Coletiva - Vacina do Butantan atinge 100% de eficácia contra casos moderados e graves 20210701

De Infogov São Paulo
Ir para navegação Ir para pesquisar

Coletiva - Vacina do Butantan atinge 100% de eficácia contra casos moderados e graves 20210701

Local: Capital - Data: Janeiro 07/01/2021

Soundcloud

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Boa tarde a todos, muito obrigado pela presença hoje, na coletiva de imprensa, aqui no Instituto Butantan, em São Paulo. Participam desta coletiva de imprensa Jean Gorinchteyn, médico infectologista do Hospital Emílio Ribas e secretário da Saúde do Estado de São Paulo, Dimas Covas, médico, cientista e presidente do Instituto Butantan, Dr. Paulo Menezes, médico epidemiologista e coordenador do Centro de Contingência do Covid-19, Dr. João Gabbardo, médico e coordenador executivo do Centro de Contingência do Covid-19. Como convidados especiais, Dr. Esper Kallás, médico infectologista do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo, Dra. Rosana Richtmann, médica infectologista do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, e Dr. Sérgio Cimerman, médico infectologista do Instituto de Infectologia Emílio Ribas.

Hoje é um dia muito importante para o Brasil, para os brasileiros, para a vida e para a saúde. A vacina do Instituto Butantan tem eficácia de 78% a 100% contra a Covid-19, apontam os estudos no Brasil. Esse resultado significa que a vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan tem elevado grau de eficiência e eficácia para proteger a vida dos brasileiros contra a Covid-19. As pessoas que forem imunizadas com a vacina do Instituto Butantan terão entre 78% a 100% menos possibilidade de desenvolverem a Covid-19 do que uma pessoa que não receber o imunizante. Hoje pela manhã, o Instituto Butantan e o Governo de São Paulo iniciaram o pedido de utilização emergencial junto à Anvisa, Agência Nacional de Vigilância Sanitária. O objetivo é iniciar a vacinação em São Paulo no dia 25 de janeiro, conforme programado, e o objetivo também do Governo do Estado de São Paulo é fornecer a vacina do Instituto Butantan para todo o Brasil, através do Ministério da Saúde. São Paulo ajudando, cooperando para salvar vidas, dos brasileiros de São Paulo e os brasileiros do nosso país. Repito, é um momento histórico que nos orgulha. Hoje é o dia da esperança, hoje é o dia da vida. A vacina do Butantan é a vacina de São Paulo, a vacina de São Paulo é a vacina do Brasil.

A vacina do Instituto Butantan foi testada e desenvolvida em nosso país, através da excelência e da capacidade de cientistas e pesquisadores de diversos estados brasileiros, sob a coordenação do Instituto Butantan. O Instituto Butantan, que completa agora no próximo mês de fevereiro 112 anos de existência. Desde junho de 2020, mais de 12.000 voluntários, todos médicos e enfermeiros, portanto todos do mundo da medicina, foram monitorados por cientistas de 16 centros de pesquisa de excelência em São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Esse grande esforço coletivo da ciência brasileira é liderado pelo Instituto Butantan de São Paulo. O Butantan é um dos maiores produtores de vacinas e soros do mundo, e o maior produtor de vacina da América Latina, e, obviamente, um orgulho para o Brasil e os brasileiros. Como governador do Estado de São Paulo, quero agradecer a todos os voluntários, aos mais de 12.700 voluntários que aceitaram participar desta pesquisa, coordenada pelo Instituto Butantan e pelos centros de excelência, em oito estados brasileiros. Agradecer também aos pesquisadores, médicos, cientistas que ajudaram e contribuíram, sob a coordenação do Butantan, a encontrarmos este grande resultado. O nosso reconhecimento e a nossa gratidão.

A vacina do Butantan é uma vitória do planejamento e do trabalho que iniciamos em abril de 2020, menos de dois meses depois do primeiro caso de Covid-19, constatado em São Paulo, no dia 26 de fevereiro de 2020. Grandes conquistas, como a de hoje, não se constroem da noite para o dia. A conquista da ciência se faz com base na ciência, no estudo, na pesquisa, na dedicação. Não é um fato político, não é um fato partidário, não é um fato ideológico, é um fato da ciência, e São Paulo sempre obedeceu à ciência. Foi o primeiro estado do país a criar o seu Centro de Contingência, exatamente no mesmo dia em que o primeiro brasileiro testou positivo para a Covid. Primeiro estado do Brasil, ao lado do Rio de Janeiro, a instituir a quarentena, primeiro estado do país a exigir por lei a obrigatoriedade do uso de máscara, e um estado que, ao longo destes 11 meses, segue rigorosamente a orientação da ciência e da saúde, através do seu Centro de Contingência. Quando alguns achavam uma possibilidade remota em desenvolver, trazer e produzir uma vacina para imunizar os brasileiros, nós em São Paulo já estávamos trabalhando, com a certeza de que este dia chegaria. Desenvolvemos um amplo trabalho em cooperação com o laboratório Sinovac, laboratório privado de grande escala, sediado em Pequim. Utilizamos o apoio do nosso escritório em Xangai, o único estado do Brasil a ter uma unidade que o representa na China, assim como em qualquer outra parte do mundo, é o Estado de São Paulo. E graças à excelência do Instituto Butantan, sob o comando do cientista Dimas Covas, que está aqui ao meu lado, e de uma brilhante equipe, nós conseguimos, nós conseguimos a vacina do Brasil, a vacina que vai salvar milhões de brasileiros a partir de agora. E já temos a vacina em solo brasileiro, a vacina pronta e em condições de iniciarmos imediatamente a imunização de milhões de brasileiros. Felizmente, este dia chegou, esse dia é hoje. Viva a vacina, viva o Butantan, viva o esforço de São Paulo pelo Brasil.

Queria neste momento pedir a intervenção do Dr. Dimas Covas, médico, cientista e presidente do Instituto Butantan, renovando a você, Dimas, e em seu nome, a todos os cientistas, profissionais, equipe, pesquisadores deste orgulho do Brasil, que é o Instituto Butantan, por este feito, que hoje anunciamos não apenas ao Brasil, mas ao mundo. Nós temos aqui vários correspondentes estrangeiros, de veículos de comunicação da Ásia, da Europa, dos Estados Unidos, do Canadá, da América Latina, cobrindo esta coletiva, pela confiança numa instituição centenária, como é o Instituto Butantan, o Instituto Butantan de São Paulo e do Brasil. Dimas.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: Obrigado, governador. Minha emoção é muito grande nesse momento, governador. Nós estamos completando oito meses nessa saga, uma saga que aconteceu, teve o seu início em abril desse ano, e é uma saga de luta, luta diária, luta muitas vezes sanguinolenta, muitas vezes luta contra o ódio, contra a incompreensão, contra a falta de visão do que é uma vacina no momento de uma pandemia. Então, foram meses de intenso desgaste, de intensa luta. Não minha, governador, mas de todos que estamos aqui trabalhando em prol dessa vacina. E eu começo a minha fala, governador, exatamente agradecendo a essas pessoas, pessoas que continuam empenhadas nesse esforço de fazer essa vacina chegar o mais rapidamente possível. Em abril, nós tínhamos a decisão tomada de iniciar esse processo, e eu confesso ao senhor: nunca achei que poderíamos ter essa vacina tão rapidamente, uma vacina que foi estudada aqui no Brasil, cujos dados vamos apresentar agora, uma vacina que está sendo produzida aqui no Brasil, está sendo produzida nos nossos laboratórios. Então isso, governador, é motivo de uma emoção profunda, profunda, governador. Me sinto, nesse momento, extremamente emocionado e agradecido, agradecido a todas essas pessoas que trabalharam em função da vacina, agradecido aos voluntários que participaram desse estudo, agradecido aos centros de estudo, que conduziram, e eu aproveito a oportunidade para agradecer um dos pesquisadores responsáveis pelo estudo, Dr. Esper Kallás, que dirigiu o centro do Hospital das Clínicas, e juntamente com mais 15 outros centros estão levando esse estudo à frente.

Temos que lembrar, governador, que uma vacina, ela tem um papel diferente de situações normais e de situações epidêmicas, como a que nós vivemos agora. Muita gente critica a velocidade com que as vacinas estão chegando, mas nesse momento nós temos que pensar que nós estamos perdendo pessoas, nós estamos jogando pessoas nos nossos hospitais, quer dizer, muitas dessas pessoas pertencendo às faixas de pessoas mais idosas, de pessoas que já estão submetidas a um risco importante, quando contraem essa doença muitos vão a óbito. Então, uma vacina nesse momento, governador, ela vem para diminuir essa carga de doença, vem pra diminuir a gravidade desses casos, vem para impedir que as pessoas, uma vez infectadas pelo Corona Vírus, desenvolvam a forma mais grave da doença. É isso que nós esperamos de uma vacina. E eu vou mostrar pra vocês alguns dados em relação a isso. Tem uma apresentação. Por favor, o primeiro.

Então, como eu mencionei, o estudo foi realizado com 16 centros clínicos, sendo 16 centros clínicos experimentados, experimentados, treinados e realizaram um belo trabalho. Oito estados e todos esses centros, acompanhados por organismos internacionais para o controle de qualidade do próprio estudo, e posteriormente em relação à própria segurança e eficácia que está sendo determinada. Próximo.

Participaram desse estudo 12.476 profissionais até o momento, ainda continuamos incluindo voluntários, principalmente dos voluntários acima de 60 anos. E o que tem de diferente esse estudo dos demais estudos realizados? Nós realizamos com profissionais de saúde, são aquelas pessoas que estão mais submetidas à presença do vírus, estão na linha de frente, aquelas que trabalham diretamente com os pacientes com Covid-19, quer dizer, são o exército da saúde, no combate direto do vírus. Isso é diferente. Outros estudos foram feitos para populações gerais. Não, nós desafiamos essa vacina de uma forma que outras vacinas não fizeram, porque todos esses voluntários tinham um risco maior de infecção, uma vez que eles cuidavam diretamente de pacientes com o vírus. Então, essa vacina foi submetida a um teste, um teste dos mais difíceis, que é superior ao que outras vacinas testaram, em termos da incidência da infecção. Nós fomos buscar testar a vacina onde a incidência era maior, onde o risco era maior, onde a exposição era maior. Próximo. Esta, portanto, é a prova mais dura do mundo para uma vacina contra o Covid-19. E também, nesse estudo, foi tomado cuidados para fazer um detalhamento, detalhamento que permita tirar conclusões. Um estudo clínico, ele é desenhado, ele é planejado para dar aos pesquisadores respostas de como a vacina funciona, de qual é a forma de você aplicar de forma mais correta, qual o intervalo entre as vacinas, se existem efeitos colaterais, qual a segurança, e esse estudo foi feito com esse objetivo. Próximo. Outras vacinas, como eu mencionei, testaram pessoas com menor risco de exposição ao vírus, inclusive essa vacina foi testada em outros países, está sendo testada em outros países, como a Turquia e a Indonésia, na população geral. Então com uma outra incidência. Isso é importante mencionar. Próximo. Nós fizemos o estudo com base na classificação clínica do COVID-19, uma classificação clínica aceita pela Organização Mundial de Saúde, e vamos apresentar alguns resultados, não todos, porque é um estudo extremamente complexo, que mostram a importância dessa vacina nesse momento. Próximo. Pessoas que receberam a vacina, as pessoas que receberam a vacina em relação às que não receberam, não tiveram nenhum caso de COVID-19 grave. Ou seja, a vacina protegeu 100% com relação a casos graves de COVID-19. Próximo. Não só protegeu também 100% contra casos moderados de COVID-19. Ou seja, as pessoas vacinadas nessa população de alto risco, foram protegidas da doença moderada e grave. Então esse é um ponto importantíssimo. Ponto importantíssimo. Se nós já tivéssemos vacinando a população geral com essa vacina, nós já poderíamos esperar isso aqui, algo assemelhado a isso. Próximo. A internação hospitalar foi evitada, nenhum dos voluntários que receberam a vacina foram internados, 100% da eficácia nesse sentido. Ou seja, nesse momento a pessoa pode até se infectar, o que nós queremos é que a pessoa não progrida com a doença, que essa doença não fique mais grave, e que a pessoa tenha que ir para o hospital e ser internada. Então aqui estão os resultados. Os resultados já mostrando a importância dessa vacina nesse momento. Próximo. Mas, governador, com relação à atendimento ambulatorial, quer dizer, a pessoa tem a infecção, tem um sintoma, esse sintoma tem uma importância que precisa procurar um médico, ou seja, procurar uma assistência médica, então ele tem alguma importância. As pessoas vacinadas, 78% não precisaram, não precisaram procurar o recurso médico. Ou seja, próximo, os casos leves, que é nessa situação, foram prevenidos em 78%. Então veja, esse aqui são os dados resumidos, mas que eu tentei explicar para vocês o que isso significa na prática, na prática significa isso, estamos evitando casos graves, estamos evitando os casos moderados, estamos evitando a internação hospitalar, estamos diminuindo o atendimento, a necessidade de atendimento ambulatorial, estamos apenas reduzindo de forma significativa, e inclusive, as manifestações mais leves. Então, governador, uma excelente vacina, uma excelente vacina para o momento. Precisamos que ela chegue ao braço das pessoas, precisamos que ela seja aplicada aos profissionais de saúde, e aos idosos, na primeira fase do programa, o mais rapidamente possível. Por isso que hoje nós iniciamos junto à ANVISA, já tivemos uma primeira reunião, quer dizer, o processo de submissão do uso emergencial prevê um rito que seja feita uma reunião inicial. A reunião inicial foi feita hoje às 10h da manhã, a ANVISA recebeu informações, e já marcou uma segunda reunião para o dia de hoje. Então no final do dia de hoje teremos mais uma reunião em continuidade à essa primeira, e esperamos poder formalmente iniciar esse pedido de tramitação após essa reunião no dia de hoje, ou no máximo até amanhã. Então uma ótima notícia, governador, porque a ANVISA certamente entendeu, foi positiva nessa primeira reunião, e, portanto, nós estamos caminhando no sentido de ter a autorização de uso emergencial da vacina. Próximo. Resumindo, a vacina mostrou 100% de eficácia contra casos graves e moderados, ou seja, não houve casos graves entre aqueles que foram vacinados com a nossa vacina. Próximo. Nenhum dos vacinados precisou de internação hospitalar, isso é resumo. Próximo. A vacina do Butantã vai de 78% a 100% de eficácia nos casos leves, moderados e graves. Próximo. A vacina do Butantã é eficaz, é a única disponível no dia de hoje para o controle da pandemia no Brasil. Esperamos que tenhamos mais vacinas, mas nesse momento é a que nós temos. E está entre as vacinas mais seguras do mundo, já apresentei dados da segurança, lá na China já foram vacinadas mais de 700 mil pessoas, mostrando um perfil de segurança dos mais apropriados entre todas as vacinas, e não só para COVID-19. Então, governador, essa é a minha mensagem, estamos, portanto, no dia de hoje presenciando um fato histórico, histórico para nós que estamos aqui, obviamente, embora na história do Butantã isso seja relativamente frequente, o Butantã participou ativamente de todas as epidemias que nós já observamos nesse país, e sempre de forma pioneira, sempre de forma a trazer rapidamente as vacinas, e fazer com que essas vacinas fossem usadas de forma efetiva. Então muito me honra ser diretor do Butantã nesse momento. Eu término agradecendo ao governador, ao governo do estado, aos funcionários do Butantã, que são empenhados, muito empenhados e vamos em frente, governador, ainda temos muita tarefa, hoje é apenas um dia a mais necessário. Obrigado.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito bem, Dimas. Vamos agora ouvir o médico infectologista do Instituto Emílio Ribas, doutor Sérgio Cimerman. Doutor Cimerman não é médico integrante do centro de contingência do COVID-19, mas é um dos nomes mais reluzentes, mais importantes na ciência brasileira, como médico infectologista que é. Com a palavra Sérgio Cimerman.

SÉRGIO CIMERMAN, MÉDICO INFECTOLOGISTA: Obrigado, governador, pelo honroso convite. Difícil fazer um pronunciamento depois da fala do doutor Dimas, emocionada, e com dados tão robustos que mostram um sonho que está sendo realizado, e que era factível contra várias pessoas que comungavam que não seria possível a medicina brasileira expor dados tão importantes na data de hoje. Faço parte do corpo clínico do Instituto Emílio Ribas, com muito orgulho. Instituto esse que foi o que maior captou voluntários para o estudo clínico, entorno de 1.430 voluntários, dentre dos 16 centros aí então, um dos maiores. E um envolvimento muito grande com o apoio do governo do estado de São Paulo, da Secretaria de Saúde por parte do doutor Jean Gorinchteyn, com apoio para os nossos profissionais da área de saúde, entre médicos, técnicos e enfermagem. E muito nos orgulha fazer parte desse time. Como o doutor Dimas colocou muito bem, a vacina varia entre 78% e 100% dessa eficácia. E qual a importância de tudo isso? É que a gente consiga prevenir casos graves, e vocês vejam que 100% foi mostrado. Quando a gente diminui casos graves, a gente diminui então número de internação hospitalar, a gente diminui mortalidade, a gente diminui todo um complexo que está envolvido, e também diminui custo, ou seja, a vacina além de salvar vida também tem o racionamento econômico que isso pode trazer para os cofres públicos. Esse é um dado que eu queria deixar bem claro. Lembrar que a vacina, a vacina do Butantã, que eu acho que a gente tem que mudar um pouco essa fala de vacina Coronavac, Sinovac, a vacina do Butantã, vacina do Brasil, ela tem a vantagem de ter uma logística fácil, vai ser duas doses como todas as outras vacinas, não vai ser diferente. E a questão que é uma vacina de vírus vivo inativado, que a gente tem uma maior experiência para tramitar com vários grupos prioritários que a gente vai ter que trabalhar. Então esse é um outro dado importante, e aliado à experiência que tem o Butantã na confecção de vírus, de vacinas baseada em vírus, já como o doutor Dimas colocou. Então esse é um outro dado importante que eu queria deixar para vocês. Lembrando que o Butantã tem uma capacidade provavelmente de produzir aí algo como 1 milhão de doses por dia. Esse é um outro dado considerável mostrando a importância do que acontece na data de hoje, uma data única para nós brasileiros, especialmente do estado de São Paulo. Então por tudo isso a gente já vinha falando há muito tempo, em várias empresas de telejornalismo, rádio, televisão, jornal, a importância de ter uma vacina. Todo mundo se pegar, vai na questão da eficácia, qual é a eficácia? Por que é eficácia? Mas nós conseguimos mostrar agora o que com esses dados? Que não só a eficácia ela é importante, mas ela vai diminuir a gravidade. Esse é o grande X da questão, é diminuir a gravidade, esse é o alento que nós como infectologistas, e vou falar em meu nome pessoal, governador, doutor Dimas, é alvissareiro, é excelente, eu tenho certeza que nós vamos começar essa campanha de vacinação com maior brevidade possível, e dentro do sucesso. Era isso que eu gostaria de falar. Muito obrigado.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito obrigado, doutor Sérgio Cimerman. E obrigado por ter aceito o convite também para estar conosco aqui nesse dia histórico. Tomar a liberdade de sugerir agora a intervenção da doutora Rosana Richtmann, médica infectologista igualmente no Instituto Emílio Ribas. A doutora Rosana também não faz parte do centro de contingência, mas é também um expoente nacional na sua especialidade, que é infectologia, e hoje a nossa convidada especial para estar aqui nessa coletiva. Doutora Rosana.

ROSANA RICHTMANN, MÉDICA INFECTOLOGISTA: Bom, primeiramente muito obrigada pelo convite, é um convite que qualquer profissional da saúde estaria muito feliz de estar aqui hoje, vendo esses resultados e ouvindo tudo isso que a gente ouviu hoje nessa coletiva. Eu aproveito para falar que eu acho que eu represento muito mais os profissionais da saúde em nome do Instituto de Infectologia Emílio Ribas. Agradecer ao governo do estado e ao Instituto Butantã, esses resultados fantásticos que a gente está vendo hoje. Por quê? Eu acho que quem mais vai agradecer tudo isso, lógico, a população do estado de São Paulo, a população brasileira, mas em especial o profissional da saúde que está hoje diante de casos graves na terapia intensiva, tendo que ventilar pacientes. E é exatamente esse objetivo primeiro, de qualquer vacina que vá entrar em qualquer país. Então o nosso primeiro objetivo é diminuir o impacto dessa doença, tanto na fase aguda, que é o que a gente vê nos hospitais, mas também as consequências da doença, que são as sequelas que a gente tem visto também. Então o impacto dessa pandemia nos casos graves, moderados, hospitalizados, é muito grande. Então os dados que a gente vê aqui, e governador, eu aproveito para confessar que eu fiz parte do instituto lá no Instituto de Infectologia Emílio Ribas. E sobre a segurança eu, lógico, a gente quer ver os dados, mas a gente tinha certeza da segurança, porque no dia a dia nosso vacinando os voluntários, que por sinal eu quero agradecer a todos os voluntários que participaram, todos tinham a sensação que tinham tomado placebo, porque realmente era uma vacina extremamente segura, que tinha no máximo uma reação local, ou algo muito pequeno. Então em termos da segurança, mesmo antes de saber os resultados, a gente tinha muita convicção de que a vacina era segura no nosso dia a dia. O que faltava eram esses dados da eficácia, que estava todo mundo muito ávido em saber, e os dados são, eu diria até que são melhores do que a gente estava esperando, principalmente na prevenção de casos graves e severos. Então eu em nome, acho que de todos os profissionais de saúde desse país eu quero agradecer ao Instituto Butantã, ao governo de São Paulo, que a gente consiga agora colocar tudo isso na prática, porque não basta ter vacina, nós temos que ter vacinação, e ação de vacinação é bastante complexa. Por isso o doutor Dimas falou que nós vamos ter ainda muito trabalho pela frente, mas a partir de agora o trabalho mostra-se um cenário bem tranquilo. Muito obrigada pela oportunidade.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado Dra. Rosana. Significativo e muito importante o seu depoimento, não só como médica infectologista, cientista, mas também como mulher, como mãe. Eu queria pedir agora a intervenção do Dr. Esper Kallás, médico infectologista do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo, também um dos nomes mais proeminentes do país, conferencista internacional e integrante do nosso centro de contingência do Covid-19. E ele hoje aqui, fala em nome de dois médicos que aqui estão, brilhantes, Dr. Jean Gorinchteyn, médico infectologista e que eu tive o privilégio de conhecer e convidá-lo para ocupar a Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo e ele também faz parte do Hospital das Clínicas e do Instituto Emílio Ribas e um orgulho da medicina de São Paulo. Dr. Paulo Meneses que também integra o centro de contingência como seu coordenador, médico, epidemiologista, igualmente do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo. E esse grande novo e vibrante amigo que é o João Gabbardo, médico que fez um enfrentamento com enorme dignidade como secretário executivo do Ministério da Saúde na gestão do então Ministro Luiz Henrique Mandetta. Em nome desses médicos fala agora Esper Kallás, médico infectologista do Hospital dos Clínicas e integrante do centro de contingência do Covid-19.

ESPER KALLÁS, MÉDICO INFECTOLOGISTA DO HOSPITAL DAS CLÍNICAS DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO: Governador, muito obrigado pelo convite mais uma vez, é uma satisfação para mim estar aqui participando desse evento que é fundamental. Eu queria dizer que sinto no dever cívico de como professor da Faculdade de Medicina da USP e do Hospital das Clínicas, estar sempre ao lado do governo de São Paulo para que o que a gente faz na universidade estar à disposição da população do estado e do Brasil. E é em nome da minha universidade e do Hospital das Clínicas que eu agradeço, tenho esse agradecimento para o senhor. Queria também agradecer ao Dimas que além de ser da nossa universidade, o Dimas é um amigo que a gente se aproximou muito durante esse período de tanta dificuldade e junto com o Dimas e mais vários outros colegas a gente integra o centro de contingência que tem momentos bons e momentos difíceis que a gente passa dia a dia tentando achar soluções e propor soluções para a Secretaria de Saúde do governo do estado de São Paulo no enfrentamento da pandemia. Então, em nome de todos os nossos colegas eu queria também agradecer toda a confiança que foi dada para todos nós que humildemente tentamos ajudar às ações do governo do estado para melhorar a saúde dos brasileiros. Eu queria dizer que a conquista de uma vacina que possa ser trazida para uso não é uma coisa comum, embora a gente tenha na história do Brasil a participação em vários momentos, uma tarefa extremamente difícil que vai desde a conceitualização da vacina e fazer toda a trajetória do desenvolvimento científico. E toda vacina tem que respeitar dois princípios fundamentais, governador, o primeiro deles é a segurança dos voluntários. Os resultados que a vacina nos proporcionou até agora são inquestionáveis de ser uma vacina extremamente segura. E o outro deles é o rigor científico quando se faz estudos de pesquisa. Tem gente que dedica a vida para isso para tentar dar a melhor resposta para a população tomar a decisão de escolher as vacinas para serem empregadas. E a gente está num momento muito próximo de conquistar isso novamente, isso traz um enorme orgulho para todo mundo. Eu queria também aproveitar para agradecer os 16 centros que participaram. Os investigadores, os colegas, são as equipes que trabalharam num momento de extrema estresse e pressão em todos os lugares para colocar todos esses 2.500 voluntários que até agora participam do estudo. Todos nós que participamos do projeto sabemos da pressão que eles sofreram, trabalhando sábado, domingo, à noite, virando os horários r poder dar essa resposta. Então, eu queria dedicar para eles também esse momento. E para a equipe de pesquisa clínica do Butantan que virou dia e noite também trabalhando sem parar para esse resultado estar pronto. Isso é resultado de um esforço imenso da equipe de clínica do Butantan, alguns amigos que eu tenho faz mais de 20 anos e eu tive a oportunidade de dar um abraço ontem aqui visitando o Butantan junto com o Dimas, foi uma satisfação grande saber que é importante a gente também reconhecer esse trabalho de todos. E finalmente para os voluntários, porque eu quero voltar a dizer, os voluntários são justamente as pessoas que enfrentaram a epidemia desde o começo. Então, eles doaram a vida, arriscaram a sua vida para tratar dos pacientes, mas também um ato de altruísmo como sendo voluntários que é uma coisa muito nobre que merece o reconhecimento não só de todos nós que fizemos o estudo, mas também da população brasileira. Se alguém tomar essa vacina um dia é por que teve um voluntário de um hospital, um médico, uma enfermeira, um fisioterapeuta, um dentista que atende pacientes que se prontificou a participar de um estudo como esse. Eu não queria ser um estraga prazer, mas eu queria deixar uma mensagem final de que a gente tem que sempre levar em consideração que a implementação de um programa de vacina leva tempo, o estabelecimento de uma resposta imune protetora leva tempo e infelizmente a gente ainda tem um tempo pela frente até tudo isso acontece, nós vamos ter dois meses duros pela frente. Então, o fato da gente trazer uma notícia tão boa quanto essa não abre, não dá salvo-conduto para as pessoas acharem, a população achar que o problema está resolvido porque não está. Nós ainda temos que nos cuidar, nós temos que [interrupção de áudio].

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: ...existem pessoas no Brasil e fora do Brasil. Muito obrigado. Obrigado a você, obrigado a seus familiares que concordaram que você se tornasse um voluntário dessa vacina e obrigado àqueles que ofereceram o seu braço, a sua alma e o seu coração para salvar os brasileiros. Ao longo desses mais de 10 meses perdi muitos amigos para a Covid, creio que vocês perderam também amigos, conhecidos, vizinhos, muitos perderam os seus parentes, pais, mães, avós, irmãos, colegas. Hoje, infelizmente, chegaremos a noite a terrível, triste, trágica marca de 200 mil brasileiros que perderam a sua vida para a Covid-19. Portanto, hoje, 7 de janeiro, é o dia da vida, é o dia da existência. Com todos os cuidados que ainda deveremos ter ao longo deste ano, mas temos a esperança, a esperança da vacina. E a esperança ajuda a fé, a confiança, melhora a sua imunidade porque o seu coração pulsa melhor porque muito em breve você terá sua vacina. Quero aqui concluir rendendo a essa minha homenagem a tantos brasileiros que perderam a sua vida, a tantos que ainda estão em sofrimento, mesmo tendo superado uma UTI e tendo retornado às suas casas, mas ainda sofrem efeitos colaterais dessa doença. Aos seus familiares, aos que estão nos assistindo nesse momento que choram a perda de seus filhos, irmãos, pais, tios, avós, a nossa solidariedade, a nossa compaixão e fico feliz também como brasileiro de saber que a maioria dos brasileiros, a maioria expressiva dos brasileiros tem amor no coração, tem compaixão, a maioria expressiva dos brasileiros nunca acreditou que nós estaríamos vivendo uma gripezinha, um resfriadozinho. A estes brasileiros que têm compaixão, que têm solidariedade, também dirijo aqui a minha homenagem. Sigam na esperança, sigam se protegendo, orientando seus familiares e amigos a se protegerem. Não aceitem as recomendações equivocadas, maldosas, desprovidas de solidariedade e humanidade para fazerem o que não devem fazer. A todos esses brasileiros que têm esperança no coração, amor e fé, a minha homenagem como brasileiro, como cidadão e como pai de família.

[aplausos]

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado. Eu queria elencar os veículos de comunicação que farão perguntas hoje a todos que aqui estão, a Tainá Falcão da CNN Brasileiro, a Letícia Casado do Jornal New York Times, a Maira Di Giaimo da Rádio Bandeirantes e Rádio BandNews, a Alba Santandreu online, da Agência Internacional, a Agência F, o Eduardo Simões também online, da Agência Internacional Reuters, a Adriana Cimino da TV Cultura, a Fabiana Cambricoli do jornal o Estado de São Paulo e a Daniela Germiniani da TV Globo, GloboNews. Começando então por você, Tainá Falcão. Obrigado por estar presente mais uma vez. Boa tarde.

TAINÁ FALCÃO, JORNALISTA DA CNN BRASIL: Boa tarde.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Sua pergunta, por favor.

TAINÁ FALCÃO, JORNALISTA DA CNN BRASIL: Eu vou direcionar a minha pergunta ao Dr. Dimas. Dr. Dimas, para a gente esclarecer melhor a sua fala agora a pouco a respeito do pedido de uso emergencial da vacina. A gente pode então, entender que esse pedido será feito entre hoje e amanhã, de fato, por que é que ele não foi feito nessa reunião inicial? E o registro definitivo também será solicitado simultaneamente? Obrigada.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: Bem, Tainá, o rito que a Anvisa estabeleceu é que todo o pedido para uso emergencial deve começar com uma reunião preparatória e a apresentação de dados. Então, isso foi feito na manhã de hoje, se espera que a Anvisa faça, obviamente, solicitação de esclarecimentos, enfim, essa reunião, ela terminou era meio dia e alguns minutos e eu ainda não tenho o relatório da minha equipe que participou, mas já fui avisado que haverá uma outra reunião ainda no dia de hoje, para continuar o assunto e, portanto, a expectativa é que logo que tenhamos essa formalização da documentação, possa ser feito, oficializado o pedido. É o pedido, nesse momento, de uso emergencial, nós não estamos fazendo o pedido de registro da vacina porque o pedido de registro, ele tem que ser feito junto com a Sinovac, então nós estamos utilizando o mecanismo que foi criado pela própria Anvisa que é a possibilidade de trazer a vacina a uso o mais rapidamente possível. Estamos, nesse momento, com toda a documentação pronta e agora atendendo aí, as solicitações da Anvisa em vista desses documentos. Então, é esse processo que estamos nesse momento.

TAINÁ FALCÃO, JORNALISTA DA CNN BRASIL: [pronunciamento fora do microfone]

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: Pode ser que seja hoje, pode ser que seja amanhã, depende da próxima reunião que será ainda no final da tarde de hoje.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito obrigado Dimas, obrigado Tainá. Antes da próxima pergunta que é da Letícia Casado que está aqui entre nós, Letícia, se você puder se aproximar e vir até aqui o microfone, eu quero fazer aqui uma manifestação a Anvisa, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, que a Anvisa mantenha a sua independência, a sua autonomia pela ciência e pela vida e em nenhum momento, mas em nenhum momento pense em atender a qualquer tipo de pressão de ordem ideológica ou de outro tipo de pressão para prejudicar a velocidade interativa de oferecer a essa vacina a oportunidade de salvar vidas de brasileiros em nosso país. Letícia Casado. Desculpe, boa tarde, a sua pergunta por favor.

LETÍCIA CASADO, JORNALISTA DO JORNAL NEW YORK TIMES: Boa tarde pessoal. A gente está querendo entender como que os resultados da Coronavac no Brasil se alinham com o resultado de Turquia e Emirados Árabes. E para isso a gente precisava entender um pouquinho melhor sobre os dados. Assim, número de participantes em geral, total de casos de Covid, quantidade de pessoas do grupo de placebo versus do grupo vacinado, intervalo de confiança para a eficácia da vacina e eficácia para casos graves, moderados e outros casos de Covid, subgrupos por idade, por exemplo, as questões de efeitos colaterais, se todos os voluntários foram testados ou só os que apresentavam sintomas e entre os que receberam vacina e foram infectados que sintomas apresentaram umas coisas um pouquinho mais técnicas, por favor. Obrigada.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Vou pedir... Obrigado, Letícia. Vou pedir ao Dr. Dimas, obviamente, que inicie a resposta, com comentários do Dr. Sérgio Cimerman e Dr. Esper Kallás.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: Letícia, você não fez uma pergunta, você pediu o relatório, né? O relatório será disponibilizado por meio da... Primeiro, logo que forem submetidos e aceitos pela Anvisa, ele será, os dados que você pergunta são dados detalhados, e eles estarão na documentação técnica que acompanha tanto o pedido como, depois, as publicações científicas. Então, eu não vou descer a esses detalhes na coletiva. Com relação às eficácias, se é isso que eu entendi, da comparação do estudo do Brasil com o estudo de outros estudos, com a mesma vacina, existe, sim, essa preocupação. Por isso que o pedido de registro da vacina será feito pela Sinovac. Quer dizer, a Sinovac recolhe os dados dos estudos da vacina, e é ela que submete o pedido de registro, inicialmente lá na NMPA, que é a Anvisa chinesa, e imediatamente o mesmo pedido se estende ao Brasil e aos outros países. Existe, sim, alguma diferença, em termos da eficácia anunciada previamente pela Sinovac, no caso da Turquia, que ainda são estudo preliminares, mas que foi apresentada uma eficácia geral de 96%. Então, ela tem a obrigação e a responsabilidade da Sinovac harmonizar tudo isso e fazer o pedido de registro.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Dimas. Dr. Sérgio.

SÉRGIO CIMERMAN, INFECTOLOGISTA: Não tenho muito pra completar o que o Dr. Dimas colocou. A gente realmente precisa ter esse portifólio, esse dossiê que o Dr. Dimas vai apresentar, seguramente, à Anvisa, e a Anvisa também vai fazer essa exigência, e lembrando que cada país tem a sua peculiaridade, tanto a Indonésia, quanto Turquia, quanto o Brasil. Mas o que importa é o que a gente está vivendo aqui no Brasil, aqui agora. Se aqui pra nós, nós temos uma eficácia entre 78% e 100%, é com isso que eu vou trabalhar, eu não vou trabalhar com a eficácia da Indonésia ou da Turquia, se for 90%, 92% ou 94%. Então, essa é a questão que nós temos que batalhar. E com toda a certeza, como a Dra. Rosana colocou na fala dela, os efeitos adversos realmente devem também ser mínimos, para colocar pra você um dos pontos que você colocou, devem ser mínimos, porque realmente é isso que, no Instituto de Infectologia Emílio Ribas, a gente observou com os voluntários, falando com eles nos corredores, enquanto eles aguardavam a tomada de dose e o pós-dose, eles têm que ficar sob vigilância. Então, você acaba fazendo aquela conversa preliminar, depois quando ele retorna, nas outras visitas. Então, isso também deve ser um dado positivo que o Dr. Dimas e a Anvisa devem apresentar, assim que tiver esse dossiê totalmente completo e destrinchado. Então, eu creio que não tem mais nada pra gente falar, sem ter esses dados com toda a certeza.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Dr. Sérgio, um breve comentário do Dr. Kallás.

ESPER KALLÁS, INFECTOLOGISTA: Letícia, você fez a pergunta que eu teria feito também, que é querer saber os dados, né? E a granularidade dos resultados é que vai permitir uma análise mais completa de toda a vacina. Inclusive, pra gente entender melhor qual é a robustez. A informação que a gente teve dessa análise preliminar, que a gente ainda está cego pra ter todos esses dados também, é de que todos esses números atingiram um intervalo de confiança significativo. Agora, o número de cada um, a gente ainda vai receber, então isso deve vir em breve, pra gente poder discutir. Mas quando você compara uma vacina com a outra, a gente está vendo que, de uma forma geral, as vacinas que estão sendo testadas em diferentes lugares dependem de uma quantidade de proteção induzida, que não precisa ser tão alta pra proteger contra o vírus. Eu acho que a mesma coisa aconteceu aqui, pra provocar uma proteção que atingiu esses níveis, pra doenças que necessitem atendimento ambulatorial e pra casos de internação, que são os casos mais significativos.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito bem. Muito obrigado, Dr. Esper. Letícia Casado (F), do jornal New York Times, muito obrigado. Vamos agora à Maira, da Rádio Bandeirantes e Rádio BandNews. Maira, boa tarde. Maira participou de quase todas as coletivas aqui, ao longo dos últimos meses. Bem-vinda, sua pergunta, por favor.

REPÓRTER: Boa tarde, governador, boa tarde a todos. A gente está ao vivo no BandNews TV nesse momento. E eu queria perguntar, em relação ao uso emergencial, ele tem algumas peculiaridades. Eu queria entender, só um grupo específico vai ser vacinado com uso emergencial? Que grupo vai ser esse? Como é que funciona? Previsão também desse registro definitivo. Vou me alongar um pouquinho só hoje nas perguntas. As 35 milhões de doses que faltam da encomenda chegam quando? Vocês têm como dar um calendário, assim, pra gente, quantas chegam em janeiro, fevereiro, como é a previsão, pra gente poder divulgar? E bom, acho que já foi, foi suficiente.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Maira, obrigado. Eu vou pedir ao Dr. Dimas, evidentemente, para iniciar a resposta, e complementar, pelo tema da imunização, com o Dr. Jean Gorinchteyn. Dimas.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: Bem, o uso emergencial, ele é feito por populações. Nesse momento, o pedido, ele será feito para todas as populações que estão incluídas no estudo. Isso significa indivíduos acima de 18 anos, incluindo aí a população de profissionais de saúde, a população de idosos, que é o que está previsto no plano inicial divulgado tanto pelo Governo do Estado como pelo programa nacional de imunização. Então, é dentro dessa lógica que é feito o pedido, e a autorização é por grupos, por grupos específicos. Não é uma vacina já aprovada, em termos de registro, é uma vacina considerada ainda experimental. Então, tem que se tomar alguns cuidados, exige-se o acompanhamento dos vacinados, por isso que precisa ter um sistema de farmacovigilância muito robusto, e nós estamos preparados pra isso. Precisa ter o controle das pessoas que foram vacinadas. Então, tudo isso está previsto dentro da norma, é uma norma que é muito assemelhada à norma de outros países, e ela permite que a vacina seja usada muito rapidamente, esse é o ponto importante, diferentemente do registro, que é um processo um pouco mais demorado.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Dimas. Jean.

JEAN GORINCHTEYN, SECRETÁRIO ESTADUAL DE SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Com relação ao recebimento das 35 milhões de doses remanescentes, nós estaremos recebendo até a primeira quinzena de fevereiro, lembrando que nós já temos, no território brasileiro, aqui no Instituto Butantan, exatamente nessa unidade, 10,8 milhões de doses da vacina do Butantan. E dessa forma, temos a condição de estar já iniciando, a partir do dia 25 de janeiro, a imunização, a primeira fase da imunização, principalmente dos idosos, que representam 77% das pessoas que morrem em decorrência do Covid-19. Assim como os profissionais da área da saúde, que estão na linha de frente do combate, que estarão também recebendo, assim como indígenas e quilombolas. Temos toda a estratégia, toda a parte logística, toda a quantidade de insumos, de seringas, de agulhas, de segurança e profissionais que estarão nos 645 municípios do Estado de São Paulo. Mas nós queremos ter a possibilidade de fazer com que essa vacina seja distribuída para todo o Brasil, através do programa nacional de imunização, porque nós entendemos que nós vivemos uma crise sanitária, crise essa que nós não víamos há décadas, e a única forma de nós podermos salvar as vidas dos brasileiros de todo o país, de uma forma democrática, é imunizando todos, através do Sistema Único de Saúde.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Dr. Jean Gorinchteyn, Maira, muito obrigado pela sua intervenção. Agora vamos a duas perguntas online, a primeira é da Agência F, a jornalista Alba Santandreu. Vamos vê-la aqui em tela. Agora sim, você já está em tela, Alba, boa tarde, sua pergunta, por favor.

REPÓRTER: Boa tarde, governador. No mês passado, as autoridades sanitárias afirmaram que estavam em negociações com países da América Latina para exportação da vacina, da Coronavac. Então, queria saber como está o avanço dessas negociações, se já temos alguma data exata para exportar e que países são os que estão negociando com o Governo de São Paulo. Obrigada.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Alba, obrigado. Vou pedir ao Dr. Dimas Covas, presidente do Instituto Butantan, para responder, lembrando que eu mesmo tive contato com o ministro da Saúde da Argentina, quando da visita recente do Dr. Dimas àquele país, com a manifestação de interesse da Argentina na compra da vacina. O ministro, naquele mesmo dia, naquela mesma tarde, me telefonou e depois teve a gentileza de nos visitar, aqui em São Paulo, acompanhado também do chanceler da Argentina e do embaixador da Argentina em Brasília. E também outros contatos feitos também telefonicamente com países, mas quem tem a conduta e o gerenciamento disso é exatamente o presidente do Instituto Butantan, Dimas Covas.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: Exatamente, governador. Essa negociação está em curso, a Argentina é a que está mais adiantada nesse processo, nós já estamos na fase de negociação contratual para o fornecimento das primeiras doses. Existem já manifestações formais, mas ainda não em fase de contrato, de outros países, como Peru, Bolívia, Uruguai, Honduras, Equador. E esperamos mais agora, ficamos animados, porque houve a aprovação da vacina na Bolívia, isso já foi noticiado, então também nós estamos em curso uma negociação com a Bolívia. Essas negociações dependem dos contratos para prever a data de fornecimento. Então nós estamos finalizando esses contratos, à medida que eles vão sendo negociados. Nesse momento, não temos nenhum contrato finalizado ainda.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito obrigado, Dimas. Alba, muito obrigado pela sua participação. Acredito que nos próximos dias e nas próximas semanas vale voltar a este tema e a essa questão, de países latino-americanos e também da América Central, que manifestaram interesse e os processos estão em andamento. Muito obrigado por estar aqui participando. Vamos agora a um outro correspondente, que é da Agência Reuters, Eduardo Simões. Vamos colocá-lo aqui em tela. Já em tela, Eduardo, boa tarde. Sua pergunta, por favor.

REPÓRTER: Boa tarde, governador, boa tarde a todos e a todas. Eu gostaria de saber, eu sei que o Dr. Dimas disse que não vai entrar no detalhe do estudo, mas eu gostaria de saber se existe uma estimativa, se a eficácia apontada nesses estudos é a mesma para a população de idosos. E também, aproveitando, Dr. Dimas, se o senhor pode detalhar só o percentual que recebeu placebo e o percentual que recebeu a vacina em si, se foi meio a meio, dentro desses 12 mil que o senhor mencionou mais cedo. Obrigado.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Eduardo, obrigado. Vou pedir ao Dr. Dimas pra fazer a resposta, com comentário da Dra. Rosana Richtmann. Dimas.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: Sim, a proporção placebo-vacina foi um pra um, então 50% do grupo todo recebeu vacina e aproximadamente 50% o placebo. Com relação à questão dos idosos, os idosos participam do estudo clínico, um estudo clínico com pessoas com mais de 18 anos, e aí incluídos os idosos. E a eficácia para proteção contra casos graves se aplica tanto aos mais jovens quanto aos idosos. Então, não há nesse momento nenhuma diferença observada. E assim nós esperamos, com relação à proteção da gravidade da doença. Os idosos, eles têm normalmente uma imunologia um pouco diferente dos indivíduos mais jovens, eu acho que esse é o objetivo da sua pergunta. Isso já foi publicado anteriormente, em termos de resposta imunológica, através dos estudos de fase 1 e 2, isso está já na literatura, mas brevemente, nós iniciamos um estudo, um braço do estudo, específico com idosos, para aí sim analisar a quantitativa de doses, se é melhor duas doses, qual é o melhor intervalo pra idoso, se é necessária uma terceira dose para os idosos. Esse estudo está já planejado e deve se iniciar o mais rapidamente possível, assim que a gente tenha o resultado dessa primeira fase agora, que nós estamos discutindo hoje, que é a autorização do uso emergencial.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Dimas. Dra. Rosana.

ROSANA RICHTMANN, INFECTOLOGISTA: Então, Eduardo, essa tua pergunta é extremamente interessante e nós queremos muito essa resposta também, mas quando a gente vê que 100% dos voluntários, seja grupo placebo, seja do grupo vacinado, eles não necessitaram de hospitalização, não tiveram caso moderado e grave, e nós sabemos que, sim, tem um grupo acima de 60 anos sendo investigado, então a conclusão é que sim, a mesma eficácia de 100%, apesar do número de maior de 60 anos, a gente saber que o quantitativo é menor do que 18 a 59 anos, dos voluntários, ele se mostrou 100%. O que normalmente a gente vê, Eduardo, isso, eu diria para você que em qualquer vacina, existe um fenômeno chamado de imunossenescência, que é exatamente envelhecimento do sistema imune, e que tradicionalmente se você pegar o exemplo clássico, a vacina de gripe, a vacina de Influenza, se você comparar a resposta imune e eficácia da vacina da gripe na população acima de 60, 65 anos, com a população mais jovem, é sempre diferente. Então esse número de 100%, apesar de eu também ainda não conheço os detalhes que estão sendo enviados para a ANVISA, mas o número de 100% para doença moderada grave e hospitalização, e sabendo que tem pessoas acima de 60 anos estudadas, é um número que deixa a gente bem mais tranquila. Mas sem dúvida, eu também vou querer saber também o detalhamento.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito obrigado, doutora Rosana. Eduardo, muito obrigado pela sua participação. Eu sei que você vai continuar acompanhando aqui a nossa coletiva. Voltamos às questões presenciais, com a TV Cultura nesse momento, com Adriana Simina. Boa tarde, obrigado pela sua presença. Sua pergunta, por favor.

ADRIANA SIMINA, REPÓRTER: Boa tarde, governador. Boa tarde, a todos. Eu queria retomar a pergunta da Maira, a respeito do prazo para o registro definitivo. O doutor Dimas já falou que ele tem que ser feito pela Sinovac, e que a Sinovac tem que fazer inicialmente o pedido lá na China. Gostaria de saber se há datas para que seja feita essa solicitação? E se a aprovação do uso emergencial aqui no Brasil facilita de alguma forma esse registro definitivo? E gostaria de saber também a respeito dessa terceira dose que o doutor Dimas comentou que está sendo estudada para ser aplicada em idosos. Existem estudos para que analisem a possibilidade de ser aplicada apenas uma dose também? E aí em outros grupos?

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Antes apenas... Nós vamos responder às duas perguntas, Adriana, mas quero pedir a vocês que, por favor, sigam a orientação para uma pergunta, assim nós temos a possibilidade de atender mais jornalistas aqui hoje na coletiva. Dimas.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTÃ: Bom, com relação à uma dose, quer dizer, no estudo que foi base à essa apresentação, ele é com duas doses, então em princípio você pede a autorização para uso com duas doses. Quer dizer, não se cogita nesse momento a utilização de uma dose. E creio que as demais vacinas também não tem a possibilidade de usar uma dose, o que está se cogitando é o intervalo entre as doses, isso é possível sim se alongar o intervalo entre as doses, para permitir uma cobertura maior no início, à medida que as vacinas vão sendo disponibilizadas. Eu acho que todas as vacinas que já adotaram... O país que já adotaram uma estratégia assemelhada, esse é simplesmente o intervalo entre as doses. Então aumentado o intervalo entre as doses, mas não abolindo as doses. Com relação ao uso emergencial e ao registro, quer dizer, o registro da vacina no NMPA, na ANVISA chinesa, quer dizer, nós sabemos que é muito rápido, mas eles dependem dos dados que devem ser apresentados. Então os dados desse estudo são importantes, eles estão sendo remetidos proximamente à Sinovac com o detalhamento, mesmo detalhamento que vai ser apresentado aqui, e isso vai dar origem a um processo de registro da vacina lá na China. E ao mesmo tempo quando começa lá, dar-se a entrada aqui. O processo de registro habitual ele é mais longo, porque ele prevê em definitivo que aquela vacina foi aprovada. Nós estamos no meio dos estudos, quer dizer, todos esses estudos estão em andamento. Então mesmo que haja uma aprovação de registro, esse registro será provisório em todos os países, ele não será definitivo, ele exigirá o acompanhamento desses voluntários por pelo menos, 12 meses, em alguns casos, até 24 meses. Então daí essa diferença entre o uso emergencial, entre registro, autorização provisória, são procedimentos diferentes.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito obrigado. Eu queria agradecer à Adriana Simino, da TV Cultura. Obrigado, Dimas. Vamos agora à penúltima intervenção, que é da Fabiana Cabricole, do Jornal O Estado de São Paulo. Fabiana, sua pergunta por favor.

FABIANA CABRICOLE, REPÓRTER: Boa tarde. Boa tarde, a todos. Eu queria insistir um pouco na pergunta da minha colega Letícia, eu sei que o doutor Dimas já falou que não vai detalhar aqui todos os dados do estudo, mas queria perguntar se ao menos vocês podem informar considerando o desfecho primário previsto no protocolo do próprio Butantã, que era número de casos confirmados sintomáticos. Quantos casos no grupo placebo, e quantos casos no grupo vacinado. E queria saber também se vocês mantêm a previsão de intervalo de 21 dias entre uma dose e outra, segundo anunciado no plano de vacinação? E por fim, queria só entender o que aconteceu, porque no dia 15 de dezembro vocês disseram que tinham adiado a divulgação dos resultados de eficácia para pedir o registro definitivo. E aí agora vocês estão falando que quem vai cuidar disso é a Sinovac. Houve algum desentendimento para isso, para essa mudança? Obrigado.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Fabiana. Dimas Covas.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTÃ: Bem, não houve mudança desde o momento foi dito que o pedido é junto com a Sinovac, que é a proprietária da vacina. Quer dizer, não há como o Butantã iniciar um processo, uma solicitação de registro sem a participação da Sinovac. Quer dizer, a Sinovac é o parceiro no desenvolvimento da vacina, e participa de todas as decisões concernentes à vacina. Então isso tem acontecido a todo momento, inclusive em relação a esse anúncio do dia de hoje. Com relação ao intervalo, quer dizer, o intervalo dessa vacina ele pode ser de 14 até 28 dias, inicialmente foi definido com um intervalo ideal, 14 dias, mas nós podemos já começar a considerar a possibilidade de usar em até 28 dias, exatamente pelas razões que eu mencionei anteriormente. Quer dizer, você pode fazer uma cobertura vacinal maior, mais rápida, aguardando a chegada de vacinas, e, portanto, te dá um espaço, te dá um intervalo de tempo mais apropriado para o programa de vacinação. O número de casos na coorte foi entorno de 200, 218, e o número exato é 160 e alguma coisa no placebo, e um pouco menos de 60 no grupo vacinado. E aí tem todas as especificações que eu mencionei, que vão ser ofertadas para a documentação.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito obrigado, Dimas. Fabiana, obrigado pela pergunta. Vamos agora à última intervenção, a última pergunta, que é da TV Globo, Globo News, com a sua repórter, a jornalista Daniela Diminiani. Daniela, boa tarde, sua pergunta, por favor.

DANIELA DIMINIANI, REPÓRTER: Boa tarde, governador. Boa tarde, a todos. A minha primeira pergunta é considerando a escala do desfecho primário da OMS de zero a dez. Os resultados que vocês apresentaram, esses 22% é considerando a partir do grupo dois, que é assintomático mais independente, ou a partir do grupo três, que precisa de algum tipo de intervenção? E também só para reforçar, porque a gente recebeu a informação agora a pouco da ANVISA, que ainda não foi requisitada a reunião de hoje à tarde. Já foi, já está agendada essa próxima reunião? Ainda não? É isso, obrigada.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Daniela. Dimas.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTÃ: A informação que eu tenho, eu não vou te confirmar, mas sim, me foi dito que seria feita uma reunião ainda no dia de hoje na parte da tarde. A outra pergunta? Desculpa.

DANIELA DIMINIANI, REPÓRTER: Se os dados que vocês apresentaram é considerando a partir do grupo dois, ou a partir do grupo três?

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTÃ: Sim, esses casos são na escala da organização, três acima. Ok?

DANIELA DIMINIANI, REPÓRTER: Obrigada.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADORDO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito bem. Obrigado, Daniela. Bem, com isso nós concluímos as perguntas. Eu queria antes do encerramento, fazer também um agradecimento aos jornalistas que aqui estão, vários participam das coletivas desde março do ano passado, e muitos que não puderam estar aqui estão à distância, estão online, ou alguns estão usufruindo as duas férias, e descansando com muita justiça, também o nosso agradecimento. O mesmo agradecimento eu quero dirigir aqui aos cinegrafistas, aos fotógrafos que nos acompanham, e técnicos também, há tantos meses. Essa foi a coletiva de nº 156, 156 coletivas dando transparência a todos os atos e todas as iniciativas que o governo do estado de São Paulo, em conjunto com o Instituto Butantã e o centro de contingência do COVID-19 realizam. Quero dizer também que amanhã, sexta-feira, às 12h45min, haverá uma nova coletiva de imprensa, desta feita, sobre o plano São Paulo, e será feita na sede do Palácio dos Bandeirantes. Hoje, 7 de janeiro de 2021, hoje nós podemos celebrar essa data historicamente como a data da vida, a data da vacina, da vacina do Butantã, da vacina de São Paulo, da vacina do Brasil. Viva à vida! Muito obrigado.