Coletiva - Governo de SP entrega segundo Hospital de campanha, em Heliópolis 20202005

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Coletiva - Governo de SP entrega segundo Hospital de campanha, em Heliópolis

Local: Capital - Data: Maio 20/05/2020

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JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Marco Vinholi, secretário de desenvolvimento regional, Dimas Covas, diretor-presidente do Instituto Butantan e coordenador do Comitê de Saúde. E como convidados especiais, Roberto Kalil, presidente do Conselho Diretor do Incor, integrante também da direção médica do Hospital S&i acute;rio Libanês, e Eloísa Bonfá, diretora clínica do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Estão aqui também presentes, se necessário para responder perguntas, não aqui à frente, mas ao lado, general João Campos, secretário de segurança pública do estado de São Paulo, Patrícia Ellen, secretária de desenvolvimento econômico, Vinícius Lummertez, secretário de turismo, Flávio Amary, secretário de habitação, Célia Parnes, secretária de desenvolvimento social, Cleber Mata, secretário de comunicação. Assim como Geraldo Reple que é integrante do nosso comitê de saúde, e Antônio José Rodrigues Pereira, superintendente do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Pa ulo. Quero agradecer também a presença do Paulo Chapchap, diretor geral do Hospital Sírio Libanês que nos visita nesta tarde. Agradecer também a transmissão que está sendo feita a partir de agora pela TV Cultura, da TV Band News e Rádio Bandeirantes, da rádio e TV Jovem Pan, da TV UOL, Rede Brasil, Record News, TV Alesp, e a partir de hoje também a Rede Vida transmitindo, ao vivo, na íntegra a coletiva de imprensa aqui do Palácio dos Bandeirantes. Da mesma maneira, agradecer aos profissionais da TV Globo, Globo News, TV Record, TV Bandeirantes, CNN, SBT, Rede TV, Rede Vida, TV Gazeta que estão aqui ao lado de outros jornalistas de veículo de mídia impressa e digital. As informações de hoje. O Hospital das Clínicas em São Paulo, maior centro de tratamento de Coronavírus da América Latina chega a 275 leitos de UTI para pacientes com Coronavírus e atinge o número de mil pacientes graves recuperados. Nós temos, sim, que agradecer ao corpo clínico do Hospital das Clínicas do estado de São Paulo e todos aqueles que ali atuam, pois mil pessoas foram curadas e já retornaram as suas casas. O Hospital das Clínicas vai agora dobrar os leitos de UTI cardiológicas para o Coronavírus, das atuais dez para 20 unidades. Isto ocorrerá dentro das duas próximas semanas, portanto, até 30 de maio. A doença, como muitos sabem, causa complicações cardiológicas graves que exige atendimento altamente especializado e essa é a razão do convite que fizemos para o Dr. Roberto Kalil, um dos maiores cardiologistas do país e integrante o Incor, e também integrante do conselho clínico do Hospital das Clínicas para estar hoje aqui ao nosso lado. Na maior mobilizaç&atilde ;o da sua história o Hospital das Clínicas abriu um prédio exclusivo que nós inauguramos recentemente com 900 leitos para tratamento de pacientes com Coronavírus. Transferindo os pacientes com outras doenças para outros sete institutos do complexo do Hospital das Clínicas. Inicialmente eram 200 leitos de UTI que já foram apresentados, inclusive, através das redes sociais, e 700 ambulatoriais. Porém, dado o crescimento da pandemia até o final deste mês de maio o Hospital das Clínicas terá 400 leitos de UTI dedicados ao Coronavírus. Para criar mais 200 leitos de UTI, o Hospital das Clínicas recebeu R$ 24 milhões em equipamentos, serviços, recursos financeiros de várias instituições privadas entre as quais menciono e agradeço o BTG, a rede de hospitais Dor, o Hospital Sírio Libanês, o Hospital Albert Einstein, o HC or e a Beneficência Portuguesa. E agora, mais cem respiradores oferecidos pelo Ministério da Saúde. A segunda informação de hoje. O Governo inaugura hoje, dia 20, o quarto hospital de campanha aqui na cidade de São Paulo. Este novo hospital implantado na maior favela, na maior comunidade do estado de São Paulo, será inaugurado com 200 leitos, sendo que destes, 24 com UTI. Foram contratados 600 profissionais entre as equipes de saúde, limpeza, segurança e gestão para o gerenciamento deste hospital de campanha. É o quarto hospital de campanha na capital, juntamente com a prefeitura, financiado pelo Governo do Estado, foram abertos e estão operando os hospitais de campanha do Parque Anhembi e do Pacaembu, e também o hospital de campanha do Ibirapuera. E agora o Heliópolis, repito, com mais 200 leitos. Somados os hospitais Heliópolis, Ibirapuera, Anhembi e Pacaembu, tem os 2.440 leitos para o tratamento de pacientes infectados com o Coronavírus. É o maior esforço clínico no país aqui em São Paulo, lamentavelmente, o epicentro do Coronavírus no país. Terceira informação. O Governo do estado de São Paulo vai contratar 4.500 leitos na rede privada, hospitais privados para atendimento exclusivo ao Coronavírus. Deste total, 1.500 leitos serão de UTI. Com essa medida, São Paulo praticamente dobra o número de leitos disponíveis para o atendimento ao Coronavírus. O investimento total será de R$ 432 milhões para os leitos de UTI e R$ 162 milhões para os leitos clínicos, totalizando R$ 594 milhões. Um chamamento público pra contratação dos leitos da rede particular foi publicado no Diário Oficial de hoje, quarta-feira, dia 20 de maio. E em 20 dias, todos os leitos dever&a tilde;o estar implantados e operacionalizados. Ou seja, até no máximo o dia 11 de junho. A medida atende a recomendação do nosso centro de contingência do Coronavírus, nosso comitê de saúde, e prevê um aumento nesta capacidade de hospitalização dado a incidência também do número de pessoas infectadas com o Coronavírus. O estado de São Paulo tinha 3.500 leitos de UTI no SUS paulista antes do Coronavírus. Depois do surgimento desta pandemia, nós já temos 1.624 novos leitos habilitados. Sobre isso, o nosso comitê de saúde com o Dr. José Henrique Germann e Dimas Covas poderão tratar na sequência dessas conquistas e dessa nova disponibilidade de leitos para atendimento a pessoas infectadas. Quarta informação de hoje, o secretário de desenvolvimento regional do estado de São Paulo aqui presente , Marco Vinholi, fará uma breve e precisa explanação com o apoio do comitê de saúde do avanço do número de casos de pessoas infectadas com o Coronavírus e lamentavelmente de óbitos no interior e no litoral do estado de São Paulo. Quinto aspecto. João Octaviano, quinta informação, secretário de transporte e logística do estado de São Paulo vai apresentar o movimento nas estradas de São Paulo para o litoral e para o interior, dada a circunstância do decreto lei do prefeito Bruno Covas estabelecendo hoje, dia 20, amanhã dia 21, com feriados, sexta-feira desta semana, ponto facultativo, dia 22 de maio, e a Assembleia Legislativa está aprovando neste momento também a antecipação do feriado de 9 de julho para segunda-feira, dia 25 de maio. Este feriado prolongado não foi criado para viajar, não foi constru&iacu te;do para o lazer, para festejar, ele foi criado para resguardar, resguardar a saúde e a vida dos brasileiros de São Paulo. Portanto, faço aqui um apelo como brasileiro, como cidadão, como pai de família e também como governador, por favor, fiquem em casa nesses dias. O esforço que o Governo do estado de São Paulo faz ao lado de vários outros municípios, prefeitas e prefeitos é para preservar vidas, não é para instruir e estimular o lazer. Agora, lamentavelmente não é hora do lazer, do prazer, da festa, é hora de compreendermos a gravidade das circunstâncias que o Brasil e São Paulo estão enfrentando, na pior fase do Corona Vírus, desde a sua chegada ao Brasil. É preciso que tenhamos todos consciência desta gravidade, para evitar que mais brasileiros percam as suas vidas. Ontem, mais de mil brasileiros perderam as suas vidas , mil famílias, que perderam pais, filhos, irmãos, mães, avós e amigos. Será que é preciso mais do que essa tragédia para compreendermos a importância do resguardo e do isolamento social? Será que vamos precisar ver pessoas mortas nas ruas e nas calçadas, para entendermos que a orientação da medicina para o isolamento social é a única alternativa que existe, seja no Brasil, seja no mundo, para preservar vidas? Pense nisso, você, que é contra o isolamento social. Reflita nisso, você que não acredita no isolamento social. E aos que estão fazendo o isolamento corretamente, nos ajudem a convencer as pessoas que ainda não estão realizando este isolamento, para que elas possam se proteger, para que elas possam continuar vivendo. E você, e os seus familiares, também se manterem em vida. Mil pessoas mortas em um dia é uma tragédia sem tamanho. Eu tenho 62 anos de vida, nunca imaginei, na minha existência, ter que conviver e anunciar mil mortes em um único dia. Não é possível que alguém com um mínimo de compaixão não se sensibilize diante deste fato, não reflita diante desta situação. Tendo perdido um parente, um amigo, não se ajoelhe para fazer uma oração. O Brasil precisa estar unido para vencer o Corona Vírus, e superar este drama e a tristeza profunda de tantas vidas perdidas. Amanhã, como governador de São Paulo, ao lado de outros 26 governadores, estarei participando da reunião com o presidente da República, Jair Bolsonaro, e vários ministros. Hoje, pela manhã, fizemos uma reunião com 25 dos 27 governadores, uma reunião virtual. O sentimento de São Paulo, e certamente posso aqui interpretar o sentimento dos demais governadores, é para proteger a vida, obedecer a ciência, respeitar a orientação da medicina e fazermos uma reunião em paz com o presidente da República do Brasil, amanhã, às 10h da manhã. Todos os governadores participarão dessa reunião amanhã, com o espírito aberto ao diálogo, ao entendimento, mas sobretudo na proteção à vida. Feitas estas mensagens, queria passar a palavra para a saúde, ao José Henrique Germann, secretário da Saúde do Estado de São Paulo, para que possa dar a vocês, infelizmente, os novos números da Covid-19 em São Paulo e no Brasil.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO ESTADUAL DE SAÚDE DE SÃO PAULO: Obrigado, governador, boa tarde a todos. A incidência de casos no Brasil, até ontem, somava 271.628 casos confirmados, e um nível de óbitos de 17.971. Para o Estado de São Paulo, nós temos 69.859 casos. Novos casos, de ontem para hoje, 3.664, 6% do total. Número de óbitos, 5.363 acumulados, e 216 no dia de ontem pra hoje, 4% do total. Nós estamos com 6.645 pacientes internados em enfermaria, em leitos clínicos, e 4.169 em regime de terapia intensiva, pacientes c onfirmados e pacientes suspeitos. Isso leva às nossas taxas de ocupação em leitos de UTI, para o Estado, 71,7%, e na Grande São Paulo, 87,9%. E até hoje, tivemos 14.138 pacientes que tiveram alta e retornaram curados para as suas residências. Hoje, nós estamos abrindo, como disse o governador, mais um hospital de campanha. É um hospital numa região extremamente importante do ponto de vista da assistência, que temos que oferecer aos pacientes, que é Heliópolis. Tem lá um hospital complexo e agora um hospital de campanha junto. É uma AME, que é a AME Barradas, foi transformada num hospital de 200 leitos, sendo que temos UTI, 25 leitos para esse hospital, 24 leitos para esse hospital. Soma-se a isso o Hospital Ibirapuera, outro hospital de campanha, que hoje tem 149 pacientes internados. A nossa... Foi feito um chamamento público para leitos privados, foi publicado no D iário Oficial, e agora iniciaremos essas negociações, para que os leitos públicos sejam incorporados no sistema, os leitos privados sejam incorporados no sistema público, para que a gente aumente a nossa capacidade de atendimento. Eu queria fazer um agradecimento ao Ministério da Saúde, que, desde o ministro anterior, ministro Teich, fez uma aprovação, que nós chamamos de habilitação, de cerca de 1.600 leitos, daqueles que nós tínhamos solicitado, mas ainda temos 1.800 leitos a serem habilitados, como leitos de UTI, e o novo ministro, o ministro Eduardo Pazuello, estará agora fazendo este papel da habilitação para o Estado de São Paulo. Além disso, ele nos informou que repassou para o Estado de São Paulo 300 respiradores, que deverão chegar entre hoje, ama nhã e depois. Então, isso dá para nós uma maior capacidade de atendimento. Esses respiradores serão distribuídos nos hospitais próprios, universitários também, e da periferia da cidade, da Grande São Paulo, onde nós temos a maior incidência de casos. Era isto que eu queria hoje, Sr. Governador, colocar informações. Obrigado.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, secretário José Henrique Germann. Vamos agora ao Dimas Covas, que é o nosso coordenador do Comitê de Saúde. Dimas, para a sua intervenção queria lembrar aos jornalistas, sobretudo às emissoras de televisão que estão aqui, transmitindo ao vivo, hoje a nossa coletiva vai se alongar um pouco mais, além do horário normal, que é das 13h30. A nossa coletiva irá até as 14h. Dimas, por favor.

DIMAS COVAS, COORDENADOR DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: Obrigado, governador. Primeira informação que, nesse momento, nós já realizamos mais de 15 mil exames com o teste rápido na Polícia Militar, quer dizer, isso está progredindo muito rapidamente, até o fim do mês faremos 145 mil exames, 35 mil policiais e seus familiares, a maior coorte em andamento no país, já com resultados sendo disponibilizados. Segundo aspecto, governador, quer dizer, a epidemia mostra nesse momento a sua face mais atroz: mil mortes por dia, é a maior causa nesse momento de mortalidade, já, no Brasil, a primeira causa de mortalidade. Superou todas as demais, superou doenças cardíacas, superou câncer, enfim. É uma situação realmente muito difícil. O Brasil, há dois dias atrás, estava em quarto lugar no número de casos no mundo, em terceiro era a Grã-Bretanha, o Brasil passou a Grã-Bretanha, para o terceiro lugar, e os dados de hoje já mostram que ele tem 21 mil casos a mais do que a Grã-Bretanha. Então, isso dá uma dimensão da epidemia no nosso meio e a necessidade de esforços continuados. Eu reputo que esses dias de feriado são dias de luta, lutas de intensa, lutas de combate ao vírus. É hora de manter o vírus acuado, manter o vírus fora de circulação, e é a nossa oportunidade nesses próximos dias.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Dr. Dimas Covas. Ainda na Saúde, vou passar a palavra à Dra. Eloisa Bonfá, diretora clínica do Hospital das Clínicas, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, um exemplo de orgulho da medicina brasileira, orgulho da medicina de São Paulo, para a sua intervenção, com comentários do Dr. Roberto Kalil e vou pedir a Dra. Eloisa também, que ao término da sua intervenção, possa exibir o curto vídeo que foi preparado. Dra. Eloisa.

ELOISA SILVA DUTRA DE OLIVEIRA BONFÁ, DIRETORA DO HC DE SÃO PAULO: Boa tarde governador, boa tarde a todos. Hoje venho aqui representando 20 mil funcionários e diante de tamanha crise celebrar mil altas, mil pessoas, como a nossa paciente, que retornaram as suas famílias. E o que isso significa? Em primeiro lugar a alegria de que está valendo a pena todo o esforço, mas acima de tudo, bravura, bravura de nossos colaboradores na linha de frente e bravura de nossos pacientes. E por que bravura? Porque essa doença é gravíssima, nas UTIs do HC, a cada dez pacientes internados oito não conseguem respirar sozinhos e necessitam ventilação mecânica. A cada dez pacientes internados o rim não funciona e eles precisam de diálise. Mas não é só isso, o sofrimento ainda é maior pois é uma doença altamente contagiosa e os pacientes ficam isolados, com medo e longe das suas famílias. E até o contato facial com os médicos é limitado por máscaras e têm que aprender a ler com os olhos. É uma bravura sobreviver a isso que é o limite do sofrimento humano. Eu gostaria ainda de dedicar essa conquista de mil altas do Hospital das Clínicas a um herói anônimo que está salvando muitas vidas que é você que está em casa, cansado, confuso, passando dificuldade e que não vê o sofrimento dos que estão no hospital e ainda assim está colaborando para aquel es que precisam ser acolhidos possam ser acolhidos nos leitos de UTI que nos restam. Preservem o nosso bem maior que é a vida, nós contamos com a ajuda de vocês e o HC, como não podia deixar de ser, além de vir anunciar mil leitos de UTI também vem anunciar uma outra área onde também esses pacientes são afetados e na qual o professor Kalil vai falar e logo em seguida nós apresentaremos o vídeo.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado Dra. Eloisa, a senhora nos emociona. Roberto Kalil.

ROBERTO KALIL, DIRETOR CLÍNICO DO HOSPITAL DO CORAÇÃO EM SÃO PAULO: Bo, boa tarde a todos, boa tarde governador. Obrigado pela oportunidade. A professora Eloísa já colocou, dezenas de milhares de profissionais da saúde, funcionários, lutando pela vida das pessoas. E ontem tivemos o milésimo paciente curado e de alta. Aí você vai falar, é uma comemoração? É uma comemoração, mas não faz o contraponto com pessoas morrendo e como a própria estatística mostra, mil pessoas morreram no pa&iac ute;s ontem e várias pessoas morreram em São Paulo. Do ponto de vista da cardiologia, nós montamos uma UTI cardiológica dentro do complexo Hospital das Clínicas, pois como vocês sabem, os pacientes cardíacos, faz parte de uma população de risco, de alto risco e mesmo não sendo cardíaco o vírus agride muito o sistema cardíaco e o sistema cardiovascular. Então, são pessoas especializadas, nós começamos com dez leitos, estamos expandindo para 20 leitos e os pacientes para o melhor tratamento e melhorar a sobrevida dos pacientes, dos cardiopatas acometidos pelo vírus. E eu queria terminar dizendo que, como disse antes, essas mil altas, nós temos que comemorar, mas, de novo, elas não apaguem e nem fazem esquecer quantas vidas estão sendo perdidas por hora, por minutos nesse país e nesse estado. Mas estas altas, elas representam u ma luz e força para equipe multiprofissional que cuida desses doentes. Então, é um momento de comemoração, tanta notícia ruim que nós temos, mil altas é muito, é muito para um complexo que se dedica exclusivamente para tratar o Coronavírus com a ajuda de todos, então, é uma guerra que nós estamos vencendo, nós vamos vencer sim. Então, mil altas significam o que? O milésimo paciente? Força, força para esses 20 mil funcionários que atuam 24 horas lutando pela vida das pessoas. Então, de novo, não apaga a tragédias, mas dá mais força para nós continuarmos lutando nessa guerra. Então, mil altas é um momento de felicidade, de glória, para um complexo que 24 horas se dedica a lutar contra essa doença. E nós sempre temos um lema no complexo: a união e a cura, o importa nte é a união de todos e nós, funcionários do Hospital das Clínicas estamos unidos nessa luta para curar as pessoas. Muito obrigado.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado Dr. Roberto Kalil. União e cura. Aos que também duvidam da importância do isolamento, é a ciência, Dr. Roberto Kalil, é a ciência que o senhor representa que nos ensina, na estatística, que se não tivéssemos feito aqui em São Paulo as quarentenas que foram feitas e esta que está sendo realizada, hoje nós não teríamos 5.363 mortas, nós teríamos 54 mil pessoas mortas em São Paulo. Vamos agora para o secretário de Desenvolvimento Regional Marco Vignoli para falar sobre, infelizmente, a progressão do Coronavírus no interior e no litoral de São Paulo. Vignoli.

MARCO VIGNOLI, SECRETÁRIO ESTADUAL DE DESENVOLVIMENTO REGIONAL DE SÃO PAULO: Boa tarde. Essa apresentação, na realidade, é um alerta com a preocupação da aceleração do contágio do Coronavírus no interior do estado e também no litoral. Em março, o Dr. Carlos Magno Fortaleza, membro do comitê de contingência, apresentava já o atraso do crescimento do vírus no interior do estado por conta do isolamento feito aqui em São Paulo, mas que esse crescimento se daria, e se deu. Em abril, nós apontamos a qui, um crescimento quatro vezes superior no interior de São Paulo do que a região metropolitana do estado, em aceleração. [Pode passar, por favor]. Depois, nós verificamos em abril que o dobro de casos se deu também no interior do estado, dobrou esse número em todo o interior do estado e agora em ami, que nós verificamos já, é que todas as regiões do estado têm uma aceleração maior do que a região metropolitana de São Paulo neste momento. [Pode passar, por favor]. Além disso, o ritmo do crescimento de óbitos no interior do estado, num dia em que nós tivemos, ontem, o recorde de óbitos em uma só data em todo o estado de São Paulo, muito impactado pelo interior, em seis regiões do estado já é superior do que a região metropolitana de São Paulo em crescimento. Nós atingimos ontem, 478 cidades do estado de São Paulo, representando 74% das cidades. Todas as cidades acima de 15 mil habitantes no estado de São Paulo já têm o Coronavírus nesse momento. Portanto, infelizmente, os números vêm se concretizando com aquilo que foi dito desde março, passamos por abril e agora em maio uma aceleração em todo o interior do estado e também no litoral. Aqui já finalizando a minha fala, eu queria também dizer do grande esforço dos prefeitos aqui da região metropolitana de São Paulo, do governo do estado de São Paulo, da prefeitura de São Paulo em fazer antecipação de feriados buscando superar esse ápice da incidência do Coronavírus aqui na região de metropolitana sem fazer o lockdown, uma estratégia buscando o isolamento social compatível com o necessário nesse momento, para que a gente te nha uma rede de saúde pública comportando, e com isso, eu queria saldar aquelas pessoas que têm respeitado esse momento, orientando que possa ficar em casa e não viajar. O secretário João Octaviano vai falar aqui sobre os fluxos que estão acontecendo, que não tiveram o impacto contundente, mas é fundamental dizer e pedir para as pessoas que possam seguir ficando em casa, que não é um momento de viagem, que não é um momento de turismo. Os municípios do estado de São Paulo estão implementando suas medidas restritivas sejam os do litoral em que todas as cidades terão barreiras sanitárias e o estado tem apoiado essas ações, sejam os municípios de interesse turístico de todo o interior do estado. Então, a nossa orientação é que as pessoas possam ficar em casa e que possam seguir esse modelo de quarente na respeitando as regras do estado para que a gente possa superar esse momento agudo da incidência do vírus na região metropolitana de São Paulo em aceleração em todo o território do estado também.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado secretário Marco Vignoli. Quero mais uma vez esclarecer que Bruno Covas, prefeitas e prefeitos da região metropolitana e o governador do estado de São Paulo estão fazendo todo o esforço possível para evitar o lockdown. Nós temos o protocolo do lockdown pronto, eu tenho dito isso nas últimas duas semanas, mas se pudermos evitar com ações, com medidas e com a solidariedade das pessoas que estão se resguardando, se protegendo e se isolando em casa, melhor. Evitar a m edida extrema representa respeito e atitude. Mas se nós não tivermos solidariedade, os índices crescerem ainda mais e colocarmos em risco a vida das pessoas, seremos obrigados a adotar o lockdown. Vamos fazer um esforço nesses seis dias, de hoje até a próxima segunda-feira, dia 25 de maio, aqui em São Paulo, na capital, na região metropolitana, no litoral e no interior de São Paulo, para evitar medidas mais duras e mais restritivas. Para completar o tema de logística e transportes eu peço a intervenção do secretário de Transportes e Logística do Estado de São Paulo, Joao Octaviano.

JOÃO OCTAVIANO, SECRETÁRIO ESTADUAL DE LOGÍSTICA E TRANSPORTE DE SÃO PAULO: Bom dia, boa tarde governador, colegas, boa tarde a todos. Como vocês viram, a questão do feriado suscitou aí uma preocupação com as rodovias. Foi feito um grande esforço junto aos prefeitos, principalmente os prefeitos do litoral, para que ações conjuntas fossem tomadas. Isso foi feito ontem e disparado todo esse processo. Então, as rodovias, até esse momento, não apresentam um volume maior do que o esperado, governador, o que demonstra que as pessoas estão entendendo o que significa esse feriado prolongado. E as ações com os prefeitos também estão acontecendo num apoio a bloqueios sanitários na entrada dos municípios. Aqui algumas imagens como vocês podem ver de agora pouco, aqui é SP 55, é a Rio - Santos, altura do quilômetro 92, aqui é a entrada de Campos do Jordão. Nós estamos fazendo um apoio a todas essas prefeituras para que haja, então, esse bloqueio sanitário na entrada dos municípios. Nenhuma rodovia está com bloqueio, nenhuma rodovia tem qualquer interrupção de deslocamento. Há uma orientação, uma ação conjugada com todas as áreas e a polícia tem feito, permanentemente, o seu trabalho de fiscalização. Então, nesse momento, as rodovias, esse é o pedágio da Rodovia dos Imigrantes sentido litoral e há uma tranquilidade e não houve nenhum, até o momento, nenhuma sobrecarga, governador, nas instâncias do litoral. E vamos permanecer ajudando os prefeitos nesta operação.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado secretário João Octaviano. Eu queria agradecer também o general João Campos, o apoio da Polícia Militar, através Polícia Rodoviária, a esses programas de acompanhamento, fiscalização e segurança nas rodovias de São Paulo e o apoio também aos prefeitos, sobretudo das cidades litorâneas. Antes de abrir às perguntas nós vamos exibir o vídeo, Eloísa Bonfá, e vou pedir que você faça a chamada desse v&i acute;deo que foi preparado, é um vídeo curto, é um vídeo real, ele não é produzido, ele é sincero.

ORADORA NÃO IDENTIFICADO: Bom, esse vídeo é da nossa milésima paciente, que era uma funcionária do hospital que ficou muito mal, precisou ir para a UTI, precisou ser entubada, infelizmente ela saiu ontem e foi para nós uma grande celebração. Porque como eu já falei, a doença é muito grave.

APRESENTAÇÃO DE VÍDEO: [Ininteligível].

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Vamos à primeira pergunta, que é do jornalista Daniel Lian, da Rádio Jovem Pan.

DANIEL LIAN, REPÓRTER: Governador, o senhor ressaltou ainda pouco essa importância da colaboração de todos, a retomada da economia, há uma preocupação bastante acentuada de diversos setores econômicos. Qual que é a perspectiva, o planejamento do governo para essa futura retomada, uma retomada mais rigorosa da economia? Sobre a área de saúde, ontem foi dito aqui que há mil leitos preparados para entrar em operação, mas está dependendo, ainda estão dependendo da habilitação do Governo Federal. Eu gosta ria de saber como é que estão essas tratativas?

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR D SO ESTADO DE SÃO PAULO: Vamos começar pela saúde, Daniel Lian, vou pedir ao secretário José Henrique Germann. Nós fizemos contato ontem com o Ministério da Saúde, com o ministro interino, General Eduardo Pazuello, apenas para não falar de maneira equivocada o seu sobrenome. Ele foi atencioso e gentil conosco, fez a liberação de 300 respiradores para São Paulo, 100 que devem chegar hoje, 100, manhã, quinta-feira, 100 nesta sexta-feira, além da habilitação de leitos. E sobre a habilitação de leitos vai responder o secretário José Henrique Germann. Por favor, Germann.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DE SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Ok. Então desde do ministro Teich nós já tínhamos enviado uma relação de leitos, 2.800 leitos, que necessitavam de habilitação do Governo Federal para funcionamento, isso incluía grupo São Paulo e interior. Foram habilitados 2 mil e tantos leitos, e ainda faltam habilitar 1.800 leitos, 1.817 leitos. Conversando com o senhor ministro ontem, ele nos informou que isso ele vai fazer ao longo da semana, nós temos uma pessoa no ministério que est&aacut e; conjuntamente com os nossos contatos diários fazendo este processo dentro do ministério, acompanhando este processo dentro do ministério. Então eu gostaria de estender os nossos agradecimentos ao ministro, que além dos respiradores, também colocou a questão da habilitação dos leitos como uma prioridade para o estado de São Paulo.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, secretário. Eu tenho certeza que o ministro Eduardo cumprirá com a sua palavra, e até sexta-feira da próxima semana, Daniel Lian, nós teremos habilitados mais 1.817 leitos aqui em São Paulo, pelo Ministério da Saúde. Sobre economia, a prioridade do governo do estado de São Paulo, eu volto a repetir, é preservar vidas, salvas vidas, preservar a saúde dos 46 milhões de brasileiros que estão aqui. Ao preservar a vida e a saúde, nós preser vamos a economia, o inimigo da economia não é a quarentena, é a pandemia, eu volto a repetir isso. E é importante que pessoa que tenham consciência, capacidade de reflexão, de interpretação, entendam isso. E se tiverem dificuldade de entender, leiam, assistam, acompanhem através das imagens digitais e mensagens, o que acontece nos Estados Unidos, na França, na Itália, na Espanha, em outros países que já tiveram duas semanas há frente do Brasil os efeitos do Coronavírus. Não se recupera a economia, Daniel Lian, por um passe de mágica, abre, e no dia seguinte o consumo acontece. A recuperação do comércio, a recuperação do setor de serviços, isso não acontece desta maneira, é um processo gradual, lento, difícil e doloroso para quem mantinha o seu negócio ativo até o mês de feverei ro, para quem tinha perspectivas de crescimento, de gerar empregos, de multiplicar oportunidades. O mundo parou, Daniel Lian, não foi o Brasil, não foi São Paulo, o mundo parou. Duzentos e quinze nações do mundo foram afetas pelo Coronavírus. Na maior parte dessas nações, para ser preciso, em 211 nações, a orientação correta foi isolamento social, foi o uso do mecanismo da quarentena para salvar vidas, e ao fazer isso, salvar a economia, a economia não vem antes da vida. São Paulo, volto a mencionar, tem 74% da sua economia funcionando regularmente, dentro de critérios sanitários, de protocolos de saúde, que vem sendo obedecidos com rigor, majoritariamente por empresários de pequeno, médio e grande porte. E com a fiscalização sanitária das prefeituras, e também do governo de São Paulo. Finalizo a resposta, Dan iel Lian, lembrando que o nosso comitê de economia coordenado pela Patrícia Ellen que está aqui, secretária de Desenvolvimento Econômico, por Henrique Meirelles, secretário da Fazenda, por Rodrigo Garcia, secretário de governo e vice-governador, e por uma equipe de economistas notáveis, sob a coordenação da economista Ana Carla Costa, e com a participação dos economistas Tercio Arida, Eduardo Haddad, e Alexandre Schwartsman, já prepararam o plano São Paulo, para aplicá-lo no momento em que isso for possível, sob orientação do comitê de saúde, e em conjunto também com prefeitas e prefeitos no estado de São Paulo. A atual quarentena vai até o dia 31 de maio, até lá, vamos seguir, observar e enfatizar o apelo para que todos fiquem em casa, não se movimentem, exceto por necessidade absoluta, e se o fize rem, usem máscara, lavem as mãos com água e sabão, ou utilizem álcool em gel. E oportunamente, Daniel Lian, havendo condições, faremos sim uma abertura cuidadosa, gradual e heterogênea, onde puder ser feito, e teremos prazer em anunciar isso, mas só faremos isso no momento em que tivermos seguros de que estamos adotando a medida certa na hora certa, no local certo. Vamos agora à segunda intervenção, também presencial, é da TV Record, jornalista Daniela Salerno. Boa tarde, e sua pergunta, por favor.

DANIELA SALERNO, REPÓRTER: Boa tarde. Boa tarde, a todos. Governador, eu queria que o senhor fizesse uma avaliação das medidas tomadas pelo governo estadual desde o início da quarentena. A gente já está aí com nove semanas de isolamento, com o comércio fechado todo esse tempo, escolas fechadas também. Não parece que o isolamento por si só não traz as respostas no tempo que já era previsto? Não faltaram medidas mais efetivas? A população acaba sendo a responsável por essa quarentena tão longa? Teve algum erro no tempo, pelo menos, de tomadas de decisões? Ou se não teve, se as medidas foram corretas? São Paulo não deveria estar enfrentando outro cenário nesse momento? Obrigada.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Daniela, com todo respeito que você merece como jornalista, e como uma boa interprete da notícia, que você é, nós estamos fazendo aquilo que a medicina, que a ciência recomenda, não há nada diferente do que estamos fazendo em São Paulo, do que outras nações estão fazendo, de forma correta, a decretação da quarentena em São Paulo foi das primeiras, ao lado do Rio de Janeiro, que também adotou medidas corretas, medidas sanitárias de pro teção, de orientação, foram feitas campanhas em televisão, em rádio, em mídias digitais, orientação às comunidades, apoio com alimentação, com recursos para permitir que mais de 1 milhão de cestas pudessem ser distribuídas há 4 milhões de pessoas em São Paulo, pessoas que estão em estado de pobreza e extrema pobreza. A destinação de máscaras e equipamentos de proteção, atendendo à essa população gratuitamente, como aos profissionais da segurança pública e da saúde, e aqueles que mais precisam na utilização, dado ao fato de que atuam em áreas essenciais. E quero também fazer uma pequena correção, Daniela, o comércio não está fechado, parte do comércio está fechado em São Paulo, todas as &aacute ;reas consideradas essenciais estão operando regularmente desde o início da primeira quarentena, em 22 de março deste ano, mercado, supermercados, padarias, todos aqueles que vendem produtos embalados, para serem levados para casa, estão operando e tem as suas atividades preservadas, e certamente, imagino, os seus empregos também. Setores, como farmácias, drogarias, todas elas operando, postos de combustível, inclusive com as suas unidades de atendimento para venda de alimentos portáveis para casa, não para serviço em loco. Lojas de material de construção, acabamentos, para que as pessoas que estão vivendo em suas casas possam fazer os reparos necessários no chuveiro, na energia elétrica, ou aquilo que for necessário para garantir minimamente o seu conforto e o seu bem-estar, estão abertas em São Paulo. Vários setores de serviços que n&a tilde;o geram aglutinação, não geram movimento de público, estão todos operando, nunca fecharam. Construção civil em São Paulo nunca fechou, estabelecemos protocolos com os setores de construção civil que vem operando e mantendo os empregos, sejam obras públicas, obras privadas, pequenas, medidas e grandes, e seguindo os protocolos sanitários de forma correta e adequada. Convidamos alguns dos melhores médicos do Brasil sediados aqui em São Paulo para nos ajudarem e nos orientarem. Convidamos os melhores economistas disponíveis, todos eles com biografias ilustres, também para nos ajudar. Estabelecemos programas de diálogo constante com o setor privado, com entidades, com trabalhadores, pela busca do diálogo e do entendimento. Fizemos tentativas conjuntas com prefeituras, e com órgãos de governo, incluindo Ministério Público, Tribunal de Justiça, e os setores representativos do Legislativo, estadual e municipal. Todas as ações de São Paulo foram feitas no sentido correto. E aquelas que circunstancialmente apresentaram algum tipo de problema, e exigiram recuo para serem corrigidas, foram feitas, como aqui na capital de São Paulo, com o Bruno Covas, que teve humanidade, discernimento e capacidade de reagir corretamente diante de duas tentativas que foram feitas para melhorar o isolamento na capital de São Paulo. Estamos no caminho certo, na medida certa, e aliás ajudando, Daniela, a balizar outros estados brasileiros também, dado que o centro do Corona vírus, infelizmente, é aqui em São Paulo. Agora, com a mesma humildade, se tiverem outras sugestões, recomendações, exemplos concretos de efetivo combate ao Corona Vírus, venham até nós, dialoguem e apresentem, e nós seremos capazes de administrar e aplicar. Vamos agora à terceira pergunta, que é da jornalista Maria Paula Uchôa, da TV Bandeirantes e BandNews. Maria Paula, boa tarde, sua pergunta, por favor.

REPÓRTER: Boa tarde, boa tarde a todos. Minha pergunta é para o senhor, governador do Estado de São Paulo, João Doria. Se na terça-feira, após esse feriado prolongado, como medida de aumentar o isolamento social, se não chegarmos ao nível esperado, quais as novas estratégias para enfrentar esse momento? Existe uma outra estratégia, antes, que venha antes do chamado 'lockdown'? Obrigada.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Maria Paula. Eu prefiro concentrar a resposta na confiança de que as pessoas respeitarão o objetivo deste feriado prolongado. E volto a repetir: este feriado não foi feito para o prazer, o lazer, não foi feito para viajar. Foi feito para você se proteger, para você se resguardar e compreender a importância da vida. Você, que está nos ouvindo, você, que está nos assistindo nesse momento, vocês que lerão matérias digitais e impressas, certamente querem a vida. Eu não tive, felizmente, ao longo da minha vida, o conhecimento de ninguém que desejasse a morte. Todas as pessoas que eu conheci, felizmente, desejaram a vida. Se você deseja a vida, se você quer viver, fique em casa. Nós não queremos corpos acumulados em calçadas, na porta de cemitérios em São Paulo, não queremos o colapso do sistema público e privado de saúde. Só há uma alternativa no mundo para combater o Corona vírus neste momento, é o isolamento social. Portanto, Maria Paula, eu prefiro confiar e acreditar que, nestes dias, nós conseguiremos melhorar os índices de isolamento, alcançando índices superiores a 50%. E conseguiremos dominar o crescimento do vírus, numa fase tão dura como essa, que ainda se estende por 15 dias. E temos, volto a repetir, com a mesma transparência com que todas as nossas coletivas foram feit as aqui ao longo desses mais de dois meses: temos protocolos mais rígidos, sim. E o protocolo mais rígido do que o atual é o 'lockdown', mas antes de anunciá-lo, vamos ter esperança e confiança, confiança de que as pessoas saberão respeitar a orientação de não viajar, de ficarem em casa e compreenderem a importância de protegerem as suas vidas e dos seus familiares. Se isso não ocorrer, nós infelizmente teremos que avançar em novas etapas, mas repito: prefiro acreditar que ninguém, ninguém deseje ter uma situação mais dura do que esta, do isolamento social, através da quarentena que está em curso no momento. Vamos agora a uma pergunta virtual, é do jornalista Bruno Ribeiro, jornalista do jornal O Estado de São Paulo. Bruno, boa tarde, você já está aqui em tela conosco. Sua pergunta, por favor.

REPÓRTER: Boa tarde, boa tarde, governador, boa tarde, secretários, boa tarde a todos. Governador, eu queria saber, diante dessa mudança de protocolo do Governo Federal sobre o uso da cloroquina, hoje eles recomendaram também para pacientes leves. Como o Estado de São Paulo vai agir? Em São Paulo, a cloroquina vai ser administrada para todos os pacientes com Corona vírus, com suspeita de Corona vírus inclusive?

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Bruno, obrigado pela pergunta. Eu vou dividir com a saúde, evidentemente. Mas antecipo claramente, a resposta é não. Nós não faremos distribuição e nem aplicação generalizada da cloroquina. Por quê? Porque a ciência não recomenda, a ciência não orienta este procedimento. E em São Paulo, nós seguimos o que a ciência determina. E para falar em nome da ciência, vou pedir ao secretário José Henrique Germann, com comentários do Dr. Dimas Covas, para responder a pergunta do jornalista Bruno Ribeiro.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO ESTADUAL DE SAÚDE DE SÃO PAULO: O novo decreto que foi publicado, ele não é diferente do que já estava em vigor e nem de órgãos importantes, como o Conselho Federal de Medicina. O que ele determina? Ele determina que a prescrição, e aliás não é só da cloroquina, seja feita por médico. E nesse caso, daqueles medicamentos que têm algum tipo de efeito colateral, tem que existir o consentimento informado, por escrito, do paciente. Ou seja, é uma indicação do médico, com o consentimento do paciente. Isto havendo, a cloroquina pode ser utilizada. Senão, não é um medicamento que você distribui sem prescrição, não é assim.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Dr. Dimas?

DIMAS COVAS, COORDENADOR DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: A questão da indicação, ela é muito precisa e, no Estado de São Paulo, ela está vigente desde sempre. Quer dizer, é um médico ao lado do paciente, após examiná-lo, após avaliar a situação clínica, que poderá, tem toda a liberdade de fazer isso, de prescrever. Obviamente que a cloroquina, ela tem não só efeitos colaterais, como tem muito bem estabelecida nesse momento qual foi a contribuição para o tratamento dos pacientes, quer dizer, a comunidade médica hoje tem as informações para tomar a melhor decisão. E acho que isso está respeitado, o decreto em nenhum momento abole essa necessidade.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Perfeito. Então, resposta dada. Bruno Ribeiro, obrigado pela sua participação, continue conosco. Vamos agora presencialmente ao SBT, jornalista Fábio Diamante. Fábio, mais uma vez, boa tarde, obrigado pela sua presença aqui conosco. Sua pergunta, por favor.

REPÓRTER: Boa tarde, governador, boa tarde a todos. Governador, pensando naqueles requisitos objetivos do início do Plano São Paulo, nos parece evidente que a quarentena, que termina daqui a 11 dias, nós não vamos ter nenhum desses requisitos, acho que não chegaremos nem perto dele, especialmente os 14 dias seguidos com queda no número de infectados. Governador, já é possível a gente entender que a quarentena, em São Paulo, será prorrogada? Nós estamos falando, o senhor está falando inclusive de um possível 'lockdo wn', quer dizer, não é melhor que as pessoas entendam que é muito provável que a quarentena seja prorrogada? A gente tem visto, nesse período, que toda vez que as pessoas ouvem que está chegando perto de uma data com uma possível abertura, as pessoas relaxam nesse isolamento social. Então queria saber do senhor se essa já é uma decisão tomada pelo governo. Obrigado.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Fábio, bem formulada a sua pergunta. Primeiro, nós não estamos dizendo, mencionando nem alentando nenhuma abertura a partir do dia 1 de junho. Nem contra, nem a favor. E não é por falta de decisão, é que não é hora ainda de anunciar a decisão. Essa hora chegará, no momento oportuno, e nós saberemos comunicar, com a mesma transparência com que comunicamos todas as iniciativas do Governo do Estado de São Paulo, amparado, repito, nos dados, informações e o rientações da Saúde, e também, neste caso específico, dada a sua pergunta, com as informações econômicas e também as informações regionalizadas e localizadas. Este olhar regional e local está sendo levado em conta também. Mas, sendo muito sincero, Fábio, não há nada mais chocante para um cidadão, seja ele pai ou mãe de família, ou mesmo que não tenha tido esse privilégio, do que saber que, no seu país, estão morrendo mil pessoas por dia, mil pessoas por dia. Eu não posso acreditar que alguém, em sã consciência, e que tenha um pouco de bondade e de compaixão no seu coração, não compreenda a gravidade de um país que já perdeu 18 mil brasileiros, a uma média de mil pessoas por dia. Será que há algo mais grave, mais dramático, mais chocante do que isso? Mil vidas perdidas, mil pessoas enterradas, sepultadas todos os dias? Não conheço nada mais duro e mais triste do que a morte. Vamos agora a uma pergunta virtual, é da Tatiane Calisto, do jornal A Tribuna. Tatiane, obrigado por você estar aqui mais uma vez conosco, passo a palavra a você.

REPÓRTER: Boa tarde, governador, boa tarde a todos. [ininteligível] os prefeitos aqui da Baixada Santista ficaram bem preocupados com a possibilidade da vinda de turistas aqui para a região. Chegaram a pedir bloqueios no sistema Anchieta-Imigrantes, o estado não autorizou, mas prometeu ajuda, e os senhores até citaram essa questão. Eu queria entender melhor que tipo de ações são essas que o Governo do Estado está tomando, e vai tomar nos próximos dias, para evitar que pessoas desçam a serra rumo ao litoral, para passear.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Tatiane, oportuna a sua pergunta. Quando eu falo A Tribuna, é o jornal A Tribuna de Santos, um influente veículo de comunicação, não apenas através da mídia impressa, mas também através da TV Tribuna, que fala com toda a Baixada Santista. Vou pedir ao nosso secretário Marco Vinholi que possa responder a pergunta da Tatiane e, se necessário, com comentários do João Octaviano, secretário de Transportes. Vinholi.

MARCO VINHOLI, SECRETÁRIO ESTADUAL DE DESENVOLVIMENTO REGIONAL DE SÃO PAULO: Muito bem. Nós estamos em contato constante, permanente, com os prefeitos da Baixada Santista. O secretário João Octaviano avaliando o fluxo em todo o período e também fazendo uma série de ações com os prefeitos, no que tange a barreiras sanitárias nas cidades. Então, com o apoio aqui do Governo do Estado, com essas barreiras funcionando. Além disso, a orientação, a recomendação enfática do Governo, em todos os seus pronun ciamentos, através de toda a equipe de governo, para que as pessoas não desçam para a Baixada Santista, não vão para o litoral do Estado de São Paulo, não sigam em viagem para as estâncias turísticas de todo o Estado de São Paulo, e além disso a Segurança Pública do Estado de São Paulo atuando nas rodovias, junto com a Secretaria de Logística e Transporte, nós temos verificado esse fluxo apresentado aqui, que até então segue dentro do nosso planejamento. Mas nós vamos seguir em contato permanente, verificando com os prefeitos da Baixada Santista, em todo esse período e também mesmo antes da questão do feriado a gente já trabalhava com isso, pra que a gente possa seguir não tendo na Baixada Santista um fluxo maior significando aí uma preocupação pra toda a população.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Marco Vinholi. João Octaviano.

JOÃO OCTAVIANO, SECRETÁRIO ESTADUAL DE MOBILIDADE E TRANSPORTES DE SÃO PAULO: Então, complementando, você viu hoje já tivemos aí várias barreiras sanitárias implantadas, na entrada de Santos teve uma bastante robusta, nos municípios do litoral sul também, e agora à tarde já estão implantadas as outras no litoral norte. Estudo com o apoio das unidades da Secretaria de Logística e Transportes, a estrutura do DR, e sempre com o apoio e supervisão aí de toda a estrutura do policiamento que faz regularmente ess as verificações. Então haverá, sim, essa manutenção por parte da secretaria no apoio aos prefeitos. Nós estamos dialogando com eles, como o Marco Vinholi colocou, direto. Entamos conversando com todos os prefeitos pra que a gente possa evitar. E o mais importante, todas as rodovias estão sinalizadas que as praias estão fechadas, de que há bloqueio sanitário, e que há esse... essa recomendação para que as pessoas não viajem, que fiquem em casa. Isso está sendo observado até o momento, observamos aí que não houve um acréscimo no sentido de turistas para o litoral.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, secretário de transporte e logística, João Octaviano. Obrigado, Marco Vinholi, secretário de desenvolvimento regional. Tatiane Calixto, da Tribuna, muito obrigado também pela sua presença e participação mais uma vez. Vamos agora a penúltima pergunta que é presencial, é da Rede TV, jornalista Murilo Rincon. Murilo, boa tarde. Grato por participar aqui mais uma vez. Sua pergunta, por favor.

MURILO RINCON, REPÓRTER: Boa tarde, governador. Boa tarde pra todo mundo que está aqui acompanhando a gente. Ó, minha pergunta vai muito em sentido nessa questão das barreiras sanitárias que foi falado aqui agora também. Pra deixar claro, quem pode ou não passar essas barreiras sanitárias? Quem está autorizado a entrar ou não nesses municípios? E também em relação à economia, doutor... se você me permite, governador, queria falar com você. Você tem conversado muito, todos os dias praticamente com empr esários, né, mais de 500 empresários já entraram em contato com o Governo pra falar dessa flexibilização da economia. Como é que tem sido esse diálogo com esses profissionais? Eles têm apoiado as decisões do Governo, eles estão se mostrando contrário? Como é que tem sido isso. Muito obrigado.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Murilo, obrigado pelas duas perguntas. Obviamente serão respondidas, a primeira pelo Marco Vinholi, secretário de desenvolvimento regional.

MARCO VINHOLI, SECRETÁRIO DE DESENVOLVIMENTO REGIONAL DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito bem. Bom, nós estamos apoiando as medidas restritivas implementadas pelas prefeituras municipais, né? Isso está no regramento que vem do Supremo Tribunal Federal, eles têm essa autonomia e a palavra do Estado é de apoio nessas medidas restritivas. Até agora são barreiras sanitárias barrando pessoas que possam ter a incidência do vírus, mas a recomendação geral é para que ninguém viaje a turismo para o litoral do estado de Sã o Paulo, a Baixada Santista especificamente, mas ninguém viaja para turismo em todo o território do estado de São Paulo, essa é a recomendação.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Marco Vinholi. E, Murilo, complementando. Sim, temos feito todas as semanas encontros virtuais, reuniões virtuais com os setores da economia, não apenas com o setor de comércio, varejista, e o setor de serviços, mas todos os setores. O setor da indústria, o setor da tecnologia, da educação, assim como o setor de serviços em toda a sua capilaridade e o comércio também nas suas diferentes variantes. Quero registrar a você e aos que estão nos ouvindo e acompan hando aqui a forma educada, correta com que todas essas reuniões têm sido conduzidas pelos empresários, micro, pequenos e médios empresários. E eu acrescentaria também, embora você não tenha perguntado, igualmente na relação com a classe trabalhadora, com entidades que representam trabalhadores. Aliás, na semana que vem teremos mais uma reunião com líderes de entidades trabalhadoras que merecem todo o respeito e atenção por parte do Governo de São Paulo. Todos compreendem a dimensão desta catástrofe que é o Coronavírus, todos têm as suas apreensões e é muito compreensível, sobretudo, aqueles que estão fechados pela quarentena, em destaque o comércio e o setor da chamada economia criativa onde eu acentuo a gastronomia: bares, restaurantes, cafés. Além do setor de cultura que está praticamente paralisado, exceto aquilo que se tem feito no âmbito digital, e todos eles estão dentro dos nossos novos protocolos no projeto denominado Plano São Paulo. Não há nenhum setor, assim como não há nenhuma área, cidade ou região do estado de São Paulo que não esteja sendo visualizado neste momento e monitorado pelos nossos programas do Plano São Paulo e pelas equipes as quais eu já me referi aqui. Num momento oportuno e seguro nós saberemos anunciar e detalhar. Mas a propósito da sua boa pergunta eu quero destacar a forma correta com que todos os dirigentes empresariais se dirigiram no diálogo conosco. Não houve pressão, não houve xingamento, alteração de timbre de voz, ameaça, nada. Todos eles, de forma precisa, educada, sincera e compreensiva, ainda que fazendo e formulando as suas reivindicações. V amos agora a última intervenção de hoje, é do jornalista William Cury, da TV Globo, Globo News. Wil, obrigado, obrigado pela paciência também. São 13h40min. Sua pergunta, por favor.

WILLIAM CURY, REPÓRTER: Boa tarde. Hoje no argumento que foi utilizado na publicação do decreto sobre a contratação de leitos da rede privada, falou-se que se nada for feito com a atual curva de contágio aqui em São Paulo, em três semanas a rede de saúde vai entrar em colapso. Bom, foi anunciado que serão contratados 6 mil leitos da rede privada, sendo 1.500 de UTI. Eu queria saber onde ficam esses leitos, se a maior parte é aqui na região metropolitana ou fora, no interior, litoral. E qual que é a disponibilidade da rede privada pra leitos? Tem esses 6 mil, tem 1.500 leitos de UTI disponíveis, vazios hoje pra ceder pro Governo do Estado... ceder não, né, pra ceder em forma de aluguel pro Governo do Estado.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Não é cessão, é venda.

WILLIAM CURY, REPÓRTER: Venda. Tá.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: O que é normal. Aliás, normal, nenhum mal nisso, apenas pra pontuar corretamente. Perdão, Wil.

WILLIAM CURY, REPÓRTER: Essa é minha pergunta. E só uma outra coisa, eu queria saber qual que foi a taxa de isolamento ontem aqui no estado e também na capital. Obrigado.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Ok. Wil, eu vou pedir à saúde pra responder a sua primeira pergunta, ou o conjunto da sua primeira pergunta, com o secretário José Henrique Germann e também com Dimas Covas, presidente do Instituto Butantan. Se o Dr. Germann já tiver o índice de isolamento, senão vou pedir alguém da nossa equipe pra me dar o índice de isolamento de ontem que eu ainda não disponho aqui. Então, vou pedir a nossa equipe pra buscar pra poder oferecer a resposta. Se tivermos, evidentemen te, o índice disponível. Vamos então, Dr. José Henrique Germman.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN FERREIRA, SECRETÁRIO DE SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, governador. Obrigado, Wil. Conforme a gente demonstrou nas semanas que se passaram, nós temos que esgotar as possibilidades dos hospitais públicos, depois dos hospitais filantrópicos e aí dos hospitais... podemos ir aos hospitais lucrativos. Nós já fizemos então o chamamento desses hospitais que incluem alguns filantrópicos e os da rede privada lucrativa. A rede privada lucrativa se podemos dizer, é o Sindihosp, é o Anap, é a Unimed. E a na rede dos filantrópicos principalmente também as Santas Casas, né, pelo interior de São Paulo nós temos uma forte dependência das Santas Casas. Esse chamamento foi feito e esse número que está colocado aqui é em função do orçamento que foi colocado pra isso. E agora vem uma negociação de mercado. Essa negociação é caso a caso, hospital a hospital. E aí, ao final, a gente tem um balanço de quantos leitos nós vamos precisar, teremos à disposição. Isso já está começando, nós já tivemos os primeiros contatos. E aí esta localização será tanto na grande São Paulo quanto no próprio interior. Depois passamos por cidade a cidade pra vocês.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito bem. Dr. Dimas Covas.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: É importante ressaltar que a ativação de leitos é exatamente pra evitar qualquer tipo de colapso. Então existem leitos no setor público, no setor privado, e todos, né, se forem necessários terão que ser utilizados no momento de maior necessidade. É aquela corrida, né, de um lado o número de casos que a epidemia vai produzindo, e de outro o sistema de saúde que vai absorvendo. Quer dizer, não pode haver um descompasso aí. Nós temos que controlar a epidemia pra que is so não aconteça e que medidas mais drásticas necessitem ser tomadas. Daí a importância da luta contra o Corona nesses próximos seis dias. Vamos restringir o vírus, vamos impedir a sua circulação ficando em casa.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN FERREIRA, SECRETÁRIO DE SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Posso complementar?

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Pois não.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN FERREIRA, SECRETÁRIO DE SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Existe também aqueles leitos que são da rede pública, estadual, que foram preparados para se tornarem leitos de UTI. São 1.300, quase 1.500 leitos nesse sentido. E o que é que falta? Faltam alguns insumos como os respiradores, por exemplo, que estão chegando agora gradativamente, nesta sexta-feira, até sexta teremos 300 respiradores pra colocar na rede. E assim mais outros que estão chegando sucessivamente.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Dr. José Henrique Germann. Dr. Dimas Covas. Wil, ainda não temos os dados de ontem, dia 19, teremos hoje a partir das 16h e informaremos aos jornalistas imediatamente através de um comunicado da Secretaria de Comunicação do estado de São Paulo. Os números do dia 18, anteontem, portanto, segunda-feira, estado de São Paulo, 49%, capital de São Paulo, 50%. Mas são os índices, repito, de segunda-feira. Vamos aguardar até as 16h os índices de ontem, dia 19. Ao término desta coletiva, queria aqui mais uma vez me dirigir aos jornalistas, aos veículos de imprensa, não apenas aos que estão aqui, mas os que estão remotamente nos acompanhando, nos assistindo, ou lerão o resultado desta coletiva. Primeiro, um agradecimento, eu volto a repetir, muitos sabem, e os que não sabem eu sou jornalista, atuei em rádio, atuei em televisão, atuei em jornal e atuei em revistas, quatro meios de comunicação onde atuei por muitos anos como jornalista, portanto, falo com conhecimento. É o momento mais precioso, mais importante da história do jornalismo brasileiro é este na cobertura desta pandemia que afeta o Brasil no âmbito da saúde, no âmbito social e no âmbito econômico. Jornalistas com mais experiência, mais tempo de vida profissional testemunham isso, mesmo aqueles que fizeram coberturas de guerra, os que co briram o Golpe Militar de 1º de abril de 1964, e as consequências da ditadura no país são testemunhas de que não há nenhum outro fato com a relevância desta crise do Coronavírus. Isso estabelece o que eu já mencionei, um grau de importância vital na qualidade da comunicação. Nesta guerra contra o Coronavírus, parte dela é a guerra da comunicação. No passado, não tínhamos as redes digitais; hoje elas existem. O fenômeno do fake news é recente, é doloso, é perigoso, ele mente, falseia, engana, imobiliza, a maioria das vezes pro mal. O antídoto pra isso são vocês, os meios de comunicação e os jornalistas. Repito, os que estão aqui e os que não estão. Por favor, não se deixem levar pelo ímpeto da atitude mais fácil e mais fraca. Reconheço também que depois de 70 dias, tratando do mesmo assunto, é difícil para um jornalista encontrar boas histórias em meio a tantas notícias tristes e dolorosas. Mas, por favor, tentem encontrar boas histórias. Como essa que foi apresentada hoje aqui pelo Hospital das Clínicas de São Paulo, onde a milésima paciente foi salva e emocionou médicos e enfermeiros do Hospital das Clínicas, o maior complexo médico da América Latina. Tentem encontrar histórias reais de pessoas que se salvaram, de pessoas que se protegeram, de pessoas que se sacrificaram para preservar vidas. Estas histórias vão ajudar a humanizar este triste embate com o Coronavírus, e vão nos ajudar também na reflexão do nosso papel como jornalistas, como intérpretes de uma crise e como fiadores de informações corretas e precisas para a população brasileira. T entem encontrar também exemplos como esse que foram apresentados hoje aqui. Para dar também um pouco mais de esperança, um pouco mais de consciência e compaixão. Mais do que nunca o Brasil precisa de compaixão. E mais do que nunca, o Brasil precisa de compreensão e união. Amanhã, quinta-feira, nós faremos uma coletiva de imprensa diferente aqui às 12h30. Não será a coletiva da saúde como normalmente fazemos todas as terças e quintas-feiras. Amanhã teremos uma coletiva que vai avaliar o resultado da reunião presidencial com os 27 governadores do Brasil, reunião que começa às 10h da manhã e deve terminar por volta das 11h30 ou no máximo meio-dia. Portanto, amanhã trataremos especificamente deste tema, esperando com muita sinceridade que a reunião seja feita dentro de um clima de harmonia, de entendimento e de foc o na preservação de vidas e na proteção dos brasileiros. Muito obrigado. Boa tarde e até amanhã.