Coletiva - SP fecha semana com mais de 7 milhões de doses da vacina do Butantan entregues 20211903

De Infogov São Paulo
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Coletiva - SP fecha semana com mais de 7 milhões de doses da vacina do Butantan entregues 20211903

Local: Capital – Data: Março 19/03/2021

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JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Mais uma vez, obrigado pela presença de vocês aqui nesta manhã, manhã de sexta-feira. Na manhã de hoje, o Instituto Butantan está entregando mais 2 milhões de doses da vacina do Butantan, para o Ministério da Saúde, para vacinação em todo o Brasil. Em uma semana, ou seja, esta semana, em apenas uma semana, o Instituto Butantan e o Governo de São Paulo estão fornecendo ao Ministério da Saúde, aos brasileiros de todo o país 7,3 milhões de doses da vacina do Butantan. É o maior volume de vacinas entregues em uma semana até o presente momento. Com isso, o Instituto Butantan, o governo de São Paulo, entregam ao Brasil, neste mês de março, 24,6 milhões de doses da vacina do Butantan. Repito: Com a entrega de hoje, de 2 milhões de doses da vacina, chegamos a 24,6 milhões de doses da vacina do Butantan. Eu estive hoje aqui um pouco antes das 6h da manhã, para acompanhar a troca do turno dos funcionários, dos técnicos, daqueles que atuam 24 horas por dia, em quatro turnos, na fábrica da vacina do Butantan. Estes profissionais, eu agradeci a todos eles, são quase 400 profissionais, em turnos, porque o trabalho dessas pessoas significa a vacina, e cada vacina salva uma vida. Já são 24,6 milhões de brasileiros que estão recebendo a vacina do Butantan. E mais uma vez, reafirmo: neste presente momento, mais de nove em cada dez brasileiros vacinados estão recebendo no braço a vacina do Butantan, a vacina que salva, a vacina do Brasil. E nós estamos muito felizes por São Paulo poder, através do Butantan, Dimas Covas, disponibilizar a vacina para salvar vidas neste momento, principalmente das pessoas com mais idade. Praticamente todos os profissionais de saúde do país e trabalhadores na área de saúde já foram vacinados, faltam poucos. E já estamos bastante avançados na imunização das pessoas com a faixa etária acima de 70 anos. Hoje, na coletiva de imprensa, daqui a pouco, teremos novos anúncios sobre a vacinação. Mas felizes, Jean Gorinchteyn, em podermos alcançar este número, de 24,6 milhões de doses da vacina do Butantan, e, em uma única semana, 7,3 milhões de doses da vacina do Butantan, a vacina que salva, a vacina que os brasileiros tomam em seus braços. Nós vamos agora responder às perguntas. Logicamente, Jean Gorinchteyn, secretário da Saúde, e Dimas Covas estão aqui também à disposição. E lembro que nós estaremos na coletiva, daqui a pouco, às 12h45. São quatro, começando com a Isabela Leite, da TV Globo, GloboNews. Isabela, cadê você? Aqui. Isabela, mais uma vez, bom dia. Só pra localizar tua câmera, pra te facilitar um pouquinho... Aqui. Aliás, como sempre, né? Acordando cedo, aqui presente. Obrigado, Isabela. Precisa ligar o áudio aqui do microfone da Isabela.

REPÓRTER: Três, dois, um.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Agora, sim.

REPÓRTER: Ok. Então bom dia, governador, bom dia, Dr. Dimas.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Bom dia.

REPÓRTER: Bom dia, Dr. Jean. Governador, a gente recebeu a informação de que o presidente Jair Bolsonaro teria entrado com uma ADI, uma ação direta de inconstitucionalidade, no STF, contra três governadores, ele não citou os nomes, em relação às medidas restritivas no combate à Covid-19. O senhor foi notificado? O senhor está entre esses três governadores? E qual é o posicionamento do senhor a respeito disso? E eu gostaria, eu não sei, o Dr. Dimas ou o Dr. Jean, ou até o senhor mesmo, comentasse uma projeção que foi dada na coluna da Mônica Bergamo hoje, que dentro do governo já estão sendo discutidas projeções de 750 a 800 mortes por dia nos próximos dias. Muito obrigada.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Bem, vamos por partes. A segunda pergunta será respondida pelo Jean Gorinchteyn, secretário da Saúde do estado de São Paulo, que, ao lado do Dimas Covas, ambos integram o Centro de Contingência do Covid-19, que é composto por 21 médicos especialistas, e que determinam todos os passos que o governo de São Paulo deve ou não dar na área da saúde. Em relação à medida do presidente Jair Bolsonaro, até o presente momento não recebemos nenhuma informação, nem do Supremo nem de nenhuma outra ordem. Mas eu quero classificar como uma medida, se vier a ser praticada de fato pelo presidente da República, mostra a coerência de um negacionista. A coerência de um negacionista é contra o isolamento, é contra o distanciamento, é contra o uso de máscara, é contra a vida, é contra a proteção das pessoas, assim como é contra a vacina. Se tivéssemos um presidente que liderasse o Brasil pela saúde e pela vida, já teríamos 40% da população brasileira vacinada desde novembro, teríamos quatro ou cinco vacinas disponibilizadas para que estados e municípios pudessem vacinar a população, teríamos exemplos positivos, para o uso de máscara, para o distanciamento, a não aglomeração, e não teríamos gasto dinheiro público em quantidade para aquisição de cloroquina, e sim de vacina. Portanto, medidas como essa, se confirmadas, reproduzem exatamente o arquétipo de um negacionista, de alguém que, ao invés de fazer o bem para o Brasil, faz o mal para os brasileiros. Agora, Jean Gorinchteyn.

JEAN GORINCHTEYN, SECRETÁRIO ESTADUAL DE SAÚDE: Nós estamos na fase mais restritiva que nós já tivemos dentro do Plano São Paulo. Estávamos até domingo último no faseamento vermelho das medidas de restrição, fomos obrigados a entrar no faseamento emergencial, às custas da progressão da própria pandemia, num momento muito diferente daquilo que nós víamos no ano anterior. Elevação de número de casos, elevação do numero de internações, medidas mais restritas, que visavam diminuir a circulação das pessoas. Hoje, nós temos diariamente 17 mil casos novos sendo notificados no nosso estado, 600 mortes por dia, e mantendo a média móvel de 600 mortes por dia. É muito importante que não só o que nós temos feito, de ampliar número de leitos... Chegamos a anunciar agora, segunda-feira, 1.300 leitos, sendo que metade desses leitos, 750 leitos, só em unidades de terapia intensiva. Mas isso ainda é pouco, nós precisamos que a própria população entenda que, nesse momento, reduzir a sua circulação é fundamental. Hoje, mais do que nunca, nós precisamos que a população fique em casa, e que, se sair, saia com responsabilidade e segurança. Use máscara, evite aglomeração. Vai no supermercado, não vai a família inteira, vai um só. Procure ir, comprar o necessário, volte pra sua casa, isso é o que nós precisamos que as pessoas tenham essa consciência, porque nós temos, infelizmente, a circulação do vírus em ampla velocidade no nosso meio. Essa projeção é possível, uma vez que, por mais que nós estejamos aumentando o número de leitos, a assistência à vida, se não houver o apoio das pessoas, no sentido de evitarem a sua circulação, e essa fase emergencial visa exatamente diminuir a mobilidade das pessoas, é óbvio que, junto com as pessoas que circulam, circulam com ela os vírus e, dessa forma, mais pessoas doentes, e que acabam indo, de forma até grave, para as unidades de saúde. É importante lembrar que é uma doença grave, 40% dessas pessoas, infelizmente, morre nas unidades de terapia intensiva.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Jean, obrigado, Isabela. Vamos agora a Bruna Barbosa, da Rádio e TV Bandeirantes. Bruna, bom dia mais uma vez. Por favor.

REPÓRTER: Bom dia, governador, bom dia a todos. Há alguns prefeitos do litoral que temem uma superlotação no litoral com essa antecipação de feriado anunciada pelo prefeito Bruno Covas. Muitos disseram que vão procurar o senhor para anunciar algumas medidas mais restritivas. Queria saber se o senhor já foi procurado e qual seria a resposta para esses prefeitos. Se o Dr. Dimas também puder responder, tem previsão de chegada de mais IFA da China, para produção da Coronavac? Obrigada.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Bruna. Nós alertamos ontem à prefeitura de São Paulo de que uma medida como essa deveria ser discutida previamente com o governo do estado de São Paulo e com os prefeitos da região metropolitana, e também do litoral, e não anunciado sem esse tipo de entendimento, porque gera, evidentemente, dúvidas e preocupações em prefeitos, sobretudo do litoral de São Paulo, litoral norte, Baixada Santista e litoral sul, em relação ao volume de pessoas que poderiam se dirigir a estas cidades, diante de um feriado prolongado. Infelizmente, a decisão do prefeito foi anunciar sem este entendimento prévio, o que criou esse mal-estar com prefeitos. E nós recebemos várias manifestações de prefeitos e prefeitas do litoral, e também aqui da região metropolitana. O Centro de Contingência está avaliando essas medidas e também as manifestações que foram feitas ontem à tarde e à noite, por prefeitas e prefeitos. Hoje temos uma reunião às 11h para poder anunciar algumas medidas, e vamos atender, sim, as solicitações que forem feitas por esses prefeitos, com o objetivo de evitar a superlotação no litoral e com mais contato, mais contágio. Os prefeitos têm toda razão nessa preocupação, e nós anunciaremos durante a coletiva de imprensa de hoje as medidas que podem ser adotadas e praticadas pelo governo de São Paulo, sempre em apoio aos prefeitos e às prefeitas. As prefeituras têm autonomia para as suas decisões, e nós reconhecemos isso, mas há certas decisões que o bom senso recomenda que elas sejam compartilhadas previamente com o governo, dado ao fato de que a decisão de uma cidade, muitas vezes, implica em impacto na cidade vizinha, ou nas cidades vizinhas. Faltou aí um pouco de bom senso da prefeitura de São Paulo em fazer esse compartilhamento prévio, para evitar exatamente o mal-estar que acabou provocando. Mas vamos tentar reduzir isso ao mínimo possível e atender às demandas dos prefeitos. Dimas.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: Bem, existe sim. Estamos aguardando para o final de março, começo de abril, a nova remessa de IFA. O governador hoje visitou a fábrica, que já está produzindo vacinas para abril, quer dizer, toda a produção de março já está pronta, aguardando a liberação do controle de qualidade. Vamos ainda liberar, até o final do mês, mais de 11 milhões de doses. Somente em março, serão 22,7 milhões de doses. Quer dizer, até esse momento, o governador também já anunciou, já foram entregues mais de 24 milhões de doses, desde o começo dessa produção. Então, sim, estamos aguardando para brevemente a chegada de mais matéria prima.

REPÓRTER: [pronunciamento fora do microfone]

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: Os embarques estão programados agora na quantitativa de 6 mil litros cada embarque. Então, o próximo será de 6 mil litros, e esperamos logo, ainda no final de março, começo de abril.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: [ininteligível] 6 mil litros?

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: Em termos de dose, dá mais de 8 milhões de doses.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado. Fiz o meu papel, Bruna Barbosa, aqui. Vamos agora ao Vinicius Passarelli, da Rádio CBN. Vinicius, mais uma vez, bom dia, sua pergunta, por favor.

REPÓRTER: Bom dia, governador, secretário, Dimas. O governo tem batido muito na tecla da importância de diminuir a circulação de pessoas e ontem prefeitos do Grande ABC, também do Alto Tietê, fizeram um pedido ao governo do estado, da adoção de um lockdown. Ao mesmo tempo o prefeito Bruno Covas Covas, da capital, disse que não é possível fazer isso aqui, em São Paulo, por conta de várias ruas compartilhadas, que fazem limites com cidades da região metropolitana. Ele diz que a Guarda Civil não é suficiente para fazer esse tipo de fiscalização. Por que não há uma ação conjunta coordenada pelo estado, entre a capital e a região metropolitana para adotar algum tipo de lockdown nessa região? Por que essa hesitação do governo em tomar essa medida, sendo que os próprios membros do centro de contingência batem nessa tecla, e a maioria dos especialistas hoje defendem a adoção de um lockdown?

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Vinícius, você tem dois membros do centro de contingência aqui, que vão se manifestar. Mas eu quero dizer que o centro de contingência é composto por 21 membros, e é a decisão da maioria que prevalece, e a decisão da maioria é a decisão que nós seguimos no governo do estado de São Paulo. Os prefeitos em a autonomia, a autonomia para tomarem decisões que possam tornar ainda mais fortes as medidas do governo do estado, eles não podem afrouxar as medidas, mas podem aprimorá-las e fortalecê-las, de acordo com dados e informações que os seus próprios centros de contingência, e os seus secretários de saúde possam oferecer. E nós respeitamos esse procedimento, e compreendemos medidas ainda mais restritivas, que eles possam adotar. E a coordenação existe, e o diálogo existe também, e isso é permanente, com o centro de contingência e também com o governo do estado de São Paulo. E sobre o centro de contingência, vou pedir ao doutor Dimas, que aliás, participou da reunião de ontem do centro de contingência, assim como do doutor Jean Gorinchteyn. São dois dos 21 membros, que estão aqui nessa manhã. Jean.

JEAN GORINCHTEYN, SECRETÁRIO ESTADUAL DE SAÚDE: Eu acho que nós temos que fazer uma análise muito importante. Quando a gente fala de lockdown, a gente fala em fechar tudo, é transporte, é empresa, empresa alimentícia. O que vai acontecer? Qual é o risco que isso passa a acontecer em relação ao desabastecimento, inclusive alimentar? Por outro lado, nós temos trabalhadores informais que precisam do dinheiro hoje para comer hoje com os seus filhos, pão, leite. Então nós temos que analisar uma medida mais restritiva, não como a nossa forma de olhar, de classe média: "Fecha tudo que eu estou em casa recebendo meu salário". Então nós temos que talvez criar medidas mais restritivas pontuais. O lockdown localizadas e regionalizadas, as municipalidades que estão fazendo isso estão recebendo nosso apoio, porque sabem que ali chegaram, e algumas ultrapassaram o seu limite, que não é a realidade de grande parte dos municípios. Então nós entendemos que o apoio da população é fundamental nesse momento. E fazer uma restrição macro, em uma magnitude maior para o estado, não vai criar uma medida de restrição benéfica, do ponto de vista de repercutir na pandemia, e pode criar problemas sociais ainda muito maiores.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTÃ: Vinícius, o centro tem discutido a partir até do princípio da definição do que é um lockdown. Quer dizer, o lockdown tem muitas definições, e nós não temos usado essa palavra, nós temos usado a palavra diminuição de movimentação. Ou seja, nós precisamos para controlar a epidemia diminuir a movimentação. Existe um índice de mobilidade, nós temos uma meta que é difícil de ser atingida, que é a diminuição para até 60%, porque isso será efetivo quanto à redução do número de casos muito importante rapidamente. E isso é muito difícil. E essa é a definição. Quer dizer, as medidas dos municípios que forem no sentido de diminuir a mobilidade, elas obviamente são positivas no sentido de enfrentamento da epidemia. Agora, como definir isso, se fizer lockdown, eu acho que nem tem sentido, porque cada município está adotando definições diferentes. E a rigor, a rigor, não é uma parada, é simplesmente medida de aumento da restrição para diminuir a mobilidade.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Dimas. Vinícius, obrigado. Foi bom porque são duas palavras importantes de dois membros do centro de contingência. Mas nós vamos, apenas para lembrar, seguir dentro daquilo que o plano São Paulo preconiza desse março do ano passado, ou seja, as análises regionais e locais, e daí para o macro, partimos do micro para o macro, e não do macro para o micro. Com isso nós conseguimos reduzir, como se deseja, o nível de infecção, sobretudo, agora nessa segunda onda, mas com o menor número possível de danos àquelas pessoas, principalmente às que estão desempregadas, ou as que tem um pequeno emprego, e que dependem dessa renda para se alimentarem. Portanto, sobreviverem. É preciso sempre ter esse olhar amplo, que aliás, é o que o centro de contingência tem feito. A ciência ela não toma decisões apenas pela ciência, ela toma decisões olhando aquilo que a ciência pratica, que é a garantia de vida para as pessoas. E por isso é que os membros do centro de contingência se reúnem, e nem sempre as ideias são iguais, e as decisões são únicas. E aí participar o voto, no voto, aqueles que votarem predominantemente, ou majoritariamente, é essa decisão que nos é comunicado. Eu não participo de reuniões do centro de contingência, apenas recebo, através do doutor Paulo Meneses, e do doutor Gabbardo, quais as decisões do centro de contingência, e nós anunciamos essas medidas. Vamos agora à última intervenção, é a Maria Manso, TV Cultura. Bom dia, Maria.

MARIA MANSO, REPÓRTER: Bom dia, governador. Bom dia, a todos. Governador, o senhor dizia desde o início dessa pandemia, que em São Paulo ninguém ia morrer por falta de atendimento. Ontem, tragicamente, o prefeito da capital disse oficialmente que aconteceu uma morte por falta de um leito de UTI. O que aconteceu de errado nos planos? E diante desse colapso dos hospitais, não é a hora de começar os testes com o soro do Butantã? O que falta para a ANVISA autorizar esses testes, doutor Dimas? JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Maria, as duas perguntas, a primeira será respondida pelo secretário da Saúde, Jean Gorinchteyn, e a segunda, evidentemente, pelo doutor Dimas Covas. Jean.

JEAN GORINCHTEYN, SECRETÁRIO ESTADUAL DE SAÚDE: Caso que foi revelado ontem pela Secretaria Municipal da Saúde, que aconteceu em um dos hospitais aqui da zona Leste, de um rapaz de 22 anos. Não foi por falta de assistência. Uma coisa que é muito importante, que a gente fale, enquanto as pessoas estão esperando na fila aguardando a UTI, a impressão é que elas estão em uma cadeirinha agonizando. E elas foram adequadamente assistidas, recebendo oxigênio. Houve uma piora muito rápida do quadro clínico desse rapaz, que imediatamente dói intubado. Houveram algumas intercorrências com parada cardiorrespiratória frente à gravidade da doença. Mas elas não foram desassistidas, isso é importante. Agora, o que hoje nós temos que entender, é que nós estamos ampliando mais e mais a nossa capacidade, que também chega ao limite de abertura de leitos, de oferta de oxigênio, de medicamentos, de profissionais de saúde. Então a nossa preocupação é chegar em um momento que aí sim, nós não vamos dar assistência. Então é muito importante que nós tenhamos essa consciência de todos, que nós estamos fazendo um trabalho hercúleo, estamos fazendo mais do que nós podemos, sob à liderança do governador, que sempre nos pede para que cheque se o oxigênio não vai faltar, cheque se os kits de intubação estão todos aqui. E é isso que nós temos feito. Mas se a velocidade da pandemia se instalar a um ponto que nós vamos perder esse controle, é óbvio que vira um colapso. Nós não chegamos ainda, algumas cidades chegaram no seu limite, e nós pedimos o apoio da população, para que nós ainda possamos dar essa assistência, que ninguém tenha de que ficar desassistido no aguardo de uma unidade mais crítica, como uma Unidade de Terapia Intensiva. Felizmente, isso ainda não aconteceu.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Jean. Antes de passar ao Dimas, e aproveitando a sua pergunta, Maria, essa é uma pergunta que a imprensa brasileira deve fazer ao Ministério da Saúde do Brasil, não é possível que diante de uma pandemia como essa, que já vitimou mais de 282 mil pessoas, o Ministério da Saúde fique olimpicamente em Brasília distante dos governadores, sem oferecer a assistência necessária. Tivemos que entrar no Supremo Tribunal Federal para homologação de leitos em São Paulo, na sequência, no Maranhão, na Bahia e em outros estados, e agora começaram a homologar os leitos, depois de terem desobedecido, inclusive, a determinação da ministra do Supremo, Rosa Weber, a não disponibilização de medicamentos para a intubação, a não disponibilização de equipamentos de UTI para os estados, a não disponibilização de vacinas. Os exemplos negativos contra o uso de máscara, contra o distanciamento, contra o isolamento. Tudo isso torna muito mais difícil o trabalho dos governadores e dos prefeitos. Cobrem, por favor, do Ministério da Saúde, seu quarto ministro em plena pandemia, em dois anos de pandemia, 282 mil mortos, cobrem do governo Bolsonaro aquilo que não fez pela saúde dos brasileiros, muitos estão morrendo por inépcia, incapacidade e o negacionismo do governo Bolsonaro. Cobre do governo Bolsonaro, e cobrem do novo ministro as medidas para defender a vida dos brasileiros. Dimas.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTÃ: Maria, eu também gostaria de saber o que falta, porque nós entregamos a documentação semana passada. Estamos solicitando, durante essa semana eu solicitei ao doutor Gustavo Mendes uma resposta. E estamos aí aguardando, porque estamos prontos para começar. Estamos com o estudo clínico esperando essa autorização, já organizado, com pacientes já escolhidos, com soro disponível. E, enfim, a nossa ANVISA precisa se manifestar. A ANVISA nunca registrou um soro antes, quer dizer, os soros eles existem antes da ANVISA, e, portanto, eles estão com dificuldade, porque eles estão entrando nesse processo pela primeira vez, e estão fazendo exigências que nunca foi feito para os demais soros. Então aproveitando aqui o espaço, vamos cobrar a ANVISA para que ela se manifeste, porque é importante nesse momento nós termos esse soro, testarmos esse soro e colocarmos em produção esse soro o mais rapidamente possível, para ajudar as pessoas que estão precisando nas UTIs do Brasil.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Dimas. Maria, muito obrigado. Quero agradecer a todos vocês. Nos veremos daqui a pouquinho, na coletiva, às 12h45min. Uma boa manhã para todos, se protejam, e até daqui a pouco. Obrigado.