Coletiva - SP não registra intercorrência com doses da Coronavac de lotes suspensos pela Anvisa 20210809

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Coletiva - SP não registra intercorrência com doses da Coronavac de lotes suspensos pela Anvisa 20210809

Local: Capital – Data: Setembro 08/09/2021

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JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DE SÃO PAULO: Bem, boa tarde, a todos. Muito obrigado, pela presença. Vamos dar início à mais uma coletiva de imprensa aqui direto da sede do governo do estado de São Paulo, hoje com a participação do secretário da Saúde, Jean Gorinchteyn. Doutor José Medina, membro do comitê científico do governo do estado de São Paulo. Doutor Luiza Bonfá, diretora clínica do Hospital de Clínicas. Rossieli Soares, secretário da Educação do estado de São Paulo. Regiane de Paula, coordenadora geral do PEI - Programa Estadual de Imunização. Patrícia Ellen, secretária de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia. Marco Vinholi, secretário de Desenvolvimento Regional. João Gabbardo, coordenador do comitê científico. Paulo Meneses, coordenador do comitê científico, sendo que o Gabbardo é o coordenador executivo. E o doutor Rui Curi, que é o diretor executivo da Fundação Butantan. E o doutor Dimas Covas, que estará participando virtualmente, ele está no interior do estado de São Paulo, mas participará também da coletiva. Primeiro tema de hoje, São Paulo não registrou nenhuma intercorrência com vacinas da Coronavac aplicadas de lotes suspensos pela ANVISA, e aqui é uma mensagem tranquilizadora às pessoas que como eu tomaram a vacina do Butantan, a Coronavac. Uma vacina eficaz, e uma vacina segura. Todas as doses da vacina do Butantan passaram por rigoroso controle, com certificação do Instituto Nacional de Controle de Qualidade, órgão vinculado à Fiocruz, responsável pela avaliação de todos os imunizantes distribuídos no Brasil. A qualidade da vacina Coronavac é incontestável, a própria ANVISA já se pronunciou nesse sentido, inclusive o presidente da ANVISA, Almirante Barra Torres, se manifestou de forma clara, objetiva e transparente, afirmando que a vacina do Butantan, que é a Coronavac, é uma vacina eficaz e segura. Aguardamos, evidentemente, a liberação deste lote de vacinas, deste novo lote de vacinas, que chegou ao Brasil, para a aplicação na população do país, e essa aprovação deverá ser feita pela ANVISA. Não há mais nenhuma pendência, as informações que a ANVISA solicitou foram encaminhadas nessa manhã pelo Instituto Butantan, garantindo a segurança desta vacina para a população, e o nosso respeito, evidentemente, pelos procedimentos que a ANVISA está adotando a partir de agora, para a liberação deste lote de novas vacinas da Coronavac. Segundo tema, da coletiva de hoje, o governo de São Paulo reforça a eficácia da Coronavac como dose de reforço, um esclarecimento importante diante de notícias díspares, de notícias distintas, e algumas contraditórias, não quero com isso fazer nenhuma acusação a nenhum cientista, médico ou médico especialista, mas é preciso repor de maneira classificar a informação, e isso será feito por dois médicos de renomada importância nacional e internacional. O doutor José Medina, médico nefrologista e professor titular da UNIFESP, referência internacional na sua área de atuação. E a doutora Eloísa Bonfá, médica e professora da faculdade de medicina de São Paulo, e diretora clínica do complexo do Hospital de Clínicas, em São Paulo. Também a doutora Eloísa, uma referência nacional, e internacional. Ambos vão falar sobre a eficácia da Coronavac, quando utilizada como dose de reforço. E isso evidentemente dará tranquilidade à todas as pessoas que já tomaram a vacina do Butantan, e aquelas que estão recebendo a vacina do Butantan. Terceiro tema, agora indo para a área da educação, o governo do estado de São Paulo vai servir uma merenda extra para 700 mil alunos da rede pública de ensino, são alunos em situação de vulnerabilidade social. Além da merenda normal servida a todos os alunos da rede pública estadual, o governo de São Paulo vai disponibilizar uma merenda extra para 700 mil alunos carentes levarem para suas casas. Portanto, é uma merenda adicional que os alunos de famílias vulneráveis levarão para as suas casas. A medida vai entrar em vigor a partir do dia 27 de setembro. Repito, para famílias de baixa renda, que estão no Cadastro Único. Essa é mais uma medida do governo de São Paulo, para proteger os alunos vulneráveis, da rede pública estadual de ensino. Há duas semanas, como se lembram, aqui mesmo em uma coletiva de imprensa, anunciamos o programa de combate à evasão escolar, destinando R$ 1 mil para 300 mil estudantes carentes, para que continuem frequentando as aulas. Portanto, um prêmio para que os alunos frequentem, não faltem as aulas, sigam frequentando, e também se alimentando e sendo amparados na rede pública estadual de ensino. E também, aí uma segunda informação ainda no tema da educação, pela primeira vez na história o governo do estado de São Paulo ultrapassa a meta de 30% de produtos da agricultura familiar na merenda das escolas. Essa é uma iniciativa em que todos ganham, o pequeno produtor rural aqui do estado de São Paulo, que consegue um mercado seguro para escoar os seus produtos, e quem faz a compra é o governo do estado de São Paulo. Também estimulamos a economia local, gerando empregos e gerando renda, e obviamente aumentamos a qualidade nutricional da alimentação oferecida à população estudantil do estado de São Paulo. O secretário Rossieli Soares, secretário da Educação, e ex-ministro da Educação, falará sobre os dois temas. Na sequência teremos atualização dos dados da pandemia, com o secretário da Saúde, doutor Jean Gorinchteyn. E por fim, a coordenadora do PEI - Programa Estadual de Imunização, Regiane de Paula, aqui ao meu lado, vai detalhar como tem sido a vacinação com a dose de reforço até o presente momento, e atualizar também os números do vacinômetro em São Paulo, o estado que mais vacina no Brasil segue em ritmo acelerado, o seu programa de vacinação em todo o estado de São Paulo. Vamos começar então com o Jean Gorinchteyn, secretário da Saúde, no primeiro tema que foi aqui abordado, e na sequência vamos também conectar Dimas Covas, que está online, sobre o tema da Coronavac. Com a palavra o médico infectologista e secretário da Saúde do estado de São Paulo, Jean Gorinchteyn.

JEAN GORINCHTEYN, SECRETÁRIO DA SAÚDE: Boa tarde, governador. Boa tarde, a todos. A população pode ficar absolutamente tranquila, com relação à qualidade desse lote que foi suspenso, mantido em suspensão pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária - ANVISA. Todos os lotes, todas as doses passaram por um rígido controle de qualidade, seja pelo próprio Instituto Butantan, e também pelo Instituto Nacional de Controle de Qualidade, vinculada à Fiocruz, para que dessa forma pudesse ter sido distribuído para os municípios. De toda forma, nós orientamos os municípios que tem esses dispositivos de doses, para que estejam acompanhando o evolutivo desses pacientes nos próximos 30 dias. E como bem disse o governador João Doria, nenhum dos pacientes que recebeu esse imunizante apresentou qualquer reação mínima que fosse. Todos os dados adicionais foram encaminhados hoje pela manhã para a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, no sentido de dar celeridade a esse processo de análise e liberação dessas doses. Obrigado, governador.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DE SÃO PAULO: Obrigado, Jean Gorinchteyn, secretário da Saúde do estado de São Paulo. Vamos agora online, com o Dimas Covas, que está no interior de São Paulo, e vai falar aqui sobre os entendimentos feitos com a ANVISA, ao longo da última segunda-feira, de ontem, terça-feira, e hoje, pela manhã, para a liberação destas doses da vacina do Butantan, produzidas pelo Laboratório Sinovac em Pequim. Com a palavra, Dimas Covas. Dimas.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: Boa tarde, governador. Boa tarde, a todos e todas. Só queria fazer um pequeno registro, governador, está aí também na audiência a doutora Patrícia Meneguello, que é diretora de qualidade de assuntos regulatórios do Butantan. De fato, governador, desde a última semana nós estamos trabalhando intensamente junto com a ANVISA para regularizar esses lotes que foram quarentemados. E aqui eu acho que seria bom eu fazer uma pequena exposição do porquê foram quarentemados. Esses lotes eles foram produzidos na fábrica da Sinovac que produz todas as suas vacinas. Ele foi submetido ao controle de qualidade nos laboratórios que a Sinovac usa para atestar a qualidade de todas as vacinas. E todas essas duas unidades são unidades credenciadas pela ANVISA. O que ocorreu é que no curso da pandemia a Sinovac colocou em funcionamento várias linhas do que nós chamamos de envase, quer dizer, a vacina é produzida em um local e ela é envasada em outro local. E esse último lote foi envasado em uma fábrica nova, uma das fábricas novas de envase da Sinovac, que não havia sido visitada pela ANVISA. Então isso criou aí uma necessidade de acertar com a ANVISA essa certificação dessa nova unidade. E isso está sendo providenciado, a documentação questão foi encaminhada, a ANVISA aguarda a chegada de um documento da ANVISA chinesa, que chama NMPA, deve chegar ainda antes do final dessa semana. Então do ponto de vista da qualidade da vacina, da segurança, não existe dúvida, testada pelo laboratório de qualidade da Sinovac, lá na China, que é referendado pela ANVISA, atestado pelo Butantan, que faz o controle de qualidade de todas as vacinas que entrega ao ministério, e atestado pelo INCQS, que é o órgão que controla a qualidade de medicamentos e vacinas aqui no Brasil. Então com relação a esse processo, e não há em nenhum momento o questionamento sobre a qualidade e a segurança da vacina. Existe esse procedimento do documental que será acertado aí muito brevemente com a liberação dos lotes. Importante dizer, governador, que é a vacina mais segura do mundo, é a vacina que já tem o perfil de segurança avaliado em mais de 1 bilhão de pessoas. Esse relatório já foi produzido pela China, já foi encaminhado à nossa ANVISA. Quer dizer, 1 bilhão de pessoas tomaram essa vacina, e mostram claramente o perfil de segurança, o melhor perfil de segurança entre todas as vacinas que estão sendo usadas. E isso repete aqui no Brasil, comparativamente às outras vacinas, é a vacina que tem o melhor perfil de segurança, isso não se discute. Mais recentemente nós temos já abundantes dados com relação também à eficiência da vacina, à eficiência principalmente contra novas variantes, incluindo a variante Delta. Quer dizer, é uma vacina que resiste à variante Delta. E isso explica, inclusive, porque muitos países que usaram majoritariamente essa vacina não estão tendo a ressurgência da pandemia em decorrência da prevalência da vacina da variante Delta. Importante também, governador, que a segurança da vacina já permite o seu uso em crianças, isso já acontece na China, onde mais de 60 milhões de crianças e adolescentes já foram vacinados, e agora vai começar também no Chile, aonde a vacina foi autorizada a ser usada em crianças acima de três anos, até 17 anos. Então todas essas notícias, governador, é para dar uma tranquilidade à população. Esse lote será liberado rapidamente, tenho absoluta confiança na nossa ANVISA e no nosso trabalho. E estamos aí sempre à disposição para servir da melhor forma possível a população. A melhor vacina é a vacina que salva, é a vacina que chega ao braço, e é isso que nós temos procurado fazer com a maior celeridade possível. Vamos entregar as 100 milhões de doses do ministério até a próxima semana. Obrigado, governador.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DE SÃO PAULO: Muito obrigado, Dimas Covas. O Dimas continua nos acompanhando virtualmente, e ficará à disposição dos jornalistas para responder às perguntas, havendo, evidentemente, questionamentos que ele possa ser acionado para resposta. Vamos agora ao segundo tema, que é da eficácia da Coronavac, e nós vamos ouvir agora o doutor José Medina, um médico de renome internacional, que fala sobre esse tema, ou seja, a eficácia da Coronavac quando utilizada como dose de reforço. Doutor Medina.

JOSÉ MEDINA, MÉDICO INTEGRANTE DO CENTRO DE CONTINGENCIA: Boa tarde, governador. Boa tarde, a todos. É um assunto difícil de abordar, porque tem pouca evidência científica em qualquer direção. A proposta da terceira dose é uma proposta recente, então deve ser utilizada a mesma plataforma de vacina na terceira dose, ou se deve ser misturada uma plataforma com outra plataforma, ainda é um assunto que não tem uma comprovação científica bem sedimentada, nem que deve mudar a vacina, nem que deve utilizar a mesma vacina que foi utilizada nas primeiras duas doses. Então nós estamos estudando isso em um grupo de pacientes transplantados, é um grupo de pessoas que tiveram o resultado mais catastrófico da pandemia. Então nós acompanhamos 12 mil pacientes transplantados, 21% desses pacientes adquiriram o COVID-19, e qualidade de vida quatro pacientes transplantados que adquirem o COVID-19, um morre, na população geral, isso é dez vezes maior do que na população geral. Então é uma situação bastante catastrófica no paciente transplantado. E nós separamos dois grupos para comparar, pegamos pacientes transplantados, fizemos a primeira dose da vacina, e fizemos a primeira dose da vacina Coronavac nos funcionários do hospital, que são os funcionários que deveriam receber essa vacina na época, e os pacientes transplantados também. Nos funcionários, a soroconversão, com a formação de anticorpos, na primeira dose, foi de 79%, nos pacientes transplantados, só 15%. Então a resposta sorológica, a resposta do organismo do paciente transplantado, contra o vírus ou induzida pela vacina, foi cinco vezes menor do que na população geral que corresponde à população de funcionários do hospital. Nós fizemos a segunda dose segundo o protocolo tradicional, 98% dos funcionários tiveram soroconversão, enquanto que os pacientes transplantados, apenas 45%. Então de novo, a resposta dos pacientes transplantados, a primeira e a segunda dose, é muito baixa, e a letalidade persistiu próxima daqueles 25%. Nós fizemos agora a terceira dose nos pacientes transplantados, terceira dose da Coronavac, no estudo antes do assunto da terceira dose ser abordado para a população geral, porque essa resposta no transplantado estava nos intrigando muito. E a terceira dose aumentou para 53% a resposta nos pacientes transplantados. E até estudamos o grupo de pacientes que desenvolveram a doença, desenvolveu a doença de forma letal, maior, no grupo que não teve a soroconversão. Então esse não é um assunto simples de abordar, não é um assunto assim, essa ou aquela vacina é melhor do que essa ou aquela, ou essa ou aquela sequência é melhor do que a outra. Então agora nós estamos até imaginando que o paciente transplantado vai precisar tomar, aqueles que não responderam, que não tiveram soroconversão, que não produziram anticorpos, eles vão precisar tomar uma quarta dose. Então nós estamos aplicando agora para dar a quarta dose no paciente transplantado, utilizando a mesma plataforma vacinal, que é a Coronavac. Nós estamos preocupados também com a comparação do resultado com as outras vacinas, então aqueles pacientes transplantados que forem vacinados na rede, e que tomaram as demais vacinas, nós vamos também comparar com o estudo que nós estamos fazendo da Coronavac, e ver se a resposta é diferente ou não. Nos pacientes transplantados que receberam a primeira e a segunda dose de outras vacinas, da Pfizer, da AstraZeneca, ou da Moderna, a resposta foi tão precária quanto a resposta que foi da Coronavac na primeira dose, na segunda dose e na terceira dose, por isso que a proposta nossa agora é fazer reforço com a quarta dose, talvez com uma quinta dose, para aquelas pessoas que não tiveram a resposta adequada. Então no transplantado a resposta é ruim, foi muito menor do que na população geral, independente do tipo de vacina ou tipo de plataforma que nós utilizamos. Então nós estamos estudando para ver qual que é a resposta que tem no transplantado nessa condição que nós propusemos. Muito obrigado.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DE SÃO PAULO: Muito obrigado, doutor José Medina. Vamos agora no mesmo tema, ouvir o depoimento da doutora Eloisa Bonfá, médica e professora titular da faculdade de medicina da Universidade de São Paulo, e diretora clínica do maior complexo hospitalar da América Latina, o Hospital de Clínicas. Doutor Eloisa.

ELOISA BONFÁ, MÉDICA E PROFESSORA TITULAR DA FACULDADE DE MEDICINA DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO: Boa tarde, governador. Em nome de quem cumprimento a todos. Agradeço a honra de estar aqui como médica e cientista do complexo HCFM USP. Para falar um pouco de vacinas, e peço licença para alinharmos três pontos importantes, o primeiro deles é que todas as vacinas COVID-19 aprovadas e utilizadas atualmente no Brasil, se mostraram altamente efetivas, para reduzir a internação e morte. Isso também vale para a Coronavac, que reduziu 88% das internações, e 85% das mortes por COVID-19, em um estudo com 10,2 milhões de pessoas, conforme o trabalho publicado em uma das maiores revisas científicas do mundo, New England Journal of Medicine. E de fato, observamos ao longo da vacinação do idoso que foi predominantemente com a Coronavac o efeito protetor da vacina que ainda se mantém em nosso meio. A vacina funcionou e continua protegendo a população. O segundo ponto importante é que a nossa prioridade, o que nós deveríamos estar discutindo aqui agora, é que nós deveríamos reservar as vacinas específicas para finalizar e antecipar a segunda dose da população, principalmente da população adulta. E o motivo disso é que já foi amplamente demonstrado para todas as vacinas que a segunda dose é fundamental para a proteção, em especial, da cepa Delta, que e predominante em nosso meio. A vacina completa desses adultos significa também proteção para os idosos, porque são eles que cuidam dos idosos. E o último ponto é a terceira dose que no Brasil está sendo indicada inicialmente para os imunossuprimidos graves, e muito idosos. Que é uma parcela pequena da população, que tem uma resposta menor a qualquer vacina. A boa notícia é que nosso trabalho com quase mil pacientes imunossuprimidos reumatológicos graves, nós observamos com a Coronavac, nós observamos que a grande maioria, 70% tem resposta, e isso é extremamente importante, significa que esses pacientes tem memória vacinal, eles sabem responder à COVID-19, é como andar de bicicleta, uma vez aprendido você sabe andar de bicicleta. Uma vez respondido à vacina nós temos a certeza que esses pacientes irão responder. Nós estamos em uma situação muito boa onde não existe aumento do número de casos, e para essas pessoas a vacina de reforço com qualquer dose ela é suficiente, nós podemos dar para essas pessoas. Mas a grande preocupação é com os outros, aqueles que não responderam, como já foi falado aqui pelo doutor Medina. Nós observamos que essa falta de resposta não tem a ver com a doença, não tem a ver com vacina, com o tipo de vacina, ele acabou de falar que a resposta é baixa com a Coronavac, é baixa com os outros. Ela tem muito a ver, e nós demonstramos, e existem vários trabalhos na literatura, ela tem muito a ver com medicações que impedem a resposta imune. E com isso nós temos que nos reinventar. Nós precisamos buscar alternativas. Em geral, para quase todas as vacinas a alternativa usada é a terceira dose, e ninguém especifica qual é a terceira dose. Então é isso que é utilizado, e como foi falado aqui, está sendo testado. Ressalto que não existem evidências de qualidade para definir se seria com a mesma dose, com a mesma vacina, ou outra vacina. Vale a pena fazer com a vacina disponível, que já se mostrou efetiva, e continua sendo efetiva, é um time que está ganhando. E liberar as doses das vacinas específicas para finalizar a segunda dose, que é fundamental para finalizar a proteção dos adultos. Lembro que a falta de evidência não pode ser utilizada como evidência a favor ou contra. E com isso eu finalizo dizendo que a terceira dose é muito bem-vinda, e representa um cuidado extra para manter o que estamos conseguindo até agora, que é a diminuição de casos e óbitos, incluindo para a população idosa, que foi predominantemente vacinada com a Coronavac. Não existem dados de qualidade para recomendar um tipo específico de vacina, e todas são válidas no momento para terceira dose. E reitero que a prioridade mais importante é finalizar a vacinação completa dos adultos e, se possível, de uma população mais ampla. Obrigada.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DE SÃO PAULO: Obrigado, doutor Eloisa Bonfá, diretora clínica do maior complexo hospitalar da América Latina, Hospital de Clínicas. E agora nós antes de seguirmos para o tema da educação, quero agradecer as emissoras da TV Cultura, Band News, Record News, que estão transmitindo direto aqui do Palácio dos Bandeirantes essa coletiva, e também aos portais Terra, G1, Estação, Cidade ON, e Diário de Mogi, que igualmente estão transmitindo ao vivo essa coletiva. Vamos agora a Rossieli Soares, secretário da Educação do estado de São Paulo, e ex-ministro da Educação. Rossieli.

ROSSIELI SOARES, SECRETÁRIO DE EDUCAÇÃO: Obrigado, governador Doria. Boa tarde, a todos. A gente vai trazer um breve relato do que a gente tem feito de inovações em relação à alimentação escolar, a merenda escolar, como é conhecida, na rede estadual de São Paulo, desde 2019, algumas novidades importantes que temos a partir de agora até o final de 2022. Bom, primeiro, nós temos trabalhado muito fortemente na melhoria do cardápio, buscando trazer uma alimentação mais saudável, uma priorização da agricultura familiar, para trazer o desenvolvimento regional e a valorização da produção local, e obviamente também a garantia da segurança alimentar aos alunos mais vulneráveis, que se fortaleceu muito durante o próprio processo da pandemia, com a oferta de alimentação escolar para os alunos que mais precisam. Então falando um pouquinho dessas melhorias do cardápio a partir de 2019, nós tivemos em primeiro lugar, a secretaria reformulou, nós priorizamos muito a agricultura familiar no estado, justamente porque o estado de São Paulo não cumpria as metas de aquisições da agricultura familiar. No ano de 2021 nós vamos ter pela primeira vez o cumprimento dos 30% do gasto com a agricultura familiar, no estado de São Paulo. Isso é muito importante, trazer esse aspecto no histórico da merenda escolar, Vinholi, no estado de São Paulo. Trouxemos também o fim dos produtos ultraprocessados, alimentos, por exemplo, como carne pronta para o consumo, mistura em pó de preparos, de bebida láctea, todo tipo de torta salgada, que existia na merenda, foram retirados, desde 2020 deixaram de existir, e nós estamos trazendo carne in natura, produtos cada vez mais in natura. E também conseguimos implementar a dieta especial, que é algo muito importante para os alunos que mais precisam, que sofrem com algum tipo de restrição, ou alguma doença relacionada à alimentação e com isso atender com cardápio especial, seguindo a orientação nutricional que essas crianças precisam. Isso também não era feito no estado. Só para dar uma exemplificação, obviamente aqui o número de incidências no mês, nós temos 20 dias, portanto, 20 refeições que são servidas durante o mês, feijão era servido, por exemplo, dez vezes antes, ele passou, cresceu 60%, está em 16 vezes. A proteína animal in natura, carne, era apenas 12, passou para 16, dos 20 dias. A fruta era quatro vezes, passou para 12, um crescimento de 200%. E Hortaliças e legumes, que eram apenas em alguns dias, agora nós servimos todos os dias na merenda as hortaliças e legumes, o que é uma mudança também significativa na qualidade da merenda. Em relação à agricultura familiar, a agricultura familiar até início de 2019, essa meta não foi cumprida, e revitalizamos, mudamos o formado para buscar atendimento das regras da agricultura familiar. E em 2021 vamos cumprir e ultrapassar a meta, nós vamos chegar a R$ 66 milhões de investimento na agricultura familiar neste ano, sendo que o mínimo é de R$ 60 milhões. Só para dar uma ideia da importância, nós que trabalhamos muito, o governador tem olhado muito para a região do Vale do Ribeira como uma das regiões com maior desenvolvimento, nós investimos hoje R$ 24 milhões de unidades em aquisição com banana, do Vale do Ribeira. Somos, provavelmente, o maior comprador de bananas do Vale do Ribeira, da agricultura familiar. Esses são outros itens aqui, inclusive cestas de alimentos que foram compostas por 5 kg de arroz, feijão, macarrão, leite em pó, foram 2.940 mil toneladas de alimentos, servidos durante a pandemia, por exemplo, já adquiridos para as pessoas que mais precisam desse alimento, também da agricultura familiar. Também temos a política de alimentação suplementar, acho que essa desde o início da pandemia a secretaria tem se preocupado muito, fomos a primeira secretaria no Brasil, primeiro governo do estado no Brasil a apresentar uma solução para trazer ajuda aqueles que estavam ficando sem o alimento da escola, nós investimos R$ 395 milhões com o Merenda em Casa, com R$ 55 por mês, pagos por cada estudante que estavam na extrema pobreza, ou na pobreza. Foram 770 mil alunos beneficiados, 22% da rede durante esse período. Mas a gente viu que a segurança alimentar desses alunos vai muito além do fato de ele comer, voltamos às aulas, mas a gente viu que muitos alunos que enquanto a gente estava servindo o alimento para eles inclusive levarem para casa, pediram para que isso pudesse continuar, governador. E hoje de forma inédita o governo do estado lança então a continuidade desse programa. E nós vamos atender 700 mil estudantes da rede que estão em extrema pobreza, ou na pobreza, dentro do Cadastro Único, com o serviço de merenda, que a gente chama de centralizada, ou seja, aquela que é servida diretamente pela Secretaria de Educação com os seus contratos, com as suas contratações. E a SEDUC inicia então a política de alimentação suplementar para esse público a ser implementada a partir da manifestação do interesse, que já vai começar amanhã, eu vou explicar isso daqui a pouco. Então é fundamental que a gente diga aqui que o aluno vai para a escola, ele vai ter a refeição com os parâmetros de qualidade que nós estamos cada vez mais aumentando, e nós vamos dar para aqueles que precisam uma refeição a mais, que ele poderá comer na escola ou levar para casa, se for o caso. E eu vou explicar melhor agora. Por exemplo, nós temos diferença entre o diurno e noturno, então, por exemplo, no caso do diurno, os estudantes do período diurno nas escolas regulares, portanto, não nas escolas de tempo integral, nós fizemos o maior aumento na história desse estado em escolas de tempo integral, saímos de 363 para 1.878 mil, já, escolas de tempo integral. Mas nós temos ainda um tanto de escolas que não são em tempo integral. Nessas escolas que não são em tempo integral os estudantes do diurno, por exemplo, governador, terão direito à duas refeições diariamente, uma na escola, por exemplo, ele vai de manhã, vai fazer a refeição no horário da manhã, e ele desejando, ele poderá levar a outra para a casa, ou se tiver condições de comer na própria escola. Nós vamos fornecer tudo que for necessário para que ele leve e tenha o direito à essa refeição. Os estudantes do período noturno, por uma obviedade, a aula termina tarde, então não seria possível que eles fizessem duas refeições no mesmo turno, para esses alunos da extrema pobreza, e da pobreza, que estão em escolas regulares com o período noturno, nós vamos dar além da merenda servida na escola, também o fornecimento do kit alimentação que nós vamos continuar para esses estudantes. E os estudantes em escolas de ensino em tempo integral, nós vamos em adição à refeição diária, ou seja, o almoço que já é servido, de altíssima qualidade, nós vamos fazer um reforço dentro dos lanches, tanto da manhã quanto no período da tarde. Só para você ter uma ideia, de atendimento diário dentro dos estudantes diurnos nas escolas, serão 502 mil estudantes com R$ 344 milhões de investimento. Para os estudantes do período noturno nas escolas regulares, serão 776.850 mil, com R$ 57 milhões com a inclusão do kit que eles poderão levar. E nas escolas de tempo integral serão 120 mil estudantes que também terão investimentos de R$ 22 milhões. Somente aqui nesse acréscimo, governador, para atender às pessoas que mais precisam no nosso estado, teremos investimento de R$ 424 milhões na alimentação de quem precisa e realmente precisa. Essa previsão obviamente é baseada na estimativa de necessidade, as pessoas deverão se inscrever, e aqui obviamente nós começamos a partir do dia 9 de outubro, portanto, amanhã, as famílias estudantes públicas poderão já se manifestar na nossa secretaria escolar digital, no nosso site, até o dia 19 de setembro, por uma obviedade, que é organização de quem deseja, deverão dizer se querem ou não ter essa refeição extra, e as refeições a serem servidas para os endereçados a partir do dia 27 de setembro, portanto, ainda esse mês. Por fim, a melhoria do cardápio, somente aquelas melhorias que eu falei, inclusão, aumento de proteína de carne in natura, inclusão de legumes, por exemplo, todos os dias, inclusão de mais frutas. Enfim, nós tivemos o investimento de R$ 106 milhões, junto com esses R$ 424 milhões, é um investimento a mais, governador, de mais de R$ 0,5 bilhão que nós vamos estar investindo na qualidade da merenda, e a servir aqueles que mais precisam. É um orgulho, governador, fazer parte da sua equipe, que tem olhado sempre pensando grande, e olhando para aqueles que mais precisam, mais do que nunca. Muito obrigado.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DE SÃO PAULO: Muito obrigado, Rossieli Soares, secretário da Educação do estado de São Paulo, ex-ministro da Educação, no governo Michele Temer. Nós vamos agora com a atualização dos dados da COVID-19, no estado de São Paulo, com o secretário da Saúde do estado de São Paulo, Jean Gorinchteyn.

JEAN GORINCHTEYN, SECRETÁRIO DA SAÚDE: Boa tarde. Vamos continuar trazendo boas notícias, a taxa de ocupação dos leitos das Unidades de Terapia Intensiva no estado está em 33%, enquanto na grande São Paulo, onde se inclui o município de São Paulo, 35% da sua taxa de ocupação, com números absolutos de internados, 2.785 mil pessoas nos leitos de Unidades de Terapia Intensiva. Isso representa menos de 10.400 mil pacientes internados, em relação ao que nós tivemos no dia 1 de abril, no pico da segunda onda. E lembrem-se, em julho, no dia 19 de julho nós tivemos o pico da primeira onda com 6.500 mil pacientes internados. Portanto, esses números absolutos, e não apenas percentuais, representam o quantitativo de pacientes que estavam nas UTIs em maio do ano passado, em uma situação totalmente diferente daquelas que nós vivemos ao longo, tanto do ano de 2020, como especialmente do primeiro trimestre de 2021. E isso seguramente é o impacto da vacina, a vacina ela teve seu papel incontestável, e continua se mostrando através das últimas semanas em queda de número de casos, internações e óbitos. Para vocês terem uma ideia, estamos há várias semanas com queda de número de casos, 7,5%, das internações em 13,7%, em óbitos, 21,8%. E é interessante nós lembrarmos que esses índices vêm caindo à despeito de nós termos no Brasil, mas especialmente no território de São Paulo, a presença da variante Delta. Isso mostra de forma implacável que vacinar e vacinar mais é a única forma que temos de proteger a nossa população. E aqui aproveito não só como gestor público, mas médico infectologista do Instituto Emílio Ribas, e do Hospital Israelita Albert Einstein, que temos que incluir todas as vacinas para a aplicação de terceira dose, tanto de idosos, quanto de imunossuprimidos. Então eu conclamo a todos, especialmente o Ministério da Saúde, que entenda dessa necessidade em um momento pandêmico tão especial. Nós não podemos hoje escolher imunizantes, porque todos têm uma resposta de proteção extremamente importante. E é assim que se fará aqui no estado de São Paulo, nós utilizaremos todas as vacinas que aqui estiverem disponíveis para proteger a nossa população. Mas nós temos que entender que o ministério também precisa fazer a sua programação, para que nós estejamos antecipando a segunda dose tanto da Aztra, quanto da Pfizer, para proteger ainda mais a nossa população. Diferente daquilo que nós víamos da Variante Alfa, e Gama, que uma dose que nós falávamos isso, já é uma proteção, com a Gama nós precisamos das duas doses, o governo precisa se sensibilizar desta importância, para que nós continuemos a proteger a vida da nossa população. Muito obrigado, governador.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DE SÃO PAULO: Obrigado, doutor Jean Gorinchteyn, secretário da Saúde do estado de São Paulo. Boas notícias, números em queda, e a evolução da vacinação aqui no estado de São Paulo. E sobre este tema vamos ouvir agora a coordenadora do PEI - Programa Estadual de Imunização, a doutora Regiane de Paula. Regiane.

REGIANE, COORDENADORA GERAL DO PROGRAMA DE VACINAÇÃO DO ESTADO DE SÃO PAULO: Boa tarde, governador. Boa tarde, a todos e todas. Eu só gostaria, antes de mostrar novamente o calendário, de reforçar que todas as vacinas que foram distribuídas aos 645 municípios, passaram por controle de qualidade, tanto na farmacêutica, na China, quanto aqui no Instituto Butantan, ou no Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde - NCQS, órgão da Fiocruz, portanto, um órgão federal. Então nós temos a certeza da qualidade dessa vacina, mesmo dos lotes quarentemados. Porque esse controle de qualidade foi feito de forma que garante a qualidade de todas as vacinas. Sobre o calendário da vase então adicional, vacinados com segunda dose em fevereiro e março, no dia 6 nós começamos, iniciamos a vacinação de 90 anos ou mais, no dia 13 a 19/9, de 85 a 89 anos. No dia 20 de setembro ao dia 26, de 80 a 84 anos e imunossuprimidos, e esse também no dia 20 é um público importante, que retorna à unidade básica para tomar a sua terceira dose. De 27 de setembro, a 3/10, de 70 a 79 anos, e do dia 4/10 a 10/10, de 60 a 69 anos. Lembrando que essa primeira fase desse calendário é para a população com mais de 60 anos ou mais, e que já recebeu as duas doses, seu esquema vacinal completo, há, pelo menos, seis meses. Quando a gente olha para o vacinômetro, nós temos então até o momento, viramos, governador, os 54 milhões hoje, de doses aplicadas, 54.098.865 milhões de doses aplicadas. E aqui nós também incluímos a dose adicional, 17.476 mil pessoas já foram tomar a sua dose adicional, a sua dose de reforço. Lembrando que ontem foi feriado, muitos municípios não abriram para vacinação, porque realmente vem trabalhando desde 17 de janeiro, e aqui mais uma vez o meu agradecimento a todos os trabalhadores de saúde. Foi muito bonito, inclusive, governador, o vídeo sobre os trabalhadores da saúde, o dia da liberdade, todos ficamos muito sensibilizados, muito obrigada. E aqui nós temos então que 96,77% da população adulta de São Paulo, com pelo menos, uma dose, 54,08% da população adulta, mais de 18 anos, de São Paulo, com esquema vacinal completo. E quando a gente olha para a população de São Paulo, com pelo menos, uma dose, 77,80%, e da população de São Paulo com o esquema vacinal completo, 41,52%. Continuamos trabalhando, continuamos vacinando, e precisamos que o Ministério da Saúde e a ANVISA façam um movimento de liberação de doses, para que a gente possa continuar completando o esquema vacinal, antecipando a segunda dose se necessária, e quando tivermos vacina, e também aquelas vacinas que estão nesse momento quarentemadas, precisamos de um posicionamento para continuarmos a dar sequência à campanha de vacinação. Obrigada, governador.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DE SÃO PAULO: Obrigado, Regiane. Agora sim, vamos iniciar as perguntas dos veículos de comunicação já inscritos aqui nessa coletiva de imprensa, começando pela CNN Brasil, com a jornalista Tainá Falcão. Boa tarde. Prazer em revê-la. Bem-vinda.

TAINÁ FALCÃO, REPÓRTER: Oi. Tudo bem, governador? Eu vou precisar fugir um pouco do tema, porque continuam os desdobramentos sobre os atos de ontem, hoje tem até a reunião da executiva do PSDB, às 14h30min. Ontem a gente teve uma fala da presidente do PT, da Gleisi Hoffmann, dizendo que procuraria partidos, incluindo o PSDB, para conversar sobre a formação de um bloco suprapartidário contra o Presidente Jair Bolsonaro. Unificar de uma forma que existam atos nos moldes do que foi o movimento Diretas Já. Minha pergunta é, se o senhor acha que o PSDB pode aglutinar com o PT nesse sentido? E se o senhor aceitaria conversar com o Partido dos Trabalhadores, ou com a Gleisi Hoffmann sobre esse assunto?

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DE SÃO PAULO: Tainá, essa é uma decisão que cabe ao presidente nacional do nosso partido, do PSDB, Bruno Araújo. Ela, a deputada Gleisi Hoffmann, é presidente nacional do PT, portanto, é uma questão partidária, e ela deve manter o entendimento com o Bruno Araújo. A minha posição ontem já foi expressada, nos meios de comunicação, em relação à reprovação, a forte reprovação que fiz como governador eleito, por voto popular em São Paulo, contra os arroubos autoritários do Presidente Jair Bolsonaro, ameaçando a Suprema Corte, ameaçando um dos seus ministros nominalmente, ministro Alexandre de Moraes, ameaçando a democracia e as instituições no Brasil. É o tipo do arroubo autoritário que nós não queremos ver no país, e não queremos voltar ao tempo da ditadura, de triste memória no nosso país. Em relação ao entendimento, repito, deverá ser feito com o Bruno Araújo, presidente nacional do PSDB. Obrigado, Tainá. Vamos agora à Luciana Magalhães, do The Wall Street Journal. Luciana, muito obrigado por estar aqui, agora presencialmente, depois de várias participações virtuais, agora presencialmente. Bem-vinda. Sua pergunta, por favor.

LUCIANA MAGALHÃES, REPÓRTER: Muito obrigada, governador. Boa tarde, a todos e todas. Minha pergunta é sobre a terceira dose, na semana passada o ministro da Saúde disse que a pasta não recomendará o uso da Coronavac na terceira dose, se eu bem entendi, hoje São Paulo continuará usando a Coronavac na dose de reforço. Eu gostaria de saber se o senhor não acha que isso vai causar uma grande confusão, e até uma rejeição dessa população em relação à Coronavac, na dose de reforço? Muito obrigada.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DE SÃO PAULO: Ótima pergunta, Luciana. Eu vou pedir ao João Gabbardo, médico e ex-secretário executivo do Ministério da Saúde, na gestão de Luiz Henrique Mandetta, e também do médico Paulo Meneses, ambos coordenadores do comitê científico do estado de São Paulo, para responderem à sua pergunta. Gabbardo.

JOÃO GABBARDO, COORDENADOR EXECUTIVO DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: Boa tarde, governador. Boa tarde, a todos. Não, não achamos que isso possa ser algo que traga complicação ou confusão, pelo contrário, nós estamos mantendo o discurso que já tínhamos no início da vacinação, que as pessoas devem tomar a vacina que está disponível, porque todas elas são seguras, e todas elas têm a sua eficácia comprovada. Não existe nenhuma justificativa para dizer que uma plataforma, ou um fabricante de vacina tem vantagens em relação à outra, esses estudos não têm conclusão apontando neste sentido. Então até reafirmando o que foi falado aqui por vários que me antecederam, o que é importante nesse momento, e que as pessoas não estão, parece que não estão tão preocupadas, é que para o enfrentamento da variante Delta, é fundamental que as pessoas estejam com o seu esquema vacinal completo. Significa que quem fez AstraZeneca e quem fez Pfizer, e está aguardando há meses, porque são 12 semanas de intervalo entre uma dose e a outra, essas pessoas não estão devidamente protegidas para enfrenar a variante Delta. Quando nós colocamos como possibilidade o uso da Coronavac como dose adicional, é com esse objetivo, ter mais vacinas específicas, tanto da Pfizer, quanto da AstraZeneca, para que nós possamos acelerar essa segunda dose, para quem está aguardando. Nós poderíamos antecipar em mais 30 dias a conclusão do esquema vacinal de todas as pessoas, sem prejuízo nenhum, pelo contrário, nós estaríamos dando dose adicional para os idosos que necessitam, que já estão há mais de seis meses com o seu esquema vacinal, e estaríamos também acelerando a vacinação das pessoas que estão aguardando a segunda dose. Bem como mantendo a vacina da Pfizer para vacinação dos adolescentes, que mesmo não tendo risco maior, são uma fonte importante de possibilidade de transmissibilidade, porque os jovens se expõem mais, e se eles não estiverem vacinados eles vão levar para a sua casa, para a sua escola, para aqueles adultos dos quais eles têm contato, a possibilidade da transmissão da doença. Então é isso, a nossa posição é, a vacina que estiver disponível, pode ser A, pode ser C, e pode ser B.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DE SÃO PAULO: Muito bem, obrigado, Gabbardo. Paulo Meneses.

PAULO MENESES, COORDENADOR DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: Obrigado, governador. Boa tarde. Eu só quero reforçar que meu colega aqui, o professor Medina, por exemplo, trouxe dados que mostram que as doses adicionais da Coronavac aumentam a proteção naqueles que estão fortemente imunossuprimidos por conta das medicações que são necessárias em quem recebeu transplante. A professora Eloisa também trouxe dados nesse sentido. Acho que é momento de nós reforçarmos para a população a mensagem de que, primeiro, é preciso ter a vacinação de todos, a maior cobertura vacinal possível, e os números trazidos aqui hoje pela doutora Regiane são excelentes, nós temos praticamente 100% da população adulta respondendo à primeira dose, e já mais de 54% com as doses completas. E precisamos caminhar da forma mais rápida possível para ter essa cobertura. E ao mesmo tempo, também reforçar o sistema imunológico, a proteção daqueles mais vulneráveis, que são os imunossuprimidos, e principalmente os muito idosos. Muito obrigado, governador.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DE SÃO PAULO: Muito obrigado, doutor Paulo Meneses. Houve uma solicitação aqui pelo zap, do doutor Jean Gorinchteyn, que quer fazer uma pequena complementação à resposta à pergunta da Luciana Magalhães, correspondente do The Wall Stree Journal.

JEAN GORINCHTEYN, SECRETÁRIO DA SAÚDE: É importante nós lembramos que todas as vacinas dadas na segunda dose, na terceira dose, elas incrementam, elas aumentam a nossa memória, que nós chamamos imunológica, elas produzem anticorpos na primeira dose, aumentam ainda mais na segunda e na terceira se elevam sobremaneira. E é isso que nós precisamos fazer, principalmente naqueles que especialmente idosos, imunossuprimidos, que não responderam de forma tão adequada em termos de quantidade de anticorpos, e tentem a diminuí-los ao longo dos seis a oito meses. E é isso que nós temos que garantir que todos sejam protegidos, todos sejam imunizados com todos os imunizantes que temos disponíveis. E temos que lembrar, as pessoas querem vacinar, diferente dos 20% da população de Israel, dos 40% da população dos Estados Unidos, aqui no Brasil as pessoas querem vacinar, desde o dia 6 de setembro, agora, segunda-feira, fizemos essa dose adicional, 16 mil doses adicionais, dessas, 99% foram de Coronavac. As pessoas querem e precisam estar protegidas, Ministério da Saúde.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DE SÃO PAULO: Muito bem, obrigado Jean Gorinchteyn. Luciana, muito obrigado. Eu queria aproveitar para cumprimentar a Samanta Person, muito obrigado por estar aqui também. A Samanta é igualmente correspondente do The Wall Street Journal, ao lado da Luciana, muito obrigado por estarem aqui. Depois de um longo período virtualmente, revejo vocês pessoalmente. Obrigado por estarem aqui conosco. Vamos agora ao Leonardo Martins, do UOL. Leo, muito obrigado por estar aqui também. Uma boa tarde, a você. Vamos à sua pergunta.

LEONARDO MARTINS, REPÓRTER: Boa tarde, governador. Boa tarde, a todos. Eu vou voltar ao tema da política, governador, nesse final de semana a gente tem mais uma manifestação no dia 12, e de grupos que parecem ser um pouco mais simpáticos ao senhor. Você estuda aparecer na Avenida Paulista, participar desses atos contra Jair Bolsonaro? Obrigado.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DE SÃO PAULO: Leo, não se trata aqui de grupos simpáticos a mim ou não, mas sim grupos que defendem a democracia, defendem a Constituição, e defendem a liberdade, como eu também defendo. Isso sobre a minha presença ou não, na Avenida Paulista, no dia 12, ainda está em avaliação, porém, como cidadão, como brasileiro, defendo e apoio todos que se manifestarão, seja em São Paulo, seja em qualquer outra cidade do país, no próximo dia 12, a favor da democracia, a favor da liberdade, a favor da Constituição, e a favor principalmente da maioria expressiva dos brasileiros. Obrigado, Leo. Vamos agora à Bruna Barbosa, da Rádio e TV Bandeirantes. Bruna, bem-vinda. Boa tarde. Sua pergunta, por favor.

BRUNA BARBOSA, REPÓRTER: Boa tarde, governador. Boa tarde, a todos. Continuo na questão da política, governador, gostaria de saber se o senhor pretende fazer alguma articulação com os governadores, em relação a um impeachment do Presidente Jair Bolsonaro, o senhor articular com os governadores? E se me permite uma pergunta ao doutor Medina, eu queria saber um pouquinho mais detalhes em relação à aplicação da quarta dose nos transplantados. Como é que isso vai funcionar? Se eles já começaram a receber? Para qual grupo vale? Só entender um pouquinho mais essa questão. Obrigada.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DE SÃO PAULO: Obrigado, Bruna. Começo na sua primeira pergunta, não se trata de articular governadores, e sim compartilhar com governadores, eu já fiz isso ontem, compartilhamos com vários governadores, vários inclusive se manifestaram, como eu, contrariamente aos arroubos autoritários do Presidente Jair Bolsonaro, essa confrontação que ele fez em relação à Constituição Brasileira, e aos valores que sustentam a democracia do país. Mas é uma decisão que cabe a cada governador na sua individualidade. Vamos agora à segunda pergunta, cuja a resposta será do doutor Medina, pergunta sobre a vacina. Doutor Medina.

JOSÉ MEDINA, MÉDICO INTEGRANTE DO CENTRO DE CONTINGENCIA: Muito obrigado. Como eu mencionei no início, a repercussão da pandemia nos pacientes transplantados, que são imunossuprimidos, ela foi catastrófica, então de cada quatro pacientes que adquiriram a infecção, um faleceu. Nós perdemos o nosso grupo de transplantados, 563 pacientes. Então nós temos que estudar alternativas, para ver como que nós podemos dar uma proteção adicional para esses pacientes. Então nós fizemos primeiro a terceira dose. Teve um aumento da conversão sorológica e da proteção, mas não foi o suficiente para acontecer em todos eles. Então nós estamos imaginando que pegando aqueles pacientes que não tiveram a resposta, e dando uma quarta dose nesse momento, nós podemos ter uma cobertura vacinal mais efetiva, porque essas pessoas tem uma resposta muito mais pobre do que a população geral. Nós podemos ver isso quando não teve ainda antes da vacina, quando só tinha a doença, morrendo um número muito grande de pessoas, e agora com a vacina, que a resposta à vacina não é uma resposta tão grande. Então nós vamos aplicar em um modelo de estudo, uma pesquisa clínica, para entender se isso pode ser difundido e recomendado para que isso seja feito no mundo todo. Isso não é um problema do Brasil, não é um problema da vacina que nós utilizamos mais aqui, é um problema de todos os esquemas vacinais, independente da vacina que foi utilizada, independente do país, onde ela foi aplicada, a resposta foi a mesma, um transplantado em quase quatro que adquiriu a doença, faleceu.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DE SÃO PAULO: Obrigado, doutor Medina. Bruna, obrigado pelas perguntas. Vamos agora à Maria Manso, da TV Cultura. Boa tarde, bem-vinda. Sua pergunta, por favor.

MARIA MANSO, REPÓRTER: Boa tarde. Minha dúvida é sobre as 20 milhões de doses da Coronavac que foram interditadas. O próprio Instituto Butantan divulgou que foi ele que percebeu que essas doses tinham sido envasadas em uma outra fábrica da Sinovac. O que é um protocolo internacional. Então eu pergunto, houve falta de transparência da Sinovac? Houve distração? Quer dizer, porque se eles tivessem avisado antes, todo esse ruído com o Ministério da Saúde, com a população, teria sido evitado. Em relação às pessoas que receberam já essas doses, não houve nenhum sintoma fora do esperado, mas vocês também imaginam fazer testes com essas pessoas, para conseguir detectar se o sistema imunológico delas foi, de fato, instigado a produzir anticorpos, como é o esperado em quem toma vacina? E se me permite, perdão, governador, mas o Presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, acaba de dizer que ele espera moderação de todos, que o compromisso dele é só com as eleições de 2022, e praticamente descarta dar andamento a um pedido de impeachment do Presidente da República. Se o senhor puder comentar.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DE SÃO PAULO: Começo com a segunda pergunta, a primeira será respondida pelo doutor Rui Curi, que aqui está, diretor do Instituto Butantan e o doutor Jean Gorinchteyn, médico infectologista, também aqui ao nosso lado. Eu lamento, eu acabei de ver aqui a notícia: "Lira pede pacificação entre Poderes, e diz que o país tem compromisso com urnas eletrônicas nas eleições do ano que vem". Eu lamento que ele não tenha compromisso com a democracia, porque se tivesse estaria colocando em pauta o impeachment do Presidente Jair Bolsonaro. Eu lamento, sinceramente, a postura, a atitude e descompromisso do Presidente da Câmara Federal com a democracia brasileira. Depois dos arroubos, depois do afrontamento que tivemos ontem, à Constituição, à democracia, à Suprema Corte, o mínimo que poderia se esperar de um Presidente de uma Câmara, era submeter aos seus parlamentares, já que a decisão não é dele, não é monocrática, e sim da Câmara e do Senado, que pudesse submeter e dar andamento ao pedido de impeachment. Lamento muito a postura do Presidente da Câmara nesse momento, nessa declaração que acaba de fazer à imprensa. Vamos agora ouvir o doutor Rui Curi, e na sequência, Jean Gorinchteyn.

RUI CURI, DIRETOR DA FUNDAÇÃO BUTANTAN: Maria, obrigado pela pergunta. Quando da aprovação da Coronavac, logo no início, a ANVISA visitou a China e visitou o complexo industrial da Sinovac, e ela aprovou toda a infraestrutura, todas as etapas de produção da vacina, desde a produção do IFA, até a produção da embalagem, até o envase. Então todo o processo foi aprovado. O complexo individual é um complexo grande, esse complexo ele sofreu algumas modificações, porque eles tiveram que acrescentar, aumentar a capacidade produtiva, uma vez que a Sinovac hoje é a maior produtora de vacinas do mundo, porque a China é a maior produtora de vacinas contra a COVID-19. E no caso a Sinovac, a maior produtora da China. Então tiveram que aumentar a sua capacidade produtiva. Em junho e julho, o Butantan decidiu comprar vacinas bidoses, prontas, para acelerar o processo de vacinação, e toda a documentação foi enviada para a ANVISA para que fosse aprovada, para que fosse registrada a nova embalagem de duas doses, e toda a documentação foi enviada pela Sinovac e foi aprovada pela ANVISA. A partir daí tudo estava regularizado, sem problema algum, para a Sinovac, ela entendeu que estava tudo regularizado. Acontecem que o nosso controle de qualidade percebeu uma ligeira mudança no padrão no código de identificação da vacina, entrou em contato com a Sinovac, e eles falaram, não, nós estamos usando o envase em uma linha agora, que é uma linha nova, e então o nosso controle de qualidade imediatamente comunicou a ANVISA, e a ANVISA tomou uma medida que ela chama de uma interdição cautelar, na verdade, é só uma interdição cautelar desses lotes que nós recebemos, e a partir daí nós começamos a trabalhar junto com a ANVISA, para regularizar a liberação desses lotes. Toda essa nova linha de envase foi certificada pela NMPA, que é a National Medical Products Administration da China. E essa inspeção, que foi realizada, o relatório de inspeção está sendo encaminhada para a ANVISA, para que a ANVISA então reconheça que foi feito o controle de qualidade como deveria ser. Mas eu queria deixar bem claro que o seguinte, como foi dito por todos, a vacina tem um controle de qualidade rigoroso, como todo o resto da fábrica, não é diferente da fábrica que foi certificada pela nossa própria ANVISA. Então é uma questão apenas de formalização dessa linha de envase que não estava formalizada, embora quando toda a documentação foi enviada, a interpretação de Sinovac é que tinha sido contemplada. Então isso está sendo regularizado, e em breve nós teremos certamente a aprovação para poder liberar os lotes que estão interditados. Obrigado.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DE SÃO PAULO: Obrigado, doutor Rui. Vamos agora ao doutor Jean Gorinchteyn.

JEAN GORINCHTEYN, SECRETÁRIO DA SAÚDE: Lembrando que não são 20 milhões de doses desse imunizante, desse lote, foram 12 milhões, desses, 4 milhões ficaram no território do estado de São Paulo, e todas as doses passaram por um rígido controle de qualidade, na verdade, foram três estágios de controle, tanto lá pela China pela ANVISA local, quanto pelo próprio Instituto Butantan, e também de uma estrutura absolutamente isenta e autônoma, que é o Instituto Nacional de Controle de Qualidade ligada à Fiocruz, ao Governo Federal. Portanto, essas doses só foram liberadas a partir da certificação de que não havia nenhuma alteração física ou química nesse produto, por isso a segurança na sua distribuição. Lembrando que as doses que foram aplicadas não houve sequer algum relato de alguma alteração anômala, bem como estão sendo acompanhados do ponto de vista clínico, nós precisamos dizer que não serão feitos nenhuma avaliação outra, no ponto de vista imunobiológico, se considerando a qualidade desse produto, no que tange aquilo que se propõe, que é a dose de um imunizante, portanto, de imunizar, de produzir anticorpos.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DE SÃO PAULO: Muito bem, muito obrigado, doutor Jean Gorinchteyn, respostas, portanto, finalizadas à Maria Manso. Eu queria voltar apenas a dizer que, lendo aqui a matéria do UOL sobre Arthur Lira: "Em recado a Bolsonaro, Lira diz ser hora de dar basta à escalda de bravatas". Se essa, de fato, é a posição do Presidente da Câmara, Arthur Lira, ele que faça o encaminhamento de um dos pedidos de impeachment, existem mais de 130 que estão engavetados no gabinete do Presidente da Câmara, se ele, de fato, entende, como consta aqui no Portal UOL: "Em recado a Bolsonaro, Lira diz ser hora de dar basta à escala de bravatas", que proceda dentro da democracia, e dentro dos procedimentos do Congresso Nacional, a apresentação do processo de impeachment contra o Presidente Jair Bolsonaro. Não é apenas na palavra, é na atitude que se faz democracia. Vamos agora à Daniella Gemignani, da TV Globo, Globo News, encerrando a nossa coletiva de hoje. Daniela, boa tarde. Bem-vinda. Sua pergunta, por favor.

DANIELLA GEMIGNANI, REPÓRTER: Oi, governador. Boa tarde, para o senhor. Boa tarde, a todos. Governador, eu vou insistir um pouco na pergunta da Tainá, sobre um possível acordo entre o PSDB e o PT, a opinião do senhor, se o senhor acha isso possível, apesar, claro, da decisão ser do presidente nacional do partido, até porque, hoje à tarde tem uma reunião da cúpula do PSDB sobre o que fazer em relação ao Presidente Jair Bolsonaro. Então eu queria, se o pudesse dar um ponto de vista. E também reforçando a pergunta do Bruna, em relação à conversa com os governadores, o senhor falou que já conversou com alguns governadores ontem, mas também se tem a previsão de um novo fórum para discutir isso de maneira mais formal? Queria saber sobre isso, obrigada.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DE SÃO PAULO: Obrigado. Jornalistas unidos, jamais serão vencidos. Daniella, em relação às duas perguntas, eu já me manifestei ontem, e voto a repetir hoje, que como governador eleito do estado de São Paulo pelo voto popular, respeito a democracia, respeito a Constituição, respeito as liberdades, e refuto quem quer que seja, principalmente quem ocupa a posição no Executivo, a molestar, e principalmente a emparedar a democracia brasileira, como os gestos, as palavras, as atitudes do Presidente Jair Bolsonaro, especialmente ontem, nas manifestações em Brasília, e aqui em São Paulo. Eu lamento que o Presidente da República continue flertando com o autoritarismo, e quero dizer que aqui em São Paulo ele não terá eco, junto ao governo do estado, para prosseguir falando o inadequado, e principalmente a impropriedade de ameaçar qualquer ministro do Supremo Tribunal Federal. Nós inclusive garantimos a proteção física ao ministro Alexandre de Morais, aos dois outros ministros do Supremo que residem em São Paulo, e aos seus familiares. São Paulo tem uma história de defesa à liberdade, defesa à democracia, o movimento das Diretas Já nasceu em São Paulo, a partir de André Franco Montoro, que foi meu antecessor como governador do estado, e aqui nós defendemos, defenderemos sempre a democracia e o estado democrático de direito. Porém, decisões partidárias cabem ao presidente nacional do meu partido do PSDB, a quem confio e a quem delego a minha representação, como governador do PSDB, Bruno Araújo. Portanto, deixo aqui a minha posição de maneira extremamente clara a todos vocês. Bem, obrigado, Daniella, pela sua intervenção. Obrigado aos demais jornalistas que aqui estão. Fazendo uma pequena brincadeira aqui, deixaram a Nani Cox de fora, estou vendo a Nani aqui. Hoje cortaram a Nani das perguntas, na próxima a Nani Cox vai estar. Brincadeira. A Nani está sempre muito presente aqui em todas as coletivas, aliás, de manhã, de tarde e de noite, a Nani trabalha muito. Nani, você é sempre muito bem-vinda aqui entre nós. E a todos que estão nos acompanhando em casa, obrigado às emissoras, à TV Record, à TV Cultura, à TV Band, que transmitem ao vivo, assim como os portais que também fazem a transmissão ao vivo. Por favor, se protejam, usem máscaras ao saírem das suas casas, ou dos seus escritórios, ou a estarem em qualquer local público, por favor, usem máscaras, é lei, é a obrigatoriedade, mas mais do que tudo, ao usar máscaras você se protege, protege a sua família, e os seus amigos. Uma boa tarde, a todos, fiquem bem, fiquem com Deus. Obrigado.