Coletiva - Testes confirmam que vacina do Butantan é a mais segura em fase final no Brasil 20201910

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Coletiva - Testes confirmam que vacina do Butantan é a mais segura em fase final no Brasil 20201910

Local: Capital - Data: Outubro 19/10/2020

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JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Boa tarde, muito obrigado pela presença de todos. Segunda-feira, 19 de outubro, Palácio dos Bandeirantes, aqui em São Paulo. Quero cumprimentar os jornalistas que aqui estão, os cinegrafistas, fotógrafos, técnicos, os que estão presencialmente, os que estão remotamente participando desta coletiva, os nossos convidados especiais e os que integram aqui a bancada: Jean Gorinchteyn, secretário da Saúde do Estado de São Paulo, Dimas Covas, presidente do Instituto Butantan, José Medina, coordenador do Centro de Contingência do Covid-19, o nosso Comitê de Saúde, João Gabardo, coordenador executivo deste Comitê de Saúde, João Alberto Abreu, nosso convidado especial de hoje, presidente da Rumo Logística, Patrícia Ellen, secretária de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia, Marco Vinholi, secretário de Desenvolvimento Regional, e Priscila Ungaretti, que ocupa a Secretaria de Transportes e Logística, enquanto o nosso João Octaviano se recupera de saúde. A todos que estão aqui na bancada, obrigado pela presença também. Hoje, duas informações muito importantes: uma na área da saúde, da vacina, e a outra na área da economia, a retomada da economia no Estado de São Paulo. Da saúde, os primeiros resultados do estudo clínico realizado no Brasil comprovam que, entre todas as vacinas testadas no país, a Coronavac é a vacina mais segura, a que apresenta os melhores índices e mais promissores no Brasil, e é, de fato, a vacina mais avançada neste momento. Dr. Dimas Covas, presidente do Instituto Butantan, vai apresentar a vocês os resultados dos testes, que demonstram até aqui que, entre todas as vacinas testadas no Brasil, a Coronavac, a vacina do Butantan, foi a que apresentou o menor índice de efeitos adversos, e a que apresentou os melhores resultados até o presente momento. A vacina do Butantan é, portanto, a mais promissora e a mais avançada no momento no Brasil, e sobre isso falará Dimas Covas, presidente do Instituto Butantan, juntamente com Jean Gorinchteyn, nosso secretário da Saúde, médico, infectologista, o Dr. José Medina, coordenador do Comitê de Saúde, e João Gabardo, coordenador executivo do Comitê de Saúde e ex-secretário-geral do Ministério da Saúde no Brasil. Segundo ponto, o tema econômico: O Governo do Estado de São Paulo anuncia hoje, dentro do programa de Retomada 21/22, que na última sexta-feira foi anunciado aqui de forma completa pelo secretário da Fazenda e Planejamento Henrique Meirelles, anunciamos hoje um investimento de R$ 6 bilhões e a geração de 134 mil novos empregos na malha ferroviária do Estado de São Paulo. É a maior ampliação do transporte ferroviário no Estado de São Paulo nos últimos 50 anos, e é o primeiro grande anúncio do plano de Retomada da Economia 21/22. Todas as semanas, provavelmente, nós teremos aqui anúncios de retomada econômica, em diferentes setores da nossa economia, e sempre que possível, obviamente, anunciaremos aqui para a opinião pública de são Paulo e do Brasil. O empreendimento de hoje será realizado pela Rumo Logística, investimento privado. A Rumo é a maior operadora ferroviária da América Latina. Estão previstas duplicações, reativações de trechos inativos, ampliação de pátios e modernização total da ferrovia, que vai gerar no seu volume total de investimento, repito, de R$ 6 bilhões, 134 mil novos empregos em São Paulo. Os investimentos vão beneficiar 72 municípios do Estado de São Paulo, melhorando a vida de 5 milhões de pessoas, com mais segurança viária e mobilidade urbana. Esta ação solidifica a posição do Estado de São Paulo como principal corredor de exportação do agronegócio brasileiros, levando desenvolvimento e geração de emprego e renda para o Estado de São Paulo e, obviamente, gerando um benefício concreto para todo o país. Feitas essas duas informações, vamos começar com a saúde, com os dados da saúde, a atualização, como sempre fazemos, com absoluta transparência, ao longo dos últimos nove meses aqui no Palácio dos Bandeirantes. Começamos, portanto, com Jean Gorinchteyn, secretário da Saúde do Estado de São Paulo.

JEAN GORINCHTEYN, SECRETÁRIO ESTADUAL DE SAÚDE DE SÃO PAULO: Boa tarde, governador, boa tarde a todos. Estamos na 43ª semana epidemiológica, estamos no meio da pandemia. Ainda estamos em quarentena. Com 76% da nossa população no faseamento verde do Plano São Paulo, estamos mantendo bons índices na saúde, mesmo com ampliação de serviços e horários de atendimento. São Paulo teve queda nos índices de óbitos, de internação e também no número de casos, a despeito de uma grande testagem. Em relação à 42ª semana epidemiológica, em relação à 41ª, o Estado de São Paulo apresentou diminuição de 11,4% do número de casos, 28,3% no número de óbitos e 20,9% no número de internação. Olhando-se os índices do interior e da Baixada, esses apresentaram uma queda de 14,3% no número de casos, 26,5% no número de óbitos e 25,8% nas internações. Estamos com o menor índice, governador, de ocupação de leitos das unidades de terapia intensiva em toda a história da pandemia no nosso estado. São Paulo tem 40,8% de ocupação, enquanto que a Grande São Paulo apresenta 40,5% da ocupação dos leitos das unidades de terapia intensiva. A vacina é e será a única maneira de nós retornarmos ao normal, aliás, vacina não, mas vacinas, vacinas que comprovem a sua segurança e eficácia, e garantam, dessa forma, a proteção para todos os brasileiros. Eu gostaria de apresentar o primeiro slide, por favor. Hoje, o número de casos computados, 1.064.039 casos. Infelizmente, 38.035 pessoas perderam a sua vida em decorrência ao Covid, mas nós temos altas hospitalares, 116.869, e 953.690 pessoas tiveram a sua saúde restabelecida. Portanto, se hoje nós falamos desse número de mortes, se o Plano São Paulo não tivesse acontecido, seguramente esse número teria sido muito, mas muito maior. Próximo, por favor. Nós tivemos então nessa semana epidemiológica, na 42ª, uma redução importante do número de novos casos. Próximo. Do número de internações, próximo. E também bastante significante o número de óbitos. Próximo, por favor. As projeções mostram que nós estamos abaixo da linha limite inferior, portanto estamos abaixo das projeções para o número de casos. Próximo. E quando também se olha o número de mortes, estamos também abaixo das expectativas, estamos no controle da pandemia no nosso estado, governador. Muito obrigado.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Jean Gorinchteyn. O Jean voltará a falar ainda nessa coletiva, sobre o tema da vacina. E sobre o tema da vacina, vamos agora com Dimas Covas, presidente do Instituto Butantan, Instituto Butantan, que completa no início do próximo ano 120 anos de existência, maior produtor de vacinas do Brasil e maior produtor de vacinas da América Latina. Dimas Covas.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: Obrigado, governador. Temos hoje uma atualização em relação à vacina, uma atualização importante, principalmente no que diz respeito à segurança dessa vacina, dessa fase de testes da vacina já aqui no Brasil. Próximo. Este é só para relembrar os quantitativos de vacina. Nesse momento, 46 milhões de vacinas em negociação com o Programa Nacional de Imunização, uma sinalização muito positiva do Ministério da Saúde nesse sentido, muitas reuniões técnicas acontecendo nesse momento. Amanhã, teremos mais uma, amanhã eu fui convocado para mais uma dessas reuniões. E o entendimento com o Ministério está acontecendo de forma muito positiva. Esperamos que essa vacina seja incorporada ao nosso PNI e que possa estar disponível aí nos programas nacionais de imunização, o mais rapidamente possível. Próximo. Este é um plano do estudo clínico que está em andamento, dos estudos clínicos que estão em andamento. Esse é o quadro completo, e apresento esse quadro pela primeira vez. Então, nós temos os estudos que foram realizados na China, fase 1 e 2 de adultos, resultados já apresentados, já publicados. Resultados de fase 1 e 2 com idosos com mais de 60 anos, resultados já apresentados, inclusive aqui nessa coletiva. E a fase atual, com o estudo de fase 1 e fase 2, em crianças sem exposição prévia ao vírus. No Brasil, estamos lá com o chamado [ininteligível], que é o estudo de fase 3. Nesse momento, encerrando uma fase, que é a fase inicial, com 9.000 participantes, que se iniciou em junho, e que até o momento, nesse grupo, já foram mais de 12.000 vacinações. Então, esses dados que vão permitir, daqui a pouco, eu mostrar os dados iniciais de segurança. Esse estudo continua, agora com uma expansão, que foi autorizada já há algum tempo, pela nossa Anvisa, que é a inclusão de pacientes idosos e com e sem exposição ao vírus, isso é importante, porque essa vacina, quando for usada, ela será usada na população geral. A pessoa pode ter tido a infecção ou não ter tido a infecção. Então, esse é o objetivo, aí essa parte que nós chamamos de expansão, 4.190 participantes, nos 16 centros que eu já mencionei. Isso está em pleno andamento, é importante enfatizar que precisamos ainda de voluntários. O fato de nós apresentarmos uma fase não significa que já se encerrou o programa. Não, pelo contrário, voluntários são necessários e nós estamos dependendo muito desses voluntários para poder dar rapidez a esse processo. E ainda em previsão, o que nós chamamos de ImunoCov, que é um estudo que é feito da resposta imunológica em idosos, pra saber se a vacina, na dose normal, funciona ou não em idosos, se é necessário um reforço, se é necessária uma vacina fortalecida. Então, com os dados iniciais, é possível evoluir para esse estudo imunológico, que se chama ImunoCov, e vamos, pretendemos iniciar isso em novembro de 2022... Agora em novembro. Da mesma forma, o MaterCov, em mulheres grávidas, e em crianças. Nós precisamos realizar aqui também, da mesma forma que está sendo realizado lá na China, estudo em crianças. O estudo ProfsCov foi publicado, esse é uma cópia do título do artigo. Próximo, próximo diapositivo. Isso, esse é o artigo publicado, com todos os detalhes desse estudo, quer dizer, nós publicamos isso como uma demonstração de transparência, quer dizer, todos aqueles que tiverem alguma dúvida em relação a como o estudo foi concebido, como foi planejado, está publicado, numa publicação internacional. A evolução... Próximo diapositivo. Essa então é a evolução do estudo clínico. Como eu mencionei, 9.000 voluntários incluídos, 16 centros, 7 estados, ampliação de 9 para 13 mil, ali a curva de inclusão de voluntários, e vocês percebam ali, a curva azul, nas últimas duas semanas, houve uma certa diminuição do número de pessoas incluídas, daí a necessidade de eu reforçar aqui a necessidade de que as pessoas se voluntariem para esse estudo, quer dizer, nós ainda temos necessidade de muitos voluntários pra poder completar isso mais rapidamente. Próximo. Esses são os dados de segurança já também apresentados, esse estudo foi feito na China com 50 mil voluntários, 67 mil doses aplicadas que demonstrou exatamente, né, o que nós vamos discutir aqui hoje. Uma vacina com excelente perfil de segurança. Esses dados já são de uso em situações extraordinárias. Isso não é um estudo clínico, mas é porque lá na China a vacina já é usada, né? Então isso já foi apresentado. E agora... Próximo. Os estudos do Brasil. Então isso é a primeira vez que eu estou apresentando. Então, veja, nós chamamos reações adversas locais até o sétimo dia. Isso significa, o voluntário recebe a vacina, ele é acompanhado, né, diariamente por sete por sete dias, e aí ele refere o sintoma. Então o sintoma mais frequente foi dor no local da punção como aconteceu já anteriormente, tá? Num patamar aí de mais ou menos 18% entre todos o que receberam, seja placebo, seja vacinado. E aí, as outras reações absolutamente insignificantes do ponto de vista estatístico, né? Próximo. O que nós chamamos de reações adversas sistêmicas, a mais frequente foi dor de cabeça. E aí é importante, a dor de cabeça pode estar relacionada à vacina ou não, porque é durante sete dias. Quer dizer, se a pessoa teve qualquer dor de cabeça durante esse período, ele tem de relatar, né? E os demais efeitos são muito baixos. Então, em torno de menos de 5%, todos os outros como está... está demonstrado ali no gráfico. Quer dizer, mialgia, fadiga, calafrios e assim por diante. E por fim. Próximo. Um comparativo desses dados com os dados disponíveis na literatura das vacinas que estão sendo testadas. Então veja lá, vacina Butantan, em relação às demais vacinas. Aí foi omitido o nome da empresa, né, mas se vocês depois jogarem no Google aqueles números, vocês vão descobrir qual é a vacina. De qualquer maneira, a vacina Butantan é a mais segura em termos de efeitos colaterais. E lá está o comparativo. No total, em todas essas 12 mil vacinações que foram feitas até então, ela teve uma ocorrência de efeitos colaterais, esses que eu acabei de apresentar, né, somando tudo em 35%. Veja lá, das demais vacinas, nenhuma foi inferior a 70%. Algumas tiveram... algumas não, todas, com exceção da vacina Butantan, tiveram efeitos colaterais grau três, são os efeitos mais importantes quando se avalia uma vacina. Vacina Butantan não teve efeitos colaterais... colateral grau três. Febre é outro indicativo importante. Veja, 0,1 na vacina Butantan e nas demais, a mais baixa, 18%, 18%, 32%, 25%, 40%. E febre, grau três, que é febre mais elevada, acima de 38,5, vacina Butantan, zero. Portanto, concluindo, Sr. Governador, é a vacina mais segura nesse momento, não no Brasil, no mundo. E aí estão os dados, dados científicos tirados da literatura. Obrigado, governador.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Dimas Covas. Ainda no mesmo tema da vacina, vamos ouvir José Medina que é o coordenador do Centro de Contingência do Covid-19, nosso comitê de saúde. Medina.

JOSÉ OSMAR MEDINA, COORDENADOR DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: Obrigado, governador. Dr. Dimas apresentou os resultados que seguem o ritual de pesquisa com vacinação. Primeiro, a vacina produziu anticorpos neutralizantes. Depois ela mostrou-se no grupo de pacientes que foi vacinado com uma segurança. E agora, nós estamos aguardando os resultados da eficácia que depende da incidência nos dois grupos, o grupo controle e o grupo de vacinados. E essa diferença ela depende da dinâmica da pandemia. Então... e esses números, depende da dinâmica da pandemia pra alcançar esses números pra que possa mostrar uma diferença entre os dois grupos e esse estudo... essa... esse estudo de eficácia agora que nós estamos no caminho de obter.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito bem. Agora... Obrigado, Medina. João Gabbardo.

JOÃO GABBARDO, COORDENADOR EXECUTIVO DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: Boa tarde, governador, secretários e demais pessoas que estão acompanhando a entrevista. Acho que esses dados colocados pelo Dr. Dimas são extremamente relevantes do ponto de vista da segurança da vacina. Acho que isso pode acelerar esse processo pra que o Ministério da Saúde tão logo tenha a conclusão dessa primeira fase, possa autorizar a distribuição dessa vacina, registrar essa vacina, e todos nós almejamos que ela possa ser incorporada no PNI, no Programa Nacional de Imunizações e que possa ser utilizado por toda a população brasileira. Os critérios de utilização dessa vacina estão sendo discutidos, com certeza, todos os estados participarão da discussão sobre quais as populações que serão... deverão receber a vacina como forma prioritária. Essa discussão está acontecendo no mundo inteiro. Eu dou dois exemplos de países que vão ter diferentes forma sistemática de distribuição da vacina quando ela estiver disponível. O Reino Unidos pretende fazer uma distribuição que leva somente o critério de faixa etária como critério de prioridade. Então as pessoas serão vacinadas no Reino Unido, na forma inversa das faixas etárias. Primeiro, aqueles com mais de 80 anos, depois 75, 70 e assim por diante. Vai reduzindo de acordo com a faixa etária. Os Estados Unidos pretendem fazer uma distribuição que é mais próxima dos critérios que é normalmente serão utilizados no Brasil, levando em consideração as pessoas que estão expostas, no caso os trabalhadores da área da saúde, as pessoas portadoras de doenças crônicas, os idosos, pessoas com imunodeficiência e assim por diante. Então os critérios já são mais ou menos muito parecidos com aqueles que nós utilizamos pra vacina da influenza, por exemplo. Então, governador, é muito bom ter essas informações, a gente tem que lembrar que agora nós dependemos nesses testes, nessas pessoas que foram voluntárias, de nós termos um número de pessoas mínimas com sintomas pra que a pesquisa possa evoluir, né? Na primeira fase a gente tem a necessidade de ter 61 pessoas com a... apresentando sintomas pra serem avaliados. E hoje, essa velocidade reduziu porque os trabalhadores da área da saúde estão utilizando protocolos que são mais rígidos e mais eficientes. Os trabalhadores estão usando equipamentos de proteção individual de uma forma mais sistematizada. Então, nós queremos que tenha um número rápido de pessoas contaminadas, mas a nossa implementação de todos esses processos que reduzem a transmissibilidade jogam contra isso. Então, nós estamos... querendo aumentar essa velocidade, mas ao mesmo tempo a transmissibilidade da doença entre os trabalhadores da área da saúde tem diminuído por conta das medidas efetivas que foram colocadas. Isso tem que ser entendido por todos, nós temos que aguardar a transmissibilidade da doença pra termos um número mínimo de pessoas já com caso confirmado. Obrigado, governador.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Gabbardo. E finalizando, o mesmo tema da vacina, Jean Gorinchteyn, médico, infectologista do Hospital das Clínicas, Instituto Emílio Ribas, e atual secretário da saúde do estado de São Paulo. Jean.

JEAN CARLO GORINCHTEYN, SECRETÁRIO DE ESTADO DA SAÚDE DE SÃO PAULO: Governador, é muito importante esses dados que são e foram apresentados por Dimas Covas. Eles reforçam a segurança de uma vacina que já veio se mostrando tanto na fase um, quanto na fase dois, a partir do momento que os efeitos colaterais mínimos de forma alguma interromperam os... as análises, a fase três de estudo clínico em que nós tivemos uma ampliação ainda maior do número de voluntários. Dessa maneira, associada as outras análises que também vêm acontecendo que são a produção de anticorpos que nós chamamos neutralizantes, capazes de neutralizar o vírus, mostrou na primeira fase, ou melhor, na primeira dose a produção de 94,3% de anticorpos naquela população, e subiu pra 98% com a segunda dose. Portanto, ela tem uma característica de produção de anticorpos que nós chamamos protetores. E é isso o que nós vamos agora, nessa fase três, na fase clínica, comprovar a eficácia, o quanto uma vacina é capaz de proteger para aquilo que ela se propôs. Uma vacina da gripe deve fazer com que grande parte daquelas pessoas que tomaram a vacina não desenvolvam gripe. As pessoas que tomarem a vacina do Coronavírus também terão a oportunidade de fazê-lo. E é isso que vai ser estudado. Qual é o percentual das pessoas que receberam essa dose de vacina, ou melhor, as doses da vacina terão de forma eficaz a sua proteção. No mínimo, 50%, isso já foi dito pelo órgão regulatório Anvisa, Agência Nacional de Vigilância. Se nós estivermos numa pandemia como a que nós estamos vivendo hoje, uma vacina que proteja em 50%, nós traremos aí uma diminuição da gravidade de doença pra muitos, bem como reduzir a mortalidade.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Jean Gorinchteyn. Agora, virando a página para economia, antes das perguntas que os jornalistas farão, lembrando que hoje anunciamos um investimento de R$ 6 bilhões, e ao longo da aplicação desse investimento privado, 134 mil novos empregos na malha ferroviária do estado de São Paulo. E sobre isso falará e apresentará também em tela, João Alberto Abreu, presidente da Rumo Logística. João.

JOÃO ALBERTO ABREU, PRESIDENTE DA RUMO LOGÍSTICA: Boa tarde, governador. Boa tarde a todos. Gostaria de detalhar esse nível de investimento que vai ser feito aqui na malha ferroviária do estado de São Paulo, sem antes lembrar no próximo slide que a malha ferroviária de São Paulo data da segunda metade do século XIX, onde foi construída pra transportar café do interior do estado pro porto de Santos. Essas características técnicas da malha continuam, investimentos nos próximos anos são fundamentais pra adequar a mesma ao nível de demanda que temos hoje e transformar essa numa ferrovia moderna e que vai receber produtos de vários estados do Brasil em direção ao porto de Santos. Como podemos ver no próximo slide. A malha paulista, o nível de investimento de R$ 6 bilhões, vai não só aumentar sua capacidade, mas também recuperar ramais, fazer investimentos numa série de municípios e também transformar essa numa das ferrovias mais eficientes do país. Atualmente ela recebe uma quantidade enorme, é a maior saída do agronegócio do Mato Grosso em direção ao porto de Santos, e já no ano de 2021, com a entrada em operação da malha norte-sul que é essa malha vermelha, ela também vai receber a produção do agronegócio não só do estado de Goiás, como também do estado de Tocantins. Com esses investimentos, a geração prevista nos próximos anos é de mais de 130 mil empregos. E a capacidade de movimentação que hoje está em torno de 135 milhões de toneladas, ela dobra pra mais de 70 milhões de toneladas. E o mais interessante, vamos ver nos próximos slides, é que a quantidade de benefícios gerados pra mais de 70 municípios no estado de São Paulo é enorme. São inúmeras obras, passarelas, viadutos, pontes. Estamos duplicando parte da operação, estamos ampliando uma série de pátios ferroviários, recuperando ramais, removendo hoje grandes oficinas que se encontram no exemplo aqui no centro da cidade de Rio Claro, em Araraquara. Contornos ferroviários, obras que chamamos de conflitos urbanos que vão fazer com que todo o trajeto seja feito via anéis ferroviários e não mais cruzando uma série de municípios que temos no estado de São Paulo. Enfim, mais de 70 municípios beneficiados com todos esses investimentos. E todo esse volume, no próximo slide, vai ser recebido pelo nosso porto de Santos que é o maior porto em movimentação no Brasil, cujos investimentos também estão sendo feitos pra adequar a necessidade do porto a essa nova realidade de volume no estado de São Paulo. Então, todos esses investimentos consolidam o estado como maior centro logístico do país. Lembrando que a malha ferroviária também tem essa característica multimodal, que recebe volume não só no modal rodoviário, como também hidroviário no ramal de panorama em Pederneiras e também no ramal lá no rio Paraná também que tem um terminal hidroviário que cai na malha paulista. No próximo slide nós mostramos que do investimento que traz municípios, do estado, traz também o benefício ambiental. Então, dividindo com vocês para cada 100 toneladas de CO 2 que é emitido do modal rodoviário, quando transferido para o modal ferroviário, esse número cai para 15 toneladas. Esse é ganho de emissões que trazemos para o país quando fazemos a transformação de logística de um modal que hoje representa 60% do país, que é o modal rodoviário, para um modal que é muito mais eficiente, não só do ponto de vista de custo, como também do ponto de vista ambiental. Enfim, estamos falando em investimento extremamente relevante, aqui já aproveitando para agradecer todo apoio que temos tido não só do governo como dos municípios, vemos um nível de celeridade muito grande na aprovação dos projetos, na aprovação das licenças ambientais, fundamentais para que esses projetos sejam efeitos com velocidade, enfim. É para o bom para o estado, bom para o desenvolvimento dos municípios, bom para o país e também bom para o meio ambiente. Muito obrigado.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito obrigado, João Alberto Abreu, presidente da Rumo Logística. Vamos às perguntas presenciais e também à feitas online. Pela ordem, nós temos a Rádio Bandeirantes, na sequência rádio Jovem Pan, na sequência uma pergunta online com o correspondente internacional da 'Kaichin Miria', jornal da China, a TV Record, TV Cultura, portal IG, SBT, TV Globo e Globo News. Então, começamos com a Rádio Bandeirantes. Maira, muito obrigado por estar aqui mais uma vez conosco. Boa tarde. Sua pergunta, por favor.

MAIRA, REPÓRTER: Boa tarde, governador. Boa tarde a todos. Em relação à vacina, eu queria saber quantos casos a gente já tem registrados na Covid-19 entre os voluntários, porque foi dito que para testar a eficácia a gente precisaria de no mínimo 61 casos para uma análise preliminar. Então, queria saber se a gente já tem esse número. Quais dados mais a Anvisa precisa para conseguir aprovar a vacina? E também, dados todos os novos dados, as novas circunstâncias, qual que é a nova previsão de início da vacinação? Né, antes para os profissionais de saúde era no 15 de dezembro.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Maira, obrigada pelas perguntas. Vou pedir a Dimas Covas, presidente do Instituto Butantan para responder, se necessário com o comentário do João Gabbardo. Por favor, Dimas.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: Maira, eu também gostaria saber quantos voluntário já apresentaram Covid-19, né? Quer dizer, como a estudo é duplo cego e ele é controlado por um organismo internacional, quer dizer, não tem nenhum brasileiro participando desse comitê, é esse comitê que avalia os dados que são remetidos diariamente para lá e é esse comitê que abrirá o estudo quando atingirmos 61 casos. Então, é uma pergunta que nesse momento, né, eu não consigo te responder, exatamente por essa característica do estudo. Considerando a prevalência, a incidência de doença na população que foi vacinada, que são as profissionais de saúde, quer dizer uma incidência das mais altas, é possível que nós tenhamos esse número muito rapidamente. Quando eu falo muito rapidamente ainda na perspectiva de acontecer até novembro, dezembro, quer dizer, tudo indica estatisticamente que isso é possível, mas é um evento que nós não controlamos, é um evento, depende da população vacinada e do seu contato com o vírus. Como a incidência no Brasil de uma forma geral e no estado de São Paulo particularmente está caindo, é possível que isso tenha algum efeito, né, na velocidade com que esses dados aparecem. Quer dizer, os gráficos demonstrados mostram que epidemia está numa outra fase, e, portanto, isso pode ter impacto nessa velocidade. Daí, porque nós aumentamos o número de voluntário. E esse número de voluntários será aumentado, se necessário, exatamente para permitir que esses 65 casos iniciais aparecem o mais rapidamente possível. Enquanto não tivemos esses dados, o dossiê na n visa não se completa, portanto, dependemos dessa avaliação para completarmos o dossiê e aí o processo de registro da vacina se iniciar, né? As perspectivas, como eu disse, são relativamente otimistas, né, mas nós não podemos dar para você uma data, né, precisa de quando isso vai acontecer. Esperamos que até o final desse ano essa vacina tenha o seu dossiê entregue na nossa Anvisa que a Anvisa possa proceder muito rapidamente à análise e o registro da vacina.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito obrigado. Obrigado, Dimas. Vamos, João Gabbardo.

JOÃO GABBARDO, SECRETÁRIO-EXECUTIVO DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COMBATE AO COVID-19: Só, confirmando, né, reforçando o que o Dr. Dimas falou. Essa é uma variável que nós não temos governabilidade sobre ela. Nós preciso ter esse número mínimo de pessoas com um diagnóstico confirmado, mas em função dessa redução transmissibilidade da doença em São Paulo e como eu falei anteriormente, na implementação muito positiva que nós temos equipamentos de proteção individual e com os protocolos de segurança no atendimento dos pacientes pelos profissionais da área da saúde, este número pode para chegar nesse número nós podemos ter um prazo um pouco maior. Ainda trabalhamos com essa previsibilidade. Para atingir esse número de pacientes na forma mais rápida possível está sendo aumentado o número de voluntários para que nós possamos terminar isso mais rápido. Mas não tem como acelerar este processo infelizmente, depende de pessoas que confirmem, pessoas voluntárias que estejam sendo... trabalhando, atuando nesse processo apresentem sintomas e confirmação na doença.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Gabbardo. Obrigado mais uma vez Dimas. Mayra, obrigado pegas perguntas. Vamos agora, Daniel Lian, da rádio Jovem Pan. Daniel Lian, boa tarde. Sempre bem-vindo. Quem ajustar o microfone um pouquinho? Só pergunta, por favor.

DANIEL LIAN, REPÓRTER: Boa tarde, governador. Boa tarde a todos. A minha pergunta é em relação ao presidente da República Jair Bolsonaro, ele ainda há pouco fez declarações que a vacinação não será obrigatória, ele também destacou que há um governador se intitulando em médico do Brasil. Gostaria de saber se direta ou indireta, se senhor acredita que foi relacionada ao senhor? E também ele falou que a eficácia da vacina terá que ser comprovada e especialmente no país produtor quando houver uma vacinação em massa no país produtor. Gostaria de saber, então, a resposta do senhor.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Daniel, Lian, começando pega segunda colocação. A eficácia de uma vacina se faz pela metodologia da agência reguladora de cada país, no Brasil chama-se Anvisa, Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Sabe à Anvisa, tendo os resultados finais de todos os exames, conforme já foi mencionado aqui pelos médicos presentes, ela, então, emite o seu laudo e autoriza a aplicação da vacina. Ela não depende de uma nenhuma agência reguladora internacional. Pode tomar como referência, mas isso não determina a sua posição e tão pouco não se influencia pelo fato de ser sido ou não aplicada em massa em outros países. Por isso que nós temos uma agência de vigilância sanitária no Brasil, autônoma, técnica e até aqui temos razão para confiar na sua capacidade e na sua isenção. Com relação à declaração do presidente Bolsonaro feita nesta manhã, primeiro eu queria agradecer ao presidente Bolsonaro me qualificando como médico do Brasil. Agradeço, presidente, porque eu confio nos médicos e ontem foi o dia do médico. Portanto, qualquer referência a mim, ainda que não seja médico, mas como tal, só me distingue porque acredito na medicina e no médicos, aliás, é o que temos feito nos últimos nove meses, é confiar nos médicos, na ciência, da medicina para todas as medidas que eu adotamos aqui no combate ao coronavírus, na proteção às pessoas, na proteção à vida e agora, na vacina. Vamos à pergunta agora... obrigado, Daniel Lian. Vamos agora à Iasmina 'Taofic', que é correspondente da 'Kaichin Miria', o jornal da China. Iasmina, você já está em tela. Boa tarde. Obrigado por estar participando conosco. Sua pergunta, por favor.

IASMINA, REPÓRTER: Boa tarde, governador. Boa tarde a todos. Eu gostaria de saber se as pessoas que já foram contaminadas pela Covid-19 deverão ser também orientadas a tomar a vacina. Obrigada.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Iasmina, interessante e importante a sua pergunta. Eu vou pedir o nosso médico infectologista e secretário de saúde do estado de São Paulo, Jean Gorinchteyn para responder à sua pergunta. Pergunta da Iasmina 'Taofic'..

JEAN GORINCHTEYN, SECRETÁRIO ESTADUAL DE SAÚDE DE SÃO PAULO: Iasmina, todas as vezes que alguém se expõe naturalmente a um vírus, que nós chamamos, ao vírus selvagem, é um vírus que está exposto na comunidade. Essas pessoas desenvolvem uma imunidade, nós temos a imunidade seja ela celular, seja amoral, ou seja, produtora de anticorpos e que faz com que elas estejam protegidas. Nós não sabemos, logicamente, se essas pessoas terão é uma imunidade por muito tempo, mas elas estão protegidas naturalmente pelo vírus, como disse, selvagem. Portanto, dessa maneira elas não estariam incluídas para o programa nacional de imunização, e sim aquelas pessoas que não estiveram expostas e aí, sim, precisam estar desenvolvendo a sua imunidade.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Jean. Iasmina, obrigado. Continue aqui nos acompanhando.

IASMINA, REPÓRTER: Obrigada.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: E vamos presencialmente à TV Record com o jornalista Emerson Ramos. Emerson, mais uma vez obrigado pela sua presença. Boa tarde. Sua pergunta, por favor.

EMERSON RAMOS, REPÓRTER: Obrigado, governador. Obrigado a todos. Eu queria perguntar a respeito da aplicação da vacina a partir do momento que houver a vacinação. Tem a compra já de vacina feita pelo governo do estado, haverá produção do Butantan, eu queria entender seguinte, se fala também sobre a importância dessa vacina ser usada para imunizar brasileiros de outros estados. Haverá uma prioridade para vacinar a população de São Paulo? Cabeça a vacinação... primeiro se vacina a população de São Paulo e depois será distribuída a vacina para outros estados? Queria entender isso. E aí uma outra questão, no início do combate à pandemia houve um momento em que Governo Federal centralizou a distribuição de respiradores, né? Houve uma polêmica na época, até uma decisão do STF a respeito disso, uma espécie de confisco dos respiradores. Há alguma preocupação porque a CoronaVac está mais adiantada nos estudos, de que possa haver uma medida desse tipo do Governo Federal?

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Emerson, obrigado pela pergunta. São três, mas todas convergentes. Então, a resposta, ela é dada no seguinte sentido, nós temos confiança nos entendimentos que temos mantido até aqui com o Ministério da Saúde e com a Anvisa. Quarta-feira agora, dia 12, eu estarei do ministro Eduardo Pazuello, juntamente com o Jean Gorinchteyn e o Dimas Covas e na sequência com o presidente da Anvisa, o almirante Antônio Barra. Tudo nos leva a crer que nós não teremos essa situação de disputa, de confronto, sim de entendimento e harmonia. É o que temos conversado, é o que temos tido até aqui, uma relação de entendimento com a base na ciência e na proteção das pessoas e eu espero que continue. Eu já repeti isso algumas vezes aqui nas coletivas, que não houve nenhuma manifestação até aqui do Ministério da Saúde, tão pouco da Anvisa, que pudesse refletir um sentimento de ordem política, ideológica, partidária ou eleitoral. Isso não aconteceu até o presente momento e eu estou convicto que não ocorrerá. E vamos ter nessa quarta-feira a oportunidade de obter neste encontro pessoal com o ministro da Saúde e com o presidente da Anvisa esta confirmação e, portanto, dando sequência ao calendário de vacinação no plano nacional e não uma ação isolada aqui em São Paulo. A vacina do Butantan é a vacina do Brasil, que nós desejamos que ela seja compartilhada e oferecida a mais brasileiros, além dos 46 milhões de brasileiros que vivem em São Paulo. Este foi o nosso pleito desde o início com o ministro Eduardo Pazuello que está sensível em relação a este tema, e, repito, até quarta-feira eu imagino que possamos até essa confirmação de que as vacinas do Butantan, ou a vacina do Butantan possa ser adquiro pelo ministério para a imunização dos brasileiros de São Paulo e dos brasileiros de todo o país. E torcemos também, Emerson, para que possamos ter mais de uma vacina, duas, três, talvez até quatro. O Brasil vai precisar de mais vacinas para imunizar num menor tempo possível toda a sua população. Portanto, torcemos para que a vacina de Oxford, para que as vacinas americanas, que sigam o protocolo, como nós estamos seguindo, com a vacina do Butantan, para finalizarem a testagem, serem aprovadas pela Anvisa e imediatamente colocadas à disposição da imunização da população. Então, vamos aguardar até quarta-feira este encontro, para termos esta reconfirmação. Até aqui, estamos convergindo, obrigado. Vamos agora à Maria Manso, da TV Cultura, depois o Portal IG, SBT e TV Globo, GloboNews. Maria Manso, obrigado, mais uma vez, boa tarde. Sua pergunta, por favor.

REPÓRTER: Boa tarde. Pela importância do tema, perguntas, por favor, com licença. O Dr. Dimas disse que estamos com necessidade de mais voluntários, o senhor fez um apelo. Esse apelo também é para a população em geral? Qualquer pessoa agora pode ser voluntária? Eu posso ser voluntária? Ou continua sendo restrito a profissionais da saúde? O presidente da República, governador, hoje, nas declarações dele, ele também se contrapôs à sua afirmação de sexta-feira, de que a vacinação vai ser obrigatória. Como é que o senhor vai lidar juridicamente com isso? O senhor vai criar uma legislação para o Estado de São Paulo, para que aqui a vacina contra a Covid seja obrigatória, independentemente da decisão do Ministério da Saúde? E uma última questão, em relação à vacinação contra a pólio. Houve um dia D de vacinação nesse fim de semana, mas a adesão continua sendo pequena, também para uma doença que é muito grave. Vocês avaliam que essa baixa adesão contra a pólio é por conta ainda daquela onda contra a vacinação ou é por medo das pessoas levarem os filhos aos postos de saúde, por causa da Covid? Por favor.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Vamos então por partes, Maria Manso. Começando com o Dimas Covas, sobre tema de voluntários, mais voluntários ou não.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: Maria, nesse momento nós estamos com os voluntários acima de 60 anos, que podem participar, até recentemente não, mas ainda na área de saúde. E pela razão de que são os profissionais de saúde, que trabalham diretamente com Covid, que estão mais expostos. Então, essa exposição é que ajuda o teste da vacina. Então, todos os 16 centros estão recrutando ativamente e precisamos, sim, precisamos de voluntários, quer dizer, o estudo está se desenvolvendo e quanto mais voluntários tivermos, mais rapidamente nós podemos concluir essa fase de determinação e de avaliação da eficácia. Profissionais de saúde, dos 18 anos para cima, que trabalham com Covid, sejam eles profissionais médicos, paramédicos, enfim, todos que entram em contato diretamente com pacientes com Covid.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Dimas. Vou passar para o João Gabbardo, João quer fazer, o Gabbardo quer fazer uma pequena complementação, em relação a esse tema, e inclusive a uma pergunta anterior, Maria. Gabbardo.

JOÃO GABARDO, COORDENADOR EXECUTIVO DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: Em relação ainda à questão da avaliação da fase 3, nós temos que considerar que 50% das pessoas que estão recebendo, que estão no estudo, não recebem a vacina, recebem um placebo. Então, a gente tem que considerar que mesmo assim, mesmo as pessoas sem ter tomado a vacina, nós estamos com uma redução na velocidade da própria transmissão da doença, e por isso então a gente tem uma demora um pouco maior nesse prazo de identificação desses 61, dessas 61 pessoas. Isso é importante destacar, porque as pessoas podem, ao fazer parte da vacina, nós vamos ter pessoas que vão ter a doença, exatamente porque utilizaram placebo. Então, nós temos que reconhecer, tornar público que 50% das pessoas que estão dentro desse conjunto de testes, de voluntários, não fizeram uso da vacina, o que aumenta, obviamente, a possibilidade deles adquirirem a doença.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Gabbardo. Em relação ao tema do presidente Bolsonaro, Maria Manso, o Brasil precisa mais do que nunca de paz, amor e vacina, para salvar os brasileiros. Então, como eu sou a favor da paz, do amor e da vida, eu entendo que a vacina deve ser aplicada a todos os brasileiros, e que a vacina é necessária para salvar vidas, salvar a sua vida, a vida da sua família, a vida de você, que está nos assistindo agora pela TV Cultura, a vida dos jornalistas que estão aqui, dos seus familiares, de todos os brasileiros. Nós não estamos numa corrida eleitoral nem numa corrida ideológica. Nós estamos numa corrida pela vida, para salvar vidas. E eu estarei ao lado dos médicos e cientistas que querem salvar vidas. O terceiro tema, o Jean Gorinchteyn, vacinação contra a pólio, responderá.

JEAN GORINCHTEYN, SECRETÁRIO ESTADUAL DE SAÚDE DE SÃO PAULO: Maria Manso, nós já vínhamos apresentando, há três anos, uma redução da adesão às campanhas vacinais, de forma geral. Nós chegávamos... Vacinas, como por exemplo a pólio, voltadas a crianças de 1 a 5 anos, que nós deveríamos atingir 95%, nós chegávamos em alguns estados 86%, 84%, outros 56%. Ou seja, nós estávamos bastante distantes daquilo que nós precisávamos. Nesse ano, nós tivemos ainda essa dificuldade de adesão por parte de pais e responsáveis, nós tivemos a temeridade que esses pais continuaram sentindo de levarem os seus filhos aos postos de vacinação. Então, para se ter uma ideia, especialmente com a campanha da pólio, nós conseguimos dobrar, no dia D, agora no sábado, dia 17, o número daqueles que já vinham tomando, mas nós só atingimos 440 mil doses, isso significa 19,88% daquilo que nós precisamos. Nós temos que imunizar as nossas crianças, essa é a única forma de nós prevenirmos doenças graves, que podem inclusive matar. Lembrando que a pólio é uma doença erradicada, mas se nós não atingirmos esse nível de proteção, de 95%, nós poderemos ter uma recorrência daquilo que leva ao que nós chamamos de paralisia infantil.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Jean. Maria Manso, obrigado pelas perguntas. Vamos agora para Eduarda Esteves, do Portal IG. Eduarda, mais uma vez, bem-vinda. Sua pergunta, por favor.

REPÓRTER: Boa tarde, governador. Na reunião da próxima quarta-feira, o Governo pretende abordar a aplicação da vacina Coronavac em situação emergencial, assim como foi feito na China? Ou seja, a Coronavac poderia ser aplicada antes da conclusão dos estudos, ainda este ano, na população de risco? O Governo Estadual também pretende negociar com o Governo Federal a liberação do dinheiro para a compra da Coronavac. Gostaria de saber de qual quantia atualmente a gente está falando e até quando o Governo pode esperar por esses valores. E para o Dr. Dimas, do ponto de vista logístico e de saúde, todos os brasileiros precisam ser vacinados contra a Covid-19 ou apenas uma parcela da população brasileira sendo vacinada, a gente já estaria com certa segurança de saúde? Obrigada.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Eduarda. Em relação às duas perguntas iniciais formuladas por você, em respeito ao ministro Eduardo Pazuello, e também ao presidente da Anvisa, Antônio Barra, o Almirante Antônio Barra, eu prefiro responder lá, em Brasília, na quarta-feira. Nós falaremos com a imprensa, após os dois encontros, com o ministro da Saúde e com o presidente da Anvisa, assim teremos uma posição final definitiva e correta, compartilhada com o Ministério da Saúde e com a Anvisa. Com relação à pergunta ao Dimas Covas, passo a palavra a ele para responder.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: Eduarda, existe já uma definição, inclusive pela Organização Mundial da Saúde, de quais seriam os grupos prioritários a serem vacinados, quer dizer, num primeiro momento o objetivo da vacinação no meio da epidemia é proteger aqueles que tem maior risco. E os profissionais de saúde são os que têm maior risco, depois os idosos, na sequência aqueles que têm comorbidade, depois os profissionais da educação, os profissionais da segurança pública. Então, essa extratificação de risco é quem define a prioridade de vacinação. Será necessário vacinar toda a população brasileira? Não, não será necessário vacinar toda a população brasileira, quer dizer, essa vacinação, ela terá que ser, num primeiro momento, priorizada para esses grupos, e posteriormente, os grupos de risco adicionais poderão ainda ser vacinados. Agora, nós não precisaremos vacinar os 200 milhões de pessoas, porque essa epidemia, com certeza, na medida que a proteção, a chamada imunidade de rebanho, progride, ela vai naturalmente sendo controlada e vai entrar em controle, vamos dizer, não pressupondo que 100% da população tenha sido vacinada.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Dimas Covas. Eduarda, obrigado pelas perguntas. Agora vamos ao SBT, José Luís Filho. José Luís, mais uma vez, grato por estar aqui entre nós, boa tarde, sua pergunta, por favor.

REPÓRTER: Obrigado, governador, boa tarde a todos. A previsão era de conclusão dos testes da terceira fase no dia 15, foi anunciado aqui várias vezes, foi anunciado aqui várias vezes essa data. O que houve pra não ser concluída essa etapa no dia 15? Foi um problema logístico? Foi um problema de falta de voluntários, como também já foi dito aqui? E nós fizemos uma consulta à Anvisa, segundo a Anvisa não chegou até lá nenhum resultado ainda da terceira fase, nenhuma informação da terceira fase. A partir de que momento, em que todos os voluntários da terceira fase tiverem já sido imunizados, recebido as doses de placebo ou da vacina, esses dados serão encaminhados? E depois disso, em quanto tempo esses dados se espera que a autorização da Anvisa seja feita? E ainda, antes de autorizar a vacina, a Anvisa precisa aprovar e chancelar os locais de fabricação, né? Na China e aqui no Brasil. Como é que está esse trâmite pra isso? Muito obrigado.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: José Luís, há várias perguntas em uma. Todas elas serão respondidas pelo Dimas Covas, e muito do que se apresenta como dúvida, já houve esclarecimento, mas melhor do que tudo é ouvir a palavra do presidente do Instituto Butantan, Dimas Covas.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: Bem, José, como apresentado no próprio diapositivo do estudo clínico, quer dizer, a fase inicial, de 8.000, na realidade 9.000, o número redondo, ela foi atingida, então essa fase foi cumprida, os dados de segurança foram extraídos dessa fase. O estudo progride. O estudo, no seu total, ele dura 12 meses. Nesse primeiro momento, nós estamos agora procurando a eficácia da vacina. Segurança nós já temos, agora precisamos dos dados de eficácia. Como foi colocado aqui, dependemos dos 61 casos. Cumprindo essa etapa, se completa o primeiro dossiê, e é esse primeiro dossiê que permite à Anvisa fazer o registro. Esse dossiê também se complementa com a inspeção das unidades produtoras. Então, a unidade China já foi certificada na semana passada, pela Anvisa Chinesa, e esses dados serão encaminhados à Anvisa Brasileira, que poderá utilizá-los integralmente ou, se for necessário, solicitar informações adicionais. Esse processo é um processo normal, existe uma assinatura recente de um documento de entendimento entre as duas Anvisas, e portanto tudo isso está dentro dessa previsão de fornecer esses dados todos que permitam a análise para o registro. Então, percebe? Então, uma vez coletadas todas essas informações, é que se dispara o processo de registro. A Anvisa acelerou a aquisição de documentos, então ela permite, nesse momento, que os documentos sejam encaminhados a qualquer momento, para que ela possa já ir analisando. Normalmente, um dossiê de registro, ele tem de 10.000 a 15.000 páginas, e a Anvisa precisa atestar cada uma dessas páginas. Então é esse processo que eles já iniciaram, e a hora que tiver o dossiê completo, imagino que isso vai acelerar o processo. Mas mesmo assim, a Anvisa estabeleceu um prazo de 60 dias para fazer essa análise. Esperamos que isso possa de fato, lá na frente, se acelerar para disponibilizar a vacina, mas esse é o cenário.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Dimas. José Luís, só para finalizar, lembro que a cada dia sem a vacina, 700 brasileiros em média morrem no Brasil. Vamos agora à Graziela Azevedo, da TV Globo, GloboNews. Graziela, boa tarde, bem-vinda, sua pergunta, por favor.

REPÓRTER: Boa tarde, governador, boa tarde a todos. Governador, no mundo todo, quer dizer, vários governos do mundo estão apostando em várias vacinas. E investindo em várias vacinas. A gente sabe que a primeira a conseguir o registro não necessariamente será a mais eficaz ou a melhor vacina. Não é uma estratégia arriscada botar todas as fichas em cima da Coronavac? Essa é uma questão. E eu queria saber também, Dr. Dimas, que eu fiquei aqui com uma dúvida, que o senhor falou que com 61 já é possível ter o registro da Anvisa. Na verdade, essa seria a primeira análise, seria o primeiro dossiê. Para o registro imagino que mais duas ou três análises, não é isso? Queria confirmar. E também saber qual a estratégia para conseguir esse número maior de voluntários aí. Se os voluntários podem ter algum tipo de benefício para ajudar isso.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Graziela, começando, então, pelas perguntas você dirigiu a mim e, na sequência, responderá Dimas Covas. Eu aposto todas as fichas na vida, na existência e nas vacinas. Eu sempre defendi a pluralidade de vacinas. Sempre. Você nunca vai encontrar um registro onde eu tenha defendido uma única vacina. Mas ao defender a vacina do Butantan, eu defendo a vacina que está mais avançada, que a vacina do Butantan com o laboratório Sinovac. Mas tenho repetidas vezes dito aqui que torço para que a vacina de Oxford, as vacinas Janssen, Moderna e, eventualmente, outras que estejam submetendo-se aos protocolos da Anvisa e dando sequência nessa terceira fase testagem, sejam também aprovadas. E repetidas vezes disse aqui, Graziela, é lá que o brasil precisa de vacinas, não de uma vacina. Eu tenho dito até, ousando nesta afirmação, que o Brasil precisará provavelmente de quatro vacinas para ter a capacidade de atender todo o país na sua necessidade, dado também a disponibilidade dos fabricantes de vacinas. Nós vamos ter daqui a pouco uma corrida, aliás, já começou uma corrida mundial em torno de vacinas, e isso vai provocar uma escassez de vacinas. Isso é líquido e certo. Nós vamos ter uma necessidade maior do que a disponibilidade de vacinas. Se pudermos ter três ou quatro fornecedores confiáveis, com a testagem concluída e a aprovação da Anvisa para fornecer aos brasileiros através do Ministério da Saúde, no Sistema Nacional de Imunização, melhor. Essa é a minha defesa. Mas obviamente que nesse contexto a vacina do Butantan vem tendo um excepcional desempenho. Aliás, é testado pela Anvisa, pelos médicos aqui no Brasil e pela própria Organização Mundial de Saúde, que classificou, inclusive numa entrevista onde eu sou correspondente, em Genebra, colocou no ar dizendo que é uma das oito mais promissoras vacinas do mundo. Então, nós temos, evidentemente, o dever de defender também a vacina do Butantan, que é a vacina do Brasil, ao lado de outros que poderão ser aprovadas e imunizar os brasileiros. Repito: Não estamos numa corrida das vacinas, estamos numa corrida pela vida vamos. Vamos agora: Dimas Covas.

DIMAS COVAS, DIRETOR DO INSTITUTO BUTANTAN: Na realidade, quando tivemos 61 casos na [ininteligível], é possível fazer a primeira análise interina. E o objetivo da análise interina é demonstrar a eficácia. Se se demonstrou, sim, pode-se partir para o registro da vacina. Quer dizer, isso pode compor o documento do portfólio que será necessário para a Anvisa tomar as suas decisões. Se não for, com 61 casos, se não for possível estatisticamente se demonstrar a eficácia, vai ser chamada análise primaria, que aí é com 151 casos. Então, vai ter que aguardar até completar os 151 casos, e aí sim, certamente, teremos uma definição de eficácia. Isso é o que está na regra hoje. Eu, particularmente, tenho defendido que se tivéssemos hoje uma vacina de 40% eu seria o primeiro a toma-la. Quer dizer, 40% no meio de uma pandemia como essa, com a gravidade que tem, já seria o suficiente para reduzirmos, né, a mortalidade, as internações em 40%. Então, eu acredito que uma vacina, neste momento, com 40%, 50% , é a regra mínima, já seria de extrema utilidade.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Corretíssimo, Dimas Covas. Aliás, Graziela, essa é a opinião da maioria dos médicos infectologistas, pneumologistas e especialistas em temas de epidemias. E essa é a nossa visão também. Eu encerro essa coletiva de imprensa usando a expressão que comentei há pouco em resposta a uma questão formulada por um dos jornalistas aqui presentes: O que mais precisamos neste momento no Brasil é paz, união e vacinas. Com paz, com entendimento, com união, com convergência para a proteção dos brasileiros e a aplicação das vacinas vamos salvar milhares de vidas. Enquanto não estivermos com a vacina aprovada e sendo aplicada, cerca de 700 brasileiros estarão perdendo a vida todos os dias e milhares estarão sendo infectados. Nós temos que torcer pelas vacinas e ter um olhar construtivo, positivo pelas vacinas e considerar também velocidade, resguardados aspectos da ciência, para a sua aprovação. Queria agradecer a presença de todos jornalistas, cinegrafistas, fotógrafos, técnicos, os que nos acompanham também, aqui, remotamente. Na próxima quarta-feira nós teremos a coletiva de imprensa aqui no Palácio dos Bandeirantes. Ela não será conduzida por mim, mas ela ocorrerá normalmente às 12h45min aqui, e com anúncios importantes. E em Brasília, por óbvio, dentro da transparência que caracteriza todas as nossas ações, conversaremos com a imprensa após os dois encontros, tanto com o ministro da Saúde, quanto com o presidente da Anvisa. Você que está em casa nos acompanhando pelas imagens da TV Cultura, por favor, use máscara, não saia de casa sem a sua máscara, faça o distanciamento social, proteja sua saúde e a sua vida, dos seus familiares e dos seus amigos. Boa tarde a todos. Muito obrigado.