Coletiva - SP vai entregar mais 21 milhões de doses da vacina do Butantan, 17% acima do previsto 20210103

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Coletiva - SP vai entregar mais 21 milhões de doses da vacina do Butantan, 17% acima do previsto 20210103

Local: Capital - Data: Março 01/03/2021

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JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Pessoal, boa tarde. Muito obrigado, pela presença, aos jornalistas, aos cinegrafistas, fotógrafos, técnicos que aqui estão presencialmente, nos Palácio dos Bandeirantes, e aqueles que estão remotamente acompanhando como jornalistas, e também como espectadores a coletiva de imprensa aqui no Palácio dos Bandeirantes. Essa é a coletiva de número 182, e o tema principal, por óbvio, é a COVID-19. Participam da coletiva de hoje, além do doutor Jean Gorinchteyn, secretário da Saúde, Patrícia Ellen, secretária de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia; Marco Vinholi, secretário de Desenvolvimento Regional; a doutora Regiane de Paula, coordenadora do PEI - Programa Estadual de Imunização; Camila Pintareli, procuradora do estado de São Paulo; também Paulo Meneses, coordenador do centro de contingência do COVID-19; João Gabbardo, coordenador executivo do centro de contingência de COVID-19; José Medina, membro do comitê de contingência do COVID-19; e doutora Cristina Megid, que é chefe do centro de vigilância sanitária do estado de São Paulo. A todos, muito obrigado por estarem aqui participando desta coletiva de hoje. Antes de falarmos sobre os dados da saúde da COVID-19, da vacinação, um esclarecimento importante que faço aqui na condição de governador do estado de São Paulo, repondo a verdade, falo também, certamente, interpretando a posição de vários governadores do estado de São Paulo, que nesse final de semana, no nosso grupo de governadores, manifestaram muita indignação com a postagem feita pelo Presidente da República, em relação a recursos para os governos estaduais. E é importante que não apenas os jornalistas, mas principalmente a opinião pública, tenha a informação correta daquilo que representa o pacto federativo, e aquilo que representa a destinação de impostos que são arrecadados nos estados, e destinados ao Governo Federal. Os estados do Brasil destinaram ao Governo Federal em 2020, R$ 1,9 trilhão. Volto a repetir, os estados e o Distrito Federal destinaram ao Governo Federal, no ano passado, R$ 1,9 trilhão em impostos. São Paulo foi responsável por 41% de toda a arrecadação Federal nos estados, e apenas São Paulo contribuiu com R$ 414 bilhões em arrecadação para o Governo Federal, e recebeu de volta apenas 11% de tudo que arrecadou. Volto a repetir, apenas São Paulo contribuiu com R$ 414 bilhões dessa arrecadação para o Governo Federal, e recebeu de volta apenas 11% do que arrecadou. Ou seja, R$ 55 bilhões. O fato é que os estados brasileiros sustentam a União, isso é real, esse é o número, essa é a verdade. E não ao contrário, não é a União que sustenta os estados brasileiros, são os estados brasileiros que sustentam a União. Vale ressaltar ainda que do total dos tributos federais arrecadados, 60,27% foram retidos pelo Governo Federal e não foram redistribuídos aos estados brasileiros, apenas 39,73%, repito, 39,73% da arrecadação Federal foi distribuída a estados e municípios. É, portanto, um mal exemplo, mais Brasília e menos Brasil, está na hora de mudar. Vacinação, a boa notícia, tendo em vista que a única solução definitiva para o Brasil sair dessa gravíssima crise da COVID-19, é a vacina, até lá, evidentemente, temos que usar máscaras, nos proteger, evitar aglomerações, ter hábitos de higiene, sobretudo, na lavagem das mãos, e evitar, evitar e evitar aglomerações de qualquer ordem, de qualquer natureza, sob qualquer alegação. Mas o que vai salvar o Brasil é vacina, é a vacinação. São Paulo vai entregar mais 21 milhões de doses da vacina do Butantã nesse mês de março, para o Ministério da Saúde. Repito, São Paulo vai entregar 21 milhões de doses da vacina do Butantã do Ministério da Saúde, para a vacinação dos brasileiros nesse mês de março. É 17% mais do que o previsto anteriormente, e essa é a boa notícia. E por quê? Porque estamos aumentando o tempo de trabalho, agora o Instituto Butantã opera 24 horas por dia, sete dias por semana, para agilizar a produção e a entrega de mais doses da vacina do Butantã para o Ministério da Saúde, e para o atendimento de todos os brasileiros, os brasileiros de São Paulo e os brasileiros do país. Repito, que até o final de abril, portanto, até o final do próximo mês de abril. Hoje, dia 1 de março, nós já estaremos entregando 46 milhões de doses da vacina do Butantã ao Ministério da Saúde, 46 milhões de doses da vacina do Butantã. E até 30 de agosto, outros 54 milhões de doses da vacina do Butantã. Estávamos originalmente previstos e contratadas para entrega dessas 100 milhões de doses até 30 de setembro, e já conseguimos antecipar em 30 dias, e a orientação dada por mim, como governador de São Paulo, ao Instituto Butantã, através do doutor Dimas Covas, é tentarmos acelerar ao mais rápido possível, contratando mais pessoas, mais técnicos, e ocupando 24 horas por dia a fábrica do Butantã, para a produção de mais vacinas. Outra boa notícia, na próxima quinta-feira, dessa semana, vamos receber mais 8 mil litros de insumos da vacina, vindos da China, do Laboratório Sinovac, que mantém o acordo operacional e de produção da vacina do Butantã, em conjunto com o nosso instituto aqui em São Paulo, isso representa a produção de mais 14 milhões de doses da vacina. Portanto, quinta-feira, 8 mil litros de insumos chegarão em um voo da China, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, pela manhã, garantindo assim ao Butantã a produção de mais 14 milhões de doses da vacina para o Brasil. E sobre o programa de vacinação, também a informação de que depois de amanhã, quarta-feira, vamos entregar mais 900 mil doses da vacina, já pronta e envasada, para o Ministério da Saúde para prosseguir a vacinação dos brasileiros. E o ritmo da vacinação em São Paulo segue também em um bom ritmo, e sobre isso falará a coordenadora do PEI - Plano Estadual de Imunização, a doutora Regiane de Paula. Leitos de UTI, vocês todos aqui, os jornalistas em especial, nas coletivas acompanharam as nossas manifestações feitas desde o mês de janeiro de maneira incisiva, cobrando qual a razão do Ministério da Saúde ter suprimido a homologação de leitos de UTI em São Paulo e em todo o Brasil. Vocês se lembram que até dezembro o Ministério da Saúde tinha leitos de UTI homologados e pagos pelo Ministério da Saúde, o que faz parte do SUS - Sistema Único de Saúde, não é nenhum favor, essa é uma obrigação, e é uma obrigação histórica determinada pelo SUS. Uma referência positiva no Brasil, e aliás, respeitado internacionalmente. Houve uma ruptura, o Ministério da Saúde cancelou a homologação de leitos em São Paulo e em todos os estados do país, e também no Distrito Federal. São Paulo então entrou no Supremo Tribunal Federal, outros dois estados o fizeram também, na sequência, o estado do Maranhão e o estado da Bahia. E na última sexta-feira a ministra do Supremo Tribunal Federal, Rosa Weber, determinou que o Ministério da Saúde volte a homologar, conforme o Sistema Único de Saúde, os leitos de UTI no estado de São Paulo. O fez também em relação ao Maranhão, e à Bahia. E essa medida vai, certamente, se estender a todos os estados que entrarem com o mesmo recurso no Supremo Tribunal Federal. Mas eu classifico aqui, que tristeza termos que recorrer à justiça para termos leitos de UTI para salvar vidas, isso já deveria fazer parte de uma coordenação nacional independentemente de solicitação, e muito mais ainda independentemente de recursos judiciais. Mas assim fizemos, e eu quero cumprimentar a ministra Rosa Weber pela atitude, pela coerência, pelo bom-senso e pela obediência à lei, que ela expressou no seu voto, para determinar que o Ministério da Saúde pague imediatamente os leitos de UTI. Isso significa que aqui no estado de São Paulo, R$ 245 milhões por mês, que era o custo que nós aqui, o governo do estado estava assumindo pelos leitos, no mês de janeiro e no mês de fevereiro. Nós não deixamos de ter leitos de UTI disponibilizados para o sistema público de saúde em São Paulo, mas fomos surpreendidos, e tivemos que fazer um desembolso de quase R$ 0,5 bilhão, quando esses recursos deveriam ser do Ministério da Saúde. São 5.112 mil leitos de UTI/COVID-19 que estavam homologados, e que agora voltam à responsabilidade de pagamento do Ministério da Saúde, repito, isso representa R$ 245 milhões por mês, para o custeio desses leitos. E a orientação dada ao secretário da Saúde, Jean Gorinchteyn, aqui ao meu lado, é para que proceda imediatamente a cobrança desses valores, e obviamente que o Ministério da Saúde obedeça a ordem judicial da ministra Rosa Weber, em São Paulo, no Maranhão, na Bahia, e certamente nos demais estados brasileiros, e no Distrito Federal, que também foram vitimados por mais um equívoco, por mais uma desídia do Ministério da Saúde, abandonando a população brasileira, e não oferecendo as condições adequadas de homologação de leitos de UTI. Quero também cumprimentar a Procuradoria Geral do estado de São Paulo - PGE, na pessoa da doutora Lia Porto, que é a nossa procuradora geral. E sobre esse tema, a procuradora Camila Pintareli, que aqui está, falará na sequência, juntamente com Jean Gorinchteyn, secretário da Saúde do estado de São Paulo. Vamos então começar no primeiro tema, que é o da vacina, com a doutora Regiane de Paula, coordenadora geral do Programa Estadual de Imunização. Doutora Regiane.

REGIANE, COORDENADORA GERAL DO PROGRAMA DE VACINAÇÃO DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigada, governador. Boa tarde, a todos e todas. Antes de falar, governador, me permita sobre as vacinas, os nossos cronogramas. Eu gostaria de enfatizar aqui, que se hoje nós estamos vacinando, não só o estado de São Paulo, como os 26 estados, mais o Distrito Federal, é por sua liderança, é porque o senhor no momento correto colocou ao Instituto Butantã a necessidade de termos vacinas. Então hoje nós podemos falar sobre vacinas graças à sua liderança. Muito obrigada, porque o que a gente viu no sábado, foi muito bonito, tem sido muito bonito ver as pessoas idosas saindo de casa, e mesmo com alguns contratempos, felizes por terem a vacinação. Então esse é um momento de alívio frente a tudo o que a gente vem enfrentando. Então aqui o meu agradecimento. Desculpa pela emoção, mas realmente é algo que toca a todos nós. Sobre a vacinação então, nós antecipamos a vacinação para o sábado, para os idosos de 80, 84 anos, e no dia 3 agora, faremos 77, 78 e 79 anos. Hoje, o dado do vacinômetro ele computa doses aplicadas, de primeira dose, na verdade, D1 e D2, 2.414.037 milhões de doses aplicadas, sendo de primeira dose 1.884.977 milhão de doses, e de segunda dose 529.060 doses. Lembrando uma vez mais, que de cada dez brasileiros vacinado, nove são vacinados com a vacina do Butantã. É isso, governador. Muito obrigada.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito obrigado, Regiane. Obrigado pelo seu trabalho, e o trabalho da sua equipe também, que tem em média trabalhado 18 horas por dia, para a operacionalização do PEI - Programa Estadual de Imunização. Quero cumprimentar também a prefeitura de São Paulo, o Edson Aparecido, o secretário de Saúde da capital de São Paulo, e também secretárias e secretários de saúde dos municípios, que tem feito um esforço enorme para seguir a vacinação da melhor maneira possível, e atendendo principalmente nesse momento, as pessoas com mais idade. Natural, compreensível a ansiedade e a busca pela vacina, concentradamente no primeiro dia em que se abre a vacinação. E as medidas que foram adotadas no município de São Paulo, em especial, em conjunto com o governo do estado, permitiram que ontem, domingo, a vacinação, ocorresse de forma normal, sem filas, sem filas prolongadas, de forma eficiente e respeitosa em relação às pessoas com mais de 80 anos. E agora a partir do dia 3, estaremos vacinando também as pessoas com 79, 78 e 77 anos. Lembrando sempre a recomendação pra que o pré-cadastro facilita muito a agilização da vacinação nos postos de saúde dos municípios e do estado, Vacina Já, conforme acaba de mencionar a Dra. Regiane, isso evita filas, melhora o conforto às pessoas de mais idade. E aquelas que forem usar o drive thru, uma recomendação básica, por favor, escolham vários das alternativas, agora, a partir de amanhã, nós teremos também o São Paulo Futebol Clube, aqui ao lado do Palácio dos Bandeirantes, com drive thru, já temos o clube Hebraica, que começou ontem, domingo, com drive thru, e teremos mais um terceiro ponto de drive thru, operando regularmente na Alianz Arena, aqui na capital de São Paulo, pelo site da prefeitura de São Paulo, vocês terão as informações, sempre abrindo às oito horas da manhã, até as sete horas da noite. Evitar a concentração excessiva pela manhã ajuda a diminuir o desconforto das pessoas que querem ser vacinadas. Também a outra providência básica, leve dentro do seu automóvel algumas garrafinhas de água, pra que você possa hidratar as pessoas, seus pais, seus avós, enquanto seguem a orientação dos profissionais de saúde, nos pontos de drive thru. Também foram instalados banheiros químicos em torno de todos os pontos de vacinação para também melhorar o conforto das pessoas que acompanham, aquelas que têm mais idade e, obviamente, as pessoas de mais idade também. Sobre o tema do voto da ministra Rosa Webber, fala, nesse momento, Camila Pintarelli, procuradora do Estado de São Paulo. Camila.

CAMILA PINTARELLI, PROCURADORA DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigada, governador, boa tarde a todos. Governador, foram nada menos do que 17 ofícios enviados pela Secretaria do Estado da Saúde de São Paulo ao Ministério da Saúde, pra tratar do tema de habilitação de leitos, as duas últimas missivas foram enviadas este ano, e já noticiavam o estado de progressivo abandono no custeio dos leitos de UTI Covid no Estado de São Paulo, situação essa que foi corroborada pelo Conas, e que hoje, neste momento, representa zero leitos habilitados no Estado de São Paulo, diante do silêncio da União, não nos restou outra alternativa senão provocar a jurisdição do STF, conforme noticiado aqui, no dia dez de fevereiro, por nossa procuradora geral, Dra. Maria Lia Corona, é importante registrar que desde o afloramento dessa ação, a situação da internação do Estado de São Paulo piorou sobremaneira, no dia 25 de fevereiro, diante desse quadro, e pra auxiliar a formação do convencimento da ministra Rosa Webber, nós peticionamos novamente no STF, levando a atualização do quadro de internações, e noticiando o possível esgotamento de leitos na rede pública de saúde, felizmente, no sábado à noite, a liminar foi deferida pela ministra Rosa Webber, determinando-se a retomada do custeio desses leitos pela União, e também a análise imediata de todos os pedidos que foram endereçados ao Ministério da Saúde pra essa finalidade. Trata-se de uma ação judicial de altíssima complexidade, governador, e essa decisão representa uma vitória muito grande no Estado de São Paulo, porque põe luz à gestão da pandemia num momento de inegável escalonamento das internações. Obrigada.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito obrigado a Dra. Camila Pintarelli, quero também aproveitar aqui e, infelizmente, anunciar que também vamos judicializar o tema das seringas e das agulhas, os jornalistas que comparecem aqui à coletiva de imprensa no Palácio dos Bandeirantes, são testemunhas que, desde janeiro, nós cobramos do Ministério da Saúde a destinação de seringas e agulhas para a vacinação, isso faz parte do Plano Nacional de Imunização, sempre foi assim no SUS, não é um fato novo, é um fato curricular do Sistema Único de Saúde, o Ministério da Saúde não providenciou seringas e agulhas para os estados e municípios, os estados estão atendendo a vacinação com as suas próprias seringas e com as agulhas dos seus estoques, isso não é justo, isso não é correto, não é apenas São Paulo, todos os estados brasileiros, a PGE foi autorizada hoje a entrar com uma medida no Supremo Tribunal Federal para exigir que o Ministério da Saúde cumpra a sua obrigação e forneça ao Estado de São Paulo e, certamente, isso será referendado para todos os demais estados brasileiros, seringas e agulhas para a continuidade do programa de vacinação. Agora, vamos com o Dr. Jean Gorinchteyn, secretário da saúde, ainda neste tema, e também com os dados da Covid em São Paulo no dia de hoje.

JEAN GORINCHTEYN, SECRETÁRIO DA SAÚDE DE SÃO PAULO: Boa tarde, governador, boa tarde a todos, estamos na nona semana epidemiológica do ano de 2021, a pandemia, ela retornou com uma velocidade e uma característica clínica diferente daquela que nós observamos na primeira onda, são pacientes mais jovens, pacientes que têm a sua condição clínica muito mais comprometida e o pior, são aqueles pacientes que acabam permanecendo por um período muito mais prolongado nas unidades de terapia intensiva, em relação àquilo que nós observávamos na primeira onda do Covid-19 no ano passado. Esses aspectos, tanto de gravidade de doença com maior tempo de permanência nas unidades de internação, com maior número de casos, onde aqui também se associa a presença da nova cepa, fazem com que tenhamos uma forma de ocupação crescente nos nossos leitos, especialmente de unidade de terapia intensiva, 60% desses pacientes estão ocupando as nossas unidades de terapia intensiva, e era o que nós vínhamos exatamente o contrário, nós tínhamos 60% das ocupações que ocorriam nas enfermarias e 40% apenas nas UTIs. O estado hoje, como vocês podem ver, está com 73,2% da sua ocupação, e a grande São Paulo acima do próprio estado com 74,3%. É importante lembrar que na segunda-feira da semana anterior, tínhamos a taxa de ocupação em 67,9% no estado e a grande São Paulo 67,8%. Falávamos ainda num número de ocupações de leito, naquela oportunidade, de 6.410 pacientes, e hoje, notem, 7.173 pacientes internados nas unidades de terapia intensiva, são aproximadamente 763 pessoas a mais do que na semana anterior, com uma média de 100 novos pacientes internados diariamente nas unidades de terapia intensiva de todo estado. Recalibramos na semana passada o Plano São Paulo, aumentamos as fiscalizações e autuações durante todo final de semana, e isso se dará por toda pandemia, e estamos redimensionando e redirecionando leitos, seja de UTI e de enfermaria de Covid, para todo estado, inclusive com a programação de abertura de novos leitos especialmente voltados a hospitais de campanha, e reforçando que hoje os hospitais de campanha deverão ocorrer dentro das unidades hospitalares, até porque nós precisamos de UTI mais do que as próprias enfermarias, nós já temos, no interior, três hospitais de campanha que já estão funcionando, tanto de Jaú, Araraquara, Bauru e Bebedouro, principalmente com apoio financeiro do estado, além do próprio hospital de campanha do [ininteligível] em Heliópolis, na próxima quarta-feira teremos oportunidade de divulgar a vocês as novas ações para expansão de leitos no nosso estado, estamos também, como pudemos ver, vacinando mais, especialmente grupos que estão relacionados a causas e condições muito mais grave, do ponto de vista clínico, e que correspondem a 77%, infelizmente, daquelas pessoas que perdem as suas vidas. Mas precisamos a colaboração da população, não adianta abrir mais leitos, nós estamos abrindo, estamos expandindo, pra dar, a medida do possível, assistência, vocês puderam ver, são 100 novas internações por dia, nós estamos fazendo a nossa parte, nós temos a limitação, tanto de espaço, mas fundamentalmente voltadas à limitação de recursos humanos, de médicos, de enfermeiros, de fisioterapeutas, nós precisamos que a população mude o comportamento, é vergonhoso o que nós vimos nesse final de semana com o número de autuações que foram feitas, a forma com que as pessoas se expõe a risco, e o pior, levam esse vírus pra dentro das suas casas, matando suas mães, seus pais, seus tios e avós, e também se matando, eu sempre falo e volto a repetir, não é só perder o paladar e olfato, hoje nós estamos vendo uma nova Covid, que está fazendo as pessoas perderem a vida, próximo slide, por favor. Nós estamos vendo, em número de casos, uma elevação de 9,7% em relação a semana epidemiológica anterior. Próximo, por favor. As novas internações, pasmem vocês, na sexta-feira eram 13% de elevações, nós estamos com 18,3 de elevação do número de internações, tanto de enfermaria, quanto de unidades de terapia intensiva, próximo, e veja, se nós compararmos a 29ª lá de julho, que tivemos, na primeira onda, o pico do número de ocupações de leito de terapia intensiva, já temos, nessa nona semana, 14,7% a mais, nós temos que parar com a velocidade e a instalação da pandemia no nosso meio, nós imploramos, nós já não pedimos, que a população colabore, precisamos ter responsabilidade, estamos todos no mesmo barco, e todos estamos em risco. Obrigado, governador.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Jean Gorinchteyn. Bem, com isso nós encerramos as nossas informações, e vamos agora às perguntas dos jornalistas, eu vou citar aqui a ordem dos que estão já inscritos, começando pela CNN Brasil, depois Agência Reuters, na sequência TV Cultura, Jornal Estado de São Paulo, SBT, Rádio CBN e TV Globo, Globo News. Vamos, então, com você, Tainá Falcão, boa tarde, Tainá, bem-vinda, sua pergunta, por favor.

TAINÁ FALCÃO, REPÓRTER: Obrigada. Boa tarde a todos. Secretário, eu vou continuar com o senhor, então, pra saber mais detalhes, se já houve, então, uma sinalização do Ministério da Saúde, se a Secretaria esteve em contato com o Governo Federal a respeito dessa decisão do Supremo, e se vai haver a solicitação ou se houve, a gente também ainda não sabe, do ressarcimento do que já foi pago pelo Governo de São Paulo, desses leitos habilitados.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Tainá. Responde Jean Gorinchteyn, e se necessário com comentários da Dra. Camila. Por favor.

JEAN GORINCHTEYN, SECRETÁRIO DA SAÚDE DE SÃO PAULO: Tainá, no mês passado, nós tínhamos 11% dos nossos leitos estavam habilitados, mudou o mês, estamos em março, nenhum dos leitos do estado tem a sua habilitação, se nós não tivéssemos, realmente, essa ação do Supremo Tribunal Federal nos apoiando, nós continuaríamos, assim como o próprio estado e municípios investindo 240 milhões de reais por mês, isso é vergonhoso, isso não segue a pactuação que nós chamamos de tripartite dentro da saúde, que é financiamento de municípios, do estado, mas da União, nós temos que ter esses valores. Agora, no período da tarde, estaremos mandando um ofício, cobrando a celeridade no envio desses recursos, principalmente no momento que vivemos uma calamidade no nosso sistema de saúde, e nós temos que ter recursos pra continuar financiando as nossas ações na saúde.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Por favor, Dra. Camila.

CAMILA PINTARELLI, PROCURADORA DO ESTADO DE SÃO PAULO: Tainá, excelente pergunta a sua, evidentemente, vamos cobrar o ressarcimento, o Estado de São Paulo propôs, inclusive, a instalação de uma via conciliatória no STF, pra que uma vez cumprida a liminar pela União, nós continuemos discutindo esse encontro de contas, numa via com todos os entes da Federação.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado. Então, Tainá, grato pela sua intervenção. Vamos agora ao Eduardo Simões, da Agência Reuters, o Eduardo está virtual, Eduardo, mais uma vez, bem-vindo, você já está em tela, sua pergunta, por favor.

EDUARDO SIMÕES, REPÓRTER: Obrigado, governador, boa tarde, boa tarde aos secretários, boa tarde a todos e a todas. Eu queria perguntar sobre os testes que o Butantan tem feito sobre, em relação a eficácia da vacina do Butantan, com a variante de Manaus, se já há alguma conclusão a esse respeito, e se não, se há um prazo pra que já se tenha essa informação, se a vacina é eficaz contra essa variante. E governador... Gostaria de um esclarecimento sobre se o Ministério da Saúde já deu, pagou, iniciou o pagamento das vacinas que já foram entregues, esse pagamento o senhor havia dito que teria que ser feito até o final do mês de fevereiro. Gostaria de saber se isso já ocorreu. Obrigado.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Eduardo. Começo pelo segundo tema, embora hoje, infelizmente, o Dr. Dimas Covas não pôde participar aqui da nossa coletiva, ele está fazendo exames médicos. Mas houve um pagamento, no valor de R$ 500 milhões, no início de mês de fevereiro, mas há novos pagamentos a serem feitos e os volumes são bastante substantivos. Ao que sei, até o presente momento, nenhum pagamento adicional foi feito. Mas na quarta-feira, Dr. Dimas Covas estará aqui, Eduardo, e se você puder participar, agradeço, com a mesma pergunta, para que ele mesmo possa atualizar esta informação. E sobre o primeiro tema, se é possível o Butantan apontar se a vacina é efetivamente eficaz com essa variante de Manaus, vou pedir ao Dr. Paulo Menezes, coordenador do Centro de Contingência do Covid-19, que proceda à resposta.

PAULO MENEZES, COORDENADOR DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: Obrigado, governador, boa tarde, Eduardo. O Instituto Butantan está concluindo análises sobre a eficácia da Coronavac contra a variante de Manaus. Nós já sabemos que há eficácia, em testes feitos na China, eficácia da Coronavac contra as variantes chamadas do Reino Unido e da África do Sul. E esperamos que, até o final dessa semana, tenhamos resultados para a variante de Manaus. Nós estamos otimistas, porque a Coronavac, como vocês sabem, ela é feita a partir de vírus inativados, não é uma partícula específica do vírus, de forma que, mesmo quando há essas mutações nas partículas, a chance da Coronavac ser efetiva continua bastante alta. Vamos aguardar, assim que tivermos nós vamos divulgar.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Eduardo, muito obrigado pela sua presença. Na próxima quarta-feira, espero reencontrá-lo aqui. Vamos agora a Maria Manso, da TV Cultura, pela ordem. Maria, boa tarde. Sua pergunta, por favor.

MARIA MANSO, REPÓRTER: Boa tarde. Eu vou insistir na questão dos hospitais de campanha. A gente sabe que é necessário, além dos equipamentos, o pessoal, mas esse pessoal existe e já foi até treinado, porque até o ano passado eles trabalhavam nos hospitais de campanha que a gente tinha aqui na capital e no estado. Diante dos números que avançam aqui no estado, e também no restante do país, não é a hora de reabrir hospitais de campanha?

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Maria, vou pedir ao Dr. Jean Gorinchteyn, secretário da Saúde, para responder à sua pergunta. Jean.

JEAN GORINCHTEYN, SECRETÁRIO DA SAÚDE DE SÃO PAULO: Maria Manso, na quarta-feira, vamos trazer todas as estratégias. A gente nunca descartou abrir hospitais de campanha, só que os moldes dos hospitais de campanha, nesse momento, são diferentes daqueles, em que a gente precisava enfermaria. Hoje, nós precisamos UTI. Então, dessa maneira, as estruturas dos hospitais de campanha vão acontecer dentro das estruturas dos hospitais. Quando você diz que nós já tínhamos o recurso humano, médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, nós temos que lembrar que quem está crescendo tanto quanto a Covid são formas graves de outras doenças, que não Covid. Os aneurismas, que são alterações nas artérias, que matam, os infartos, os acidentes automobilísticos, e isso também divide equipe. Então eu não tenho uma assistência só ao Covid, quando a gente falava: fique em casa. E ninguém era atropelado, ninguém batia o carro. Hoje, infelizmente, isso tem acontecido. Então, nós estaremos fazendo realmente a ampliação do número de leitos, as estruturas e em quais hospitais vocês saberão na próxima quarta-feira, porque o nosso objetivo é não deixar os nossos pacientes desassistidos. Mas ressalto a necessidade da população se envolver nessa responsabilidade, de ter responsabilidade, usar máscaras e evitar as aglomerações.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Maria Manso. Eu vou pedir, a propósito dessa pergunta, e em especial da resposta feita agora pelo nosso secretário de Saúde, que a Dra. Cristina Megid, que é chefe da Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo, possa fazer aqui uma intervenção. Nós fizemos o maior número de ações e de multas já realizadas aqui no Estado de São Paulo, sempre em cooperação com a Polícia Militar do Estado de São Paulo, com o Procon, em alguns casos também com as Guardas Municipais e prefeituras em todo o Estado de São Paulo, notadamente aqui na Grande São Paulo. Dra. Megid.

CRISTINA MEGID, CHEFE DA VIGILÂNCIA SANITÁRIA DO ESTADO DE SÃO PAULO: Boa tarde, governador, boa tarde a todos. Esse final de semana, esses três dias, onde se iniciou a restrição de circulação, infelizmente, a gente chegou num triste resultado: nós encontramos muitos estabelecimentos e muitas pessoas não respeitando a proteção e a prevenção à saúde do outro. Foram mais de 3.970 fiscalizações no Estado de São Paulo, com 286 autuações. Interditamos e esvaziamos vários estabelecimentos. Não tem classificação por setor econômico ou classe social, nós encontramos em todos os bairros, em todos os níveis as pessoas desrespeitando as regras de proteção e prevenção. Isso nos assusta muito, apesar de a gente estar no dia a dia, na fiscalização, mas a hora que a gente encontra, na situação de saúde, esse agravamento do setor, com relação a leitos e aumento de casos, e a gente identifica pessoas e estabelecimentos numa alta concentração de aglomeração, não usando máscaras, e, além do mais, até desafiando a própria fiscalização e as próprias regras. O que nos parece é que essas pessoas só vão tomar consciência do grande risco a partir do momento que ela perder um ente da família dela, porque essa abstração está sendo assustadora. Eu acho que nós temos esse resultado, que foi na primeira semana muito... Os próprios fiscais ficaram assustados de ver o número de estabelecimentos abertos e o número de pessoas, como se não houvesse amanhã. Eu acho que a situação está muito crítica e caótica. Eu acho que se a população não perceber que ela faz parte dessa solução, a gente não vai conseguir caminhar. Estamos num momento bastante crítico, e a gente, além de orientar, de a gente discutir com essas pessoas, muitas vezes somos até ofendidos, mas eu acho que isso faz parte do nosso trabalho, do nosso processo. O que a gente quer levar, realmente, é a conscientização para esse público. Então, foi extremamente assustador o que nós encontramos nesses três dias, sexta, sábado e domingo, de fiscalização no Estado de São Paulo.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Dra. Megid, obrigado, Maria Manso. Antes de seguirmos para a próxima pergunta, queria agradecer também à BandNews, que está transmitindo ao vivo, diretamente aqui do Palácio dos Bandeirantes, a nossa coletiva, juntamente com a TV Cultura. Vamos agora a uma pergunta online, que é do jornal O Estado de São Paulo, jornalista Paulo Fávero. Paulo, bem-vindo mais uma vez, boa tarde, sua pergunta, por favor.

PAULO FÁVERO, REPÓRTER: Boa tarde a todos, boa tarde, governador. Eu ia perguntar justamente sobre os hospitais de campanha. Eu acho que o assunto acabou se esgotando um pouco aí com as perguntas anteriores. Então eu queria, se possível, que o senhor explicasse esse decreto que classifica as decretas como atividades essenciais em todo o estado durante a pandemia, se possível, por favor. Obrigado.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Paulo, eu entendo que as igrejas, de qualquer religião, têm um papel essencial, sim, evidentemente obedecidos os cuidados necessários e as recomendações feitas pela Vigilância Sanitária: ocupação limitada dos assentos, distanciamento social, tomada de temperatura à entrada e uso obrigatório de máscaras. Eu sou católico, como muitos já sabem, e entendo que a oração ajuda muito a aumentar a sua resiliência, a sua resistência, a sua esperança em relação ao futuro. Portanto, foi uma determinação. Amanhã, o decreto será publicado no Diário Oficial do Estado de São Paulo, e mais do que isso, vamos transformar isso também em lei, para que fique claro que igrejas, de qualquer natureza, sejam católicas, evangélicas, anglicanas, ortodoxas, todas elas tenham a função essencial. Mas isso não as desobriga de seguirem as orientações sanitárias para a proteção dos seus fiéis, dos seus pastores e daqueles que atuam e contribuem nos cultos, que são realizados no Estado de São Paulo. Paulo, muito obrigado, continue aqui acompanhando a nossa coletiva.

Vamos agora para o SBT, com a jornalista Flávia Travassos. Flávia, obrigado mais uma vez pela sua presença, boa tarde. Sua pergunta, por favor.

FLÁVIA TRAVASSOS, REPÓRTER: Boa tarde, governador, boa tarde a todos. Queria saber a opinião do Centro de Contingência sobre esse crescente número, mais um recorde aí do número crescente de internações, se isso não seria o caso de tomar medidas mais drásticas, como por exemplo o lockdown. E se sim, governador, se o Governo do Estado considera decretar o lockdown para se diminuir essa quantidade. Obrigada.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Flávia, obrigado. Eu volto a repetir o que eu sempre tenho dito aqui, Flávia. Quem nos orienta é o Centro de Contingência do Covid-19, o governo não toma decisões políticas ou decisões amparadas em pressões econômicas, políticas, setoriais ou de quem quer que seja, toma decisões amparadas naquilo que o Centro de Contingência observa, discute e delibera. Então, vamos ouvir o Centro de Contingência, Dr. Paulo Menezes, sobre este tema. Paulo. E depois o João Gabardo também. Desculpe.

PAULO MENEZES, COORDENADOR DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: Obrigado, governador. Boa tarde, Flávia. Sem dúvida, é extremamente preocupante o que nós estamos observando. Eu posso dizer que a velocidade de crescimento de internações que nós estamos assistindo nos últimos dias não tinha sido vista anteriormente, nesse um ano de pandemia. Então, a transmissão está muito alta, e a forma principal de reduzir a transmissão é evitar que as pessoas se encontrem. E pra isso, existem as medidas restritivas. O Centro de Contingência está discutindo que recomendações fará esses dias para o governo. Eu acredito que vai ser no sentido de maior restrição para a grande maior parte do Estado de São Paulo. E também já tinha adiantado que nós estamos discutindo outras possibilidades, especificamente a possibilidade de ter uma classificação, talvez, mais restritiva do que a vermelha. Mas eu adianto que a nossa classificação vermelha já é bastante restritiva e ela é muito semelhante à classificação mais restritiva da maioria dos estados e de muitos países inclusive. Acho que a questão principal nesse momento é da população de fato seguir as recomendações. As recomendações são feitas. Na fase laranja, que nós estamos hoje, não se deve circular, as atividades se encerram às 20h, mas a gente tem assistido repetidamente o desrespeito, a transmissão. Quem se contamina fora de casa traz o vírus para dentro de casa e contamina outras pessoas, e isso é uma cadeia, de forma que, realmente, nós estamos sim discutindo esse momento, que está bastante crítico. Obrigado, governador.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Paulo Menezes. João Gabardo.

JOÃO GABARDO, COORDENADOR EXECUTIVO DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: Boa tarde, governador, boa tarde a todos. Eu quero reforçar o que o Dr. Paulo falou anteriormente. Claro que sim, estamos preocupados, é possível que tenhamos que tomar medidas mais duras, mas eu quero falar sobre uma diferença entre o que nós estamos enfrentando hoje no país e o que nós tivemos o ano passado. Nós tivemos uma evolução dessa pandemia, que ela obedeceu um segmento regional, nós começamos com a região norte, região nordeste, fomos para o sudeste, parecia que não ia acontecer nada na região sul nem no centro-oeste, terminou ocorrendo na região sul e terminou ocorrendo na região centro-oeste. Nesse momento, nós estamos enfrentando uma realidade muito diferente, o país inteiro está colapsando, todos os estados. Então, não é mais possível que as medidas fiquem na responsabilidade apenas dos gestores estaduais, dos governadores e dos prefeitos. É impossível que a gente continue o enfrentamento dessa pandemia sem ter uma unificação de conduta, sem ter uma comunicação única do que pode, o que não pode. Qual a orientação que nós devemos passar para a população? Não é mais possível que a população fique numa esquina sem saber se ela vai obedecer àquilo que os gestores estaduais, os governadores, os prefeitos estão recomendando, ou se ela vai obedecer àquilo que o Governo Federal estabelece, com condutas, provocando aglomerações, falando mal das máscaras e tentando até desmoralizar as vacinas. Eu quero fazer referência a uma correspondência que hoje está sendo encaminhada ao Ministério da Saúde, por parte dos 27 secretários estaduais da Saúde, pedindo exatamente isso: Chega. A partir de agora, o Ministério da Saúde tem que assumir a responsabilidade desses processos. E são algumas posições muito claras e objetivas em relação ao que está se solicitando ao Ministério da Saúde. O Ministério da Saúde tem que dizer que, a partir de agora, está proibido qualquer tipo de aglomeração, qualquer tipo de evento presencial. E a gente sabe que hoje a circulação das variantes, a circulação do vírus ela ocorre seguindo o roteiro do transporte aéreo. E quem é que pode fechar o transporte aéreo? Não são os governadores. A transmissão do vírus e dessas variantes têm ocorrido através do transporte interestadual. E quem é que pode legislar sobre o transporte interestadual? É o Governo Federal. Então acho que a partir de agora nós não podemos mais, secretários, governadores, prefeitos, ficarmos tentando soluções próprias pro enfrentamento da pandemia. É o momento de termos uma ação coletiva, nacional, como todos os outros países fizeram. Só nós que não estamos fazendo isso. Só nós que dependemos de alguns gestores pra tomar as providências que nos são necessárias. Nós não temos um comportamento único estabelecido pelo Governo Federal. Então essa é a maneira que eu vejo que nós precisamos a partir de agora pra o enfrentamento e pra tentar reduzir um pouco o número de óbitos que, certamente, ocorrerão enquanto nós não tivermos a solução da vacina.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Gabbardo. Flávia Travassos, muito obrigado. Vamos agora à penúltima pergunta que é da Rádio CBN com Mateus Meirelles. Mateus, obrigado por estar aqui conosco. Se quiser pode ajustar o microfone um pouco pra ficar melhor pra você. Sua pergunta, por favor.

MATEUS MEIRELLES, REPÓRTER: Boa tarde, governador, a todas e a todos. Bom, eu queria direcionar a minha pergunta mais para o centro de contingência. Não houve um afrouxamento grande da fase vermelha do Plano São Paulo de reabertura, considerando as medidas que foram sendo tomadas nos últimos meses? Eu cito, vou até insistir na pergunta dos dois últimos colegas, o decreto assinado hoje pelo governador, ele praticamente já estava previsto na fase vermelha do Plano São Paulo de encontro dos cultos desde que fossem seguidas as medidas sanitárias, né? Essas medidas elas já não estavam afrouxando bastante essa fase vermelha do Plano São Paulo de reabertura, né? Os cultos, já que não é pra ter encontro, o objetivo é que as pessoas deixem de se encontrar, deixem de se aglomerar, não seria a hora de evitar que esse tipo de coisa ocorresse em vez de autorizar de uma maneira com o decreto o encontro com essas pessoas? E essa carta que está sendo enviada ao Governo Federal, essas medidas que são solicitadas, que são pedidas pelos estados, elas podem de alguma maneira balizar essa possível nova fase a ser complementada no Plano São Paulo de reabertura? Obrigado.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Mateus, a resposta será dada pelo Jean Gorinchteyn que além de secretário de saúde, médico, infectologista do Instituto Emílio Ribas, é o nosso secretário de saúde. Jean, você pode responder as duas perguntas, se necessário uma contribuição de algum dos médicos aqui presentes.

JEAN GORINCHTEYN, SECRETÁRIO DA SAÚDE DE SÃO PAULO: Nós temos que entender que aqui em São Paulo existe o Plano São Paulo. O Plano São Paulo se baseia nos índices da saúde. Taxa de ocupação de leitos de UTI, morte, número de casos. Especialmente os dois itens iniciais eles dão suporte muito maior para medidas que são tomadas. O que nós temos feito especialmente o Governo do estado de São Paulo em nome do governador João Doria através de um decreto, são medidas complementares que garantem uma fiscalização muito mais robusta, especialmente da Polícia Civil e Militar que era algo que até então não estava associada, incrementada nessas medidas. Dessa maneira, pudemos fazer todas as autuações de uma forma muito mais rápida, célere, porque isso já vinha acontecendo, mas nós tínhamos toda uma limitação tanto de fiscalização, seja ela estadual, seja dos próprios municípios. E pior, nós tínhamos uma questão relacionada à segurança na realização das fiscalizações, e isso não aconteceu. Vários dos nossos agentes foram ameaçados nessas ações, ameaçados fisicamente. Então dessa maneira, hoje, nós temos o nosso poder maior de fiscalizar, de autuar junto com o Procon, junto com a Secretaria Estadual da Saúde, das secretarias municipais da saúde, como disse da Polícia Civil e Militar. Vamos e continuaremos nas nossas ações, nós precisamos que as pessoas tenham responsabilidade. É vergonhoso ver o que infelizmente nós temos visto. O governo está fazendo a sua parte, mas a população é a minoria, mas tem um impacto enorme nas nossas estatísticas.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Jean Gorinchteyn. Vamos então... Mateus, muito obrigado. Vamos agora à última pergunta que é da TV Globo, Globo News, com a jornalista Daniela Geminiani. Daniela, boa tarde mais uma vez. Bem-vinda. Sua pergunta, por favor.

DANIELA GEMINIANI, REPÓRTER: Boa tarde, governador. Boa tarde a todos. Eu só fiquei com uma dúvida na fala da Dra. Camila, eu queria só esclarecer. Até ontem nós sabíamos de 564 leitos habilitados pelo Governo Federal. Hoje, nesse momento, agora, é zero. É isso? Nenhum? E a segunda pergunta para o centro de contingência, para o Dr. Jean, falando um pouco sobre o perfil das pessoas que estão internadas como o Dr. Jean falava há pouco. Amanhã a gente completa duas semanas de terça-feira de carnaval, quem são essas pessoas que estão internadas? Vocês esperam uma crescente nos números na próxima semana, agora que a gente completa 14, 15 dias do carnaval? Obrigada.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Daniela. Vamos então com a Dra. Camila. E na sequência, Jean Gorinchteyn.

DRA. CAMILA: Daniela, boa tarde. Muito bom você ter provocado esse esclarecimento. De fato, até o dia 28 de fevereiro, ou seja, até ontem nós tínhamos a habilitação em vigor de 564 leitos. Hoje pela manhã nós tivemos a notícia de que virado o mês, não temos mais habilitação no momento. Então, nesta hora em que a entrevista acontece, não há leitos habilitados pelo Governo Federal no estado de São Paulo.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Camila. Jean.

JEAN GORINCHTEYN, SECRETÁRIO DA SAÚDE DE SÃO PAULO: Bom, o que nós temos que entender é que o aspecto clínico dos pacientes, ele é diferente daquilo que nós vimos nas internações anteriores. Nós tínhamos um percentual de mais de 80%, no passado, na primeira onda que eram de idosos e pessoas portadores de doenças crônicas. Problema no seu pulmão, coração, obesos. Portanto, eram idosos e que já tinham o que nós chamamos de comorbidade. O que nós temos visto hoje, são pacientes mais jovens, em cerca de 60%, pacientes na faixa de 30 a 50 anos, muitos dos quais sem qualquer doença prévia. São exatamente as pessoas que se sentem à vontade de sair achando: "Comigo eu só vou perder o paladar e olfato". E esse é o problema, porque acabam perdendo a vida e a vida das pessoas dos seus entornos. Outro aspecto, não é apenas a questão do comprometimento desses jovens, mas é a gravidade com que eles chegam. Até pelo fato de ser uma doença que nós chamamos... faz uma hipóxia silenciosa, ou seja, oxigenação baixa sem que o indivíduo sinta. Se ele não tiver aquele oxímetro que avalia a oxigenação, ele está muito bem. Ele consegue andar, ele vem falando no celular sem qualquer problema. Quando ele chega na unidade hospitalar que se vê o quanto a saturação está baixa. E aí se comprova através de exame de imagem, radiografia, especialmente a tomografia, o quanto já existe o comprometimento dos pulmões. E é esse indivíduo que a gente fala: "Nossa, mas ele estava tão bem". E foi para a UTI de forma grave e até morrer. E o tempo em que essas pessoas estão ficando nas unidades de terapia intensiva estão sendo maiores. Nós tínhamos uma média de sete a dez dias de internação, hoje nós estamos vendo 14 a 17 dias, no mínimo da sua presença e manutenção nessas unidades de terapia intensiva. Aproveito e reforço que ninguém deixou de receber leitos, todos os leitos estão mantidos, custeados pelo Estado. Não é que o Governo Federal não mandou recursos e nós não abrimos, eles estão abertos pra atender a população. O que nós queremos é esse recurso pra que possamos continuar a investir na saúde.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Jean Gorinchteyn. Daniela, muito obrigado. Cadê você, Daniela? Aqui. Desculpa. Obrigado, Daniela. Bem, com isso nós encerramos a coletiva de hoje, na quarta-feira estaremos aqui no mesmo horário, às 12h45min com a presença de jornalistas e também os que estão virtualmente poderão obviamente participar. Mais uma vez, muito obrigado a Band News pela transmissão integral dessa coletiva, assim como a TV Cultura que vem fazendo isso desde a primeira coletiva, lembrando que essa é a centésima octogésima segunda coletiva de imprensa. A todos, tenham uma boa tarde. Você que está em casa, por favor, use máscara, não saia de casa ou do seu ambiente de trabalho sem usar a sua máscara. A máscara protege, enquanto não temos vacinação pra todos é a máscara e hábitos de distanciamento, não aglomeração, higiene com as mãos que protege a sua vida e da sua família. Boa tarde a todos. Obrigado.