Discurso - Assinatura de Convênios de Cooperação e Contratos de Programa entre a Sabesp e Municípios do Interior e região metropolitana - 20120207

De Infogov São Paulo
Ir para navegação Ir para pesquisar

Transcrição da coletiva da Assinatura de Convênios de Cooperação e Contratos de Programa entre a Sabesp e Municípios do Interior e região metropolitana

Local: Capital - Data: 02/07/2012

MESTRE DE CERIMÔNIA: ... Governador do Estado de São Paulo.


GOVERNADOR GERALDO ALCKMIN: Boa tarde a todas e a todos! Estimado deputado Edson Giriboni, secretário de Estado de Saneamento e Recursos Hídricos; secretário-chefe da Casa Civil, Sidney Beraldo; deputado estadual líder do Governo na Assembleia, Samuel Moreira; Dilma Pena, presidente da Sabesp; Francisco Rocha, presidente da Associação Paulista de Municípios; o Eduardo Filliettaz, prefeito de Barra do Chapéu, falou em nome dos prefeitos, pessoa em quem quero saudar aqui as prefeitas e prefeitos; vice-prefeitos, vereadores, secretários; Dr. Paulo Massato, diretor metropolitano da Sabesp; Dr. Luiz Paulo de Almeida Neto, diretor de sistemas regionais da Sabesp; amigas e amigos, uma palavra breve. Mas nós estamos que nem o Romarinho, marcando gol no último minuto, não é? Assinando o contrato aqui dentro do... No prazo final aqui. E queria destacar a importância do tema e como ele era no passado, às vezes ainda é um pouco hoje, objeto de paixão política e de luta política. Na minha cidade, Pindamonhangaba, década de 50 mais ou menos, meu pai conta que havia um grande debate entre a UDN e o PSP, do Ademar. A UDN defendia a água da Serra. Perdão, o contrário, a UDN defendia a água do Paraíba e o PSP defendia a água da Serra. Em Cruzeiro, município mais a frente, quase divisa com Rio de Janeiro era o contrário, aí o PSP defendia a água do Paraíba e o PTB defendia a água da Serra. E era aquela paixão política. Meu pai conta que tinha um programa de rádio e aí o pessoal da Serra, que defendia a água da Serra, do PSP, dizia que o PH da água da Serra era melhor do que o PH da água do Paraíba. E aí surgiu um grande debate, e todo dia ia um candidato a vereador. Aí o sujeito podia telefonar e fazer pergunta. Então o munícipe liga: “queria saber do candidato a vereado fulano de tal, está se discutindo muito que a água da Serra é melhor e que o PH é melhor, o que é PH?” Aí o cara, pá. No outro dia de novo, meio dia, aquele horário lá de candidato a vereador e o sujeito telefona de novo, o gaiato lá: “olha, está se discutindo muito o PH da água da Serra e do Paraíba, eu queria que o candidato a vereador dissesse o que é PH.” O caboclo, pá de novo. Bom, aí agora quem vier vai dar uma olhada antes, não é? Aí de novo no outro dia meio dia o sujeito telefona, e era o Chiquinho Mecânico. Aí perguntaram para ele: “o que é PH da água? Ele falou: “Olha, PH eu não sei, mas eu sei quantas peças tem um Ford, né?” Mas era uma grande discussão política. O que aconteceu? Pindamonhangaba tomou a decisão técnica baseada em estudos técnicos, decisão baseada em números, correta, água do Rio Paraíba. Nunca faltou água. Nunca. Cruzeiro foi pela decisão política. Tão política, no sentido da paixão que esse, o grupo que defendia a água a Serra, convocou o povo, e era médico e muito carismático, convocou o povo para ajudar a fazer a adutora, cavar na serra, no morro para trazer a adutora. E o povo foi ajudar nos finais de semana, todo dia, tal. E aí quando chegou eleição ele conseguiu por a água na cidade. Então eles fizeram uma espécie de barricadas de saco de areia e a água foi andando pelas ruas da cidade até chegar na porta da casa do outro candidato. Pois a água na porta do adversário. Ganhou a eleição e a cidade não tem água até hoje. As soluções precisam ser soluções baseadas em técnica, em conhecimento, em bons resultados. E hoje falta d’água é uma coisa que ficou para o passado. Antigamente era grandes debates problemas de água. Hoje já tá quase universalizado. Sendo que na região metropolitana de São Paulo, ela é extremamente complexa. Porque onde é que você tem no mundo 20 milhões de pessoas a 700 metros de altitude, que é São Paulo? Não existe isso. Só a Cidade do México. Então não tem água aqui. Existe água. Nós vamos buscar água em Minas Gerais. O maior sistema de abastecimento de água da região metropolitana é o sistema Cantareira. O sistema Cantareira vai buscar água até fora, não só fora da cidade, mas fora do estado. Você vai buscar água para poder garantir abastecimento pra 20 milhões de pessoas. A outra vez que fui governador, no início da década de 2000, agora, teve um problema gravíssimo de falta de chuvas nas cabeceiras. E o nível da água começou a baixar, começou a baixar. Falei: nós estamos frito, né? Aí, como é que nós vamos explicar para 20 milhões de pessoas que acabou a água? E agora? E aí a imprensa começou a pressionar para a gente começar o racionamento. E nós fizemos o racionamento invertido. Dizendo: “olha, quem economizar 20% de água, além de economizar na conta 20%, vai ter um bônus de mais 20%”. Então economiza 40%. E nós temos um consumo de água absurdamente superior ao que deveria ser. E o desperdício todo é no banheiro. É fazer a barba com a torneira ligada. É tomar banho com o chuveiro ligado. Também do desperdício. Nós gastamos duas vezes, três vezes mais água do que deveríamos gastar. Então fizemos uma campanha. O Tom Cavalcanti até imitava. Dizia: “olha, faça como o governador, escove o dente e engula a água, né?” Mas fizemos uma campanha enorme e deu resultado. Passamos por aquele estresse sem faltar água. E é interessante, toda vez que você faz economia, a cultura continua. Aliás, eu me lembro do Marco Maciel, contar que houve uma disputa em Pernambuco. E o candidato perdeu a eleição. Candidato deles lá. Isso há muito tempo. Aí ele encontrou lá com um prefeito. E o prefeito falou para ele: “mas olha, o nosso candidato tinha que ter perdido mesmo a eleição. Mas por quê? Porque ele se hospedou na minha casa lá no interior e tal. E ele faz a barba com a torneira aberta. O sujeito que faz a barba com a torneira aberta em Pernambuco não pode ganhar a eleição. Ele não tem a menor ideia da gravidade do que é a questão da água”. Então eu diria que nós estamos dando um passo importante para garantir água de qualidade. Esse é um outro dado. Gente rica compra água francesa. Como é que chama essa água rica, cara? Perrier. Compra água Perrier. Toma banho de água mineral. Mas a população precisa abrir a torneira e ter a segurança de que ela está tomando água com qualidade, água potável. Eu me lembro da minha época de infância, verminose. Vai ficando meio esquecido. Eu vi em cirurgia, com uma anestesista, obstrução intestinal por lombriga. Forma aquele bolo de lombriga que nem o novelo de lã. Aquele novelo de crochê. Aquele bolo de Ascaris Lumbricoides e fecha o intestino. Tem que abrir, operar e tira aquilo assim joga na lata do lixo, só lombriga. Sai lombriga pelo ouvido, pelo nariz. Tudo isso virou coisa meio do passado, pela qualidade da água. E por tirar o esgoto de perto de perto das casas. Então a outra é quem vai prestar esse serviço. Claro que o poder concedente é o município. Mas às vezes se você tem uma empresa que não tem lucro, a Sabesp não visa lucro, de outro lado que pode trazer resultado, é muito bom. Porque você tem escala. Vou dar um exemplo: nós pagamos de juros 14% ao ano, só pra rolar dívida do Estado com o Governo Federal. É IGP mais 9%. O IGP tá 5%. 5% mais 9% 14% ao ano. São Paulo paga 6%, dá 11%. Mas o Brasil inteiro paga 9%, porque nós pagamos 20% da dívida à vista. Mas é 11 a 14% ao ano de juros, quantos... A Sabesp foi [ininteligível], lá no Japão, Dilma assinou agora em janeiro 0,5% ao ano. O que é uma empresa com credibilidade, 0,4%; 0,5% de juros ao ano, lá fora, vai na [ininteligível], Banco Mundial, Banco Interamericano de Desenvolvimento, aí permite grandes investimentos, o ano passado a Sabesp investiu R$ 2,4 bilhões, levando água e coletando esgoto e era para ter investido R$ 3,6 bilhões, é que a empresas de saneamento no Brasil para o Estado não pagam nada, nós não cobramos um centavo de imposto e pagam para o Governo Federal, a Sabesp pagou o ano passado 1,1 bilhão de imposto, onde já se viu? Cobrar sobre água, você não cobra imposto de automóvel, como é que vai cobrar imposto sobre água, esgoto? 1,1. As empresas estatais no Brasil são grandes arreadoras de imposto, são máquinas para arrecadar imposto, R$ 1,1 bilhão de imposto para o Governo Federal, Brasil inteiro é assim, São Paulo zero! Paga um centavo de imposto. E investe! O que quê nós queremos? Até 2014, 100% de água, 100% de esgoto e 100% de esgoto tratado, em todo interior do Estado, tudo, 100%, cidades 300%, sempre fica um bairro aqui, uma zona rural ali, aí veio o programa Água é Vida, para as comunidades isoladas, aquelas 20 casas ali, aquela zona rural, você ensina a fazer a fossa, junto com a Prefeitura, vai lá faz a fossa direitinho e resolve o problema e mantêm, e mantêm o trabalho de limpeza de fossa, ou abastecimento de água. E a outra é o Se Liga na Rede. Você investe um bilhão, faz rede, emissário e tudo, mas a camarada não tem R$ 1,500,00 para fazer a ligação, ele não faz ligação porque não tem dinheiro para pagar o pedreiro e o encanamento, por R$ 1,500,00 não liga, nós mandamos uma lei para a Assembleia, nós pagamos para quem ganha até três salários, então metade, quanto é da Sabesp quanto é do Estado? Está exagerado, Ciro Gomes, 80% do e Estado 20% da Sabesp e nós vamos fazer a ligação para famílias de menor renda. Enfim, ficamos muita felizes é uma boa parceria, o Governo vai investir para valer, no litoral é 2016, tudo saneado e até 2018, 2019 no máximo, na região metropolitana tudo saneado. E na região metropolitana é mais difícil, por que... Qual é a diferença do Rio Tietê, o pessoal gosta de dar bons exemplos europeus, dizendo olha Paris, o Senna foi limpo, o Tâmisa foi limpo, Londres, é se São Paulo fosse lá em Panorama, lá beira do rio Paraná, lá na foz do Rio Tietê, estava limpíssimo, o problema é que você tem uma cidade de 20 milhões de pessoas em um rio de cabeceira, e não em um rio de foz, Paris está na beira do mar quase, Londres está na beira do mar, é muita água, muita água no rio, aqui quanto o Tietê passa, ele tem 10, 15 metros cúbico por segundo, quando deságua no Paraná tem 200, então se estivesse lá embaixo, no baixo Tietê, não tinha poluição, não, diluí tudo, mas aqui não tem água, como é que você vai diluir 50 metros cúbicos de esgoto em dez de água? É óbvio que não. E a outra é limpeza urbana, se tivesse tudo coletado, 100% de esgoto, tudo tratado, o rio estaria todinho poluído, por poluição difusa, sofá, motocicleta, plástico, papel, garrafa, lata, pneu, tudo... Ai é limpeza urbana. E a outra, recomposição de matas ciliares, a gente fazer um esforço nos nossos rios, e recompor matas ciliares. A política é muita passageira. Eu fui prefeito na década de 70, hoje se perguntar lá em Pinda, ninguém sabe mais que eu fui prefeito, ninguém lembra, menor ideia, Pinda teve três prefeitos que mandaram na cidade durante 30 anos. Eles se revezavam, cada um foi duas, três vezes por fim. A gente chamava de império romano, porque um chamava Caio, era o Dr. Caio, grande médico, o outro chamava César e o outro Romano. Então, era o império romano: Caio, César e Romano. Eles se revezavam ali os três. A arena, Arena 1, Arena 2, Arena 3 e tal. Hoje se chegar lá e perguntar quem é, o sujeito não tem a menor ideia. Aquilo desaparece, some. O que é que fica? Eu vou à Pinda, às vezes, ver as minhas irmãs e tal, eu plantei palmeira imperial. Peguei a entrada da cidade lá, quem vem de Campos de Jordão, peguei uma avenida e meti palmeira imperial, aquilo de fora a fora. O sujeito não tem como não ver aquilo, umas palmeiras maravilhosas e tal, não é? Então, o Setúbal, Prefeito de São Paulo, fez metrô, Praça da Sé e tal. Um dia eu perguntei para ele: “Dr. Olavo, o que o senhor fez de mais?”. “Parque, parque, árvore, parque, área verde, área de uso comum do povo”. Qual é a árvore símbolo do Brasil? O ipê-amarelo, que está errado. Por que está errado? É ipê-amarelo, porque a cor do Brasil é verde e amarelo. Então, o ipê-amarelo, verde e amarelo. Só que o ipê-amarelo ou está verde ou está amarelo. Ele nunca está as duas coisas ao mesmo tempo, porque quando ele dá flor cai a folha. A árvore símbolo do Brasil deveria ser a sibipiruna, que é uma das poucas que fica verde e amarelo ao mesmo tempo. Qual é a árvore símbolo de São Paulo? O jequitibá. O que é que nós deveríamos fazer? Cada cidade... Está aqui o Presidente da APN, vou fazer uma campanha. Cada cidade ter a sua árvore símbolo, nativa, e plantar. Olha, a árvore símbolo da minha cidade é o jataí, é o flamboyant, é a sibipiruna, é o pau-ferro, e plantar, plantar na beira dos rios, recuperar as matas ciliares. Aliás, é o mínimo que o Código Florestal exige, o mínimo, que a beira de rio tem que ser recuperada. Mas eu quero deixar um grande abraço e cumprimentar vocês pela decisão. Pode ter certeza que o saneamento básico vai melhorar, melhorar rápido para a população. Agradecer aqui o Giriboni, o nosso Secretário; o Beraldo, nosso Secretário; a Dilma Pena. Eu falo todo dia para a Dilma: “Dilma, cortar custo, melhorar a eficiência, cortar custo, melhorar a eficiência. A empresa tem que ser tinindo, investir muito e não ter desperdício”. Então, cumprimentar os nossos diretores, o Samuel, que é o engenheiro especialista em saneamento, engenheiro da Sabesp; os nossos prefeitos. Das últimas vezes, como deputado, fui a Igaratá inaugurar água em um bairro. Era um bairro em um lugar alto, um morro, Igaratá é muito morro, na Dom Pedro, e era bem no alto do morro. Aí fomos lá, nove discursos, nove. Aí o prefeito foguete, a terra tremeu de tanto foguete. Aí alguém teve a má ideia de abrir a torneira e não saiu água. Entrou ar no cano, aí chamamos o encanador para tirar ar do cano e tal, tal. Mas podem ter certeza que vocês estão marcando história, tomando a decisão técnica e correta em benefício da população.

Um grande abraço.