Coletiva - Governo de SP montará hospital de campanha no complexo esportivo do Ibirapuera 20200704

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Coletiva - Governo de SP montará hospital de campanha no complexo esportivo do Ibirapuera

Local: Capital - Data: Abril 07/04/2020

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JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Bom dia. Ou melhor, boa tarde, já. Queria agradecer a presença dos jornalistas que aqui estão, cientistas, fotógrafos, integrantes da imprensa, aos que estão também online nos acompanhando aqui das suas casas, vocês que estão nas suas residências nos acompanhando aq ui no Palácio dos Bandeirantes em mais uma coletiva sobre o Coronavírus. Aqui nesta tarde, ao nosso lado, José Henrique Germann, secretário de saúde do estado de São Paulo. David Uip, coordenador do centro de contingência do COVID-19, do nosso comitê de saúde. Aqui ao meu lado também, Patrícia Ellen, secretária de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia. E a Célia Parnes, secretária de Desenvolvimento Social. No dia de hoje algumas mensagens, e na sequência alguns anúncios. As mensagens eu começo pela imprensa, hoje é dia dos jornalistas, hoje é dia da imprensa, queria registrar mais uma vez o excepcional trabalho que a imprensa brasileira vem realizando, não apenas aqui em São Paulo, mas em todo o país, na informação séria, criteriosa, apurada, e na informação isenta para a população brasileira nesta gravíssima crise do Coronavírus. Não fosse a imprensa livre, soberana, cuidadosa, e dedicada, em um período tão difícil, certamente teríamos na desinformação um desserviço à opinião pública e à saúde pública no Brasil. Graças ao trabalho da imprensa, de veículos de comunicação regionais, e especialmente os nacionais, temos conseguido ter fontes seguras para que as informações cheguem até às pessoas, nas suas casas, nos seus automóveis, nos seus ambientes de trabalho. Páscoa, nós estamos na semana da Páscoa, talvez a Páscoa mais triste do país nos últimos anos, mesmo assim Páscoa é momento de solidariedade, Páscoa é momento de oração, Páscoa é momento de fam&iacute ;lia, ainda que seja uma Páscoa mais triste, uma Páscoa com informações que corta o coração dos brasileiros. Volto a lembrar que a solidariedade e a oração podem contribuir para melhorar o estado de espírito da população brasileira, e podem ter certeza que o amor vencerá o ódio e a razão vencerá a insensatez. Hoje pela manhã recebi uma carta de uma menina, uma jovem de nove anos, que foi encaminhada pela sua mãe, ela é vizinha aqui do Palácio dos Bandeirantes, me mandou uma cartinha, com um desenho de Páscoa, sensibilizada à essa criança que estava, pelo confinamento da sua família, pelo isolamento da sua família, mas manifestando aos nove anos de idade, o seu apoio à decisão do governo de São Paulo, de manter o isolamento social. A você, Stela, se você estiver nos assistindo, vendo nesse momento, um abraço carinhoso. E obrigado também pela mensagem que me dirigiu através da sua mãe, mas com a sua letra, com a sua grafia, e o seu lindo desenho. E eu espero que após esta crise eu tenha a oportunidade de conhecer você, e convidar você e seus pais para estarem aqui no Palácio dos Bandeirantes. Auxílio emergencial, tenho assistido e acompanhado as mensagens do Governo Federal para a liberação do auxílio emergencial de R$ 600 para os mais pobres. Torço e espero que a velocidade seja aplicada aqui, e que esses recursos cheguem ainda esta semana, aos mais pobres, não apenas do estado de São Paulo, mas em todos os estados brasileiros, vamos monitorar. Doação dos meus salários, todos sabem de que desde que fui prefeito da capital de São Paulo, e não foi diferente como governador do estado, eu tenho doado todos os meus sa lários para instituições do terceiro setor, e tenho feito isso através da minha esposa Bia, que está aqui presente, Presidente do Conselho do Fundo Social de Solidariedade do estado de São Paulo. Eu pedi à Bia que os meus salários de março, abril, maio, junho e julho fossem doados para uma entidade, e que essa entidade destinasse integralmente para a compra das cestas do alimento solidário, que será objeto de uma das informações relevantes que vamos passar hoje aqui a vocês. O valor é modesto, são R$ 85 mil o valor líquido, dos salários que eu recebo, mas é um exemplo para que outras pessoas possam, ainda que de maneira modesta, também contribuir para a compra da cesta do alimento solidário, para oferecer a quem nada tem, a quem hoje tem dificuldade para ter comida em casa, para sustentar-se e sustentar a sua própria fam&iac ute;lia. Penúltima mensagem, antes dos dois anúncios de hoje, vai aos empresários, o mundo onde eu frequentei até três anos atrás como empresário, e onde fiz grandes amigos, e onde cultivei a minha admiração por muitos que como eu começaram de baixo, construíram a sua vida, a sua existência, com suor, trabalho, dedicação, honestidade, e foram crescendo e se tornaram grandes e poderosos. A vocês que comandam empresas de médio e grande porte, volto a repetir o apelo que fiz ao longo das últimas semanas, por favor, não demitam, mantenham os seus funcionários, é um período muito difícil, reconheço, para quem dirige, para quem comanda, para quem tem ações, para quem controla empresas, mas é muito mais difícil para quem depende do salário para se manter e manter a sua família. Ser sol idário agora representa a garantia do trabalho, do apoio, do entusiasmo e da paixão destes funcionários, destes colaboradores, para o sucesso da sua empresa, após a crise. Quero aqui mais uma vez informar nome de empresas que anunciaram publicamente que não farão demissões, empresas que abrigam 5, 10, 15, 20, 30, 40, 50, 60, 70 mil funcionários, entre elas, eu destaco a BRF, a Porto Seguro, a Magalu - Magazine Luiza, a MRV, a Localiza, as Lojas Renner, a [Ininteligível], além do Pão de Açúcar, do Banco Itaú, Banco Santander, Bradesco, Alpargatas, e Ânima Educação. Apenas para citar algumas, e farei a citação de todas deste porte, e neste volume que estabelecerem clara, objetiva e publicamente o seu compromisso de não demitir, este é o exemplo, é o exemplo que deve ser seguido por outros empresários de médio e g rande porte, sejam eles dirigentes de empresas nacionais, ou multinacionais. E ao encerrar a mensagem, voltando ao tema da Páscoa, seja solidário, ajude a quem mais precisa, e comece ajudando na sua própria casa, ajude seus pais, seus avós, as pessoas que tem mais de 60 anos, as pessoas que já estão doentes, ainda que não infectadas pelo Coronavírus, as pessoas com deficiência, as pessoas mais pobres, aqueles que ainda lhe ajudam e trabalham na sua casa, ou contribuem no seu bairro, na sua região, seja onde for, para que você tenha ainda abastecimento no pequeno mercado, a farmácia, o supermercado, a oficina, a borracharia, seja solidário. Nos informes de hoje, antes de ouvirmos a medicina aqui presente, com o doutor David Uip, e o doutor José Henrique Germann, nós hoje temos dois anúncios, o primeiro anúncio, de ordem social, o lançamento do Alimento S olidário, programa do governo de São Paulo, que vai distribuir a partir do próximo dia 17 de abril 1 milhão de cestas do Alimento Solidário. Isso vai atender 4 milhões de pessoas em situação de pobreza no nosso estado. A iniciativa é da Secretaria de Desenvolvimento Social, que tem à frente a Célia Parnes, mas também com o apoio do Fundo Social, com a Bia Doria, minha esposa, e toda uma brilhante equipe de profissionais. Da Patrícia Ellen que aqui está, secretária de desenvolvimento econômico. Da Regina Esteves que está nos assistindo agora, está em casa, da Comunitas. Ela não faz parte do nosso governo, mas ela é voluntária. E hoje, já de 48 dirigentes empresariais que doaram mais de cem milhões de reais para que pudéssemos, nessa primeira etapa, montar e distribuir essas cestas a partir do próximo dia 17. Neste primeiro momento, todo o investimento para estas cestas que alcança R$ 110 milhões vêm do setor privado. É uma contribuição de dirigentes de empresas brasileiras e internacionais solidários com os que mais precisam nesse momento. A Célia Parnes vai explicar a forma da distribuição. As famílias são aquelas registradas no cadastro federal de programa de assistência social que permite um controle adequado, e que as cestas sejam destinadas a quem efetivamente precisa. As cestas terão a sua distribuição prioritária na capital de São Paulo, na região metropolitana, e na sequência para o interior do estado e o litoral. Repito. Esse investimento de R$ 110 milhões está sendo feitos por empresários que dirigem empresas nacionais e internacionais em São Paulo e que demonstraram a sua solidariedade através d essas doações. Todo controle está sendo feito pela [ininteligível], uma das maiores empresas de auditoria do mundo, pro bono, sem nenhum custo, trabalhando também pelo bem das pessoas como já faz a Deloitte aqui nos ajudando há mais de 40 dias. a cesta contém, e vocês verão aqui nesta imagem o que a cesta contém: arroz, feijão, lentilha, leite em pó, sardinha, charque, linguiça, ervilha, macarrão, milho verde, sal, açúcar, farinha, fubá, molho de tomate, mistura pra bolo, óleo e biscoitos. A cesta foi composta com a ajuda de um grupo de nutricionistas do Hospital Albert Einstein que é nosso vizinho aqui no bairro do Morumbi em São Paulo. A essa equipe de nutricionista do Albert Einstein que nos orientou sobre a qualidade proteica e o conteúdo dessa cesta, muito obrigado. Segunda informação, vamos implementar ma is um hospital de campanha, desta feita no complexo do Ibirapuera, onde fica o ginásio do Ibirapuera e onde está o Constâncio Vaz Guimarães. Ali estamos implantando um novo hospital de campanha com a nossa Secretaria da Saúde, investimento do Governo do Estado de São Paulo no valor de R$ 42 milhões. Este hospital deverá estar pronto e operando a partir do dia 1º de maio. Este novo hospital de campanha terá 240 leitos de baixa complexidade instalados numa área de 7 mil metros quadrados e vai receber 800 profissionais de saúde, entre médicos, enfermeiros, paramédicos e auxiliares. Com isso, nós teremos na capital de São Paulo três hospitais de campanha. Prefeitura, com o apoio do Governo do Estado, já inaugurou ontem o hospital de campanha do estádio do Pacaembu com 200 leitos. No próximo dia 15 de abril abrirá o hospital de campanha do Parque Anhembi com 1.800 leitos. E no próximo dia 1º de maio o hospital de campanha que o Governo do Estado abre no complexo do Ibirapuera com 240 leitos. No total, estamos acrescentando aqui na capital de São Paulo, 2.240 leitos de baixa complexidade, fundamentais, e o Dr. Guermann e o Dr. David Uip poderão expor mais detalhadamente, fundamentais para liberarem as unidades de saúde para o atendimento da alta complexidade e atendendo os casos mais graves do Coronavírus. É o esforço do Governo do Estado de São Paulo, juntamente com a Prefeitura da capital de São Paulo para oferecer condições de saúde, de atendimento e de presteza para as vítimas do Coronavírus. Feito esses dois informes, eu vou passar a palavra para a Célia Parnes para que ela possa juntamente com a Patrícia Ellen expor mais detalhadamente o programa do alimento solidário que, repito, a partir do próximo dia 17 de abril levará alimentos de qualidade para 4 milhões de brasileiros aqui em São Paulo. Célia Parnes.

PARNES, SECRETÁRIA DE ASSISTÊNCIA E DESENVOLVIMENTO SOCIAL DO ESTADO DE SÃO PAULO: Bom, boa tarde. Boa tarde, governador. Boa tarde a todos. Hoje eu queria apresentar a todos vocês o programa Alimento Solidário que vocês veem ali na tela. Nós sabemos que o nosso estado é o mais afetado pelo Coronavírus, e o isolamento, ao mesmo tempo que nos protege, temos mais pessoas em casa pra se alimentar. O governador João Doria acionou rapidamente parceiros e empresários pra colocarmos comida nos lares paulistas. Vamos chegar na casa de 4 milhões de pessoas. Não sei se essa informaç&at ilde;o é de conhecimento de todos, mas 9% da nossa população do estado ainda vivem na pobreza extrema. Vamos entregar um milhão de cestas, cestas muito diferenciadas, com muitos cuidados na elaboração. Na base de todo o programa, uma cesta extremamente equilibrada e mais suplementada nutricionalmente. Aqui podemos contar com o Hospital Israelita Albert Einstein e com o envolvimento de toda equipe de nutrição do Hospital Israelita Albert Einstein liderada por [ininteligível], sua nutricionista-chefe. A cesta alimenta até quatro pessoas por mês, e o peso maior aqui foi realmente no reforço proteico para garantir saúde e defesa para essas famílias com tantas fragilidades. Comida de verdade com carnes, peixes, leite, muita proteína e muitos grãos, e muito carinho e capricho que todos merecem. Estas são famílias cadastradas no CadÚnido que é o cadastro federal oficial para inclusão em programas de assistência e transferência de renda. A elegibilidade destas famílias aos programas advém de uma renda mensal máxima de R$ 89,00 per capita, ou seja, extrema pobreza. Pra que a entrega seja precisa, a fórmula encontrada foi usarmos os centros de assistência social como os mais capilarizados pontos de distribuição, atendendo a 645 municípios e chegando ao bairro exato aonde residem essas famílias mapeadas. Governador, estamos frente a frente com uma doença que assusta, que assusta a todos, que nos mantém em casa com a família. E como mãe de família eu sei que o que nós mais queremos é colocar alimento na mesa dos filhos e da família. Junto com o Fundo Social da nossa primeira-dama Bia Doria, Augusto Ramos o nosso diretor executivo, a Investe SP, Wilson Melo, todos nos dando grande apoio , Patrícia Ellen, nossa secretária de desenvolvimento econômico, nós estamos dando uma resposta a essa aceleração momentânea causada pelo Coronavírus. Uma resposta rápida, incisiva e de muita potência. Mais uma grande ação do senhor, governador João Doria, do Governo do Estado de São Paulo, de uma política pública de segurança alimentar na nossa grande frente de proteção social como foi também a ampliação dos restaurantes, das refeições dos restaurantes Bom Prato e do programa Viva Leite. Mais uma frente da nossa política pública de segurança alimentar nessa proteção social e nessa resposta a esse momento que estamos vivendo, tão dramático que é nessa crise do Coronavírus. Muito obrigada. JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Célia Parnes. Todas as caixas do programa Alimento Solidário conterão essa marca do Alimento Solidário, as cestas não são as cestas básicas normais, vocês já perceberam isso pela explanação que foi feita e reforçada pela secretária Célia Parnes. É uma cesta que atende por 30 dias uma família de quatro pessoas e foi elaborado com o suporte e o apoio de uma equipe de nutricionistas do Hospital Albert Einstein. Mas muito nós viabilizamos com o apoio e suporte do setor privado, de empresas não só com a contribuição em dinheiro, Patrícia Ellen, mas também com a contribuição de produtos, empresas fabricantes de produtos que nos permitiu ter uma cesta dentro de um preço viável ainda que um investimento expressivo considerando que vamos atender neste primeiro momento por 30 dias, quatro milhões de pessoas. E um agradecimento especial, realmente, a você, Wilson Mello, presidente da [ininteligível] São Paulo, você que já foi presidente da ABIA, Associação Brasileira da Indústria e da Alimentação, e que de forma muito solidária nos ajudou, com outras pessoas, a compor esta cesta do alimento solidário. E, pra complementar estas informações, eu passo a palavra agora a nossa secretária de desenvolvimento econômico, Patricia Ellen.

PATRICIA ELLEN, SECRETÁRIA DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO DO ESTADO DE SÃO PAULO: Governador, eu queria complementar dizendo que essa iniciativa vem num contexto muito difícil pra todos nós, nós fizemos um trabalho aqui de desenvolvimento econômico com o social e com a Fazenda pra entendermos, em primeiro lugar, qual que é o novo perfil da população em vulnerabilidade, infelizmente, com a pandemia, muito mais gente tá precisando desse tipo de assistência, financeira e com alimentos e, com base nisso, nós fizemos a nossa conta tamb&eacute ;m, porque o estado tá passando por um desafio bastante grande, com relação a arrecadação. Então, nós temos essa política organizada em três frentes diferentes, a gente tá trabalhando com o alimento solidário, de uma forma que o alimento chegue pra população rapidamente, e por que isso é importante? Primeiro o custo da cesta, a Investe São Paulo fez uma negociação, já gostaria de agradecer a APAS, a ABIA, todas as associações que estão participando desse processo, pra que o preço seja um preço diferenciado, que a população, se a gente desse o recurso, não teria acesso a esse valor, então, a gente tá fazendo uma grande compra, em atacado, pra que chegue rápido o recurso a quem mais precisa. Mas, em paralelo a isso, nós temos outras duas frentes muito importantes, a frent e do recurso financeiro, né, hoje, inclusive, o programa que o senhor anunciou uma semana atrás, do secretário Rossieli, do merenda em casa, as primeiras famílias começam a receber esse recurso financeiro, através de uma fintec, do equivalente a merenda que eles não tiveram acesso. E nós temos o setor privado, de uma forma inédita, complementando as nossas políticas públicas, tanto de alimento, quanto a de recurso financeiro, porque a gente tá precisando nesse momento, porque a população em vulnerabilidade cresceu muito, e nas duas frentes nós estamos tendo uma complementação de recursos, e pra finalizar, nós temos uma frente bastante grande também de insumos diretamente chegando a população, e chegando a Secretaria da Saúde, a Segurança Pública, a destacar EPI's, alimentos, álcool gel, né, t rabalho com uma operação de logística, inclusive, bastante complexa, que nós nunca havíamos feito dessa grandeza no estado, que está sendo feito agora, com a Secretaria de Logística e Transporte, Secretaria de Defesa Civil, hoje nós temos mais de 100 pessoas trabalhando no governo pra viabilizar essa operação e também no setor privado, não somente os grandes executivos, empresários, que estão contribuindo com valor financeiro, mas também as organizações sociais, então, esse trabalho complementa, mas ele não vai ser suficiente, a gente vai chegar a quem mais precisa agora, estamos também lembrando a importância do recurso do Governo Federal. E eu fecho isso lembrando que a consultoria nos mapeou agora todos os países que estão passando pela pandemia, e a principal política econômica tem sido medidas de pro teção social, repasses financeiros e de alimentos diretamente pra população que mais precisa, isso não somos nós, isso é o mundo inteiro tendo que fazer isso pelo momento que estamos vivendo.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, secretária Patricia Ellen. E agora vamos a saúde, com Dr. José Henrique Germann, que é o nosso secretário da saúde, que integra também o nosso comitê de saúde, que é comandado pelo diretor David Uip. Vamos aos números de hoje e as informações da saúde com os médicos e especialistas.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DA SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito obrigado, governador, muito boa tarde a todos, aqui queria só chamar atenção, que tem uma inversão ali entre casos e óbitos, no Estado de São Paulo, no Brasil tivemos 12.056 casos, e hoje somando 553 óbitos. No Estado de São Paulo são 4.861 casos com 304 óbitos de ontem pra hoje, isto dá um acréscimo de 5% no número de casos e de 10% no número de óbitos de ontem para hoje. E temos internados em enfermaria, em menor comp lexidade, 733 pacientes e em UTI 700 pacientes. Seguinte. Ok. Então, anunciando a vocês, o hospital de campanha, no Complexo Desportivo Constâncio Vaz Guimarães, no Ibirapuera, em colaboração aqui com a Secretaria de Esportes do Estado de São Paulo, este é um esquema daquilo que vai ser construído, como hospital de campanha, seguinte, por favor, e ele vai ter, aqui já são fotos, né, um desenho em cima, não, as duas são fotos do que está sendo realizado já, ele começou no final de semana, são 268 leitos, sendo 240 leitos de baixa complexidade, com postos de enfermagem, sala de descompressão, que são salas de equipamento e, principalmente, o tomógrafo, que é um equipamento necessário para esses casos, ele é um estande importante na questão do coronavírus. Tem 7.500 metros quadrados, são duas t endas de 100 metros e duas tendas de 25 metros, e são 800 profissionais de saúde que vão trabalhar nesta unidade, por intermédio de uma organização social. Muito obrigado.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Dr. José Henrique Germann, secretário da saúde do Estado de São Paulo, passo agora a palavra para o Dr. David Uip, coordenador do nosso grupo de contingência do Covid-19, do comitê de saúde do Estado de São Paulo.

DAVID UIP, COORDENADOR-GERAL DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: Muito bom dia, governador, muito bom dia a todos, eu acho que este novo hospital é um novo avanço, importante, porque ele atende os pacientes de média complexidade, são aqueles que necessitam de internação, mas não ainda, naquele momento, de uma hospitalização em hospitais de média e alta complexidade. Ele está bem montado, ele está bem equipado e um dado importante, ele tem como sustentar a vida de pacientes que, eventualmente, tenham agravo durante a interna&ccedil ;ão, isto possibilita que os hospitais de alta complexidade sejam preservados pros doentes mais graves. O limite dessa doença são os doentes que necessitam unidades de terapia intensiva. Então, este é o grande truque do Sistema Único de Saúde, a referência e contrarreferência, quem é atenção primária, quem é a atenção intermediária, e quem é a média complexidade, a ida e a volta. Parabéns, governador, parabéns, secretário, o governador me permite fazer um elogio ao amigo, inclusive gratidão ao José Henrique, por todo apoio que ele tem dado ao grupo e um parceiro de vida inteira de primeira qualidade. Muito obrigado, José.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Dr. David Uip. Dr. Germann foi diretor-geral do Hospital Albert Einstein, aqui ao lado, no Morumbi, onde se localiza o Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo, por 31 anos, e se não me falhe a memória, por cinco anos também do Hospital Sírio-Libanês, médico e especialista em gestão hospitalar, e que nos orgulha muito como secretário de saúde do Estado de São Paulo. Muito obrigado, Dr. David Uip, pela lembrança, pela menção, eu quero apro veitar também pra cumprimenta-lo pelo depoimento emocionante de ontem, que creio serviu pra sensibilizar muitas pessoas, que por ventura ainda pudessem ter alguma dúvida sobre a importância do isolamento social, o seu próprio exemplo de vida, de alguém que contraiu o coronavírus, e que, mesmo sendo médico, mesmo sendo especialista em infectologia, mesmo já tendo assistido e permitido que muitas pessoas continuassem em vida, e lamentavelmente assistido outras pessoas que perderam a sua vida, ao longo de mais de 45 anos de profissão, ainda assim deu um depoimento humano, sincero e sensibilizador. Muito obrigado. Vamos agora as perguntas, como sempre intercalando presenciais e online, vamos começar presencialmente com a TV Globo, Globo News, jornalista William Cury, depois vamos online para o Eduardo Simões, da Agência Reuters, e intercalando com as presenças aqui. Vamos ao segundo, William Cury aqui não está, neste momento, vamos a Eduarda Esteves, do Portal IG, Eduarda, boa tarde, obrigado pela presença, sua pergunta, por favor.

EDUARDA ESTEVER, REPÓRTER: Boa tarde a todos, boa tarde, governador. Gostaria de saber se o hospital de campanha que vai ser construído no complexo do Ibirapuera vai seguir o mesmo modelo do que foi feito no Pacaembu, se há alguma inspiração internacional específica e se esse modelo vai ser replicado no interior do estado. Também se vocês puderem comentar o investimento total desses hospitais de campanha.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Eduarda. Eu vou dividir a resposta com o doutor José Henrique Germann, que é o nosso secretário da Saúde. O modelo é sim, é o mesmo modelo, basicamente, dos hospitais de campanha do Parque Anhembi, que ficará pronto no próximo dia 15, e do Pacaembu que foi inaugurado ontem aqui na capital de São Paulo. Mesmo modelo, mesmo formato, mesma estruturação, o que varia é o número de leitos, e pequenos formatos diferenciados no atendimento físico do espaço, mas na estruturação é exatamente o mesmo. Este hospital de campanha, especificamente esse do completo Ibirapuera, e foi mostrado agora há pouco, tem o investimento de R$ 40 milhões, entre o custo de implantação e o custo de operação do hospital. O governo do estado de São Paulo ofereceu à Prefeitura de São Paulo R$ 50 milhões para contribuir com o investimento da prefeitura, nos dois hospitais de campanha, do Pacaembu e do complexo do Anhembi. Eu não tenho aqui o valor total correspondente a esses dois hospitais que tiveram a iniciativa da prefeitura, do prefeito Bruno Covas, com o apoio financeiro do governo do estado, mas também houve o aporte de recursos da Prefeitura de São Paulo. E o doutor Germann pode também lhe contar que outras prefeituras no interior do estado de São Paulo estão, e também na região metropo litana, fazendo hospitais de campanha, o que demonstra mais uma vez o que nós já enfatizamos ontem com o doutor David Uip, que nós estamos no mês mais agudo e mais difícil do Coronavírus, muito distante de poder flexibilizar qualquer medida fora do confinamento social, fora do isolamento social, e é exatamente por essa razão que estamos fazendo mais leitos de campanha. Vários municípios, repito, na região metropolitana, litoral e interior, estão fazendo seus hospitais de campanha, com a ajuda, com o apoio do governo do estado de São Paulo, recursos, aliás, já repassados às prefeituras na semana anterior. Doutor Germann.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DE SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Pois não. Eu até comentei ontem, há algumas semanas atrás, alguns dias atrás, na verdade, o governo do estado repassou para os municípios com mais de 100 mil habitantes um recurso no sentido de ajuda, neste momento do Coronavírus, e a mesma coisa, depois aos municípios com menos de 100 mil habitantes. Então com isso eles podem e estão habilitados a ter o custeio relacionado à todas essas modificações que a gente tem, que a gente não , mas que a epidemia exige com que nós façamos uma estrutura um pouco mais robusta, do ponto de vista de atendimento, do número de atendimentos principalmente. Então com isso as prefeituras de acordo com as suas necessidades, com os seus estudos, e usando alguns dos seus próprios, ou então através de um sistema de campanha, possa também aumentar o número de leitos de baixa complexidade para atender esses pacientes. A secretaria de estado está à disposição no sentido de auxiliar, de ajudar, e fazer todo um apoio às prefeituras por meio da Secretaria de Desenvolvimento regional, que nos traz essas necessidades e a gente vai gradativamente colocar. Só queria relembrar do fique em casa, deve ser sempre lembrado, e que hoje é o Dia Mundial da Saúde.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito bem. Antes de passar à próxima pergunta, que é online, do Eduardo Simões, Agência Reuters, quero fazer um agradecimento muito especial aqui à Record News, ao longo desses 27 dias a Record News tem feito várias vezes transmissão ao vivo também das nossas coletivas, o mesmo em relação à TV Band, a Band News, a CNN e a Globo News, pela presença frequente, e a informação dada, muitas vezes, online, e direto aqui do Palácio dos Bandeirant es, aos telespectadores de São Paulo, também de outras regiões do país. Vamos agora ao Eduardo Simões, da Agência Reuters, ele já está aqui em tela e online conosco. Boa tarde, sua pergunta, por favor.

EDUARDO SIMÕES, REPÓRTER: Boa tarde, governador. Boa tarde, secretários. Boa tarde, a todos. Governador, como está o estoque de exames aguardando resultado aí para detecção do COVID-19? E de que forma esse estoque afeta o cenário que tem sido noticiado pela secretaria todos os dias, da situação da pandemia no estado? Obrigado.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Eduardo. Vou pedir ao secretário José Henrique Germann que possa responder, e se necessário, com algum comentário, do doutor David Uip. Germann.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DE SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Nós temos, de fato, um estoque de exames para serem realizados em pacientes que foram notificados como suspeitos. Existe uma dificuldade da aquisição de insumos para realização desses exames. Uma das remessas que nós estávamos esperando e comprando, não conseguiu chegar até agora, estava ensaiando para anteontem, e deve chegar nos próximos dias, mas atrasa. Isso interfere, de certa maneira, no número de exames, nós vamos ter, como aconteceu anter iormente, um degrau no número de pacientes confirmados. E a mesma coisa, em bem menor número, com relação ao número de óbitos, o número de óbitos com exames a confirmar é muito pequeno. Então ele não vai interferir significativamente na questão relacionada a óbitos.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, doutor Germann. Eduardo Simões, da Agência Reuters, obrigado pela participação. Vamos continuar intercalando, presencialmente e offline, agora sim voltamos aqui presencialmente, com o jornalista William Curi, da TV Globo, Globo News, para a sua pergunta, logo após voltaremos online com o jornalista Túlio Cruz, do Jornal Estado de São Paulo. Boa tarde, William Curi.

WILLIAM CURI, REPÓRTER: Boa tarde, obrigado por me recolocar na lista. Sobre os exames ainda, nós temos a informação de que está aumentando, a quantidade de exame na fila, agora está, se eu não me engano, em 17 mil. E a capacidade tinha sido dito na semana passada, que estava beirando mil exames processados por dia, até 1.200, agora está abaixo disso mais uma vez, e essa fila não para de crescer, porque a demanda está crescendo, e a gente está chegando no pico, que se acredita ser o pico da curva do Coronavírus. Eu queria saber at&e acute; quando pode chegar essa fila de espera, quanto tempo está demorando para o exame ter o resultado? Obrigado.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DE SAÚDE DO ESTADOD E SÃO PAULO: Então, Will, nós temos a seguinte situação, como eu expliquei agora pouco, isso, de fato, aumenta o número de exames a confirmar, né? E nesse sentido o tempo que isso ocorre vai na dependência direta da existência do insumo, são dois insumos que existe no exame, a metodologia que nós utilizamos, que é a realização do próprio exame, e a outra é a preparação para o exame, que é uma preparação t& eacute;cnica, a respeito da realização do próprio exame. Nesse sentido, nós estamos hoje com aproximadamente 17 mil exames aguardando esses resultados. Nós também estamos comprando exames prontos, não matéria-prima, mas sim exames prontos de algumas entidades, que é o que tem sido aquilo que a gente está soltando principalmente, porque da nossa parte os insumos foram gastos na semana passada. Então a gente tem agora, não vou nominar, mas temos várias entidades que estão realizando os exames para nós, que nós tivemos que comprar para isso.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DEO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, doutor Germann. Doutor David Uip, quer fazer algum comentário a esse respeito? Ok. Obrigado, William Curi. Vamos agora ao Túlio Cruz, do Jornal O Estado de São Paulo, que já está em tela. Boa tarde, e a sua pergunta, por favor.

TÚLIO CRUZ, REPÓRTER: Boa tarde, governador, secretários. Sobre os hospitais de campanha instalados na capital, eu gostaria de saber se o número de internações que está projeta para os próximos meses, se os leitos adicionais, que esses hospitais de campanha fornecem ao sistema, vão ser suficientes? E se o governo estuda complementar novos hospitais de campanha, além desses três que já estão sendo construídos na capital, e como as regiões de periferia podem ser atendidas por esses hospitais de campanha?

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Túlio, obrigado pela pergunta. Eu vou dividir a resposta com o doutor David Uip, e o doutor Germann, começando pelo doutor David Uip.

DAVID UIP, COORDENADOR DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: Depende muito de nós conseguirmos manter e ampliar as medidas de distanciamento social. Fica claríssimo, por todos os estudos epidemiológicos e estatísticos... A Dra. Patrícia, ela vem nos ajudando muito nisso, no entendimento. E quatro grupos que estudam este perfil, esse cenário, chegam às mesmas conclusões. Se nós conseguirmos aumentar o distanciamento social, que estava em média de 54%, pra 70%, o número de leitos disponíveis no Estado de São Paulo será s uficiente para essa primeira onda epidêmica. Se nós não aderirmos a esta proposta do estado, nós teremos maiores dificuldades com leitos. Lembrando, eu venho me referindo a isto desde o começo, que 80% dos casos serão assintomáticos ou pouco sintomáticos, 20% serão doentes, de gravidade variável, mas 5% necessitarão de ambiente de terapia intensiva. Quanto mais nós pudermos abaixar esta linha de tendência, achatarmos a curva e distanciarmos os casos graves, melhor para o sistema, melhor para o número de leitos e melhor para o grupo de pessoas que trata desses pacientes. Então, nós entendemos que depende um pouco da adesão, e ela precisa ser um pouco maior, das medidas de afastamento.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Dr. David Uip. Dr. Germann, algum comentário? Então, resposta concluída ao jornalista Túlio Cruz. Muito obrigado pela sua participação, continue acompanhando a nossa coletiva. Neste momento, vamos voltar presencialmente com a CNN, Marcela Rahal, mais uma vez obrigado, Marcela. Daqui a pouco vamos estar comemorando um mês aqui de coletivas, e você participando de todas elas, representando aqui a CNN. Muito obrigado, boa tarde, sua pergunta, por favor.

MARCELA RAHAL, REPÓRTER: Obrigada, estamos ao vivo pela CNN Brasil. Boa tarde, governador, boa tarde a todos aqui. Bom, eu queria saber se os médicos da rede estadual também devem ser afastados, os médicos do grupo de risco da rede estadual, também devem ser afastados, aqueles que não estão doentes ou mesmo com os sintomas de Corona Vírus, porque a rede municipal fez esse anúncio, no último dia 4. Eu queria saber como que vocês vão fazer em relação a esses médicos, e também se trabalham com a possibilidade da fal ta de médicos na rede estadual. Muito obrigada.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Dr. Germann.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO ESTADUAL DE SAÚDE DE SÃO PAULO: Pois não. Então, Marcela, o afastamento de um servidor da saúde, ele vai depender das condições de saúde dele, independente da etiologia, do porquê ele está naquela condição. Dentro da nossa expectativa para as demais áreas fora saúde, segurança e abastecimento, nós temos afastado aqueles acima de 60 anos, pro home office, trabalho em casa. Na saúde, não. Eles estão nos seus locais de trabalho. Entretanto, aquele que apresentar algum problema, ele será afastado, sim, independente, como eu disse, do porquê causou aquilo. Não é exclusivamente com relação ao Corona Vírus.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Dr. Germann. Marcela, obrigado pela pergunta. Vamos agora online com o jornalista Artur Rodrigues, do jornal Folha de São Paulo. O Artur já está em tela. Boa tarde, Artur, sua pergunta, por favor.

ARTUR RODRIGUES, REPÓRTER: Boa tarde, governador. Boa tarde, secretários também. Pesquisa Datafolha, publicada hoje na Folha de São Paulo, mostra que 28% dos brasileiros não fazem isolamento contra o Corona Vírus. Eu queria saber como é que o senhor vê o resultado dessa pesquisa. O Dr. David acabou de falar que era importante aumentar mais, mesmo assim tem uma parcela grande de pessoas que não tem feito o isolamento. Como é que o senhor vê isso? A que o senhor atribui esse número e se tem alguma medida que pode ser implementada para tentar a umentar esse percentual de adesão ao isolamento.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Artur, obrigado pela pergunta. Vou dividir a resposta, que farei com o Dr. David Uip. Primeiro, com mais campanhas. Nós estamos, o Governo do Estado de São Paulo tem campanha no ar, aliás desde o início deste mês de março. Fizemos, no mês passado, no mês de março, fizemos campanha, já estamos na segunda campanha, orientando a população e orientando para que fiquem em casa, e também aos hábitos salutares de lavarem as suas mãos, as suas mãos, estabelecerem os mecanismos de proteção, como o distanciamento físico, e a utilização do álcool gel. Já estamos na segunda campanha, vamos continuar fazendo, através das emissoras de rádio e emissoras de televisão, as páginas de jornais, revistas, os meios digitais e vamos prosseguir dentro desta mesma linha. Mas tenho que também acrescentar, Artur Rodrigues, a você, aos leitores da Folha de São Paulo e aos que estão me assistindo aqui, a minha estranheza, o fato de que o Governo Federal não faz uma campanha dedicada ao afastamento social. Seria óbvio e seria razoável que o Governo Federal promovesse uma campanha nos meios de comunicação exatamente com esta proposta. Não vejo razão para que estados brasileiros, São Paulo não é o único, estejam fazendo isso, de maneira dedicada, há mais de um mês, e o Governo Federal não tenha tomado esta iniciativa, como fizeram a Grã Bretanha, a Espanha, a Itália, numa segunda etapa, depois de terem cometido o erro de promover que as pessoas devessem sair das suas casas, passaram a fazer a campanha para que ficassem em suas casas. Mesma orientação neste momento no Japão. As emissoras de televisão japonesas e as emissoras de rádio no Japão, todas elas veiculam mensagens oficiais do Governo Japonês, recomendando às pessoas que fiquem em suas casas. E não é diferente nos Estados Unidos, no Canadá, no México, na Argentina, no Chile, apenas para citar alguns países onde o Governo Federal pede à população para que fiquem em casa. Eu espero que o governo brasileiro, e esta comunicação não é de responsabilidade do Ministério da Saúde, é da Secretaria de Comunica& ccedil;ão da Presidência da República, que possa se ocupar, compreender a gravidade dos fatos e promover campanhas orientando corretamente a população a permanecerem nas suas casas. E agora, a complementação do Dr. David Uip.

DAVID UIP, COORDENADOR DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: Eu sou a favor do convencimento através da boa técnica e científica informação. Então, nós não cansaremos de estar aqui todos os dias, em todas as entrevistas, provando cientificamente a necessidade desse afastamento. A população é uma população que ela atende esse tipo de comunicação e se convence. Então, eu tenho uma expectativa muito boa que, a cada dia, as pessoas vão se envolver de uma forma melhor. O governador me permite uma an&aac ute;lise? Nenhum de nós está feliz com esse afastamento social, e eu sou testemunha de quão difícil foi pra mim ficar afastado 14 dias, foi um sofrimento, mas eu, como indivíduo que acredito em ciência, faço ciência, eu obedeci àquilo que me foi mandado, eu não saí da minha casa. E é assim que tem que ser. Por que eu fiz e acreditei? Porque eu me baseio naquilo que eu estudo, naquilo que eu pesquiso. Então, este nível de informação técnico-científica, zero político, eu não me envolvo em política, zero político, é uma informação que deve prevalecer, porque tem respaldo de toda a literatura mundial.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Dr. David Uip, e apenas complementando, Artur, numa situação de guerra, e nós estamos numa situação de guerra diante de uma crise de dimensões nunca vistas no Brasil, uma crise de saúde, uma crise econômica gravíssima, isso evidentemente exige comportamento de guerra. Como o Dr. David Uip, certamente eu tenho trabalhando todos os dias, porque é minha obrigação fazer isto, e eu tenho que fazê-lo, apesar de ter 62 anos. Eu estou no grupo de risco, mas faço aqu ilo que é minha obrigação como governador do Estado de São Paulo, estar à frente desse processo e liderar os brasileiros de São Paulo, ao lado de secretárias, secretários, colaboradores, pessoas como você, Dr. David Uip, que colaboram pro bono, entidades, instituições, veículos de comunicação, que têm o melhor sentimento para proteger vidas. Não é uma informação agradável, pedir às pessoas que fiquem em casa e estender o período de quarentena para mais 15 dias. Mas isto é necessário para proteger vidas. Não pense que é fácil para um governador de estado, seja de São Paulo ou dos outros estados brasileiros que estão adotando a mesma medida, falar isso, comunicar isso e defender isso. Mas esta é a nossa obrigação. Esta é a nossa missão, e assim faremos para proteger vidas. Vamos agora à penúltima pergunta de hoje, que é da Rádio Jovem Pan, jornalista Vitor Morais. Ele está aqui presente. Vitor, boa tarde! Sua pergunta, por favor.

VITOR MORAIS, RÁDIO JOVEM PAN: Boa tarde, governador! Faltou o senhor agradecer também a Jovem Pan, hein.

JOÃO DÓRIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Verdade. Mas as rádios aí, eu tenho que agradecer à Rádio Jovem Pan, tanto a rádio quanto a internet, a Jovem Pan trabalha nos dois campos, com seus internautas e também com os seus ouvintes, mas vão me permitir também fazer um agradecimento à Rádio Bandeirantes, à Rádio Band News e à CBN, que são emissoras que estão conosco aqui desde o início. Muito obrigado pela lembrança. Passo a palavra a você, Vitor.

VITOR MORAIS, RÁDIO JOVEM PAN: Boa tarde a todos! Boa tarde, governador! A minha primeira pergunta vai ao Dr. David Uip. Doutor, o Brasil inteiro quer saber: O senhor tomou ou não tomou a tal da Cloroquina? E qual que é o protocolo, se realmente funciona, se não funciona, enfim, eu queria que o senhor falasse sobre isso. E a minha segunda pergunta é com relação aos testes que começaram hoje em São Caetano do Sul, que os próprios moradores vão conseguir fazer esses testes, eu achei a iniciativa muito boa. Queria saber se isso pode chegar a cidade de São Paulo. Obrigado.

DAVID UIP, COORDENADOR DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: Deixa eu colocar a minha posição muito clara. Não há nenhuma importância no que eu tomei ou que eu deixei de tomar. Primeiro fato: Eu não me prescrevi, eu não me receitei. Eu fui cuidado por médicos da minha confiança. Segundo: Se eu tomei ou não antibiótico, se eu não tomei ou não ou qual, é droga pra febre ou droga pra enjoo, isto é algo absolutamente pessoal. E como eu respeito os meus pacientes, eu gostaria de ser respeitado em algo que é mui to pessoal e muito particular. Não faço isso pra esconder nada, mas não quero transformar minha história, meu caso, em modelo pra coisa alguma. Eu fui tratado individualmente, como eu trato das pessoas individualmente e respeito seus direitos. Segundo ponto: na quinta-feira passada o ministro Mandeta convocou quatro médicos, eu fui dos quatro médicos, às 22h para discutir o novo protocolo de hidroxicloroquina. Então houve uma discussão e um consenso entre nós cinco. O consenso foi alterar a indicação da hidroxicloroquina. Então esta alteração, com a minha posição pessoal, foi de que nós deveríamos indicar a todos os médicos que queiram receitar e os pacientes que formalmente aceitem ser medicados, a hidroxicloroquina, a partir do momento que ele interna no hospital. Então duas claríssimas indicações. O indiv&i acute;duo internou, o médico assistente decide medicar e o paciente aceita formalmente, ele pode receber a hidroxicloroquina. O que isso muda em relação ao protocolo anterior? O protocolo anterior dizia que esse paciente só fosse entubado no respirador pudesse ser medicado com a hidroxicloroquina. Então antecipa a todos os pacientes internados, dependendo da indicação do médico e do aceite formal do paciente. Isto é absolutamente cabível, dentro das leis que regem [ininteligível]. Quero acrescentar aqui nesta reunião a distância, estava também presente o presidente do Conselho Federal de Medicina, que avalizou essa decisão. A outra indicação é para protocolos de pesquisa. Eu controlo plenamente com a decisão, tanto que eu fiz parte desta, tomou-se essa decisão ao secretário de estado e ao governador que foi uma decisão que t eria o meu apoio pessoal, mas, obviamente, eu não respondia nem pelo governo do estado e nem pelo secretário. Eu fui chamado como infectologista. Na sequência, no dia seguinte o ministro Mandeta anunciou na coletiva e destinou o número de comprimidos suficientes para uso a qualquer paulista que tenha indicação, seja ele internado no sistema público ou privado. Então esta decisão conta com o apoio das pessoas que participaram dessa reunião, foi a decisão final do ministro e eu sugeri ao secretário e ao governador, que como sempre São Paulo faz, segue as decisões do Ministério da Saúde do Brasil.

JOÃO DÓRIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Dr. Davi Uip. Havia uma segunda pergunta, jornalista Vitor Morais da Rádio Jovem Pan, vou pedir ao Dr. Germann, se ele tiver a disposição, em relação a São Caetano do Sul. Aliás, a notícia foi dada hoje pela manhã na Rádio Jovem Pan, uma iniciativa da prefeitura municipal de São Caetano do Sul.

DOUTOR JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DA SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: São Caetano do Sul é uma cidade extremamente importante aqui pra nós, tem o sistema de saúde bastante organizado e se saiu com uma solução dessa, eles devem ter estudado a respeito e nós vamos conhecer. Se for factível, por que não?

JOÃO DÓRIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Dr. Germann. Vamos agora a última pergunta, que é do SBT. Fábio Diamante. Fábio também, por dever de justiça, agradecer aqui ao SBT, Sistema Brasileiro de Televisão, e a você pessoalmente. Se você não esteve presente em todas, na maioria expressiva das coletivas o SBT esteve aqui presente conosco também, portanto aqui o nosso pedido de agradecimento, não por nós, mas pela informação a milhões de pessoas que assistem o SBT. Por favor.

FÁBIO DIAMANTE, SBT: Obrigado, governador. Boa tarde! Boa tarde a todos! Governador, eu queria fazer uma pergunta muito prática. As pessoas, elas nos perguntam em relação ao isolamento. A gente vê evidentemente que em alguns pontos das cidades as pessoas se aglomerando, mas a gente vê muita gente passeando, correndo, fazendo ginástica, levando filho na praça, passeando com o cachorro, casais, famílias. Ontem o ministro da saúde, ele disse na entrevista coletiva que isso tudo bem, que o que não pode é aglomerar. Eu queria entender qual &eacut e; a orientação do governador de São Paulo, se essas pessoas estão erradas, se elas devem ficar em casa. E se elas se encaixam também no grupo de que a Polícia Militar ou a Guarda Civil pode abordá-los e orientá-los a voltar pra casa. Obrigado.

JOÃO DÓRIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Fábio, obrigado pela pergunta. Eu vou dividir a resposta com o Dr. Davi Uip, ele começa a resposta e eu concluo. Todas as iniciativa, renovando o agradecimento a sua pergunta, elas são amparadas na medicina, em profissionais, médicos que compõem o centro de contingência do coronavírus, o comitê de saúde que é comandado pelo Dr. Davi Uip. Nós não tomamos decisões intuitivas ou decisões explosivas, decisões pessoais, são amparadas nas decisõe s, nas manifestações da medicina e da ciência. Dr. Davi Uip.

DAVID UIP, COORDENADOR DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: Eu vou repetir a resposta. Nós temos um índice de mobilidade no final de semana de 53%m 54%. É preciso aumentar para mais de 70% para que nós consigamos de novo achatar a curva da [ininteligível]. Então quanto mais as pessoas ficarem em casa melhor. Entendemos a dificuldade. Eu vou insistir muito nisto. Não é minimamente prazeroso pra nós estabelecer essas sugestões, mas são necessárias. Então as pessoas que puderem devem ficar em casa, isto se multiplica em n&uacut e;mero exponencial aquelas com mais de 60 anos e que apresentam qualquer comorbidade. Eu vou aproveitar pra explicar algo que eu vejo que ainda tem alguma dificuldade na sociedade. Qualquer pessoa pode se infectar, um bebê recém-nascido, ele nasce com contato com a mãe e se infecta. Jovens, homens, mulheres, isto é infecção. Qualquer indivíduo pode ficar grave, doente grave, agora a letalidade, ela continua muito maior, quase 90% na população acima de 60 anos e naqueles que tenham outras doenças associadas. Esse panorama é absolutamente igual ao que sempre foi. De novo uma outra consideração, 80% dos indivíduos não apresentarão sintomas ou os sintomas não são diferentes de processos virais de vias respiratórias, [ininteligível] habituais. O grau de contagiosidade que o assintomático tem, se ele é maior ou menor ou igual ao s intomático, os estudos estão avançando, mas nós precisamos entender que às vezes aquele indivíduo que está na rua e não sente nada, pode ser transmissor. Então a regra vale pra todos.

JOÃO DÓRIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Dr. Davi Uip. Apenas complementando, Fábio. Aglomerações é algo absolutamente condenável e não deverão ser feitas e não serão toleradas pelo governo do estado de São Paulo e pelas prefeituras municipais, seja prefeitura da capital de são Paulo ou de qualquer outro dos 644 municípios do estado de São Paulo. Aglomerações em hipótese alguma. Mesmo aquelas pessoas que se dirigem a um posto de saúde, ou alguma unidade de atendimento assistencial, devem obedecer a distância mínima de dois metros entre uma e outra numa fila, independentemente da orientação de quem quer que seja. Cada pessoa tem consciência do seu dever e da sua obrigação de proteger a sua vida, portanto esse distanciamento deve ser mantido mesmo em filas que circunstancialmente possam existir em algum município em São Paulo para retirada de medicamentos, para o atendimento, para exames. A presença individual nas ruas deve ser evitada, como disse o Dr. Davi Uip. Exceto em casos extremos, pessoas que precisam ir ao supermercado, ir à farmácia, ou aqueles que têm animais domésticos. Eu tenho seis cães, amo os cães, entendo que quem vive em apartamento tem que descer um pouco com o seu cão. Se não tiver espaço dentro do seu próprio condomínio pra fazer isso de forma segura e isolada, faça na ca lçada, próximo da sua casa, mas não compartilhando esse momento com ninguém, exceto com o seu ou com os seus cães. E pelo tempo mínimo necessário para que o cão possa ter as suas necessidades e o proprietário do cão saiba, sabendo, evidentemente, a dimensão do seu cão e as suas características retornar em seguida para a sua casa. São Paulo tem a maior população de cães de todo o país. É uma das cidades com a maior população de cães do mundo. Então a referência feita por você, Fábio, ela é procedente sim porque são milhares de animais. Eu me refiro a cães, mas também isso vale para outros animais domésticos, mas são os cães que representam essa população majoritária. Foi por essa razão, inclusive, que nós permitimos que os pet shops, as lojas de produtos alimentícios, outros produtos para cães, fossem entendidas como essenciais e permanecessem abertas com os devidos cuidados, mesmo no período de quarentena. Eu queria, antes de concluir, são 13h32, pedir a Célia Parnes que, por favor, atendendo ao pedido de alguns cinegrafistas e fotógrafos, para ficar ali atrás de onde nós temos a relação dos produtos, os que quiserem fazer ali a fotografia. As marcas, talvez, não sejam necessariamente estas no alimento solidário, mas serão estes os produtos que estarão nesta cesta que vai atender quatro milhões de brasileiros em São Paulo a partir do próximo dia 17 de abril. E ao finalizar eu quero registrar também um agradecimento muito especial a TV Cultura, que desde o primeiro dia tem estado aqui presente conosco transmitindo e informando os seus telespectadores, os seus int ernautas também. O mesmo em relação à Rede TV, ainda que não todos os dias, mas também merece o registro, igualmente à TRV Gazeta. A TV Record, eu já havia mencionado a Record News, e a imagem da Record News também é compartilhada pela sua emissora mães que é a TV Record. Agradeço a presença de todos. Amanhã teremos novos informes. Por favor, seja solidário e atendam a recomendação médica, fiquem em casa. Obrigado. Boa tarde!