Coletiva - Governo de SP planeja retomada gradual de aulas presenciais em julho 20202404

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Coletiva - Governo de SP planeja retomada gradual de aulas presenciais em julho

Local: Capital - Data: Abril 24/04/2020

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JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Bem, boa tarde, a todos. Aqui no Palácio dos Bandeirantes em São Paulo, vamos dar início à uma nova coletiva de imprensa. Queria registrar a presença aqui ao meu lado, do Rodrigo Garcia, vice-governador e secretário de governo do estado de São Paulo; José Henrique German n, secretário da Saúde, e integrante do comitê de saúde do concentro de contingência do COVID-19; Doutor David Uip, coordenador do centro de contingência do COVID-19, chamado comitê da saúde; E Rossieli Soares, secretário da Educação; E Patrícia Ellen, que está aqui ao lado, que é a nossa secretária de Desenvolvimento Econômico; General Campos, secretário de Segurança Pública; Flávio Amary, secretário da Habitação; Célia Parnes, secretária de Desenvolvimento Social; e Cleber Mata, secretário de Comunicação. Todos nós aqui chegamos de máscaras, para falar retiraremos as máscaras e depois colocaremos. O único imune, mas que em solidariedade também chegou de máscara, é o doutor David Uip, pois já teve o Coronavírus, e é o único de todos aqui que está imunizado. Queria registrar e agradecer a presença dos jornalistas que aqui estão, cientistas, fotógrafos, e em especial a TV Cultura, a Record News, a Band News, a TV Brasil, a TV Alesp, a TV e Rádio Jovem Pan, que estão transmitindo direto aqui do Palácio dos Bandeirantes essa coletiva. E agradecer também os flashs e as matérias que serão produzidas a partir de agora, da TV Globo, da Globo News, da TV Record, da CNN, do SBT, da TV Bandeirantes, da Rádio Bandeirantes, da Rádio Band News, e da Rede TV. Agradecendo também os jornalistas que estarão online nos acompanhando e dirigindo perguntas durante a coletiva. Eu quero começar nas mensagens falando sobre Sérgio Moro, o ex-juiz e ex-ministro da Justiça e da Segurança Pública do Brasil, na qualidade de governador do estado de São Paulo quero dirigir a Sérgio Moro a minha solidariedade, a este patriota, homem com grandeza e com honestidade. Cumpriu o seu papel brilhantemente à frente do Ministério da Justiça e da Segurança Pública do Brasil, como fez durante quase 23 anos como juiz, como magistrado. A saída de Sérgio Moro é um golpe na justiça, um golpe na liberdade, e um golpe na democracia do Brasil. E lamento, lamento muito, que o nosso país tenha que combater e tenha que lutar contra dois vírus, o Coronavírus e o outro vírus, que está no Palácio do Planalto em Brasília. São Paulo reconhece e agradece o trabalho do ministro Sérgio Moro, ao longo da sua atuação como ministro da Justiça e da Segurança Pública foi republicano, foi correto, agiu de forma diligente com as autoridades de segurança pública e da justiça de São Paulo. Quero também cumprimentar toda a direção da Polícia Federal, pelo mesmo bom comportamento, atitude, isenção, posição republicana, durante os últimos 16 meses. E registrar que como brasileiro que sou, e alguém que aprendeu a admirar um juiz que ajudou a mudar a história deste país, ao conduzir a Operação Lava-Jato, ao levar para a prisão dezenas de criminosos. Este homem ajudou a escrever as melhores páginas da história do país, e é lamentável que ele tenha tido a sua decisão amparada nas circunstâncias para deixar a posição de ministro de estado da Justiça, e da Segurança Pública. Hoje também falaremos aqui sobre educação, eu havia prometido ontem e vamos cumprir, e por isso a presença do secretário de Educação, e ex-ministro da Educaç ão do governo Temer, Rossieli Soares. Quero antes, porém, falar do sistema de monitoramento inteligente, o sistema de monitoramento inteligente de São Paulo apurou que a taxa de isolamento na região metropolitana de São Paulo ontem foi de 48%, a mesma taxa do dia 22. Portanto, sinal amarelo mais uma vez. E quero registrar aqui, com a mesma franqueza com que tenho feito em todas as coletivas, que as decisões do governo do estado de São Paulo são tomadas com base na ciência, na medicina e na saúde. Com o índice de 48% de isolamento não será possível realizarmos flexibilização na região metropolitana de São Paulo. Se os brasileiros que vivem nas cidades que compõem a região metropolitana, e na própria capital de São Paulo, não fizerem o isolamento com o índice mínimo de 50%, que foi a recomendaç&atil de;o da saúde, do comitê de saúde, nós revisaremos a decisão a ser anunciada no dia 8 de maio, de flexibilização gradual do isolamento na região metropolitana de São Paulo, incluindo a capital paulista. Já no interior, quero exaltar e cumprimentar várias cidades, prefeitas e prefeitos, e a sociedade civil, que tem respeitado a orientação e a sua população obtido índices superiores a 50% e a 60%. E vou nominar aqui os 20 municípios que ontem, no sistema de monitoramento inteligente alcançaram esses índices: São Sebastião, 62%; Ubatuba, 61%; Itanhaém, Lorena e Cruzeiro, 60%; Ribeirão Posteriores, 58%; São Vicente, 56%, assim como Pindamonhangaba e Caçapava; Caraguatatuba, e Mairiporã, assim como Ibiúna, Bebedouro e Cajamar, 55%; Itapecerica da Serra, 54%; Poá, 54%; Guaratinguetá , 53%, assim como Caieiras, Votuporanga e Pirassununga, todas com 53%. Outros exemplos também, mas para não alongar, nós selecionamos as 20 cidades com esses índices, mas há outras também no interior que vem mantendo índices superiores a 50%. Essa taxa de isolamento, ao lado do monitoramento do sistema de atendimento público de saúde, assim como o privado, e a disseminação ou não do vírus, ou seja, a contaminação, e óbitos, serão levados em conta pelo comitê de saúde para validar a decisão de flexibilização nas cidades, e regiões que obedecerem a estes critérios. Quero, por fim, informar que a partir da próxima segunda-feira, dia 27, faremos coletivas de imprensa, como esta de hoje, às segundas, quartas e sextas-feiras, terças e quintas, no mesmo horário, às 12h30min, apenas o comitê de saúde estará aqui se pronunciando. É uma forma de valorizar ainda mais e respeitar a ciência e medicina no estado de São Paulo, que tem balizado desde o dia 26 de fevereiro todas as nossas iniciativas, todas as atitudes e informações do governo de São Paulo. E hoje, excepcionalmente, a área de saúde não fará a sua coletiva às 15h30min. Portanto, a partir da próxima semana, as coletivas da saúde serão terças e quintas, 12h30min, aqui mesmo neste ambiente, no Palácio dos Bandeirantes. E as segundas, quartas e sextas, a saúde junto com as autoridades do governo de estado estarão aqui fazendo os seus pronunciamentos. No dia de hoje nós tínhamos prometido e vamos cumprir, o tema é educação, o governo de São Paulo planeja a retomada das aulas de acordo com a orientação do centro de contingência do COVID-19, do nosso comitê de saúde, de forma integrada com a Secretaria de Educação. Eu vou pedir ao secretário da Educação do estado de São Paulo, Rossieli Soares, que faça a apresentação dentro daquilo que já podemos definir desde agora, e por óbvio, quero antecipar, decisões mais explícitas e específicas serão anunciadas no dia 8 de maio. Secretário Rossieli.

ROSSIELI SOARES, SECRETÁRIO DE EDUCAÇÃO DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, governador. Muito rapidamente vou passar por alguns pontos, nós estamos trabalhando no planejamento em conjunto com toda a equipe no Plano São Paulo, isso é muito importante, com o comitê executivo, com o centro de contingência, com a Secretaria de Saúde. E todas as regras que nós vamos estabelecer, ou já discutimos, elas vão observar essa premissa fundamental, saúde e ciência comandam tudo que vai ser feito na educação, e sempre, qual quer passo deverá ser autorizado pelo centro de contingência, pela Secretaria de Saúde baseado nas evidências científicas. Nós queremos manter a nossa boa prática, nós começamos um processo na educação muito importante, naquele momento, de paralisação gradual, mas lembrem-se que nós informamos que os pais teriam uma semana pra se organizarem, da mesma forma já informamos que o retorno será também gradual, para também observar as boas práticas, mas as boas práticas já anunciadas pelo Estado de São Paulo, e vamos observar as diferenças internacionais, pode passar, por favor, nós temos aqui alguns países já com alguns indicativos, estamos observando, portanto, o retorno gradual escalonado, quase todos os países estão trabalhando assim, o início pela educação infantil tem variações importantes, nós vamos trabalhar observando a educação infantil de forma especial, o uso do ensino remoto, todos estão trabalhando com ensino remoto, em todos os lugares, nós já iniciamos essa linha, que eu vou falar no final, começamos as aulas online na segunda-feira. Redução do número de alunos por turma, quando for o retorno, gradualmente, até voltarmos ao normal, isso é importante por conta do distanciamento, então, quando ocorrer o retorno, também será gradual, falarei sobre isso, critério geográfico é um critério que será observado de acordo com o centro de contingência, secretaria de saúde, comitê executivo, que está liderado pelo nosso vice-governador Rodrigo Garcia, e pelo governador João Doria, que vai estar determinando outros passos, poderá ser considerado, lógico, protocolos de higiene, que estamos discutindo e vamos construir com maior nível de detalhe possível, pode passar, sempre observando o que o Plano São Paulo trouxe, muito rapidamente, em cinco pilares, né, teremos que sempre observar o distanciamento social, a higiene, a sanitização dos ambientes, a comunicação e o monitoramento de tudo isso é importante, então, estamos alinhados e trabalhando em conjunto na construção do Plano São Paulo na área de educação. Pode passar. Os protocolos serão construídos em conjunto com a Undime, que é a União dos Dirigentes Municipais, já nos reunimos com eles, com as universidades estaduais, tivemos já duas reuniões, inclusive com a participação da secretária Patrícia Ellen em uma delas, e com instituições privadas, logicamente , que já reunimos com a Associação Brasileira de Escolas Particulares, com o sindicato dos estabelecimentos, com representantes das universidades particulares, e também das universidades municipais, que são importantes no Estado de São Paulo. Pode passar. Liberação gradual no ensino infantil, isso é muito importante, nós vamos começar, certamente, pela educação infantil, sempre observando para regiões específicas autorizadas pelo comitê de contingência e pela Secretaria de Saúde, quando houver determinado tipo de liberação, nós poderemos começar, então, a liberar a educação infantil, e aí o primeiro grau atendimento restrito às mães trabalhadoras, então, se em algum lugar, lá no Plano São Paulo, se tiver a liberação de determinado município pa ra, por exemplo, o comércio retornar, poderá ter atendimento, mas não a todas as crianças, neste primeiro momento, para ser gradual para as mães trabalhadoras, por exemplo, isso é fundamental. Seguir os protocolos específicos de proteção para crianças e funcionários, por exemplo, nós teremos protocolos diferenciados pra educação infantil, porque o distanciamento que nós vamos buscar pras outras etapas, não será igual pra educação infantil, porque não é possível você determinar pra uma criança, pra um bebê, o distanciamento, por exemplo, de um metro, então, teremos protocolos específicos pra isso. E a decisão final da liberação caberá ainda às autoridades municipais, especialmente as prefeituras e as secretarias municipais de educação, ouvindo também as secretarias municipais de saúde, porque a educação infantil é com eles. Pode passar. E, para o ensino fundamental e médio, e posso dizer que também para o ensino superior, nós estamos trabalhando a volta em forma de rodízios, numa possível liberação, possível, porque dependerá exclusivamente também da decisão do comitê de contingência e da Secretaria de Saúde, nós paramos quando estas duas áreas nos determinaram que deveríamos parar, e voltaremos também com essa determinação. Então, um possível, na verdade em julho, não em junho, desculpa, tá errado ali, em julho serão para regiões específicas e gradual, algo muito importante, nós não retornaremos com todos os estudantes no mesmo dia, então, nós teremos rodízio d e estudantes, porque numa sala de aula tem 35 estudantes, para manter um metro de distância, por exemplo, não será possível trabalhar com 30, 35 estudantes, então uma parte dos estudantes irão num dia, outra parte em outro, assim completando o rodízio e continuando com aulas remotas, até que consigamos chegar num nível de liberação total, que certamente será mais pra frente, porque a gente precisa manter tanto o rodízio, quanto o distanciamento de mesas e materiais de higiene, por exemplo, que são cuidados que nós estamos trabalhando. Então, esses protocolos, ainda estamos fechando em detalhe, serão publicados junto no Plano São Paulo, com todas as instituições, tanto privadas, quanto públicas, pode passar. Aulas online, lembrando, que nossas aulas recomeçam, nós falamos até aqui das atividades presenciais, aul as online começam no dia 27, com transmissão na TV Educação, com transmissão, com a parceria com a TV Univesp, que nos cedeu espaço, com ensino mediado por tecnologia, com professor tendo um papel fundamental, estamos concluindo o planejamento, com muitos desafios, certamente, um aprendizado conjunto em qualquer lugar, pode passar. Concluo dizendo que nós temos uma programação fixa, por exemplo, aqui, pros anos iniciais, nós teremos horários fixos pra cada um dos anos, em cada um dos canais, por exemplo, primeiro ano dos anos iniciais, será sempre da segunda-feira às 7:30 até às nove horas, e aí mais atividades que a escola poderá enviar, e assim por diante, segundo ano das nove às 10:30, terceiro ano das 10:30 às 12. Quarto ano das 14 às 15:30 e o quinto ano das 15:30 às 17, somente no canal TV Univesp. Dos anos finais, pode pass ar, e no ensino médio, nós temos também horários definidos pra cada uma das séries, isso é muito importante, pra dar rotina aos nossos estudantes, elas estão sendo readaptadas para esse momento, mas essas são as rotinas estabelecidas. Lembrando que, pode passar, último slide, é que nós faremos uma avaliação diagnóstica no retorno, nós teremos um acolhimento muito especial para recuperar o clima escolar, avaliar, inclusive, neste período gradual, teremos um planejamento específico para reforço escolar e uma recuperação muito intensa, mesmo pra aquele que não pode assistir, ter acesso às atividades online, terão uma recuperação especial, porque ninguém pode ficar para trás. É isso, governador, muito obrigado.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, secretário Rossieli Soares, secretário da educação do Estado de São Paulo, eu passo a palavra agora para a intervenção do secretário de governo, vice-governador Rodrigo Garcia, e aí vamos para a saúde e, na sequência, as perguntas. Rodrigo.

RODRIGO GARCIA, VICE-GOVERNADOR E SECRETÁRIO DE GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO: Apenas pra reforçar, governador, que o Plano São Paulo, que é a saída planejada da quarentena, onde puder, a partir do centro de contingência, tem, entre a sua base, né, questões que são horizontais, e ao longo desses dois últimos dias, onde toda a equipe do governo João Doria tem dialogado com o setor produtivo, com as entidades do setor produtivo, uma das grandes preocupações que as entidades mostram é justamente com o planejamento de volt a das aulas, porque uma coisa tem a ver com a outra, a medida em que se retoma uma atividade econômica, se tem a necessidade de que pais e mães possam contar com o sistema público de ensino, para que eles, tranquilamente, possam reassumir as suas atividades, então, foi uma demanda muito grande nesses dois dias, o secretário Rossieli apresenta esse plano de maneira muito clara, que a volta é gradual, tá se pensando exatamente nisso, prioritariamente aquelas atividades comerciais e aquelas pessoas envolvidas nessas atividades, contar com o sistema público, então, é apenas a demonstração clara do detalhamento dentro do Plano São Paulo, no quesito educação, como também quesito de vigilância sanitária e outros, são transversais, e os secretários, cada um escalado pelo governador João Doria pra ser o porta-voz do governo, conta, ent&atild e;o, portanto, com os planos horizontais, agora, também da educação. E reforçando, governador, o erro ali do slide, o secretário Rossieli já deixou isso claro, que o retorno gradativo é a partir de julho, né, mostrando todo o planejamento que nós temos, e sem esse retorno gradativo em julho prejudicar o retorno antes, a partir do dia oito de maio, a ser definido aqui pelo centro de contingência. Então, a educação é um capítulo muito importante, transversal, impacta todos os setores, né, e o secretário Rossieli, junto com as entidades e, principalmente, com as autoridades municipais, fazendo essa pactuação, lembrando que o Plano São Paulo tem objetivo de pactuar governo, setores produtivos e cidadãos em prol do combate ao coronavírus e, principalmente, a volta da normalidade.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, vice-governador e secretário de governo Rodrigo Garcia, agora vamos pra saúde, como sempre fazemos, Dr. José Henrique Germann, secretário da saúde do Estado de São Paulo, com os números atualizados, e logo após a intervenção do nosso coordenador do comitê de saúde, Dr. David Uip. Com a palavra Dr. Germann.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DA SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito obrigado, governador, boa tarde a todos, os dados de hoje são, aqui para o Estado de São Paulo, temos 16.740 casos confirmados, o que deu um crescimento de 5% em relação ao dia anterior. E óbitos de 1.345, um crescimento de 19% da marca do dia anterior. No Brasil, nós temos 49 mil casos, 3.313 óbitos. Internados em regime de terapia intensiva, 1.148 pacientes, e em enfermaria 1.355. Teve uma pequena queda no número de pacientes internados em UTI. A taxa de ocupa&ccedi l;ão para todo o Estado de São Paulo, UTI está em 57.7%, enfermaria 41.8%. Na grande São Paulo, esse índice de ocupação da UTI é de 77%, enfermaria 67%. Muito obrigado, governador.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, secretário José Henrique Germann. Vamos agora ao coordenador do comitê de saúde, o Centro de Contingência do Covid-19, Dr. David Uip.

DAVID UIP, COORDENADOR DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: Muito bom dia. Bom dia, governador, vice-governador, todos. Eu quero fazer duas intervenções rápidas, mas eu acho que oportunas. Primeiro, o que é esse Centro de Contingência? Nós vamos estar falando isto com mais assertividade todos os dias. Esse Centro de Contingência está representado por cinco universidades e centros universitários: Unesp, USP, campus São Paulo e Ribeirão Preto, Unicamp, Unifesp e o Centro Universitário Saúde do ABC. Além disso, representan tes de alguns dos principais hospitais privados do Estado de São Paulo, a Secretaria de Estado, obviamente, e os seus institutos. Então, é um grupo composto de especialistas que representam universidades, hospitais públicos, Secretaria e hospitais privados. É um grupo talentoso, experiente, individualmente com grandes currículos. Segundo ponto que eu acho importante é dizer que o plano do Governo do Estado de São Paulo é um plano muito bom, adequado e oportuno. O mundo inteiro tem planos de saída, e claro que o Governo do Estado de São Paulo não poderia ter um plano depois das coisas acontecidas. Este plano, ele é implementado em circunstâncias muito claras e assim será a posição de sugestão do Centro de Referenciamento ao Governo do Estado, à Secretaria e Governo do Estado. E está baseado, este plano na área de saúde, est&a acute; baseado em alguns critérios muito claro. Primeiro, a estabilidade e o declínio do número de casos e de óbitos. O segundo, inquéritos soroepidemiológicos, que já estão acontecendo na iniciativa privada, vários inquéritos muito importantes que nós estamos acompanhando, e também na Secretaria de Estado. Terceiro componente, a capacidade de todo o estado na resposta aos doentes graves e os doentes que necessitam de UTI. Então, claramente isto. E depois, isto é muito importante, a continuidade do distanciamento social. Eu estou muito preocupado no que eu vi nos últimos dois dias de São Paulo. Além dos números, que são categóricos, que o governador claramente finalizou como amarelo, além disto, que não é uma sensação, são números, mas ontem eu, voltando do trabalho, governador, eu me depa rei com postos de gasolina com inúmeros, dezenas de jovens aglomerados, sem máscara, como se nada estivesse acontecendo. Isto não é possível, isto é muito grave. Nós estamos num momento que não pode haver qualquer relaxamento na política de distanciamento. E eu quero afirmar mais uma coisa: nós não vamos pagar essa conta amanhã ou depois. Tem um período de incubação, isto vai estar refletido nos números daqui uma semana, duas semanas. Então, tudo aquilo que nós conseguimos, graças a uma política adequada de governo, no tempo certo, decisões adequadas, pode se perder por conta de uma recém falta de colaboração de uma parte da sociedade. Nós somos muito gratos por toda a colaboração da sociedade até agora, mas o Centro de Referência vem se portando, e eu sou o porta-voz desse ce ntro, eu falo em nome de todos, neste momento eu sou o porta-voz. Nós estamos afirmando, desde o primeiro momento, que você consegue achatar a curva a partir de 50% de distanciamento, sempre objetivando alcançar um número maior. Números menores de 50% têm consequências graves nesse achatamento e pode reverter a tendência de achatamento da curva, e nós podemos nos defrontar não com uma montanha, que é isso que nós pretendemos e teremos essa montanha, mas sim com o pico do Everest. Então, esses cuidados, eles não estão alterados, eles não estão esvaziados. Então, a posição acadêmica e técnica desse Centro de Contingência do Estado observa dados diários e acompanha todas a projeções dos diversos grupos do Governo do Estado de São Paulo, e unifica em um dado só. Então, eu quero deixar claro a minha preocupação, em meu nome, seguramente do Governo, mas do Centro de Referência, com essa tendência que começa anteontem. Nós precisamos voltar a ter compromisso pessoal e responsabilidade com a sociedade.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Dr. David Uip, coordenador do comitê de saúde. Vamos agora às perguntas, começando pelos jornalistas que estão aqui presencialmente, mas temos também perguntas online. E vamos começar com a rádio Jovem Pan, jornalista Vitor Moraes. Vitor, obrigado mais uma vez por estar aqui conosco, boa tarde, sua pergunta, por favor. Se quiser, pode levantar o microfone.

REPÓRTER: Boa tarde, governador, boa tarde a todos presentes. Governador, retomando o que o senhor disse na abertura da coletiva a respeito do ex-ministro Sérgio Moro, queria que o senhor comentasse na sua opinião se a intenção do presidente Jair Bolsonaro em interferir na Polícia Federal foi um tiro no pé, e se o senhor vê o ex-ministro Sérgio Moro em alguma... Saindo para candidato a presidente da República em 2022 ou assumindo outro papel importante na política brasileira. Obrigado.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Vitor, obrigado pela pergunta. Não foi um tiro no pé, foi um tiro na democracia brasileira. O ministro Sérgio Moro é um dos homens mais exemplares que o Brasil produziu nos últimos anos, responsável, ao lado de outros valorosos colaboradores, pela Operação Lava-Jato, reconhecida mundialmente como a operação que contribuiu para melhorar o ambiente da democracia e da justiça no Brasil. É uma perda muito grande não termos mais à frente desse Ministério da Justi& ccedil;a e da Segurança Pública o ex-juiz Sérgio Moro. Ele tem todo o direito, como cidadão, de planejar ou almejar as suas perspectivas, tanto no âmbito político, no eleitoral e também no âmbito da própria política, tendo em vista que ele abriu mão da sua posição no magistério, 22 anos que ele deixou para aceitar o convite para ocupar o Ministério da Justiça e da Segurança Pública. Pessoalmente, eu desejo o melhor ao ministro Sérgio Moro e acho que ele faz por merecer. Vamos agora a uma próxima pergunta, também presencial, da jornalista Daniela Salerno, da TV Record e da Record News. A Daniela está aqui conosco? Eu não estou vendo a Daniela aqui. Bem, vamos... Se a Daniela voltar, ouviremos a sua pergunta. Vamos ao Pablo Ribeiro, da TV Bandeir antes e Band News. Pablo, obrigado por estar aqui conosco, boa tarde, sua pergunta, por favor.

REPÓRTER: Boa tarde a todos. Governador, a Mônica Bergamo, que é colunista lá na Band News TV também, trouxe a informação hoje que o Hospital das Clínicas da USP está ampliando a capacidade de leitos, por conta da demanda. A oferta está acompanhando a demanda de leitos no Estado de São Paulo? E a segunda pergunta é sobre o juiz Sérgio Moro. O governador do Rio de Janeiro já se colocou à disposição para se Sérgio Moro quiser colaborar de alguma forma na área de segurança do estado do Ri o de Janeiro, como secretário ou consultor. O senhor pretende fazer o mesmo também? Obrigado.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Pablo. Começo pela segunda e, na sequência, a sua pergunta e da jornalista Mônica Bergamo será respondida pelos profissionais de saúde, Dr. José Henrique Germann, com comentários do Dr. David Uip. Não se trata agora, na segunda questão, de fazer a disputa pelo passe do ministro Sérgio Moro. Trata-se de respeitar a sua própria decisão, é uma decisão dele, na condição, neste momento, de ex-ministro de estado. Eu já revelei publicamente por várias vezes, inclusive homenageei o ministro aqui no Palácio dos Bandeirantes, por aquilo que ele representa na sua trajetória, na sua biografia, para a justiça, a decência e a democracia brasileira. E mantenho todas essas posições reafirmadas neste momento. E agora, no tema da saúde, passo ao Dr. José Henrique Germann, com comentários do Dr. David Uip, sobre o Hospital das Clínicas.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO ESTADUAL DE SAÚDE DE SÃO PAULO: Ok. Conforme eu disse no início, aqui, na Grande São Paulo especificamente, nós temos 77% de ocupação dos leitos. E dentro desses hospitais que formam esta média, está o HC e está também o Hospital Emílio Ribas. Os dois são aqueles que têm taxas bastante elevadas, estão no topo da lista em termos de ocupação. E ambos têm que ir aumentando, gradativamente, o número de leitos. Nós temos uma possibilidade de au mento em ambos os hospitais, e assim faremos, conforme seja necessário, tanto no Hospital das Clínicas quanto no Hospital Emílio Ribas. Ontem estava aqui o Dr. Luiz Carlos, e já está anunciando o aumento de leitos também no Hospital Emílio Ribas.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Dr. David Uip?

DAVID UIP, COORDENADOR DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: Nós, até de acordo com o governador, em cada reunião presencial, terça e quinta-feira, nós teremos a presença de representantes do comitê de contingenciamento, e o rodízio, nessas reuniões, para que todos conheçam inclusive as opiniões. O Emílio Ribas passa por uma reforma, um investimento do Governo do Estado de São Paulo de R$ 200 milhões. Então, infelizmente essa pandemia veio num momento que o Emílio Ribas está em reforma. De qualquer forma, o Emílio Ribas tem 30 leitos hoje de terapia intensiva, aumenta dez leitos na próxima semana e mais dez na outra semana, totalizando 50 leitos. O Hospital das Clínicas disponibilizou o seu instituto central para o tratamento do Corona Vírus, são 900 leitos. Duzentos de UTI, aumentando mais 100, vai para 300 leitos de UTI, com uma capacidade de aumento até chegar a 900. É óbvio que isso depende da disponibilidade de insumos e de aparelhos, especialmente monitores, bombas de infusão e respiradores. Mas o Hospital das Clínicas tem 900 leitos, disponibilizou todo o seu instituto central para isso. E da mesma forma, há outros hospitais do estado que têm capacidade de aumento, mas sempre com a reserva da necessidade de aparelhos, que hoje é uma briga de compra no mercado internacional, todos os países querem esses aparelhos.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Dr. David Uip, obrigado, Dr. José Henrique Germann. Obrigado a você, Pablo Ribeiro, e também à jornalista Mônica Bergamo, que está nos acompanhando aqui ao vivo na transmissão da TV Bandeirantes, na rádio e TV Band News. Vamos agora a uma pergunta online da jornalista Isabela Palhares, da Folha de São Paulo. Isabela, você já está em tela. Sua pergunta, por favor.

REPÓRTER: Boa tarde, governador. Governador, eu gostaria de saber se o senhor avalia conversar com os reitores das três universidades paulistas, para alterar o calendário do vestibular desse ano. Com essa volta gradual das aulas, milhares de estudantes que estão no último ano do ensino médio, eles podem ser prejudicados aí para fazer o vestibular. Eu queria saber se o senhor avalia essas conversas com os reitores, e tendo em vista que a manutenção da data para o Enem já foi questionada aí por diversas autoridades do país. Então eu qu eria saber se São Paulo pensa em tomar a dianteira nisso, para evitar que esses estudantes da rede pública sejam mais prejudicados.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Isabela, muito importante a sua pergunta, eu vou pedir ao nosso secretário da Educação, Rossieli Soares, que possa oferecer a resposta. Rossieli.

ROSSIELI SOARES, SECRETÁRIO ESTADUAL DE EDUCAÇÃO DE SÃO PAULO: Isabela, obrigado pela pergunta, obrigado, governador. Nós já fizemos algumas reuniões. É importante lembrar que as universidades têm dialogado, primeiro entre si, para ter um calendário. A nossa primeira preocupação, Isabela, não é com a data da aplicação, nesse momento, mas sim com a data das inscrições. Se observarmos, as universidades já adaptaram seus calendários para as inscrições serem mais tardias, por que este poderia ser o primeiro grande prejuízo aos nossos estudantes, porque a escola estadual é quem ajuda o aluno que mais precisa a realizar as inscrições. Esta é a nossa principal crítica nesse momento ao Enem, onde as inscrições acabam no 22 de maio e nós não temos hoje a escola para ajudar os alunos que mais precisam. Isto, as universidades já adaptaram, no Estado de São Paulo. As universidades estão atentas, os reitores têm reunido constantemente, fizeram um cronograma, dialogaram conosco e, se for necessário, dependendo do que vai acontecer ainda daqui pra frente, eles estão abertos, sim, ao diálogo, e estamos mantendo esse diálogo sempre. O cronograma está alinhado hoje com a Secretaria de Educação e vamos trabalhar eventualmente numa mudança, se houver necessidade. A coisa mais importante agora é proteger o direito de todos se inscreverem, garantirem a sua isenção, que nós entendemos que, no Enem, está prejudicado.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, secretário Rossieli Soares, secretário da Educação do Estado de São Paulo. Obrigado à jornalista Isabela Palhares, da Folha de São Paulo. Vamos agora a uma pergunta presencial, do jornalista Marcelo [ininteligível], da TV Gazeta, que está aqui presente. Marcelo, obrigado pela sua presença, boa tarde, sua pergunta, por favor.

REPÓRTER: Boa tarde a todos. Eu gostaria de saber em relação às aulas online e todo o planejamento para que haja o ensino remoto. Muitas das famílias que dependem do ensino público, nós sabemos que, por mais que a tecnologia esteja disseminada hoje no mundo, acabam não tendo o acesso a computadores ou a celulares, e elas podem ser prejudicadas por conta desse ensino remoto e por conta desse planejamento, devido à pandemia. Como enfrentar esse obstáculo, que é um obstáculo que pode afetar muitas famílias? Obrigado.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Marcelo, pela sua pergunta, complementando a pergunta também da Isabela Palhares, da Folha de São Paulo. Peço ao secretário Rossieli para responder ao Marcelo [ininteligível], da TV Gazeta, que está neste momento no ar.

ROSSIELI SOARES, SECRETÁRIO ESTADUAL DE EDUCAÇÃO DE SÃO PAULO: Obrigado, Marcelo. É uma pergunta importante, como nós estamos trabalhando para tentar chegar à casa de todo mundo. Por isso que estamos com a televisão, patrocinando internet, e sabemos que teremos, sim, desafios em famílias que não poderão acessar, por inúmeros motivos: ou morar numa zona rural, que eventualmente não tem cobertura, ou não tem o aparelho. Por isso que nós estamos salientando muito: o diagnóstico e a recuperação e todo o sistema de recuperação que nós estamos construindo depois, ele será essencial. Mesmo que a gente retorne, por exemplo, lá no mês de julho, se o aluno não tiver assistido as aulas, ele terá uma atenção especial com um programa de recuperação específico desenhado para cada um dos nossos alunos, para garantir que ninguém fique pra trás. Esse... Nós não vamos dizer que é somente este modelo, mas nós vamos dar todas as oportunidades, durante todo o ano, para que nenhum estudante seja prejudicado. Logicamente que vamos fazer um esforço, neste momento, para que todos possam ter o acesso, e a Secretaria está estudando ainda vários complementos, ouvindo várias práticas, ouvindo as críticas e tentando buscar melhorar no processo. Mas nenhum estudante ficará pra trás.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, secretário Rossieli Soares. Marcelo [ininteligível], da TV Gazeta, obrigado pela sua pergunta. Vamos a uma nova pergunta online, desta feita do jornal O Estado de São Paulo, e faz a pergunta a jornalista Paloma Cortes, que já está aqui em tela. Paloma, boa tarde, sua pergunta, por favor.

REPÓRTER: Boa tarde, governador, boa tarde a todos. Queria fazer uma pergunta referente à chegada agora do Dia das Mães. Eu queria saber se há uma decisão já definida para postergar essa data, dado que o comércio quer a volta, o retorno, e gostaria que o senhor falasse mais uma vez sobre essa questão do isolamento social. Se essas taxas continuarem efetivamente muito baixas, esse Plano São Paulo pode ser cancelado como um todo, para todo o estado? Obrigada.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Paloma. A primeira pergunta eu responderei, a segunda respondo com a participação do setor de saúde, com os membros do comitê de saúde que aqui estão. Em relação ao Dia das Mães, no próximo dia 12 de maio, foi apenas uma sugestão. Cabe a decisão ao setor privado. Não é uma data estabelecida por calendário oficial, seja do Governo Federal ou Governo Estadual ou Governo Municipal. Mas entendendo que é a segunda data de volume para o varejo brasi leiro, depois vem o Black Friday, depois vem Dia dos Namorados, depois vem Dia dos Pais, pela ordem, a nossa sugestão foi para que o próprio varejo, através das suas associações comerciais, as suas federações e confederações comerciais, e obviamente com o apoio do setor privado, incluindo a Associação de Shoppings Centers, pudesse avaliar a transferência neste ano, especificamente por conta do Corona Vírus, para celebrar essa data no último domingo do mês de agosto. Com isso, o setor comercial poderia se preparar melhor, se orientar melhor e acredito também as pessoas conseguiriam celebrar melhor. Eu já não tenho minha mãe para celebrar ao meu lado, mas milhões de pessoas têm o privilégio de terem as suas mães para abraçarem, beijarem, e sempre entendi esta como uma data festiva, celebrativa, alegre, onde as pess oas se reúnem para um almoço, para um jantar. Eu não vejo condições de termos festa e celebração, beijos e abraços diante de uma crise de saúde desta dimensão. Portanto, me parece sensato, mas repito, não é uma decisão de governo, é uma decisão do setor privado, que esta data, excepcionalmente, possa ser postergada e celebrada, com alegria, com amor, com abraços e com beijos, depois de vencida a pandemia. E também com os presentes, já que esse é um gesto incorporado na tradição brasileira, mas no mês de agosto. E agora, em relação ao primeiro tema, ao segundo tema, sobre taxas de isolamento, eu volto a repetir, Paloma, o que já disse ontem e anteontem aqui, nesta coletiva: todas as decisões do Governo do Estado de São Paulo são formuladas com base na ciência e na medicina. Se n ós não tivermos os três fatores, e o Dr. David Uip, para não ser repetitivo, vai informar quais são os três fatores, um deles é a taxa de isolamento num padrão minimamente adequado, nós poderemos, sim, rever a nossa decisão de flexibilização da quarentena. Não há a menor hipótese de nós irmos contra a medicina, contra a saúde e, portanto, contra a vida. Por isso, todas as pessoas devem colaborar, cooperar. Vocês, que estão nos assistindo agora, estão nos ouvindo, e os que acompanharão o resultado dessa coletiva, mais tarde, ou através de mídia impressa, ou digital, ou emissoras de rádio, por favor, tenham consciência disso: fiquem em casa, para protegerem suas vidas, a vida dos seus familiares, a vida dos seus vizinhos e das pessoas de quem vocês gostam, e com as quais vocês convivem. E vamos ta mbém fazer um olhar regionalizado, situalizado, como já foi indicado aqui. E a complementação desta resposta é feita por quem comanda, na verdade, o conjunto de todas as respostas, que é a ciência, e é a medicina, aqui representado pelo Dr. David Uip, como coordenador do comitê de saúde. Dr. David Uip.

DAVID UIP, COORDENADOR DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: No nosso acompanhamento dos dados atuais, não há dúvida que há uma interiorização do vírus. Isto vem acontecendo dia a dia, comprovado pelo número, o aumento do número de infectados e o aumento do número de óbitos em municípios. Então, nós estamos acompanhando. Como é que o Centro, ele se refere a isto? Através da georreferência, através do encaminhamento, o eco-encaminhamento do vírus pelas estradas de São Paulo, atra vés de modelos matemáticos, epidemiológicos e estatísticos. Então, são dados muito objetivos, que nós estamos acompanhando no dia a dia, até nós chegarmos a uma conclusão de sugestão ao Governo do Estado. Então, isto é feito dia a dia, e nós vamos nos aprofundar. A área do litoral, já existe um avanço ao ponto do sistema de saúde estar sofrendo, e o interior, o secretário apresentou, o número de infectados e número de leitos ocupados, menor. Quero dizer que isso se deve, e muito, ao programa de distanciamento social que foi feito na área metropolitana de São Paulo. O interior, isso é uma projeção, deve estar atrasado em termos de epidemia de duas a três semanas. O que é uma ótima notícia. Isso possibilita, e possibilitou que o interior se programasse e se projetasse mel hor. Isso foi muito importante. É o que eu venho chamando de um provável achatamento da curva, com diminuição do número de infectados, de doentes e de pacientes que precisam de UTI. Então é o dia a dia, nós estamos perseguindo esses números e chegaremos às conclusões.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Paloma, para complementar vou pedir também intervenção do doutor José Henrique Germann, secretário da saúde do estado de São Paulo. Germann.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DE SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Conforme eu mostrei no início, o gráfico aqui hoje, eu posso dizer que o que nós procuramos com essa coleção de dados, é estabelecer uma tendência, é a tendência que vai nos levar de uma forma quando estiver consistente e bem objetiva, a dar segurança para que a gente possa dar ao governador, transferir essa segurança na tomada de uma decisão a respeito do que deve ser feito.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Doutor Germann. Obrigado, doutor David Uip. Vamos agora à penúltima pergunta, ela é presencial, da jornalista Marcela Rahal. Paloma, mais uma vez obrigado pela sua pergunta. Vamos agora à Marcela Rahal, da CNN. Boa tarde. Eles vão ajustar o microfone para você. Pronto. Obrigado pela sua presença, sua pergunta, por favor.

MARCELA RAHAL, REPÓRTER: Boa tarde, governador. Boa tarde, a todos. Bom, hoje faz um mês da vigência da quarentena no estado de São Paulo, eu queria saber qual o balanço que o gostaria estadual faz, se pretendem rever alguma medida, ou mesmo identificar algum tipo de erro? E quais os pontos positivos também? E uma dúvida que eu fiquei em relação ao ensino infantil, quando que deve começar, e de que forma? Obrigada.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Marcela, obrigado. E mais uma vez, obrigado a presença da CNN em todas as coletivas aqui. Vamos dividir a resposta com o Rossieli Soares, secretário da Educação, e a primeira parte com o secretário de governo, Rodrigo Garcia, também nosso vice-governador. Passo, vamos começar com a educação, com Rossieli Soares. Rossieli.

ROSSIELI SOARES, SECRETÁRIO DE EDUCAÇÃO DO ESTADO DE SÃO PAULO: Está ok. Marcela, obrigado pela pergunta. Vamos lá, primeiro aqui dentro, Marcela, dentro do Plano São Paulo nós vamos divulgar se vai ter liberações regionais ou se não terão. Então o quando dependerá exclusivamente da autorização do centro de contingência, da autorização da área da saúde para eventuais regiões que possam ter necessidade. Primeiro grau. Segundo grau, as próprias autoridades municipais também têm dentro da sua autonomia o poder de decisão de voltar ou não voltar com as suas redes, por exemplo, de educação infantil. Então o quando dependerá do Plano São Paulo, poderá ser acompanhando a liberação regional, mas exclusivamente para as mães trabalhadoras nesse momento. Isso é muito importante, se uma creche tem 120 crianças, voltariam apenas aquelas onde as mães, os pais, comprovadamente não tem com quem deixar, e precisam voltar a trabalhar, porque o setor voltou. Porque senão prejudicaríamos as mulheres, as mães que perderiam emprego por não ter com quem deixar os seus filhos. Então o protocolo vai ser gradual, começando olhando para essa liberação regional que o Plano São Paulo trará, e sempre observada a situação da saúde, do centro de contingên cia, tanto no nível estadual, como também a observação no nível municipal.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, secretário Rossielie. Marcela, eu vou pedir agora ao secretário de governo, e vice-governador Rodrigo Garcia. Evidente que nós vamos fazer uma síntese da síntese, porque seria tomar aqui demasiado tempo, fazendo todo o balanço desses 32 dias. Mas a síntese da síntese pode ser feita sim, e será apresentada agora pelo Rodrigo Garcia.

RODRIGO GARCIA, VICE-GOVERNADOR E SECRETÁRIO DE GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO: Olha, a quarentena decretada em São Paulo há 30 dias alcançou o seu objetivo, porque foram necessários esses 30 dias para, primeiro o estado preparar a sua rede de saúde, e eu vou lembrar de três anúncios que o governador fez aqui, o primeiro deles o aumento do número de leitos de UTI, nós aumentamos praticamente 50% o número de leitos de UTI, todas aquelas que estavam disponíveis e funcionais estão sendo credenciadas pelo governo do estado. Ao lon go também desse período, nós anunciamos recursos para todas as prefeituras de São Paulo, fomos o primeiro estado que fizemos isso com o orçamento próprio, e esses recursos foram acompanhados de recomendação, de preparação de recursos humanos nas prefeituras, de referenciamento de serviços específicos para o combate ao COVID-19 na prefeitura. E fizemos também um terceiro grande anúncio aqui, o nome técnico, que é o de contraferência, que foi justamente transferir pacientes de hospitais estaduais para a rede filantrópica, o estado comprou vagas, pagou vagas, para que a rede estadual tivesse mais preparada para receber os pacientes com COVID-19. Ao longo desse tempo nós tivemos então a ampliação da rede, e hoje inclusive a CNN faz uma matéria sobre isso, não fosse a quarentena a rede de saúde de São Paulo não estaria suportando a quantidade de pacientes, e hoje nós estamos em uma ocupação média geral, região metropolitana e interior, de 60%. Então mostrando que São Paulo acertou em sair na frente na decretação da quarentena, em preparar a sua rede de saúde, e ao longo desse tema também, preparar um plano muito bem estruturado de retomada. Ficou evidente para a sociedade que não se retoma do dia para à noite as atividades econômicas que, porventura, foram paralisadas no estado de São Paulo, no Brasil e em todo o mundo. E o fato da epidemia no mundo estar à frente do que está no Brasil, nos permitiu ter essas referências, nos permitiu montar o centro de contingência na área da saúde, na área da economia, na área da segurança pública, e nos permitiu também criar o Plano São Paulo de retomada gradual e responsável das atividades. Lembrando que o mundo todo está passando pelo o que o Brasil passa. Então, governador, o balanço que nós fazemos, a quarentena alcançou sim o seu objetivo, e a mensagem é que ela continua, e é fundamental a sociedade ter essa mensagem muito presente no seu cotidiano que é a mensagem de ficar em casa e manter o isolamento e o distanciamento social.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, secretário, e vice-governador Rodrigo Garcia. Marcela Rahal, obrigado pela sua pergunta. Vamos à última pergunta de hoje, ela também é presencial, é da TV Globo, Globo News, com a jornalista Beth Pacheco. Obrigado pela sua presença, boa tarde. Sua pergunta, por favor.

BETH PACHECO, REPÓRTER: Olá, boa tarde. A minha pergunta é para o secretário, talvez doutor David Uip. Eu queria saber da elevação do número de registros de mortes, em 24 horas. A gente sabe que não necessariamente essas mortes aconteceram de um dia para o outro. Mas por que o registro aumentou tanto, 211, 19%? Tem a ver com os testes que foram zerados? Enfim, por favor. Obrigada.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DE SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito obrigado, Beth, pela pergunta. De fato, existem vários fatores que determinam aí essa variação, se nós olharmos aqui o número de exames testados ontem, nós tivemos uma entrada de 1.400 exames e uma saída de 2.680. Como é possível isso, você ter uma saída acima daquilo que chegou? Mas, não, é porque isso é muito dinâmico, são as amostras que tem que ser transportadas, esse é um outro motivo. Um outro m otivo seria a própria gravidade da doença, que levando a óbito alguns pacientes. E então eu acho que dentro desta dinâmica, se você for ao que nos interessa, para análise, é que se estabeleça uma tendência, e é isso que nós estamos procurando e estudamos todos os dias. Você tem o número de óbitos de 18% a mais, e de 5% a mais na incidência de casos. Que segue o mesmo padrão que vinha seguindo. Então nós temos que observar ao longo do tempo e criar essa tendência, entender como está trabalhando o vírus, assim a gente pode estabelecer quais são as ações que temos para o enfrentamento da doença, sendo que o principal deles é o fique em casa. Nós sabemos que o distanciamento social, se ele diminuir, esses números de casos vão subir, essa taxa de 5%, 6% que a gente tem observado, ela vai para dois dígitos. E isso é muito perigoso.

DAVID UIP, COORDENADOR DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: Eu vou acrescentar mais um dado que o secretário falou, provavelmente nos dias de feriado houve uma lentidão de informação epidemiológica. Isso acontece, nós todos estamos trabalhando para agilizar para que não aconteça de novo, mas faz parte da rotina. Eu queria só voltar à pergunta anterior, governador. Foi perguntado os erros, eu prefiro trocar erros por novos conhecimentos. Nós ouvimos um dos principais Prêmios Nobel da saúde, e ele dizendo que ele em um primeiro momento teve uma avaliação que subestimou a epidemia, ele e todo mundo. Nós tínhamos dados que nos fazíamos reportar à China, e todos nós tivemos uma impressão que foi mudando, assim são as epidemias, aprendizado todos os dias. Do aprendizado à decisão. Então a palavra erro eu acho que não aconteceu, ninguém errou. Nós, muitas vezes, somos surpreendidos, e assim é a epidemia. E a surpresa gera um novo conhecimento científico. Então isso faz parte do contexto de uma doença que é inovadora, que é diferente de outras, até isso ficou fora do padrão. Se nós lembramos do SARS-1, começou com o mesmo ímpeto e rapidamente ele decresceu, o SARS-2 não, ele começou com ímpeto e continuou, é um novo aprendizado.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, doutor José Henrique Germann, doutor David Uip. Beth Pacheco, obrigado pela sua pergunta. Agradecendo a presença de todos, vamos terminar um pouquinho mais cedo a nossa coletiva de hoje. Queria mais uma vez recomendar às pessoas que estão em casa, que estão nos assistindo, e nos acompanhando aqui ao vivo em todo o estado de São Paulo, pelas emissoras que estão fazendo a sua transmissão, nesse momento, por favor, fiquem em casa. Eu faço um apelo mais uma vez às mulheres, às mães, para que convençam outras pessoas a seguirem o bom exemplo, que majoritariamente as mulheres têm dado aqui em São Paulo, permanecendo em casa, compreendendo a importância desse gesto para salvarem vidas. E que Deus abençoe e proteja o Brasil, e proteja o Brasil do extremismo, da intolerância e dos dois vírus, o Coronavírus e o vírus do ódio. Obrigado, boa tarde. Bom final de semana.