Coletiva - Governo de SP inicia as obras da fábrica que produzirá Coronavac no Brasil 20200911

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Coletiva - Governo de SP inicia as obras da fábrica que produzirá Coronavac no Brasil 20200911

Local: Capital - Data: Novembro 09/11/2020

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JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Tudo bem, pessoal. Antes de começar a coletiva, eu queria só informar a vocês, as pessoas que estão fora do púlpito, mas estão aqui também, estarão à disposição de vocês. O Marco Vinholi, secretário de Desenvolvimento Econômico, secretário de Desenvolvimento Regional. Cadê o Vinholi? Está por aqui, mas, enfim. Coronel Camilo, secretário executivo de Segurança Pública do estado de São Paulo. Levanta só o braço, Camilo, para o pessoal poder ver. Júlio Serson, secretário de Relações Internacionais. Está aqui atrás. O Cleber Mata, secretário de Comunicação. Regina Esteves, presidente da Comunitas, está logo aqui na primeira fila. O Rui Curi, que é o presidente da Fundação Butantan está aí. Obrigado, Rui. O Reinaldo Sato, superintendente da Fundação Butantan, que está conosco. O Raul Machado que é diretor de estratégia institucionais da Fundação Butantan. O Gilberto de Pádua, que é o chefe de gabinete da Fundação Butantan. E vou pedir ao Dimas para apresentar os dois representantes do Laboratório Sinovac que estão aqui conosco. Eu estive com eles agora há pouco. É só apresenta-los, nós não estamos ainda na coletiva. Deixa só eu ligar o microfone aqui dele.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: O Sr. Meng, que é vice-presidente da Sinovac e o Sr. Chan que é o interprete mandarim-português, português-mandarim.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Bem-vindos. Welcome. Bem, agora sim vamos dar início a nossa coletiva de imprensa, hoje aqui no Instituto Butantan, em São Paulo. Participam dessa coletiva o presidente do Instituto Butantan, Dimas Covas; Wilson Mello, presidente da Investe São Paulo; Jean Gorinchteyn, secretário de Saúde; Patrícia Ellen, secretária de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia; e também os médicos José Medina, coordenador do Centro de Contingência do Covid 19; e João Gabbardo, coordenador executivo do Centro de Contingência do Covid 19. Na verdade, temos aqui quatro cientistas, Jean Gorinchteyn, Dimas Covas, José Medina e João Gabbardo. Na coletiva de hoje temos duas informações muito importantes. Eu como jornalista, eu diria que temos aqui dois lides importantes para a imprensa e para a opinião pública brasileira. Primeiro, iniciamos no último dia 02 de novembro as obras da primeira fábrica de vacinas contra Covid 19 da América Latina, aqui no Instituto Butantan. Acabei de visitar a fábrica, é uma instalação que já existia no Instituto Butantan, está sendo totalmente remodelada, vocês terão informação sobre isso. E ali nós teremos a produção da vacina aqui no Brasil. Portanto, hoje é um dia histórico para São Paulo e para o Brasil com o início das obras dessa nova fábrica da vacina do Butantan contra a Covid 19, em conjunto com o Laboratório Sinovac. É um passo fundamental que consolida ainda mais o Instituto Butantan e o Brasil na liderança mundial no desenvolvimento e inovação tecnológica para a produção de vacinas. Todos sabem, mas vale a pena relembrar, que o Instituto Butantan é o maior produtor de vacinas da América Latina e o maior produtor de vacinas contra a gripe de todo hemisfério sul do planeta, uma instituição que agora em fevereiro completa 120 anos de existência e faz jus a sua história com a projeção que alcançou no mundo científico internacional. Esta nova fábrica da vacina terá 10 mil metros quadrados de área e capacidade de produzir 100 milhões de doses da vacina contra a Covid 19 por ano. As obras começaram agora, dia 02 de novembro, a previsão é de 10 meses de obra, e a fábrica estará pronta em setembro de 2021. Toda implantação dessa fábrica está sendo feita com recursos privados, em doações sem contrapartida de 24 empresas de diferentes setores da economia brasileira, sendo empresas nacionais e multinacionais. Eu pessoalmente conduzi o processo de arrecadação de founding com essas empresas e com a colaboração da Comunitas, que está aqui representada pela sua presidente executiva, que é a Regina Esteves, que nos ajudou e nos ajuda muitíssimo. Regina, mais uma vez muito obrigado pelo seu apoio, apoio da Comunitas, e a contribuição também da maioria das empresas que integram a Comunitas. A Investe São Paulo, a empresa de fomento do estado de São Paulo, dirigida pelo Wilson Mello, cuidou também da mobilização e igualmente do convite para as duas auditorias. Há duas auditorias contratadas, mas elas são voluntárias, ou seja, são empresas que doam seus serviços a este projeto, a Pricewaterhouse, que audita todas as doações que ingressam no Instituto Butantan, independentemente da empresa de auditoria da Fundação Instituto Butantan, então teremos duas auditorias para o ingresso, o in come in de recursos, e a obra é auditada pela Falconi. Então temos na verdade três auditorias. Duas que avaliam todas as doações que chegam ao Instituto Butantan para essa finalidade especifica e a outra que audita a obra. E sobre isso o Wilson Mello e o Dimas Covas falarão na sequência. A segunda grande informação é que nós podemos afirmar que agora sim as primeiras doses da vacina Coronavac chegam ao Brasil no dia 20 de novembro e esta data está confirmada. A Anvisa, Agência Nacional de Vigilância Sanitária, já havia autorizado, nós já tínhamos comentado isso com vocês, a própria Anvisa já havia emitido comunicado também, e agora as autoridades sanitárias da China, a Anvisa chinesa, também deu autorização para a importação pelo Instituto Butantan dos lotes, seis milhões de vacinas. Sendo que as primeiras 120 mil doses chegam no dia 20 de novembro no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo. As doses virão em lotes e até 30 de dezembro nós teremos as seis milhões de vacinas aqui em São Paulo. Temos também os insumos da vacina, sobre isso falará Dimas Covas, que representam mais 40 milhões de doses de vacina. Essas doses da vacina através dos insumos serão apresentadas aqui pelo Dimas Covas, presidente do Instituto Butantan. Mas o fato é que temos aqui um lide, as primeiras vacinas contra Covid 19 chegam ao Brasil no dia 20 de novembro. Quero esclarecer aqui que nós seguimos e vamos continuar a seguir rigorosamente os protocolos da Anvisa, Agência Nacional de Vigilância Sanitária, para a aplicação da vacina. A vacina só será levada ao público, às pessoas, após autorização final da Anvisa. Dada essas duas informações muito importantes, nós vamos começar falando sobre a saúde com o secretário da Saúde, Jean Gorinchteyn, que vai esclarecer inclusive o tema das informações. E esclarecer também que a ausência de dados desses últimos dias não se deve a Secretaria de Saúde e nem ao governo de São Paulo, mas sobre isso falará Jean Gorinchteyn, secretário da Saúda de São Paulo. Jean.

JEAN GORINCHTEYN, SECRETÁRIO DA SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO DO ESTADO DE SÃO PAULO: Boa tarde, governador. Boa tarde, a todos. Estamos na 46ª semana epidemiológica. Hoje temos um dia importante na história da pandemia no nosso país, que é o início, o marco de início da construção da fábrica das vacinas do Covid no Instituto Butantan. Esse, na verdade, é um marco de esperança, esperança de que possamos retomar a nossa vida normal. Esperança de que sonhos e vidas deixem e continuem sendo destruídas. Coronavac é a vacina do Butantan e é uma das vacinas mais adiantadas na fase de estudo, na fase três, na fase clínica. Demonstrando não apenas segurança, mas um efeito imunogênico que é a produção de anticorpos protetores em quase 98% daqueles que receberam a sua segunda dose. Em nenhum momento, qualquer estudo foi interrompido em decorrência de algum efeito adverso grave. Logo teremos abertura dos resultados e aí sim poderemos comprovar o quanto é uma vacina eficaz, o quanto ela é capaz de proteger as pessoas que a tomaram do próprio Covid. O Instituto Butantan é um instituto de São Paulo, é um instituto do Brasil, ele é um instituto para brasileiros, que produz vacinas para o programa nacional de imunização. E ainda, como disse o governador, esse mês teremos a vacina do Butantan disponível no nosso país. Informo que desde a última sexta-feira não estamos sendo fomentados com os dados pelo Ministério da Saúde, que é o sistema Sivep Gripe por problemas técnicos. Assim como nós, alguns outros estados também não estão recebendo esses dados e dessa forma há pouco enviei um ofício ao Ministério da Saúde solicitando a imediata retomada do sistema de notificação para que possamos acompanhar atentamente a evolução da pandemia no nosso estado. Muito obrigado.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito obrigado. Neste primeiro tema, então, um esclarecimento importante que as informações não estão sendo processadas pelo Ministério da Saúde por razões que desconhecemos, recomendamos já feito o encaminhamento hoje de correspondência ao Ministério da Saúde indagando, solicitando, providências necessárias para que este procedimento possa ser retomado na normalidade. Suponho que os outros estados que também estão vivendo o mesmo problema devam estar fazendo o mesmo gesto, ou seja, indagando ao Ministério da Saúde as razões pelas quais os dados não estão sendo consolidados e disponibilizados à imprensa e a opinião pública de forma geral. Nós vamos agora ao Dimas Covas, que é o presidente do Instituto Butantan, que faz um introito, nós vamos ter a seguinte roteiro, ele vai introduzir o tema da nova fábrica, na sequência o Wilson Mello, presidente da Investe São Paulo, fala sobre a nova fábrica, detalhes e exibe também imagens no telão que está aqui ao lado. Na sequência, voltamos ao Dimas Covas que fala da vacina e da chegada do primeiro lote de vacinas contra a Covid 19 no Brasil, que será o primeiro país da América Latina também a receber doses da vacina, aliás, perdão, primeiro país do continente, porque nem os Estados Unidos ainda tem doses da vacina contra Covid 19, mas isso será abordado pelo Dimas assim que terminar a intervenção do Wilson Mello. Então, com a palavra, Dimas Covas.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: Governador, inicio agradecendo a presença do senhor, da sua equipe aqui no Instituto Butantan. Nós estamos aqui nas instalações da Escola Superior do Instituto Butantan, é uma boa oportunidade inclusive para dizer que o Butantan, além de pesquisa, além de produção de vacinas e de soros, também tem uma atividade na área de ensino. Então nessa área aqui nós desenvolvemos os nossos cursos de doutorado, de mestrado, de especialização, de formação continuada dos nossos funcionários, e oferecimento de cursos para o público externo. Então nós estamos nas instalações da Escola Superior do Instituto Butantan. E, governador, além de hoje ser um dia histórico na saúde pública do Brasil, do estado de São Paulo e do Butantan, também é um dia que se acompanha de notícias importantes. Essa fábrica, governador, ela tem alguns aspectos inovadores que nós precisamos realçar. Primeiro, é uma fábrica multiproposta. Nesse primeiro momento ela vai produzir vacinas para o Covid, mas ela é uma fábrica que poderá produzir outras vacinas. E nesse aspecto, ela é muito avançada. Ela não é o habitual da indústria farmacêutica. Então nós tivemos o cuidado de preparar essa fábrica com essa visão, exatamente para que não ocorra o fenômeno da obsolescência, quer dizer, uma vacina pode, seu uso e se fica aí com uma fábrica que não pode ser rapidamente transformada em outra. Então, isso é um ponto importantíssimo. Segundo ponto: a forma como essa fábrica está sendo contratada. Pela primeira vez no Butantan, nós estamos utilizando o chamado [ininteligível] é você contrata o resultado do processo. Nós queremos uma fábrica com essas características, com essa capacidade produtiva, com essa qualidade. E aí os fornecedores se submetem ao processo de seleção, e isso com uma finalidade: garantir prazo e qualidade. Isso não é o habitual, não é assim que nós trabalhamos geralmente no Brasil na área pública. Então isso é uma grande inovação e que decorre da parceira público-privada. Nessa empreitada, nós temos a colaboração da Comunitas e da Fundação Butantan, que são entidades privadas que contribuem com o Instituto Butantan nessa empreitada. Então, esse mecanismo, essa iniciativa é importante, porque é um avanço na área de gestão pública, e acho que nós devemos aprender com essa experiência e usá-la mais frequentemente.

Então, são essas informações, governador. A fábrica terá a sua fase de construção até setembro e depois ela entra na chamada qualificação. Na qualificação, ela entra em operação para receber o certificado de boas práticas de fabricação. Recebendo esse certificado, o que deve acontecer até o final de 2021, ela inicia a produção da vacina. E produzirá a vacina desde o momento zero até o momento final, que é a entrega ao consumidor, então esse também é um ponto importante, porque nem todas as transferências estão sendo feitas nessa visão. Obrigado, governador.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito obrigado, Dimas Covas, presidente do Instituto Butantan. Antes de passar a palavra a você, Wilson Mello, presidente da Investe SP, nós estamos agora no ar ao vivo com a TV Cultura e, por respeito aos telespectadores que estão nos acompanhando, duas informações importantes estão sendo apresentadas hoje aqui, na sede do Instituto Butantan, na capital de São Paulo. Primeiro, o início da nova fábrica da vacina Covid-19, aqui no Instituto Butantan, fábrica cujo orçamento é correspondente a R$ 142 milhões, dos quais os recursos destinados a essa fábrica virão do setor privado. Iniciamos, no dia 2 de novembro a construção dessa fábrica, aproveitando instalações já existentes fisicamente, o que permite uma velocidade maior e uma eficiência melhor na implantação desta fábrica da vacina do Covid-19. Será a primeira fábrica da vacina em todo o continente latino-americano, e mais uma vez o Instituto Butantan, instituição com 120 anos de vida e credibilidade internacional, dá um salto na ciência com a implantação dessa fábrica, que será entregue pronta em setembro do próximo ano. E a segunda informação, segunda e importante informação também, as primeiras doses da vacina Coronavac, a vacina do Butantan com o laboratório Sinovac, chegam no dia 20 de novembro em São Paulo, 20 de novembro deste ano, aqui em São Paulo, já com autorização da Anvisa, Agência Nacional da Vigilância Sanitária, e também da Anvisa chinesa. Essas vacinas, no primeiro lote, vão compor seis milhões de doses da vacina Coronavac, para a imunização dos brasileiros e a proteção de suas vidas. A vacina salva. Quero ressaltar, no entanto, que as vacinas só serão aplicadas após o término dessa terceira e última fase de testagem, que já está na sua etapa final, e mediante a aprovação da Anvisa. O Butantan, o Governo do Estado de São Paulo, seguem o protocolo internacional da Organização Mundial de Saúde e seguem também o protocolo da Anvisa.

E agora, falando sobre a nova fábrica que hoje tivemos oportunidade de visitar aqui, a sua implantação, no Instituto Butantan, na capital de São Paulo, fala Wilson Mello, que é o presidente da Investe SP, agência de fomento do Estado de São Paulo, que está na coordenação deste trabalho, com o apoio de 24 doadores do setor privado e a inestimável cooperação da Comunitas, instituição do terceiro setor, representada por empresas privadas que têm nos ajudado, e muito, na obtenção deste resultado. Wilson Mello.

WILSON MELLO, PRESIDENTE DA INVESTE SP: Boa tarde, governador, boa tarde, Dimas Covas, nosso anfitrião no dia de hoje, parabéns pelas instalações do Butantan. Como foi dito mais cedo aqui, hoje é um dia histórico para o Brasil, é o dia em que nós anunciamos e celebramos o início das obras de construção da nova fábrica do Butantan. Nós já falamos aqui que a fábrica do Butantan é a nossa independência produtiva da vacina contra o Corona Vírus. Nós precisamos ter a capacidade de produzir desde o início essa vacina, que é uma vacina que será fundamental para a retomada não só da vida normal, mas também da atividade econômica, para que as pessoas possam, assim, se sentir seguras para que as atividades regulares retomem o mais rapidamente possível. Como foi dito, essa, a fábrica, ela está sendo 100% financiada pela iniciativa privada. Nós fizemos um chamamento no mês de setembro, para que as empresas pudessem colaborar com o Governo de São Paulo e a fundação e o Instituto Butantan, porque nós precisávamos de agilidade, nós precisávamos da capacidade técnica do setor privado e, principalmente, da flexibilidade de contratação que somente o setor privado tem. Então, apenas em 30 dias, nós fomos capazes de movimentar, arregimentar o setor produtivo, o setor privado, para esse grande projeto.

No próximo slide, vocês vão ver que nós tínhamos uma meta original de R$ 130 milhões, essa era a meta que poderia nos dar a tranquilidade de iniciar a construção. Nós temos uma segunda meta adicional de R$ 30 milhões, que chegaríamos então a R$ 160 milhões. Essa segunda meta está em andamento e nós devemos rapidamente também fechar esse valor. São 24 doadores que já se comprometeram a R$ 130 milhões. Aqui um agradecimento muito especial à Comunitas, na pessoa da Regina Esteves, que tem liderado esse esforço pelo setor privado, que tem feito toda essa mobilização com o setor privado, explicando o grande retorno que essa fábrica trará para o setor privado, para o setor produtivo e também para o Brasil. No próximo slide, a gente tem aqui as 24 empresas que estão conosco nessa jornada, que fecharam os R$ 130 milhões. Nós temos ainda anúncios que serão feitos, para que a gente consiga chegar ao valor de R$ 160 milhões. É importante dizer, governador, que, apesar de serem recursos privados, a Comunitas liderou uma concorrência privada internacional. Esse processo foi um processo muito concorrido, sete empresas participaram desse processo, sendo que nós tivemos aí já na semana passada a conclusão dessa concorrência privada e a escolha do consórcio internacional que liderará a construção da fábrica do Butantan. É um consórcio formado por uma empresa espanhola e uma empresa brasileira, que já deram início ao processo construtivo. No próximo slide, aqui nós temos o cronograma da obra, então nós estamos ainda num processo de captação de recursos, já iniciamos a pré-execução da obra, vou trazer algumas fotos pra vocês na sequência. A execução da obra começa agora, junto com todo o processo de desmobilização e demolição do prédio existente, e nós temos então a previsão de entrega da fábrica no mês de setembro de 2021. Como o governador mencionou, nós temos auditorias externas, que fazem todo o acompanhamento, não só da obra, como também da questão dos recursos financeiros. Aqui, nós contamos com a PWC e a Falconi (F) nos ajudando em toda a parte da auditoria. Nós temos também uma empresa que está pro bono, fazendo a gestão da obra, uma empresa especialista, uma multinacional americana de nome [ininteligível], que tem acompanhado e que vai acompanhar todo o processo de construção, sendo os nossos olhos no processo construtivo. E temos também o apoio de advogados, que também de forma pro bono estão trabalhando nesse projeto, que é o escritório [ininteligível]. No próximo, governador, aqui o início do processo, mais uma, por favor.

Esse, o prédio que nós visitamos hoje e que começa a ser desmobilizado. Nós precisamos deixar esse prédio pronto para receber uma fábrica multipropósito, então nós estamos aproveitando a estrutura que já existe, física, toda a estrutura do prédio, mas nós precisamos limpar toda a área interna. Então, esse trabalho já começou, mais um por favor, mais um... E é isso, nós temos então o processo de desmobilização já iniciado e o consórcio vencedor inicia essa semana já o processo construtivo.

Era isso, governador, boa tarde e muito obrigado.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Wilson Mello, presidente da Investe SP. Antes de passar novamente ao Dimas Covas, presidente do Instituto Butantan, que falará agora sobre a chegada do primeiro lote de vacinas ao Brasil, vacina contra a Covid-19, sendo o primeiro país da América Latina a ter a vacina fisicamente presente, mas lembrando que deveremos aguardar a aprovação da Anvisa para a imunização dos brasileiros, e que o objetivo do Governo de São Paulo é vacinar os brasileiros de São Paulo e disponibilizar a vacina para todos os brasileiros do nosso país. Quero lembrar também que o Instituto Butantan já tem capacidade de produção da vacina, vai fazer isso com os insumos, que chegarão ao longo deste período, e o Dimas Covas vai comentar isso com vocês. E, independentemente da nova fábrica, para que fique claro aos que estão nos ouvindo, assistindo e acompanhando, que o Butantan já tem condições, e o fará de imediato, para a disponibilização da vacina. Esta nova fábrica da vacina do Butantan atenderá ao futuro próximo, às necessidades do Brasil e também de países vizinhos da América do Sul. Dimas Covas.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: Bem, governador, a segunda parte da notícia não poderia ser mais auspiciosa. Quer dizer, até a semana passada, nós estávamos lutando com as autoridades chinesas para que liberassem o mais rapidamente possível a exportação. Isto aconteceu na sexta-feira e hoje já se inicia esse processo de importação. E a primeira parte das vacinas prontas, vacinas já feitas lá na China, chega aqui no dia 20 de novembro. É um volume de 120 mil vacinas, que entrarão em todos os processos aí de acompanhamento, de controle de qualidade, de teste da logística. E, na sequência virão aí vários carregamentos, não só com as restantes 6 milhões de vacinas, como também com as restantes 40 milhões, na forma de matéria prima, de forma que nós, brevemente, iniciaremos a produção da vacina aqui no Instituto Butantan, num passo fundamental. Essa produção local, ela é necessária para que haja certificação posterior, juntamente com os estudos clínicos, perante a Anvisa. Então, iniciaremos ainda em novembro essa produção. O Butantan tem uma grande capacidade de produção, é capaz de produzir 1 milhão de doses por dia. Estamos produzindo, nesse momento, 1 milhão de doses já do primeiro componente da vacina da gripe. Novamente, o Butantan vai, esse ano, fazer mais um recorde, nós vamos produzir 85 milhões de vacinas da gripe para a vacinação de 2021. Então, essa notícia nos tranquiliza, mostra que todo o processo, o fluxo de importação da China, está já regularizado, e agora é receber esse material e começar a trabalhar o mais rapidamente possível. Cada dia importa e é isso que nós estamos fazendo aqui no Butantan. Então, gostaria de agradecer muito a diretoria da Fundação Butantan, que tem trabalhado incansavelmente para trazer essa vacina. Obrigado.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito obrigado, Dimas Covas. Parabéns ao Instituto Butantan e à Fundação Instituto Butantan também. E nós muito felizes por termos seguido a orientação correta. Todos se lembram que, desde o dia 26 de fevereiro, quando tivemos o primeiro caso constatado de uma pessoa com Covid-19, no Hospital Albert Einstein, naquela manhã, à tarde do mesmo dia já tínhamos o Comitê de Contingência, composto no primeiro momento por 10 membros, hoje tem 20 membros, e desde lá todas as orientações do Governo do Estado de São Paulo nascem e passam por esse Centro de Contingência do Covid-19. É uma das principais, se não, a principal razão de estarmos colhendo, [ininteligível], resultados positivos com o plano São Paulo e a redução no número de infectados, de mortes e de internações nos hospitais públicos e privados no estado de São Paulo. Vamos agora, eu vou ler aqui a relação em ordem dos veículos de comunicação que farão perguntas. Hoje todas elas serão presenciais começando pela Rádio Bandeirantes, CNN Brasil, TV Cultura, Agencia Reuter, Rede TV, Portal Metrópoles, Portal IG e a TV Globo e Globo News. Temos também jornalistas que estão acompanhando virtualmente pelas imagens da TV Cultura neste momento, mas infelizmente hoje, excepcionalmente não teremos perguntas virtuais. E a nossa próxima coletiva será na quinta-feira. A partir desta semana, as coletivas serão duas vezes por semana ao invés de três, como ocorriam anteriormente. Sempre as segundas e quintas-feiras as 10h45 da manhã direto do Palácio dos Bandeirantes em São Paulo. Hoje foi uma excepcionalidade justificada amplamente pelos dois anúncios de grande importância que foram aqui feitos na sede do Butantan. Vamos, então, as perguntas da Rádio Bandeirantes e da Radio Band News com a Maira. Maira, muito obrigada pela sua presença mais uma vez. Sua pergunta, por favor.

MAIRA DI GIAIMO, RÁDIO BANDEIRANTES: Bom, boa tarde, governador, boa tarde a todos. Eu queria saber se houve novas conversas sobre aquele recurso que seria repassado pelo governo federal e qual o impacto se esse recurso realmente não vier. Além disso, eu queria saber se com todos esses novos dados, já há uma nova estimativa para a gente mensurar ali, quando seria o início da vacinação. Se a gente conseguiria ter esse início. Eu fiquei com uma dúvida em relação aos insumos. Tem a data de quando o primeiro lote com os insumos vai chegar? Porque o senhor diz que a produção começaria em novembro. Então, os insumos também começam a chegar aqui em novembro? E também queria saber, por último, uma análise de vocês sobre os resultados que saíram hoje da Pfizer. Obrigada.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito bem. Maira veio embalada hoje. Trouxe só quatro perguntas, mas vamos a elas. Eu vou aqui compartilhar. Recursos do Governo Federal, a resposta será dada pelo Jean Gorinchteyn. Insumos, pelo Dimas Covas. Vacinação, pelo José Medina e analise também da Pfizer pelo Medina e pelo João Gabbardo. Evidentemente qualquer um dos médicos que aqui está poderá complementar e intervir, então, começando as respostas das quatro perguntas da Maira com Jean Gorinchteyn sobre recursos do Governo Federal.

JEAN GORINCHTEYN, SECRETÁRIO DA SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO DO ESTADO DE SÃO PAULO: Maira, nós tivemos, em um dos encontros que tivemos no Ministério há várias semanas a referência de 84 milhões que seria ofertado para auxilio da fábrica. Até o momento esses recursos não foram disponibilizados. Então, até o momento nós não temos esse recurso e de toda sorte, toda a movimentação que tem sido feito hoje, ela como foi muito bem-dito, ela teve a ampla participação do capital privado que aportou no momento de crise pandêmica o apoio ao governo do estado de São Paulo.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Jean. Antes de passar ao Dimas Covas, eu queria fazer uma pequena correção. Por um lapso eu falei as entrevistas as 10h45. São 12h45. Horário normal das coletivas, 12h45. Maria Manso ficou preocupada, tensa. 12h45, as segundas e quintas-feiras. Na próxima quinta-feira, 12h45, horário normal. Hoje que foi uma excepcionalidade, começamos 12h30 e também o local. É a primeira vez que fazemos a coletiva aqui no Instituto Butantan. Elas continuarão a ser feitas lá no Palácio dos Bandeirantes. Vamos, então, agora a segunda pergunta da Maira, da Radio Bandeirantes, sobre os insumos para a produção de 40 milhões de vacinas com o Dimas Covas.

DIMAS COVAS, DIRETOR DO INSTITUTO BUTANTAN: Maria, da mesma forma que tem que ocorrer a autorização da China para a exportação desse produto e hoje nós tivemos a grata surpresa, ainda extraoficial, porque não chegou o documento assinado, mas de que foi aprovado também a exportação da primeira partida de matéria prima correspondente a 1 milhão e 200 mil vacinas. Essa matéria prima deve chegar aqui ao Butantan para iniciar a produção até o dia 27 desse mês. Então, essa é a previsão e a partir daí uma sequência que totalizará até janeiro 6 embarques compreendendo o restante das 40 milhões de doses que serão formuladas aqui no Butantan.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Dimas. Agora a terceira pergunta da vacinação. Vou pedir ao João Gabbardo. Como todos sabem, Gabbardo foi secretário executivo do Ministério da Saúde na gestão do, então, ministro Luiz Henrique Mandetta e ao nosso convite hoje é o coordenador executivo do centro de contingência do Covid 19 do estado de São Paulo. Gabbardo.

JOÃO GABBARDO, COORDENADOR EXECUTIVO DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19 DO ESTADO DE SÃO PAULO: Boa tarde, governador. Boa tarde aos que acompanham a coletiva. Essa informação da Pfizer é uma informação muito importante, muito positiva pelo resultado que ela apresenta já nessa primeira análise da fase 3, preciso destacar que a fase 3 dessa vacina, ela está sendo feita no Brasil como em outros cinco países, então, são seis países que estão participando da fase 3, Brasil, Estados Unidos, mais quatro e Pfizer está usando, tem quase 50 mil voluntários. Tem mais de 40 mil voluntários. Então, a Pfizer já atingiu no mundo o número 94 de pacientes positivos para o Coronavírus e dessa forma conseguiu fazer a comparação entre o grupo controle e o grupo que recebeu a vacina para identificar a eficácia. É um pouco diferente da situação da nossa vacina que está sendo feita, que está sendo testada a fase 3 no Brasil e que vai facilitar muito para as autorizações necessárias pela Anvisa. Essa vacina, no nosso entendimento, nós ainda estamos mais adiantados neste processo. Não temos ainda condições de falar em eficácia porque nós não atingimos o número mínimo necessário para que seja aberto a análise do primeiro, da primeira fase dessa vacina, dessa fase 3. Mas estamos próximos e nós acreditamos que em breve teremos condições de já começar a apresentar, divulgar os resultados da primeira fase, da fase 3 da nossa vacina no Brasil. Mas enfim, é uma notícia muito boa e isso nos deixa muito otimistas em relação ao resultado, não só desta como das outras vacinas. Nós vamos precisar de todas as vacinas para poder imunizar toda a população que vai necessitar estar protegida para que a gente possa voltar na nossa normalidade. Obrigado.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Gabbardo. E agora o doutor José Medina sobre o tema da analise referente, ou melhor, complementando porque o Gabbardo já falou também sobre o tema da Pfizer. Quer fazer algum comentário, Medina? Ok. Ele endossa as colocações do Gabbardo. Maira, obrigado pelas perguntas. Vamos agora a Bruna Macedo da CNN Brasil. Bruna, boa tarde. Sua pergunta, por favor.

BRUNA MACEDO, CNN BRASIL: Eu queria saber com relação à tecnologia da CoronaVac, que ela já chegou aqui em São Paulo ou ainda não chegou? Porque parece que existe essa questão. A gente precisa primeiro da tecnologia para começar a produção da CoronaVac. Queria saber se essa transferência de tecnologia já foi feita. E com relação ao termino das obras, setembro do ano que vem. Mas antes disso a gente já vai conseguir ter uma expressiva capacidade de produção da vacina caso a autorização da Anvisa saia para que, de fato, enfim, ela seja autorizada e levada ao público?

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Bruna. O Dimas Covas responderá as duas. Na segunda, eu fiz até essa observação na minha intervenção, mas é sempre bom esclarecer porque eu tinha certeza que essa dúvida poderia existir e é bom você perguntar por que melhora a capacidade de esclarecer a opinião pública sobre isso. Então, nas duas questões, Dimas Covas.

DIMAS COVAS, DIRETOR DO INSTITUTO BUTANTAN: Bruna, o Butantan detém essa tecnologia. Então, a fase que será feita aqui no Butantan já está operacional. Nós só estamos aguardando a chegada da matéria prima. Chega hoje, dá para começar depois de amanhã. Ou seja, estamos aptos a proceder esse processamento, essas 40 milhões de doses, até 1 milhão de doses por dia, dependendo das necessidades. Com relação à capacidade, quer dizer, nós já anunciamos que se houvesse tido uma manifestação clara por parte do ministério da saúde, nós poderíamos entregar até maio 100 milhões de doses e isso ainda está no horizonte. Nesse momento nós temos essas 46 milhões, temos já mais 15 milhões até fevereiro e se for necessário a completar as 100 milhões até maio. Então, tudo isso está dentro do que já foi previamente acordado com o nosso parceiro Sinovac. A fabrica, ela vai fazer um outro processo. Um processo que vai do zero até a fase final e ela só vai entrar em operação no final de 2021. Mas até lá nós teremos 100 milhões e obviamente a partir de maio pode ser feito acréscimos nos volumes se forem necessários.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito bem. Bruna, obrigado pelas perguntas. Bruna Macedo da CNN Brasil. Vamos agora a você, Maria Manso da TV Cultura. Maria, boa tarde. Obrigado pela sua presença. Sua pergunta, por favor.

MARIA MANSO, TV CULTURA: Boa tarde a todos. Parabéns pelo dia. Eu queria saber essas 120 mil doses que chegam daqui a 11 dias. Elas vão para onde? Vão ficar estocadas de que maneira? Vão ficar aqui no Butantan? Vão para o Ministério da Saúde, que é quem faz a imunização? Por favor.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Maria. Dimas Covas.

DIMAS COVAS, DIRETOR DO INSTITUTO BUTANTAN: Bom, elas vão ficar em São Paulo por uma questão de segurança. Eu não vou revelar exatamente aonde elas vão ficar e vocês até conseguem imaginar por qual motivo. Serão vacinas guardadas com uma segurança muito grande dada a sua importância nesse momento. Então, ficarão em São Paulo, no estado de São Paulo.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito bem. Maria Manso, obrigado pela pergunta. Vamos agora a Agencia Reuters com o Pablo Garcia. Pablo, cadê você? Aqui. Pablo, obrigado pela sua presença. Boa tarde, sua pergunta, por favor.

PABLO GARCIA, AGENCIA REUTERS: Eu queria saber se vocês esperam que os resultados em fase 3 repitam a eficácia de 98% detectados em estudos anteriores? E qual a expectativa para os primeiros resultados do teste em fase 3 do cronograma?

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Ok. Vou dirigir também ao Dimas Covas as duas perguntas. Se algum dos médicos aqui desejar fazer alguma complementação, por favor. Dimas.

DIMAS COVAS, DIRETOR DO INSTITUTO BUTANTAN: Pablo, esses 98% eles dizem respeito a indução de imunidade. Quer dizer, ela é efetiva na indução de imunidade e mais de 60 mil pessoas já vacinadas nessa proporção. Quer dizer, mais de 98% nessa população tiveram uma resposta imunológica adequada para a proteção. Então, isso é um dado de indução de resposta imunológica. Não é um dado de eficácia. Dado de eficácia é como esse que apareceu na Pfizer. Depende da incidência da infecção na coorte, na população de pessoas e no estudo. Então, nesse comento que nós temos mais de 10 mil pessoas já em acompanhamento, estamos aguardando que entre essas pessoas apareçam no mínimo, nesse momento, 61 casos de Covid que pode acontecer naqueles que tomaram a vacina ou naqueles que receberam o placebo e é exatamente essa comparação que permite definir a eficácia. Se o grupo que recebeu a vacina foi protegido, foi protegido da doença, isso significa que a vacina foi eficaz. Então, nós estamos aguardando o aparecimento desse número que pode acontecer a qualquer momento. Quer dizer, a qualquer momento nós podemos atingir esse número e aí sim, é encaminhar os dados para registro inicial da vacina.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Dimas. Muito obrigado, Pablo, pelas perguntas. Vamos agora a Rede TV, com a Carolina Riguengo. Carolina, boa tarde. Sua pergunta, por favor.

CAROLINA RIGUENGO, REDE TV: Olá, boa tarde a todos. Minha pergunta vai para os representantes da saúde. Na semana passada vocês contaram para a gente que o vírus, até agora já tem mais de 300 mutações. Enquanto isso a vacina segue em paralelo. Que garantia nós temos que a hora em que a vacina estiver completamente pronta para ser distribuída essa mutação vai acompanhar a necessidade, não sei se eu estou me fazendo bem entendida. Se ela vai ser eficaz o suficiente para o momento em que o vírus estará, já que ele é RNA. Ficou claro? Hoje eu vou fazer só essa e não vou pedir música e nem o gol do domingo.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Perfeito. Obrigada, Carolina. Por enquanto quem está pedindo música é a Maira que abriu com quatro perguntas, mas a sua pergunta, embora complexa, ela é bastante importante ser esclarecida. Vou pedir ao Jean Gorinchteyn, todos sabem, o Jean Gorinchteyn é médico infectologista do Instituto Emílio Ribas, e agora também ocupando a Secretaria de Saúde do estado de São Paulo. Jean.

JEAN GORINCHTEYN, SECRETÁRIO DA SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Carolina, todas as vezes que nós olhamos e avaliamos as mutações que foram encontradas no COVID-19, pelo mundo, que na verdade, o SARSCOV-2, ele apresentou pequenas alterações, não tão alterações da sua genética, como nós vimos anteriormente em 2002, em 2012, 2013, e atualmente. Quer dizer, são variações estruturais mínimas, que fazem com que esse vírus continue tendo a mesma característica que nós chamamos antigênica, ou seja, a mesma estrutura, e por isso à medida em que eu vou produzir os anticorpos que estão aí disponíveis, nós estaremos atuando contra esses vírus de uma forma, que nós chamamos cruzada. Então os anticorpos produzidos vão atuar, vão neutralizar aquele vírus de forma cruzada. Portanto, nós não identificamos nessas 300 espécies e mutações definidas, nenhuma mutação, nenhuma modificação do material genético que trouxesse alguma preocupação. Mas nós temos que lembrar, essa é a importância da transferência de tecnologia, porque vai ser natural na evolução, vai ser natural que assim como o vírus da gripe sofre algumas modificações estruturais criando um novo vírus, isso pode acontecer também para o COVID-19. Ou seja, é capaz que nos próximos meses, anos, nós precisamos inserir nessa vacina um outro vírus, assim como nós fazemos para a gripe, a gripe hoje nós inserimos três tipos diferentes de vírus que são dois Influenza A, e um Influenza B, exatamente por essas modificações. Me fiz entender?

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Jean. Carolina, obrigado pela pergunta. Vamos agora ao Portal Metrópoles, com o Rafael Vereda. Obrigado pela sua presença, boa tarde. Sua pergunta, por favor.

RAFAEL VEREDA, PORTAL METRÓPOLES: Boa tarde, governador. Obrigado, a todos. Eu gostaria de pedir que os senhores falassem um pouco sobre o momento da pandemia, e sobre o risco de uma segunda onda, como é que vocês estão vendo isso, o contexto dessa pergunta é político, a achar do candidato Celso Russomano tem dito nas propagandas e nas agendas que vai ser tudo fechado de novo depois das eleições, que ele já sabe, que já é um plano de governo. E hoje pela manhã o Presidente Jair Bolsonaro questionou se não seria uma tentativa de destruir de vez a economia, falar em segunda onda?

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Bem, Rafael, muito obrigado. Eu vou pedir para os médicos especialistas, cientistas falarem sobre isso, do momento da pandemia, e de perspectiva ou não da segunda onda, começando pelo João Gabbardo, e pelo José Medina, ou pelo Medina, sucedido pelo João Gabbardo. Medina.

JOSÉ MEDINA, COORDENADOR DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: Bom, obrigado pela pergunta. Obrigado, governador. Então este uma possibilidade de segunda onda, mas essa possibilidade ela não é uma possibilidade que tem alguma ideia concreta até o momento. O que nós estamos vendo no Hemisfério Norte, é uma relação muito clara entre a mudança de temperatura e a mudança do clima, com a segunda onda. Então nós analisamos na Rússia, na Suécia, nos Estados Unidos, no Canadá, e no Irã, que são países que tomaram medidas diferentes, e outros países da Europa que tomaram medidas diferentes de contensão da doença, e agora todos eles estão enfrentando o mesmo pico de doença, a pandemia com um pico muito mais acentuado do que na primeira onda. Então isso significa que deve ter um fator comum no Hemisfério Norte, que está levando a esses picos. Possivelmente isso está relacionado à mudança da temperatura, porque em todos eles têm uma relação bem clara entre a queda da temperatura e a subida do número de casos. Aqui no Brasil e no estado de São Paulo, essa possibilidade, essa alteração de temperatura está fora de contexto, o que está dentro do contexto é o comportamento nosso, o comportamento da população em relação aos cuidados com o uso de máscara, distanciamento e higiene das mãos. Mesmo assim, pode haver alguma subida do número de casos, mas possivelmente não com a mesma dimensão daquela que está acontecendo na Europa, e que leva à possibilidade de lockdown. Quem fala em lockdown está falando errado, não teve quando iniciou o número de casos aqui em São Paulo, no Brasil e em alguns lugares teve por um período muito curto, e também não deve ter nesse segundo momento, porque o aumento do número de casos não vai ser suficiente para saturar o sistema de saúde da forma como ele está organizado agora. Na França, que é o país que está com maior dificuldade, eles decretaram lockdown de maneira muito intensa, estão inclusive transferindo pacientes para outro país, porque o sistema deles está saturado, está em colapso. Isso no Brasil, a gente não imagina que vai acontecer, porque as condições de lá são totalmente diferentes, e o nosso inverno é um inverno que tem uma temperatura muito maior do que o inverno do Hemisfério Norte, e até lá, possivelmente nós já vamos ter vacina disponível. Então esse cenário é um cenário que nós estamos alertas, mas é um cenário que nós conseguimos para os próximos meses.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Ok. Então resposta feita, Rafael Vereda, muito obrigado pela sua intervenção, pela pergunta, e pela presença. Vamos agora ao Portal IG, com a jornalista Eduarda Steves. Obrigado por estar mais uma vez aqui conosco nas nossas coletivas. Boa tarde, sua pergunta, por favor.

EDUARDA STEVES, PORTAL IG: Boa tarde, a todos. Boa tarde, governador. Em uma pesquisa recente o Data Folha mostrou uma queda de interesse dos brasileiros pela vacina, 72% dos eleitores da cidade de São Paulo pretendem se vacinar contra a COVID-19, quando a vacina tiver disponível. Mas esse número cai para 57% no caso de uma vacina desenvolvida pela China. Como o governo de São Paulo pretende trabalhar para reverter esse quadro, inclusive com a grande circulação de fake news sobre o tema? Obrigada.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Eduarda. Essa eu mesmo respondo. Com campanha de conscientização, com a orientação que será feita através de uma campanha de comunicação, mostrando os valores e a importância da vacina, a importância das pessoas tomarem a vacina, se vacinarem, e a importância e a qualidade da vacina Sinovac, desenvolvida pela China, vamos fazer isso em televisão, em rádio, em portais de notícias, portanto, no mundo digital, jornais e revistas também. Ou seja, todos os veículos de comunicação, com uma forma, primeiro, de estimular a vacinação, e é uma forma positiva e construtiva, mostrar a importância e o valor de ser vacinado para proteger a sua vida, nós temos 72%, é um número elevado, mas nós desejamos que esse número ultrapasse 90% das pessoas que querem tomar a vacina. E subir também o grau de confiança e credibilidade na vacina do Butantã com o Laboratório Sinovac. E confiamos que a campanha vai nos ajudar neste sentido. Eduarda, obrigado pela pergunta. Vamos agora à última intervenção de hoje, a oitava, que é da TV Globo, Globo News, com o jornalista Guilherme Balza, prazer em rever você. Obrigado pela presença, sua pergunta.

GUILHERME BALZA, TV GLOBO: Governador, prazer. Boa tarde, a todos. Governador, houve alguma mudança no prazo de processamento dos testes PCR, que era de três dias, e agora aumentou para cinco ou seis dias? Eu queria que vocês explicassem. E sobre a questão da não atualização dos dados aqui no estado, a secretaria divulgou uma nota dizendo que é um problema com o Ministério da Saúde que não está divulgando as informações, repassando as informações, por questão de segurança, vírus, hacker, alguma coisa assim. Eu pergunto se é razoável que o estado tenha a maior qualidade de mortes, fique tanto tempo sem atualizar por causa de um problema desses, se é uma justificativa razoável? É isso.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Guilherme, eu começo a responder, e na sequência o secretário de Saúde do estado de São Paulo. Não é razoável que o Ministério da Saúde não dê condições ao governo do estado de São Paulo, através da sua Secretaria de Saúde, de informar corretamente os dados sobre a COVID-19, o problema não é do governo do estado, lamentavelmente, neste momento, o problema é do Ministério da Saúde. O Jean Gorinchteyn como secretário da Saúde, mantém uma relação direta com o Ministério da Saúde. Entendo, espero, eu diria até, suponho, que não seja uma forma deliberada de prejudicar o estado de São Paulo, que outros estados também estão na mesma situação. São cinco estados brasileiros com a mesma situação, até ontem, pelo menos. Mas estamos confiantes de que não havendo uma intenção deliberada de haver o prejuízo nas informações, que é um instrumento de clareza e transparência sobre a pandemia, para a opinião pública, que o Ministério da Saúde adote as providências imediatas para o reestabelecimento das informações, que são providas pelo governo do estado de São Paulo ao Ministério da Saúde. E a complementação se fará à sua pergunta, Guilherme, por aquele que comanda a Secretaria de Saúde, e que mantém essa relação diária com o Ministério da Saúde. Jean.

JEAN GORINCHTEYN, SECRETÁRIO DA SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Guilherme, primeiro em relação aos testes, nós tivemos semana passada a interferência de um dia de feriado, e isso acabou atrasando de 72 para 96 horas o envio dessas informações. Essa semana esses dados já estarão normalizados, como assim o foi, e o foram em outras ocasiões. Com relação à questão dos dados não atualizados, nós estamos inclusive querendo uma posição do próprio ministério, que como você mesmo falou, nós temos, e todas as métricas do plano São Paulo, de estratégias que são tomadas dentro da Secretaria de estado da Saúde, frente à cada uma das regiões, e individualmente a cada um dos municípios, nós precisamos ter essas informações até para que possamos fazer alguma interferência, não só uma inferência, como uma interferência. Nós estamos com Distrito Federal, o Amapá, o Amapá tem uma justificativa formal, o Espírito Santo, e nós temos mais um além do nosso, que me fugiu, enfim, mais algum estado, são cinco estados no total, incluindo o estado de São Paulo. Portanto, nós precisamos desses dados para instituir as estratégias de acomodação do COVID-19 na nossa região.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Guilherme, é importante também, quando nós falamos sobre isso, eu creio que você não estava aqui ainda, eu vi que você chegou um pouquinho depois de iniciada a coletiva. O que não tem nenhum problema, porque estabelece a necessidade de informar isso corretamente, nós já tínhamos dado essa informação logo no início da coletiva, mesmo antes das perguntas. E é importante que essa correção seja feita pelo ministério, não apenas em relação a São Paulo, mas também aos demais estados, para que o número seja fornecido independente do consórcio dos veículos de comunicação que tem dado as informações. É importante que o Ministério da Saúde reestabeleça as condições para as informações de todos os estados, especialmente São Paulo, é o estado com maior população do país, e ainda com o maior número de pessoas infectadas pela COVID-19. Quero também dizer a você o que já tínhamos dito anteriormente, mas é importante para os telespectadores e os assinantes da TV Globo, e da Globo News, que hoje o secretário Jean Gorinchteyn encaminhou agora na hora do almoço, ofício ao Ministério da Saúde, solicitando esta correção dos programas técnicos, ou da ordem que for, para que os dados possam ser disponibilizados à imprensa, e à opinião pública de maneira geral. Bem, com isso nós encerramos a coletiva de hoje, muito obrigado pela presença de todos, obrigado aos jornalistas, cinegrafistas, fotógrafos, técnicos, aos nossos convidados, aos que estão aqui na bancada, que vieram até o Instituto Butantã. A nossa próxima coletiva será na quinta-feira, às 12h45min. Fiquem bem, fiquem com Deus, por favor, usem máscara, façam distanciamento social, e respeitam as orientações sanitárias do governo do estado de São Paulo e da prefeitura da sua cidade. Muito obrigado, a todos.