Coletiva - Governo de SP importa 3 mil respiradores para atender pacientes graves de coronavírus 20202904

De Infogov São Paulo
Ir para navegação Ir para pesquisar

Coletiva - Governo de SP importa 3 mil respiradores para atender pacientes graves de coronavírus

Local: Capital - Data: Abril 29/04/2020

Soundcloud

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Boa tarde, nós estamos aqui no Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo. Queria começar agradecendo a presença do prefeito da cidade de São Paulo, Bruno Covas, do vice-governador e secretário de Governo, Rodrigo Garcia, do secretário da Saúde do Estado de São Paulo, Jos&ea cute; Henrique Germann, do secretário de Transportes Metropolitanos do Estado de São Paulo, Alexandre Baldi, e do coordenador do Comitê de Saúde, do Centro de Contingência do Covid-19, Dr. David Uip. Agradecer a presença dos demais secretários, do município e do estado, que estão aqui nos acompanhando, agradecer aos jornalistas que aqui estão, aos cinegrafistas, aos fotógrafos, aos que estão em casa nos acompanhando ao vivo pela TV Cultura, pela BandNews, pela RecordNews, pela Rede Brasil, TV Alesp e a Rádio e TV Jovem Pan. Aos que também nos acompanham pela GloboNews, pela TV Globo, pela TV Record, pelo SBT, Rede TV, TV Bandeirantes, TV BandNews, Rádio Bandeirantes e Rádio BandNews, e demais veículos de comunicação do interior, do litoral e da região metropolitana de São Paulo. A todos, muito obrigado, e a você que est&aacute ; em casa nos acompanhando neste momento, nesta quarta-feira, dia 29 de abril de 2020. Quero começar transmitindo meus sentimentos aos familiares de 5.017 brasileiros, que perderam as suas vidas até ontem, pelo Corona Vírus, em todo o Brasil. E minha solidariedade também em especial aos familiares aqui de São Paulo, de pessoas que perderam suas vidas, 2.049 pessoas até ontem perderam suas vidas em São Paulo pelo Corona Vírus. Quero também transmitir minha solidariedade a todos que têm parentes e amigos enfermos e em tratamento neste momento. E quero também me dirigir ao presidente da República do Brasil, Jair Bolsonaro, que hoje pela manhã, numa entrevista coletiva junto ao Palácio do Planalto, citou a mim e ao prefeito Bruno Covas, nominalmente. E antes de me referir a esta citação, eu quer o dizer ao presidente da República, o mesmo presidente que ontem, indagado por jornalistas sobre as mortes e o crescimento das mortes no Brasil, respondeu: "Quer que faça o quê?" Eu posso enumerar, presidente Jair Bolsonaro, algumas atitudes que o senhor já deveria ter tomado como presidente da República e não adotou. Esta é a resposta do 'fazer o quê', é fazer aquilo que o senhor não fez. Começando por respeitar os brasileiros, os brasileiros que o elegeram presidente da República e os que não o elegeram também, respeitando pais, mães, avós, parentes e amigos que perderam as suas vidas no Brasil, até ontem, pelo Corona Vírus. O Corona Vírus, que o senhor classificou como uma gripezinha, que o senhor classificou como resfriadozinho, o Corona Vírus, que o senhor minimizou, dizendo que não era importante e que n&atil de;o era grave, presidente Jair Bolsonaro, que o senhor respeite o luto de mais de 5.000 famílias que perderam os seus entes queridos e que hoje estão sepultados. E em praticamente todos, nenhum parente pôde acompanhar o sepultamento. Respeite os médicos, os enfermeiros e os profissionais de saúde, presidente, que, ao contrário do senhor, que vai treinar tiro em stand de tiro, estes profissionais da saúde do Brasil estão trabalhando para salvar vidas, para atender as pessoas, proteger seres humanos. Pare, presidente, com esta política da perversidade, pare de atrapalhar quem está lutando para salvar vidas, pare de fazer política em meio a um país que chora mortes e infectados. O senhor disse que o Brasil estava vivendo uma gripezinha, um resfriadozinho, teve a coragem de reafirmar isso várias vezes. E agora, presidente, diante de mais de 5.000 mortos, o senhor continua afirmando que o p aís está vivendo uma pandemia de uma gripezinha, de um resfriadozinho? Eu convido o senhor, presidente Jair Bolsonaro, venha a São Paulo, saia dessa sua redoma de Brasília e venha visitar comigo o Hospital das Clínicas, o Hospital do M'Boi Mirim aqui na capital de São Paulo, ao lado do prefeito Bruno Covas, os hospitais de campanha, e venha ver a gripezinha, o resfriadozinho, venha ver as pessoas agonizando nos leitos e a preocupação dos profissionais de saúde de São Paulo e de toda parte do Brasil com aquelas pessoas que podem ir a óbito. E se não quiser visitar São Paulo, presidente, por medo ou por qualquer outra razão, vá a Manaus, vá ver o colapso da saúde em Manaus, vá ajudar o governador do Estado do Amazonas e o prefeito da cidade de Manaus, no mínimo sendo solidário e estando presente, para ver a realidade do seu país , não a sua realidade, do stand de tiros onde o senhor foi ontem celebrar, enquanto nós choramos mortes de brasileiros, presidente Jair Bolsonaro. Saia da sua bolha, presidente Bolsonaro, saia dessa sua fábula, saia do seu mundinho de ódio. Não frequente apenas o seu gabinete de ódio, percorra hospitais, seja solidário com a realidade do seu país, com os brasileiros que já perderam as suas vidas e têm os seus familiares chorando mortos, e com outros familiares que choram aqueles que estão enfermos, em hospitais públicos e privados, em todo o país. E por fim, presidente Bolsonaro, o senhor, que gosta de tratar tudo como números, e acha que a vida é um número, eu felizmente, como brasileiro, como cidadão, como governador, mas sobretudo como ser humano, eu não acho que vida é número. Nem os meus filhos são tratados por número, os meus filhos, presidente Jair Bolsonaro, são tratados pelo nome, com carinho, com amor e com afeto. O mesmo carinho que eu dedico, na minha função, trabalhando de graça como governador, ao lado do prefeito Bruno Covas, ao lado de dezenas, centenas, milhares de pessoas que, em São Paulo e no Brasil, estão trabalhando para salvar vidas. A vida, presidente Bolsonaro, não é um número, é sentimento, e eu espero que o senhor ainda possa resgatar o seu sentimento para ter um olhar de compaixão pelo seu país e pelos brasileiros. Os informes de hoje: No próximo dia 1 de maio, São Paulo inaugura o seu terceiro hospital de campanha, totalizando 2.268 novos leitos, em três hospitais de campanha. O hospital do Complexo Ibirapuera, que será inaugurado nesta sexta-feira, atende 268 leitos e complementa o trabalho realizado pela Prefeitura de São Paulo e pelo Governo do Estado de São Paulo, com os hospitais de campanha do Pacaembu e do Anhembi. Mais uma vez, lembrando que a totalidade de leitos operando a partir da próxima sexta-feira será de 2.268 leitos em hospitais de campanha. Anunciamos também hoje a compra de 3.000 respiradores para o sistema de saúde de São Paulo, respiradores que estarão aqui, entregues esta semana, e que foram comprados no exterior, dentro das regras e dos critérios de compra estabelecidos para um momento de emergência como este. Esses 3 mil respiradores foram comprados na China a um custo total de 550 milhões de reais e estarão a serviço da população do estado de São Paulo, nos hospitais públicos já a partir deste final de semana. Quero registrar também que a partir do próximo dia 4 de maio, por decreto da prefe itura de São Paulo, e sobre isso o prefeito Bruno Covas vai se referir na sequência, e por decreto do governo do estado de São Paulo com a mesma validade, do mesmo contexto a partir do dia 4 de maio será obrigatório o uso de máscara do transporte público, no transporte coletivo sob administração do governo do estado de São Paulo e da prefeitura, conforme vai se referir Bruno Covas. E eu tenha certeza que essa medida será seguida também por decretos municipais dos demais prefeitos do estado de São Paulo para tornar o obrigatório o uso de máscaras do transporte coletivo. Em São Paulo, pelo governo do estado, metrô, trens da CPTM, ônibus intermunicipais da EMTU na região metropolitana, em todos eles, assim como nos ônibus rodoviários interestaduais serão fiscalizados pela Artesp e todos os usuários deverão estar usan do máscaras. A medida é válida também para táxis e aplicativos, sendo que a especificação disso será feito pela prefeitura municipal, como no caso da capital de São Paulo. Estará publicado amanhã no diário oficial, e repito, será obrigatório a partir do dia 4 de maio. Isso vale tempo para todas as empresas aqui no estado e as empresas serão fiscalizadas pelos órgãos estaduais e municipais. Serão advertidas se percebermos e não identificarmos o não cumprimento desta determinação. As empresas, a quem cabe essa responsabilidade, sejam elas empresas públicas ou privadas, e depois da advertência serão multadas. Taxa de isolamento de ontem, 28 de abril, no estado de São Paulo, 48%. O mesmo número da capital de São Paulo. Não é um número bom. Sobre isso falará o Dr. Davi Uip, coordenador do Comitê de Saúde do Estado de São Paulo, mas volto a repetir, não é um número bom, é um número de alerta à população, sobretudo da capital de São Paulo, epicentro, do epicentro do coronavírus no estado e no país. Mas, quero registrar, como sempre temos feito nas últimas coletivas e cumprimentar as cidades do estado de São Paulo, que até 27 de abril conseguiram alcançar números superiores na média a 53% de isolamento. São Sebastião com 63%, Ubatuba 61%, Lorena e Cruzeiro com 60%, Ribeirão Pires com 58%, Cajamar com 57%, Itanhaém, Caçapava, Caraguatatuba, Bebedouro e São Vicente com 56%, Ibiúna, Mairiporã, Pindamonhangaba com 55%, Itapecerica da Serra com 54%, o mesmo número de Poá, Votuporanga, Caieiras e Itaquaquecetuba, e Pirassununga com 53 %. A população, prefeitas e prefeitos destes 20 municípios aqui citados estão de parabéns pela atitude de obedecer a orientação da medicina e da saúde para protegerem suas vidas e as vidas dos seus familiares. Nós esperamos que outras famílias sigam o mesmo exemplo e que você que está nos assistindo agora na sua casa, ou onde você estiver, siga também essa orientação, que não é uma orientação oficial, é a orientação da saúde, da medicina, da ciência para proteger sua vida e garantir também a vida dos seus familiares e dos seus amigos. São essas as mensagens e os informes do governo de São Paulo nesta data. Passo agora a prefeito da capital de São Paulo, Bruno Covas.

BRUNO COVAS, PREFEITO DA CIDADE DE SÃO PAULO: Boa tarde a todos. O governador mencionou aqui a questão do decreto estadual que obriga a utilização de máscaras no transporto público estadual. A prefeitura segue a mesma linha, é importante a gente lembrar aqui, apenas para dar um dado para mostrar a gravidade da situação. Na sexta-feira passada, o fato de atingirmos mil mortes na cidade de São Paulo fez com que editássemos o decreto de luto oficial de três dias na cidade. Os três dias foram sábado, domingo e segunda. Na segunda-f eira a gente já tinha atingido 1337 mortes na cidade de São Paulo, um crescimento de 30% em apenas três dias da chegada das mil mortes até a segunda-feira passada. Então, é claro que com o agravamento da crise, a Secretaria de Saúde, a vigilância sanitária tem passado novas medidas para que prefeitura possa efetivar e uma delas é exatamente agora tornar obrigatório o uso de máscara no transporte público municipal. O decreto da prefeitura também sai no diário oficial de amanhã e torna essa questão obrigatória a partir do dia 4 de maio, da mesma forma que faz o governo do estado de São Paulo. A gente reconhece, muitas vezes as pessoas podem reclamar do incômodo de se utilizar uma máscara, mas é um incômodo pequeno em regulação ao benefício que ela traz do benefício sanitário, de dificulta r a propagação do vírus aqui na cidade de São Paulo e no estado. É uma questão humanitária já adotada como prática comum em muitos países asiáticos, agora inúmeros países europeus também estão adotando essa prática, a qual a gente precisa começar a se utilizar para, inclusive, enfrentar essa pandemia do coronavírus aqui na cidade de São Paulo, epicentro do país. A partir de hoje os nove 'CACs' começaram a funcionar aqui na cidade de São Paulo, com um atendimento marcado pelo 156 para ajudar à população a ter acesso aos benefícios que o Governo Federal anunciou, mas que muita gente, em especial a parcela mais carente da população, tem dificuldade com o aplicativo disponibilizado pelo Governo Federal. Então, para ajudar a essas pessoas, ela podem ligar no 156, ter o ate ndimento marcado e elas serão recebidas nesses nove 'CACs' que ficam preferencialmente em regiões periféricas da cidade de São Paulo, na zona norte, na zona sul, na zona leste e também no Butantã, zona oeste de São Paulo. Essa é uma forma pela qual a prefeitura encontrou para poder ajudar essa população, tamanha foi a demanda que nós começamos a perceber de pessoas que muitas vezes vão se dirigindo à Caixa Econômica Federal, simplesmente para poder resolver e tirar dúvidas. Então, nós estamos entrando com esse serviço auxiliar para poder ajudar à população a se inscrever e percebemos, inclusive, já no dia de hoje que muitas pessoas que já estavam inscritas e tiveram o benefício negado, não conseguiam respostas às perguntas de por que tiveram o benefício negado. Então, prefeitura está colocando parte do seu atendimento para poder ajudar e auxiliar essas pessoas. A ação que nós fizemos na segunda-feira de interrupção de uma via, de um bloqueio aqui na cidade de São Paulo, na radial, foi uma ação exitosa com um pessoal da equipe da Secretaria Municipal de Saúde levando informação, com a GCM para poder também ajudar e orientar a CET nesta ação. Ontem nós ampliamos para dois bloqueios, o dois na zona sul de São Paulo e hoje ampliamos para três bloqueios educativos, um na zona leste, na própria radial leste, um na zona norte, na avenida Inajar de Souza e um na zona sul, na avenida Cupecê. E no dia de amanhã vamos fazer em quatro pontos aqui na cidade de São Paulo, ampliando não apenas a conscientização, mas a capacidade de organização de CET, caso gente tenha q ue fazer isso de forma definitiva para poder restringir mais a circulação de pessoas e ampliar esse índice preocupante que o governador mencionou aqui de 48% de pessoas permanecendo dentro de casa. Não dá pra gente ficar quieto, a gente sabe a nossa responsabilidade, eu tenho responsabilidade com o que acontece na cidade de São Paulo, o governador tem responsabilidade do que acontece no Governo do Estado. A gente não abre mão da nossa responsabilidade e é por isso que cada vez que a Secretaria de Saúde, que a vigilância sanitária aponta que ações como essa devem ser implementadas, a gente sabe que está advogando ao lado da vida, ao lado das pessoas, tendo como mente que cada vida importa e cada investimento que tiver que ser feito pra poder diminuir o número de mortes aqui na cidade de São Paulo, no estado, nós não vamos hesitar em fazer. Era is so as informações no dia de hoje. Muito obrigado, boa tarde a todos.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, prefeito Bruno Covas. Vou passar agora a palavra para uma intervenção do vice-governador e secretário de governo, Rodrigo Garcia, sobre a compra de 3 mil respiradores para o atendimento nos hospitais públicos aqui do estado de São Paulo. Na sequência teremos uma breve manifestação também do secretário de transportes metropolitanos, Alexandre Baudy, a intervenção da saúde, e na sequência as perguntas. Rodrigo.< /p>

RODRIGO GARCIA, VICE-GOVERNADOR E SECRETÁRIO DE GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO: Bom dia, governador. Bom dia, prefeito. Bom dia a todos. No fundo, nós anunciamos hoje a aquisição de 3 mil respiradores que serão distribuídos nos leitos de UTI do estado de São Paulo, uma compra que começou a ser realizada ainda no mês de março e que se concretiza essa semana com a chegada dos primeiros 500 respiradores. Nós fizemos uma ampla pesquisa na ocasião da compra, já dentro dos cenários estabelecidos pela saúde e da necessi dade do aumento de leitos de UTI. Fizemos esse aumento com os respiradores que tínhamos disponíveis, e somaram-se mais de 1.800 leitos na rede estadual, mas percebemos que esses leitos seriam insuficientes pra atender a demanda que está crescente, portanto, já no mês de março a equipe da saúde identificou a necessidade dessa aquisição. É natural que a aquisição hoje de insumos e principalmente respiradores para a área de combate ao Coronavírus, ela está extremamente difícil pela alta demanda do mundo em relação a isso, isso é com respiradores, é com EPIs, é com todos os insumos e testes relacionados ao Coronavírus, e com respiradores não foi diferente. Nós conseguimos identificar um fornecedor na China que entregava os respiradores no tempo necessário, e acho que aí a palavra tempo, governador, el a é fundamental, de nada adianta nós termos respiradores pra venda que sejam entregues para São Paulo em julho, agosto e setembro, provavelmente aonde a epidemia já recua. Então o tempo significa salvar vidas e foi essa a lógica que a Secretaria da Saúde utilizou na aquisição desses respiradores. Lembrando que no mês de março o Governo Federal ele fez uma requisição de toda produção nacional de respiradores o que impediu Estados e Municípios e rede privada de adquirir respiradores no mercado privado. E já matérias jornalísticas dão conta de que esse esforço do Governo Federal chegou apenas a aquisição de 270 respiradores desde o início da epidemia, o que naturalmente é muito pouco. Então, dado a esse impedimento no mês de março, já feito pela requisição do Minist& eacute;rio da Saúde, o estado abriu as suas compras com o mercado internacional, oito fornecedores apresentaram as suas propostas e aquela que era adequada pelo momento da epidemia e pelos equipamentos aprovados da saúde foi a que foi escolhida pela Secretaria de Saúde de São Paulo. Esses respiradores, portanto, começam a ser entregues esta semana, os primeiros 500 num total de 3 mil, são dois modelos diferentes, eles já serão destinados imediatamente para ampliação das UTIs dos hospitais e das clínicas, e na sequência em parceria com a prefeitura de São Paulo nos hospitais mais demandados aqui da capital e também a ampliação da retaguarda no interior do estado. Então foi uma compra realizada no mês de março que se concretiza agora com o início da entrega de 500 respiradores e toda semana, até o final de maio a entrega sendo conclu& iacute;da e respiradores que já vão imediatamente ser instalados ampliando leitos de UTI em São Paulo e evitando o colapso do sistema de saúde aqui do estado, governador.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Rodrigo Garcia. Vice-governador e secretário de governo. Conforme prometido, passo a palavra agora para o Alexandre Baudy, secretário de transportes metropolitanos que pode expor de maneira breve como metrô, CPTM e os ônibus intermunicipais estarão operando com todos os passageiros portando máscaras a partir do dia 4 de maio. Alexandre Baudy.

ALEXANDRE BALDY, SECRETÁRIO DE TRANSPORTES DO ESTADO DE SÃO PAULO: Boa tarde, governador. Boa tarde, prefeito Bruno Covas. Boa tarde a todos. Essa medida da obrigatoriedade da utilização de máscaras para os cidadãos que utilizam transporte público, transporte coletivo, foi adotada em vários países como mencionado aqui pelo governador e pelo prefeito, seja na Ásia, seja na Europa. E ela vem sendo observada como uma medida assertiva, como uma recomendação da própria OMS para que seja efetivada e, é claro, com uma reduç&a tilde;o de demanda de 75% dos meios de transporte coletivo, sejam os gerenciados pelo estado como a média também daqueles da mediana, das prefeituras na região metropolitana é essencial que ela venha a ser implementada. Então, metrô, CPTM e EMTU, e no caso a SPTran com a Prefeitura da cidade de São Paulo estarão agora com a decretação da obrigatoriedade da utilização de máscaras pelos cidadãos não permitindo o acesso do cidadão, da cidadã, dos trabalhadores que estão em atividade essenciais, que essa é a razão desde que foi decretada o isolamento social para que só saia de casa aquele que está em atividade essencial, para que ele acesse o sistema do transporte público. Porque nós, senhoras e senhores, temos pedido, solicitado pra que as pessoas evitem o diálogo, evite a conversa dentro dos ônibus, dentro dos trens, pra que não haja emissão de gotículas, pra que não haja disseminação do Coronavírus. E agora com a obrigatoriedade do uso de máscaras que podem ser as caseiras, que podem ser as de pano, são aquelas que as pessoas podem ter acesso, estaremos contribuindo para que possam ali nas imediações das estações sejam comercializadas como já tem ocorrido para que elas não possam contribuir sem a máscara com a disseminação do vírus. Portanto, é uma medida muito assertiva, uma medida de proteção à saúde e a vida daqueles que precisam de transporte público e o transporte coletivo para se locomoverem todos os dias.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, secretário Alexandre Baudy. Lembrando que aplicativos e táxis, todos os motoristas de aplicativos e de táxis no estado de São Paulo deverão obrigatoriamente, a partir do dia 4 de maio, estarem trabalhando com máscaras. E todos os usuários também desses serviços, táxis e aplicativos também deverão usar máscaras. O motorista estará apto a negar a corrida ou o serviço de transporte ao passageiro que não estiver portando másc ara. E a critério de aplicativo ou de cooperativas de táxi, fornecer gratuitamente, se for o caso, a máscara ao passageiro. Mas portar passageiro sem máscara em aplicativo ou táxi, a partir do dia 4 de maio é infração. Assim como os motoristas, todos eles deverão estar portando, deverão estar usando máscaras. Vamos agora a saúde com o Dr. José Henrique Germann com atualização dos números. Na sequência a intervenção do Dr. David Uip e as perguntas.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN FERREIRA, SECRETÁRIO DE SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, governador. Muito boa tarde. Os dados relacionados aos números de hoje sairão às 15h. Como vocês devem se lembrar, ontem nós tínhamos 24 mil casos em São Paulo com 2.049 óbitos, né? Devemos crescer um pouco numa taxa aí de aproximadamente 25 mil casos pra hoje e 2.200 óbitos. O número de internações de hoje em UTI são 1.786 pacientes, em enfermaria 1.917 pacientes. As nossas ocupações ou nossa ocupação de leitos em UTI e enfermaria para o estado de São Paulo como um todo é 68% em UTI, 47% em enfermaria. Para a grande São Paulo, temos 85% de ocupação em UTI e 75% de ocupação em enfermaria. Gostaria de ressaltar: fique em casa. Nós precisamos elevar esse 48% que é a taxa de isolamento para a dentro da faixa de perto de 60%, senão esses números irão crescer numa velocidade maior. Então nós não podemos deixar de enfatizar o fique em casa. Além disso, como já colocou aqui o Sr. Governador e Prefeito, o uso de máscaras, né? Que é extremamente importante. A sua máscara me protege e a minha máscara protege a você. Então, por favor, temos que enfatizar sempre o 'fique em casa' e o uso de máscaras. Muito obrigado, Sr. Governador.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Dr. José Henrique Germann, secretário de Saúde do Estado de São Paulo. Passo agora a palavra ao Dr. David Uip, que coordena o Comitê de Saúde do Estado de São Paulo. Dr. David Uip.

DAVID UIP, COORDENADOR DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: Muito boa tarde, governador, prefeito, a todos. Primeiro, agradecer. Eu acho extremamente importante os novos 3.000 respiradores. Seguramente, farão a diferença no atendimento à população do Estado de São Paulo. Este é um número importantíssimo e, como falou o vice-governador, no tempo adequado. Nós precisamos desses respiradores, toda a projeção que o Centro de Contingência fez, no primeiro momento, mais 1.800 leitos de UTI. Na verdade, eram 1.400 e o Governo entreg ou 1.800, e, na sequência, agora, a clara necessidade de novos respiradores, que têm o objetivo de aplacar o que acontece num sistema já pressionado de saúde. Basta verem os números. Hoje nós temos a interiorização do vírus, já uma pressão em leitos de UTI no interior do Estado de São Paulo, a região do grande ABC já muito pressionada, o litoral também muito pressionado. Então, o primeiro é agradecimento por essa compra, que seguramente vai nos ajudar muito no atendimento de todos os paulistas. O segundo comentário é a respeito das máscaras. As máscaras, é curiosíssimo, porque o conceito de máscara não mudou, mas a necessidade aumentou. Então nós entendemos hoje o uso de máscaras como algo extremamente importante. A máscara tem a sua durabilidade, que não mudou, de pouca s horas, 4h, 5h, ela tem a umidade máxima. Nesse momento, a necessidade epidêmica faz com que esta recomendação seja também muito adequada. E por último, governador, prefeito, eu quero fazer uma definição do que é mortalidade e o que é letalidade. É muito difícil você comparar números de letalidades, porque no denominador você tem o número de testados. No caso do Brasil, o número de testados são os pacientes internados em hospitais, então pacientes graves, e no numerador o número de mortes. Então, nós vamos trabalhar sempre com um número grande, que não deve ser comparado entre si, entre populações, entre países. Mortalidade, neste caso, é o número de mortes por 100 mil habitantes. Do ponto de vista epid emiológico, esse é um dado muito mais fidedigno. Então, quando se compara, e eu já vi publicações em jornais, inclusive, comparando letalidade de estados, de países, e eu vejo como medida epidemiológica não adequada. Era isso, governador, queria fazer essa definição, porque eu acho importante em comparações.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Dr. David Uip. Lembrando que amanhã a coletiva de imprensa será exclusivamente com a área de saúde, como temos feito desde o início desta semana. Terças e quintas a coletiva é apenas com o Comitê de Saúde, os profissionais de Saúde, e com isso também o nosso respeito à ciência e à saúde, aqui no Estado de São Paulo. E nesta sexta-feira, a priori, não teremos coletiva de imprensa, dia 1 de maio. Voltaremos na segunda-feira, dia 4. Vamos a gora às perguntas. São 13h04, o primeiro veículo de comunicação é a TV Record, e a jornalista Daniela Salerno. Daniela, boa tarde, obrigado pela presença, sua pergunta, por favor.

REPÓRTER: Boa tarde a todos. Governador, o senhor disse que as pessoas serão advertidas caso não usem máscara. O que exatamente será essa advertência? Uma advertência verbal, pode ser uma multa? Em relação aos respiradores, eu também gostaria de entender. O vice-governador disse que oito fornecedores foram avaliados. Nenhum deles então apresentou um valor menor com o mesmo tempo de entrega, seria isso? Obrigada.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Daniela. São duas perguntas, responderei a primeira. A advertência será verbal, ela não será escrita, ela será verbal. Eu tenho certeza que todas as pessoas atenderão. Nem será necessário advertir, eu acho difícil alguém não portar máscara, até porque pode usar uma máscara caseira, feita em casa, para a sua proteção e a proteção da sua vida. Eu não vejo por que alguém gostaria de não usar máscar a e se expor para a sua própria saúde e, além disso, expor outras pessoas. Mas se assim ocorrer, ela será advertida verbalmente. As empresas não, elas terão advertência escrita e, se não obedecerem este compromisso, elas serão multadas, sejam empresas privadas ou empresas públicas. Em relação aos respiradores, passo a palavra ao secretário de Governo, vice-governador Rodrigo Garcia, para a resposta.

RODRIGO GARCIA, VICE-GOVERNADOR E SECRETÁRIO DE GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO: Olha, os únicos respiradores que tinha preço abaixo do valor adquirido pelo estado não foram aprovados pela Secretaria da Saúde e não seriam entregues no tempo necessário, então, dos oito que apresentaram a proposta para a Secretaria da Saúde, nós compramos os mais baratos e aqueles que tinham o tempo de entrega adequado à Secretaria da Saúde, começando agora na última semana de abril, indo até a primeira semana de junho.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Rodrigo Garcia. Daniela, muito obrigado pelas perguntas. Vamos agora ao jornalista do SBT, Fábio Diamante. Fábio, mais uma vez, obrigado pela sua presença aqui, boa tarde, sua pergunta, por favor.

REPÓRTER: Obrigado. Boa tarde, governador, boa tarde, prefeito, boa tarde a todos. Minha pergunta para o senhor, governador, e também para o prefeito, a gente tem visto um panorama se agravando diariamente, as pessoas não respeitando o isolamento social, os hospitais ficando lotados e o governo entendendo que está acesa a luz amarela. Eu queria saber o que falta mais para que acendam uma luz vermelha, para que o Governo do Estado ou a prefeitura mesmo tomem medidas mais drásticas, para que as pessoas respeitem a quarentena a tempo, nessa reta final do decreto, e de fato possa-se falar em retorno das atividades. Obrigado.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Fábio Diamante. Eu vou dividir a resposta, evidentemente com o prefeito Bruno Covas. Se a saúde desejar, poderá intervir também. A nossa referência é sempre a referência da área da saúde, ou seja, é o Comitê de Saúde, composto por 16 integrantes, eles é que nos assessoram e nos dizem, no cruzamento de dados, o que podemos e o que não devemos fazer. Numa taxa de isolamento de 48%, eu não preciso sequer perguntar ao Dr. David Uip, ao Dr. Germann ou qualq uer dos outros 14 integrantes deste comitê, não há a menor condição de flexibilização de isolamento, com 48% de taxa de isolamento e, evidentemente, com os riscos de colapso no atendimento público nos hospitais, na capital de São Paulo e na região metropolitana. Portanto, a sua pergunta serve também para orientar e pedir às pessoas que vivem aqui na capital de São Paulo e na região metropolitana. Se vocês querem sair do isolamento, se vocês querem ter uma nova fase do isolamento, colaborem, contribuam pra isso e contribuam sobretudo com a proteção da sua saúde e da sua vida. Fique em casa, e peçam aos seus amigos e familiares para fazerem o mesmo. E eu volto a fazer o apelo aqui às mulheres, às mães, às avós. As mulheres têm sido mais solidárias ao isolamento e têm sido propagadoras dess a medida positiva, saudável e de proteção à vida, para que nos ajudem a melhorar esse índice de isolamento. Mas nada, Fábio, nada será feito no Estado de São Paulo, mesmo em programas de flexibilização regionais, pontuais e locais, fora da capital e da Grande São Paulo, sem a prévia e expressa autorização da área de saúde. Nós aqui obedecemos e respeitamos a saúde e a ciência. Bruno Covas.

BRUNO COVAS, PREFEITO DA CIDADE DE SÃO PAULO: Queria só aproveitar e lembrar que, só na cidade de São Paulo, o esforço da prefeitura é de criação de 3.567 leitos. Desses 3.567 leitos, 1.337 de UTI, dos quais 563 já foram entregues, e 2.230 de enfermaria, dos quais 1.187 já foram entregues. Quando a pessoa inclusive tinha sintomas leves, ela nem era atendida pela rede pública. Hoje, a gente já consegue atender as pessoas que estão com sintomas leves. Se as pessoas relaxarem no isolamento, todo mundo vai ficar doente ao mesmo tempo e nós, mesmo com esse esforço, não vamos conseguir atender à população. E aí, a possibilidade de salvar vidas, ela cai drasticamente. Está aqui o pessoal da área da saúde, que pode confirmar. Você tratar uma pessoa com Corona Vírus aumenta exponencialmente a possibilidade de ela ter sobrevida e passar pela doença, e se gente deixar de tratar, certamente vão explodir os números de óbitos aqui em São Paulo. Então, a gente mais uma vez pede a compreensão das pessoas, gente sabe que não é fácil não é simples, a gente reconhece o esforço de população. Ainda assim, um número baixo, 48%, nós estamos falando de 6 milhões de pessoas que estão aderindo, estão entendendo, estão ficando dentro de casa, mas é preciso aumentar esse número, convencer m ais pessoas a ficarem dentro de casa para que a gente não tenha aqui em São Paulo repito as imagens a gente tem visto mundo afora e já aqui, inclusive, no Brasil, como é o caso de Manaus e outras cidades.

JOÃO DORIA, GOVENADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, prefeito Bruno Covas. Obrigado, Fábio Diamante, do SBT. Antes de passar para a próxima pergunta, volto a enfatizar a importância desse índice subir acima de 50%. É um esforço, como disse o Bruno, é chato, é difícil, todos nós reconhecemos isso, mas é necessário para salvar vidas. Vai passar, minha gente, vai passar. Se nós ajudarmos, vai passar mais rapidamente, com menos vítimas e com menos dor. Vamos agora à terceira pergunta, também presenci al, da Roberta Scherer, da TV Bandeirantes, da TV Band News. Roberta, boa tarde. Obrigado pela sua presença. Sua pergunta, por favor.

ROBERTA SCHERER, REPÓRTER: Oi, boa tarde, governador. Quarenta e oito por cento de adesão é muito pouco para a flexibilização, mas há alguma medida de endurecimento da quarentena prevista?

JOÃO DORIA, GOVENADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Roberta, vou tomar a liberdade dividir também com o Bruno Covas a sua pergunta. É o que nós estamos fazendo. A obrigatoriedade de máscaras, do uso de máscaras no transporte coletivo, assim como no transporte em aplicativos de táxis já é uma medida adicional a tantas medidas que foram adotadas pelo governo do estado e pega prefeitura do estado de São Paulo. E continuaremos a adotar tantas quantas forem as medidas necessárias e recomendadas pela área da saúde para proteger vidas e s ensibilizar as pessoas para seguirem esta mesma linha, que metade da população do estado de São Paulo vem adotando, ou seja, estão protegidas, estão em casa, estão com vida e continuarão com vida exatamente porque estão sendo protegidas com o isolamento. Se a área de saúde recomendar novas medidas, nós não teremos a menor hesitação em adotar. Bruno Covas.

BRUNO COVAS, PREFEITO DA CIDADE DE SÃO PAULO: Queria aqui reforçar o que disse o governador. Inicialmente nós falávamos para as pessoas usarem máscaras, isso partiu depois com um decreto, tanto do município, quanto do estado recomendando que as pessoas atualizassem máscara e agora a gente já começa com a obrigatoriedade do uso de máscara só aqui na cidade de São Paulo. A gente já tem previsão no contrato as empresas concessionárias de ônibus, a multa é de 3300 por dia para cada ônibus que tiver pelo menos uma pessoa sem máscara. Então, a empresa concessionária vai ser multada em 3300 reais por dia, por ônibus, em cada pessoa, se tiver pelo menos uma pessoa sem uso de máscara aqui na cidade de São Paulo. Os bloqueios que a gente tem feito ainda são bloqueios educativos, mas se for o caso vamos também chegar a bloqueios efetivos para restringir a circulação e a mobilidade da cidade de São Paulo. Então, aqui a Secretaria de Saúde tem cada vez mais mostrado preocupação com esses números baixos que a gente tem tido de restrição de circulação e essas medidas vão sendo estudadas e implementadas pela prefeitura e pelo governo do estado de São Paulo.

JOÃO DORIA, GOVENADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Vamos ouvir o Dr. Davi Uip.

DAVI UIP, COORDENADOR DO COMITÊ DE SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Só para que todos entendam claramente, o uso da máscara não flexibiliza a necessidade de ficar em casa. Isto é uma medida adicional. Eu entendo, como o governador e o prefeito, mostra claramente a nossa preocupação com a baixa adesão de 48% nos últimos dias, 52% no sábado, foi nosso pior sábado. Então, eu entendo que isso são medidas adicionais de restrição.

JOÃO DORIA, GOVENADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Dr. Davi Uip, coordenador do Comitê de Saúde do Estado de São Paulo. Obrigado Bruno Covas, prefeito da capital. Obrigado, Roberta pela sua pergunta, ela que é da TV Bandeirantes e da Band News. Vamos agora à rádio Jovem Pan e TV Jovem Pan. Beatriz Manfredini. Beatriz, obrigado pela sua presença mais uma vez. Boa tarde. Sua pergunta, por favor.

BEATRIZ MANFREDINI, REPÓRTER: Obrigada, boa tarde a todos. Tenho duas perguntas, uma para o prefeito Bruno Covas. A prefeitura tem divulgado alguns dados de que a mortalidade é até dez maior na periferia aqui de São Paulo e só no Capão Redondo, por exemplo, na última semana foram 113% de aumento de casos de coronavírus. Queria saber se tem alguma ação de reforço diante desses dados nas periferias. E para o governo João Doria, ontem o Dr. Davi Uip comentou que provavelmente em pouco vocês vão anunciar uma ampliaçã o da testagem. Queria saber se já tem alguma previsão para isso acontecer. Obrigada.

BRUNO COVAS, PREFEITO DA CIDADE DE SÃO PAULO: Vou pedir também para o secretário Edson Aparecido reforçar a resposta, mas ações, por exemplo, que já mencionei de bloqueios educativos já têm sido feitos especialmente na periferia, para que a gente possa reforçar a conscientização tem da população para poder ficar dentro de casa. Só a prefeitura de São Paulo está distribuindo 100 mil cestas básicas para poder atender à população mais vulnerável na cidade de São Paulo , e quando gente fala em ampliação de leitos da rede público, nós estamos falando das pessoas que são SUS dependentes que são as pessoas que não têm um convênio médico, não são atendidas pelos 150 hospitais particulares que nós temos na cidade de São Paulo. Como eu disse, quando tinha... estava leve ainda a doença, elas não eram atendidas porque não tinha leito para atender, mas agora gente já consegue com os leitos de hospitais de campanha atender mesmo as pessoas com sintomas leves. Então, essa ação, ela é basicamente voltada para a população de periferia, que depende exclusivamente do SUS e das ações do poder público para poder ter chance de enfrentar essa pandemia também. Quero pedir a secretário Edson Aparecido para que possa complementar a resposta.

EDSON APARECIDO, SECRETÁRIO MUNICIPAL DE SAÚDE: Bom, a atuação do município de São Paulo, ela é conjunta a rede hospitalar nossa, que tinha 19 hospitais, agora nós temos 21 hospitais com toda a rede de atenção básica. A rede de atenção básica na cidade são mil equipamentos de saúde, 84 mil profissionais que desde o dia 11 de janeiro tiveram todo um processo de treinamento, de capacitação e de readequação do sistema, que como nós reduzimos, por exemplo, cirurgias eletivas, deter minados tipos de acompanhamento fez com a gente... nos possibilitou, inclusive, transferir profissionais para a rede hospitalar. Então, é uma atuação conjunta. Aliás, não fosse essa atuação da rede de atenção básica na cidade, nós já teríamos uma pressão na rede hospitalar muito maior e teriam acontecido a muito mais tempo. Então, é uma atuação conjunta. Segundo, o caso específico do Grajaú e da Capela do Socorro lá nós tínhamos, por determinação do prefeito Bruno Covas, fizemos... iniciamos agora a processo de aluguel de leitos hospitalares, nós estamos alugando... nós estamos alugando o leitos, 70 leitos da Unisa, da universidade que tem ali no Grajaú e vamos abrir daqui 25 dias um hospital Bom Caminho das Irmãs Hospitaleiras, serão 120 leitos de UTI instalado s no Capão Redondo.

JOÃO DORIA, GOVENADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Bruno Covas. Obrigado secretário de saúde do município de São Paulo, Edson Aparecido. Sobre testagem, Beatriz, nós, na próxima segunda-feira, iniciaremos uma nova fase de testagem, mas esse será o grande tema de amanhã, da coletiva de amanhã da saúde, mas isso não impede que o Dr. José Henrique Germann, que aqui está, possa complementar a resposta à sua pergunta. Mas, amanhã, com a presença do Dr. Dimas Covas, presidente do Instituto Butantan, essa será o grande tema da coletiva, testagem. Dr. Germann.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO ESTADUAL DE SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Pois não. Obrigado, governador. O centro de contingência estabeleceu uma estratégia para a questão das testagens em toda a grande São Paulo e o Estado de São Paulo. Existem dois tipos de teste, como vocês sabem, aquele do PCR, que identifica o vírus com o paciente, ou seja, é ele que estabelece o diagnóstico. E existe o teste sorológico, que é aquele que determina o quanto o paciente reagiu a esta patologia e se apresenta algum tipo de def esa para permanente ou não, que ainda não se sabe. São dois testes diferentes que se aplicam em momentos diferentes. Um no início e o outro mais depois de uns 15 dias do início dos sintomas. Toda essa estratégia estará ampliada a questão da testagem em todo o estado estará ampliada dentro de uma estratégia. Isto será motivo de apresentação amanhã e de detalhamento e início dos trabalhos segunda-feira.

JOÃO DORIA, GOVENADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Dr. José Henrique Germann, secretário da saúde do estado de São Paulo. Obrigado, Beatriz Manfredini, da rádio Jovem Pan. Vamos agora a uma nova pergunta, ela é também presencial, da Rede TV, da jornalista Carolina Riguengo. Carolina, obrigado pela sua presença mais uma vez. Boa tarde. Sua pergunta, por favor.

CAROLINA, REPÓRTER: Boa tarde, governador, e a todos. Eu queria saber, uma vez que vocês estão ampliando tantos leitos aqui na capital, mas também já mencionaram a possível necessidade de utilizar leitos dos hospitais privados, e também do interior, como é que estão essas negociações? Obrigada.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Carolina. Eu vou passar a resposta ao doutor José Henrique Germann, secretário da Saúde do estado de São Paulo, se o Bruno Covas desejar intervir, na sequência. Doutor Germann.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DE SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Pois não, obrigado. Nós temos que seguir uma lógica estabelecida em lei, primeiro tem que estarem esgotados todos os hospitais próprios, depois nós temos que atuar junto aos hospitais filantrópicos, e depois uma vez também esgotado junto aos hospitais privados, assim chamados, lucrativos. Então essa é a sequência obrigatória por lei que nós temos que seguir. Quanto à questão do interior, nós temos um contingente de Santas Casa s, por exemplo, que são hospitais filantrópicos, e os hospitais municipais, além dos hospitais regionais do estado. Então em primeiro lugar, dentro desta lógica, para o interior, também será desta maneira, estaremos atuando nos hospitais regionais, do estado de São Paulo, Santas Casas e hospitais filantrópicos, municipais e posteriormente havendo necessidade também, na iniciativa privada.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, doutor José Henrique Germann, secretário da Saúde do estado de São Paulo. Vamos agora à complementação da resposta, Carolina, pelo prefeito Bruno Covas.

BRUNO COVAS, PREFEITO DA CIDADE DE SÃO PAULO: Aqui na cidade nós começamos com um decreto que obriga os hospitais privados a informarem à prefeitura qual é a sua taxa de ocupação de leitos de UTI, para que a gente pudesse ter um número para saber se isso é viável ou não. Depois nós passamos por um chamamento feito pela Secretaria Municipal de Saúde, que estabeleceu um preço público para pagar a utilização desses leitos pela rede pública. Depois nós já começamos a assinar conv&e circ;nios com alguns hospitais da rede privada para poder utilizar os leitos deles, já fizemos, como mencionou aqui, com o secretário Edson Aparecido, com a Unisa, mas também já fizemos com a Cruz Vermelha. Então são dois hospitais privados que nós já temos leitos que estão na regulação já da rede pública do município. E se for o caso, a gente pode chegar e requisitar esses leitos, daqueles que não queiram negociar com a Prefeitura de São Paulo. Então a gente já está atento à essa questão, e já tomamos três medidas, podendo chegar até eventualmente requisitar a utilização desses leitos.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, prefeito Bruno Covas. Carolina Riguengo da Rede TV, obrigado pela sua pergunta. Nós vamos agora à última pergunta de hoje, mas antes eu queria pedir desculpas ao jornalista Xandu Alves, do Jornal O Vale, lá de São José dos Campos. Xandu, hoje nós estamos com o tempo um pouco mais limitado, peço perdão. Mas vi que até uma das suas perguntas foi já respondida na minha intervenção inicial, e amanhã, obviamente, nós tentaremos privilegiar a sua pergunta online, mas pedimos desculpas por não fazê-la hoje nesta tarde. Vamos agora à última pergunta, que é do jornalista Willian Cury, da TV Globo e Globo News. Will, boa tarde, mais uma vez. Obrigado pela sua presença, sua pergunta, por favor.

WILLIAM CURY, REPÓRTER: Boa tarde. Ontem foi informado que nós passamos de 2 mil mortes aqui no estado de São Paulo, na coletiva da saúde, lembro que foi no dia 19 que nós ultrapassamos mil mortes, 32 dias depois da primeira morte. E aí os outros mil chegaram em apenas oito dias, depois do dia 19. Queria saber, se agora a gente entra de fato na fase mais crítica do Coronavírus aqui em São Paulo? Porque a curva está mais sensível aos olhos de todos, subindo. E temos uma ocupação de leitos que ontem era de 81% na região metropo litana, hoje já está em 85%. Então eu queria saber se essa agora é a fase mais crítica da doença aqui no país? Se dá para saber, tendo em vista a crescente ocupação de leitos e UTI, que são os leitos mais importantes no tratamento do Coronavírus, quando que a grande São Paulo estará saturada em relação aos leitos de UTI? E ainda na mesma pergunta, porque nós perguntamos acho que há umas duas, três semanas, sobre o compartilhamento de informações dos hospitais privados, com a rede pública, esse dado é da rede pública de São Paulo, na rede privada, qual que é a situação? Há informações do estado em relação à rede privada? Se a situação é mais combustível? E se saturando a rede pública pode-se usar os leitos pr ivados para evitar o caos? Obrigado.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: William Cury, da TV Globo, Globo News, vamos responder por partes. Eu faço uma breve introdução na resposta, e depois, obviamente, passo à Saúde, ao doutor David Uip, e ao doutor José Henrique Germann. A primeira parte da sua pergunta eu inicio a resposta, mas passo para a saúde, a resposta é sim, estamos iniciando a fase mais dura e mais difícil do Coronavírus, e da infecção, e lamentavelmente também do número de mortos. Não é apenas em São Paulo, é no Brasil. Aliás, esse alerta foi feito pela saúde várias e várias vezes aqui, o que demonstra mais uma vez que nós não estamos nesta pandemia enfrentando nenhuma uma gripezinha, nem um resfriadozinho, estamos enfrentando um vírus que mata, e um vírus que infelizmente, nesse momento, não tem nem medicamento e nem vacina, tem apenas uma solução para salvar vidas, é ficar em casa e obedecer o isolamento social. Passo agora ao doutor David Uip, com comentários, se desejar, com o doutor José Henrique Germann.

DAVID UIP, COORDENADOR DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: Um fato importante que os cenários que vem sendo desenvolvidos, tanto para o centro de contingência, como secretaria de estado, e também a Patrícia Ellen, e o vice-governador, eles estão absolutamente mantidos. Aquilo que nós estávamos prevendo que pudesse acontecer, está se confirmando, tanto do ponto de vista de novos infectados, como também, infelizmente de novas mortes. Então são cenários que foram desenhados em cima de modelos matemáticos, curvas epidemiol&oacut e;gicas. E o que eu quero dizer com isso? Que o estado não foi surpreendido. Infelizmente essa é uma doença de imensa gravidade. Governador, eu quero fazer um depoimento pessoal, porque eu acho importante, agora como médico de linha de frente cuidando de doentes, é fundamental que esses doentes tenham acesso, e que sejam tratados da melhor qualidade, como são na rede pública e privada. Protocolos de atendimento, amanhã o professor Carlos Carvalho vai mostrar o protocolo de atendimento de doente grave em todo o estado de São Paulo, para a rede pública e para a rede privada. Do ponto de vista de pandemia, o que aconteceu? Em termos de hospitais privados, eles foram os primeiros a serem pressionados, então foram os brasileiros que estavam viajando e voltaram. Em um segundo momento, como nós esperávamos, a pandemia entrando em toda a população, inclusive na populaç&ati lde;o mais vulnerável, do estado de São Paulo e do Brasil. Então esse cenário foi desenhado desde fevereiro, e por conta disso o estado vem se preparando com medidas adequadas. Outro fato, e muito que eu quero comentar, mas eu acho que relevante, graças à essas medidas tomadas pelo o estado e dos municípios, nós conseguimos o achatamento da curva, não há nenhuma dúvida quanto a isso. Estamos postergando o pico, que pode ser uma montanha ou o pico do Everest, isso não está decidido, depende muito da adesão da população. Então uma assistência médica adequada e qualificada, eu incluo a assistência médica em todos os níveis, de enfermagem, fisioterapia, hospitais estruturados, UTI bem montadas. Daí o meu agradecimento dos 3 mil novos respiradores. E equipes treinadas. Isso é fundamental, do ponto de vista de atendim ento de doença grave.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: obrigado, doutor David Uip. Doutor Germann.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DE SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Então, o seguinte, nós temos, fazemos dentro daquilo que o doutor Davi Uip, a respeito do tratamento e de observação dos cenários, onde nós estamos indo exatamente como tinha sido previsto, vamos dizer assim, e aliás, foi projetado aqui. E isso nos deu a oportunidade de planejamento, e este planejamento foi como colocou o senhor vice-governador, e que tinham 1.500 leitos novos, depois 1.800 leitos novos, chegamos a 1.800 leitos novos, que é o que está com esses leito s que estamos trabalhando. Já existiam 3 mil, mas eles estavam parcialmente ocupados por outras patologias. Então hoje, quando nós atingimos aqui 85% de ocupação dentro das UTIs da grande São Paulo, uma vez que chegam esses respiradores, que é um fator crítico no estabelecimento do kit de tratamento para o doente, que é o leito de UTI, então a gente dá uma certa frouxidão na própria porcentagem de ocupação, então ela deve abaixar de acordo com o número de novos leitos, ou seja, que a gente coloca em serviço. Então uma vez ocorrido isso, que também como disse o vice-governador, desde março que nós estamos trabalhando nessa aquisição, então nós vamos trabalhando nesse balanço a respeito de ocupação e recursos. Ainda assim temos o interior, e nós podemos transferir para o interior, que tem uma taxa de ocupação menor. E aí dentro daquela especificação que eu coloquei, nós trabalhamos com leitos próprios na secretaria, são 100 hospitais, trabalhamos depois com hospitais filantrópicos, privados filantrópicos, e depois com privados lucrativos. Então nós temos obrigação de seguir esta sequência, seguindo esta sequência a gente esgotando cada um, terá então aumentando a capacidade de atendimento. Não temos grandes preocupações se a taxa de isolamento se mantiver dentro de 50% a 60% como estava acontecendo semanas atrás, ou uma semana atrás. Hoje nós temos esse sinal de alerta, nós temos esse sinal amarelo. Por quê? Por causa de tudo isso que eu expliquei. Então nós precisamos de fato, elevar a taxa de isolamento. Obrigado.< /p>

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, doutor José Henrique Germann, secretário de Saúde do estado de São Paulo. Obrigado, doutor David Uip, coordenador do comitê de saúde. Já no encerramento dessa coletiva, tenho que pedir desculpas duas vezes, uma à jornalista Natasha Mazaro, da CBN, a Natasha está online, também havia uma solicitação de pergunta dela, vou pedir ao nosso pessoal de imprensa, se a jornalista Natasha Mazaro, da CBN, desejar fazer uma pergunta amanhã, assim como o jornalis ta Xandu Alves do Vale, que possam ser privilegiados logo no início, para compensar o fato de não terem podido fazer as suas perguntas hoje, mas sempre com as nossas desculpas. E desculpas também à TV Gazeta, que eu não mencionei aqui a transmissão ao vivo, e ela está transmitindo ao vivo ao lado da TV Cultura, Band News, Rede Brasil, TV Alesp, e Jovem Pan. E também agradeço à TV Globo, Globo News, TV Record, Record News, SBT, Rede TV, TV Bandeirantes, Rádio Bandeirantes, Rádio Band News, pelos flashs enviados aqui do Palácio dos Bandeirantes nesta tarde. E eu quero finalizar com uma mensagem do Presidente Jair Bolsonaro. Presidente, ao invés de treinar tiros em horário de expediente de trabalho, treine compaixão, pegue o seu avião, se não quiser vir a São Paulo, vá a Manaus, vá à Manaus e visite um hospital público de Manaus, fale com pais, parentes e amigos das pessoas que estão ali em tratamento. E depois visite um dos cemitérios de Manaus, onde já foram enterradas mais de 150 pessoas nas últimas semanas. E dialogue também, com o prefeito de Manaus, e o governador do estado do Amazonas, certamente o senhor será melhor reconhecido pelo seu povo, pelo povo brasileiro, ao invés de treinar tiros, treinar compaixão. Muito obrigado, uma boa tarde a todos.