Entrevista - Geraldo Alckmin - EUA 20171605

De Infogov São Paulo
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Entrevista - Geraldo Alckmin - EUA

Local: Nova York - Data:Maio 16/05/2017

GERALDO ALCKMIN, GOVERNADOR: Programa de concessões e PPPs de parcerias do estado de São Paulo. Nós já fizemos esse ano três concessões muito bem sucedidas na bolsa de Valores, na Bovespa, temos agora para julho mais duas concessões e um conjunto de editais a serem lançados que vão desde mobilidade urbana, infraestrutura, saneamento, energia até habitação. Muito interesse também sobre as reformas, especialmente a Reforma da Previdência. E eu disse que o PSDB votará favoravelmente, nós vamos ajudar a aprovar a reforma, e nós, os seis governadores vamos trabalhar as nossas bancadas, para que elas apoiem, uma reforma necessária ao país para a gente poder retomar o que interessa, que é emprego, renda e voltar ao crescimento.

ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Os investidores, eles vêm à aprovação da reforma como uma condição, uma pré-condição para investimento no país?

GERALDO ALCKMIN, GOVERNADOR: Vêm porque todo mundo sabe que o problema nosso é o desequilíbrio fiscal. Então, nós precisamos de um lado termos, em primeiro lugar, um sistema mais justo, que você tenha regras gerais, um regime geral de Previdência e de outro lado agir na questão fiscal. A outra reforma que eu tenho destacado muito é a trabalhista, é uma mudança cultural, histórica, você sai de um modelo estatutário, autárquico, para um de relações contratuais, ela é extremamente importante. Eu acho que o Brasil já retomou o crescimento, os indicadores do Banco Central, do primeiro trimestre, já mostram, todos indicam um crescimento do PIB de 1,12% sobre o último trimestre, muito pelo agronegócio, o agronegócio está fazendo a diferença. E a força desse crescimento, as reformas, elas impulsionam, elas ajudam.

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Governador, será que o senhor poderia dar alguns detalhes sobre o processo de privatização da Cesp. Em tese, [ininteligível] o senhor mais ou menos já sabe? Essa privatização ocorreria ainda este ano, ou no ano que vem?

GERALDO ALCKMIN, GOVERNADOR: Nós estamos trabalhando para que ocorra ainda este ano.

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: A privatização?

GERALDO ALCKMIN, GOVERNADOR: A privatização da Cesp. Ela tem várias usinas, a principal é Porto Primavera. Aguardamos um posicionamento do governo federal até o final deste mês, sobre a prorrogação da concessão de Porto Primavera, isso depende do governo federal, porque ele é o poder concedente. Mas todo o trabalho está super adiantado. Então, nós temos, para recapitular, em São Paulo a Cesp, que é privatização, temos a Sabesp, que é a criação da holding e das subsidiárias, temos as concessões de rodovias, temos a mobilidade urbana, com três linhas de metrô, 5, 15 e 17, e duas de trem, 8 e 90, e temos habitação com a PPP Albor, que é uma área enorme, estrategicamente do lado do Aeroporto de Guarulhos, Rodoanel e Dutra. É um grande projeto de PPP.

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Agora, o senhor está aqui nos Estados Unidos, um país que vive uma grande polarização política. O senhor acha que o seu partido também é vítima, de certa forma, dessa polarização? O PSDB que nasceu como centro-esquerda, hoje estaria rumando mais para à direita, para um polo conservador, como é que o senhor vê essa questão?

GERALDO ALCKMIN, GOVERNADOR: Não, eu vejo que o PSDB é um partido social democrata, tem responsabilidade com a justiça social. O Brasil, como diz o presidente Fernando Henrique, não é um país pobre, é um país injusto, é preciso ter essa visão de justiça social. E, de outro lado, eu diria que hoje a grande divisão ela é populismo e responsabilidade fiscal. O que levou o Brasil a esses 14 milhões de desempregados e esse desalento, você tem mais de 6 milhões pessoas que não estão procurando emprego, mas também estão desempregadas. Isso foi um enorme desequilíbrio das contas públicas, quer dizer, o governo que deve ser indutor do desenvolvimento do empreendedorismo ele é hoje um problema, porque ele suga os recursos da sociedade para poder financiar o seu déficit, que não é nem nominal, é primário, porque o governo gasta mais do arrecada sem pagar juros, só para conseguir rolar as suas contas. Então é preciso uma reforma de estado, que também não depende só da Constituição, isso é uma tarefa cotidiana, no sentido de você fazer caber o estado dentro do PIB. E muito dessas estruturas que foram criadas ao longo do tempo elas não dizem respeito à justiça social, mas são estruturas de estado muito onerosas.

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: E o senhor acha que o crescimento dessas candidaturas nos polos, candidatos de extrema direita crescendo, o PT com o discurso mais de extrema esquerda, o senhor acha que isso dificulta o andamento do país?

GERALDO ALCKMIN, GOVERNADOR: Eu acho que nós precisamos unir o Brasil, sair da caricatura dos extremos para uma agenda positiva de reformas cujo único objetivo é emprego, renda, a mãe saber que o seu filho vai ter futuro, que as empresas vão poder crescer, que é o país competitivo numa economia globalizada, o Brasil praticamente saiu das grandes cadeias globais, então, você voltar forte ao comércio exterior. Aliás, o agronegócio é uma aula de tudo isso, você tem no agronegócio... O mundo que cresce tem política fiscal dura, o governo tem que reduzir gasto. Política monetária, juros baixo, [ininteligível] a maior taxa de juros do mundo. E política cambial, moeda competitiva, você não pode deixar a moeda apreciar, você perde competitividade. Então, o mundo que cresce é a política fiscal dura, política monetária juros baixo, política cambial o câmbio desvalorizado.

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: O senhor acha indevido ocupar o...

ORADORA NÃO IDENTIFICADA: O senhor concorda com o prefeito de Santos, o Paulo Barbosa, que disse que o PSDB já tem um candidato, já tem um nome, que não tem plano B dentro do PSDB, e que o Doria devia, ajudaria muito se ele governasse bem São Paulo nos próximos quatro anos?

GERALDO ALCKMIN, GOVERNADOR: Olha, eu não li nenhum jornal de São Paulo, mas eu queria dizer o seguinte, essa é uma decisão, escolha de candidatura não é uma decisão pessoal, é uma decisão coletiva e também não deve ser feito esse ano, deve ser feito mais o ano que vem.

ORADORA NÃO IDENTIFICADA: O prefeito João Doria, ele em entrevistas, ele disse, ele defendeu prévia. O senhor acha que isso é um sinal de que ele quer disputar com o senhor, o direito de concorrer em 2018?

GERALDO ALCKMIN, GOVERNADOR: Olha, ninguém vai conseguir, eu e João Doria nos distanciarmos, nos distanciarmos... Nós estamos fazendo uma grande sinergia, unindo esforços, aliás dos três níveis de governo, mas especialmente estado e município, que estão mais perto, em benefício da população. As pessoas não estão acostumadas, no Brasil, de você ter no mesmo partido várias lideranças, isso é normal. Aliás, no futuro, nós precisamos ter democracia interna, e eu concordo plenamente com a questão das prévias, porque o Brasil não pode continuar tendo 35 partidos. A hora que tiver quatro ou cinco, como que você faz para escolher? Prévia não divide, prévia escolha, então... Por isso que eu sempre defendi, não para mim, eu sempre defendi como um princípio. Quando você ouve mais, você erra menos, quando você amplia a participação, você envolve mais o partido e tem mais legitimidade.

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: O senhor acha indevida à comparação do Doria com o Trump?

GERALDO ALCKMIN, GOVERNADOR: Totalmente indevida, imagina.

ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Então o senhor acha que é intriga de quem acha que a criatura está se voltando contra o criador, está apontando para uma disputa interna?


GERALDO ALCKMIN, GOVERNADOR: O João é um bom companheiro e hoje vai ser homenageado, é a noiva ainda por cima.