Coletiva - Governo de SP cria Centro de Contingência do Coronavírus 20202602

De Infogov São Paulo
Ir para navegação Ir para pesquisar

Coletiva - Governo de SP cria Centro de Contingência do Coronavírus

Local: Capital - Data: Fevereiro 26/02/2020

Soundcloud

ALBERTO KANAMURA, SECRETÁRIO EXECUTIVO DE SAÚDE: Boa tarde, a todos. Estamos aqui prontos para essa coletiva. Desde ontem a gente tá com uma confirmação de um caso de Coronavírus em São Paulo, todos devem saber, e vamos agora trabalhar os próximos passos, à medida em que este é um evento de um caso importado, e que possivelmente a gente terá outros casos, mas neste momento a gente tá então aguardando, fazendo o monitoramento dos contactantes para que o vírus não se espalhe, esse é o traba lho dessa secretaria nesse momento. Podemos passar para as perguntas, pela ordem.

DAVID UIP, MÉDICO INFECTOLOGISTA: Boa tarde, a todos. Primeiro eu preciso agradecer ao governador João Doria, por uma decisão pessoal dele ele montou esse centro de contingência contra o vírus Coronavírus, e me convidou para coordenar o centro. Quero agradecer muito a confiança do governador do secretário José Henrique, o secretário adjunto, nosso secretário executivo Alberto Kanamuri, minha querida amiga Elena Sato. Então, hoje este centro já se reuniu na parte da manhã, em cima de composição do ponto de vista de que nós entendemos que é fundamental para esse momento. Em termos de composição e atendendo também à uma decisão do governado r João Doria, nós convidamos para fazer parte deste centro de contingência, os professores Dimas Covas, que é o diretor do Instituto Butantã, os professores Marcos Boulos, ex-diretor da faculdade, professor titular, e trabalha conosco aqui há muitos anos. O professor Esper Kallas, que é professor titular do Hospital de Clínicas, Faculdade de Medicina da USP. Doutor Luiz Fernando Aranha (UNIFESP), e também do Hospital Albert Einstein. Carlos Fortaleza, do Hospital de Clínicas de Botucatu, e o professor Benedito Maciel, do Hospital de Clínicas de Ribeirão. Esse grupo ele está a partir desse momento reunido o tempo inteiro, 24 horas, à disposição do secretário, da secretaria do governador para auxiliar naquilo que nós entendemos no plano de contingenciamento do estado de São Paulo. Obviamente atendendo uma decisão do secretário, n&oac ute;s em conjunto escolhemos pessoas de altíssimo gabarito, professores, e além de tudo são pessoas extremamente experientes no embate de endemias e epidemias no estado de São Paulo e no Brasil. Esse grupo vai ficar em comunicação constante com as autoridades públicas do estado de São Paulo, representa a secretaria de estado, com as autoridades federais, Ministério da Saúde, e também com as autoridades públicas e privadas internacionais. A outra decisão desse grupo é elencar os hospitais de atenção máxima à situação, quando for necessário, incluindo o convite aos hospitais da rede privada para fazerem parte desse contexto de uma forma uniforme. Então esse grupo passou a se reunir hoje, os convites foram aceitos, e teremos um grupo de apoio ao secretário, ao governador de altíssimo nível, no entendimento do que é necessário para esse momento que acabamos de ter o primeiro caso de Coronavírus diagnosticado no estado de São Paulo e no Brasil.

REPÓRTER: Boa tarde. Eliane Gonçalves, da rádio nacional. Sobre os contactantes desse primeiro caso, eu queria saber exatamente quantas pessoas tiveram contato com ele no ar, dentro do avião, e em terra? E onde estão essas pessoas? O que elas fazem? Por exemplo, tem alguém que trabalha em asilo? Tem alguém que pulou Carnaval? E o que tá sendo feito com elas?

ALBERTO KANAMURA, SECRETÁRIO EXECUTIVO DE SAÚDE: Os contactantes tecnicamente no avião, a gente considera os passageiros que estão na frente, atrás e dos lados, e familiares contactantes são em cerca de 30 pessoas, que almoçaram no domingo com a pessoa...

REPÓRTER: Qual o critério utilizado?

ALBERTO KANAMURA, SECRETÁRIO EXECUTIVO DE SAÚDE: O critério utilizado é quatro pessoas na frente, quatro atrás, quatro pessoas de cada lado, este é o critério utilizado.

REPÓRTER: Vocês não têm mais informações sobre essas pessoas?

SOLANGE SABÓIA, COORDENADORA DE VIGILÂNCIA DO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO: Boa tarde. Meu nome é Solange Sabóia, eu sou coordenadora de vigilância do município de São Paulo. Venho representando a Secretaria Municipal de Saúde, secretário Edson Aparecido. Quero agradecer tanto a instância Federal, Ministério da Saúde, tanto a Secretaria Estadual, na pessoa do doutor Alberto, Doutor Helena e Doutor David Uip, porque estamos alinhados, estamos juntos, integrados, e temos recebido todo o apoio e orientação de que necessitamos. Quanto aos contactantes, nós seguimos protocolos internacionais da Organização Mundial de Saúde do Ministério da Saúde, como o dou tor Alberto já falou, os familiares já estão todos contatados, a orientação é que eles estejam atentos à sintomatologia, e quando tiverem a sintomatologia, o que nós orientamos, nós entramos em contato por telefone e por visita domiciliar, se tiver a sintomatologia já procurem um serviço de saúde. Também fizemos sugestões aos contatos mais diretos, aí é uma sugestão, que evitem aglomerações, maior número de pessoas. E o caso está internado em isolamento domiciliar, usa máscara, existe um protocolo para eliminação de recursos de resíduos domiciliares, o lixo, tem todo um protocolo, estão todos orientados. E também os pacientes, foram quatro pacientes de contato de voo, como o doutor Alberto já falou, é um protocolo que nós utilizamos para contactantes. Então est& atilde;o todos orientados, já fizemos apenas quatro, porque o avião, enfim, não estava cheio, estava em uma outra área do avião. E estão todos orientados, a população do município pode ficar tranquila que todas as medidas de vigilância assistenciais estão sendo tomadas.

REPÓRTER: Essas quatro pessoas estão aqui em São Paulo?

SOLANGE SABÓIA, COORDENADORA DE VIGILÂNCIA DO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO: Estão aqui em São Paulo, outros contactantes estão em outros estados, e as mesmas providências foram para outros estados.

REPÓRTER: Quantos em São Paulo e quantos em outros estados?

SOLANGE SABÓIA, COORDENADORA DE VIGILÂNCIA DO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO: Em São Paulo são quatro contactantes, em outros estados eu não tenho número nesse momento.

REPÓRTER: Boa tarde, Isabela Palhares, do Estadão. Esses contactantes de outros estados são de quais estados? E essas pessoas que tiveram contato enquanto elas não tiverem com sintomas, elas não precisam ficar em quarentena, elas não precisam ficar isoladas?

HELENA SATO, DIRETORA DE VIGILÂNCIA: Neste momento nós não temos aqui o número de contactantes de outros estados, essa é uma ação realizada, mais uma vez deixando claro, é uma ação realizada com as três esferas de governo, Federal, estadual e municipal, como já fizemos em outros, nós já tivemos juntos aqui na época do H1N1, e nós vamos seguir o mesmo modelo, adequando para o século 21. Então o que eu queria só... Deixa eu então só ressaltar uma coisa, então quando você me pergunta quais são os outros estados, quem está coordenando essa investigação em outros estados é o nível Federal, é o Mi nistério da Saúde. Aqui no estado de São Paulo a gente em conjunto com o município, como a Solange já colocou, os comunicantes desse paciente que está bem, isso é muito importante deixar claro, ele está no seu domicílio, está muito bem, ele cumpria a definição de caso, por isso que temos esse resultado, mas o mais importante é ressaltarmos que esse paciente está muito bem. E estamos seguindo o protocolo que o Ministério da Saúde coloca, que é o acompanhamento dos comunicantes, os comunicantes também a informação que a gente tem hoje de hoje logo cedo, todos estão muito bem.

REPÓRTER: Regiane Soares, do Agora São Paulo. Eu queria só que deixasse claro quantos são esses contactantes, são 30 mais quatro, trinta, tiveram com eles no domingo, mais quatro no avião? E eu queria saber se eles estão em isolamento também ou só o paciente está em isolamento?

HELENA SATO, DIRETORA DE VIGILÂNCIA: Os números, eles colocam, vamos colocar aqui porque são... para eu não incorrer aqui num número que não seja exato. De novo, é muito importante deixarmos claro, né, quem está em isolamento domiciliar é a pessoa que tem... a pessoa com sintomas, que deu o resultado positivo no laboratório.

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Vamos chamar de empresário, o empresário está isolado na casa dele.

HELENA SATO, DIRETORA DE VIGILÂNCIA: Beleza.

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Sozinho?

HELENA SATO, DIRETORA DE VIGILÂNCIA: : Sozinho, exatamente.

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: A esposa dele não está na mesma casa?

HELENA SATO, DIRETORA DE VIGILÂNCIA: : Está na mesma em um outro ambiente.

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Porque ela é um caso suspeito.

HELENA SATO, DIRETORA DE VIGILÂNCIA: Sim, em um outro ambiente.

ORADORA NÃO IDENTIFICADA: [pronunciamento fora do microfone]

ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Ainda não.

ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Ela não é um caso suspeito porque ela [ininteligível].

ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Desculpe interrompê-la, ela não é caso suspeito porque ela está assintomática. Então, quando não tem sintomas ela é considerada contactante, ela cai na mesma estratégia dos outros contactantes, orientação... E nós fazemos o monitoramento quase diário, né, dessas pessoas. Eu digo quase porque, às vezes, a pessoa está muito bem, então, nós demoramos... passamos um dia para contatá-los, para não causar uma exaustão também, a essa família.

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Mas ela não pode sair de casa também?

ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Ela pode, mas ela está evitando, ela pode. Os contactantes, eles não precisam ficar em quarentena. É como a Dra. Helena já falou e eu acho importante a sua pergunta, a gente pode reiterar. Só fica em quarentena o paciente com os sintomas.

PAULA RANGEL, JORNALISTA DA RÁDIO ITATIAIA: Por favor, eu queria saber com relação as medidas nos aeroportos? Logo que apareceram os casos de Corona vírus houve algumas medidas em relação a funcionários do aeroporto, de companhias aéreas, uso de máscaras. O aeroporto de Guarulhos é um dos que tem maior fluxo do país, essas medidas vão ser intensificadas com relação a passageiros, a funcionários? A segunda pergunta, a vacina de gripe começa daqui a algum tempo, já há possibilidade dessa vacina ser modificada?

DAVID UIP, MÉDICO INFECTOLOGISTA: Primeiro a vacina de gripe. A vacina da gripe, o Instituto Butantã produziu 75 milhões de doses de vacinas que foram a pedido do secretário, oferecidas antecipadamente ao Ministério da Saúde que cabe distribuir pelos estados. A vacina da gripe não tem nada a ver com o Corona vírus. Ela não previne o Corona vírus. A trivalente, ela tem três cepas de vírus, dois Influenza tipo A e um B. Por que é que ela é importante? Porque você diminui a incidência e prevalência de três outros vírus que fazem o diagnóstico diferencial ao Corona vírus. Uma coisa que eu acho fundamental, nada disso é novo, o Corona vírus &eacu te; responsável por 5 a 10% das infecções pulmonares em adultos no mundo, sempre foi assim. O que nós temos hoje é um Corona vírus genomicamente alterado. E o que nós estamos diante de vocês e de toda essa situação, porque o epicentro dessa história foi a China onde habitam 1 bilhão e 600 milhões de habitantes, que tem uma dimensão de transmissão muito maior. O que cabe, hoje, nós entendermos é o mundo real. O Brasil, neste momento, é um país que passa pela sua estação de verão, onde há menor possibilidade da transição do vírus. Diferentemente, é só olhar o mapa do que acontece nos países mais desenvolvidos que estão em período de inverno e outono. Então, vírus gosta de frio, não gosta de calor. Nós não sabemos como o vír us vai se comportar no Brasil ainda. Nós temos um caso recém diagnosticado. Agora, existem medidas claríssimas que são factíveis. A hora que você tem um caso é possível a vigilância epidemiológica fazer tudo isso que está fazendo. A hora que você tiver mil casos, dois mil casos, esperamos que não tenha mais do que um, mas se tiver, isto é impossível. E entenda uma coisa, se todo o indivíduo que tossir e tiver febre, você entende que tem um processo de diagnóstico, isso é uma coisa sem fim. Nós temos que ter muita cautela na informação entendendo que temos que ter uma boa e transparente informação, qualificada cientificamente, mas sem criar pânico ou alertar mais do que o necessário. Neste momento cabe a população entender o que ela deve fazer para contribuir, para diminuir a possibilidad e de transmissão dentro dos devidos cuidados habituais.

[Falas sobrepostas]

WALACE LARA, DA TV GLOBO: Eu tenho algumas dúvidas, algumas bem pontuais e outras não. Mas é o seguinte, em relação as crianças pequenas: forma de contágio, imunidade, mortalidade, O site do ministério fala uma coisa, informações vindas do exterior falam outras, eu gostaria de saber exatamente como é que isso vai se proceder? Outra dúvida que até agora ninguém, não sei se é até por uma questão de informação científica que a gente não tem, mas se a pessoa pegar uma vez, como esse empresário pegou, sobreviver, ele tem risco de pegar novamente ou se comporta como os outros vírus? Por último, o senhor acabou de citar, Dr. Davi d, a questão da informação da doença e a reação, né? A gente tem observado na fala científica uma certa... como eu poderia dizer, uma certa temperatura que não se vê na reação política. Eu gostaria de saber exatamente do que é que nós estamos tratando? Porque a todo instante eu ouço: ah, é uma gripe forte, mas pelo o que eu tenho observado, a reação política não tem sido isso, não só política, econômica. A gente está vendo todas essas situações. E por último, se o governo federal foi convidado para essa coletiva? Que o caso é em São Paulo e ele falou em Brasília.

DAVID UIP, MÉDICO INFECTOLOGISTA: Eu vou responder a parte técnica que é o que me cabe nesse grupo. Essa é uma infecção de impacto muito bem conhecido já. Você vai adquirindo conhecimento com o passar dos dias. Então, a transmissibilidade. É uma transmissibilidade de um para três, a priori. Cada um infectado pode transmitir para três pessoas, diferentemente, por exemplo, do sarampo que é um para vinte. Então, a transmissibilidade é pequena. A morbidade que é a possibilidade do indivíduo adoecer vai ser semelhante ao que sempre foi. A maior parte vai ser assintomática, oligoassintomática, a menor parte doente grave que necessite de hospital e, eventualmente, terapia i ntensiva. Crianças. Até esse momento não há um registro de morte em crianças. A letalidade, a mortalidade na China está um pouquinho acima de 3%, no resto do mundo um pouquinho acima de 1.5. Não há, até que eu saiba nesse momento, descrição de mortes em crianças. Quais são as populações mais vulneráveis?

WALACE LARA, DA TV GLOBO: E de contágio? Criança o contágio é maior ou menor?

DAVID UIP, MÉDICO INFECTOLOGISTA: É igual.

WALACE LARA, DA TV GLOBO: É igual?

DAVID UIP, MÉDICO INFECTOLOGISTA: É igual, o contágio é igual. Qual é, quais são as populações mais vulneráveis? Acima de 60 anos, principalmente acima de 80 anos. Comorbidades. O doente crônico, pulmonar crônico, o diabético, o paciente imunodeprimido, paciente em tratamento oncológico, o paciente transplantado. Nada mudou, é como sempre foi. A reação, da nossa parte, ela é científica. E o que nós estamos falando se adiciona a cada dia, você tendo uma novidade científica a cada dia. O ministério apresentou hoje, nós assistimos a coletiva, com muita cautela, todos os dados científicos publicados e é assim que tem que funciona r. Em cima do que está sendo publicado são essas as conclusões que nós temos nesse momento.

WALACE LARA, DA TV GLOBO: E se pegar uma vez, Dr. David, pegar uma vez...

DAVID UIP, MÉDICO INFECTOLOGISTA: Não há esse conhecimento. Se for à semelhança do vírus Influenza, você vacina todos os anos porque você pode pegar o vírus, ele vai alternando o seu perfil genético e genômico, então, você acaba suscetível a mais de um vírus. Qual é o mundo ideal? É você ter uma vacina que previna contra o vírus. Isso nós estamos distantes.

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: [ininteligível] eu posso dizer que [ininteligível]

DAVID UIP, MÉDICO INFECTOLOGISTA: Nós não temos essa informação.

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Mas eu não sei se tem mais uma resposta do meu colega, ficou... ele perguntou sobre a política de convite, não sei se...

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: [Pronunciamento fora do microfone]

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Na verdade, o governo federal convidou o secretário de estado e o coordenador para estar em Brasília na entrevista que foi dada pela manhã. Então, nós estamos aqui fazendo a nossa parte dentro do estado, né? Mas toda a comunicação foi feita com o governo federal o tempo inteiro.

MARCIO CAMPOS, JORNALISTA DA BAND: Boa tarde a todos, Márcio Campos do jornalismo da Band. Eu queria que vocês explanassem melhor, por gentileza, a rotina desse senhor de 61 anos que chegou no Brasil. Por exemplo, ele teve contato na imigração, ele teve contato no aeroporto, ele foi para casa, ele foi na padaria, no hospital, teve contato com o médico, com o enfermeiro, com a atendente do hospital. Todas essas pessoas precisam também ficar em quarentena? O médico, o enfermeiro, os parentes dele assim, há informação de crianças, de netos que tiveram contato com ele, esses netos estão apresentando, neto de nove... oito ano e nove meses, essas crianças estão apresentando sintomas já també m? Existem testes sendo feitos com os... com os parentes dele? Então, eu gostaria de uma explanação um pouco mais passo a passo sobre a chegada desse brasileiro de volta... de retorno da Itália. Na sequência lógica do pensamento eu queria saber que tipo de protocolo vinha sendo adotado nos aeroportos com portas internacionais? Que barreira que é essa que é feita em aeroporto? Que protocolo que é tomado como prática quando acontece uma situação como essa? E como que vai ser de agora em diante?

HELENA SATO, DIRETORA DE VIGILÂNCIA: Boa tarde. Bem, o que você falou de quais contatos ele teve, para onde ele foi, realmente esse é o trabalho básico da vigilância em saúde no município. Então, toda vez que nós temos um caso suspeito, seja ele de qualquer doença, tá, nós temos justamente que fazer o que você falou, rastrear todos os passos desse paciente. E foi o que nós fizemos, apenas pra proteção e privacidade do paciente, não vou explanar por onde ele passou, tá, porque são, são informações privativas, mas te digo que justamente é o trabalho... o nosso trabalho começa daí. A partir de todo o rastreamento nós elenc amos todos os potenciais contactantes e contactantes e ele está em casa, domiciliado, em isolamento, está muito bem de saúde. Não está tendo contato com ninguém da família, né, só a esposa está na casa dele, né, que é uma das contactantes, ele não está tendo contato com ninguém, ela pode porque ela é assintomática, e todos os protocolos que nós estamos seguindo do ministério e da organização mostram que deve ser assim, desta maneira que ocorra o monitoramento. E aí, nós, para os contactantes nós entramos em contato com todos os contactantes, orientamos sem causar pânico, orientamos pra primeiros sintomas e todos os dias nós ligamos para esses contactantes, né? Então nós estamos ligando diariamente, um dia sim, um dia não, se a pessoa estiver bem, orientando. Posso adian tar que é uma família extremamente colaborativa, muito consciente, que está tomando todas as precauções necessárias e orientadas pelo Estado e pelo Município de São Paulo. Quanto aos aeroportos eu...

ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Em relação aos aeroportos. Bem, nós tivemos agora pela manhã uma reunião com a Anvisa, não é? Tivemos agora pela manhã uma reunião com a Anvisa e a Anvisa está fazendo o quê? Está fazendo um monitoramento dos sintomáticos, certo? Isso que é importante deixarmos claro. São centenas de pessoas, hoje a gente não está falando mais da China, nós estamos falando de outros países, então estamos seguindo a orientação... a Anvisa está seguindo a orientação do Ministério da Saúde. Ou seja, tá fazendo lá as chamadas, né, no aeroporto, dentro dos aviões, estar&a tilde;o notificando, estarão... serão notificados os casos sintomáticos, ou seja, com febre ou tosse, né, que tenham vindo desses locais para adequado acompanhamento.

DAVID UIP, MÉDICO INFECTOLOGISTA: Deixa eu complementar uma coisa que eu acho que vai esclarecer. Esta é uma doença viral que tem um período de incubação até de 14 dias. Então o indivíduo é assintomático, vai estar convivendo conosco e ele pode ser infectante sem sintomas. Então, você não consegue prever isso. Esse paciente seguramente chegou em São Paulo sem sintomas, a hora que ele teve sintomas ele se dirigiu a um hospital se queixando de febre e mal-estar. Entrou no protocolo de doença respiratória. Então quem cuida desse paciente toma as precauções não porque previu que ele tivesse coronavírus, previu uma infecção respirat&oa cute;ria de trato superior. Então há um protocolo pra isso. Agora, não dá pra prever se ele entrou no táxi, se ele passou em outros lugares, isso é praticamente impossível. É fundamental o conhecimento que é uma doença de transmissão de assintomáticos, e a maioria dos pacientes não vai apresentar sintomas como toda doença viral. Então neste momento cabe à vigilância com toda a competência que teve e fez, fazer esta vigilância como está fazendo. isso tem um limite. Você não consegue, por exemplo, controlar todos os voos que chegam em São Paulo. E eu acho muito pouco efetivo você está medindo temperatura de pacientes assintomáticos. Representam segundo aquela temperatura. É claro que o indivíduo sintomático vai ter que ser identificado, ele vai ter que dizer que está com toss e, que está com mal-estar, que está com febre. Agora, sem ter--

REPÓRTER: [ininteligível].

DAVID UIP, MÉDICO INFECTOLOGISTA: Estão sendo feitas. A Anvisa hoje, nessa reunião, está fazendo tudo o que o protocolo internacional e do Ministério da Saúde manda. Mas entendam, enquanto você estava controlando as vindas de pessoal da China era uma conversa. Agora, controlar voos que chegam do mundo inteiro, que fazem escala no mundo inteiro tem um limite. Então, existe o mundo ideal, mas existe o mundo real. O mundo real você não consegue controlar todas as chegadas no Brasil. E tem mais, nós estamos discutindo isso hoje com a Anvisa, a Anvisa tem condições de ir atrás do indivíduo que tem residência no Brasil, via Receita Federal, via Polícia Federal. Mas o es trangeiro que chega no Brasil não tem como, ele faz conexão e vai pra outro estado. Então, tem o bom senso nisso tudo, tem o que é possível e tem o que não é possível.

LEILA, REPÓRTER: Boa tarde. Leila do Valor Econômico. Duas perguntinhas bem básica assim. Uma é: por que é que foi determinado que esse paciente deveria ficar em casa? E qual é o nível de segurança disso? Por que exatamente ele está em casa? Quanto tempo ele vai ficar em casa? Quanto tempo é necessário pra se considerar o contato dele com outras pessoas volte a ter uma margem segura? A segunda pergunta é: esse comitê que foi criado ela tem relação com políticas públicas. Vocês já devem ter feito algumas... algumas linhas de ação e tal, vocês poderiam elencar exatamente passo a passo quais são os próximos passos de vocês nos pr& oacute;ximos dias, nas próximas semanas o que é que vai ser feito? Porque esse paciente saiu do aeroporto, ele teve contato, ele tocou coisas, ele provavelmente entrou num táxi, ele teve contato com pessoas. Então quais serão passo a passo as medidas desse comitê daqui pra frente? Obrigada.

DAVID UIP, MÉDICO INFECTOLOGISTA: Olha, o comitê ele se... hoje ele foi instituído. Nós tivemos a primeira reunião junto com o secretário executivo adjunto e com a Dra. Eliana. Ele vai se reunir a partir de agora, ou presencial ou por via internet a todo o tempo, e vai traçar as medidas... Agora, é importante salientar que são pessoas, além de altamente gabaritadas, com enorme experiência em vivências anteriores. Eu quero dizer aos senhores que não tem nenhuma novidade do que nós estamos tratando aqui hoje. Nós passamos pelo H1N1, nós passamos por outras infecções virais há muitos anos. Então são situações que nós t emos experiência de vivenciar e ter a experiência do dia a dia de como lidar com isso. Esse grupo vai se reunir a partir de agora pra determinar aquilo que ele entenda que possa assessorar a Secretaria de Estado de Governo. São coisas que ainda vão acontecer pela frente.

ADRIANA, REPÓRTER: Oi, boa tarde. Aqui é Adriana Perroni da Globo News.

[Falas sobrepostas].

LEILA, REPÓRTER: A questão do... por que é que ele foi... determinado pra que ficasse em casa? Por que ele ficou em casa?

DAVID UIP, MÉDICO INFECTOLOGISTA: Bem, se ele não teve--

LEILA, REPÓRTER: E qual é a margem de segurança.

DAVID UIP, MÉDICO INFECTOLOGISTA: Os sintomas... veja bem, você interna paciente não é pela possibilidade única de contágio, é pela gravidade. Quem o atendeu no Einstein achou que ele tinha uma condição clínica muito boa. Não tem o menor sentido você internar um paciente desse. Então ele foi orientado de uma forma muito adequada a ficar isolado em sua residência. Se você internar todo mundo que tem tosse e febre, o sistema público de saúde e privado esgota no segundo dia. Então a decisão é absolutamente adequada de encaminhá-lo pra casa porque ele não tinha demanda clínica de gravidade.

ADRIANA, REPÓRTER: Oi, boa tarde. Aqui é Adriana Perroni da Globo News. Uma das perguntas que eu faria é essa, justamente, que a colega fez, pedindo detalhamento de como vai funcionar esse grupo. Agora, eu gostaria de entender se vai haver um trabalho integrado com aquele outro grupo que foi criado no dia 20, né, com secretarias, se o trabalho que vem sendo feito desde então se vai haver alguma integração, se são grupos que vão conversar ou se é algo totalmente diferente. Qual a diferença entre um grupo e outro?

DAVID UIP, MÉDICO INFECTOLOGISTA: Esse grupo foi criado por uma decisão do governador e do secretário. E é claro que nós vamos estar conversando com todas as autoridades públicas e privadas que tenha a ver com isso. Não só na área de saúde, segurança pública. Existem outras situações que precisam estar envolvidas nisso. Nós já fizemos várias vezes coisas semelhantes. Aqui, a pedido do secretário e do governador, na verdade é um grupo só, nós vamos estar falando com todo mundo, inclusive com a rede privada que é muito importante nós estamos alinhados, até do ponto de vista de protocolo do que fazer com toda essa linha de sustenta& ccedil;ão, vou dar um número que é importante, hoje o estado de São Paulo ele tem 100 mil leitos, tem 5 mil unidades de atendimento, só de UTI o estado de São Paulo tem mais de 7 mil leitos. Então é uma rende muito grande que está absolutamente organizada. E como é que funciona isso? Funciona em cima de um pacto federativo, cabe ao Ministério da Saúde a política pública o financiamento, cabe ao estado, à governança, e os municípios que também estiveram reunidos conosco hoje de manhã, a infantaria, é o que dá a primeira atenção, todos estão muito alinhados e combinados.

REPÓRTER: Boa tarde, eu sou Kelly Dias, do Brasil Urgente, da Band. A respeito dos assintomáticos, que podem estar infectados, o senhor bateu bastante nessa tecla, que é um vírus que pode sim não apresentar os sintomas. As pessoas que são assintomáticas, elas passam, elas podem passar esse vírus na mesma forma que os sintomáticos de um para três, como você mesmo disse? E em relação à esposa, por exemplo, do paciente infectado, ela não tem os sintomas, está na mesma casa, mas ela não fica na quarentena, ela pode também ser uma paciente assintomática, pode ter passado para mais gente, e como fazer para que a população não crie esse pânico de achar que às vezes, não tem o sintoma, mas vá começar a procurar os postos de saúde, os hospitais para poder querer fazer esse exame para saber se tá infectado ou não.

DAVID UIP, MÉDICO INFECTOLOGISTA: A recomendação técnica, como é que funciona isso? O indivíduo que está assintomático, obviamente ele não tem como procurar serviço de saúde, nem tem motivo, o indivíduo que está assintomático, ele tem que ficar em casa, não tem que procurar serviço de saúde nenhum, aquele indivíduo que tá com tosse, tá com febre, ele fica em casa em repouso, bem hidratado, bem alimentado, e com boas normas de educação, lavar as mãos antes das refeições, proteger o nariz e a boca quando espirrar, são normas habituais. O assintomático ele não é previsível, ele não é diagnosticado, então não tem como. O sintomático, uma pergunta que foi feita, que eu acho que cabe a complementação, o sintomático ele precisa procurar um serviço de saúde, qual é a recomendação? Que ele vá protegido com máscara. Então ele se protege e protege a quem vai atendê-lo. Os hospitais estão alertados e treinados com seus planos de contingenciamento para atender esse tipo de perfil de doente. Se vocês perceberem, já foram descartados dezenas de pacientes que tiveram sintomas respiratórios altos, temos os outros influenzas, outros Coronavírus. Então a síndrome respiratória viral ela é de amplo espectro de múltiplos agentes.

REPÓRTER: É de um para três também, a transmissão?

ALBERTO KANAMURA, SECRETÁRIO EXECUTIVO DE SAÚDE: Ninguém sabe isso, não tem o diagnóstico do assintomático, você não sabe qual é a transmissibilidade.

REPÓRTER: Patrícia Figueiredo, do G1. Boa tarde, eu queria voltar para os números, vocês hoje de manhã falaram em 11 casos suspeitos em São Paulo, além do caso confirmado, e desses, um seria uma pessoa que não viajou, mas teve contato com o paciente confirmado. Apesar disso a gente teve uma informação que circula hoje, o nosso colega da Band lembrou, de duas crianças que teriam tido contato com paciente que teria tido os sintomas. Queria confirmar se elas tiveram sintomas. Elas vão ser incluídas nos casos suspeitos amanhã? E se entre os outros contactantes, há outros casos suspeitos que serão incluídos também?

HELENA SATO, DIRETORA DE VIGILÂNCIA: Boa tarde. Naturalmente ocorreu no dia de hoje uma supernotificação, então pessoas sem febre, o que não apresentava os critérios, tem pessoas se apresentando nas vigilâncias, nós temos 27 unidades de vigilâncias espalhadas pelos territórios, mais de mais mil equipamentos de saúde. E então nós estamos agora o seguinte, com nove suspeitos no município de São Paulo, sendo que nós estamos analisando se eles se encaixam nos critérios de suspeição. Porque muitas notificações foram feitas e não cumprem os critérios de suspeição. Então nós a partir de hoje para amanhã n&oacute ;s vamos ter esses casos, o número real, por enquanto, real no que eu digo, que nós estamos analisando criteriosamente, porque houve uma supernotificação. Isso não é ruim, isso é bom, quer dizer, que nosso sistema está atento. Mas nós temos essa informação para vocês, amanhã nós teremos um cenário mais promissor. Mas em todos os casos suspeitos são desencadeadas as ações de protocolos preconizados.

REPÓRTER: Essas duas crianças são casos suspeitos já, ou serão amanhã, estão com sintomas?

HELENA SATO, DIRETORA DE VIGILÂNCIA: Nós estamos averiguando, porque uma das crianças familiares, como a família está muito preocupada, os sintomas não cumpriam febre, dor de garganta, febre alta, dor de garganta, tosse, espirro, e não tinham todos esses sintomas. Então nós estamos confirmando isso até o final do dia de hoje, nós teremos a resposta.

REPÓRTER: Mas tem uma terceira pessoa, porque se o Governo Federal já falou naqueles 11 de São Paulo, do estado, já tinha um que era caso de contato, não era, de viagem?

HELENA SATO, DIRETORA DE VIGILÂNCIA: É que com o estudo que a Secretaria Estadual de Saúde fez, esses suspeitos do município caíram para nove. Tá? Então naquele momento houve...

REPÓRTER: Esse que era por contato da viagem [Ininteligível]?

HELENA SATO, DIRETORA DE VIGILÂNCIA: Ainda não saiu se ele vai ser eliminado, não é caso suspeito ou não, tá? Mas daqueles 11, no município caiu para nove, após uma análise da secretaria estadual da secretaria municipal de saúde. Do estado vocês têm o número? Mais dois casos, então 11 suspeitos no estado e nove no município, com essa ressalva que nós estamos fazendo para vocês.

REPÓRTER: Boa tarde, Daniela, do Jornal da Record. Eu tenho três perguntas simples, a primeira é, nós temos agora 11 pessoas suspeitas no estado de São Paulo, a gente tem a informação agora de nove aqui na capital, um deles inclusive na região central, temos a informação aqui do Hospital Samaritano. O comitê já está acompanhando esses casos, alguma chance desse paciente, da região central de São Paulo ter inclusive relação com o paciente diagnosticado? Outra pergunta, o senhor Davi Uip comentou que a gente já passou por vários outros casos aqui, H1N1 e tantos outros vírus, a gente pode entender, falando para a população de São Paulo, que São Paulo está preparada para passar por isso, se isso se tornar como uma epidemia? E por último, eu gostaria de entender o seguinte, esse caso diagnosticado hoje, a gente consegue entender, uma vez que ele chegou da Itália dia 21, que ele demorou a procurar atendimento médico, ou ele não tinha o sintoma necessariamente, como que a gente pode explicar isso? Por gentileza, obrigada.

ALBERTO KANAMURA, SECRETÁRIO EXECUTIVO DE SAÚDE: Começando pelo fim, o paciente em questão não tinha sintoma, então ele só se apresentou quando apresentou os sintomas, o que está perfeitamente normal, ok? Com relação ao caso central, a gente não tem informação sobre isso. Ok?

REPÓRTER: Não tem informação do caso a princípio?

ALBERTO KANAMURA, SECRETÁRIO EXECUTIVO DE SAÚDE: A princípio não.

REPÓRTER: Ok. E sobre São Paulo estar preparada?

ALBERTO KANAMURA, SECRETÁRIO EXECUTIVO DE SAÚDE: São Paulo está preparada sim, nós temos uma rede hospitalar pública e privada que está toda mobilizada no sentido de quando houver necessidade de internação, esses hospitais estejam aptos a fazerem internação. Nesse momento não há sinais de que a gente vai precisar desses leitos, inclusive nós temos cerca de nove mil leitos de UTI no estado, e nós já preparamos mil leitos nesse momento para esta primeira fase.

REPÓRTER: Esses leitos seriam isolados? Seria isso? Poderia explicar?

ALBERTO KANAMURA, SECRETÁRIO EXECUTIVO DE SAÚDE: São leitos de isolamento em terapia intensiva.

DAVID UIP, MÉDICO INFECTOLOGISTA: Deixa eu falar uma coisa aqui, isolamento não é mais no passado, o isolamento é técnico, você isola individualmente o paciente não o hospital e nem a alguma, é um isolamento técnico, isso as comissões de inflexão fazem [Ininteligível] no dia a dia.

REPÓRTER: Felipe Watanab, repórter da Folha de São Paulo. O governo fala que está pronto, que a gente já lidou com coisas parecidas, e tem uma certa expertise em relação a isso. Mas de toda forma, o Coronavírus é um problema a mais em meio a um sistema já sobrecarregado. Pensando nisso os laboratórios, o Adolfo Lutz, por exemplo, que é responsável pelos exames de confirmação, existe alguma previsão de complementação orçamentária, ou mesmo de pessoal para ajudar em uma situação crescente do vírus, não agora, claro, com um caso só? E uma segunda para a Solange, ela falou mais cedo sobre alguns cuidados especiais em rela&cced il;ão ao lixo do paciente isolado. Quais são esses cuidados mais sutis do dia a dia, como lixo, comida, para o paciente especificamente?

DAVID UIP, MÉDICO INFECTOLOGISTA: A primeira parte, deixa eu te responder, é muito importante agora o diagnóstico ictiológico, primeiro para você ter conhecimento que o vírus chegou no Brasil, e no segundo momento para saber se brasileiros estão sendo contaminados sem saírem do Brasil. Então você vê a circulação do vírus. A partir de um determinado momento ninguém vai fazer exame de diagnóstico, não é necessário, aliás, eu acho inclusive que é um desperdício de dinheiro público, chega numa meta aonde você consolidou que existe o vírus no estado, ou nos estados, e no país, você não precisa mais do diagn&oacu te;stico etiológico do ponto de vista de critérios epidemiológicos. Você vai pedir exame para aquele paciente internado, paciente grave em ambiente de UTI. O Adolfo Lutz é um instituto de primeiríssima linha, hipergabaritado e competente. Quanto aos recursos o secretário responde da necessidade, mas a competência é indiscutível.

MATEUS, REPÓRTER: Boa tarde. Mateus Meirelles da Rádio CBN.

[Falas sobrepostas].

HELENA SATO, DIRETORA DE VIGILÂNCIA: É, nós estamos orientando que não seja compartilhado, né, os mesmos talheres, utensílios dos pacientes, que sua roupa seja lavada separadamente, que o seu resíduo seja descartado separadamente, tá? Então o lixo do paciente seja descartado separadamente, tá? Então nós estamos orientando para este primeiro momento essas medidas, né? E eu queria complementar um pouquinho sobre algumas ações que nós fizemos no município desde o dia 10 de janeiro, seguindo os protocolos do ministério da secretaria estadual, nós temos trabalhado nos municípios, acho que teve uma pergunta se São Paulo estava pronto, né, nós tivemos a resposta estadual, eu queria só dar essa explicação pra vocês quanto ao município. Nós estamos fazendo diversas ações, então nós passamos de um momento de informação e prevenção, depois pra organização da rede, e nós cumprimos alguns passos, nós temos informação disponível para público leigo e para profissionais de saúde no site de Covisa, né, vocês podem entrar no Google, está no site da Secretaria Municipal de Saúde e no de Covisa. Nós fizemos aproximadamente 2 mil multiplicadores de todos os nossos equipamentos de saúde, treinamos quanto à notificação do caso, quanto à vigilância dos contactantes, atendimento do caso clínico, né? Nós conseguimos acionar toda a cascata assistencial da nossa rede de saúde pra que essas informações chegassem nas pontas, né? Nós temos plantão na Cofisa para notificação de casos que está alinhado com a Secretaria Estadual de Saúde. Então, nossos profissionais de saúde estão informados, estão capacitados, estão treinados para fazermos o melhor pela, pelos munícipes da nossa cidade.

MATEUS, REPÓRTER: Mateus Meirelles da Rádio CBN. Quais são essas orientações específicas aos postos de saúde, aos centros públicos e privados de saúde? E quais são as orientações pra população? Nós recebemos muitas notificações de dúvidas. Estou com certos sintomas, mas não tenho certeza se tem relação com o coronavírus. De que forma essas pessoas devem agir? Quais tipos de sintomas são necessários para apresentação num posto de saúde, considerando todos os outros vírus respiratórios. E além disso, quais são os critérios usados para avaliar se... quem passa e quem não passa por esse exame de diagnóstico além do protocolo natural de doenças respiratórias? Obrigado.

HELENA SATO, DIRETORA DE VIGILÂNCIA: Essa pergunta é muito importante, né, principalmente quem é pediatra sabe que é o período das viroses, né? Então, essa informação é muito importante que a gente possa compartilhar com muita clareza. Então, quem é o caso suspeito, né? A gente já falou isso, mas vamos repetir. Quem é o caso suspeito? É uma pessoa de qualquer idade, né, que apresente febre acompanhado de outro sintoma respiratório que pode ser desde uma coriza nasal, uma tosse, não é? Então, esse é o conjunto de sinais, de sintomas. Mas qual é a frase importante? Até então a gente estava falando que tenham vindo da China, né, nos últimos 14 dias. Mas agora com a ampliação dessa lista, então serão incluídos também, repetindo, pessoas com esse conjunto de sinais e sintomas que nos últimos 14 dias tenham vindo além da China, esses outros países que foram incluídos. Por que é que essa informação é muito importante? De novo, a palavra virose entre os pediatras, entre os pais, entre os pais que têm filhos isso é muito frequente. Então temos que deixar muito claro que é este conjunto de sinais e sintomas, mas que tenham passado pela China ou, nos últimos 14 dias e acrescido desses outros países.

REPÓRTER: São países sensíveis que a gente chama?

REPÓRTER: [ininteligível] países.

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: São países que têm notificação de casos nacionais, autóctones. Enquanto for de viajante, a gente chama isso de caso importado, né? Então há que haver transmissão entre cidadãos daquele lugar para que isto se transforme numa situação diferente da anterior.

REPÓRTER: Hoje tem a China--

HELENA SATO, DIRETORA DE VIGILÂNCIA: Tem aqui a lista.

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: A lista é bastante grande.

HELENA SATO, DIRETORA DE VIGILÂNCIA: Eu tenho aqui. Posso falar? Eu falo. Deixa eu só falar a lista, tá? Tá no release, mas só pra gente reforçar. Tá, tá aqui no release, tá bom? Tá aqui no release, tá bom? Beleza. Mas essa informação é muito importante que a gente possa divulgar, tá bom?

LAÍS, REPÓRTER: Boa tarde. Laís Peçanha da Rede Vida de Televisão. Vocês falaram que na fase assintomática não dá pra saber se a pessoa passa a doença ou não, e que é transmissível de uma para três pessoas. Eu gostaria de saber quais as medidas a população precisa tomar nos transportes públicos, principalmente nos metrôs lotados, ônibus lotados. É prudente usar máscaras, enfim?

REPÓRTER: Bloco de carnaval--

DAVID UIP, MÉDICO INFECTOLOGISTA: Carnaval acabou ontem, né?

[Falas sobrepostas].

DAVID UIP, MÉDICO INFECTOLOGISTA: Não? Ah, tem sábado. Ah, tem o pós. As campeãs no sábado. Bem, de novo, o que é o mundo real e o que é o mundo possível. É absolutamente impossível você controlar a ida e vinda de pessoas. Metrô, ônibus, trens, você não controla. O assintomático não é perceptível, ele não é diagnosticado, então é o indivíduo que está convivendo conosco e pode ter o vírus. Mas eu insisto, sempre foi assim. Nós convivemos com o vírus influenza que é um vírus altamente infectante e com uma letalidade maior, a priori, do que o coronavírus. Eu sou da época do HIV, o HIV quando surgiu nós não tínhamos exame pra diagnóstico, nós não tínhamos medicamento e nós não sabíamos a forma de transmissão. Eu estou falando de 1981/82. Então nós temos que ter muita calma do ponto de vista de entender esse momento, é importante, nós precisamos todos estar atentos, boa técnica de informação, mas não é preciso aumentar um problema que neste momento se resume a um caso no estado de São Paulo. As autoridades públicas estão postadas, todas as providências, o estado de São Paulo tomou todas as providências, o governador tomou as providências, [ininteligível] nada mais além disso. Nós precisamos ter calma e reflexão sobre o momento.

ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Pessoal, só mais duas perguntas aí, precisa liberar a agenda. Se alguém tiver mais alguma combina com o colega que vai fazer agora. E o material do release tem bastante dado, bastante coisa do cenário, leigos, casos, o histórico de países que estão nesse radar, tá? A gente também da assessoria por aqui, a gente conversa com vocês, mas vamos liberar eles, duas perguntas, tá?

CAROLINA, REPÓRTER: Posso?

ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Pode, por favor.

CAROLINA, REPÓRTER: Boa tarde, Carolina Obelin da CNN. Eu só queria deixar claro esses 30 contactantes da família, não tem como dizer que eles são assintomáticos se essas crianças, os netos teriam apresentado algum tipo de sintoma, ou é possível afirmar? Todos os 30 estão assintomáticos? Dr. David Uip falou sobre a função do grupo de elencar isso dos hospitais, esses mil leitos, que hospitais são esses? Esses leitos já estão definidos? Eles estão de alguma maneira, nem impacta no sistema público, mas eles estão disponíveis desde já ou quando for preciso? Pra gente entender como que vai funcionar isso?

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Deixa eu colocar uma coisa aqui que eu acho... Esses casos estão assintomáticos até o momento, ok? Essa é uma informação importante. Outra assim, nós que trabalhamos com saúde, seja na assistência, seja na vigilância epidemiológica, nós trabalhamos com estatística. Não quero dizer sim ou não, não quero dizer certo ou errado, existe chances, né? Então, uma pessoa assintomática pode transmitir? Pode transmitir. Mas a chance maior é quando ela está com os sintomas. Então não dá pra excluir nenhuma situação. Então quando nós tomamos uma atitude, dizer: olha, vamos vigiar ou mo nitorar tais e quais casos. É pela chance estatística de que vale a pena monitorar este grupo. Porque é impossível como já disse o professor David, monitorar todas as pessoas que tiveram algum contato, né? Na semana passada nós tivemos casos que... porque ele viu um grupo de chinês no aeroporto do outro lado da pista, ele achou que ele já podia estar contaminado. Então, a gente tem que ter um pouco de calma. O vírus, neste momento, não está circulando até provem o contrário. Nós temos um caso importado que confirma que ele está doente... que ele está doente não, ele está oligoassintomático, porque de ontem pra hoje ele não teve a persistência dos sintomas, ok? Mas ele precisa ser monitorado, e no momento oportuno ele será liberado.

REPÓRTER: Ele tem 61 anos de idade.

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Isto.

REPÓRTER: Isso coloca [ininteligível].

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Sim, ele coloca no grupo de risco.

REPÓRTER: Mas ele tem outro problema de saúde além da idade?

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Até onde a gente sabe não. Não, ele está dentro da faixa de idade de risco porque foi... porque o grosso da população atingida na China é a partir dos 60 anos de idade. Isso não quer dizer que não tenha mais jovens, nós temos até crianças. Mas estamos falando estatisticamente, é aquele grosso da curva. Nós estamos falando com essa população.

DAVID UIP, MÉDICO INFECTOLOGISTA: Complementar uma coisa muito interessante. Por que é que esse paciente procurou o serviço médico? Ele foi muito perspicaz porque na noite anterior o Ministério da Saúde incluiu como país de referência a Itália. Então ele voltou, tossiu, e foi procurar o hospital. Em cima de uma informação recente do Ministério da Saúde. O que é que eu estou dizendo pra vocês? Que amanhã esse elenco de países será diferente, terão outros, é claro, e nós vamos perder o perfil de referência epidemiológico. Vai chegar o momento que qualquer país vai ser referência do eventual caso. Ent&atil de;o esta nota serve pra hoje, amanhã seguramente outros países. Agora foi incluída a Argélia, primeiro país da América do Sul o Brasil. Pode ser que amanhã nós tenhamos outros. então a referência epidemiológica ela se limita a informação do dia.

ELISA, REPÓRTER: Boa tarde. Sou Elisa Martins do jornal O Globo. É só pra fazer essa pergunta. Vai ser repetido o exame quando ele sair da quarentena? A segunda, se a equipe médica que primeiro atendeu no Einstein antes que ele tivesse o diagnóstico também está sendo monitorada? E por último, principalmente se são considerados... consideradas algumas medidas, até como foram tomadas no caso da influenza, quando foi a H1N1 de cancelamento de eventos públicos, aglomerações, se considera isso nesse momento ou em breve?

HELENA SATO, DIRETORA DE VIGILÂNCIA: Vou começar aqui falando dos eventos, aí depois a Solange complementa em relação ao paciente. Em relação a eventos, em nenhum momento, neste momento isso não está em pauta, né? O que eu acho mais uma vez que é importante esclarecermos, nenhum evento, nenhuma, nenhuma atividade que tenha "n" pessoas está sendo suspenso. O que é muito importante é a notificação e a investigação dos casos suspeitos. Se a gente for colocar uma cronologia de atividades a serem realizadas, neste momento isso é importante, é a notificação e investigação dos casos suspeitos.

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Com relação aos profissionais é importante você levantar. Os profissionais também são pessoas que vão sofrer os mesmos critérios de seleção. Só que eles como [ininteligível] estão orientados a se protegerem no contato que eles têm, todos, desde a recepção até o médico que vai atender pessoalmente. Todos estão orientados para que... isso não quer dizer que eles estão absolutamente protegidos de não ter a contaminação. Mas eles estão melhor protegidos porque eles têm as medidas internacionais tomadas dentro dos hospitais de forma que esse risco seja pequeno, mas eles vão se comporta r exatamente como qualquer cidadão. Se ele tiver sintoma ele vai ter que se apresentar como qualquer um no hospital onde ele trabalha ou um outro lugar.

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Pessoal, vou passar aqui para as considerações finais da Mesa. E um lembrete importante. Como nós estávamos fazendo até ontem, continuaremos fazendo a divulgação diária dos casos suspeitos e/ou confirmados que eventualmente venham ter, como já estávamos fazendo. Esse protocolo se mantém, todo final de estágio como já estávamos fazendo antes, seguiremos dessa forma definido aqui pelo grupo e pelo comitê.

REPÓRTER: Vai ser repetido o exame [ininteligível] depois que ele sair da quarentena?

DAVID UIP, MÉDICO INFECTOLOGISTA: Isso é um critério pessoal do médico que atende, no caso o Hospital Albert Einstein. Eles que vão decidir o seguimento do protocolo que cabe ao hospital privado. A decisão é deles.

HELENA SATO, DIRETORA DE VIGILÂNCIA: Bem, primeiro eu gostaria de dizer que nós estamos atentos, integrados e organizados. As três instâncias: federais, federal, estadual e municipal. Segundo, queria destacar que nós do município, eu sei que outros municípios também temos feito muitos trabalhos com organizações que não são da saúde contra a xenofobia. E pra desmistificar o preconceito e a exclusão, pra evitarmos isto, né? E em terceiro lugar, ficou uma dúvida de um repórter, o paciente ele fica isolado até o término da sintomatologia do coronavírus, tá? Do novo coronavírus, assim como outro qualquer vírus. Depois que ele f icar sem sintomas ele não transmite mais a doença. O contactante ele fica, ele é orientado e nós acompanhamos por 14 dias, tá, que é o tempo que demora até 14 dias pra aparecer a doença, tá? Eu não sei se... agora acho que ficou clara essa questão.

ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Bom, então só quero primeiro agradecer, né, a participação de todos vocês de estar aqui conosco para que a gente possa, né, estar divulgando e repassando essas informações, porque a informação é tudo neste momento, né? E quero só compartilhar que já vivenciamos outros momentos, né, como quando enfrentamos o H1N1, quando enfrentamos a febre amarela, quando enfrentamos... estamos acabando de enfrentar aqui a situação do sarampo, né? E aí... a dengue também, certo? E estamos juntos, né? Então estamos aqui mais uma vez, quero agradecer imensamente a participação de todos. Quero agradecer tamb&ea cute;m a toda a capital e toda a nossa equipe e nós estamos assim, mais uma vez reforçando, estamos sim disponíveis, abertos para essa discussão e para as informações necessárias. Muito obrigada.

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Então, eu quero crer que não há razão para pânico. Entretanto, é preciso ficarmos alerta porque essa situação pode mudar a qualquer momento. Então é essa a mensagem que eu gostaria que isso fosse passado pra população no sentido de todos estarem atentos que existe uma nova doença. Não quero dizer que esta é a pior doença que a gente está... Mais uma doença que a gente vai ter que enfrentar e vencer.