Discurso - Entrega de Kit de Cinema e de Instrumentos Musicais a 94 Municípios - 20122706

De Infogov São Paulo
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Transcrição do discurso no evento de Entrega de Kit de Cinema e de Instrumentos Musicais a 94 Municípios

Local: Capital - Data: 27/06/2012

GERALDO ALCKMIN, GOVERNADOR: Boa tarde a todas e a todos. Saudar o nosso secretário de estado da Cultura, Marcelo Araújo; O prefeito de Orlândia, o Rodolfo Meirelles. Saudando a todos os prefeitos, prefeitas, vice-prefeitos, vereadores. O Lobbe Neto, presidente do Cepam; O André Sturm, diretor executivo do Museu da Imagem e do Som, do MIS; Maria Tereza Magalhães, a Teca, coordenadora da Unidade de Fomento e Difusão de Produção Cultural da Secretaria de Cultura; Nosso querido deputado Dilador Borges; O Magrão, coordenador estadual dos CONSEGs. O representante de organizações sociais. Secretários municipais, amigas e amigos. Olha, uma grande alegria a gente poder hoje atender aqui 94 municípios, 101 kits de instrumentos musicas e kits de cinema. A maioria aqui é mais jovem, não lembra. A Teca não tinha nascido ainda, Marcelo estava na creche. Mas houve, na década de 60, na TV Record, um famoso festival de música brasileira. E quem venceu esse disputadíssimo festival foi Chico Buarque de Holanda com “A Banda”. E aí ele ficou famosíssimo. Então dizia: “Com a passagem da banda, a cidade ganhou vida nova. O homem sério que contava dinheiro, parou. O faroleiro que contava vantagem, parou. A moça triste que vivia calada, sorriu. Enfim, a cidade toda se enfeitou para ver a banda passar cantando coisas de amor”. E aí o Chico Buarque se imortalizou. Nós queremos que as nossas cidades sejam cidades musicais, né? Cidades alegres. Então, nós estamos entregando os instrumentos musicais tanto de percussão, quanto os de som: trompete, trombone, sax. Enfim, os instrumentos que dá pra montar aí uma banda. E as nossas cidades vão ficar muito mais alegres e o kit de cinema, porque os cinemas não foram acabando no interior. A minha cidade natal, na minha infância, tinham dois cinemas Cine Brasil e Cine São José. E o programa de domingo era ir no matinê. E o que é que eles faziam? Você tinha o filme e tinha um seriado. Então, no seriado, você ia acompanhando, daqui a pouco a mocinha caia no precipício. Aí todo mundo naquela tensão, fechava a tela e dizia: “Volte domingo que vem”. Aí você tinha que voltar domingo que vem. Hoje, a maioria dessas salas de cinema foi embora. Então, o que é que nós queremos? Nós queremos voltar o cinema. Ali tem desde o local de projeção, com todos os equipamentos, dá pra projetar muito bem. Uma seleção de filmes, eu vi aqui, tem filmes de animação, aventura, fantasia, música, comédia, ação, ficção, drama, documentário, tem de tudo. E também aí vocês vão cada um buscar aí o que mais precisarem pra poder passar os filmes. Um bom filme, como uma boa peça de teatro, ela muda as pessoas, né? A cultura é um forte instrumento de reflexão, de transformação, de educação, de aprimoramento da vida social. Então, é muito importante. A gente fica feliz de fazer tudo isso em parceria com as prefeituras municipais. Eu dizia a pouco agora na assinatura do convênio das classes descentralizadas das ETECs, eu já fui prefeito. Todo município gosta de asfaltar, né? O asfalto aparece rápido, né? Então, todo mundo gosta de um asfalto, o que é muito bom. Mas administrar para o ser humano, o asfalto é mais para o automóvel, né? Administrar para o ser humano é cultura, é saneamento, é educação, é saúde. Então, esse avanço na área da cultura e descentralizar, né? Você levar, possibilitar nos 645 municípios a gente poder avançar mais. Aproveitando espaços. Toda a cidade tem sala, salão, tem centro comunitário, tem local, escola, né? Então, aproveitando melhor os equipamentos públicos e, de maneira econômica, levando lazer. E é impressionante isso, quer dizer, como falta lazer. Gente rica [ininteligível] escolhe casa de praia, casa de montanha, ir para Europa, tem mil atividades. A população mais simples não tem lazer. Há uma falta enorme de lazer. E há necessidade também de se educar para a cultura desde a criança. A leitura, o cinema, a música, isso faz parte de um processo também educativo. A gente fica muito feliz de trazer aqui um abraço. Queria agradecer ao Marcelo Araújo, que tem uma enorme de uma experiência, uma expertise na área da cultura. Cumprimentar a Teca, e também toda a equipe deles lá, e cumprimentá-los aí vocês. E dá uma dica, porque eu sou cinéfilo. E eu não passo 15 dias sem ir ao cinema e vou ao cinema. Eu gosto de ir lá no cinema. Então uma dica, já saiu de cartaz, mas vocês podem conseguir nas locadoras um filme argentino, nada contra o Corinthians, viu? Pra deixar bem claro. Mas é um filme que ganhou Oscar, chamado “O Segredo dos Seus Olhos”. Com aquele ator famoso argentino, o Ricardo Darín. Darín, Ricardo Darín. Aliás, os três filmes deles são bons. “O Pai da Noiva”, “Um Conto Chinês”, com Tutino, e “O Segredo dos Seus Olhos”. São premiadíssimos, “O Segredo dos Seus Olhos” foi até premiado com o Oscar e é impressionante. E esse “Segredo dos Seus Olhos”, eu não vou contar, porque... Meu pai contava que morava... Quando ele veio fazer a USP, aqui em São Paulo, fazer Veterinária, eles moravam, os amigos de Guaratinguetá, primos e tal, numa casa, todos sem dinheiro, ali apertadinho e tal. E um deles era fanático por filme e queria contar o filme e ninguém aguentava mais ouvir os filmes dele. Então, ele chegava à noite, aí dizia: “fulano está chegando e todo mundo finge que está dormindo”. Aí ele ia lá: “Geraldo, Geraldo” e meu pai quieto. Aí o meu tio Zeca: “Zeca, Zeca”. Aí ele: “Puxa vida, logo hoje que eu trouxe uma caixa de chocolates”. Aí o pessoal pulava. Aí, dizia: “Olha, por amor de Deus, pula o rugido do leão da Metro, né?” Ele era detalhado. Mas fica aí a dica do filme, aliás, esse filme eu vi a mais sofisticada das cantadas. Uma moça muito bonita, que é a delegada, e um velho investigador. E toda vez que ela passa, ele fala: “Deus esqueceu a porta aberta, um anjo escapou do céu”.