Coletiva - SP começa a produzir lote de 18 milhões de doses da Butanvac, com produção nacional 20212804

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Coletiva - SP começa a produzir lote de 18 milhões de doses da Butanvac, com produção nacional 20212804

Local: Capital – Data: Abril 28/04/2021

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JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Olá, boa tarde a todos. Muito obrigado pela presença. Hoje, aqui no Instituto Butantan, em São Paulo, e há uma razão muito especial para estarmos aqui hoje, na sede do Instituto Butantan, sendo 'anfitrionados' pelo Dimas Covas, presidente do Instituto Butantan. E a novidade de hoje, que é uma novidade muito importante, é uma notícia significativa para a ciência brasileira e, por que não? Para a ciência mundial. São Paulo começa hoje, hoje, a produzir a vacina Butanvac, a vacina integralmente produzida, fabricada aqui no Brasil. O Butantan começa hoje a produzir o primeiro lote, com 1 milhão de doses da Butanvac, a vacina, repito, que será produzida integralmente aqui no Instituto Butantan, sem necessidade de importação de matéria prima do exterior. O Butantan, nesta primeira etapa, vai produzir 18 milhões de doses da vacina, pronta para o uso, já na primeira quinzena de junho, quando o processo de aprovação da Anvisa for concluído, evidentemente. Vamos aguardar a aprovação da Anvisa, mas poderemos aplicar imediatamente a vacina Butanvac em todo o Brasil, com a eficácia e a capacidade de proteger as pessoas contra a Covid-19. A tecnologia para a obtenção do insumo da Butanvac é produzida em ovos de galinha, com metodologia dominada plenamente pelo Instituto Butantan, há mais de duas décadas, e fez do Butantan um dos maiores produtores de vacina do mundo, o maior produtor de vacina do Brasil, da América Latina e do Hemisfério Sul, com o domínio dessa tecnologia, que faz a vacina contra a gripe aqui no Brasil.

Hoje, o Brasil dá mais um importantíssimo passo na independência científica e tecnológica, para a produção de uma vacina em nosso país, uma vacina para proteger a população brasileira e salvar vidas, um ativo da ciência, mas também um ativo econômico, social e um ativo de esperança para os brasileiros. Mas eu deixo aqui um registro, Dimas Covas, antes de passar a palavra a você, para que a Anvisa, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, tenha o senso de urgência para a aprovação da testagem e aprovação desta vacina. O Brasil segue, infelizmente, perdendo 2.500 vidas todos os dias. Já temos 395 mil mortes no Brasil. Menos burocracia e mais solidariedade, é o que nós esperamos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Seguir os critérios científicos, sim, mas lembrar que nós estamos diante de uma pandemia, de um drama jamais visto, jamais presenciado em nosso país. Senso de urgência, é isso o que esperamos da Anvisa. Com a palavra, o presidente do Instituto Butantan, Dimas Covas.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: Obrigado, governador, boa tarde. O dia hoje não poderia ser mais emblemático, e eu gostaria de começar lembrando que, há um ano atrás, exatamente em abril do ano passado, o senhor visitou uma fábrica aqui no Butantan, para anunciar a parceria com a Sinovac, para a vacina Coronavac. Um ano depois, governador, exatamente um ano depois, nós já temos a Coronavac em uso, a vacina que é, nesse momento, a que sustenta o Programa Nacional de Imunização, e anunciamos a segunda vacina. Então, a minha emoção, nesse momento, é indizível, quer dizer, essa oportunidade que nós estamos tendo de mostrar o valor da ciência, o valor do investimento público em ciência, o valor dos institutos, os nossos institutos de pesquisa, é inestimável. Sei que, durante essa jornada, houve muito ceticismo, governador, e ceticismo inclusive da comunidade científica, dos meus pares. E a resposta é essa, governador, a resposta é essa: Nós falamos que iniciaríamos a produção muito brevemente, e iniciamos a produção hoje, uma produção substancial. Ainda na fase inicial, obviamente que nós temos que aperfeiçoar o nosso sistema produtivo, mas já existem, hoje, lá na nossa fábrica, 1 milhão, minimamente, 1 milhão de doses em processamento. Até primeira quinzena de junho, teremos minimamente 18 milhões de doses.

Então, a alegria é imensa. Eu agradeço ao time do Butantan, agradeço a um time que, desde março do ano passado, está empenhado em ter essa vacina. Começamos, de uma forma muito discreta, mas fomos prospectando, fomos fazendo parcerias, e o resultado está aqui hoje, a vacina começa a ser produzida integralmente aqui no Brasil. Não dependemos nada, nada, de importação, não dependemos nada, nada, de licenciamentos. Vamos ser autossuficientes. Vamos atender Brasil, podemos atender parte do mundo, porque a nossa capacidade de produção é muito grande. Poderemos chegar a 100 milhões, talvez 150 milhões de vacinas, a partir do segundo semestre desse ano.

Eu tenho uma apresentação, uma apresentação muito rápida, para efeito de ilustração. Então, essa primeira fase é a que nós iniciamos hoje. Vamos produzir seis lotes de vacinas, totalizaremos 6 milhões. Hoje, começamos com o primeiro lote, 1 milhão de doses. Lá tem a segunda fase, com a data já de previsão, terceira fase... Minimamente, 18 milhões. Minimamente por quê? Porque nós estamos na perspectiva de ter duas doses por ovo. Podemos ter mais, minimamente teremos 18 milhões, naquela data lá prevista. Próximo. Esse é o processo, é um processo que já fazemos para a vacina da gripe. Terminamos a produção da campanha de gripe esse ano, com uma entrega de mais de 80 milhões, produção de mais de 80 milhões de doses, e portanto a fábrica, nesse momento, totalmente disponível para essa vacina, Butanvac. Esse é o processo. Então, recebemos os ovos, 520 mil ovos, nesse momento, 520 mil ovos! As pessoas às vezes não têm a ideia, a dimensão. Esses ovos são submetidos a controle de qualidade, inoculação e incubação, esse é o processo que nós iniciamos. Colocamos o vírus dentro dos ovos. Esse vírus agora vai se multiplicar, vai permitir que a gente faça todos os estudos subsequentes, até finalmente a produção das doses de vacina. Próximo.

E temos uma outra boa notícia, quer dizer, além do início da produção, recebemos ainda essa semana, no dia de anteontem, a certificação da Organização Mundial de Saúde, o que se chama pré-qualificação, para a nossa vacina da Influenza. Ou seja, a vacina da Influenza, que é produzida nessa fábrica, que nesse momento produz a Butanvac, foi pré-qualificada pela Organização Mundial de Saúde. Sofreu um processo de auditoria, um processo de análise, que durou praticamente dois anos, e finalmente fomos pré-qualificados. Então, essa vacina já nasce em uma fábrica já previamente pré-qualificada pela Organização Mundial da Saúde. Portanto, vai nos dar já uma vantagem, já no ponto de partida. Então, importantíssima essa certificação. Com isso, essa vacina da gripe pode ser introduzida para todo o mundo, pode ser mandada para todos os países do mundo. Próximo. Próximo?

E finalizando a minha apresentação, hoje seria a data de aniversário de Vital Brasil. Então, a nossa homenagem ao nosso fundador, um grande inovador da saúde, o fundador do Butantan. Quer dizer, estamos aqui hoje porque a história começou lá, no início do século passado. Então, minha homenagem a Vital Brasil e aos seus familiares, no dia de hoje, que é muito emblemático, no dia em que nós lançamos uma nova vacina. Obrigado. Acho que tem um vídeo, um pequeno vídeo. Obrigado, governador.

[exibição de vídeo]

ORADORA NÃO IDENTIFICADA: O Instituto Butantan iniciou a produção da Butanvac, a vacina com produção totalmente nacional. A fábrica do Instituto recebeu um lote de 520 mil ovos. O preparo da solução, com o vírus inativado, será colocado em cada ovo, que vai passar por inspeção com aplicação de luz, para avaliar a qualidade. Depois, os ovos ficam na área de transferência, acondicionados em incubadoras, onde ficam por até três dias, para que a multiplicação viral possa acontecer. Em seguida, são encaminhados para o resfriamento, colhe-se o líquido do ovo, onde está concentrado o vírus replicado. Depois, há ainda as etapas de purificação, clarificação e filtração, e o envase nos frascos. O Butantan deve receber cerca de 30 lotes de 520 mil ovos, para produção da vacina brasileira contra o Corona Vírus.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: Governador, só me permita, eu gostaria de agradecer o seu apoio, o apoio do Governo do Estado de São Paulo. Quer dizer, a sua administração faz a diferença, desde o primeiro momento. E lembro quando o senhor esteve na primeira reunião, em Davos, no início do seu Governo, o senhor anunciou ao mundo: O Butantan será um dos maiores produtores de vacinas do mundo. Estamos cumprindo a sua meta e a sua promessa ao mundo, governador. Então, muito obrigado, obrigado por esse apoio.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Dimas. Nós é que temos que agradecer a sua liderança, como cientista renomado, respeitado que é, e a todos os cientistas e profissionais aqui do Instituto Butantan, alguns que estão aqui hoje acompanhando essa coletiva. E quero também, antes de seguirmos para a segunda boa notícia, porque essa primeira já é uma extraordinária notícia, dizer que o Instituto Butantan poderá produzir, no mínimo, 40 milhões de doses da Butanvac, neste segundo semestre, no mínimo, para a imunização de brasileiros, 40 milhões de doses da vacina. Nós autorizamos o Butantan, diante do investimento do próprio Instituto Butantan, da sua fundação e do Governo do Estado de São Paulo, a produzir 40 milhões de doses, no mínimo, nesse segundo semestre, para imunização dos brasileiros, sendo que 18 milhões de imediato, conforme foi anunciado pelo Dr. Dimas Covas. Porque, diante desta tragédia, deste drama, de quase 400 mil mortos no Brasil, é preciso ter senso de urgência, senso de solidariedade, senso de humanidade, senso de atitude, e é exatamente isso que nós estamos fazendo, e é isso que nós esperamos da Anvisa, diante de um quadro tão dramático. Lembrando que o Instituto Butantan tem 120 anos de serviços prEstados à vida no Brasil. Não é uma instituição que começou ontem, não é um laboratório que foi construído às pressas, para o atendimento à pandemia. Tem mais de um século de tecnologia, de inovação, de ciência e de resultados. E antes de anunciar a segunda boa notícia, eu ando sempre aqui com meu celular, que um cinegrafista me pediu para apresentarmos, se tivéssemos, e temos, a embalagem da Butanvac. Então vou convidar o Dr. Dimas para vir aqui um pouco mais à frente, pra nós apresentarmos a embalagem da vacina, da nova vacina contra o Covid-19: a Butanvac. Dimas.

Obrigado, Dimas. Segunda notícia de hoje: São Paulo e o Instituto Butantan vão antecipar a entrega do próximo lote de vacinas contra a Covid-19, a vacina do Brasil, a Coronavac. Nós vamos antecipar para esta sexta-feira, depois de amanhã, sexta-feira, dia 30, mais 600 mil doses da vacina do Butantan. Inicialmente, esta entrega estava prevista para o dia 3 de maio, na semana que vem. Mas, graças ao trabalho em quatro turnos de profissionais do Butantan, 24 horas por dia, incluindo sábados e domingos e feriados, nós conseguimos antecipar, e nesta sexta-feira estaremos entregando ao Ministério da Saúde mais 600 mil doses da vacina do Butantan. São mais 600 mil vidas que estarão sendo salvas, com a vacina que hoje representa 84% de todas as vacinas disponíveis no Brasil. E continuamos mantendo a média, de cada dez brasileiros, oito estão recebendo no braço a vacina do Butantan. E mais uma vez passo a palavra a você, Dimas Covas.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: Governador, nós temos todo o centralizado de urgência, essa solicitação da entrega antecipada é difícil exatamente porque alguns Estados estão com dificuldades com a segunda dose, que não é o caso do Estado de São Paulo que tem a segunda dose para todas as pessoas que tomaram a primeira dose. Mas dentro dessa necessidade nós vamos antecipar, na medida do possível, toda a produção, entregaremos essas 600 mil doses, na semana que vem temos mais entrega programada para quarta-feira, 1 milhão de doses, e vamos fazer todo o esforço para adiantar essa produção e entregar o mais rapidamente possível as doses que estão sendo produzidas aqui. Estamos nesse momento aguardando uma posição da Sinovac em relação à entrega do próximo quantitativo, de 3 mil litros, solicitamos inclusive um aumento de 3 para 6 mil litros, e devemos ter essa resposta também brevemente, para podermos aí sim entrar em um ritmo de produção acelerado. Esperamos ter essa resposta da Sinovac ainda no final dessa semana, no máximo na próxima semana.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Dimas. Então são duas, uma importantíssima notícia, e uma outra valorosa notícia, de um quadro tão trágico dessa pandemia aqui em nosso país. Agora vamos tratar do terceiro tema, o Governo do Estado de São Paulo prorroga a fase de transição por mais uma semana, porém, com a ampliação de horário de funcionamento das atividades comerciais no Estado de São Paulo. A prorrogação dessa fase de transição vai do dia 1 de maio, no próximo sábado, até o dia 9 de maio, domingo, da semana que vem. É uma recomendação do nosso centro de contingencia do COVID-19. Obviamente, com a melhora dos indicadores de casos, internações e óbitos, será possível estender o horário de funcionamento dos setores de serviços e do comércio, das 6h da manhã até às 20h da noite. Essa é a análise do Governo do Estado de São Paulo. Damos assim a continuidade gradual e segura de abertura da economia do Estado de São Paulo, para recuperar empregos e dar a oportunidade aos brasileiros do nosso Estado, de terem acesso à renda, ao salário, e à dignidade nas suas vidas. Sobre a fase de transição, com horários estendidos, falará a Patrícia Ellen, nossa secretária de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia.

PATRÍCIA ELLEN, SECRETÁRIA ESTADUAL DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO: Muito obrigada, governador. Corroboro aqui com as palavras do Dimas Covas, e lhe agradeço muito por todo o trabalho que tem feito em nome da vida, dos empregos e no combate à fome. Nós estamos aqui enfrentando três guerras ao mesmo tempo, a crise de saúde, a crise humanitária, a crise econômica, e ver a sua dedicação tem feito toda a diferença. Nós não temos somente uma vacina agora em São Paulo, mas duas. E infelizmente estamos tendo uma falta completa de gestão nacional desse processo, que nos impede inclusive de sair dessa crise de uma forma mais acelerada. Por isso nós estamos novamente dando um novo voto de confiança a todos os setores econômicos, e contando muito com o apoio dos prefeitos nesse processo. A partir desse sábado, dia 1 de maio, que é o Dia do Trabalho, então um dia muito simbólico, acho que o melhor presente para a população é que todos possam trabalhar, com dignidade, mas também com muita responsabilidade. Então a expansão do horário ele á significativa, todos os estabelecimentos comerciais e serviços podem funcionar das 6h da manhã às 20h, respeitando todos os protocolos da fase de transição. Então é muito importante respeitar a capacidade de ocupação de 25%. O toque de recolher, que é um ponto que os especialistas de saúde têm defendido muito, quando nós conseguimos reduzir a circulação da população nesse horário, das 20h às 5h de manhã, nós conseguimos ter uma redução muito importante da taxa de transmissão, que está sendo mantido e sustentada, nós estamos tendo uma redução de leitos de UTI ocupados de mais ou menos 1% por semana. Essa redução continua se sustentando, mas precisamos novamente desse trabalho, 25% de ocupação, toque de recolher, teletrabalho para as atividades administrativas não essenciais, e o escalonamento dos horários de entrada e saída das atividades de comércio, serviços e indústria. Então aqui há um papel ainda mais estratégico dos prefeitos e prefeitas para fazerem essa pactuação com os setores, porque como agora há a possibilidade de funcionamento durante todo o dia, fora do toque de recolher, é muito importante que os prefeitos façam essa pactuação do escalonamento. Nós fizemos muitas reuniões de trabalho com diversos setores, FACESP, Sebrae, FECOMÉRCIO, ALSHOP, ABRACE, Sindicato de Bares e Restaurantes, todo o trabalho que tem sido feito também do Sindicato dos Comerciantes do Brás. Enfim, várias associações se mobilizaram trabalhando conosco, e estão muito conscientes de sua responsabilidade. Por isso, governador, que essa é a primeira etapa, então essa passa a valer agora, e será assim do dia 1 de maio ao dia 9 de maio. Mas nós estamos trabalhando... Primeira etapa não, desculpa, é revisão, nessa fase de transição, e mais um passo no voto de confiança. Mas a partir de aqui nós temos uma frente de trabalho muito dedicada com o centro de contingência, para fazermos uma evolução do plano São Paulo, trazendo maior responsabilidade para os prefeitos e prefeitas, e fortalecendo o trabalho de testagem, monitoramento e isolamento de contatos. Por que isso é importante nesse momento? O cenário que nós tínhamos no ano passado, quando o governador começou a fortalecer a importância de termos um portfólio de vacinas, nos dava a chance de nesse momento termos uma boa parte da população vacinada. Entretanto, somente o Butantan e o Estado de São Paulo cumpriram sua promessa no que diz respeito à velocidade de implementação das vacinas. Então nós estamos com uma velocidade onde o Butantan responde por mais de 80% das vacinas, aquém do que poderíamos ter em todo o Brasil. Mas São Paulo liderou essa guerra desde o início, e não vai se eximir nesse momento, de dar o próximo passo, dado que essa é a realidade que temos. Então estamos trabalhando nessa revisão do plano, para darmos um passo além de controlarmos a pandemia, e ao mesmo tempo podermos ter uma retomada econômica responsável, mesmo que tenhamos aqui agora também uma nova esperança, com uma nova vacina. Muito obrigada, Dimas Covas, à toda a equipe do Butantan. E novamente a você, governador, por nos liderar nessa crise.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Patrícia. Antes de passar a palavra ao doutor Paulo Menezes, que é o coordenador do centro de contingência do COVID-19, eu quero agradecer às emissoras que estão transmitindo ao vivo aqui do Instituto Butantan essa coletiva, começando pela TV Cultura, também a TV Band News, a TV Record News, a CNN, portal UOL, o portal Terra, o portal do Jornal O Estado de São Paulo, o portal Cidade ON, além dos flashs que a TV Globo e a Globo News transmitem também ao vivo aqui no Instituto Butantan. Doutor Paulo Menezes.

PAULO MENEZES, COORDENADOR DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: Muito obrigado, governador. Boa tarde, a todos. O centro de contingência vê a evolução dos números dos indicadores da pandemia com muita satisfação e alívio nas últimas semanas. E acho muito importante reforçar que isso foi resultado da ação firme e determinada do Governo com recomendação do centro de contingência, de tomar medidas muito duras de restrição de atividades, que foram por um período extremamente prolongado, mais de seis semanas seguidas de fase vermelha, fase emergencial, seguido de fase de transição, e por isso nós estamos vendo agora essa melhora na situação. Eu gostaria de chamar atenção para alguns números que eu acho que refletem isso, no pico dessa segunda onda, nós tínhamos no Estado de São Paulo 500 casos novos a cada 14 dias, por 100 mil habitantes, na média do Estado. Algumas regiões chegavam a apresentar mais de 800 casos novos por 100 mil habitantes em duas semanas. Esse número hoje está 423, então uma redução de aproximadamente 35% ao longo desse período. Também no número de internações nós chegamos a ter 100 novas internações a cada 100 mil habitantes em 14 dias, e hoje nós estamos, felizmente, com 72 por 100 mil. Então uma melhora muito importante, que tem permitido progressivamente com segurança esse avanço na retomada de atividades que haviam sido suspensas, e que tanto, tanta dificuldade traz para uma grande parte da sociedade. Além disso, eu acho importante ressaltar que esse resultado foi obtido enfrentando uma das variantes mais difíceis, que é a P1, os resultados do relatório do Instituto Adolf Lutz, nossa laboratório estadual de saúde pública, mostram que em janeiro nós tínhamos aproximadamente 20% das amostras sendo da variante P1, esse número subiu para 40% em fevereiro, 80% em março, e 90% das amostras testadas agora em abril, mostrando que a variante, de fato, explica a velocidade que nós vimos a partir do meio de fevereiro, no caso de internações, e depois de óbitos. E mesmo com essa variante foi possível conseguir esse momento de redução progressiva da transmissão do vírus. Além disso nós temos esse processo de vacinação que tem reduzido as internações e óbitos de idosos, principalmente, que são aqueles que mais contribuem com internações em UTI com os casos graves e com os desfechos mais tristes, que são os óbitos. Semana que vem a gente vai ter a inclusão, só para lembrar aqui, da importância disso, dos idosos de 60, 61 e 62 anos, que completam a cobertura vacinal de idosos. Essa é uma ótima situação. Mas também eu quero chamar atenção para que os números ainda são altos, se a gente lembrar que no início do ano nós tínhamos cerca de 200 casos por 100 mil, e hoje nós ainda estamos com 428, tínhamos 50 internações por 100 mil, hoje temos 72, nós ainda temos um caminho pela frente, que requer todos os cuidados, de forma que o centro de contingência entende a necessidade de retomada progressiva, das atividades que haviam sido suspensas, mas reforça a importância de nós mantermos o distanciamento social, de nós mantermos as medidas como uso de máscaras e higienização, que reduzem a probabilidade de transmissão do vírus. E que sempre que possível nós não saiamos de casa. A retomada das atividades ela é importante, mas ela não é um convite para que as pessoas vão para a rua, se não for necessário. Queria reforçar que nós ainda temos um caminho para percorrer com segurança, para que nós possamos ter resultados positivos, progressivamente nas próximas semanas. Muito obrigado, governador.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito obrigado, doutor Paulo Menezes. Antes de passar a palavra ao doutor Jean Gorinchteyn, apenas para reforçar essa mensagem, de que estamos evoluindo, estamos melhorando, mas isso não significa que estamos liberando. É importante que as pessoas compreendam que podendo ficar em casa, fique em casa, principalmente as pessoas mais vulneráveis, as pessoas com morbidade, as pessoas com mais idade, as pessoas com dificuldade fiquem em suas casas, preservem suas vidas e as vidas dos seus filhos, seus parentes, seus vizinhos e seus amigos. E se tiver que sair, por necessidade absoluta, use máscara permanente, lave as suas mãos, use álcool em gel, procure fazer o distanciamento social, siga as regras sanitárias para proteger a sua vida e a vida dos seus familiares. Doutor Jean Gorinchteyn, secretário da Saúde do Estado de São Paulo, com os dados de hoje da pandemia.

JEAN GORINCHTEYN, SECRETÁRIO ESTADUAL DA SAÚDE: Boa tarde, governador. Boa tarde, a todos. Esse é um momento muito especial, especialmente como gestor, de entender que os números eles vêm em queda exatamente pelo apoio da população às regras sanitárias que foram instituídas pelo Governo. Nós temos hoje o Estado, 80% de ocupação nos leitos de Unidades de Terapia Intensiva. Tínhamos 93% no início do mês apenas no Estado, considerando os 645 municípios, a grande São Paulo, hoje, 78,4% e os internados já se considera 10.426, 2.700 leitos a menos do que 27 dias, quando nós tínhamos, no pico, 13.120 leitos ocupados por pessoas... Alô. Em pessoas com condições clínicas absolutamente graves. Dessa maneira, isso também tem o preparo de todas as unidades de terapia intensiva, que foram estimuladas pelo Governo do Estado de São Paulo, na liderança do governador João Doria, em que só no mês de março nós preparamos 4.695 novos leitos, uma vez que a variante se instalava, além do que a distribuição nos 645 municípios, de respiradores, respiradores emergenciais, e a vacina, porque seguramente, se o Governo do Estado de São Paulo não tivesse tomado as medidas que tomou, tanto no combate à pandemia no Plano São Paulo, quanto no enfrentamento da pandemia, no preparo das nossas instituições, preparo de oxigênio, cilindros, concentradores, o número de mortes que nós tivemos, infelizmente, hoje, em 95.656, teriam sido muito maiores, governador, isso se deve, exatamente, a sua liderança e preocupação com a vida. E, mais, hoje a possibilidade de duas vacinas, mas, até então, a Coronavac, que é a vacina que tem, sim, um impacto de mortalidade, com queda importante de internações hospitalares, que ficou claro, tanto pra aqueles acima de 90 anos, que tiveram uma taxa de proteção de 46%, assim como outras faixas etárias, com níveis também importantes, que deram a garantia de nós podermos tomar essas medidas que estamos tomando hoje. Próximo dia positivo, por favor. Temos, na semana, estamos na 17ª semana, e esse é o comparativo entre a 16ª e a 15ª semana, com uma queda de 15,7% do número de casos, 6,8% do número de internações e 21,8% no número de óbitos, a semana passada foi a primeira semana que nós tivemos essa queda, em número de óbitos, depois de oito semanas, internações quatro semanas consecutivas, com essa semana, os dados ainda não estão fechados, porque estamos no meio da semana epidemiológica, nós já estamos indo pra quinta semana com queda consecutiva das internações e para a segunda semana consecutiva no número de óbitos. Antes, nós falávamos: Fique em casa enquanto preparamos a saúde. Hoje nós dizemos: Fique em casa se puder, mas, se necessário for, saiam com responsabilidade. Usem máscara, evitem aglomerações, façam, sim, o distanciamento e uso do álcool gel, mas não esqueçam, muitas vezes o perigo tá dentro de casa, quando nós recebemos grupos de amigos pra um jantar, achando que todos fazem e exercem os mesmos cuidados do que nós, então, cuidem-se, preservem-se, pra que possamos continuar nessa progressão e retomada de todas as atividades. Obrigado, governador.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Jean. Antes de passar para a última intervenção, da Dra. Regiane de Paula, e as informações da vacinação aqui no Estado de São Paulo, quero agradecer também a transmissão ao vivo de mais dois portais, que estão aqui, e com transmissão, repito, ao vivo, do Instituto Butantan, o SBT News e o Portal G1 também estão transmitindo ao vivo, muito obrigado, ao lado dos demais portais, e das emissoras que eu já citei. E, antes também, Regiane, de passar a você, eu quero aqui voltar a mencionar que sobre a Butanvac, nós estaremos prontos com a vacina disponível para fornecer ao Ministério da Saúde, evidentemente, se o Ministério da Saúde aceitar, porque para a vacina Coronavac, desde outubro nós já tínhamos aqui seis milhões de doses da vacina do Butantan, e vocês todos sabem, os que estão aqui, jornalistas, cinegrafistas, fotógrafos, técnicos, cientistas, e os que nos assistem em casa, levamos mais de três meses pra convencer o Ministério da Saúde de que era importante termos a vacina do Butantan disponível para os brasileiros, a mesma vacina que foi rechaçada, ofendida, classificada como vachina, vacina da China, vacina inadequada, vacina nociva, vacina do Doria, hoje é a vacina que 84% dos brasileiros tomam nos seus braços, nos braços das famílias, das mulheres, das pessoas com comorbidades, das pessoas com mais de 60 anos, em todo Brasil, a Butanvac estará disponível tão logo a Anvisa autorize para salvar vidas e, volto a repetir, não é hora de burocracia, é hora da ciência, mas de respeito pela vida. Dra. Regiane.

REGIANE DE PAULA, COORDENADORA DO PROGRAMA ESTADUAL DE IMUNIZAÇÃO DE SÃO PAULO: Obrigada, governador, boa tarde a todos. Bom, hoje é um dia de muita esperança, principalmente pra nós, que trabalhamos com vacina, eu quero cumprimentar o Dr. Dimas e, em nome do Dr. Dimas, todos os funcionários do Instituto Butantan, e ao senhor, governador, que tem sido incansável em que levar vacina pros brasileiros, e hoje se, realmente, nós temos a possibilidade de ter o Brasil inteiro vacinando, é porque nós temos a vacina do Butantan. Então, muito obrigada, porque eu vejo em mães, em pais, em idosos, em filhos, o agradecimento por a gente estar fazendo esse movimento, e mais uma vez o senhor, como um grande visionário, traz a possibilidade de que nós tenhamos mais uma vacina e possamos vacinar a população brasileira o quanto antes. Então, o meu agradecimento e o agradecimento de toda uma equipe, que tem trabalhado pra que a gente possa levar vacina pra não só o Estado de São Paulo, mas com o Butantan pra todos os brasileiros. Muito obrigada. Então, nesse momento, nós temos, no vacinômetro, 11 milhões de doses aplicadas, 11.328.480 doses, sendo que de primeira dose 7.238.623 e de primeira dose 4.089.865. E eu quero fazer aqui só uma lembrança, que é muito importante, quando nós falamos de mais de quatro milhões que receberam a segunda dose, nós estamos falando de pessoas que, no Estado de São Paulo, completaram o seu esquema vacinal, D1 mais D2, 4.089.865 pessoas, no Estado de São Paulo, que completaram a segunda dose, isso é muito importante e quero fazer também uma outra lembrança, como o Dr. Dimas colocou, não falta D2 no Estado de São Paulo. Obrigada, governador.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Regiane. Vamos agora às perguntas, eu queria aproveitar pra agradecer a presença aqui, entre nós, do General João Campos, secretário de segurança pública do Estado de São Paulo, general, parabéns pela força tarefa, do qual a Secretaria de Segurança Pública compõe majoritariamente com a Polícia Civil, a Polícia Militar, o Corpo de Bombeiros, ao lado do Procon, da Vigilância Sanitária, assim como dos municípios, em destaque o município aqui de São Paulo, a capital de São Paulo, do nosso Bruno Covas, que eu quero também mandar uma mensagem ao Bruno, talvez ele esteja nos assistindo agora, saúde e muita esperança pra você, Bruno, e a sua prefeito tem sido solidária e uma grande parceira nesta luta contra a Covid, e nós todos somos parceiros e solidários a você na luta contra sua doença, que Deus proteja você e que você melhore a cada dia. Vamos agora, então, a Maira Di Giaimo, da Rádio e TV Bandeirantes, e também da Band News, logo na sequência, Agência Reuteurs, a Record TV, TV Globo, Globo News, Portal IG e o G1 completando as perguntas de hoje. Então, Maira Di Giaimo, da Rádio e TV Bandeirantes, boa tarde, bem-vinda, sua pergunta, por favor.

MAIRA DI GIAIMO, REPÓRTER: Boa tarde, governador, boa tarde a todos, eu queria falar sobre a questão da segunda dose, tem relatos aí de falta da segunda dose da Coronavac pelo Brasil, alguns aqui também em São Paulo, que a gente recebeu na Rádio Bandeirantes, a gente vai ter liberação de mais cinco milhões de doses agora, a partir de sexta-feira, e depois a gente fica aí dependendo dessa liberação de mais insumos, então, eu queria saber se há risco, no Brasil, da gente ter falta dessa segunda dose e, especificamente, em São Paulo, se vai ter alguma orientação em relação a essas cinco milhões de doses, pra guardar uma parte especificamente pra segunda dose. E, governador, só esclarecer uma fala do senhor agora a pouco, que seriam, no mínimo, 40 milhões de doses da Butanvac nesse segundo semestre, é isso mesmo? Então seria 18 no primeiro, 40 no segundo, eu fiquei um pouco confusa com esses números.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Eu começo por esse esclarecimento, você tem razão, talvez eu não tenha sido suficientemente claro, 18 milhões começamos a produzir já, imediatamente, hoje, essa produção vai alcançar 40 milhões de doses, mas a capacidade de produção da fábrica do Butantan, seguramente, é pra 100 milhões de doses até o final deste ano, mas, no ritmo que o Butantan tem colocado a sua fábrica, com quatro turnos de seis horas, 24 horas por dia, nós seremos capazes, tão logo tenhamos aprovação da Anvisa, quanto mais rápido tivermos aprovação, maior volume de vacinas serão produzidas. Então, 40 milhões é garantia absoluta, nós já autorizamos essa produção e sabemos que isto é possível, podemos chegar a 100 milhões, e se houver velocidade na aprovação da Anvisa, ainda este ano, até 31 de dezembro, o Butantan poderá produzir até 150 milhões de doses da Butanvac. Assim, Maira, ficamos ainda mais claros e obrigado pela sua pergunta. Eu vou dividir a resposta com a Dra. Regiane, serão respostas curtas, mas suficientes pra esclarecer o tema da vacinação com a vacina do Butantan, a Dra. Regiane, o Dimas e o Jean Gorinchteyn. Mas eu queria fazer um registro aqui, não é politizando o tema, mas se o Governo Federal e, principalmente, os ministros ajudarem não falando mal da China, do Governo da China, da vacina da China, já ajuda muito, já é uma grande contribuição, não bastam as trapalhadas, a incompetência, a falta de planejamento, ainda temos que ouvir o Ministro da Fazenda falando mal da vacina que ele tomou, uma hora depois ele afirma: Tomei a Coronavac, duas doses da vacina, uma hora antes ele falou mal da vacina, desqualificou a vacina, e ainda criticou a China, ainda disse que o vírus veio da China, foi produzido na China. Ora, ministro, fique na sua competência, se é que possui, na área econômica, não venha dar palpite na área da ciência, não é o seu campo, não é a sua área de conhecimento. Regiane.

REGIANE DE PAULA, COORDENADORA DO PROGRAMA ESTADUAL DE IMUNIZAÇÃO DE SÃO PAULO: Obrigada, governador. Maira, eu quero enfatizar que o Plano Estadual de Imunização, ele sempre trabalhou com muito planejamento e logística, então, no Estado de São Paulo, hoje, e é muito importante que os municípios cumpram aquilo que o Plano Estadual de Imunização coloca, não há falta de D2, se há em algum ponto estratégico de algum município, é porque aquilo que foi enfatizado pelo Plano Estadual de Imunização, não foi cumprido, então nós não temos e não devemos ter falta de D2. Tanto isso é verdade, que no domingo à noite, toda grade de 68 anos, que tem que tomar a D2 foi distribuída na segunda e na sexta-feira, através da nossa logística, para os municípios. Então, nesse momento, em toda rede, 68 anos estão tomando D2, a vacina do Butantan. Então, planejamento é fundamental e, no Estado de São Paulo, o Plano Estadual de Imunização veio fazendo com que nós tenhamos um estoque estratégico, e não tenhamos falta, em nenhum momento, de D2 de nenhuma vacina. Obrigada.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Regiane. Portanto, aqui, em São Paulo, Maira, aqui não falta vacina para a segunda dose, chamada D2. Por quê? Planejamos aqui, o Programa Estadual de Imunização planeja suas ações, aqui nós não fazemos de maneira açodada, vacina todo mundo, Deus queira, e vamos esperar que chegue vacina depois, nós planejamos as vacinas, quem toma a primeira dose, nós temos a reserva pra segunda dose, desde o início, aliás, não seguimos a recomendação do Ministério da Saúde, que disse: Apliquem todas as vacinas. Um equívoco do Governo Federal, mais um, nós aqui resguardamos o que é necessário pra garantir que as pessoas que tomam a primeira dose tenham a certeza de que vão tomar a segunda dose da mesma vacina. Dimas Covas.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: Essa é uma dúvida que tem aparecido frequentemente, que nesses locais em que ocorrerá o atraso, se há alguma interferência, né, na resposta vacinal, não, mesmo que a pessoa tome 15 dias, 20 dias, um mês após a data prevista, não há interferência com o esquema vacinal, o importante é que tome a segunda dose, tome a segunda dose após os 28 dias o quanto antes for possível, né, aí, sim, completa-se o esquema vacinal. Aqueles que tiverem atrás, em alguns Estados isso tem acontecido, não é o caso do Estado de São Paulo, devem, sim, reforçar a importância da segunda dose, nós não estamos, em nenhum momento, falando da possibilidade de não tomarem a segunda dose, a segunda dose é importantíssima, e as pessoas têm que se conscientizar disso, é necessário complementar o esquema vacinal com primeira e segunda dose. A segunda dose pode atrasar um pouco, não vai interferir na eficácia da primeira dose já recebida. Não vai perder a vacinação por isso. Portanto, vacinem-se quando for possível, o mais rapidamente possível com a segunda dose.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Dimas. Um esclarecimento importante esse dado pelo cita e presidente do Instituto Butantan, em relação à segunda dose, a data da segunda dose, e eu peço agora que o médico infectologista do Instituto Emílio Ribas, e secretário da Saúde de São Paulo, possa reforçar essa informação, Jean Gorinchteyn, às pessoas que tomam a primeira dose, mesmo que percam a data especificada para a sua segunda dose, seja da vacina do Butantan, a Coronavac, seja da AstraZeneca, que são as duas únicas vacinas que temos no Brasil, sendo do Butantan, com mais de 80%, elas devem tomar a segunda dose da vacina. E eu peço que você também possa reforçar a mensagem dita agora pelo Dimas Covas.

JEAN GORINCHTEYN, SECRETÁRIO ESTADUAL DA SAÚDE: Todas as pessoas para serem consideradas devidamente imunizadas, vão precisar de duas doses da vacina, segundo os seus intervalos, claro, 28 dias para a Coronavac, 12 semanas para a AstraZeneca/Fiocruz. Porém, eventualmente algumas pessoas, ou porque estejam em viagem ou em curso de alguma doença, ou pela indisponibilidade da vacina, e algum determinado posto, podem ter postergado essa segunda dose, e isso de forma alguma invalida a primeira dose, ela não perde a sua eficácia. O que é necessário sim, que as pessoas, independente da primeira ou da segunda dose, se mantenham no uso das máscaras, e do distanciamento. Mas quando receberem mesmo que em um momento mais tardio, a segunda dose elas têm o que nós chamamos células de memória, e essas células de memória fazem uma ativação, um buster de proteção, dando aí sim uma garantia aumentada dessa proteção.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Jean Gorinchteyn, Dimas, Regiane e Maira, muito obrigado pelas perguntas, nos permitiram um esclarecimento bastante expressivo e muito importante para todos que nos acompanham aqui. Agora temos uma pergunta online, que é o Eduardo Simões, que é o correspondente da Agência Reuters no Brasil. Eduardo, vamos colocá-lo em tela, e ouvir a sua pergunta. Só um minutinho, Eduardo, vou pedir para você aguardar um minutinho só, e voltar a pergunta, Eduardo. Perdão, nós tivemos aqui um problema. Quando vocês me avisarem eu aviso o Eduardo. Posso pedir a ele para falar? O pessoal da área técnica. Precisa abaixar o seu volume um pouquinho, Eduardo, o seu volume está muito alto, se puder modelar um pouquinho. Agora sim, sua pergunta, por favor.

EDUARDO SIMÕES, REPÓRTER: Agora sim?

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Perfeito. Positivo, Eduardo, siga em frente.

EDUARDO SIMÕES, REPÓRTER: Tá joia, obrigado, governador. Bom, eu queria insistir um pouco na questão dos insumos, perguntar ao doutor Dimas, ele disse que ainda não há uma data para a chegada desse segundo lote, mas se há alguma estimativa se deve ser na próxima semana, ou na outra, ou talvez na primeira ou na segunda quinzena de maio. E se diante dessa indefinição, se o Butantan vislumbra alguma dificuldade nas chegadas futuras dos insumos? E se pode haver algum impacto na produção, como aconteceu no atraso anterior que houve, que chegou no dia 19, e inicialmente a previsão era no dia 10 de abril? É isso, obrigado.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Eduardo. Doutor Dimas Covas.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: Eduardo, primeiro que, de fato, houve um pequeno atraso, nós deveríamos entregar 46 milhões até o dia 30, estamos entregando até na sexta-feira 42,300 milhões, e o restante na próxima semana. Então houve, de fato, um pequeno atraso. Trabalhamos com a Sinovac para que o lote de 3 mil chegue ainda na primeira quinzena de maio, e estamos pedindo além de 3 mil, a possibilidade de virem 6 mil. Com isso nós inclusive já adiantamos o que nós tínhamos planejado de entrega para o ministério, para o contrato de 54 milhões de doses. Então nós já estamos entrando nesse contrato, um contrato que foi assinado em fevereiro, em fevereiro, ao passo que existem outros contratos que foram assinados em agosto do ano passado, não estou criticando, só estou lembrando, foram assinados em agosto do ano passado, foram pagos e houve atrasos atrás de atrasos, mais de oito atrasos observados até muito recentemente, e agora anunciado inclusive que haverá atraso na produção em solo nacional. Então o Butantan cumpre a sua parte do contrato com o ministério, tem feito todo o esforço para trazer mais vacinas. E esperamos que os outros contratados também façam a sua parte, porque não podemos simplesmente depender do Butantan a todo o momento, e querer jogar a culpa a todo momento no Butantan. Isso não é justo, quer dizer, o Butantan nesse momento está mantendo de pé o Programa Nacional de Imunizações, esperamos que haja reconhecimento e não críticas em relação a isso. Obrigado.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Dimas Covas. Eduardo, só para complementar, não só tivemos oito alterações da entrega da vacina AstraZeneca, repito o que disse o Dimas Covas, não é para criticar nem a AstraZeneca, e nem a Fiocruz, mas foram oito modificações do que estavam anunciando. O Butantan teve uma. E nenhuma redução o Butantan, de nenhuma dose. Nessas oito alterações nós tivemos em cinco a redução do número de doses. Portanto, é importante que a opinião pública fique esclarecida de que o Butantan está cumprindo o seu dever, a sua obrigação de entrega da vacina. O que não está ocorrendo com a Fiocruz. Repito, não quero aqui desmerecer a Fiocruz e nem a AstraZeneca, mas os problemas não estão aqui, isso eu posso lhe garantir. E repito, se o Governo parar de falar mal da China, da vacina da China, dos chineses, também vai dar uma boa ajuda para que tenhamos aqui os insumos entregues dentro do prazo. Obrigado, Eduardo. Vamos agora à Daniela Salerno, da TV Record. Daniela, obrigado por estar aqui presente conosco, boa tarde. Sua pergunta, por favor.

DANIELA SALERNO, REPÓRTER: Boa tarde, a todos. Minha pergunta é sobre o cronograma de vacinação. Ontem o Ministério da Saúde já indicou a inclusão de gestantes, não deu data definida, disse até maio. E a gente vê a todo momento grupos sendo incluídos, inclusive indicação aí de diabéticos e hipertensos em um próximo momento. Então a minha pergunta é, a partir do momento que todas essas pessoas são incluídas, como que está o cronograma, pelo menos, do Estado de São Paulo? Inclusive porque alguns setores ainda não foram completamente vacinados, como dos profissionais da educação. Então eu gostaria de entender como vocês estão planejando a inclusão de novos grupos e o término daqueles que já foram indicados. Obrigada.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigada, Daniela. A doutora Regiane de Paula, coordenadora do Programa Estadual de Imunização vai responder à sua pergunta.

REGIANE DE PAULA, COORDENADORA DO PROGRAMA ESTADUAL DE IMUNIZAÇÃO DE SÃO PAULO: Obrigada. Daniela, veja, nós trabalhamos com o planejamento e muito critério, enquanto outros Estados já avançaram para faixas etárias de 60 anos, amanhã nós vamos abrir a faixa etária de 63 anos. Há 24 horas, aproximadamente, atrás, o ministério solta então uma nova determinação dizendo que as gestantes com comorbidades, de 18 a 59 anos, devem ser vacinadas. Lembrando que eles também não dão esses dados, como também não dão os dados por Estado, de quem são essas comorbidades abaixo dos 60 anos. Então estamos trabalhando com comorbidades há mais de dez dias, para que a gente possa olhar quem são esses grupos de comorbidades, e como nós vamos atuar nesse grupo específico. Em relação às gestantes, nós já temos, governador, inclusive a ideia de quantas são essas gestantes, em quais locais elas estão. Porque nós classificamos como gestantes de alto risco, em sendo gestantes de alto risco, elas podem ter diabetes, hipertensão. Então nós temos um número que está entorno de 85 a 100 mil gestantes que devem ser vacinadas então. Estamos elaborando isso, e vamos levar para a próxima reunião do Plano Estadual de Imunização. Nós fazemos toda quinta-feira uma reunião, onde nós já temos ali o que a gente deve trabalhar como estratégia. Então as estratégias elas são sempre pensadas, primeiro, por faixa etária que a gente abre, a gente abre para 100% daquela população, tirando casos específicos como foram os professores, os trabalhadores da educação. Mas para as faixas etárias a gente abre para 100% dessa população já olhando D1 e D2. Então nesse momento a gente tem trabalhado com muito critério, planejamento, e olhando sempre. E lembrando que o ministério, muitas vezes, como o próprio governador já disse, ele te dá uma narrativa, mas você tem que olhar como Estado com muito zelo para essa narrativa, porque pode ser que você possa tender a tudo, pode ser que não. Então a gente tem que saber exatamente qual o público, qual faixa etária, e como trabalhar. Então o planejamento e a logística do Plano Estadual de Imunização tem sido rigoroso, e a gente tem mantido isso de forma assim muito concreta, então traremos novas informações a partir da reunião de amanhã.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Regiane. Daniela, muito obrigado. Vamos agora online, William Cury, da TV Globo, Globo News. Will, você já está no ar, muito obrigado pela sua participação, sua pergunta, por favor.

WILLIAM CURY, REPÓRTER: Boa tarde, governador. Boa tarde, a todos. Eu tenho duas perguntas, mas são bem simples. A primeira é sobre o cronograma da vacinação aqui no Estado de São Paulo, porque conforme foi dito, amanhã já entra uma nova faixa etária na vacinação. E o mais importante eu acho que é na semana que vem, que aí entram pessoas a partir de 60 anos, aí é maior quantidade de pessoas que podem entrar de uma só vez na vacinação. Com esse atraso que nós tivemos da chegada do IFA e consequentemente na produção e entrega da Coronavac para o Programa Nacional de Imunizações, eu queria saber se esse cronograma para as pessoas acima de 60 anos, ele pode ser alterado, ou se ele já está certo, independentemente da data que for chegar a um novo lote do IFA lá da China, se já tem dose suficiente para essa faixa etária. A minha segunda pergunta é em relação à Butanvac, quando que o Butantan vai enviar os dados que faltam para a ANVISA poder aprovar? Foi pedido o censo de urgência para a ANVISA, mas a ANVISA fez uma devolutiva para o Butantan pedindo alguns dados que estão faltando, eles vão ser entregues quando? Obrigado.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Will. Vamos responder às duas questões, começando pelo cronograma de vacinação para a faixa etária de 60 anos, acima de 60 anos, está mantida, o cronograma está mantido, será exatamente aquilo que foi anunciado. Mas quem pode responder com a precisão da ciência é a doutora Regiane de Paula, coordenadora do Programa Estadual de Imunização.

REGIANE DE PAULA, COORDENADORA DO PROGRAMA ESTADUAL DE IMUNIZAÇÃO DE SÃO PAULO: Boa tarde, William. Obrigada pela pergunta. A gente mantém sim o cronograma, como disse o governador, porque quando nós já tínhamos uma estimativa que tinha sido nos informada pelo Ministério da Saúde, pela Fiocruz, e dentro dessa estimativa nós já fizemos um redutor, que esse redutor ele vem acontecendo nas últimas entregas. São praticamente oito entregas em que nós tivemos um quantitativo a menor de doses. Por isso que nós fomos tão criteriosos em ter um quantitativo de doses da Fiocruz, para que a gente possa abrir sim a faixa etária de 60, 61 e 62 anos. E amanhã a faixa etária de 63 anos. Mas sempre lembrando que quando a gente tem uma indicação do Ministério da Saúde, do quantitativo de doses da Fiocruz, a gente precisa ser muito cuidadoso, e olhar com critério quem é esse grupo etário que a gente vai abrir, porque eu tinha uma expectativa de uma chegada de 2 milhões de doses, e, de fato, chegam 1,400 milhão de doses. Então tudo isso nos leva a ter que o tempo todo ser muito mais conservadores na forma em que nós vacinamos no Estado de São Paulo. Precisamos de mais vacinas, precisamos de um quantitativo maior de vacinas. E com isso a gente consegue avançar. Não podemos o tempo todo ter essa redução, isso realmente causa na população uma dúvida, uma dor, porque todos esperamos avançar. E quando entrarmos em comorbidades, quando entrarmos na questão das gestantes, ainda aguardamos também uma sinalização do Ministério da Saúde para nos dizer quando ele enviará essas doses. Ele colocou no papel, mas ele não disse quando enviará as doses para essas faixas etárias. Então a gente também espera por isso. Obrigada, Will.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Regiane. Will, sua segunda pergunta, sobre a Butanvac, será respondida, evidentemente, pelo Dimas Covas.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: William, nós recebemos os questionamentos ontem à noite, e já estamos trabalhando nas respostas. O Butantan tem um time que trabalha sete dias por semana, dada a urgência da pandemia. O que nós queremos da ANVISA é urgência nas suas exigências o processo original foi submetido no dia 26 de março. Muitas das questões que vieram são relativas a processo produtivo, e não ao estudo clínico per si. Portanto, já poderiam ter sido solicitadas. É isso que nós queremos da Anvisa, agilidade, que ela faça as perguntas que ela tem que fazer no menor prazo possível, para isso eles estão lá, para isso eles são contratados, para isso eles são pagos. Então, no momento de pandemia, queremos celeridade. Nós estamos, do lado de cá, prontos para responder qualquer pergunta, qualquer questionamento, da forma mais transparente e rápida possível. Mas eu tenho que lembrar uma outra coisa: A fábrica que produz, que está produzindo, iniciando a produção da Butanvac, é uma fábrica certificada pela Anvisa, é uma fábrica que tem boas práticas de fabricação, pela Anvisa, é uma fábrica que produz anualmente vacina da gripe, que é o usada em cada um de três brasileiros, 80 milhões de doses. E agora, foi pré-certificada pela Organização Mundial da Saúde. Portanto, a Anvisa tem elementos nas suas mãos para fazer essa análise o mais rapidamente possível, e autorizar o início do estudo clínico, que é isso que nós queremos. Queremos fazer essa vacina, que está sendo produzida e que estará em grande volume disponível, chegar aos brasileiros, no mais curto período de tempo possível. E pra isso, nós precisamos da nossa Anvisa. Anvisa, Anvisa, nos ajudem, ajudem o povo brasileiro a ter mais uma vacina, no mais curto tempo possível. É isso que nós precisamos. Obrigado.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Dimas. Willian Cury, muito obrigado pelas perguntas. Vamos agora à penúltima intervenção, é do Felipe Freitas, do Portal IG. Felipe, boa tarde, bem-vindo, sua pergunta, por favor.

FELIPE FREITAS, REPÓRTER: Obrigado, governador. Boa tarde, boa tarde a todos. A minha primeira pergunta é com relação, mais ou menos... É com relação à Anvisa também. A vacina Coronavac, se já tem algum prospecto sobre o registro definitivo dela, se já tem, se vocês conversaram com a Anvisa sobre isso e se há já uma data mais ou menos certa sobre quando essa vacina terá o registro definitivo aprovado. E uma outra, eu gostaria de um comentário do Governo do Estado. O Ministério da Saúde anunciou que vai fazer um estudo, mais ou menos no estilo que foi feito em Serrana, só que com a vacina AstraZeneca, imunizando a população adulta de lá. Gostaria de saber se o Governo do Estado conversou com o Governo Federal ou se é uma ação apenas do Governo Federal, sem gerência do Governo do Estado. Obrigado.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Felipe. Primeira pergunta será respondida pelo Dimas Covas, a segunda por João Gabbardo. Por favor, Dimas.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: Bom, com relação ao estudo em Serrana, só gostaria de mencionar que esse é um estudo inédito no mundo, é um estudo, um tipo de estudo que pode servir de paradigma para avaliação de vacinas, principalmente em momentos delicados como esse. Então, que bom que o estudo que foi feito em Serrana já esteja produzindo os seus frutos. Queremos que outros locais, outros países, usem essa iniciativa, aprendam com essa possibilidade, de testar muito rapidamente, a eficiência de uma vacina. Então, ótimo, estão aprendendo, estão incorporando essa experiência muito rapidamente. Com relação ao registro definitivo, estamos em processo. É um processo que está seguindo o seu curso normal, quer dizer, não estamos colocando prioridade nesse registro nesse momento, porque não se trata mais da urgência, porque a vacina está em uso. Mas estamos caminhando e brevemente, obviamente, esperamos ter o registro definitivo. Obrigado.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado. Antes de passar ao Gabbardo e à Patrícia, ambos farão a resposta à sua questão, sobre este novo estudo em Botucatu, Felipe. É impressionante, nós temos que ter a velocidade da Fórmula 1 para o combate à pandemia, e é o que temos aqui em São Paulo. Enquanto isso, o Governo Federal faz a fórmula lenta. Ele está sempre depois, sempre atrasado, sempre chega fora de hora. Este é o Governo Federal, este é o Ministério da Saúde, diante de uma pandemia, que já levou a vida de quase 400 mil brasileiros. Por favor, Gabbardo.

JOÃO GABBARDO, COORDENADOR EXECUTIVO DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: Boa tarde, governador. Bom, primeiro lugar, nós entendemos como muito positiva essa ação, essa pesquisa que também vai ser feita em Botucatu, uma vez que a gente já tem um estudo em andamento no município de Serrana, que vai responder uma série de questionamentos, uma série de dúvidas que toda a população e todo o setor da ciência brasileira espera, em relação ao uso da vacina. Então, o fato de nós termos duas vacinas hoje, que estão sendo utilizadas pela população brasileira, apesar de uma ter um percentual bem maior do que a outra, é muito importante que nós também tenhamos mais informações sobre o uso da vacina da AstraZeneca, tanto no aspecto da eficácia, no aspecto da segurança, no aspecto do monitoramento dos efeitos colaterais, e também do resultado final, da eficiência da vacina, que é aquilo que acontece na prática, na realidade, no mundo real, de como que a população ficará protegida com essa vacina. Então, entendemos que é positivo essa pesquisa, que também será feita aqui no Estado de São Paulo.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Gabbardo. E antes de passar à Patrícia, Felipe, um outro comentário: o presidente Jair Bolsonaro cancelou a destinação de R$ 200 milhões para o estudo da vacina, que ele anunciou com pompa e circunstância, acelerou uma coletiva no mesmo dia que nós lançamos aqui a Butanvac, às pressas, desorganizadamente, uma coletiva no lobby do Palácio do Planalto, com o ministro da Ciência e Tecnologia, com o ministro da Saúde, nem sabiam direito o que estavam falando, para falar de um vacina desenvolvida pela Universidade de São Paulo, em Ribeirão Preto. Vocês se lembram disso. Pois ele cancelou os R$ 200 milhões que havia anunciado para o desenvolvimento dessa vacina. De novo: esse é o Governo Federal, esse é o Governo que acredita na ciência, acredita na saúde, aposta na vida das pessoas e não na morte. É mau exemplo atrás de mau exemplo. Patrícia.

PATRÍCIA ELLEN, SECRETÁRIA ESTADUAL DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO: Obrigada, governador. Eu vou até tomar a liberdade pra falar não somente como secretária de Ciência e Tecnologia do Estado, mas também como presidente do Conselho Nacional de Secretários Estaduais de Ciência e Tecnologia. E corroboro, governador: Nós agora não precisamos de anúncios, nós precisamos de recursos. Houve um corte, anunciado na sexta-feira, de mais de R$ 300 milhões, além do da vacina, no orçamento nacional de ciência e tecnologia. Hoje, esse orçamento é menos de um terço do que ele era em 2019. O Estado de São Paulo, o governador João Doria, honrou o compromisso de não somente manter o orçamento de ciência e tecnologia do Estado, como agora, na verdade, ele vai aumentar, proporcionalmente, com a reforma administrativa, e com as parcerias privadas que estão complementando. Mas eu estou acompanhando de perto o dilema dos secretários de outros Estados. E é desesperador. Nós nunca precisamos tanto de investimento em ciência e tecnologia como nós precisamos agora. Então, nós não precisamos de anúncios, nós precisamos de recursos. Quanto ao estudo, é um estudo que está sendo feito, não é com o sistema do Estado de São Paulo. Na verdade, é o Dr. Carlos Fortaleza, do Hospital de Botucatu, vinculado à Unesp, que comprova o valor de investir na ciência. Integrante do Centro de Contingência, e esse trabalho está sendo feito lá, como deve ser feito. Ciência não é política, ciência é técnica, e o melhor ecossistema que nós temos pra esses estudos está em São Paulo, graças ao investimento em nossas universidades estaduais, em todo o ecossistema, graças à Fapesp, nossa Fundação de Amparo à Pesquisa. Falo como cidadã também: nos dá muito orgulho ver que isso está acontecendo aqui, mas também muita preocupação. Precisamos que o Governo Federal acelere e, de fato, invista. Nós não precisamos de anúncios, precisamos de recursos. Muito obrigada.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: E mais do que anúncios, precisamos de atitude. Agora, deixa o presidente Jair Bolsonaro saber que o Carlos Fortaleza, um grande médico, um especialista, integra o Centro de Contingência do Covid-19. Mas vai cancelar essa pesquisa no dia seguinte. Escrevam aí, escrevam. Ele não sabe, aliás, ele não sabe de nada, é o presidente da República do Whatsapp, das redes sociais dos filhos. E o resto do tempo, brinca de videogame, enquanto os brasileiros morrem. Uma tristeza.

Bem, vamos agora à última pergunta, da Marina Pinhoni, do Portal G1. Marina, obrigado pela sua presença, boa tarde. Sua pergunta, por favor.

MARINA PINHONI, REPÓRTER: Boa tarde, boa tarde, governador, boa tarde a todos. A minha pergunta é para o senhor, e também para o Dr. Dimas Covas. O senhor mesmo disse que a Coronavac corresponde a 80% da imunização do plano nacional. Mas a gente tem algumas dúvidas em relação aos lotes que foram negociados com o Ministério da Saúde. Quando houve o atraso do IFA, o Butantan postergou a entrega das 46 milhões de doses, referentes ao primeiro lote, para o dia 3, para iniciar no dia 3. Eram para ser entregues no dia 30 de abril. Só que o segundo contrato com o Ministério da Saúde, que é o de 54 milhões de doses, na época que ele foi assinado, a gente teve acesso ao contrato, e ele apontava que 12 milhões de doses já deveriam ser entregues no final de maio. Então, eram 6 milhões de doses até o dia 30 de abril e mais 6 milhões de doses até o final de maio. [ininteligível] O Ministério da Saúde já revisou essa entrega e agora só prevê 5,6 milhões da Coronavac até o final de maio. Eu queria entender, porque o senhor mesmo disse que não, que só teve um atraso, não teve mais atrasos. Eu queria entender se essas 11 milhões de doses do segundo contrato, que deveriam ser entregues até o fim de maio, se isso se deve à falta de IFA ou se houve uma renegociação com o Ministério da Saúde. Obrigada.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Permite um bom esclarecimento, Marina. Vou pedir ao Dr. Dimas Covas, para esclarecer. Até o enunciado da sua pergunta, eu não quero corrigir, mas o Dimas vai expor de maneira clara que não é exatamente como você colocou. Mas vamos esclarecer. O importante é que a sua pergunta permite um esclarecimento completo sobre isso. E não é nenhum problema industrial, tecnológico ou de ação do Instituto Butantan. O problema que houve foi o embarque do IFA da China. Mas o melhor esclarecimento é de quem comanda o Instituto Butantan, Dr. Dimas Covas.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: Bom, começando pela previsão. Como eu disse, o contrato dos 54 milhões é de fevereiro. E portanto, fevereiro pra cá, mudaram as condições, inclusive a questão de cronograma. Mas nós fizemos um cronograma inicial até setembro, e já reprogramamos esse cronograma para terminarmos em agosto. Nesse momento, nós temos 5,6 milhões de doses prontas, das quais entregamos, na sexta-feira, 600 mil. Portanto, completamos os 46 e já iniciamos os 54 milhões. Na chegada de 3.000 ou 6.000, cumpriremos tranquilamente o que tem sido apresentado ao Ministério, semanalmente. Semanalmente, nós atualizamos a grade de vacinas disponíveis do Butantan, tanto para o Ministério como para a nossa Secretaria da Saúde, que faz o planejamento da distribuição das vacinas. É importante, o Butantan não tem responsabilidade na logística e no alocamento das doses. O Butantan simplesmente fornece a sua grade de produção, dentro do que está... Do contrato e dentro da previsão da chegada de matéria prima. A partir daí, é responsabilidade do próprio Ministério planejar a utilização dessas doses, quer dizer, não cabe a nós dizer ao Ministério como ele deve distribuir essas doses. Daí, esses impasses que às vezes acontecem em relação à segunda dose. Não é responsabilidade do Butantan, o Butantan está cumprindo a sua parte, fazendo todo o esforço, inclusive, para adiantar as vacinas. Dependemos da matéria prima, sim, pode ter algum ou outro problema em termos de tempo, sim, mas nesse momento não há nenhuma perspectiva que leve a prever que teremos dificuldades maiores nesse momento.

MARINA PINHONI, REPÓRTER: Mas essas que estavam previstas, já pra maio, elas... Houve essa mudança mesmo? Essas 12 milhões até o fim de maio?

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: Isso foi previsto lá na assinatura do contrato. As condições hoje já são outras, os cronogramas já são outros, o próprio Ministério tem divulgado os cronogramas atualizados.

MARINA PINHONI, REPÓRTER: Obrigada.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, eu que agradeço a você, Marina. Nós vamos para o encerramento da coletiva de hoje. Mas antes, mais uma vez atendendo ao pedido dos cinegrafistas e fotógrafos, a quem eu tenho enorme respeito... São profissionais tão importantes quanto os repórteres que estão aqui, cumprindo seu dever de informar corretamente. Então, vamos para uma fotografia. Acho que todos aqui têm uma caixa da Butanvac para fazermos uma imagem final. E aos que estão em casa ainda nos acompanhando, ao vivo, nesse momento, pela Record News, pela TV Cultura, pela BandNews, por favor, continuem usando máscara, façam distanciamento social, procurem não sair de suas casas e respeitem a orientação e os protocolos sanitários. Lave as mãos constantemente, use álcool em gel, proteja a sua vida e a vida dos seus familiares. Vamos então à fotografia.