PANDEMIA - Coletiva - SP amplia base e estende teste de coronavírus a quem teve contato com pacientes 20203004

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PANDEMIA - Coletiva - SP amplia base e estende teste de coronavírus a quem teve contato com pacientes

Local: Capital - Data: Abril 30/04/2020

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JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO ESTADUAL DE SAÚDE DE SÃO PAULO: Muito boa tarde, senhoras e senhores, boa tarde, Srs. Repórteres. Estamos aqui mais uma vez, numa coletiva técnica da área de saúde, com a presença do Centro de Contingência, sob a coordenação do Dr. David Uip, e hoje com a presença do professor Dimas Covas, porque a narrativa de hoje diz respeito muito à questão da estratégia de testagem. Gostaria de saber, por favor, falar...

DAVID UIP, COORDENADOR DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: Muito bom dia a todos, queria cumprimentar o professor Dimas Carvalho, o secretário José Henrique Germann, professor Carlos Carvalho, e eu vou tentar imitar o governador João Doria e ir me fiando pelos informes. Então, nós acabamos de ter uma reunião, liderada pelo governador João Doria, com a presença do vice-governador, o Rodrigo Garcia, o secretário José Henrique, outros secretários, o Centro de Contingenciamento, com o Ministério da Saúde, com o nosso ministro e com todo o grupo do Ministério da Saúde. Foi uma reunião que nós entendemos, e é essa a posição do governador, uma reunião adequada, e eu vou abordar os quatro itens que eu entendi como fundamentais na fala do ministro. Então, o ministro, ele, perguntado pelo governador, ele colocou quais são as suas linhas de atuação. Então, a primeira delas, a manutenção do programa anterior, para que não haja solução de contiguidade. A segunda, a manutenção do isolamento social. O ministro defendeu a manutenção do isolamento social. A terceira, a dificuldade da compra de insumos, principalmente de respiradores. Então, o ministro, ele falou claramente, com toda a franqueza, a dificuldade que o Ministério da Saúde, à semelhança de estados e municípios, tem na compra desses insumos, respiradores e outros materiais, que são usados em ambientes de terapia intensiva. Também falou da importância do programa de testes, tanto do diagnóstico da doença aguda, através da utilização do exame PCR-RT, como também a descoberta dos pacientes que já foram infectados e, por conta disso, têm sorologia IgG positiva. Então, nós entendemos que isto é extremamente alinhado com aquilo que o Governo do Estado pensa, a Secretaria de Saúde, e a preocupação do ministro de novas ondas e de infectados. Então, nós entendemos absolutamente adequado e alinhado. O Estado também, ele demonstrou toda a preocupação com a agilidade dos procedimentos, por conta que São Paulo, epicentro da epidemia, está numa curva ascendente, com novos pacientes, infelizmente com novos óbitos, e fundamentalmente com uma enorme necessidade tanto de apa relhos como de insumos. O secretário vai listar em seguida aquilo que São Paulo solicitou formalmente ao Ministério da Saúde, tanto do ponto de vista de credenciamento de leitos, que isto é fundamental. Isto é uma demanda muito antiga da Secretaria de Estado, o credenciamento rápido de leitos prontos, que muitas vezes já atuam mas sem o financiamento. Isso é um problema crônico do SUS, tanto esse credenciamento, que é fundamental, como o repasse de dinheiro e a necessidade de aparelhos e insumos. O ministro terminou dizendo que, para que haja flexibilização, precisa haver todo esse cenário em andamento. Então eu peço, por favor, ao secretário, que liste as demandas do Estado de São Paulo.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO ESTADUAL DE SAÚDE DE SÃO PAULO: Elas foram muito simples. Mas antes, eu gostaria de informar também que nós tivemos um gasto, uma despesa com o Covid, desde o começo, que foi proveniente do Ministério da Saúde, de R$ 480 milhões. Além disso, ele colocou no Hospital das Clínicas 80 leitos, são kits completos de leitos, e alguns insumos. O Estado, recursos provenientes do Tesouro do Estado, no valor de R$ 1,6 bilhão, fez todo este trabalho que vocês estão acompanhando, de preparar leitos, comprar respiradores e assim por diante. O que nós solicitamos hoje ao Sr. Ministro, como necessidade atual, foram: 100 respiradores, 1.600 kits de carro-monitor, que nós chamamos, swabs para coleta de exames de PCR, 4 milhões de testes rápidos para atuar na população. O Ministério já tinha enviado 400 mil testes rápidos, com a expectativa de chegar a 1 milhão, porém com destino certo para as prefeituras do Estado de São Paulo, exclusivamente para uso com os profissionais de saúde. Não havendo depois, havendo, atingiu todos e ainda temos testes, então pode-se usar na população mais idosa. Então, nós precisamos agora, enquanto a Secretaria e com a ajuda do Instituto Butantã, fazer então este mesmo trabalho junto à população. Ent ão foi isso que nós solicitamos hoje para o Sr. Ministro, na reunião agora há pouco, que tivemos, que aliás não acabou, ela está agora fazendo outros estados.

DAVID UIP, COORDENADOR DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: Eu vou complementar, dando números a vocês das necessidades financeiras que o pedido do secretário elencou. Então, do ponto de vista de habilitação, esse número vai ser acertado junto com o Ministério, após essa reunião, porque há uma discrepância no que é solicitado e do que o Ministério entendeu que já foi solicitado. De qualquer forma, o Estado de São Paulo, ele se solicita o credenciamento de 2.783 leitos de UTI, específicos para o Covi d, dos quais foram habilitados até o momento 734. A habilitação desses 2.049, obviamente, é imprescindível. E esta habilitação significa um repasse financeiro do Ministério à Secretaria de Estado de um valor um pouco superior a R$ 292 milhões. Isto cobre a demanda do credenciamento e habilitação desses leitos. Necessidade do recebimento, nos próximos 15 dias, de 100 respiradores para o Hospital das Clínicas. O Hospital das Clínicas, como todos sabem, ele rapidamente ativou 200 leitos e está ativando mais 100, totalizando 300, e precisa imediatamente habilitar mais 100 leitos, totalizando 400 leitos. Lembrando que o Hospital das Clínicas destinou o seu instituto central só para o atendimento a pacientes com Covid-2019. Quatro milhões, como o secretário já disse, de unidades de testes rápidos, 20 milhões em insumos de coleta do PCR, swab e tubos de ensaios, as EPIs para os leitos de UTI, rede SUS, implicando em 4,2 milhões de máscaras N95 e cirúrgicas, entre outros EPIs, e 2,6 milhões de medicamentos emergenciais, o [ininteligível] e a cloroquina para os protocolos do próprio Ministério. O ministro foi enfático em solicitar aos estados que façam solicitações para os próximos dias, entendendo a emergência. E o Estado de São Paulo foi muito enfático em dizer ao ministro da necessidade desse entendimento, que é dele, de atender o Estado de São Paulo muito rapidamente, à semelhança do que deve ocorrer com outros estados. Então, agora eu peço ao nosso secretário que atualize os dados do estado de São Paulo.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DA SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Hoje, de ontem para hoje nós temos no número de casos está em 28.698 um acréscimo de 10% ao dia anterior e óbitos, 2.375, um acréscimo de 6% em relação ao dia anterior. Esses 6% era a velocidade, vamos dizer assim que nós estávamos obtendo na semana passada e retrasada. Com relação ao Brasil, temos 76.172 casos com 5.466 óbitos. Internados em UTI aqui no estado nós temos 1.744 e em enfermaria 2.138. No dia da ontem nós entreg amos mais 200 leitos no hospital de campanha no Ibirapuera, que passa a funcionar amanhã, a taxa de ocupação no estado para leitos de UTI é de 69. 3% e aqui na capital 89%, então, passamos agora a partir desse final de semana a utilizar os leitos do interior para tratamento de pacientes aqui da grande São Paulo, na enfermaria, 48% de ocupação no interior e 73% de ocupação dos leitos de enfermaria. Era isso que eu tinha a falar. Obrigado.

DAVID UIP, COORDENADOR DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: Muito obrigado, e eu passo agora a palavra ao professor Dimas Covas, diretor do Instituto Butantã, e coordenador da plataforma de laboratórios, professor Dimas me corrija mas eu tenho a impressão que já temos 37, 38 laboratórios e na sequência atingiremos 44 laboratórios, esse e o plano de ampliação da testagem do estado de São Paulo, que o centro de contingenciamento e governo de senador entendem como fundamental para o conhecimento da pandemia para ampliação do conhecimen to com duas vertentes muito claras, o diagnóstico da doença aguda e a proteção e também o conhecimento da população já atingida. Professor Dimas vai explicar que nós vamos trabalhar com co-workers e todo o sistema desse combate à epidemia. Por favor, professor.

DIMAS COVAS, DIRETOR DO INSTITUTO BUTANTÃ: Boa tarde, boa tarde a todos. Eu vou fazer um quadro bem geral para poder entender onde se entram, onde entra essa estratégia que nós estamos chamando de estratégia ampliada de teste para o estado de São Paulo e eu vou ser bem simples para, para haja um entendimento bem claro, [é o anterior mesmo. Não sou eu que estou controlando]. Então nós temos a epidemia e a epidemia acontece na população casos que são infectados, casos não infectados, dos infectados, um grupo tem sintomas, um grande gr upo não tem sintomas, e uma parte pequena desses indivíduos infectados vai a óbito então esse e o cenário no qual nós temos que trabalhar. [Não sou eu que estou mexendo não, isso, vamos ficar aqui]. Então, veja, com base no que acontece na epidemia, nós temos três condicionantes que são fundamentais, do ponto de vista do estado é a capacidade do sistema de saúde, quer dizer, nós temos que ter certeza, isso é um pouco difícil, mas nós temos que estar preparados para que a epidemia caiba dentro do sistema de saúde, esse é o ponto fundamental, quer dizer, essa é a variável fundamental na manipulação ou na tentativa de manipulação da epidemia, quer dizer, nós temos que tomar medidas para que a epidemia caiba dentro do nosso sistema de saúde. Caso contrário nós teremos It&aa cute;lia, acho que isso ilustra bem, então, estamos lá, capacidade do nosso sistema de saúde está sendo ampliado, leitos ativados, hospitais de campanha, profissionais contratados e assim por diante, o segundo ponto, quer dizer, nós temos que ter um sistema de contabilização desses casos que seja muito precisa, então nós temos que saber com a maior precisão possível número de contaminados, número de suspeitos, número de óbitos, porque são esses números que vão permitir todas as curvas que saem, são esses números que estão na base dessas curvas, então esses números, eles precisam refletir a realidade para que a gente olha a curva e saiba, olha, nós estamos olhando com uma certa precisão, uma boa precisão que está acontecendo na realidade. E temos que acompanhar quer dizer, não basta a fotografia de ontem ou da semana passada nós temos que acompanhar o que vem acontecendo para saber, fazer uma projeção do que vai acontecer daqui algum tempo, então são os modelos e principalmente para avaliar se as medidas que nós estamos tomando são, estão sendo eficientes para fazer a epidemia caber dentro do sistema de saúde. Então quando se discute se vai ter maior ou menor grau de isolamento, no fundo no fundo nós estamos discutindo se a epidemia daqui uma semana duas semanas, três semanas, quatro semanas vai estar dentro do sistema de saúde ou não, essa é a pergunta fundamental. E a terceira estratégia que complementa essas duas é a testagem, quer dizer, a testagem, ela é fundamental em vários momentos da epidemia e ela dispõe de ferramentas que são os testes para o diagnóstico do vírus, diagnostico do v&iacu te;rus da infecção aguda pelo vírus que é o RTPCR e outro tipo de teste que identifica os indivíduos que já tiveram infecção já tiveram infecção, não estão mais com infecção e têm apenas a cicatriz dessa infecção, ou seja, têm anticorpos no seu sangue que mostram que eles foram infectados no passado, então existe essas duas estratégias para momentos diferentes da infecção. E aí nós temos então, qual que foi a nossa estratégia? Quer dizer, no dia 4 de abril foi constituída a plataforma, 38 laboratórios já habilitados, o restante em processo de, públicos e privados, essa rede de já realiza hoje ou tem capacidade de realizar nesse momento 5 mil exames por dia, não está realizando porque a demanda ainda não chegou a tanto mas ela est&aacute ; apta a realizar esses exames. A estratégia em si, ela tem quatro componentes, quer dizer, um componente importante, quantos testes serão feitos, qual a regularidade de aplicação desses testes, enquanto tempos testes serão repetidos então isso é um ponto importante, quantos nós podemos comprar, quanto o Ministério vai fornecer, qual que será o quantitativo no final que nós vamos ter disponível. Ponto dois, a logística, quer dizer, essa logística, ela se distribui, ela tem que ser efetiva para todos os municípios do estado de São Paulo, e aqui envolve distribuir o teste, a cadeia de frio, a conservação das amostras que são colhidas, o transporte dessas amostras até os laboratórios, então tudo isso tem que ser olhado. A parte operacional, quem que vai executar o teste? Quer dizer, o teste vai ser realizado lá na ponta , em que local vai ser feito esse teste, quem serão os profissionais que vão fazer o teste, como é que esses testes serão registrados, em qual sistema esses testes serão registrados, e por fim, a inteligência que permite todos esses três casos, quer dizer, nós temos que prever o quantitativo, o intervalo de tempo nós temos que ter quais dados serão coletados, quer dizer, CPF, endereço, familiares e assim por diante, e como esses dados serão analisados, quer dizer, esses dados serão analisados para fazer o acompanhamento da epidemia, a modelagem da epidemia e assim por diante então isso aqui dá o contexto geral de testagem próximo de positivo e aqui então é um detalhamento, então nós chamamos de testagem ampliada. Mais uma vez, dois tipos de testes, teste que identifica o vírus, que é o RTPCR, fase aguda, fase da infecç ão, e o teste que demonstra a cicatriz, o anticorpo lá na frente. Quer dizer, no momento, nós estamos nessa fase aqui, olha, fase atual, nós estamos testando por RTPCR, ou seja, nós estamos procurando o vírus nos pacientes graves, os pacientes internados, nos óbitos, e nos profissionais de saúde. Então é o atual. As outras estratégias nós colocamos em fases, fase um, fase dois e fase três. A que se aproxima, e que ela tem que ser implementada até o dia 15 de maio, poderá ser implementada antes, mas na dada do dia 15 de maio ela deve estar implementada, é o que nós chamamos de uso dos testes para anticorpos, os testes que identificam a cicatriz, a resposta do organismo à infecção. E basicamente esses indivíduos são os indivíduos assintomáticos, quer dizer, os indivíduos que tiveram a infecçã o não tiveram sintomas, e, portanto, eles não aparecem de uma forma clara nas estatísticas. Então nós vamos lá pegar esses indivíduos assintomáticos. Algumas poções especiais já estão definidas. Então, por exemplo, segurança pública, vamos testar 130 funcionários, colaboradores da segurança pública, Polícia Militar, Polícia Civil, Bombeiros, serão testados todos. Saúde, considerando que muitos já tiveram teste de PCR, está certo? Já tem teste de PCR positivo e já tem teste de anticorpo.

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: O senhor falou 113 mil? Só para deixar claro.

DIMAS COVAS, DIRETOR DO INSTITUTO BUTANTÃ: Cento e trinta mil, da segurança pública. Ok? Saúde pública, privados de liberdade, sistema prisional, Fundação Casa, quer dizer, nós temos que testar, aqui é para gerenciamento desse efetivo, na área da saúde nós temos que gerenciar o efetivo da saúde. Os que já foram infectados eles podem estar na frente de batalha, os que ainda são susceptíveis, eles podem ter aí até uma orientação um pouco mais conservadora, do ponto de vista de comportam ento. Doadores de sangue, que é uma população importante para ser testada, não só pela característica da população, mas como também porque existe um programa que está se iniciando, de coleta de plasma hiperimune. E as casas-abrigo, os asilos, enfim, as casas asilares de uma forma geral, aonde os indivíduos ficam confinados, que lá também é importante que se realize este teste, que nós estamos chamando de teste rápido. Por outro lado, tem os assintomáticos que foram contatos de casos positivos. Então esses assintomáticos serão testados, após os 14 dias da regulamentação serão testados. E as coortes, quer dizer, as coortes são populações, subpopulações definidas estatisticamente, e deverão ser testadas ao longo da epidemia. Quer dizer, são essas coortes que v&atil de;o nos dar a ideia de o que está acontecendo na população geral, à medida que a epidemia evolui. E aqui tem uma primeira coorte importantíssima, que eu vou mencionar, porque já começou um piloto, que é uma coorte da própria segurança pública, quer dizer, um contingente da Polícia Militar, especificamente o contingente do município de São Paulo, que são 35 mil homens, e profissionais homens e mulheres, e seus familiares. Então essa é a primeira coorte, uma coorte importantíssima, que terá no seu total, 145 mil pessoas. Testando essas 145 mil pessoas nós vamos ter uma fotografia muito precisa da epidemia, nós vamos saber exatamente a transmissibilidade, nós vamos saber exatamente como é que isso se disseminou na região, enfim, vamos ter todos os dados aí com uma precisão muito grande, para fazer, para extrapolar isso para as outras análises. Então essa coorte já começamos um piloto, no hospital da Polícia Militar, já colocamos lá essa semana na segunda-feira, já foram feitos a parte inicial dos testes, e pretendemos começar já na próxima semana esse total de testes. Do outro lado, a fase dois, nós vamos ampliar, agora é teste de vírus, é em RTPCR, nós vamos passar a testar também os contatos dos pacientes internados. Quer dizer, teve o contato, os familiares desses, os coabitantes desse positivo serão testados pelo RTPCR, com essa lógica aqui, se eles apresentarem sintomas, então se os contatos tem sintomas, farão o RTPCR. Se forem assintomáticos e o contato foi há menos de 14 dias, poderá fazer o RTPCR. Idealmente ele deverá fazer o isolamento domiciliar, aguardar os 14 dias, e fazer o teste r ápido. Ok? Então fase dois. Fase três, também agora com relação aos indivíduos que tem a infecção, mas são assintomáticos, que é o grande contingente, e que são identificados pela vigilância epidemiológica. Então na medida em que nós fomos tendo testes, esses indivíduos também serão com sintomas testados pelo RTPCR, com mais de 14 dias pelo teste rápido, com isso nós vamos ter um grande contingente populacional testado de uma forma muito racional, como está planejado aqui. Próximo. O que isso vai representar em termos de comparação de número de testes? E aqui especificamente com RTPCR, em relação aos outros países? Então veja, o Brasil hoje, ele tem uma posição das mais inferiores, ele realiza em torno de 1.500 testes de RTPCR por milhão de ha bitantes. Na Itália, por exemplo, olha lá, gráfico da Itália, isso passou de 30 mil exames de PCR por milhão de habitantes. Espanha, Portugal, olha lá, Portugal, quase 35 mil exames. Com os 1,300 milhão que o estado já adquiriu, não contando que virão mais testes dos ministérios, nós vamos estar com 27 mil testes por milhão de habitantes, ou seja, nós vamos estar entre os países que mais testaram com o RTPCR. Ok? Próximo. Esse eu vou pular. Essa aqui é mais ou menos a estratégia para os testes rápidos, e para o RTPCR, tudo isso será controlado por um sistema de aplicativo, um aplicativo, e aqui nós tivemos uma cooperação muito grande do movimento Brasil Mais Competitivo, que tem uma startup que chama [Ininteligível], que está doando para o estado de São Paulo, ainda nós estamos no momento de customização de um sistema de inteligência. Ou seja, toda vez que se faz um teste isso entra nesse sistema e vai direto para uma base de dados na nuvem, e fica disponível tanto para o sistema de saúde, para o sistema de saúde do estado de São Paulo, como ele é imediatamente disponibilizado para o indivíduo testado, ele recebe esse resultado, com as orientações, quer dizer, não basta ter o resultado positivo ou negativo, ele precisa receber as orientações, se for positivo quais serão as orientações, se for negativo, quais as orientações. E isso em tempo real. Quer dizer, eu não vou anunciar o aplicativo hoje, isso aqui eu vou deixar para anunciar a hora que ele estiver totalmente pronto, porque isso vai ser disponibilizado para todos que realizarão o teste, inclusive para os municípios, e para aqueles laboratório, i nclusive privados, né, que vão realizar o teste e que é necessário que a gente saiba, né, como sistema de saúde o que quer que está acontecendo, né? Então vai ter necessidade provavelmente de uma resolução, né, normatizando isso. E eu gostaria que nós fizéssemos isso até a próxima semana, até como um desafio nosso. É isso, né, no seu conjunto.

DAVID UIP, CHEFE DE COMITÊ DE CONTINGÊNCIA DA COVID-19: Muito obrigado, professor Dimas. Acho que a apresentação muito clara e eu quero acrescentar... eu quero acrescentar que já alguns grupos de pesquisadores aqui no estado de São Paulo já trabalham com modelos epidemiológicos e estão fazendo trabalhos muito interessantes. Obviamente que vão ser adicionados aos trabalhos do estado. Segundo comentário, que nós vamos usar todos os mecanismos possíveis de abordagem as pessoas, e muito a saúde quem trabalha com o programa da sa&ua cute;de da família que são as pessoas que estão na ponta, que estão nos municípios. Então, essa é uma abordagem que eu acho, nós discutimos na última reunião do grupo, utilizar os recursos que estão disponíveis, e quem vai na ponta na casa do familiar. Este profissional, na verdade, são grupos de profissionais, eles atuam no cotidiano junto às famílias. Então nós vamos utilizar todas as possibilidades pra abordar pra ter rapidamente um maior número de testes. E acrescentando o que o professor Dimas falou, esse sistema ele vai informar o indivíduo, vai informar o Estado e na consequência vai informar o Ministério da Saúde. Óbvio que o Ministério da Saúde vai ficar informado a semelhança do Estado, dos Municípios e do cidadão. Eu tenho impressão que um resumo geral, secret&aacut e;rio, eu tenho impressão que era isso, a apresentação desse programa de ampliação de teste, eu vejo essa ampliação como absolutamente fundamental e oportuna porque é algo que faltava nas análises de dados do estado de São Paulo. Entendo também que é uma missão árdua que tem que ser perseguida e vai nos colocar entre estados e países que mais testam e testaram. Então, um dado que faz parte do programa apresentado pelo governador, aquele programa estadual e a testagem é fundamental no conhecimento desses dados. Secretário, eu posso começar as perguntas? Então eu vou começar--

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Treze horas e um minuto, hein?! Então vamos iniciar as perguntas.

DAVID UIP, CHEFE DE COMITÊ DE CONTINGÊNCIA DA COVID-19: Então eu vou começar as perguntas primeiro por uma pergunta on-line do Diário do grande ABC, Aline Melo. Quem fará a pergunta é o Flávio.

FLÁVIO: Os números de certidões de óbito por Covid-19 divergem dos dados que estão sendo divulgados pelos municípios. Todas as pessoas que estão morrendo nos hospitais de São Paulo com suspeitas da doença estão sendo testadas para posterior ajuste das estatísticas?

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Muito obrigado pela pergunta. Sim, existe, existe um processo de encaminhamento dos testes, das amostras, melhor dizendo, para testagem. As que são realizadas em hospitais, quanto mais na grande São Paulo, mais fácil de chegar aos vários laboratórios que nós temos nesta região. Num município mais distante ele tem que entregar isso também num município regional que é um dos mecanismos das unidades da rede hospitalar de testagem. Então por isso sempre cria uma defasagem desse tipo. O seu comentário, por favor.

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Bom, aqui nós temos um ponto interessante. Apareceu recentemente na imprensa discrepâncias de números, tá certo? O município ainda está aguardando não sei quantos mil testes que foram encaminhados para o Adolfo Lutz e ainda não tem resultado. Veja bem, o Adolfo Lutz hoje não tem amostras guardadas. O Adolfo Lutz hoje trabalha com o que chega no dia, tá? Então ele não tem amostras guardadas, não tem amostras a serem testadas. Todas as amostras que existiam foram testadas e foram liberadas, né? As que chegaram recentemente estão sendo liberadas, né? Então são os números reais, quer dizer, no Adolfo Lutz não tem amostras que estão aguardando exames, né, seja do município A, do município B, do município C, tá certo? Aí são questões outras de inconsistência de registros. Inconsistências de quem fez o registro, inconsistência de quem encaminhou a amostra, se é que encaminhou a amostra. O fato é o seguinte, essas amostras não existem, seja elas de pacientes internados, seja ela de pacientes que foram a óbitos. Enfim, da sistemática atual o Adolfo Lutz não tem exames aguardando para serem liberados.

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Só complementando. O Adolfo Lutz e todos os laboratórios da rede não vão colher o exame. A amostra que vai ao laboratório. Ele não é um laboratório que faz uma coleta ali na hora. Não, ele faz o exame, a coleta é feita pelas unidades de saúde e são encaminhadas para o laboratório ou para qualquer laboratório da rede conforme essa distribuição feita agora.

DAVID UIP, CHEFE DE COMITÊ DE CONTINGÊNCIA DA COVID-19: Obrigado. Passo agora a uma pergunta presencial, CNN, a Marcela Rahal.

MARCELA RAHAL, REPÓRTER: Oi, boa tarde. Boa tarde a todos. Bom, o secretário municipal de saúde, Edson Aparecido disse que a quarentena na capital paulista será prorrogada, inclusive endurecida. Eu queria saber se vocês confirmam isso. E aproveitar pra perguntar sobre uma declaração do presidente Jair Bolsonaro que disse que São Paulo infla os números pra uso político. Eu queria saber como que vocês se posicionam em relação a essa declaração do presidente. Obrigada.

DAVID UIP, CHEFE DE COMITÊ DE CONTINGÊNCIA DA COVID-19: Obrigado. O estado de São Paulo ele tem um decrete que estende as medidas de contingenciamento até o dia 10. Nós do sistema de... do Centro de Contingenciamento e Secretaria de Estado da Saúde nos reunimos diariamente, 24 horas por dia pra tratar dessas metas, pra tratar dos dados epidemiológicos, dos dados clínicos, sustentação do sistema pra oferecer ao governador e ao Governo a melhor referência pra sua decisão. Isso não ocorrerá antes daquilo que o governador falou e de terminou. Eu não vou comentar, que não tenho nem direito e nem gosto, fala do presidente da República. Eu vou contar só em um segundo a minha história. Primeiro como médico que atua atendendo doentes há quase 45 anos, e eu faço isso diariamente. Eu brinco que até quando eu estou de férias, férias raras, eu acabo atendendo pacientes. Então eu vivi uma história que vocês são muito jovens e não viveram que foi a história de pacientes com Aids, década de 80. Nesta década de 80, até mais ou menos 87, quando surgiu o AZT, diagnóstico de Aids era sentença de morte. Então em 87 apareceu o AZT e as coisas evoluíram pra um cenário melhor em 96. Um aparecimento de um coquetel, o uso de três medicamentos. Então eu e a minha geração, e as que se sucederam, nós vivemos um panorama de perda, perda de pacientes, perda de amigos e até familiares. Então a mim causa um absoluto constrangimento em falar de morte. Isto é uma coisa que dói. Então toda vez que eu ou o secretário apresentamos os dados de morte do estado de São Paulo, podem ter a absoluta certeza, e nós falamos em nome do governador, isso nos causa dor. Então nenhum de nós vai inflar números de má notícia.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO ESTADUAL DA SAÚDE DE SÃO PAULO: Muito obrigado. Foi a Marcela que fez a pergunta? E eu tenho uma nota aqui da secretaria e vou ler pra vocês. A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo lamenta a falha enviesada e irresponsável do presidente da República, Jair Bolsonaro na manhã desta quinta-feira, que ignora o fato de que o isolamento social em São Paulo é fator determinante para o achatamento da curva e, consequentemente, diminuição no número de pacientes infectados e de doentes que precisam de UTI, principalmente, evitando um colapso no sistema público de saúde. Ao contrário do que disse o presidente, São Paulo publicou resolução em Diário Oficial que protege a sua população com o objetivo de fortalecer as medidas de segurança dos profissionais de saúde, pacientes e do serviço funerário. A Secretaria de Estado da Saúde definiu por meio dessa resolução, protocolos de prevenção que preveem como outros profissionais das unidades de saúde possam emitir uma declaração de óbito dos casos relacionados ao Covid-19. É fundamental esclarecer que o documento emitido nesses casos é um registro não confirmatório para a Covid-19. A confirmação ocorre apenas se o teste comprovar a infecção pelo Coronavírus, com diagnóstico por laboratório, já validado na rede de saúde. Existe no próprio atestado exame em andamento. São Paulo tem agido com responsabilidade e transparência e foi pioneiro nas ações do combate à doença. Criou ainda, em fevereiro, o Centro de Contingência ao Coronavírus, liderado aqui pelo professor David Uip aqui presente e composto por outros 14 especialistas como o professor Dimas Covas aqui presente também. As propostas deste grupo norteiam as ações do governo do estado no enfrentamento à pandemia de forma tecnocientífica.

DAVID UIP, CHEFE DE COMITÊ DE CONTINGÊNCIA DA COVID-19: Ainda vai chegar o dia, espero que em breve, que nós três vamos vir aqui anunciar nenhum caso de morte no estado de São Paulo. Pergunta online agora, Bandnews. Bruna. Flávio, por favor.

BRUNA, JORNALISTA DA BANDNEWS: Já há um balanço de profissionais de saúde afastados no estado por Coronavírus? Existe um plano para substituir esses profissionais?

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO ESTADUAL DA SAÚDE DE SÃO PAULO: Muito obrigado. Hoje nós temos, no estado de São Paulo, 2.500 funcionários afastados. Nós fizemos aquele reforço de RH no sentido de contratar funcionários para a pasta, alguns remanescentes de concurso e outros através de uma contratação nova. E como também, vale lembrar que a saída do funcionário leva de duas a três semanas, que é o tempo de permanência do funcionário em casa, isolado, devido a questão da epidemi a. Quando necessário, ele vai então para o serviço de saúde e todos eles são testados para o Coronavírus.

DAVID UIP, CHEFE DE COMITÊ DE CONTINGÊNCIA DA COVID-19: Muito obrigado secretário. Agora uma pergunta presencial, TV Record, Daniela Salerno.

DANIELA SALERNO, JORNALISTA DA TV RECORD: Boa tarde a todos. Vocês comentaram na coletiva que mais de dois milhões e seiscentos mil medicamentos também foram solicitados para serem trazidos para São Paulo, medicamentos emergenciais. Eu queria saber a opinião de vocês, principalmente do Dr. David Uip por estar à frente do centro de contingência, como que vocês estão vendo todas as pesquisas que estão acontecendo em relação a esses medicamentos? Se há algum otimismo também falando de medicamentos, não só Cloroq uina ou Claritromicina esteroides que pode ser uma opção, mas também o Rendezivir que já é dado aí, por muitos médicos como uma possível medida para esses pacientes, por favor?

DAVID UIP, CHEFE DE COMITÊ DE CONTINGÊNCIA DA COVID-19: Existem, hoje, protocolos de pesquisa em vacina, mais de 80 e protocolos de pesquisas em medicamentos, mais de uma centena. Eu, pessoalmente, acredito que nós teremos um medicamento efetivo antes do que a vacina. E isto pode ocorrer em cima das demandas de pesquisa que estão ocorrendo. O mundo pesquisa, os seus melhores cientistas, um novo medicamento e uma vacina. E esse medicamento talvez tenha duas funções a semelhança dos medicamentos de HIV, uma é matar o vírus e a outra é diminuir a transmissib ilidade. Olha o que aconteceu na cidade de São Paulo no final do ano passado? O ministério notificou que a cidade de São Paulo zerou a transmissão do HIV materno-fetal. Ao que seu deu isso? Medidas de comportamento adequadas, mas, fundamentalmente, o diagnóstico e o tratamento da mulher grávida. Então, isso nós almejamos. Eu, pessoalmente, tenho otimismo que em breve teremos um medicamento e, na sequência, uma vacina. São os dois fatores que mudam a trajetória da pandemia. Muito obrigado. Agora, a pergunta online, O Globo, da Silvia Amorim

SILVIA AMORIM, JORNALISTA DO JORNAL O GLOBO: O secretário José Henrique Germann comentou durante a semana que laboratórios estão detectando problemas na coleta e transporte de testes de Coronavírus e isso poderia estar prejudicando o processamento dos resultados. Há um percentual desses descartes? Quais são as principais falhas encontradas que prejudicam nesse processamento das análises? E por fim, a plataforma está tomando providências no sentido de orientar as unidades de saúde? Quais são elas?

DIMAS COVAS, DIRETOR DO INSTITUTO BUTANTAN: Bem, esse percentual, nós, naquelas amostras que estavam armazenadas, quer dizer, ele foi em torno de 7 a 8%. Quais que foram os principais problemas? Primeiro, acondicionamento, quer dizer, as amostras são coletadas e eu vou dar um exemplo que aconteceu essa semana, foi coletada na sexta-feira, não interessa muito aonde, e foi encaminhada na segunda-feira. Ela chegou absolutamente fora das condições lá para ser realizado o teste, quer dizer, não foi conservada de forma adequada, não estava em temperatura adequada. Ent&atil de;o, isso é dos problemas. Outro, problema de identificação. A amostra chega, ela não está corretamente identificada, quer dizer, como é que se registra uma amostra que não tem uma identificação correta? Terceiro ponto, amostras contaminadas, quer dizer, ela não foi coletada de forma adequada, quem coletou não tomou as medidas recomendadas e contaminou a amostra, então, isso também vai dar resultado inconsequente. Enfim, são vários pontos que precisam ser atacados e nós já começamos. A plataforma já produziu uma série de três vídeos já orientando a coleta desse material, orientando como ele deve ser rotulado e orientando como ele devem ser registrados. Então, já são vídeos que estão disponíveis e vai ter que ser feito ações adicionais. Nós vamos trabalhar diretamente com os municípios que são quem coleta, para que não se perca mais amostras. E o recebimento, cada vez mais, ele tem que ser aderente às normas, quer dizer, se a amostra não chegar em condições, ela não pode ser analisada. Quer dizer, não adianta nós recebermos uma amostra que sabemos que ela não vai produzir o resultado. Então, num determinado momento, após essas ações, as amostras terão que ser rejeitadas por falta de qualidade.

DAVID UIP, CHEFE DE COMITÊ DE CONTINGÊNCIA DA COVID-19: Só adicionando o que o professor falou, a coleta do swab, ela precisa de uma técnica específica, tanto das narinas como da orofaringe. A coleta do teste rápido da sorologia, tanto o teste rápido capilar com sangue plasma, como a sorologia, é coleta de sangue, então, é mais simples, nós deveremos ter menos problemas. Eu vou passar agora à pergunta presencial da Jovem Pan, da Beatriz Manfredini.

BEATRIZ MANFREDINI, JORNALISTA DA RÁDIO JOVEM PAN: Boa tarde a todos. Vocês disseram que pediram quatro milhões de testes rápidos, né, para o Ministério da Saúde e também insumos para o teste do RT-PCR. Eu queria entender se a gente precisa esperar esses testes chegar, se tem uma previsão ou esses insumos para começar a ampliação da testagem ou não, se a gente já vai começar, quando que vai se dar, de fato, esse início? Obrigada.

DIMAS COVAS, DIRETOR DO INSTITUTO BUTANTAN: Bem, as duas testagens são complementares, né? Quer dizer, a ampliação que nós chamamos ali de Fase 1 são os testes rápidos, quer dizer, o secretário já mencionou que o ministério enviou 400 mil testes que estão sendo distribuídos para os municípios e a secretaria está adquirindo 500 mil testes para começar naquelas populações que eu citei lá, que são de atenção especial. Com relação ao RT-PCR, quer dizer, nesse momento nós temos capacidade ocioso, então, nós temos que repactuar com os municípios os fluxos. Quer dizer, os municípios adotaram nesse período aí, ações próprias, quer dizer, contrataram laboratórios privados, enfim, tomaram algumas ações e o fluxo foi interrompido. Então, nós estamos retomando esse fluxo para restabelecer dentro da capacidade instalada neste momento. Então, isso está em curso, não é? Os testes rápidos deverão ter a sua etapa de implantação no estado todo até 15 de maio. É possível que aconteça isso antes, mas a data limite é 15 de maio.

DAVID UIP, CHEFE DE COMITÊ DE CONTINGÊNCIA DA COVID-19: Obrigado. Agora é uma pergunta presencial SBT, Fábio Diamante.

FÁBIO DIAMANTE, REPÓRTER: Obrigado, boa tarde, boa tarde a todos. Eu queria pedir para os senhores uma avaliação. Os senhores falaram dos números de ocupação dos leitos de UTI, e me chama a atenção de que começamos a ver a necessidade de transferir pacientes na região da capital para o interior. Se não estou enganado, os senhores já falavam desse panorama, que ele poderia ocorrer, mas provavelmente mais para o fim de maio. Então a gente está vendo aqui uma antecipação do caos, se é que a gente pode definir assim. Eu queria perguntar essa análise, saber qual a taxa de ocupação de ontem. E, voltando ao que a colega da CNN falou, sobre a declaração do secretário municipal, a nós, pra gente que está vendo tudo nas ruas e as curvas aumentando, nos parece uma declaração franca e honesta, e transparente. Eu queria saber se é preciso mesmo que se espere ali os 45 do segundo tempo para que a população entenda de que estamos caminhando para uma situação muito grave. Obrigado.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO ESTADUAL DE SAÚDE DE SÃO PAULO: Vou dividir com o Dr. David. Quanto à questão da ocupação, veja, a gente trabalha sempre com esses cenários. Como eu disse anteriormente, nós precisaríamos, nós vamos adicionar recursos, insumos e leitos novos. Nós temos leitos novos para abrir. Agora, como houve uma defasagem aí da chegada dos respiradores, então nós temos que usar, por um tempo, essa transferência de pacientes para o interior. Depois, isto volta novamente para a capital, p orque a capital então terá um número maior de leitos. É isso que nós vamos fazer. Agora, se isso é uma antecipação do cenário, não me parece, eu acho que nós estamos indo no mesmo caminho que a gente estava indo. Essa velocidade de crescimento estava em torno aí de 8%, 7%, hoje está em 12%, a parte de óbitos estava em 6%, continua 6%, teve semana passada um pico, voltou. Então, acho que tudo isso a gente tem que ir estudando dia a dia, entendeu? Não é uma questão de esperar os 45 minutos do segundo tempo, mas é uma questão de que a gente trabalha, estuda, analisa, para tomar uma decisão a cada passo que nós estamos trabalhando. David.

DAVID UIP, COORDENADOR DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: O distanciamento social continua absolutamente importante, não tem como dizer. E nós tivemos uma queda, sentida pelo sistema inteligente do estado e visual, quem anda pelas ruas está percebendo isso. Refazendo o posicionamento, agradecendo a população de quase 50% que continua mantendo esse distanciamento, mas um apelo: é absolutamente fundamental que nós tenhamos esse distanciamento. O Governo de São Paulo, ele trabalha com total transparência, tanto nas suas propostas como números. E t ambém integrado ao Sistema Municipal. Nós falamos, desde o primeiro momento, que há um pacto federativo, envolvendo municípios e Ministério da Saúde. E óbvio que os municípios têm a oportunidade de se posicionar, e vai integrar aos posicionamentos do Estado. Aqui existem, nós falamos por todo o estado, todo um direcionamento, para que nós tenhamos os melhores dados, os melhores posicionamentos, para subsidiar as decisões do Governo do Estado. Então, nada mudou, há um posicionamento do secretário Edson Aparecido, que é um secretário com uma espetacular atuação, absolutamente claro, como nós também somos absolutamente claros e postados em cima da verdade e da transparência. Muito obrigado. Eu passo agora a palavra, a penúltima pergunta presencial, da Folha de São Paulo, da Patrícia Pasquini. Ah, desculpe. I solamento.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO ESTADUAL DE SAÚDE DE SÃO PAULO: 48%, e a média do estado inteiro, 47%.

DAVID UIP, COORDENADOR DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: Então, nós mantivemos a taxa e no estado diminuiu, de 48% para 47%. Então a pergunta presencial, Folha de São Paulo, Patrícia Pasquini.

REPÓRTER: Bom dia a todos. Secretário, alguns dias atrás, o senhor expôs aqui para todos nós um estudo, com uma projeção de pouco mais de 3.000 casos até o início de maio, precisamente no dia 3 de maio. Essa projeção que o senhor fez, provavelmente vai se manter. Existe alguma nova para os próximos dias, para além do mês de maio, até junho? E em que momento nós estamos desta doença, desta pandemia? E eu também gostaria de perguntar ao senhor, o senhor disse que a partir desse final de semana ser&aacu te; necessário utilizar os leitos do interior para internar pacientes da capital e da região metropolitana ou somente da capital, inicialmente? E como isso será feito? Muito obrigada.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO ESTADUAL DE SAÚDE DE SÃO PAULO: Bom, a transferência dos pacientes é da Grande São Paulo para o interior, à medida da necessidade. Isso está dentro de um sistema que se chama CROSS, que é o Centro de Regulação da Secretaria de Estado. Ele busca e tem dentro do seu sistema as vagas disponíveis. Então, toda solicitação que chega, ele analisa, vê, digamos, fora do Covid, ele analisa a especialidade, tal, assim por diante, e aí acha uma vaga, ou dentro das vagas dispon&i acute;veis. Aqui, é um único diagnóstico, que é o Covid-19. Então, existe praticamente hoje um CROSS exclusivamente trabalhando para o Covid. E ele faz exatamente a mesma coisa, ele sabe onde estão as vagas e aí ele estabelece pra onde vai o paciente. E quando eu digo pro interior, nós estamos falando de uma periferia muito próxima, um interior muito próximo, entendeu? Junto da área metropolitana de São Paulo. Mas precisamos lançar mão disso, pelo menos por alguns dias. Aí depois voltamos, com o aumento do número de leitos aqui da capital. Era essa... Tinha mais... Ah, sim. Nós estamos com uma projeção pro dia 3 de maio, que também começa a subsidiar como que nós faremos para o dia 8, 10 de maio, dar continuidade, a que estratégia nós estaremos trabalhando. Eu acredito que as projeções para o dia 10, 3 de maio, vão se confirmar, dentro de um cenário, como eu tenho mostrado pra vocês, seguindo com o isolamento em torno de 50%. Aí, nós teremos esse número de óbitos até lá, talvez um pouquinho menos, um pouquinho mais.

REPÓRTER: [Pronunciamento fora do microfone]

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO ESTADUAL DE SAÚDE DE SÃO PAULO: Muito difícil de falar isso. Nós estamos... Nós conseguimos, eu acho que aqui tem dois grandes especialistas. Nós conseguimos achatar um pouco a curva, o suficiente para que o sistema de saúde dê conta daquilo que tem que ser feito com os pacientes. David.

DAVID UIP, COORDENADOR DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA: Deixando bem claro o que o secretário falou, essa curva, até dia 3 de maio, é número de óbitos. Então, não é número de infectados. Então, pelo decorrer dos dias, eu acho que a projeção, ela está adequada, mas nós vamos ver no dia a dia. As projeções são feitas todos os dias, elaborando dados, para decisões futuras, mas eu acho que o número que nós temos disponível, atual, é esse do dia 3 de maio. Professor Dimas.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTÃ: Fase, nós estamos na fase de aceleração da epidemia, nós estamos na fase de ascensão, tá certo? Ok?

DAVID UIP, COORDENADOR DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA: Eu quero reiterar que as medidas tomadas, elas achataram a curva e adiaram a aceleração. Isto tem possibilitado que o Governo do Estado se prepare da melhor forma para dar contingência às demandas que estão acontecendo. Eu vou pra última pergunta... Tá bom. Então esta... Pensei que o William Cury iria perguntar, mas ele desistiu. Fica para a próxima coletiva. Eu queria, em meu nome, agradecer a todos. Eu passo ao secretário para fazer o encerramento.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO ESTADUAL DE SAÚDE DE SÃO PAULO: Muito bem. 13h28. Então, estamos encerrando aqui hoje a coletiva técnica. Amanhã, como disse o governador ontem, não tem coletiva, pelo feriado, volta na segunda-feira, com a coletiva geral. Muito obrigado.