PANDEMIA - Coletiva - Número de cidades com mortes em São Paulo sobe 1.100% em 40 dias 20201205

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PANDEMIA - Coletiva - Número de cidades com mortes em São Paulo sobe 1.100% em 40 dias

Local: Capital - Data: Maio 12/05/2020

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JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DA SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito boa tarde, gostaria de agradecer a presença de todos vocês, e iniciar esta coletiva lembrando que hoje é o dia do enfermeiro, e esse é um profissional que nos acompanha dia e noite, no atendimento aos pacientes, muito próximo da atividade do médico e dos demais profissionais de s aúde. Enfermeiro tem uma posição central neste contexto do atendimento, da atenção, ele é o profissional que mis vezes presta serviço a um paciente durante a sua permanência num leito, seja de UTI, ou num leito de enfermaria. E hoje, 12 de maio, dia dos enfermeiros. Então, gostaria aqui de deixar essa mensagem de agradecimento, de parabéns pelo trabalho e que a gente possa, através desta epidemia, mostrar, e que tem acontecido, como vocês têm acompanhado, mostrar que o trabalho dos enfermeiros, dos profissionais da saúde, é extremamente importante na recuperação dos pacientes que ficam internados nas unidades. Então, começando hoje o dia, a coletiva, trazendo esta mensagem de agradecimento, mais do que qualquer coisa, aos profissionais de saúde, especialmente enfermeiro, no seu dia de hoje. Muito obrigado. Eu vou iniciar mostrando os n&uacu te;meros de hoje, então, nós temos 168.331 casos no âmbito federal, em todo Brasil, com óbitos de 11.519. No Estado de São Paulo nós estamos com 47.711 casos confirmados e 3.950 óbitos, ou 49 óbitos, no dia de ontem pra hoje, acumulativamente de ontem pra hoje. As taxas de ocupação de UTI, no estado estão em 69.1%, e na grande São Paulo estão em 85.7, esta pequena queda da porcentagem de ocupação se deve a entrada de novos leitos no sistema, que fazem com que a porcentagem de ocupação, então, diminua um pouquinho. Nós temos internados, hoje, em UTI 3.720 pacientes e em enfermaria 5.815. Tanto de pacientes internados, como pacientes confirmados. Aqui também houve uma pequena queda do número de pacientes internados em UTI, colaborando junto com a questão do aumento do número de leitos, que faz, então, cair um pou co o percentual de ocupação na grande São Paulo. E no interior continua dentro de 69%, como vinha vindo, né? Então, esses eram os nossos dados de hoje, vou dar prosseguimento pedindo pro secretário Vinholi falar a respeito da reunião que nós tivemos ontem com os prefeitos e que hoje continua mais um grupo de prefeitos, que se constituíram no comitê municipalista para esta epidemia. Vinholi, por favor.

MARCO VINHOLI, SECRETÁRIO DO DESENVOLVIMENTO REGIONAL DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito bem, boa tarde a todos. Primeiro dizer, ontem, a primeira reunião do conselho municipalista, quase seis horas de reunião, dialogamos com a área da saúde, depois com os secretários em torno do Plano São Paulo e com o governador João Doria, delimitando uma série de procedimentos fundamentais na ação de combate ao coronavírus. 16 regiões administrativas, representando os 645 municípios do estado, de modo institucional e, com isso, n&oacute ;s saímos da reunião com os planos regionais como meta fundamental em que esses municípios vão produzir, nas suas regiões, baseados no Plano São Paulo. Então, hoje, às 16 horas, junto com a equipe do Plano São Paulo, os economistas, os secretários, nós vamos passar pra eles de forma detalhada, de que forma vai se dar esse retorno gradual das atividades econômicas em isolamento, e cada um dos prefeitos vão ter a responsabilidade de construir o plano, com essas bases, nas suas regiões, e daí de acordo com o Estado de São Paulo, fazer essa implementação, assim que a saúde permitir, no chamado dia D. Além disso, Dr. Dimas Covas, junto com os prefeitos, monta também um procedimento, um protocolo de testagem com os municípios, né, esse procedimento vai possibilitar com que nós tenhamos taxas de testagem nas regi&otil de;es e, com isso, a gente avaliar o dia D, significando aí 14 dias de declínio e o mínimo de 60% de ocupação de leitos, né, tem que ser menor de 60%, com uma testagem proporcional pra aquela população. E tendo em vista tudo isso, nós aqui, hoje, apresentamos também aqui que há duas semanas atrás nós trouxemos aqui como um alerta pro interior do estado, de que o crescimento estava se dando de forma muito acelerada, e hoje a realidade que nós encontramos, ela dispõe exatamente o que nós colocamos, o número de casos cresceu quase 100%, 99% ao longo dos últimos 11 dias, ou seja, dobrou o número de casos no interior do estado, pode passar pro próximo slide, nós tivemos, na última semana de abril, uma aceleração de 40 novas cidades com casos de coronavírus, e na primeira semana de maio já tivemos inci dência de 85 novas cidades, ou seja, nós tivemos aí um crescimento muito superior, na primeira semana de maio, mais do que o dobro, do que na última semana de abril, 177 cidades registram óbitos agora, ou seja, 64% do território do Estado de São Paulo já tem casos de coronavírus nesse momento, e nós estimamos que esse número chega, até o fim de maio, em todas as cidades do Estado de São Paulo. Pode passar, por favor. Todas as cidades, nesse momento, acima de 70 mil habitantes já têm registros de coronavírus, esse número também tem avançado pra cidades menores de 70 mil habitantes, que compõem aí os quase 200 municípios, 200 e poucos que ainda não tem casos de coronavírus, mas que diariamente tem tido um crescimento exponencial. Por passar, por favor. Nós conseguimos verificar também que na primeira , no dia primeiro de abril, 16 cidades tinham registro de óbito, dia primeiro de maio 151, e agora 177 cidades com óbitos, um crescimento de 18,5% em dez dias, também crescendo o número de óbitos nas cidades do interior do Estado de São Paulo. Pode passar, por favor. Nós conseguimos verificar também que o número cresce de forma mais acelerada no interior do estado do que na região metropolitana de São Paulo, a proporção de óbitos no interior tem crescido relativamente a proporção aqui na capital de São Paulo. Pra você ter uma ideia, o número de mortos no interior de São Paulo representa 57% do número de mortos na Argentina hoje, pode passar esse slide, por favor. Bom, de modo geral, era isso, demonstramos a alta preocupação, o alerta para o interior do Estado de São Paulo, todas as regiões em crescimento , em aceleração de número de casos, portanto, é fundamental que, nesse momento, a gente possa seguir com as medidas de isolamento social, e também de utilização de máscaras. Cumprimentar o trabalho aqui da imensa maioria dos prefeitos e da sua população na mobilização desse processo. O governador João Doria vai apresentar, como tem apresentado, os municípios com os melhores índices de isolamento social e na sexta-feira, a partir de agora, nós vamos apresentar também a evolução daqueles municípios que conseguiram melhorar o seu isolamento no período.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DA SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Antes de prosseguir, eu só queria colocar aqui também que nós, muito relacionada a questão do interior, são os presídios, nós temos, hoje, 45 presídios só na região oeste do estado, são 220 mil presidiários ou detentos, outros 45 em casas de recuperação e mais o projeto Casa, com mais 13 mil entre servidores e educandos, vamos chamar assim, tá? existe um fluxo de atendimento que o paciente, aí no caso quando ele passa a ter sintomas, então ele é um paciente, ele é atendido pela profissional que existe no próprio presídio, todos os presídios tem pelo menos, um profissional de saúde, e de acordo com a gravidade, ele permanece na sua unidade da enfermaria para recuperação, voltando ao convívio depois de passado o período necessário dos 14 dias. Se ele apresenta sintomas que vão aumentando ao longo do tempo, ele também é transferido para a rede hospitalar do estado. Os dados aqui mostram que entre os servidores já foram testadas 202 pessoas, 28 foram confirmados, estivemos sete óbitos nesse segmento. Entre os presos, 74 ficaram como suspeitos, e isolados, 117 confirmados com exames, com o PCR, e oito óbitos nesse segmento. Estamos atentos, aqui está o secretário da atenção penitenciária, o Coronel Nivaldo, que junto conosco temos apro fundado esse assunto, para alguma, talvez, especificamente uma solução específica para a questão dos presídios. Então por enquanto é esta a situação que nós temos, ele tem uma série de restrições que foram colocadas também para a população que não está doente dentro do presídio, no sentido de promoção e prevenção da transmissibilidade da doença. O senhor quer falar alguma coisa, Coronel? Não. Ok. Dando prosseguimento eu queria que o Geraldo Reple, por favor, falasse um pouco também, ele é o secretário de Saúde de São Bernardo do Campo, e ele é presidente do conselho de secretários municipais de saúde, e que tem esta incumbência de fazer esse elo entre os municípios do interior do estado, por meio das secretarias municipais de sa&uacute ;de.

GERALDO REPLE, SECRETÁRIO DE SAÚDE DE SÃO BERNARDO DO CAMPO: Bom dia, a todos. Agradecer em poder estar aqui com vocês. Eu quero antes de falar um pouquinho sobre a doença em si, eu quero fazer um agradecimento, o secretário já falou, eu acho que merece um agradecimento especial ao pessoal da enfermagem. Hoje, só para vocês terem uma ideia, esse time tem mais de 2 milhões de funcionários no Brasil, são mais de 2 milhões de enfermeiros no Brasil. No estado de São Paulo são aproximadamente 600 mil trabalhadores que s&atild e;o do grupo dos enfermeiros, técnicos em geral. E é interessante, é uma história, porque eles começaram, os enfermeiros acompanhavam os soldados na guerra, e começou lá na Inglaterra, e no Brasil o expoente da enfermagem é a Ana Nery, a gente às vezes, passa em alguns lugares e vê nome de rua e tal, às vezes, não sabe. Ela foi uma enfermeira que trabalhou muito, trabalhava com os pobres e com os soldados também. E o mais importante, pessoal, como o secretário colocou, quem realmente cuida, os médicos, nós como médicos, vamos, acompanhamos os doentes, cuidamos do doente, mas quem está ao lado do doente o tempo inteiro são o corpo de enfermagem. E por que eu estou falando tudo isso? Noventa e dois enfermeiros e todos já morreram no nosso país vítimas do COVID-19, e isso é importante, esses são os verdadeiros gue rreiros, eu insisto muito nisso, estão na linha de frente, os médicos também estão morrendo, mas esse é um pessoal que está sofrendo muito, estão afastados de casa, vocês têm visto um monte de matérias que eles acabam ficando longe de casa, e vão sofrendo todas essas mazela desta doença. Quanto à interiorização, que eu acho que me preocupa, e a todos nós. São Paulo, o secretário já deu um panorama, nós estamos com uma taxa de ocupação bastante grande. Eu vou citar um exemplo, hoje aqui representando os municípios, nós lá em São Bernardo abrimos o hospital faz dez dias, com 100 leitos, esse hospital já está com quase 90% de ocupação. Então a doença tem um crescimento exponencial. E como vocês viram, e o mais importante, tem um dado que às vezes, a gente observa pouco, praticamente 80% dos municípios de São Paulo tem menos de 20 habitantes, e desses, nós temos 25% dos municípios com menos de 10 mil habitantes. Quer dizer o quê? Normalmente um município com 10 mil habitantes não tem um leito hospitalar, e hoje nós já temos casos em 25% desses municípios com menos de 10 mil habitantes. Esse é um dado extremamente preocupante, e como nós estamos vendo, a doença está indo, ela está indo para o interior, está chegando lá nos rincões desse estado. E todo mundo fala, o estado de São Paulo é um estado rico, mas temos isso sim, nós temos nessa realidade um grande número de municípios com uma população bastante pequena. E a doença está chegando. Essa é uma grande preocupação. Eu sei que meus colegas secretários, q uase todos os 100% praticamente, dos 645 municípios, já fizeram plano de ação de combate ao Coronavírus. Desde o município menorzinho de todos, ou o maior de todos, como São Paulo capital, todos tem o seu plano de ação, com todas as dificuldades que nós temos enfrentando de todos os níveis, falta de EPI, a dificuldade na compra, os órgãos fiscalizadores pressionando bastante, vocês estão acompanhando. E tudo que você possa imaginar. Imaginem um município grande como o nosso, e da capital, você tendo que comprar a mesma máscara, a mesma luva, o mesmo gorro, o mesmo óculos, lá no município desse tamainho. O poder de negociação desse município. Então fica aqui meu agradecimento aos municípios, agradecimento ao pessoal da enfermagem. E colocamos à disposição, depois para even tuais perguntas aí.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DE SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Geraldo. Vamos ouvir agora, passar a palavra para o doutor Dimas Covas, que é diretor do Instituto Butatã, e coordenador do centro de contingência.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTATAN: Boa tarde, eu vou apresentar aqui um panorama da epidemia no mundo, e como o Brasil se situa nesse panorama. Quer dizer, nós temos no mundo 3,882 milhões pessoas infectadas, 209 mil mortes. No Brasil, como o secretário já anunciou, 168 mil casos, 11.519 mortes. Veja bem, o que isso representa? Em número de casos, o Brasil é o oitavo país do mundo, em número de mortes é o sexto país do mundo, nós ultrapassamos países como, em termos de mortes, a Bélgica, Alemanha, Holanda, o Canadá e a China. isso mesmo considerando que nós estamos em uma fase inicial da evolução da epidemia. Nós estamos hoje, há 76 dias do primeiro caso notificado, e há 57 dias da primeira morte registrada. Então acho que essa dimensão em termos do que está acontecendo no mundo é importante, e nós estamos progredindo nessa escala cada vez mais, aproximando do topo, eu acho que isso é importante. E isso mostra, sem dúvida nenhuma, a importância do Brasil como centro da epidemia, com o um dos centros da epidemia, e que poderá se tornar, sim, essa marcha, se não for invertida, talvez um dos epicentros mundiais. É isso.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DE SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito assustador, vamos dizer, pela velocidade que essa epidemia caminha. Por favor, doutor Carlos Carvalho, que é o diretor da divisão de pneumologia do Incor, e membro do centro de contingência. Gostaria que falasse um pouquinho a respeito de respiradores. Obrigado.

CARLOS CARVALHO, DIRETOR DA DIVISÃO DE PNEUMOLOGIA DO INCOR: Boa tarde, a todos. Obrigado por mais essa oportunidade de estar comentando aqui sobre a parte, o momento mais grave dos pacientes, que no momento que eles estão na terapia intensiva, que eles têm um grau de insuficiência respiratória que necessitam ou de suplementação de oxigênio, ou do uso de uma ventilação não invasiva ou em situações mais graves, seriam entubados, irem pra ventilação invasiva. O ambiente da terapia intensiva é um ambiente multidiscipl inar, com a participação efetiva de médicos, fisioterapeutas e da equipe de enfermagem, técnicos e enfermeiras. Então, junto com os meus colegas, que já comentaram, eu gostaria de deixar os parabéns pelo Dia de Enfermagem hoje, e pela importância que eles têm, os enfermeiros têm no dia a dia de uma atuação multidisciplinar, como a terapia intensiva. Nós temos trabalhado, no Hospital das Clínicas, e junto à Secretaria da Saúde, em basicamente algumas frentes. Temos colaborado no sentido de avaliar respiradores e eventuais soluções para ventilação mecânica invasiva e temos trabalhado na frente de arrumar soluções para utilizar o parque de ventiladores não invasivos, que não vinham sendo utilizados. Então, estamos trabalhando no desenvolvimento de interfaces, ou seja, de como o equipamento de ventilação mecânica vai ser conectado ao paciente. Na ventilação invasiva é através de um tubo, mas isso exige sedação, exige um tempo longo de terapia intensiva, porque a evolução desses pacientes costuma ser longa. Então, se conseguirmos abreviar o tempo de ventilação invasiva ou até retirar essa necessidade, com o uso de ventiladores não invasivos, usando então essas interfaces mais adequadas, como o que ocorreu na Itália, com uso de capacetes, então estamos desenvolvendo, junto com vários setores que resolveram entrar nessa luta, para desenvolvimento desses capacetes nacionais. Então, temos capacetes sendo desenvolvidos na USP, na Escola Politécnica e em outras empresas, e estamos em processo de autorização da Conep e da Anvisa, para poder ut ilizar esses capacetes nos nossos pacientes. Com isso, teremos a opção de ampliar muito o parque de ventiladores e de podermos fazer o desmame, a retirada da ventilação mecânica mais precoce, porque teríamos essa opção pós-extubação do paciente, como teremos a opção de, numa enfermaria, manter o paciente bem oxigenado, ainda consciente, sem precisar de sedação, sem precisar de ventilação mecânica. Outra linha que temos trabalhado são determinados equipamentos, na realidade, são situações relativamente simples, como conectores que vão ser colocados nessas máscaras, aí não nos capacetes, em outros tipos de máscaras, que vão ter uma válvula na expiração, que vai manter pressurizado o sistema. É uma outra técnica que temos desenvolvido e trabalhado junto com uma série de empresas, que estão produzindo esses equipamentos, esses conectores, utilizando aí uma série de empresas que têm à disposição maquinário para fazer essa produção. Então, estamos em fase de teste com isso. Em paralelo, estamos investindo na formação, no treinamento das equipes, uma vez que esses pacientes estão sofrendo essa interiorização, como vocês viram. Estamos utilizando a telemedicina para fazer a capacitação e o treinamento de equipes de médicos, enfermeiros e fisioterapeutas, no nosso protocolo de cuidados para esses pacientes graves, no nosso protocolo de ventilação mecânica, que foi validado dentro do Centro de Contingência, por colegas das diferentes universidades que fazem parte desse Centro de Conting& ecirc;ncia. Então, estamos trabalhando na capacitação e, num segundo momento, entramos em contatos, através da telemedicina, com os colegas nesses hospitais, para fazer a discussão de casos. No momento, já temos nove hospitais selecionados pela Secretaria de Saúde, que estão em contato com a nossa base da telemedicina, no Incor. Estamos fazendo esse tipo de abordagem, esse tipo de discussão de casos. Então essas são algumas das ações que temos desenvolvido dentro do Hospital das Clínicas, em contato íntimo e com o apoio, com o patrocínio da Secretaria da Saúde, para podermos minorar um pouco mais essa condição grave, essa insuficiência respiratória grave que esses pacientes desenvolvem.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DE SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito bem. Considerações feitas, os informes que nós queríamos dar, então vamos... Agora são 12h57, para as perguntas. A primeira pergunta é presencial, repórter Maria Manso, da TV Cultura.

REPÓRTER: Boa tarde, boa tarde a todos. Eu gostaria que vocês comentassem a decisão do presidente Jair Bolsonaro de colocar salões de beleza, barbearias e academias de ginástica como serviços essenciais. Qual o risco disso para o aumento do contágio?

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DE SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Nós marcamos mais uma reunião a respeito disso e a decisão do Estado de São Paulo será colocada amanhã pelo seu governador, aqui na coletiva de amanhã.

REPÓRTER: Mas qual o risco de se liberar esses serviços?

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DE SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Então, nós vamos fazer isto amanhã.

REPÓRTER: Ok, obrigada.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DE SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, viu? Próxima é online, Rádio BandNews, Sara Tavares, Flávio, por favor.

REPÓRTER: Gostaria de saber se a Secretaria de Saúde tem os dados sobre taxa de ocupação nos leitos de UTI nos hospitais privados na Grande São Paulo.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DE SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: No âmbito público, dos hospitais públicos, nós temos, como eu já coloquei algumas vezes para os senhores, uma separação entre leitos destinados a adultos e a pediatras, e neonatais, mais ou menos dentro de uma mesma proporção, e com isso então adultos ficam mais ou menos 50%. Na rede privada, essa proporção é um pouco diferente, tem mais para adulto do que para pediatra, e a taxa de ocupação que nós estamos verificando, e estamos aumentando o nosso rol de hospitais a serem colocados dentro do sistema que nós chamamos de censo, tem ocorrido um pouco abaixo da porcentagem de ocupação, ainda varia um pouco, da que nós temos aqui, de 85% dos leitos públicos. A terceira, presencial, é do SBT, Fábio Diamante, por favor.

REPÓRTER: Boa tarde, secretário, boa tarde a todos. Secretário, eu queria aproveitar que os senhores, desde a prorrogação da quarentena, utilizaram critérios objetivos para falar de uma possível retomada das atividades no estado, e pedir o mesmo critério, o objetivo dos senhores da área da saúde, do momento que o estado pode precisar de um 'lockdown'. Critério objetivo, ocupação de leitos de UTI, o número de infectados, a velocidade da pandemia, até para que a população entenda em que momento que isso, de fato, pode ser colocado em prática. Obrigado.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DE SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Ok. Vou pedir pro Dr. Dimas Covas responder essa pergunta.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTATAN: Bem, os critérios de saída ou de flexibilização foram apresentados nessa semana, semana passada, e eu acho que eles são muito claros, quando dizem: redução consistente do número de casos, por pelo menos 14 dias, e uma taxa de ocupação de UTI inferior a 60%. Quer dizer, o que você chama de 'lockdown', tranca-rua, parada total, ele indica que o sistema de saúde necessita de medidas emergenciais, quer dizer, o sistema de saúde está nocauteado, e você precisa tomar medida s que são drásticas, ou seja, você parar totalmente a circulação do vírus, porque o vírus anda com as pessoas, e se você faz o tranca-rua, o trancamento, vamos dizer assim, você impede que o vírus circule, e portanto daí 15, 20 dias, você vai observar uma queda do número de casos. Então, isso é muito importante, quer dizer, a capacidade de atendimento do sistema de saúde é que determina a necessidade ou não do que você chamou de 'lockdown'. Olha, isso variou muito entre os países, né, mas sempre que a taxa de ocupação dos leitos disponíveis se aproxima de 100%, né, você tem que considerar essa possibilidade, sem dúvida nenhuma. Se ela ultrapassa 100% significa que você tem pacientes fora do sistema e você precisa tomar providências, né, no caso aí mais dr& aacute;sticas que pode chegar inclusive ao lockdown.

REPÓRTER: Esse é o principal critério, ocupação dos leitos? Ou, por exemplo, a velocidade da transmissão é um critério também utilizado no caso mais radical?

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTATAN: Fundamentalmente é a capacidade de atendimento do sistema de saúde, tá certo? Porque é ela que baliza todas as ações que você... como o Poder Público tem que tomar em relação à epidemia. Ok?

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DA SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito obrigado, Fábio. A próxima pergunta da TV Gazeta, o repórter Marcelo Baseggio.

MARCELO BASEGGIO, REPÓRTER: Boa tarde a todos. Com essa possibilidade de haver capacetes desenvolvidos por pesquisadores da Universidade de São Paulo e outras alternativas aos respiradores, é claro que também vai haver a necessidade de novos proporcionais pra administrá-los nas UTIs. E como o próprio doutor já havia manifestado aqui em outras coletivas, não é qualquer profissional que consegue dar conta de uma UTI, trabalhar numa UTI. Qual é o plano do Centro de Contingência pra capacitar novos profissionais à medida que há necessida de de novos leitos de UTI no estado de São Paulo? Obrigado.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DA SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Começa, por favor.

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Bom, nós estamos trabalhando nesse projeto de treinamento e capacitação, na realidade, desde fevereiro/março começaram a ser montadas as aulas que são curtas e principalmente são feitos clipes, pequenos filmes de poucos minutos apresentando as diferentes técnicas que são aplicadas durante o processo de internação na terapia intensiva. Esses filmes, e essas aulas, e essas discussões estão liberadas num portal da Secretaria da Saúde, estão liberados no Hospital das Clínicas. Ent&ati lde;o são abertos, qualquer médico ele pode se registrar, qualquer pessoa na realidade pode se registrar, é importante registrar pra que nós saibamos quem está tendo acesso. E havendo interesse e a Secretaria da Saúde tem coordenado isso nas suas diferentes regionais de saúde, nós fazemos depois que a equipe assiste essas aulas e esses filmes, fazemos uma discussão com a equipe conjunta, depois fazemos uma subdiscussão com a equipe médica nos aspectos próprios que eles têm que adquirir, com a equipe de enfermagem qual seria o papel principal deles nesse contexto e com a equipe de fisioterapia. Especificamente essa parte de ventilação não invasiva é uma parte que os fisioterapeutas têm que ficar mais ao lado do paciente porque muitas vezes você não pode deixar o paciente, porque diferente do paciente em ventilação mecânic a ele está sedado, ele está dormindo e você ajusta o respirador artificial e durante algumas horas ou dias, ele vai ficar com aquele ajuste. Na ventilação não invasiva utilizando esses aparatos que eu comentei, você precisa de fazer ajustes muitas vezes mais rápidos e mais... em momentos mais curtos. Então, dá uma certa sobrecarga pra equipe de fisioterapia, mas ele já tem essa capacitação pra isso. Não está se inventando nenhuma modalidade nova, é que a ventilação não invasiva não estava sendo aplicada nos pacientes Covid-19 porque a experiência da China foi muito ruim, e pelo risco de espalhar o vírus no ambiente porque não era um sistema fechado, era um sistema aberto. Então o que se agora está construindo são formas de fechar esse sistema, melhorar essa interface e trabalhar num ambiente mais se guro. As equipes já estão, na maior parte delas, as equipes de fisioterapia já estão capacitadas pra aplicar isso, não vai ser complexo.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DA SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Acho que complementando o que você perguntou, o aumento do número de leitos é na mesma medida do aumento dos recursos existentes. E nisso nós temos trabalhado a cada dia, vamos dizer assim. E essa demonstração que eu coloquei no começo de uma pequena diminuição do número da porcentagem da ocupação é decorrente disso também. A próxima pergunta da CNN, Marcela Rahal.

MARCELA RAHAL, REPÓRTER: Oi, boa tarde. Ainda sobre os leitos, né, precisa da chegada dos respiradores que o Governo comprou da China que ainda não chegaram, queria saber como é que está essa situação. E se tem um planejamento, claro que você falou da questão de verba que precisa, se tem um planejamento de quantos leitos precisariam até o final do mês, enfim, até os próximos dias conforme a evolução da doença vem acontecendo pra atender a demanda e não colapsar o sistema de saúde. Eu também qu eria saber a taxa de isolamento social se vocês já têm, quanto que ficou ontem, por favor. Obrigada.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DA SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Eu vou dividir esta resposta aqui com o professor Dimas e complemento a seguir. Por favor.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: Bom, em relação ao número de leitos de UTI necessários, quer dizer, a primeira resposta é a seguinte, o número de leitos de UTI ele não vai ser infinito, ele tem um limite. Quer dizer, o Estado está tomando todas as medidas possíveis para ativar esses leitos rapidamente, mas ele vai chegar num patamar, né? E aí é a questão de como a epidemia evolui, né? Quer dizer, se a epidemia for muito rápida, o número de casos gerados for muito rápido ele vai ultrapassar o número de leitos, né, qualquer que seja ele. Isso foi o que aconteceu em outros países, né? Então esse ajuste fino ele tem que ser feito em função do número de leitos existentes, né, já considerando que vai haver um incremento na próxima semana, daqui a 15 dias, e nós temos que dosar isso com a evolução da curva, principalmente da curva de internações e de número de casos. Então é esse jogo, esse jogo, né, que ele é jogado dia a dia, mas sempre olhando os dois pontos da equação.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DA SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Geraldo, você quer fazer um complemento? Por favor.

GERALDO REPLE, SECRETÁRIO DE SAÚDE DE SÃO BERNARDO DO CAMPO: E é importante também a hora que a gente fala em ocupação de UTI, são o tempo que você tem que tentar abreviar a internação desse doente na UTI. A média de um doente hoje ter ficado numa UTI é de 15 a 20 dias. Se você consegue ganhar um dia, dois dias numa internação dessa, depois de dois meses você em vez de internar dois doentes você vai internar quatro, assim por diante. Então, todas essas alternativas vocês devem estar vendo aí, ah, o medicamento tal conseguiu reduzir quatro dias de internação. Isso é um ganho enorme na ocupação dos leitos de UTI porque você consegue fazer esse giro... esse leito rodar mais rápido. Eu vou citar um exemplo pra vocês. Um parto normalmente a paciente fica no hospital de dois a três dias no máximo, e a hora que você fala num doente desse de UTI ficar 15, 20 dias ocupando é uma coisa muito preocupante. E até complementando aquela pergunta anterior, tem um outro dado interessante sobre a saúde. Todo processo produtivo, normalmente uma indústria ela tem 70%, de 60% a 70% é insumos. A saúde é exatamente o inverso, a saúde é feito com pessoas e a capacitação é muito importante. Então na saúde, em média, nossos insumos custam ao redor de 30% dos gastos, na hora que você vê l&aac ute; R$ 20 milhões no hospital, você gasta com insumos R$ 5 milhões, R$ 6 milhões, o restante é recurso humano. E por isso que a saúde é uma grande escola, você tem que estar o tempo todo formando pessoas. Como o professor Carlos falou, a telemedicina hoje é um excelente recurso. Imagina uma UTI lá na ponta do estado de São Paulo, num município menor, de repente ele poder acessar um especialista aqui no Hospital das Clínicas, e ele falando com ele olho no olho. Isso é fundamental e é muito importante, tá?

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DE SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Marcelo e os demais. A taxa de isolamento social nós temos para a cidade de São Paulo, aqui pra grande São Paulo de 49%. Não temos a taxa hoje do interior, amanhã teremos ela, esta taxa. Com relação à questão ainda dos leitos, quando nós fizemos o primeiro cálculo a respeito de quanto nós precisaríamos, esse dado que ele trouxe agora, a gente usou 15 dias como média de permanência do doente num determinado leito. Depois de 15 dias então, ele sai, isso, esse leito gira o número de pacientes, e assim por diante. Então, um grande esforço que nós temos que fazer é justamente ir diminuindo gradativamente essa taxa de permanência ou média de permanência, é assim que a gente chama. O que nós temos observado é que aqueles pacientes mais graves e mais idosos, e com maior taxa de mortalidade, têm ficado mais do que 15 dias. E pacientes que sejam mais novos, que evoluem um pouco melhor, têm ficado menos de 15 dias. E aí, dentro desta média é que nós estamos procurando ver se a gente consegue diminuir abaixo de 15 dias. Com relação aos respiradores, nós temos outras fontes, que nós estamos buscando, além da China, temos aditivos, que estão sendo assinados hoje, e amanhã a gente traz pra vocês um balanço geral a respeito dos res piradores, e um certo cronograma... Não um balanço, mas um cronograma da chegada de leitos, todos importados aqui para o sistema da Secretaria. A próxima pergunta, penúltima pergunta, da Rede TV, Carolina [ininteligível].

REPÓRTER: Boa tarde a todos.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DE SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Boa tarde.

REPÓRTER: Gostaria de saber, em relação ao 'lockdown', que vocês já mencionaram aqui, que se os leitos de UTI estiverem ocupados próximo a 100%, é que aí poderia haver uma decisão, avaliada em conjunto, de um 'lockdown'. O que é, para vocês, representantes da ciência, a aproximação? Porque, há poucos dias, nós estávamos com 90%. Com a ampliação dos leitos, agora 85%. Quantos por cento exatamente precisa ficar? E assim, o que a gente observa também é uma popula&cced il;ão que não está colaborando o suficiente com todas as recomendações, até porque não basta só vocês colocarem mais leitos de UTI e a população continuar desrespeitando o isolamento e as medidas de distanciamento social. Então, do que depende, o que falta pra gente chegar ao 'lockdown'? E a minha segunda pergunta é em relação a testes. Há alguns dias, vocês disseram que poderíamos ter aí por volta de 8.000 testes por dia, por causa da quantidade de laboratórios habilitados trabalhando. Gostaria de saber como é que está o andamento desses testes, se continua essa média, se tem testes ainda em fila, como é que está no momento. Muito obrigada.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DE SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Então, com relação à questão da porcentagem de ocupação, a gente trabalha com cenários, exatamente, como a gente sempre tem dito aqui. É muito difícil você... Olha, chegar a 100%, então nós vamos ter que fazer um 'lockdown'. Não tenha dúvida, agora, não é este número que nós vamos trabalhar. Nós não estamos trabalhando com a ocupação de 100%. A cada... Como voc&ec irc;s têm percebido, se nós não tivéssemos feito nada, acho que nós estávamos com 110% atualmente, né? Então, nós temos ainda 2.000 leitos para entrar. Esses leitos necessitam de recursos adicionais, então, conforme esses recursos estão sendo alocados, a gente consegue colocar em operação. Mesmo dentro do próprio Hospital das Clínicas, temos leitos ainda, com essas características, prontos, porém faltando alguns insumos, que, pra este tipo de patologia, o insumo mais importante é o ventilador, em função da insuficiência respiratória. Dr. Dimas, a respeito... Por favor.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: Bem, com relação aos testes, nesse momento a rede, a plataforma de laboratórios tem capacidade de 5.000 exames/dia e está realizando menos de 2.000. Quer dizer, não existe nenhum teste, nenhum exame represado. Existe essa capacidade, vamos dizer, "ociosa", que vai permitir para que nós passamos para a fase que nós estamos chamando de segunda fase de ampliação, que é trabalhar com os contatos dos pacientes internados e com pacientes com sintomas leves. Então, está sendo já feit o um planejamento, hoje houve uma reunião do Centro de Contingência nesse sentido, e que deverá ser anunciada, brevemente, essa ampliação. Nesse momento, a rede está ociosa, e chegará a 8.000 muito rapidamente, na dependência dessa demanda.

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Só para adicionar aqui à resposta, chegou aqui pra gente agora também, o número de isolamento no estado ontem, 47.8% em todo o Estado de São Paulo.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DE SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: 49% na Grande São Paulo, 47% no interior do estado. Última pergunta, presencial também, Guilherme Balza, da TV GloboNews.

REPÓRTER: Boa tarde a todos. Secretário, a gente vê que a taxa de isolamento continua muito distante do que vocês querem, mesmo com rodízio bem radical aqui em São Paulo, essa taxa não mudou muito, está longe daquele percentual de 55%. E acho que nesse momento é importante ter bastante transparência, até para que as pessoas percebam o tamanho da gravidade, do risco que tem do sistema colapsar. Então vou insistir na pergunta da colega, com relação ao percentual. Qual é o percentual? A gente acompanha todos os dias a ocupa& ccedil;ão dos leitos e fica ali entre 85%, 90% na Grande São Paulo. Qual é o percentual que vai fazer vocês acenderem o alerta, o sinal de alerta: agora a gente precisa ser mais duro. Só pra gente ter uma referência, inclusive até porque o senhor disse que o percentual de ocupação dos leitos privados é parecido.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DE SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Então, a gente tem trabalhado desta maneira que eu estou lhe falando, falei na pergunta anterior. Nós temos 89%, vinha vindo esta semana, adicionamos leitos, quase 100 leitos, na próxima semana temos leitos a adicionar. Independente da questão dos respiradores. E com isso nós baixamos a taxa de ocupação. A outra, o outro fator que deve ter contribuído para a diminuição da taxa de ocupação é a própria UTI. É o tratamento, &eac ute; a operação da UTI, assim por diante. Então, é um balanço entre a oferta de recursos que o Estado pode prover para a população, em termos de assistência, e a entrada de casos positivos, decorrentes de não ficar em casa. Com uma taxa de ocupação de 49%, vocês podem ter... De ocupação, não, desculpa, de isolamento de 49%, todos sabemos. Se ela fosse 60%, nós estaríamos numa situação muito mais confortável. Não melhor, porque ainda teríamos muitos pacientes, mas confortável, porque... Mais confortável, porque nós poderíamos ter opções diferentes para o tratamento de determinados tipos de pacientes, dentro do próprio Covid-19. Então, não existe uma fórmula, que você chega e fala: Não, a hora que der xis, eu vou fazer um 'lockdown' ou vo u fazer qualquer outra ação, não tão radical mesmo, né? A gente toma todas essas ações à medida que estuda e testa e avalia a evolução da epidemia e dos recursos que nós temos. Eu queria, antes de encerrar, ver se o Dr. Dimas e o Geraldo, alguma... Não? Dimas? Ok. [ininteligível]?

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Só adicionar ao gancho que foi colocado aqui. Nós crescemos, desde o mês passado, 5.4 vezes o número de casos, chegando a esse número de hoje. Então, as medidas têm sido tomadas, proporcionalmente. A capital, com maior gravidade, na sequência a região metropolitana, e daí, de forma heterogênea, também o governador tem afirmado, de forma constante, as medidas e que, se necessário, sempre serão tomadas. Mas fundamental é pedir a mobilização da sociedade, daquele que acompanha a c oletiva. As taxas de isolamento têm que melhorar. Nós passamos a projeção aqui chegando até 100 mil casos, até o fim do mês, e a gente espera poder melhorar as taxas de isolamento, com a colaboração da sociedade, em todo o Estado de São Paulo, para que a gente possa ter um sistema de saúde suportando os índices de crescimento. Então, fiquem em cassa e sigam utilizando as máscaras.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DE SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Sr. Carlos.

CARLOS CARVALHO, DIRETOR DA DIVISÃO DE PNEUMOLOGIA DO INCOR: Só um comentário adicional, que é interessante para vocês saberem. Isso que o Dr. Germann comentou, de que está aumentando o número de leitos, então a proporção baixa, tem um outro fator que vem acontecendo agora, que os pacientes estão chegando na fase dos 15, 20 dias, que esses leitos foram abertos lá atrás, e esses pacientes começam a ter alta. Então, tem... É como se fossem leitos novos, que estariam absorvendo os casos que estão chegando. En tão, por isso, vai tendo essa acomodação, e essa taxa, ela vai sendo monitorada, e novos leitos vão sendo absorvidos à medida que se percebe que essa acomodação não esteja ocorrendo. Mas um outro fator é que, felizmente, temos conseguido um número de altas que vão vagando novos leitos, para poder internar mais outros pacientes. E o comentário final, sem dúvida nenhuma é: fique em casa.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DE SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Ok. Antes de encerrar, eu queria fortalecer a mensagem do 'fique em casa'. Salve-se em casa, porque é ali que você fica mais protegido. Os idosos, acima de 60 anos, principalmente, cuidem deles, cuidem deles, para que tenhamos passado por esta epidemia sem uma catástrofe, relacionada principalmente aos nossos entes queridos mais idosos. E a outra, a questão da máscara. O uso da máscara é obrigatório, mas independentemente disso gostaria de passar essa mensagem, enfat izando o uso da máscara, porque a sua máscara me protege e a minha máscara protege você. E ainda a questão final aqui, para como melhorar a taxa de isolamento, nós já fizemos campanha, nós já fizemos várias ações, no sentido de assim fazê-la subir, e não sei, acho que... Será que é só o medo que é capaz de fazer subir uma taxa dessa? Então fica aí a mensagem e lembrando do Dia do Enfermeiro, mais uma vez, e agradecendo a atuação de todos os enfermeiros e profissionais de saúde nesse sistema. Muito obrigado à presença de vocês. Até amanhã.