PANDEMIA - A cada 3 dias, 38 novas cidades de SP registram casos de coronavírus 20200705

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PANDEMIA - Coletiva - A cada 3 dias, 38 novas cidades de SP registram casos de coronavírus

Local: Capital - Data: Maio 07/05/2020

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JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DE SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito obrigado pela presença de vocês. Estamos aqui mais uma vez, para fazer a coletiva junto com o centro de contingência. Temos aqui presente à minha direita o doutor Dimas Covas, temos ali à esquerda, o doutor Geraldo Reple, que são membros do centro de contingência. Aqui está o secretário de De senvolvimento Regional, doutor Vinholi, grande Vinholi. Ali tem o Paulo Menezes, que é do CDC, e também membro do centro de contingência. Eu queria iniciar aqui com vocês, colocar os números de hoje, por favor. Então nós estamos no estado de São Paulo com 39.900 casos, e 3.200 óbitos. O Brasil apresenta 125 mil casos, com 8.536 óbitos. No caso de São Paulo os novos casos foram 2.075, que dá aí aproximadamente uns 7%, um pouquinho menos. E o número de óbitos, 3.206, sendo novos óbitos, 161, que deve ser aproximadamente 5% dos óbitos totais do estado. Em termos de taxas de ocupação, a UTI no estado está com 66,9%, e na grande São Paulo, 89,6%, subiu um pouco em relação aos dados de ontem, que era 86,7%. Temos internado em regime de terapia intensiva 3.767 pacientes, e enfermaria, 5.919 pacientes. Esses pacientes s&atilde ;o pacientes confirmados e suspeitos, tanto os suspeitos quanto os confirmados estão nesta conta aqui dos pacientes confirmados, o que passou então a elevar a taxa de ocupação para 89%. Chegamos a praticamente 9 mil pacientes internados. A taxa de isolamento no estado, nós estamos com 47%, e na questão das testagens estamos em dia, não existe uma fila para testes, e a média do estado aqui, 47% para o teste de isolamento, a mesma coisa com relação ao estado de São Paulo, e à capital, grande capital. No hospital do Ibirapuera nós temos hoje 97 pacientes internados, dá um pouco menos aí de 50%. Eu vou pedir ao doutor Dimas Covas que faça uma pequena explanação a respeito aí dos nossos cenários.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTATÃ: Boa tarde. Apresentação, por favor. Bem, a minha apresentação é um pouco até pedagógica, nós estamos aí na véspera de anúncio de medidas importantes, e acho que é importante que o centro de contingência faça uma contextualização. Existe de apositivo aqui, ele demonstra uma situação que é muito importante que vocês compreendam, a epidemia ela tem o que nós chamamos de taxa de reprodução, traduzindo isso em termos be m fáceis de entender, ou taxa de contágio. Quer dizer, é um número de pessoas que um indivíduo infectado está passando, está transmitindo, produzindo infecções secundárias. Então quando nós olhamos nesse gráfico nós vamos ver o que nós chamamos de R0, que é essa taxa de contágio no início da epidemia, portanto quanto não existia nenhuma medida de afastamento social em vigor, ela era de 2,9%, isso significa que um indivíduo infectado estava em média infectando três outros indivíduos. E aí tem três cenários que nós temos sempre apresentado aqui, que são os cenários em que o centro de contingência trabalha, um cenário sem ambas medidas, que é esse 30%, que é a mobilidade normal da população. Um cenário de 55%, que é o cen&aacu te;rio de isolamento que vinha sendo mantido aí até dez dias atrás. E um cenário, que é o cenário ideal, que nós consideramos de 70%. E o efeito que esses cenários produzem então nessa taxa de contágio, nesse número de reprodução da epidemia. Então veja, se fosse sem nenhuma medida nós estaríamos em dois, e isso levaria à uma subida muito acentuada da curva. Cinquenta e cinco por cento, quer dizer, nós não estamos em 55%, nós estamos hoje em 47%, ele diminuiria essa taxa de contágio em 55%, mas ele produziria lá na frente uma situação de curva mais aceitável do ponto de vista da saúde pública. Mas a epidemia continuaria ainda crescendo, como ela está crescendo atualmente. Quer dizer, nós estamos exatamente, esses pontos em vermelho são os números reais, os n&uac ute;meros observados, e o azul é a curva projetada. Então nós estamos nessa fase, nós estamos subindo. E uma taxa de 70% ela reduziria a taxa de transmissão para menos de 1%. Quer dizer, quando isso acontece a epidemia para de crescer, ela para de aumentar, ela se estabiliza, quer dizer, ela vai manter estabilizada até que lá na frente ela tende a desaparecer, à medida que o número de pessoas infectadas vai aumentando. Então são esses três cenários que são importantes, importante que nós estamos hoje no cenário do meio, e que nós gostaríamos como meta, atingir o cenário de 70%. Estamos longe desse cenário, estamos longe desse cenário. O mesmo cenário agora traduzido em medidas que o governo pode tomar, estão ao seu dispor, algumas inclusive já foram tomadas, e o reflexo dessas medidas nessa taxa de infec&ccedil ;ão, nessa taxa de contágio. Então se vocês perceberem, o distanciamento social ele dá em torno de 25% de redução, o auto isolamento um pouquinho menos, o fechamento de escola vai lá para quase 50%, a abolição de eventos públicos em torno de 25%, e tudo isso é somatório. E a medida mais agressiva seria o que nós chamamos de mitigação intensa, que aí é o que muita gente usa o termo em inglês, lockdown, que ele produziria mais de 75% de redução na taxa de transmissão. Então essas são as medidas possíveis de serem tomadas, e o reflexo dessas medidas nessa taxa de reprodução da infecção. Esse outro quadro ele mostra como é que a curva tem evoluído aqui no estado de São Paulo. Então veja, no dia 17/3 nós tínhamos lá 164 casos, princip almente ali na região metropolitana de São Paulo, veja lá, no gráfico de baixo, óbitos, um óbito só, nessa data. E aí, agora, nós temos, no dia 30/04, né, 28.698, hoje já os números são diferentes, né, e o número de óbitos, 2.373, e olhando lá que ele já, né, espalhou pra, praticamente, todas as regiões, né, do estado. Próximo. Quer dizer, veja lá, a evolução em termos de abrangência, né, a cada três dias, sete novas cidades, em março a abril 25 novas cidades a cada três dias, maio 38 a cada três dias, a 50 vezes, eram dez cidades, atualmente são 371 cidades, tá? Então, veja, olha a progressão, né, dessa epidemia, quando você olha o conjunto do estado , quer dizer, não existe nenhuma região protegida, né, neste momento, a onda epidêmica está se distribuindo por todos os municípios do estado. Aí nós vemos, então, a evolução da quantidade de municípios, né, afetados, que é exatamente o resumo do que eu mostrei anteriormente, mostrando que essa curva está subindo e chega lá em maio, ela começa a subir mais, né, mais agudamente, mais inclinação, né, uma inclinação maior, o outro, próximo, é isso, então, a mensagem, quer dizer, nós não estamos numa situação que seja, dentro dessas projeções, quer dizer, nós estamos com índice de isolamento menor do que os 55% que eu apresentei, portanto, hoje, 47%, e que esse índice de isolamento não vai nos levar, né, numa situaç&at ilde;o ideal do ponto de vista de controle da epidemia.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DA SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: O Marco Vinholi, enquanto secretário de desenvolvimento regional, ele tem acompanhado todo nosso trabalho, e também junto aos prefeitos e secretários de saúde dos municípios juntamente com o trabalho do COSEMS, que é presidido pelo Dr. Geraldo Reple. Eu vou pedir pro Marco Vinholi fazer seus comentários a respeito do que foi apresentado, e como que ele tá sentindo que esta situação, com relação ao aumento do número de casos no interior.

MARCO VINHOLI, SECRETÁRIO DO DESENVOLVIMENTO REGIONAL DO ESTADO DE SÃO PAULO: Bem, muito boa tarde a todos, ontem nós tivemos o pico histórico aqui em São Paulo, 3.800 casos, o outro pico histórico anterior foi no último dia 30 de abril, com 2.540 casos. Então, isso demonstrou um crescimento de quase 50% do pico anterior a esse pico de agora, com uma característica diferente, se hoje nós temos um número de casos no interior do estado aproximadamente 16% no interior, o restante na região metropolitana de São Paulo, nos números de ontem a gente já conseguiu identificar 32% dos casos no interior, e o restante na região metropolitana de São Paulo, com isso é possível a gente concluir que o crescimento, no interior do Estado de São Paulo tem se dado de forma muito acelerada ao longo do último período recente, né, em maio, como o Dr. Dimas Covas colocou, de forma mais aguda e mais acelerada, e ao longo dos últimos 15 dias isso se deu de forma muito forte. É possível informar que o isolamento social, que iniciou no dia 24 de março, aqui em São Paulo, conseguiu salvar vidas, a gente consegue fazer uma relação do número de casos e de óbitos que eram, naquela oportunidade, referente ao número de casos no Brasil, cerca de 68% dos óbitos do país, e agora menos de 35, e também um número superior a 60 naquele período, e agora inferior a 32%, ma s, nesse momento que a gente passa, com essa grande aceleração no país, como um todo, São Paulo cresce ainda na região metropolitana de São Paulo, mas cresce quatro vezes mais proporcionalmente do interior do estado. Além disso, nós conseguimos também verificar o crescimento em mais municípios do Estado de São Paulo de forma mais aguda, em março sete municípios a cada três dias, em abril esse número avançou, mas agora, no final de abril, e no início de maio, a gente chega ao patamar de 38 cidades a cada três dias, o que, se seguir por esse caminho ao longo do mês de maio, significa todos os municípios do Estado de São Paulo terem o contágio do vírus até o final de maio, e nós estamos verificando uma aceleração nesse processo, ao mesmo tempo que as taxas de isolamento caíram no interior do estado, de 52% pra 47, em média, ao longo desses últimos 15 dias. Portanto, a gente consegue verificar esse grande impacto de aceleração no interior do estado, ao mesmo tempo que as taxas de isolamento caíram durante esse período, momento de atenção pra todo interior do Estado de São Paulo.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DA SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Por isso que nós trouxemos aqui o Vinholi, como secretário estadual de desenvolvimento regional, que tem esse relacionamento com os prefeitos e toda a estrutura administrativa do estado, divido por regiões, as regiões administrativas do estado, que se juntam às regionais de saúde do estado e, nesse sentido, precisamos, então, ficar alertas de como anda o crescimento a respeito da epidemia no interior do estado. É uma situação que, como vocês podem perceb er, ela está num patamar mais agressivo do que estava antes. Ou seja, a situação está mais, ela piorou um pouco em relação aos números, como mostrado aqui, e as consequências com relação ao interior, mostrado pelo Vinholi e também pelo Dimas Covas. Eu gostaria aqui, o Geraldo Reple, ele é presidente do Conselho de Secretários Municipais de Saúde do Estado de São Paulo, o COSEMS, e integrante do centro também de contingência, e secretário municipal de São Bernardo do Campo. Por favor, Geraldo.

GERALDO REPLE, PRESIDENTE DO COSEMS DE SÃO PAULO: Bom, bom dia, primeiro é importante, eu acho, que nós analisarmos, como o Vinholi falou e o Dr. Dimas, a doença está indo pro interior, indo com muita força, apesar de que todos os municípios, com certeza, fizeram seu plano de contingenciamento para o combate ao coronavírus, mas que nós sabemos, muitos municípios não estão preparados e um dado muito importante que o secretário anunciou, eu volto a insistir, é a taxa de ocupação hospitalar. Nós estamos vend o, na grande São Paulo, 90%, eu vou citar um exemplo que aconteceu na minha cidade, nós inauguramos um hospital a semana passada, de 100 leitos, com 19 leitos de UTI, há quatro dias, hoje eu já tenho 13 pacientes nesses leitos. E eu tenho um outro serviço com 40 leitos de UTI, os 100% ocupados. Isso é um dado bastante preocupante, eu volto a insistir. E tem outro dado preocupante, que nós analisamos essa semana, o nosso número de internações e o número de altas, com todos os leitos que estão sendo feitos no Estado de São Paulo, nós tivemos, no dia de ontem, mil internações, tivemos 600 altas, essa relação internação/alta, ela deveria ser muito próxima, porque senão, em breve, se esse número continuar desta forma, ou crescendo, pelo que parece que vai acontecer pela tendência, nós vamos estar numa fase ex tremamente complicada. Então, com todo esforço que está sendo feito, nós, agora, semana que vem, em São Bernardo, ainda inauguraremos mais um hospital com 250 leitos, com 80 leitos de UTI, e não são hospitais de campanha, são hospitais normais, que estavam em obras, e eles teriam outra finalidade, e nós vamos transformá-lo apenas em hospital Covid. Aí a importância das ações de mitigação que nós temos feito, a importância do ficar em casa, a importância de usar a máscara, e eu sempre insisto, quando eu uso a máscara, eu te protejo e você me protege, nós estamos vendo a doença, apesar de algumas críticas ou não, ela está caminhando para o interior, em breve, como já foi dito, até o final do mês, provavelmente, os 645 municípios de São Paulo terão casos e com certeza óbitos, e nós sabemos, muitos municípios desse estado não tem um leito de UTI, muitos municípios desse estado, provavelmente, nem leitos até de estabilização. Então, é muito importante essas ações que estão sendo feitas.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DA SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito obrigado, Geraldo. Enfatizando a mensagem do presidente do conselho estadual dos secretários municipais de saúde, que é o fique em casa, ou salve-se em casa, e o uso de máscaras, né? É muito importante essas duas atitudes de cada um de nós para que a gente possa um proteger o outro com a máscara. A minha máscara te protege, a sua máscara me protege. E o isolamento no sentido de que a gente fique em casa, salve-se em casa e principalmente pras pessoas aci ma de 60 anos que nós temos que ter um cuidado especial. São 12h54, vamos abrir para as perguntas. A primeira presencial, Maria Manso da TV Cultura. Obrigado, Maria Manso.

MARIA MANSO, REPÓRTER: Boa tarde a todos. Eu queria saber sobre os capacetes que estão sendo desenvolvidos aqui em São Paulo e que podem substituir os respiradores e, consequentemente, ampliar o número de leitos de UTI. Eles realmente começam a ser testados amanhã no Hospital das Clínicas? Quantos são? Como vão funcionar? O que vocês puderem liberar de informações pra gente. obrigada.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DA SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Ok. Dimas Covas, por favor.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: Veja, nós temos dois tipos de respiradores, são os respiradores chamados invasivos e os não invasivos. Quer dizer, os não invasivos eles colocam oxigênio pra dentro por pressão. E os capacetes são... é um tipo de respirador não invasivo. Então ele é uma alternativa para os casos que não são graves, que precisam da intubação, mas que precisam do suporte de oxigênio, né? Então eles ajudam muito, né, e isso foi usado intensamente em outros, em outras regiões durante essa epidemia e aqui no estado de São Paulo a Secretaria está tomando providências pra incorporar, né, esse tipo de respirador.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DA SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito obrigado, Maria Mansa. O próximo seria presencial também, presencial também, Vitor Moraes da Jovem Pan. Por favor.

VITOR MORAES, REPÓRTER: Boa tarde, secretário. Boa tarde a todos. Eu queria saber, secretário, se o Governo do Estado tem um estudo, um modelo de estudo pra saber exatamente quando que vai ser o pico da doença aqui no estado de São Paulo e se esse modelo pode ser compartilhado com a população e com outros especialistas.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DA SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Ok. Eu vou dividir a resposta aqui com o Dr. Dimas. Esta... esta é uma pergunta muito difícil por responder exatamente em números. Nós trabalhamos cenários e não números. Então da mesma forma que ele colocou aqui os cenários que nós temos de acordo com a taxa de isolamento das pessoas. Dimas, por favor.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: Dá pra compreender muito naquele gráfico que eu mostrei. Quer dizer, dependendo do nível de isolamento, né, você vai ter um pico, né, mais alto e mais curto, e se você for mais efetivo você vai ter um pico menos alto e mais longo, tá certo? Então não dá pra você dizer exatamente: vai ser no dia tal, né? Quer dizer, as projeções nesse momento é que se essas medidas continuarem ela será um pouco antes, né, provavelmente a partir da segunda semana de m aio, terceira semana de maio. Se as medidas forem melhoradas, se a adesão for melhor ele vai se estender um pouco mais, né, esse chamado pico, porque na realidade não seria um pico, seria uma montanha, né, mas isso com a vantagem de que o sistema de saúde poderá absorver os casos gerados, né? Então essa é a grande situação, quer dizer, nós não queremos ter picos porque pico significa o seguinte, uma geração grande de número de casos e a capacidade do sistema de saúde sempre é fixa, ela não aumenta de acordo com o número de casos. Então nós queremos que a epidemia, que o número de casos gerados seja suficiente pra ter atendimento no sistema de saúde. Então quanto mais suave essa curva e, portanto, quanto mais distante essa elevação é melhor pro sistema de saúde.< /span>

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DA SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito obrigado, Dimas. Muito obrigado, Vitor. Próximo é on-line, Rafael Viana da Rede Vanguarda de São José dos Campos. O Flávio vai fazer a leitura.

FLÁVIO: Gostaria de abordar a evolução dos casos no interior do estado. Aqui no Vale do Paraíba o aumento no número de casos em um mês foi de 500% e o de mortos, 350%. Como o Estado vê essa evolução e qual é a projeção para as próximas semanas?

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DA SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Vinholi, por favor.

MARCO VINHOLI, SECRETÁRIO DE DESENVOLVIMENTO REGIONAL DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito bem. Esses números têm sido crescentes em todo o estado de São Paulo, todas as regiões do estado de São Paulo cresceram, e as regiões mais próximas aqui da região metropolitana cresceram também de forma importante. É fundamental dizer que as taxas de isolamento do Vale do Paraíba precisam ser crescentes ao longo desse período que nós passamos, as regiões dentro do Vale do Paraíba mais distantes de São Paulo, vale his tórico e litoral norte têm taxas um pouco melhores do Vale do Paraíba mais próximo aqui de São Paulo, e nós precisamos avançar com esse isolamento. Mas os números nos indicam um crescimento exponencial em torno disso, você já citou quais foram os índices do Vale do Paraíba até agora e é uma região em alerta por tudo o que representa a proximidade do epicentro, o crescimento que teve nesse período e a queda nas taxas de isolamento.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DA SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Só pra complementar, o nosso trabalho é aumentar o número de leitos cada vez mais. Então, inclusive na questão do Vale acabamos de abrir os leitos do hospital de Caraguatatuba que dedicados exclusivamente ao Covid e que podem atuar, oferecer recursos para o Vale. Além disso, tem em São José dos Campos também que vocês já acompanham. Muito obrigado pela pergunta. Agora vamos para uma presencial, Roberta Russo, da CNN. Obrigado, Roberta.

ROBERTA RUSSO, REPÓRTER: Olá, secretário. Boa tarde a todos. Ontem o Dr. David Uip falou sobre pacientes de outras regiões do país que têm vindo a São Paulo pra fazer o tratamento da Covid-19 por aqui. Queria saber se o secretário tem mais detalhes, se o secretário tem números de pacientes chegando por aqui, se há já algum indicativo de que será pedido ajuda federal? E ainda sobre os leitos de UTI, aproveitando, queria perguntar também sobre a questão da fila única, da possibilidade de transferência de paci entes que estejam, que ficarem na fila dos hospitais públicos para os hospitais privados. Já há algum tipo de negociação confirmada em relação a isso? Obrigada.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DA SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: É o seguinte, com relação ao que você colocou a respeito da segunda parte da sua pergunta, nós devemos... já foi pra publicação para hoje ou para amanhã, um chamamento no sentido que nos dê a possibilidade de negociações inclusive com a rede privada. É um chamamento público e ele coloca as condições que a secretaria oferece aos hospitais e existe uma sequência que a gente tem que obedecer por questões legais que seja pelos filantrópicos em primeiro lugar e depois a rede privada. Tô excluindo obviamente a questão dos hospitais próprios, né? Mas a rede privada tem que ser obrigatoriamente por lei uma negociação depois de esgotada as possibilidades com hospitais filantrópicos. Então a rede privada filantrópica e rede privada lucrativa. Nós já abrimos esse chamamento e como eu disse a vocês a semana passada isso seria uma ação que a gente deveria tomar em breve, foi feito, deve publicar entre amanhã ou depois. Já foi pra publicação. Quanto à questão da vinda de pacientes de outros estados que eu comentei com vocês também, ela relativamente acontece dentro de uma certa frequência, vamos dizer assim. Nós frequentemente recebemos pacientes de outros estados. Com relação ao Covid nós não te mos ainda a necessidade ou os dados relativos à entrada de pacientes pelas fronteiras do estado, não houve isso. O que o Dr. David comentou ontem foi com relação a pacientes que vêm de estados longínquos que são justamente... e não fronteiriços, justamente ele citou o Amazonas, ele citou o Pará e o Maranhão, que são infelizmente locais que estão com o seu sistema de saúde totalmente ineficiente já no ponto de 100% de ocupação e que as famílias que podem acabam vindo para os hospitais privados do estado de São Paulo. Isso já também acontece normalmente, isso não é um fato novo, mas agora na questão do Covid é isso que nós observamos. O Geraldo quer fazer um comentário.

GERALDO REPLE, PRESIDENTE DO COSEMS DE SÃO PAULO: Até complementando um pouco a sua pergunta, quanto a rede privada, alguns municípios até já estão fazendo um convênio, um chamamento, como o secretário colocou. E, além disso, normalmente o que se faz na regulação, você esgota primeiro os leitos públicos, com todas as possibilidades, inclusive com os novos leitos que estão por vir, aí sim, você pode, através de convênios ou até, como nós, hoje, estamos num... declaração de ca lamidade pública, você pode requisitar leitos, também, da rede privada. Então, você pode fazer essas duas coisas, tanto o chamamento, como é o que a maioria das prefeituras têm feito e, em último caso, eventualmente, podemos até fazer a requisição. E aí, você praticamente obrigaria a rede privada a ceder leitos para a rede pública ou conforme houver a necessidade.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO ESTADUAL DA SAÚDE DE SÃO PAULO: A próxima pergunta o Flávio também vai fazer a leitura, é de Cristiano Alves, Rádio Municipalista de Botucatu.

CRISTIANO ALVES, JORNALISTA DA RÁDIO MUNICIPALISTA DE BOTUCATU: Com relação aos pacientes que receberam alta, qual é o tempo que ele ainda deve ficar em isolamento? O exame é repetido? Qual é a orientação dos médicos após a alta?

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO ESTADUAL DA SAÚDE DE SÃO PAULO: Eu vou pedir para o Geraldo fazer, por favor, ESSA RESPOSTA.

GERALDO REPLE, COORDENADOR DOS SERVIÇOS DE SAÚDE DA SECRETARIA DE SAÚDE DE SÃO PAULO: É, na recomendação é a mesma, então, o que nós esperamos do início dos sintomas ou do diagnóstico até 14 dias, ele recebe alta, ele faz a sequência do tratamento, se for na rede privada, ele continua na rede privada. Na rede pública a orientação, existe uma coisa que nós chamamos de alta compartilhada. Se ele sai de um hospital e ele é... ele mora numa determinada região, na UBS, aquela UBS é a visada, os médicos daquela Unidade Básica de Saúde são avisados, os agentes comunitários são avisados e aí, você faz todo uma rede de acompanhamento desse paciente. A maioria dos municípios também já se estruturou nesse sentido, hora que você tem um caso positivo, você acompanha esse paciente, ou por telefone, ou eventualmente uma visita presencial e você vai acompanhando. Então, a sequência é essa. Após receber a alta a unidade básica ou a que ele está ligado, é comunicada e essa sequência é feita por essa Unidade Básica de Saúde.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO ESTADUAL DA SAÚDE DE SÃO PAULO: Ok. Agora, muito obrigado, Cristiano, por ter enviado a pergunta. Agora, uma pergunta presencial, Carolina da Rede TV. Muito obrigado.

CAROLINA, JORNALISTA DA REDE TV: Boa tarde secretário e a todos. Em outras coletivas vocês falaram sobre a possibilidade de enviar alguns pacientes graves para hospitais do interior. Agora, com esse avanço da Covid pelo interior isso vai acontecer ou não e se já está acontecendo? Gostaria de saber se vocês já têm números de quem foi enviado e também, qual tem sido o critério para deslocar essas pessoas daqui para lá? São só os novos pacientes graves ou... como é que é feita essa triagem? Obrigada.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO ESTADUAL DA SAÚDE DE SÃO PAULO: É o seguinte, Carolina, no mês de abril nós enviamos para o interior 15 pacientes para diversas cidades. Isso quem faz e faz isso com uma certa frequência é o Cross, que é o Centro de Regulação dos Serviços de Saúde. Ele procura vagas e faz uma adequação entre a necessidade do paciente e qual a oferta de vagas que possa existir na Grande São Paulo ou perto da Grande São Paulo. De fato, como você colocou, existe agora um aumento d o número de pacientes para o interior. Então, por isso que nós já lançamos, inclusive, o chamamento para a rede privada e novos leitos que estamos colocando, como falou o Dr. Geraldo Reple. Então, a gente busca um equilíbrio dentro esses sistemas de vasos comunicantes, entre oferta de leitos e necessidade dos pacientes, e isto é regulado pelo Cross. [Ininteligível], por favor.

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Só para que fique muito clara essa questão fundamental, nós utilizamos o Cross que é o sistema de regulação que sempre foi utilizado no estado de São Paulo. Este sistema faz um combate estadual ao Coronavírus, né? Toda a população de todos os municípios do estado de São Paulo tem a mesma importância e o modelo, que é regulado e sempre foi dessa forma, segue fazendo. Portanto, o Cross busca aquele leito mais próximo para o paciente encontrar e ter acesso a UTI disponível. Seg ue o modelo que sempre foi feito, o modelo que cuida de todos os habitantes do estado de São Paulo de forma indiscriminada.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO ESTADUAL DA SAÚDE DE SÃO PAULO: Como última pergunta o Guilherme Balza da TV Globo.

GUILHERME BALZA, JORNALISTA DA TV GLOBO: boa tarde a todos. A gente teve acesso a esse estudo, aos dados desse estudo, as projeções de morte, de lotação de UTI e no único cenário dos três que foram trabalhados em que não há saturação dos leitos de UTI é com 70% de isolamento. O que é que pode ser feito para chegar a esse percentual? Só com o lockdown? Tem algum outro tipo de medida para chegar nesse percentual? E qual que é a capacidade de ampliação de leitos de UTI? Qual que é o cálculo que vocês têm de leito de UTI, que vocês vão conseguir aumentar nas próximas semanas?

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO ESTADUAL DA SAÚDE DE SÃO PAULO: Veja bem, Guilherme e todos, como eu disse, o nosso trabalho é ir aumentando cada vez mais o número de leitos. Nós temos ainda leitos para colocar dentro do sistema, em função da questão do respirador, que eu já comentei com vocês e faremos dessa maneira, sempre procurando atingir numa porcentagem de ocupação menor, conforme os recursos são alocados. O 30%, acho que o Dimas pode, inclusive, colaborar aqui nessa resposta, a situação de leitos está colocada dessa maneira que está aí, se não formos acrescer um número mais substancial de leitos. Aí, de fato, acontece isso que você colocou. Mas isso, como eu disse, é um equilíbrio que a gente sempre vai fazendo, de mais leitos, mais leitos, cada vez que a gente denota uma necessidade deste tipo.

DIMAS COVAS, DIRETOR DO INSTITUTO BUTANTAN: Bem, essa é uma pergunta importante, quer dizer, o número de leitos é a variável mais importante do enfrentamento da epidemia. Quer dizer, o sistema de saúde, ele precisa colocar os leitos em funcionamento e esses que já estão sendo colocados e os que serão colocados ainda, mas nós chegaremos num número que não vai crescer infinitamente. Então, nós temos que olhar sempre para a curva de crescimento e aí vem essa questão do isolamento, porque é ela que vai balizar essa capacidade em termos de paciente. Quer dizer, se a curva sobe muito, gera muito paciente e sobrecarrega o sistema. E isso aí, você pode até ter o dobro de leitos, se você abre, se você permite a circulação do vírus, vai ocorrer um pico de casos, né? E aí, sobrecarrega exatamente o sistema. Então, é esse o jogo, tá certo? Quer dizer, é você jogar com as taxas de isolamento e você precisa ter melhor do que tem hoje, mesmo considerando os leitos que vão entrar, para daqui 30, 60 dias, nós não suplantarmos essa capacidade, não é?

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: [pronunciamento fora do microfone]

DIMAS COVAS, DIRETOR DO INSTITUTO BUTANTAN: Desculpa.

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: [pronunciamento fora do microfone]

DIMAS COVAS, DIRETOR DO INSTITUTO BUTANTAN: Veja, a projeção mínima seria 55% que era a taxa que estava prevista e que já foi atingida, inclusive, no começo das medidas. Ela chegou a 56, 57%. Quer dizer, caiu muito, hoje ela está numa situação, naquela curva que eu apresentei, já tendendo a aumentar e rapidamente, esse aumento.

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Só para adicionar aqui à resposta, o estado de São Paulo trabalha diariamente para a construção de novos leitos, se hoje a gente tem aquela taxa de 67% no interior e 87 na capital, é porque, diariamente, novos leitos estão sendo agregados a isso, sempre considerando o pior cenário e trabalhando para superar ele. É fundamental dizer que flexibilização ou endurecimento de medidas aqui em São Paulo, se usou o termo lockdown, mas a gente pode falar de forma mais técnica em flexibilização ou endurecimento, é definido, aqui, pela ciência. E diariamente tem sido avaliado os números de crescimento e medidas compatíveis a esse momento que São Paulo passa. É por isso que até agora a gente conseguiu seguir com o sistema de saúde sem colapso e diariamente nós vamos analisando os dados e a equipe de saúde define de que forma se dá o processo de isolamento social.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO ESTADUAL DA SAÚDE DE SÃO PAULO: Nós terminamos as perguntas. Pois não.

FABIO DIAMANTE, JORNALISTA DO SBT: [pronunciamento fora do microfone]

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO ESTADUAL DA SAÚDE DE SÃO PAULO: Tem que pagar uma multa. Tá, ok.

FABIO DIAMANTE, JORNALISTA DO SBT: Pode ser depois. Obrigado secretário. Fábio Diamante do SBT. Os números que os senhores mostraram nos deixam clara a certeza de que o isolamento, hoje, ele é insuficiente. Ninguém aqui está querendo criar uma 'saia justa' porque essa é uma decisão do governador, a gente sabe. A pergunta que eu queria fazer para os senhores é, os senhores, como a área da saúde, estão convencidos de que São Paulo precisa de uma rigidez maior para que essa taxa de isolamento suba? Vou repetir, porque eu n&atil de;o quero adiantar a decisão do governador, sem 'sais justa', mas isso fica claro, acho que isso precisa ser dito de maneira mais clara para a população.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO ESTADUAL DA SAÚDE DE SÃO PAULO: Então, amanhã temos uma coletiva que vai tratar exatamente desse assunto. Então, amanhã nós tratamos disso, tá bom? Geraldo.

GERALDO REPLE, COORDENADOR DOS SERVIÇOS DE SAÚDE DA SECRETARIA DE SAÚDE DE SÃO PAULO: Não, eu quero aproveitar a coletiva e eu quero fazer um apelo e eu quero fazer um agradecimento especial a todos os profissionais de saúde e hoje eu estou extremamente chateado, nós perdemos um funcionário em São Bernardo do Campo com 37 anos de idade de Covid-19, deixa esposa e dois filhos. Então, eu insisto, mais uma vez, nós precisamos nos cuidar, nós precisamos cuidar da nossa população. E a hora que eu falo nós, eu incluo todo mu ndo, não só os profissionais de saúde, todos são responsáveis por isso. Fiquem em casa. Porque a pior coisa do mundo é você ter que dar uma notícia dessa, de um rapaz tão jovem e ele perder a vida por uma doença dessa que nós, como cientistas, estamos, eu com quase 40 anos de formado, é uma doença que cada dia é uma coisa diferente, cada ela se mostra de uma forma diferente. Não tem outra saída, a única saída é nós nos prevenirmos, prevenirmos ficando em casa, prevenirmos usando as máscaras. Então, eu faço esse apelo e um agradecimento especial aos profissionais de saúde em toda a rede, não é só... a gente fala profissional de saúde só médico. Não é médico, é o faxineiro, é o cara da manutenção, é o guarda da porta , todas essas pessoas. Então, um agradecimento especial, que são verdadeiros guerreiros que estão aí para nos defender. Um bom dia.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO ESTADUAL DA SAÚDE DE SÃO PAULO: Obrigado Geraldo, acho que o Dimas quer falar também.

DIMAS COVAS, DIRETOR DO INSTITUTO BUTANTAN: É só um esclarecimento para quem nos assiste, que nós chegamos aqui para a coletiva, estávamos usando máscara, tiramos a máscara apenas para fazer a intervenção e vamos colocar a máscara de novo. É importante, vamos também usar a máscara, todos.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO ESTADUAL DA SAÚDE DE SÃO PAULO: Muito bom. Alguma... Alguém quer fazer algum comentário? Então, eu queria agradecer a presença de todos aqui. Desculpa ter frustrado a sua pergunta, mas isso é um assunto que vai ser tocado amanhã, e embora estejamos sempre trabalhando com cenários e muito alertas no sentido de que providências temos que tomar a cada dia. Isso é uma atuação muito dinâmica, a cada dia temos que ter novos recursos para poder enfrentar uma epidemia dessa natureza que, como disse o Geraldo, tem um ser ali que é muito... ele muda com muita facilidade as suas... a forma como ele se apresenta enquanto uma doença. Muito obrigado a todos e até amanhã.