Coletiva - Primeira vacinada do país, enfermeira Mônica Calazans ajuda a salvar vidas em SP 20211701

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Coletiva - Primeira vacinada do país, enfermeira Mônica Calazans ajuda a salvar vidas em SP 20211701

Local: [[Capital] - Data: Janeiro 17/01/2021

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JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Hoje é um dia especial, hoje é um dia muito, muito especial, para milhões de pessoas, milhões de brasileiros, milhões de pessoas que estão sofrendo com a COVID-19 em hospitais, em outros centros de atendimento de saúde, nas suas casas, e também aqueles que estão em quarentena, se protegendo e ajudando a proteger suas famílias. Na coletiva de hoje aqui no Hospital de Clínicas, em São Paulo, o maior centro médico da América Latina, referência no Brasil e no exterior, foi aqui, Mônica, no seu hospital que nós escolhemos para fazer esse anúncio e iniciar a vacinação contra a COVID-19. Participam dessa coletiva o presidente do Instituto Butantan, Dimas Covas; Secretário da Saúde do estado de São Paulo, Jean Gorinchteyn; Secretário executivo da saúde do estado de São Paulo, Eduardo Ribeiro; A coordenadora do controle de doenças da Secretaria de Saúde do estado de São Paulo, Regiane de Paula; O médico epidemiologista e coordenador do centro de contingência do COVID-19 em São Paulo, doutor Paulo Menezes; médico, pediatra e coordenador executivo do centro de contingência do COVID-19, e ex-secretário executivo da Saúde, do Ministério da Saúde na gestão Mandetta, doutor João Gabbardo; O médico infectologista e presidente do departamento de infectologia da Sociedade Brasileira de Pediatria, doutor Marcos Safadi; Médico infectologista do instituto de Infectologia Emílio Ribas, do Hospital de Clínicas, doutor Sérgio Cimerman; Médica e diretora clínica, do Hospital de Clínicas, da Universidade de São Paulo, doutora Eloisa Bonfá; E a nossa homenageada de hoje, a enfermeira do Instituto Emílio Ribas, do Hospital de Clínicas, Mônica Calazans, aqui ao meu lado. Eu mencionei agora pouco quando da primeira dose da vacina, que foi aplicada no braço da enfermeira Mônica, que aqui está, que construiu a sua trajetória de vida, lutando contra todas as dificuldades, todas as adversidades, e ela se formou em enfermagem aos 54 anos, atua aqui no Hospital de Clínicas salvando vidas nos últimos 11 meses da COVID-19. Hoje, repito, é o dia V, Mônica, é o dia da vacina, é o dia da vitória, é o dia da verdade, é o dia da vida. Eu quero dedicar esse dia aos familiares dos 209 mil mortos com a COVID-19, 209 mil pessoas que foram a óbito nessa pandemia. Aos seus familiares, a nossa homenagem nesse momento. Também, Mônica, aos 8,455 milhões de vítimas do Coronavírus no nosso país, muitas que ainda estão em sofrimento, em tratamento, e em busca da sobrevivência, homenagem a elas e também aos seus familiares. Mas também quero dividir esse momento especial aqui no Hospital de Clínicas, onde anunciamos a vacina, a vacina do Brasil, a vacina do Butantã, a vacina da vida, aos mais de 13 mil profissionais de saúde de oito estados brasileiros, que participaram da terceira fase de pesquisa da vacina do Butantã. Foram voluntários em oito estados brasileiros, todos, Mônica, Dimas, Jean, médicos e enfermeiros. Todos profissionais de saúde, dando um exemplo heroico de desprendimento para salvar vidas, exatamente como fazem na sua profissão diariamente em todo o Brasil. Esse são heróis, heróis cujo o trabalho é salvar vidas, proteger as pessoas, dar esperança e garantir, se possível, a vida e a existência. A coragem desses quase 13 mil voluntários vai ajudar a salvar milhões de brasileiros a partir de agora. A vitória de hoje, o dia V da vacina, o dia V da vida, é daqueles que valorizam e trabalham pela vida. E ao contrário, bem ao contrário, daqueles que nos últimos 11 meses flertaram com a morte. Os que aqui estão, como você, Mônica, profissionais da saúde de todo o Brasil, milhões de pessoas iguais a você, trabalham pela vida, e vocês são o nosso exemplo, não são aqueles que flertam com a morte. Quero também registrar aqui um crédito muito importante, à ciência, ao Instituto Butantã, orgulho do Brasil, 120 anos servindo à saúde do Brasil e dos brasileiros. E prestar também uma homenagem a você, Dimas Covas, como presidente do Instituto Butantan, você é cientista, você abraçou essa profissão, se dedica a ela há décadas, com desprendimento, e fazendo a sua vocação ajudando a salvar vidas. Ao seu lado, em homenagem também a todos os diretores do Instituto Butantã, profissionais, cientistas, técnicos, que diariamente trabalham no Instituto Butantã, e ao longo desses meses, especialmente a partir de abril, quando assinamos o acordo com a Sinovac, contribuíram no desenvolvimento de uma vacina, de uma vacina eficaz, segura, salvadora para os brasileiros. Um triunfo da ciência, o triunfo da vida contra os negacionistas, contra aqueles que preferem o cheiro da morte. Ao invés do valor e da alegria da vida. Hoje, repito, Mônica, foi uma vitória importante, a vitória da vida. Que sirva de lição para os negacionistas, para os que não tem compaixão, para os que não tem amor no coração, para os que desprezam a vida, que se distanciam da realidade de um país que sofre, e sofre com a morte. E é uma conquista que fortalecem milhões de pessoas, que defendem a vida. Homens e mulheres que no Brasil tiveram a coragem de enfrentar negacionistas, mentiras, fake news, agressões, destemperos e palavrões, para defender a vida. Nós dedicamos também a você, anônimo, brasileiro e brasileira que em qualquer parte do Brasil soube defender a vacina, a vida, o distanciamento, o uso de máscara, a utilização do álcool em gel, e soube atender os apelos da medicina, da ciência e da saúde. Chegamos aqui porque sabíamos o tamanho da nossa responsabilidade, e não tivermos medo. Pessoalmente, Dimas, fui educado pelo meu pai e pela minha mãe para não ter medo, porque eu vivenciei com eles as agruras da ditadura militar no Brasil, que acelerou a morte da minha mãe e a morte do meu pai. Que nos levou ao exílio, à distância do nosso país, por um regime militar que afrontou a vida, e infelizmente levou a vida de muitos brasileiros. Hoje eu também dedico esse dia ao meu pai e à minha mãe. E a muitos pais, mães e avós de exilados, como eu, e como meu irmão, Raul, e tantos outros, sofreram as agruras de um regime autoritário. Hoje também com a vacina é a vitória da democracia, da liberdade, da saúde, da existência, que sirva de lição aos que flertam com a morte, e aos que flertam com ao autoritarismo, não a vocês, sim à vida! A vacina é um direito inalienável, é um direito de todos os brasileiros, como o voto, como é a democracia. A vacina vai ajudar a evitar cenas dramáticas e trágicas, como o Brasil e o mundo viram em Manaus, capital do Amazonas. Cenas que chocaram a opção pública mundial, e chocaram aqueles que em Manaus perderam a vida de pais, mães, irmãos, parentes e amigos por falta de oxigênio. "E daí?". Disse um brasileiro. "Pressa para quê?". Disse outro brasileiro. "Toma Cloroquina que passa". Afirmou um líder do país. "Já fizemos tudo, já não há mais nada a fazer". Repetiu esse mesmo personagem. A vacina é uma lição para vocês, autoritários que desprezam a vida, que não tem compaixão, que desprezaram a atenção, a dedicação e a necessidade de protegerem os brasileiros. Vocês não fizeram isso. Não será apenas o julgamento divino, de Deus, a esses negacionistas, será o julgamento presente, de agora, daqueles que como eu, como os que estão aqui, como os jornalistas, que na sua expressiva maioria, sempre defenderam o lado certo. Os negacionistas vão ter que conviver com os existencialistas, com aqueles que defendem a agora tem mais força para defender a vida. Preciso fazer uma referência à ANVISA, por direito e por justiça, o corpo técnico e diretores da ANVISA que hoje votaram por unanimidade, a favor das vacinas, cumpriram seus deveres, cumpriram suas obrigações na defesa da ciência, da vida, e da autonomia de um órgão regulador com a dimensão de uma Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resistiram a pressões, que eu sei que foram grandes, e ordens que, felizmente, não foram atendidas. A ciência falou mais alto do que a ideologia e do que o autoritarismo. Parabéns à Anvisa por ter protegido duas vacinas, e que ela possa fazer o mesmo, de forma diligente e obedecendo a ciência, com outras vacinas. Em São Paulo, sempre defendemos várias vacinas. Nunca nos ativemos a uma única vacina, ainda que tivéssemos lutado pela vacina que hoje está disponível no Brasil, que é a vacina do Butantan. Mas desejamos e estimamos que a Fiocruz e outras instituições possam também validar as suas vacinas e aplicá-las o mais rápido possível. É isso que o Brasil e os brasileiros esperam. Hoje é um dia de grande esperança, Mônica. É um dia de renascimento, de buscarmos mais forças para resistirmos e compreendermos também a necessidade de continuarmos unidos e protegidos. A chegada da vacina não vai nos liberar do uso da máscara. A chegada da vacina não vai nos livrar da necessidade do distanciamento social. A chegada da vacina não vai nos livrar da obrigação de não participar de aglomerações de nenhuma espécie e sob nenhuma alegação. Até termos a imunização de todos os brasileiros ou da maioria expressiva dos brasileiros, teremos que continuar usando máscaras, teremos que fazer o distanciamento social, teremos que proteger as pessoas com morbidade, as pessoas com mais de 60 anos, as pessoas com deficiência, os mais vulneráveis. E orientar os nossos jovens, nossos filhos, nossos netos para não aceitarem convite de espécie alguma para participarem de aglomerações. E resistir as fake news, as mentiras, a ação deliberada nas redes sociais para contrastar com a defesa à vida e com as necessidades de proteção à vida, incluindo o uso de máscara, o distanciamento e a não aglomeração. Temos um longo caminho pela frente. Um longo caminho ainda com angústias e sofrimentos, mas o povo brasileiro que tem coração, que tem alma, que não tem ideologia, exceto a alegria de viver, Mônica, eles estarão ao nosso lado, estarão ao lado da existência e da vida. Quero dizer que autorizamos há trinta e cinco minutos a imediata distribuição da vacina do Butantan para todos os estados brasileiros através do Ministério da Saúde. Após aprovação pela Anvisa, determinamos que o Instituto Butantan inicie imediatamente a distribuição da vacina ao Ministério da Saúde. Os caminhões com as primeiras doses serão carregados rapidamente e ainda hoje seguirão para o depósito do Ministério da Saúde no Aeroporto de Guarulhos. E o que nós esperamos é que o Ministério da Saúde possa agir de forma diligente, objetiva, com planejamento para fazer com que a vacina do Butantan chegue o mais rápido possível ao braço dos brasileiros, inicialmente os brasileiros profissionais de saúde, que estão na linha de frente e que são os que mais sofrem, os que mais padecem, não apenas pelo risco físico, mas também padecem emocionalmente ao ver o sofrimento de brasileiros em todo o Brasil e a inércia do governo federal em relação a esta gravíssima pandemia. Eu espero, sinceramente, que o comportamento do Ministério da Saúde seja pela vida. E peço também ao Ministério da Saúde que pare de distribuir e recomendar o uso da cloroquina. Como dizem os médicos, os cientistas: É criminoso fazer crer a população, sobretudo mais desvalida, mais simples e mais humilde, que a cloroquina salva. A cloroquina não salva. Em alguns casos, a cloroquina mata. Parem de fazer isso. Parem de insistir nessa tese. Trabalhem pela vida, pelas vacinas, pela vacinação, pela proteção dos brasileiros. As vacinas do Butantan não são apenas do povo de São Paulo, é a vacina do Brasil, por isso que todos aqui estão com a bandeira brasileira no peito. Nós amamos o Brasil, nós somos parte do Brasil e nós vamos defender o Brasil, o Brasil real, não o Brasil da mentira, não o Brasil da ficção, não o Brasil da ideologia e do extremismo. É inimaginável que eu como filho de baiano, com muito orgulho, Mônica. Eu nasci em São Paulo, mas parte da minha vida tem a raiz da Bahia, com muito orgulho sou filho de nordestino. Morei no Rio de Janeiro, onde conheci minha esposa, lá vivi por vários anos. É inimaginável e eu repudio os 'fakistas' do gabinete do ódio espalhando notícias que nós fizemos a vacina apenas para São Paulo. Fizemos a vacina desde o início para todo o Brasil e todos os brasileiros. Nós aqui não governamos para dividir, governamos para integrar, para somar. Nós não apostamos na guerra e não gostamos de cheiro de pólvora. Queremos a paz, o entendimento, a integração, o diálogo e respeito pela ciência, pela medicina e pela vida. Hoje, conforme já falamos, começam a ser vacinados médicos e enfermeiros do Hospital das Clínicas. A Mônica aqui ao meu lado, Mônica Calazans, foi a primeira a receber a vacina. Neste ambiente aqui ao lado mais de uma centena de médicos e enfermeiros do Hospital das Clínicas está recebendo a primeira dose da vacina neste momento. E eu espero que amanhã milhares, milhões de outros brasileiros da saúde possam também estar recebendo a vacina pelo Ministério da Saúde do Brasil, com o apoio e atitude diligente dos governadores do Brasil, meus colegas, e que tenho certeza que farão isso de forma correta, rápida e eficiente. A vacinação deve começar imediatamente. Cada dia conta. Cada vida conta também. O governo de São Paulo coloca em prática nesta segunda-feira, dia 18, o plano logístico para o envio das vacinas que lhe cabem aqui no estado de São Paulo, para proteger, como você, Mônica, os profissionais de saúde que atuam no estado de São Paulo. E vamos começar com os Hospitais das Clínicas de São Paulo, Ribeirão Preto, Campinas, da Unicamp, Botucatu, da Unesp, Marília, Famema, e Hospital de Base de São José do Rio Preto. E na sequência, todos os demais hospitais públicos e privados. E eu tenho certeza e eu espero e continuarei lutando para como brasileiro observar de perto se o Ministério da Saúde está cumprimento correta e adequadamente a proporcionalidade na distribuição da vacina para todos os estados brasileiros e o Distrito Federal, porque se não o fizer, certamente não só governadores e prefeitos dos estados brasileiros como a opinião pública estará vigilante. Agora, é hora da proteção. Agora, é hora do coração. Agora, é hora do Brasil. Eu queria começar pedindo a intervenção do professor Dimas Covas, presidente no Instituto Butantan, que vai explicar inclusive a destinação das doses da vacina para São Paulo, a proporcionalidade do Plano Nacional de Vacinação e também das vacinas que hoje já estarão sendo entregues para o Ministério da Saúde, para que o Ministério da Saúde o mais rapidamente possível possa destiná-las aos estados, municípios e aos profissionais de saúde que aguardam para serem vacinados. Dimas.

DIMAS COVAS, DIRETOR DO INSTITUTO BUTANTAN: Boa tarde. Boa tarde, governador. A minha emoção nesse momento é muito grande, governador, é um momento que às vezes é até difícil de expressarmos o que sentimos e o que pensamos. Uma tarde de luz nesse ambiente de obscurantismo que temos vivido nesse país. Um obscurantismo profundo, governador, que permeia muitas vezes os círculos mais lustrados do país, inclusive no ambiente científico. Muito triste, governador. Muito triste. Muito triste ver um país... Durante tanto tempo ver uma parcela desse país torcendo contra uma vacina. Acho que isso não tem precedente na história, governador. Não tem precedente. Quer dizer, ansiedade, dúvida sobre cronograma, sobre a chegada, sobre o desenvolvimento, isso é absolutamente normal. Mas torcida contra, governador? Torcida contra uma vacina? Quer dizer, opiniões de pessoas letradas, colegas médicos, colegas científicos, cientistas a todo momento duvidando. E não só duvidando, propondo tratamentos obscuros, defendendo tratamentos obscuros, tratamento que não tem nenhuma efetividade, ao invés de defender a vacina. Um momento de gravidade, de alerta. Em algum momento nós erramos, erramos como civilização. Em algum momento tomamos, né, essa divisão, permitimos que essa divisão ocorresse, por motivos que todos nós conhecemos. Mas finalmente chegamos em um momento de luz, que talvez lance luz nessa obscuridade, né, que atinge a muitos do nosso país. Governador, há seis meses nós iniciamos o estudo clínico, há seis meses iniciou-se essa batalha, e hoje nós temos a melhor vacina, porque a melhor vacina é aquela que chega ao braço das pessoas. Seis meses depois do início desse estudo clínico estamos aqui com a vacina que é segura, e que é eficaz, sendo usada. A única vacina no Brasil, a única vacina que está sendo produzida e distribuída no Brasil! A vacina que foi combatida pelas mais altas autoridades dessa República, a vacina que foi negada, a vacina que foi renegada ao discurso chulo, muitas vezes, é a vacina que começa a salvar esse país. É a vacina que começa a ser aplicada, que está sendo aplicada aqui na sala ao lado. Governador, eu, como diretor do Butantã nesse período, ser diretor exigiu de mim grandes sacrifícios pessoais, não há dúvida nenhuma, mas disso nada importa nesse momento. Nada importa o que se diz, o que se comenta, o que se fala, o que se discute em termos de eficácia, o que se discute em termos da qualidade da vacina. O que importa é que a vacina está aí, e uma quantidade apreciável de vacinas nesse momento, 4.636.936 milhões de vacinas estão indo em direção ao centro de logística do Ministério da Saúde em Guarulhos. 4.636.936 milhões de vacinas que serão distribuídas a todos os estados do Brasil, sem nenhum prejuízo para o estado de São Paulo, que receberá 1.357.640 milhão. Números que não foram definidos por nós, números que foram definidos pelo nosso Ministério da Saúde através do seu Programa Nacional de Imunizações. Estamos com as contas, o ministério nos enviou e assim estamos procedendo. Todos...

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Desculpem ter interrompido, mas vou pedir novamente que você informe número de vacinas, pois nesse momento o Ministério da Saúde, Eduardo Pazuello, concede uma entrevista coletiva em Brasília dizendo e protestando contra São Paulo, quando devia estar agradecendo a São Paulo e à vacina do Butantan, protesta contra a vacina! É inacreditável o que nós estamos vivendo no Brasil! Por favor, volte a informar quantas vacinas estão sendo destinadas hoje para o Ministério da Saúde, quantas à São Paulo que nos cabe, aliás, pelo Programa Nacional de Imunizações, nós não estamos aqui fazendo nenhuma conta diferente, nós estamos atendendo o entendimento do Programa Nacional de Saúde. Peço ao presidente do Instituto Butantã que mais uma vez diga isso a todos. E lamento, ministro, Eduardo Pazuello, que o senhor, como Ministério da Saúde, que devia estar grato à ANVISA, e a São Paulo, de termos uma vacina, usa o tempo para protestar contra isso! É inacreditável uma situação como essa no Brasil! Aqui lutamos pela vida, e Brasília luta pelo o quê? Dimas.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: Total de vacinas, governador, vou repetir então, 5.994.576 milhões de doses. Essas são as doses disponíveis para o Brasil. Desse quantitativo o que corresponde ao estado de São Paulo? De acordo com a tabela fornecida na tarde de hoje pelo doutor Arnaldo, que é da Secretaria de Atenção à Saúde, do Ministério da Saúde, 1.357.640 milhão de vacinas para o estado de São Paulo. Contas feitas pelo Ministério da Saúde. Para o restante do Brasil, 4.636.936 milhões de doses. Como eu mencionei, indo essas doses para o centro de logística do Ministério da Saúde em Guarulhos. Portanto, já disponíveis boa parte delas, ou quase a totalidade, lá naquele local. Vacinas que serão obviamente endereçadas aos estados de acordo com essa tabela fornecida pelo doutor Arnaldo, do Ministério da Saúde. Voltando então, governador, nessa jornada as barreiras foram levantadas, inúmeras barreiras, inúmeras barreiras, barreiras inclusive da nossa ANVISA, que hoje aprovou a vacina, como era esperado, como era esperado, absolutamente esperado. Aprovou duas vacinas, com uma diferença, uma está no Brasil e a outra está na Índia, mas foram aprovadas. Uma com amostras no INCQS e a outra com amostras na Índia, mas foram aprovadas, e isso é o que importa. Não estou dizendo que houve uma assimetria, só estou dizendo a realidade, uma vacina está aqui e a outra está na Índia, não sei se chegará aqui rapidamente. Mas ela não está aqui. Não estou reclamando, estou apenas pontuando a realidade, estou apenas pontuando uma das barreiras que enfrentamos nessa jornada, e que não fossem essas barreiras já poderíamos estar vacinando em dezembro, não fossem essas barreiras. Uma hora a barreira para autorizar a importação, outra hora uma barreira em relação ao estudo clínico. Outra hora uma barreira em relação às exigências. Enfim, não importa isso nesse momento, só estou pontuando, descrevendo o que aconteceu. Não fossem essas barreiras, não fosse a indefinição com relação ao financiamento dessa vacina, financiamento com dinheiro público, do Brasil, do brasileiro, e não de um ou de outro, não fosse essa indefinição que vem desde setembro, já teríamos avançado muito, já teríamos iniciado essa vacinação em dezembro. Isso não importa, não importa! Não, importa! Importa, de dezembro a aqui milhares e milhares de pessoas nos hospitais, milhares e milhares e milhares de pessoas morreram. Então, governador, eu que enfrentei isso com dor no coração a maior parte do tempo, porque sabia dessa possibilidade, conhecia essa possibilidade, e a todo o momento tinha que me calar e tentar cumprir, para não dificultar o processo. Mas hoje a emoção não me permite mais fazer isso, me desculpem o desabado. Me desculpem. Mas eu acho que eu tenho direito, eu tenho direito de desabafar nesse momento. De mostrar a minha indignação, porque eu sou médico e cientista, e o meu dever é defender a vida das pessoas. E se eu não consegui fazer isso antes, não foi por falta do meu esforço, foi por culpa dessas barreiras que colocaram no nosso caminho. Então eu peço até desculpas por isso, peço desculpas. Mas fizemos o que foi possível, governador, e fizemos de uma maneira muito rápida. Nenhuma outra companhia, nenhuma multinacional fez o que nós fizemos nesse tempo, nenhuma apresentou os estudos clínicos da forma como nós apresentamos. Desculpa, governador, desculpa.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Parabéns, Dimas Covas. Parabéns, Dimas. Jean Gorinchteyn.

JEAN GORINCHTEYN, SECRETÁRIO DA SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Boa tarde, a todos. Hoje é o momento que nós temos oportunidade, governador, de reescrever a história desse país, milhares de pessoas perderam as suas vidas, milhares de pessoas ainda poderão perder as suas vidas, pelo fato desses atrasos que foram feitos pelo Governo Federal. Nós hoje atrás de mais de 50 países que já estão vacinando em massa a sua população, nós estamos começando a nossa campanha de vacinação, e ainda rediscutindo as doses, que ainda são pequenas para imunizar a nossa população. Isso infelizmente é algo extremamente triste. As pessoas estão ouvindo isso com esperança, nos mandam nas redes sociais: "O senhor está salvando as nossas vidas". Mas nós ainda demoraremos para vacinar tantos brasileiros quanto precisamos. E por quê? Porque houve uma discussão que saiu da esfera científica, saiu da esfera da vida, de proteção à vida, de garantia de assistência, que é um dever do estado. E sobre à sua liderança, o senhor já nos dizia lá em agosto: "Cuidado, o mundo vai querer vacinas, vai faltar vacinas para a gente. Precisamos uma definição do Governo Federal". Vão faltar insumos, seringas e agulhas, porque o mundo quer, não somos só nós. E o governador dizia: "Vá atrás disso". E o que aconteceu? Nós fomos lá para a lanterninha, porque afinal de contas, vacinar não é necessário. Eu sou médico, e continuo, a despeito de ser o gestor público na linha de frente, nós estamos vendo cada vez mais casos graves, cada vez mais pessoas jovens morrendo. Nós tivemos nos últimos 40 dias uma aceleração do número de casos, tanto no Brasil, quanto em São Paulo, na mesma velocidade nós tivemos de março até agosto, cinco meses, nós conseguimos isso em 40 dias, estamos acelerando. O Brasil tem a chance de colapsar, não é só Amazonas. O que nós vimos no Brasil, ou melhor, no Amazonas, pode acontecer no país inteiro, estejam atentos. Nós nunca fomos tão claros, nós nunca pedimos tanto para a população entender, fiquem em casa, saiam com responsabilidade. Nós estamos falando como gestores, como médicos, para que as pessoas tenham responsabilidade. Os jovens estão saindo, vão para as festas, ENEM não pode fazer porque é perigoso o traslado até o ENEM, mas vão para festas, vão para os bares, vão para a esquina e trazem para as suas casas e matam a sua família! Não podemos mais! Não sejamos hipócritas! Nós não podemos calar essas histórias que morreram por culpa desse descaso, é hora de mudarmos. Hoje começamos a vacinar em São Paulo. Governo Federal, precisamos mais vacinas, de todas elas, sempre clamamos por isso. E agora não será diferente, o nosso povo não aguenta mais! Vamos fazer um ano, um ano de uma tragédia humanitária! Um ano que as pessoas perderam seus empregos, seus sonhos. É hora de todos exigirmos uma postura mais austera, energia e robusta. E viva à vida! E viva à vacina! E eu, como médico, como gestor público, como pai, lhe agradeço por essa iniciativa de liderança. Muito obrigado.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito obrigado, Jean Gorinchteyn. Sensibilizado com o seu depoimento, como médico infectologista, e hoje secretário da Saúde do estado de São Paulo. Eu recebi aqui apelos de jornalistas pedindo para que nós pudéssemos abrir o mais rapidamente possível às perguntas. Então eu vou tomar a liberdade, pedir ao Eduardo Riberio e à Regiane de Paula, que fiquem no standby para qualquer necessidade, sobretudo, do programa de imunização aqui no estado de São Paulo. E vou tomar a liberdade de pedir rápidos depoimentos, mas bem rápidos, se possível, do doutor Paulo Meneses, João Gabbardo, Marcos Sáfadi e Sérgio Cimerman são todos cientistas em torno da vacina. Mas vou tomar a liberdade de insistir para que sejam breves em respeito aos jornalistas que aqui estão com muitas perguntas a serem feitas. E nós todos aqui estaremos à disposição, incluindo a doutora Eloiza Bonfá, que está aqui, e a Mônica Calazans, a enfermeira que está aqui ao meu lado também, todos estaremos à disposição para as respostas. Então pedindo agilidade, mas sem, evidentemente restrições, ao doutor Paulo Menezes, que é médico epidemiologista e coordenador do centro de contingência da COVID-19.

PAULO MENEZES, MÉDICO EPIDEMIOLOGISTA E COORDENADOR DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DA COVID-19: Obrigado, governador. Difícil expressar como profissional de saúde, cidadão e coordenador do centro de contingência a minha emoção hoje, depois de dias tão difíceis e tristes. Eu vou ser muito rápido dizendo que a ação de hoje, a aprovação e início da vacinação de hoje traem uma perspectiva de esperança positiva. E nós vamos observar ao longo dos próximos meses, felizmente, melhora nos indicadores que são utilizados pelo plano São Paulo, e aos poucos a nossa vida vai voltando à uma normalidade. Mas nesse momento de uma segunda onda tão forte, eu só quero reforçar que o centro de contingência continua trabalhando intensamente. Nós temos tomado medidas, feito sugestões para o governo com muita constância, elas têm sido implementadas, e todos precisam contribuir para que nós possamos superar esse momento. Nós vamos continuar fazendo isso. Eu só quero concluir agradecendo e cumprimentando ao governador, ao Instituto Butantã, na pessoa do meu colega Dimas Covas, todos os envolvidos pela grande contribuição para o combate à pandemia, que nós estamos observando hoje. Muito obrigado, governador.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito obrigado, doutor Paulo Meneses. Eu aproveito para agradecer, Paulo, em seu nome, primeiro a você, pelo tempo, pela dedicação, você está conosco desde o dia 26 de fevereiro no centro de contingência de COVID-19, desde que com a ajuda do doutor David UIP, a quem rendo aqui as minhas homenagens, e outros 18 médicos infectologistas e epidemiologistas e cientistas têm nos ajudado a encontrar o melhor caminho, o caminho para proteger vidas em São Paulo. Obrigado a você, Paulo, e obrigado a todos os membros desse comitê. E eu estendo esse agradecimento do João Gabbardo, médico pediatra, que já foi secretário da Saúde do seu estado natal, Rio Grande do Sul, secretário executivo do Ministério da Saúde na gestão Luiz Henrique Mandetta, e também integrante desse centro de contingência do COVID-19, a quem peço agora o uso da palavra. E na sequência o doutor Marcos Sáfadi. Gabbardo.

JOÃO GABBARDO, COORDENADOR EXECUTIVO DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: Boa noite, governador. Em um cenário que nós vivemos hoje de mais de mil óbitos por dia, um cenário de curva epidêmica em franca ascensão, com risco de nós termos uma disseminação do que acontece hoje em Manaus para outras cidades, para outros estados, e com uma ausência de alternativa terapêutica, nós não temos remédio. Hoje quem disse isso foi a ANVISA, hoje quem disse isso foi o Ministério da Saúde, quem disse isso hoje foi o Governo Federal. Nós vamos salvar vidas com a vacina, e com a dedicação e com a agilidade do Butantã e do governo do estado de São Paulo. Acho que à vontade de acertar, quando ela é sincera, supera qualquer dificuldade. Hoje nós vivenciamos um momento do sim à vida, da dissipação do medo, do olhar e da esperança. Quando o princípio é o respeito à vida, o método é a ciência, e a conduta é a retidão. A partir de hoje, governador, nós vamos precisar unir esforços dos governos, Governo Federal, dos governos estaduais, dos governos municipais. Nós precisaremos ser mais fortes para salvarmos mais pessoas. Os meus familiares, governador, estão lá no extremo Sul, estão lá no Rio Grande do Sul, e eu gostaria que a vacina pudesse chegar o mais rápido possível a eles. Tenho certeza que assim como eu, todos no Brasil agradecem o seu esforço, a sua dedicação, e a sua competência para que nós pudéssemos chegar nesse dia de hoje. Eu espero que em breve o Brasil possa voltar a respirar e viver sem medo. Obrigado.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito obrigado, João Gabbardo, duplamente obrigado pelo esforço, pelo sacrifício, pela dedicação, pela coragem também, que teve no enfrentamento enquanto lá no Ministério da Saúde, e que continua a ter aqui como coordenador executivo do nosso centro de contingência do COVID-19. Eu queria agora passar a palavra ao médico infectologista, doutor Marcos Sáfadi, que é um médico independente, um cientista, para que ele possa também fazer aqui o seu depoimento. E na sequência, doutor Sérgio Cimerman, e logo após iniciaremos as perguntas. Doutor Marcos Sáfadi.

MARCOS SÁFADI, MÉDICO INFECTOLOGISTA: Muito obrigado, governador. Boa tarde, a todos. Eu prometo que serei bastante breve, mas eu queria trazer a perspectiva, como o senhor mesmo destacou, de um médico, de um professor universitário que trabalha há mais de 30 anos nos corredores de um homem filantrópico, no maior hospital filantrópico aqui de São Paulo e do Brasil, e que trabalha com doenças infeciosas. Então o primeiro ponto que eu queria destacar é a seriedade, e vamos dizer, a lisura com que o processo de aprovação foi feito pela ANVISA, eu acho que não esperávamos nada diferente. Então esse é o primeiro aspecto que me parece muito importante destacar, e não sei se os senhores sabem disso, mas a aprovação de uso emergencial pela ANVISA transcende a importância para a população brasileira. Não sei se é do conhecimento de todos, mas há muitos países na América Latina que não tem agências regulatórias. Então a data de hoje ela significa a possibilidade de uso de ambas as vacinas, Coronavac e a vacina de Oxford, para países que não tem essa agência regulatória, para que os senhores entendam a importância da liberação para uso emergencial pela ANVISA. O segundo aspecto que eu queria destacar é a importância que as vacinas representam como ferramenta e estratégia de saúde pública. E que à despeito, vamos dizer, de movimentos antivacina, elas permanecem sendo, talvez junto com a água potável, como temos destacado, duas das mais importantes iniciativas que tivemos, no que diz respeito ao controle de doenças. Erradicou a Varíola, controlou diversas doenças aqui entre nós, controlou formas de Meningite, controlou formas de Diarreia, controlou a Coqueluche, controlou o Tétano. Ela eliminou da nossa região a Rubéola, a Rubéola Congênita, eliminou da nossa região a Paralisia Infantil. Então os benefícios são inequívocos, e hoje a gente tem a possibilidade de contar com mais uma vacina para a nossa população. E, do ponto de vista técnico, os estudos apresentados tanto por Oxford, AstraZeneca, como por Coronavac, antecipam claramente a possibilidade de impactarmos na redução e na sobrecarga dos serviços de saúde, o que é fundamental, do ponto de vista de estratégia. E possibilita, sem dúvida nenhuma, pelos dados, que a gente possa prevenir formas graves de doença, e prevenir hospitalizações. Então do ponto de vista, esse é o objetivo precípuo de um programa de imunização, e os dados são muito importantes no que diz respeito a antecipar esses aspectos. Uma última palavra que eu queria deixar claro, é que do ponto de vista de comunidade científica, há ainda lacunas no conhecimento, e é perfeitamente compreensível que essas lacunas existam, e elas serão respondidas com o tempo. Duração de proteção claramente é uma necessidade de conhecermos. Lembrar que esses estudos se pautaram na observação da eficácia nos primeiros dois, três meses após à segunda dose da vacina. É necessário que a gente conheça como se comporta a vacina em longo prazo, para que possamos estabelecer rotinas de revacinação, uma vez que isso, vamos dizer, é absolutamente esperado. É importante que a gente conheça o comportamento destas vacinas e de outras, de acordo com os subgrupos, de acordo com a faixa etária, de acordo com presenças de comorbidade. É importante que haja estudos daqui para frente em populações que ainda não foram contempladas com esses estudos, leia-se, crianças e adolescentes jovens, eles também devem ser alvo desses estudos, e a partir de agora, vamos dizer assim, a gente tem um start para, de fato, deixar robusta essas análises. E por último destacar aqui uma lacuna importante também, são em relação a esquemas alternativos, e impacto em transmissão. As vacinas demonstraram de forma muito clara, todas elas até agora, que elas previnem doença, mas não houve ainda a possibilidade de sabermos como se comportam essas vacinas, no que diz respeito à prevenção de infecção. O que eu quero dizer aqui, é que é razoável supor, governador, é que uma vez que nós iniciamos essas campanhas de vacinação, a gente possa prevenir as formas graves, mas não sabemos ainda se temos condição de prevenir infecção, e, portanto, transmissão do vírus aqueles que estão na comunidade. Então a minha última mensagem dentro da promessa de ser breve, é destacar a todos que à despeito do início do programa de vacinação, em hipótese alguma nós devemos prescindir das lições aprendidas que nos protegem, e essas lições claramente são o uso da máscara, as medidas de higienização e o distanciamento. Elas permanecerão nesse primeiro estágio da vacinação, até que a gente tenha a possibilidade de controlar, de fato, essa pandemia. Muito obrigado.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito obrigado, doutor Marcos Sáfadi, médico infectologista e presidente do departamento de infectologia da Sociedade Brasileira de Pediatria. Antes de passar a palavra ao doutor Sérgio Cimerman, sempre de forma breve, e eu peço a gentileza que seja breve, para atender aos jornalistas. Eu estou acompanhando aqui pelo meu celular a entrevista do ministro Eduardo Pazuello, em Brasília. Eu estou atônito com as declarações do ministro da Saúde do Brasil. Diz o ministro Eduardo Pazuello: "As vacinas foram compradas com o dinheiro do SUS, do Governo Federal, e não com o dinheiro do Governo de São Paulo. Ministro, ministro Eduardo Pazuello, é inacreditável como o ministro de estado da saúde, sem o menor zelo com a saúde, sem ser médico, sem ter conhecimento nenhum da saúde, sem planejamento, um desastre completo na saúde, ainda mente ao dizer isso, a vacina do Butantan só está em São Paulo e no Brasil porque foi investimento do Governo do Estado de São Paulo, ministro, não há um centavo até agora, até agora, do Governo Federal para a vacina, nem para o estudo, nem para a compra, nem para a pesquisa, nada, chega de mentira, ministro, trabalhe pela saúde do seu povo, seja honesto, seja decente, aprenda aquilo que na escola militar o senhor aprendeu, se o senhor não conhece medicina, não conhece programa de imunização, pelo menos respeito o corpo técnico do seu ministério, e respeite a verdade. E quero acrescentar também que nós vamos destinar, do estoque das vacinas, por isso Dr. Dimas até se ausentou aqui um pouco, porque eu pedi a ele, das vacinas que nós utilizamos no estudo clínico em São Paulo, nós vamos mandar amanhã, pela manhã, com a colaboração de uma das companhias aéreas solidárias, ou a TAM, ou a GOL, ou Azul, 50 mil doses da vacina pros médicos do Amazonas, porque eu já não confio no Ministério da Saúde, esta incapacidade de produzir mentiras, [ininteligível] quando devia estar agradecendo que os cientistas conseguiram viabilizar uma vacina, lança mentiras e ataques à São Paulo, é inacreditável o que nós estamos vivendo no Brasil, pois amanhã pela manhã, um avião levará 50 mil doses da vacina, independentemente da cota do Ministério da Saúde, para os profissionais de saúde do Estado do Amazonas. Sérgio Cimerman. [aplausos].

SÉRGIO CIMERMAN, INFECTOLOGISTA DO INSTITUTO EMÍLIO RIBAS: Obrigado, governador, tentarei ser o mais breve possível, muito emocionado como infectologista que sou, na luta da nossa especialidade, sofrendo, agora eu vou abrir aos jornalistas, sofrendo ameaças de morte constantes, por parte de negacionistas, o governador não sabia disso, eu deixei esse momento pra falar abertamente, não só eu, como todos os diretores da Sociedade Brasileira de Infectologia, que não apoiamos Cloroquina, Ivermectina, tratamento precoce, isso tem que se deixar claro, esse era o momento que eu gostaria de falar com essa grande emoção que eu vivo, nós não nos furtaremos e não nos furtamos até hoje, governador, a fazer a ciência, e nós vamos continuar, com ameaças de morte ou não, seguindo a luta que é da ciência. Perdão pela emoção, governador. Eu queria iniciar dizendo a vocês que hoje a gente viu uma luz no fundo do túnel, no enfrentamento da pandemia da Covid-19, não temos até o momento medicação efetiva pra Covid-19, mas agora o que nós temos, duas vacinas aprovadas pela Anvisa em reunião que se durou mais de cinco horas. Instituições centenárias, públicas, diga-se de passagem, como Butantan e Fiocruz, que enchem de orgulho todos nós, médicos e cientistas, as vacinas devem ser o alicerce nessa luta que ora se inicia, vamos dar resposta ao mundo todo, eu tenho certeza, o Brasil vai dizer para o que veio. Pra que vocês saibam, os dados mundiais apontam o Brasil com 2,3% dos casos mundiais e responde por 10% dos mortos no mundo todo. Pra que vocês tenham conhecimento, não sei se todos acabaram vendo nos últimos dias, a publicação na Lancet, um trabalho feito exclusivamente pelo Brasil, entre 250 mil admissões hospitalares por Covid-19, 80% de mortalidade foi naqueles indivíduos que necessitaram ventilação, isso tá claramente impactado agora com a chegada da vacina, que é não evoluir pra doença grave, moderada, esse vai ser o ponto importante e nós poderíamos ter salvo 250 mil vidas, o que fosse, às custas da vacina, isso tem que ficar claro, seu governador, eu também queria colocar pro senhor e pra todos os presentes, que a Sociedade Brasileira de Infectologia amanhã, nas próximas 24 horas vai lançar uma nota aprovando o uso de vacinas e pedindo pra que se salve vidas e evitando tratamento precoce, mais uma vez largamente difundido de modo errôneo, sem ter ciência. Gostaria de parabenizar o Governo de São Paulo e o Instituto Butantan, na presença do Dr. Dimas Covas, por prover à nossa população com a vacina agora aprovada pela Anvisa, é um orgulho pra mim fazer parte desse momento histórico, estar num hospital de referência, o Instituto de Infectologia Emílio Ribas, responsável pela inclusão de um número substancioso de pacientes e ser um dos 16 centros de pesquisa, e ter a honra a instituição de ter a nossa colega, Mônica, trabalhadora firme na nossa unidade de terapia intensiva, sendo a primeira a ser vacinada, é uma honra pra nossa instituição, queria reforçar ainda a rapidez com que a Anvisa, nosso órgão regulatório, com maestria e com rigor técnico, comparado aos outros países, como Estados Unidos, Reino Unido e Canadá, avaliou toda a documentação. Nós demos a resposta à população, a população e a imprensa, que clamavam por dados mais robustos, que nas outras coletivas questionavam essa possível eficácia, aí está, a Anvisa, o nosso órgão regulatório, dá aprovação pra uso emergencial, isso é muito importante que os senhores tenham noção, uma vacina segura, em torno de 3% de efeitos adversos de grau um, grau dois, ou seja, ínfimos, eficaz, sim, 50.39% e eu vou me pautar na fala do Dr. Gustavo da Anvisa: "Que não tem efeito prático algum a questão de mais 50% ou menos 50%", ele foi muito feliz, na minha avaliação, quando ele coloca isso, os negacionistas, os anti vacinas têm que aprender com a ciência, a ciência está comprovando a importância. Por tudo isso, governador, e pra não me alongar mais, eu teria mais coisas pra falar, 2021 é o ano da luta, é o ano da vida, é o ano da esperança, no momento é a melhor opção que temos, sem mudança de comportamento, uma conscientização social, nós não vamos vencer, não podemos esquecer as medidas preventivas, hoje, governador, nós já temos o dia D, 17 de janeiro, Mônica nos provou, e já temos a hora H, 15 horas e 30 e poucos minutos, Mônica, então, a resposta ao Governo Federal, São Paulo dá a resposta ao Brasil, parabéns, Governo do Estado de São Paulo, parabéns, Dr. Dimas Covas, pelo trabalho incansável, parabéns, Dr. Jean Gorinchteyn, amigo infectologista, trilhando vários caminhos, há muitos anos nos conhecemos, e conheço muito bem a sua índole e sua capacidade técnica, vocês mostraram o que é importante, a infectologia está feliz, a infectologia está aliviada que vamos começar um novo processo e vamos fazer essa fase quatro, que é a vacinação em massa, render os frutos e dar as respostas necessárias, quanto tempo nós vamos precisar vacinar de novo os nossos pacientes, qual vai ser a resposta nas internações, tudo isso vai vir calmamente, precisamos ter paciência, as pessoas querem imediatismo, não dá pra ter imediatismo, nós temos que fazer a nossa parte, fazer medidas social, distanciamento, máscara, álcool gel e as vacinas, e que a população, por favor, eu clamo como infectologista, que a população se vacine, no momento que vai ser o adequado pra cada grupo que for da sua vez, por favor, sem isso nós não vamos conseguir vencer a Covid-19, muito obrigado, governador.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito obrigado, sensível depoimento de Sérgio Cimerman, um dos maiores médicos infectologistas do país, que integra o Instituto Emílio Ribas, muito obrigado, Sérgio. O Sérgio não tem nenhuma vinculação com o Governo do Estado de São Paulo, assim como o Dr. Marcos Sáfadi, totalmente independentes, estão aqui por vontade própria e por decisão própria. Eu recebi aqui a solicitação de alguns jornalistas, Mônica, pra ouvir o seu depoimento, independentemente de perguntas, então, eu vou tomar a liberdade de passar à Mônica Calazans, a médica aqui do Hospital das Clínicas, do Instituto Emílio Ribas, tem 54 anos, foi a primeira brasileira a ser vacinada em território nacional, um orgulho que ela leva a si, aos seus filhos, aos seus familiares, à sua história, a milhares, milhares, centenas de milhares de enfermeiras e enfermeiros, e médicos de todo o país. Mônica, seu depoimento, por favor.

MÔNICA CALAZANS, PRIMEIRA VACINADA NO BRASIL: Bem...

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Tá ligado.

MÔNICA CALAZANS, PRIMEIRA VACINADA NO BRASIL: Bem, o que eu tenho a dizer nesse momento, em primeiro lugar, agradecer a Deus por ter a oportunidade de ser a primeira vacinada, em segundo lugar, ter orgulho do meu trabalho, como enfermeira do Emílio Ribas, da UTI do Emílio Ribas, né, uma UTI que hoje tá lotada, e lotada de pacientes com Covid, o que eu falo além disso, que a população acredite na vacina, eu estou falando agora como brasileira, como mulher, mulher negra, que acredite na vacina, vamos pensar no monte de vidas que nós perdemos, quantas famílias nós perdemos, quantos pais, mães, irmãos, eu quase perdi um irmão também com Covid e, diante disso, é que eu tomei coragem e participei da campanha da vacina, no início eu fui muito criticada, eu recebia piadinha, memes, mas eu não dei sequer importância, me falaram que eu era cobaia de uma pesquisa de vacina, e eu aprendi com uma pessoa, no dia da vacinação, que eu não sou cobaia, e sim participante de pesquisa, e estou muito orgulhosa de tudo isso, porque o meu nome está aí, olha, no mundo inteiro, Mônica Calazans, 54 anos, negra, e participante da pesquisa, e fui a primeira a ser vacinada, lembrando que no dia da vacina, eu fui a última a ser vacinada, porque tinha muita gente, eu fui a última, e hoje eu fui a primeira a ser vacinada, e eu tenho muito orgulho disso, dessa grande oportunidade e falo, como brasileira, vamos nos vacinar, não tenham medo, é isso que nós estamos precisando, é isso que a gente estava esperando, a vacina, pra gente poder voltar à vida normal, um abraço, um aperto de mão, quanta gente não tá fazendo isso hoje, quantas pessoas têm receio de chegar próximas às outras, quantas pessoas, eu sou uma pessoa que tomo ônibus todo dia, tomo metrô, e no metrô você percebe, as pessoas têm receio de chegar perto de você, porque ela não sabe, porque a gente tá lidando com o invisível, então, chegou a grande chance, povo brasileiro, é a nossa grande chance, não tenham medo, eu sou uma pessoa comum, profissional da saúde, estou na pandemia desde o início, há dez meses, trabalhando incansavelmente, em dois hospitais. Então, assim, eu falo com segurança e com propriedade, não tenham medo, é a grande chance que a gente tem de salvar mais vidas, as que foram ceifadas, a gente não tem muito o que dizer, só lamentar, mas a que ainda está pra gente poder salvar, vamos nos vacinar, é a minha palavra. [aplausos].

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito obrigado. Muito obrigado Mônica. Agora, vamos à coletiva, temos 10 perguntas aqui. Vou pedir também aos meus colegas jornalistas que, por favor, dirijam uma pergunta apenas, para que todos tenham a oportunidade e possamos também atender no menor tempo possível a coletiva de imprensa. Começamos com o jornal O Estado de São Paulo, na sequência o Finacial Times, depois a Agência Reuters, na sequência o The Wall Street Journal, a CNN Brasil, a TV Globo e GloboNews, o jornal Folha de São Paulo, a Globo Play, TV Cultura e a Rádio Jovem Pan. Começando então com o jornal O Estado de São Paulo, jornalistas Gilberto Amendola. Gilberto, boa tarde.

GILBERTO AMENDOLA, JORNALISTA DO JORNAL O ESTADO DE SÃO PAULO: Boa tarde.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Sua pergunta, por favor.

GILBERTO AMENDOLA, JORNALISTA DO JORNAL O ESTADO DE SÃO PAULO: Boa tarde governador, boa tarde Dr. Dimas, Dr. Jean, parabéns Mônica. Eu queria retomar a questão do relacionamento com o Ministério da Saúde. A coletiva do Ministério que aconteceu a pouco, em uma das falas do ministro, ele chamou o que está acontecendo aqui de golpe de marketing. Em instantes o senhor também disse não confiar mais no Ministério da Saúde. Eu queria saber daqui a diante, o que esse relacionamento conturbado pode afetar futura distribuição, repartição da vacina? Se a gente pode estar vivendo um momento em que alguns estados ou o estado de São Paulo, enfim, se divorciem do Ministério da Saúde, façam uma distribuição por conta própria, como parece ser o caso em Manaus, agora? Eu queria saber daqui a diante como ficará a questão da repartição dado o clima entre os poderes? Obrigado.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Gilberto, sobre o golpe de marketing eu respondo que o governo federal já há 11 meses faz golpes de morte contra os brasileiros, com negacionismo, com a recomendação para o uso da Cloroquina, com a falta de vacina, a falta de seringas, falta de agulhas, falta de orientação, falta de bons exemplos. Frases lamentáveis: e daí?, pressa para quê?, tome cloroquina que passa, já fiz tudo o que podia, lavo as minhas mãos. Isto sim é golpe na vida, golpe na saúde, golpe na índole dos brasileiros, principalmente os mais simples, os mais modestos, os mais humildes. São Paulo continuará fazer aquilo que lhe cabe, com competência, com eficiência, com olhar pela ciência e pela saúde, destinando as vacinas que caberão ao Ministério da Saúde e as que cabem, evidentemente, a São Paulo na proporcionalidade. A vacina do Butantan é a vacina do Brasil, é a única vacina que nós temos no país porque São Paulo fez, porque São Paulo agiu e atuou, não foi o Ministério da Saúde, não foi o Ministro Eduardo Pazuello, não foi Jair Messias Bolsonaro, foram cientistas do Butantan, foi esse homem que está aqui que liderou este processo ao lado dos profissionais cientistas de São Paulo, alguns que fizeram o depoimento aqui, foi gente como essa moça que aqui está salvando pessoas, salvando vidas. Estes são favoráveis a vida. O golpe de morte é o que dá Jair Bolsonaro e a incompetência do seu governo. A próximo pergunta é do Financial Times, jornalista Carolina Police. Carolina, boa tarde, obrigado pela sua paciência, sua pergunta, por favor.

CAROLINA POLICE, JORNALISTA DO FINANCIAL TIMES: Boa tarde, eu gostaria de saber um pouco mais sobre a distribuição, especialmente sobre essas doses que vão ficar no estado. Houve algum tipo de negociação com o Ministério para reter essas doses ou ficou por conta do próprio governo do estado ficar com essas doses? Obrigada.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Carolina do Financial Times, um dos maiores veículos de imprensa do mundo, eu vou tomar a liberdade de convidar aqui, se estiver aqui o Antônio Imbassahy, ele está aqui ainda conosco? Imbassahy, eu vou pedir a gentileza de que ele venha aqui. Antônio Imbassahy foi prefeito de Salvador, foi governador do estado da Bahia, deputado estadual, deputado federal, líder no Congresso Nacional, Ministro de Estado. Eu vou pedir, eu não ia fazer isso, eu não ia fazer isso, mas eu vou pedir que ele reproduza aqui... com o microfone, que ele reproduza o diálogo tido hoje, hoje, com o Ministério da Saúde, os termos desse diálogo e com quem foi esse diálogo, confirmado depois comigo e com o Dimas Covas, presidente do Instituto Butantan. E aí, Carolina, graças a sua pergunta, o Brasil mais uma vez vai saber quem menti e quem fala a verdade. Imbassahy.

ANTÔNIO IMBASSAHY, SECRETÁRIO ESPECIAL E CHEFE DO ESCRITÓRIO DE REPRESENTAÇÃO DO ESTADO DE SÃO PAULO EM BRASÍLIA: Bem governador, amigos e amigas todas, a gente sempre manteve um tratamento muito respeitoso e cordial com o Ministério da Saúde e sempre foi o esforço, governador, do governo de São Paulo em ofertar as vacinas do Butantan para serem utilizadas no plano nacional de imunização. Sempre foi essa a orientação. Eu estive inúmeras vezes, às vezes até semanas seguidas com o Ministro Pazuello passando essa notícia, esse interesse de que o Butantan poderia participar e colaborar como faz há mais de 50 anos nos programas de vacinação no Brasil. Bem, hoje, e eu agora dou a resposta, logo no início, logo no início da reunião da Anvisa eu recebi uma ligação do secretário Nacional de Vigilância e Saúde, Dr. Arnaldo Medeiros, colocando com exatidão o número de vacinas que caberia a São Paulo. E nessa conversa, inclusive, nós acertamos, ele também entendeu como absolutamente consequente, que se pudesse já as vacinas de São Paulo ficarem aqui, como sempre aconteceu, que não tinha nenhum sentido de fazer um retrabalho, mandar a vacina para um galpão, depois voltar novamente para o galpão da Secretaria Estadual de Saúde do Estado de São Paulo. Aliás até nesse momento, o governador que estava ao lado, deixou muito claro, é isso que a gente está fazendo e é isso que a gente vai fazer, liberar de imediato. Porque está no contrato, governador, porque a liberação da vacina deve ser após a autorização da Anvisa, isso é cláusula contratual. Então, logo assim que a Anvisa liberou as vacinas, as vacinas, as doses foram colocadas à disposição do governo federal, do Ministério da Saúde. O quantitativo é exatamente o quantitativo que o plano nacional de imunização determinou para São Paulo. Não há nenhum interesse em fazer algo diferente. O interesse sempre foi de atender a todos os brasileiros como sempre fez o Butantan e como foi desde o início a orientação do governador João Doria. Foi isso, governador.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito obrigado. Antônio Imbassahy, Carolina, é nosso secretário de Governo em Brasília e de forma breve, esse é o currículo de um homem que tem uma só palavra e que fala a verdade. Mas para complementar também a sua pergunta eu vou pedir ao Dr. Dimas Covas que tem a experiência de muitos e muitos anos dentro desse setor e preside o Butantan e as providencias que foram tomadas para a destinação imediata de 4 milhões, 636 mil, 936 doses da vacina do Butantan, desenvolvida aqui, em parceria com o laboratório Sinovac para atender o Brasil, os brasileiros, os profissionais de enfermagem, Mônica, e médicos de todo o país, dentro daquilo que está escrito e exposto, como acaba de mencionar Antônio Imbassahy, no programa nacional de imunização. Era só o que faltava agora, criarmos burocracia para a vacina dos brasileiros de São Paulo, sair de São Paulo, ir para o Ministério da Saúde, para depois voltar para São Paulo. Ora, diante de um quadro onde estamos perdendo quase mil vidas todos os dias no país, quase 200 vidas em São Paulo, nós precisamos do senso de urgência, seja em São Paulo, seja no Brasil. E é isso que nós estamos fazendo aqui. E mais uma vez, Ministro Pazuello, tenha um pingo de humildade. Eu sei que é difícil ao senhor e ao Jair Bolsonaro terem esse sentimento, mas tenham um pingo de humildade para que reconhecer o esforço que São Paulo fez para oferecer a vacina para os brasileiros. Dimas Covas.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: Governador, quem inova este ano é o Ministério da Saúde, este e no ano passado inovou várias vezes. Inovou quando convocou o Butantan para anunciar a incorporação de 46 milhões de doses e na madrugada 'desinovou', quer dizer, desinvestiu o contrato. Quer dizer, isso é inovador, quer dizer, nunca antes eu me lembro de termos sido contratados e descontratados por uma mensagem de WhatsApp ou coisa assemelhada na madrugada. Uma grande inovação. A segunda inovação, governador, ocorreu nessa semana passada, na realidade na semana retrasada, quando pela primeira vez o Ministério introduz num contrato de fornecimento de vacina, uma cláusula de exclusividade, como se isso fosse necessário. Todas as vacinas que o Butantan produz, ele entrega ao programa nacional de imunização, então, quando veio essa cláusula de exclusividade, inovando mais uma vez, ficamos extremamente preocupados. Quer dizer, depois de todo esse esforço, depois de toda essa luta, não seria razoável mudar a prática. A prática sempre foi essa, com todas as vacinas. Butantan produz, Butantan entrega a cota nacional em Guarulhos e o Butantan entrega a cota do estado no CDL que é da Secretaria de Estado da Saúde, sempre foi feito assim. Por que haveria de ser diferente agora? Por que deveríamos fazer exatamente, entregar todas as vacinas em Guarulhos e depois pedir a secretaria que buscasse essas vacinas? Qual o sentido disso? Então, isso criou muita incerteza, muita insegurança, e na sexta-feira quando eu recebi o ofício do Ministro solicitando a entrega imediata das 6 milhões, isso também foi uma inovação, porque no contrato estava dito que as vacinas seriam entregues após a liberação da Anvisa, na sexta-feira ainda não havia essa liberação, mas havia sim, já na sexta-feira, a negativa da Índia de mandar as 2 milhões de doses para o Brasil. Então, ficou muito claro qual que era o problema. Respondi, olha, imediatamente, entregaremos assim que possível, me informe quais são as doses do estado de São Paulo para mim mandar ao CDL. Esses ofícios andaram aí, inclusive pelo Jornal Nacional. Só recebi esse quantitativo hoje, hoje, um pouco antes do horário do almoço, como o secretário Imbassahy mencionou. Então, essa é a realidade, sempre foi assim e assim está sendo feito. A tabela do estado de São Paulo eu recebi pelo WhatsApp do secretário Arnaldo. Mostrei ao governador, falei governador vê se são os quantitativos. Está aqui na tabela que o secretário Arnaldo me mandou. É possível até exibir, se forma a necessidade, publicamente. Pouco depois, o assessor jurídico do Ministério--

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Exiba, por favor, exiba. São Paulo tem a transparência que o governo federal não tem. Encaminhe para a nossa área de imprensa, a área de imprensa vai encaminhar aos jornalistas.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: Perfeito.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: Um pouquinho depois o próprio assessor jurídico do Ministro, do Ministério, me ligou e foi dito isso, olha, está tudo certo, São Paulo manda as suas doses para o CDL e remeta as doses restantes ou correspondentes ao Brasil para Guarulhos. E assim também está sendo feito. Então, absolutamente, nesse momento, restabelecida a prática, a normalidade, e nós estamos cumprindo exatamente o que foi previsto pelo próprio programa nacional de imunização. Obrigado.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado Dimas Covas. Carolina, muito obrigado pela pergunta, uma resposta longa, mas necessária dado as circunstâncias. Vamos agora, também um outro correspondente internacional, da Agência Reuters, o jornalista Eduardo Simões. Eduardo, obrigado pela sua participação, boa tarde, a sua pergunta, por favor.

EDUARDO SIMÕES, JORNALISTA DA AGÊNCIA REUTERS: Boa tarde governador, boa tarde a todos e a todas. Parabéns a Mônica. Governador e o Dr. Dimas, durante a votação da Anvisa foi mencionado aí, que seria necessário o Butantan enviar um termo se comprometendo a informar a questão da imunogenicidade, perdão que eu não consegui falar direito a palavra, da vacina até o dia 28 de fevereiro, se eu não estou enganado. Esse documento já foi encaminhado para a Anvisa, também foi dito que esse termo teria que ser publicado no Diário Oficial. Como que o governo viu essas ponderações feitas pela Anvisa na votação que aprovou a Coronavac? Obrigado.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Eduardo. Dimas Covas.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: Olha, quando eu pedi licença ao governador para me ausentar por alguns minutos, foi exatamente para assinar esse documento que a Anvisa enviou. Está assinado e devolvido. Agora veja, os dados de imunogenicidade foram oferecidos pra Anvisa e, na realidade, o que consta é que eles querem que repita os testes, repitam-se os testes de imunogenicidade com outro kit, tá certo? Na realidade é isso. Eles, aparentemente, não aceitaram os kits que foram utilizados, eles querem que procedamos à análise com outros kits. Embora isso não se justifique do ponto de vista técnico, eu já tenho argumentado isso há algum tempo, faremos isso sem problema algum. Isso faz parte, atenderemos essa exigência muito rapidamente, e foi esse o termo que eu acabei de assinar. Então, o termo já está em posse da Anvisa, portanto sem nenhum problema nesse sentido.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito obrigado, Dimas. Eduardo Simões, muito obrigado. Eduardo é correspondente da Agência Reuters no Brasil. Agora o The Wall Street Journal, sua correspondente no Brasil, Samantha Person (F). Samantha, vamos colocá-la aqui em tela. Na sequência, Adriana de Luca, da CNN. Já temos agora você, Samantha, obrigado, boa tarde. Sua pergunta, por favor.

REPÓRTER: Boa tarde, governador, boa tarde a todos. Podem confirmar por favor o tamanho do estoque da Coronavac? Quer dizer: Quantas doses tem agora em solo brasileiro? Quantas vão chegar ainda? E quantas vão ser produzidas aqui no Brasil, até quando, por favor? Obrigada.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Samantha. Dimas Covas, por favor.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: Bem, na realidade, a vacinação, ela deve se iniciar à medida que ela tenha sido aprovada, a vacina. Isso tem que acontecer, obviamente. Do ponto de vista de todas as doses previstas, como eu disse no programa, nós estamos cumprindo absolutamente o que foi nos enviado pelo Dr. Arnaldo, da SVS. Portanto, o estado não vai reter nenhuma dose, o estado não vai... Não só nessa remessa, como nas próximas remessas, que deverão acontecer em breve. Quer dizer, amanhã, amanhã, segunda-feira, nós entramos na Anvisa com o pedido de autorização de uso emergencial para as vacinas produzidas aqui no Butantan, das quais nós já temos quatro milhões de doses prontas e necessitamos agora a urgência de nova autorização. E esperamos que, como a documentação praticamente é a mesma, não existe muita diferença, isso seja aprovado também muito rapidamente e possamos distribuir essas quatro milhões de doses, também da mesma forma proporcional que foi feita com essas quase seis milhões de doses.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Dimas Covas. Muito obrigado, Samantha Person (F), correspondente do The Wall Street Journal, aqui no Brasil. Vamos agora à CNN Brasil, com a jornalista Adriana de Luca, na sequência Bete Pacheco, da TV Globo e GloboNews. Adriana, boa tarde, sua pergunta, por favor.

REPÓRTER: Boa tarde a todos. A minha dúvida, governador, é que você falou que as 50 mil doses serão encaminhadas para o Amazonas amanhã. De onde virão essas doses? Elas fazem parte de São Paulo? Do estoque que ficou pra São Paulo? De onde essas doses virão, governador? Obrigada.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Adriana. Eu já havia explicado, mas foi exatamente no momento em que o Dr. Dimas se ausentou. Vou pedir a ele, como presidente do Instituto Butantan, que dê esta informação. Isso não interfere nas doses do Ministério da Saúde, que aliás, autorização para a entrega imediata já foi feita e a entrega está sendo feita neste momento. E não interfere também, evidentemente, nas doses que, pelo PNI, programa nacional de imunização, são destinadas a São Paulo. Mas é o sentimento de solidariedade. Acabei de falar aqui com o governador Wilson Lima, pelo Whatsapp, informando a ele que amanhã as vacinas estarão lá, independentemente da ação do Ministério da Saúde. Ele me agradeceu. Eu peço ao Dimas Covas que, por favor, atenda à pergunta feita pela Adriana de Luca, da CNN Brasil.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: Bem, nesse processo que nós estamos desde julho, existem vacinas que foram enviadas da China e que não estão na conta dessas que foram enviadas ao Ministério. São vacinas que, incialmente, eram destinadas a estudos clínicos, a controle de qualidade, a controle de lote, então nesse momento nós estamos reunindo todas essas vacinas e fazendo exatamente essa destinação. Então são doses do Butantan.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito bem. Obrigado, Adriana, pela pergunta, esclarecido até... Foi importante, independentemente de estar repetindo, para que isso ficasse bem claro. Portanto, agradeço pela pergunta, Adriana, obrigado também, Adriana, e obrigado também ao Dimas Covas. Agora é com você, Bete Pacheco, da TV Globo, GloboNews, boa tarde, sua pergunta, por favor.

REPÓRTER: Boa tarde a todos. Parabéns, Monica, primeira brasileira vacinada, parabéns. Minha pergunta, eu queria colocar um pouquinho mais da situação pra frente, Dr. Dimas. Saber quando chegam os insumos da China, para que o Butantan volte a produzir. Butantan, nesse momento, não está envasando, né? Parece que são 4.8 milhões que conseguiram envasar, com esse insumo que tinha até então. Quando que chega esse insumo para que a gente comece a produzir novamente?

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: Olha, isso é uma pergunta que nos traz uma certa ansiedade, porque nós estamos com o pedido aprovado de importação lá na China, e nesse momento aguardamos uma autorização do governo chinês. Isso já deveria ter acontecido há 15 dias atrás, não aconteceu, estamos em intenso contato com os chineses para que liberem essas doses, que serão o suficiente para a produção aí de mais 11 milhões de doses. Então, nós estamos aguardando esse processo, esperamos que isso se resolva essa semana ainda.

REPÓRTER: Posso só complementar uma pergunta? O senhor falou que vai entrar com o pedido amanhã para o uso emergencial dessas doses envasadas. Qual a expectativa do instituto para que isso seja aprovado, já que tem o uso emergencial já para essas seis milhões agora?

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: Exatamente, o mais rápido possível, porque o processo é praticamente o mesmo, mudam alguns aspectos de controle de qualidade, mas o processo está pronto para dar encaminhamento. E não entrou antes por pedido da própria Anvisa. A Anvisa solicitou que se fizesse antes o primeiro, para depois submeter o segundo. Ok, vamos fazer exatamente como ela nos solicitou.

REPÓRTER: [pronunciamento fora do microfone]

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: Vamos fazer, a nossa parte é fazer, e aí esperamos que o mais rápido possível.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Pra ficar claro, Bete, da nossa parte, de imediato. Bete, muito obrigado pela pergunta. Vamos agora à Folha de São Paulo, jornalista Tiago Amâncio. Tiago, obrigado por estar aqui conosco, boa tarde, sua pergunta, por favor.

REPÓRTER: ... boa tarde a todos. Eu queria entender um pouco mais da logística da coisa. Quem puder ser vacinado já, como é que vai ser informado, aonde deve se dirigir, que horas? Isso vai ser avisado por telefone, por SMS? Como é que vai funcionar? E principalmente: Quantos dias depois da primeira dose a pessoa vai tomar a segunda dose, nessa primeira etapa da vacinação? E além disso, se eu puder voltar à pergunta do meu colega da Reuters, sobre o termo de compromisso do Butantan, a Anvisa disse agora à nossa reportagem da Folha em Brasília que ainda não recebeu o termo. Sendo assim, o governo já poderia estar aplicando essas doses de vacina que aplicou aqui hoje? Como é que isso funciona? Obrigado.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Tiago, embora eu tivesse pedido que fosse apenas uma pergunta por veículo, não vamos deixar de responder, evidentemente. Vou pedir ao Dimas para responder a sua segunda pergunta, e a primeira será respondida pelo Eduardo Ribeiro, que é o nosso secretário executivo de Saúde em São Paulo, e, se necessário, com a Dra. Regiane de Paula, que aqui está e é coordenadora geral do programa de imunização em São Paulo. Dimas.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: Olha, da minha parte, eu já mencionei: saí e assinei os documentos, tá certo? E mandei pra nossa área de regulatório fazer o encaminhamento. Então eu imagino que, se não chegou ainda, deve estar no ar, deve estar na 'net', porque eu já assinei, tá certo? Então provavelmente eles já devem estar até de posse disso.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Dimas, é que o Governo Federal é muito rápido, viu? Bom, vamos agora... Eduardo.

EDUARDO RIBEIRO, SECRETÁRIO EXECUTIVO ESTADUAL DE SAÚDE DE SÃO PAULO: O público-alvo da nossa vacinação é, em alinhamento ao programa nacional de imunização, os trabalhadores da saúde, com forte prioridade para os trabalhadores que atuam na linha de frente da assistência aos pacientes com a Covid-19. Então, já a partir de amanhã o abastecimento já se dará, incialmente nos seis hospitais-escolas com maior volume de atendimento aos pacientes Covid, já mencionados aqui, e na sequência para toda a rede, de tal sorte que, por intermédio dos municípios, todos os trabalhadores de saúde da linha de frente possam receber de imediato o início da vacinação.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Pode ir ao microfone, Tiago, por favor.

REPÓRTER: Desculpa. Quanto tempo depois da primeira dose a segunda dose vai ser aplicada?

EDUARDO RIBEIRO, SECRETÁRIO EXECUTIVO ESTADUAL DE SAÚDE: A segunda dose, ela tem um intervalo recomendado entre 14 e 28 dias. Então, a expectativa é que o Ministério possa continuar no suprimento de imunizantes, para que a gente possa cumprir o prazo de vacinação da segunda dose.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito bem. Obrigado. Vamos agora... Muito obrigado, Tiago, Tiago Amâncio, da Folha de São Paulo, obrigado, Eduardo Ribeiro. Vamos agora à antepenúltima pergunta, que é do jornalista Álvaro Pereira Junior, da Globoplay. Álvaro, obrigado por estar aqui mais uma vez, aliás. Boa tarde, sua pergunta, por favor.

REPÓRTER: Boa tarde a todos, boa tarde, governador, doutores, boa tarde à Monica, que foi lançada ao estrelato numa matéria minha no Fantástico, sobre voluntários, de uns seis meses atrás. Uma feliz coincidência encontrá-la aqui. Dr. Dimas, o senhor fez uma menção ao fato de que a vacina de Oxford, fabricada na Índia, foi aprovada, vamos dizer assim, um termo jurídico em latim: in absentia, né? Pela Anvisa, porque a vacina não está no Brasil. Na sua visão, o senhor acha que pode ter havido uma leniência da Anvisa em relação à vacina da Fiocruz? E o que o senhor espera da Anvisa agora para o futuro? Porque outras aprovações serão necessárias para a Coronavac, novos lotes que chegarem do exterior, a vacina que seja produzida aqui. Então minha pergunta é focada na Anvisa, se o senhor acha que houve leniência e o que o senhor espera das aprovações que serão necessárias para a Coronavac daqui pra frente. Obrigado.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: Álvaro, jamais eu falaria que houve leniência. Eu acho que cada um tem a sua responsabilidade. O que eu disse é que possa ter ocorrido uma assimetria, tá certo? Uma assimetria de exigir de uma vacina, que está presente aqui no Brasil, coisas que, obviamente, a que não está presente não pode apresentar. Óbvio, isso é o óbvio ululante, vamos dizer assim. E mais: Uma vacina que foi certificada para a China, que é o que estava em andamento aqui, mas que está sendo produzida na Índia. Eu não quero dizer nenhum juízo de valor em relação a isso, ótimo que tenha sido aprovado. Por isso que eu disse, cada um tem a sua responsabilidade. Agora, isso abre a oportunidade inclusive para o que você mencionou: outras vacinas tenham o mesmo caminho. E acredito que também para outros produtos, porque o Butantan tem um soro heterólogo para tratamento de pacientes com Covid, que nesse momento é fundamental... Quer dizer, existem os anticorpos monoclonais, existe o soro heterólogo. Nós estamos com um pedido em discussão com a ANVISA, há muito tempo. E a ANVISA nos exige estudos de desafio em animal. Uma coisa absolutamente sem sentido nesse momento. Então nós vamos entrar amanhã ainda, espero, talvez na terça-feira, com um pedido assemelhado a um soro que está registrado na Argentina. Solicitando à ANVISA que tenha a agilidade para analisar, em comparação ao soro argentino, a sua autorização que seja emergencial. Então isso nos abre aí uma possibilidade de enxergarmos caminhos regulatórios que são absolutamente necessários nesse momento, para ajudar ao combate à essa epidemia. Vacina, com certeza, mas também outros produtos como esse soro heterólogo, do qual o Butantã tem 3 mil frascos prontos, já há quase três meses aguardando aí uma definição. Acho que isso vau ajudar muito nesse momento.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito obrigado, Dimas Covas. Álvaro Pereira, obrigado pela sua presença, e pela pergunta também. As duas últimas perguntas serão feitas pela Adriana Simino, da TV Cultura, que está já ao microfone. E na sequência, Nani Cox, da Rádio Jovem Pan. Por favor, Adriana.

ADRIANA SIMINO, REPOTER: Boa tarde, a todos. Nós estamos ao vivo na TV Cultura desde o momento em que a Mônica foi imunizada com a Coronavac. A minha pergunta é sobre a campanha de vacinação aqui no estado. O secretário já explicou que amanhã as primeiras doses seguem para esses seis hospitais/escola aqui do estado. Eu gostaria de saber se há uma data em que a gente pode entender que todos os municípios paulistas vão estar imunizando seus habitantes?

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Adriana. Vou pedir ao Eduardo Ribeiro, e também a intervenção, até por dever de justiça também, a nossa coordenadora geral do comitê de doenças da Secretaria de Saúde, a Regiane de Paula, que aqui está, que há 25 anos faz programas de imunização em São Paulo, coordena com enorme eficiência. Então, Eduardo, e na sequência a Regiane.

EDUARDO RIBEIRO, SECRETÁRIO EXECUTIVO DE SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Então, a partir de amanhã o governo do estado de São Paulo inicia a operação logística de distribuição para os seis hospitais/escola de todo o estado, e na sequência nós iniciamos a distribuição para abastecimento da rede, e consequentemente vacinação dos demais trabalhadores da saúde que estão atuando na linha de frente. Isso se dará por meio da entrega direta de imunizantes aos 200 maiores municípios, sendo que os 445 demais municípios farão a retirada da sua grade, em 25 unidades regionais de distribuição do governo do estado de São Paulo. A nossa expectativa é que ao longo dessa semana, isso se dê de forma bastante satisfatória, para que a partir da semana que vem toda a rede abastecida iniciando a vacinação, de novo, priorizando aos trabalhadores da saúde, aqueles que estão na linha de frente do enfrentamento da pandemia.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito bem, agora vamos com você, Regina, por favor.

REGIANE DE PAULA, COORDENADORA GERAL DO COMITÊ DE DOENÇAS DA SECRETARIA DE SAÚDE: Obrigada, governador. Se o senhor me permite, hoje nós temos uma vacina no Brasil, hoje temos esperança. E a gente está muito feliz de estar aqui nesse momento. Nós trabalhamos muito durante ao longo desse tempo, e o que o doutor Eduardo colocou, nós também fizemos uma plataforma online chamada "Vacivida", que vai permitir o registro das doses aplicadas da vacina, de forma nominal, relatório de doses aplicadas e cobertura vacinal de área. O que é uma inovação em sistemas de informação para a vigilância em saúde.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Regiane. Muito obrigado, Eduardo. E obrigado também, Adriana Simino, da TV Cultura, por sua pergunta. Agora nós vamos com você, Nani Cox, é a última pergunta de hoje, da Rádio Jovem Pan. Nani.

NANI COX, REPÓRTER: Boa tarde, governador. Boa tarde, a todos. O ministro Eduardo Pazuello tem insistido que a vacinação só poderia começar, de fato, na quarta-feira, ele deu a entender que pode ter uma discussão legal, porque São Paulo vacinou o ministério acabou comprando então a totalidade. Eu queria entender só se pode dar algum problema legal para o estado de São Paulo. Obrigada.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Nani. Vou dividir a resposta com o doutor Dimas Covas, que aqui está, e também com a nossa procuradora geral, que está aqui presente, vou pedir a ela que fique aqui mais perto, possa se aproximar para responder. Mas começamos com o doutor Dimas Covas.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: Olha, eu respeito muito o General Pazuello, mas como todo General, como todo soldado, ele foi preparado a vida inteira para matar, para lutar, para derrotar o inimigo com uso de força bruta. Ao contrário de quem trabalha na saúde, nós somos preparados a vida inteira para salvar vidas. Muitas vezes, para atuar em próprio campo de batalha para recuperar os estragos feitos pelas armas que são usadas pelos militares. Não estou criticando o General, estou dizendo apenas que é função de quem está na saúde mitigar, mitigar qualquer agravo à saúde no primeiro momento. Não é possível do ponto de vista do médico, da ética médica, do compromisso que cada um temos, de esperar que haja uma decisão burocrática para que seja iniciada uma vacinação. Então são razões diferentes, e do meu ponto de vista, a razão que me interessa, é o compromisso que nós temos com a pessoa, com as pessoas que precisam ser protegidas. E não há burocracia que resista a isso, compromisso pela vida. E é o que nós temos feito durante todo esse tempo.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito bem. Parabéns, doutor Dimas Covas, a palavra da ciência. Nani Cox, eu pedi à doutora Lia Porto, ela estava assistindo aqui a nossa coletiva, que é a nossa procuradora geral, uma profissional experiente do governo do estado de São Paulo, ela muitos anos atende na PGE, que representa todos os interesses do estado de São Paulo. Então você teve a palavra da ciência, agora você vai ter da outra ciência, a ciência jurídica. Lia Porto.

LIA PORTO, PROCURADORA GEERAL: Boa tarde, a todos. Respondendo à pergunta, sim, a Procuradoria Geral do estado estudou todas as leis, o Programa Nacional de Imunizações, o contrato com o Ministério da Saúde, e não vê nenhum óbice jurídico para iniciarmos na data de hoje, e agirmos do jeito que nós estamos agindo.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Uma mensagem muito sensibilizante, e eu vou ler, vou tomar a liberdade de ler aqui para vocês. Mandetta, que foi Ministério da Saúde, que é médico, que lutou pela vacina, lutou pelas medidas protetivas, e pagou com a sua demissão do governo Bolsonaro. Diz o médico e ex-ministro Luiz Henrique Mandetta: "Um grande passo hoje, governador João Doria, a luz da ciência chegou, agora é hora de reforçarmos a importância da vacinação em massa, duas doses. A produção aumentará progressivamente, os casos graves que demandam internação começarão a diminuir em dois meses após a vacinação dos idosos. Mas o momento é de esperança, São Paulo, após a derrota das armas em 1932, optou pela vitória através da ciência, criou a Universidade de São Paulo, a USP, em 1934. Criou também o Instituto Butantan, e hoje bebemos da fonte dos revolucionários paulistas de 32. Parabéns, São Paulo! Como ex-ministro da Saúde, e na qualidade de tal, se eu pudesse, eu estaria hoje em São Paulo, ao seu lado, governador João Doria, aplaudindo o Butantan, aplaudindo a ciência. O tempo é senhor da razão. Os dias de trevas estão contatos. Vamos em frente, somos do bem, e o bem sempre vence. Luiz Henrique Mandetta". E com essa mensagem do ex-ministro da Saúde, nós encerramos essa coletiva como nós iniciamos a vacinação com você, Mônica, hoje é o Dia V, o dia da verdade, o dia da vacina, o dia da vitória, o dia da vida! Muito obrigado, a todos. Amanhã estaremos juntos em nova coletiva no Palácio dos Bandeirantes. Estejam em paz, com esperança no coração, bom final de domingo. E até amanhã.