Discurso - Reunião Ambev 20130202

De Infogov São Paulo
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Discurso - Reunião Ambev

Local: Capital - Data: 02/01/2013

GERALDO ALCKMIN, GOVERNADOR DE SÃO PAULO: A todas e a todos. Quero cumprimentar Kees Storm, presidente da AB Anheuser-Busch InBev, agradecer o convite; o João Castro Neves, presidente da Ambev. Cumprimentar também o Victório Carlos De Marchi, co-presidente do Conselho da Ambev. Uma saudação aqui muito afetiva ao Jorge Paulo Lema, ao Beto Sucupira, ao Marcel Hermann Telles, conselheiros aqui da AB Anheuser-Busch InBev. Ter conosco aqui o Júnior Semeghini, nosso secretário de planejamento do estado de São Paulo e responsável pelo Comitê da Copa do Mundo de 2014 aqui no estado. Fábio Lepique, nosso companheiro de trabalho do governo. Conselheiros, amigas e amigos. Primeiro, destacar aqui a importância da InBev, hoje é a maior empresa da América Latina, e como São Paulo, sempre crescendo. A primeira cerveja, a Bohemia, de Petrópolis, do Brasil império, 1853... Em 1853, a cidade de São Paulo tinha 30 mil habitantes. Hoje, a cidade tem 11 milhões de habitantes, a grande São Paulo, 21 milhões, e o estado de São Paulo, maior que a Argentina, 42 milhões de habitantes. Então, estamos juntos no crescimento, né? E destacar a importância aqui da empresa, sob o ponto de vista econômico, para o Brasil, para a América Latina, social, e a sua importante participação na nossa população. Eu preparei aqui meia dúzia de telas mostrando um pouco a realidade do estado de São Paulo. Nós somos, o estado de São Paulo, a primeira economia... a segunda economia da América do Sul, atrás apenas do Brasil, e a terceira economia da América Latina. Somos o maior produtor do mundo de açúcar e álcool, o maior produtor mundial de suco de laranja, o maior produtor brasileiro de borracha, ovos, exportação de carne bovina, o maior processador do país de papel e celulose, 97% da fabricação de aviões, 87% de trens, 72% de higiene pessoal, 71% da indústria farmacêutica, e veículo parte automotiva, peças e acessórios, mais de 60%, e da produção química do Brasil. Temos uma agência chamada Investe São Paulo para atrair investimentos para o estado. Temos, hoje, 52 projetos em negociação com expectativa de R$ 12,6 bilhões de investimentos, e 19 mil empregos. Tivemos, no final do ano passado, a inauguração da Toyota, com 12 sistemistas em Sorocaba, e da Hunday também um grande polo automotivo em Piracicaba. E temos aqui 33 investimentos já anunciados no estado. Aqui, pesquisa e desenvolvimento. O estado... Se São Paulo fosse um país, São Paulo investe, incluindo o investimento do estado, do governo federal, da universidade e, principalmente, da iniciativa privada, o estado de São Paulo investe mais em pesquisa e desenvolvimento que Espanha, Itália, Rússia, Brasil, África do Sul, Índia... É impressionante o nível de investimento do governo e das empresas em pesquisa e desenvolvimento no estado. Aqui mostra o apoio que o estado de São Paulo faz em termos de pesquisa e desenvolvimento. Ele é dez vezes maior que o segundo estado, que é o Rio de Janeiro, 23 vezes maior que Minas Gerais, então, nós temos grande investimento na área de pesquisa e desenvolvimento. Aqui mostra 71% do investimento brasileiro é apoio estadual. Aqui, as instituições de ensino superior, a Universidade de São Paulo, a USP, ela é hoje a primeira universidade do país e da América Latina, está entre as melhores universidades do mundo, como também a Unicamp e a Unesp. E nós criamos agora a quarta universidade, a Univesp, a Universidade Virtual do Estado de São Paulo. Hoje, quem quiser assistir uma aula do MIT, entra na internet e assiste a uma aula. Imagina-se que, em 20 anos, metade do ensino universitário do mundo seja pela internet. Então, nós criamos a quarta universidade, a Universidade Virtual do Estado de São Paulo, com ensino presencial e à distância, começa agora dentro de 30 dias. Temos uma grande rede, estamos fazendo uma expansão importante, especialmente nas engenharias. A USP, com engenharia de petróleo e gás, a Politécnica na Baixada Santista, engenharia de computação, aqui na USP-Leste, engenharia química, em Lorena, a Unicamp, também, com uma importante expansão das engenharias ambiental, física e telecomunicações, e a Unesp, com 11 novos cursos de engenharia. Então, todas elas ampliando a área das engenharias e tecnologia. Aqui, as Fatec e Etecs. A Fatec é curso de três anos, de tecnólogo. Então é um curso mais rápido de três anos e com grande empregabilidade. Empregabilidade muito alta, o tecnólogo. E o curso técnico, que nós temos a maior rede do país. Curso de um ano e meio de nível médio ou pós-médio. Aqui saúde, nós tínhamos em 1990, que é um período curto, 31 mortes por mil nascidos vivos, reduzimos pra 11,5. São Paulo junto com Santa Catarina tem o melhor índice de mortalidade infantil. Esse é o mais importante índice pela Organização Mundial de Saúde. Expectativa de vida, um aumento espetacular. Pulamos pra 74,8 anos no estado de São Paulo. Sendo que quem passa dos 30 vai pra bem mais de 80, porque sai da vulnerabilidade juvenil. Então essa é a expectativa de vida média ao nascer. Mas passou dos 30, aí vai pra bem mais de 80. E continua a curva a subir. Eu sempre defendo a tese em que 20, 30 anos, nós vamos passar dos 100 anos e as mulheres não morrerão mais. Aqui nós tínhamos em 1999, 35,2 homicídios por 100 mil habitantes. A Organização Mundial de Saúde diz que acima de 10 é epidemia, caráter epidêmico. Então nós tínhamos 35 por 100 mil habitantes. Viemos reduzindo, reduzindo, reduzindo. O Brasil tá aqui, o Brasil é 23, nós estamos aqui nos 10, tivemos uma curvinha aqui. Mas agora já verifiquei, em janeiro já caiu de novo. Então a tendência é... A redução aqui é mais lenta, mas a tendência é de uma redução ainda maior. Aqui o estado de São Paulo era no ano 2000 o quarto estado mais violento do Brasil, no ano 2000. Hoje é o vigésimo quinto estado em número de homicídios. Passamos de quatro pra 25. E a cidade de São Paulo é a de menor número de homicídios por 100 mil habitantes do país. A capital São Paulo que era a quarta passou a ser a vigésima sétima. Isso ainda com treze, porque se refere a 2010. O número ainda é mais baixo. Das grandes metrópoles do Hemisfério Sul, não do Hemisfério Norte. Mas do Hemisfério Sul, São Paulo é a que tem menor homicídio. Aqui o esforço que foi feito. Nós temos 23% da população brasileira, 23%, e 40% da população carcerária. É quase... E esse número rapidamente chegará aqui a 200 mil presos, ou seja, uma ação ininterrupta no sentido de tirar os criminosos. Aqui a lei brasileira estabelece que os estados não podem ter dívida superior a duas vezes a receita corrente líquida. Você não pode passar de duas vezes. É a lei de Responsabilidade Fiscal. O Brasil tem uma lei muito avançada, exigindo responsabilidade fiscal. Nós estávamos em 2,27; e hoje 1,44. Queda muito forte do endividamento do estado. E a tendência é reduzir mais. Estamos bem abaixo do lei. Aqui nós estamos... O governo recuperou a sua capacidade de investimento. Nós vamos investir no nosso período de quatro anos, 93,6 bilhões de investimento e temos uma expectativa de 25 bilhões de parceria público privada, de PPPs. Algumas já em andamento na área de metrô e água. E outras em licitação. Aqui mostra forte ampliação dos investimentos no estado de São Paulo. A região metropolitana é a terceira maior do mundo, a grande São Paulo. Atrás apenas de Tóquio, a grande Tóquio, e Nova Délhi, na Índia. Temos uma população maior do que a Grande Mumbai, Shangai, Nova York, Cidade do México. E precisamos investir fortemente em metrô e trem. Então, a prioridade é trilho, trilho, trem e metrô. Nós temos apenas 74 quilômetros de metrô, mas iremos pra mais de 100 quilômetros até o ano que vem. E 94 quilômetros de canteiro, teremos até o ano que vem, ou seja, nós podemos ir até 2020 a 200 quilômetros de metrô. E já temos 260 quilômetros de trem, a CPTM. O trem nós temos 260 quilômetros. Se somar trem com metrô dá 330 quilômetros. Então toda a prioridade. Nós transportamos hoje 7,5 milhões de passageiros\dia. 7,5 milhões de passageiros\dia, metrô e trem. Aqui são ampliações que nós vamos ter. Nós vamos ter todos os aeroportos ligados com trem, então essa é uma linha nova ligando com o aeroporto de Cumbica, Guarulhos. Essa é uma linha nova também ligando aqui da Linha 5 até o Jardim Aeroporto. Então aqui tá o aeroporto de Congonhas. Congonhas com monotrilho, está em obra a Linha 17. Cumbica com trem começa em 30 dias. A obra já tá licitada e contratada. Tudo isso aqui são ampliações que hoje estão ocorrendo em São Paulo, trem, metrô e EMTU. Aqui é o litoral de São Paulo e aqui São José dos Campos. Em Caraguatatuba a grande base de gás do pré-sal. Vai ser o maior terminal de gás do pré-sal. Então nós estamos duplicando, até dezembro fica pronta à duplicação da Rodovia Tamoios. E começaremos o contorno com túneis até São Sebastião para ampliar o porto de São Sebastião, que será supply-boat para a Petrobras, para o pré-sal. O pré-sal é Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio e Espírito Santo. A chamada bacia de Santos são cinco estados, mas as jazidas estão 90% São Paulo e Rio de Janeiro. Então, o litoral cresce numa proporção muito forte, crescimento da população e da economia, Baixada Santista e litoral de São Paulo. Aqui o Rodoanel, aqui está pronto, o Rodoanel Oeste, da Bandeirantes, Anhanguera, Castelo Branco, Raposo Tavares até Régis Bittencourt, esta pronto o Rodoanel Sul aqui... Imigrantes, Anchieta até Mauá. Então, interligando o sistema Anchieta/Imigrantes até o porto de Santos. Está em obra, fica pronto em março do ano que vem. Tá bem adiantada a obra. O Rodoanel Leste, de Mauá, Suzano, Mogi, Itaqua até Guarulhos. E começa em março o Rodoanel Norte, interligando Ayrton Senna, Dutra, Aeroporto de Cumbica, Fernão Dias e fecha 178 quilômetros do Rodoanel Metropolitano de São Paulo. Aí tira todo o trânsito de passagem da grande São Paulo. Liga o maior aeroporto do país que é Cumbica com o maior porto que é de Santos. Essa é a maior travessia marítima, uma das maiores do mundo entre Santos e Guarujá. Aqui tá o maior porto da América Latina, que é o porto de Santos. A margem direita e a margem esquerda. Então, essa travessia de carros pelo Ferry Boat, de pessoas por lancha, é um problemão, porque o canal tem cada vez mais navios. Então, nós vamos fazer um túnel ligando Santos até Guarujá. Já está... São das grandes obras de engenharia do país, já esta em fase de projeto executivo pra ser feita. E aqui o VLT, o Veículo Leve sobre Trilho, ligando Santos, aliás, Vicente de Carvalho que é Guarujá, Santos, São Vicente até Praia grande. O VLT já tá sendo construído já. Aqui o Porto de São Sebastião, que é um porto natural comparado a Antuérpia, na Bélgica. Porto de grande calado, por isso está aqui a Petrobras. Ela está lá por causa da grande profundidade do calado, mas não tem ferrovia. Então, ele se destina mais a supply-boat, granel líquido, granel sólido, exportação de álcool. Mas teremos uma grande ampliação no Porto de São Sebastião. Aqui os projetos de PPP. Mobilidade urbana, trem, monotrilho, VLT, sistema de arrecadação de Bilhete Único. Tudo isso com a iniciativa privada. Rodovias, estradas, ferrovia, aqui vai ser feito o Ferro Norte, Ferroanel Norte com o Ferroanel, com o Governo Federal, porto, aeroportos, tão crescendo muito. O Brasil só perdeu pra China em crescimento de movimentação dos aeroportos. O segundo país do mundo o ano passado em crescimento de aeroportos. Primeiro foi à China, o segundo o Brasil. O aeroporto de Cumbica, um aeroporto de São Paulo, fechou o ano passado com 36 milhões de passageiros. O segundo foi Congonhas com 12 milhões de passageiros. Travessias marítimas, PPP também. Água e esgoto, produção de água pra São Paulo, porque nós estamos a 700 metros de altitude, tem que buscar água muito longe. Saneamento, reservatórios, combate a enchentes. O Tietê já tá há dois anos sem problema. E nós achamos que com o aprofundamento da calha que fizemos dificilmente teremos problema. Habitação: voltar a ter habitação na aérea do centro expandido de São Paulo, ter uma PPP, esse número deve dobrar aqui de unidades habitacionais. Segurança pública, complexos prisionais. São 10.500 vagas de penitenciárias, PPP privadas, privadas, esgotamento sanitário de presídio. Depois tem energia, a área de aterros sanitários, de geração de energia, saúde, hospitais e fábrica de remédio, educação, parques tecnológicos; Centro de Exposição Imigrantes, também esse já pública semana que vem o edital. E a parte de justiça e segurança. Aqui oportunidades para a iniciativa privada. Semana passada na city de Londres foi feito uma exposição, grande interesse. O Rodoanel Norte, todas as nossas concorrências internacionais. O Rodoanel Norte economizamos 1,2 bilhão só o Rodoanel Norte; concorrência internacional. Seis lotes, três lotes consórcios brasileiros, três lotes consórcios europeus com brasileiros. Como falta obra no mundo, então nós estamos fazendo uma grande economia aí sempre concorrência internacional. Financiamento do BID, do BIRD, BNDES e recursos próprios do estado. Aqui para encerrar e quero dizer que a Ambev marcou um gol, um grande gol. Porque a abertura da Copa do Mundo vai ser em São Paulo; o encerramento, a vitória brasileira no Rio de Janeiro, no Maracanã. Mas a abertura em São Paulo. E o Estádio do Itaquerão, ele tem 48 mil lugares, mas para a abertura da copa precisa ter 65 mil. Então, essa ampliação para a abertura, a parte móvel, o setor privado está nos ajudando e a Ambev tem sido grande parceira. E queremos aqui agradecer e dizer que foi um grande gol. Porque esse é o evento maior do mundo em termos de mídia, paixão nacional e mundial. E a nossa parte nós estamos fazendo as obras aqui a região de Itaquera. A zona leste de São Paulo, só da cidade, é maior do que o Uruguai, tem 5 milhões de pessoas. Só esse pedaço da cidade, 5 milhões. Então, aqui está a Radial Leste, Radial Leste, aqui metrô. Então, o estádio terá, ele tem metrô e trem na porta. Ele tem a estação Itaquera do metrô, então nós teremos um metrô a cada 85 segundos no pico. E tem a estação de trem, é a Linha 3 do metrô e a Linha 10 da CPTM. Perdão. Linha 11 da CPTM tem estação. E um trem a cada três minutos. A gente esvazia o estádio em 45 minutos só usando o trem e metrô. As nossas obras são todas viárias, todas contratadas e dentro do cronograma. E quero aqui reiterar com o nosso agradecimento aqui a essa boa parceria. E esse grande gol que se fosse no passado poderíamos dizer que seria um Gol do Pelé. No presente, do Neymar. Muito obrigado.

VITÓRIO: Fazer uma pergunta de natureza tributária. Nós estamos com... Há um projeto do governo federal para equalizar a alíquota de transferência interestadual do ICMS. Eu gostaria que o senhor nos informasse um pouquinho como é que está o andamento disso porque a gente sabe que é um projeto de difícil execução, uma vez que mexe com os interesses dos 27 estados da federação, né? E São Paulo, naturalmente, como o líder desses estados, tem posicionamento e a gente gostaria de conhecer.

GERALDO ALCKMIN, GOVERNADOR DE SÃO PAULO: Hoje, a alíquota interestadual, ela é 7 ou 12, então depende... O sistema tributário brasileiro é extremamente complexo, e o que se deseja na reforma tributária é simplificar. Então, pra evitar a chamada guerra fiscal, a guerra entre estados, o que é que se planeja? Ir reduzindo essa alíquota, que é, se vai daqui para o Nordeste, fica 7 aqui e vai 12 pra lá. Se inverte, fica 12 lá e sete aqui. Então, é 7 a alíquota interestadual para o Sul e o sudeste brasileiro, e 12 para Centro-Oeste, Nordeste e Norte. O que se deseja é tudo ser 4%. Acabar a diferença entre a alíquota interestadual e reduzi-la para 4%. Isso tem que ter uma transição. Nós queremos uma transição mais rápida, São Paulo defende uma transição mais rápida. Outros estados querem uma transição mais longa, mas eu acredito que vai sair. Eu acho que, nesse primeiro semestre, pode ser votada esta reforma do ICMS, caminhando para uma alíquota de 4% interestadual para todos. Isso é o primeiro passo para o ICMS, que é um imposto de consumo sair da origem para o destino. Hoje você paga o imposto onde fabrica, onde produz, na origem, e a tendência é ir pra pagar no consumo, na ponta, onde consome, essa é a mudança. Alguns perdem, outros ganham. Então, quem ganha? Estados que produzem pouco e consomem mais. Quem perde? Os estados exportadores líquidos: São Paulo. Embora tenha 42 milhões de habitantes, ele exporta pro Brasil, ele é exportador líquido. Mas nós concordamos, mesmo com essa perda, tendo uma carência e o governo federal criará um fundo de compensação para quem perde. Então, o que é que nós estamos imaginando? Que aprove este ano a reforma do ICMS pra vigorar o ano que vem. E a alíquota interestadual deve caminhar pra ser única em 4%, e vai se ter um fundo pra compensar estados que possam ter perda de arrecadação.

VITÓRIO: Obrigado.

GERALDO ALCKMIN, GOVERNADOR DE SÃO PAULO: Mas essa questão de impostos, Jesus quando entrou em Jerusalém, Zaqueu, que era baixinho, subiu numa árvore, num sicômoro, pra ver Jesus passar. Jesus passou e disse: “Zaqueu, desce, convém que eu fique hoje em tua casa.”. E aquilo foi um escândalo, porque Zaqueu gozava de péssima fama, ele era coletor de impostos. Faz dois mil anos... Mas quero aqui destacar, porque uma empresa seriíssima e com absoluto compromisso legal e fiscal, essa queda de mortalidade infantil, isso aqui tudo é resultado de impostos bem aplicados. Redução da... 14 mil pessoas morriam por ano, hoje morrem 4 mil em homicídio... É resultado dos impostos bem aplicados. A educação, as universidades, é tudo resultado dos impostos bem aplicados. O que nós precisamos é ter um sistema racional.

BETO: Governador, qual é a sua visão do quadro da sucessão federal daqui a dois anos? Estamos aqui dentro de casa querendo ouvir a sua opinião.

GERALDO ALCKMIN, GOVERNADOR DE SÃO PAULO: Olha, a primeira observação que eu acho ruim é a fragmentação partidária. É muito ruim pra democracia brasileira ter 30 partidos, 30, com registro no TSE. Podem surgir agora o 31, o 32, porque a lei estimula. Então, não tem 30 ideologias. Eu diria que a primeira reforma que nós deveríamos fazer é proibir coligação proporcional, cada partido tem que eleger os seus deputados, aí reduziria pra seis ou sete partidos. Então, uma coisa que preocupa muito é essa fragmentação partidária. Quando eu fui deputado estadual no governo Montoro, a Assembleia tinha seis partidos, hoje tem 17; e lá na Câmara Federal, em Brasília, 23, e crescendo! Em relação à sucessão o ano que vem, o Brasil é igual ao modelo americano, uma reeleição. Então, nos Estados Unidos se diz que o mandato é de oito anos, podendo interromper no meio, mas não é fácil você enfrentar governo. Veja que o presidente, o Bush foi oito, o filho, o Clinton, o Obama... Aqui, Fernando Henrique, Lula... eu disputei com o Lula... Você vê como é a lei brasileira... Eu tive que renunciar o mandato de governador um ano antes, a lei me obrigou, então entreguei o governo. E disputo com o presidente na cadeira, com a caneta na mão. Então, não é fácil. Agora, eu diria o seguinte, a presidenta é uma candidatura forte, e terá candidato na oposição, até porque o Brasil não pode ter 30 legendas de aluguel e partido único do governo. Isso é uma insensatez, nós precisamos ter menos partidos e oposição, porque ela traz um equilíbrio. O Serra na última eleição, eleição difícil, mas teve 45% dos votos do país, 45%. Eu acho que nós teremos, além da presidenta, o PSDB terá candidato, temos aí bons nomes, vamos definir no fim do ano; o governador de Pernambuco, o Eduardo Campos, PSD, poderá ser; a Marina Silva, está criando partido, porque ela saiu do PV, poderá ser; aí, se tiver segundo turno, o Brasil precisa ter 50% mais um, se não tem que ter segundo turno, ter uma nova. E em seguida, na mesma data, governadores, o Senado, que renova um terço, e a Câmara Federal e Assembleias. O quadro nacional vai depender muito da economia; se a economia tiver bem, o governo leva uma grande vantagem; se a economia não tiver bem, o quadro é mais disputado.

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Um pouco nessa linha, governador, os principais desafios do governo atual, na continuação, pensando nos próximos seis anos, ou cinco anos, a gente sempre tá pensando em cinco anos pra frente, desafios pro Brasil e oportunidades Brasil e São Paulo o que seria?

GERALDO ALCKMIN, GOVERNADOR DE SÃO PAULO: Olha, eu acho que o Brasil vai bem. O Brasil é um país vocacionado pra crescer. Agora, acho que tá crescendo abaixo do potencial, poderia mais. Então, esse ano nós temos uma expectativa aí de 3%, 3,5% do PIB, mas poderia ser... Eu fui prefeito da minha cidade natal na década de 70. O Brasil cresceu 13% ao ano, o PIB, ele cresceu 10%, em média, o chamado milagre brasileiro. O Brasil cresceu, em 50 anos, de 1930 até final da década de 70, média de mais de 5% ao ano. Então, o Brasil é um país vocacionado pra crescer, e tem mercado interno também muito importante. Mas precisaria fazer a reforma tributária, o Brasil está ficando um país caro antes da hora, então reforma tributária. Reforma política, o modelo político nosso está errado, ele não vai melhorar se não fizer algumas reformas administrativa, judiciária, enfim, você tem algumas reformas estruturantes aí importantes. Eu sou otimista, eu acho que, com tudo isso, cresce. Mas poderia crescer ainda bem mais, né? Acho que nós vamos ter um bom ano na agricultura, e a agricultura irriga a economia, ela distribui bem, nós podemos ter um bom ano. E essa é a vantagem de São Paulo, que tem indústria forte e muito diversificada, agricultura forte, e serviços, né?

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: [outro idioma].

ORADORA NÃO IDENTIFICADA [Tradução]: Nós temos, então, [ininteligível] desemprego, mas com um crescimento muito rápido, muito forte, isso teria talvez um impacto, em termos da inflação? Isso seria uma preocupação para o senhor?

GERALDO ALCKMIN, GOVERNADOR DE SÃO PAULO: Olha, é uma preocupação. O Brasil tem um sistema de metas e, como tem uma memória inflacionária, nós tivemos, durante muito tempo, inflação alta, então, ele estabelece uma meta, 4,5% de inflação, ele tem uma meta, ele trabalha com meta de inflação; e uma margem de oscilação, então, dois pra cima, dois pra baixo. Nós estamos sempre ali na meta de cima, e o governo tá preocupado, tanto é que, em fevereiro, todo ano, nós corrigimos a tarifa de metrô, trem e ônibus do EMTU. O ministro da Fazenda pediu pra segurar um pouco, pra não dar um pico inflacionário no começo do ano. No caso das escolas, mensalidade escolar, material escolar, gasolina... então... Mas eu acho que a inflação não passará da meta. Pode estar ainda dentro da meta. É uma preocupação, mas ela vai ficar dentro da meta, o ideal é que ficasse nos 4,5, pode ficar, a expectativa é 5%, né, 5, 5,5? Mas há uma preocupação e um esforço pra segurar.

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Qual seria... Claro que tem crescimento, existe uma preocupação em cima de metas, a principal mudança que uma mudança de partido traria? Uma mudança, a conduta hoje, seja econômica ou de alguma outra com a volta do PSDB ao governo federal?

GERALDO ALCKMIN, GOVERNADOR DE SÃO PAULO: As diferenças entre os partidos no Brasil diminuíram, o que é uma prova de amadurecimento. Não é ruim. Isso é bom. Então, é uma prova de amadurecimento, as diferenças diminuíram, o que é muito positivo. Responsabilidade fiscal, participação do setor privado na infraestrutura... O que o governo está fazendo agora, aeroporto de Cumbica, concessão privada, aeroporto de Viracopos, Brasília, e nas demais capitais, nós fazemos há 20 anos. Na década de 90, as rodovias de São Paulo já eram concessionadas, então... Mas eu diria que as diferenças diminuíram. O que se poderia fazer a mais? Eu acho que a palavra do mundo moderno é eficiência, ou seja, o governo tem que reduzir custos, fazer reformas, qualidade do gasto público, e tornar o Brasil mais competitivo pra poder crescer. Competitividade, eficiência, e aí você tem desde reforma tributária, política, trabalhista, administrativa, melhorar a infraestrutura, um conjunto de tarefas. Participação maior da iniciativa privada, regulação... Isso pode avançar bastante.

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Muito bom. Acho que nós temos tempo pra mais uma pergunta para o governador.

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Obrigado. Dr. Geraldo, o senhor comentou a questão da eficiência, produtividade, competitividade, são bandeiras do atual governo. Mas um ponto que tem sido muito questionado e a gente tem visto um grande impacto, é o nível de intervenção do estado na economia de uma forma geral. Qual que é o seu ponto em relação a isso? Acredita que é o governo que está indo por uma linha correta, ou pensa aí alguma cosia diferente?

GERALDO ALCKMIN, GOVERNADOR DE SÃO PAULO: Não, diferente. Aliás, essa é uma marca também de São Paulo, segurança jurídica. Investimento pressupõe segurança jurídica e previsibilidade, ninguém vai fazer... vai jogar na loteria... Você tem que ter previsibilidade e tem que ter segurança jurídica. Então, o Brasil precisa se distinguir na América Latina de medidas populistas, e ser um país aí na vanguarda da eficiência, das reformas, da segurança jurídica, da previsibilidade, então, essa é uma coisa que é uma questão que preocupa. E é ruim porque desestimula investimento. Mas eu vejo que nós temos uma democracia consolidada; com algumas reformas, nós podemos ter um crescimento aí muito forte, que é a vocação do Brasil, um país continental, escala, tamanho, terra, água, sol, recursos naturais abundantes... O povo brasileiro gosta de trabalhar, é uma coisa impressionante. Ainda mais em São Paulo, isso aqui é terra do trabalho, né? É impressionante como o povo gosta de trabalhar. Eu era secretário e tinha uma mocinha que trabalhava lá na limpeza lá. Aí, um dia, eu perguntei pra ela: Como é que é a sua vida? Onde é que você mora, o que é que você faz? Aí ela contou, uma menina de uns 27, 28 anos, casada e com um filho... Falou: “Eu acordo às quatro da manhã, pego o ônibus às cinco horas, chego aqui às sete horas, no meu trabalho; trabalho o dia todo, aí tô fazendo um curso, o EJA, Escola de Jovens e Adultos, é o antigo supletivo, no meu tempo chamava de madureza, né? Quem estuda já depois de mais velho... E depois viu pra casa cuidar dos filhos, tal, e saio, e ainda faço o almoço antes de sair pra vir trabalhar”. O povo é trabalhador mesmo! Então, eu vejo com boa perspectiva aí, a gente não pode é ficar caro, né? Porque fica caro em relação ao vizinho, né? E a Europa vai sair mais competitiva, porque a crise europeia tá fazendo todo mundo apertar o cinto, reduzir gastos, ter mais eficiência, melhorar a questão fiscal, então, nós precisamos fazer aqui a lição de casa, e São Paulo é um bom exemplo. Nós não aumentamos um imposto, pelo contrário, reduzimos, e a dívida caiu, e o estado investe mais. Então, é possível fazer mais com menos, fazer melhor e prestar melhor serviço à população. Mas eu quero agradecer muito aqui o convite, e fazer um agradecimento especial ao Beto Sucupira aí que, nessa questão essencial hoje aqui, a segurança, tem também dado uma contribuição aí importante. Mas bom trabalho a todos! Muito obrigado.