Coletiva - Governo de SP prorroga quarentena até 22 de abril 20200604

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Coletiva - Governo de SP prorroga quarentena até 22 de abril

Local: Capital - Data: Abril 06/04/2020

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JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Boa tarde, a todos. Muito obrigado pela presença. Agradecer os jornalistas que estão aqui no Palácio dos Bandeirantes, cientistas, fotógrafos, integrantes do governo que estão aqui ao meu lado, começando pelo Bruno Covas, prefeito da capital de São Paulo. José Henrique G ermann, secretário da Saúde do estado de São Paulo. David Uip, aproveito para dar as boas-vindas ao David Uip, depois da quarentena, ele teve o Coronavírus, se recuperou e volta a reassumir a coordenação do centro de contingência do COVID-19. Muito obrigado, Helena Sato, que está aqui conosco, continua integrando o nosso comitê médico, muito obrigado por essas duas semanas ter cumprido o papel que coube ao doutor David Uip, que ele retoma agora. Muito obrigado, Helena, pelo seu esforço, pela sua dedicação. Agradecer também ao Dimas Covas, que é o nosso diretor geral do Instituto Butantã, e integra também o nosso comitê de saúde do centro de contingência do COVID-19. Eu quero começar com algumas mensagens, e na sequência com as informações que fazem parte da essência desta coletiva de hoje, 6 de abril de 2020. Primeiro um apelo para que empresários que estão nos assistindo nesse momento, médios e grandes empresários, de São Paulo, principalmente, por favor, façam todo o possível para não demitir, não demitam os seus funcionários. Compreendo a dimensão, as restrições, e a dificuldade empresarial de um momento tão difícil, tão drástico quanto esse, mas parte do sentimento de um bom empresário é a sua retribuição social, é a sua capacidade humana, é a sua capacidade de reconhecer que sem os seus colaboradores, sem aqueles que são seus funcionários, em todas as graduações, vocês não conseguiriam ter chegado até aonde chegaram. Mais do que nunca, seus funcionários e colaboradores esperam isso de vocês, vocês que dirigem, vocês que são acionistas de empresas de médio e grande porte, exerçam a sua responsabilidade social, e exerçam o seu lado humanitário. Lembrem-se dos seus filhos, das suas esposas, dos seus pais, lembrem que o sofrimento é de todos, mas principalmente daqueles que dependem do salário para sobreviver. Quero aproveitar, Bruno Covas, e agradecer à algumas empresas, não vou nominar todas aqui, mas algumas que já assumiram publicamente o compromisso de não demitir, eu cito entre outras empresas, o Banco Santander, o Bradesco, o BMG, o Itaú, a Alpargatas, o Grupo Cosan e o Grupo Pão de Açúcar, que assumiram formal e publicamente o compromisso de não demitir nenhum funcionário até o final desta crise. Falarei também aqui, nas próximas coletivas, o nome de todas as empresas de médio e grande porte, que assumirem o mesmo compromisso público de não realizarem nenhuma demissão neste período. Quero também dizer que não pauto as minhas ações por populismo, pauto as minhas ações pela verdade e pela ciência. Desde o início desta crise, todos as iniciativas do governo do estado de São Paulo, assim como todas as iniciativas da Prefeitura da capital de São Paulo, são amparadas na ciência, na opinião médica, daqueles que conhecem e daqueles que tem conhecimento. Nós não fazemos achismos, e nem fazemos medidas que não estejam amparadas na verdade, e na informação científica. Saber ouvir é tão importante quanto saber falar, mas é preciso ter humildade para ouvir, sobretudo, em tempos que alguns gostam de impor as suas vontades e ameaçam aqueles que tem posição contrária. No momento de crise, no momento de dificuldade, é este o momento e m que você tem a oportunidade de ouvir, ouvir a palavra sensata, ouvir a palavra da ciência, ouvir a palavra dos médicos, ouvir a palavra daqueles que conhecem, e se afastar daqueles que pregam o ódio, que pregam atitudes que não correspondem ao interesse maior, que é preservar vidas. Destaco que há consenso entre as autoridades médicas, praticamente todas, para o isolamento, como forma de salvar vidas, e não só apenas as autoridades médicas brasileiras, é a Organização Mundial de Saúde. São médicos profissionais e agentes de saúde da maioria dos países do mundo, que já se manifestaram a favor do isolamento. No Brasil, quero lembrar, defendem o isolamento o Ministério da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, o ministério da Justiça, Sérgio Moro, o Ministério da Fazenda, Paulo Guedes, o vice-presidente da República, Amilton Mourão, o centro de estudos do Exército brasileiro, e repito, a maioria absoluta de médicos e cientistas. Será que todos eles estão errados? Será que a ciência mundial está errada? Será que a Organização Mundial de Saúde está errada? Será que ministérios e secretários de saúde de 56 países do mundo, que recentemente fizeram uma conferência com o diretor geral da Organização Mundial de Saúde, recomendando o afastamento social, o isolamento e as medidas em que cada um desses países vem adotando, respaldado na medicina e na ciência, estão todos errados? Será que um único Presidente da República no mundo é o certo? É quem detém o poder, a capacidade, a ciência, e o conhecimento para discordar do mundo? Do mundo que quer proteger vidas? D o mundo que quer salvar pessoas? Um dos mais respeitados economistas do mundo, o professor Joseph Stiglitz, concedeu uma brilhante entrevista nesse final de semana ao Jornal de São Paulo, ele é Prêmio Nobel de economia, e ele disse na sua entrevista, aliás, a chamada desta entrevista dizia: "A economia será devastada senão salvarmos as pessoas". Esta é a palavra do Prêmio Nobel de economia. Será que Joseph Stiglitz, Prêmio Nobel de economia também está errado? Lucros podem esperar, a vida vem antes do lucro. Dinheiro tem que servir, não governar, as palavras são do Papa Francisco. Aqueles que incentivam a vida normal, aqueles que pressionam o prefeito da capital de São Paulo, Bruno Covas, aqueles que me pressionam por Whatsapp, por telefonemas e por cartas, para que possamos agir contra os nossos princípios, e contra os princípios da medicina, a eles, eu pergunto, vocês estão preparados para assinarem os atestados de óbito de brasileiros? Vocês estão preparados para carregar os caixões com as vítimas do Coronavírus? Vocês que defendem a abertura, que defendem aglomerações, que minimizam a crise gravíssima que nós estamos, vão enterrar as vítimas? Quero dizer que o governo do estado de São Paulo vai continuar agindo com base na ciência, com base na medicina, e com um princípio que tem norteado a nós e à Prefeitura de São Paulo desde a primeira coletiva que temos feito aqui, nós vamos proteger vidas, nós vamos tratar de salvar vidas, depois de salvar vidas, vamos salvar a economia, e salvar vidas significa também o compromisso de ajudar os mais pobres, os desvalidos, aqueles que precisam de alimento, aqueles que precisam de assistência. Hoje pela manh&atil de; fizemos, Bruno Covas, a terceira reunião do comitê empresarial solidário, de empresários que têm a visão correta de não buscar o lucro a qualquer preço, destes empresários que participaram desta terceira reunião, 40 deles, perdão, no total, 60 deles somaram 218 milhões de reais para ajudar os mais pobres, ajudar o Governo de São Paulo a comprar cestas básicas de alimentos para o início imediato da distribuição às comunidades mais pobres e desfavorecidas do nosso estado, principalmente, Bruno, na capital de São Paulo e na região metropolitana, a estes empresários e empresárias, dirigentes de empresas de médio e grande porte, alguns até de pequeno porte, e aqueles que solidariamente, pessoalmente, fizeram as suas doações, muito obrigado. Obrigado pela vida, obrigado por protegerem os mais pobres, os humildes, os desvalidos, obrigado por contribuírem financeiramente para a aquisição das cestas do alimento solidário, é isso que se espera dos brasileiros, dos brasileiros de bem, das pessoas que têm sentimento e que respeitam a ciência e respeitam a vida e contribuem, com o seu dinheiro, com o seu esforço e com seu sacrifício para proteger os mais pobres e os desvalidos. Sejam solidários com a vida, se você não puder doar, faça seu gesto de solidariedade, recomende aos seus familiares, sobretudo aos que tem mais de 60 anos, recomende aos seus vizinhos com mais de 60 anos, principalmente, recomende àqueles que têm comorbidade, aos que têm, aos que são portadores de deficiência e a todos que puderem ficar em casa, enquanto perdurar a crise, por favor, fiquem em casa. Ao fazerem isso, e ajudarem a multiplicar a mensagem correta de ficar em casa, voc&ecirc ;s estarão ajudando solidariamente milhões de brasileiros a salvarem suas vidas. Nós vamos agora ouvir o depoimento de alguns médicos especialistas, professores, que defendem a vida, e que integram esse comitê de saúde coordenado pelo Dr. David Uip desde o dia 26 de fevereiro, quando, em plena quarta-feira de cinzas, convidamos o Dr. David Uip a assumir esse centro de contingência e a convidar especialistas do mundo da medicina e do mundo acadêmico para integrarem este grupo. Ao convidar o depoimento destes profissionais, nós demonstramos o respeito pela ciência, o respeito pela medicina, o respeito pela materialização do estudo e da técnica e afastamento completo do populismo, do achismo, da visão ideológica, torpe, fraca, medíocre, e ao final desses depoimentos, nós vamos ouvir também o secretário da saúde, José Henrique Germann, e o diretor-geral do Instituto Butantan e, obviamente, o nosso coordenador do centro de contingência do Covid, e a ele vou passar a palavra agora, pra que possa convidar para os seus depoimentos alguns dos integrantes, são 15 membros, Bruno Covas, desse centro de contingência, que se reúnem todos os dias, virtualmente, todos os dias, desde 26 de fevereiro. Pra que você, David, ao convidar um a um, pra que possam vir aqui, não faremos com os 15, em respeito aos jornalistas que aqui estão, e aos horários das emissoras de televisão, que estão aqui transmitindo ao vivo, mas alguns que aceitaram participar e que, agora, farão o seu depoimento. David Uip.

DAVID UIP, COORDENADOR-GERAL DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: Boa tarde, governador, eu depois falarei, mas eu quero dizer aos senhores que esse grupo é formado por alguns dos mais renomados, melhores especialistas desse país, nós distribuímos os currículos resumidos de todos eles, os que estão aqui presentes e não, no sentido de que os senhores entendam em que está galgado o Governo do Estado de São Paulo pra tomar as decisões que estão sendo tomadas. Nós vamos fazer dessa reunião, hoje, o que nós fazemos todos o s dias, nós nos unimos, nós discutimos, e as nossas conclusões, que são sempre em consenso, oferecemos ao secretário de estado e dele pro Governo do Estado de São Paulo. Então, eu vou chamar, inicialmente, o Luiz Fernando Aranha, que vai falar do seu posicionamento atual sobre o Covid.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Dr. Luiz Fernando Aranha, professor, doutor, infectologista do Hospital Albert Einstein.

LUIZ FERNANDO ARANHA, INFECTOLOGISTA DO HOSPITAL ALBERT EINSTEIN: Boa tarde, governador. Boa tarde, secretário, David, boa tarde a todos, esse comitê, que assessora o nosso governador, começou com um entendimento inicialmente empírico, intuitivo, de que o isolamento social, ou distanciamento social um pouco mais ampliado, um pouco mais radicalizado seria, teria um papel fundamental no impacto da epidemia sobre o cidadão comum, pelo simples fato de uma doença que é transmissível entre as pessoas, intuitivamente você distanciar as pessoas, o impacto vai ser claro, o posicionamento foi claro inicialmente, na recomendação ao secretário e ao governador, passamos por um segundo momento em que a literatura médica especializada confirmou as nossas impressões, são várias as publicações avalizadas por entidades científicas do mundo inteiro, mostraram esse benefício, então, nós fomos respaldados posteriormente por aquilo que vimos. Estamos no momento atual de observar já os resultados benéficos, tanto em dados provenientes do Estado de São Paulo, do município de São Paulo, e mais especificamente nos locais em que cada um de nós trabalha. Hospital Israelita Albert Einstein começou com um pico muito precoce de pacientes, mas o escalonamento de casos foi muito claro, permitiu a instituição organizar-se pra atender a todos os pacientes e estamos num momento de atingimento de um certo platô de internação, e que nos permitiu claramente atender, com capacidade, com qualidade a todos os pacientes que procuraram a instituição. No âmbito público, no Hospital São Paulo, da Universidade Federal de São Paulo, da Escola Paulista de Medicina, gerida pela SPDM, onde eu trabalho também, de acordo com o comitê local, Dr. José Roberto Ferrari, Dr. Eduardo Medeiros, da disciplina de infectologia, esse escalonamento, apesar do trabalho ser intenso e extenuante dos profissionais que estão atendendo na linha de frente, esse escalonamento nos permitiu, permitiu ao hospital montar progressivamente uma estrutura, que vai culminar com 200 leitos pra pacientes com Covid e 50 leitos de UTI. Portanto, nós já, felizmente, pudemos observar nesses dias que o isolamento, que as medidas duras, mas necessárias, tomadas, permitiram a que essas duas instituições, uma púb lica e uma privada, se organizassem e oferecessem a população um atendimento escalonado, de qualidade e pra todos que procuram essas instituições.

DAVID UIP, COORDENADOR-GERAL DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: Muito obrigado, professor Luiz Fernando. Eu gostaria de chamar agora o professor [ininteligível], temos um minuto pra cada depoimento, pra todos, que nós todos possamos falar.

CARLOS FORTALEZA, PROFESSOR DE INFECTOLOGIA DA UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA: Eu queria, em complemento ao que foi falado pelo Luiz Fernando, aqui saldar o governador, o prefeito, o secretário, os amigos, David e Dimas, e dizer que nós, no interior de São Paulo, temos visto uma progressão da epidemia ainda numa fase ascendente, diferente da estabilização que foi conseguida aqui. Dados de mobilidade social medidos por celulares, tem mostrado que no interior uma falsa sensação de segurança reduz a eficácia da mensagem de isolamento, fazendo com que n&ati lde;o atinjamos a meta de por volta de 60%, que é necessária para contenção da doença. Nós temos estudado na UNESP, onde eu trabalho, junto com modeladores matemáticos, e geógrafos da saúde, os modos de dispersão do estado, e percebemos algumas cidades polo, que quase correspondem às maiores cidades do estado, mas também as mais próximas da metrópole, que precisam de um isolamento ainda maior de forma a reduzir a interiorização desse vírus, e a sua dispersão pelo estado. Esse é um trabalho que está sendo feito no âmbito da Universidade Pública, UNESP, e trabalho semelhantes tem sido feito pelas duas outras USP e Unicamp, e acho que estamos devolvendo a nossa resposta à sociedade.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DE SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito obrigado, professor Luiz Carlos.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: A palavra que vocês ouviram agora foi do professor doutor Carlos Fortaleza, professor de infectologia da Universidade Estadual Paulista. O currículo completo de todos está já em poder dos jornalistas. E agora vamos ouvir o professor doutor Luiz Carlos Pereira Júnior, infectologista diretor geral do Instituto Emílio Rivas.

PROFESSOR DOUTOR LUIZ CARLOS PEREIRA JÚNIOR, INFECTOLOGISTA DIRETOR GERAL DO INSTITUTO EMÍLIO RIVAS: Obrigado, governador, pela oportunidade, aos colegas da mesa. Eu queria primeiro dizer que é ótimo ver o doutor David de volta, ficamos todos felizes. E estou falando aqui não só em nome do Instituto Emílio Ribas, eu estou falando aqui em nome de 42 unidades mais rural, todos os hospitais da administração direta, que hoje, no esforço transformador está oferecendo 595 leitos de UTI, e 716 leitos de enfermaria exclusivamente para atender essa popula ção afetada pelo Coronavírus. Nesse sentido vocês podem imaginar a quantidade de milhares de profissionais de saúde, a quem eu agradeço, estendo o agradecimento a todos eles, que no seu deputado, manhã, tarde, madrugada, estão lá trazendo conforto para essa população, para esses pacientes. Dessa forma eu queria só aproveitar o momento para dizer, a tendência nesses serviços, muitos deles periféricos, que nós estamos observando nesse momento, é a chegada de cada vez mais pacientes. A situação não está sob controle absoluto, precisamos insistir para que esse distanciamento social seja efetivo, que a gente observa nos últimos dias, já na cidade de São Paulo, um pouco de trânsito, algumas manifestações de ocupação de praças. E eu queria fazer esse apelo, reiterar esse apelo m uito bem apresentado pelo governador. Queria reiterar em nome das instituições públicas, que atendem esses casos, por favor, fiquem em casa.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DE SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito obrigado, professor Luiz Carlos. Professor Esper Kallás.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, professor doutor Luiz Carlos Pereira Júnior. Nós vamos ouvir agora, também professor doutor Esper Kallás, professor titular de infectologia da Universidade de São Paulo, e da Universidade George Washington, em Washington, DSY, Estados Unidos. Professor Kallas.

GEORGES KALLÁS, PROFESSOR TITULAR DE INFECTOLOGIA DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO, E DA UNIVERSIDADE GEORGE WASHINGTON: Boa tarde, governador, prefeito, diretor do Butantã, Dimas Covas, José Henrique e David. Eu queria dizer que o Hospital de Clínicas se comprometeu desde o primeiro instante em alinhar forças com o estado de São Paulo, e com todas as demais e queridas instituições que a gente permanentemente se relaciona, para criar um plano de atender os pacientes com o Novo Coronavírus. O Hospital de Clínicas fez uma ação que tem pou quíssimo precedente na história, nós esvaziamos todo o instituto central, vamos abrir 700 leitos para receber pacientes com Coronavírus. Com a ajuda do estado de São Paulo nós conseguimos mobilizar todos os nossos recursos e espaços para já acomodar 200 pacientes sem Unidade de Terapia Intensiva, com a possibilidade de ampliar isso ainda mais. Atualmente nós estamos com 278 pacientes internados, 117 deles em Unidade de Terapia Intensiva, que se pauta no tratamento de suporte ventilatório para a maioria dos pacientes com a COVID-19, e oferecer para eles condições de passar por uma fase crítica que pode durar duas, três semanas, até eles começarem a se recuperar. Nós também começamos uma série de esforços dentro da faculdade de medicina da USP, do complexo HC, e já desencadeamos 21 projetos de pesquisa realizados nas diferente s áreas, tanto na área de avaliação de transmissão, a área do mecanismo que o vírus causa doença nas pessoas, como que são as melhores maneiras de conter a transmissibilidade. Estamos investigando novas formas de tratamento, dado que ainda a gente não tem nenhum tratamento específico antiviral, que seja totalmente comprovado para uso, à despeito de algumas tentativas que estão sendo postas e tentadas nos diversos hospitais. Muitos desses projetos, a maioria deles ocorrem em colaboração com os meus colegas dos outros campings da USP, o Emílio Ribas, e o Albert Einstein, o Hospital Sírio Libanês, entre outros. Além de outros colaboradores internacionais. A gente vem trabalhando muito duro para tentar ver se encontra soluções que mudem o curso dessa epidemia, porque a gente imagina que a gente vai ter muito tempo pela frente de embate e enfrentamento dessa doença.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DE SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito obrigado, professor Esper.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, professor Esper Kallás. Vamos agora ouvir o doutor Dimas Covas. O doutor Dimas é professor doutor titular de clínica médica da Universidade São Paulo de Ribeirão Preto, e o atual diretor geral do Instituto Butantã. Dimas.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTÃ: Boa tarde. Obrigado, governador. Eu vou apresentar aqui um embasamento dos estudos que estão sendo feitos por um grupo de epidemiologistas, que envolve o Butantã, a UNB, e Fiocruz, todos eles liderados pelo doutor Júlio Croda, recém-incorporado. E tentar subsidiar aí as medidas que estão em curso. Começando para tentar explicar porque essas medidas de afastamento são importantes no contexto da infecção. Então aqui nós temos as várias medidas que foram tomadas, e o impacto dessas m edidas em ternos de taxa de infecção, taxa de contágio, que está lá no eixo Y. Então está lá, distanciamento social, produz 25% de redução de taxa de contágio, auto isolamento, um pouco menos de 50%, fechamento de escola em torno de 25% a 30%, eventos públicos também. E aí nós chegamos lá na reunião de todas elas, que vão dar o que nós chamamos de redução mais intensa, ou seja, um afastamento social mais efetivo. E aí o efeito na taxa de transmissão é superior a 75%. Lembrar que se ela se aproximar, quanto mais ela se aproxima de 100%, mais nós estaremos controlando a epidemia. Quer dizer, como é que nós avaliamos se as medidas estão sendo efetivas ou não? Então tem vários movimentos nesse sentido, o que tem se demonstrado mais efetivo é a mobilidade dos celulares, e nós temos os números aqui no estado de São Paulo, que começaram muito bem, em torno de 69, depois caiu para 60, e hoje está em 56% de redução. Ou seja, houve um arrefecimento do impulso inicial. Lembrar que para essas medidas serem efetivas nós temos que ter acima de 70% de redução na mobilidade, que é o que está acontecendo na Itália há mais de três semanas, e aqui nós não chegamos lá. Então a importância de as pessoas entenderem é que nós precisamos chegar nesse nível de redução do afastamento social, acima de 70%. E é a única medida que nós temos no momento que é eficaz, eficiente para determinar na redução da taxa de infecção, da taxa de contaminação. Então esse esquema que ele ilustra muito bem isso, e mostra a importância que essas medidas sejam entendidas. E nesse momento nós temos que aumentar a aderência, quer dizer, o decréscimo dessa curva que estava ascendente, preocupa, e preocupa muito, já foi maior, já foi próximo de 60%, 62%, e agora está em 50%, cinquenta e poucos por cento. Próximo. Bem, essas medidas elas nos permitem olhar para três cenários, que eu coloquei ali, cenário A, sem mitigação, como estávamos antes. Cenário B, com uma mitigação medida, que é mais ou menos o que nós estamos hoje. E um cenário C, com uma mitigação mais intensa, com a redução da mobilidade mais intensa. Quer dizer, mitigação é uma palavra muito complicada, vamos falar redução da mobilidade. Então nós temos uma projeção de 15, 30 e 60 dias, e aqui nós esta mos falando em leitos de UTI. No estado de São Paulo nós temos 12.546 leitos de UTI nesse momento, a ocupação desses leitos já em torno de 50%, ou seja, nós temos 6 mil leitos ocupados. Se não houvesse sido tomada nenhuma medida, nesse momento nós estaríamos necessitando de mais 3.742 leitos de UTI. Daqui 15, daqui mais 30 dias, 16 mil, e 60 dias, 18 mil leitos. Ou seja, o nosso sistema estaria absolutamente incapacitado de atender todos os pacientes. Passamos para o cenário B e C. Então, vocês vejam que, tanto no B como no C, nós conseguimos lidar com a questão dos leitos de UTI. Com os leitos existentes, nós vamos conseguir atravessar aí a epidemia. Próximo. Quando nós aplicamos dois cenários, o cenário A, sem nenhum tipo de redução, e o cenário B, que é o que nós estamos nesse momento, olhamos pro n&u acute;mero de casos no Estado de São Paulo e projetamos para o dia 13/04. Sem nenhuma medida, nós estaríamos lá no dia 13 com quase 150 mil casos no Estado de São Paulo, quase 150 mil casos. Com as medidas, nós vamos chegar lá nessa data em torno de 20 mil, 25 mil casos. Uma projeção pro dia 13/04, que está chegando aí, semana que vem. Próximo, próximo. Óbitos, isso é importante, quer dizer, se nós não tivéssemos tomado nenhuma medida, no dia 13/04 nós estaríamos próximos de 5 mil óbitos, 5 mil óbitos. Tomamos as medidas, esperamos chegar lá com menos de 1.300 óbitos. Então, com isso, vocês podem ter uma dimensão do que nos espera. Quer dizer, teremos óbitos, sim, esse número será crescente, mas nós podemos olhar os cenários e fazer uma proje&ccedil ;ão. Próximo. Essa é uma curva que eu já apresentei, é um gráfico que eu já apresentei anteriormente, ela é importante, porque ela dá uma projeção pros 180 dias de duração da epidemia, quer dizer 180 dias, ou seja, começou lá atrás, vai 180 dias, né? Já esperamos que lá, no final, ela já tenha terminado. A projeção é essa. Se não houvesse nenhum tipo de medida, nós teríamos 277 mil mortos no Estado de São Paulo. Com as medidas, nós vamos reduzir em 166 mil mortes. O governador tem dito exatamente isso: precisamos reduzir o número de mortes. Com essas medidas, vamos reduzir em 166 mil mortes. É um número muito significativo. Número de pessoas em hospitais: 1,3 milhões pra 670 mil, 630 mil pessoas não procurarão os nossos hospitais. N&u acute;mero de pessoas em UTI, 315 mil pra 147 mil. Vamos reduzir em 168 mil. Então veja, isso aqui dá uma dimensão da importância das medidas que estão sendo tomadas. E mais, não só as medidas precisam ser olhadas, mas elas precisam ser respeitadas. Nesse momento, nós precisamos da adesão das pessoas, nós precisamos elevar, mostrar que a redução está funcionando, em níveis superiores a 70%. Muito obrigado.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Dr. Dimas. Antes de abrir, antes de um informe e da palavra também do Bruno Covas, vou pedir os números ao Dr. Germann, temos os números atualizados. O senhor tem? Vamos lá.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO ESTADUAL DE SAÚDE DE SÃO PAULO: Então hoje nós temos, para o Brasil, 11.130 casos, com 486 óbitos. Para São Paulo, 4.620 casos, com 275 óbitos. Isto, os casos são 41,5% do Brasil, e os óbitos, 56% do Brasil. Seguinte: em 21 de abril foi quando se iniciou o período de isolamento, nós tínhamos os casos registrados principalmente na cidade de São Paulo e Grande São Paulo, num total de 20 municípios. Eram 459 casos confirmados e 15 óbitos. Nesses, 33 pacientes em terap ia intensiva. Hoje, 5 de abril, ontem, pela estatística de ontem, nós temos 99 municípios que já apresentam casos positivos, em 13 regiões administrativas do estado. Esses 4.620 casos confirmados significam, para o início, 900% de aumento. E os 275 óbitos significam, do início, 1.700% de aumento. E os 572 pacientes que hoje estão na UTI significam 1.600% de aumento. Então, o que eu queria dizer é que, sem essas medidas que nós tínhamos tomado, temos tomado, com apoio do governador, no sentido de fazer um isolamento das pessoas, ainda no chamado distanciamento social, se nós não tivéssemos feito, pelos cálculos, seríamos dez vezes mais casos do que os 4.600 casos.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Dr. Germann. Apenas uma correção, ali, por óbvio, a data de 21 de abril é 21 de março e não de abril, o que está indicado ali no slide.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO ESTADUAL DE SAÚDE DE SÃO PAULO: Ah, sim.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Bem, obrigado, Dr. Germann.

DAVID UIP, COORDENADOR DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: Posso falar, governador?

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Claro. Por favor.

DAVID UIP, COORDENADOR DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: Preciso de três minutos. Primeiro, governador, eu vou usar três minutos da sua paciência, mas eu preciso, primeiro, agradecer. Agradecer a Deus eu estar aqui, vivo. Segundo, à minha família, especialmente a Tereza, meus filhos, netos, genros, pela solidariedade. O senhor, que não deixou de me ligar um dia, não pra pedir coisas, pra saber como o amigo estava. Um agradecimento muito especial pra Helena Sato, você é e foi brilhante. Patrícia Ellen, ontem nós ficamos até meia-noit e discutindo dados. E a todos os profissionais que me atenderam, Dra. Tânia, [ininteligível]. Então, eu quero fazer um depoimento, pra que vocês entendam bem do que se trata essa doença. Eu, há dois domingos, eu me senti muito mal. O pessoal da televisão quis me entrevistar, o governador é testemunha, o José Henrique também. Eu não consegui falar. Eu estava extenuado, eu fiquei sentado numa cadeira e, pela primeira vez na vida, eu me neguei a falar a uma emissora de televisão, eu não conseguia. De domingo pra segunda eu passei muito mal e, na segunda de manhã, eu fui fazer o exame e a tomografia. O exame deu positivo, a tomografia, normal. A semana que se seguiu foi de extremo sofrimento. E na segunda-feira seguinte, esta há uma semana, eu voltei a fazer o exame e a tomografia. Nessa tomografia, apareceu a pneumonia. Então, este sentimento de você se ver, como médico, infectologista, com uma pneumonia, sabendo que muito provavelmente entre o sétimo e o décimo dia você ia complicar, quero dizer a vocês que foi um sentimento muito angustiante. Você ir dormir não sabendo como ia acordar. Felizmente, Deus me ajudou e eu venci a quarentena. E quero dizer também pra vocês que não é fácil ficar isolado, é de extremo sofrimento, mas absolutamente fundamental, absolutamente fundamental. Eu tive que me reinventar, eu tive que criar um David novo, seguramente mais humilde e sabendo os limites da vida. Hoje, graças a Deus, eu quero agradecer muito à imprensa. Durante todo esse período vocês, não como imprensa, mas como amigos, demonstraram toda solidariedade, como sempre foi. Então, hoje é o momento que eu quero fazer esse depoimento, muito mais como paciente do que como médico. E o segundo fato que fic ou claríssimo pra mim, que eu acho que todos devem entender: quem vai sair vivo são os indivíduos que estiverem sendo atendidos em estruturas hospitalares arrumadas, protocoladas, bem equipadas e com equipes médicas bem estruturadas. Isto é claríssimo, de todos os doentes que eu estou vendo. Com este achatamento que o professor Dimas mostrou, além de outras vantagens, está possibilitando que os hospitais públicos e privados se reorganizem, está possibilitando que indivíduos como eu, que ficaram adoecidos, voltem pra frente de trabalho. Quero dizer ao governador que eu vou dividir meu tempo, entre fazer o que eu estou fazendo, ajudando o senhor, e voltar a atender pacientes, porque eu passo pelo ativo que eu já passei pela doença, né, então, eu, teoricamente, não me contamino de novo, mas são palavras, são testemunhos de quem esteve do outro lado, n&at ilde;o é brincadeira, então, por favor, aqueles que estão subestimando, achando que não mata, ou que é pouco, eu desejo que não adoeçam, é um sofrimento muito grande. Quero agradecer de novo, governador, sempre a sua amizade, amizade de mais de 40 anos, a Bia, pelo seu apoio integral, a todo o governo, que teve esse carinho por mim [ininteligível]. Muito obrigado.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, David Uip. Depoimento sensibilizador de um médico, de um especialista, dos melhores do país, de alguém que sofreu com o coronavírus, conforme ele mesmo testemunhou, Bruno, na fase mais aguda dormiu sem saber se poderia acordar vivo. Eu queria, neste momento, deixar claro a opinião pública e a população do Estado de São Paulo, que, sim, a prorrogação da quarentena será feita em S&at ilde;o Paulo, por mais 15 dias, do dia oito até o dia 22 de abril, volto a repetir, sim, a quarentena prosseguirá de oito a 22 de abril, 15 dias, portanto, em todo o Estado de São Paulo, pelo conjunto de razões que já foram aqui largamente expostas pelos cientistas, médicos e especialistas. E ao passar a palavra para o prefeito da capital de São Paulo, quero recomendar também que prefeitas e prefeitos, que estão nos assistindo aqui pela TV Cultura, para Globo News, pela CNN, e por outras emissoras de televisão, e ouvindo também por emissoras de rádio, vocês terão o dever, a obrigação de seguirem nas suas cidades a orientação do Governo do Estado de São Paulo, isto é constitucional, não é uma deliberação que pode ou não ser seguida, ela deve ser seguida por todos os 344 municípios do estado, al&eac ute;m da capital de São Paulo, sob o comando do Bruno Covas. E devem exercer também, ao lado da Polícia Militar, o poder de polícia se houver desobediência de qualquer natureza para esta orientação, nenhuma aglomeração de nenhuma espécie, em nenhuma cidade ou área do Estado de São Paulo será admitida, as guardas municipais, ou guardas metropolitanas deverão agir e, se necessário, recorrer a Polícia Militar do Estado de São Paulo para que, imediatamente, possa haver a dissipação de qualquer movimento ou qualquer aglomeramento de pessoas no Estado de São Paulo, essa é uma deliberação, essa é uma medida que será publicada no Diário Oficial de amanhã e deverá ser rigorosamente seguida pela população do Estado de São Paulo, na defesa das suas vidas, na proteç&a tilde;o das suas vidas e dos seus familiares, e peço também que prefeitas e prefeitos contribuam no mesmo sentido, para que essa medida seja aplicada e obedecida corretamente. Sigam o exemplo do Bruno Covas, na capital de São Paulo, a quem passo a palavra nesse momento. Bruno.

BRUNO COVAS, PREFEITO DA CIDADE DE SÃO PAULO: Boa tarde a todos, queria apenas registrar que, da mesma forma que falaram aqui vários cientistas, professores, médicos, especialistas, os técnicos da vigilância sanitária do município de São Paulo, da Secretaria Municipal de Saúde, tem o mesmo entendimento, relatório produzido por eles nesse final de semana mostra aquilo que já foi dito aqui, em especial pelo professor Dimas, dizendo que sem essas medidas restritivas, a curva teria sido muito mais íngreme do que foi até agora, e que n&oa cute;s, infelizmente, ainda não atingimos o pico da doença aqui na cidade de São Paulo, como no Estado de São Paulo. E reforço também o apoio a essa medida do Governo do Estado, anunciada aqui pelo governador João Dória, porque, nesse final de semana, já começamos a sentir a pressão sobre o sistema de saúde aqui no município de São Paulo, apesar de todo esforço de criação de três mil leitos adicionais, que nós estamos tendo aqui na cidade de São Paulo, praticamente 900 leitos de UTI e 2.100 leitos de baixa complexidade, de observação, nós já sentimos, nesse final de semana, a pressão, tanto que é verdade que até amanhã, praticamente, 25% já do Hospital Municipal de Campanha do Pacaembu, que foi aberto hoje pra receber o primeiro paciente, já vai estar ocupado. Ent&atild e;o, muito em breve os 200 leitos estarão já todos ocupados no Hospital Municipal de Campanha do Pacaembu, tanto que nós estamos tentando ao máximo antecipar a abertura de todos os outros leitos previstos, Hospital [ininteligível], por exemplo, eram 40 leitos pra semana que vem, que nós estamos tentando antecipar já pra esta semana, pra poder receber a população. Governador falou muito bem aqui sobre a pressão que recai sobre os agentes públicos de todos os lados, em todos os sentidos, mas o que dá tranquilidade pra gente poder decidir é saber que estamos ao lado da ciência, saber que estamos ao lado da recomendação das pessoas que estudaram a vida inteira pra poder orientar, tanto a prefeitura, quanto o Governo do Estado. E partimos do pressuposto de que vida não tem preço, por mais que se fale em prejuízos econômicos pro setor produtivo e também pro poder público, a gente parte do pressuposto que a vida é o bem mais importante a ser protegido, a ser tutelado, e cada vida poupada vale o investimento, pra cada ação que é feita vale a pena esse investimento, porque não há a menor dúvida de que é isso que importa pra um governante. Então, dizer que a prefeitura de São Paulo segue na mesma direção, continua trabalhando em parceria com o Governo do Estado, e tem a mesma preocupação, pra que as pessoas, né, não afrouxem o isolamento social, permaneçam em casa, volto a insistir, ficar em casa, nesse momento, não é uma questão de higiene, é um ato humanitário. Muito obrigado. Boa tarde a todos.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, prefeito Bruno Covas, vamos agora as perguntas, são 13 horas e 15 minutos, é provável que a nossa coletiva, hoje, excepcionalmente, se estenda um pouco mais, mas justifica-se pela dimensão da medida e a importância desta iniciativa. Vamos começar com a TV Cultura, com a jornalista Maria Manso, que está aqui presencialmente, vamos intercalando com perguntas online. Maria, boa tarde, sua pergunta, por favor.

MARIA MANSO, REPÓRTER: Boa tarde a todos, bem-vindo de volta, Dr. David, obrigada pelo depoimento. Governador, o senhor decidiu afastar os seus filhos da sua casa por causa de ameaças, que ameaças foram essas? E o que disse a polícia sobre as investigações?

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Bom, Maria, é um tema triste, em meio a tanta circunstância onde nós precisamos salvar vidas, eu ter que defender a vida dos meus filhos de ameaça de pessoas que querem seguir a orientação do gabinete do ódio, ou de pessoas que odeiam. Desde a semana passada tenho recebido várias ameaças, todas elas têm sido encaminhadas para o departamento de investigação da Polícia Civil do Estado de São Paulo, eu já tenho outro celular, mas o meu celular eu man tive ativo, deliberadamente, para identificar as ameaças que são encaminhadas a ele. E, neste final de semana, mais uma vez, renovaram as ameaças, inclusive em áudio, não foi apenas em texto, à minha família, especialmente aos meus filhos, eles estão fora de São Paulo, resguardados, e havia informação de onde estavam localizados os meus filhos, mas reforçamos a segurança e a proteção dos meus filhos, e eu quero dizer a essas pessoas, que ameaçam a mim, a minha esposa e aos meus filhos, que a minha posição não muda, eu defenderei a vida dos meus filhos e da minha esposa com todas as forças que um pai defende a vida dos seus filhos e da sua esposa, mas não deixarei de defender a vida das pessoas, não retrocederei um milímetro sequer na defesa do princípio da vida e daquilo que temos feito no Estado de São Paulo. O mesmo em relação ao Bruno Covas, o mesmo certamente em relação a todos que estão aqui nessa sala. Ameaças não me põe medo, mas me põe tristeza, a tristeza de estar vivendo num país onde devíamos estar sendo liderado por uma causa de salvar vidas e isto não acontece, ao contrário. Manifestações de ódio são estimuladas pelas redes sociais, manifestações inadequadas, inoportunas, irresponsáveis são colocadas ainda que pontualmente de pessoas que querem o desrespeito as medidas que estamos tomando para defender a vida. Vamos agora uma pergunta virtual, vem da Paloma Cotes, do estado de São Paulo. Acho que a Paloma já está aqui, já estou vendo a sua imagem na tela. A Paloma é jornalista do jornal Estado de São Paulo. Boa tarde, Paloma. Sua pergunta, por favor.

PALOMA COTES, REPÓRTER: Boa tarde, governador. Boa tarde a todos. Eu queria reforçar uma pergunta sobre a ampliação da quarentena. Já foi dito, né, que a gente tem visto a circulação maior de pessoas nas ruas. O senhor falou até no uso da força policial nos municípios. Que outras medidas podem ser tomadas pra restringir a circulação das pessoas no estado?

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Vou começar pelo Bruno Covas, Paloma, e na sequência eu complemento a resposta. Bruno, por favor.

BRUNO COVAS, PREFEITO DA CIDADE DE SÃO PAULO: Olha, primeiro agradecer a grande maioria da população que aderiu, e entende, e está ficando em casa. Claro que aqui na cidade de São Paulo se a gente pensar em 20% da população na rua, nós estamos falando de 2,5 milhões de pessoas, o que é muita gente. Mas eu tenho que agradecer aos 80% que estão ficando em casa. Então é preciso reconhecer, apesar da gente ter visto o aumento no número de circulação que a grande maioria está mantendo o isolamento social e, po rtanto, a gente agradece essa solicitação. Mais uma vez, reforçar, não tenho a menor dúvida, que convencimento é a melhor razão. E queria, inclusive, agradecer a toda a imprensa que a gente tem visto em todas as TVs, em todos os jornais, né, opiniões exatamente nessa linha de que defendem o Governo do Estado e que defendem a Prefeitura, reforçando a importância da população de permanecer dentro de casa. A gente, a todo momento, vai avaliando junto com os técnicos da vigilância sanitária que novas medidas podem ser tomadas. Mas essas medidas vão sendo tomadas a partir dos números que vão chegando e que vão aparecendo todo dia. Até hoje, né, a gente não tem nenhuma nova medida a ser anunciada, mas como essa é uma doença que embora a gente tenha vários estudos, o comportamento a gente está apre ndendo como é que se dá no dia a dia, talvez chegue o caso de outras medidas terem que ser efetivadas aqui na cidade de São Paulo.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Paloma, complementando... Obrigado, Bruno. A partir desta orientação do Governo do Estado de São Paulo e da nova quarentena válida a partir desta quarta-feira, a orientação é aumentar o rigor, seja na capital de São Paulo, na região metropolitana e outras cidades do estado. E como disse o Bruno, corretamente, se houver necessidade de agregarmos mais medidas restritivas não teremos hesitação de fazê-lo seguindo orientação dos especialistas que nos assessoram e nos orientam. Mas ressaltar também o lado bom. Majoritariamente a população do estado de São Paulo tem respeitado a quarentena e tem respeitado a decisão de ficar em casa. E tem estimulado também pelas redes sociais pra que seus amigos, seguidores e parentes também fiquem em casa. Ressalto, como fez o Bruno, o trabalho da imprensa, aliás, de maneira unânime, não vi um veículo de comunicação sequer, independentemente da sua, do seu tamanho, da sua dimensão e da sua cobertura defendendo o contrário. Todos eles em unanimidade defendem a quarentena, defendem o afastamento, o isolamento de acordo com a característica de cada estado. Estamos falando aqui de veículos que atendem nacionalmente, que tem leitores, telespectadores, seguidores e assinantes em todo o país. A imprensa brasileira tem dado um exemplo extraordinário de defesa do qu e é correto e defesa da vida. Então, aos jornalistas que se expõem, inclusive, diariamente nesta defesa, aos que se expõem nos estúdios também porque sei, Bruno Covas, que também recebem ameaças constantemente desse grupo de pessoas irresponsáveis que intimidam ou querem intimidar jornalistas, eles têm resistido e mantido as suas posições e as suas opiniões, assim como os dirigentes de veículo de comunicação que igualmente são ameaçados de diversas formas e têm mantido o seu equilíbrio e a determinação para que a notícia correta chegue até o seu ouvinte, o seu telespectador, o seu assinante, o seu leitor. E aos formadores de opinião também que da mesma maneira mantêm a sua posição, David Uip, de defesa da posição no isolamento social e obediência a quarentena . Obrigado por estarem também resistindo a pressões e estarem fazendo o que é correto: orientando as pessoas a ficarem em casa. A próxima pergunta é presencial, é da TV Globo, Globo News, do jornalista William Cury. William, boa tarde. Tá aqui, William. E depois nós vamos a uma não presencial da jornalista Silvia Amorim de O Globo. Então, agora com a palavra, William Cury. TV Globo, Globo News. Boa tarde.

WILLIAM CURY, REPÓRTER: Tudo bem? Boa tarde. Foi exposto aqui o aumento de 1.500% desde o início da quarentena nos casos de internações de... pelo Covid-19. Primeiro eu queria saber se esse número está dentro do que era esperado pelas equipes quando estipularam o início da quarentena. Se era isso mesmo o que se esperava, porque é um aumento bastante grande. E outra também, eu queria saber como será a ação da polícia pra impedir aglomerações em praças como tivemos nesse fim de semana aqui em São Paulo.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: William, vou tomar a liberdade, começar respondendo pela segunda, depois passar a primeira pergunta ao Dr. David Uip com comentários ou complementação do Dr. José Henrique Guermann. Aqui está sentado aqui ao nosso lado o secretário de Segurança Pública do Estado de São Paulo, general Campos. Ele já recebeu orientação e agora publicamente também pra que todos saibam, a Polícia Militar do estado de São Paulo está autorizada a agir pa ra evitar aglomerações. Primeiro na advertência, na orientação, inclusive com os automóveis que possuem alto-falantes e com gravações que já foram feitas pela Polícia Militar para orientar a dispersão das pessoas e que elas retornem as suas casas e fiquem em casa. A primeira medida será orientativa, esta é a determinação do Governo do Estado de São Paulo. E eu tenho a convicção de que as pessoas saberão seguir esta orientação, até porque se não o fizerem, a segunda etapa será medidas coercitivas podendo penalizar essas pessoas com as penas previstas em lei que vão, inclusive, à prisão. Eu tenho certeza que isso não será necessário e que as pessoas compreenderão a necessidade de ficarem em suas casas e atenderem a recomendação. E as que por distra&cc edil;ão, por circunstância eventualmente estando nas ruas, receberão nesta fase inicial a orientação da Polícia Militar para que se dispersem e retornem as suas casas. E agora eu passo a primeira parte da pergunta do jornalista William Cury, da TV Globo, Globo News para o Dr. David Uip.

DAVI UIP, INFECTOLOGISTA: Só uma homenagem ao Edson Aparecido que está aqui, o Bruno Covas pelo excepcional trabalho que vocês estão fazendo no município de São Paulo. Se vocês lembrarem, houve um vídeo vazado de uma reunião científica do Incor onde eu e o professor Ésper estávamos presentes. Aquele vídeo vazado de uma forma... não foi incorreta, mas sem que houvesse essa decisão de ser divulgado, nós criamos cenários. Nos cenários de infecção nós variamos de 1% a 10% da popula&c cedil;ão que poderia se infectar no estado de São Paulo. Se os senhores olharem é absolutamente correto em cima daquilo que nós conseguimos prever naquele momento. Inclusive, este grupo que está aqui hoje representado conseguiu prever o número de leitos que seriam necessários, o número de leitos adicionais pro primeiro mês da pandemia. Então não tem nada de inesperado, não tem nada de novo, nós estávamos aguardando. Como o professor Dimas hoje... eram cenários, hoje o que o professor Dimas mostrou são situações, então está dentro daquilo que nós esperávamos.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Dr. Guermann.

JOSÉ HENRIQUE GUERMANN, SECRETÁRIO DA SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito obrigado. Então eu... como você pôde perceber, está dentro do esperado, mas ela continua crescendo. Ela está numa fase ascendente e vai continuar crescendo até atingir o seu platô. E eu volto e reforço a questão de que se nós não tivéssemos feito nada do dia 21 até aqui, nós teríamos dez vezes o número de casos que nós temos aqui, dentro de um cenário pessimista colocado e estudado pelo grupo, n&oacut e;s estaríamos perto dos 50 mil casos. Então nós estamos dentro daquilo que se espera conforme precisa ser feito o distanciamento social que é a única forma que nós temos hoje, a única arma que nós temos hoje para enfrentar essa epidemia.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, doutor Germann. Obrigado, William Curi. Vamos agora à jornalista Silvia Amorim, ela está online, jornalista do Jornal O Globo, do Rio de Janeiro. Silvia, Boa tarde. Sua pergunta, por favor.

SILVIA AMORIM, REPÓRTER: Boa tarde, governador. Boa tarde, prefeito. Eu queria começar, eu quero uma palavrinha do senhor, e também do prefeito Bruno Cooperativas. Com o prefeito, eu queria pedir, prefeito, uma avaliação desses 15 dias de quarentena em São Paulo, se a prefeitura sabe dizer para a gente, ou se houve multas aplicadas, quais foram os setores que mais descumpriram a quarentena? E diante dessa informação o que se pretende fazer? Se é possível tomar alguma nova medida? Governador, o senhor falou em tornar, aumentar o rigor, se for necess&aacu te;rio, nesses próximos 15 dias de quarentena, uma fiscalização, e nas próprias regras da quarentena. Eu queria saber se esse novo decreto que vai ser editado agora para os próximos 15 dias, se ele tem mudanças em relação às regras atualmente decretadas para quarentena?

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Silvia, obrigado. Eu tomo a liberdade de começar pela segunda pergunta, e depois passo a primeira ao prefeito Bruno Covas. Não, o decreto será o mesmo decreto que foi feito para a primeira quarentena. Portanto, com a recomendação, determinação, mas obviamente com a recomendação de que as pessoas fiquem em casa. Porém, quero deixar claro, aliás, o Bruno Covas fez a menção aqui, que se houver desrespeito à essa orientação, e continuarmos fl agrando pessoas nas ruas, ajuntamento de pessoas, de forma absolutamente desnecessária, desrecomendável, nós complementaremos com outras medidas, e vamos anunciando isso gradualmente, se necessário for. Nesse momento o convite que todos nós fazemos aqui, especialmente os médicos, vocês assistiram os depoimentos, é para que as pessoas tenham consciência da proteção das suas vidas, eu não posso imaginar que alguém não seja capaz de defender a sua própria vida, a vida dos seus filhos, a vida dos seus pais, dos seus irmãos, das suas pessoas mais queridas, eu não consigo conceber alguém que queira expor a sua própria vida, e a vida de pessoas mais próximas. Exceto se estiverem em uma graduação de desiquilíbrio absoluto, aí é um outro caso médico também. Bruno Covas.

BRUNO COVAS, PREFEITO DA CIDADE DE SÃO PAULO: Silvia, a orientação da prefeitura não é multar, a orientação da prefeitura é lacrar, então a gente passa direto da multa para interdição, já foram 46 estabelecimentos interditados. Eu não tenho aqui para você quais setores, mas eu posso levantar isso sem nenhum problema, até porque, não quero que a prefeitura seja de alguma forma apontada como querer arrecadar com esse momento. Não, a orientação é lacrar, e na reincidência lacrar e c assar o alvará de funcionamento. Então essa é a orientação dos 2 mil fiscais que a prefeitura tem na rua, essa é a orientação que nós passamos para eles. E, claro, não há a menor dúvida de que vale aqui reforçar que o mais importante, e a gente não deixa de acreditar nisso, é no convencimento da população, não há efetivo suficiente se não tiver essa parceria entre o setor público e a população.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Bruno. Silvia, ficou clara a minha resposta? Porque eu fiquei com a impressão de que não ficou muito clara para você. Ficou clara? Ok, está bom.

SILVIA AMORIM, REPÓRTER: Eu entendi então de que não haverá alteração, as regras no momento vão permanecer as mesmas.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Isso, perfeito, exatamente isso. Porém, se houver necessidade, ao longo dos próximos dias, não havendo respeito à essa orientação, tanto o governo do estado, quanto prefeituras, incluindo a de São Paulo, poderão adotar novas medidas. Mas o decreto é o mesmo anterior, que se reproduz por 15 dias para o distanciamento social, é uma nova quarentena que está sendo decretava, valendo a partir da próxima quarta-feira. Obrigado, Silvia. Vamos agora então presencialm ente à CNN, à jornalista Marcela Rahal. Marcela, muito obrigado. Obrigado, Marcela, você que esteve aqui presente todos os dias nas nossas coletivas, muito obrigado a você e à CNN também.

MARCELA RAHAL, REPÓRTER: Obrigada. Eu que agradeço. Boa tarde, a todos. Bom, eu queria saber, o prefeito Bruno Covas falou agora que já sente uma pressão do sistema de saúde municipal. Eu queria saber se tem o risco de um colapso no sistema de saúde municipal, e também estadual? Obrigada.

BRUNO COVAS, PREFEITO DA CIDADE DE SÃO PAULO: Em relação ao sistema municipal, a expectativa é que com esses três mil leitos a gente dê conta, mantendo, claro, essas restrições de circulação, não mantendo, os números mostram aqui, que claro, isso vão explodir, passando muito além dos 12 mil leitos que nós temos em todo o estado. Então a expectativa é que mantida essa restrição, e mantida essa quarentena da forma que o governador prorrogou hoje, esses três mil leitos dariam conta do que n ós vamos ter de casos aqui no município.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Bruno. A outra parte da pergunta da Marcela Rahal, da CNN, responde o secretário de Saúde, José Henrique Germann.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DE SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Os leitos de enfermaria se distribuem pelo estado de uma forma bastante contundente, inclusive dentro das pessoas Santas Casas de Misericórdia que estão sobre a gestão estadual. Os leitos de UTI, que é onde nós estamos focando, pela própria característica da virose, é o seguinte, nós temos hoje no estado 7 mil leitos nos hospitais do estado, próprios do estado, 7 mil leitos de UTI, sendo metade para crianças e neonatos, e metade para adultos. Nós estamos também trabalhando dentro de uma porcentagem de ocupação que abaixou em função da própria situação atual, as estradas tem menos acidentes, e assim por diante. Então nós temos uma ocupação em torno aí de 55%, que nos permite também usar esses leitos, para o COVID-19. Além disso nós temos leitos novos, um total de 1.529, acho que os próprios leitos que foram aqui explicados pelo professor Esper, do HC, exemplificam essa situação. E com isso, mais aqueles que estão sem ocupação nas UTIs já existentes, nós atingimos perto de 2 mil leitos. Se por um acaso nós precisarmos de mais, temos uma barreira, que nós estamos trabalhando, podemos chegar a mais 2 mil leitos. Então você poderia somar isso em uma segunda situação.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Doutor Germann. Marcela, muito obrigado. Nós temos mais três perguntas antes de concluir a nossa coletiva de hoje. Agora vamos à mais uma online, jornalista César Camilo, do Poder 360, em Brasília. César, boa tarde. Sua pergunta, por favor.

CÉSAR CAMILO, REPÓRTER: Boa tarde, governador. Boa tarde, prefeito, a todos os centros de contingência. A minha pergunta ao governo de São Paulo é quanto aos hospitais de campanha, em Nova York a gente viu que o navio hospitalar enviado pelo governo americano recebeu um número mínimo de pacientes por conta do risco de contágio dos servidores da saúde, como aconteceu com o Doutor David Uip, por exemplo. Com o aumento da demanda, eu queria saber dos senhores se a Secretaria de Saúde enxerga algum risco da utilização dessas instalaç&oti lde;es? E nesse sentido, como o serviço de saúde municipal está gerenciando esses núcleos de atendimento?

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR O ESTADO DESÃO PAULO: Vou compartilhar a sua questão com o doutor José Henrique Germann, e com o Bruno Covas. Lembrando também que o secretário de Saúde do município de São Paulo, Edson Aparecido, está aqui presente conosco nesta coletiva. Germann.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DE SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Boa tarde. Dentro da sua pergunta eu posso dizer que a cidade de São Paulo está bem suprida de leitos adicionais, conforme foi largamente demonstrado aqui. Nós temos ainda a grande São Paulo e o restante do interior. Então nós também precisamos de hospital de campanha, no sentido de suprir para essas outras cidades, e à região em torno da cidade de São Paulo. Já estamos iniciando a apropriação desse tipo de leito, e teremos mais alguns ao longo da semana para anunciar para vocês.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, doutor Germann. Para contribuir também na resposta, César Camilo, vou pedir ao nosso secretário Edson Aparecido, para fazer uso do microfone aqui, onde os demais cientistas falaram. Secretário Edson Aparecido, é o secretário de Saúde da cidade de São Paulo, nós temos feito um trabalho de cooperação conjunta, e contribuímos no orçamento dos hospitais de campanha. Mas toda a orientação foi produzida e comandada pelo secretário Eds on Aparecido. Edson.

EDSON APARECIDO, SECRETÁRIO DE SAÚDE DA CIDADE DE SÃO PAULO: Bom, governador, complementando um pouco as informações que o prefeito deu, nós estamos acrescendo, e o próprio secretário Germann, nós estamos acrescendo na estrutura da rede intensiva hospitalar na cidade, 953 novos leitos. O município tem 507 leitos de UTI, e nós vamos acrescer nesses 957 leitos acontece que a pressão, como disse o prefeito, nos nossos equipamentos de saúde, como as UPAs, os pro ntos-socorros municipais, os hospitais-dia, as AMAs, já começa a ter um contingente de pacientes bastante expressivo. São pacientes que ainda não estão agravados, que ainda não precisam de um leito de UTI, mas precisam de um acompanhamento médico muito próximo para que cumpram o período da quarentena, de 14 a 20 dias, possam se recuperar e ir pra casa. Por isso, a importância de se ter equipamentos, como os hospitais de campanha, de baixa e média complexidade, pra que a gente consiga recuperar esses pacientes e, enfim, que ele não ocupe depois um leito de UTI. Então, são duas estruturas bastante importantes. Eles estão, a sua implantação acompanha um protocolo de biossegurança, que foi feito pela Secretaria Municipal de Saúde, junto com a Secretaria Estadual, quer dizer, é um hospital com toda a segurança possível, pra que a gente possa atender àqueles pacientes que vão necessitar de um leito de estabilização e ainda não de um leito de UTI.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Perfeito. Obrigado, secretário Edson Aparecido, obrigado, jornalista César Camilo. Vamos agora à penúltima pergunta, ela é presencial, da jornalista Cláudia Reis, da TV Record. Cláudia, boa tarde. Obrigado pela sua presença aqui entre nós. Sua pergunta, por favor.

CLÁUDIA REIS, REPÓRTER: Boa tarde a todos. Governador, você falou sobre... Desculpe, eu estou, hoje eu estou um pouco, assim, emocionada, porque eu cheguei aqui e logo que eu cheguei eu recebi a notícia de uma amiga minha, que eu vinha acompanhando o pai dela, e ele faleceu, no Rio de Janeiro, com Covid-19. Ele tem 72 anos, não tinha nenhuma doença pré-existente. Obrigada, Dr. David Uip, pelo seu depoimento, para esclarecer a todos como foi passar e superar essa doença. Governador, voltando. Você falou sobre o combate que vai ser feito agora, nesses próxi mos 15 dias. É uma continuidade, e a gente sabe que aqui, na capital, você tem o apoio incondicional do prefeito Bruno Covas. Eu gostaria de saber nos municípios menores, onde a gente já constata que as pessoas estão saindo, como vocês mesmos falaram, não se tem tanto a noção de perigo. O que será feito nesses locais pra enfatizar, pra garantir que esse isolamento permanecerá nos próximos 15 dias? Obrigada.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Cláudia, obrigado pela pergunta. Transmito a minha solidariedade a você e à família que perdeu o pai, pelo Corona Vírus. Meus sentimentos e compreendo também o seu sentimento e o seu abalo. Infelizmente, ao longo dos próximos dias, nós temos que estar preparados pra isso. Teremos muitas vidas de pessoas próximas a nós que deixarão de existir, o que aumenta ainda mais a nossa responsabilidade e o nosso dever de recomendar o afastamento social, o isolamento, quando necessário, e que as pessoas fiquem em casa. Quanto mais ficar em casa, menos notícias como esta, que a jornalista Cláudia Reis acaba de receber, ocorrerão. Nós temos aqui também a presença do nosso secretário de Desenvolvimento Regional, o Marco Vinholi, ele tem orientado em conferências, também em teleconferências, aos 644 prefeitos do interior, incluindo região metropolitana e litoral, o Bruno tem feito aqui reuniões diárias conosco, além de participar das coletivas, para que esta orientação do governo seja bem cumprida, não importa o tamanho da cidade. Não importa se ela tem 100, 200, 500 habitantes, ou 200 mil. São todas pessoas que precisam ter as suas vidas protegidas e amparadas. Então, a orientação é para que prefeitos e prefeitas cumpram a sua obrigação para não permitir o funcionamento do comércio , exceto aquele essencial, e todos já sabem o que pode funcionar no Estado de São Paulo. Se tiverem dúvidas, prefeitos e prefeitas, consultem o Diário Oficial de amanhã, ou o Diário Oficial que está em curso com a quarentena, que vai até amanhã. E com isso, protejam os seus cidadãos. O fato de uma pequena cidade não ter um caso de Corona Vírus não significa que ela está livre de ter e livre de não registrar óbitos. Ao contrário, aumenta a responsabilidade de proteger os seus habitantes, sejam eles quantos forem, pra que estejam a salvo e protegidos, e em casa. Não importa o tamanho da cidade. E essa orientação, aproveito aqui a presença de vocês para renovar esta determinação, e os nossos secretários que atuam junto às cidades do interior devem fazê-lo também. Vamos ouvir o Dr. German n, antes de seguirmos para a última pergunta de hoje. Germann.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO ESTADUAL DE SAÚDE DE SÃO PAULO: Há questão de uma semana atrás, 10 dias, o Sr. Governador fez um aporte de recursos para os municípios com mais de 100 mil habitantes. Logo em seguida, um aporte de recursos para municípios com menos de 100 mil habitantes. Isto é uma lógica, os municípios com mais de 100 mil habitantes formam, dentro do estado, municípios-polo, que estão dentro das nossas regionais de saúde também. E acompanham as rodovias, o litoral, enfim, e estão assim d istribuídos. E quando o município-polo, ou sede, o que você puder chamar, ele diminui a sua atividade, tem uma série de municípios ao redor que, necessariamente, são dependentes da atividade econômica, da atividade comercial dessas cidades maiores, e eles também acabam diminuindo. Este foi o raciocínio dessa divisão.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Bem, algum comentário? Dr. David Uip, por favor.

DAVID UIP, COORDENADOR DO CENTRO DE CONTINGENCIAMENTO DO COVID-19: Acaba de chegar uma solicitação, governador, de médicos e especialmente oncologistas, para que seus pacientes não deixem de ir fazer quimioterapia em consultas regulares. Então, existem doentes com doenças crônicas, que não podem deixar de procurar os seus médicos e os hospitais. É um apelo de vários dizendo que, óbvio, todo mundo tem que se proteger, mas os doentes que fazem uso de tratamentos regulares precisam continuar sendo acompanhados medicamente.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Perfeito. É o alerta, assim como todas as áreas básicas, profissionais que trabalham em supermercados, mercados, postos de combustível, farmácias, hospitais, segurança pública. São setores que são essenciais e constam no decreto. Obviamente, podem e devem continuar, com resguardo às suas atuações. E aqueles que estão em tratamento médico também, obviamente, vão seguir a recomendação dos seus médicos. Graças a eles que n&oacu te;s estamos fazendo as recomendações que temos feito aqui, portanto a recomendação médica é aquela que deve prevalecer, sobretudo em casos como esse e até outros casos também que possam estar em curso o tratamento. Vamos agora à última pergunta de hoje. Peço desculpas, hoje avançamos um pouco mais no tempo, mas, dada a importância, eu havia prevenido que iríamos um pouco mais. São 13h45, a última pergunta é da Rede TV, do jornalista Murilo Rincon. Murilo, boa tarde. Obrigado pela paciência, a sua pergunta, por favor.

MURILO RINCON, REPÓRTER: Boa tarde, governador, boa tarde a todos. Olha, a minha pergunta é em relação... Muito se fala na questão da quarentena, de ficar em casa e tudo mais. Além dessa medida, pra conter o avanço da Covid, em relação à ciência, que você tanto fala também que as decisões do governo são embasadas nisso, como que está o avanço da pesquisa em relação à hidroxicloroquina, à cloroquina e também agora a respeito do plasma, do sangue que pode servir, aí, ser usado pra conter essa doença também.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Murilo, obrigado pela pergunta. Eu vou pedir ao Dr. Dimas Covas, que é o diretor-geral do Instituto Butantan, que proceda à resposta à sua pergunta. Dimas.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: Bom, especificamente com relação ao plasma hiperimune, quer dizer, existem já hospitais com o protocolo de investigação aprovado. Isso se demonstrou muito útil na China, na Europa, nos Estados Unidos, inclusive grandes centros já utilizando quase que rotineiramente. Então aqui também já foi iniciado pelo Albert Einstein. Deve ter iniciado, nesse fim de semana, o Sírio e os dois HCs, de Ribeirão e de São Paulo. Com relação à cloroquina, acho que o David tem informa&c cedil;ões mais...

JOÃO DORIA, GOVERNA DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: Dr. David Uip?

DAVID UIP, COORDENADOR DO CENTRO DE CONTINGENCIAMENTO DO COVID-19: Na última quinta-feira, o ministro Mandetta fez uma reunião com quatro especialistas e eu fui um desses especialistas. Então, a decisão do Ministério da Saúde, a respeito da hidroxicloroquina, é oferecer a todos os hospitais públicos e privados para pacientes internados, desde que seja receitado por médico, com aceite oficial do paciente. Então, caberá a cada médico e a cada paciente disponibilizar da hidroxicloroquina, a partir da internação. O que mudou? No momento anterior, a cloroquina estava sendo usada só para doentes entubados. Eu acho que é uma medida correta, e sempre a decisão tem que ser partilhada entre o médico e o paciente.

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Gostaria de comunicar vocês o seguinte. De acordo com essa portaria do Ministério, o Ministério da Saúde nos enviou quase 200 mil comprimidos de hidroxicloroquina, e nós já estamos distribuindo aos hospitais da rede, para que possa ser usada desde o início da internação.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito bem. Ao final desta coletiva, informo que amanhã teremos uma nova coletiva de imprensa, aqui mesmo no Palácio dos Bandeirantes, às 12h30, e renovo a informação pra você, que está nos ouvindo ao vivo ou assistindo ao vivo, a informação de que uma nova quarentena está decretada, a partir do dia 8 até 22 de abril, em todo o Estado de São Paulo. Peço que as pessoas compreendam a importância da iniciativa. Ela foi bem respaldada aqui pela presença de cientista s, de médicos. Muito obrigado por terem, mais uma vez, participado, ocupado seu tempo pro bono pra ajudar as pessoas, ajudar a salvar vidas, como têm feito desde o dia 26 de fevereiro como integrantes do Centro de Contingência do Corona Vírus, sob o comando agora do Dr. David Uip, que volta, e volta restabelecido, felizmente, depois de ter contraído o Corona Vírus. Agradecer muito a presença do Bruno Covas e as atitudes que ele e a sua Secretaria de Saúde, sob o comando do Edson Aparecido, e também das demais áreas da prefeitura. Dimas Covas, também, muito obrigado. Dr. José Henrique Germann, secretário da Saúde, igualmente, muito obrigado. E obrigado mais uma vez aos jornalistas que aqui estão. Vocês estão ajudando a salvar vidas e eu, como jornalista que sou, posso afirmar, sem medo de errar: o jornalismo brasileiro está escrevendo uma nova hist&oacute ;ria ao longo desta gravíssima crise do Corona Vírus, e esse será um legado do jornalismo brasileiro pras futuras gerações. E, por favor, fiquem em casa. Muito obrigado.