme vai ser exibido pela primeira vez em 12 de fevereiro de 2022. Toda essa programação estará, aliás, já está no site que nós criamos especificamente para isso, que tem esse endereço, lá vocês vão encontrar mais informações sobre essas mais de 100 atividades que estão sendo programadas para que nós possamos celebrar o legado da semana de 22, e dos artistas modernistas, algo que é absolutamente fundamental para a cultura de São Paulo, e a cultura do Brasil. Governador, eu queria aproveitar aqui para mostrar a todos um vídeo que nós preparamos para divulgar todo esse conjunto de atividades. Por favor, vamos mostrar o vídeo.

APRESENTAÇÃO DE VÍDEO: "O principal marco da cultura brasileira aconteceu em São Paulo, e fará 100 anos em fevereiro de 2022. A semana de arte moderna marcou o início do modernismo, o movimento que revolucionou a nossa cultura e o próprio país. Quando se criou uma arte essencialmente brasileira, em sintonia com as transformações profundas que o Brasil vivia. Quando os artistas brasileiros começaram a realizar o Brasil, como disse Mário de Andrade. Para celebrar este marco e seu legado, o governo de São Paulo vai fazer mais de 100 eventos culturais entre julho de 2021, e dezembro de 2022. Exposições, espetáculos de dança e teatro, concertos, seminários e muito mais. Será uma intensa programação presencial e online, para celebrar a semana de 22, e estimular a reflexão sobre o modernismo e a cultura brasileira hoje. Além disso, haverá uma agenda online chamada Tarsila, com todos os eventos programados, e uma ação de fomento para apoiar projetos de artistas e produtores independentes relacionados ao tema. São Paulo fez a semana de 22, e agora vai fazer uma celebração do centenário da semana de 22, que também vai entrar para a história".

SÉRGIO SÁ LEITÃO, SECRETÁRIO ESTADUAL DE CULTURA: Muito obrigado. Então essa é a nossa programação para a semana de 22, para a celebração do centenário da semana de 22. Governador, amigos e amigas, eu vou falar agora sobre o nosso conjunto de programas de fomento, que estamos também lançando hoje, nessa coletiva, que tem esse sentido de reafirmar o compromisso do governador João Doria, do vice-governador Rodrigo Garcia, do nosso governo com o setor cultural e criativo, e com a valorização da arte e da cultura. Pois bem, como o governador mencionou, antes da pandemia o setor cultural e criativo de São Paulo representava ou gerava 3,9% do PIB estadual, isso aí era algo entorno de 47% de todo o PIB da economia criativa do país, cerca de R$ 78,35 bilhões eram gerados anualmente pelo setor cultural e criativo de São Paulo, com 1,5 milhão de postos de trabalho diretos. Nós estamos falando de um dos dez maiores setores da economia de São Paulo. Um peso realmente muito relevante, muito significativo. Com a pandemia nós estamos vivendo aí 15 meses de paralisação de boa parte das atividades presenciais, claro, tivemos um bum das atividades online. Foi o setor mais impactado pela crise gerada pela pandemia, de acordo com o estudo da Fundação SEADE. Perdemos 458 mil postos de trabalho, de acordo com o Itaú Cultural, foi uma perda econômica equivalente a 1,7% do PIB estadual, segundo a FGV. Que aponta também que a recuperação plena só acontecerá em 2022, após a vacinação. Por isso que nós temos dito que vacinação mais investimento, igual a recuperação do setor cultural e criativo. O investimento público, portanto, nesse contexto tão adverso, é absolutamente fundamental para estimular a recuperação, seja por meio de fomento, seja por meio de crédito. E é justamente sobre isso que nós vamos falar aqui. Em 2020 o governo de São Paulo fez um grande investimento no setor cultural, vale a pena a gente recuperar isso, por meio do ProAC Lei Aldir Blanc, por meio do ProAC ICMS, do ProAC Editais, e do Juntos Pela Cultura, mais os programas de difusão cultural, nós tivemos um investimento de R$ 454,2 milhões no setor cultural do estado, recursos oriundos do Governo Federal e também recursos próprios do governo de São Paulo, com isso nós apoiamos 9 mil projetos, geramos 137,6 mil empregos, e geramos o impacto econômico de R$ 683,3 milhões. Esses dados são da FGV, que atestam aí os resultados que nós obtivemos com esse grande investimento feito em 2020. Agora em 2021 nós estamos programando um investimento também muito significativo, e agora com menos recursos da Lei Aldir Blanc, mais recursos do governo do estado de São Paulo. É o maior conjunto de programas de fomento à cultura em nível estadual no Brasil, quando é quatro vezes maior do que o segundo maior programa. Recursos próprios do governo de São Paulo, valor recorde. E também recursos da Lei Aldir Blanc, revertidos dos municípios. Nós temos aí, claro, uma situação emergencial devido à pandeia, e essa questão da relevância estratégica do setor, e esses dois fatores mais do que justificam esse investimento. São quatro programas, o ProAC direto, que substitui em 2021 o ProAC ICMS, como o governador já havia anunciado, com R$ 100 milhões em recursos próprios do governo de São Paulo. Temos o ProAC Editais, com R$ 60 milhões, valor recorde, também próprios do governo de São Paulo. Temos o ProAC Lei Aldir Blanc/2021, com R$ 18 milhões oriundos da Lei Aldir Blanc. E temos o Todos o Juntos pela Cultura, e os programas de difusão cultural com R$ 20 milhões também próprios do governo de São Paulo. O ProAC ICMS, aliás, governador, acho que vale a pena anunciarmos isso aqui, foi uma decisão sua que o governo já formalizou por meio da Lei de Diretrizes Orçamentárias enviada à Assembleia Legislativa no último dia 30 de abril, o ProAC ICMS voltará em 2022, decisão do governador, que já foi, inclusive, como eu disse, formalizada, atendendo aí à uma demanda do setor cultural e criativo de São Paulo. Pois bem, esses programas todos acho que vale a pena dizer isso, enfatizar, eles foram formulados a partir de uma consulta pública que nós realizamos em fevereiro, recebemos mais de 450 propostas, foram devidamente analisadas. E depois nós fizemos diversas reuniões setoriais com todos os segmentos da cultura, essas reuniões tiveram a participação de mais de 500 representantes de entidades e associações do setor. Depois as regras gerais, as linhas, os valores e os parâmetros foram debatidos e aprovados pelo Conselho Estadual de Cultura e Economia Criativa, temos aqui o Eduardo Sarom, que é o presidente do Conselho. O Conselho teve uma participação bastante ativa. As comissões de seleção, elas estão sendo formadas a partir de uma chamada pública, para indicação de especialistas por entidades e associações do setor. Essa chamada está em curso e está aberta, até o dia 13 de maio. E, claro, nós tivemos que observar todos os limites legais da Lei do Proac, da Lei Aldir Blanc, e também os limites operacionais para definir as regras gerais dos programas. É, como eu disse, o maior programa de fomento já realizado aqui em São Paulo.

Então, falando aqui rapidamente, apresentando em linhas gerais esses programas, nós temos o Proac Direto, com R$ 100 milhões. São quatro linhas: uma de fomento direto a projetos culturais aprovados no Proac ICMS, com recursos captados em 2020 e em 2019, com total de R$ 33 milhões; a linha 2, ela é uma linha de fomento direto a projetos culturais, portanto, uma linha aberta; nós temos também a linha 3, que é de fomento direto a profissionais do setor cultural e criativo de São Paulo, para apoiar esses bravos profissionais da cultura, que têm resistido a todas as adversidades geradas pela pandemia; e finalmente a linha 4... Temos aí R$ 17 milhões. E a linha 4, de fomento direto a espaços culturais e criativos do Estado de São Paulo, com R$ 14 milhões. As inscrições começam a partir do dia 18 e as informações estão no site do Proac. O Proac Editais, nós temos, como eu disse, R$ 60 milhões, são 36 linhas que cobrem todas as áreas da cultura. A decisão dos projetos premiados será feita por comissões de especialistas por áreas. As inscrições começam também no dia 18 de maio e as informações estão no site do Proac. Bom, o Juntos Pela Cultura e os programas de difusão cultural, nós temos um valor total de R$ 20 milhões, chamadas públicas um total de R$ 10,6 milhões. São 12 linhas de chamadas públicas, que já estão abertas para inscrições, a partir de hoje, e um total de mais 11 ações culturais. Como eu disse, as inscrições começam a partir de hoje, no Juntos Pela Cultura. Finalmente, nós temos o Proac Lab 2021, graças a uma liminar que foi obtida pela Procuradoria-Geral do estado, nossa procuradora Lia Porto teve um papel decisivo nesse processo, nós podemos usar recursos revertidos dos municípios, que não utilizaram esses recursos, recursos esses que eram apenas para 2020 podem ser usados agora em 2021, graças a essa decisão, a liminar concedida pelo STF. Então, nós temos R$ 18 milhões, governador, são 11 linhas, modalidade de prêmio, estão aí as áreas cobertas pelo Proac Lab 2021. As inscrições começarão em 29 de maio.

Aqui estão as informações para o lide das matérias, né? A soma de tudo o que nós falamos aqui, para encerrar esta apresentação: Nós temos R$ 180 milhões de recursos próprios do Governo de São Paulo, temos R$ 18 milhões do Governo Federal, via Lei Aldir Blanc, portanto, temos aí cerca de R$ 200 milhões de investimento em projetos culturais e artísticos, em 2021, no Estado de São Paulo. Total de projetos: 9.340, que serão apoiados por meio desses quatro programas. Vamos gerar com isso 138 mil empregos no setor cultural, com impacto econômico da ordem de R$ 300 milhões, considerando o efeito multiplicador deste investimento. Então, são essas as principais informações que nós tínhamos para compartilhar com vocês, em relação à Semana de 1922, à celebração do centenário da Semana de Arte Moderna, e também em relação ao lançamento desses quatro programas de investimento em cultura, que certamente impulsionarão a retomada, a recuperação do setor cultural e criativo de São Paulo.

Para encerrar, nós temos um vídeo sobre o Juntos Pela Cultura, que eu gostaria de compartilhar com vocês, antes de passarmos aí às falas das demais pessoas que estão na mesa. Muito obrigado pela atenção.

[Aplausos]

[Exibição de vídeo]

ORADORA NÃO IDENTIFICADA: O Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa, apresenta o Juntos Pela Cultura 2021, programa de fomento e difusão cultural que une estado, prefeituras e segmentos artísticos para desenvolver a cultura e a economia criativa, em todas as regiões de São Paulo. Nesse ano, serão mais de R$ 10 milhões, divididos em 12 chamadas públicas. As chamadas públicas adotam critérios de seleção objetivos, consolidando a descentralização do investimento, o caráter democrático da ação e a transparência na escolha dos contemplados. As ações culturais resultantes do Juntos Pela Cultura 2021 serão disponibilizadas na plataforma Cultura em Casa e demais canais de comunicação. Participe, as inscrições são gratuitas e estarão abertas até dia 31 de maio, através do nosso site: www.juntospelacultura.org.br.

[Aplausos]

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Sérgio, obrigado. Nós vamos ter duas intervenções, eu vou pedir apenas aos meus queridos e bons amigos Eduardo Saron e Carlão Pignatari, que não sigam o exemplo do Sérgio Sá Leitão. O Sérgio foi muito resumido, levou 25 minutos para resumir tudo. Mas esse é o Sérgio Sá Leitão, ele se entusiasma e vai embora...

SÉRGIO SÁ LEITÃO, SECRETÁRIO ESTADUAL DE CULTURA: É muita informação.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: É muita informação, e também você gosta de uma falação, e vai embora. Mas, carinhosamente, então eu vou pedir para o Saron dar uma resumida e também o Carlão, para atendermos os jornalistas, porque eles têm fechamento e têm que almoçar também. Saron. Saron é o nosso... Eduardo Saron é o nosso presidente do Conselho de Cultura do Estado de São Paulo. Vários conselheiros estão aqui, eu até citei, inclusive os que chegaram depois, mas que estão aqui conosco: Marcos Mendonça, José Gregori, Carlos Meceni, Caio Carvalho, Amilson Godoy, Odilon Wagner e Manuel Costa, todos, muitíssimos obrigado. Saron.

EDUARDO SARON, PRESIDENTE DO CONSELHO DE CULTURA DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito bom, governador. Obrigado, obrigado, Sérgio Sá Leitão, pelo convite, junto com o governador, de estar aqui, representando o conselho, mais uma vez. Dizer que eu faço parte do único conselho no Brasil que é ligado diretamente ao governador. Quando o governador propôs esse conselho, há mais de dois anos, há praticamente mais de dois anos, ele disse: Olha, a importância da cultura pra mim é tão relevante que precisa ser ligado a mim. Eu imaginei, viu, governador, confessar publicamente, que o senhor não ia participar, que ia dar uma passada, dar um oi. Mas todas as reuniões de conselho, os meus amigos conselheiros aqui, Marcos Mendonça, que eu vejo aqui de primeira linha, sabe que não só ele começa e termina, e participa ativamente da pauta... Inclusive este tema, que o Sérgio Sá Leitão trouxe, foi um tema muito debatido, o tema do Proac, do Proac Direto, do Proac ICMS. Lá no conselho, nós falávamos da importância do retorno do Proac ICMS e, na mesma hora, o governador falou: Eu garantirei os recursos para que os R$ 100 milhões que seriam pelo Proac ICMS se tornem R$ 100 milhões de recursos diretos. E assim o fez, e fez dentro do conselho. Então, quero agradecer e registrar publicamente desse seu ato para incentivar a cultura.

E eu diria aqui, para os meus colegas, amigos jornalistas, meus colegas do conselho, que são duas questões muito relevantes para que a gente possa pensar na cultura nesse momento. Alguns podem achar, e às vezes a gente vê crítica de alguns setores, dizendo: Puxa, mas precisa de dinheiro pra saúde, precisa de dinheiro pra educação. Pra quê dinheiro pra artista? Pra quê dinheiro pra cultura? Eu digo que uma das questões aqui relevantes foi a que o Sérgio reforçou, da questão econômica. No Brasil, são mais de 7 milhões de empregos no setor da economia criativa. O ano passado, perdemos 800 mil empregos, embora tenhamos recuperado, no final, metade desses empregos, continuamos com déficit de quase 500 mil empregos. Então, a primeira questão é a pujança da economia criativa e pujança dessa economia, inclusive para os jovens, que são os mais impactados em virtude do cenário de desemprego. E a segunda questão, eu diria, viu, Sérgio, governador, Carlão, Vinicius... A segunda questão é uma questão essencial, ligada inclusive ao momento da pandemia: mais arte, mais cultura significa mais saúde mental. E esse é um dos temas mais gritantes, talvez um dos grandes legados, dos grandes tristes legados que a pandemia vai nos deixar, problemas profundos de saúde mental na população, na sociedade. E eu lembraria aqui uma frase da Louise Bourgeois, grande artista, que dizia o seguinte: Cultura, arte é garantia da sanidade. E é mesmo, senhores. Então, mais investimento em cultura, governador, mais investimento em arte, além de ativar a economia criativa, a economia da cultura, proporciona acolhimento das pessoas. Pesquisa Datafolha feita em setembro, ano passado, perguntava: Se você, ao se relacionar, mesmo com o mundo virtual da arte, com as lives, com as músicas, com as séries, enfim, com o universo remoto das artes, se você tinha diminuído a sua ansiedade, se você tinha diminuído a sua angústia, se você tinha se relacionado melhor com a sua família. De cada dez pessoas, sete diziam que, graças à arte, graças à cultura, mesmo de modo remoto, a vida delas com a família tinha melhorado, a ansiedade delas, cada dez pessoas, seis diziam que tinha diminuído a ansiedade. Então, investir em cultura é gerar mais empregos, é fomentar a economia, mas, acima de tudo, é preparar as condições para que a saúde mental possa ser também acolhida pelo universo da cultura e da arte. Então, muito, muito, muito relevantes esses anúncios que nós estamos vendo aqui. Eu queria dizer inclusive, estou vendo o Caio aí, ontem conversava com um grupo, viu, Caíto? De profissionais de saúde lá do Sírio Libanês, médicos, dirigentes do Sírio Libanês, e um dos médicos falou o seguinte: Olha, nós estamos numa situação de estresse, mas eu me desestresso vendo Arte 1. Falou pra mim, viu, Caio? Então, mais uma vez, a importância da arte e da cultura nesse campo da saúde.

E queria dizer, pra terminar, governador, que, se nós fomos o primeiro setor a parar, certamente nós seremos o último a voltar por completo, até porque nosso pressuposto é juntar pessoas, é construir vínculos, é fazer com que as pessoas estejam juntas e, nesse momento de pandemia, é necessário o distanciamento social. Mas certamente, quando nós voltarmos, vai ser uma volta em V. Então, este investimento nos prepara, nos aquece, para que haja uma aceleração, porque arte, cultura, turismo, esporte, e eu vi que ontem o senhor anunciou recurso para o esporte também, serão espaços fundamentais para o acolhimento e para a transformação das pessoas. Então, parabéns, governador, parabéns por essa iniciativa. Presidente da Assembleia Carlão, sei do seu esforço na Assembleia para inclusive incrementar recursos, já conversamos várias vezes, ao orçamento da cultura. Agora, começa um novo debate para 2022, vamos procurá-lo de novo, em nome do conselho. E aos meus amigos conselheiros, acho que aqui é uma prova viva de que esse conselho é ouvido, assim como o Sérgio ouviu bastante a sociedade, para que esta modelagem do Proac direto pudesse ser, de fato, um momento para aquecermos a economia, fundamental, mas um momento, acima de tudo, para criarmos as condições para que a saúde mental, mais uma vez, seja acolhida pela arte, pela cultura, tão necessária nos próximos anos. Muito obrigado.

[Aplausos]

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Vamos ouvir a palavra do presidente da Assembleia Legislativa, deputado Carlão Pignatari. O apoio da Assembleia é muito importante, como já foi descrito aqui pelo Sérgio e também pelo Saron, para a consolidação de recurso para a cultura. Carlão.

CARLÃO PIGNATARI, PRESIDENTE DA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, governador. Eu vejo, Sá Leitão, que nós só tivemos... Estamos aqui hoje, como estivemos ontem, como estivemos na semana passada, nos lançamentos dos novos programas do governo, pela coragem e pela determinação do governador João Doria. Fizemos, governador, desde janeiro de 2019, uma redução da máquina pública de São Paulo, extinguindo empresas que foram muito importantes no passado, mas precisava ter, fazendo concessão de vários equipamentos públicos, como os parques, como o nosso Ginásio do Ibirapuera, enfim, outros equipamentos. Isso tudo, nós fomos reduzindo o tamanho do estado nas costas do contribuinte paulista, que é de extrema importância. E também fizemos agora a nossa reforma administrativa, com mais extinção, mais duas ou três empresas públicas. Acho que isso é de extrema importância, para que São Paulo pudesse ter saúde financeira, durante todo esse tempo, para fazer os investimentos nas áreas que são necessárias. Eu vejo a cultura fazendo lançamentos desses programas, quase R$ 200 milhões para a arte. Às vezes as pessoas falam: Pra quê? Foi a atividade econômica mais atingida durante a pandemia, a arte, que é a cultura e o turismo. Nós tivemos... Como é que você vai fazer hoje uma festa ou um teatro, colocar as pessoas, se nós temos que fazer o distanciamento social? Então, acertadamente, mais uma vez, governador, o senhor com a sua determinação, com a sua coragem... Nós vamos ter 2022 melhor. Mas também vamos ter melhor, se Deus quiser, outra vez pela sua determinação, pelo seu compromisso com a saúde pública, de acreditar que a vacina, lá em março, em abril do ano passado, era a saída para a saúde pública, para essa grande crise de saúde pública que nós tivemos nesse tempo. Então, parabéns João. Eu acho que você tem feito um trabalho que, às vezes, as pessoas não conseguem entender, ou não querem entender, mas que nós estamos fazendo tudo certo para que São Paulo seja sempre o maior estado o mais forte, o mais pujante, e que saia na defesa das pessoas que precisam e que necessitam. E hoje nós estamos vendo. Quando houve a diminuição do Proac, na Lei nº 529, imediatamente você falou: Mas o Tesouro de São Paulo vai bancar. Isso foi feito imediatamente. Então, parabéns a você, ao Sá Leitão, e esses cem anos que nós vamos começar agora a comemoração, no mês de julho, é de extrema importância para o povo paulista, para o povo brasileiro ter a memória do que é que foi o nosso país nesses últimos cem anos. Parabéns, João, parabéns, Sérgio, parabéns a todos e ao Conselho de Cultura.

[Aplausos]

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Carlão. Obrigado. Dado o adiantado da hora, são 12h51... Eu sei que o Vinicius Lummertz se sentiu representado pela fala do Sérgio Sá Leitão, então nós vamos considerar o Sérgio tendo falado também em seu nome, assim a gente agiliza um pouquinho. Eu tenho a preocupação, porque os jornalistas têm fechamento e, repito, também têm direito a almoçar. Então, nós temos a TV Cultura, Rádio CBN, Rede TV e a TV Globo, GloboNews, pela ordem. Começando com você, Vanessa Lorenzini, da TV Cultura... Cadê a Vanessa?

VANESSA LORENZINI, REPÓRTER: Estou por aqui.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Está aqui, desculpa. Eu estava te procurando, boa tarde.

VANESSA LORENZINI, REPÓRTER: Boa tarde, governador, boa tarde a todos. A gente sabe muito bem da importância, do valor dessa iniciativa para os profissionais da cultura. Temos acompanhado a dificuldade, especialmente para aqueles profissionais da coxia. A gente reportou sobre isso, conversamos com vários deles, aqueles profissionais que o público não vê, mas que são essenciais para fazer a magia acontecer. Infelizmente, muitos deles, com quem a gente conversou, mudaram de ocupação, pelo menos durante esse período. Então, eles viraram motoristas de aplicativo, começaram a fazer artesanato ou a vender algum tipo de bombom, de trufa, para fora, enfim, se virar para conseguir renda para a família. Essa iniciativa vai contemplar 138 mil profissionais, que é a expectativa. Quem não for beneficiado, qual é a saída? Qual é a solução para essas pessoas? E mais, qual seria o prejuízo para a cultura se esses profissionais capacitados, que fazem a magia, o espetáculo acontecer, mesmo depois não retornarem para a área cultural?

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Pergunta bastante interessante e bem estruturada na sua formulação, Vanessa. Vou pedir ao Sérgio Sá Leitão para fazer a resposta, mas um pouco o sentimento que eu tenho, antecipando, obviamente, e respeitando a resposta do Sérgio, todos aqueles que atuaram na cultura desejarão retornar para a cultura. Quem tem essa alma, esse espírito, esse coração latente pela cultura, volta para a cultura. Obviamente, em condições de sobrevivência, em condições de atuar, agir, produzir, realizar, cantar, dançar, pintar, construir, ter uma atividade cultural como ele tinha antes da pandemia. Talvez, leve algum tempo, mas eu tenho muita convicção de que quem atuou na cultura retornará para a cultura. Sérgio.

SÉRGIO SÁ LEITÃO, SECRETÁRIO ESTADUAL DE CULTURA: Isso mesmo. Acho que, nesse contexto tão adverso, que nós inclusive mensuramos aí em números e em dados, o investimento público, ele se torna ainda mais necessário, e ele funciona como uma luz, como uma esperança, como um estímulo para que os artistas e os demais profissionais da cultura se sintam amparados, e se sintam estimulados, para eles entenderem e perceberem que eles estão no radar do Governo do Estado de São Paulo, que o Governo do Estado de São Paulo está preocupado com a situação e, portanto, está fazendo este grande investimento, como um reforço, como um estímulo para a retomada do setor cultural e criativo. Nós temos aí nesses programas que nós anunciamos linhas que cobrem todas as áreas da cultura, inclusive artesanato, cidadania cultural, cultura caiçara, cultura quilombola, além, claro, do teatro, do circo, da dança, etc. E nós temos linhas que são voltadas diretamente a profissionais. Então, nós estamos falando de injetar recursos diretamente para cada técnico, para cada artista, para cada profissional, para que eles possam enfrentar esse período adverso. E, claro, temos linhas que são linhas para fazer a roda da economia criativa girar, e com isso aumentar a geração de empregos, aumentar a geração de oportunidades, e por aí vai. Então, é um programa que foi realmente pensado de forma abrangente, de forma holística. Também o estímulo aos espaços culturais, que precisam ser preservados, não é, governador? Para que a gente não os perca e eles estejam aí quando for possível retomar plenamente as atividades. Então, a mensagem que nós estamos passando aqui ao setor cultural e criativo é que o Governo do Estado de São Paulo reconhece e valoriza a importância do setor e também a importância de cada um dos profissionais que compõem este setor. E nós estamos tomando medidas voltadas para vocês.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Sérgio. Vanessa, mais uma vez, obrigado. Vamos agora a Vitória Abel, da Rádio CBN. Vitória, boa tarde, sua pergunta, por favor.

VITÓRIA ABEL, REPÓRTER: Boa tarde, governador, boa tarde a todos. Secretário Sá Leitão, queria aproveitar essa última parte que o senhor falou, de linhas para os profissionais. Eu queria saber se isso seria igual ao Bolsa Auxílio do ano passado. Se não, eu queria perguntar se o governo já pensa numa nova medida também de Bolsa Auxílio novamente, para esses profissionais de cultura. E não sei se o senhor tem o dado de postos de trabalho perdidos só no Estado de São Paulo, porque esses 458 são Brasil, né? Eu queria saber se a gente tem esses postos de trabalho perdidos em São Paulo. E eu queria aproveitar também, governador, perguntar para o senhor, e a presença também do secretário Lummertz, sobre o Ginásio do Ibirapuera. Ontem, o senhor fez críticas ao Iphan e ao processo de tombamento. Hoje, foi [ininteligível] visita técnica lá. A pergunta é: caso realmente esse tombamento aconteça, o Governo do Estado pensa numa adaptação do projeto? De repente fazer um projeto que preserve as fachadas tombadas do ginásio? Obrigada.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Vitória, pelas perguntas. Vou começar pela segunda, e depois Sérgio Sá Leitão responde a primeira, pelo conjunto de informações importantes que você demanda. Nós esperamos que o Iphan reverta a sua posição, a sua decisão, do tombamento daquilo que não necessita ser tombado, até porque o Condephaat já fez a sua manifestação aqui, fez o seu voto, conduziu muitíssimo bem, estruturou o voto, colocou para votação. O Condephaat tem independência, tem autonomia, como um conselho de proteção ao patrimônio histórico e cultural do Estado de São Paulo, e definiu que não há nada a tombar no Complexo do Ibirapuera. Não é cabível o tombamento. Muito nos estranhou uma medida ou a intenção da medida ser adotada pelo Governo Federal. Entendemos inclusive como uma interferência desnecessária e rejeitável por parte do Governo do Estado de São Paulo. Não tem nada o Governo Federal que intervir numa decisão que cabe à sua instituição de proteção ao patrimônio histórico e cultural, que é o Condephaat. Portanto, vamos primeiro aguardar a decisão e, diante dela, reagiremos. Sérgio.

CARLÃO PIGNATARI, PRESIDENTE DA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DE SÃO PAULO: Só pra complementar, a Assembleia Legislativa está fazendo uma medida cautelar, porque nesse do Iphan também está tombando um prédio da Assembleia, o espaço da Assembleia Legislativa, que já está dentro do Condephaat, as três áreas já estão... Quer dizer, nós estamos entrando com uma medida, a Procuradoria, tentando uma medida cautelar, para que isso não aconteça, não só no Ibirapuera, mas também no prédio, no terreno da Assembleia.

SÉRGIO SÁ LEITÃO, SECRETÁRIO ESTADUAL DE CULTURA: Obrigado, governador, obrigado também, Carlão. Aliás, queria destacar aqui essa nossa parceria, entre a Cultura e o Poder Legislativo de São Paulo, aqui representados pelo Carlão Pignatari e também pelo Vinícius Camarinha, que são dois entusiastas do setor, e têm nos ajudado muito. Vitória, no que diz respeito a São Paulo, a perda de postos de trabalho equivale a 40% daquele número. O número, de fato, diz respeito ao conjunto do país, e a perda de 40% no Estado de São Paulo. Nós estamos ampliando bastante esse apoio direto a profissionais de cultura. Claro que os profissionais de cultura são beneficiados por tudo o que nós estamos anunciando aqui, porque cada projeto desses implica na geração de emprego e oportunidades. Mas as linhas que são, digamos, diretas, nós temos no âmbito do Proac Direto uma linha com R$ 17 milhões para apoio a profissionais do setor cultural, em que 3.400 profissionais receberão R$ 5.000. No ano passado, nós fizemos, no âmbito da Lei Aldir Blanc, com recursos da Lei Aldir Blanc, um auxílio emergencial, portanto as características são diferentes, mas o resultado é o mesmo, né? E que foi menor do que este. No caso do auxílio emergencial da Lei Aldir Blanc, com recursos da Lei Aldir Blanc, nós alcançamos 2.500 profissionais de cultura de São Paulo, com R$ 3.000 pra cada um. Então, governador, nós estamos ampliando, vamos chegar a 3.400 profissionais apoiados diretamente, com um valor de R$ 5.000. Portanto, mais profissionais e um valor maior do que em 2020.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Sérgio. Obrigado, Vitória. Vamos agora à penúltima pergunta, que é do Murilo Rincon, da Rede TV.

MURILO RINCON, REPÓRTER: Boa tarde, governador, boa tarde a todos. A gente sabe que, dentro do setor cultural, as Artes Cênicas foi uma das principais impactadas, com perda total aí da questão da receita, para a maioria dos profissionais que trabalham com circo também, com teatro, com as casas de espetáculo. Dentro disso, eu queria saber de que forma esse investimento anunciado hoje vai impactar diretamente estes profissionais, que muitas vezes não conseguem utilizar da internet, das lives, para conseguir recuperar esse investimento que eles perderam.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Ótima lembrança, essa sua, e perfeita a pergunta, Murilo. Esse foi um dos setores mais prejudicados, mais afetados, eu diria, de maneira muito, muito forte, porque o que um profissional do circo pode fazer fora do circo? É difícil, ele tem poucas oportunidades. Mas isso foi levado em consideração pelo Sérgio Sá Leitão, que vai responder a sua pergunta agora. Só, Sérgio, recomendo só que você tentativamente fixe ali na câmera da Rede TV.

SÉRGIO SÁ LEITÃO, SECRETÁRIO ESTADUAL DE CULTURA: Obrigado, governador. Obrigado, Murilo, pela pergunta. Bom, nós temos diversas linhas nesses programas de fomento, voltadas para a área de Artes Cênicas: para o teatro, para a dança e para o circo. E os recursos foram ajustados, de maneira justamente a dar conta daquilo que nós diagnosticamos como as prioridades. Então, estamos priorizando a área de Artes Cênicas, por conta de tudo que foi mencionado aqui. Além disso, nós temos no Proac Direto uma linha de apoio a espaços culturais, que, obviamente, inclui os teatros, com R$ 14 milhões então para ajudar o sustento, a manutenção, a permanência de teatros e de outros espaços culturais. Então, o programa foi pensado para fazer frente às emergências produzidas pela crise da pandemia, e a área de Artes Cênicas está devidamente contemplada, assim como todas as demais áreas da cultura, de acordo com o seu peso e de acordo também com o impacto da crise sobre cada segmento. Aliás, eu queria aproveitar aqui, governador, tomar a liberdade de anunciar que o governador me confidenciou aqui que vai destinar mais R$ 2 milhões pro nosso programa, então nós vamos chegar a R$ 200 milhões, será então o número redondo. Então, que estamos anunciando hoje aqui é um investimento de R$ 200 milhões, em projetos culturais de produção independente, e também no apoio a espaços culturais e no apoio também direto a profissionais da cultura. Então, chegamos, governador, ao número redondo, que certamente dá uma manchete também mais impactante, e é ótimo termos mais esses R$ 2 milhões.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Sérgio. Obrigado, Murilo, pela pergunta. E agora vamos à última intervenção, que é da Gabriela Rincon, da TV Globo, GloboNews. Gabriela está ali, a câmera dela está exatamente aqui. Então, Gabriela, boa trade, sua pergunta, por favor.

GABRIELA RINCON, REPÓRTER: Boa tarde. O secretário Sérgio falou mais cedo do impacto da pandemia no setor de economia, aqui no Estado de São Paulo, da ordem de 1,7% do PIB estadual. Só pra gente ter certeza do valor total, secretário, que a gente fez uma conta por aqui, se era da ordem de R$ 10 bilhões. É isso mesmo? O senhor tem o valor total desse impacto?

SÉRGIO SÁ LEITÃO, SECRETÁRIO ESTADUAL DE CULTURA: Não, nós estamos falando de uma perda que gira em torno de R$ 34 bilhões. Então, são R$ 34 bilhões a menos que nós tivemos no setor cultural e criativo. Quer dizer, o setor, normalmente, vinha gerando 3,9% do PIB do estado, teve uma perda de 1,7%, isso equivale a algo em torno de R$ 34 bilhões.

GABRIEL RINCON, REPÓRTER: Obrigada.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito bem. Então, Gabriela, obrigado pela pergunta, permitiu um esclarecimento importante, um questionamento para poder esclarecer melhor, não só o impacto da pandemia no setor de cultura e economia criativa, como também o impacto dos R$ 200 milhões que estamos agora anunciando aqui, para o Estado de São Paulo. Quero agradecer a presença de todos, aos jornalistas em especial, cinegrafistas também. Amanhã, temos coletiva de imprensa, quarta-feira, às 12h45, com transmissão ao vivo pela TV Cultura. Carlão Pignatari, muito obrigado por estar aqui conosco, Vinicius Lummertz, obrigado também, nosso secretário de Turismo, Sérgio Sá Leitão, e Saron, e em seu nome agradecer a presença de vários dos membros do Conselho de Cultura do Estado de São Paulo. Seguiremos protegendo, amparando e respeitando a cultura em São Paulo. Muito obrigado, bom dia, bom almoço a todos.

[Aplausos]