Discurso - Assinatura do Convênio do Projeto Saber Consumir 20132907

De Infogov São Paulo
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Discurso - Assinatura do Convênio do Projeto Saber Consumir

Local: Capital - Data:29/07/2013

GERALDO ALCKMIN, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Boa tarde a todas e a todos. Cumprimentar a nossa Secretária do Estado da Justiça em Defesa da Cidadania, professora Eloísa Arruda, professor Herman Voorwald, secretário do Estado da Educação, Dr. Paulo Góes, diretor executivo do PROCON, o Alexandre Modonezi, superintendente do IPEM, Paulo Matias, coordenador do programa Escola da Família, educadores da nossa rede estadual, colaboradores do PROCON, amigas, amigos. Ficamos superfelizes, tivemos em 24 horas três eventos com a Educação. Ontem foi a posse da primeira, diplomação, da primeira turma da Univesp. Quase mil professores formaram em Pedagogia, gratuitamente, sem gastar nada em um programa inédito entre a Unesp e a Univesp. Duas noites por semana, em 21 polos do estado, com aula presencial e o restante à distância, Internet. Há um estudo que em uma década e meia mais da metade dos alunos de Ensino Superior do mundo estarão estudando pela Internet. Hoje se quiser assistir uma aula do [ininteligível] só entrar na internet, de casa assiste uma aula do [ininteligível]. E quase mil educadores da rede municipal e de outras redes passaram a ter ou o seu primeiro diploma de ensino superior ou a segunda licenciatura, e ganha com isso a escola, o aluno e o próprio professor. Deu tanto certo que nós criamos uma quarta instituição, que é a Univesp, e começamos o vestibular esse ano, agora, com Pedagogia, Física, Química, Matemática onde faltam mais professores e duas Engenharias, inclusive através da Univesp, Engenharia de Produção e Engenharia de Computação. Hoje cedo assinamos convênios com 325 municípios para construir quase 500 creches no Estado de São Paulo. Programa de mais de meio bilhão de reais, no sentido de ajudar as prefeituras, porque criança de 0 a 5 anos é responsabilidade do município, mas a gente ajudando para mais depressa fazer as creches e também Pré Escola, o Ensino Infantil. E agora o lançamento da cartilha, do vídeo, enfim, do consumo correto na escola. E tem tudo a haver com a escola, não é? Porque educar do latim vem do duco, que quer dizer se conduzir em sociedade, como é que você se conduz em sociedade, não é? Você tem que estar o dia inteiro se educando, e alguém dando uma dicazinha para educar. E principalmente, dando exemplo, dando permanentemente exemplos. E a questão do consumo ela é extremamente relevante, primeiro para a saúde. A maioria, por exemplo, o caso da alimentação, a maioria dos problemas de saúde é por alimentação errada e o médico nunca, ele trata a questão da saúde, ou raramente hoje é até um pouco mais, e a escola é importante, não é, no sentido de educar para o consumo. Para a pessoa ter saúde, para a pessoa poder ter educação, convivência em sociedade, se autodisciplinar. Eu conversava ali com a Heloisa e o Paulo Góes, as reclamações lá no PROCON. Então, uma das mais importantes: super endividamento e cartão de crédito, chega a quase 600% ao ano. Então, é uma barbaridade, o juros. E a gente não tem esse hábito, não é, de verificar quanto é a taxa de juros. Quando a inflação era 1.000% era um pouco irrelevante, mas hoje com a moeda estável você ter juros é uma coisa extremamente relevante. A outra, publicidade enganosa. Eu me lembro, eu fui relator, eu apresentei o projeto de lei do código, do atual Código de Defesa do Consumidor quando era deputado federal, e tinha em exemplo clássico de uma propaganda de sabonete que emagrecia. Se a pessoa ficasse fazendo ginástica debaixo do chuveiro, não é? Mas emagrecia. Então, o que tem de publicidade enganosa. Aliás, me lembro de um grande debate, tinha um setor do empresariado que era contra o nome Código De Defesa do Consumidor. Por que defesa, está sendo atacado o consumidor? Por que o nome defesa? E está correto, é Código de Defesa. Porque nas relações de consumo a parte mais fraca não é o fornecedor, é o consumidor. Não é porque o fornecedor é mais rico do que o consumidor. Vou comprar um carro da General Motors, quem sou perto da General Motors? Mas não é por isso, é porque o consumidor não tem todo o nível de informação do fornecedor seja de produtos ou de serviços, ele é a parte mais frágil nas relações de consumo porque não tem todo o conhecimento. Vou comprar um aparelho eletrônico, eu não tenho as informações que o fornecedor tem. Eu vou contrair um financiamento, contrato de seguro, contratado financeiro, não tenho todas as informações. Pouca gente sabe quanto que está pagando no cartão de crédito de juros, de tributos. Vou comprar um serviço... O dentista fala que eu tenho um problema no dente, quem sou eu para discutir com ele? Então, a parte mais frágil. Medicina. Eu sou anestesista, quantidade de cirurgia desnecessária, desnecessária, é um absurdo verdadeiro. Um dia desses tinha um prefeito, veio comentar um plano de saúde, diz que tinha uma fila de cirurgia na cidade dele, cidade de 15 mil habitantes. Me dá a lista aqui. Peguei a primeira, era cirurgia de coluna, 129. Eu falei, não é possível ter 129 pessoas que precisam operar coluna. Pode ter certeza de que 90% disso é tudo desnecessário. Mas paciente não é profissional, não tem a mesma informação, acha que precisa. Então, a questão da relação de consumo ela é cada vez mais relevante. A outra também, a educação para o consumo. Estou lendo o livro do papa, que está muito em moda, de uma jornalista argentina, é muito interessante o livro, e ele deixa ali, tem muitas boas mensagens, mas me chamaram atenção três: Duas que é de jesuíta, estudo e trabalho. Estudo e trabalho. Ele estudou doze anos para se ordenar, doze, se ordenou padre com 30 anos de idade. E trabalho, trabalho. E não é só trabalho profissional, é o trabalho inclusive manual: lavar prato, arrumar cama, enfim, o apreço ao estudo, você está permanentemente aprendendo, tendo informação correta, estudando, e trabalho. E a outra é a austeridade. Ou seja, às vezes a gente luta muito pelo acessório, perde muito tempo com o que não é essencial... Então essa sociedade de consumo quase que ilimitada, é também um grande equívoco que precisa ser recolocado, enfim, eu acho que vai ser uma grande contribuição para os professores, para os funcionários e especialmente para os alunos, esse trabalho em conjunto, não é? Além de elevar direitos, 'ó, você tem direito de devolver o produto, você o direito de exigir uma troca, você tem direito de ser ressarcido', ninguém faz favor, não é? E isto é positivo até para os fornecedores, que começaram a criar serviço de atendimento ao consumidor, ombudsman, serviços para ouvir, para atender melhor e satisfazer melhor o seu consumidor. É histórico, essa coisa de comprar, tem até uma expressão popular, gato por lebre! Lembro que o papai tinha um sítio, e o Bidu que trabalhava com ele, comprou um Fiat 147, os mais jovens não lembram, que triste memória, não é? E era um tal de empurrar carro o dia inteiro lá, um dia, eu falei, 'ó, Bidu, será que não te enganaram, tal, o carro não anda', ele falou, 'não, doutor, eu troquei por uma televisão, que também não funcionava, não é?'. Eu falei, 'como que era televisão?', ele falou, 'ah, televisão quando proseia não afeiçoa, e quando afeiçoa não proseia!'. Bom trabalho a todos!