Discurso - Abertura do Seminário SP + Limpa - 20120506

De Infogov São Paulo
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Transcrição do discurso da Abertura do Seminário SP + Limpa

Local: Capital - Data: 05/06/2012


GERALDO ALCKMIN, GOVERNADOR: Bom dia a todos e a todas. Saudar o nosso prefeito da capital, que está na sua casa, engenheiro aqui da Poli, Gilberto Kassab; secretário do Meio Ambiente, deputado Bruno Covas; professor José Roberto Cardoso, diretor da escola Politécnica; Cristina Piacentini; diretor de jornalismo da Rede Globo; Denise Sobrinho, chefe de redação; Beatriz Azeredo, diretora de responsabilidade social da Globo; Wellington [ininteligível] representando o nosso reitor da USP, João Grandino Rodas; secretários municipais: Sérgio Barreto, Ronaldo Camargo, Carlos Roberto Fortner, Miguel Bucalem que é professor aqui da escola; palestrantes; professores; alunos; amigos e amigas. Uma palavra breve para destacar a importância do seminário; cumprimentar a Globo e a USP, a Escola Politécnica, e os desafios que temos aí pela frente. Eu lembrava que estive aqui na década de 70; eleito na minha cidade natal Pindamonhangaba, logo depois da posse, uns dois três meses depois, houve uma reunião do CODEVAP, Consórcio de Desenvolvimento Integrado do Vale do Paraíba e os municípios da bacia do rio Paraíba do Sul. A reunião foi em São José dos Campos, eu fui a reunião e o tema da reunião era: destino final dos resíduos sólidos – nós estamos falando em 1977 – e sentou do meu lado o prefeito de Campos do Jordão, Flávio Rude Ramos, meu amigo, e eu perguntei a ele: Prefeito, como é que o senhor faz com o lixo em Campos do Jordão? Ele falou: “Olha, eu solto morro abaixo. Quando reclamam, eu mudo de morro”. É, mas você está jogando na minha cidade, porque Pindamonhangaba fica embaixo de Campos do Jordão, né... Mas isso há 30 anos, aliás, não precisa ir muito longe. Pegar 1995, agora 16/17 anos atrás, 645 municípios do estado de São Paulo, mais de 500 o destino era irregular. Hoje, dos 645 são 23. Nós estamos caminhando, ainda há grandes desafios, mas avançando bastante nessa área e até 2014 todos. Hoje nós estamos lançando junto com industriais, fabricantes e importadores a chamada “responsabilidade pós-consumo”. Ou seja, celulares; então as pessoas poderem, na loja devolver o celular, que é lixo eletrônico, tóxico. Então devolvê-la e o setor fará a logística reversa colhendo tudo isso e dando o destino ambientalmente adequado. Óleo combustível devolve no posto de gasolina quem tirou em casa, enfim, e vai de novo ter o destino adequado. Óleo comestível devolve na rede de supermercados que vai integrar toda logística reversa, isso vai ser reaproveitado. Pneu, devolve numa loja de pneus, essa logística reversa vai ser reaproveitada. Então foi feito com a bateria, nós já tínhamos quatro protocolos com o setor produtivo de responsabilidade pós-consumo e hoje estamos celebrando mais quatro. A outra, se a gente foi verificar, as grandes empresas de saneamento básico do mundo, água e esgoto, também atuam no lixo, também atuam na área de resíduos sólidos. Então temos uma lei em São Paulo que autoriza a Sabesp, uma das maiores empresas de saneamento básico atuar também nos resíduos sólidos. Ela começou no Alto Tietê, junto com os municípios do Alto Tietê, num consórcio para poder buscar uma solução microrregional. Hoje, o lixo de Ubatuba, caminhãozinho, por caminhãozinho, sobe a Serra, todinha, passa por São Luiz Do Paraitinga, Chega em Taubaté, pega a Dutra, passa por Pindamonhangaba, Roseira, Aparecida, Guaratinguetá, Lorena, Cotim, e vai colocar no aterro sanitário de Cachoeira Paulista. Pode uma coisa dessa? Olha a distância, olha o custo disso. Olha a poluição, caminhão a diesel fazendo todo esse trajeto na Serra, porque não tem aterro sanitário. Então essas soluções regionais, para as quatro cidades do Litoral Norte, para os municípios do Alto Tietê, vão reduzir muitos custos, ganhar muito em eficiência, e a gente poder avançar bastante. Mas quero destacar aqui que a importância do tema, a possibilidade enorme, o Prefeito Kassab citou, geração de energia elétrica, projetos de geração de renda, cooperativa, atividades de pequenos empreendedores, reciclagem, hoje ninguém encontra mais uma latinha de alumínio jogada. Não existe hipótese, está tudo recolhido, para se reciclar. Então, esse esforço é importante. E o mais importante, educação ambiental. Quando eu cheguei aqui alguém perguntou: “quando é que o Rio Tietê vai estar limpo?”. Eu falei, olha, o esgoto, em 2014, universaliza a coleta e tratamento no interior de São Paulo. Em 2016 universaliza no litoral e 2020 universaliza na Região Metropolitana. Hoje nós temos 84% do esgoto coletado e 70% tratado, quando chegar a 100% do esgoto coletado e 100% do esgoto tratado. Isso quer dizer que o rio vai estar limpo? Não. Imagine que hoje tudo estivesse tratado, todo o esgoto, então uma casa que não tenha o esgoto coletado e tratado, ele estaria totalmente poluindo – poluição difusa... Papel, plástico, vidro, sofá, pneu, motocicleta, bicicleta, geladeira, colchão; tudo. Então a questão do resíduo – destino final dos resíduos sólidos, do lixo e a educação ambiental ela é fundamental. Montesquieu dizia que se quiser mudar os costumes, não serão pelas leis. Será pelo exemplo; é que se muda a cultura e o costume de uma sociedade. A lei é importante no sentido de regras, datas, fiscalização, punição. Mas o mais importante é um grande esforço coletivo de vida comunitária e de responsabilidade social. Bom seminário.