Discurso - Feira Hospitalar 20161705

De Infogov São Paulo
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Discurso - Feira Hospitalar

Local: [[]] - Data:Maio 17/05/2016

GERALDO ALCKMIN, GOVERNADOR DE SÃO PAULO: Bom dia a todas e a todos, quero cumprimentar a Dra. Waleska Santos, presidente e fundadora da Hospitalar Feira Fórum; o Jean-François Quentin, presidente da UBM Brazil, todas as lideranças aqui já nominadas; expositores; amigas; amigos. Dizer que esta, com muita razão, é a maior feira de evento no setor na América Latina das grandes do mundo, e momento muito significativo. Se a gente perguntar: A saúde vai bem ou vai mal? As duas respostas são verdadeiras. Ela vai muito bem, porque a mortalidade infantil despencou, o Brasil do século passado morriam 140 bebês para cada mil nascidos vivos por ano, hoje São Paulo é 13 caindo, quase chegando a 12, a maior ia das cidades um dígito. Expectativa de vida média, 75 anos, algumas regiões de São Paulo, mais de 76 anos, mulheres, 80 anos de expectativa de vida média, média. Qualidade de vida é um outro cenário, as pessoas morriam de moléstia infecto-contagiosa, morriam de gripe, a gripe espanhola matou em 1918, 300 mil brasileiros, inclusive o presidente da República, o Rodrigues Alves morreu de gripe espanhola, entre a eleição e a posse. Morria de tuberculose, né, de Mal de Hansen, antibioticoterapia, o avanço das moléculas, da ciência, o acesso da população, demos um grande salto. O modelo nosso era um modelo onde o trabalhador pagava para se aposentar pelo INPS, e a assistência médica para o Inamps. Então o Governo Federal era o grande provedor. Inamps da assistência médica, e INPS, aposentadoria. A Constituição de 88 criou o chamado “Welfare State”, o estado de bem-estar social, a seguridade social. Quer dizer, um tripé, previdência que tem que pagar, quem não pagar não se aposenta. Assistência social que não é contributiva, ninguém precisa pagar nada, mas é só para aqueles que a lei determina: idosos que não tem renda e pessoas com deficiência. A renda mensal vitalícia: um salário. E a saúde universal, da vacina ao transplante de órgãos e ninguém precisa pagar nada, ela é totalmente gratuita. Acabou o Inamps, foi tudo absorvido pelo SUS, se ninguém paga nada, a população mais idosa e a medicina cada vez mais sofisticada e mais cara, é o governo que paga. Qual governo? Então, os três governos: federal, estadual e municipal. Os três entes federativos. Era 65% federal, seguindo meio a arrecadação, e 35% é de estado e município. Aí o Governo Federal transferiu tudo o que ele tinha, todos os Inamps, o país inteiro foi tudo transferido para as prefeituras. Os hospitais foram todos transferidos pros estados. O Governo Federal não tem mais nada, não tem um médico, não tem hospital, não tem nada, a não ser de educação. Depois que transferiu tudo, ele vai indo embora do financiamento, ele está saindo do financiamento da saúde, porque a previdência cresceu de tal ordem a sua participação na seguridade social em razão do aumento de expectativa de vida maravilhoso, e a assistência cresceu de tal ordem que esmagou a saúde. E o governo sai sem ninguém perceber, só não corrigindo a tabela do SUS. Todo ano a inflação é 8% a 10%, na saúde ela é dolarizada, ela é muito maior, não corrige a tabela do SUS há 12 anos, ele vai discretamente indo embora do financiamento da saúde e hoje nós temos a saúde muito bem de um lado, e a saúde muito mal do outro porque não tem financiamento. Aqui em São Paulo, se não fosse o nosso programa “Santas Casas Sustentáveis”, quase todas já estariam fechadas, literalmente fechadas, que é impossível trabalhar com essa tabela do SUS, é inacreditável. Então essa é uma questão relevante, nós precisamos... Prioridade sem orçamento é discurso, tem que pôr dinheiro, e os dirigentes da área hospitalar ainda são passados como maus gestores. Então o problema é só de gestão. Não é verdade, não é só gestão, falta efetivamente recursos para a saúde. nós vivemos em um outro mundo, população mais idosa, medicina mais sofisticada, e é um setor que emprega muito, então é muito bom porque ele é altamente empregador, ele fala a qualidade de vida das pessoas, é o maior sonho das pessoas poderem viver mais e viver melhor. É vanguarda na ciência, é vanguarda na inovação tecnológica, então é um setor importantíssimo. E ao lado da falta de financiamento, a judicialização, ou seja, tome ação judicial e pague em 24 horas, né? Uma coisa chega... não é uma coisa desprezível, São Paulo dá R$ 1,4 bilhão, fruto... E é crescente, né? E ela tem um dado social perverso, porque as regiões mais ricas é onde tem mais judicialização, então ela não está distribuindo os recursos que já são poucos. Mas digo isso porque este grande encontro de toda a cadeia da saúde, Dra. Waleska, ela é um bom centro de debate, de reflexão para gente melhorar, para gente avançar, para gente poder corrigir, fazer mais e melhor ainda para a população. E de outro lado, quando nós precisamos de investimento, aqui estão importantíssimos investimentos. Antes de eu levantar para cá o Juan me deu, falou: “Olha, liga lá.”. São Paulo recebeu nos últimos 18 meses, nove projetos na área de saúde de biotecnologia, área importante, representando 1.652.975 bilhão de empregos. Investimento novo, geração de emprego, com uma área estratégica pro nosso desenvolvimento e para a vida da população. Eu estou extremamente otimista porque eu ouvi de um colega médico que agora nós vamos chegar fácil, há cem anos de idade, e as mulheres não morrerão mais. [[]]