Coletiva - Museu da Língua Portuguesa é reaberto com presença de autoridades globais 20213107

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Coletiva - Museu da Língua Portuguesa é reaberto com presença de autoridades globais 20213107

Local: Capital – Data: Julho 31/07/2021

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JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DE SÃO PAULO: Bem, mais uma vez muito obrigado pela presença de todos, agora já boa tarde. Quero renovar o agradecimento ao Presidente Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente de Portugal. Presidente Jorge Fonseca, Presidente da República do Cabo Verde. A presença aqui entre nós do Presidente Fernando Henrique Cardoso, Presidente Michel Temer, Ricardo Nunes, nosso prefeito da cidade de São Paulo. Os demais integrantes da diplomacia dos países que estão aqui representados. O Rodrigo Garcia, nosso vice-governador, secretários e secretárias de estado, que estão aqui também presentes. Embaixadores, diplomatas, cônsules. E também os gestores aqui do nosso museu, e vários dos presidentes das empresas que patrocinam a recuperação do nosso Museu da Língua Portuguesa. Vou convidar o Sérgio Sá Leitão para fazer parte aqui da nossa linha de frente, para atendimento aos jornalistas. E vou convidar a Marília Bonas, que é diretora do Museu da Língua Portuguesa, Marília, cadê você? Vai estar aqui ao nosso lado. Obrigado, Marília. A Marília representa também toda a equipe da administração do Museu da Língua Portuguesa. E o Sérgio Sá Leitão, secretário de Cultura do estado de São Paulo, e ex-ministro da Cultura, do governo do Presidente Temer, um ex-grande ministro da Cultura, de um grande governo, que foi o seu governo, assim como foi um grande governo, o do Presidente Fernando Henrique Cardoso. Eu fiz referências agora pouco no meu discurso, exatamente aos valores que os dois ex-Presidentes que aceitaram o convite para estarem aqui, preservaram durante as suas gestões, o direito ao contraditório, o respeito à cultura, à arte, à memória, e à defesa da democracia. Quero justificar que o Presidente José Sarney, que havia confirmado presença hoje, aliás, seria o primeiro momento em que ele sairia da sua casa em Brasília, se deslocaria, ele havia confirmado, porém se resfriou anteontem, e recebeu recomendação médica para permanecer em sua casa. Mas mandou uma carta magníssima justificando, nem era preciso, eu já sabia que ele estava resfriado, que tinha recebido recomendações médicas para permanecer em casa. Mas mesmo assim mandou uma carta muito amável. Quero também justificar que convidamos o atual Presidente da República para participar da inauguração do Museu da Língua Portuguesa, Presidente Jair Bolsonaro, mas infelizmente ele preferiu passear de motocicleta em Presidente Prudente. Cada um faz a sua opinião. E recebemos também dos ex-Presidente cartas muito amáveis, da ex-Presidente Dilma, e do ex-Presidente Lula, agradecendo os convites. O Presidente Fernando Collor também foi convidado, mas não se manifestou. Apenas para termos as informações completas a vocês. Nós temos seis jornalistas inscritos, nós vamos dividir as respostas com a Marília e com o Sérgio Sá Leitão, e começamos então com o Gabriel Vendramini, da TV Globo, Globo News. Cadê você, Gabriel? Obrigado, boa tarde. Bem-vindo.

GABRIEL VENDRAMINI, REPÓRTER: Boa tarde, governador. Boa tarde, a todos presentes. Governador, queria saber, você nesse momento, nessa reinauguração do museu, em uma semana onde a gente teve o incêndio na cinemateca também, a relevância dessa inauguração, do que foi feito aqui também para combater outras tragedias como essa. Se possível, complementando a pergunta também, que o senhor comentasse que ontem, um dia depois do incêndio na cinemateca, o Governo Federal anunciou aí que um edital para contratar uma empresa para gerir a gestão, fazer a gestão da cinemateca. Como que o senhor vê isso? Queria que o senhor fizesse uma declaração sobre isso também.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DE SÃO PAULO: Obrigado, Gabriel. Eu vou dividir a resposta, você fez duas perguntas em uma, com a Marília Bonas, que é a diretora do Museu da Língua Portuguesa, mas tomar a liberdade e começar pela sua segunda pergunta. O Sérgio Sá Leitão, autorizado por mim, apresentará na próxima segunda-feira proposta ao ministro do turismo, assim que ele retornar de viagem, para que a cinemateca possa ser transferida para o governo do estado de São Paulo, para ser recuperada todas as instalações, que infelizmente foram vítimas do incêndio, na Vila Leopoldina, e também o seu grande arquivo na Vila Mariana. Nós podemos cuidar de tudo, financiar a recuperação da Cinemateca, garantindo a sua operacionalidade, e principalmente os seus valores também, os valores da memória cinematográfica brasileira, e parte dela, felizmente, aliás, a maior parte ainda está protegida. Temos a experiência aqui real, de termos vivido em uma situação trágica, difícil, de um incêndio que consumiu o interior deste museu, fizemos a recuperação com apoio do setor privado, e agora com o setor privado também faremos a gestão do Museu da Língua Portuguesa. Então o Sérgio Sá Leitão, que está aqui ao meu lado, na segunda-feira já fará o encaminhamento do ofício, formalizando a solicitação para que a Cinemateca seja transferida para o governo do estado de São Paulo, e aqui nós faremos a gestão da Cinemateca em cooperação com a Prefeitura Municipal de São Paulo. Aliás, era um sonho do Bruno Covas, meu sucessor à frente da Prefeitura de São Paulo. Então vamos agora à Marília, que eu pedi a você para responder.

MARÍLIA BONAS, DIRETORA DO MUSEU DA LÍNGUA PORTUGUESA: O que aconteceu mudou, enfim, paradigmaticamente a gestão de segurança de museus do estado de São Paulo. O Museu da Língua Portuguesa reabre, seguramente, como um museu com tecnologia mais avançada de proteção a qualquer tipo de sinistro, vocês podem observar, a gente tem um sistema de Sprinkler, um sistema automatizado, muito sofisticado de alertas e anúncios. Então isso transformou, de fato, as práticas, nós somos uma organização social, que faz a gestão do Museu da Língua, e hoje todas as organizações sociais dentro dos seus contratos de gestão tem essa questão da segurança como uma das prioridades contratualizadas com a Secretaria de Cultura e Economia Criativa do estado de São Paulo. Então a gente garante que o Museu da Língua Portuguesa hoje reabre como o museu mais moderno em termos de segurança em relação ao nosso público, que é a prioridade, obviamente, e ao patrimônio histórico.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DE SÃO PAULO: Muito bem. Obrigado, Marília. Registrando agora a ilustre presença do nosso Presidente Marcelo Rebelo de Sousa, queria que o Marcelo, vou convidá-lo para sentar-se ao lado do Presidente Fernando Henrique, do Presidente Temer. Agradecer também já a presença aqui do Presidente da República do Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca, muito obrigado por estar aqui já conosco. Eu já havia anunciado a presença de vocês nesta coletiva. Vamos agora dando sequência, com a Maria Carolina da Ré, da Agência Lusa, que está aqui também presente, e fará agora a sua pergunta. Maria Carolina, boa tarde, bem-vinda. Sua pergunta, por favor.

MARIA CAOLINA, REPÓRTER: Boa tarde, a todos. Enfim, no início desse mês de julho a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa completou 25 anos, um evento organizado em Luanda, eu queria perguntar a você, governador, um dos focos da CPLP sempre foi promoção da língua portuguesa, portanto, eu queria te perguntar a simbologia da reinauguração desse museu agora, 25 anos da organização. E se possível, eu não sei se o Presidente Fernando Henrique Cardoso pode comentar, falar também sobre isso, porque ele era o Presidente do Brasil quando a CPLP foi formada oficialmente.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DE SÃO PAULO: Carolina, obrigado pela pergunta. Eu jamais vi o Presidente Fernando Henrique negar o pedido de uma mulher, portanto, vou pedir a ele que venha aqui para fazer a resposta.

FERNANDO HENRIQUE CARDOSO, EX-PRESIDENTE DO BRASIL: O governador João Doria exagerou, eu não nego pedido nenhum, não é só de mulher não.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DE SÃO PAULO: Mas especialmente das mulheres.

FERNANDO HENRIQUE CARDOSO, EX-PRESIDENTE DO BRASIL: Bom, se for o caso. Vamos lá, se eu me recordo da pergunta, o que aconteceu? [Ininteligível] já teve responsabilidade de governo, sabe que nem tudo está ao alcance dos Presidentes, acontece, só que a culpa, entre aspas, acaba recaindo sobre o Presidente. É melhor sumir de uma vez, vai fazer de conta que você tem alguma responsabilidade, mesmo que seja muito indireta. E no caso do incêndio [Ininteligível] fogo, a memória do Brasil e tal, também como acontece. Na verdade, é o cuidado no dia a dia que conta, você tem que ter atenção. Por isso algo muito importante você acabou de dizer, eu olhei eu vi, eu observei nessa sala tem que ser com muita atenção [ininteligível]. Vamos falar depois? Não adianta, né? Ou melhor, adianta, é melhor chorar do que rir, mas de qualquer maneira o bom é prevenir. [ininteligível] atenção permanente, não é só [ininteligível].

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, presidente. Vou acompanhá-lo ali. E vou pedir ao Sérgio Sá Leitão complementar a pergunta da Carolina. Obrigado, presidente.

SÉRGIO SÁ LEITÃO, SECRETÁRIO DA CULTURA E ECONOMIA CRIATIVA DO ESTADO DE SÃO PAULO: Carolina, sem dúvida que a criação da CPLP foi um marco para todos os países, [ininteligível] e o presidente Fernando Henrique se empenhou pessoalmente junto com os presidentes dos demais países da comunidade de países de língua portuguesa com esse intuito. E para nós é uma honra e uma felicidade que haja essa coincidência, né, da celebração dos 25 anos da CPLP e da abertura do novo Museu da Língua Portuguesa, acho que os presidentes tiveram oportunidade agora de fazer uma rápida visita, uma rápida circulação e puderam ver que o museu está inteiramente renovado, recuperado, ampliado, com novas áreas, e assim estamos fazendo aqui, governador, uma dupla celebração. Também a celebração dos 25 anos da CPLP, tenho certeza que todos nós brasileiros nos sentimos muito honrados em participar dessa comunidade. Brasil sob a orientação do presidente Fernando Henrique na gênese da CPLP, depois o presidente Michel Temer também foi muito ativo, governador, em relação a CPLP e aos demais países, e cultivou também muito essa relação, todos nós brasileiros nos sentimos muito orgulhosos em integrar essa comunidade.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Sérgio. Caroline, obrigado pela sua pergunta. Nós vamos agora a Beatriz Manfredini da Rádio Jovem Pan. Beatriz já está com seu microfone. Boa tarde, Bia. Sua pergunta, por favor.

BEATRIZ MANFREDINI, REPÓRTER: Boa tarde, governador. Boa tarde a todos. Governador, eu queria voltar um pouquinho ainda no tema da Cinemateca que o nosso colega comentou. A gente falou ontem sobre [ininteligível] Instituto Butantan, e comentamos que já tinha um pedido de passar a Cinemateca da prefeitura na gestão do prefeito Bruno Covas. Queria saber do senhor e também do prefeito Ricardo Nunes, se possível, qual sua expectativa de com essa proposta nova agora segunda-feira, isso realmente seja respondido, o senhor comentou que nem foi respondido da outra vez, precisa ter alguma proposta também de parceiro privado. Obrigada.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Beatriz. Vou pedir ao prefeito Ricardo Nunes para assumir aqui... contribuir na resposta. Bia, nós já havíamos feito essa manifestação e agora vamos formalizar na segunda-feira ao Governo Federal. A Cinemateca, aliás, há muito tempo já deveria ter sido transferido para a gestão ou do município ou do estado. Agora, dado as circunstâncias se justifica ainda mais que seja transferida para a gestão do estado ou do município. Ela está aqui, ela é um ente público, cultural, muito presente na vida da cidade, na vida do estado de São Paulo, embora ela atenda todo o país. Mas aqui eu posso lhe assegurar, nós cuidamos melhor da cultura do que o Governo Federal. Ricardo.

RICARDO NUNES, PREFEITO DO ESTADO DE SÃO PAULO: Só para a complementar, evidentemente, no ano passado o prefeito Bruno Covas fez a intenção de assumir essa matéria da prefeitura de São Paulo, isso não aconteceu, e a prefeitura de São Paulo continua... agora estou vendo que nós vamos ou um ou outro aqui deve cuidar--

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Os dois.

RICARDO NUNES, PREFEITO DO ESTADO DE SÃO PAULO: Os dois cuidariam juntos da Cinemateca. Essa é uma informação importante tendo em vista tudo o que aconteceu, eu liguei ontem para a secretária Elza Paulino e pedi que a nossa Defesa Civil fizesse uma vistoria não só lá no local por conta do acidente, governador João Doria, mas também da Vila Mariana que é onde tem o maior acervo. Então nós vamos também atuando para fazer uma prevenção de como é que está a situação naquele espaço, inclusive com relação à questão da segurança dos acervos, devo receber o relatório nos próximos dias, mas também estamos atentos a essa questão de contribuir na prevenção de futuros problemas.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Ricardo. Obrigado. Obrigado ao prefeito. Obrigado a você. Sérgio Sá Leitão, desculpa. Aliás, eu preciso pedir ao Sérgio que complemente também essa resposta [ininteligível].

SÉRGIO SÁ LEITÃO, SECRETÁRIO DA CULTURA E ECONOMIA CRIATIVA DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, governador. Apenas para fazer uma justiça histórica. O último grande investimento que foi feito na Cinemateca brasileira foi feito justamente na gestão do presidente Michel Temer. Foi também na gestão do presidente Michel Temer que nós fizemos o processo de seleção de uma organização social, portanto, modernizamos, atualizamos o modelo de gestão da Cinemateca. E a Cinemateca viveu um grande momento em 2017, em 2018. Lamentavelmente a atual gestão interrompeu, cancelou esse contrato unilateralmente sem nenhuma justificativa. Havia lá a CER que é uma organização social muito competente, fazer a gestão também da TV Escola, um projeto premiadíssimo não só no Brasil, mas no mundo, e foi aí que começou essa degradação da Cinemateca com essa negligência e interrupção unilateral e injustificada desse contrato de gestão. Então a notícia que o governador transmitiu aqui é muito bem-vinda, o governador recuperou a proposta que o prefeito Bruno Covas havia feito, né, de uma gestão compartilhada entre o governo de São Paulo, Governo do Estado e a prefeitura para a Cinemateca. Como vocês veem aqui o nível de excelência, né, que nós temos em todas as nossas instituições aqui em frente a Pinacoteca de São Paulo, conjunto dessas [ininteligível] instituições de cultura do Governo do Estado de São Paulo, esse conjunto é gerido com absoluta excelência, com zelo, com rigor, e é o que nós gostaríamos de fazer na Cinemateca para preservar, preservar os seus acervos e as suas atividades.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Sérgio. Beatriz, muito obrigado pela sua pergunta. Obrigado, Ricardo Nunes também por ter contribuído aqui na resposta. Nós aqui gostamos de fazer trabalhos conjuntos e somar forças. É o que estamos fazendo com a palma da mão, presidente Fernando Henrique. Agora, no próximo mês de novembro, teremos o Grande Prêmio São Paulo de Fórmula 1, sucedendo o Grande Prêmio Brasil de Fórmula 1. Nós, ao contrário do que se previa, que perderíamos um grande prêmio de Fórmula 1, nós renovamos o contrato por dez anos numa ação conjunta, da prefeitura e do Governo do Estado de São Paulo. E aproveito também, Bia, a sua pergunta para antecipar um convite público aqui ao presidente Marcelo [ininteligível] de Souza, presidente Jorge Fonseca para o ano que vem nós estaremos reinaugurando o Museu do Ipiranga. Depois de uma longa reforma o Museu do Ipiranga, o Museu da Independência do Brasil que agora passa a ser o maior acervo histórico do Brasil será reinaugurado no ano que vem, celebrando a independência do Brasil, 150 anos, 200 anos da independência do Brasil e totalmente financiado pelo setor privado. Então teremos o prazer de revê-los aqui nessa oportunidade quando da reinauguração do Museu do Ipiranga. Vamos agora com Henrique Brandão. Johnson que é do jornal... vou tentar pronunciar corretamente. É um jornal sueco, [ininteligível]. Errei muito.

HENRIQUE BRANDÃO, REPÓRTER: Quase, quase.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Quase, quase, quase. Um pouquinho mais eu acertava.

HENRIQUE BRANDÃO, REPÓRTER: É, [ininteligível].

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: [ininteligível].

HENRIQUE BRANDÃO, REPÓRTER: É. Que significa Diário de Notícias.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Boa tarde. Bem-vindo.

HENRIQUE BRANDÃO, REPÓRTER: Tá bom. Obrigado.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Então, o Diário de Notícias da Suécia. Da Suécia.

HENRIQUE BRANDÃO, REPÓRTER: Eu tenho uma pergunta para o presidente Marcelo. Eu moro 20 anos no Brasil, antes disso eu morei em Portugal. E já notei, Marcelo, uma relação de amor e ódio entre Portugal e Brasil. O português ama a música brasileira, ama novelas, mas não ama o acordo ortográfico de 1890. O escritor português, Miguel Souza Tavares (F), acha que [ininteligível] colonial do Brasil desse acordo ortográfico. Então, quero que você explique essa relação Brasil e Portugal têm com a língua portuguesa, porque agora o centro da língua portuguesa está em São Paulo, a maior cidade do mundo [ininteligível]. Não está em Lisboa. Então, significa que a ex-colônia portuguesa Brasil virou o novo dono da língua portuguesa?

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Marcelo. Convidar o presidente Marcelo Oliveira de Souza a responder essa pergunta. Por favor, presidente. Aqui na nossa linguagem portuguesa e abrasileirada a gente chama isso de uma pergunta saia justa, presidente.

MARCELO OLIVEIRA DE SOUZA, PRESIDENTE DE PORTUGAL: Ora, é muito simples responder. Primeiro, há um acordo, o acordo fosse celebrado por estados falantes do português e que escreve em português foi reficado por muitos estados, Brasil e Portugal, celebraram e retificaram. Não há nenhuma guerra entre Portugal e Brasil, nesse ou em outros domínios. Simplesmente, Portugal lá como crescia e, portanto, é livre a opinião sobre o acordo. E é livre adotar ou não o acordo. Tendo a indicar, não adoto o acordo ortográfico e, portanto, escritores que adotam, escritores que não adotam. Há setores que concordam, setores que não concordam. Não é um caso especificamente português, Portugal celebrou o acordo e retificou. Há estados que falam português, o caso de Angola que não retificou o acordo e continua a utilizar uma formulação em termos de grafia anterior ao acordo. Eu penso que essa é a riqueza da nossa comunidade e da nossa língua. A nossa língua é feita de democracia no falar e no escrever. E o presidente de Cabo Verde que é o magnífico escritor, o próprio em prosa e poesia, sabe como também no seu país há quem escreva e fale de forma muito diferente. Não há nenhuma questão entre Portugal e Brasil, a propósito desse tema assim a [ininteligível] de cada qual manifestar escrevendo a sua visão da língua. E essa é a riqueza. E por isso eu disse das minhas palavras há pouco que somos todos iguais, mas diferentes que provavelmente aqueles que serão mais portadores do futuro serão os mais jovens e numerosos. Ou seja, como disse, se há cem milhões que são falantes e que escrevem português de uma forma, provavelmente serão mais portadores do futuro do que 10 milhões, ou cinco, ou quatro, ou três, mas há direito desses três, quatro, cinco, dez, uma parte deles ou alguns deles, falarem e escreverem de forma diferente. Somos assim, mesmo em povos em que não havia regimes democráticos, na língua houve sempre a democracia. A democracia chegou antes de chegar na política e nas constituições.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, presidente [...]. Obrigado, Henrique Brandão. Vamos agora para a penúltima pergunta. É do Juan Gabriel do jornal O Globo aqui presente. Juan, onde você está? Se puder levantar a mão.

JUAN GABRIEL, REPÓRTER: Boa tarde a todos.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Boa tarde.

JUAN GABRIEL, REPÓRTER: Bom, a inauguração do museu não passou sem atritos entre o Governo do Estado e o Governo Federal. O secretário Mário Frias disse que [ininteligível] estava vandalizando a língua portuguesa a usar a linguagem [ininteligível] para autores nas redes sociais. E o decreto dessa semana da Lei Rouanet previa que o Governo do Estado precisaria pedir autorização para a inauguração, assim como para a promoção de publicidade, de obras que são financiadas pela Lei Rouanet, como é o caso do Museu da Língua Portuguesa e do Museu do Ipiranga. Não é de hoje que o Governo Federal disse que o Governo do Estado de São Paulo faz propaganda com o dinheiro alheio, com o dinheiro do Governo Federal. O secretário Sá Leitão chegou a dizer a imprensa que tomaria medidas cabíveis quanto a isso. Eu queria saber se o Estado chegou a ser notificado de alguma maneira, se recebeu alguma comunicação oficial sobre isso, e que medidas foram ou vão ser tomadas.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Olha, muito obrigado. Ninguém melhor para responder essa pergunta do que o ex-ministro da cultura, Sérgio Sá Leitão, atual secretário da cultura do Governo do Estado de São Paulo. E alguém que é da cultura e que conhece cultura. Sérgio.

SÉRGIO SÁ LEITÃO, SECRETÁRIO DA CULTURA E ECONOMIA CRIATIVA DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, governador. Bom, em primeiro lugar, não, nós não fomos oficiados diretamente pelo Governo Federal, e se assim formos responderemos com os fatos, responderemos com a verdade, responderemos com a legalidade. Acho importante dizer em primeiro lugar que nada disso que você mencionou tem importância. O que teve importância é a abertura do Museu da Língua Portuguesa. Este é o fato. Aqui nós estamos sinalizando que em São Paulo nós amamos, valorizamos e promovemos a arte, a cultura, a língua portuguesa, a democracia e os valores da civilização, essa marca da gestão do governador João Doria foi a marca também do governo do presidente Fernando Henrique Cardoso, a marca do presidente Michel Temer, e é isso o que nós acreditamos, e é nisso que nós... é isso o que nós valorizamos. Então, enfim, não tem a menor importância, nós temos é que celebrar esse grande momento que é a abertura deste museu que é um museu espetacular em São Paulo para São Paulo, para o Brasil e para o mundo, especialmente para os países lusófonos. Por último, eu gostaria apenas de ler que a Constituição brasileira ainda está em vigor, até onde todos aqui sabemos, e um dos princípios basilares da nossa Constituição é justamente o pacto federativo, ou seja, o respeito as instâncias que formam o país, né, aos municípios, aos estados e, claro, a União. A Constituição estabelece de maneira clara, líquida, os direitos, as obrigações, os limites, todo o conjunto de atribuições que os entes federativos têm. E aqui em São Paulo nós respeitamos e valorizamos a Constituição e o Pacto Federativo.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Juan. Vamos agora... Muito obrigado, Sérgio. Vamos agora a última pergunta do Pedro Sá Guerra da rádio televisão portuguesa, RTV que aqui está já com o seu microfone. Muito obrigado. Obrigado pela oportunidade também da entrevista que tivemos ontem para a rádio televisão portuguesa. Com a palavra, Pedro Sá Guerra.

PEDRO SÁ GUERRA, REPÓRTER: Muito obrigado. [ininteligível] uma pergunta ao presidente Marcelo Souza.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Claro.

PEDRO SÁ GUERRA, REPÓRTER: Sr. Presidente, nós temos caso o nosso idioma [ininteligível] reinauguração desta casa, gostaria de perguntar se [ininteligível] mais presidentes de países que falam a nossa língua, entre eles, por exemplo, o presidente do [ininteligível], Jair Messias Bolsonaro.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Presidente Marcelo Oliveira de Souza.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Mais uma vez uma pergunta saia justa.

MARCELO OLIVEIRA DE SOUZA, PRESIDENTE DE PORTUGAL: Bom, eu queria agradecer o convite para aqui estar. Eu disse quando visitar e fazer pesquisas depois do incêndio que cá viria à inauguração. Ou eu ou o meu sucessor. Eu, se fosse reeleito, se fosse candidato e reeleito, o meu sucessor como presidente da república portuguesa se ele entendesse que devia vir. Se me perguntasse que opinião daria eu ao meu sucessor sobre vir cá ou não eu teria dito, depende, mas eu iria por uma questão de [ininteligível] do Estado. O presidente português em função disso cá virá, era bom que o senhor cá viesse. E, portanto, cá estou.

MARCELO OLIVEIRA DE SOUZA, PRESIDENTE DE PORTUGAL: Mas eu só respondo por Portugal, eu gosto muito como tudo na vida daquilo que se diz no mínimo, o mínimo como sabe é uma região portuguesa [ininteligível], e que diz assim: "Dança quem está na roda". Quem está na roda dança. Eu estou nessa roda, estou feliz por estar nessa roda e de estar nesta dança, porque é uma dança que pensa no futuro, no futuro da língua portuguesa, no futuro de 260 milhões de pessoas. Isso para mim é o mais importante.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito obrigado. Parabéns, presidente Marcelo Oliveira de Souza. Pedro Sá Guerra, muito obrigado também pela sua presença e pela sua pergunta. Antes do encerramento dessa coletiva quero renovar o agradecimento aos jornalistas, aos cinegrafistas, aos fotógrafos, aos nossos convidados especiais que aqui comparecem. A você, Sérgio Sá Leitão, a você Marília também representando todo esse brilhante time que vai agora conduzir o nosso Museu da Língua Portuguesa que já estará aberto a partir de amanhã ao público normalmente. E dizer, encerrar essa coletiva com uma homenagem, uma homenagem à memória, à memória daqueles que se foram pela Covid, nos países de língua portuguesa e em todo mundo, à memória da cultura de um país que infelizmente vem sendo muito agredida nesses 2,5 anos, à memória da liberdade; a liberdade para discordar, a liberdade para concordar, a liberdade para avançar. Viva a Língua Portuguesa! Viva a memória do nosso país! Viva a memória dos países da Língua Portuguesa! Viva a liberdade! Viva a democracia! Muito obrigado.