Coletiva - SP antecipa entrega de vacinas contra gripe para prevenir novo coronavírus 20202702

De Infogov São Paulo
Ir para navegação Ir para pesquisar

Coletiva - SP antecipa entrega de vacinas contra gripe para prevenir novo coronavírus

Local: Capital - Data: Fevereiro 27/02/2020

Soundcloud

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: ...primordial de informar a população brasileira. Será o único tema da nossa coletiva, nenhum outro tema de ordem política ou institucional, mas o tema, hoje, é saúde pública, portanto, ao agradecer a presença, renovo o apelo para que com todo o conteúdo necessário e os esclarecimentos que forem cabíveis, que nos respectivos veículos a informação possa chegar adequadamente aos seus telespectadores, ouvintes, leitores e seguidores. Com a palavra Dr. David Uip.

DAVID UIP, MÉDICO INFECTOLOGISTA E COORDENADOR DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO CORONAVÍRUS EM SÃO PAULO: Boa tarde, muito obrigado pelo convite. Quero, inicialmente, agradecer ao secretário José Henrique e ao governador a confiança de permitir que eu coordene esse centro de contingência a respeito do Corona vírus. Esse centro está montado, com a determinação do governador, composto com os experts na área de infectologia. Professores renomados e extremamente experientes que já viveram situações semelhantes. Então, a primeira informação que eu acho que nós estamos diante de um processo conhecido. O Corona vírus não é novo, é o vírus responsável por 5 a 10% das infecções pulmonares em adultos. Nós temos uma variação genética de um grupo de vírus conhecido. Então, nós estamos lidando com uma situação de conforto e conhecimento no embate que ele é tradicional. Vivemos isso com o H1N1, vivemos isso com Dengue, continuamos a viver, passamos com isso com o sarampo, então, nós estamos preparados por uma política muito adequada de enfrentamento de uma situação conhecida. Eu quero restabelecer o que é o pacto federativo representado aqui pelo nosso ministro. O Ministério da Saúde, ele é responsável pela política pública e pelo financiamento, o governo de estado: governança e os municípios: infantaria. É por ali, pelos municípios, aqui em São Paulo 645 municípios, que entrarão com essas parcerias. Duas informações que eu acho salutares e breves, esta é uma doença viral e como tantas outras, vai se manifestar da seguinte forma: a grande maioria dos pacientes serão pouco sintomáticos ou apresentarão lesões, alterações mínimas. Uma pequena minoria necessitará de internação e eventualmente, de ambiente de terapia intensiva. Então, essa informação é absolutamente fundamental. Como é que entra no sistema via SUS e como é que faz a referência e contra referência? Isto serve para os hospitais da rede pública, o estado de São Paulo é um estado que tem 101 hospitais. Nós temos aqui 5 mil unidades de atendimento primário, então, o acesso é via atenção primária. Eventualmente, os casos mais graves, que serão uma minoria, buscarão os nossos hospitais de referência que eles já estão elencados. E o mínimo precisará de ambiente de terapia intensiva. Então, este acesso, a ida e a vinda dos pacientes, é absolutamente fundamental. Paciente com tosse e com febre, fique em casa. Ele fica em casa para ser hidratado, boa alimentação e repouso. Deverão procurar os serviços de saúde aqueles que apresentarem algum desconforto respiratórios. Quais são as orientações? O Indivíduo tem febre, fica em casa, essa febre foi e voltou, sinal eventual de uma complicação bacteriana, procura o atendimento primário. Desconforto respiratório, aumentou o número de respirações por minuto. Nós respiramos 20 vezes por minuto, em média. Aumentou, começou a ter tiragem, dificuldade para respirar, procura o serviço de saúde. E nesse serviço de saúde, o médico responsável vai dizer para onde ele deve ir. Um dado absolutamente fundamental, porta de entrada de atenção primária não é pronto-socorro. Qual é a preocupação? A China hospitalizou todos os pacientes e deu no que deu. Uma grande dificuldade no sistema de saúde da China. A Itália, agora, fez uma moção de aparente segurança, não é assim que funciona. As pessoas foram para outros países. Então, eu acho que o Brasil está muito bem postado, muito bem definido e este pacto federativo absolutamente azeitado. Então, uma palavra de tranquilidade, uma palavra de segurança para os paulistas e para os brasileiros. Temos experiência, estamos associados e daremos conta toda a segurança desse novo desafio. Muito obrigado.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado Dr. David Uip. Ao passar a palavra ao ministro Mandetta, quero aproveitar aqui para agradecer o governo federal e especificamente o ministro Mandetta pela postura, agilidade, pronto atendimento a esta questão e a disposição, não apenas dele, mas de toda a sua equipe, numa ação cooperada com o governo do estado de São Paulo. Com a palavra o ministro Luiz Henrique Mandetta.

LUIZ HENRIQUE MANDETTA, MINISTRO DA SAÚDE: Obrigado, obrigado governador, uma honra estar aqui na presença dos colegas, aqui da Helena da Secretaria da Saúde, a Vigilância Epidemiológica de São Paulo tem sido um apoio nosso no ministério, Cleber na comunicação, ao David Uip nosso professor, uma referência nacional em epidemiologia e doenças infecciosas, José Henrique Germann, estivemos ontem lá em Brasília lá naquele momento da coletiva e ao Dimas do Instituto Butantã. Primeiro, a razão primeira de estarmos aqui juntos, hoje, é que estamos juntos. O nosso Sistema Único de Saúde é um sistema de três membros: União, estados e municípios. O Presidente Bolsonaro, quando eu disse a ele que estava vindo a São Paulo, transmitiu a sua solidariedade ao povo de São Paulo, a sua parceria com o governador Doria, porque ele tem dado as condições para que um trabalho técnico, forte, seja feito no Ministério da Saúde no intuito de atendermos a todas as unidades da federação. São Paulo é uma cidade de grandes histórias e grandes superações. São Paulo é a terra onde nós temos o conhecimento maior do país por uma decisão exatamente dos paulistas, de construir, via Universidade de São Paulo, um centro de conhecimento e vencermos pelo conhecimento. Então, ela nos inspira nesses momentos em que a ciência é desafiada para a busca de conhecimento. Esse vírus, como disse o Dr. David, ele tem um comportamento novo para alguns, mas já histórico para vários. A condução desta história desde o início na China, quando se fala: vamos bloquear cidade, vamos fazer megaproduções, acabou espalhando por toda a península asiática. É um vírus respiratório, ele já está presente em 45 países, já está nos cinco continentes. Isso gradativamente via se impor como uma pandemia presente em todos os continentes e provavelmente com uma taxa de letalidade muito menor do que foi apresentada. Falaram em 2, 2.3 porque estavam contando somente os pacientes diagnosticados hospitalares. Quando a gente fizer a conta dos resfriados, dos milhares de resfriados, a gente vai ter um denominador muito parecido com outros. Mas é um inimigo, é um adversário novo e como todo adversário novo a gente tem ainda perguntas que precisam de respostas. O momento agora é de reforçarmos as condutas técnicas. A conduta adotada aqui, no caso do paciente, o nosso sistema funcionou tecnicamente correto. O paciente chega em São Paulo, permanece assintomático na sexta, no sábado, no domingo, reúne a sua família, começa a ter sintomas, vai na segunda-feira. Nós, na segunda-feira, incluímos a Itália, a Itália, ela abria a notificação dela, praticamente ela estava parada de notificação na sexta-feira. No sábado ela botou 150, no domingo 200 e pouco, na segunda-feira nove óbitos. A Itália fez aquele momento, nós incluímos a Itália. Na sexta-feira nós tínhamos incluído países da península asiática. Nós incluímos às 16 horas, às 16h30. Esse alerta chegou em todas as unidades de saúde. O paciente deu entrada no Albert Einstein às 19h30. Eles já sabiam do vínculo de procedência dado pela Secretaria de Vigilância, fizeram o procedimento correto, rodaram as placas virais, deram negativas, rodaram a PCR, deu positiva, notificaram ao ministério... a Secretaria Estadual de Saúde, ao Ministério da Saúde, fizemos a contraprova. O trabalho do Adolfo Lutz foi de um padrão de qualidade e rapidez muito intensa. E já na hora que o Einstein fez a notificação, todas as equipes e não está aqui o nosso colega secretário municipal José Aparecido e eu aproveito esse momento para mandar uma força muito grande para o meu amigo pessoal Bruno Covas, mas já naquele momento a equipe iniciou o seu trabalho de identificação, busca ativa, mapeamento. Confirmamos o caso publicamente no boletim epidemiológico, como sempre o fazemos, ontem. Estamos monitorando. Podemos ter outros casos? Sim, podemos ter. Podemos ter casos oriundos deste paciente? Sim, podemos ter. O que precisamos fazer agora é diminuir as chances de ter. E se tivermos, garantirmos com agilidade e transparência, que sejam atendidos. Eu... quando a gente fica vendo as possibilidades lá no Ministério da Saúde, a gente sempre soube que São Paulo, pelo tamanho, pelo trânsito comercial, pelo trânsito de pessoas, por termos os aeroportos de maior trânsito de pessoas, um porto tão intenso como o Porto de Santos, a gente lamenta muito que o primeiro caso seja em São Paulo. Mas, por outro lado, é de São Paulo que a gente tem um sistema que tem a maior musculatura, que tem a maior resposta. A cidade de São Paulo eliminou a transmissão do HIV mãe e filho e foi certificado como a primeira metrópole mundial a fazê-lo. Isso não se faz sem ter um sistema de saúde com gestão e comprometida com os resultados da saúde pública. Então nós vamos estar ao lado de São Paulo, nós estamos todos juntos nessa luta, e vamos tomar algumas medidas, em conjunto, o Governo Federal, o governo de São Paulo, prefeitura municipal, e estar muito atento em relação às outras localidades.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, ministro. Nós temos 12 veículos de comunicação inscritos, conforme mencionei, tem mais do que normalmente nós fazemos, mas o tema exige. Eu vou pedir a gentileza aos meus colegas jornalistas, que por favor, dirijam uma única pergunta, e por favor, ao fazerem uso do microfone, indiquem o seu veículo de comunicação, na verdade, eu já vou indicar, a quem dirigem a pergunta, e a sua pergunta. Como são vários, eu renovo a solicitação para que seja apenas uma única pergunta, e sempre neste tema. O primeiro veículo, seguindo a ordem que está aqui indicada, é a TV Globo, jornalista César Meneses. César, boa tarde, obrigado pela presença, sua pergunta, por favor.

CÉSAR MENESES, TV GLOBO: Obrigado, governador. Bom, César Meneses, TV Globo. A pergunta pode ser para o doutor David Uip ou para o ministro Mandetta. Foi divulgado que seria feita a proposta nessa reunião de antecipar a campanha de vacinação contra a gripe. Eu gostaria de saber qual foi o resultado, se vai ou não antecipar? E qual é a eficácia e utilidade disso? Já que a vacina da gripe não protege contra o Coronavírus? E por que antecipar?

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: César, a pergunta oportuna, eu vou pedir ao ministro Mandetta que responda, com a complementação do doutor David Uip. Ministro.

LUIZ HENRIQUE MANDETTA, MINISTRO DA SAÚDE: Essa reunião entre outros objetivos a gente fez com o Instituto Butantã para saber grau de lotes de produção, previsão de entrega, previsão de logística de distribuição, ela é uma campanha nacional, e nós definimos que é possível e nós trabalharemos para o dia 23 de março, antecipando em 23 dias a data prevista original para essa campanha. Por que fazer a campanha? Por que recomendar a vacina? Se essa vacina ela dá cobertura, ela deixa o sistema imunológico do indivíduo de 80% daqueles que tomam a vacina, protegidos contra essas cepas de Influenza, essas cepas virais que estão circulando, são milhares de vezes mais comuns do que o Coronavírus, para um eventual profissional de saúde, um médico. Na hora que o indivíduo um mês depois, dois meses depois, se ele tem um quadro gripal e ele informa que foi vacinado, ele auxilia muito o raciocínio desse profissional para pensar na possibilidade de outras viroses que não aquelas que são cobertas pela vacina. Então ela é um instrumento importante nesse momento porque você diminui espiral de epidemia desses outros vírus que eventualmente podem ocorrer e podem confundir muito a população se está com uma determinada síndrome gripal, e não sabe se está com qual síndrome gripal. O outro aspecto é que nessa síndrome gripal do Coronavírus são exatamente as pessoas de mais idade que são as que tem a letalidade maior, e essa campanha ela é pensada sempre acima de 60 anos, esse ano nós vamos fazer outros grupos, que não só os idosos. Estava conversando aqui com o governador, nós devemos fazer forças de segurança, nós devemos fazer a população presidiária completa, mais os agentes penitenciários, devemos fazer ampliação de segmentos para diminuir circulação epidêmica. Então a gente antecipa em 23 dias, e vamos trabalhar junto ao INCQS e a ANVISA para que nós consigamos todas as avaliações de qualidade para iniciarmos no dia 23 de março.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, ministro. Doutor David Uip, apenas para complementar a segunda parte da pergunta do César Meneses.

DAVID UIP, MÉDICO INFECTOLOGISTA E COORDENADOR DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO CORONAVÍRUS EM SÃO PAULO: Duas situações muito importantes decididas hoje, uma é a antecipação, porque além do fato de você vacinar uma população contra os subtipos A2, subtipos A e 1B, você tem um efeito em massa, vacinando mais, mais pessoas estão protegidas e menos suscetíveis. Então eu acho quem decisão absolutamente fundamental no momento que nós estamos começando a enfrentar um outro vírus. E a segunda decisão importantíssima é a ampliação desta vacinação, o Butantã está disponibilizando ao Ministério da Saúde 75 milhões de doses da vacina da gripe, um recorde absoluto. E o presidente do Instituto acabou de nos afirmar que isso representa 10% da produção mundial. Governador, golaço do governo de São Paulo, do ministério e do Butantã.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, doutor David Uip. César, obrigado pela pergunta. Próximo veículo é a Rádio CBN, jornalista Mateus Meireles. Mateus, boa tarde, obrigado pela presença, sua pergunta, por favor.

MATEUS MEIRELES, REPÓRTER: Boa tarde. Mateus Meireles, Rádio CBN. Como tem sido o intercâmbio, a troca de informações a partir desse centro de contingência com outros estados, inclusive com outros países da América Latina que ainda não registraram casos do Coronavírus? Obrigado.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Vou pedir ao doutor David Uip, que é o coordenador deste grupo, que possa fazer a resposta, e aí neste caso, caso o ministro deseja, com os seus comentários. David Uip.

DAVID UIP, MÉDICO INFECTOLOGISTA E COORDENADOR DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO CORONAVÍRUS EM SÃO PAULO: Foi determinação do governador e do secretário, que esse grupo tenha interlocução interdisciplinar inclusive com outras áreas de importância, como segurança pública etc. A segunda interlocução federativa, com outros estados e com o Ministério da Saúde. E a terceira determinação, a interlocução com outros países, objetivando o avançado da ciência e de decisões. Entendendo que o Butantã faz parte da força tarefa da busca de uma nova vacina. Então isso foi determinação do governador e do secretário, este grupo que é composto por especialistas muito experientes, atendendo às determinações, já começou a trabalhar tanto dentro do país, como fora.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado. Ministro.

LUIZ HENRIQUE MANDETTA, MINISTRO DA SAÚDE: Como eu disse, o SUS, três, é um tripé, lá em Brasília, o centro de operações em emergência ele funciona permanentemente, nós inauguramos nesse ano, começamos com a tragédia de Brumadinho esse ano, e o transformamos em uma coordenação permanente de operações de emergência. Dali a gente consolida todos os números do país, de todas as cidades, e coloca todos os dias às 16h e informa à todas as secretarias estaduais do país, que é dessa informação que eles tomam as suas atitudes, que é onde a gente fecha os casos suspeitos, os casos descartados e vai fazendo essa informação. O sistema ele se retroalimenta, daqui nós precisamos de informação, e de lá nós devolvemos informação. O boletim vem com painel internacional também, de todos os países, da onde temos os casos, porque nós ligamos o Brasil, a Pan-americana de saúde é a mundial de saúde. Então é toda uma rede mundial de informação que procura estar o mais rápido. Por que é importante a gente colocar isso? Porque a página do Ministério da Saúde, que é a página que é ministeriodasaude/coronavirus, ela já é hoje a mais acessada por todos os internautas, para vocês profissionais de imprensa terem informações com qualidade, porque a fake news, a informação malfeita, a informação precipitada, o caso do "eu acho que é, eu ouvi falar, dizer, que alguém falou que isso aconteceu em tal lugar", hoje é o principal elemento que a gente tem que combater. Hoje a responsabilidade das pessoas é de dar informações qualificadas, e a gente procura na página do ministério, na página da Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo, nas páginas oficiais, a gente procura abastecer o máximo possível, com toda transparência, só há credibilidade no trabalho que nós possamos fazer pela sociedade se houver a transparência e a credibilidade na segurança das informações. Então saber do conselho aqui de São Paulo, temos o nosso lá, outros estados também tem, nós estamos todos trabalhando, e de tempos em tempos temos reuniões presenciais com os coordenadores dos conselhos, para ajustar, porque é normal que precisem ajustas condutas aqui e acolá.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, ministro. O próximo veículo é o Jornal Valor Econômico, jornalista Leila Sousa Lima. Leila, boa tarde, sua pergunta, por favor.

LEILA SOUSA LIMA, VALOR ECONÔMICO: Boa tarde. Só uma confirmação, vocês falaram, o doutor falou que são 75 milhões de doses, é um número recorde desde o início da campanha, é isso? Correto? Ok. Minha pergunta é, eu queria um balanço, desde ontem a gente tinha 14 casos no estado de São Paulo, acho que nove no município, de suspeitas. Eu queria que vocês, por gentileza, nos dessem um balanço atualizado disso. Dos próximos passos desse comitê de contingência. Estão esclarecer dentro desse contexto também, por que esse paciente... Ontem eu fiz essa pergunta, e torno a fazer hoje na presença do ministro, este paciente está em casa isolado, quando na China foi construído um hospital em questão de dias e tal? Houve exagero nisso? A margem de segurança total de um paciente que está em contato com outras pessoas em uma residência? Obrigada.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Leila, vamos dividir, nós vamos responder às duas perguntas, mas eu vou pedir encarecidamente aos jornalistas para dirigirem uma pergunta, porque nós temos muitas pessoas aqui, por favor. Mas vamos atender às duas perguntas, a primeira será respondida pela doutra Helena Sato, e a segunda pelo ministro Henrique Mandetta.

HELENA SATO, DIRETORA DO CENTRO DE VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA: Bom, o que eu quero só esclarecer é que até ontem a gente falava de um caso, de apenas um caso notificado, e considerando-se toda a divulgação da questão de casos suspeitos, e mais uma vez reforçando, os casos suspeitos que nós estamos falando não são nenhum deles adquiridos aqui dentro do estado de São Paulo, no país. São pessoas, que cumprem definição de caso, febre, tosse, ou coriza nasal, e que nos últimos 14 dias, passaram além da China nos outros países identificados. Então, nesse momento no estado de São Paulo, nós temos um total de geral, de 85 casos. Mais uma vez reforçando, todos eles estão bem, e estão seguindo aquele mesmo protocolo que nós reforçamos no dia de ontem, certo? Eles foram notificados, identificados, os exames estão sendo realizados, e estão no seu domicílio, no prazo de 14 dias, de acompanhamento.

LUIZ HENRIQUE MANDETTA, MINISTRO DA SAÚDE: Quando ontem nós falamos, ampliamos o escopo de países, com a situação da Itália, vai aumentar o número de casos notificados, é natural, que tenha, que você aumentou os escopos de oriundos. Principalmente, da Itália, que é um país de colônia italiana extensa, presença de quase cem mil brasileiros, morando na Itália, ou temporário, ou permanente, que eventualmente, vem. A gente tem um trânsito cultural, político muito intenso com a Itália. Então, é natural que aumente, é natural que a gente vai atrás dos casos, e vai monitoramento caso a caso. Entre, a questão de isolamento domiciliar, o indivíduo vai para o hospital quando está doente, E precisa de cuidado hospitalar. Não se interna um indivíduo no hospital, porque ele está com uma síndrome gripal, conversando, falando, se alimentando, indo e vindo. "Mas eu tenho, receio se eu colocá-lo dentro do hospital vou proteger a comunidade, porque que ele ficaria isolado dentro do hospital". A China, iniciou dessa maneira, teve que fazer aquele hospital, que alguns acharam que aquilo dali era uma demonstração de muita potência, aquilo foi à demonstração de uma medida equivocada, que levou um colapso do sistema hospitalar, você não coloca pessoas com síndromes respiratórias leves dentro de hospital. Eu fico imaginando as outras pessoas, com as outras doenças que necessitam do leito hospitalar? As pessoas ainda continuam a viver, apendicite continuam a acontecer, infartos acontecem. E os hospitais continuam ali para atender esse perfil dos pacientes. O isolamento domiciliar tem a eficácia para caso de vírus que é transmitido por gotícula, que é por gotas de saliva, tão alta quanto você estar dentro de um hospital. Sendo que lá no hospital, os pacientes que estão no em torno são quase todos ele imunossuprimidos. A indicação é formal, correta. A paciente, no caso a gente deve até acrescentar isso, porque a gente tinha caso suspeito. E aí a gente tem esse contactante, é muito próximo do positivo, no caso a esposa, que ela também está em isolamento domiciliar. Porque ela permaneceu com ele na sexta-feira, no sábado, no domingo, na segunda-feira. Ela, é um caso que gente precisa até achar uma nomenclatura para esse perfil de contato. Não o contato eventual, "eu estava no carro e dirigir até ali, eu estava no mesmo ambiente, e agora eu soube que o cinegrafista". Ele não é para nós, para um vírus uma taxa de dois a três pacientes de contágio é porque exige uma aproximadamente de um metro meio, dois metros, permanente com gotícula, espirro, tosse, para contaminar. Não existe formula infalível, os Estados Unidos é país que mais investe no mundo em vigilância e defesa. Eles tratam à questão de vigilância em saúde como uma questão quase que militar. E hoje estão discutindo na Califórnia, quando teve a saída em bloco de Wuhan, estão tendo circulação de vírus, e eles estão indo atrás para identificar, de onde foi à entrada do paciente, na Califórnia. Então, não existe, é um vírus respiratório, e nós vamos ter atravessar por ele.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado ministro, uma pequena complementação do Zé Henrique Germann, secretário de saúde, do estado de São Paulo, e ex-superintendente do Albert Einstein.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DE SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Primeiro lugar, os 85 casos que Helena acabou de atualizar, são de casos suspeitos, não são casos confirmados. É importante que isso fique claro. A questão importante que ocorreu com o hospital Albert Einstein foi à agilidade. A agilidade com que ele encaminhou a informação para o serviço de vigilância, e em segundo lugar encaminhamento da amostra para a contraprova, nesse sentido Adolfo Lutz, com o ministro até elogiou, foi bastante ágil, no sentido da dar o caso resultado em menos de 24 horas. Acho que em termos de um raciocínio que gente pode ter, é o seguinte, o que determina que a pessoa tem de ficar hospitalizada, não é a presença do vírus, e sim a sua condição clínica. A condição clínica que determina se o paciente precisa de um cuidado médico, intra hospitalar ou não. A questão do isolamento, perfeitamente pode ser feito em casa. Muito obrigado.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado secretário. O próximo veículo é o SBT, jornalista Fábio Diamante. Fábio, obrigado pela presença, boa tarde sua pergunta, por favor.

FÁBIO DIAMANTE, SBT: Minha pergunta, eu queria falar sobre os 85 casos suspeitos, ontem na entrevista coletiva a Dra. Helena explicou que as pessoas tiveram contato com a pessoa que foi infectada estavam sendo monitoradas, mas que elas estavam todas assintomática. Esses casos suspeitos, existem pessoas que tiveram contato com essa única pessoa que de fato contraiu o vírus, especialmente duas crianças, que tiveram contato no final de semana? Almoço de família?

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Dra. Helena.

HELENA SATO, DIRETORA DO CENTRO DE VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA: Sim, dentre os 85 casos suspeitos, temos sim, dois comunicantes do caso inicial. Mas o mais importante ressaltarmos, que todos estão muito bem, certo, e estão em acompanhamento domiciliar. São comunicantes da família, como o ministro colocou, a gente não identifica, mas o mais importante, é que estão muito bem, e estão em acompanhamento.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado Dra. Helena próximo veículo é portal G1, jornalista Patrícia Figueiredo. Patrícia, boa tarde, sua pergunta, por favor.

PATRÍCIA FIGUEIREDO, PORTAL G1: Gostaria de verificar de novo a questão dos números. A gente ontem teve uma coletiva do secretário estadual de saúde, que eram 34 pessoas monitoradas aqui em São Paulo. No entanto, havia contactantes em outros estados, pessoas contato com caso inicial, em outros estados, mas que só o Governo Federal poderia revelar quantas pessoas eram monitoradas, aqui em São Paulo 34 monitoradas. Queria atualizar o número 34, quantas são monitoradas no Brasil?

LUIZ HENRIQUE MANDETTA, MINISTRO DA SAÚDE: Os números brasileiros estão no boletim epidemiológico das 16 horas, eu não vi, porque eles fecham, eu estava em trânsito para cá. Mas já está na página provavelmente do Ministério da Saúde, o painel nacional com todos os casos por estado, eu não os tenho aqui, não vi para essa reunião com o boletim, deve estar... foi hoje o João Gabardo em Brasília, é centralizado lá a publicação do boletim.

PATRÍCIA FIGUEIREDO, PORTAL G1: Não eram publicados pelo Governo Federal? Quantas pessoas monitoradas, não os casos suspeitos. Aqui em São Paulo 11 suspeitos e 34 monitoradas.

LUIZ HENRIQUE MANDETTA, MINISTRO DA SAÚDE: Os suspeitos são aqueles que cumprem... Não posso, uma pessoa que não tenha absolutamente nada, pelo fato dele estar... Eu estive num almoço que você estava, e você está com coronavírus, eu não me torno imediatamente um caso suspeito. Eu sou um caso contactado, se você tiver alguma coriza, alguma dor de garganta, você por favor, comunique. Quando eu comunico à comunidade de saúde, no momento é que passo ser um caso suspeito de poder ter ou não a doença. Então, o que o Ministério da Saúde faz são os casos suspeitos. Tem algumas situações que chegam a ser fora da, pessoas notificam, tem estados que notificam coisas totalmente fora do padrão. Pessoa estava num carro, outro dia, não sabia que existia Uber compartilhado, governador. E existe, e a pessoa entrou num Uber compartilhado e tinha uma pessoa origem asiática, espirrou, duas três vezes e ela foi na unidade de saúde, que estava e foi notificado. Então, tem ter muito cuidado com essa questão, quem é caso suspeito quem é caso monitorado.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado ministro. Próximo veículo é TV bandeirantes, jornalista Márcio Campos. Márcio?

MÁRCIO CAMPOS, TV BANDEIRANTES: Boa tarde, governador aliás, obrigado ter estendido as perguntas hoje. Muita sensibilidade do senhor para abrir espaço para mais gente. Eu queria perguntar a respeito da OMS, houve uma declaração da OMS, dizendo da preocupação da primeira pessoa com vírus na América Latina ou na América do Sul, e a OMS está preocupada com essa informação. Há um contato? OMS fez um contato com o governo brasileiro? OMS pretende mandar representantes aqui para Brasil? Como o governo tem conversado com OMS? O que tem recebido de informação ou conversado sobre a possibilidade da expansão do vírus no Brasil ou no cone sul?

LUIZ HENRIQUE MANDETTA, MINISTRO DA SAÚDE: Organização de saúde se relaciona com as Américas, através da Organização Pan-americana do Saúde, do Canadá até a Patagônia. No Brasil nós temos a representante da organização de saúde, Socorro Gross, com sede em Brasília, que é membro permanente, e trabalha conosco de forma continua. A Organização Mundial de Saúde vem no início dessa circulação de vírus fazendo recomendações que alguns momentos ela sinaliza um determinado ritmo, depois desacelera, elas iniciaram tratando como uma questão municipal, como um alerta, depois passaram para a emergência. Nós sempre seguimos essas recomendações da Organização Mundial de Saúde, países que tem vigilância em saúde, como é o caso do Brasil, não é fácil você pensar no caso de um Coronavírus estar dentro de uma unidade de saúde, rodar a placa viral, rodar uma PCRRT, refazer contraprova e confirmar. Se vocês olharem o mapa, vocês vão ver que a Coreia do Norte não tem nenhum caso confirmado, e ela está entre a China e a Coreia do Sul, a probabilidade de ela ter, digamos que seja razoável. Os países de sistemas de defesa mais frágeis demoram muito mais tempo para poder perceber os primeiros casos. Acho que a Organização Mundial de Saúde ela deve estar preocupada, deve estar preocupada com essas condutas. Aquela conduta da Itália hoje levou o número de casos para praticamente para os [Ininteligível], para a Romênia, para a Dinamarca, as pessoas saem, você imagina se nós tivéssemos aqui em São Paulo, e alguém decidisse fazer uma quarentena em uma cidade menor do lado de São Paulo, vamos fazer uma quarentena em Santo André, você tem um número enorme de pessoas aqui que sairiam, e aí você rapidamente teria uma dispersão. Então acho que a Organização Mundial de Saúde ela vai ter que se reunir em um determinado momento, e colocar essa questão como uma pandemia, olha, isso está em cinco continentes, tem circulação sustentável, é uma síndrome respiratória, o número de casos vai subir, porque nós não temos imunidade. Vamos estudar mais esse vírus, vamos nos concentrar nas três medidas que são eficazes. Primeira, termos testes rápidos à disposição dos ambulatórios. Segunda, procurarmos um retroviral, que é um medicamento, igual quando no H1N1 nós tínhamos o Tamiflu, que era o nome comercial, Oseltamivir, nós tínhamos um medicamento que no Coronavírus não temos. E vamos objetivar uma vacina, a guerra da humanidade com vírus sempre foi vencida com vacina, na maior conquista da humanidade do século 20 foram as vacinas, nós erradicamos doenças que mataram milhões de pessoas, infelizmente ontem e São Paulo nós perdemos mais uma criança para o Sarampo, uma vacina que está disponibilizada, está em todas as unidades de saúde, uma criança de um ano e três meses sem história de nenhuma vacinação. Então é muito importante, eu acho muito importante que a gente converse, dialogue muito sobre Coronavírus, mas nós temos algumas situações no nosso dia a dia que esse transe de Coronavírus, às vezes, nos tira do foco do que nós devemos focar, nós temos aí Sarampo, nós temos Dengue, nós temos Febre Amarela descendo no corredor ecológico de Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul. Nós temos Difteria aqui na Venezuela, a Venezuela perdeu, acabou, foi arrasado o sistema de saúde, eles não investigam nem casos de Polio, a gente tem procurado ajudar, mandado vacina, vacinando áreas de fronteira. Então a Organização Mundial de Saúde vai chegar um momento que ela vai ter que sentar e colocar as coisas nos seus devidos lugares. O fato de termos um vírus, nós somos o primeiro país tropical a poder fazer isso. Agora, entrou aonde? Entrou na cidade de São Paulo, vigilância forte. O paciente saiu... Nós sempre soubemos que os primeiros pacientes iriam para rede privada, que são as pessoas que tem condições financeira ou para estar fazendo turismo, ou para estar fazendo comércio fora do Brasil. Foi para um hospital de primeira linha mundial, teve um atendimento dentro do padrão perfeito, teve uma rodada de exame perfeita, reconfirmado pelo Adolfo Lutz, que é um dos nossos melhores laboratórios de saúde pública do Brasil, equiparado em nível A. Quer dizer, esse é um sistema de saúde que dá uma resposta muito forte. Agora, não vamos perder o foco de muitas situações que já estão na nossa mão para a gente fazer, e que a gente deveria estar fazendo melhor para a gente evitar mortes perfeitamente evitáveis. Eu fico imaginando esse pessoal do movimento antivacina, o dia em que sair uma vacina para esse Coronavírus se eles vão abrir mão de se vacinar e se vão ficar em casa.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, ministro. Márcio, muito obrigado pela pergunta. O próximo veículo é a Rádio Jovem Pan, Letícia Santini. Boa tarde, sua pergunta, por favor.

LETÍCIA SANTINI, RÁDIO JOVEM PAN: Boa tarde, governador. Ministro, aproveitando a deixa, a minha pergunta é exatamente sobre a vacina, queria que o senhor desses mais detalhes, ela já está em desenvolvimento, como que está o processo dessa vacina específica para o Coronavírus? E tirando uma dúvida que surgiu aqui, essa campanha de vacinação ela é nacional, né? Em âmbito nacional?

LUIZ HENRIQUE MANDETTA, MINISTRO DA SAÚDE: Sim, a campanha é em âmbito nacional, como nos anos anteriores. A gente deve começar por gestantes, crianças até seis anos e puérperas, depois vem os idosos, que são acima de 60 anos, e por último vem aquelas determinadas situações de ampliação de vacina. Quanto ao desenvolvimento de vacina, tem alguma coisa publicada, mas eu vou pedir para o doutor David, que ele pode lhe informar melhor.

DAVID UIP, MÉDICO INFECTOLOGISTA E COORDENADOR DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO CORONAVÍRUS EM SÃO PAULO: Nós temos movimentos recordes do ponto de vista de vacina. Doutor Antony Falce, que é o dirigente maior do [Ininteligível] americano, anunciou que as vacinas elas estarão disponíveis para testes clínicos em três meses. Agora, o teste clínico objetiva duas situações, primeiro ia segurança da vacina, e o segundo, o poder de produção de anticorpos à essa vacina. Isso leva tempo, são indivíduos, são voluntários que serão comparados para saber se ela é protetora e se ela é segura. Não devemos ter vacinas específicas anticoronavírus nos próximos meses, vai demorar um pouquinho mais.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, doutor David. Letícia, obrigado. O próximo veículo é a CNN, com a Débora Freitas. Boa tarde, sua pergunta, por favor. Sucesso à CNN.

DÉBORA FREITAS, CNN: Boa tarde. Muito obrigada, governador. Desculpe, ministro, eu ainda fiquei com dúvida em relação à campanha, a antecipação para o dia 23 ela é nacional?

LUIZ HENRIQUE MANDETTA, MINISTRO DA SAÚDE: Sim, nacional, por estágios, primeiro, crianças até seis anos, gestantes e puérperas. Quando a gente dá um prazo, aí chega a hora que a gente chama idosos, porque se a gente chamar todo mundo ao mesmo tempo, você faz uma hiperpressão no sistema e causa filas, aí vem um segundo passo, de idosos. Quando terminamos os idosos, aí vamos para outras categorias, no ano passado fizemos algumas partes de segurança, fizemos educação, esse ano vamos ver se a gente consegue ampliar para outras áreas.

DÉBORA FREITAS, CNN: Obrigada, ficou claro. Agora gostaria de fazer uma pergunta para o doutor David. O senhor disse que o PS, o pronto socorro não é o local para procurar, quem tem sintomas. Aonde a pessoa deve ir se tiver com sintomas, e enfim, quiser investigar se tem algum problema?

DAVID UIP, MÉDICO INFECTOLOGISTA E COORDENADOR DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO CORONAVÍRUS EM SÃO PAULO: A atenção primária, municipal.

DÉBORA FREITAS, CNN: UBS?

DAVID UIP, MÉDICO INFECTOLOGISTA E COORDENADOR DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO CORONAVÍRUS EM SÃO PAULO: Não, aí tem um problema sério, porque tem um montão de sigla, UBS, AMA, AME, mas é a atenção primária, o programa da família, e as UBSs. Se tiver complicado, quem vai encaminhar é a Unidade de Atendimento Primário.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Débora, obrigado. Obrigado, doutor David Uip. O próximo veículo é o Jornal O Estado de São Paulo, Agência Estado,

Gilberto Amêndola. Boa tarde.

GILBERTO AMÊNDOLA, JORNAL O ESTADO DE SÃO PAULO: Boa tarde. Existe alguma ação por parte do Ministério da Saúde, ou do governo do estado, em relação aos aeroportos, entrada e saída de turistas? Enfim.

LUIZ HENRIQUE MANDETTA, MINISTRO DA SAÚDE: As ações que são feitas pela ANVISA, que é a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, que tem a função de portos e aeroportos. Ela trabalha, primeiro com rede de informações que são circuladas em vários idiomas dentro do ambiente de aeroporto. Ela trabalha com localização de passageiros e mapeamento. O que a gente está querendo ampliar agora é o uso de aplicativo para que a pessoa ao descer do voo ela no aplicativo ela coloque seu telefone, seu nome, número do voo, número da cadeira, e ali ela saiba toda a rede, e ali ela digita se ela tem algum sintoma de febre, de dor de garganta, de ouvido, e ao digitar imediatamente aquilo já vai para a vigilância e saúde. Mas a ANVISA é quem trabalha portos e aeroportos, e está fazendo esse trabalho dentro dos nossos terminais.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, ministro. Obrigado, Gilberto. Próximo veículo é a TV Globo, Globo News, jornalista Malu Mazar. Boa tarde.

MALU MAZAR, TV GLOBO E GLOBO NEWS: Boa tarde. Eu queria esclarecer uma dúvida, na verdade, ministro. Aqui em São Paulo a gente tem 34 pessoas que estão sendo monitoradas, que tiveram contato com esse doente, mas há pessoas de outros estados que também tiveram contato ali com ele, que eu queria saber como está sendo feito o monitoramento, se há um monitoramento dessas pessoas também para evitar uma eventual propagação do vírus? Como funciona?

LUIZ HENRIQUE MANDETTA, MINISTRO DA SAÚDE: Sim, o monitoramento ele é sempre comunicado para a Secretaria de Saúde do local. Então vamos supor, esse paciente pode ser que ele esteja, eu não conheço especificamente o caso, mas vamos supor, que seja avião, vamos supor, que eu estava no avião, poltrona da frente, ou ao lado, cheguei em São Paulo, mas peguei uma conexão, fui para Pernambuco, quando a gente localiza a gente comunica Pernambuco, que comunica esta pessoa: "Olha, você estava no voo que tinha uma pessoa que foi testada positivo, na poltrona tal", então você passa a ser monitorado. Monitorado são telefonemas diários: "Está tudo bem? Se o senhor tiver alguma coisa, por favor, venha à uma unidade de saúde, se o senhor tiver gripe, tosse". Esse é o que a gente chama de monitoramento, você ficar fazendo a rastreabilidade de um contactante eventual, como é o caso que pode ter ocorrido, se é esse o caso que você está me perguntando.

MALU MAZAR, TV GLOBO E GLOBO NEWS: E tem número disso, dos outros estados, dos contactados?

LUIZ HENRIQUE MANDETTA, MINISTRO DA SAÚDE: Eu posso procurar lá com o boletim epidemiológico, é que o boletim foi feito agora às 16h, e eu não estava em Brasília, eu peguei um voo e vim. Talvez lá nesse boletim ele possa ter colocado, não naquele quadrinho do boletim, de casos suspeitos, descartados e confirmados, mas ele pode colocar embaixo na redação. Vou perguntar, se não colocou peço pra colocar e remeter diretamente pra vocês.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Malu. Obrigado, ministro. O penúltimo veículo que é 11º, é a Rádio Itatiaia de Minas Gerais, Belo Horizonte, jornalista Paula Rangel. Paula, onde você está? Boa tarde. Sua pergunta.

PAULA RANGEL, RÁDIO ITATIAIA MINAS GERAIS: Boa tarde, governador. Ministro, no caso do paciente de São Paulo confirmado, foram poucas horas para o diagnóstico. Dois exames, foi envolvido um hospital particular, e eu queria saber qual a rede montada em outros estados para que haja essa mesma rapidez de notificação, atendimento, exame, diagnóstico e tratamento. E qual o apoio do Ministério da Saúde para os estados.

LUIZ HENRIQUE MANDETTA, MINISTRO DA SAÚDE: Bom, primeiro aqui o fato dele ter ido no Einstein, na verdade, atrasou, porque se ele tivesse coletado no Emílio Ribas teria ido direto para o Adolfo Lutz, não precisaria nem da contraprova, né? Já teria direto do Adolfo Lutz. Então primeiro rodou no Einstein, depois foi coletada material para poder ir pro Adolfo Lutz, a rede pública está trabalhando com capacitação e instalação de equipamentos nos laboratórios centrais estaduais. Nós começamos com um pra fazer o padrão ouro. Nós decidimos, optamos pelo padrão da Alemanha. Então aquilo dali não é somente um equipamento, é toda uma metodologia pra chegar ao resultado. Então nós fizemos a Fiocruz, só tínhamos um laboratório nacional. Em seguida, nós fizemos a capacitação, implantação, Adolfo Lutz, São Paulo. Fizemos adaptação, implantação, Evandro Chagas no Pará. Então Evandro Chagas pega Norte, Nordeste, Lutz pegaria São Paulo, Minas, Fiocruz pegaria Rio de Janeiro, todo o Sul do Brasil. Pois quando tivemos a quarentena em Anápolis, capacitamos e instalamos o laboratório central de Goiânia. Então Goiânia faz todo o Centro-Oeste, uma parte de Minas. Evandro Chagas continua com Norte e Nordeste. Agora estamos nos preparando pra fazer implantação, capacitação do laboratório Minas, do laboratório Rio Grande do Sul pra irmos gradativamente montando o padrão de qualidade que a gente precisa ter pra não termos o risco de dar um falso positivo ou um falso negativo. Esse é um exame de muita precisão que a gente precisa fazer com muita qualidade a sua implantação. JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, ministro. Íamos concluir com 12 veículos, acrescentamos um mais para o atendimento pleno que é a Globo News. Mas vamos agora a Ana Leão do jornal O Globo. Ana, aonde você está? Ana, boa tarde. Sua pergunta, por favor. ANA LEÃO, O GLOBO: Boa tarde, governador. Eu queria entender um pouquinho melhor essa questão dos exames. Não é só então o Adolfo Lutz que está preparado pra fazer o PCR em tempo real, esses outros centros espalhados pelo Brasil também poderão fazer? LUIZ HENRIQUE MANDETTA, MINISTRO DA SAÚDE: Sim, desde o início. Adolfo Lutz foi... primeiro nós foi a Fiocruz, depois fizemos o Adolfo Lutz e Evandro Chagas. Depois fizemos Goiânia. O padrão adotado pelo Einstein, por iniciativa do Einstein, da iniciativa privada do Einstein, ele montou o seu padrão de virologia e adotou o mesmo padrão alemão de qualidade sintonizado com o nosso do Ministério da Saúde. Nós fizemos a contraprova porque é nosso protocolo fazer, poderia ser um... mas bateu igual porque o nível de implantação, rotina e qualidade foi o mesmo. Tanto que quando o Einstein nos notifica nós já partimos naquele momento, mandamos pro Lutz pra cumprir o nosso protocolo, mas já sabíamos que o padrão de qualidade, porque já sabíamos do padrão de qualidade, era o mesmo, o mesmo padrão adotado, o Ministério da Saúde foi adotado pelo Albert Einstein. Tem alguns lugares que fazem na iniciativa privada, mas não no mesmo padrão do que a gente adotou. Então por conta disso, se começa alguém amanhã chegar e falar assim: "Eu estou fazendo exame, eu comprei um kit na China". Não sei, não sei. "Adotei um do Vietnã". Que você não sabe o padrão de qualidade, a gente faz por conta disso, sem saber a gente faz a contraprova. Não é o caso do Einstein, a gente fez pra manter o protocolo porque o padrão de qualidade dele é o mesmo que a gente adotou da Alemanha.

ANA LEÃO, O GLOBO: Uhum. Tá certo. Obrigada.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Ana. Obrigado, ministro. Antes da última pergunta, quero lembrar que amanhã ao meio-dia nós teremos uma nova coletiva de imprensa aqui sem a presença do ministro, mas em harmonia e em sintonia com o Ministério da Saúde, com a participação do Dr. David Uip, Dr. Guermann, Dra. Helena, Dr. Dimas Covas e também do Cleber Marter (F), entre outros pontos vamos anunciar amanhã à campanha de comunicação que faremos aqui em São Paulo ligado a: 1) Campanha contra a gripe, sempre em harmonia e em sintonia com o Ministério da Saúde, e, 2) Em relação ao coronavírus, informações úteis e precisas através de comunicação para orientação à população de forma geral. Uso de máscaras, se deve ou não utilizar. Perguntas básicas. Álcool gel etc., que a população de forma geral indaga. Nós teremos uma campanha de esclarecimento sobre a liderança do Dr. David Uip para esclarecer, será uma campanha feita aqui em São Paulo, mas repito, em sintonia e dentro do protocolo com o Ministério da Saúde. Então amanhã, ao meio-dia, nessa mesma sala. Vamos agora à última pergunta. Daniela Gemignani. Eu estou pronunciando corretamente, Daniela? É isto? Da Globo News. Daniela, boa tarde. Sua pergunta, por favor.

DANIELA GEMIGNANI, GLOBO NEWS: Boa tarde, governador. Tá certo, sim. Queria só tirar uma dúvida. Primeiro o aumento dos casos suspeitos aqui em São Paulo, foi um aumento significativo pra 85, o que é que vocês atribuem isso? E estava circulando uma informação de um paciente que tinha dado o primeiro exame positivo no Rio de Janeiro. Se a gente tem informações desse paciente, se está sendo feito outro exame, enfim?

LUIZ HENRIQUE MANDETTA, MINISTRO DA SAÚDE: Eu só trabalho com informações oficiais. Se ele foi notificado, se ele foi notificado pela Secretaria de Saúde, se a Secretaria de Saúde notificou o Ministério da Saúde é uma notificação oficial. Essas coisas assim do boato do diz que ouvi a gente já escutou vários. Já teve, já teve de tudo. Então se tiver alguma notificação nesse sentido a gente imediatamente convoca, mostra, explica e apresenta. Quanto à primeira pergunta foi sobre...

DANIELA GEMIGNANI, GLOBO NEWS: O aumento dos casos em São Paulo.

LUIZ HENRIQUE MANDETTA, MINISTRO DA SAÚDE: O aumento. É o que a gente disse ontem. Dois fatores. Primeiro, quando a gente aumentou até, até a quinta-feira, na sexta-feira antes do carnaval a gente passou... nós só tínhamos nexo de casos com a China. Aí nós passamos Coreia do Sul, Japão, uma série de países que estão ali na chamada Península Asiática. Então dali você já aumentaria porque pessoas podem ter viajado pro Japão que antes não entravam nessa classificação. Quando na segunda-feira nós incluímos Itália, o número de conexões, o número de conexões que as pessoas fazem, aeroporto de Milão, aeroporto de Roma, Fiumicino é muito utilizado. Esse paciente ele saiu da Itália, ele foi pra Paris, aí ele pega um voo de Paris pra cá. Então as combinações da Itália como destino turístico é um dos países mais visitados do mundo, a Lombardia é uma das regiões mais visitadas do planeta. Era muito claro e muito... nós dissemos o dia: vão aumentar os casos suspeitos. E sendo que no Hemisfério Norte, embora você some todos esses casos de coronavírus, a influenza A e a influenza B são centenas de milhares de vezes mais comuns do que esse vírus, né? Estimativa de 15 milhões de casos de influenza. O coronavírus tem aí na Itália acho que 200 casos, 300 casos que sejam, 400 casos, olha o número do outro. Então qualquer pessoa que vai, que tenha uma influenza, ela já passa quando ela chega, porque ela está com febre, ela está com gripe, ela está com resfriado, às vezes estava numa estação de ski, no gelo, nessas coisas, ela passa a ser suspeita e a gente vai fazendo as placas. Eles vão entrar e sair com mais frequência do que o habitual. E podem acontecer o aparecimento de novos casos? Podem. Como já aconteceu em outros países, pode acontecer. Pode acontecer transmissão entre esses que eram contactantes do primeiro paciente? Pode. Nós estamos monitorando, estamos aguardando pra ver se isso acontece. E vamos monitorar e vamos tratando caso a caso enquanto o estado epidemiológico permite que a gente assim o faça. Vamos fazer isso com o máximo de qualidade, presteza pra com a população, pensando sempre no paciente. O nosso foco é a vida das pessoas, nós não vamos deixar ninguém pra trás, nós vamos estar solidários e vamos estar ao lado das pessoas. É essa a recomendação do presidente Bolsonaro e é isso o que eu encontrei aqui nessa equipe maravilhosa do estado de São Paulo comandada pelo governador Doria.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, ministro Luiz Henrique Mandetta. Renovo o agradecimento pela sua presença e da sua equipe que estão na reunião para qual vamos agora. Por isso peço perdão de nós não alongarmos ainda mais a nossa coletiva de imprensa. Lembrando que amanhã ao meio-dia, todos que estão aqui à Mesa, a exceção do ministro, estarão novamente aqui para atendê-los. Muito obrigado, uma boa tarde a todos. Até amanhã.