Coletiva - SP conclui entrega de 46 milhões de doses de vacinas contra COVID-19 ao Brasil 20211205

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Coletiva - SP conclui entrega de 46 milhões de doses de vacinas contra COVID-19 ao Brasil 20211205

Local: Capital – Data: Maio 12/05/2021

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JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Pessoal, obrigado pela presença de todos. Aqui, eu estou ao lado do Jean Gorinchteyn, secretário da Saúde do Estado de São Paulo, também da Regiane de Paula, nossa coordenadora do Programa Estadual de Imunização e também do Programa Nacional de Imunização, aqui no Estado de São Paulo. E aqui à minha esquerda e à direita de vocês, nós temos o Reinaldo Sato, que é o superintendente da Fundação Butantan, e o Rui Curi, que é o presidente da Fundação Butantan. Quero começar mencionando que exatamente agora o presidente do Instituto Butantan, Dimas Covas, está em reunião virtual com o embaixador do Brasil em Pequim, tratando exatamente dos temas para a ação diplomática do Itamaraty, em Pequim, para liberação dos insumos e o embarque para o Brasil. Nós estamos com 10 mil litros de insumos prontos no laboratório Sinovac, aguardando autorização para embarque ao Brasil. Vocês estão acompanhando, desde a semana passada, o entrave diplomático devido às críticas que foram feitas, de forma aberta, desproporcional, desnecessárias e a meu ver equivocadas também, em relação à China, ao governo da China, à vacina da China. Isso criou um entrave para o envio de mais insumos para o Brasil, de acordo com o contrato que o Instituto Butantan possui com o laboratório Sinovac, com sede em Pequim, na China. O nosso escritório em Xangai, o diretor do escritório está residindo, desde a semana retrasada, em Pequim, a nosso pedido, para acompanhar diariamente os temas relativos aos procedimentos de ordem diplomática, para liberação, pelo governo da China, destes insumos. São 10 mil litros, o que corresponde a mais de 18 milhões de doses da vacina do Butantan, para serem produzidas aqui. Eu quero registrar que o chanceler brasileiro, embaixador e ministro Carlos França, tem ajudado, tem colaborado e também sinto disposição da ajuda do embaixador da China em Brasília, Yang Wanming, para que essa liberação possa ocorrer o mais rápido possível. Mas o fato é que ainda não temos esta informação e, portanto, não há liberação ainda desses insumos, o que nos deixa muito preocupados, pois estamos chegando ao final da entrega, na próxima sexta-feira, das vacinas, das doses, com os insumos que recebemos há 17 dias passados. Se não recebermos mais insumos, para produção de mais vacinas, nós, infelizmente, teremos que parar a produção, por falta de insumos. É muito importante que a diplomacia brasileira, que o ministro das Relações Exteriores, os embaixadores do Brasil na China em Pequim e o embaixador da China em Brasília possam atuar para que o governo chinês libere o embarque desses 10 mil litros dos insumos da vacina do Butantan. Mas hoje, quero informar que nós estamos entregando no caminhão que está aqui atrás mais 1 milhão de doses da vacina do Butantan, e com isso chegamos a 46.112.000 doses da vacina do Butantan, entregues para o Ministério da Saúde, para aplicação e a proteção de milhões de brasileiros. E assim, concluímos, Jean Gorinchteyn, Sato e Rui, a primeira etapa do contrato com o Ministério da Saúde, que era exatamente 46 milhões de doses da vacina do Butantan. Já vamos muito em breve estar entregando mais 1 milhão de doses, mas o que nos preocupa é exatamente a falta de insumos para produção de mais vacinas. Eu vou pedir aqui as perguntas dos jornalistas, para que possamos avançar, e talvez com a Dra. Regiane podendo esclarecer um pouco mais sobre este tema da vacinação, assim como o Jean Gorinchteyn e, da mesma maneira, o Sato. Nós vamos começar com a Folha de São Paulo. Na sequência, a TV Globo, GloboNews, Rádio e TV Bandeirantes e o Portal UOL. Vamos começar então com a Ana Bottallo, da Folha de São Paulo. Ana, bom dia, obrigado por estar aqui conosco, sua pergunta, por favor.

ANA BOTTALLO, REPÓRTER (FOLHA DE S.PAULO): Bom dia, governador, bom dia, Dr. Jean, Dra. Regiane. Com a nova orientação do Ministério da Saúde, então, para utilizar as vacinas Coronavac e Pfizer nas gestantes, o governo estadual pretende retomar a vacinação desse grupo? Em relação aos efeitos adversos com a vacina AstraZeneca, houve alguma notificação no Estado de São Paulo de um efeito adverso grave pós vacinação? Obrigada.

REGIANE DE PAULA, COORD. GERAL DO PROGRAMA ESTADUAL DE IMUNIZAÇÃO: Bom dia a todos, governador, obrigada, obrigada pela pergunta. Nesse momento, o Estado de São Paulo mantém a não vacinação das grávidas. Nós, ontem à noite, soltamos uma nota técnica, porque nós precisamos que o Ministério da Saúde nos norteie. Numa coletiva de imprensa ontem, por volta das 18h, nós tivemos algumas informações, mas nós precisamos mais que isso, precisamos de uma nota técnica dizendo qual a vacina a ser usada. Nós temos, sim, condições de usar a vacina da Pfizer no município de São Paulo, mas os outros municípios precisam da vacina do Butantan. Então, precisamos que o Ministério nos dê esse norte. É muito importante vacinar. O evento raro, adverso raro, não aconteceu no Estado de São Paulo. Nós temos outros eventos relatados, mas eventos leves e moderados. Evento raro, como esse, não aconteceu no Estado de São Paulo. Mas a gente se solidariza com a família dessa gestante, com a perda dessa vida, desse bebê, e estamos trabalhando para que isso realmente, a gente possa regularizar o quanto antes essa situação no Estado de São Paulo. Mas ontem, mesmo antes de qualquer nota do Ministério da Saúde, o Estado, junto com o Dr. Jean, rapidamente, de manhã, né, Jean? No início da manhã, tomamos a decisão de não vacinar nenhuma gestante com comorbidades e puérperas no Estado de São Paulo, e vamos continuar assim até que o Ministério, de forma técnica, nos dê qual é aquilo que nós devemos realmente proceder, e de que forma proceder, e não somente através de uma coletiva de imprensa. Obrigada.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Regiane. Eu vou pedir, Ana, que o Jean Gorinchteyn, nosso secretário da Saúde, possa dar algumas informações adicionais. Como todos sabem, além de secretário da Saúde, ele é médico infectologista do Instituto Emílio Ribas. Por favor, Jean.

JEAN GORINCHTEYN, SECRETÁRIO ESTADUAL DA SAÚDE: É sempre importante lembrar a qualidade e a segurança da vacina da AstraZeneca e da Fiocruz. É uma vacina eficaz, uma vacina segura. E houve, sim, um evento adverso raro, grave e isolado. Nós temos que aguardar inclusive uma norma técnica do próprio Ministério e da Anvisa, se um caso raro isolado justificaria nós não vacinarmos de forma muito mais ampla e célere as grávidas. Nós entendemos que os eventos que podem acontecer em decorrência ao Covid, para estas mulheres, podem ser infinitamente maior e em grande escala, tanto para a mamãe quanto para o seu bebezinho. Então, nós temos realmente que avaliar para poder dar continuidade e celeridade na proteção dessas mulheres.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Jean. Ana, muito obrigado. Vamos agora com a Isabela Leite, da TV Globo, GloboNews. Bom dia, Isabela.

ISABELA LEITE, REPÓRTER (GLOBONEWS): Bom dia a todos. Governador, eu queria entender melhor então a situação de momento do IFA. Na segunda-feira, o Dr. Dimas havia dado uma previsão e uma expectativa, de 4 mil litros de IFA a serem embarcados amanhã. Eu queria saber se nem isso está confirmado e de que forma esses 10 mil litros, eles podem garantir o cronograma de vocês em relação a esse novo contrato, que se inicia na sexta-feira, de mais 54 milhões de doses. São 10 mil litros prontos, mas já há uma preocupação de que, depois disso, nem haja mais uma liberação? E só uma pergunta para o Dr. Jean: Hoje, a Folha de São Paulo traz uma informação de que já há uma preocupação do Centro de Contingência do esgotamento, em relação às medidas de quarentena, e que o governo já estuda uma nova estratégia de testagem em massa. Queria entender também como que isso já está sendo discutido dentro do governo, obrigada.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Ok. Vamos pela ordem, Isabela. Em relação ao contrato com o Ministério da Saúde, o Instituto Butantan mantém a sua previsão, que é de entrega de 100 milhões de doses até 30 de setembro. Mas isso poderá ser revisto, poderá ser revisto pela falta de entrega de insumos. Nós temos hoje essa conferência que acontece neste exato momento, uma conferência virtual com o embaixador do Brasil em Pequim. Havendo uma resposta positiva entre hoje e amanhã, o embarque continua sendo programado. Não tendo resposta, evidentemente, não teremos autorização do governo da China para o embarque de até 10 mil litros. O laboratório Sinovac tem prontos para o Brasil, separados, reservados e refrigerados, 10 mil litros de insumos para a vacina Coronavac, a vacina do Butantan. Poderá liberar 4 mil, 6 mil, 8 mil ou até mesmo os 10 mil, que é a reivindicação feita pelo Dr. Dimas Covas, presidente do Instituto Butantan. Mas nós temos um entrave diplomático, é preciso ficar muito claro isso, entrave esse provocado pelas críticas e pelas agressões feitas à China. Nenhum país se sente bem sendo agredido por outro país, de maneira desnecessária e absolutamente equivocada. Então, nós temos que superar esse entrave diplomático para termos a liberação do embarque desses insumos, esperando que isso possa ocorrer o mais breve possível. Mas repito, enquanto tivermos um entrave diplomático não superado, a China não autorizará o embarque destes litros de insumos para a produção da vacina do Butantan. Jean Gorinchteyn.

JEAN GORINCHTEYN, SECRETÁRIO ESTADUAL DA SAÚDE: Governo do Estado de São Paulo entende que nós temos que nos adaptar ao Covid. Assim como aconteceu em 2009 com o H1N1, o vírus da gripe, que até hoje nós temos vacinas e todas as prevenções que são feitas para populações específicas, nós vamos fazer isso em relação... e já estamos fazendo isso em relação ao próprio Covid. A vacinação já é uma realidade, e as vacinas, elas vão fazer parte do calendário vacinal dos vários grupos etários, assim como é para a gripe. Mas, por outro lado, essa convivência nos exige conhecer melhor a dinâmica do vírus, em várias populações e setores, especificamente, até para que possamos estabelecer medidas sanitárias mais enérgicas a um setor específico, e não obrigatoriamente a toda a população. Dessa forma, o alinhamento do Governo do Estado, da Secretaria de Estado da Saúde, a Secretaria de Desenvolvimento Regional e também a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, faz essas tratativas com os setores e municípios, para que possamos fazer muito mais diagnóstico precoce, identificar quem são aquelas pessoas que têm poucos sintomas, ou até sem sintomas, para que, imediatamente, elas sejam isoladas, as pessoas, no seu entorno, também testadas, para que nós estejamos diminuindo a transmissão na nossa população. A gente sabe que, com a vacina, eu diminuo internações e casos graves. Mas... E inclusive mortes. Mas a gente não diminui a transmissão. Então, usando essa metodologia de testagem em grande quantidade, nós poderemos realmente diminuir também o número de casos.

REPÓRTER: [pronunciamento fora do microfone].

JEAN GORINCHTEYN, SECRETÁRIO ESTADUAL DA SAÚDE: Sempre parceria, o governo do Estado ele vai fazer a sua parte, vai ajudar, vai orientar, vai dinamizar, mas nós precisamos de parceria. Isso é um acordo coletivo entre as partes. Assim como é as medidas sanitárias, são pactos que nós fazemos com a comunidade, e assim que faremos em relação à testagem.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DE SÃO PAULO: Obrigado, Jean. Obrigado, Isabela. Vamos agora com a Bruna Barbosa, da Rádio e TV Bandeirantes. Bruna, mais uma vez, bom dia. Por favor.

BRUNA BARBOSA, REPÓRTER (GRUPO BANDEIRANTES): Bom dia, governador. Queria dois esclarecimentos antes da minha pergunta, para que não surjam dúvidas. A doutora Regiane falou que houve um evento adverso leve ou moderado, pelo menos, até o momento tem grávidas aqui no estado. Queria saber o que é que aconteceu com essas grávidas, só para que a gente tenha isso bem claro. Governador, até sexta-feira a produção do Instituto Butantan não está parada então, por enquanto temos a fábrica funcionando, é isso, nada de paralisação por aqui, até sexta-feira? Na semana passada o senhor foi questionado sobre uma possível relação, uma conversa com a China, para tentar justamente destravar essa questão que tem acontecido e tem atrasado o enfio do IFA. O senhor disse que essa conversa não cabia ao senhor, que deveria ser feito pelo chanceler e pelo embaixador. O que mudou? Por que hoje o Doutor Dimas Covas precisou entrar novamente nesse circuito? Precisa falar com a China? Se São Paulo não entrar nessa jogada, de fato, o IFA não vem? Obrigada.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DE SÃO PAULO: Muito bem, começando com a Regiane, a doutora Regiane, na sequência a segunda pergunta.

REGIANE DE PAULA, COORDENADORA GERAL DO PROGRAMA DE VACINAÇÃO DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigada, governador. Obrigado, Bruna, pela pergunta. Nós tivemos notificados 118 notificações referentes a problemas de vacinação em grávidas, destas, 71 vacinações inadvertidas, ou seja, erros de vacinação. Elas foram vacinadas como sendo da gripe, na verdade, aplicaram achando que era a gripe, e era a vacina do COVID-19. E das 71 que tiveram relato de APV, das 118, 35 tiveram eventos moderados, ou seja, dores, mal-estar, cansaço, necessidade de ficar pelo menos, um dia em casa, mas nada grave. Então os eventos foram de leve, ou seja, vacinações que era para gripe e fizeram a vacina da COVID-19, 75, e outras tiveram esses eventos, que foram eventos moderados, principalmente dor no local, dor de cabeça, náuseas. Então foram eventos adversos moderados. Ok? Obrigada, governador.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DE SÃO PAULO: Obrigado, Regiane. Em relação à sua segunda pergunta, Bruna, o doutor Dimas Covas tem sido convidado a participar junto com a chancelaria brasileira, e a diplomacia do Brasil, desses encontros, como já fez na última sexta-feira ao participar de uma conferência virtual que envolve o chanceler brasileiro, o chanceler Carlos França, assim como o ministro Paulo Guedes, o ministro Marcelo Queiroga, a presidente da Fiocruz, e ele como presidente do Instituto Butantan. Foi uma reunião virtual na última sexta-feira. Hoje ele está participando nesse momento de uma conferência virtual, também reunindo a chancelaria brasileira, e o embaixador do Brasil em Pequim. Ele foi convidado ontem, e ele conduz esse processo, até porque, como presidente do Instituto Butantan tem a autonomia, tem a autoridade, e é quem tem a relação direta com o Laboratório Sinovac. O que nós podemos assegurar é que não há nenhum problema com a disponibilidade dos insumos, os insumos foram produzidos e atendidos, nós temos imagens, fotografias dos insumos que estão prontos, embalados, refrigerados, aguardando tão somente a autorização do governo da China, para serem embarcados e enviados para o Instituto Butantan aqui em São Paulo. Mas eu volto a repetir, Bruna, é um tema de diplomacia, e a diplomacia quem faz é a chancelaria do Brasil, não é o governo do estado de São Paulo, quem tem que fazer isso é o embaixador da China em Brasília, o embaixador do Brasil em Pequim. E a conduta deve ser do Itamaraty, é o Itamaraty que é o responsável pelas eles internacionais do Brasil. Mas sempre com o nosso acompanhamento direto. E ressalto também as nossas boas relações com a China, o governo da China, e a embaixada da China em Brasília.

BRUNA BARBOSA, REPÓRTER: [Ininteligível]?

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DE SÃO PAULO: Vamos agora... Não, não, perdão, você tinha feito uma terceira pergunta, e eu não respondi, desculpe. Não, a produção segue em curso, na próxima sexta-feira nós estaremos aqui às oito da manhã, fazendo uma nova entrega de vacinas, ainda dos insumos que foram recebidos há 17 dias aqui em São Paulo. Mas depois disso não temos mais insumos, não tendo mais insumos não teremos mais vacinas. O que é gravíssimo, diante das circunstâncias em que o Brasil precisa de vacinas, e precisa acelerar a sua vacinação. Eu espero e desejo que o Ministério das Relações Exteriores do Brasil consiga concluir, reparar os danos que foram feitos em declarações inadequadas, para que o governo da China autorize a liberação desses insumos. Obrigado, Bruna. E agora a última pergunta do Leonardo Martins, do UOL. Leonardo, mais uma vez, bom dia. Obrigado pela presença.

LEONARDO MARTINS, REPÓRTER (UOL): Bom dia, governador. Bom dia, a todos. Aproveitando que você está na frente, governador, eu queria te fazer uma pergunta sobre a China ainda. O Itamaraty dá uma versão diferente sobre a história, ele diz que na verdade, não há um problema diplomático e joga esse problema dos insumos, os atrasos na conta da China em questão de sobrecarga, que tem que enviar para outros países, e que não teria nenhum problema aí afastando as críticas que o senhor faz ao governo Bolsonaro, sobre as críticas à China. A população está no meio dessa história e não sabe em quem acreditar. Como é que o senhor provaria que há um problema diplomático, isso foi informado pela embaixada? Como isso é visto pelo senhor? E Jean eu gostaria de perguntar para o senhor secretário, essa testagem em massa vai ser uma orientação, uma mudança na orientação, junto com a pasta da Patrícia, para os setores do comércio, para eles investirem em teste, é isso? Bom dia, obrigado.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DE SÃO PAULO: Leo, o problema da diplomacia não é de hoje, já há meses que o governo da China manifesta a sua insatisfação e manifesta a sua perplexidade diante dos ataques que são feitos pelo Presidente da República, pelos seus filhos, por alguns parlamentares, e também mais recentemente até mesmo pelo ministro da Fazenda do Brasil. Evidentemente que há um desconforto por parte da China, e a China que tem a possibilidade de ser o grande fornecedor de insumos do Brasil, tanto para a vacina do Butantã, quanto da vacina da Fiocruz, simplesmente não autorizou e não liberou a exportação desses insumos. Diferentemente do Chile, quero voltar a lembrar aqui, o nosso país vizinho Chile segue o seu programa vacinal de forma acelerada, com a Coronavac, a Coronavac representa mais de 60% de toda vacinação já feita no Chile até o presente momento. O Chile é um dos países mais avançados na proporção de vacinação da sua população, e recebeu na semana passada uma nova carga de insumos do Laboratório Sinovac, para a produção da vacina Coronavac, e a imunização dos chilenos. Ora, o Chile não agride a China, o presidente do Chile, ao contrário, elogia e agradece ao governo da China, recebeu inclusive no aeroporto uma carga de insumos vinda de Pequim, do mesmo Laboratório Sinovac, que atende o Instituto Butantan. E lá o fluxo segue normal. Por que não seguiria aqui? Porque há um problema diplomático com o Brasil, fruto das agressões constantes que infelizmente são feitas à China, ao povo chinês, e a própria vacina da China. Tudo o que nós não precisamos nesse momento é agredir a China, o povo chinês, e a vacina da China, é a vacina que está salvando milhões de brasileiros, o que nós precisamos é agradecer, exaltar e reconhecer que a China hoje é a maior produtora de insumos para vacinas contra COVID-19 do mundo. A vacina AstraZeneca é uma vacina feita com insumos produzidos na China, assim como a vacina Coronavac. E aproveito também, Leo, para dizer que é o momento para que a ANVISA possa liberar a testagem, como nós já solicitamos desde a semana retrasada, da Butanvac, uma vacina que não depende de insumos importados, ela é produzida integralmente aqui. Aliás, nós já iniciamos a produção desta vacina, da vacina Butanvac, aqui no Butantan. Mas vamos, evidentemente, aguardar a utilização da ANVISA para a testagem, e depois a liberação para o início da imunização. Mas nós já autorizamos, como o governador do estado de São Paulo, com recursos do tesouro, e recursos do Butantan, a produção de 40 milhões de doses da Butanvac, que, repito, não precisa de insumos, da importação, e nem depende da diplomacia, depende apenas da liberação científica e técnica, e nós respeitamos isso, mas entendemos que é preciso celeridade, senso de urgência para essa liberação. E aí nós teremos uma vacina produzida aqui, onde nós estamos no Instituto Butantan, com tecnologia, e a capacitação que tem o Butantan, ao longo dos seus 120 anos produzindo vacinas. Obrigado, Leo. E agora vamos ao Jean Gorinchteyn.

JEAN GORINCHTEYN, SECRETÁRIO ESTADUAL DA SAÚDE: Todos os setores de lazer, comércio, de serviços, tem interesse e nos solicitam formas de continuar progredindo no seu trabalho, na sua possibilidade de ampliação econômica, tanto de horários, quanto de possibilidades, e sempre nos solicitam essa ajuda. O governo do estado de São Paulo está criando ferramentas de acompanhamento e de monitorização desses setores, e em breve estaremos dividindo à toda imprensa quais serão as estratégias tomadas. Elas não ocorrerão para toda a população, para todos os setores, mas elas acontecerão pontualmente, e darão a condição, a possibilidade de nós entendermos cada um dos setores em específico, para que medidas, especialmente as medidas sanitárias eventualmente possam ser tomadas ou redobradas pontualmente, e não obrigatoriamente para toda a população.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DE SÃO PAULO: Obrigado. Ainda complementando, Leo, fui buscar aqui mais informações, primeiro, o Instituto Butantan é o segundo maior cliente da Sinovac no mundo, só perde para o próprio governo da China. Portanto, não há nenhuma razão para que a Sinovac não queira fornecer para o seu segundo maior cliente do mundo. E nesse exato momento eu obtive aqui as informações que estão aqui no meu celular indicando, no último dia 30 a Indonésia recebeu 6 milhões de doses da vacina Coronavac. As Filipinas, 1,5 milhão de doses, e Turquia, mais 3 milhões de doses, além de 5 milhões de doses para o Chile. Não há nenhuma razão para que... Exceto o desconforto e a razão diplomática, para que a Sinovac não encaminhe os insumos para a produção da vacina aqui no Brasil. Eu volto a repetir, aliás, foi objeto de uma boa matéria exibida no Jornal Nacional anteontem, feita por um repórter que identificou que na reunião da última sexta-feira, da qual eu não participei, houve uma manifestação feita pelo embaixador Yang Wanming, que é o embaixador da China em Brasília, do seu desconforto, e do desconforto do seu país, a China, em relação às manifestações feitas pelo Presidente Jair Bolsonaro, e pelo ministro Paulo Guedes. Que, aliás, estava participando dessa reunião virtual. Entendo que também a imprensa pode cobrar do Itamaraty, cobrar do governo brasileiro, do Ministério da Saúde, o porquê da não resolução de um problema diplomático que impede a chegada de insumos para as duas vacinas, Leo, a vacina do Butantã e a vacina da Fiocruz. O prejuízo é enorme, são as duas vacinas, sobretudo, a do Butantã, que estão salvando milhões de brasileiros. E decorrente de um problema diplomático, por, repito, declarações inadequadas, nós estamos sofrendo consequências de não poder seguir o programa vacinal no Brasil. O que é lamentável. Pessoal, muito obrigado, nos veremos aqui na próxima sexta-feira, às oito da manhã. Estejam bem, se protejam, ótimo dia para todos. Hoje teremos coletiva, desculpe, nos veremos hoje ainda às 12h45min, perdão, e novamente na sexta-feira. Obrigado, Jean.