Coletiva - Governo de SP atualiza informações sobre o combate ao coronavírus 20200312

De Infogov São Paulo
Ir para navegação Ir para pesquisar

Coletiva - Governo de SP atualiza informações sobre o combate ao coronavírus 20200312

Local: Capital - Data: Dezembro 03/12/2020

Soundcloud

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Pessoal, boa tarde, obrigado pela presença, quero agradecer os jornalistas, cinegrafistas, fotógrafos, técnicos, que participam da coletiva de hoje, registrar que estão aqui para participar deste encontro com a imprensa, Jean Gorinchteyn, secretário da saúde do Estado de São Paulo, Patrícia Ellen, secretária de desenvolvimento econômico, ciência e tecnologia, Rubens Rizek, secretário do governo da cidade de São Paulo. Dimas Covas, presidente do Instituto Butantan. Dr. José Osmar Medina, coordenador do centro de contingência do Covid-19. Dr. João Gabbardo, coordenador-executivo do centro de contingência do Covid-19. Também queria registrar a presença do General João Campos, secretário de segurança pública do Estado de São Paulo, que nos acompanha aqui. General, obrigado por estar aqui, acompanhando esta coletiva. Vamos começar com uma mensagem esclarecedora e uma informação e, na sequência, já abrimos a palavra aos que estão previstos aqui pra falar e as perguntas que serão formuladas pelos jornalistas. Queria reiterar aqui o compromisso do Governo do Estado de São Paulo em proteger a vida e proteger a saúde dos seus cidadãos, é o que temos feito desde que criamos o centro de contingência do Covid-19, no dia 26 de fevereiro deste ano. Quero também desmentir de forma veemente qualquer ilação e notícias falsas, fake news, sobre eleições e mudanças da fase do Plano São Paulo, vinculadamente ao processo eleitoral. É importante repor a verdade pra impedir que falsas narrativas se imponham sobre a realidade dos fatos. Os fatos são absolutamente claros, a classificação do Plano São Paulo, que aconteceria antes das eleições, ela foi canceladas exatamente pra evitar que 90% da população do Estado de São Paulo fosse para a fase verde, e esta foi a orientação do centro de contingência do Covid-19, e todas as recomendações feitas pelo centro de contingência são rigorosamente obedecidas pelo Governo de São Paulo. A nova classificação, que estava marcada para somente 15 dias após a eleição, foi adiantada para o dia seguinte ao da votação, cancelamos a progressão antes da eleição e adiantamos a regressão depois dela, exatamente para proteger vidas e seguir a orientação médica do centro de contingência do Covid-19. Todas essas decisões foram tomadas de maneira absolutamente transparente, sob fiscalização constante da imprensa, que, aliás, está aqui pela 149ª vez, 149 coletivas de imprensa. E também daqueles que virtualmente, remotamente acompanham a coletiva, participam dela, ou assistem e acompanham através das imagens da TV Cultura e de outras emissoras de televisão, que transmitem parcialmente ou integralmente esta coletiva. O Governo do Estado de São Paulo é absolutamente transparente no gerenciamento da pandemia do coronavírus, desde o primeiro dia entendemos que informar correta e transparentemente é parte do ativo para o combate à pandemia. Não há nenhum governo no Brasil, muito menos o Governo Federal, que tenha feito 149 coletivas de imprensa sobre este tema, sempre com a presença de médicos, dos dirigentes do centro de contingência e de secretários de estado. Quero reafirmar aos que nos acompanham aqui, ao vivo, pela televisão, neste momento, e aos jornalistas que aqui estão, que não houve, não há e não haverá decisão política em relação ao coronavírus no Estado de São Paulo. E, finalizando, nesta introdução, quero dizer que repudiamos o populismo dos que defendem um lockdown inviável, não fizemos lockdown e não há perspectiva de fazermos lockdown aqui em São Paulo, pois destrói empregos e a economia, penalizando justamente os mais pobres e uma sociedade desigual, como a nossa. Lembrando que ao longo destes dez meses, não fizemos nenhum lockdown, nem recomendamos lockdown em São Paulo. E repudiamos também o populismo dos que defendem que nenhum tipo de restrição deva ser feito, levando a morte aos mais frágeis, aos mais idosos e aos mais vulneráveis, como se isso não importasse. Em São Paulo vidas importam. Vamos continuar defendendo o equilíbrio, a verdade, a saúde e a vida. Na informação, vocês já sabem, hoje, pela manhã, estive no aeroporto internacional de Guarulhos, juntamente com o secretário Jean Gorinchteyn, o presidente do Instituto Butantan, recebendo mais um milhão de doses da vacina Coronavac, os 600 litros da vacina do Butantan com o laboratório Sinovac corresponde a um milhão de doses da vacina contra Covid-19, esta é a segunda remessa que chega ao Brasil, a primeira, com 120 mil doses, foi recebido no dia 19 de novembro, com mais este lote de vacinas, já temos, no Instituto Butantan, em São Paulo, um milhão, 120 mil doses da vacina. Até a primeira quinzena de janeiro, teremos aqui, no Estado de São Paulo, no Instituto Butantan, 46 milhões de doses da vacina contra Covid-19, disponíveis para a população, a população do Estado de São Paulo e, se o Ministério da Saúde tiver juízo, competência e a visão de que a vacina deve ser para todos os brasileiros, poderá oferecer também a outros estados a vacina Coronavac, a vacina do Butantan, para imunizar brasileiros de outros estados do país. Vamos, assim, cumprindo a nossa missão de disponibilizar a vacina para salvar milhões de vidas no menor tempo possível, e finalizo aqui a minha intervenção registrando a minha indignação em relação ao anúncio que foi feito ontem, pelo Governo Federal, de que iniciaria a imunização dos brasileiros apenas no mês de março. Eu indago se os membros do Governo Federal, que vivem na capital do país, não enxergam, não leem e não registram o fato de que temos mais de 500 brasileiros que morrem todos os dias no Brasil de Covid-19, é surpreendente esta indiferença, esse distanciamento, essa falta de compaixão com a vida dos brasileiros, por que iniciar uma imunização em março, se podemos fazer isso já no mês de janeiro? Como outros países já começam a fazer agora, em dezembro. Vamos perder mais 60 mil vidas? Vamos deixar que mais 60 mil brasileiros morram para daí iniciar a imunização? Quero reafirmar que, em São Paulo, de forma responsável, seguindo a lei e observando rigorosamente a lei, nós, no próximo mês de janeiro, cumprindo o protocolo com a Anvisa, e obedecendo aos princípios de proteção à vida, nós vamos iniciar a imunização dos brasileiros de São Paulo em janeiro, não vamos aguardar março, e nem vamos enterrar mais brasileiros para guardar aquilo que podemos fazer, salvando mais de 60 mil vidas a partir de janeiro. Vamos agora com o tema da vacina, com o Dr. Dimas Covas, presidente do Instituto Butantan. Dimas.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: Boa tarde, governador. Hoje mais um dia importante nessa caminhada, ou corrida em direção a uma vacina, semana passada nós tivemos a chegada da primeira vacina contra o coronavírus em solo nacional, vocês acompanharam essa chegada, hoje chegou a primeira partida de matéria prima, que permitirá a produção da primeira vacina contra o coronavírus em solo nacional, já a partir de segunda-feira da próxima semana. E, nesta caminhada, teremos ainda, até o dia 15, a apresentação dos resultados de eficácia do estudo clínico que o Butantan patrocina para essa vacina [ininteligível] brasileiros, então, estamos cumprindo, governador, o nosso compromisso, de trazer essa vacina o mais rapidamente possível para uso, não faz sentido termos uma vacina pronta pra uso, uma vacina registrada, e não usá-la. Então, nós estamos numa corrida para a sua introdução o mais rápido possível para salvar pessoas, para proteger as pessoas, principalmente as que estão submetidas a maior risco. E temos que ter um programa de vacinação que seja ágil, que disponibilize essas vacinas muito rapidamente, sejam elas 46 milhões, sejam 60 milhões, sejam 100 milhões, nós temos que usar essas vacinas em dois meses, três meses, o mais rapidamente possível, nós não podemos nos habituar com os esquemas tradicionais de vacinação, não, estamos numa situação de emergência e temos que atender essa emergência com a emergência que é necessária, estamos trabalhando nesse sentido, governador, e estamos, até esse momento, rigorosamente cumprindo os nossos compromissos, teremos essa vacina muito rapidamente, a primeira vacina produzida aqui no Brasil e, certamente, a primeira vacina que poderá ser usada. Obrigado, governador.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DP ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Dimas Covas, presidente do Instituto Butantan. Vamos agora ouvir Jean Gorinchteyn, que é o secretário da saúde do Estado de São Paulo, tanto no tema da vacina, Jean, quanto nos dados de hoje da saúde e no controle e, infelizmente, também nas perdas, com a Covid-19. Jean.

JEAN GORINCHTEYN, SECRETÁRIO DA SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Boa tarde, governador, boa tarde a todos. Estamos na 49º semana epidemiológica, estamos ainda em quarentena, reforçamos essa prudência, nessa próxima semana iniciaremos, aliás, a partir de amanhã iniciaremos, conforme foi anunciado pelo governador, o aumento do número de agentes na fiscalização sanitária do estado, Governo do Estado de São Paulo contrata mil agentes pra intensificar a fiscalização, tanto com relação à aglomerações, uso de máscara e o distanciamento social, essa força tarefa, que inclui esses mil agentes, começará no dia de amanhã a fiscalizar ruas, estabelecimentos de todo o estado, a iniciativa, em parceria com municípios, terá o investimento mensal de 3,6 milhões de reais para o Governo do Estado de São Paulo, o objetivo é promover a fiscalização, tanto de medidas que contenham a progressão da pandemia, como o uso de máscaras e o cumprimento de regras de distanciamento social, proibição da promoção de eventos e a ocorrência de aglomerações. A vigilância sanitária estadual já realizou, desde o dia 15 de julho, cerca de 110 mil inspeções, com uma aplicação de mais de mil multas por descumprimento de normas em todo estado, e aqui, governador, eu quero agradecer a presença da Dra. Cristina Mijidi, chefe da vigilância sanitária do Estado de São Paulo, que tanto foi e é empenhada nesse quesito de responsabilidade, cumprindo o seu papel dentro da sociedade e exigindo que todas as regras sanitárias também sejam mantidas. Fiscalizaremos e autuaremos se assim for necessário. Lembro que a reclassificação realizada com faseamento amarelo em 100% do Estado de São Paulo foi uma medida responsável e baseada nos índices da saúde, frente ao aumento do número, tanto de casos e óbitos, guiando assim uma conduta muito austera. A transparência e responsabilidade do Plano São Paulo fez com que impedíssemos que 76% da nossa população passasse para 90% dela na fase verde. E lembro que isso aconteceria exatamente no meio, entre o primeiro e o segundo turno. Isso sim seria um ato de improbidade política. A nossa dificuldade em termos a leitura correta dos planos e de dados naquele momento, frente à instabilidade do sistema Sivep-Gripe do Ministério da Saúde, impedia com que tomássemos decisões que pudessem colocar a população em risco. Então, de uma forma preventiva, profilática, segura, fizemos então uma reclassificação, que aconteceria, portanto, de forma extraordinária, duas semanas depois, e isso foi extremamente importante para garantirmos vida. Orientamos também, naquela oportunidade, que todas as municipalidades não desmobilizassem seus leitos de unidade de terapia intensiva. Ao invés disso, mantiveram-se com todos esses leitos voltados para o atendimento da Covid, garantindo assim que a assistência qualificada e humana prevalecesse, como sempre ocorreu no nosso estado. Ninguém, nenhum momento, deixou de ter UTI ou respirador, aqui no Estado de São Paulo. Com relação à ocupação de leitos de unidade de terapia intensiva, hoje a Grande São Paulo revela-se com uma ocupação de 53,7%, estando o Estado de São Paulo em 60,7%.

Hoje, governador, tivemos a grata alegria de recebermos 600 litros de matéria, prima para que houvesse a produção de um milhão de doses da Coronavac pelo Instituto Butantan. Nós sempre falamos e sempre reforçaremos que só as vacinas permitirão que estejamos impedindo a morte de centenas de pessoas todos os dias no nosso país. Todas as vacinas que tiverem segurança, eficácia consagrada, devem ser incluídas no Programa Nacional de Imunização, para que, dessa forma, possamos, de forma democrática, equânime e socializada, vacinar brasileiros do Brasil, e não somente brasileiros de São Paulo. Assim, governador, como o Butantan não é só de São Paulo, o Butantan é do Brasil, a Coronavac também o é. Próximo slide, por favor.

Nós temos hoje, no Estado de São Paulo, 1.267.912 casos, infelizmente 42.637 pessoas perderam a sua vida numa doença que só vai ser prevenida com vacina. A ocupação, como disse, 53,7% no estado. Na Grande São Paulo, 60,7%. Próximo, por favor. Nós estaremos tendo incremento de aproximadamente mil fiscais nas ruas, são aproximadamente 100 municípios que estarão nos apoiando, principalmente aqueles municípios que têm alta densidade demográfica, uma população muito maior, e que precisam ter uma fiscalização muito mais severa, fazendo com que todos os ritos e regras sanitárias sejam seguidas. Próximo. A parceria com os municípios, como eu disse, 100 dessas cidades são bastante importantes, permitindo o ingresso, tanto em comércios, em serviços, fazendo blitzes, como as que ocorreram neste final de semana, onde festas foram simplesmente identificadas e foram cessadas, aquelas atividades que violavam a vida e colocavam em risco toda a nossa população. Obrigado, governador.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Jean Gorinchteyn. Ainda no mesmo tema, o tema da vacina e dos cuidados necessários até termos a vacinação, seja em São Paulo, seja no Brasil, vamos ouvir o Dr. José Osmar Medina, que é o coordenador do Centro de Contingência do Covid-19. Medina.

JOSÉ MEDINA, COORDENADOR DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: Obrigado, governador, boa tarde a todos. O secretário Jean mostrou os dados, então nós temos que os indicadores epidemiológicos associados à pandemia, eles mostram uma reversão da dinâmica de queda, então está em curso um aumento das taxas de transmissão e um retorno mais acelerado das taxas de crescimento do Covid-19. O índice de ocupação dos leitos de terapia intensiva é próximo de 60%, então tem mais de 4.000 pessoas em unidade de terapia intensiva em todo o estado. Ainda é um número bastante grande. Então, nós estamos recomendando, fortemente recomendando que, nessas festas de final de ano, para que as pessoas, por uma questão assim, um ato de cidadania e de proteção para a sua família, evitem aglomerações superiores a 10 pessoas. Isso é uma medida razoável, e ainda com tempo de exposição baixo. Não dá hoje para imaginar um grupo de pessoas mais... Um grupo maior do que 10 pessoas reunidos, com o tempo de exposição maior do que 1 hora ou com tempo de exposição prolongado, onde se tiver apenas um dentre eles que tem uma doença pré-sintomática, pode contagiar a todos os demais. E nós recomendamos intensamente a questão da proteção dos idosos, não dos idosos, mas das pessoas com mais de 50 anos. Então, num evento, evento de confraternização, ou em qualquer evento agora nesse final de ano, qualquer pessoa com mais de 50 anos, que adquire a doença, ela tem um risco, uma letalidade muito maior. Então, nós acompanhamento essa letalidade no Estado de São Paulo, então quem tem entre 50 e 60 anos, a letalidade é de 3%, e ela é gradativamente subindo, quem tem mais de 80 anos, até 80, 89, é 32%, quem tem mais de 90 anos, ela é de 38%. E esse é o principal critério para utilização da vacinação. Então, a vacina vai contornar essa situação, porque um dos principais critérios, talvez o principal critério a ser utilizado é a vacinação das pessoas acima de 50 anos, então são as pessoas que têm mais risco, são as pessoas que saturam o sistema de saúde, que dá sobrecarga e que dá estresse para o sistema de saúde. E além disso, a vacinação dessas pessoas, ela quebra o ciclo de circulação do vírus. Então, é importante essa recomendação. E no final do ano... A vacina está pouco, em pouco tempo a vacina está disponível, mas ela não vai estar disponível ainda antes do Natal, ou antes do Réveillon. Então, precisa tomar bastante cuidado para evitar o comprometimento de um dos seus familiares. O pessoal mais jovem tem muito menos risco, circula muito mais, mas ele é um vetor importante que pode contagiar um dos seus familiares.

Eu queria só deixar, esclarecer uma fake news, a pedido do Coronel Nivaldo César, que nós conversamos ontem, e é uma pergunta que a Maria Manso, que não está aqui, ela sempre faz, até pela questão humanitária, que ela sempre faz pergunta nessa direção. É que têm saído algumas notícias que são falsas, de que, na fase amarela, vai ser proibido a visita presencial aos presídios. Isso não é verdade. Então, os protocolos que são utilizados agora na visitação presencial aos presídios atendem a qualquer fase, tanto à fase verde, como à fase amarela, como à fase laranja, como à fase vermelha. Então, isso é uma... Pode ocorrer alguma suspensão, alguma restrição transitória, se tiver um surto em alguma unidade em particular. Mas não haverá interrupção. Eu falei com o secretário de Administração Penitenciária, Coronel Nivaldo César, não tem nenhuma, não haverá nenhuma interrupção das visitas presenciais aos presídios, relacionada à alteração da fase do Plano São Paulo.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Medina. Para concluir, no mesmo tema, João Gabbardo, coordenador executivo do Centro de Contingência do Covid-19. Gabbardo.

JOÃO GABBARDO, COORDENADOR EXECUTIVO DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: Boa tarde, governador, boa tarde a todos que acompanham a coletiva. Governador, nós estamos todos perplexos com a previsão do Ministério da Saúde de iniciar a vacinação em março. Nós teremos, no mês de janeiro, milhares de pessoas que vão ficar doentes, nós teremos milhares de pessoas que vão internar, nós teremos milhares de pessoas que vão a óbito, infelizmente. Em janeiro, nós já teremos vacina no Brasil. No meu entendimento, no momento em que o Butantan entregar os resultados da fase 3, previstos para o dia 14, dia 15 de dezembro, a vacina do Butantan, ela estará técnica e formalmente apta a ser utilizada em caráter emergencial. No meu entendimento, todas as colocações ontem anunciadas pelo Ministério da Saúde para que uma vacina preencha os requisitos para uso emergencial estarão cumpridas pela vacina do Butantan. Então, no meu entendimento, ela poderá ser utilizada para os grupos previamente selecionados, para os grupos prioritários, conforme determina a exposição do Ministério ontem, em relação ao uso emergencial. Obrigado.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, João Gabbardo. Lembrando que o Gabbardo, além de médico, foi secretário de Saúde do Governo do Estado do Rio Grande do Sul, e foi secretário executivo do Ministério da Saúde, na gestão do então ministro Luís Henrique Mandetta. Patrícia Ellen e Rubens Rizek seguirão aqui à disposição para responder perguntas, assim como todos os demais que aqui se encontram. Vamos dar aqui a ordem dos jornalistas, que já pediram para fazer perguntas, e também observando que uma pergunta por jornalista. Começaremos com a TV Cultura, na sequência uma televisão chinesa, a TV Phoenix online, a TV Record, a CNN Brasil, o Portal IG, o SBT, a Rede TV e a TV Globo, GloboNews. Começando então com a TV Cultura, com você, Vanessa Lorenzini, boa tarde, obrigado pela sua presença. Sua pergunta, por favor.

REPÓRTER: Governador, boa tarde, boa tarde a todos. Então a gente teve a informação que o Bom Prato, em 57 das 59 unidades, parou de oferecer o jantar. Isso não compromete a segurança alimentar, ainda mais num momento de reclassificação do Plano São Paulo? O que motivou essa decisão?

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Vanessa, estamos revendo esta decisão. A decisão cumpre aquilo que foi programado pela Secretaria de Promoção Social. Mas a secretária Célia Parnes recebeu a orientação de reanalisar este fato para um anúncio muito em breve. Vamos agora à próxima pergunta, obrigado, Vanessa. É da TV Phoenix, da China, que temos virtualmente a presença da jornalista Lin Ju Yun (F), que já está conosco aqui em tela. Lin, passando a palavra a você. Obrigado pela participação, sua pergunta, por favor.

REPÓRTER: Bom dia, governador. Sim, vou voltar ao tema da vacina. Várias pesquisas recentes indicam resistência da população brasileira à vacina chinesa ou vacina do Butantan, como queira denominar isso. Isso deve reduzir a taxa de imunização. Haverá alguma campanha para conscientização da população sobre a vacina? São Paulo vai ter um plano de vacinação em separado antes do Ministério da Saúde? E como estão as tratativas da Coronavac no plano de imunização nacional? É isso.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Lin, vou dividir a resposta com Dr. Dimas Covas, mas toda a campanha de imunização deve ser acompanhada por campanha de comunicação, e nós aqui, em São Paulo, faremos campanha de comunicação já no próximo mês de janeiro, informando sobre a imunização e mostrando os valores e a segurança da vacina Coronavac, a vacina do Butantan. Dimas.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: Lin, nós temos ofertado ao Ministério da Saúde todas as informações relacionadas a essa vacina. Hoje mesmo, pela manhã, eu coloquei o secretário da secretaria de... O Arnaldo a par desses últimos acontecimentos, informando que chegou a matéria prima, que a partir da próxima semana iniciamos a produção, enfim, todas as notícias e atualizações relativas ao desenvolvimento dessa vacina têm sido passadas ao Ministério da Saúde e inclusive o cronograma. O nosso cronograma, a previsão de estar com os 46 milhões de vacinas disponíveis ao Ministério da Saúde a partir de meados de janeiro. E até então, no meu entendimento, existe, conforme manifestado anteriormente pelo ministro da Saúde, o interesse, sim, do Ministério, em adquirir essas vacinas, desde que disponíveis e registradas pela Anvisa. Estamos muito próximos desse evento. Brevemente teremos o registro e já temos a vacina, e portanto caberá ao Ministério se pronunciar, se incorporará como mencionado pelo ministro, se incorporará ou não a vacina ao Programa Nacional de Imunização. Para a minha esperança, eu sou muito otimista, creio que essa é a melhor opção para o Brasil. A primeira vacina a estar disponível, a primeira vacina registrada e a grande necessidade que o momento exige. Nós precisamos da vacina e, portanto, obviamente, eu acredito ainda no bom senso das nossas autoridades, acredito que as nossas autoridades têm essa preocupação com a saúde da população, e eu peço aqui que, por favor, olhem para esse cronograma, olhem para a possibilidade concreta de ter a vacina, que já está aqui no Brasil e estará disponível para iniciar o programa de vacinação para o Brasil. Então, essa é a minha esperança pessoal, e acho que de todos os brasileiros. Eu acho que todos querem ter essa vacina. As enquetes aí, as pesquisas de opinião são muito variáveis, mas a sensação que eu tenho é de grande número de autoridades, governadores, prefeitos, inclusive de outros países, no sentido de incorporar rapidamente essa vacina e disponibilizá-la à população.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Dimas Covas, presidente do Instituto Butantan. Obrigado a você, Lin Yun (F), da Phoenix TV, da China. Vamos agora retirá-la de tela, Lin, e voltar aqui presencialmente com a TV Record, a Record TV, com a Cleisia (F) Garcia. Cleisia (F), obrigado por estar aqui novamente conosco, boa tarde, sua pergunta por favor.

REPÓRTER: Boa tarde, governador. Não é o que nós queremos, mas infelizmente não dá pra confundir vontade com intuição, né? O que o Governo do Estado pretende fazer se essa vacina, por algum motivo, alguma falha no protocolo, até mesmo questões políticas, não for aprovada pela Anvisa?

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Cleisia (F), vou dividir com o Dimas Covas novamente. Sobre a parte científica, falam os cientistas, presidente do Instituto Butantan. E vou pedir a ele para iniciar a resposta. E sobre a parte política, não deixarei de responder. Dimas.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: Cleisia (F), a vacina está cumprindo todos os protocolos, está seguindo o que é proposto pela Anvisa, inclusive a Anvisa termina amanhã a inspeção da fábrica da Sinovac na China. Portanto, todos os documentos, todo o dossiê necessário para o registro dessa vacina está sendo encaminhado e será, oportunamente, fechado, como eu mencionei, até o dia 15 de dezembro. Com isso, no meu entendimento, a vacina estará, sim, apta a ser registrada. Veja, ontem a Anvisa publicou uma nova forma, que seria o registro emergencial. O Butantan não pretende usar do mecanismo de registro emergencial, porque nós vamos solicitar o registro, estamos muito próximos de solicitar esse registro, e esse será o registro definitivo dessa vacina. Então eu não antevejo problema na ordem técnica, da ordem de desempenho dessa vacina. Outros problemas, eventualmente, podem ocorrer, mas eu também não acredito. Ainda continuo acreditando que os técnicos da Anvisa devem agir no seu estrito cumprimento do seu dever profissional.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Dimas. E Cleisia (F), em relação ao tema político, sugiro que não só você e a Record TV, como também os demais veículos de comunicação, indaguem ao Ministério da Saúde e ao Governo Federal se eles serão capazes de enterrar 60 mil brasileiros que perderão suas vidas nos próximos três meses, por não disponibilizar uma vacina, que já está no Brasil, que é segura e que muito provavelmente, conforme mencionou o Dr. Dimas Covas, terá o selo de eficácia da Anvisa. Por que não vacinar e por que não proteger a vida de milhares de brasileiros? Sugiro fortemente que vocês indaguem ao Governo Federal por que dessa atitude, por que iniciar uma imunização em março se podemos fazê-lo já em janeiro? E perguntar a você, que está nos assistindo aqui pela TV Cultura, se você acha razoável, justo, correto, uma atitude como essa, deixando todos nós vulneráveis, os que não foram contaminados ainda com a Covid-19, e nessa vulnerabilidade termos milhares de óbitos.

Vamos agora à próxima pergunta, que é da CNN Brasil, com a jornalista Tainá Falcão. Tainá, bem-vinda. Sua pergunta, por favor.

REPÓRTER: Obrigada, governador. Eu vou voltar nessa questão da vacinação começar em janeiro. Governo de São Paulo vem sustentando isso, de que tem essa vontade de que a vacinação comece em janeiro, e eu queria que o senhor esclarecesse, Dr. Dimas também pode complementar, se isso se trata de uma sinalização, é uma afirmação que vocês fazem com base numa sinalização da Anvisa de que pode dar uma resposta mais rápida ao pedido do Butantan, ou se trata ainda apenas de um desejo do Governo de São Paulo?

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Dimas Covas.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: Olha, Tainá, o rito formal está sendo concluído. Nós estamos cumprindo o rito formal. Dentro desse rito formal, cada dia conta, cada dia são centenas de brasileiros que poderão estar sendo protegidos, poderão deixar de morrer. Então, acho que esse é o maior argumento, o argumento do número de vidas que serão salvas com a vacina e o quanto antes isso acontecer, melhor. Então eu acho que, nesse momento, é uma questão até de bom senso, quer dizer, nós temos que estar preparados para o uso dessa vacina, seja pelo Programa Nacional de Imunização, seja pelo Estado de São Paulo, seja pelo Estado de São Paulo associado a outros estados, a outros municípios. O que não pode é a vacina ficar parada, a vacina tem que ser disponibilizada, a vacina tem que ser infundida nas pessoas que estão em risco, essa é a nossa obrigação, esse é o compromisso do Governo do Estado, o compromisso do governador e o compromisso do Instituto Butantan.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Dimas. E Tainá, eu pedi, eu vou pedir ao João Gabbardo... Como você sabe, Gabbardo, até pouco tempo foi secretário executivo do Ministério da Saúde, fez dezenas de coletivas de imprensa, ao lado de seus colegas de Ministério e do então ministro Luís Henrique Mandetta. A meu ver, e não é outra razão pela qual ele foi convidado para ser coordenador executivo deste comitê, agiu de forma correta, com base na ciência, na honestidade e na verdade. Então vou pedir a ele que complemente a resposta à sua pergunta. Gabbardo.

JOÃO GABBARDO, COORDENADOR EXECUTIVO DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: Obrigado, governador. É uma questão de decisão muito importante, nós estamos aqui decidindo pela manutenção por mais 60, 90 dias, de indicadores horrorosos, em relação à doença, em relação aos números, em relação às internações. O esforço que todos fazem, da área de assistência, dos médicos, nossos enfermeiros, nossos hospitais, todos exaustos, todos tendo que enfrentar agora um período sem poder tirar férias, sem condições de fazer substituições nos plantões, com dificuldade imensa de arregimentar mais profissionais para completar os plantões necessários, todos cansados. E nós temos a possibilidade de antecipar tudo isso, em quase 90 dias. Então não tem sentido nós aguardarmos até março, quando todas as condições previstas pelo Instituto Butantan, estarão já cumpridos todos os requisitos solicitados. Dr. Dimas ainda confia e tem expectativa de que seja feito, tenha o registro desse período, até janeiro. Ótimo se a gente tiver o registro até janeiro, mas eu insisto que, se isso não ocorrer, o uso emergencial desta vacina, nós preenchemos todos os requisitos necessários para sua utilização a partir de janeiro. Então, essa é uma decisão do Ministério da Saúde, da Anvisa. Se quiser começar a vacinação em janeiro, Tainá, não é só um desejo, é a vontade de todos os brasileiros. E que a vacina possa ser colocada à disposição de todos os brasileiros. Usando a recomendação que ontem foi dada, de que nessa situação não se faria uma vacinação em massa. Ok, concordamos com isso, mas que a gente possa iniciar vacinando os grupos prioritários, começar a vacinar aqueles grupos que têm a maior incidência de óbitos. Dr. Medina tem falado aqui nas entrevistas, nós temos quase 90%, 89% dos nossos óbitos em pessoas com mais de 50 anos. Então, esse é um grupo prioritário, as pessoas idosas, onde a mortalidade é muito alta. Então, para esse grupo, poderia ser previamente selecionada, junto com outras condições, como é o pessoal da área da saúde, que pudéssemos já começar a vacinar no mês de janeiro.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Gabbardo. Tainá, obrigado pela pergunta. Vamos agora ao Portal IG, com a jornalista Eduarda Esteves. Eduarda, bem-vinda, boa tarde, sua pergunta, por favor.

REPÓRTER: Boa tarde. O secretário Arnaldo de Medeiros disse ontem que o perfil desejado da vacina seria um imunizante de dose única. O Governo teme que a Coronavac fique de fora do calendário oficial do Plano Nacional de Imunização por ter duas doses?

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Eduarda, vou pedir ao Jean Gorinchteyn, secretário da Saúde do Estado de São Paulo e médico infectologista, que possa responder à sua pergunta, Eduarda. Ou, respondendo, Jean, à Eduarda.

JEAN GORINCHTEYN, SECRETÁRIO ESTADUAL DE SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito bem. Eduarda, todos os protocolos, eles mostram que duas doses de vacina, na maioria deles e das vacinas disponíveis, eles fazem o que nós chamamos buster vacinal, que chama-se reforço vacinal, dando uma condição de produção de uma proteína, que chama-se anticorpo, e essa se mantenha por um período mais prolongado. É assim que todos os estudos da maioria delas assim se propõem. Então, nós não poderemos burlar o que o estudo está preconizado. Dessa maneira, ao receber todos os resultados, que, felizmente, nos próximos dias assim obteremos, com relação à eficácia, é isso que nós temos que nos pautar. Nós precisamos vacinar a nossa população, nós não podemos deixar que as pessoas continuem morrendo, e é essa burocracia, é essa discussão que aí sim se torna política, que causa um distanciamento da condição que temos hoje, que é de prevenir a doença no nosso meio, e mais, as mortes.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Dimas, e Eduarda, obrigado pela sua pergunta. Vamos agora ao SBT, com a Flávia Travassos. Flávia, obrigado por estar aqui presente, boa tarde, sua pergunta, por favor.

REPÓRTER: Boa tarde, governador, boa tarde a todos. Governador, se por acaso a Coronavac for aprovada pela Anvisa, que tudo indica que sim, e for registrada, o senhor pretende seguir o mesmo cronograma já apontado pelo Ministério da Saúde? Quer dizer, aquela ordem: os idosos, indígenas, população do sistema carcerário, os presos... Ou isso aqui no Estado de São Paulo poderá mudar, essa ordem, essa prioridade?

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Boa pergunta, Flávia. Nós, na segunda-feira, dia 7, vamos apresentar aqui na coletiva de imprensa o Programa Estadual de Imunização, completo, de forma precisa, com cronograma, com os setores que serão priorizados, o volume de vacinas, regiões, áreas, logística, segurança, todos os processos serão apresentados aqui na próxima segunda-feira, dia 7. Já temos o Programa Estadual de Imunização do Estado de São Paulo, há um pouco mais de 20 dias, e vamos apresentá-lo na próxima segunda-feira, dia 7. E aí você terá, de maneira plena, a resposta a essa sua boa pergunta. Lembrando que esse programa só poderá ser aplicado a partir do dia 15 de janeiro, dado ao prazo que a própria Anvisa solicitou, e que você mencionou na abertura da sua pergunta, para a análise final da testagem, na terceira fase da vacina Coronavac do Butantan.

Vamos agora à penúltima intervenção, que é da Rede TV, a Carolina Riguengo. Carolina, boa tarde mais uma vez, obrigado por estar aqui conosco. Eu acho que, dessas 144 coletivas, eu acho que a Carolina esteve em 143, pelo menos. Carolina, boa tarde, sua pergunta, por favor.

REPÓRTER: Tudo bem? Boa tarde a todos.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Perdão, 149, não 144. Aqui--

REPÓRTER: Depois te mostro, que eu estou fazendo até coleção de selinhos.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Todas as 149. Sua pergunta, então, por favor.

REPÓRTER: A minha pergunta ainda é sobre a vacina, claro. E me corrijam se eu estiver enganada, mas vocês tinham comentado que, se por um acaso, o Governo Federal não fornecesse o investimento, haveria uma corrida aí por medidas particulares, parceiros. Então a minha pergunta é se a Anvisa libera, registra, fica tudo ok, porém o Governo Federal não liberar uma verba que seria necessária ou algo semelhante à liberada para a vacina de Oxford, como vai ficar para a gente? Aí participa do Programa de Imunização do Ministério da Saúde ou fica só pra gente, aqui no Estado de São Paulo? Obrigada.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Carolina, obrigado. Vou dividir com Jean Gorinchteyn, mas eu volto a reafirmar aqui: Primeiro, não fará nenhum sentido se um Governo Federal, que nos últimos 50 anos adotou o Programa Nacional de Imunização, atendendo 100% dos estados brasileiros, e 100% da população, excluir parte da população por uma razão de ordem política. É quase um crime imaginar que uma instituição denominada Governo Federal, no Ministério da Saúde, possa imaginar uma situação como essa, ou seja, virar as costas para 46 milhões de brasileiros, que vivem em São Paulo, por uma razão de ordem política. Isso não ocorreu no Brasil nos últimos 50 anos, incluindo governos de todas as estirpes, de todas as formações ideológicas. Isso jamais aconteceu no Brasil. Sinceramente, Carolina, eu espero que isto não aconteça, porque o julgamento disso não será feito apenas pela opinião pública, pelos brasileiros de São Paulo, por aqueles que têm direito à vida e à saúde. E aqui em São Paulo vivem brasileiros de todas as partes do país, vivem estrangeiros de várias nações, vivem brasileiros que nasceram aqui, vivem crianças, jovens, idosos, pais, mães, avós. Vocês, que aqui estão, os que estão nos assistindo, como você se sentiria, abandonada pelo seu próprio país? Como você reagiria, e você, que está em casa, nos assistindo, se soubesse que o presidente da República do Brasil determinou ao seu Ministério da Saúde que virasse as costas a São Paulo e não procedesse à vacinação, da mesma maneira com que deve fazer com os demais estados brasileiros? Essa é a pergunta. Jean.

JEAN GORINCTHEYN, SECRETÁRIO ESTADUAL DE SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito bem, Carolina. Nós entendemos que todos os ritos que vêm sendo tomados pela Coronavac, pelo Instituto Butantan e a Sinovac, elas são impecáveis. Portanto, é um estudo que nós dizemos que segue todos os preceitos técnicos, éticos e de segurança. Assim que obtivermos agora o conhecimento da eficácia, do quanto a vacina protege ou protegeu àqueles que fizeram a sua utilização, através desse estudo, fase 3, não terá por que um órgão que também segue esses preceitos técnicos, éticos, de forma científica, estaria postergando ou evitando a liberação de uma vacina tão importante, no momento como esse, um momento que vivenciamos uma crise sanitária com centenas de mortes, diariamente, no nosso país. A partir de então, a partir do fato que nós tivermos a eficácia revelada, com uma qualidade, como disse, não terá por que nenhum líder, nenhum gestor de saúde não incorporar nenhuma vacina que seja importante nessa atuação, não será admissível que isso pudesse ou venha a acontecer. Então, nós temos a certeza que nós vivemos numa condição que teremos todas as vacinas incorporadas, e o mais breve possível, preservando, dessa maneira, o que mais nos é rico: a vida.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Jean. Carolina, obrigado pela sua pergunta. Vamos agora à última intervenção, que é do Willian Kury, da TV Globo, GloboNews. Will, boa tarde, obrigado pela sua presença, como sempre. Sua pergunta, por favor.

REPÓRTER: Boa tarde a todos. A pergunta hoje é para o senhor, governador. O senhor disse que a vacinação aqui com a Coronavac começa no mês de janeiro e o Ministério da Saúde estabeleceu um cronograma dizendo que o início da vacinação é no mês de março. E o senhor também disse que, na segunda feira, vai anunciar os detalhes de um Plano Estadual de Imunização. Eu queria saber então se o caminho mais provável hoje para utilizar a Coronavac vai ser mesmo uma vacinação estadual. Sendo assim, essas 46 milhões de doses que chegam até janeiro aqui, elas já estão pagas pelo Governo Estadual ou ainda têm que ser pagas e o Governo precisa ir atrás dos recursos? Obrigado.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Will, eu sou um gestor responsável e sou governador eleito do Estado de São Paulo. Mais do que tudo, sou pai de três filhos. Infelizmente, não tenho meus pais. Como cidadão, como brasileiro, como governador, eleito que fui, não serei irresponsável, como está sendo o Governo Federal, ao colocar para março uma vacinação que deveria começar em janeiro, um ato de absoluta irresponsabilidade do Governo Federal. Você sabe quantos brasileiros podem morrer por um atraso de 90 dias de uma vacina, que poderia ser aplicada já em janeiro, em todo o Brasil? Quase 60 mil vidas, 60 mil brasileiros podem morrer por uma irresponsabilidade de um governo ideológico, que não tem compaixão, que não tem respeito pela vida, que é negacionista em relação à pandemia, que não age democraticamente e com a isenção necessária, sobretudo diante de uma crise sanitária, que leva centenas de vidas todos os dias. Aqui nós não esperamos sentados, nós trabalhamos, por isso vamos apresentar na segunda-feira o Programa Estadual de Imunização. Se o Governo Federal incluir São Paulo, como é o seu dever e a sua obrigação, e incluir a compra da vacina, como é o seu dever e a sua obrigação, nós seguiremos o Programa Nacional de Imunização. Mas se não o fizer, São Paulo começa a vacinar a partir de janeiro a totalidade da população de São Paulo, com os recursos do Governo do Estado de São Paulo. E com a sua capacidade de imunização, amparado no Instituto Butantan, que aliás completa 120 anos de existência. Bem, muito obrigado a todos, estamos com isso encerrando a coletiva de hoje. Espero que possamos ter melhores notícias por parte do Governo Federal, até a próxima coletiva, na quinta-feira, mas antes de concluir peço também que todos que estão em casa, que estão nos acompanhando, vocês que estão nos lendo e nos assistindo, por favor, não saiam de casa sem utilizarem a sua máscara. Não façam aglomerações, usem álcool em gel, protejam as suas vidas, combatam as fake news, combatam aqueles que não têm compaixão e amor pela própria vida. Uma boa tarde a todos.