Coletiva - Governo de SP anuncia suspensão de aulas e eventos com mais de 500 pessoas 20201303

De Infogov São Paulo
Ir para navegação Ir para pesquisar

Coletiva - Governo de SP anuncia suspensão de aulas e eventos com mais de 500 pessoas

Local: Capital - Data: Março 13/03/2020

Soundcloud

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Bem, boa noite. Eu queria na qualidade de governador do estado de São Paulo, primeiro agradecer a presença do ministro Luiz Henrique Mandetta, o ministro tem sido extremamente correto com o estado de São Paulo, desde o início desta epidemia, agora pandemia do Coronavírus. Eu já registrei isso ao longo dos últimos dias, registro mais uma vez, o ministro se dispôs a vir aqui a São Paulo, fizemos uma longa reunião que terminou cinco minutos atrás, para algumas decisões que foram tomadas relativas ao estado de São Paulo. Eu vou enunciá-las, e na sequência passo a palavra ao ministro Luiz Henrique Mandetta, e também ao coordenador do centro de contingência do COVID-19, do doutor David Uip, e obviamente os demais que estão aqui poderão fazer intervenções também, esclarecendo aos jornalistas que aqui estão. Desde o início desta crise do Coronavírus nós temos dito que a avaliação seria feita diariamente, e até quando necessário a cada hora, dada as circunstâncias. Disse também, como governador do estado de São Paulo, e da mesma maneira, o prefeito Bruno Covas, que nós estamos fundamentamos as nossas decisões e medidas em orientações médicas, nós não tomamos decisões de ordem política, e sim decisões amparadas em informações médicas e sanitárias. Portanto, as decisões que serão anunciadas aqui não são fruto de intuição política ou decisões políticas, são decisões amparadas em fatos e informações de ordem técnica, e repito, dado circunstâncias, números e evidências. Há dois fatos relevantes na circunstância do anúncio, um, será exposto pelo ministro, são decisões de ordem Federal, do Ministério da Saúde, e repito, o governo do estado de São Paulo confia plenamente na conduta do ministro Mandetta neste processo, e nós desejamos manter essa relação harmoniosa e tecnicamente responsável. Segundo, é o fato de que será comunicado pelo doutor David Uip, infectologista e coordenador responsável pelo centro de contingência como um fato efetivo sanitário. E na sequência nós anunciaremos as medidas que o estado de São Paulo, e também mais especificamente a capital de São Paulo, dado o fato de que temos aqui o secretário da Saúde do município de São Paulo, e o secretário da Educação, ambos do município, e obviamente ambos também do estado de São Paulo. Então eu vou inverter sua ordem, ministro, para que o doutor David Uip possa expressar o fato, eu mencionei dois fatos relevantes, o fato relevante de ordem sanitária específica de São Paulo, que será informado agora pelo doutor David Uip, e o fato relevante das decisões que o Ministério da Saúde adotou, e com a qual nós concordamos, e que será anunciado pelo ministro Luiz Henrique Mandetta. David Uip.

DAVID UIP, INFECTOLOGISTA E COORDENADOR RESPONSÁVEL PELO CENTRO DE CONTINGÊNCIA: Muito obrigado. Nós temos dois fatos novos acontecidos hoje, um há poucas horas, pelo Ministério da Saúde, e o segundo, no dia de hoje, pela Secretaria Municipal de Saúde. O fato da Secretaria Municipal de Saúde é que nós temos a prova da transmissão comunitária entre paulistas que não viajaram e não tem contato conhecido com um indivíduo Coronavírus positivo. Isto qualifica a informação de transmissão comunitária na cidade de São Paulo, portanto, do estado de São Paulo. Esse é o fato número um. E o fato número dois, que o Ministério da Saúde na manhã de hoje, comunicado agora, trouxe um hall de sugestões, recomendações para os estados, deixando as decisões aos estados, a não ser as decisões que o ministro e o ministério entendam que sejam de ordem nacional. Então o estado de São Paulo, nós estávamos reunidos agora, secretaria estadual e municipal da saúde, secretaria estadual e municipal de educação, e o ministro vai anunciar as recomendações do ministério, e na sequência o governador das decisões de São Paulo.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, doutor David Uip. Passo a palavra agora ao ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta. Ministro.

LUIZ HENRIQUE MANDETTA, MINISTRO DA SAÚDE: Bom, boa noite a todos. Ontem eu estive no Rio de Janeiro, hoje vim à São Paulo, sempre solidário, sempre parceiro, sempre pronto a cooperar e trabalhar em conjunto com os governadores, com os prefeitos, e com o time de secretários estaduais e municipais de saúde, e com os nossos médicos e enfermeiros e pessoal da saúde. Algumas medidas que cobram, às vezes, uma clareza, como se fossem nacionais, elas são de âmbitos estaduais. Então vamos lá, exemplificar, o que eu faço com eventos? Eu não posso, não é função da União chegar e falar assim: "Nós vamos cancelar o evento". Outro dia me perguntaram, o pessoal da Paraíba, Campina Grande: "Vai ter São João?". Mas espera aí, isso está lá na frente, vocês é que vão analisar no momento certo se terá ou se não terá. Então os eventos, as coisas que ocorrem no âmbito dos estados os estados é que tomam as suas decisões, nós damos as orientações gerais. Aglomerações nesse momento são bem-vindas? Não. Movimentações em cidades que passam para esse patamar que o doutor David colocou, temos transmissão sustentada, somos uma metrópole. Então gradativamente medidas vão sendo tomadas com respaldo do Ministério da Saúde, essas que o governador, que os secretários vão colocar a respeito de aulas, a respeito de atividades, de eventos, o Ministério da Saúde é parceiro, está ao lado, elas estão corretas, do ponto de vista técnico, científico, e principalmente do tempo, do time e da maneira como se vai fazer. Nós vamos todos lutar juntos, teremos dias fortes, dias bons, teremos dias que as estratégias se mostrarão corretas. Teremos aqueles, os engenheiros de obra pronta, que depois que passa fala: "Deveria ter feito isso, deveria ter feito aquilo", sempre tem, faz parte da humanidade. Mas nós vamos fazer sempre juntos, com base em ciência, com base técnica, e vamos estar juntos. Hoje o Ministério da Saúde publicou, e eu comuniquei ao governador, nós vamos repassar para iniciar, para estruturar, para esses gastos iniciais, o estado de São Paulo, R$ 2 per capta, que são 47 milhões de pessoas, são 94 milhões. Mas não vou passar a per capta. São Paulo está precisando agora? Está. O Acre também. É o mesmo R$ 2 per capta para todo o território nacional, então eu já vou liberar R$ 420, 430 milhões, para eles iniciarem a organização. A abertura de leitos, abrir leito novo, abrir uma CTI, imediatamente o Ministério da Saúde habilita. Habilitar significa reconhecer que existe que ele está trabalhando, nós fazemos o custeio. Terceiro, a questão das unidades básicas de saúde, estava falando aqui para o município, nós queremos que esses postos estejam mais abertos. "Ah, precisa abrir todos os postos?". Não, ele que vai ver a melhor organização para fazer até às 22h, ou até às 20h, ou até às 21h, ou até às 0h, ou transformá-los em 24 horas, eles vão fazer. Já separei R$ 1 bilhão para todo o Brasil. Fiquem tranquilos, enquanto nós lá tivermos, nós vamos estar juntos, recurso não vai faltar, o que nós temos é que gastar bem o recurso, fazer bom uso desse recurso. E isso só é possível se a comunidade, se a sociedade proteger os nossos idosos, as nossas pessoas que tem comorbidade. A Itália é um dos países mais idosos do mundo, o número de casos que aconteceu em casas asilares na Itália foi o que mais predou o sistema de saúde dele, porque chegaram 300 pessoas, 400 pessoas que estavam em casas asilares, ou que eram idosos sendo cuidados por cuidadores, os mesmos cuidadores de idosos que não estavam fazendo trabalho de prevenção. Então aqui em São Paulo está mapeado, esses lugares tem que ter uma higiene absoluta, o cuidador de idosos que está lá dentro, absoluta. E cada família, cada um cuida do seu. Está na hora de filho assumir que tem pai, tem mãe, e que não é. Vamos interromper as aulas, não deixe criança e adolescente com avô, com gente de idade, por isso a estratégia de São Paulo eu achei muito correta, que é essa, que São Paulo vai fazer. Estamos aqui solidários ao estado de São Paulo, e vamos trabalhar junto nessa e outras que virão, algumas medidas serão de interesse nacional, quando forem nacionais nós falaremos de Brasília. E essas que são locais, aí eu deixo para que o governador e os secretários assim procedam, porque eles conhecem muito melhor a rede local do que a União.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, ministro. Bem, hoje é um anúncio, nós estaremos mobilizados permanentemente, nós já tínhamos dito isso no início da semana, na próxima segunda, terça, quarta, quinta, sexta, todos os dias enquanto for necessário, o grupo de mobilização sob à liderança da coordenação do grupo de contingência do David Uip, estará mobilizado para tomar as decisões que forem necessárias. Um ponto importante exposto pelo ministro, eu queria renovar essa informação, não há decisão horizontal diante de uma pandemia ou de epidemia, não há uma decisão que seja horizontal, há situações de pico, aliás, as experiências internacionais demonstram isso, nem é possível estabelecer medidas que possam ser previstas e orientadas para longos períodos, são curtos períodos, às vezes, 24, 48, 72 horas, e este é o procedimento, aliás, da Organização Mundial de Saúde, e dos países que estão sofrendo mais com a crise do Coronavírus. E o Brasil não é diferente, em São Paulo, evidentemente, não se distancia deste procedimento. Neste momento a decisão do governo do estado de São Paulo, amparado pelas manifestações do Ministério da Saúde, do grupo responsável, do centro de contingência do COVID-19, da Secretaria de Saúde do estado de São Paulo, e da Secretaria de Saúde do município de São Paulo, assim como das secretarias de Educação da capital paulista e do Estado de São Paulo são, primeiro: eventos. Recomendar a suspensão de eventos musicais, esportivos ou de qualquer natureza acima de 500 pessoas. Repito: eventos, suspender... Recomendação para que sejam suspensos eventos esportivos, musicais, de lazer ou de outra natureza acima de 500 pessoas. Os eventos de ordem pública, evidentemente, serão suspensos, porque cabe ao Governo do Estado e ao Governo Municipal da Capital de São Paulo tomarem a decisão, e a decisão está tomada. No que tange a área privada, a recomendação é para que, a partir deste momento, possam gradualmente suspender estes eventos, a partir de amanhã ou depois de amanhã, comunicando, evidentemente, aos responsáveis pela organização e ao público em geral. Educação, aulas. De segunda-feira, dia 15/03, até segunda-feira, dia 23/03, gradualizar a suspensão das aulas no sistema de ensino público e recomendar o mesmo em relação ao ensino privado. Repito, de segunda-feira, dia 15, até segunda-feira, dia 23, seguir esse procedimento. De segunda a segunda-feira, seguindo este procedimento de gradualizar. E o secretário da Educação do estado e do município vão explicar por que essa gradualização, que tem que ser feita e tem que ser obedecida desta forma. Não há possibilidade, no ensino público, de uma decisão abrupta, diferentemente das universidades, que, a partir de segunda-feira, já a nossa recomendação às universidades públicas que suspendam, como já foi decidido hoje, e que as universidades privadas também o façam. É diferente a situação, no ensino superior, ao ensino básico e fundamental, tanto na prefeitura quanto no Governo do Estado de São Paulo. Então, com relação a eventos, a informação já está consolidada. Na área de educação, eu vou pedir a intervenção do secretário Rossieli Soares, que é o secretário de Educação do Estado de São Paulo, podendo haver intervenção, se desejar, do secretário Bruno Caetano, secretário de Educação da capital de São Paulo. Secretário Rossieli.

ROSSIELI SOARES, SECRETÁRIO DE EDUCAÇÃO DO ESTADO DE SÃO PAULO: Governador, boa tarde a todos. Secretário, ministro Mandetta. Bom, essa medida, nós já tínhamos desenhos diversos, cenários para o processo educacional. Muitas escolas particulares já tinham começado a discussão desse processo. Esta mudança substancial, de passarmos à transmissão do vírus ser sustentada ou comunitária, ela muda muito, especialmente porque os nossos jovens têm uma característica de serem assintomáticos e poderem fazer uma transmissão elevada, com o uso de transporte público, que também complica ainda mais. E outros fatores. Mas nós não faremos um 'interrompimento', a suspensão das aulas, de qualquer maneira, porque tem que ter um planejamento com as próprias famílias. Isso é muito importante. Não adianta parar as aulas e as crianças estarem com o vô, com a vó, que são o público que nós mais temos que nos preocupar. Isso é muito importante, isso já é um aprendizado de outras situações que o Ministério da Saúde, a equipe da Saúde aqui do estado tem conduzido desta maneira, tem estudado muito e nos trazendo as informações. Então, durante a semana, semana que vem, nós teremos aula normal, de segunda a sexta, as escolas estarão abertas para passar uma série de informações sobre prevenção, inclusive para que os alunos saibam quais são os procedimentos, os cuidados. Mais uma vez, já fizemos isso entre os dias 2 e 6 de março, refaremos durante a semana, mas com muito mais informações sobre essa responsabilidade inclusive dentro da própria família. Segundo ponto importante: dar tempo para que as famílias se organizem. Isso é muito importante, também é este aprendizado essencial. A família, se a gente disser que segunda-feira de manhã já não tem, talvez ele não consiga se organizar. Então, nós estamos dando mais de dez dias, para que os pais das famílias se organizem, com quem ficarão as crianças, quais são os procedimentos. Nós estamos ainda estudando medidas para complementar, para dar atividades para os estudantes, ainda que não seja exatamente aquilo que é programado em aula. Por exemplo, o estado já está com planejamento para que a gente tenha atividades à distância, com patrocínio de dados. Ou seja, os alunos entrarão em determinado momento, a gente ainda está concluindo, fechando as parcerias, alguns dados ainda serão entregues durante a semana para a própria comunidade escolar. Nós vamos patrocinar os dados para que os alunos possam acessar aplicativo gratuitamente, mesmo que ele seja lá do lugar mais distante, mais pobre, que não tenha internet própria, que a família não tenha condições de ter internet, nós vamos patrocinar a internet para que este aluno possa acessar conteúdos durante este período. Logicamente que o primeiro período de afastamento para a rede pública será considerado como um período de adiantamento de férias, dentro do nosso planejamento. E a medida... Aí eu sei que a pergunta que vai ser feita: mas quando é que volta? Nós vamos, da mesma forma que a gente dizia pra vocês: nós vamos avaliar caso a caso, momento a momento, nós também vamos avaliar caso a caso, momento a momento, hora por hora, quando será o retorno. E este diálogo vai ser sempre feito com a comunidade escolar, mas a partir das informações da área da Saúde, porque não compete à área da Educação questionar neste momento todos os procedimentos necessários, pelo conhecimento da área da saúde. Portanto, nós ainda, só pra entender, estamos dialogando com o Sindicato das Escolas Particulares, hoje reunimos com eles, junto com a União dos Dirigentes Municipais de Educação, eu e o Bruno já tivemos contato durante toda a semana, combinando uma série de fatores, e o Bruno depois pode complementar por parte do município, mas a orientação que estamos dando também servirá para as escolas particulares, certo? Então este diálogo também é para as escolas particulares. Nós teremos, durante esse prazo ainda, discussão, dependendo do tempo que ficarmos, das adaptações necessárias para o cumprimento do calendário escolar. Mas isso vai depender do tempo que ficar. Se for uma semana é uma coisa, se for duas semanas é outra, e assim por diante, a gente vai sempre formalizar, dentro dos trâmites, daquilo que é permitido, contemplar aos nossos estudantes, sejam da rede privada, sejam da rede pública, a melhor orientação. Da mesma forma, a União dos Dirigentes Municipais também vai estar orientando seus secretários municipais, também a este procedimento, assim como também com os prefeitos. Eu passo a palavra para o Bruno para complementar.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, secretário. Bruno Caetano.

BRUNO CAETANO, SECRETÁRIO MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO DE SÃO PAULO: Obrigado, governador, obrigado, ministro, secretário Rossieli. Complementando a fala do secretário, dizer que as ações na prefeitura de São Paulo, no que tange à educação e à saúde, são tomadas em absoluto acordo com as ações da Secretaria Estadual de Educação. Então, na próxima semana, as aulas permanecem normais na rede municipal de educação, é um prazo que os pais vão ter pra se adequar, em relação à suspensão das aulas, que acontecerá, aí sim, no dia 23. Essa decisão foi tomada com base em estudos técnicos, que demonstram que a interrupção imediata do ensino e das aulas, em vez de diminuir a intensidade do problema, ela acarreta um aumento, porque essas crianças, muitas vezes, têm que ficar com seus avós, e são exatamente o grupo de risco. E aí a razão pela qual a Secretaria Municipal de Educação e a Secretaria Estadual de Educação decidiram não fazer a interrupção abrupta das nossas aulas. Então, as gente dá esse prazo pra essas famílias se adequarem, ao longo da próxima semana, lembrando que também na próxima semana, no dia 17, uma ação da Secretaria Municipal, que será extensiva à Secretaria Estadual, a gente faz um dia D de combate ao Corona Vírus nas escolas, uma grande ação de mobilização das nossas crianças e jovens, no sentido da prevenção. Então, a gente aposta bastante nessa estratégia da prevenção, na próxima semana, e a gente sabe que as crianças são vetores de mudança de comportamento das famílias, no que tange à higiene, no que tange aos comportamentos, e a gente vai apostar bastante na próxima semana nessas ações. A gente também deve, ao longo da próxima semana, editar normativas, no que diz respeito aos nossos servidores, da Educação, pra que a gente também possa preservar os servidores que estão no grupo de risco, portanto os servidores mais idosos, mas isso, ao longo da próxima semana, a Secretaria Municipal e a Secretaria Estadual vão editar essas normativas. Era isso, governador.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, secretário Bruno. Antes das perguntas, apenas uma pequena correção aqui de data, que vocês já registraram. Segunda-feira é dia 16/03. Portanto, segunda 16 a segunda-feira dia 23, de 16 a 23 de março, a semana que nós qualificamos de gradualização da suspensão das aulas na rede pública estadual e municipal de ensino. Mas antes das perguntas, eu queria passar ao Dr. David Uip, porque temos, em meio a toda essa circunstância, uma boa notícia, e é importante que os jornalistas possam registrar qual é essa notícia. Dr. David Uip.

DAVID UIP, MÉDICO: Muito obrigado. Nós estamos aqui com a presença do superintendente do Hospital Albert Einstein. Ele me autorizou a anunciar a cura do primeiro brasileiro internado com Corona Vírus.

[Aplausos]

DAVID UIP, MÉDICO: A cura do primeiro brasileiro internado com Corona Vírus, no Hospital Albert Einstein.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Então essa é uma boa notícia, em meio a todas as circunstâncias, é importante ter esse registro. Aliás, hoje pela manhã, um dos jornalistas me perguntava exatamente sobre este primeiro paciente. Bem, nós temos aqui, dado o adiantado da hora e muitos veículos de comunicação têm os seus fechamentos, principalmente as emissoras de televisão, e os jornais. Nós temos oito veículos de comunicação aqui, eu vou pedir gentilmente aos jornalistas que, por favor, dirijam uma pergunta e não duas ou três, já que temos oito jornalistas. Seguramente a pergunta, a segunda ou a terceira que você desejaria fazer, algum colega estará fazendo. Em respeito ao tempo de fechamento de edição, peço que seja apenas uma pergunta. Então, eu vou declinar o nome e o veículo, e a pessoa apenas diz a quem dirige a pergunta e na sequência a pergunta. O primeiro é o Portal G1, Patricia Figueiredo. Patrícia, boa noite, sua pergunta, por favor.

PATRICIA FIGUEIREDO, REPÓRTER: Boa noite. Minha pergunta é pro Ministro Mandetta. Gostaria de exemplificar um pouco melhor o orçamento que foi liberado pros estados hoje, você falou que é um valor de dois reais per capta, o João Dória, hoje, já anunciou o valor liberado pra São Paulo, havia sido pedido de 225 milhões, a gente queria entender, quanto que foi liberado pra São Paulo já? Quanto foi liberado pros outros estados e quanto pode ser liberado no total? Você falou até um bilhão, mas não ficou claro se já foi ou se será. Por favor.

LUIZ HENRIQUE MANDETTA, MINISTRO DA SAÚDE: Vamos lá. Primeira ação, dois reais per capta pra todos os estados. Então, São Paulo tem em torno de 46, quase 47 milhões de habitantes, vezes dois reais, você vai chegar a 94 milhões de reais, isso por quê? Porque tem uma série de medidas que eles tomaram, estão tomando, que precisam fazer frente. Esse dinheiro não é carimbado, ele, a única coisa é que ele tem que se relacionar ao plano de contingência, que foi apresentado pelo estado, então, sendo dentro do plano de contingência, ali nesse plano tem ações de atenção primária, tem comunicação, tem abertura, cada um vai fazer, um dos grandes pilares do SUS é a descentralização, é a tomada de decisão no âmbito local, então, eles vão se organizar localmente pra fazer o bom uso. O outro, nacional, aí saúde na hora, que é a ampliação de horário de... Se todo Brasil utilizar, porque é por adesão, nós vamos publicar, São Paulo, eu vou ligar, se o Brasil ligasse todos, nós gastaríamos um bi, eu já tenho um bi guardado pra colocar nos postos, até as 22 horas, até a meia noite. Se todos, enfim, cota de equipamentos, abriu o leito, São Paulo vai abrir o leito, o secretário vai me informar, abri mil leitos, eu imediatamente vou habilitar o leito dele e pago o custeio do leito. Ministério da Saúde já... Isso aqui vai muito pro Estadão, eles colocaram outro dia, cadê o Estadão? Veio? Pois é, eu tenho explicado, e vocês têm errado sistematicamente, a língua portuguesa é a última flor do laço, em curta e bela, nós adquirimos os mil leitos, mil leitos, o Ministério da Saúde adquire, por que não instala os mil leitos? Porque pode precisar aqui em São Paulo, ou pode precisar em Curitiba, ou pode precisar no Rio de Janeiro, ou pode ser em Manaus, esses são a reserva móvel, então, quando coloca lá na manchete de primeira página: Ministério só fez 10% do que falou, não, 10% é o que eles habilitaram, o que eles pediram pra habilitar, os estados, municípios, este da União está comprado e contratado, então, quando eu liguei na redação e expliquei, não vi, por isso eu estou citando, pra poder, exatamente, explicar, porque isso causou uma grande confusão nacional, né? Teve, porque eu, pessoalmente, dei. Enfim, a falta da Lígia, que era uma grande setorista de saúde.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Bem, vamos ao segundo veículo, é exatamente o Estado de São Paulo, por coincidência, a Fabiana Cambricoli, é assim?

FABIANA CAMBRICOLI, REPÓRTER: Cambricoli.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Cambricoli. Desculpe, Fabiana, boa noite.

FABIANA CAMBRICOLI, REPÓRTER: Ministro, a gente pode conversar depois sobre esse esclarecimento, porque eu não vou tomar tempo dos colegas que querem saber das medidas, mas acho que é importante esclarecer sobre essa matéria depois. Eu queria falar sobre a antecipação da campanha de vacinação da gripe, como vocês vêm ressaltando muito do risco pros idosos, eu queria saber tanto do ministro, quanto dos secretários Germann e o Edson, como que vai ser a estratégia pra vacinar os idosos, pra que a concentração deles, numa fila de UPS, não seja um possível vetor de transmissão, né, porque eu imagino que com esse cenário do corona vírus vai ter muita procura, então, vai ter um grupo gigante de idosos juntos, numa unidade de saúde, como que vocês estão pensando em organizar isso?

LUIZ HENRIQUE MANDETTA, MINISTRO DA SAÚDE: Bom, primeiro, hoje, eu, quando cheguei aqui em São Paulo, vim hoje à tarde, eu desci no aeroporto de Guarulhos e fui visitar o maior central de logística de insumos biológicos das Américas, que é o do SUS, que eu recomendo que quem quiser conhecer, vá lá e peça pra conhecer, muito cercado de segurança, mas, com certeza, vai... E fui na companhia do Dimas, do nosso Instituto Butantan, governador, hoje já embalamos e começamos a mandar pros estados, aquilo que nós tínhamos dito que faríamos, hoje já estamos despachando, eu quero, até segunda-feira, 17 horas, eu vou entregar todo o primeiro lote dentro do Brasil, que vão ser as primeiras dez milhões, aí o Butantan vai produzindo e a gente vai abastecendo, por isso que é importante respeitar a ordem, porque se for, ah, eu vou furar a fila e vou lá, vai faltar pros respectivos primeiro idosos, profissionais de saúde, depois nós vamos gradativamente, então, a partir da semana que vem, nós vamos fazer a nossa campanha, nós tínhamos dito que era a partir do dia 23 de março, as secretarias já podem começar a utilizar, junto aqui com o secretário municipal, pra vacinar, por exemplo, os acamados, são aqueles que não podem sair de casa, e eles têm, o SUS tem, casa a casa, dentro do Brasil, quem são os idosos acamados, esses não participam de campanha, ela é uma estratégia de atenção básica, e depois nós vamos falando as faixas etárias, os setores, esse ano, sem nós sabermos, o ano passado nós recebemos 62 milhões de doses, pra esse ano nós tínhamos contratado, e o Butantan produziu 75 milhões de doses, então, nós ampliamos 13 milhões de doses do ano passado, é o maior programa de vacina de gripe pública que se tem notícia. Então, isso vai ajudar muito. Agora, a estratégia, aí eu prefiro que os municípios façam. Então, hoje, nós cumprimos o que, a última vez eu e o governador falamos, hoje nós embarcamos, aqui, da logística pra todos os estados, até segunda-feira, cinco horas da tarde, todos receberão os seus lotes, aí eles organizam durante a semana, pro dia 23, e podem começar a vacinar o casa a casa.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Ministro, obrigado, Fabiana. O Dr. David Uip eu acho que quer complementar a informação.

DR. DAVID UIP: Hoje, uma conversa pela manhã com o secretário da vigilância do Ministério, nós acertamos que eu conversaria à tarde com o governador, ele me autorizou a fazer um convite a rede privada de farmácias, pra que participem da vacinação dos idosos, duas vacinas, influenza e sarampo, é o convite [ininteligível], tá, a rede privada, nós vamos convidar que ela nos auxilie na vacinação, e esta rede privada é muito intensa e muito competente aqui no Estado de São Paulo, então, isto responde um pouco a sua pergunta? Não, nós vamos... Eu preciso, o governador acabou de me autorizar, eu preciso conversar com a rede privada, não, eles não foram convidados, isso foi uma decisão de manhã, uma sugestão que nós, eu e o secretário de vigilância, agora o governador autorizou, saindo daqui eu vou conversar com as redes privadas, pra participarem. Não, tudo... Tudo continua como sempre esteve, e vai continuar, é o mais, a pessoa que quiser tomar na farmácia, sem custo, ela vai e... É um adicional, são inúmeras farmácias no Estado de São Paulo.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DE SÃO PAULO: Edson Aparecido.

EDSON APARECIDO: Nós já iniciamos a organização da vacinação pro dia 23, nós, como disse aqui o Ministro, nós temos as instituições de longa permanência do idoso, nós vamos, então, de encontro a uma parte desse contingente de idosos na cidade, que são um milhão e 800 mil pessoas, temos também o trabalho feito pelo programa de saúde da família, através de quase dez mil agentes comunitários de saúde, e finalmente cada uma das 468 unidades básicas de saúde do município, tem uma sala específica para atendimento do idoso, hoje o idoso não fica mais no atendimento geral da unidade, ele chega na unidade e vai ser atendido especificamente nessa sala, isso vai nos permitir, isso já existe, já está implantado, isso vai nos permitir, exatamente, uma organização até o dia 23 pra que a gente evite aglomeração.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, eu vou passar a palavra, pra finalizar a resposta, Fabiana, ao secretário Germann, tendo em vista que nós temos que também fazer a vacinação, e vamos fazer, no litoral, região metropolitana e interior de São Paulo, secretário Germann.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DE SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado. Então, dentro da sua pergunta, nós temos a cidade de São Paulo fazendo este comentário e respondeu pra você. O restante do interior, nós também fazemos através das prefeituras, seja no litoral, no interior do estado, e isso nós estamos... Conforme... Conforme o fornecimento do Butantan para o Ministério, e o Ministério repassa isso para os municípios e a gente coordena este processo, então não teremos problema, porque os municípios serão abastecidos pelo Butantan e Ministério.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, secretário. Obrigado, Fabiana. Terceiro veículo é a Rádio CBN, jornalista Júlio Vieira, Júlio, onde você está?

JÚLIO VIEIRA, REPÓRTER: Estou aqui.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Júlio, boa noite.

JÚLIO VIEIRA, REPÓRTER: Boa noite, boa noite a todos. Governador ou o próprio secretário Rossieli Soares, eu gostaria que os senhores esclarecessem um pouco mais a questão da... A questão da educação, o senhor falou sobre a interrupção das aulas, eu gostaria que o senhor falasse sobre universidades e também se tem alguma questão voltada pras escolas municipais aqui de São Paulo também.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Júlio, obrigado pela pergunta, vou dividir a resposta com o secretário Rossieli e com o secretário Bruno. Rossieli.

ROSSIELI SOARES, SECRETÁRIO DA EDUCAÇÃO DO ESTADO DE SÃO PAULO: Bom, primeiro é que, Júlio, a educação seja olhada de forma conjunta, isso é algo que a gente tem discutido bastante, que as instituições trabalhem conjuntamente neste processo de decisão, logicamente que a gente tem as autonomias, mas, por exemplo, as universidades, a orientação é suspender já na próxima semana, para educação básica a próxima semana de aulas, ainda, mas permitindo que aquelas famílias que se organizarem, já os alunos não terão falta, caso as famílias já se organizem, já na próxima semana. As equipes, a escola vai estar lá com todos os profissionais, com a merenda escolar, com tudo funcionando, absolutamente normal. Em relação às instituições privadas, tomamos o cuidado de reunir, de conversar com o José Augusto que é o presidente do sindicato dos estabelecimentos das escolas particulares que também estarão... o sindicato está junto, logicamente, as escolas do sindicato deverão seguir a mesma orientação e determinação aqui do Governo do Estado. E logicamente, passando a palavra então ao Bruno Caetano, ao município de São Paulo, mas também a orientação aos municípios do interior do estado para que também façam o mesmo movimento dentro do mesmo calendário.

BRUNO CAETANO, SECRETÁRIO MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO DE SÃO PAULO: Obrigado, Bruno. Obrigado, governador. Obrigado, Rossieli. Obrigado, Júlio. Até recebi há pouco uma, uma mensagem do prefeito Bruno Covas que está acompanhando a coletiva e pediu para que a gente esclarecesse exatamente esse ponto. A preocupação dele com a questão da prevenção e a questão também das medidas necessárias para a gente conter o avanço do coronavírus na cidade. O esclarecimento se dá exatamente nessa gradualidade, né, a partir da próxima segunda-feira qualquer aluno que puder não frequentar a escola não frequente. Desde que a solução encontrada pela família não seja deixar esse aluno com os avós. Essa é a orientação clara da Prefeitura de São Paulo, do prefeito Bruno Covas, do Governo do Estado e do governador João Doria. Assim que funcionará a gradualidade a partir da próxima segunda-feira para que a gente possa chegar na outra segunda-feira para ter uma decisão aí mais restritiva para que a gente possa aí sim fechar as nossas escolas. Então a gradualidade se dá exatamente nessa proporção para que as famílias possam se organizar já a partir da próxima segunda-feira aquelas que assim tiverem condição. As que não tiverem ganham dez dias para que essa organização seja feita.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Bruno. O secretário... deixa eu só pegar aqui, ministro, um minutinho. O secretário Guermann faz uma complementação importante a resposta ao jornalista Júlio Vieira da CBN.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DE SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Com relação ao ensino universitário relacionado à área da saúde não haverá suspensão das atividades. Além das atividades de ensino propriamente dito, eles têm atividades nos hospitais. E isto não deve parar, nós teremos continuidade a partir do quarto, quinto e sexto ano para que na área de medicina e para os demais profissionais de saúde como enfermagem também ficarão... continuarão a trabalhar e continuar o seu processo de ensino e aperfeiçoamento.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, secretário. Júlio, obrigado pela pergunto. Próximo veículo é o Portal UOU, Carolina Marins. Carolina, onde você está. Desse lado. Carolina, boa noite.

CAROLINA MARINS, REPÓRTER: A minha pergunta vai para o ministro da saúde. Com relação aos números, porque o número do Ministério da Saúde tem estado defasado, hoje vocês informaram 98, ontem o Hospital Albert Einstein informou 98 só dentro do hospital, e as secretarias também estão, estão diferentes. Isso não afeta as políticas públicas tomadas pelo Governo?

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DE SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Não. Nós também já publicamos demoradamente. Nós, simplesmente, consolidamos o número informado pelos estados até as 16h. No começo nós fazíamos centralizado porque nós estávamos naquele momento em altíssima vigilância procurando o primeiro caso. Depois que começaram a haver os casos, isso foi falado em duas vezes, ou três vezes consecutivas que passa a ser dos estados. Tem estado que o hospital, aqui em São Paulo eu vejo, parece que o hospital é quem dá as informações, enfim. Pra nós é o consolidado às 16h, se entrar à noite, como foi ontem, acho que eu vi essa matéria ontem à noite, por volta das 10h da noite, ele só entra pra gente no outro. Agora, pra nós, o importante pra nós nesse momento, pra nível nacional, quem pode precisar desses números just in time é a cidade. No SUS quem faz, quem é o braço operacional, a ponta é o município, é a cidade. O estado é o ente próximo aqui em São Paulo, ele também faz, ele tem hospitais, ele também produz, ele também faz. A União ela só consolida, ela só consolida os números, gera as políticas macro, ausculta os municípios e os estados pra ver o que é que pode ajudar, mas a União praticamente ela não faz, ela só consolida os números. Então nós consolidamos uma vez ao dia, mas temos no nosso centro de operações de emergência em Brasília, o COE, todos os números segundo a segundo, só que nós só consolidamos uma vez ao dia, ok? Então isso vai acontecer sempre, mas eu acho que isso, de uma maneira geral acho que toda, todo mundo já sabia porque a gente já está trabalhando assim a aproximadamente dez dias.

REPÓRTER: Isso possibilita também a discrepância com [ininteligível]?

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DE SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: O que é que é a plataforma [ininteligível]?

REPÓRTER: É uma plataforma que está acompanhando [ininteligível].

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DE SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Ah, os americanos? Eu acho que eles tinham primeiro saber o número deles, né? Ninguém sabe.

REPÓRTER: Então esse número--

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DE SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Não. O do Ministério da Saúde, a vigilância em saúde do Ministério da Saúde do Brasil foi a vigilância que primeiro no mundo percebeu o Covid na China. Nós questionamos a OMS antes da China declarar. Nós fizemos todos os monitoramentos, identificamos, cobramos da OMS que ela declarasse pandemia, ela levou 3,5 semanas, quatro, insistindo no caso a caso quando nós já trabalhávamos. Todos os casos que nós fizemos dentro do Brasil nós conseguimos fazer o primeiro paciente, quem ele contactou, o terceiro, o quarto, o quinto contactante, a nossa vigilância de saúde do SUS, não é do Governo Federal não, ela acontece lá em Poá tem, lá não sei aonde tem, aqui tem, a nossa vigilância, os nossos números nós falamos bem. E outra coisa que eu vou deixar bem claro pra vocês, já pra vocês entenderem. Quando se faz caso a caso, eu quero... eu só vou conhecer... esse vírus caso a caso, igual a China fez, vocês lembram? Mil casos, 1.200 casos, 2.500 casos, tantos óbitos. Não era assim? Aí um belo dia, no dia 14 de fevereiro a China falou assim: podem notificar por nexo. O que é que é isso? É quando você não faz o exame, mas o médico fala: ó, é coronavírus. Eu já vi tantos casos, eu já vi aqui a imagem, eu já vi a tomografia, é corona. Eu não preciso fazer o exame. Quando você tem vírus circulando forte você faz por amostragem pra saber quais os vírus que estão circulando e faz por nexo. Os nossos números serão maiores porque eles serão a verdade. A China trabalhou dois dias só por nexo, ela foi de 32 mil casos pra 70 mil casos. Aí eles olharam e falaram assim: agora nós vamos voltar a contar um a um porque nós não queremos que seja um número tão grande. Você olha o gráfico da China, quem não conhecer essa história vai ver... passar os anos e vai falar: nossa, veio, veio, veio. Um belo dia o gráfico faz assim, depois faz assim. O que será que aconteceu nesse dia? Será que o vírus tomou urânio, virou um Superman? Não, é o nexo causal. Se eles estivessem feito por nexo causal, como os números de óbitos são absolutos a letalidade seria menor. Porque os óbitos são absolutos. Os casos graves nós vamos fazer todos. Entrou em hospital grave nós vamos fazer todos. A nossa sentinela é muito forte, nós vamos saber o percentual de vírus todos. Nós vamos fazer os casos que... mas o nexo causou clínico nosso vai ser maior. Então nós sabemos o que nós estamos fazendo e não é da ideia de ninguém. Agora, se os Estados Unidos não conseguiram fazer kit, não conseguiu fazer, não sabe por onde entrou os casos, né? Se eles estão fazendo pra medir os brasileiros eles têm que me dar números de lá porque até pra gente saber se Flórida, Ohio, Califórnia, Nova Iorque. Hoje decretou emergência. Nós fizemos o reconhecimento de emergência de interesse nacional quando? Nós, nós fizemos aproximadamente uma semana antes de levar os brasileiros de Wuhan pra cá, há mais ou menos 30 e poucos dias atrás. Assim, o Brasil... podem criticar muita coisa, mas os números brasileiros hoje são os mais fidedignos que têm aí pra você poder acompanhar.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, ministro. O próximo veículo de comunicação, Jornal O Globo, jornalista Silvia Amorim. Microfone pra Silvia. Silvia, boa noite. Sua pergunta, por favor.

SILVIA AMORIM, REPÓRTER: Boa noite, governador. Boa noite, ministro, secretários. Eu quero fazer uma pergunta para o Dr. David Uip porque diz respeito ao caso confirmado de transmissão comunitária. Então eu queria saber como é que houve essa constatação? Ela é clínica ou houve algum tipo de exame que atestou o que a gente está chamando de cura? E eu queria também encaminhar uma questão pro governador se... como vai ficar a questão da Av. Paulista no próximo domingo, se ela será fechada ou se ela ficará aberta?

DAVI UIP, INFECTOLOGISTA: Tem uma confusão, Silvia. São duas coisas diferentes. O Hospital Albert Einstein deu alta pro primeiro caso. Segunda coisa, é um diagnóstico de transmissão comunitária feita pelo município de São Paulo através de confirmação por exame laboratorial. Então, dois critérios constataram por exame e não havia relação com o caso... em caso de fora.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado. A nossa posição foi clara, a recomendação para que nenhum evento acima de 500 pessoas seja realizado, qualquer evento musical, esportivo, político, social, internacional, universal, de qualquer natureza não deve ser realizado a partir de agora, até 500 pessoas não há restrições, acima de 500 pessoas, há. Bem, vamos ao próximo veículo é a rádio Jovem Pan o jornalista Leonardo Martins. Leonardo, boa noite a sua pergunta, por favor.

LEONARDO MARTINS, JORNALISTA RÁDIO JOVEM PAN: Boa noite, governador, boa noite, Vinicius, demais secretários, o secretário de Educação gostaria de comentar assim, primeiro, como será feita essa suspensão gradativa das aulas, algumas unidades serão suspensas, assim, eu queria que vocês detalhassem isso de maneira mais clara, e também, quando foi anunciado uma parceria com a Unicamp, aqui, também, o governador falou, sobre o desenvolvimento de uma vacina contra o Coronavírus que estava um investimento muito forte nessa tecnologia, queria saber que pé está e se há uma previsão para isso, obrigado.

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Desculpa, governador. Vamos lá, o gradativo, o gradativo para os estudantes para informações para as famílias para essa semana de preparação, mas todas as escolas suspensas no dia 23, segunda-feira, 23 não terá aula, na próxima semana aula em todas as escolas, merenda em todas as escolas, muita informação para prevenção nas nossas escolas, mas já dispensando sem falta os alunos que eventualmente já puderem ficar em casa, isso que é o gradativo já poderão ficar, desde que não fiquem com a avó, por exemplo, não adianta deixar a criança com a avó com o avô pois pode termos já transmissão comunitária pode ter uma transmissão para uma pessoa que é muito mais vulnerável, que o gradativo ao invés de dizer, hoje, amanhã não tem mais aula, acabou, fecha, te vira, família , calma, vamos ter essa semana de organização, a família precisa se organizar, nós vamos ajudar a orientar as famílias, isso é muito importante, durante toda a semana, esse é o nosso esforço para que a informação chegue corretamente, para que a gente entenda quais são os procedimentos que eles precisam fazer, inclusive, complementares à própria educação que a gente deseja que mesmo em período de suspensão, minimamente se tenha a continuidade de algum processo educativo com essas crianças e com os jovens.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Leonardo, há uma?

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Para a rede privada é o mesmo ponto que nós estamos levantando aqui também, ter atividades durante a semana que vem e na outra semana suspender, mas se a escola privada desejar interromper na próxima semana, ela poderá desde que ela cumpra as regras que estão estabelecidas pelo conselho ao longo do tempo, de calendário e tudo mais vai ser feito, nós estamos só para complementar, governador e Bruno, se me permitir, rapidamente nós também tivemos a participação, além, do sindicato das escolas particulares também do presidente Hubert, que é o presidente do Conselho Estadual de Educação, se necessário estaremos olhando observando normas complementares para auxiliar na condução, mas tudo isso dependerá do tempo, nós não sabemos quanto tempo de aula é uma semana de aula? São duas semanas de aula? São três semanas de aula? São 30 dias de aula? Dependerá do tempo que nós teremos que manter a suspensão. Bruno, creche.

BRUNO CAETANO, SECRETÁRIO MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO DE SÃO PAULO: Em princípio sim, todas as unidades a partir da próxima semana, mas essas orientações sobre cada tipo de equipamento a gente vai dar ao longo da semana que vem e aí aproveito a deixa para fazer um apelo para as famílias que elas atualizem a base de dados para que a gente possa fazer uma comunicação mais direta e efetiva com essas famílias, as duas secretarias têm portais na internet onde as famílias podem entrar, recadastrar seu endereço, sobretudo o seu telefone, seu WhatsApp, para que a gente possa fazer essas orientações de forma mais direta para essas famílias então fica aqui também um apelo para que essas família o seu banco de dados para que a gente tenha essa comunicação mais efetiva. Todas unidades educacionais da prefeitura e do estado na próxima semana funcionarão normalmente, repetimos aqui, as famílias que puderem não levar as crianças e jovens para as escolas, tendo alternativa de deixar essas crianças e jovens com pessoas jovens não com idosos, não com avós, avós, bisavó e assim por diante e façam, a partir da outra semana, na outra segunda-feira, aí sim o fechamento das unidades.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Ministro Mandetta, apenas para ficar claro, para os jornalistas e os eleitores, ouvintes, telespectadores, seguidores e semelhantes, estamos considerando pessoas com mais de 55 anos, a faixa etária acima de 55 anos, e o Ministro Mandetta, Leonardo, tem uma informação importante complementando a sua questão.

LUIS HENRIQUE MANDETTA, MINISTRO DA SAÚDE: Quando a gente fala de cursos, de faculdade, dessas coisas, aqui vai uma fala, um pedido e um chamamento, medicina, enfermagem, fisio, pessoal da saúde, nós vamos precisar muito de vocês, agora chegou a hora de separar menino de gente grande, medicina não interrompa intercurso, enfermagem, não interrompa curso, pessoal das biológicas permaneçam nos cursos, vão ser capacitados, a força de trabalho de quem está na frente são os profissionais que mais infelizmente adoecem e precisam ser substituídos, então nós precisamos contar com todos mobilizados, não tem residente de ortopedia porque não faço clínica médica, porque eu não faço adulto, todos os serviços devem capacitar com a TLS, com a CLS, devem saber as condutas, os quinquanistas, os sextuanistas, o pessoal do internato, para vocês que eu estou falando vocês me conhecem, eu fui professor também universitário, nós sabemos fazer diagnóstico, nós sabemos auscultar tórax, agora nós vamos andar juntos, então eu faço as faculdades privadas e pública, pessoal da saúde essa briga é com a gente, nós vamos precisar de todo mundo e vai todo mundo enfrentar isso juntado.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Há um entendimento também importante entre a secretaria de saúde do município de São Paulo e do estado de São Paulo, para que nos próximos 60 dias sejam suspensas as férias de médicos e enfermeiros, exatamente para que possam ter atenção objetiva em torno do Coronavírus, é uma decisão de ordem administrativa, mas certamente será solidária por parte daqueles que cumprem esse papel na rede pública estadual e no município de São Paulo. São os profissionais de saúde como lembra o secretário Guermann e como lembra também o secretário Edson Aparecido. Antes, a partir de agora, a partir de agora. Também, antes da próxima pergunta, temos mais duas, apenas complementando a nossa resposta ao jornalista Sílvio Amorim, apenas para explicitar, também eventos religiões, Silvia, São Paulo, especifico. Tem muitos eventos de ordem religiosa, sobretudo das igrejas evangélicas, a recomendação é para que a evento acima de 500 pessoas não aconteçam. Vamos agora ao penúltimo é a CNN, o jornalista Pedro Duran, Pedro boa noite, sua pergunta, por favor.

PEDRO DURAN, JORNALISTA CNN: Tudo bem, governador? Boa noite, primeiro eu queria esclarecer com o Dr. Davi Uip o caso do paciente que foi curado, teria sido curado, a informação que a gente tinha, é que aquele idoso ou aquele senhor de 61 anos que voltou da Lombardia na Itália, empresário com a doença estava ontem com na UTI, se é essa mesma pessoa que teve alta, já está em casa, já deixou o Coronavírus ou se é outro paciente, não sei se o senhor, se o secretário Edson também podem explicar isso, e perguntar para o governador João Doria sobre escolas e universidades, governador, se além da recomendação vocês estudam alguma medida mais enfática caso o quadro se agrave, eu dou o exemplo da PUC que tem um abaixo-assinado de alunos pedindo a suspensão das aulas e um documento assinado por professores pedindo a suspensão das aulas e a reitoria dizendo que com o aval do Ministério para continuar com as aulas, então além dessa recomendação no caso de escolas e universidades privadas, o governo pode ir além e determinar alguma medida um pouco forte nesse sentido? Obrigado.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Pedro Duran, eu vou começar então pela segunda e depois passamos ao Dr. Davi Uip. Foi exatamente o que nós decidimos hoje, a decisão foi formatada hoje e quero voltar a lembrar o que temos dito durante todos os dias, a cada dia as circunstâncias são analisadas pelo grupo de coordenação do Coronavírus que nós chamamos de centro de contingência, em total harmonia com o Ministério da Saúde, nenhuma atitude em São Paulo está sendo feita sem estar compartilhada e devidamente validada pelo Ministério da Saúde e com isso nós temos adotado medida correta e na hora certa, então, hoje sim houve a decisão de orientar universidades públicas e privadas a suspenderem as aulas exceto os cursos de medicina como bem lembrou o Ministro e o secretário de saúde em geral, biológicas, também, como lembrou o Ministro e os secretários do estado e do município na área da saúde, portanto a partir de segunda-feira as aulas estarão suspensas e eu tenho certeza que pelo mesmo bom senso a direção da Pontifícia Universidade Católico adotará essa medicina, creio que não seja necessário nenhuma medida de força maior para que isso seja seguida. Ministro.

LUÍS HENRIQUE MANDETTA, MINISTRO DA SAÚDE: Não, só para deixar claro, que jovens evoluem muito bem, a medida não é para que o jovem não tenha, não é proteção, é pra você diminuir... fiz essa pergunta hoje aqui para o secretário de educação. Quantas pessoas que nós estaríamos retirando do transporte público? Porque elas ocupam o metro quadrado, ela atensa o transporte. Porque criança, adolescente, adulto jovem, 35% é assintomático ou um resfriado levíssimo, não tem óbito, não tem letalidade. Então se você falar assim: qual o risco de manter a aula na PUC? Olha, pode ter um professor, uma... mas pro corpo decente não. É pra você diminuir a velocidade com que as pessoas vão ter que se expor e que pode fazer... essa epidemia ela é igual um vento, ela vem, aí daqui a pouco ela começa comunitária, ela faz um redemoinho. Um belo dia ela vai fazer uma curva ascendente, o ângulo é quase de 90 graus. E qual é o tamanho desse pico é que faz com que o sistema de saúde aguente ou não aguente a entrada em paralelo. Essas medidas são pra fazer uma velocidade e um pico menor possível pra que a gente possa ter capacidade de atendimento das pessoas que nós sabemos que baterão daqui a pouco as centenas, depois vai aos milhares, se repetir o mesmo comportamento que houve no Hemisfério Norte. Nós estamos trabalhando se acontecer a mesma coisa que lá. E se não acontecer, e se Deus for brasileiro, e se o Sol queima o vírus, e se aqui tudo vai dar tudo certo, não vai ter nada. Fizemos o que nesse momento achávamos que seria o mais correto de fazer com as informações que temos. Então, é mais no sentido de diminuir essa quantidade enorme, 1,3 milhão de crianças do transporte público se você coloca que tem um adulto ainda junto pra movimentar nós estamos tirando 2,5 milhões de pessoas. Esse é o foco da medida porque se fosse falar assim: nós vamos fazer isso porque a criança não pode pegar resfriado. Criança que vai na escola, todos vocês aqui pegaram resfriado.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado. Um minutinho só, por favor. Não, por favor. Nós fizemos uma combinação prévia com todos os jornalistas. Vamos à complementação da resposta ao jornalista Pedro Duran, pelo Dr. David Uip em relação à dúvida apresentada pelo jornalista Pedro Duran.

DAVI UIP, MÉDICO INFECTOLOGISTA: Essa sua dúvida não é pertinente. Esse paciente não está na UTI e não está grave.

PEDRO DURAN, REPÓRTER: Não é um homem de 61 anos, empresário que voltou da Itália. Esse já não tem mais os sintomas e foi liberado do hospital.

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Não se entra em detalhe da identificação das pessoas, diz respeito, diz respeito... está se dando uma informação de que nós temos o primeiro caso curado. Ponto.

DAVI UIP, MÉDICO INFECTOLOGISTA: Deixa eu voltar--

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Do mesmo modo que vocês dariam: tivemos o primeiro óbito. Nós não diríamos. Primeiro caso curado.

PEDRO DURAN, REPÓRTER: Mas é o primeiro brasileiro--

DAVI UIP, MÉDICO INFECTOLOGISTA: Eu vou ser enfático. Eu falei que teve alta o primeiro caso de internação em hospital brasileiro, de um brasileiro que teve alta. Não importa se é o caso 1, 2, ou 3, ou 4.

PEDRO DURAN, REPÓRTER: Ah, entendi.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Dr. Davi Uip. Obrigado, Pedro Duran. A última pergunta o jornalista Willian Cury da Globo News. Wil, sua pergunta. Boa noite. Sua pergunta, por favor.

WILLIAM CURY, REPÓRTER: Boa noite. Ainda... só retomando um pouco a pergunta do Pedro, eu queria saber se essa cura foi determinada... foi verificada por exames ou se foi apenas pelo diagnóstico clínico com o desaparecimento dos sintomas.

DAVI UIP, MÉDICO INFECTOLOGISTA: Deixa até falar uma coisa, já combinada com o Ministério da Saúde e com o secretário, nós vamos deixar de fazer exames naqueles pacientes não internados. Então só nós faríamos exames nos pacientes que estão internados, nos pacientes, nos indivíduos de clínicas sentinela e em pesquisa. Então, isto é dar bom gasto ao dinheiro público. Não é critério de cura a monitorização por PCR quantitativo, a cura é clínica. Veja você, se nós fizermos o acompanhamento por PCR de cura, três exames negativos, isto tem um custo absolutamente bizarro, inaceitável. Então o critério ide cura é critério clínico, foi e será.

REPÓRTER: Desculpa, eu não entendi. Porque eu estou com a mesma pergunta, e o senhor disse que foi atestado por exame [ininteligível].

DAVI UIP, MÉDICO INFECTOLOGISTA: Você está confundindo tudo hoje. Hoje você--

REPÓRTER: Estava falando do primeiro--

DAVI UIP, MÉDICO INFECTOLOGISTA: Não, querida, eu falei... não, eu falei pra você que o diagnóstico da comunicação... do caso de comunicação aqui--

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Comunitário.

DAVI UIP, MÉDICO INFECTOLOGISTA: Comunitário, Silvia, o primeiro caso de comunicação foi feito por exame. Não tem nada a ver com doente internado que teve alta.

REPÓRTER: Desculpe. A minha pergunta era sobre o paciente do Einstein.

DAVI UIP, MÉDICO INFECTOLOGISTA: É, você--

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Não, não. O primeiro caso--

REPÓRTER: Eu sei. Vamos lá. A minha pergunta era sobre--

DAVI UIP, MÉDICO INFECTOLOGISTA: Alta clínica.

REPÓRTER: Foi alta clínica--

DAVI UIP, MÉDICO INFECTOLOGISTA: E sempre será alta clínica.

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: A clínica é soberana.

REPÓRTER: Só complementar a minha resposta, o senhor disse que o Estado vai parar de fazer exames pra testar o coronavírus, é isso?

DAVI UIP, MÉDICO INFECTOLOGISTA: O Estado--

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Desculpa, ministro.

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: É que eu já tinha falado. Ó, a China, a Itália, como é que eles fazem? Um por um. Ah, você está gripado, veio aqui, eu faço o teste, eu confirmo, eu conto um, dois, três, quatro. Assim que eles fazem. Chega a mil, 2 mil. Eles continuam informando só os que eles confirmam por exame. Nós tratamos quando você tem epidemia, eu já sei que o quadro clínico é esse, que tem a história, que é assim, faz-se o diagnóstico clínico. Ó, vou notificar coronavírus. Eu não preciso contar: um, mil, 2 mil, 5 mil, 8 mil. Faz-se por nexo causal. Ó, eu sei que está tendo uma epidemia de gripe, chega uma hora que a gente fala assim: ó, não precisa mais ficar fazendo um a um, não precisa. Um a um a gente faz dos graves. E mais o sentinela, há percentual. Que vantagem eu tenho de pegar um jovem de 18 anos que está com um pequeno resfriado, nariz escorrendo, daqui a um mês que ele vai na unidade pra saber se é... se você tem uma transmissão intensa sustentada? Nenhuma. Faz-se o diagnóstico presumido. Os nossos números serão muito mais fidedignos porque você vai ter um número maior de notificados e que nós vamos ajustar por onde? Ó, de cada cem eu faço por amostragem, 50%, 70% está dando coronavírus. Eu sei que daquela notificação 70% é. Pra fins de epidemia o que me interessa é isso. E os kits guardar pra se fazer dos casos graves quando se roda painéis, né? Eu acho que o Brasil vai fazer cem, 150 mil exames em todo o território nacional para os diferentes estágios dos estados, mas não há necessidade quando você está em epidemia. Aqui tem transmissão sustentada. Nós vamos continuar fazendo até a hora que os técnicos daqui chegarem e falar: ó, não precisamos mais, já estamos convencidos percentualmente. Pra isso tudo tem técnica, nada é da cabeça de alguém, isso tudo está no livro, isso tudo está na ciência, isso tudo está na pesquisa e é decidido pelo comitê de especialistas, tá?

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Antes de encerrar... perdão. Antes de encerrar o Dr. David Uip, e nós temos que encerrar, são 19h45, em respeito a vocês e também nós, vamos seguir o nosso expediente aqui. Dr. David Uip complementando a pergunta do Wil, e aí nós encerraremos. Dr. Davi.

DAVI UIP, MÉDICO INFECTOLOGISTA: O que é que está acontecendo na prática? Todo indivíduo que foi pra um casamento no final de semana quer fazer o exame, assintomático ou não. Então isso não tem nexo, fazer exames em indivíduos assintomáticos. Mesmo porque, muitas vezes, ele dá negativo no primeiro momento e quando tem os sintomas ele positiva. Então não tem sentido você fazer exames desnecessários. E isso é política decidido entre o Ministério da Saúde e nós.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Ok. Obrigado, Dr. David Uip. O decreto do Governo do Estado São Paulo será publicado amanhã no Diário Oficial com as informações fundamentadas no que dissemos aqui. Muito obrigado a todos pela presença. Obrigado também pela paciência. Uma boa noite. Um bom final de semana a todos. Obrigado, ministro. Obrigado aos secretários aqui presentes. Obrigado, Dr. David Uip.