Coletiva - SP amplia vacinação contra COVID-19 para idosos de 72 a 74 anos 20211003

De Infogov São Paulo
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Coletiva - SP amplia vacinação contra COVID-19 para idosos de 72 a 74 anos 20211003

Local: Capital – Data: Março 10/03/2021

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JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Bem, boa tarde a todos. Perdão por iniciarmos um pouquinho mais tarde a coletiva de hoje. Nós já tínhamos prevenido que começaríamos às 13h. Participam da coletiva de hoje Marco Vinholi, secretário de Desenvolvimento Regional, Patrícia Ellen, secretária de Desenvolvimento Econômico, Jean Gorinchteyn, secretário da Saúde, como nosso convidado especial, Edson Aparecido, secretário municipal de Saúde da prefeitura de São Paulo, também a Dra. Eloisa Bonfá, diretora clínica do Hospital das Clínicas, em São Paulo, e também participando da coletiva, Regiane de Paula, coordenadora geral do programa estadual de imunização, o nosso PEI, Paulo Menezes, coordenador geral do Centro de Contingência do Covid-19, João Gabardo, coordenador executivo do Centro de Contingência do Covid-19. Todos aqui à frente, participando da nossa coletiva.

Hoje, infelizmente, não temos nenhuma razão de qualquer tipo de celebração, ao contrário, de profunda tristeza. O Brasil alcançou o pior número de óbitos desde o início da pandemia, em março do ano passado: 1.954 brasileiros perderam a sua vida ontem. E só em São Paulo, perdemos 517 vidas. São pais, avós, irmãos, famílias inteiras destruídas pelo vírus. Infelizmente, mas infelizmente mesmo, estamos numa situação de alerta máximo, no caso de São Paulo, e não é diferente na maior parte dos estados brasileiros. Mas em São Paulo estamos com vários hospitais lotados e números crescentes de infecção, internação e óbitos. Especialistas, inclusive os médicos do Centro de Contingência do Covid-19, apontam várias causas para esse desastre, e também cientistas, que colaboram e contribuem com informações precisas para os veículos de comunicação, também são unânimes em considerar os aspectos que determinaram essa situação dramática que vive o Brasil, diante da pandemia. Primeiro, a falta de uma coordenação nacional no combate ao vírus. Lembro-me que várias vezes João Gabardo, que hoje é o nosso coordenador executivo do Centro de Contingência, aqui presente, e o então ministro Luís Henrique Mandetta, ambos diziam, ao lado de outras pessoas, quando então se faziam coletivas para discutir e apontar caminhos e dar transparência na visão e nas atitudes para o combate à pandemia, de que era preciso ter uma coordenação nacional no combate ao vírus. Nós não temos coordenação nacional no combate ao vírus, ao contrário. Segundo ponto que os especialistas apontam como causas desse desastre nacional: a insistência do governo federal em recomendar tratamentos inócuos, tratamentos com invermectina e a cloroquina, por exemplo. Um desastre completo, despesa, custo, tempo, comprando o que não é necessário, distribuindo o que não é preciso. Terceiro ponto: a demora do governo federal na compra de vacinas. Quarto ponto: o equívoco do governo federal em ter apostado numa única vacina, e não num complexo de vacinas, em várias vacinas. Sexto: as medidas que o governo federal criou para dificultar a viabilização da vacina do Butantan, vacina esta que já estava em solo brasileiro em outubro, e em novembro nós já poderíamos ter iniciado a vacinação dos brasileiros com a vacina do Butantan. Sexto: a falta de apoio ao uso de máscaras e distanciamento social. O governo federal não fez a sua parte. Poderíamos, neste momento, estar, sim, ao invés de chorando a perda de milhares de vidas, estarmos festejando a imunização e a redução de casos. Se tivéssemos iniciado a imunização dos brasileiros em novembro, como teria sido possível com a vacina do Butantan e com outras vacinas também.

Mas hoje estamos chorando recordes sucessivos de brasileiros mortos. A gravidade dos novos casos exige mais tempo de internação, como todos sabem. Isso sobrecarrega hospitais e limita a rotatividade de leitos hospitalares. Do ponto de vista da saúde pública, a segunda onda já acendeu um alerta vermelho, no mundo, em relação ao Brasil. Creio que jornalistas, formadores de opinião e as pessoas mais atentas acompanharam a manifestação feita pela Organização Mundial de Saúde, na última quarta-feira, onde o diretor geral observou que o Brasil já estava apontando risco para os países vizinhos na América do Sul, e que ele recomendava o isolamento destes países em relação ao Brasil, para que estes países, aqui vizinhos, não recebessem as novas cepas, as variantes da Covid-19. Não faltará muito para que este mesmo alerta da Organização Mundial de Saúde seja feita para todo o mundo, ou seja, o nosso país, o Brasil, se tornando um pária do mundo, o país mais indesejado, o país mais refratado por outras nações, incluindo o seu povo, que não tem responsabilidade sobre isso. As fronteiras estão sendo fechadas para os brasileiros.

No caso de São Paulo, uma situação crítica, e aqui nós damos total transparência, não escondemos a realidade, enfrentamos a realidade. É duro, é difícil, é desgastante, é impopular, mas nós continuaremos a fazer tudo aquilo que é necessário para proteger vidas. É sabido que, em vários hospitais, já não temos mais vagas disponíveis. É sabido também que a pressão sobre o sistema hospitalar em São Paulo vem crescendo de forma acelerada. Isso, mesmo abrindo novos leitos, como estamos fazendo, e hoje vamos anunciar novos leitos no sistema, ainda assim todos nós, nós, do setor público, nós, médicos, enfermeiros, cientistas, nós, jornalistas, temos, sim, que fazer um apelo, para que as pessoas mantenham distanciamento, usem máscaras, evitem aglomerações. Por favor, fiquem em casa, protejam-se. E ao se protegerem, estarão protegendo seus familiares, as pessoas que vocês mais gostam. Não há, nesse momento, além da vacina, nenhuma forma de evitar uma contaminação ainda mais acelerada, mais aguda, mais grave do que a situação dramática que já vive o país como um todo. E nós não queremos assistir aquelas cenas dramáticas que vimos na Itália, no início da pandemia na Europa, e infelizmente também vimos aqui em Manaus, capital do estado do Amazonas, onde médicos e enfermeiros tiveram que escolher quem vive e quem não vive.

Dada a circunstância e a gravidade da pandemia, repito, em todo o país, e não é diferente aqui em São Paulo, nós precisamos evitar isso de qualquer maneira. Não há situação mais trágica do que alguém ter que escolher quem deve viver e quem não deve. Eu sei, reconheço o sofrimento de todos, todos que estão doentes, todos os parentes daqueles que se foram, que perderam suas vidas para a Covid, os que perderam seus empregos, que perderam seus negócios, os que estão sofrendo diante da pandemia, mesmo não tendo o vírus, mas sofrem na economia com as circunstâncias da pandemia. Reconheço a dimensão disto e o sofrimento também que isto proporciona. Mas sabemos que, para sair dessa situação e da beira desse colapso, cada um tem que fazer a sua parte. A linha de frente da medicina, governos municipais, governos estaduais, a imprensa. Eu espero que, finalmente, o próprio governo federal tenha consciência de adotar uma postura correta de combate à pandemia. Aqui, nós vamos fazer a nossa parte, em São Paulo. Faremos o que for necessário, ainda que com desgaste, ainda que com impopularidade, mas para proteger vidas. E vamos estimular ainda mais as vacinas, as vacinas do Butantan. De cada dez vacinas que são aplicadas no Brasil hoje, nove são do Butantan, que continua entregando vacinas, quase que diariamente, para o sistema nacional de imunização, para o Ministério da Saúde, para salvar brasileiros de todo o Brasil. Nós ainda temos esperança.

E falando em esperança, esperança para os mais idosos, aqueles que nos sensibilizam, nossos pais, nossos avós, nossos tios, nossas pessoas queridas, que têm mais idade. O Estado de São Paulo vai começar a vacinação de pessoas de 72, 73 e 74 anos, no dia 22 de março, em todo o Estado de São Paulo. Repito: No Estado de São Paulo, iniciaremos a vacinação de idosos com 72, 73 e 74 anos a partir do dia 22 de março. Vamos utilizar o sistema drive-thru e as unidades de saúde estaduais e municipais para essa vacinação, e pedindo que essas pessoas, nessa faixa etária, assim como seus parentes e amigos, por favor, não concentrem num único dia, numa única manhã, do dia 22 de março, para obterem a sua vacina. Se programem e façam seu cadastro previamente no Vacine Já. Isso vai evitar filas, vai evitar desconfortos, vai evitar que você fique muito tempo para receber a sua vacina. Basta planejar, você será rapidamente vacinado. Lembro também que começaremos agora, no próximo dia 15 de março, na semana que vem, a vacinar as pessoas de 75 e 76 anos de idade. Portanto, todas as pessoas com 75 e 76 anos, começarão a ser vacinados no dia 15 de março. Uma semana depois, já iniciaremos a vacinação, repito, de pessoas com 72, 73 e 74 anos de idade. Uma dádiva para quem ainda tem seus pais e seus avós em vida é terem a oportunidade de prolongarem suas vidas, com a vacina do Butantan. Hoje, São Paulo celebra uma marca de mais de 3,3 milhões de vacinados aqui em São Paulo, um número recorde. É a maior vacinação já feita no país e o equivalente a termos vacinado todo o Uruguai, que tem 3,5 milhões de habitantes. A coordenadora do nosso programa estadual de imunização, Regiane de Paula, aqui ao nosso lado, vai dar os detalhes da inclusão dessas novas faixas etárias, e também o avanço da vacinação em São Paulo.

Segundo ponto, a vacinação do Butantan. Uma nova pesquisa comprova que a vacina do Butantan, essa mesma que estamos vacinando aqui em São Paulo e em todo o Brasil, é eficaz contra as novas cepas do Corona Vírus. Essa é uma excepcional notícia, excepcional notícia da ciência, mas excepcional notícia para a vida, ou seja, a vacina do Butantan imuniza os vacinados contra as novas variantes da Covid-19, e essa pesquisa do Butantan, feita em parceira com a Universidade de São Paulo, comprovou que esta vacina do Butantan, desenvolvida pelo Instituto Butantan, 120 anos de vida, juntamente com a Sinovac, é eficaz contra as três variantes do Corona Vírus em circulação no Brasil. É mais uma comprovação da qualidade desta vacina, que hoje vacina nove em cada dez brasileiros em todo o país. O presidente do Instituto Butantan, Dimas Covas, vai detalhar o avanço desse estudo e o seu resultado, e também vai informar os novos lotes de vacina do Butantan, que estão sendo entregues para o Ministério da Saúde, para vacinação de todos os brasileiros.

Conforme prometido, terceiro ponto: vamos expandir ainda mais o sistema de saúde pública aqui no Estado de São Paulo, dada a circunstância da expansão do vírus, da contaminação, da ocupação de leitos primários e leitos de UTI. Vamos abrir mais 338 novos leitos, sendo 167 de UTI. Repito: Vamos abrir, a partir de agora, mais 338 novos leitos, sendo 167 de UTI. São 338 leitos para atendimento de pacientes de Covid, em hospitais estaduais, municipais e filantrópicos, e enfatizo, destes 338, 167 de UTI. Este é o terceiro anúncio de abertura de novos leitos que fazemos em menos de duas semanas. Reafirmo isso: É o terceiro anúncio de abertura de novos leitos, de atendimento primário e atendimento de UTI, que fazemos em menos de duas semanas. Percebam a gravidade e a evolução rápida do vírus em São Paulo e em todo o Brasil. Com isso, só nessas três semanas, portanto apenas nessas duas semanas, um total de 1.118 novos leitos hospitalares, sendo 676 leitos de UTI. Em duas semanas, São Paulo anunciou 1.118 novos leitos hospitalares, sendo 676 leitos de UTI. Todos estarão operando neste mês de março. Mais do que a boa notícia, é a tristeza de termos que fazer uma expansão tão rápida como essa, para atender à evolução, também tão rápida, do vírus no Estado de São Paulo.

Não é possível transformar essa circunstância numa corrida, a corrida com leitos e a corrida do vírus. Precisamos de mais vacinas. O Butantan está trabalhando 24 horas por dia, em três turnos de trabalho, para produzir vacinas e atingir a meta, e vai atingir, de 100 milhões de doses da sua vacina, para salvar os brasileiros. Mas precisamos de mais vacinas. Não há solução definitiva que não seja de mais vacinas, além das preventivas, conforme já mencionamos aqui, que as pessoas, em suas casas, nos seus lares, respeitem a orientação de não fazerem aglomerações, que orientem seus filhos, seus netos, a não participarem de celebrações, comemorações ou qualquer tipo de aglomeração. Aglomeração contamina e leva o vírus pra casa.

Em meio a essa circunstância, temos que fazer aqui uma denúncia, e infelizmente é uma denúncia, mais uma vez, em relação ao governo federal. O governo federal está desobedecendo a decisão do STF, do Supremo Tribunal Federal, para a reabilitação de leitos Covid no estado de São Paulo. Parece inacreditável, mas é verdade. O Supremo Tribunal Federal, através do voto da ministra Rosa Weber, determinou, vocês acompanharam aqui, na semana passada. Aliás, no final da semana retrasada, para que o governo federal reincluísse leitos, habilitasse leitos de UTI no Sistema Único de Saúde em São Paulo. O Ministério da Saúde, hoje, só tem 13% dos leitos habilitados, quando deveria estar habilitando 100% dos leitos em São Paulo. Não é diferente na Bahia, não é diferente no Maranhão, não é diferente no Ceará, estados que, como nós, também entraram com medidas no Supremo e ganharam, e não tiveram a reabilitação dos seus leitos. Isso é uma desobediência à lei, é desobedecer à corte suprema do país, é desobedecer à lei da vida. Precisamos de leitos de UTI para salvar vidas. Veja a que nível chegamos, o Ministério da Saúde não obedece a determinação de uma ministra do Supremo Tribunal Federal. E não fez a reabilitação dos leitos, e nem o reembolso dos leitos, porque nós mantivemos os leitos aqui, em janeiro e fevereiro. Estamos fazendo o mesmo agora no mês de março. Falei com os meus colegas, governadores do estado da Bahia, do Maranhão, e do Ceará, e a mesma situação se repete nesses estados. Sobre este tema, também falará Jean Gorinchteyn, assim como sobre a expansão do sistema de saúde em todo o estado de São Paulo.

E por último, nós tínhamos prometido, e a partir desta coletiva passaremos a informar a taxa de isolamento em todo o Estado de São Paulo, e a Patrícia Ellen fará esta apresentação, da taxa de isolamento, ao término das nossas apresentações, antes das perguntas.

Seguindo então a ordem, eu vou pedir que a Dra. Regiane possa falar sobre a vacinação, o início da vacinação para as pessoas com a faixa etária de 75 e 76 anos, e na sequência também a boa notícia, o início da vacinação das pessoas de 72, 73 e 74 anos. Regiane.

REGIANE DE PAULA, COORDENADORA DO PROGRAMA ESTADUAL DE IMUNIZAÇÃO: Boa tarde, governador, boa tarde a todos. Em meio a tempos tão difíceis, tão sombrios, nós trazemos esperança, e essa esperança vem da vacina do Butantan. Hoje, em todo o território, está sendo distribuída a vacina, que é a vacina do Butantan. Isso é muito importante, precisamos de mais vacinas, sem dúvida nenhuma, mas nós não paramos de vacinar, o Brasil não parou de vacinar, por conta da vacina do Butantan. Então, é um momento de esperança, como o governador acabou de falar, o Butantan tem trabalhado 24 horas por dia, para que o programa nacional de imunização receba doses de vacina. Hoje, somente a vacina do Butantan está chegando até o Ministério da Saúde.

No nosso novo cronograma de vacinação, então já trazendo essa excelente notícia, que traz a todos os pais, mães, avós, tios, o momento de um olhar de acalanto, um momento em que todos se sentem extremamente agraciados, porque vão receber a vacina. Além da população que nós já falamos, que será vacinada, 75 e 76 anos, no dia 15 de março, graças a essa entrega de vacinas, nós podemos abrir uma nova frente, no dia 22 de março, para os idosos de 72, 73 e 74 anos, num total de 730 mil pessoas. Estamos avançando. Gostaríamos de avançar muito mais, gostaríamos de fazer com que mais pessoas, mais faixas etárias fossem vacinadas, mas nesse momento, no Estado de São Paulo, já temos muitas pessoas vacinadas e, no total, a partir do dia 22 de março, 4.258.000 pessoas receberão a vacina do Butantan. Como o governador disse também, o Estado de São Paulo já ultrapassou, no vacinômetro, 3,5 milhões de pessoas, 3 milhões... Na verdade, houve agora uma atualização, às 13h15, de doses aplicadas: 3.533.316 pessoas, sendo que, de primeira dose, 2.586.890, e de segunda dose, o que significa completar o esquema vacinal com a segunda dose da vacina, 946.426 doses aplicadas, o que nos traz esse momento de esperança e de refrigério. Muito obrigada.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Regiane. Eu queria pedir um depoimento do Edson Aparecido. O Edson tem sido aqui um grande parceiro do governo do Estado de São Paulo, a capital paulista é a maior cidade do país, a maior cidade da América Latina e a cidade com maior concentração também de pessoas vacinadas em todo o país. Para que o Edson também possa fazer aqui o seu depoimento. Edson.

EDSON APARECIDO, SECRETÁRIO MUNICIPAL DE SAÚDE: Bom, boa tarde, governador, boa tarde a todos. Nós já vacinamos, nós já aplicamos na cidade 1.011.820 doses de vacinas. Devemos agora, no próximo dia 15, iniciarmos com o cronograma do estado a vacinação das pessoas, dos idosos entre 75 e 76 anos, que são 115 mil na cidade de São Paulo. Nós temos as nossas 468 unidades básicas de saúde, mais os 12 drive-thrus, que funcionarão, para essa vacinação. E depois, no dia 22 de março, os idosos entre 72, 73 e 74 anos, que, na capital são 200 mil pessoas. Estamos orientando sempre que as pessoas que vão tomar a primeira dose possam comparecer na parte da manhã para a vacinação, e aquelas pessoas que estão tomando a segunda dose, deixarem sempre para ir na parte da tarde nas nossas unidades, exatamente para não haver aglomeração.

Nós, também em função do quadro que aqui colocou o governador, nos últimos 15 dias, nós ampliamos 250 leitos de UTI aqui na cidade de São Paulo, chegamos a 1.154 leitos de UTI e 1.176 leitos de enfermaria, 100 leitos a mais em enfermaria na cidade. Mesmo com essa ampliação, na noite de ontem, nós tínhamos uma taxa de ocupação de 82% nos leitos de UTI e de 67% nos leitos de enfermaria, o que mostra exatamente um momento muito agudo da pandemia em todo o país, em todo o estado, e não é diferente na capital. É isso, governador.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito obrigado, Edson Aparecido. Agora, vamos para o Dimas Covas, com essa excelente notícia da conclusão da pesquisa que comprova que a vacina do Butantan é eficaz contra as novas cepas do Corona Vírus. Com você, Dimas.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: Boa tarde, governador. Inicialmente, governador, o senhor me pediu aqui que apresentasse também a entrega, as entregas de vacinas. Hoje, quarta-feira, estamos entregando 1,2 milhão de doses. Na segunda-feira, entregaremos mais 3,3 milhões de doses. Ou seja, em cinco dias, vamos entregar 4,5 milhões de doses, que é superior ao montante de vacinas que o Brasil recebeu de outras fontes. Quer dizer, em cinco dias, o Butantan entrega mais vacinas do que o Brasil já recebeu das demais vacinas. Isso é apenas um dado. Até o final de março, entregaremos 22,7 milhões de doses, permitindo aí a evolução do cronograma da vacinação.

O segundo tema é a questão das variantes, que é uma questão que preocupa a todos nós, nesse momento de maior gravidade da epidemia. Quer dizer, o que são as variantes? As variantes são novas formas do mesmo vírus, e algumas variantes têm algumas características que são extremamente preocupantes. Próximo slide. Temos aqui um resumo das três variantes de importância no momento, não apenas no Brasil, mas no mundo. Temos a chamada variante do Reino Unido, que ela tem ali as características de mutação, eu não vou entrar em detalhes. Mas o que importa é que ela tem uma transmissão, uma transmissibilidade do vírus entre as pessoas aumentada, de 30% até 50% de aumento nessa transmissão, e tem um aumento da gravidade dos casos, um aumento da gravidade dos casos, que é superior a 30%. Ou seja, além dela transmitir mais, ela é mais grave do ponto de vista da doença que ela causa. Temos ainda a variante chamada a variante da África do Sul. Lá também as mutações, as alterações que essa variante apresenta. E o que ela tem de característica? Ela determina um aumento da carga viral nas pessoas infectadas. Quer dizer, as pessoas que são infectadas têm maior quantidade de vírus no seu organismo, maior carga viral. Têm também uma transmissão aumentada. E importante, ela é resistente à neutralização dos anticorpos produzidos por algumas vacinas, e até pela infecção natural. Então, essa é uma variante que preocupa muito, exatamente por essa característica, ela apresentar essa resistência à neutralização. E aí, nós temos as variantes do Brasil: a variante que no momento predomina é a chamada P2, que surgiu no final do ano passado, e que tem uma mutação que é comum à variante da África do Sul. Mas mais importante do que essa P2 é a variante P1, ou variante de Manaus, ou a variante amazônica, que ela concentra ali as mutações observadas, as mutações principais observadas na variante do Reino Unido e da África do Sul e, portanto, uma variante que preocupa e explica em parte esse momento grave da epidemia. Nós estamos vivendo um momento grave não só pela evolução natural da epidemia, mas também porque, nesse momento, existe uma variante mais agressiva. Próximo.

Só pra dar um exemplo aqui de como isso tem acontecido, nós estamos realizando lá o chamado Projeto S, Projeto Serrana, de acompanhamento da população que está sendo vacinada, integralmente, a sua população adulta, e fizemos um acompanhamento da evolução do vírus. Estão lá, desde junho de 2020, as variantes iniciais, que circulavam pelo mundo, e fizemos esse acompanhamento, durante todo esse período. E aí temos que, já em dezembro, apareceu já alguma coisa diferente em termos de mudança do vírus. Em janeiro, em janeiro, apareceu... Em dezembro apareceu a P2, a primeira variante de importância. Em janeiro, essa variante P2 já era a predominante. Agora veja, de janeiro a fevereiro, já passou a ser predominante a P1, a mais agressiva. Isso pode estar acontecendo em outros municípios, como aconteceu em Araraquara, como aconteceu em Jaú, e deve estar acontecendo em outros municípios. Então, nós precisamos ter muita atenção em relação a essa nova variante, e aí avaliar se a vacina, se as vacinas produzem anticorpos contra essa variante, ou contra essas variantes. Próximo. E foi o que nós fizemos, quer dizer, nós já sabíamos que os anticorpos produzidos pela vacina do Butantan já tinham eficiência com as variantes do Reino Unido e da África do Sul, e agora no estudo feito pelo Butantan, em associação com a Universidade de São Paulo, mostramos que também ela tem eficiência contra as variantes P1 e P2. Portanto, estamos diante de uma vacina que é efetiva em proteção contra essas variantes, que estão circulando nesse momento. É essa a notícia, governador. Muito obrigado.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Dimas Covas. Eu queria ressaltar aos meus colegas jornalistas a extrema importância dessa notícia, a comprovação científica da eficácia da vacina, em relação a essas variantes. Isso traz uma tranquilidade enorme aos brasileiros que estão sendo vacinados com a vacina do Butantan. Nos últimos dias, eu ouvi perguntas de pessoas que tomaram a vacina, indagando: Terei que tomar uma outra vacina para me imunizar destas novas variantes? Foram várias pessoas, todas elas de idade, que nos perguntaram isso. E agora temos esta comprovação de que a vacina do Butantan, especificamente a vacina do Butantan, ela é eficaz para proteger de todas as variantes conhecidas até o presente momento.

Nós vamos agora com Jean Gorinchteyn, secretário da Saúde, aqui ao meu lado, para falar sobre a expansão do sistema de saúde, mais esse esforço adicional do governo de São Paulo para mais 338 novos leitos. Com você, Jean.

JEAN GORINCHTEYN, SECRETÁRIO ESTADUAL DE SAÚDE: Boa tarde, governador, boa tarde a todos. Estamos na 10ª semana epidemiológica do ano de 2021 e em franca aceleração da pandemia, em todo o país e aqui, no Estado de São Paulo, não é diferente. Próximo slide, por favor. Essa semana, tivemos as infelizes notícias de que batemos recordes, e não foram bons recordes. Tivemos, nas últimas horas, 517 mortes, 517 pessoas que perderam as suas vidas, foram histórias que foram desfeitas, por conta da pandemia. Para se ter uma ideia, quando lá em agosto, na 33ª semana, atingimos o pico máximo do número de mortes, nós tivemos 455 mortes. O número de pacientes internados nas unidades de terapia intensiva também, infelizmente, continua a crescer. Nós estamos hoje com uma taxa de ocupação em leitos das unidades de terapia intensiva do estado em 82%. A Grande São Paulo já contabiliza 82,8% e atingimos 8.972 pessoas, 800... Internados nas unidades de UTI. Para se ter uma ideia, na 29ª semana epidemiológica, lá em julho, nós tínhamos, no pico máximo de internação, 6.250 pessoas. Portanto, aceleramos e aceleramos muito, num período muito curto, com grande número de pessoas sendo comprometidas, de uma única vez. Para se ter uma ideia, há duas semanas, há exatas duas semanas, no dia 24/02, na quarta-feira, nós tínhamos 6.657 pacientes internados nas UTIs. Portanto, nós temos em duas semanas 2.315 pessoas que foram internadas, numa média de 130 internações, admissões nas UTIs, por dia, em todo o estado. A cada dois minutos, existem três admissões nos nossos hospitais, sejam para unidades de terapia intensiva, sejam também para a enfermaria.

Como disse o governador, desde a semana passada, já estamos anunciando mais leitos. Até o final do mês, muito mais leitos estarão disponíveis para a nossa população. Foram 500 leitos na semana passada, em todo o estado, 338 só de terapia intensiva. Na última segunda-feira, portanto, nós anunciamos mais 11 hospitais de campanha, além daqueles quatro que continuaram funcionantes, entre eles o AME Barradas, aqui na região de Heliópolis, que continuam funcionando. Assim foram também, na segunda-feira, 280 novos leitos anunciados, 140 deles de unidade de terapia intensiva. Próximo, por favor.

Nós estamos aumentando o número de casos, eu vou retomar com o número de leitos que vamos ampliar, mas eu quero só retomar o número de casos, e por que a necessidade de ampliarmos os leitos. Nós continuamos aumentando casos. Próximo. Continuamos aumentando óbitos. Os óbitos, na semana passada, 17,8%, a nossa semana, ela sequer chegou na sua metade, esses dados ainda não foram compilados, da quarta-feira, de forma plena, nós já tivemos uma aceleração de 1,4%. Próximo. E o número de internações, também de uma forma francamente ascendente, como nós podemos avaliar. Eram 19% na semana passada, até hoje nós temos 5%. Próximo. Portanto, precisamos continuar.

Além dos leitos já apresentados na semana passada, além dos leitos já apresentados na última segunda-feira, estamos ampliando. Hoje, fazemos o anúncio de 338 novos leitos, sendo esses 167 leitos de unidades de terapia intensiva, 171 leitos de enfermaria, que vão acontecer em todo o Estado de São Paulo. São hospitais estaduais, municipais e também filantrópicos, no sentido de acolher àqueles que precisam ser atendidos. Próximo, por favor. São... Teremos a projeção de 9.200 leitos de UTI SUS em todo São Paulo. Nós estaremos aumentando então com isso 646 leitos de UTI em todo o estado, que darão total de 9.200 leitos em UTI. Lembrando que, antes da pandemia, o Estado de São Paulo tinha 3.500 leitos SUS, portanto nós hoje temos quase três vezes mais o número de leitos que detínhamos naquela oportunidade. E dessa forma, estamos fazendo e ampliando o mais breve daquilo que realmente conseguimos. Lembrando apenas, governador, que no pico da pandemia, naquela primeira onda, nós tínhamos 8.500 leitos, portanto, hoje 9.200 leitos, acima daquilo que nós tínhamos obtido.

Ainda precisamos de apoio, muito apoio. Temos ainda leitos em UTI, mas a velocidade da doença, a velocidade da forma grave em que os doentes têm se apresentado, correm o risco de nós termos um comprometimento no nosso sistema de saúde. Trinta e dois municípios do nosso estado já tiveram seu colapso na assistência. E dessa maneira, foram resgatados por outros locais, mas temos que continuar. São Paulo criou o Plano São Paulo, São Paulo definiu e, através de um decreto governamental, a obrigatoriedade do uso de máscara. São Paulo trouxe as vacinas, de cada nove, de cada dez vacinas aplicadas, nove são vacinas do Butantan. Ampliamos leitos e continuamos a ampliar leitos, distribuímos mais de 4.000 respiradores, ao longo da pandemia, para todo o estado, estamos prestando assistência, através de tele UTI para todos os municípios que estão solicitando. Hoje, são 21 municípios que acabam sendo solicitados, para melhor assistência aos nossos doentes. Mas nós não daremos conta de abrir mais leitos, eu vou repetir: Nós não daremos conta de abrir mais leitos. Precisamos ajuda de todos, precisamos que todos fiquem em casa, só saiam em condições de absoluta necessidade. Que usem máscaras, que evitem as aglomerações. Nos ajudem, para que dessa maneira possamos ajudar a todos. Muito obrigado, governador.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Jean. Queria apenas que você se referisse ao tema da decisão do Supremo, não cumprida aqui no Estado de São Paulo, por favor. Não cumprida, pelo Ministério da Saúde, para o estado de São Paulo. O controle de leitos que você faz, diariamente, com a sua equipe, é dramático, dado o crescimento do número de pessoas que precisam de leitos de UTI, e o Ministério da Saúde está desobedecendo o Supremo. Aliás, nós estamos hoje entrando com uma nova medida no Supremo, pela nossa PGE, Procuradoria-Geral do Estado de São Paulo, para informar à ministra Rosa Weber que a sua decisão, a decisão da corte suprema do país, não está sendo cumprida como deveria pelo Ministério da Saúde.

JEAN GORINCHTEYN, SECRETÁRIO ESTADUAL DE SAÚDE: Infelizmente, o Ministério da Saúde não vem cumprindo, há mais de duas semanas, a determinação da ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal, no sentido de habilitar os leitos de UTI. Quando nós falamos habilitar é dar recursos, investimento financeiro para que nós possamos manter esses leitos abertos. No ano passado, o Ministério da Saúde deixou de investir nesses leitos a cifra de R$ 1,4 bilhão. Esse ano, já de 2021, nós tivemos nos últimos meses, a cada mês, o não aporte de R$ 245 milhões mensais, o que dá quase R$ 0,5 bilhão não investidos na nossa saúde aqui no país. Quero agradecer a pronta assistência da nossa procuradora, Lia Porto, que, assim como toda a sua equipe, está peticionando uma nova ação no Supremo Tribunal Federal, em conjunto com outros estados, Maranhão, Piauí e a Bahia, para que nós tenhamos esses recursos no momento tão dramático da vida da nossa saúde. Nós nunca vivemos uma crise sanitária como essa, nunca. Precisamos de recursos para ajudar a nossa população. Obrigado.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Jean. Agora, vamos ter a penúltima intervenção, antes das perguntas. Eu pedi à Dra. Eloisa Bonfá. Dra. Eloisa, ela é, aqui à minha direita, de quem está do outro lado, à minha esquerda aqui, ela é diretora clínica do Hospital das Clínicas e é da linha de frente. E a Dra. Eloisa sabe a gravidade da atual circunstância, atuando no maior complexo hospitalar da América Latina. O Hospital das Clínicas é o maior complexo hospitalar deste continente. Vejam agora no depoimento da Dra. Eloisa a gravidade da circunstância em que estamos na saúde pública no Brasil, dado a pandemia da Covid-19. Dra. Eloisa.

DRA. ELOISA BONFÁ, DIRETORA CLÍNICA DO HOSPITAL DAS CLÍNICAS: Boa tarde, governador. Boa tarde, a todos. Hoje estou aqui representando os mais de 30 mil funcionários do HC, que tem se ocupado do combate ao COVID-19, todos os dias e noites do último ano, desde março de 2020. Como vocês, estamos cansados e frustrados, e gostaríamos que tudo isso tivesse acabado e pudéssemos resgatar a nossa vida antes do COVID-19. Antes de falar da nova fase que estamos entrando, presto a minha solidariedade à todas as pessoas que perderam familiares e amigos. Conhecemos bem, a fundo, o desespero de não se conseguir respirar, da intubação, da dialise, da pronação. E acima de tudo, acima de tudo, o isolamento. É realmente um sofrimento infinito na solidão. Presto também a minha solidariedade aos que perderam seus empregos, o seu negócio, o seu sustento, e junto, muito da sua dignidade. Eles precisam de ajuda, e além dos governos, a sociedade já mostrou que consegue e precisa novamente se mobilizar para ajudá-los. Infelizmente estamos na fase vermelha, ninguém, nem governo, nem comitê de contingência, nem pessoas da saúde, nem vocês querem decretar essa fase, mas não temos como ficar insensíveis à 2 mil mortes por dia, e para preservar o nosso bem maior, que é a vida, é a única opção viável no momento. Os hospitais estão lotados, colapsando, precisamos da ajuda de cada um de vocês, para deter o vírus, para que todos não fiquem doentes ao mesmo tempo. Cada um de vocês ajudou muito São Paulo, e segurou um desastre da primeira onda, que tinha tudo para ser igual a New York, não temos condições de acolher todos ao mesmo tempo. Saibam, estamos no nosso limite. Mas não é hora de desistir, temos hoje uma perspectiva real de conseguir vencer o vírus com a vacina, esse é um objetivo em comum, que tem que nos unir, independente de convicções. A vacina ajuda a volta da economia, a volta às aulas, a volta à socialização, e acima de tudo, diminuir os quadros graves e a morte. O barco é único, e temos que navegar juntos, e quem nos guia é a esperança de que o respeito ao distanciamento, ao uso de máscaras, e as regras de não aglomerar, e a ciência, nos permitam atravessar essas tempestades vivos. Repito, vivos. E do outro lado, conseguir uma vacinação em massa. E finalmente eu lhes peço, como diretora do Hospital de Clínicas, que é uma das instituições mais sólidas de nosso Brasil, não nos deixem colapsar, nos ajudem a ajudá-los. Obrigada.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito obrigado, Heloisa, obrigado por esse depoimento tão sensível e tão realista, você está na linha de frente há um ano, você e a sua equipe, do Hospital de Clínicas aqui em São Paulo. A última intervenção, conforme prometemos na segunda-feira, e a partir de hoje teremos a taxa de isolamento no estado de São Paulo, em todas as coletivas essa informação será dada pela Patrícia Ellen, como ela fará agora nesse momento. Patrícia.

PATRÍCIA ELLEN, SECRETÁRIA ESTADUAL DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO: Obrigada, governador. Obrigada, doutora Heloisa, por todo o trabalho, e a todos os profissionais de saúde que estão na linha de frente salvando vidas, e exaustos. Para medir aqui o nosso esforço vamos voltar também a trazer como estamos fazendo a nossa parte como cidadãos, reduzindo a nossa circulação, ficando em casa sempre que possível. Esse é o histórico da taxa de isolamento do estado de São Paulo desde o início desse ano, que mostra que o esforço com as medidas restritivas que colocamos na fase vermelha, já começam a ter resultado. Tivemos aqui no último sábado, domingo, segunda e terça-feira, respectivamente uma taxa de isolamento de 46%, 51%, 42%, e ontem, 43%, a média no estado. No município de São Paulo nós tivemos no sábado, 44%, no domingo, 50%, na segunda-feira e na terça-feira, 41%. Todos esses números registram aqui um aumento entre 3% e 4% com relação a dias semelhantes nas últimas semanas. É um aumento muito importante, resultado do esforço da população, mas precisamos ir além, exatamente para conter esse colapso na saúde, reduzir a taxa de circulação, e com isso, juntos controlarmos essa pandemia. Muito obrigada.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito obrigado, Patrícia Ellen. Agora concluímos a exposição, a todos. Eu queria elencar aqui os veículos de comunicação que farão perguntas a partir de agora, dado ao fato de que tivemos que começar um pouco mais tarde a coletiva e hoje, eu vou pedir aos meus colegas jornalistas que, por favor, dirijam uma pergunta apenas, que assim ganhamos tempo e favorecemos também os que estão nos assistindo em casa. Vamos começar com a CNN Brasil, depois a Agência [Ininteligível], com o seu correspondente no Brasil, Lucas Rize. Depois a Rádio Band, Band News, e a TV Bandeirantes. Na sequência, TV Globo, Globo News, TV Cultura, TV Record, Rádio Jovem Pan e Rede TV. Então vamos com você, Bruna Macedo, da CNN Brasil. Boa tarde. Bem-vinda, sua pergunta, por favor.

BRUNA MACEDO, REPÓRTER: Boa tarde, governador. Boa tarde, a todos. Em relação ao estudo que comprova que a vacina do Butantã é eficaz contra as variantes, esse estudo ele foi encaminhado à ANVISA? É necessário que isso aconteça? A mesma pergunta eu estendo para a questão do soro, o Butantã diz que está esperando uma autorização da ANVISA para começar o uso, mas a ANVISA disse que não recebeu ainda todas as informações necessárias para avaliar essa situação. Eu queria saber em que pé está, com relação a esses estudos. Obrigada.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Bruna. Dimas.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTÃ: Bem, Bruna, começando pela última. A ANVISA na última sexta-feira fez alguns questionamentos do ponto de vista técnico, esses questionamentos estão sendo encaminhados, e muito rapidamente nós completaremos a solicitação. Com relação às variantes, não é uma exigência da ANVISA, mas obviamente que nós vamos informar através de publicações, não só à ANVISA, mas também ao mundo, dos resultados desses testes, brevemente.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Acho que foi completo, você respondeu a primeira e a segunda também? Na plenitude. Ok. Bruna, muito obrigado. Vamos agora online, com o Lucas Rize, da Agência [Ininteligível]. Lucas, você já está em tela, muito obrigado pela sua participação. Sua pergunta, por favor.

LUCAS RIZE, REPÓRTER: Boa tarde, governador. Boa tarde, a todos. Hoje saíram reportagens mostrando uma queda dos novos casos de COVID-19 em Araraquara após lockdown na cidade, o lockdown também funcionou em algumas situações de extrema emergência em diversos países do mundo, onde os hospitais estavam à beira do colapso. Eu entendo que o Brasil vive uma situação de polarização no debate sobre a pandemia, então por isso eu pergunto. Se o Presidente fosse outro, o governo de São Paulo já teria decretado um lockdown, senão, no estado inteiro, a menos um lockdown direcionado em determinadas regiões, ou determinadas cidades? Se essas medidas não funcionarem, as que estão em vigor agora, qual seria o próximo passo para garantir que a pandemia possa ser controlada?

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Lucas, eu começo a responder, na sequência passo ao doutor Paulo Menezes, nosso coordenador geral do centro de contingência do COVID-19. E a minha introdução é dizer a você aquilo que eu tenho repetido aqui várias vezes, não é uma decisão política, é uma decisão da ciência, da saúde e da vida, nós aqui não seguimos a orientação da política, nem a orientação da economia, nem a orientação familiar, nem a orientação das pessoas que pressionam, nós seguimos a orientação da saúde e da vida, para proteger vida dos brasileiros que estão em São Paulo. E agora passo ao doutor Paulo Menezes, para complementar.

PAULO MENEZES, COORDENADOR DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: Obrigado, governador. Boa tarde, Lucas. Eu acho que seria bom se nós parássemos de falar a palavra lockdown, porque ela não quer dizer, em si, exatamente quais são as medidas tomadas. Então eu prefiro falar de medidas mais concretas, hoje nós temos as medidas que correspondem à fase vermelha do plano São Paulo, que mantém atividades consideradas essenciais, e suspende as atividades não essenciais para todo o estado de São Paulo. A situação é realmente de muita gravidade, o centro de contingência discute isso já há semanas, e estamos discutindo com o governo na liderança do governador, a necessidade de novas medidas eventualmente mais restritivas. Estamos trabalhando nisso, e acredito que conforme seja necessário, o governador vai anunciar em breve novas medidas, se for o caso. Tudo indica que sim, porque nós vemos um crescimento constante, tanto de internações, como de casos e óbitos. E eu acho importante, que todos nós tenhamos claro, que o que nós fazemos hoje, vai ter consequências daqui a uma, duas semanas. Da mesma forma as medidas que são tomadas hoje, elas devem ter resultado, o impacto, ao longo de pelo menos, um ou duas semanas. Não há o resultado imediato, e é dessa forma que nós estamos trabalhando no centro de contingência. Muito obrigado, governador.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, doutor Paulo Menezes. Lucas, muito obrigado pela participação. Se puder, continue acompanhando, nos assistindo. Nós vamos agora para a Rádio Bandeirantes, Rádio Band News, e Televisão Bandeirantes, com a Maira Djaimo, ela já no microfone. Boa tarde, sua pergunta, por favor.

MAIRA DJAIMO, REPÓRTER: Boa tarde, governador. Boa tarde, a todos. O Ministério Público recomendou a suspensão das partidas de futebol, e também dos cultos religiosos. Então eu queria saber se o governo pretende acatar, dada a gravidade que a gente está no estado? E se os médicos acham que essa medida poderia ajudar a conter a pandemia. Obrigada.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Eu vou tomar a liberdade e pedir ao doutor Paulo Menezes, com comentário do João Gabbardo.

PAULO MENEZES, COORDENADOR DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: Obrigado, governador. Maira, essas recomendações do Ministério Público elas acompanham justamente a discussão de medidas que podem ser necessárias para além do que nós temos hoje na fase vermelha. Nós estamos trabalhando em como viabilizar medidas que possam, de fato, fazer o que a secretária Patrícia acabou de mostrar, que é aumentar o nível de isolamento social. Nós não tomamos medidas em função de um setor ou de outro setor, o que nós precisamos é reduzir o contato entre as pessoas. Isso se faz ficando em casa. Então já tivemos um resultado positivo, nesses primeiros dias de fase vermelha, com um aumento medido através do isolamento social. Em relação às recomendações, elas podem fazer parte de uma série de medidas que vão se somar ao que nós já temos hoje, e estamos trabalhando nisso, se for necessário, o governador vai anunciar isso assim que for conveniente. Muito obrigado.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Paulo. O João Gabbardo me sinalizou que a resposta foi completa, do Paulo Menezes, portanto, concluída a resposta. Obrigado, Maira. Agora vamos com o Guilherme Balsa, da TV Globo, Globo News. Boa tarde. Bem-vindo mais uma vez. Sua pergunta, por favor.

GUILHERME BALSA, REPÓRTER: Governador, boa tarde. O senhor nas últimas entrevistas coletiva não se furtou a falar sobre questões da política nacional, decisões do Supremo, eleição na Câmara. Então eu pergunto sobe a volta do ex-Presidente Lula para o jogo político, como que o senhor avalia esse retorno dele? A decisão do ministro Fachin? Como que o retorno dele impacta aí à vida política? E agora sobre Coronavírus, eu vou pedir licença para reproduzir um trecho de uma entrevista do doutor Esper Kallás, hoje na Globo News, ele disse o seguinte: "Que o comitê de contingência consultivo, que o que o comitê faz é olhar os números e fazer sugestões que são acolhidas ou não pelo governo do estado. A gente olha o que está acontecendo, mas há outras coisas que o governo leva em consideração. A gente já havia sugerido ser mais forte nas medidas em dezembro e janeiro, mas o governo entendeu, à época, que haviam outros problemas que tornavam as medidas mais. Mas é claro que quem olha os números percebe que chegou a hora de discutir medidas mais restritivas, porque você precisa definir que tipos de atividades têm que ter mais restrição para evitar transmissão, como vem acontecendo. As reuniões religiosas nos preocupam muito, o vírus não decide se ele é transmitido em um show ou em uma missa com muita gente. A gente entende que existem medidas que reduzem a transmissão do vírus em um culto, mas elas não são suficientes, quando o vírus tem transmissão tão intensa. Palavras do Dr. Esper Kallás. Eu pergunto, doutor, por que o governo não adotou essas medidas mais restritivas em dezembro e em janeiro, como o doutor falou aqui? O que vai ser feito com os cultos religiosos?

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Bom, são duas perguntas. Sobre a primeira, serei bastante breve. O Brasil é maior do que Lula e Bolsonaro, e agora é hora de cuidar da saúde, não é hora de cuidar da política e muito menos de sucessão presidencial. Em relação à manifestação ao Dr. Esper, a quem eu respeito muito, integrante do Centro de Contingência do Covid-19, ele é um dos 20 integrantes. Eu volto a repetir, o Centro de Contingência, e o Dr. Paulo Menezes poderá falar na sequência, é um núcleo democrático, não é um núcleo de uma voz, nem de duas vozes, é um núcleo de 20 vozes. Quando há posições divergentes, o assunto é discutido e é votado, e a votação vence a maioria. Nós temos seguido rigorosamente aquilo que o Centro de Contingência determina e orienta, e temos feito isso desde o início, aliás, desde o dia 26 de fevereiro, quando ele foi constituído, sob a liderança de David Uip, médico infectologista, que continua a fazer parte deste comitê. Vozes, ainda que respeitáveis, mas isoladas, não correspondem àquilo que a coletividade do Centro de Contingência determina. Respeitamos sempre posições divergentes, mais adiante, mais retroativas, mas o que vale é a decisão coletiva ou do voto da maioria, no Centro de Contingência do Covid-19. E São Paulo respeita a ciência. Paulo Menezes. Se você quiser comentar, evidentemente.

PAULO MENEZES, COORDENADOR DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: Obrigado, governador. Eu só quero adicionar que o Dr. Esper Kallás, meu colega, amigo, um dos maiores pesquisadores da área de infectologia do país, realmente é alguém em quem eu tenho o maior respeito e por tudo que ele faz. E ele coloca uma questão, que é uma questão importantíssima, a questão dessa situação de cultos religiosos. Já manifestei aqui, em outra ocasião, recentemente, em relação a uma colocação também de um outro pesquisador muito conhecido, nacional e internacionalmente, de que nós deveríamos ter um lockdown completo no país, por um tempo prolongado. Então, acho que existe, sim, todas as medidas que nós pudermos fazer para evitar com que as pessoas estejam junto, para evitar com que ocorra a transmissão do vírus, vão contribuir. Agora, a questão dos cultos religiosos, ela é complexa, e nós estamos aqui discutindo. Se for necessário novas medidas, eventualmente uma delas pode estar relacionada aos cultos religiosos. Obrigado...

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Paulo. Vou pedir ao Dr. Jean Gorinchteyn e à Patrícia Ellen... O Dr. Jean também integra o Centro de Contingência do Covid-19. Jean.

JEAN GORINCHTEYN, SECRETÁRIO ESTADUAL DE SAÚDE: O Centro... Todas as vezes que nós usamos o Plano São Paulo, ele sempre esteve baseado nos índices da saúde. Essa é a prerrogativa, [ininteligível], sempre nós colocamos dessa maneira, usamos os números de internações, especialmente do comprometimento de UTI, do número de mortes, fazendo então com que todas as ações sejam tomadas, baseadas nesse quesito. Centro de Contingência sempre nos apoia com as medidas. A discussão de medidas mais rígidas ou não são contemporizadas, e sempre avaliando o contexto daquele momento. Para nós voltarmos àquilo que aconteceu em dezembro, nós tivemos uma elevação do número de casos, especialmente advindos das festividades que aconteceram no final do ano, das consagrações, confraternizações, e tivemos um grande número de casos, precisamos fazer, sim, como fizemos, restrições, e tivemos um impacto na redução das internações nas UTIs, e também no número de casos. Porém, a partir de janeiro, São Paulo enfrenta uma nova pandemia, é um outro vírus. Nós passamos a identificar o vírus autóctone, o vírus circulando na nossa cidade, ou seja, pessoas que sequer viajaram ou que tiveram contato com aqueles que viajaram para a região do Amazonas, passavam a ter a positividade de um vírus que era muito mais infectivo, ou seja, transmitindo muito mais entre as pessoas, e tendo a possibilidade de acometer pessoas mais jovens, sem nenhuma comorbidade, ou seja, nenhuma doença de base. Isso é uma nova pandemia, não é aquela que nós víamos no passado. Para se ter uma ideia, há 14 dias nós tínhamos 68% de taxa de ocupação, há 14 dias nós tínhamos 68% na taxa de ocupação, e hoje 82% na taxa de ocupação. Nós estamos falando da velocidade do acometimento de um vírus diferente, então essas medidas são tomadas à medida das nossas necessidades. E se elas forem necessárias, muito mais rígidas, muito mais austeras, faremos, também baseado na condição social da nossa população. E é assim que seguiremos, garantiremos vidas, mas também não podemos fazer com que as pessoas morram de fome.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Jean. E a Patrícia Ellen para completar. Patrícia.

PATRÍCIA ELLEN, SECRETÁRIA ESTADUAL DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO: Bem rapidamente, governador, eu só queria lembrar que nós não podemos ter um apagão do passado. Nós sempre acatamos as recomendações do Centro de Contingência, desde o início do Plano São Paulo, em maio do ano passado. Todas as medidas do governo, inclusive, são respaldadas por notas técnicas do Centro de Contingência. Na semana do Natal, na terça-feira, véspera do Natal, nós anunciamos o retorno do estado à fase vermelha, inclusive com um custo muito grande para comerciantes, que tiveram que se replanejar, empreendedores, população que tinha planos de viagem. Isso foi realizado, com muita coragem, respondendo à situação de urgência que estávamos vivendo. E neste momento, fizemos a mesma coisa. Na terça-feira, houve uma reunião do Centro de Contingência. Todas as recomendações estão sendo trabalhadas nesse momento, com uma equipe, inclusive, que não dormiu essa noite, mas entre a recomendação e a realização na prática, existe a responsabilidade do gestor público de traduzir recomendações em políticas públicas. Meu último ponto é só lembrar que nós estamos do mesmo lado. Todos que acreditam na ciência e estão protegendo vidas estão do mesmo lado. Nós não podemos nos dividir nesse momento, nós temos muito trabalho pela frente e é o momento mais difícil da pandemia. Nós temos que estar juntos. Opiniões individuais vão ser sempre respeitadas, mas nós precisamos fazer escolhas para apoiar o governador, nesse difícil momento de proteger a população. Muito obrigada.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Patrícia. Vamos agora com Maria Manso, da TV Cultura, depois a TV Record, Jovem Pan e Rede TV concluindo. Maria, obrigado pela sua presença, boa tarde, sua pergunta, por favor.

MARIA MANSO, REPÓRTER: Boa tarde. Eu recebi a informação de que, dentro do sistema CROSS, que distribui os pacientes pelos leitos disponíveis no estado, já há uma fila entre 1.800 e 1.900 pacientes. Alguns veículos de comunicação, fazendo levantamentos junto às prefeituras, já divulgam um número de mais de 30 pessoas que teriam morrido pelo agravamento da doença, na ausência de leitos de UTI. Então assim, de forma objetiva, com números, qual é o tamanho do problema, que, nesse momento, a gente já enfrenta no estado? Por favor.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Maria. A resposta será dada pelo nosso secretário de Saúde, Jean Gorinchteyn. Ele tem os números corretos e atualizados. Jean.

JEAN GORINCHTEYN, SECRETÁRIO ESTADUAL DE SAÚDE: A CROSS tem uma média de atendimentos, nos últimos dias de 1.000 regulações por dia. Nós estamos nesse momento com 1.930 regulações, estávamos em dezembro, no início de dezembro, com 150 regulações, e esses números só são Covid. Nós estamos falando de 150 em dezembro para 1.000, agora no início da semana, 1.930 na quarta-feira. Nós temos, como eu disse, desses, 35% que são atendimentos voltados a unidades de terapia intensiva. Nós estamos aumentando, da forma que conseguimos. Quando eu falo aumentar número de leitos, não é simplesmente um colchão, uma cama e um respirador. É, além disso, a equipe que vai assistir, dar assistência a esse paciente. São médicos, são enfermeiros, técnicos de enfermagem, são fisioterapeutas. Por isso, eu não abro um leito de UTI de um dia para o outro. Estamos dando o máximo para abrir, mas, como disse, estamos internando 130 pessoas a mais por dia nas UTIs. Nós não temos fôlego de abrir na mesma velocidade esse número de leitos, mas nós temos que dar o máximo, para dar qualidade de assistência a todos. Todos que, infelizmente, perderam as suas vidas, ou que estão ainda na lista, aguardando as transferências, estão sendo assistidos. E quando eu digo assistidos, não é olhando, ah, eles estão olhando, estão medicando e precisa... Não, não é isso. Os pacientes que nós tivemos, um dos municípios próximos a São Paulo, Taboão da Serra, eram pacientes que estavam intubados, estavam com ventiladores, recebendo antibióticos, recebendo medicações que nós chamamos drogas vasoativas, para manter a pressão, e estavam sendo assistidos também com todo o protocolo para Covid, com corticoide, heparina, enfim, adequadamente assistidos. Eles não estavam lá agonizando, como nós vimos isso em outros países, em outros estados, pela televisão. Mas nós temos esse risco, nós estamos correndo contra isso, nós estamos ampliando leitos, estamos fazendo convocações. Mas tudo isso tem limite, nós temos que garantir assistência. Governador João Doria fez uma colocação, para que nós estivéssemos não só vendo número de leitos, e ampliando de forma muito mais célere... Amanhã, teremos mais leitos a serem revelados. Assim como checar se o estado de São Paulo teria algum risco de colapso no oxigênio. Falamos com todas as nossas seis distribuidoras, todas foram, de forma tácita, dizendo: não, estaremos suprindo a vocês. A preocupação com equipamentos de proteção individual para todas as equipes que lá estão, máscaras, luvas, aventais, para que estejam protegidos. Estamos fazendo, mas por isso precisamos o apoio da população. Nós nunca enfrentamos uma situação como essa. A velocidade da pandemia, ela destrói vidas, colapsa o sistema de saúde e nos deteriora emocionalmente, a todos. Então, é hora que todos... Nós estamos juntos, nós estamos juntos, não existe o governo A, B ou C. Nós estamos juntos e estamos pedindo ajuda de todos. Nós não temos que ter nenhuma condição de conflitos, temos que estar juntos. De que forma podemos, juntos, colaborar para mudarmos essa história? Teremos dias muito difíceis, mas temos que, realmente, resolver o mais rápido possível essa questão. Muito obrigado.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Jean. Maria Manso, muito obrigado. Vamos agora com a Daniela Salerno, da TV Record. Daniela, obrigado pela sua presença, obrigado pela paciência também. Quer ajustar o microfone um pouquinho, pra ficar mais fácil pra você? Sua pergunta, por favor.

DANIELA SALERNO, REPÓRTER: Boa tarde a todos. Governador, eu gostaria de entender hoje qual a projeção que vocês entendem que esses 15 dias, 14 dias de bandeira vermelha podem trazer pra gente. Antigamente, a gente tinha até aquele gráfico com uma margem de erro, de casos projetados... Que pé que está aquela linha do gráfico? Já chegou ao máximo que vocês estão esperando? O que vocês estão esperando para as próximas semanas? E vocês também comentam aqui que, se for necessário, tomaremos medidas mais severas. Até onde então essa curva pode chegar? Obrigada.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Dani. Vai responder o nosso secretário da Saúde, Jean Gorinchteyn. Jean.

JEAN GORINCHTEYN, SECRETÁRIO ESTADUAL DE SAÚDE: Nós sabemos que todas as vezes que essas medidas são implementadas, elas não são num piscar de olhos, nós não conseguimos isso no primeiro, segundo, terceiro dia. Nós precisamos no mínimo 12 dias. Nós fazemos as pessoas circularem menos, com elas circula menos o vírus e, dessa forma, menos pessoas adoecem e menos pessoas complicam, indo para o sistema de saúde que já está comprometido. Dessa maneira nós entendemos que em 12, 15 dias, teremos resultados dessas medidas, mas nós não podemos esquecer, 77% das mortes ocorre em idosos, e nós estamos vacinando idosos. O que quer dizer que muito em breve, pessoal, muito em breve vamos sair e conseguir conter a pandemia, o futuro, o nosso futuro, o futuro dos nossos familiares está nas nossas mãos, está nas nossas ações de hoje.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Jean. Obrigado, Daniela. Vamos agora com a Nani Cox, da Rádio Jovem Pan. Nani, boa tarde, sua pergunta, por favor.

NANI COX, REPÓRTER: Boa tarde, governador. Boa tarde, a todos. Governador, na segunda-feira a justiça de São Paulo permitiu, concedeu uma liminar, para que uma academia pudesse funcionar mesmo na fase vermelha, entendendo que o Governo Federal colocou essa atividade como essencial. Aí junto disso, ontem teve também uma ação civil pública movida por seis sindicatos de professores, que conseguiu aí com que professores não fossem convocados a trabalhar presencialmente durante a fase laranja e vermelha. Então eu queria entender, eu queria a avaliação do governo sobre essas duas medidas. Eu vi até que o secretário está por aqui, então se ele puder comentar isso, saber se o governo vai recorrer, e se no endurecimento de regras as escolas poderiam fechar. É isso, obrigada.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Nani. Foram duas perguntas em uma, sobre academias eu vou pedir à Patrícia Ellen para responder, e sobre a educação, o nosso secretário que está aqui, não aqui frontal, mas ele estava ali, no que a gente chama de camarote, que é o Rossieli Soares, que vai responder à sua pergunta, Patrícia.

PATRÍCIA ELLEN, SECRETÁRIA ESTADUAL DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO: Obrigada, governador. Foi uma decisão em primeira instância que está sendo recorrida ao Ministério Público, o tribunal tem sido muito importante e diligente no trabalho de respeito ao plano São Paulo no estado de São Paulo, e inclusive por isso São Paulo tem sido uma exceção à regra nacional, porque nós temos tido todo esse respaldo. Eu aproveito para deixar uma mensagem, que houve pleitos de vários setores discutindo a sua essencialidade. Com os dados que nós vimos hoje, não é uma discussão de quais setores econômicos são mais essenciais que outros, é uma discussão de vida ou morte. E nós precisamos fazer a nossa parte nesse momento. Muito obrigada.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Patrícia. E agora complementando, Nani, Rossieli Soares, secretário da Educação do estado de São Paulo.

ROSSIELI SOARES, SECRETÁRIO DE EDUCAÇÃO: Obrigado, governador. Boa tarde. Bom, nós estamos si recorrendo das decisões, mas um detalhe importante, sobre essa mesma ação já havia uma decisão liminar que foi derrubada pelo presidente do Tribunal de Justiça, no início do ano. E entendemos, junto com a PGE, de que essa liminar que derrubou a anterior, permanece ainda válida. Mas estamos sim recorrendo. Tanto que continuamos com as atividades, e continuamos trabalhando dentro da bandeira vermelha. A educação é importante, a gente vai continuar como um processo. Sobre se estamos discutindo, o que estamos prevendo para o futuro, a gente está discutindo diariamente com a equipe da saúde, com o centro de contingência, com a nossa comissão médica, acompanhando os números, a educação precisa e é prioridade. E se tivermos alguma novidade voltaremos aqui com vocês. Obrigado.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Bem, obrigado, então, Rossieli Soares. Dani, mais uma vez, obrigado. vamos agora para a última intervenção, que é da Carolina Riguengo, da Rede TV. Carol, muito obrigado pela sua presença aqui, boa tarde. Sua pergunta, por favor.

CAROLINA RIGUENGO, REPÓRTER: Oi, boa tarde, a todos. A minha pergunta vai direcionada ao pessoal da saúde e ciência. Vocês divulgam para a gente os números de casos e óbitos, só que aqui mesmo na coletiva o doutor Jean Gorinchteyn já mencionou que a gente tem subnotificações e também alguns números represados. Eu queria saber qual pode ser, dentro das projeções de vocês, o real tamanho dessa pandemia, quanto mais de casos e de óbitos nós podemos ter, mais do que aparece aqui? Obrigada.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Jean, quer responder? E eu vou pedir para o Gabbardo trabalhar um pouco hoje também, depois ele vai fazer um comentário, tá muito quietinho hoje, Gabbardo. Vamos aqui hoje com o Jean Gorinchteyn, e depois com o João Gabbardo, para responder à Carolina.

JEAN GORINCHTEYN, SECRETÁRIO ESTADUAL DE SAÚDE: Todas as vezes que nós olhamos os dados de internação, essas internações foram aportadas em um censo que fala sobre a taxa de ocupação, e aportados até ontem as 24 horas. Portanto, são dados absolutamente atualizados, ou quase que atualizados, menos um dia, e nós estamos ao longo do dia aportando esses dados. Quando nós falamos de casos, quantas são as pessoas que nós conhecemos que tem dor de garganta, nariz entupido, e que não fizeram o teste, não configuraram e não conseguiram diagnosticar comprovadamente em se tratar do COVID-19. Então dessa forma nós temos subnotificações. Com relação aos óbitos, eles tendem a acontecer de uma forma tardia, as pessoas começam a apresentar sintomas, pioram no ponto de vista clínico, vão para as Unidades de Terapia Intensiva e morrem. Então eles podem ser aportados de forma mais tardia. Então o nosso dado real é o número de internações, é ele que consegue reportar a dinâmica da epidemia em analisada uma das regiões, dizendo exatamente aquilo que acontece naquele momento, e não as mortes que mostra uma contaminação pregressa, mas a morte que ocorreu, muitas vezes, há duas semanas.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Ok. Gabbardo.

JOÃO GABBARDO, COORDENADOR EXECUTIVO DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: Complementar então a fala do doutor Jean. Desses três números, nós temos um número que é sempre um número muito atualizado, que é o número das internações, que nós temos o sistema que faz a captação diretamente dos hospitais. Então quando nós apresentamos aqui o número de internações, o número de pacientes que estão ocupando os leitos de UTI, ele é absolutamente atual. O segundo dado, que é o dado de óbitos, ele é um dado absolutamente correto, ele pode ter um certo atraso na sua notificação, mas é um dado que está totalmente confiável, não existe óbito que tenha ocorrido e que não tenha a notificação no nosso sistema, através do sistema de mortalidade do Ministério da Saúde, do SIM. O terceiro, que é o dado que tem, digamos, uma menor possibilidade, uma maior possibilidade de ter subnotificação, são os dados de novos casos. Por várias razões, essas que o secretário Jean apontou, e uma que eu quero acrescentar, que são os diagnósticos feitos nas farmácias, através dos exames, e hoje as farmácias apresentam testes com boa sensibilidade, testes confiáveis. E esses testes feitos em farmácia, eles não são incorporados na nossa base de dados. Então há, efetivamente, um número menor dos casos que são notificados, que nós apresentamos, por conta dessas subnotificações.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Gabbardo. Obrigado, Carolina. Eu quero, ao encerramento da coletiva de hoje, anunciar que amanhã teremos uma coletiva de imprensa às 12h45min aqui. Ressalto a importância dessa coletiva, não teremos coletiva na sexta, a coletiva de sexta foi antecipada para amanhã às 12h45min. Esperamos poder contar com a participação dos jornalistas, cinegrafistas, fotógrafos que aqui estão, a quem cumprimento mais uma vez. a você que está em casa nos acompanhando, pela Band News e também pela TV Cultura, aos que participaram hoje aqui da coletiva, por favor, se protejam, usem máscara, e se possível, fiquem em suas casas. Até amanhã e fiquem com Deus.