Coletiva - Vacina do Butantan atinge eficácia superior à recomendada pela OMS 20202312

De Infogov São Paulo
Revisão de 15h23min de 30 de dezembro de 2020 por Fincatibianca (discussão | contribs) (Criou página com ''''Coletiva - Vacina do Butantan atinge eficácia superior à recomendada pela OMS 20202312''' '''Local: Capital - Data: [http://infogov.imprensaoficial.com.br/index.php/...')
(dif) ← Edição anterior | Revisão atual (dif) | Versão posterior → (dif)
Ir para navegação Ir para pesquisar

Coletiva - Vacina do Butantan atinge eficácia superior à recomendada pela OMS 20202312

Local: Capital - Data: Dezembro 23/12/2020

Soundcloud

JEAN GORINCHTEYN, SECRETÁRIO DA SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Boa tarde, a todos. Hoje é um dia histórico para a ciência e para a saúde brasileira, e após dez meses de pandemia no nosso país, infelizmente totalizamos 7,318 milhões de casos de COVID-19, e infelizmente 188.259 mil pessoas perderam as suas vidas ao longo de nosso 2019. Só as vacinas poderão mudar essa história. O Instituto Butantã, com 120 anos de história, é o maior centro de produção de vacinas da América Latina. É ele que produz mais de 100%, e abastece mais de 100% de todas as vacinas da gripe do Ministério da Saúde. E também é o responsável pela maioria das vacinas que são ofertadas para o Programa Nacional de Imunizações. É esse mesmo instituto que hoje, que tanto nos orgulha como brasileiros, traz esse grande feito para a saúde pública do Brasil e do mundo. Nesse dia atingimos a superioridade da eficácia da vacina do Instituto Butantã com a Sinovac para COVID-19. Atingiu-se aí os índices exigidos tanto pela ANVISA, quanto pela OMS dos estudos de fase três, isso permitirá com que evitemos a morte de milhares de pessoas, não só aqui no país, mas em todo o mundo. Diminuiremos a ocupação dos leitos das Unidades de Terapia Intensiva, diminuiremos a utilização dos respiradores, e aí sim poderemos resgatar tanto a economia, quanto nossos sonhos, e poderemos abraçar e beijar todos aqueles que não pudemos fazê-lo ao longo de todo o ano. Nessa coletiva estão presentes também doutor Dimas Covas, presidente do Instituto Butantã; Doutor João Gabbardo, coordenador executivo do centro de contingência do COVID-19. E para doutor Dimas Covas passo então a palavra.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTÃ: Obrigado, secretário Jean. Repetindo aqui as suas palavras iniciais, hoje é um dia importante, no avanço desse processo de desenvolvimento da vacina para o COVID-19, aqui do Butantã, em associação com a Sinovac. Ontem nós chegamos aos números iniciais do estudo clínico de fase três, um estudo que envolve 16 centros, mais de 13 mil voluntários incluídos. E ontem recebemos as primeiras análises desse estudo, começando pelo perfil de segurança da vacina, agora a segurança realizada em mais de 20 mil aplicações de vacinas nessa população. E esses dados corroboram o que nós já sabíamos, que essa é a vacina seguramente mais segura de todas que estão em teste nesse momento. Quer dizer, um excelente perfil de segurança, com manifestações adversas leves, uma frequência muito baixa, sendo que a reação mais presente foi dor no local da injeção. E mesmo essa manifestação não foi substancialmente diferente entre o grupo vacinal e o grupo placebo. Adicionalmente a esses dados de segurança recebemos também os dados de eficácia, e como mencionado pelo secretário, nós atingimos o limiar da eficácia que permite o processo de solicitação de uso emergencial, seja aqui no Brasil, ou seja na China. Temos um contrato com a Sinovac que especifica que o anúncio desse número ele precisa ser feito em conjunto no mesmo momento. Então ontem mesmo apresentamos esses números à nossa parceira, que, no entanto, solicitou que não houvesse a divulgação do número pelo motivo que eles necessitam de analisar cada um dos casos para poder aplicarem esses casos à Agência NMPA, que é a ANVISA da China. Para que isso fosse possível, solicitaram então a transferência da base de dados. Essa base de dados foi transferida na manhã de hoje, e para que eles possam proceder à essa análise o mais rapidamente possível, e aí apresentar os dados não só à NMPA, mas que nós possamos aqui também apresentar esses mesmos dados à nossa ANVISA. Solicitaram o prazo de 15 dias para que essa análise aconteça, isso é contratual, isso está no contrato, nós vamos, em princípio, respeitar essa data, mas acreditamos piamente que essa data será adiantada, não tenho dúvida que nesse momento nós estamos falando de uma vacina mundial, a Sinovac tem compromissos com vários países, além do Butantã, e o aparecimento desses dados de forma robusta e uniforme possa servir para o registro da vacina no Brasil e nos demais países onde a Sinovac já penetrou, já existe essas vacinas disponíveis em vários países, e é necessário então que esses dados apareçam muito rapidamente. Essa solicitação da Sinovac ela tem respaldo no contrato, e nós só podemos divulgar esse número em conjunto, eu já mencionei isso, e vamos fazer no tempo oportuno, e esperamos que seja o mais rápido possível. E informa que isso não tem nenhuma influência no programa de desenvolvimento da vacina, que continua normalmente a todo vapor, amanhã nós receberemos 5,5 milhões de doses de vacina no Aeroporto de Viracopos, sendo 3,4 milhões de vacinas in buto, para serem produzidas aqui no Butantã, e 2,1 milhões de vacinas acabadas. Na próxima semana, também pelo Aeroporto de Viracopos, receberemos mais 2 milhões de doses. Tudo isso dentro do programa que já foi apresentado publicamente, e também ofertado ao nosso Ministério da Saúde. Nesse sentido tivemos boas notícias essa semana por parte do ministério, que manifestou inclusive publicamente a intenção de adquirir não somente as 45 milhões de doses que haviam sido anunciadas previamente, como também ampliar isso para até 100 milhões de doses. Então nós estamos nesse momento atendendo o ministério nesses pedidos, e devemos proximamente evoluir aí para, de fato, concretizarmos essa operação. Então sem dúvida nenhuma, hoje é um dia importante, é um dia que marca mais uma etapa no desenvolvimento dessa vacina, que esperamos chegue ao braço dos brasileiros o mais rapidamente possível, logo agora no começo do ano. É isso, secretário.

JEAN GORINCHTEYN, SECRETÁRIO DA SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito obrigado, Dimas Covas. Vamos dar início à coletiva na data de hoje, 23 de dezembro de 2020. E participam além dos jornalistas que estão aqui presentes, alguns que farão as suas perguntas e questionamentos: Gabriel Vendramini, da TV Globo, Globo News; Lúcio Sturm, da Record TV; Pablo Juliano, da Agência [Ininteligível], da China; Álvaro Pereira Júnior, da Globo Play; Mayana Leocardio, da TV Cultura; Carolina Riguengo, da Rede TV; Fábio Diamante, do SBT; Júlio Vieira, da CBN; Nani Cox, da Jovem Pan; E Débora Gomes, do Portal Metrópoles. Para a primeira pergunta, portanto, Gabriel Vendramini, da TV Globo, Globo News.

GABRIEL VENDRAMINI, REPÓRTER: Boa tarde, secretário, doutor Dimas. Doutor João. Doutor Dimas, o senhor falou que a vacina, pelo o que o senhor tem acesso aí aos dados, ela é a mais segura de todas que estão sendo testadas. A gente tem aí dados de eficácia da Sputnik, por exemplo, acima de 94%, outras acima de 90%. Então mesmo não divulgando o pessoal, dá para dizer com certeza que ela é mais eficaz que todas essas?

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTÃ: Bom, eu disse de segurança, e acabei de falar que eu não posso divulgar os dados de eficácia por questões do contrato e da solicitação oficial da Sinovac nesse momento. Do ponto de vista de segurança, os dados que são disponíveis de todas as vacinas que estão em teste, mostram que essa é a vacina aqui no Brasil, a mais segura, sem dúvida nenhuma. E veja, essa vacina já está sendo usada em outros países, na China mesmo já são 300 mil pessoas vacinadas. Então do ponto de vista da segurança ela é uma vacina muito segura, indiscutivelmente.

JEAN GORINCHTEYN, SECRETÁRIO DA SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito obrigado, professor Dimas. Obrigado, Gabriel, pela pergunta. Próxima pergunta, Lúcio Sturm, da TV Record.

LÚCIO STURM, REPÓRTER: Boa tarde. Doutor Dimas, eu queria saber o seguinte, foram 3 mil voluntários aqui no Brasil, 170 contraíram a doença. Queria saber se o senhor já sabe desses 170, quantos tomaram placebo? E se o senhor não puder responder essa pergunta, gostaria de saber, além da China, qual outro país também está aplicando já a Coronavac?

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTÃ: Bem, hoje eu já posso dizer para você que o número é bem maior do que os 170, infelizmente não posso te dar os números nesse momento, mas já é bem maior do que 170. Existem nesse momento mais países que estão realizando inclusive estudos de fase três. Existem países que já estão com a vacina encomendada, mesmo aqui na América Latina já existem negociações nesse sentido. Na Indonésia já houve aplicação de vacina, na Turquia já houve aplicação de vacina, e outros países estão aguardando exatamente os dados que permitam ou autorização emergencial, ou registro, para poder usar.

LÚCIO STURM, REPÓRTER: [Ininteligível]?

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTÃ: Sim, não em massa, ainda dentro de protocolos de estudo. Ok?

JEAN GORINCHTEYN, SECRETÁRIO DA SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, professor Dimas. Obrigado, Lúcio. A próxima pergunta agora, Pablo Juliano, da Agência chinesa, [Ininteligível].

PABLO JULIANO, REPÓRTER: Boa tarde. Uma pergunta para os três, eu queria saber como continua o planejamento ao longo do ano com a Sinovac? Ao longo de 2021 e 2022, a produção da vacina aqui no Butantã. E a outra é, quais países da América Latina, ou outros, de outras regiões, bateram à porta do Butantã para tentar fazer um acordo de aquisição? Muito obrigado.

JEAN GORINCHTEYN, SECRETÁRIO DA SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Pablo. Eu vou dividir essa pergunta pessoalmente com o professor Dimas, eu começo a respondê-la. Todo o planejamento com relação à vacina continua, a produção das doses da vacina está acontecendo aqui na fábrica do Instituto Butantã, e nós iniciaremos o nosso Programa Estadual de Imunização do estado de São Paulo agora no dia 25 de janeiro. Então essa, apesar dessa não revelação de dados, no sentido de valores de eficácia específicos, nós temos a superioridade deles, o que dá a tranquilidade de podermos consagrá-lo já no Programa Estadual de Imunização. E aguardamos também a inserção dessa vacina no Programa Nacional de Imunização, para que dessa maneira possamos proteger brasileiros não só de São Paulo, mas brasileiros de todo o Brasil. Por favor, professor Dimas.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTÃ: Com relação à segunda pergunta, existem contratos em fase já de assinatura, e o que está mais adiantado nesse momento é com a Argentina, e nós devemos firmar esse acordo ainda talvez essa semana, ou começo da próxima semana. Existem outros contratos em discussão com países como Uruguai, Peru, Equador, Honduras, e a Organização Pan-americana de Saúde, quer dizer, a Organização Pan-americana de Saúde abriu uma espécie de licitação para a aquisição de vacinas, e nós vamos fazer uma oferta para a Organização Pan-americana de saúde que atende a todos os países da América Latina. Importante mencionar que o Butantã tem, com relação à essa vacina, a vacina Butantã contra o COVID-19, a exclusividade para fornecimento para os países da América Latina, com exceção do Chile, que já tem um contrato direto com a Sinovac já anterior ao nosso contrato. Então são vários países que nesse momento estamos em andamento os contratos.

JEAN GORINCHTEYN, SECRETÁRIO DA SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito obrigado, professor Dimas. Muito obrigado. Pablo. A próxima pergunta, Álvaro Pereira Júnior, da Globo Play.

ÁLVARO PEREIRA, REPÓRTER: Boa tarde, a todos. Doutor Dimas, doutor Jean, doutor Gabbardo, eu entendo que os senhores apresentaram essa informação, de que não vai ser divulgado o resultado, como algo trivial. Estava no contrato, eles têm que apresentar também os dados à agência chinesa. Mas me parece que não é trivial, houve uma decepção. Eu tenho certeza que da parte dos senhores também teve uma decepção, porque esperava-se anunciar um resultado. E a eficácia, o número efetivo da eficácia é muito importante para o programa de vacinação, porque pelos modelos matemáticos, uma eficácia X você precisa vacinar milhões de pessoas Y, para uma eficácia Z você precisa vacinar milhões de pessoas W, por exemplo. Então esse é um dado essencial. Eu me permito a seguinte ilação, os dados chegaram, eles superam os 50% da ANVISA e do FDI, mas eles são menos do que a Sinovac queria, e a Sinovac falou: "Não, me dá esses dados brutos aqui, porque quero eu analisar, porque não estou confiando nesse número". Por isso eu queria perguntar para os senhores, o número, ainda que seja sigiloso, por enquanto, decepcionou vocês? E esse número vai pautar a campanha de vacinação, para saber quantos milhões de pessoas precisam ser vacinadas com uma vacina dessa eficácia? Espero ter sido claro. Desculpa pela pergunta longa.

JEAN GORINCHTEYN, SECRETÁRIO DA SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Álvaro, eu vou dividir essa resposta com o professor Dimas. Mas eu vou começar a responder. Quando os estudos foram começados, das vacinas, incluindo a própria Sinovac, a nossa meta, o nosso objetivo é que ela fosse superior a 50%, se ela fosse 51% superior, para nós já era importante, principalmente no momento em que vivemos uma crise sanitária, uma crise essa que assolou todo mundo, não foi diferente em nosso país, e devastou tanto a economia, como ceifou mais de 180 mil vidas. Portanto, uma vacina que já represente essa mínima superioridade, para nós já é o momento de festejar. É claro que esses dados que foram pautados exclusivamente com o Instituto Butantã, Sinovac e o comitê internacional independente, portanto, são números sigilosos e restritos por compliance, por acordos comerciais estabelecidos, eles entenderam que o fato de nós termos eficácia superior a isso, porém, diferente de outros países em que essa vacina vem em uso, merece uma reavaliação. Então o fato disso acontecer transmite isonomia para que uma empresa possa dizer: "Todo o estudo, toda a imunização que foi estabelecida tem o mesmo percentual de eficácia em qualquer lugar do mundo". Isso não muda estratégia vacinal, é importante se reforçar isso. Mas de qualquer forma, transfere uma condição de trazer o número isonômico para todos. Não pode ter uma eficácia aqui, ou uma lá, e outra acolá. É isso que a própria empresa entendeu.

ÁLVARO PEREIRA, REPÓRTER: Ou seja, a Sinovac não gostou [Ininteligível]?

JEAN GORINCHTEYN, SECRETÁRIO DA SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Ela quer isonomia, ela quer que todos os resultados sejam iguais sem nenhuma disparidade.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTÃ: Bem, Álvaro, essa sua pergunta ela, enfim, eu acho que ela pode ser respondida da seguinte maneira, a Sinovac ela tem vários estudos clínicos em andamento, então ela tem dados nossos, e tem dados de outros locais, e é importante que ela faça uma uniformização de dados, ela não pode analisar dados da mesma vacina com critérios diferentes. Então esse é o motivo principal, da mesma forma que ela não pode ter três eficácias para a mesma vacina. Então esse é o segundo motivo, isso não implica que os dados apresentados a ela foram menores ou maiores do que a expectativa, mas existe essa necessidade da própria empresa se organizar em relação ao conjunto de dados que ela recebe, eu acho que essa é a informação que foi ofertada, não existe nenhuma outra consideração do ponto de vista se houve decepção ou não houve decepção. Isso aqui é um outro plano. A segunda pergunta que você coloca, na realidade, eu acho que o secretário foi muito feliz, quer dizer, em uma estratégia vacinal você usa a vacina como está sendo proposto aqui, por faixas populacionais, e aí você tem a meta a ser atingida em termos populacionais. Lembrando que a vacina ela pode ter dois efeitos, um é o efeito contra a doença, que é o caso aqui de todas essas vacinas que estão sendo testadas, elas estão sendo testadas na sua eficácia em reduzir os sintomas, reduzir a mortalidade. Nesse momento elas não foram testadas no sentido de reduzir a infecção, e se eu conseguir captar a sua pergunta, esse é o sentido, quer dizer, qual seria a necessidade de vacinação para se atingir aí o índice de rebanho. Que essa é uma outra questão que nesse momento não há resposta para nenhuma das vacinas. Então não se trata desse ponto exatamente. Nós vamos ter essa resposta à medida que as vacinas vão sendo acompanhadas, e isso é dependente do tempo. Vamos ter essa reposta na medida que grandes volumes populacionais foram vacinados e a gente poder observar a evolução da epidemia nessas pessoas vacinadas.

JEAN GORINCHTEYN, SECRETÁRIO DA SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, professor Dimas. Obrigado, Álvaro, pela pergunta. A próxima pergunta, de Mayana Leocardio, da TV Cultura.

MAYANA LEOCARDIO, REPÓRTER: Olá, boa tarde, a todos. A minha pergunta é sobre a nova variante do Novo Coronavírus que já circula na Europa. Queria saber se aqui no Brasil houve já algum registro? Se essa nova variante pode prejudicar a eficácia da vacina? E se o Instituto Butantã, assim como outros laboratórios que estão produzindo outras vacinas, se já está estudando se, de fato, os anticorpos produzidos pela Coronavac são capazes de identificar o vírus após essa mutação?

JEAN GORINCHTEYN, SECRETÁRIO DA SAÚDE: Muito bem, eu vou dividir essa pergunta com o professor doutor João Gabbardo, que é coordenador executivo do centro de contingência do COVID-19, e também com o professor Dimas Covas, presidente do Instituto Butantã. Por favor, João Gabbardo.

JOÃO GABBARDO, COORDENADOR EXECUTIVO DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: Boa tarde, secretário. Boa tarde, Mayana. Essas variantes elas ocorrem, ocorreram e vão continuar ocorrendo, nós vamos conviver sempre com pequenas alterações nesse vírus. Até o momento essas variantes não foram suficientes para ter qualquer prejuízo no que diz respeito à imunização, às vacinas. Até porque, elas têm sido, os testes que são feitos no Brasil já encontram pessoas que apresentam a doença nas suas várias formas, já com as suas variantes, algumas delas chegaram ao Brasil, algumas ainda não chegaram. Mas não são alterações suficientes para que a vacina, pelo menos, até o momento, possa ter algum problema na

imunidade. Esse é um posicionamento que a própria Organização Mundial de Saúde tem colocado, nesse aspecto de que não há prejuízo ao desenvolvimento das vacinas essas variantes que estão ocorrendo.

JEAN GORINCHTEYN, SECRETÁRIO DA SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Professor Dimas.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTÃ: Especificamente com relação à essa variante do Reino Unido, recentemente a autoridade inglesa anunciou de que não há interferência com a resposta vacinal, e, portanto, contribuindo aí com o que o doutor Gabbardo coloca. E mais do que isso, quer dizer, o fato de acontecerem mutações, e são muitas as mutações que vão sendo acumuladas durante a evolução do vírus, essas mutações acabam servindo como marcadores virais, então isso é importante que haja essa análise do componente genômico do vírus, para que a gente possa entender as movimentações desse vírus nas populações. E exatamente o que aconteceu lá no Reino Unido, quer dizer, uma dessas variantes aconteceu de ter aparentemente um potencial de disseminação maior, e ele é a variante que está nesse momento aumentando muito rapidamente em certas regiões, mas que já havia acontecido antes, quer dizer, os vírus que circulam pelo mundo não são os vírus que estavam presentes lá em Wuhan, eles já tiveram alterações genéticas durante essa trajetória, e inclusive existem marcadores genéticos que é possível, quando analisados, mostrar qual o caminho que o vírus tomou. E é exatamente isso que o Reino Unido está fazendo, mas até esse momento sem nenhuma implicação do ponto de vista de Constituição antigênica do vírus.

JEAN GORINCHTEYN, SECRETÁRIO DA SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, professor Dimas. Obrigado, Mayana, pela pergunta. Próxima jornalista que fará seu questionamento, Carolina Riguengo, da Rede TV.

CAROLINA RIGUENGO, REPÓRTER: Olá, boa tarde, a todos. Gostaria de saber se hoje sendo dia 23 de dezembro, e a China sendo a detentora agora de toda a documentação e refazendo toda a análise que garantia vocês têm para passar para a gente que realmente isso não vai comprometer o início da campanha prevista para o dia 25 de janeiro próximo agora? Obrigada.

JEAN GORINCHTEYN, SECRETÁRIO DA SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Deixa eu lhe dizer uma coisa, Carolina, todas essas bases de dados elas não estão sob auspício exclusivo da agência regulatória da China, elas estão também sob os cuidados, até porque, a responsabilidade é do Instituto Butantã, o instituto brasileiro. Baseado nos dados que nós temos, nós já podemos dar entrada na nossa Agência Nacional de Vigilância Sanitária, mas nós estamos respeitando esses trâmites burocráticos, os compliances que fazem parte das tratativas comerciais, para que possamos então de forma conjunta termos este resultado igualitário isonômico entre os vários países. Portanto, nós temos esses resultados, e poderíamos dar início imediato na oferta para a nossa agência regulatória, se assim o quiséssemos. Eu vou pedir para completar esta pergunta, tanto o professor Dimas, como também algumas considerações do professor João Gabbardo. Por favor, professor Dimas.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTÃ: Bem, Carolina, é importante ressaltar o seguinte, quando se fala que atingiu o limiar mínimo, isso significa que nós atendemos ao limiar definido processo eleitoral Organização Mundial de Saúde, esse é o padrão que foi colocado já desde o começo do ano, para que vacinas contra o Coronavírus pudessem ser autorizadas em uso inclusive emergencial. Então essa vacina atende a esses requisitos. E eu acho que essas razões subjacentes à essa alteração do anúncio decorrem das explicações que estão sendo fornecidas. E como eu mencionei também, isso não implica em atraso do cronograma do Butantã. Quer dizer, o Butantã continua trabalhando 24 por sete, continua produzindo as vacinas, continua trazendo as vacinas da China, como eu mencionei que amanhã chegará um grande embarque de 5,5 milhões de doses.

JEAN GORINCHTEYN, SECRETÁRIO DA SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Dimas. Gabbardo.

JOÃO GABBARDO, COORDENADOR EXECUTIVO DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: Eu queria só reafirmar para a Carolina que esse atraso, digamos, que vai ocorrer hoje, ele não altera nem a produção junto ao Butantã, e nem altera o nosso Programa de Imunização Estadual, nós continuamos com a previsão do dia 25, uma vez que agora a gente tem certeza que a vacina com essa fase três que nós já temos, se ela for encaminhada para a ANVISA, ela atenderá às exigências da ANVISA no aspecto de eficácia. Portanto, é uma questão agora de prazos, se nós solicitarmos no dia que nós entregarmos e solicitarmos o registro da forma de registro definitivo, bem como o registro para uso emergencial, nós estaremos ainda com prazo suficiente até o dia 25, para obter o registro para uso emergencial, enquanto isso a ANVISA terá o tempo necessário para fazer a análise definitiva para o fornecimento do registro definitivo. Mas para o dia 25 nós temos segurança de que nós conseguiremos ter essa autorização para iniciar a vacinação. E é possível que mesmo que o secretário Jean tenha colocado, e o doutor Dimas, que o prazo solicitado pela China é de 15 dias, existe o compromisso de que seja dentro desses 15 dias, o menor prazo possível. Então dentro desse menor prazo possível nos 15 dias, nós teremos toda a documentação necessária para encaminhar à ANVISA. Isso dará à ANVISA um tempo próximo de 30 dias para fazer a análise da documentação, e da fase três. Como o registro emergencial são dez dias, será suficiente. E se tiver possibilidade é possível até que até o dia 25 nós tenhamos o registro na sua forma definitiva. Havendo ainda a terceira possibilidade que nós continuamos acreditando que com essas informações, e com essa consolidação dos dados, com os outros países que estão fazendo a fase três, que o próprio governo chinês possa ter o registro na sua agência correspondente. O que facilitaria bastante, porque aí o prazo de registro no Brasil seria de mais 72 horas. Portanto, dia 25 permanece o dia previsto para início da vacinação no estado de São Paulo.

JEAN GORINCHTEYN, SECRETÁRIO DA SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Gabbardo. Muito obrigado, Carolina Riguengo. Próxima pergunta, Fábio Diamante, do Sistema Brasileiro de Televisão.

FÁBIO DIAMANTE, REPÓRTER: Boa tarde, a todos. Então não vamos falar de números, para não ter problema com o contrato, queria saber se o senhor, doutor Dimas, o senhor pode falar se houve alguma diferença na eficácia com as faixas etárias dos voluntários, se isso foi detectado em algum momento? E se o senhor também pode falar um pouco das reações aí, os efeitos colaterais. O senhor falou de dor no local, mas o que mais ocorreu, se teve alguma ou outra reação que chamou atenção do estudo? Obrigado.

JEAN GORINCHTEYN, SECRETÁRIO DA SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Fábio. Por favor, Dimas.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTÃ: Fábio, eu vou dar um dado interessante, quer dizer, nós tivemos na coorte casos considerados clinicamente graves, o grau de proteção dessa vacina com relação a esses casos foi de 100%, no grupo vacinal não teve nenhum caso grave, esse é um dado importante. Com relação aos efeitos colaterais, como mencionei, são todos leves, o mais frequente é a dor no local da injeção, e o que é considerado sintoma sistêmico, por exemplo, como febre, sempre febrícula, nunca febre declarada, e em uma porcentagem muito pequena dos casos. Então é um padrão de segurança que é já apresentado anteriormente, ele se confirma agora com dados importantes aqui do Brasil, não confirma exatamente os dados que tem sido observado na China, já com mais de 300 mil pessoas vacinadas.

JEAN GORINCHTEYN, SECRETÁRIO DA SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, professor Dimas. Obrigado, Fábio Diamante, pela pergunta. Próxima pergunta, Júlio Vieira, da CBN.

JÚLIO VIEIRA, REPOTER: Olá, boa tarde, a todos. A minha pergunta é a respeito da questão da isonomia dessa compilação de dados em relação aos países que participaram dessa pesquisa. Mas não surpreende a vocês que a Sinovac tenha feito esse anúncio um dia antes de vocês virem dar essa coletiva, para que faça essa equalização dos dados? Não se poderia prever isso antes lá no início da produção da Coronavac? E dos estudos?

JEAN GORINCHTEYN, SECRETÁRIO DA SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Júlio. Eu vou passar essa pergunta para o professor Dimas Covas, presidente do Instituto Butantã.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTÃ: Júlio, veja, aí a importância, primeiro da transparência, que esses dados eles estavam disponíveis a partir de ontem à noite, ou seja, nós tomamos conhecimento, nós e a Sinovac, desses dados, ontem por volta de 22h. Portanto, não havia como, como é uma análise independente, não há como você saber previamente quais são esses dados. Então à medida que se soube, há esse protocolo, é ofertado o valor preliminar, porque não é oficial, e houve essa decisão da Sinovac na manhã de hoje, após ela analisar aí as conveniências dela de proceder com o anúncio ou não. De qualquer maneira, nós não podemos fazer isso de forma unilateral, isso tem que ser feito de comum acordo, e quando isso é feito imediatamente se disponibiliza os dados para a nossa ANVISA, e para o NMPA. Então os dados se tornam públicos. Então é isso que aconteceu, quer dizer, não há como você prevê o que seriam os dados. Ok?

JEAN GORINCHTEYN, SECRETÁRIO DA SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, professor Dimas. Obrigado, Júlio Vieira, pela pergunta. Próxima pergunta agora, Nani Cox, da Jovem Pan.

NANI COX, REPÓRTER: Boa tarde, secretário. Boa tarde, a todos. A gente tinha uma grande expectativa aí para esse anúncio no dia 23, agora que o Ministério da Saúde manifestou interesse de adquirir um grande carregamento aí das vacinas, eu queria entender só se teve esse diálogo com o ministério e com a ANVISA, se tinha algum tipo de reunião marcado com eles para hoje, se consequentemente foi adiado? Enfim, essa relação aí para evitar qualquer rusga, até lembrando daquele caso de quando os estudos aqui foram suspensos por causa da morte de um voluntário. Eu queria só entender como é que ficou então essa relação com o Ministério da Saúde e a ANVISA. Obrigada.

JEAN GORINCHTEYN, SECRETÁRIO DA SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito obrigado, Nani Cox. Eu vou passar novamente a pergunta para o presidente do Instituto Butantã, Dimas Covas.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTÃ: Antes, alguns minutos antes de vir para essa coletiva eu falei com o doutor Gustavo Mendes, que é o diretor da área em que nós discutimos esses estudos. E eu liguei a ele exatamente dando a notícia do que seria feito aqui na coletiva, e já confirmando que eles estão nesse momento, ANVISA e Butantã, em reunião técnica. E o doutor Gustavo pediu, ele só me fez um pedido nesse momento, que avisasse com uma certa antecedência quando esses dados estivessem sendo disponibilizados para a ANVISA, para que ele se preparasse para fazer a análise o mais rapidamente possível. Obviamente que nós vamos fazer isso.

JEAN GORINCHTEYN, SECRETÁRIO DA SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito obrigado, doutor Dimas Covas. Muito obrigado, Nani Cox, pela pergunta. E agora vamos para a última pergunta da coletiva de hoje, com Débora Gomes, do Portal Metrópoles. Encerrada já as perguntas, infelizmente Débora Gomes se ausentou. Quero agradecer a todos pela disponibilidade. Lembrar que estamos ainda em quarentena, a importância de nós seguirmos todas as regras, os ritos sanitários de evitar as aglomerações, se utilizar do uso das máscaras, promover a higiene das mãos com álcool em gel, quando a água e sabão não for e não estiverem próximas. Dessa maneira nós estaremos nos protegendo e protegendo a todos que mais amamos. Muito obrigado, um Feliz Natal a todos com muita saúde e paz. Muito obrigado.