Discurso - Inauguração do Centro de Encaminhamento do Cartão Recomeço em Campinas 20132009

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Discurso - Inauguração do Centro de Encaminhamento do Cartão Recomeço em Campinas

Local: Campinas - Data:20/09/2013

GERALDO ALCKMIN, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Bom dia a todas e todos! É o dia da alegria de estarmos aqui na nossa Santa Casa aqui de Campinas! Cumprimentar o nosso prefeito anfitrião Jonas Donizete. Vereador Campos Filho, presidente da Câmara Municipal, saudando aqui todo o poder legislativo. Secretário de Desenvolvimento Social, Rogério Aman; de Gestão Pública, o deputado Davi Zaia. O Roberto Fleury, secretário-adjunto da Justiça. Querido Padre Haroldo, presidente emérito da instituição. Murilo Antônio Morais de Almeida, provedor da nossa Santa Casa de Campinas. Luís Roberto Sdoia, presidente da Instituição Padre Haroldo. Prefeito de Holambra, Fernando Godoi; de Monte Mor, Tiago Assis. A Janete Valente, secretária Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social. Doutor Carmino. O professor Ronaldo Laranjeira, o nosso coordenador estadual do trabalho com os nossos dependentes. O Nelson Roseri, coordenador de prevenção aqui do município. Tenente-Coronel Luís Marcos de Souza, e a doutora Iara Eli Marquês da Silva, delegada de polícia. Doutora Márcia Bevilacqua, diretora regional de Saúde; Ester Viana, diretora da Agecamp; José Carlos, presidente da Associação dos Amigos dos Defensores dos Centros de Integração da Cidadania da região metropolitana; Natalia di Martino, Eu Sou Feliz Sem Drogas, o movimento. Representantes de entidades e organizações sociais, colaboradores, todo o time aqui da Santa Casa! Nosso jovem, o meu amigo Alan, que nós dá alegria aqui na sua presença! Olha, duas razões nos trazem aqui à Campinas hoje. Uma é o repasse de recursos para 140 leitos hospitalares para o SUS, inclusive, 25 deles de UTI. Não pode dizer que nós estamos sem pôr um tijolo inaugurando o hospital porque são 140 leitos. Qual é o problema hoje da saúde? Se você perguntar se a saúde vai bem ou vai mal? De um lado, ela vai bem, a mortalidade infantil caiu, o Brasil tinha, em 1940, 140 mortes por mil nascidos vivos, que é o conceito de mortalidade infantil, principal indicador da Organização Mundial da Saúde. Mortalidade infantil, número de mortos em cada mil crianças nascidas vivas no primeiro ano de vida. O Brasil tinha 140 mortes para mil, então era comum uma mamãe dizer "Tive cinco filhos, vingaram três, vingaram quatro". Eu fui um dia ao aniversário do filho do deputado William Woo e o William Woo é interessante, ele é filho de pai japonês, mãe coreana e mulher chinesa, aí ele conta que o filhinho fez aniversário e eu fui lá e perguntei "Qual é a idade? Quantos anos?" e ele falou "Noventa dias". Mas aniversário de noventa dias? E ele falou: "É". Na Coréia, a Coréia pobre do século passado, a criança que chegasse a 90 dias sobreviveu, porque a grande parte da mortalidade infantil, que ia até um ano, se dá nas primeiras semanas, nos primeiros meses, então comemorava! Três meses, aniversário, ele sobreviveu. A mortalidade infantil hoje em São Paulo é 11. Maioria dos nossos municípios é um dígito! Isso é Europa, Europa. E caindo! A expectativa de vida no Brasil era 43 anos de idade, expectativa de vida média, porque morria muita criança e as pessoas morriam de infecção. Tuberculose, não tinha tratamento, não existia antibiótico para matar o bacilo de Koch, Mycobacterium tuberculosis Koch. Então, tinha que pegar o paciente e levar para Campos do Jordão. Campos de Jordão tinha 16 sanatórios para ficar em um lugar frio e alto. As pessoas morriam de tuberculose, morriam de tétano, morriam de mal de Hansen, de lepra. Eu fui a Mogi anteontem, nosso hospital Arnaldo Pezzuti era uma cidade, era uma fazenda de colônia de Hansenianos. Morriam de gripe, a gripe espanhola, em 1918, matou 300 mil brasileiros e inclusive o presidente da república, o presidente Rodrigues Alves morreu que nem o Tancredo: entre a eleição e a posse! No segundo mandato, ele não tomou posse, ele morreu de gripe espanhola. Hoje a expectativa de vida, que era 43, no Brasil, é 73 anos de idade; em São Paulo, 75. Quem passa dos 30 anos, vai para mais de 80 porque saiu da vulnerabilidade juvenil, morre muito jovem nos finais de semana, droga, motocicleta, carro, tiro, causa externa. Então, vai para mais de 80, talvez hoje esteja nascendo o brasileiro, ou o paulista, ao menos, que vai viver 100 anos, então as coisas melhoram! O problema nosso é de financiamento porque a medicina ficou mais cara, no meu tempo de estudante não existia tomógrafo, ressonância magnética, ficou mais cara. A população envelheceu, o Brasil, que era um país jovem, hoje é um país maduro e caminha para ser um país idoso, o que é ótimo! Isso é prova de país desenvolvido, as pessoas vivendo mais. E os governos, especialmente o Governo Federal, que é o primo rico, que fica com 2/3 da arrecadação dos impostos do Brasil, vai saindo do financiamento na medida em que não corrige a tabela do SUS, então entra em colapso. Em Caraguatatuba, a Santa Casa fechou. Não tinha mais parto, cirurgia, estava o caos! O Ministério Público exigiu que o prefeito, que ele assumisse a Santa Casa, não faltava um médico lá porque os médicos estavam todos lá, mas faliu. Vai para Barretos, que é uma das maiores proporções de médicos do país, uma das maiores proporções em razão da população da cidade. A Santa Casa fechou, quebrou, colapso total, por falta de recursos, não tem jeito. Antigamente, no tempo do Inamps, todos os hospitais privados queriam atender o Inamps, os mais antigos vão lembrar, todo mundo queria atender o Inamps, porque pagava os custos e ainda davam resultados para a instituição. Hoje, não cobre, cobre pouco mais da metade do valor. Então, uma região rica, que tem muito convênio, o convênio cobre o prejuízo do SUS. Ou que está numa região mais pobre, que não tem tanto convênio, quebra, fecha! Hoje, as Santas Casas de Misericórdia devem perto de R$ 15 bilhões, se somar todas. Então, o que nós estamos fazendo? Nós estamos garantindo aqui 140 leitos do SUS complementando mais R$ 200 só em leito de clínica, UTI é muito mais. Então, um e meio milhão para o hospital Ouro Verde, que é da prefeitura, para garantir lá os leitos, estamos assinando com a Santa Casa 44 leitos do SUS, passando mais 600 mil reais até o fim do ano, 30 leitos com a Beneficência Portuguesa e 26 leitos com a Casa de Saúde de Campinas. O nosso problema não é de prédio, o nosso problema não é de prédio, tem muito prédio ocioso, ocioso, contesto é só que o pessoal não consegue por para funcionar, porque não aguenta o custeio. Então nós estamos praticamente criando um hospital de 140 leitos, na Casa de Saúde de Campinas, na Beneficência Portuguesa, com 26 na Casa de Saúde, 30 na Beneficência Portuguesa, 44 na Santa Casa e o restante no Ouro Verde, no complexo hospitalar do município. Lá, inclusive, 25 leitos de UTI, 20 para adulto e 5 para pediatria. Segundo é o Cartão Recomeço! O pai do Aroldo, trabalha há mais de meio século, disse e colocou aqui muito bem, que é possível, sim, recuperar, de cada 10, 7 se recuperam, que não é do dia para noite, pode levar 6 meses ou até mais, que é o trabalho completo, laboterapia, trabalho, profissão, emprego. Falar ao coração das pessoas, comunicação e vida espiritual. Esse é o trabalho! Hoje tem uma matéria de todos os jornais dizendo que só nas capitais do Brasil tem 370 mil dependentes químicos, só nas capitais e 40% deles só nas capitais do Nordeste. Porque a vítima é geralmente jovem, do sexo masculino e mais pobre e tem menor escolaridade. Jovem de menor escolaridade que é a maior vítima. Então, 40% está no Nordeste, depois vem o Sudeste e está em todas as regiões do país, muito mais rapazes, mas as mulheres preocupam porque 30% faziam sexo para poder conseguir a droga, uma grande parte engravidou, estavam grávidas! Aliás, nós abrimos em Mogi, lá no hospital Arnaldo Pezzuti essa semana mais 20 leitos, só para mulheres, só para mulher, o número de grávidas e gestantes muito grande. E 80% dos pesquisados quer o tratamento. Ele não consegue sair sozinho, mas ele quer o tratamento. Então, o que nós estamos procurando fazer? As prefeituras fazem o atendimento primário, são os CAPS AD, Centros de Atendimento Psicossocial de Álcool e Droga, são as equipes multiprofissionais: psiquiatras, psicólogos, assistente social, enfermeiro, fisioterapeutas, enfim, toda a equipe, atendimento ambulatorial. Têm casos, eu também não sou favorável a internação, Deus quisesse que ninguém precisasse ir para o hospital, mas às vezes tem que ir para o hospital, então são casos, às vezes, muito graves! E existe muito na dependência química o que se chama de comorbidade, não é só a dependência química, é a dependência química com esquizofrenia, é a dependência química com psicoses, é a dependência química com tuberculose, é a dependência química com HIV. A pessoa se debilitou de tal forma, grande parte mora na rua, ela se debilitou de tal forma que ela tem outras doenças, então você precisa tratar a pessoa de todas as deficiências, não só a dependência química! Então, nós, que tínhamos em São Paulo 350 leitos, hoje nós estamos com 1034 leitos para dependentes químicos, vamos chegar rapidamente a 1300 leitos hospitalares, só lá em Mogi inauguramos agora 20, agora vamos inaugurar um hospital com a Unesp, a faculdade de medicina da PUC, 60 leitos, vão para quase 200 aqui em Itapira. Então nós estamos inaugurando bastante. Então, o CAPS, o atendimento ambulatorial, o hospital, no caso mais grave, que precisa ser internado, internações de curta duração e a comunidade terapêutica porque é diferente, alguém tem um apendicite, vem até o hospital, opera, tira o apêndice, costurou, bye-bye, resolvido. Pneumonia, toma antibiótico, matou a bactéria, está resolvido! A dependência química é doença crônica e recidivante! Então, você sai do hospital e aí? Não tem para onde ir, às vezes não tem família. E o emprego? E o salário? E a motivação? Então, é preciso refazer a vida e aí nós fizemos o Cartão Recomeço, por quê? Porque nós já temos entidades ótimas, ótimas, com expertise, com amor, como disse o Jonas, por exemplo, nós já temos, nós precisamos é apoiá-las para que elas possam atender ainda mais. Então, o Cartão Recomeço não é para o doente e nem para a família do doente, é para a instituição, então os começamos com 11 vagas, hoje estamos fazendo com o Padre Haroldo, 100 vagas na comunidade terapêutica. Até 6 meses, até 6 meses, e a gente paga, então tem o cartão eletrônico, a gente paga. Então, nós credenciamos as instituições, sérias, são avaliadas para poder entrar e aquelas que tem expertise, são sérias, fazem um bom trabalho, são nossas parceiras e quando há necessidade, às vezes não precisa ir nem para o hospital, vai só para a unidade terapêutica, mas se precisar ir para o hospital, depois do hospital, se houver necessidade, enfim, esse é o ideal! Infelizmente, nós vivemos um problema! São Paulo produz cana de açúcar, nós somos o maior produtor do mundo, maior produtor do mundo de laranja, o maior produtor brasileiro de borracha, produzimos café, não é? Se tinha café com leite era São Paulo e Minas, produzimos grãos, flores, frutas, nós não produzimos cocaína, infelizmente, a questão chega aqui, nós não produzimos droga, isso veio de fora! No Brasil, infelizmente, hoje é o maior consumidor de crack do mundo e o segundo maior consumidor de cocaína do mundo, só perde para os Estados Unidos, o crack é barato e vicia rapidamente! Então, é um problema grave de saúde pública e que nós não vamos resolver tudo, mas nós vamos ajudar muita gente e fazer as coisas melhorarem. De um lado, dureza em relação ao tráfico de droga, que é crime e é o pior dos crimes, porque leva a vida das pessoas, a família fica doente, não é só o paciente, o paciente não sai sozinho porque faz parte do quadro clínico uma atitude amotivacional, precisa estudar, precisa trabalhar, faz parte do quadro clínico amotivacional, ele precisa ser ajudado, é preciso ajudá-lo. Então, estamos dando um passo importante, uma das melhores instituições do país, Padre Haroldo, tem muito a nos ensinar, estou até combinando com ele, talvez eu não consiga ir hoje, mas virei aqui no domingo para conhecer a entidade, aliás, queria que ele me ensinasse essa técnica de yoga, porque o Padre Haroldo diz que planta bananeira, né? Aqui se nasce também, como é que a gente tem boa saúde, não é? Física. Ensinar a plantar bananeira e sair sem precisar ir para a fisioterapia. Mas eu quero dizer da alegria de estarmos juntos aqui, nós estamos conversando aqui com os 100 leitos, devemos chegar aqui a 400 só na região e o trabalho que se estende por todo o estado de São Paulo! Muito obrigado! Região de Campinas