PANDEMIA - Capital registra primeiro óbito relacionado à Covid-19 20201703

De Infogov São Paulo
Ir para navegação Ir para pesquisar

PANDEMIA - Capital registra primeiro óbito relacionado à Covid-19

Local: Capital - Data: Março 17/03/2020

Soundcloud

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Boa tarde. Muito obrigado aí por comparecerem, acho que a gente tem demandado muito vocês, mas nós precisamos que isso aconteça dessa forma, é importante que a gente tenha possibilidade de passar informações pra população sempre que necessário, e acho que nós estamos fazendo uma coletiva por dia, frente a situação que nós estamos vivendo. É bom que seja assim, conforme já falei, e acho que cada vez mais, cada vez mais a gente conse gue apurar o comportamento do vírus, como ele trabalha, como ele tem se comportado e como que nós podemos enfrenta-lo. Acabamos de sair de uma reunião, no centro de contingência, onde estamos discutindo questões técnicas a respeito do enfrentamento do vírus. Foi um... É muito importante que a gente se baseie nestas possibilidades de atuação técnica para atuar com o vírus, e não atuando de forma empírica e reativa e conforme ele vá se comportando. Queria passar pro professor David, hoje nós temos vários, pelo que eu estou vendo aqui, vários serviços de imprensa, e vamos dar uma ordem aqui, no sentido de responder as perguntas que vocês tiverem. David, por favor.

DAVID UIP, INFECTOLOGISTA: Muito boa tarde, muito obrigado a todos, e o objetivo desta coletiva, e único, é informar, infelizmente, o ocorrido primeiro óbito aqui no Estado de São Paulo. Então, um morador de São Paulo, homem, com 62 anos de idade, tinha como comorbidades diabetes e hipertensão, foi internado no hospital privado, e o diagnóstico de corona vírus foi feito também por um laboratório privado. Ele foi internado na UTI no dia 14/03, e veio a óbito ontem, 16/03, e não tem histórico de viagem. Nós fomos informados oficialmente deste óbito, hoje, oficialmente, com os dados, às dez e meia da manhã, e por isso o motivo dessa coletiva. Eu quero acrescentar que nesse mesmo serviço existem quatro outros óbitos, e que ainda estão sendo investigados quanto ao agente causado. Então, assim que nós tivermos as confirmações, sendo ou não corona vírus, nós vamos informa-los do diagnóstico. Então, neste momento, ocorreram cinco óbitos nesse mesmo hospital, um já confirmado por conta do corona vírus, e os quatro outros nós aguardamos informações. Não, não vou falar o nome do hospital, vocês já sabem, mas aqui nós temos uma regra de não revelar nome de entidades privadas, quando for pública, evidentemente faremos isso, na cidade de São Paulo nós faremos, já tem um vídeo circulando, o hospital decidiu fazer isso, então tem vídeo, tem áudio, tá tudo circulando, mas nós, aqui, o secretário decidiu que nós vamos falar de instituições e não vamos revelar nome de pacientes, óbvio, por uma questão de ética. Eu preciso dar mais um informe, esse de absoluta relevância, eu preciso muito do apoio de vocês, os nossos bancos de sangue estão praticamente sem sangue, o banco de sangue que está hoje com a melhor condição tem sangue para uma semana, isto é extremamente grave, entendendo o momento e o que virá pela frente, então, por favor, que nós consigamos comunicar pra população essa necessidade, e a grande reflexão, que este é o problema, o indivíduo não está doando sangue, porque ele tem medo de pegar o corona vírus onde ele vai doar sangue, não é isso, se tem um lugar que está protegido, é o banco de sangue, que tem o requinte técnico de proteção ao doador e, eventualment e, em outras situações, até de transplante de medula. Então, é um ambiente totalmente seguro, a população novamente, como sempre, precisa contribuir doando sangue aos diversos bancos de sangue de todo Estado de São Paulo, e aos diversos hospitais. Tudo bem? Agora, nós vamos, estou aprendendo com o governador, né, ah, estou aprendendo, estou aprendendo, estou aprendendo pra dar voz a todos de uma forma que a gente possa responder um a um.

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Vamos fazer uma regra do jogo aqui, nós temos 17 veículos, tá? Pelo menos que estão aqui inscritos e cadastrados, nós precisamos terminar às 14 horas, então nós vamos seguindo, um a um, por favor, uma pergunta por veículo, e assim que chegar às 14, a gente encerra, tá? Obrigado. Quem é o primeiro? É Lucas Josino, Rádio Bandeirantes. Por favor, diga pra quem é a pergunta, tá bom? Obrigado.

LUCAS JOSINO, REPÓRTER: Oi, boa tarde. Boa tarde a todos, estamos ao vivo na Rádio Bandeirantes. Dr. David Uip, por favor, esse homem, esse óbito, esse homem que morreu, de 62 anos, quando ele contraiu o corona vírus? E uma outra pergunta também, em números oficiais, quantas pessoas, aqui em São Paulo, estão em estado grave?

DAVID UIP, INFECTOLOGISTA: Deixa eu responder o contrário, que isso foi problema que nós enfrentamos hoje, esta pandemia, ela afetou, no primeiro momento, a rede privada, que é a rede conveniada e hospitais privados, isso já era absolutamente esperado, por conta de ser um indivíduo que vieram de outros países, então nós já esperávamos isso. Nós não temos, nesse momento, o número de graves internados em São Paulo, porque estão, obviamente, em hospitais privados, é outra coisa totalmente diferente do sistema público. Nós fomos comunicados desses cinco casos hoje, formalmente hoje, e não adianta ligar pro telefone, olha, morreu, não é assim, pra n&oacut e;s entendermos que a comunicação é oficial, tem que vir um relato, pode ser por WhatsApp, pode o meio que for, mas com o timbre da instituição e assinado pelo diretor clínico. Então, é assim que funciona. Então, o que nós temos, nesse momento, é que nesse hospital privado existem cinco óbitos, um confirmado pelo corona vírus.

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Segundo é o Felipe Pereira da Uol.

FELIPE PEREIRA, REPÓRTER: [ininteligível]. Há alguma possibilidade de novas medidas de restrição a circulação de pessoas em São Paulo [ininteligível].

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Veja bem, não em função da questão deste óbito, nós já até esperávamos que ocorressem óbitos, né, esperamos, isso deve acontecer, nós estamos vivendo numa epidemia, e nessas condições, os óbitos acontecem com certeza. As restrições que foram feitas, elas foram progressivas, começaram com as aulas e com aglomerações com X número de pessoas, ou acima de X número de pessoas, agora isso já mudou, não tem mais esse limite inferior, todas as aglomerações e, assim, gradativamente, conforme a necessidade da questão epidemiológica, é que nós vamos aumentar ou diminu ir as restrições de circulação, procurando evitar a transmissão do vírus. Então, nós estamos trabalhando neste cenário e não dos óbitos, entendeu?

DAVID UIP, INFECTOLOGISTA: Só completando a pergunta, início dos sintomas dia 10/03, internação 14/03 e o óbito que eu falei, 16/03. Pois não. Sintomas dez de março, internação 14 de março, óbito 16 de março.

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Foi direto, isso aí. Eduardo Campos, TV Cultura.

EDUARDO CAMPOS, REPÓRTER: Tudo bem? Boa tarde.

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Boa tarde.

EDUARDO CAMPOS, REPÓRTER: Quantas pessoas estão internadas em UTI e qual é a situação dessas pessoas, estado grave?

DAVID UIP, INFECTOLOGISTA: Vou insistir na resposta, nós não temos o controle da rede privada nesse momento, discutimos até no grupo assessor hoje, de contingência, como fazer isso, mas nós precisamos ser informados pela rede privada. Então, existe informação de um desses hospitais e não existe dos outros, eu, por exemplo, eu não sei de outros hospitais privados, nem a secretaria, né, Paulo, nós não temos essa informação.

NÃO IDENTIFICADO: Carla Ramil, TV Bandeirantes. CARLA RAMIL, REPÓRTER: Nós temos a informação de que duas mulheres teriam também morrido por conta da suspeita do corona, uma em Suzano, e outra que teria falecido no UPS de Tatuapé, além de uma nota divulgada ontem pela Prevent Senior, que quatro pessoas haviam falecido e também suspeita, essas duas outras mortes das mulheres também estão sendo investigadas?

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: O óbito do hospital de Tatuapé já foi confirmado o vírus da influenza, não era corona. Não temos informação desse exame, não recebemos informação desse exame, e os outros, como o David já falou, os outros óbitos da mesma instituição eles estão sendo investigados. Temos... a gente precisa receber a notificação pra poder constar na nossa, nos nossos boletins.

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Marcela Rahal, CNN.

MARCELA RAHAL, REPÓRTER: Oi, boa tarde. Eu queria saber do secretário ou do David Uip o que é que muda na prática com a confirmação desse óbito. A gente está ao vivo pela CNN Brasil.

DAVI UIP, INFECTOLOGISTA: Veja, infelizmente os óbitos são esperados. Do ponto de vista de postura do comitê, o secretário vai responder pelo Estado, isto não muda nada, óbvio que lamentamos muito o óbito, mas nós temos que trabalhar, inclusive, com os dados de conhecimento. Se vocês notarem foi uma evolução rápida, né, da internação ao óbito. Isso cria conhecimento pra medidas e providência que devem ser tomadas.

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Como se tratou de um óbito comunitário, acho que isso nos leva a reforçar as medidas de prevenção, as mesmas que o Dr. David vem falando diuturnamente pra todo... toda a São Paulo, todo o estado de São Paulo. Então, nós temos que reforçar cada vez mais essa questão das medidas de prevenção, principalmente por se tratar de um óbito comunitário.

DAVI UIP, INFECTOLOGISTA: Uma coisa pra completar o secretário, primeiro lastimar muito o óbito e a... e a consideração aos seus familiares que isso pra nós é tudo muito triste. Mas esse óbito infelizmente outros virão, não devem criar pânico na população. Essa é uma circunstância de quem lida com doente grave. E muitas vezes a gripe se torna uma doença grave, a semelhança da influenza. Os Estados Unidos têm uma média de 30 mil óbitos por influenza por ano, esperamos que não tenha mais nenhum óbito em São Paulo. Mas a contingência de cuidar de doentes graves implica em ter perdas. Então isso não muda nada no estado da forma de entender a pandemia e não deve chegar à população como algo inesperado e criar uma situação de pânico porque não é assim. A outra coisa que eu queria considerar que, infelizmente, esse óbito se enquadra naquilo que nós já sabíamos, um homem de mais de 60 anos com comorbirdades.

REPÓRTER: Quais?

DAVI UIP, INFECTOLOGISTA: Eu já falei, mas falo de novo. Ele era um diabético e um cardiopata.

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Bruno Ribeiro, do Estadão.

BRUNO RIBEIRO, REPÓRTER: Dr. David, eu queria insistir num tema tratado na coletiva de ontem, até diante dessas respostas surgem, tem o número exato dos doentes em estado grave e tal que é a história do teste. Tem algum avanço nisso? Eu queria que o senhor explicasse um pouquinho melhor se for possível a dificuldade do Estado fazer os testes em todo mundo e se fazer esses testes não ajuda a ter um diagnóstico mais claro da situação como um todo?

DAVI UIP, INFECTOLOGISTA: É, eu vou trazer primeiro o que o grupo... eu ia deixar pra outro momento, mas o grupo acabou de discutir esse grupo que eu coordeno que presta assessoria ao secretário e ao governador. Nós entendemos que é adequado tentar ampliar os centros de diagnóstico. Isso tem uma missão pra quatro do grupo pra avaliar esta possibilidade, mas eu insisto no que eu venho falando, existe o mundo ideal, existe o mundo real. O mundo ideal todos nós queremos: fazer exames pra todo mundo. Isto não é real. É só ver os números que foram nos apresentados hoje no Adolfo Lutz, quase 3 mil amostras e a maioria dos exames não deu coronavírus, deu influenza A e B, 30% influenza A e B. Vocês c orrem o risco de estar fazendo exame [...]. Então, veja bem, nós vamos tentar ver a capacidade do Estado de ampliar entendendo que existe uma realidade, né, e que existe o ideal. Todos nós objetivamos o ideal, todos nós, mas dentro das possibilidades. Então, essa conversa tem que ser sempre de muito bom senso. Quando você fala com pesquisadores, óbvio, eu também, eu quero o mundo ideal, mas quando fala com o gestor público ele tem que dar o limite que ele tem: o limite federal, o limite estadual e o limite municipal. Todo mundo vai atrás de recursos, todo mundo quer ajudar, mas isso tem que se transformar numa coisa prática e executiva... e [...].

REPÓRTER: Mas a dificuldade é financeira, é técnica?

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Não, é técnica. Deixa eu explicar uma outra coisa. Eu pediria para o Paulo explicar porque acho que no âmago dessa questão está a finalidade do laboratório de saúde pública.

PAULO: O laboratório de saúde pública ele tem que ampliar a sua rede, mas a finalidade dele é auxiliar a vigilância para o controle da epidemia. Nós já temos agora informação suficiente pra ver que a epidemia está subindo rapidamente, os números crescem a cada dia. Então, nesse momento é pouco informativo, por exemplo, principalmente pra grande São Paulo saber se tivermos mais um, ou mais dois, ou mais três casos de sintomas leves. Agora entramos na fase de realmente ser importante saber aquilo que vocês perguntaram que é: quantos casos que são mais graves, quantos casos são internados. Então, também essa é uma questão que nós j&aac ute; estamos discutindo pra... a estratégia que vamos seguir daqui em diante. O David parece que quer--

DAVI UIP, INFECTOLOGISTA: É, eu quero complementar. O que vem de sugestão já veio para o secretário e para o governador. Primeiro a tentativa de ampliação, planejamento da ampliação da rede. Neste momento nós vamos aguardar também a orientação do Ministério da Saúde que é o órgão maior que deve fazer a política e disponibilizar recurso. Neste momento, nós continuaremos fazendo exame dos pacientes internados, as clínicas sentinelas, profissionais da área de saúde e pesquisa. Neste momento, mantém-se esta decisão e já com a missão de arquitetar a possibilidade de ampliação dos centros de diagnósti co em todo o estado. O recurso, a discussão é depois dessa, você precisa ver o que está disponível, o que está capacitado e o que pode ser melhorado, depois você discute os recursos. O depois que eu digo é no minuto seguinte, não é no dia seguinte.

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Eu só queria complementar também, insistir um pouquinho nessa questão, talvez seja um pouco difícil até de explicar, mas ele não é um laboratório que esteja voltado aos resultados individuais. Você deu positivo, deu negativo, vai fazer tal coisa. Você não sei o que vai fazer tal coisa. O seu tratamento... orientar tratamento, não é isso. O laboratório de saúde pública tem a finalidade de entender o comportamento da doença.

DAVI UIP, INFECTOLOGISTA: Lembrando que o Brasil tem três laboratórios públicos.

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Patrícia Figueiredo, do G1.

PATRÍCIA FIGUEIREDO, REPÓRTER: Oi, boa tarde. Eu gostaria de voltar a fazer uma pergunta sobre a questão dos casos graves, já que vocês falaram que isso agora é o mais importante, mais até do que o número total de casos confirmados. A gente tem em São Paulo quase 70% dos casos confirmados no Brasil e a gente não sabe então quantos desses casos são graves e quantos são internados. Queria perguntar qual que é a importância de saber esse tipo de dado em termos de planejamento, de leitos de UTI? Qual que é a previsão de que esse dado seja apurado e divulgado pra população nas próximas semanas?

DAVI UIP, INFECTOLOGISTA: É, nós estamos falando há dias que nós traçamos cenários. De novo o que o secretário falou, o caso grave serve pra nós de referência, mas não se estabelece em cima disso o planejamento. O planejamento você cria cenários de infecção, perfil de infectados, taxas de infecções, taxas de como... como... comorbidade e cria cenários. Então, em cima dos cenários, nós desse grupo oferecemos ao secretário que faz o planejamento em cima das necessidades do estado, por isso que nós chegamos aquele número de mais 1.400 leitos de UTI que estão sendo conseguidos. O caso grave nós também temos que saber, mas isso é comunicação. Quando for da rede do estado a comunicação é imediata, quando é da rede privada eles têm que nos comunicar.

REPÓRTER: Não está sendo comunicado?

DAVI UIP, INFECTOLOGISTA: Isso não é uma crítica, isso é assim mesmo. Isso acontece desse tipo.

REPÓRTER: A notificação é compulsória?

DAVI UIP, INFECTOLOGISTA: Paulo quer responder?

PAULO: A notificação é compulsória, mas não é para corona, é para síndrome respiratória aguda grave. Ela é em função do quadro clínica de gravidade. Ela tem sido utilizada há cerca de dez anos, principalmente na vigilância da influenza, da gripe. E agora o ministério está adaptando pra que a gente possa utilizar pra situação do corona. Então nós viemos utilizando um sistema de notificação para o corona que era muito voltado para os casos leves, e agora nós estamos iniciando o uso de outro sistema para os casos graves. Mas de qualquer forma é preciso que os serviços de saúde façam a notificaç&atil de;o. Como eles têm um tempo pra fazer a notificação, ela não chega pra gente em tempo real. Então há algumas questões técnicas que nós precisamos... estamos resolvendo pra que esse sistema seja eficiente.

DAVID UIP, INFECTOLOGISTA: Uma coisa que eu acho que responde a todos vocês, nós soubemos desse falecimento hoje pela manhã, com este falecimento nós soubemos da etiologia, não havia o diagnóstico etiológico feito anteontem, então, eu falei agora, tem quatro casos graves, mortos, quatro falecidos, no mesmo serviço, que nós não sabemos se foi ou não pelo corona vírus, então, como é que você notifica, se você não tem o agente causado? Então, foi comunicado, a partir do momento do falecimento e do agente causado, os outros quatro são quatro falecimentos, que podem ter sido de outro vírus, então não dá pra fazer essa ação e reação tão imediata, precisa do diagnóstico etiológico. Eu não tenho aqui os dados, depois a assessoria pode até passar, nós não temos ainda, mas depois pode passar. Mas, pelo perfil do hospital, provavelmente.

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Isabela Leite, da Globo News.

ISABELA LEITE, REPÓRTER: Oi, doutor, boa tarde, a gente tá ao vivo na Globo News também, eu queria fazer um pacote, só pra entender melhor esse monitoramento dos quatro mortos, eles estavam internados no mesmo hospital que essa morte já confirmada por corona vírus, mas os exames também foram feitos nesse hospital? Porque tinha uma informação que o exame foi feito em um hospital, mas ele estava internado em outro. E se tem outras mortes também suspeitas, vocês já pediram pra fazer o exame de corona vírus nesses quatro mortos e de outras mortes suspeitas aqui no Estado de São Paulo, mais em todo estado?

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Na verdade é uma rede hospitalar.

ISABELA LEITE, REPÓRTER: Mais de uma unidade.

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: É, só que eu não sei te dizer se os quatro estavam num hospital da rede hospitalar ou em outro hospital dessa mesma rede hospitalar, é uma rede que tem vários hospitais na cidade de São Paulo. O que eu conversei no primeiro momento é que eles estavam, né, o que estava discutido entre eles, e foi comunicado de uma forma quase informal, que eles iriam concentrar todos os pacientes numa unidade, mas isto é uma comunicação que a rede, essa rede hospitalar fará depois dessa entrevista.

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Existem laboratório dos hospitais, que atendem casos graves ou não, ou se esteve em hospitais secundários ou não, em geral, quando um hospital tem casos, atende casos graves, ele busca um certo apoio em outros hospitais, às vezes até de laboratório, então eu tenho um laboratório dentro do meu hospital, mas eu preciso do apoio do laboratório do David Uip, então eu vou ao David, ele me apoia nesse sentido, é isso que pode, que aconteceu.

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Uma outra--

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Por isso essa notícia que você falou.

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Uma outra coisa interessante, tem vários hospitais que terceirizam pro mesmo laboratório, então isso acontece na rede privada.

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Esse hospital não divulga, quem divulga é o hospital onde está o paciente. O outro é apoio, entendeu? É assim que funciona.

REPÓRTER: Esses pacientes fizeram o exame?

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Todos fizeram.

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Todos.

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Assim que nós soubermos, nós vamos divulgar.

REPÓRTER: [ininteligível].

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Que nós saibamos, da rede particular, sim. Nós não temos nenhum dado, teve um... Teve um caso divulgado no hospital do estado, que é Taipas, mas também não tinha confirmação.

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Taipas, tem um outro também que já foi descartado, que vinha de um hospital de Tatuapé, andou circulando notícia de um outro hospital no Tatuapé também, também era Influenza. Tem. Tem. A gente tem os números dos nossos hospitais, mas da rede pública, a Secretaria de Saúde, então, é um número que a gente prefere contabilizar melhor pra poder passar pra vocês a informação. De forma geral, ele segue aquele padrão que o Dr. David já disse, se nós temos 160 casos confirmados no estado, 80% são leves, 20% são pessoas que precisaram ser internadas e, dessas, um quatro, representando 5% do total, são casos mais graves. E ntão, de 160, a gente tem cerca de 30 casos no estado.

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Tainá Falcão da Record.

TAINÁ FALCÃO, REPÓRTER: Dr. David Uip, eu vou voltar na questão das restrições, ao saber da morte do paciente, o prefeito Bruno Covas deu uma entrevista citando uma reunião que seria feita com o pessoal do transporte pra definir as questões de restrições no transporte público, o Rio de Janeiro anunciou ontem a redução da frota pela metade, isso já é necessário aqui em São Paulo?

DAVID UIP: Eu vou, não ia dizer isso hoje, mas vou, essa reunião, que acaba de ocorrer, desse grupo de apoio ao secretário e ao governador, decidiu que as medidas atuais são adequadas e suficientes, então, isso, o secretário, obviamente, teve conhecimento, e é o que o secretário vai levar como consideração pro governador. A decisão é do governador do Estado de São Paulo, como é dos prefeitos nos seus municípios. A recomendação do grupo, esse grupo de apoio de contingência, é que as medidas adotadas até esse momento, pelo Governo do Estado, estão adequadas, isto serve para o dia, hoje é 17, pra hoje a uma e 50, a decisão é do gover nador, o que ele pede, que é a informação e a decisão do grupo, é essa.

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: João Silva, SBT.

JOÃO SILVA, REPÓRTER: Oi, aqui, tudo bem? Há muitas informações rolando, em grupos de WhatsApp e tudo mais, uma delas é que se a pessoa apresenta sintomas, ligue 156, que é o número geral da prefeitura de São Paulo, e mandaria uma equipe de saúde na casa da pessoa, se a pessoa tivesse os sintomas de gripe. Queria saber se isso é verdade. Eu vou aproveitar, porque... O governo da Bahia pediu pro Ministério Público da Bahia processar um homem daqui de São Paulo, que foi diagnosticado no Einstein com corona vírus, disse que não era pra viajar, ele viajou pra Trancoso, num jatinho particular, e a mulher dele foi contaminada e também o cozinheiro, que é de lá, o Govern o de São Paulo estuda mover alguma ação contra pessoas dessa natureza? E só pra complementar, não seria o caso de mudar esse layout de entrevista coletiva?

DAVID UIP, INFECTOLOGISTA: É o que eu vou anunciar, o secretário vai anunciar daqui a pouco, essa é a última entrevista desse jeito, tá? Então, depois nós vamos anunciar como será, mas isso já foi estabelecido, acaba de ser decidido, é que nós, hoje, essa entrevista, essa coletiva é quase uma emergência, em cima de um fato novo, não deu pra preparar como vai ser daqui pra frente, mas vocês têm absoluta razão, isso já está resolvido.

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Eu que o diga. Daniel Lian, Jovem Pan.

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Não foi respondido.

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Ah, não?

JOÃO SILVA, REPÓRTER: A questão do paciente da Bahia, se pode [ininteligível].

DAVID UIP, INFECTOLOGISTA: Primeiro, a decisão do 156 da prefeitura, o secretário, não, mas ele falou da prefeitura de... É. O secretário do município, Edson Aparecido, ele não conseguiu chegar até agora, porque ele está em um outro compromisso, mas o secretário, seguramente, depois vai responder as coisas que cabem a prefeitura e aos municípios de São Paulo. É, eu não tenho condição.

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: A prefeitura vem trabalhando de forma muito alinhada com a vigilância de estado, com os procedimentos da vigilância, o caso precisa ser notificado pelo serviço pra que a equipe de vigilância vá até lá. Então, do ponto de vista da vigilância, eu acredito que isso não seja verdadeiro, pode ser que seja verdadeiro do ponto de vista de cobertura de serviços de saúde da prefeitura, agora, eu pediria pra vocês não utilizarem a informação de WhatsApp, né, eu acho que, assim, circula cada vez mais coisa no WhatsApp que, realmente, deixa a gente sem poder trabalhar, até pra poder te responder essas histórias que surgem no WhatsApp.< /p>

DAVID UIP, INFECTOLOGISTA: É, e essa coisa de você impor pro indivíduo restrições pessoais, do ponto de vista de poder jurídico, é uma coisa desse poder, tá? Nós ainda, no estado, não discutimos isso.

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Daniel Liam, Jovem Pan.

DANIEL LIAM, REPÓRTER: Aqui. Estamos ao vivo também na Rádio Jovem Pan e na TV Jovem Pan, eu gostaria de perguntar aos senhores, em relação a evolução do caso, que foi muito rápida, contraiu, no dia dez apresentou os sintomas, e já, menos de uma semana, veio a óbito, se isto assusta e se é preciso mudar alguma diretriz. E se a pessoa que também é curada pelo corona vírus, se ela fica suscetível a contrair a doença novamente.

DAVID UIP, INFECTOLOGISTA: Há poucos minutos o professor Carlos, que é professor titular da Universidade de São Paulo, apresentou pro grupo o protocolo de assistência ao paciente coronariano, toda cadeia de assistência ao doente grave, até o seguimento um ano depois da alta, isto foi apresentado, nós submetemos ao secretário, e amanhã isso se torna a política pra todos os hospitais do estado, com recomendação pros hospitais privados. É uma recomendação de protocolo assistencial, que pega todas as fases do paciente, até quando ele é grave. O paciente grave com insuficiência respiratória, ele caminha rapidamente, isto pode acontecer, tem um aprendizado novo, o que n&oa cute;s imaginávamos, que o período de encubação ia até 14 dias, nós estamos vendo que o período de encubação é mais curto, então, a média é de três a oito dias, nós vamos sugerir, hoje, ao Ministério da Saúde, que inclusive mude o critério de tempo da quarentena, que diminua de 14 pra dez, isso também saiu desse grupo, que faz toda diferença no impacto da força de trabalho, especialmente na saúde. Então, é isto que está acontecendo. A outra situação que também nós estamos aprendendo que é a gravidade desses pacientes que como o secretário falou é a minoria, ela se estabelece do terceiro ao sétimo dia. O indivíduo vem com poucos sintomas e depois a gravidade. O que não quer dizer que ele não vai ter todas as condiçõ es de recuperar. Doente grave é uma coisa, óbito é outra. Então a grande maioria dos pacientes graves vai se recuperar, só que já existe o protocolo do Estado, inclusive pra todo o fluxo de como caminha esse doente dentro do hospital.

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Tatiana Farah. Por favor.

TATIANA FARAH, REPÓRTER: Boa tarde. Minha pergunta é pro Dr. David Uip. Eu não entendi muito bem se essa pessoa que morreu ela já estava na contagem dos pacientes ou se é o paciente novo que o Governo só ficou sabendo depois que morreu.

DAVI UIP, INFECTOLOGISTA: É claro que sim, porque o diagnóstico [ininteligível] aconteceu ontem à noite.

TATIANA FARAH, REPÓRTER: Ah, então a confirmação do vírus só foi ontem à noite?

DAVI UIP, INFECTOLOGISTA: Pelo que nos passaram foi isso. Então não... provavelmente não está na contagem. Outra coisa que eu quero dizer pra vocês que é muito importante. Corre que não há transparência nos dados quantitativos. Isso não é verdade. Nós estamos informando absolutamente tudo o que acontece. O que é que ocorre? Muitas vezes o laboratório que está fazendo exame tem positivo. Então tem um sistema, na hora que ele tem positivo ele comunica as instâncias superiores até que acaba num relatório de estado que vai dar pro ministério. Então não dá pra contar diagnóstico positivo de laboratório e o dado da vigilância epidemiológica. Tem um tempo até isso. Esse caso especifica muito. Nós fomos informados hoje, oficialmente, e o diagnóstico segundo a informação que nós recebemos ocorreu ontem à noite, não deve constar desse número de casos instáveis.

TATIANA FARAH, REPÓRTER: Dr. David, a outra pergunta é uma pergunta--

ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Por favor, favor respeitar aqui. É dez pras duas, não dá tempo.

TATIANA FARAH, REPÓRTER: É que eu só tirei uma dúvida aqui, já tinham perguntado.

ORADORA NÃO IDENTIFICADA: É uma pergunta por pessoa. Por favor, gente, já é dez pras duas. Próximo colega aqui é o Arthur Rodrigues.

ARTHUR RODRIGUES, REPÓRTER: Eu queria perguntar pro Dr. David e pro secretário Guermann sobre a questão dos médicos que estão atendendo essas pessoas com casos suspeitos, qual que é o procedimento do Governo, se eles estão sendo monitorados? Porque em outros países vários desses profissionais estão adoecendo e está sendo um problema grave. Entender se o Governo pensa em isolar algum hospital em alguma ocasião pra isso, como tem sido feito em alguns outros locais.

DAVI UIP, INFECTOLOGISTA: Nós estamos muito, muito, muito preocupados com os profissionais da área de saúde, individualmente quanto a cada um deles, em conjunto porque é a nossa força de embate. Então existem recomendações muito claras de proteção do profissional da área de saúde e novos conhecimentos. Hoje tem conhecimento muito claro de que a transmissão não se faz só por gotícula. As excreções e secreções podem contaminar. Então as regras de proteção têm que ser muito rígidas e seguidas rigidamente pelos profissionais da área de saúde. Quando eu falo profissional da área de saúde são to dos eles, a cadeia inteira, quer dizer, desde o pessoal da higiene, passando por todos os técnicos, enfermeiros, médicos, todo um procedimento que tem que ser muito bem seguido. Isso está estabelecido. Agora, cabe ao profissional da saúde pra sua proteção observar isso da forma mais rigorosa. É até cansativo porque você lava as mãos, você põe as luvas, você lava, tira a luva, lava as mãos, põe o óculos, lava as mãos. É um contingente de ações rigorosíssimos que deve ser observado. Óbvio que o profissional da área de saúde ele está instruído e deve obedecer isso rigidamente. Quanto ao hospital isso é uma discussão que nós estamos tendo com o secretário do ponto de vista que existem hospitais hoje que estão, inclusive, prontos sem utilização, talvez o d ecorrer eles possam se tornar hospital especialmente leitos de UTI com o objetivo de enfrentar essa pandemia.

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Elisa Martins, do O Globo.

ELISA MARTINS, REPÓRTER: Boa tarde. Eu queria voltar um pouco no primeiro óbito, no caso. Dr. David, o senhor falou que ele começou a apresentar os sintomas no dia 10 e foi internado dia 14. A gente tem sempre ouvido nas coletivas que as pessoas não corram para hospital ao apresentar os sintomas e tal. Mas nesse caso desse paciente, será que se ele tivesse ido antes, considerando a idade dele, se ele tivesse ido mais cedo ao hospital, ou de acordo com os sintomas que ele observava ele não teria tido mais chances de sobreviver?

DAVI UIP, INFECTOLOGISTA: É, obviamente eu não conheço esse caso, mas vocês me ouvem falar todos os dias, desde o primeiro dia. Quais são os momentos e os motivos que ele deve procurar o hospital? Eu falo isso reiteradamente. E insisto que na população mais vulnerável essa atenção tem que ser redobrada. Nos indivíduos com mais de 60 anos, com comorbidades, atenção redobrada e a procura mais precoce. Nós temos falado isso todas as vezes. Então eu não conheço o caso, mas serve como recomendação o que está sendo dito pra todo mundo.

REPÓRTER: O senhor recomendaria [ininteligível]?

DAVI UIP, INFECTOLOGISTA: Eu não conheço. Não dá pra fazer a critica desse caso porque eu não conheço o que aconteceu. A recomendação está óbvia, né, tem que tomar cuidado e essa população mais ainda.

REPÓRTER: Mas é [ininteligível].

DAVI UIP, INFECTOLOGISTA: Que não tossiu... eu não sei como é esse caso. Eu não sei o que aconteceu. A recomendação, se o indivíduo ele tem febre que foi e voltou, se ele tem febre que se prorroga, se ele tem mudança de catarro, cor de catarro, se ele apresenta qualquer sintoma de desconforto respiratório, aumento de frequência, diminuição da amplitude, aquele fôlego curto, então... tiragem que é o batimento intercostal, as pontas de dedos, nariz e orelhas ficam de cor diferente, isso é sinal de hipoximia, então tem que ir. Qualquer sinal de toxemia, o paciente ele não sente... começa a perder noção das coisas, tudo isso é sinal de gravidade que precisa procurar o hospital.

REPÓRTER: Dr. David, e a família dele [ininteligível]?

DAVI UIP, INFECTOLOGISTA: Não tenho conhecimento.

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Leila Souza Lima, Valor Econômico.

LEILA SOUZA LIMA, REPÓRTER: Oi, boa tarde. Ainda sobre esse paciente, há informação de que ele não tinha histórico de viagem, portanto, ele está dentro já desse quadro de transmissão comunitária. Então eu queria saber para vocês... o senhor disse que as... o Sr. Uip disse que as medidas vão ser tomadas gradualmente, que o paciente grave ou o morto, não necessariamente justifica uma guinada no curso das medidas que vocês estão tomando, mas ele orienta um pouco essa questão de transmissão comunitária no estado?

DAVI UIP, INFECTOLOGISTA: Nós consideramos dia um da pandemia no estado de São Paulo, sexta-feira à tarde. Foi quando o município comunicou ao Dr. Paulo o primeiro caso de transmissão comunitária. Começamos a contar daí. E nós temos seguramente vários casos já de transmissão comunitária. Isto é uma coisa absolutamente esperada e está acontecendo. A outra é você mudar condutas em cima da transmissão comunitária. Elas foram tomadas a partir de sexta-feira às 18h. Eu quero reiterar uma coisa, o Governo do Estado não vai se eximir de tomar qualquer conduta seja ela qual for que proteja o cidadão. Dentro da lógica, dentro da ciência, am parado por um grupo de experts. Foi o que nós fizemos agora há uma hora atrás. Então não vai ter simpatia, antipatia, o que tiver que ser feito nós vamos sugerir como estamos fazendo com o secretário e com o governador.

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Rodrigo Idalgo, TV Bandeirantes.

RODRIGO IDALGO, REPÓRTER: Boa tarde. Boa tarde. A pergunta é pro secretário, em relação a essa morte houve uma polêmica no fim de semana em relação ao envio dos corpos que vão ser necropsiados. Vão ser... nesse caso vai ser levado para o Instituto Médico Legal ou para o SVO? E qual que é o protocolo? O que é que ficou decidido?

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Paulo quer responder.

PAULO: Realmente houve uma certa confusão, talvez, que foi muito importante pra nos estimular a organizar o fluxo de óbitos por causa suspeita não esclarecida, principalmente causa suspeita de coronavírus. O IML não deve participar disso porque não são causas violentas, não são causas externas. Essa é uma situação para o serviço de verificação de óbitos e não para o IML. Então, quando há no caso, por exemplo, dos quatro óbitos suspeitos com o exame já coletado, os corpos ficam aguardando porque vai sair o exame, vai ser corona, já temos o diagnóstico. Não vai ser corona, nós também já temos o afastamento do d iagnóstico. Então o procedimento vai ser esse, o procedimento vai ser obter amostras para que se faça o teste do corona nos óbitos suspeitos, e se for corona não precisa ser feita uma necrópsia porque já tem o diagnóstico. E se não for corona segue os procedimentos normais. Inclusive a nota técnica que vai sair, se não sair hoje sai até amanhã, ela também orienta sobre o transporte do corpo, sobre o que precisa ser feito, os cuidados para o transporte do corpo de uma instituição pra outra.

REPÓRTER: Quais são?

PAULO: Essencialmente colocar o corpo em um saco plástico, fechar o saco plástico e limpar o saco com álcool, que é um desinfetante extremamente eficaz para o Coronavírus.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DE SAÚDE: São 14h, eu tenho mais dois veículos, eu vou estender o suficiente para atender os dois e aí terminamos. Caco Barcellos, TV Globo.

CACO BARCELLOS, REPÓRTER: Já se sabe que a maioria dos infectados é formada por pessoas mais ricas, que estão sendo atendidas nas redes privadas. Qual é o plano dos senhores para atender e cuidar quando essa pandemia chegar aos mais pobres? Que é a maioria da população?

DAVID UIP, INFECTOLOGISTA E COORDENADOR RESPONSÁVEL PELO CENTRO DE CONTINGÊNCIA: Pois é, isso implica na criação de mais 1.400 leitos de UTI, no primeiro momento, nós estamos vendo, o secretário vai detalhar, que vai ser possível até criar mais leitos. Porque qual é o problema desse doente grave? É a hora que ele vai para a UTI. Qual é o estrangulamento do sistema? É o paciente de UTI. Então a criação imediata desses leitos. Esse grupo que assessora o secretário já estipulou o primeiro, 1.400, e vai atualizar a cada tempo. Você tem toda razão, este primeiro momento impactou os serviços privados, mas é questão de dias e horas para impactar o sistema público. Nós estamos nos preparando para adicionar aos 7.200 leitos de UTI, mais 1.400 leitos no primeiro momento.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DE SAÚDE: Porque voltando às origens, são 80% dos casos que não precisa de um atendimento hospitalar, ele fica em casa, esses 20% é que vão para o hospital, uma parte deles precisa de terapia intensiva. Quando ele entra para a terapia intensiva, em geral ele está com uma síndrome respiratória, e aí ele precisa de respirador. Então foram feitos os cálculos e o tempo de permanência que cada paciente ficaria dentro de uma terapia intensiva, nós estamos calculando que a gente com 1.400 leitos consegue atingir as necessidades que estão apresentadas para os cálculos atuais, assim que nós vamos trabalhar.

DAVID UIP, INFECTOLOGISTA E COORDENADOR RESPONSÁVEL PELO CENTRO DE CONTINGÊNCIA: Complementando a resposta, acabamos de aprovar no comitê o fluxo de doentes graves em ambiente hospitalar, foi submetido, nós aprovamos, e amanhã a secretaria de estado divulga por telemedicina, é isso, Paulo? Divulga para todos os hospitais estaduais qual vai ser o fluxo de doente grave em todos os hospitais estaduais.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DE SAÚDE: Oraci Lara, da Globo.

ORACI LARA, REPÓRTER: Boa tarde. Doutor David, duas questões que ficaram, uma questão, mas com dois tópicos que estão ficando desde o final de semana, Ibuprofeno e crianças? E doutor Paulo, a resposta do senhor em relação à internação, ela para a gente aqui não ficou muito clara, o senhor fez uma conta de 160 por 5%, e falou que são 30 casos graves. Afinal de contas, quantos casos graves realmente nós temos internados neste momento?

PAULO: Eu não posso te dar o número exato nesse momento, infelizmente.

ORACI LARA, REPÓRTER: Mas e essa conta que o senhor fez?

PAULO: Ela é aproximada, e pelas informações que a gente recebe dos nossos hospitais, e dos hospitais privados, é aproximadamente isso.

ORACI LARA, REPÓRTER: [Ininteligível]?

PAULO: Se você quiser o número...

ORACI LARA, REPÓRTER: O senhor falou...

PAULO: Não, eu estou falando que é em torno de 5% dos casos confirmados.

ORACI LARA, REPÓRTER: Cento e sessenta?

PAULO: Isso, que também é um número que vai sair daqui a pouco para o Ministério da Saúde. Então eu estou passando números aproximados, o que eu falei é que nesse momento não faz mais muito sentido nós ficarmos com o número exato, 61, 62.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DE SAÚDE: A outra pergunta sobre crianças, nós fomos surpreendidos ontem com a declaração da OMS de crianças, por conta que não existe um trabalho publicado até agora que coloque as crianças no patamar de idosos e pacientes mais vulneráveis. Então houve a declaração, nós estamos atualizados do trabalho científico de uma hora atrás. Então são duas coisas diferentes, um é imaginar que as crianças vão ser infectadas, e pode ter casos graves, isso pode em qualquer epidemia, em qualquer doença, isso é real, mas do jeito que foi colocado, deu a impressão de taxa semelhante aos doentes de mais idade, e com comorbidade. Não é isso que nós estamos vendo, e não é isso que os trabalhos científicos relatam até agora. Então o espanto de vocês foi o nosso, nós revisamos tudo que está publicado e é muito diferente você falar de morbidade, de letalidade de mortalidade, você tem que trabalhar com taxas, não tem um trabalho que mostre a taxa de crianças semelhante à taxa de adulto, nem perto disso.

ORACI LARA, REPÓRTER: E o Ibuprofeno?

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DE SAÚDE: O Ibuprofeno é assim, todos nós, médicos clínicos, evitamos de receitar anti-inflamatórios a partir de uma idade, especialmente quem tem outras comorbidades, você evita. Nesse caso específico tem um trabalho onde aponta uma outra situação, que este anti-inflamatório facilitaria pelos seus receptores a entrada do vírus na célula, isso precisa ser comprovado ainda.

REPÓRTER: [Ininteligível]?

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DE SAÚDE: Sempre.

DAVID UIP, INFECTOLOGISTA E COORDENADOR RESPONSÁVEL PELO CENTRO DE CONTINGÊNCIA: Para encerrar, eu gostaria de passar uma informação relevante para vocês, embora vocês já saibam, eu queria dividir aqui com o Dimas e com a Helena a questão da vacinação.

HELENA SATO, DIRETORA DO CENTRO DE VIGILÂNCIA: Bom, eu vou dar início aqui, já estava determinado, já estava organizado, como todos vocês já sabem, nós vamos estar realizando a nossa vigésima segunda campanha nacional de vacinação contra o Vírus Influenza. Mais importante também, nós vamos deixar muito claro que essa vacina é contra o Vírus Influenza, não tem proteção cruzada contra o Coronavírus. Mas é muito importante a gente reforçar a importância da divulgação desta campanha, porque como todos sabem, já sabe, toda campanha a gente fala, primeiro, essa campanha contra o Vírus Influenza nós vamos fazer para qu em? Para quem precisa mais. Quais são os grupos, os grupos das pessoas portadoras de doença crônica, vamos começar com as pessoas com 60 anos ou mais, é muito importante deixarmos claro que será uma campanha nacional, não é uma campanha apenas para o estado de São Paulo. Então serão vacinados aqueles grupos, pessoas com 60 anos ou mais, portadores de doença crônica, as crianças, as grávidas. Depois nós vamos passar através da nossa assessoria de imprensa toda a operação, quais serão as adequadas etapas. Eu vou passar aqui para o doutor Dimas, que é do Butantã, para falar um pouquinho da produção, do quanto nós vamos receber, depois eu volto para dar um pouco da operação.

DIMAS COVAS, DIRETOR DO INSTITUTO BUTANTÃ: Nesse ano, excepcionalmente o ministério fez uma encomenda recorde de 75 milhões, e o Butantã se preparou para fazer essa entrega e já está entregando vacinas desde o dia 11, nós entregamos 10 milhões de doses, então já temos 23 milhões de doses prontas para serem entregues ao ministério. As vacinas já foram distribuídas para a grande maioria dos estados, e, portanto, a campanha está no ponto para ser iniciada. Só para fazer um reparo, quer dizer, 75 milhões, significa que um a cada três brasileiros receberá essa vacina, é a maior campanha de vacinação da Influenza na área pública do mund o, é importante ressaltar isso.

REPÓRTER: [Ininteligível] depois, até para a gente incentivar a doação de sangue, falasse quem pode, quem não pode, quem está espirrando, pode ser que para a gente é óbvio, mas para quem tá em casa...

DIMAS COVAS, DIRETOR DO INSTITUTO BUTANTÃ: A vacina ela é constituída por...

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DE SAÚDE: Doação de sangue.

DIMAS COVAS, DIRETOR DO INSTITUTO BUTANTÃ: Ah, sim, mas eu só vou fazer uma observação. A vacina, é importante dizer o seguinte, ela é constituída por vírus mortos, quer dizer, ela não tem efeito nenhum em relação a efeitos colaterais e assim por diante. Em relação da questão da doação de sangue, nós temos um levantamento de todos os hemocentros do estado de São Paulo, e o que tem mais sangue tem estoque para uma semana. Desde já o fim da semana passada a redução da taxa de doação gira em torno de 20%. E, portanto, nós estamos muito próximos de uma crise de abastecimento que vai, de uma certa forma muito grave, impactar ao funcionamento dos hospitais, porque já tem pacientes lá precisando de sangue, e isso vai continuar acontecendo. Então nesse momento nós estamos reforçando a importância da doação e tomando algumas medidas para que essa situação crítica, de fato, não venha a acontecer.

REPÓRTER: Mas eu digo, quem tá gripado não vai, [Ininteligível]? Isso que eu quero saber.

HELENA SATO, DIRETORA DO CENTRO DE VIGILÂNCIA: Olha, depois nós vamos soltar uma nota, vamos passar as corretas informações. Mas lembra, doação de sangue, qual é a questão? A pessoa não pode estar com febre, não pode estar imunodeprimido, fazendo uso de quimioterapia e radioterapia. Então temos aquelas questões específicas, porque você está doando sangue, certo? E parte dessa população que irá receber, parte delas poderão ser pessoas imunodeprimidas. Então tem toda aquela regra, toda aquela questão que depois a gente passa direitinho para vocês. Mas essa informação é muito importante. Que informação? A import&ac irc;ncia por conta dos estoques nossos, é a importância de a gente estimular e colocar a importância da manutenção da doação de sangue.

DIMAS COVAS, DIRETOR DO INSTITUTO BUTANTÃ: O Paulo vai passar o resumo final aí, a respeito de casos.

PAULO: Isso, 162 casos confirmados, 154 na capital, e os demais na grande São Paulo.

REPÓRTER: Sessenta e dois ou 72?

PAULO: Um meia dois, total no estado, 154 na capital, os demais na grande São Paulo, em vários municípios, são oito municípios com caso confirmado na grande São Paulo. Eu queria chamar atenção para o que aconteceu no domingo, nós publicamos esse resultado no começo da tarde, alguns veículos deram esse número no começo da tarde, às 19h da noite eu olhei no G1, tinha um número maior, e olhei na Folha de São Paulo e tinha um número ainda maior, porque o ministério tinha aberto o acesso em tempo real às notificações que a gente vai enviando para o ministério, por isso que eu insisti que a questão do número exato ela é muito re lativa, depende da hora e do dia que vocês perguntam. Então a gente nesse momento tem notificados para o ministério 162 casos, pode ser que no fim da tarde entre mais, isso o sistema vai trabalhando e eles vão atualizando lá.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DE SAÚDE: Ok. Senhores, muito obrigado.

REPÓRTER: [Ininteligível] protocolo da coletiva?

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DE SAÚDE: Ah, sim, nós estamos vendo aqui como nós vamos fazer para ser à distância, fazer uma telecoletiva com vocês, mas sem nunca deixar de passar a informação. Esperamos que esta seja a última presencial, pelo menos, pelo andamento aqui do que nós estamos fazendo nesse sentido, acho que para a próxima a gente já vê dessa maneira. Muito obrigado.